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FUNDAMENTAL É

SER PROTAGONISTA Nunca professores e alunos estiveram tão presentes em sala de aula GESTÃO & NEGÓCIOS Gestão dos processos financeiros da escola

TECNOLOGIA

Saiba tudo sobre os Laboratórios Virtuais

COMPORTAMENTO

Interacionismo levado a sério


PALAVRA DA DIREÇÃO

Fundamental é ser inovador. Ser protagonista da própria história. Esse é o propósito de todos nós. Entender a importância da participação e das experiências do outro, em permanente partilha de conhecimentos e emoções, é o que nos torna realmente humanos. Ter a individualidade reconhecida e valorizada, numa perspectiva de contribuição para o crescimento de todos, é o que nos posiciona como cidadãos autônomos e conscientes. O protagonismo, tanto do aluno quanto do professor, faz a diferença quando percebido com clareza na prática pedagógica. Essa é uma das propostas do novo material de ensino fundamental. Reescrever a importância do papel de cada um nesse maravilhoso processo de aprender. Novos olhares insinuam entusiasmo nos encaminhamentos para fechar com propriedade o ano de 2011. A criatividade e beleza dos materiais do marketing de parceria darão ares de renovação, leveza e alegria à escola. Fundamental é estar atualizado? Neste PAD, as soluções tecnológicas apresentadas inserem-se no cotidiano, estabelecendo conectividade com cada aluno, cada professor, cada família. À família sugerimos meios de aproveitar, efetivamente, o período de férias escolares para aproximar-se dos filhos e conhecê-los melhor. São dicas de atividades simples, momentos especiais. Também especiais são as trocas estabelecidas em sala de aula, transformando os conhecimentos prévios dos alunos em novas aprendizagens, num olhar diferenciado dentro da concepção interacionista do material didático. Fundamental é estar atualizado. Em entrevista, a Profª Drª Guiomar Namo de Mello aponta a formação docente como um dos alicerces mais importantes em todo o processo educativo. Buscar inovação e aprimoramento, que é uma das atribuições do bom profissional, faz toda a diferença em sala de aula. Assim, no vaivém de finalização de um ano e planejamento de outro que está chegando, desejamos muito sucesso e entusiasmo, duas palavras que devem estar presentes no dia a dia do educador. Afinal, fundamental é cumprir nossa missão de transformar sonhos em realidade.

EXPEDIENTE A Revista PAD - Programa de Aperfeiçoamento Docente - é uma publicação do Sistema de Ensino Dom Bosco. www.nossodom.com.br Diretora geral: Cristiane Pizzatto Conselho editorial: Heloisa Harue Takazaki, Robson Cruz e Vânia Bittencourt Colaboração: Maria Cláudia Rebellato, Michelle Cezar Shoji e Maria Cristina Lindstron Coordenação editorial/pedagógica: Vânia Bittencourt Gerente nacional de comunicação corporativa: Maisa Dóris Supervisor de marketing: Fábio Ostrowski Coordenadora geral e jornalista responsável: Maisa Dóris (Mtb: 29.952) Projeto editorial e produção gráfica: Bruno Baccan e Deisi Mara Cabrini Brancaleone Impressão: Gráfica Monalisa Tiragem: 10 mil exemplares Publicidade e aquisição de exemplares: publicidadepad@dombosco.com.br

Escreva para a Redação: redacaopad@dombosco.com.br

Boas leituras e aplicações! Cristiane Pizzatto Diretora Geral - Sistema de Ensino Dom Bosco cristiane.pizzatto@pearson.com

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ÍNDICE DESTA EDIÇÃO

ESPECIAL

18 Fundamental é ser protagonista

MATÉRIAS

6 Comportamento Interacionismo levado a sério 8 Sua Aula Ponto de partida

17 Notas Rápidas Valor é uma coisa, preço é outra 20 Tecnologias Laboratórios virtuais

Pedagógicos 10 Projetos Projeto história e tecnologia

22 Aqui tem Dom Bosco Colégio da Luz (PB) / Instituto Batista (RR)

& Negócios 13 Gestão Gestão dos processos financeiros

Sala dede Leitura 24 Sugestões leitura para o ensino fundamental

14 PAD Entrevista Guiomar Namo de Mello

& Soluções 30 Questões Este é o momento de conhecer melhor seu filho Revista do

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COMPORTAMENTO

Interacionismo levado a sério VÂNIA BITTENCOURT

Teoricamente, o papel da escola é identificar e

ponto de partida do saber potencial do grupo. Nessa

valorizar os conhecimentos prévios do aluno para,

relação carregada de significado é que se estabelece a

então, auxiliá-lo a construir novos conhecimentos. Isso

aprendizagem, mediante ação do professor.

acontece na prática? A proposta pedagógica da escola precisa pensar um meio de estabelecer a comunicação entre toda a comunidade escolar e o processo que se dá em sala de aula. Da mediação do professor depende o desenvolvimento de estratégias que tragam os contextos histórico, social e cultural dos alunos para tal espaço. Dessa forma, o conhecimento real de cada um se torna

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w

Estamos preparados para desencadear tal

processo em nossa escola? w

Os professores se têm colocado como

mediadores do processo de aprendizagem, provocando novos olhares e conceitos? w

Os conhecimentos prévios dos alunos estão

sendo valorizados para ativar o processo?


COMPORTAMENTO

É necessário estar atento e alinhado à proposta

valorizar suas experiências e sentimentos, num processo

pedagógica e ideológica da escola, colocada em prática e

contínuo de significar e ressignificar o que eles vivenciam.

plenamente vivenciada por alunos e professores. Não é postura fácil, porque nos força ao A participação ativa do aluno e seu papel como protagonista da própria aprendizagem devem ser respeitados, dando-lhe voz, ação e decisão. Assim, num movimento de elaboração e reelaboração de hipóteses, novas ideias devem ser provocadas; questionamentos,

despojamento da crença de que sabemos mais e melhor que os alunos. À abertura para as novas e interessantes possibilidades que eles nos trazem a cada dia. Estudar, ler, informar... Só dessa forma podemos, de fato, transpirar a verdadeira arte de transformar informação em conhecimento.

incentivados, ouvidos e percebidos. Para isto existem as escolas: não para ensinar as A sala de aula tem que se tornar ambiente de

respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas

acolhimento e busca tanto individual quanto coletiva

nos permitem andar sobre a terra firme. Mas, somente as

para a construção do conhecimento. Ao professor não

perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.

cabe apenas ouvir o que os estudantes dizem, mas

Rubem Alves Revista do

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SUA AULA

Ponto de partida ARI HERCULANO DE SOUZA

O homem nada pode aprender senão em virtude do que já sabe. Aristóteles Um conteúdo novo pode ser interessante, surpreendente e, muitas vezes, difícil para o aluno. Normalmente, ele é exposto de forma conceitual e com uma profusão de ideias totalmente distantes do aluno, ignorando o que o sujeito já conheça sobre o assunto. Isso põe o professor como centro da informação e deixa o indivíduo na posição passiva de mero receptor de conteúdos. Essa prática tem tornado as aulas enfadonhas, pesadas e desinteressantes para o estudante, por não envolvê-lo no processo ensino-aprendizagem e não levar em conta que ele tenha experiências anteriores que o capacitam, de alguma forma, a expressar-se na condição de ser que busca superar sua visão de mundo. A afirmativa de Aristóteles de que “o homem nada pode aprender senão em virtude do que já sabe” leva a nós, educadores, a refletir no que fazemos nas aulas. É justamente “no que já sabe” que o novo material do ensino fundamental 1 e 2 se baseia, considerando a proposta de início de trabalho em cada capítulo. É a partir do que o sujeito conheça ou ainda não efetivamente, mas deseje conhecer, que o trabalho pedagógico deve acontecer de modo significativo. Admitamos que o conhecimento seja significativo por definição, pois caso contrário ele não teria significado para o sujeito que aprende. “É o produto significativo de um processo psicológico cognitivo (‘saber’) que envolve a interação entre ideias ‘logicamente’ (culturalmente) significativas, ideias anteriores (‘ancoradas’) relevantes da estrutura cognitiva particular do aprendiz (ou estrutura dos conhecimentos deste) e o ‘mecanismo’ mental do mesmo para aprender de forma significativa ou para adquirir e reter conhecimentos” (AUSUBEL, 2003, folha de rosto). Concebemos então a aprendizagem significativa como processo através do qual uma nova informação se

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relaciona de maneira espontânea à estrutura cognitiva do aprendiz, isto é, ao patrimônio cultural individual, dando-lhe significado lógico ao que aprende. Pesquisas revelam que se pode dar impulso ao aprendizado acessando atitudes, experiências e conhecimentos preexistentes, vinculando o que o aluno já sabe ao que esteja sendo ou será ensinado. Muitos educadores e pesquisadores, como Alan Peshkin, David Ausubel e Regina Célia Alegro, destacam a importância de incorporar o histórico cultural do aluno, em outras palavras, seu conhecimento prévio, ao processo didático de sala de aula. Essa estratégia define um ponto de partida para a aprendizagem, o ensino e a sequência de atividades. O professor deve então usar o conhecimento prévio para dar mais significado ao ensino, ajudando assim seus alunos na transição do ignorado, do desconhecido, ou do parcialmente conhecido para o conhecimento científico, amplificado, organizado e sistematizado.

CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA A concepção do novo material do fundamental 1 e 2 do Sistema de Ensino Dom Bosco apresenta, no início de cada capítulo, a seção Ponto de partida, pela qual o aluno é colocado frente a alguma reflexão individual. Ela propõe análise de imagem, situação-problema, questionamento, minitexto, charge ou outro, para o aluno começar a interagir com seus pares e o professor. Note-se, porém, que o acessar conhecimento prévio não deve ser visto apenas como atividade introdutória ao estudo de determinado conteúdo. No material do Sistema Dom Bosco essa atividade é explicitada como ponto de partida, ou seja, uma atividade de aquecimento, de iniciação ao assunto a estudar. Cabe ao professor, no caso, mediador do processo ensino-aprendizagem, fazer dela uma constante no trato dos conteúdos ministrados.


SUA AULA

EXEMPLOS DE PONTO DE PARTIDA 1º ano – Língua Portuguesa

2º ano – Geografia

5º ano – Geografia

REFERÊNCIAS ALEGRO, Regina Célia. Conhecimento prévio e aprendizagem significativa de conceitos históricos no ensino médio. Marília, 2008. AUSUBEL, David P. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano, 2003.

Revista do

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PROJETOS PEDAGÓGICOS

Projeto história e tecnologia MARIA CLÁUDIA SÖNDAHL REBELLATO

O professor senta as crianças em roda e conta a história Cachinhos Dourados. Importante diferenciar a voz dos personagens para elas perceberem a diferença.

Cachinhos Dourados Em uma casa no meio da floresta morava uma família de ursos. O Pai Urso, a Mãe Ursa e o filhinho urso. O Pai Urso era grande, forte, corajoso, e tinha uma voz bem grossa. A Mãe, meiga e delicada, tinha voz melodiosa. Já o Pequeno Urso, de voz bem fininha, era muito curioso e esperto, adorava aventuras e brincadeiras. Um dia pela manhã, a família de ursos sentou à mesa para comer o delicioso mingau que Mamãe Urso preparava todas as manhãs. Quando o ursinho colocou a primeira colherada de mingau na boca, deu um berro: –- Está muito quente! Mamãe Urso teve uma ideia: enquanto o mingau esfriava, eles dariam uma voltinha pela floresta. Todos concordaram e saíram para o passeio, deixando os três pratinhos com mingau em cima da mesa. Durante o passeio dos ursos, apareceu na casa deles uma menina loirinha, de cabelos cacheados, chamada Cachinhos Dourados. Ela morava longe dali, mas adorava passear pela floresta, muitas vezes sem avisar os pais. Ao ver a casa dos ursos, resolveu bater à porta, pois estava exausta de tanto caminhar. Como a porta estava só encostada, abriu-se com a batida, e Cachinhos Dourados entrou. Logo percebeu no ar um cheiro gostoso de mingau. Viu de onde vinha o tal cheiro: sobre a toalha xadrez estavam três tigelinhas de mingau. Verificou e viu que não tinha mais ninguém na casa. Então resolveu provar o mingau. Primeiro, sentou-se na

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cadeira maior para provar o mingau da tigela grande, mas estava muito quente. Pegou a tigela média e ainda achou quente. Ao pegar a pequena, achou o mingau uma delícia e limpou a tigela. Comeu tudo e lambeu a colher. Depois resolveu sentar na sala para descansar um pouco. Percebeu que havia três cadeiras de tamanhos diferentes, sentou na maior e achou desconfortável, sentou na média e ainda achou grande. Ela, então, correu para a cadeira menor e sentou rápido demais, quebrando a cadeira em muitos pedaços. Cachinhos Dourados levantou-se e subiu as escadas em direção aos quartos da casa, onde também encontrou três caminhas de diversos tamanhos. Deitou-se na cama maior e achou muito grande e dura; a média era muito macia e ainda grande para ela. Já a cama pequena era certinha para o seu tamanho; aconchegou-se no travesseiro e dormiu. Os ursos voltaram do passeio e foram direto para a cozinha saborear o mingau, e estranharam o fato de a porta da casa estar aberta. Os três ursos se olharam e gritaram ao mesmo tempo. — Alguém mexeu no meu mingau! O ursinho completou... — Alguém comeu todo o meu mingau! Saíram da cozinha e foram para a sala. O Pequeno Urso entrou primeiro e gritou: — Alguém quebrou a minha cadeira! — E começou a chorar. Papai Urso e Mamãe Urso se olharam e começaram a subir as escadas, procurando o causador de tantos estragos.


PROJETOS PEDAGÓGICOS

Papai Urso, ao ver sua cama, percebeu que alguém tinha deitado nela. Mamãe Urso também percebeu que sua coberta havia sido tirada da cama. Nisso, o Ursinho sussurrou para seus pais: — Tem alguém deitado na minha cama! Mamãe Urso deu um berro que fez acordar Cachinhos Dourados. Ela ficou tão assustada ao ver os ursos olhando

pra ela que pulou da cama, desceu as escadas e, com outro pulo, saiu pela janela. Desapareceu na floresta. Os ursos não conseguiram fazer nada, ficaram paralisados. Cachinhos Dourados chegou em casa sem ar e pálida por causa do susto. Mas ela aprendeu uma lição muito importante: nunca mais fugir de casa e não entrar na casa dos outros sem ser convidada. Adaptada por Maria Cláudia Söndahl Rebellato

Após contar a história, entregue as máscaras aos alunos. Antes de representá-la, eles podem criar os diálogos com base na história. Deixe-os livres para inventar. Se desejarem, podem inserir novos contextos. Lembre-se de que a atividade é de releitura, o que permite modificar a história. Repita a atividade quantas vezes achar necessário. Segue sugestão de máscaras de ursinho feitas com peneiras. Imagens do Colégio Pequeno Príncipe de Aracaju (SE) Atividade realizada pela Professora Cleonides Batista com a turma do maternal.

Revista do

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PROJETOS PEDAGÓGICOS

Em seguida, peça às crianças que desenhem as etapas da história. Sob olhar atento das crianças, fotografe os desenhos e monte sua apresentação em PowerPoint. Os alunos recontam a história olhando as ilustrações na tela. Sugestão: convidar os pais para assistir à apresentação. Depois imprima os desenhos para eles compararem com o original. Pergunte: Eles são iguais? E as cores? Você gostou de vê-los na tela e impresso? Fale dos recursos tecnológicos empregados: fotografia, PowerPoint, impressão.

COMO FAZER UMA APRESENTAÇÃO PASSO A PASSO 1. Abra o PowerPoint e escolha a opção “Apresentação em branco”. 2. Selecione a opção “Design”, escolha e clique no tema desejado. 3. No tema escolhido, clique e adicione um título para sua apresentação. 4. Para o próximo slide, vá em “Início” e escolha a opção “Novo slide”. 5. Clique nas caixas indicativas para adicionar textos e imagens. 6. Para novo layout, vá em “Início” e escolha a opção “Layout”. 7. Selecione o aspecto de sua apresentação e clique nele.

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COMO SALVAR E INSERIR AS FOTOS NA APRESENTAÇÃO 1. Salve as imagens em pasta de seu computador. 2. Em seguida, com o PowerPoint aberto, vá em “Inserir” e escolha a opção “Imagem”. 3. Ao abrir a caixa para pesquisa, selecione a pasta em que a ilustração desejada esteja hospedada. 4. Encontre e selecione a imagem, depois clique em “Inserir”.

COMO INSERIR ANIMAÇÕES NA APRESENTAÇÃO 1. Terminada a inserção de textos e imagens, escolha a animação. 2. Na barra de comando, selecione a opção “Animações”. 3. Escolha um tipo de animação para cada tela ou um único modelo para todas elas. 4. Dentro da ferramenta “Animações”, você pode inserir sons e/ou personalizar os efeitos da apresentação. 5. Lembre-se de sempre salvar em seus documentos. Selecione o ícone no canto superior esquerdo e clique em “Salvar como” g“Apresentação do PowerPoint”. 6. Dê nome a seu arquivo e clique em “Salvar”.


GESTÃO & NEGÓCIOS

Gestão dos processos financeiros JOSERLEI SCARPIN PEREIRA A administração financeira tem como meta principal

como pensantes e participativas. Isso acontece somente

gerenciar os recursos financeiros necessários às ativida-

se o gestor estiver aberto a tal ação, conseguindo mudar

des da escola e/ou organização, em busca de realizar

comportamento e comprometimento dos envolvidos.

seus objetivos e sua missão. Dispor de informações pre-

Em função do porte e dos objetivos da empresa,

cisas e atualizadas é fundamental à correta tomada de

define-se a estrutura ideal para a área financeira. As or-

decisões na área financeira. Precisamos estar atentos aos

ganizações maiores exigem composição mais sofisticada.

processos internos para garantir que essas informações

Não importando a estrutura organizacional adotada,

sejam processadas corretamente.

devem-se estabelecer linhas nítidas de comando, autoridade e responsabilidade, de modo a possibilitar autono-

Na era da informação, podemos obter relatórios

mia de funcionamento.

com muito mais agilidade e precisão, mas cercando-nos de certos cuidados. Pensar no básico, na essência, no dia

As funções básicas da área financeira são plane-

a dia, porque essa é a engrenagem da escola – ela preci-

jamento, orçamento, contabilidade, custo, tesouraria,

sa movimentar sem travar, precisa fluir.

controle, avaliação e auditoria. Contabilidade é o instrumento fundamental dessa gestão, porque registra

• Você, gestor, estabelece regras claras para sua equipe? • Sua escola tem políticas definidas? • Sabe por onde deve começar? Na área financeira, o alinhamento das contas contábeis com os centros de custo é a base para obter, posteriormente, relatórios com foco. O contador e a área financeira precisam falar a mesma linguagem. Muitas vezes, aí se situa o ponto bem frágil. Cada vez mais precisamos que áreas afins da empresa conversem, interajam, para atingir bons resultados. Sabemos não ser tarefa fácil, porque envolve pessoas, e isso sempre gera problema.

todas as transações ou movimentações que envolvam valores monetários, podendo-se vê-la como a central de informações da gestão financeira. A contabilidade tem como finalidade avaliar o comportamento e a variação dos custos, espelhando o desempenho empresarial de forma ampla. O resultado dessa análise fornece as medidas de eficiência das várias atividades, permitindo tomar as providências necessárias. Como isso acontece no cadastramento das informações (entrada) no sistema, aqui devemos ter o maior cuidado em que as pessoas envolvidas, desde a compra até os lançamentos, estejam informadas do real do investimento e destino de receita ou

Nesse momento, o gestor, peça fundamental na integra-

despesa. Dessa precisão dependem relatórios confiáveis,

ção, precisa perceber que as pessoas não querem mais

precisos, cabendo à contabilidade e ao financeiro fazer a

ser vistas como meras executoras de tarefas, mas sim

ponte entre todos os implicados no processo para obter a qualidade da informação. Revista do

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PAD ENTREVISTA

Guiomar Namo de Mello MARIA CLÁUDIA SÖNDAHL REBELLATO E ROBSON CRUZ

Guiomar Namo de Mello, pós-doutora em Educação Comparada pela Universidade de Londres. Atuou como secretária municipal de Educação de São Paulo, membro do Conselho Nacional de Educação, diretora executiva da Fundação Victor Civita, especialista em educação para organismos internacionais. Autora de artigos e livros sobre educação. É diretora-presidente da Escola Brasileira de Professores (Ebrap). PAD – Professora Guiomar, com toda sua experiência em educação e olhar crítico, o que considera indispensável no ensino fundamental? GNM – No EF, principalmente nos seus dois ou três anos iniciais, é o momento de iniciar e consolidar a alfabetização, propiciando ao aluno apropriar-se da linguagem para aperfeiçoar seu domínio ao longo de toda a escolaridade. A leitura e a escrita são, portanto, objetivos de todos os professores em todas as disciplinas ou atividades escolares. Nesse sentido, concordo com Doug Lemov quando afirma que “todo professor é também um professor de leitura e escrita”. Decisivas nessa etapa da educação básica são práticas de sala de aula que se comprovem eficazes para constituir essas competências em alunados muito heterogêneos. Mais que a pregação de métodos específicos, é fundamental o professor e a escola disporem de um rico cardápio de boas práticas que lhes permita diversificar as situações de aprendizagem, tendo em vista adequá-las às características dos alunos. Valorizar as boas práticas não significa desdenhar as teorias, mas sempre tomar decisões que envolvam comprovação de sua eficácia e eficiência para produzir as aprendizagens que a escola considere valiosas.

aprendizagem tenha ocorrido na educação básica do futuro professor, o que sabemos não acontecer. Por essa razão ele aprende muita pedagogia e pouco ou nenhum dos conteúdos a ensinar. E não adianta estudar didática se ele não sabe o conteúdo. É um curso de “pedagogês”. Os professores que atuam de 6º a 9º ano do EF e no EM ingressam num curso específico, aprofundam estudos em uma das disciplinas que constituem a currículo da educação básica, mas de modo totalmente alheio ao ensino desse conteúdo. Não têm noções básicas de psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem, muito menos de transposição didática dos conhecimentos que escolheram como especialidade. Sua formação é rigidamente “disciplinarista”, isto é, vê sua disciplina como a mais importante e única, o que dificulta a formação de uma equipe docente coesa e a realização de projetos integrados e interdisciplinares na escola. É preciso virar do avesso a formação do professor, aproximá-la do modelo “clínico” que predomina nos cursos de medicina e paramedicina. A residência escolar pode ser um caminho, realizada no final da graduação, pela instituição de ensino superior, ou no início da carreira, pelas instituições empregadoras – escolas, redes públicas. Os estudos do curso de magistério e a prática na escola e na sala de aula devem andar juntos, articulados.

PAD – Como está a formação dos professores para esse nível de ensino? A senhora, que acompanha as políticas públicas para o setor, como tem visto isso? Deve haver uma seleção de conteúdos para focar e trabalhar? GNM – A formação no Brasil não é parte da solução, mas do problema. A baixa qualidade e as distorções dos cursos de formação inicial, muitas vezes também da continuada, constituem o principal obstáculo à melhoria qualitativa da educação básica. A formação é essencialmente teórica e academicista, no sentido de que não permite ao futuro docente confrontar teorias com a vida real e a prática de sala de aula. O professor dos anos iniciais não aprende os conteúdos a ensinar porque se supõe que essa

PAD – O que a senhora acredita que aconteça para os alunos perderem tanto rendimento na passagem de fundamental I para fundamental II? É um momento de mudanças do aluno e que deve ser entendido como normal ou se trata da forma como os professores abordam os conteúdos? GNM – Os anos iniciais e finais do EF são como duas escolas distintas, com ethos totalmente diferentes. A criança passa de um ou dois professores para oito, dez ou até mais, que se preocupam com sua disciplina e apenas ela. Fica sob responsabilidade do coordenador, diretor ou de outra liderança pedagógica desenvolver o espírito de equipe e abertura interdisciplinar.

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PAD ENTREVISTA

A divisão por disciplina de 6º a 9º ano e ensino médio não é uma fatalidade imutável. Já houve disciplinas que desapareceram do currículo, portanto elas são criações humanas e históricas. Como tal, podem ser modificadas. A formação do professor por disciplinas estanques é que produziu um mercado de trabalho e ideias pedagógicas que a muitos parece “imexível”. Por contraditório que pareça, nosso EF faz a mudança abrupta de um para vários professores, supondo que o pré-adolescente e adolescente tenham as mesmas características das crianças menores. Separam-se inteiramente os dois segmentos – EF1 e EF2, embora os mantenham no mesmo espaço físico. A grande maioria dos sistemas de ensino separa as crianças menores dos adolescentes em escolas ou horários diferentes, ainda que tudo configure e educação básica. Nos anos 1990, São Paulo tomou medida corajosa nesse sentido, separando as séries iniciais do ensino fundamental das séries finais e organizando escolas de jovens com EF2 e EM juntos. Com isso as séries iniciais municipalizadas articulavam-se melhor com a educação infantil no município. Na época houve oposição ferrenha dos sindicatos docentes e de muitas famílias, mas hoje há uma aceitação consensual de que a iniciativa seja certa. PAD – As escolas têm aumentado a carga horária do ensino fundamental, principalmente de 6º a 9º ano. Isso resolve o problema da inserção de conteúdos próprios de um momento com tantas descobertas científicas e transformações na humanidade e que devem ser tratados na escola? GNM – É importante aumentar a permanência da criança na escola, porque o tempo é um fator vital para a aprendizagem. No entanto é urgente rever nossas noções de currículo. Currículo não é uma árvore de natal na qual vamos pendurando um enfeite novo todo ano. O melhor modelo é o de um currículo enxuto, com um número austero de componentes ou disciplinas e um tratamento enriquecido, no qual novos conteúdos estejam contextualizados aos conteúdos curriculares mais duradouros. Não é preciso criar um horário específico para dar cultura local. Dá para tratar dele em história, geografia, língua portuguesa, ciências. Tudo o que acontece no mundo próximo ou longínquo do aluno, tudo aquilo que ele acessa no seu cotidiano ou pela mídia deve ser conectado com o currículo, sem necessidade de criar penduricalhos com horários específicos e professores diferentes. Já imaginou quantas aulas significativas poderiam ser organizadas, em todas as disciplinas, com base no tsunami e no acidente nuclear no Japão? PAD – O que a senhora tem a dizer aos professores que buscam aprimoramento nesta época de desenvolvimento do nosso país? GNM – Aprendam a ter postura investigativa de sua prática, pensem nela com base nas suas observações ou na avaliação dos alunos. Registrem e, se tiverem tempo, façam vídeos.

Lembrem-se de que vocês são gestores da aprendizagem quando estão na sala de aula..

Lembrem-se de que vocês são gestores da aprendizagem quando estão na sala de aula. Ali vocês é que fazem a gestão de tempo, espaço, vínculo com aluno, conhecimento. Procurem analisar sua prática docente nestes aspectos: Qual a qualidade das relações que estabeleço com meus alunos? O que posso melhorar? Como estou selecionando, organizando e apresentando os conteúdos? Está funcionando? Estou conseguindo tirar proveito dos materiais didáticos? Quem me ajudaria a melhorar nesse ponto? O tempo tem sido suficiente? Por quê? Tenho controle sobre o espaço de aprendizagem? Como aumentá-lo? Finalmente, conversem, discutam, troquem experiências com seus colegas e especialistas a quem tenham acesso. Se uma andorinha não faz verão, um professor sozinho pode produzir um inverno de desesperança. Revista do

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PAD ENTREVISTA

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NOTAS RÁPIDAS

Curtas ROBSON CRUZ VALOR É UMA COISA, PREÇO É OUTRA

GRANDES ESCOLAS, ESPAÇOS ACOLHEDORES

É isso que precisa ficar bem esclarecido para os pais no momento da matrícula. Geralmente eles batem na tecla preço, insistindo em que os valores de mensalidades, matrículas, materiais estão caros demais para seu orçamento. Esse é o exato momento de explicar tudo o que o filho deles receberá numa escola de qualidade. Em se falando de preço, instalações, equipamentos, quantidade de aulas, são itens palpáveis. O quesito valores envolve algo que possa parecer subjetivo a princípio, como disciplina, respeito e qualidade pedagógica, que se tornam tangíveis, muitas vezes, só com o passar do tempo. Mas são os valores que verdadeiramente ficam para toda a vida na formação do aluno. Pense nisso.

As escolas têm crescido e por isso levantado grandes prédios, com espaços amplos para comportar o número de alunos que chega constantemente. O que não se pode esquecer é que a escola deve ser ambiente acolhedor, aconchegante, em que os alunos se sintam bem, principalmente aqueles que, por características pessoais, prefiram pequenos espaços. Isso precisa ser pensado pelos idealizadores dos prédios escolares e responsáveis das práticas pedagógicas, de modo a propiciar um jeito de cada turma ter espaço e horário próprios.

VOCÊ PRECISA VER COMO MEU FILHO É INTELIGENTE Esse discurso está batido entre os pais de alunos da educação infantil. Isso acontece porque eles têm a si mesmos como parâmetro. Quando se comparam aos filhos, os pais se esquecem de que são de outra época, outra geração; não faziam nem a metade do que seus filhos são capazes hoje. Falta a esses pais a conscientização de que a maioria das crianças da mesma idade de seus filhos é tão capaz quanto eles. Isso tem causado algum transtorno à escola, pois essas famílias sempre acham que os professores poderiam forçar um pouco mais seus rebentos. Posteriormente, quando os filhos chegam ao fundamental 1 e 2, esses mesmos pais correm atrás de orientações e coordenações para criticar os professores que estão “cobrando” demais dos seus pimpolhos. Surgem assim os pais superprotetores. Cabe à escola alertar a respeito desse antagonismo dos pais, a fim de conscientizá-los da medida certa que os professores aplicam.

O QUE SEUS ALUNOS LEEM? Não estamos falando de leitura extraescolar e, sim, da indicada pelos professores. A sugestão de um livro visa não somente a treinar a leitura dos alunos ou despertar-lhes o gosto por esse hábito tão saudável. A escola também precisa preocupar-se com o benefício que o conteúdo venha a trazer-lhes. Esse critério precisa respeitar o credo das famílias, as necessidades do mundo contemporâneo e as expectativas dos alunos conforme a faixa etária. Embora não seja fácil, é tarefa possível e necessária.

PROFESSORES RÍGIDOS QUE SE TORNAM MUITO COMPASSIVOS NO CONSELHO Por que isso ocorre? A resposta é simples: não dá para reprovar 50, 60% dos alunos de uma turma. Muitos professores adotam severos critérios de avaliação, a fim de instigar os alunos a estudar mais e, muitas vezes, usam as notas como mecanismo de controle de disciplina em sala de aula. Isso não é bom para a escola, visto não ser possível a reprovação em massa, exigindo facilitar as coisas no último bimestre. Se isso não ocorrer, o conselho de classe tem que dar conta de resolver o impasse. Bom mesmo é buscar o equilíbrio durante o ano letivo. Revista do

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PAD ESPECIAL

Fundamental é ser protagonista ARI HERCULANO DE SOUZA

O Sistema de Ensino Dom Bosco apresenta o novo material do ensino fundamental 1 e 2, com a mesma proposta pedagógica e estrutura didática em ambos os seguimentos. Prioriza atividades de leitura e produção de múltiplas linguagens nas diversas disciplinas, possibilitando concretizar a aprendizagem como ato interativo professor–aluno. Embora métodos e procedimentos individuais do professor sejam considerados para encaminhamento das aulas, projetamos o material para os alunos realizarem as atividades com autonomia. Na concepção, houve especial cuidado em favorecer propostas estimulantes e modernas de aprendizagem: trabalho em grupo, solução colaborativa de problemas, promoção da criatividade, melhoria da capacidade de decisão e apreensão de conteúdos. Deve-se entender o material didático Dom Bosco, que privilegia a leitura e produção de múltiplas linguagens (verbais e não verbais), como suporte tecnológico composto por extensa diversidade de gêneros textuais distribuídos pelas diversas disciplinas, o que favorece o letramento de alunos e professores. Para tanto, apresenta diversas ideias que promovem a prática interdisciplinar e exercita a visão de totalidade do conhecimento no aluno. O material didático oferece possibilidades de articular saberes, vivências e ambientes, por meio de experiências cotidianas dos alunos, do professor e da sociedade brasileira. Essas propostas só se traduzem em realidade, se incluírem, na prática, um trabalho coletivo e solidário na organização da escola. Para chegar ao conhecimento integral e abrangente de mundo, é preciso uma forma cooperativa de trabalho que substitua procedimentos individualistas. Nessa perspectiva, como diferencial determinante do material Dom Bosco, apontamos a valorização do que seja construído, não transmitido. Por isso encaminhamos atividades para desenvolver processos de aprender a aprender. Assim, o material contribui para um processo dialógico que garante a qualidade de aprendizagem e promove a atitude interdisciplinar. Sob essa concepção, pretendemos, dentre outros objetivos, facilitar e aperfeiçoar nos alunos e docentes o desenvolvimento de melhores estratégias de pensamento; as comunicações e as relações interpessoais; a capacidade de perceber e entender as situações com mais clareza, extensão e

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profundidade; a capacidade de tomar decisões de maior amplitude.

ESTRUTURA DO MATERIAL A estrutura lógica do material expressa a proposta pedagógica do Sistema de Ensino Dom Bosco, nesta linha: Abertura da unidade Contém imagem, título, minitexto introdutório, listagem de conteúdos abordados e de habilidades a desenvolver no bimestre. Desenvolvimento do capítulo O processo de desenvolvimento do capítulo compõese de: listagem das habilidades a desenvolver no estudo do capítulo; prática social – atividade interacionista, em que se acessa o conhecimento prévio do aluno sobre o assunto; instrumentalização – informação propriamente dita, com textos e atividades, traduzindo-se isso em: 1º) trabalhar na perspectiva do desenvolvimento de habilidades que deem sentido ao conteúdo estudado, com base na taxonomia de Bloom; 2º) partir do conhecimento prévio do aluno, mesmo que empírico, mediante apresentação de uma ou mais propostas de atividades individuais (interpretação de infográfico, questionário, imagem, minitexto etc.); 3º) possibilitar troca de conhecimentos prévios entre os alunos da turma por meio de ação dialógica; 4º) estimular os alunos a querer saber mais; 5º) trabalhar de forma dinâmica as informações (conteúdos) propriamente ditas – instrumentalização –, promovendo a interação dos alunos entre si e com outras ferramentas de aprendizagem (internet, mídia eletrônica, livros, pesquisa de campo etc.); 6º) conduzir os alunos à percepção de confirmar cientificamente o conhecimento que já possuíam ou ampliar seu conhecimento prévio sobre o assunto ou aprender o que não conheciam. Através da estrutura organizacional do encaminhamento metodológico de uso–reflexão–uso, o material Dom Bosco privilegia o trabalho do aluno propondo um ponto de partida (uso de determinado conhecimento prévio), um momento de reflexão (apropriação de novos conhecimentos) e um ponto de chegada (aplicação dos conhecimentos incorporados). Essa estrutura dá ga-


PAD ESPECIAL

rantia de unidade à proposta do Sistema de Ensino Dom Bosco, conforme demonstra o mapa conceitual. O processo de reflexão respeita as especificidades das disciplinas, trabalhadas nas várias seções que organizam o desenvolvimento dos capítulos. Assim, no material com foco na aprendizagem, adotamos recursos diversificados para atender a todos os alunos. Interação, pensamento complexo e interdisciplinaridade são as palavras de ordem presentes na concepção e nas atividades.

SABERES E PRÁTICAS DOCENTES Um dos objetivos do Caderno do Professor, intitulado Saberes e Práticas Docentes, é promover a autonomia necessária ao professor para a tomada de decisões em sala e o planejamento das aulas. Outro propósito do material é incentivar o professor a registrar o “saber fazer” e o “como fazer”, em busca de organização curricular mais flexível e diversificação nos roteiros de trabalho.

Por meio dos cadernos docentes, a escola investe na formação do professor, peça-chave na educação de qualidade. O caderno do professor compõe-se da página reduzida do material do aluno acrescida das seções: Nessa página Sugestão para conduzir o trabalho em sala de aula. São orientações práticas que contribuem para o dia a dia do professor. Para ir além Mais sugestões de atividades, projetos, interdisciplinaridade, avaliação. Teconologia Indicação de trabalhos em outras mídias e de como avaliá-los. Biblioteca Minitextos que remetem a textos completos em livros, sites, CDs, teses, revistas, para aprofundamento teórico, saber mais. Anotações Espaço para o professor registrar comentários, reflexões, memórias, cotidiano da sala de aula.

ESTRUTURA CONCEITUAL CONHECIMENTO ADQUIRIDO

CONHECIMENTO PRÉVIO • Reflexão individual • Interação com colegas • Expectativas de aprendizagem

• Produção individual • Produção coletiva • Verificação de aprendizagem

Análise de imagem

Produção de texto

Debate

Construção de objeto

Leitura

Mapa conceitual

AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO

Experiência/Laboratório Pergunta/Resposta Construção de objeto Situação-problema

• • • •

Teatro

• • • • • • •

artigos carta tabela relatório cartaz fôlder gráficos

Autoavaliação

Explicação Análise Sistematização Atividades

USO

REFLEXÃO

USO

Ponto de partida

Conteúdos/Atividades

Mãos à obra!

PORTFÓLIO • Atividades marcadas • Mãos à obra! • Relatório com: • Eu que fiz • Eu aprendi • Do que mais gostei • Preciso melhorar • Como melhorar

Espaço digital Conexões

SEÇÕES PORTUGUÊS Sentidos do texto Trilhas da linguagem Rotas do gênero Outros caminhos

MATEMÁTICA Raciocínio e ação Qual é a jogada?

CIÊNCIAS Investigações Viagem pelo tempo Aplique Ciência

HISTÓRIA Leitura de documento Linha do tempo Diálogo com o presente

GEOGRAFIA Praticando a Geografia (F1) Pensar global, agir local (F2)

INGLÊS Reading Vocabulary Listening Pronunciation Speaking Grammar Writing Having fun

ESPANHOL Conversación Gramática Escucha Lectura Escritura Vocabulario Pronunciación Diviértete

FILOSOFIA Lendo o filósofo Produção de ideias

ARTE Arte em cena No ritmo da arte

MÚSICA Vamos cantar Vamos ouvir Vamos tocar

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TECNOLOGIAS

Laboratórios Virtuais Uma solução para o aprendizado em Ciências da Natureza ARNALDO WILLIAM PINTO Como professor e coordenador há mais de 40 anos, percebo significativas diferenças entre o atual cenário da educação e aquele que vivenciei no início de carreira. Antes, o foco do trabalho estava no ensino; hoje, está nitidamente na aprendizagem. O professor tinha como principal meta ensinar os conteúdos; hoje, sua grande preocupação é desenvolver habilidades e competências. O comportamento dos alunos no processo de aprendizagem também é diferente: eles necessitam de participação muito mais ativa. São raros os alunos que conseguem assistir passivamente às aulas expositivas. Essa necessidade de ativa participação no processo ensino-aprendizagem é muito marcante em Ciências da Natureza, que tem conteúdos normalmente ligados ao cotidiano dos alunos. Se antes as aulas práticas já eram fundamentais, hoje são imprescindíveis. Apesar disso, principalmente no ensino médio, a maioria das escolas brasileiras tem grande dificuldade para o desenvolvimento desse trabalho: limitações físicas de espaço, ausência de instrumentos adequados, número excessivo de alunos por turma, grade com número reduzido de

aulas semanais, excesso de conteúdo no currículo obrigatório, professores despreparados... Para contornar essas dificuldades, professores que contam com recursos da lousa digital ou do Datashow têm trazido, para suas aulas, filmes e simuladores que encontram na internet. Isso traz facilidades à comunicação com os alunos, mas está longe da solução definitiva, pois a passividade estudantil no processo ainda permanece. Pensando nessa realidade, Brian Woodfield desenvolveu, na Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, laboratórios virtuais de Ciências, que simulam com sucesso os mais completos laboratórios escolares. Além da preocupação de propiciar o aprendizado ativo de todos os conteúdos de Ciências da Natureza da educação básica, Brian conseguiu passar aos alunos a plena sensação de estar num laboratório real, tendo liberdade para decidir o que fazer, errando ou acertando, mas sempre obtendo respostas verdadeiras às suas decisões. No laboratório de química, por exemplo, o estudante pode pegar, no respectivo almoxarifado, duas substâncias que, ao reagirem, provocam explosão. Se ele

Laboratório de Química para ensino médio, com bancadas de inorgânica, calorimetria, titulação, gases e quântica.

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TECNOLOGIAS

Laboratório de Física para ensino médio, com bancadas de mecânica, óptica, calorimetria, densidade, gases, eletricidade e quântica.

decide fazer a reação dessas substâncias, a explosão certamente acontece, mostrando claramente as consequências da decisão tomada, embora conte com a segurança de um laboratório virtual, que recupera as condições iniciais com um simples clique. Acompanham os laboratórios virtuais manuais com práticas cientificamente organizadas, cujo desenvolvimento permite a redescoberta dos conteúdos, despertando interesse nos alunos e, principalmente, instigando-os ao aprofundamento nas pesquisas, tanto com outras práticas laboratoriais como nos livros. Professores que disponham de lousa digital ou Datashow durante suas aulas também podem realizar, nos laboratórios virtuais, experimentos que constam dos manuais ou outros que eles mesmos idealizarem. Com os laboratórios vir tuais, todas as aulas de Ciências podem ter uma prática laboratorial associada para os alunos desenvolverem. No mínimo, durante processo de aplicação e fixação do aprendizado. A Pearson adquiriu os direitos dos laboratórios desenvolvidos na Universidade Brigham Young, possibilitando assim o acesso de mais de 7 milhões de estudantes americanos a esse fantástico recurso no aprendizado de Ciências da Natureza. E a Pearson do Brasil está disponibilizando tais laboratórios virtuais aos estudantes brasileiros. De imediato, estão disponíveis os laboratórios virtuais de Ciências, com recursos para aulas práticas de Física e Química no ensino fundamental 2 e no ensino médio. No início de 2012, já estará liberado o de Biologia para ensino médio.

Laboratório de Biologia para ensino médio, com zoologia, ecologia, biologia molecular, genética e citologia.

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AQUI TEM DOM BOSCO

Instituto Batista

A maior escola privada do estado de Roraima pratica uma educação com princípios e resultados de sucesso.

NO EXTREMO NORTE DO BRASIL Fundado em 1981, pela Primeira Igreja Batista de Roraima, com o nome de Escolinha Jardim do Éden, posteriormente, com a expansão do ensino fundamental e ensino médio em 2004, passou a Instituto Batista de Roraima. O IBR ultrapassou o contingente de 2 mil alunos distribuídos da educação infantil ao ensino médio. A escola prepara crianças e jovens para a vida profissional, pessoal e espiritual, sem discriminar ou impor conceitos. Um dos aspectos que mais chamam a atenção é o resultado do empenho de seus alunos nos vestibulares de universidades federais e particulares do país. Em 2010, o resultado foi muito gratificante. O trabalho da equipe de professores do ensino médio, coordenada pela Profª Flávia Ávila Santa Rita, com apoio constante do Conselho Administrativo da Instituição, foi um dos melhores desde o início da parceria com o Sistema de Ensino Dom Bosco. Os primeiros lugares dos cursos mais concorridos da Univer-

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sidade Federal de Roraima, Medicina e Direito, e das faculdades particulares do estado ficaram com seus alunos, que conquistaram excelentes notas. Envolveu um trabalho árduo da equipe de professores e coordenadores, considerando a fase de descoberta dos alunos adolescentes, que conseguiram superar sua tendência natural de perder o foco no estudo, entendendo suas responsabilidades e seguindo as orientações da escola. Segundo a diretora, Profª Geanni Monteiro, a expectativa do Colégio em 2011 é melhorar as estatísticas: “Se tivemos 40% de nossos alunos nos primeiros lugares na Universidade Federal em 2010, a meta é 80% em 2011”. “Além do apoio do Sistema de Ensino Dom Bosco, contamos com a dedicação de nossos professores, da coordenação pedagógica e da Primeira Igreja Batista de Roraima, que é nossa mantenedora e sempre coloca nossa escola no centro da vontade de Deus, que é o melhor lugar para estarmos”, finaliza o pastor Marcelo Santa Rita.


AQUI TEM DOM BOSCO

Colégio da Luz, 75 anos

Trabalho consistente, ousadia e bons resultados marcam a história do Colégio da Luz, integrante do calendário turístico oficial do estado da Paraíba. NO INTERIOR DA PARAÍBA O Colégio da Luz, como é mais conhecido o Centro Educacional Nossa Senhora da Luz, foi fundado em Guarabira, em 29 de março de 1936. Dirigido pelos ex-alunos, os irmãos Marcos, Samuel e Rosana Diôgo, filhos da ex-diretora, Profª Detinha Diôgo, o Colégio tem passado por uma série de reformas na estrutura, com vistas a acolher alunos das diversas cidades da região que buscam ensino de qualidade. Na área pedagógica, investe intensamente na formação profissional docente, com assessoria educacional do Sistema de Ensino Dom Bosco. Desse modo, tem colhido bons resultados ano a ano, consolidando sua posição de referência na região. Nos vestibulares, os números também são significativos. Seus alunos têm obtido aprovação em cursos concorridos, como Direito, Arquitetura e Urbanismo, Psicologia, Fisioterapia, nas faculdades, IESP-PB e Unipê-PB. Palco de grandes realizações, o Colégio da Luz é referência no cenário educacional e cultural do estado da

Paraíba, do qual já foi seu representante na VIII Mostra Nacional da Ciranda da Ciência, em São Paulo, patrocinada pela Fundação Roberto Marinho, quando apresentou o projeto de pesquisa “A Mamona: Suas Utilidades e Aplicações”. No campo das artes, o Colégio da Luz promove o Auto do Natal Luz, espetáculo natalino gratuito já em oitava edição, que passou a integrar, a partir de 2010, o Calendário Oficial de Eventos Turísticos do Estado da Paraíba. O Natal Luz, que reúne teatro, dança e canto coral, com mais de cem integrantes entre alunos, ex-alunos, pais, professores e artistas da comunidade, é encenado para um público de mais de duas mil pessoas, na fachada principal da Escola, um dos símbolos arquitetônicos da cidade de Guarabira. O Colégio da Luz, patrimônio cultural da cidade de Guarabira, tem orgulho de ser um farol a iluminar a juventude da Paraíba, realizando um trabalho dinâmico e vitorioso, consciente do seu papel de construtor de uma nova sociedade, de um novo país.

Auto do Natal Luz, espetáculo gratuito promovido pelo colégio e que reúne diversos espetáculos envolvendo teatro, dança e canto coral com mais de cem integrantes entre alunos, ex-alunos, pais, professores e artistas da comunidade.

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SALA DE LEITURA

Sugestões para o ensino fundamental MICHELLE CEZAK SHOJI QUERO TER AVÓS Sinopse – Da série A Menina e Seus Pontinhos, Quero Ter Avós conta a história de uma garotinha que descobre, durante certa aula, ser a única da turma que não tem avós. Enquanto os coleguinhas comentam animadamente sobre seus avós, ela fica quietinha. Comovida com a tristeza da aluna, a professora tem uma grande ideia, e a menina descobre que pode resolver seu problema de várias maneiras. 1º ano – 5/6 anos Autor: Silmara Rascalha Casadei Ilustrador: Lisie de Lucca Editora: Cortez

Sugestão de trabalho – Antes de solicitar a leitura do livro, promova roda de conversa, questionando os alunos: Quem de vocês tem avós? Quem não tem algum dos avós? Quem não tem nenhum? Peça que falem um pouco sobre eles: do que gostam, como são, o que fazem... Não se estenda muito, para poupar os que não tenham avós. Oriente a leitura da obra em casa e refaça-a em sala. Pergunte aos alunos o que acharam da ideia da professora do livro. Proponha-lhes visitar um asilo da cidade, informando-se com a diretoria da instituição sobre produtos indicados para presentear os idosos, como tipos de alimento, agasalho, além de cartinhas escritas pelas crianças. Durante a visita, oriente os alunos a tratar os idosos como seus avós, divertir-se e aprender com eles. A experiência costuma ser bastante proveitosa para crianças e adultos. Fotografe-os interagindo com os idosos para a montagem de álbum. Na sequência, pergunte o que acharam da visita. Oriente-os a conversar com a família a respeito dela e, se for interessante, programar outra visita ao asilo, dessa vez em companhia dos pais. Para finalizar, proponha a confecção de álbum de fotos da família. Peça-lhes que tragam fotos dos pais, irmãos, avós, tios, primos, às quais adicione as dos idosos visitados. Na montagem do álbum, ensine-lhes a técnica do scrapbook – álbum fotográfico decorado com papéis, fitas, adesivos, botões... Na internet há vários modelos de página para auxiliá-los nesse trabalho. A VIRA-VOLTA DE JANJÃO

2º ano – 6/7 anos Autor: Georgina Martins Ilustrador: Maria Eugênia Editora: SM

Sinopse – Janjão era um cachorro “mauricinho”. Tinha uma cabana só pra ele, um armário cheio de produtos especiais, comia somente o melhor e assistia à televisão. Nem parecia um cachorro. Um dia, seus donos precisaram viajar às pressas e deixaram Janjão com Maria, empregada da família, que o levou para sua casa, na favela. A princípio, o cão ficou muito aborrecido, mas logo descobriu muitas coisas divertidas que desconhecia, inclusive que era um cachorro de verdade. Sugestão de trabalho – Antes da leitura do livro, pergunte aos alunos quem tem bicho de estimação, de que um animal necessita para ser feliz e saudável. Deixe-os falar livremente. Se possível, convide um médico veterinário para falar-lhes sobre cuidados com bichinhos de estimação e esclarecer eventuais dúvidas. Dê uma semana para eles lerem a obra em casa. Em sala, questione o que acharam do livro e o que aprenderam com ele. Janjão tinha tudo o que qualquer criança gostaria de ter: bela casa, cama confortável, comida boa e à vontade, brinquedos, carinho. Questione-os: Ele era feliz? Depois que foi morar com Maria, como ficou? Onde se divertiu mais? Onde fez amigos? O que aprendeu vivendo com Maria? Seu comportamento mudou depois que voltou para casa? Como? Comente os exageros que às vezes cometemos com os bichinhos de estimação, na intenção de agradá-los: roupinhas, botinhas, esmalte, lacinhos... Será que eles gostam disso? Como Janjão se sentiu mais feliz? Explique: apesar de estimarmos nossos animais, temos de lembrar que são bichos e, portanto, não apreciam as mesmas coisas que os humanos. Para finalizar o trabalho, providencie uma mascote de pelúcia para todos vivenciarem essa responsabilidade, inclusive quem não tenha animal de estimação. Cada dia, um aluno sorteado leva o bichinho para casa acompanhado de um diário, em que relata as atividades realizadas com ele: Levei pra passear, dei comida, brinquei, escovei o pelo...

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SALA DE LEITURA

O MUNDO DE CABEÇA PRA BAIXO Sinopse – Flávio e sua mãe divertem-se imaginando como o mundo seria de cabeça para baixo: estrelas nascendo na terra, flores brilhando no céu. Em meio a essa brincadeira, o menino faz à mãe uma revelação: seu mundo virou de cabeça para baixo quando os pais se separaram. Numa conversa difícil e, ao mesmo tempo, deliciosa, o livro aborda, de maneira delicada, uma questão vivenciada por diversas crianças. Sugestão de trabalho – Verifique se, na turma, há alunos cujos pais se separaram. Questione-os de forma cuidadosa sobre o lado bom e ruim dessa situação. Se alguns se sentirem à vontade, permita que falem como é ser filho de pais separados. Dê-lhes uma semana para leitura da obra. Questione se alguma vez já tiveram uma conversa difícil com os pais. Foi semelhante à de Flávio e sua mãe? Como se sentiu durante e após a conversa? O que achou da forma como Flávio e sua mãe conversaram? Imaginar o mundo de pontacabeça pode ajudar a explicar situações que o incomodam? Incentive-os a imaginar como seria o mundo de ponta-cabeça. Organize um espaço em sala de aula ou leve-os a um lugar aberto para observar as coisas de outro ângulo. O que acharam da experiência? Estimule-os a brincar assim com seus pais. É uma atividade deliciosa, que diverte adultos e crianças. Em parceria com o professor de Arte e com inspiração nas ilustrações do menino e sua mãe, proponha aos alunos desenhar e pintar pessoas da família ou a si mesmos com os pais num momento de brincadeira: fazendo bolhas de sabão, de cabeça para baixo, escondendo-se... Oriente-os a usar cores fortes e caprichar no colorido. Para finalizar a obra de arte, que pode depois enfeitar a moradia, ajude-os a confeccionar moldura em isopor, papel-cartão ou outro material que julgar interessante.

3º ano – 7/8 anos Autor: Jonas Ribeiro Ilustrador: Claudia Cascarelli Editora: Cortez

O LIVRO DOS MONSTROS! Sinopse – Um abominável homem das neves, um monstro aquático faminto, uma mulher-monstro... Esta obra apresenta histórias de monstros de diversas partes do mundo, como Austrália, África do Sul, Taiti e Itália. À medida que lemos, descobrimos que, apesar de cheios de truques, alguns monstros não precisam ser temidos, apenas compreendidos, o que auxilia as crianças a lidar com o medo de monstros e superá-lo de forma criativa e original Sugestão de trabalho – Antes da leitura, pergunte aos alunos se acreditam ou já acreditaram em monstros. Afinal, eles existem? Onde? Leve-os a pensar em monstros da atualidade, como o “chupa-cabras”. Ele realmente existe ou faz parte da tradição popular, como os personagens lendários? Comente: os monstros mencionados no livro são personagens folclóricos semelhantes aos brasileiros boitatá, mula sem cabeça, curupira. Dê-lhes uma semana para ler a obra, durante a qual questione-os: Como são os monstros? Um monstro pode ser bom? Oriente pesquisa a respeito de monstros famosos, como o do Lago Ness. Peça-lhes opinião sobre a existência dele ou de outro monstro e, depois, para formular hipótese que desmitifique sua existência. Leve-os a pensar que, assim como criaturas diferentes às vezes nos parecem monstruosas, podemos ser monstros para outros seres. Trabalhe também a importância de não formar opinião sobre coisas ou pessoas antes de conhecê-las. Algo tido como ruim pode ser muito bom. Para finalizar o trabalho, proponha a confecção de monstros com sucata, retalhos de tecido, lã, barbante. Organize exposição dos trabalhos.

4º ano – 8/9 anos Autor: Fran Parnell Tradução: Heloisa Jahn Ilustrador: Sophie Fatus Editora: Companhia das Letrinhas

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A ESTRELA AMARELA Sinopse – A obra é um relato da Segunda Guerra Mundial sob o ponto de vista de Syvia, menina judia que, junto à família e a outros, é obrigada pelos nazistas a viver num gueto. Com apenas quatro anos, Syvia ainda não entende o que acontece à sua volta. Com o tempo, percebe que não tem mais brinquedos, só pode comer o que os alemães permitem; acostuma-se com as cores tristes do gueto e alguns acontecimentos assustadores. Para fugir, Syvia passa várias noites escondida numa sepultura com seu pai e meses trancada com outras 11 crianças num porão escuro e úmido. São as únicas crianças judias de Lodz que sobrevivem. Em 19 de janeiro de 1945, um dia antes de completar 10 anos, Syvia e os judeus de Lodz são libertados.

5º ano – 9/10 anos Autor: Jennifer Roy Editora: Cia. das Letras

Sugestão de trabalho – Antes de indicar a leitura da obra, fale aos alunos, da maneira como achar conveniente, sobre a Segunda Guerra Mundial, Hitler, holocausto. Também o significado da estrela amarela. Em parceria com o professor de História, explique: durante a guerra, milhares de judeus, deficientes, homossexuais, ciganos, eslavos e religiosos foram mortos porque Hitler os considerava seres inferiores. Aproveite para abordar a questão do preconceito, condenável sob qualquer aspecto. Também a dos milhões de alemães que cometeram o grande engano de se deixar convencer de sua superioridade racial. Fale da Declaração dos Direitos Humanos, citando especialmente seu primeiro artigo: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. Faça os alunos perceberem o contraste desses dizeres com os fatos narrados na obra de Jennifer Roy. Aproveite a oportunidade para indicar leitura da obra Nascemos Livres, da Editora SM, adaptação ilustrada da Declaração para crianças. Pergunte-lhes se conhecem alguém que tenha sobrevivido aos campos de concentração nazista e convidem essa pessoa para uma conversa na escola. Se não, oriente pesquisa sobre a vida das crianças nesses campos. O que faziam para se divertir? O que comiam? Diga: a morte de milhares de pessoas por questão de preconceito foi um fato muito triste para a história da humanidade. Questione: Hoje ainda há violência contra pessoas de cor, religião ou etnia diferentes? O que pensam sobre isso? Incentive-os a escrever ou dramatizar histórias sobre preconceito, mostrando o ponto de vista de quem é preconceituoso e de quem sofre o preconceito, para conscientizá-los de que ninguém gosta de ser maltratado. Tocados pela obra e pelo trabalho com ela, tornam-se capazes de discernir que todos merecem ser respeitados e nenhum ser humano é superior a outro. A BOLSA AMARELA Sinopse – Este clássico da literatura infantojuvenil conta a história de Raquel, menina dividida entre três grandes desejos: vontade de crescer e deixar de ser criança; de ser menino em vez de menina; de ser escritora. Conhecida por abordar temas polêmicos, Lygia fala da importância de lutar pelo que desejamos, da liberdade de pensamento e expressão, do direito à igualdade entre homens, mulheres, crianças.

6º ano – 10/11 anos Autor: Lygia Bojunga Editora: Casa Lygia Bojunga

Sugestão de trabalho – Antes da leitura da obra, questione os alunos se têm alguma vontade muito forte e em que momentos ela se intensifica. Dê uma semana para leitura da obra. Ressalte as três vontades da personagem Raquel: ser menino, ser escritora, deixar de ser criança. Em roda de conversa, identifique por que ela tem essas vontades. Leia este trecho: Às vezes a gente quer muito uma coisa e então acha que vai querer a vida toda. Mas aí o tempo passa. E o tempo é o tipo do sujeito que adora mudar tudo. Um dia ele muda você e pronto. Relacione-o com o final da narrativa. Fale sobre o significado de vocábulos como transa, bossa, que não costumamos mais usar. Comente as mudanças na sociedade em relação às mulheres, desde a época em que o livro foi publicado, 1976. Hoje as mulheres estudam? Trabalham? Em sua casa, quem trabalha: seu pai, sua mãe ou ambos? Quem tem mais responsabilidades: homens ou mulheres? Quem são os chefes de família? Pergunte também sobre suas brincadeiras preferidas. Existem brinquedos só de menina ou só de menino? Qual das meninas gosta de brincar de carrinho ou jogar futebol? Qual dos meninos gosta de brincar de cozinha? E de escolinha? Mostre que a ideia de separar brincadeiras por sexo está ultrapassada, visto que homens e mulheres exercem praticamente os mesmos papéis na sociedade: ambos podem dirigir, cozinhar, dar aulas, cuidar da casa e dos filhos. Destaque a vontade da personagem de ser escritora. O livro trata basicamente de grandes desejos. É possível realizar nossos

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desejos? O que precisamos fazer para isso? Das coisas que desejamos, quais realmente são importantes: uma roupa nova ou escrever um livro, por exemplo? Devemos guardar nossos desejos em segredo e trabalhar para sua realização ou divulgá-los a todos? Fale da incompreensão de muitas pessoas aos nossos desejos e da importância de não ridicularizar grandes sonhos e, sim, incentivá-los. A sabedoria popular diz ser o silêncio a chave do sucesso. Raquel não revelava, mas seus segredos eram sempre descobertos. Como ela fez para escondê-los? Proponha a criação de um diário diferente para guardar segredos: pode ser um objeto cheio de compartimentos, como bolsa, maleta de ferramentas ou caixa cheia de envelopes. Cada compartimento conterá um assunto: grandes sonhos, pequenos segredos, coisas que gosto de fazer, recordações... Peça-lhes que “colecionem segredos” durante um ano e depois abram o compartimento para conferir quais sonhos realizaram, quais mudaram e quais continuam iguais. Ressalte a importância de pensar e lutar pelas ideias. O que é melhor? Mandar ou obedecer? Ser mandado é mais fácil do que mandar? Pensar dá trabalho? Diga que devemos obediência aos nossos pais, professores, e respeito a todas as pessoas.Temos o direito e o dever de sonhar com coisas diferentes.Você gosta de fazer as mesmas coisas que todas as outras pessoas ou faz algo diferente? É justo alguém escolher como você deve se comportar, vestir e o que fazer da vida? Comente o final da narrativa: uma casa em que os membros trocam de papéis para não se cansar do que fazem, para não achar que sua tarefa é menos interessante que a do outro. O pai também cozinha, o avô continua estudando. A casa não tem chefe, todos opinam sobre as coisas que precisam resolver em casa. Pergunte-lhes o que acham da ideia e da frase “Gente grande tem mania de achar que porque é grande não pode mais brincar”. Estimule os pais dos alunos a ler a obra de Bojunga e a praticar o diálogo em casa, a incentivar o sonho dos filhos, a dar-lhes mais atenção. Aborde outras questões importantes levantadas ao longo da narrativa: maus-tratos a animais, coisas pequeninas podem ter grande utilidade, pessoas simples podem ser muito importantes, “pensamento costurado”. Para finalizar, estimule-os a escrever um romance sobre suas maiores vontades, quaisquer que sejam. Leve-os ao laboratório de informática para digitar sua história. Previamente, peça orientação a um profissional de informática para criar um arquivo cujas páginas sejam semelhantes às de um livro. Oriente-os a deixar espaço para ilustrações. Faça a revisão dos textos e imprima-os. Se preferir, imprima e aponte as falhas para eles corrigirem grafia de palavras, concordância etc. Em parceria com o professor de Arte, organize ilustrações com tinta guache, aquarela ou giz de cera em papelcartão, para confecção de capa e contracapa.

MINHAS MEMÓRIAS DE LOBATO CONTADAS POR EMÍLIA, MARQUESA DE RABICÓ E PELO VISCONDE DE SABUGOSA Sinopse – Quem nunca ouviu falar de Monteiro Lobato e do Sítio do Picapau Amarelo? O famoso autor escreveu para adultos e crianças, mas ficou especialmente conhecido pela literatura infantil, que continua a conquistar muitos leitores. No livro de Sandroni, Emília e Visconde de Sabugosa escrevem uma biografia de Monteiro Lobato, apresentando fatos e obras do autor de maneira muito divertida. Sugestão de trabalho – Antes de pedir aos alunos que iniciem a leitura da obra, questione-os se conhecem o Sítio do Picapau Amarelo e seus personagens. Fale de Emília, Visconde, Narizinho, Pedrinho, Dona Benta, Tia Nastácia... Quais suas principais características? Dê aos alunos uma semana para ler o livro, durante a qual converse com eles a respeito de suas impressões: Por que a narrativa começa com a frase “Por incrível que pareça, Emília andava muito quieta?” Por que Emília diz que Visconde fará a pesquisa para o livro? Ressalte: Emília é conhecida por falar e aprontar muito; Visconde é o sábio do Sítio. Oriente-os a prestar atenção a algumas particularidades da narrativa, também encontradas nas obras de Lobato: a troca que Emília faz de algumas palavras por outras de sonoridade semelhante, a impaciência, as exigências malucas, as besteiras que diz quando abre sua “torneirinha de asneiras”... Destaque da obra de Sandroni, e oriente quanto ao sentido, palavras e expressões pouco usadas em nosso tempo, como gabolice, cachola, pentear macacos, lero-lero. Após a leitura, promova roda de conversa sobre o livro e pergunte se já leram alguma obra de Monteiro Lobato. Aponte para hábitos do cotidiano que caíram em desuso ou são incomuns. Matar frango para o jantar, por exemplo. Converse sobre alguns aspectos socioculturais da época: mulheres não estudavam nem trabalhavam fora, casamento de conveniência, moda de estudar Direito, diversão das crianças – brinquedos feitos em casa, circo. Peça-lhes que pesquisem brinquedos antigos e, se possível, tragam alguns à escola. Havendo presença de circo na cidade, verifique com a escola e os responsáveis pelos alunos a possibilidade de levá-los para assistir a uma sessão circense. O livro de

7º ano – 11/12 anos Autor: Luciana Sandroni Ilustrador: Laerte Editora: Companhia das Letrinhas

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SALA DE LEITURA

Sandroni, a exemplo dos de Lobato, apresentam algumas questões polêmicas propícias ao debate: “Tirar sarro” das pessoas é legal? E inventar mentiras só para se divertir? E aproveitar mentira se for conveniente para si? Arrumar alguém para botar a culpa de nossos problemas é certo? Ressalte: Emília é muito parecida com o menino Monteiro Lobato: travesso, impiedoso, egoísta. O apelido de Monteiro Lobato era Juca. Fale sobre os apelidos, questione se alguém tem apelido e se gosta de ser chamado por ele. Aproveite para falar do respeito que devemos ter pelas pessoas, nunca as chamando por apelidos humilhantes ou de que não gostem. Também do bullying. Lobato inventou vários nomes para assinar os artigos que escrevia. Sugira aos alunos a criação de pseudônimos para usar posteriormente. Levante a questão dos nomes próprios de época. Quais estão na moda hoje? Quais eram os mais comuns na época de seus pais? E avós? Sabiam que houve um tempo em que se batizavam os filhos com nome de santos? Comente as funções do livro: divertir, instruir, denunciar coisas erradas, confortar. Proponha-lhes escrever livro ou jornal, à semelhança do H2O, criado por Lobato na época do colégio: feito de uma folha só, passado de mão em mão para ser lido. Apenas proponha conteúdo mais construtivo, pois aquele causava ofensas. Retome a questão do bullying. Dicas para escrever um livro: “Nenhum escritor cria os livros já prontos. Sempre há uma evolução. O autor nunca fica satisfeito com o que escreve e, muitas vezes, altera o texto. Os personagens também se modificam, vão crescendo...” Trabalhe também a questão do petróleo; a riqueza dos EUA em função da exploração de países mais pobres; a figura do caboclo pobre, ignorante e doente; os problemas do país na época de Lobato que continuam em vigor: pobreza, doenças, saúde pública e educação ruins, corrupção... Procure saber qual das obras infantojuvenis citadas despertou mais interesse nos alunos, para indicar-lhes como leitura das duas ou três próximas semanas. Durante esse tempo, reserve parte da aula para conversar sobre esse livro. Finalize o trabalho, reunindo os alunos para saber de que mais gostaram nas obras de Luciana Sandroni e Lobato, de como a primeira os motivou para a segunda. Procure exibir na TV algum episódio do Sítio do Picapau Amarelo para todos assistirem. Levante assunto ligado a personagens folclóricos brasileiros – saci-pererê e curupira. Promova oficina de brinquedos, à semelhança de antigamente, com retalhos de tecido, restos de lã, sabugo de milho, sementes, cascas e outros materiais disponíveis. Faça exposição deles. NASCEMOS LIVRES Sinopse – Este livro traz, em linguagem simples e páginas ricamente ilustradas, os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O objetivo é conscientizar os leitores de seus direitos, de forma lúdica, independente de onde estejam, quem sejam, em que acreditem. Todos têm direito à vida com saúde, educação, amor e dignidade.

8º ano – 12/13 anos Autor: Bartolomeu Campos de Queirós Editora: SM

Sugestão de trabalho – Antes de solicitar a leitura da obra, fale da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que define os direitos iguais a todas as pessoas do mundo, as quais devem lutar para fazê-los cumprir.Trabalhe cada artigo em sala de aula, relacionando-o à ilustração. Chame a atenção para a imagem de crianças de diversas cores e culturas, instigando os alunos a identificar sua origem. Oriente-os a perceber os traços da ilustração de acordo com a autoria; a refletir sobre os artigos da declaração: De que precisamos para amar a vida? Qual a importância da liberdade? Para que somos livres? Para que servem as leis? Qual o dever do país conosco? Proponha-lhes escrever e ilustrar a própria declaração de direitos, com base na leitura da obra e no seu dia a dia. Divida a turma em equipes: uma responsável pelos textos, outra pelas ilustrações, conforme a aptidão dos alunos. Oriente os escribas usando as palavras do prefácio da obra: “(...) pensar é um trabalho demorado. Há que escolher bem as palavras. Elas é que vão polir as ideias. Depois, tem que somar pensamento e palavra para que o texto seja bonito”. Na atividade de associar imagem e texto, bem como identificar a cultura das crianças, recomendamos pesquisa na internet. Promova uma “corrente do bem”: cada dia, os alunos escolhem um dos direitos para propagar em casa, na escola, na vizinhança, procurando maneiras práticas de fazê-los valer e convencer outras pessoas da importância de exercê-los.

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SALA DE LEITURA

O LIVREIRO DO ALEMÃO Sinopse – : “Quem mora ali no morro sabe que há medo, há angústia, há desespero. Mas também há um desejo enorme de superação.” Nesta obra, Otávio Júnior, mais conhecido como o Livreiro do Alemão, relata sua experiência de incentivo à leitura nas favelas, tendo como pano de fundo o período mais violento da história do Complexo do Alemão. Sugestão de trabalho – Antes de solicitar leitura da obra, pergunte aos alunos se já ouviram falar do Morro do Alemão. Recentemente, a mídia noticiou sua ocupação pelas forças de segurança e a fuga desesperada de traficantes que o dominavam. Oriente pesquisa sobre o fato em jornais, revistas e internet, incluindo a realidade atual no Complexo. Na época em que o livro foi escrito, esse conjunto era um dos locais mais violentos do Rio de Janeiro, por conta do tráfico de drogas. Dê uma semana para leitura da obra, durante a qual troque ideias com os alunos sobre os assuntos tratados na sua introdução: Você já foi a uma favela? Conhece alguém que more em uma? Só há bandidos na favela? O cotidiano de uma favela, de acordo com o livro, é semelhante ao que você imaginava? Qual a origem do nome Morro do Alemão? Como as pessoas se submetem aos traficantes? Comente a maneira como a pobreza nas favelas força as pessoas de bem a colaborar com os traficantes: em troca de botijões de gás, material de construção, brinquedos para as crianças... Como o governo não lhes garante boas condições de moradia, saúde, educação e, especialmente, segurança, elas não delatam os bandidos, considerando o risco de morte. Comente o fato de muitas crianças terem visão de mundo bem estreita por não sair da favela e de que forma o autor conseguiu libertar-se dessa prisão: por meio da leitura. Questione: A leitura é capaz de libertar? Como? O que podemos adquirir por meio dos livros? (Conhecimento de culturas, lugares e pessoas diferentes; consciência dos direitos e deveres; vontade de superar as dificuldades; motivação para vencer na vida...) Comente: muitas crianças não têm acesso a livros porque os pais também não o têm. Incentive-os a promover ações de arrecadação e distribuição de livros. Aborde as questões, geralmente relacionadas, de alcoolismo e violência doméstica. O que os motiva? O que os provoca? Segundo o autor, esse tipo de violência faz crianças e jovens procurarem a rua, onde encontram diversas outras formas de violência e se tornam presas fáceis dos aliciadores do tráfico. Promova sessão de cinema na escola com o filme Falcão: os Meninos do Tráfico, para terem ideia da realidade dos garotos aliciados. Discuta com eles o tema do filme. Comparem a vida dos meninos da película com a de Otávio Júnior, um vencedor. Comente: 1) numa realidade em que o tráfico de drogas é a referência do mundo adulto para muitas crianças, o livro pode ser caminho para uma vida digna; 2) fazemos da vida o que queremos, bastando escolher o caminho certo. Proponha aos alunos postar comentário no blog do autor (leredezleiafavela.blogspot. com) sobre o que acharam de sua obra. Observe se algum aluno deseja ser escritor e incentive-o a buscar conselheiro literário, a exemplo do autor Otávio Júnior. Procure na internet os programas televisivos dos quais o escritor participou, mencionados no livro, para os alunos assistirem. Motive-os a organizar campanha de arrecadação de livros para doar ao projeto Ler é 10. Também interessante promover roda de contação de histórias para estimular a leitura em crianças e adolescentes de todas as classes sociais, porque a literatura forma, desenvolve, liberta as pessoas.

9º ano – 13/14 anos Autor: Otávio Júnior Editora: Panda Books

Compartilhe suas experiências literárias. Envie a proposta desenvolvida com seus alunos para: michelle.shoji@pearson.com. Algumas serão publicadas no Portal Nosso Dom.

Revista do

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QUESTÕES & SOLUÇÕES

Este é o momento de

conhecer melhor seu filho VANIA BITTENCOURT O pensamento das famílias, nesta época do ano, está voltado às festas de fim de ano e, certamente, às férias. Presentes, jantares, comemorações marcam o término de mais um ano. Passado o rebuliço, a preparação para um período de descanso é o que motiva a todos – pais e filhos. Além do descanso merecido de cada um, por que não aproveitar este período para um contato mais próximo com os filhos? Afinal, no decorrer do ano, cada um teve suas obrigações, responsabilidades e afazeres. Agora, o momento é de aproximação, de conversas deixadas para trás pela falta de tempo, de ouvir e falar sem pressa em função da escassez de horário, de compartilhar boas e inesquecíveis situações, de aproveitar para conhecer melhor um ao outro, de falar de expectativas, planos, sonhos... Quando surgirá uma oportunidade melhor que esta? Estar disponível para ouvir e ser ouvido, sem a “pseudoatenção” que o cotidiano nos força a manter, entremeada de interferências de telefones que tocam, televisores ligados, trânsito que nos tira a atenção da conversa. Inúmeras possibilidades descortinam-se nos vários locais disponíveis para exercer os papéis de pai e mãe. Não precisa ir muito longe. Em casa ou locais próximos, há

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muito que fazer e aproveitar, bastando vontade e criatividade. E nisso os filhos são experts.Veja algumas sugestões.

DIA DO GOURMET Sabe aquelas receitas próprias para crianças, simples, rápidas e apetitosas? Leve os filhos à cozinha e... Mãos na massa! Ensine-lhes cuidados de higiene antes de iniciar a atividade. Há sites que apresentam receitas bem divertidas. Nesses deliciosos momentos, as crianças (e por que não os adolescentes?) têm participação desde a escolha do prato até o preparo da mesa. Essa é a melhor equipe que existe: família reunida com meta definida e colaborando para atingi-la. Depois, dividir as tarefas de limpeza e arrumação é excelente exercício de cidadania.

CINEMA EM CASA Assistir a DVDs que fazem parte da rotina da família pode tornar-se mais divertido. Transforme sua sala em cinema: posicione sofá, cadeiras, poltronas, almofadas lado a lado, como na sala de projeção. Escureça o ambiente e... Pipoca para todos! Cada um escolhe o filme da próxima sessão para atender a todos os gostos. Essa atitude, além de democrática, ensina a respeitar as diferenças e conhecer a diversidade de propostas do cinema.Vale muito uma boa conversa para troca de ideias e conclusões após a “sessão de cinema”.


QUESTÕES & SOLUÇÕES

ACANTONAMENTO Que tal a família dormir no mesmo espaço da casa e ouvir os sons da noite depois de um gostoso piquenique? Armar barraca dentro de casa, usando colchões, colchonetes, almofadas e travesseiros, une a família. Depois de um lanche especial, é hora de contar histórias, piadas, brincadeiras de adivinhação. Tudo vale para haver troca, diálogo. Cada qual ganhar o momento de falar não tem preço.

PASSEIOS Boa época para explorar o que a cidade e a região têm de mais atraente, educativo, cultural. Àquele local que se vai apenas quando se é turista e que se acaba por esquecer e não valorizar. 1. Organize em conjunto o passeio, desde escolha e votação do lugar. Recorram à internet para explorar um pouco mais o que poderão ver. 2. Busquem o mapa de localização, estudem os trajetos, todos juntos. Combinem o que levar para aproveitar bem o passeio, o lanche que vão preparar ou comprar e o roteiro a fazer. 3. A escolha deve incluir os interesses de todos e lembrar, também, passeios ecológicos, com vistas a apreciar a

natureza, aprender a respeitá-la e preservá-la. Tudo planejado? Muitas aventuras os esperam!

MUSEUS E TEATROS Ótima opção quando não se viaja nas férias é oferecer passeios culturais a pais e filhos. Conhecer museus e ir a teatros da cidade ou região. Preparem em família essas visitas, começando pela escolha dos locais e pesquisa do que ver. Isso cria um clima de interesse e curiosidade. Todos se interessam por determinados objetos, fatos, locais, troca essa muito interessante. Além de unir a família em atividades únicas, despertar o gosto por arte e cultura, o que somente acontece através de vivência e conhecimento. Vale, também, promover boa conversa depois do passeio, em pizzaria, restaurante ou mesmo em casa, onde todos narrem suas experiências e impressões. São inúmeras possibilidades e oportunidades únicas para estreitar elos familiares. Viver a família, observar o crescimento dos filhos, suas descobertas e anseios, é perpetuar o amor que fez cada um vir ao mundo. É relembrar o que nos move e o que realmente buscamos: a felicidade na simplicidade de cada momento. Revista do

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Revista Pad - 4º Bimestre  

Revista de aperfeiçoamento docente

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