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Paróquia São Luis Gonzaga Brusque, fevereiro de 2014 - Número 34

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Guardemos a fé! “Seguindo o exemplo dos Magos, com as nossas pequenas luzes, procuramos a Luz e guardamos a fé”

“Lumen requirunt lumine”. Esta sugestiva frase dum hino litúrgico da Epifania referese à experiência dos Magos: seguindo uma luz, eles procuram a Luz. A estrela aparecida no céu acende, nas suas mentes e corações, uma luz que os move à procura da grande Luz de Cristo. Os Magos seguem fielmente aquela luz, que os penetra interiormente, e encontram o Senhor. Neste percurso dos Magos do Oriente, está simbolizado o destino de cada homem: a nossa vida é um caminhar, guiado pelas luzes que iluminam a estrada, para encontrar a plenitude da verdade e do amor, que nós, cristãos, reconhecemos em Jesus, Luz do mundo. Importante é estar atento, velar, ouvir Deus que nos fala – sempre nos fala. Como diz o Salmo, referindo-se à Lei do Senhor: “A tua palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos” (Sal 119/118, 105). Entre os vários aspectos da luz, que nos guia no caminho da fé, inclui-se também uma santa “astúcia”. Trata-se daquela sagacidade espiritual que nos permite reconhecer os perigos e evitá-los. Os Magos souberam usar esta luz feita de “astúcia” quando, no

caminho de regresso, decidiram não passar pelo palácio tenebroso de Herodes, mas seguir por outra estrada. Estes sábios vindos do Oriente ensinam-nos o modo de não cair nas ciladas das trevas e defender-nos da obscuridade que teima em envolver a nossa vida. Na festa da Epifania, em que recordamos a manifestação de Jesus à humanidade no rosto dum Menino, sentimos ao nosso lado os Magos como sábios companheiros de estrada. O seu exemplo ajuda-nos a levantar os olhos para a estrela e seguir os anseios grandes do nosso coração. Ensinam-nos a não nos contentarmos com uma vida medíocre, sem “grandes voos”, mas a deixarmo-nos sempre fascinar pelo que é bom, verdadeiro, belo... por Deus, que é tudo isso elevado ao máximo! E ensinam-nos a não nos deixarmos enganar pelas aparências, por aquilo que, aos olhos do mundo, é grande, sábio, poderoso. Seguindo o exemplo dos Magos, com as nossas pequenas luzes, procuramos a Luz e guardamos a fé. Assim seja! Trecho da homilia do dia 6 de Janeiro de 2014.

Editorial

Deus

Liberdade em

A Campanha da Fraternidade de 2014 aborda o tráfico humano como tema central. É um tema que nos remete à liberdade, ou a falta dela. O “comércio” de pessoas, atualmente, é bastante similar aos tempos do Brasil-colônia onde escravos eram mercadoria. No entanto, Deus sempre quis que fôssemos livres e para garantir esta liberdade é que nos deu seu Filho. A revista A Palavra deste mês traz uma material especial e uma entrevista sobre o tema. É a liberdade tão almejada por todos,

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mas que mora em Cristo, na fé e no caminho que o Pai quer que sigamos. As manifestações de liberdade, atualmente, são muito confusas. Pois não é que somos livres por fazer o que queremos, mas sim, fazendo o que é certo, seguindo o caminho do bem, da verdade, da fé. Homens livres são aqueles que agem humanamente. Que tem seu coração e em seu pensamento a Palavra de Deus, seus ensinamentos e seu amor. Boa leitura!

A Palavra - Opinião

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A Palavra - Mural

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Edição

34 ESPECIAL | 10 a 13

Capa Ed. 31

Campanha da Fraternidade 2014

07 | Os jovens na MDJ 14 | O papel do Catequista 15 | Quem foi Santa Bernadete 16 | Início da Catequese nas

ENTREVISTA | 08 e 09 P. Hélio Luciano fala sobre a liberdade em Cristo

comunidades

17 | Festa de Nossa Senhora de Lourdes 18 | Colorindo: A Virgem de

Lourdes

CARISMA | 06

Conhecendo o Carisma Dehoniano www.paroquiasaoluisgonzaga.com

A Palavra - Sumário

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O CARISMA DEHONIANO

Fonte: www.dehonianos.org.br – scj.org.br

No coração da Família Dehoniana experimentamos um dom especial de Deus que nos une em comunhão, uma espiritualidade que nos anima para a missão de evangelizar. Padre Dehon experimentou esta graça e — como ele mesmo disse — nos deixou por herança este maravilhoso tesouro: o Coração de Jesus. As palavras são muito pequenas para conter o significado de um carisma. Mas procuramos resumir aquilo que está em nossa Regra de Vida em apenas uma frase: “União à oblação reparadora de Cristo ao Pai em favor da humanidade” (CST. 6). Este carisma define a nossa identidade dehoniana. É preciso estar sempre atentos à inspiração original e aos apelos do nosso tempo para manter-nos em fidelidade criativa ou dinâmica e realizar assim o nosso papel na Igreja. Todo carisma tem duas dimensões: o que somos e o que fazemos. Ou seja, a espiritualidade (ser) e o apostolado (fazer). A expressão “oblação reparadora” sintetiza o nosso

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A Palavra - Carisma

carisma nestas duas dimensões: a mística que nos anima e a nossa ação evangelizadora. A oblação é o cerne da espiritualidade dehoniana. É a nossa mística. Basta lembrar que, na intenção original de Padre Dehon, o nome da Congregação deveria ser “Oblatos do Coração de Jesus”. Nossas constituições exprimem isto com clareza: “Para Padre Dehon, o Ecce venio define a atitude fundamental de nossa vida; faz de nossa obediência um ato de oblação, configura nossa existência com a de Cristo, para a redenção do mundo, para a glória do Pai” (Cst. 58). Portanto, o dehoniano deve ser reconhecido por atitudes que nascem de sua união à oblação de Cristo e que marcam todo o seu ser: disponibilidade, amor à Eucaristia, obediência, espírito de comunhão (sint unum), coragem de arriscar a vida pelo Evangelho em favor dos irmãos (sacrifício-imolação), solidariedade e gratuidade. Enfim, o oblato tem um coração grande, capaz de acolher, amar e servir. www.paroquiasaoluisgonzaga.com


MDJ 2014

Durante os dias 1º e 12 de janeiro, jovens da Paróquia São Luis Gonzaga juntaram-se a outros jovens dehonianos para a Missão Dehoniana Juvenil – MDJ 2014. O encontro aconteceu na Paróquia Santa Rosa de Lima, na cidade de Independência, no Rio Grande do Sul. Participaram aproximadamente 84 missionários que visitaram famílias da cidade e do interior do município. “Nós missionários aprendemos não só nas visitações, mas também a viver em comunidade, desde o nosso alojamento, onde entendemos que

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fazemos parte de um corpo e que para vivermos bem os dias da missão precisamos fazer a nossa parte, não só para o nosso bem estar, mas para o melhor dos que lá se tornam a nossa família”, relata o Padre Magnos Caneppele, que completa: “Percebemos o quão maravilhoso é participar da Missão Juvenil e fazer parte da família Dehoniana. A cada família visitada, cada coração aberto para as visitas dos missionários era uma nova certeza de que valia a pena abrir mão de férias, internet, celular e até mesmo família e amigos,

para poder passar esse tempo de aprendizado com as famílias e com os missionários.” Na prática, os jovens missionários que cultivam o carisma dehoniano realizam missões em diferentes comunidades, rurais ou urbanas, aos fins de semana, promovendo a formação de novos grupos missionários e fazendo visita aos doentes. Desta forma, são engajados nas comunidades e ajudam a despertar para a problemática social, comunicando entusiasmo pela Igreja e por sua missão evangelizadora.

A Palavra - Dehonianos

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Liberdade cristã coisas que nós interiorizamos e nos liberta para uma vida plena. O modo de ser humano, verdadeiramente, é ser Cristo, é a nossa plenitude e por isso somos chamados a ser como Ele. Quanto mais parecidos com Cristo nós formos, mais livres seremos. A liberdade consiste em sermos verdadeiros filhos de Deus. A Palavra - De que maneira podemos aproveitar esta liberdade que Deus preparou para nós?

Nesta edição nosso entrevistado é o Padre, Hélio Luciano, pároco na Paróquia São Judas Tadeu e São João Batista, da cidade de Palhoça, SC. Padre Hélio, além de sacerdote, é formado em Odontologia, Mestre em Teologia Moral e Doutor em Bioética. A Palavra - A Campanha da Fraternidade 2014 nos traz a mensagem “É para a liberdade que Cristo nos libertou”. Para a Igreja, qual o verdadeiro sentido de liberdade? P. Helio Luciano - Liberdade para a Igreja e para os seres humanos é o próprio Cristo, pois Ele veio nos trazer a liberdade, nos libertando de nós mesmos, dos nossos pecados. Nos livra dos nossos egoísmos e das

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A Palavra - Entrevista

P. Helio – O Evangelho de São João diz: “A Verdade vos fará livres”. Viver do modo plenamente humano, propriamente como Cristo é como podemos viver a liberdade, que implica, num primeiro momento, da liberdade de escolha, que é algo necessário para sermos livres, que é a verdadeira liberdade, mas não é o mais alto grau dela. Atingimos a liberdade máxima quando escolhemos um caminho e somos coerentes com ele, desde que seja de acordo com a verdade e não qualquer caminho. Um exemplo que sempre dou é de uma pessoa que chega numa idade avançada e não decidiu nada, não escolheu um caminho e, assim, não viveu. Teve todas as opções de escolha e não optou por nenhuma. Portanto escolher um caminho a ser seguido na vida é a melhor maneira de ser livre, sendo coerente e humano, numa total entrega. Existe um conceito muito claro de liberdade religiosa que nós, como católicos, devemos defender com unhas e dentes: São Josemaria Escrivá dizia que morreria pelo direito dos outros de seguir outra religião, pois ninguém ama obrigado. É necessário ser livre para poder amar. É pela

liberdade de eleição, de escolha, que vivemos, pois Deus nos permite errar, nos permite pecar. Mas de maneira que desejamos nos aprofundar e ampliar nossa liberdade é que devemos nos

“Quanto mais parecidos com Cristo nós formos, mais livres seremos. A liberdade consiste em sermos verdadeiros filhos de Deus.” aproximar mais de Deus. A Palavra - A chamada ‘liberdade de expressão’, muitas vezes fere a www.paroquiasaoluisgonzaga.com


postura ideológica de uma religião, como no caso recente dos vídeos do canal Porta dos Fundos, no Youtube. O que o senhor pensa sobre isso? P. Helio – É necessário ter liberdade de expressão, sim, mas ela não é absoluta. Temos o direito de dizer do que gostamos, das nossas preferências e opiniões, mas não podemos jamais ofender, ferir o outro, principalmente a fé do outro. Aqui estamos numa via de mão única numa parte da sociedade. Muitos acreditam ter sua liberdade de expressão assegurada ao falar mal da Igreja, das religiões, sem que nada os afete, mas, e se a Igreja decide fazer o mesmo, falar da política, da mídia, então é considerado fundamentalismo. Este é um diálogo difícil, pois os lados não são pesados com a mesma medida. Dias desses, ao publicar uma

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matéria num site, fui duramente criticado por um jornalista e através de comentários de inúmeras pessoas que não me conheciam, mas que me atacavam, pelo fato de ser sacerdote. Infelizmente os que se dizem mais tolerantes, que pregam tanto essa “liberdade”, são os mais intolerantes com aqueles que não concordam com sua opinião, simplesmente. A Palavra - Alguns grupos da sociedade exigem que a Igreja Católica respeite suas opiniões, mas relutam em dialogar sobre a posição da Igreja. De que forma é possível lidar com esta questão, no âmbito religioso? P. Helio – Como falamos anteriormente, esta é uma questão difícil, pois acredito haver uma má interpretação por parte da sociedade

como um todo. A Igreja não prega o ódio, o desrespeito, não prega a homofobia, por exemplo. Ao contrário, pregamos uma atitude de acolhida, de ajudar as pessoas a serem felizes, basta que elas queiram isso, pois ninguém obrigada ninguém a nada, muito menos a Igreja. O que ocorre é que, quando todos falam, é visto o exercício da liberdade de expressão, mas quando o discurso é por parte da Igreja, somos taxados de fundamentalistas. Porém, a Igreja está sempre aberta ao diálogo. O que o próprio Papa Francisco pregou foi uma atitude de acolhida, pois nós temos uma proposta real e concreta de felicidade, que é Cristo, que é viver conforme Ele nos pede, através da sua Igreja, e sabemos que as pessoas que viverem assim serão mais felizes, e por isso estamos dispostos a dialogar e acolher.

A Palavra - Entrevista

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Baseado no livro “Tecendo o fio de ouro”

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A Palavra - Discípulos

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A liberdade que recebemos de Deus (*) Com o tema “É para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1)” a Campanha da Fraternidade 2014 trata de um tema de grande importância para nossa sociedade, mas que muitas vezes passa despercebido aos nossos olhos: o tráfico humano. Este é um momento em que se cria um diálogo com a sociedade, focando na justiça social e na superação do pecado social. Assim, a Igreja Católica leva para a sociedade uma perspectiva de vivência comprometida com o evangelho, contribuindo para um mundo melhor, mais próximo aos ensinamentos cristãos, gerando uma conversão e uma mudança de mentalidade e de vida. Identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-lo como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar esse mal, com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus, é o principal objetivo da campanha. Trabalhando este tema é possível identificar as causas e modalidades do tráfico humano e quem realmente sofre com essa exploração. A abordagem de temas complexos, oriundos à nossa realidade social e que afetam de diversas formas a vida cristã, é necessária para que se denunciem as estruturas e situações causadoras do tráfico humano. É preciso cobrar do poder público, políticas e meios para a reinserção na vida familiar e social das pessoas atingidas pelo tráfico humano e promover ações de prevenção e de resgate da cidadania das pessoas em situação de tráfico. À luz da Palavra de Deus é preciso www.paroquiasaoluisgonzaga.com

suscitar a conversão que conduz ao empenho transformador dessa realidade aviltante que milhares de pessoas enfrentam. Celebrar o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo é uma forma de sensibilizar para a solidariedade e o cuidado às vítimas desse mal.

Mas afinal, o que é TRÁFICO HUMANO? O Tráfico humano - ou tráfico de seres humanos ou tráfico de pessoas - referese à mesma exploração em consequência de violações dos direitos das pessoas. É uma ofensa aos direitos humanos porque oprime e escraviza a pessoa, ferindo sua dignidade e evidenciando diversas violações de direitos presentes na sociedade contemporânea. Nos países de língua espanhola, esse crime é conhecido como trata de personas, os países de língua inglesa o denominam de trafficking in persons. No Brasil, a terminologia mais utilizada é tráfico de seres humanos ou escravidão moderna. O tráfico humano é um crime que atenta contra a dignidade da pessoa humana, já que explora o filho e a filha de Deus, limita suas liberdades, despreza sua honra, agride seu amor próprio, ameaça e subtrai sua vida, quer seja da mulher, da criança, do adolescente, do trabalhador ou da trabalhadora — de cidadãs e cidadãos que, fragilizados por sua condição socioeconômica e/ou por suas escolhas, tornam-se alvo fácil

para as ações criminosas de traficantes. Este já é compreendido como um dos problemas mais graves da humanidade e que gera outras atividades igualmente perniciosas contra a dignidade. Existem várias rotas, que costumam sair do interior dos estados em direção aos grandes centros urbanos ou às regiões de fronteira internacional, levando consigo estas pessoas. Infelizmente trata-se de um crime com bastante invisibilidade, que não se evidencia, pois as vítimas – sofredoras de fortes ameaças - não denunciam.

“O tráfico de pessoas é uma atividade ignóbil, uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas!” (Papa Francisco)

A prática perversa de explorar alguém em condições degradantes permanece nos modernos esquemas da economia global. Nunca houve tantos escravos na história da humanidade como hoje: são as vítimas contemporâneas do tráfico humano. A Palavra - Discípulos

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O aliciamento e a coação são práticas comuns, que começam com uma abordagem sobre a esperança de uma vida melhor, com mais benefícios, e que camuflam outras atividades ilegais. As vítimas quase sempre encontram-se em situação de vulnerabilidade, na maioria dos casos, por dificuldades econômicas. O tráfico de pessoas serve para a exploração do trabalho, exploração sexual, extração de órgãos e tráfico de crianças e adolescentes para adoção de estrangeiros. Conforme dados da ONG Walk Free, são 30 milhões de pessoas no mundo exploradas no tráfico humano. Das vítimas 74% são adultos e 26% tem menos de 18 anos; destes 55% são mulheres e 45% são homens.

Principais Países tráfico humano: • • • • •

Índia – 14 milhões China – 3 milhões Paquistão – 2,1 milhões Nigéria – 705 mil pessoas Etiópia - 650 mil pessoas

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A Palavra - Discípulos

A Igreja a serviço da Libertação A sociedade civil contribui no enfrentamento com programas educativos e iniciativas eclesiais visando a conscientização e prevenção, como: Escravo nem Pensar; De olho aberto para não vir escravo; Mutirão Pastoral contra o Trabalho Escravo; Concurso da Abolição. A Igreja Católica está intimamente solidária com as pessoas afetadas pelo tráfico humano e comprometida com a defesa da dignidade destas pessoas, dos direitos fundamentais e com a erradicação do crime, pois esta é uma negação radical do projeto de Deus para a humanidade. Na criação, o ser humano é o ponto alto. A dignidade requer viver em comunhão e serviço nas várias relações, conforme o plano de Deus. Rompendo-se estas relações, há que se buscar a raiz dos males. O fio condutor do Antigo Testamento é, justamente, a libertação da pessoa humana. A libertação do Egito devolveu a dignidade ao povo de Israel. Sem esta o ser humano não se reconheceria a si e

nem ao criador e perderia sua essência de imagem. O Egito era a grande nação para onde tudo convergia; se enriquecia explorando pessoas. Os impérios da época costumavam remover grande parte dos povos que venciam. Os deportados viviam este processo como exílio da sua terra e assim o povo de Israel passou por exílios, e foi perdendo suas referências culturais, religiosas e de valores. Mas Deus intervém e liberta este povo, que retorna à sua terra. A prática semelhante ao que hoje denominamos tráfico humano encontrou oposição nos profetas de Israel. Oprimir o pobre é o maior de todos os pecados (cf. Am 4,1). Colocar a justiça a serviço dos ricos é perverter o direito e destruir a sociedade (cf. Am 5,12). Segundo os profetas, uma sociedade indiferente à compra e venda de pessoas está condenada à destruição. Em Jesus Cristo cumpre-se o evento decisivo da ação libertadora de Deus e a revelação em Cristo do mistério de Deus é também a revelação da vocação da pessoa humana à liberdade. Jesus entende que seu ministério é um ministério de libertação. A compreensão atual da dignidade e dos direitos humanos é uma referência fundamental para o enfrentamento das situações de

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injustiça que atentam contra a vida das pessoas, a exemplo do tráfico humano e trabalho escravo. No século XX houve o reconhecimento definitivo desta concepção da dignidade humana com a Declaração dos Direitos Humanos, em 1948, cujo artigo primeiro diz: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”. Assim, houve o reconhecimento, por parte da Igreja, da declaração, pois volta-se para o humano. O Ensino social da Igreja adotou a dignidade humana como uma de suas matizes fundamentais, considerando-a sob a ótica da experiência cristã de fraternidade. O reconhecimento da realidade do trafico humano e suas finalidades e o julgamento desta situação sob a Luz da Palavra de Deus convida a um terceiro passo: as propostas de ação. Já existe um histórico de mobilização das pastorais da Igreja, atuando em diferentes vertentes no enfrentamento do Trafico Humano. Enquanto cristãos somos desafiados a nos comprometer com o processo de erradicação do tráfico humano em suas várias expressões. O sistema socioeconômico atual não contempla todas as pessoas. Uma parte delas é excluída e tem que se virar com as migalhas da abundância da produção de bens. Diante de um crime que clama aos céus, como o tráfico humano, não se pode permanecer indiferente, sobretudo os discípulos-missionários. A Conferência de Aparecida reafirmou à Igreja latino-americana que sua missão implica necessariamente advogar pela justiça e defender os pobres, especialmente em relação às situações que envolvem morte. Desta forma, deseja-se que esta Campanha da Fraternidade suscite, com as luzes do Espírito de Deus, muitas ações e parcerias

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que contribuam para a erradicação dessa chaga desumanizante da nossa sociedade, que impede pessoas de trilharem seus caminhos e crescerem como filhos e filhas de Deus. Afinal, foi para a liberdade que Cristo nos libertou. (*)Baseado no Manual de Formação da Campanha da Fraternidade 2014

Oração da Campanha da Fraternidade Ó Deus, Sempre ouvis o clamor do vosso povo E vos compadeceis dos oprimidos e escravizados. Fazei que experimentem a libertação da cruz e a ressurreição de Jesus. Nós vos pedimos pelos que sofrem o flagelo do tráfico humano. Convertei-nos pela força do vosso Espírito, e tornai-nos sensíveis às dores destes nossos irmãos. Comprometidos na superação deste mal, vivamos como vossos filhos e filhas, na liberdade e na paz. Por Cristo nosso Senhor. Amém!

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Catequista, onde você está? Por Rachel Abdalla*

Não existe uma regra ou uma cartilha que ensine como evangelizar. Cada lugar, região e país têm sua cultura, suas riquezas e valores, suas deficiências e necessidades que precisam ser consideradas. O que é importante para um, pode ser insignificante para o outro. Por isso, todo catequista precisa fortalecer a sua fé e conhecer a razão de seu chamado e de sua missão evange-

lizadora a partir do chão onde está pisando; buscar uma formação fundamentada nos ensinamentos de Jesus e da Igreja; e deixar-se conduzir pelo Espírito Santo de Deus “que é um só” e, portanto, conhecer a realidade onde a fé será transmitida e acolhida. Conforme a Encíclica Redemptoris Missio, o ministério do catequista é necessário e tem características peculiares, pois são agentes especializados, testemunhas diretas, evangelizadores insubstituíveis, que representam a força de base das comunidades cristãs, e “além de serem educadores da fé, são discípulos e missionários de Jesus Cristo”. Sabendo onde está e tendo consciência de seu apostolado e ministério, o catequista precisa cativar a criança e levá-la até Jesus, apresentando-lhe um

amigo que estará sempre por perto. Quando Jesus esteve entre os homens, Ele sabia onde estava pisando e quem eram seus discípulos, a realidade do povo e suas necessidades. Ele conhecia cada um de modo particular. Assim também deve ser o catequista! Ele precisa conhecer aquele que está sendo evangelizado: a realidade, as necessidades, as carências, os desejos e as expectativas do outro, para que o Evangelho que será anunciado venha de encontro aos interesses comuns, e encontre espaço para ser acolhido, entendido e vivido coerentemente. No desejo ansioso de evangelizar, muitos catequistas, querendo mostrar seus conhecimentos, se esquecem do processo do acolhimento, do encontro, do envolver-se com o outro. No chão em que estão pisando, eles devem caminhar lado a lado com o catequizando até que este os chame de amigo, e neste momento, então, estarão se revelando como um reflexo da luz de Jesus e, consequentemente, estarão evangelizando. * Rachel Lemos Abdalla é Fundadora e presidente da Associação católica Pequeninos do Senhor e Coordenadora da Catequese de família da Paróquia Nossa Senhora das Dores em Campinas, São Paulo.

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Santa Bernadete e a Virgem de Lourdes Fonte de pesquisa: www.infoescola.com

Maria Bernadette Soubirous nasceu em Lourdes, uma pequena cidade da França, em 1844. Era a mais velha de nove irmãos e sua infância foi marcada pela vida no trabalho doméstico, sobretudo como pastora. Devido às condições financeiras de sua família, eles viviam em condições de miséria, morando em uma péssima habitação. Bernadette tinha a saúde bastante debilitada, além de ter dificuldades de aprendizagem e catequese e, por isso, fez a primeira comunhão fora da faixa etária normal, além de não frequentar a escola também por este motivo. No dia 11 de fevereiro de 1858, Bernadette passava perto da gruta chamada de Massabielle, junto às margens do Rio Garve, e escutou um chamado de uma Senhora muito bonita e vestida de branco. A menina voltou ao local nos 15 dias seguintes, a pedido da Virgem, que a pede que fale aos padres para fazerem uma capela ali. Em uma das aparições, a Virgem apresenta-se como sendo a “Imaculada Conceição”. Enquanto o assunto era investigado pela Igreja, encontrando muitas pessoas contrárias aos relatos de Bernadette, que sofria humilhações e intimidações pelas

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autoridades civis, muitas pessoas foram inexplicavelmente curadas na gruta. Em 25 de fevereiro de 1858, na presença de uma multidão de pessoas, uma fonte de água jorra do local das aparições, sob as mãos de Bernadette, e até hoje essa fonte jorra água abundantemente. De acordo com a Igreja local, pelo fato de Bernadette ser analfabeta, era difícil que ela soubesse que havia sido declarado o dogma da Imaculada Conceição. A aparição era como uma forma de confirmação desta atitude tomada pelo Papa. Bernadette teve, ao todo, 18 visões da Virgem Maria, entre fevereiro e julho de 1858. A jovem nunca vacilou em suas afirmações e sua convicção comprovou a autenticidade das aparições. Em 1860, ingressou na vida religiosa na ordem das Irmãs da Caridade de Nevers, em Lourdes. Aí recebeu a instrução de escrever os relatos das aparições. Adoeceu e veio a falecer no dia 19 de abril de 1879. Foi canonizada em 8 de dezembro de 1933, na festa da Imaculada Conceição, pelo Papa Pio XI como Santa Bernadete de Lourdes, depois de terem sido reconhecidas pela Igreja suas virtudes heroicas e pessoais e

após as curas milagrosas a ela atribuídas. Em 1983, o Papa João Paulo II esteve em Lourdes em peregrinação e ali retornou em agosto de 2004. Seu corpo permanece incorrupto. A incorruptibilidade do corpo de Santa Bernadette Soubirous é um dos casos mais assombrosos e estudados pela medicina. Desde 3 de agosto de 1925, o corpo intacto da Santa se encontra exposto numa urna de cristal na capela do convento de SaintGildard, na cidade de Nevers, França. A cidade fica na Borgonha, a 260 km ao sul-sudeste de Paris.

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Catequese retoma as atividades Neste mês iniciam as inscrições e aulas de catequese em diversas comunidades da Paróquia. No dia 1º de fevereiro as comunidades N. Sra. Aparecida e Cristo Rei abriram as matrículas para as turmas de Crisma, que iniciam já na segunda semana do mês. Nas comunidades Santa Rita e São João Batista as atividades tem início no dia 17. Na Matriz haverá uma Celebração de abertura da Catequese no dia 23 de fevereiro, às 9h. Além dos cursos normais de 1ª Eucaristia e Crisma, também serão realizadas palestras de formação para os pais dos catequizandos, no intuito de aproximar toda a família para a vida da Igreja e melhorar o desempenho das crianças e jovens neste período de preparação. Informações sobre datas e horários das matrículas podem ser obtidas na secretaria da Paróquia ou pelo telefone (47) 3351-1258.

Comunidade promove 2º Fé Fest O encontro Fé Fest, realizado pela primeira vez dezembro de 2013, na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, terá sua segunda edição no dia 15 de fevereiro, a partir das 20h30. O projeto teve início com a missão de reunir, formar, informar, entreter e animar

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A Palavra - Comunidades

a Comunidade, social e espiritualmente, pretendendo ser um evento de catequização de jovens e adultos. São realizados momentos de reflexão sobre diversos assuntos, tanto litúrgicos quanto sociais e próprios da Comunidade, que vai além do que é tratado nas Missas, que

são o ponto alto da fé católica. Os encontros tem, em média, uma duração de 45 minutos, mas estendemse com atividades, onde são servidos lanches e realizadas brincadeiras com as crianças, sempre com música católica.

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Festa de Nossa Senhora de Lourdes

Cronograma do mês de

FEVEREIRO Inscrição de Catequese 08/02 às 14h na Com. N. Sra. Aparecida (Crisma) 22/02 às 15h na Com. Santo Antônio Início da Catequese 14/02 na Com. Nossa Sra. Aparecida 17/02 às 19h na Com. Santa Rita (Crisma) 18/02 às 19h na Com. Santa Rita (1ª Comunhão) 19/02 19h na Com. Santa Rita (Perseverança) 24,25 e 26/02 na Comunidade Cristo Rei 26/02 às 16h30 na Matriz 26/02 às 19h na Matriz Reunião do CPC 11/02 às 19h30 na Coração de Jesus 17/02 às 19h30 na Aparecida 17/02 às 19h30 na Fátima 24/02 às 19h30 na Francisco (Escola)

Com. Sagrado Com. N. Sra. Com. N. Sra. de Com. São

Curso de Preparação para o Batismo 08/02 às 14h30 na Com. Sagrado Coração de Jesus

Nos dias 05, 06 e 07 de fevereiro a Comunidade N. Sra. de Lourdes realizou o Tríduo em honra à Padroeira. As missas foram realizadas sempre às 19h, contando com a presença de inúmeros fiéis durante os festejos que celebraram as aparições da Virgem Maria, na cidade de Lourdes, na França, para a menina Bernadette, Santa que também tem seu dia comemorado no mês de fevereiro (veja na página 15). Nas aparições da Virgem é possível perceber várias mensagens deixadas por ela: • É um agradecimento do céu pela definição do dogma da Imaculada Conceição, que tinha sido declarado quatro anos antes por Pio IX (1854), ao mesmo tempo que assim apresenta Ela mesma como Mãe e modelo de pureza para o mundo que está necessitado desta virtude. www.paroquiasaoluisgonzaga.com

• Derramou inumeráveis graças físicas e espirituais, para que nos convertamos a Cristo em sua Igreja. • É uma exaltação às virtudes da pobreza e humildade aceitas cristanamente, ao escolher a Bernadete como instrumento de sua mensagem. • Uma mensagem importantíssima em Lourdes é o Sinal da Cruz. A Santíssima Virgem repete que o importante é ser feliz na outra vida, embora para isso seja preciso aceitar a cruz. “Eu também te prometo fazer-te ditosa, não neste mundo, mas no outro”. • Em todas as aparições veio com seu Rosário: A importância de rezá-lo. • Importância da oração, da penitência e humildade (beijando o solo como sinal disso) e também, uma mensagem de misericórdia infinita para os pecadores e do cuidado com os doentes. • Importância da conversão e a confiança em Deus.

Oração a Nossa Senhora de Lurdes Ó Virgem puríssima, Nossa Senhora de Lurdes, que vos dignastes aparecer a Bernadete, no lugar solitário de uma gruta, para nos lembrar de que é no sossego e recolhimento que Deus nos fala e nós falamos com Ele, ajudai-nos a encontrar o sossego e a paz da alma que nos ajudarem a conservar-nos sempre unidos em Deus. Nossa Senhora da gruta, dai-me a graça que vos peço e tanto preciso (pedir a graça). Nossa Senhora de Lurdes, rogai por nós. Amém! A Palavra - Comunidades

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Neste mês celebramos a aparição de Nossa Senhora à Santa Bernadete, em Lourdes. Então que tal colorir esta linda imagem?

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A Palavra  

Fevereiro

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