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Açafrão tempera economia do norte Goiano

Nasce uma nova revista

Acompanha esta edição o projeto-piloto de uma revista voltada para a agricultura familiar: Agrofamiliar, com temas voltados para o pequeno produtor rural

A REVISTA DO CERRADO BRASILEIRO

Ano VIII Número 41 R$ 9,50 ISSN 1980

www.cerradoeditora.com.br

PRODUÇÃO E PRESERVAÇÃO Programa ABC

agropecuária com maior responsabilidade ambiental, reduzindo desmatamentos e, ainda, aumentando a produtividade. São estas as metas do Programa Agricultura de Baixo Carbono, do Governo Federal. Lucra o produtor, ganha o meio ambiente. Aliás, este é o tema da 11ª Feira de Agrotecnologia do Tocantins - Agrotins

goiás

Boas noticias

Estado terá apenas uma etapa de vacinação contra aftsosa e governo anuncia medidas para amenizar quebra de safra em consequencia do excesso de chuvas e estradas ruins

ENTREVISTA

investimento

Chineses no Cerrado

De olho na produção de alimentos eles anunciam investimentos de R$ 16 bi na produção e processamento de soja no oeste da Bahia e em Goiás

Jaime Café: “O Tocantins será referência na produção de pescados”


EDIÇÃO 41 - abril/maio DE 2011 nosso site: www.cerradoeditora.com.br editor Geral Antônio Oliveira RP: 474/TO editorgeral@cerradoeditora.com.br

Fale conosco: Administração: diretoriaadministrativa@cerradoeditora.com.br

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Assinaturas: assinaturas@cerradoeditora.com.br

PROJETO GRÁFICO/Diretor de Arte Dóda Design http://www.dodadiagramador.com.br

Cerrado Rural Agronegócios e Agrofamiliar têm foco jornalístico e circulação voltados para os cerrados da Bahia (região oeste), Maranhão (região de Balsas), estados de Goiás e Tocantins. Nos demais estados, por meio de assinaturas e dirigida. Cerrado Rural Agronegócios e revista Agrofamiliar (encartada nesta edição), são publicações da Cerrado Editora Comunicação e Marketing Ltda Sede provisória: Avenida Armando de Godoy, quadra 25, nº 9 – Setor Negrão de Lima – Goiânia-GO CEP.:74.000.000 Fones: (62) 3945-1206, (62) 8137-2538 e (63) 8103-7961

Preservação e chineses nos cerrados B oa parte do Planeta tem suas atenções voltadas para os cerrados brasileiros, especialmente os de Goiás, Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí. Últimas fronteiras agrícolas do mundo, esses cerrados podem – e estão – se constituindo em grandes celeiros da humanidade. Não foi em vão que o Japão, num convênio com o Brasil, investiu, a partir de uns vinte anos atrás, grandes fortunas no Projeto de Desenvolvimento dos Cerrados, o Prodecer nos cerrados de Minas, Maranhão, Bahia e Tocantins. Grupos, produtores individuais e governos de muitos outros países estão sondando e comprando terras nestas regiões com o objetivo de produzir grãos, fibras e biomassa. A China, por exemplo, por meio de uma estatal e de um grupo privado, anunciou, recentemente, investimentos da ordem de R$ 16 bilhões na produção e industrialização de soja nos cerrados de Goiás e da Bahia, que terá aquele tigre asiático como destino. Na Bahia, com investimentos da ordem de R$ 4 bilhões, será construído um dos maiores complexos industriais de soja do mundo. Em Goiás, os R$ 12 bilhões serão aplicados em infraestrutura e plantação para exportação in natura, ou seja, sem agregar valor, o que muitos goianos não aceitam, querem

Antônio

agregar valor ao produto da terra. Enquanto isto, governos federal e estaduais e produtores rurais destas regiões desenvolvem programas de recuperação de terras degradadas e de produção ecologicamente correta, como o Programa ABC do Ministério da Agricultura; a rotação de culturas; plantio direito na palha e plantios consorciados. É a conscientização ecológica chegando ao campo, apesar da contestação de ambientalistas. Em Goiás, o governo anuncia a realização de apenas uma etapa de vacinação contra aftosa e medidas para amenizar prejuízos que os produtores tiveram com o excesso de chuvas e estradas ruins. Cerrado Editora, editora desta revista, lança seu segundo produto voltado para o campo, desta vez para o pequeno produtor. É a revista Agrafamiliar, cuja primeira edição, um projeto-piloto, sai encartado em Cerrado Rural a partir desta edição até atingir sua maturidade e caminhar (circular) sozinha. Estes destaques e muitos outros assuntos o leitor acompanha nesta edição. Boa leitura para todos e que tirem bom proveito da 11ª Feira de Agrotecnologia do Tocantins, Agrotins, entre os dias 4 e 10 de maio em Palmas, TO. Consorcio e rotação de cultura: preservação do solo

Antônio Oliveira

EXPEDIENTE

CARTA DO EDITOR

* As opiniões aqui emitidas, em artigos ou reportagens, são de inteira responsabilidade de seus autores.

ABRIL/MAIO 2011 |

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Antônio Oliveira

sumário PARA OS PEQUENOS

ESPECIARIA RTE GOIANO OMIA DO NOé crescer ainda mais ia MPERA ECON AÇAFRÃO TE se 300% nos últimos três anos e tendênc qua Cultura cresceu

Maria José Sá Agrofamilar) (Especial para

Goiregião norte de Mara Rosa, na está se O município de capital, Goiânia, quilômetros da ais pólos de cultivoa ás, distante 296 um dos princip com consolidando como sativus) no Brasil. De acordo Rosa s Mara (Crocu o de de açafrã Açafrão 270 Produtores de ição processou Cooperativa dos em 2009 a institu 300% a (Cooperaçafrão), um crescimento de quase tonelatoneladas da raiz, o foram beneficiadas 103 cresquand m 2007, també partir de cooperados de produtores Contudo, de 85. para das. O número 32 o, passando de o Simão ceu neste períod instituição, Arlind creso presidente da acordo com o aumentaram com “O mas também mo da especiaria. da Vaz, os proble ção e do consu 30% cimento da produ cooperativa não atende a da a chuva espaço disponível em 2009 ficou claro, quando que produção do ano, produção, fato rometeu toda a para comp e ado cedo e nem adequ começou espaço suficiente pois não temos 12 açafrão.” uma cidade com a secagem do em Mara Rosa, O açafrão existe século XIX, trazido da Índia pelos O desde o em busca de ouro. os mil habitantes, vieram a Goiás , era, até mead bandeirantes que raízes dessa planta trilhas, pó, extraído das do por eles para demarcar as ece no do século XX, utiliza que nunca se acaba: adorm da to al veget adven com o pois é um a no verão. Mas, a de inverno e se renov lia (BR-153), no início da décad espe-Brasí rodovia Belém abundância dessa chaações sobre a Paulo, 1960, as inform ao estado de São , ram forma chega dores e, desta ciaria na região o de novos planta rcialização. mando a atençã come da r a produção e ão, o comércio fazendo cresce a Cooperaçafr ém Ainda conforme só felicidade. “Veio tamb to trouxe cimen não de conhe especiaria cíficausada pela falta muita desilusão, mercado e da legislação (espe Ele Vaz. de de produção, Arlindo Simão produtor”, diz muitos res causaram ca) por parte do os atravessado alguns do de má fé, acrescenta que produtores. “Agin tiraram proveito da aos zos prejuí o por muito temp negócio com os conespertalhões, o monopolizaram vo ao agricultor. situação. Eles do um preço abusi a. sumidores, pagan ade foi desestimulada”, afirm Com isso, a ativid

Cerrado Editora lança um novo produto: revista Agrofamiliar, voltada para os pequenos produtores rurais. A primeira edição desta publicação está encartada nesta edição de Cerrado Rural.

práticas de recuperação e conservação do solo. Recursos do ABC são compensatórios

17 21 22 24 10

variedade de arroz produzido nas várzeas do Tocantins. A BRS tropical chega a produzir até 8 t por hectare

AGROTOXICO

Região sul do Maranhão aumenta arrecadação de embalagens vazias de agrotóxicos e é destaque no ranking nacional

PISCICULTURA Quase em extinção, o

filhote, “o bacalhau brasileiro”, pode reaparecer. É o que conta, em ensaio, o engenheiro agrônomo, Roberto Sahium

INVESTIMENTOS Chineses vão investir

R$ 4 bilhões no complexo soja no oeste da Bahia e R$ 12 bilhões na produção do grão em Goiás

ENTREVISTA: Jaime Café, secretário de Agricultura do Tocantins: “Somos vendedores de sonhos”

Sessões

Cooperaçafrão.

| ABRIL/MAIO 2011

1

5 e 6 – Opinião 28 – Recreio 7 – Agrotecnologia 29 – Passatempo 8 e 9 –Agronews 30 - Crônica 26 – Agrovitrine 27 – Máquinas e Motores | ABRIL/MAIO 2011

NESTA EDIÇÃO:

edição 1.indd

1

Divulgaç ão

- CAPA Produtores investem cada vez mais em

- RIZICULTURA Embrapa lança mais uma

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cimento da “Falta de conhe essadores legislação e atrav s trouxeram muita Arlindo decepções”, diz dente da Simão Vaz, presi

8 3/5/2011 12:23:4

Com mercado nacional excelente, açafrão garante renda no norte de Goiás Apicultores tocantinenses terão recursos para melhorar e aumentar a produção

ENTRETENIMENTO

As curiosidades, medicina natural, humor e simpatias na coluna Almanaque

Açafrão tempera economia do norte Goiano

Capa Fazenda Pecuária, Natividade, TO Foto

Antônio Oliveira

Arte

Dóda Design

Nasce uma nova revista

Acompanha esta edição o projeto-piloto de uma revista voltada para a agricultura familiar: Agrofamiliar, com temas voltados para o pequeno produtor rural

A REVISTA DO CERRADO BRASILEIRO

Ano VIII Número 41 R$ 9,50 ISSN 1980

www.cerradoeditora.com.br

PRODUÇÃO E PRESERVAÇÃO PROGRAMA ABC

AGROPECUÁRIA COM MAIOR RESPONSABILIDADE AMBIENTAL, REDUZINDO DESMATAMENTOS E, AINDA, AUMENTANDO A PRODUTIVIDADE. SÃO ESTAS AS METAS DO PROGRAMA AGRICULTURA DE BAIXO CARBONO, DO GOVERNO FEDERAL. LUCRA O PRODUTOR, GANHA O MEIO AMBIENTE. ALIÁS, ESTE É O TEMA DA 11ª FEIRA DE AGROTECNOLOGIA DO TOCANTINS - AGROTINS

GOIÁS

BOAS NOTICIAS

Estado terá apenas uma etapa de vacinação contra aftsosa e governo anuncia medidas para amenizar quebra de safra em consequencia do excesso de chuvas e estradas ruins

ENTREVISTA

INVESTIMENTO

CHINESES NO CERRADO

De olho na produção de alimentos eles anunciam investimentos de R$ 16 bi na produção e processamento de soja no oeste da Bahia e em Goiás

JAIME CAFÉ: “O Tocantins será referência na produção de pescados” Antônio Oliveira

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DIVULGAÇÃO

Ano: 0 Número 1 2011 Abril/MAIO de


oPINIÃO

Boas práticas de manejo ajudam a obter lucro no

A

s estatísticas preliminares apontam redução da intenção de confinamento este ano. Segundo levantamento da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), o recuo está próximo de 9% e, de acordo com a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), no estado a queda deve superar 16%. Com isso, o confinamento total no país deverá ficar entre 2 a 2,5 milhões de cabeças, o que representa algo como 6% do abate total, estimado em mais de 42 milhões de cabeças/ano. Importante esclarecer que a terminação de bovinos de corte em confinamento é uma decisão essencialmente econômica. Aqui não há espaço para experiências ou amadorismo. Os pecuaristas analisam na ponta do lápis os fatores que impactam fortemente nessa modalidade de produção, entre eles o custo do boi magro; a expectativa do preço de venda do boi gordo; e as despesas com a nutrição dos animais durante os 80 a 120 dias. Os custos de nutrição mantêm-se em equilíbrio este ano. Não há grandes movimentos de alta por conta da grande competitividade no setor. Além disso, as indústrias apresentam todos os anos novidades tecnológicas que ajudam a melhorar a eficiência produtiva dos bovinos. Em relação ao boi magro aí sim há grande preocupação dos confinadores, já que o segmento de recria apresentou boa valorização

De qualquer maneira, o confinamento é uma prática com extremo potencial de sucesso no país.

na primeira parte do ano, assim como o negócio de cria (bezerros). A relação entre os preços dos bezerros desmamados e da arroba do boi gordo também diminuiu, acendendo o alerta nos projetos de confinamento. Da mesma forma, nesse início de entressafra não se visualiza explosão da cotação do boi gordo e isso leva à cautela dos invernistas. É o que se verifica a partir da análise dos números apresentados por Assocon e Acrimat. De qualquer maneira, o confinamento é uma prática com extremo potencial de sucesso no país. E vem crescendo ano após ano, atraindo novos pecuaristas. Mas o retorno positivo depende incondicionalmente do planejamento. E, para tanto, há alguns itens essenciais, que merecem a atenção dos produtores. É o caso, por exemplo, da utilização de “Boas Praticas de Manejo” (BPM), o que significa cuidar muito de perto do tripé genética, nutrição e sanidade. Além disso, para lidar com estes pilares faz-se necessário o uso de mão-de-obra qualificada

e preparada para lidar com os desafios e tomar as decisões mais acertadas. Dentre as BPMs, há pontos críticos que devem ser monitorados e seguidos à risca. São eles: a elaboração de uma dieta adequada aos objetivos propostos e aos insumos disponíveis, o estoque de insumos, a recepção dos animais, a apartação e formação dos lotes, o manejo sanitário adequado; o número de animais por piquete respeitando de 8 a 10 m2/ cab.; a adaptação dos animais a dieta; a leitura de cochos para o monitoramento do consumo e ajuste da dieta; a limpeza de cocho para retirada de alimentos fermentados; o horário e a freqüência de trato; a uniformidade do descarregamento da dieta no cocho; a avaliação das sobras e sua homogeneidade no cocho; o consumo de matéria seca; a condição dos piquetes; a limpeza de bebedouros mantendo água de qualidade e à vontade todo tempo; a qualidade da mistura da dieta e o tamanho de partículas ou granulométrica dos insumos utilizados; a condição e o comportamento geral dos animais; a avaliação da presença de distúrbios metabólicos e ruminais; o escore de fezes; e a coleta e o controle de dados. Complexo? Não para os pecuaristas que encaram profissionalmente a terminação em ciclo curto como uma lucrativa modalidade de negócios. Eles fizeram muitas contas e, apesar de alguns fatores negativos neste ano, encheram seus currais e certamente terão resultado econômico positivo.

Com boas práticas de manejo, o pecuarista confinador pode ter melhores resultados no acabamento final de sua produção

ABRIL/MAIO 2011 |

É gerente técnico corporativo da Nutreco Fri-Ribe

Antônio Oliveira Filho/Arquivo CRA

confinamento

Marcelo Carneiro

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opinião

Os governos não podem tudo O

sucesso do agronegócio brasileiro não foi Nossos agricultores são melhores, mas mais pobres o resultado da ação do setor público, mas que seus concorrentes, já que não podem repassar da livre iniciativa, do espírito empreenseus custos particulares para preços que são fixados dedor de nossos agricultores, que se nas Bolsas internacionais. moveram para os ermos do Centro-Oeste, correndo Um desenho logístico racional faria a inversão desriscos desproporcionais e hipotecando na empreitasas rotas. A produção dos territórios acima do paralelo da o seu próprio destino. 15 sul pode e deve ser escoada pelos portos do Norte Há 40 anos, essa região era ainda um quase vazio e do Nordeste, num sistema que chamamos Arco econômico, desprovida de infraestrutura, sem rodovias Norte, que consiste em rodovias, hidrovias, ferrovias e ou acesso a portos, sem falar na ausência de facilidades portos que demandam investimentos absolutamente urbanas, que fez da vida desses modernos pioneiros compatíveis com os recursos do governo brasileiro. e de suas famílias uma saga de grandes privações e Muitas dessas estruturas já existem, precisando apenas padecimentos pessoais. de obras de ampliação e melhoramento. Outras poA história deu certo e a produção se elevou tanto dem ser concedidas à iniciativa privada. que a escala econômica dos problemas atingiu um Os governos não podem tudo. Principalmente, não nível-limite. O governo não pode mais fingir que o podem tudo ao mesmo tempo. Por isso, são medidos Centro-Oeste não existe. na história pela qualidade Quando se inicia nova das escolhas que fazem. colheita recorde de grãos Neste momento em “Com metade do dinheiro do trem-bala, e de fibras, repete-se o que, como bem exprespoderíamos ampliar portos do Nordeste velho drama dos camisou um editorial da Folha, e do Norte, com sobras” nhões se arrastando por a infraestrutura do país estradas absurdas para, segue rumo ao colapso, o ao final, acabarem retidos governo deve à sociedade em filas intermináveis nos uma explicação cabal e acessos aos portos do convincente sobre a razão Sul e do Sudeste, congestionados e precários, mas os de promover com dinheiro e facilidades públicas um únicos a que os produtores podem recorrer. trem de alta velocidade entre o Rio e São Paulo, ao A geografia da produção mudou, mas as estruturas custo de mais de R$ 33 bilhões. Será que a economia logísticas continuam a corresponder ao Brasil de onnão tem outros problemas e outras prioridades? tem. Se tomarmos como divisor geográfico o paralelo Com metade desse dinheiro, poderíamos ampliar 15 sul, verificamos que ao norte dessa linha estão locae modernizar os portos de Porto Velho, Santarém, lizados 52% da produção nacional de soja e milho. No Belém e Itaqui, no Norte, e de Pecém, Suape e entanto, apenas 16% do total da produção é escoado Salvador, no Nordeste. Sobraria ainda dinheiro para pelos portos da região, enquanto os demais 84% são adequar as rodovias que alimentarão essas rotas, forçados a recorrer aos portos do Sul e do Sudeste. como a Cuiabá-Santarém, e concluir as hidrovias do Além dos inconvenientes desses sistemas logísMadeira e do Tocantins. ticos, os custos adicionais de transporte capturam Para tudo isso serão necessários cerca de R$ 14 biparte da renda dos produtores, o que ajuda a explilhões, menos da metade do trem-bala e com um efeito car o paradoxo de uma agricultura competitiva nos extraordinário sobre a produção, a renda dos agricultoseus processos de produção, ao lado de agricultores e a diversificação territorial da economia, sem falar res empobrecidos. no alívio que representará para as estruturas logísticas Estudo recente mostra que o transporte de do Sul e do Sudeste. uma tonelada de soja da fazenda ao porto custa, Numa sociedade democrática, os governantes não em média, US$ 20 a um agricultor argentino, US$ podem ter caprichos. Os recursos do Estado perten18 a um norte-americano e US$ 78 a um brasileiro. cem à sociedade e a ela devem reverter.

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Kátia Abreu

Senadora, e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Artigo transcrito da Folha de São Paulo, edição de 2 de abril de 2011


Divulgação

Agrotecnologia Soja

Homenagem a Jorge Amado

Silo

Secador a energia solar

Divulgação

A Fundação Bahia, com sede no oeste da Bahia, e Embrapa Cerrados disponibilizam, a partir da safra 2011/12, duas novas variedades de soja adaptadas ao bioma daquela região: BRS 313, BRS 314 e BRS 315, mas que, numa homenagem ao escritor baiano, Jorge Amado, terão nomes de três de suas mais famosas personagens: respectivamente, Tieta, Gabriela e Lívia.

Embrapa e Emater do Rio Grande do Sul desenvolveram um secador de leito fixo que utiliza um coletor solar armazenador de energia como fonte de aquecimento do ar. De fácil operação e baixo custo, o sistema, de acordo com Paulo Armando de Oliveira, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, utiliza a luz solar para fazer a secagem dos grãos a baixa temperatura, evitando a quebra da camada protetora dos grãos. O resultado é a garantia da qualidade das rações, produzidas a partir desses grãos, especialmente nos aspectos químicos e físicos.

Defesa

Ácaro desarma defesa de plantas Uma pesquisa desenvolvida pelo pesquisador e professor da UFT , campus de Guurpi, no sul do Estado, Renato de Almeida Sarmento, em conjunto com pesquisadores da UFV (MG) e Universty of Amsterdan revelou que

Clone

O registro do primeiro clone da raça Brahman nascido no Brasil será feito durante a realização da 77ª ExpoZebu, entre os dias 28 deste mês a 10 de maio em Uberaba (MG). O fato ocorre justamente quando a raça completa 17 anos de introdução no país. O clone foi produzido com material genético de uma grande campeã da ExpoZebu, a Miss Atina 761 R55, de propriedade do criador João Alfredo Ribeiro Neto, do Rancho 55. O registro será feito pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu.

Divulgação

ABCZ registra cópia de Brahman

o ácaro vermelho Tetranychus evansi é capaz de desarmar todo o sistema de defesa das plantas, como os inibidores de proteinase em plantas como tomate. Para o professor, “essa descoberta representa uma nova perspec-

tiva para as pesquisas sobre as interações planta-herbiívoro, proteção de plantas e resistência a espécies nocivas”. Mais informações acesse: http://onlinelibrary. wiley.com/doi/10.1111/j.14610248.2010.01575.x/abstract

AP

Ceres lança novos produtos A Ceres Agrotecnologia lançou, neste início de ano, a sua Linha Ostera de equipamentos nacionais para agricultura de precisão. São eles, o Ostera FPI – Controlador de Fertilização a Taxas Variáveis com Monitor Dirigital de Plantio Integrado; Ostera MDP - Monitor Digital de Plantio e

o Ostera TVF – Controlador de Fertilização a Taxas Variáveis. Esses produtos são resultados de mais de dois anos de pesquisa e, de acordo com a empresa, são os primeiros de uma série de soluções eletrônicas desenvolvidas para contribuir com o sucesso e a sustentabilidade do mercado nacional. ABRIL/MAIO 2011 |

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Divulgação

Agronews Confinamento

Nova aptidão do oeste baiano A região de Luis Eduardo Magalhães, terras altas, do oeste da Bahia, dá mais um passo para consolidar seu processo de diversificação de culturas rurais. A empresa Captar está construindo por lá um dos maiores projetos de confinamento do Brasil. Numa área de 200 hectares, o complexo contará com uma fábrica de adubo orgânico, outra

de ração e instalações para o confinamento inicial de 12,5 mil bois, podendo chegar a 25 mil até o final deste ano; 50 mil em 2012 e 70 mil em 2013. Empresa não revelou quanto está investindo no projeto, que gerará, inicialmente, 100 empregos diretos. O secretário de Agricultura do Bahia, a direita na foto, com os empreendedores, visitou a obra. Divulgação

Otimismo

Real não preocupa expostores Real valorizado não será problema nas negociações durante a Bahia Farm Show, de Luis Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. Empresário do ramo de mineração na região e um dos expositores, Sergio Pedreira Souza aposta no sucesso financeiro da feira. “Sem sombra de dúvida é uma das maiores feiras realizadas na Bahia e no Brasil, e tem o padrão de grandes feiras internacionais”, disse ele. Outros motivos de otimismo com a mostra agrotecnológica são, de acordo com organizadores e expositores, a boa sagra e os

Fomento

BASA tem R$ 1 bi para o TO O presidente do Banco da Amazônia, um dos principais fomentadores do desenvolvimento agroeconômico do Nordeste do Brasil, Abdias José de Sousa Júnior, anunciou, no mês passado, ao governador do Tocantins, Siqueira Campos, que a instituição tem R$ 650 milhões para emprestar aos empreendedores no Estado, podendo este valor crescer para R$ 1 bilhão. Ele lembrou o crescimento desses valores disponíveis: em 2007 o banco investiu R$ 150 milhões e, no ano passado, R$ 780 milhões. O Tocantins, segundo ele, é a segunda maior carteira do Banco.

bons preços internacionais da comoodities. A Bahia Farm Show acontece entre os dias 31 de maio a 4 de junho.

Exportações Divulgação

Algodão

O Brasil alcançou novo recorde nas exportações do agronegócio ao atingir US$ 79,8 bilhões, com crescimento de 19,7%, nos últimos 12 meses encerrados em março. Em maio, o pais deve superar os US$ 80 bilhões em exportação, um número inédito na

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história do comércio exterior do agronegócio brasileiro. Consequentemente, o superávit comercial também aumentou, chegando a US$ 65,5 bilhões, de abril de 2010 a maço de 2011. Os dados foram divulgados no dia 13 de abril pelo Ministério da Agricultura.

Depois do anúncio que um grupo chinês vai investir R$ 4 bilhões na construção de um complexo de produção de derivados da soja, em Barreiras, no oeste da Bahia, a expectativa agora é que os chineses invistam numa agroindústria voltada para o algodão naquela região. Contato neste sentido foi feito no mês passado, na China, pelo secretário de Agricultura deste Estado, Eduardo Salles, com os empresários da indústria Hopefull Group Grain Oil Food. Shi Kerong, presidente do grupo ficou de estudar esta possibilidade. O oeste da Bahia é o segundo maior produtor de algodão no Brasil. Divulgação

Agronegócio bate novo record

Na mira dos chineses


Divulgação Secom-TO

Agrotins I

Pequenos estarão presentes Mais de 1.200 pequenos produtores de todo o Tocantins devem participar das atividades do Agrotins 2011. Eles estão sendo convidados e mobilizados pelo governo daquele Estado, por meio da Diretoria de Fomento e Fortalecimento ao Cooperativismo e do Associativismo Rural, da Secretaria de Agricultura doe Tocantins. O objetivo é dar oportunidade para que a agricultura familiar conheça novas tecnologias disponíveis para agropecuária e participarem das palestras e oficinas técnicas.

Piscicultura Divulgação

Agrotins II

Novas empresas

Lagos para piscicultura Foi dado mais um passo para a consolidação do Projeto Piratins, no Tocantins. O projeto visa a criação de peixes, principalmente em tanques-rede nos lagos das usinas Luis Eduardo Magalhães, Enerpeixe e São Salvador. Reunião com este foco foi realizada no dia 12 março entre representantes da Seagro-TO, por meio de sua Subsecretaria de Aqüicultura e Pesca, prefeitos e piscicultores do entorno desses lagos. Na oportunidade foram apresentadas ações para a elaboração do projeto, como licenciamento ambiental, definição de áreas aquicolas e o peixe na alimentação de alunos da rede pública de educação.

Divulgação

A Agrotins 2011 terá mais 14 novas empresas expondo seus produtos. A Rodosul, empresa do setor de cargas, por exemplo, é a primeira vez que participa desta que é a maior feira agrotecnológica do Norte do Brasil. De acordo com um de seus

diretores, Paulo Marques, “a feira é uma oportunidade de explorar as oportunidades comerciais do Estado. Fizemos uma pesquisa aqui no Tocantins e verificados que o maior evento para encontrar nossos clientes é a Agrotins”, disse ele.

Biodiesel

Incentivo ao amendoim Produtores rurais do Tocantins podem ter mais uma opção de renda: a plantação de amendoim para a produção de biodiesel. Projeto neste sentido está sendo discutido entre a Subsecretaria de Energias Limpas, da Seagro-TO, empresa BioVerde e agricultores familiares de Santa Rosa e Silvanópolis, na região central do Estado. Os investimentos previstos para esta iniciativa devem ser de R$ 30 milhões para custeio e assistência técnica das safras. O rendimento de cada família de agricultores com cada safra da oleaginosa, pode chegar R$ 1 mil.

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Antônio Oliviera

entrevista

“Somos vendedores de sonhos” Com a agricultura nos seus melhores momentos, porém enfrentando obstáculos, Secretaria tem orçamento muito aquém de suas necessidades

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U

ma das regiões de novas fronteiras agrícolas de cerrado mais promissora das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o Tocantins tem aproximadamente 30 milhões de hectares de área para serem exploradas, sem risco para o meio ambiente. Entretanto, apenas 7 milhões estão em produção. O Estado caminha para ser um dos maiores produtores de grãos, biomassa e frutas no Brasil. Um moderno sistema multimodal está sendo construído para o escoamento da produção, demandando-a para os demais mercados nacionais e internacionais. Mas nem tudo é este paraíso. Há muitos desafios a serem enfrentados, como a recuperação e exploração de 5 milhões de áreas degradadas por pastos; reorganizar e viabilizar os projetos de irrigação; introdução de pesquisas para proporcionar a diversificação de culturas e por em prá-

tica uma da maiores e mais importantes vocação do Estado: a pesca e aquicultura. Dar sequência a boa gestão de seus antecessores na Pasta, enfrentar estes desafios e consolidar o Tocantins como um Estado de agronegócio forte ficou, no atual governo tocantinense, a cargo do produtor rural Jaime Café, 37 anos. Natural de Planalto (PR) e morando no Tocantins desde 1986 lidando com a produção rural em várzeas, Café, como é chamado, foi presidente do Sindicato Rural e da Associação dos Produtores do Vale do Rio Formoso e Lagoa da Confusão, cidade esta da qual foi vice-prefeito e prefeito por dois mandatos. Para falar de suas metas para a agropecuária e o agronegócio no Tocantins, ele recebeu Cerrado Rural Agronegócio em seu gabinete no início da segunda quinzena de março.


Cerrado Rural – Qual é a sua plataforma para o desenvolvimento do agronegócio e da agricultura familiar no Tocantins? Jaime Café – O agronegócio no Tocantins está vivendo um momento bastante promissor com o fortalecimento de sua infraestrutura como, por exemplo, a construção da Ferrovia Norte-Sul. Atualmente, o custo de transporte para levar os insumos agrícolas até a lavoura e depois escoar a produção é muito alto. E o modal ferrovia vai reduzir muito esses custos. O Tocantins tem hoje aproximadamente 30 milhões de hectares disponíveis para a produção. Entretanto, nós temos em exploração uma área de apenas 7 milhões de hectares. Então, veja você que o potencial de crescimento que nós temos é muito grande e também exige as devidas providências por parte do governo. Uma ação imediata seria com relação às pastagens degradadas, hoje em torno de 5,5 milhões de hectares... CR – Qual é o orçamento que a sua Pasta dispõe para este ano? Café – O nosso orçamento para este ano é bastante resumido. Nossa LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para este ano foi elaborada pelo governo passado e não contempla todas as necessidades do setor, posso te dizer. Mas, buscando as parcerias e contando com uma equipe competente que possa identificar o trabalho que deve ser feito da porteira para dentro e para fora, atendendo às necessidades do produtor, que são as nossas interferências e parcerias junto às instituições de pesquisas e, também, na busca de novos investimentos para o Estado, a gente tem, sim, como dá dinamicidade ao nosso trabalho. O Tocantins tem alguns gargalos – tinha, eu posso dizer, porque a partir deste governo isso vai acabar. O nosso grande problema ainda é relacionado com a questão fundiária, onde se tem a necessidade de regularização de áreas para que ela possa receber recursos. Em gestões passadas, havia a burocracia na maneira como era tratada a questão ambiental, quando se criava dificuldades para produzir e facilidades para apadrinhados. A pretensão do atual Governo é criar um novo modelo para que ela possa ser vencida e esse modelo já está acontecendo. Então, o grande gargalo que nós tínhamos está sendo superado ai. O nosso trabalho é o de buscar políticas de crédito, voltado para o interesse tocantinense, na busca de alternativas para resolver o problema das áreas degredadas do Estado, que são muitas. E, também, política de crédito voltada para aquelas ações que o governo pretende incrementar aqui no Estado nas mais diversas culturas que a gente identificou e que tem um grande potencial aqui no Estado. A implementação de novos projetos de irrigação e a operacionalização dos que estão parados...

O Tocantins tem hoje aproximadamente 30 milhões de hectares disponíveis para a produção. Entretanto, nós temos em exploração uma área de apenas 7 milhões de hectares.

CR – De quanto é este orçamento e de quanto a Pasta precisaria? Café – São pouco mais de R$ 118 milhões para a Secretaria; R$ 49 milhões para a Adapec (agência de agrodefesa do Estado) e R$ 50 milhões para Ruraltins (extensão rural) – instituições vinculadas a esta Pasta. Claro que precisaria de mais. A gente sabe da necessidade de aumentar os nossos quadros para fazer, por exemplo, uma ação de defesa e extensão rural com mais eficácia. CR- O senhor falou sobre áreas degradadas no Tocantins, que são de 5,5 milhões de hectares. Pois bem: enquanto se fala em redução da área de reserva florestal nas propriedades, o Estado tem esses 5,5 milhões de áreas degradas para a produção, depois de sua correção, é claro. Qual é a sua sugestão para ocupar essas áreas, reduzir o desmatamento e aumentar a produção? Café – Nós, no próximo dia 26 de março, teremos um dia de campo numa propriedade rural do município de Arapoema, onde o tema principal vai ser a recuperação de áreas degradadas (veja matéria nesta edição), E nós vamos levar e discutir as mais diversas alternativas para que a gente possa alcançar esse objetivo. Entre elas, estão a integração lavoura-pecuária e a integração pecuária-floresta, que podem ser uma das alternativas para fazer com que o produtor possa absorver este custo da reforma da pastagem.

Já há experiências com café nos cerrados do Tocantins"

CR- O atual governo implantou aqui na Secretaria dois novos departamentos, ou seja, as subsecretarias de Aquicultura e Pesca e Energias Renováveis. Qual é a importância destes órgãos para o desenvolvimento do agronegócio no Tocantins? Café – Na verdade, são três subsecretarias. Foi implantada também a Subsecretaria de Assentamentos, que está voltada para a agricultura familiar. Ela tem o objetivo de desenvolver políticas voltadas para as pequenas propriedades e em especial trabalhar de forma integrada, levando os serviços de governo com mais eficácia ao pequeno produtor. Serão serviços de saúde, educação, segurança e, em especial, as oportunidades de produção e de mercado, dando a essas famílias que vivem nas pequenas comunidades rurais alternativas para que elas possam ter um ganho melhor. A Subsecretaria de Energias Renováveis engloba muitas atividades, mais especialmente a agroenergia - produção de etanol e biodiesel. Esta Subsecretaria abrange também outros tipos de trabalho, como o voltado para a agropecuária de baixo carbono. É uma atividade que tem sido muito focada nos últimos meses. A Aquicultura e Pesca, surgiu não só com o intuito de apoiar o setor pesqueiro no Estado, mas também difundir novas práticas da produção de peixes. O cultivo de peixe em cativeiro é visto no Tocantins como de um potencial muito promissor, com uma tecnologia já em aplicação e há de se citar também a importância de alguns produtores daqui, a exemplo do José Eduardo, do Projeto Tamborá (veja reportagem especial sobre este projeto na edição de março de 2007 “Peixes amazônicos vão bem no Tocantins”). É um dos maiores projetos do Brasil. Para completar, recentemente o Tocantins foi agraciado com a implantação da Embrapa Aqüicultura e Pesca... CR- Qual é a importância desta unidade da Embrapa e sua parceria com o Estado? Café – O momento mostra que ela veio de encontro com uma das principais políticas deste governo. O governador Siqueira Campos tem uma visão de que, no Brasil, quando se fala em queijo e leite, se lembra de Minas Gerais; quando se fala em boi gordo, se lembra de Mato Grosso do Sul; Laranja, São Paulo, e assim por diante. Agora, no projeto dele, quando se falar em peixe, o Tocantins será referência. E, após a instalação e funcionamento deste centro aqui, todo o Brasil, quando precisar deste tipo de tecnologia, vai ter que vir a Palmas, ao Tocantins, para buscar essas tecnologias que vão ser criadas aqui. O Tocantins entra com uma infraestrutura muito boa que foi cedida à Embrapa. Há de se lembrar que essa estrutura ainda foi construída por Siqueira Campos, ainda no segundo mandato dele, o que permitiu que a Embrapa se instalasse aqui. Esta é uma visão de longa data e que hoje acabou se tornando numa realidade. ABRIL/MAIO 2011 |

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De cerrado produtivo, a gente entende. E vê longe!

Na safra 2002/03, numa iniciativa ousada e pioneira, nós fomos a campo e mostramos, em nossa primeira edição, que o Tocantins, com pouco menos de 200 mil hectares plantados com soja, seria um dos grandes produtores deste grão no Brasil. Hoje, ele já é o maior de todo o Norte brasileiro.

Dois meses depois, naquele mesmo ano, nós mostramos que a aquicultura e a piscicultura no Tocantins tinham muito futuro, inclusive para a criação de peixes nobres, como o pirarucu em cativeiro. Muita gente achou loucura nossa e dos empreendedores desta cultura.

Em 2007, mostramos que nós, não estávamos equivocados e com excesso de otimismo. O Tocantins, desde aquele ano, produz peixes de boa qualidade e os exporta para vários estados do Brasil e ainda ganhou uma unidade de pesquisa da Embrapa voltada para estas culturas.

Não ficamos só no Tocantins. Extrapolamos fronteiras, integrando os cerrados da Bahia, mostrando suas culturas, como o café; o Maranhão, como pólo produtor de grãos e sementes, e Goiás que, além de grãos e biomassa, está se revelando em ótimo produtor de uvas e vinhos.

Dá para vê que a nossa vocação é o Cerrado do Centro, Norte e Nordeste do Brasil! A REVISTA DO CERRADO BRASILEIRO


CR – O senhor falou em energia renovável. E eu lembrei que no boon da indústria sucroalcooleira, várias plantas foram projetadas pela iniciativa privada de todo o Brasil para o Tocantins. Entretanto, poucas saíram do papel. Uma das únicas que se concretizaram foi o projeto da Bunge, em Pedro Afonso. Qual será sua estratégia para atrair aqueles e novos investidores para o Tocantins? Café – Nós já fizemos vários contatos com algumas empresas com interesse em fazer esses investimentos aqui no Estado. O grande problema nosso, entretanto, era aquela visão de que no Tocantins não dá cana. Sempre se teve essa visão de que cana no Tocantins é inviável devido ao longo período de seca que nós temos aqui a partir do mês de maio até o final de setembro, o que poderia inviabilizar o empreendimento, uma vez que, acreditava-se que a irrigação de salvamento por aqui também fosse inviável. E este processo foi feito com sucesso pela Bunge aqui no Estado, que, inclusive já nos transferiu essa tecnologia, tanto de práticas culturais, como de variedades com uma adaptação melhor aqui no Estado... CR- Hoje o Tocantins já conta com variedades de cana adaptadas às condições edafoclimáticas do Estado? Café- Hoje nós temos uma tecnologia adequada e competitiva demandando para bons mercados que é o sul do Piauí, do Maranhão, do Pará, mesmo aqui do Tocantins, além das facilidades para exportação, via ferrovia para os mercados internacionais. Então, o Tocantins é atrativo, muita gente tem o procurado para comprar terras, que ainda são baratas e nós temos a opção da irrigação de salvamento em algumas áreas. E a ampliação das áreas de plantio está acontecendo de maneira bem rápida. CR – Secretário, para implantar novas culturas no Estado, como a cana-de-açúcar, o algodão e outras culturas, é preciso que haja pesquisas para o desenvolvimento e/ou melhoramento de variedades adaptáveis às condições regionais. Dias desses, esta Pasta comemorava o aumento de área e produtividade do algodão em algumas regiões do Estado, hoje com pouco mais de 4 mil hectares, plantados principalmente no platô da Serra Geral, no vácuo desta cultura no oeste da Bahia, hoje o segundo maior produtor desta pluma no Brasil. Esta área poderia ser bem maior se o Estado contasse com variedades adaptadas às suas condições edafoclimáticas. Campos Lindos, por exemplo, há mais ou menos 5 anos, iniciou, por meio de um grupo tradicional do sul de Goiás, com negócios rurais no

E nós, recentemente, fizemos uma parceria com a Embrapa visando o desenvolvimento e a busca de novas tecnologias para o algodão, principalmente para esta região aqui em cima (Serra do Lajeado) de Aparecida do Rio Negro, onde está sendo implantada uma unidade experimental da Embrapa, voltada para o algodão.

Tocantins, uma plantação em larga escala, inclusive montando moderna algodoeira no local. Porém, duas safras depois aqueles produtores desistiram da cultura por falta de variedades adequadas àquela região, de muita chuva. Ou seja, faltam pesquisas no Estado. Qual será o papel de sua gestão para resolver este tipo de gargalo que emperra o crescimento e a diversificação de culturas agropecuárias no Estado? Café – Já existe um trabalho por parte da UnitinsAgro (Instituição de pesquisa do governo do Tocantins, ligada a Fundação Universidade do Tocantins) de melhoramento genético da cana. E nós, recentemente, fizemos uma parceria com a Embrapa visando o desenvolvimento e a busca de novas tecnologias para o algodão, principalmente para esta região aqui em cima (Serra do Lajeado) de Aparecida do Rio Negro, onde está sendo implantada uma unidade experimental da Embrapa, voltada para o algodão. Hoje, para a cana, nosso principal desafio, já temos um acordo feito entre o Governo do Estado e a Bungue para a transferência de tecnologia. Nós temos condições competitivas muito boas para este setor. CR – O governo que antecedeu ao atual inverteu a ordem nos projetos de irrigação no Estado, ou seja, colocando-os, não só sua construção, mas, e o mais grave, sua gestão, sob a responsabilidade da Secretaria de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, quando o certo seria que esta gestão fosse feita pela Secretaria de Agricultura. Outro problema é que esses projetos, um deles, um mega proje-

to, que é o Manuel Alves, no sudeste do Estado, estão praticamente parados. Este último tem potencial para transformar aquela microrregião, numa das regiões agrícolas mais ricas do Tocantins. Qual é sua proposta para reverter estas situações? Café – Esta discussão tem sido bastante enfatizada por este governo, uma vez que nós precisamos integrar todos os órgãos que tenham a ver com a produção para que possamos viabilizar todos esses projetos. Você citou muito bem uma falha que acontecia na gestão governamental passada, onde a Secretaria de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, que teve papel fundamental nesses projetos, se encarregou de tudo. A avaliação e o monitoramento da questão ambiental desses projetos precisam ser vistos com bastante seriedade para que a gente não cometa erros, este sim é um papel importante daquela Secretaria. Hoje, a nossa proposta, e que já foi discutida, é a criação de um conselho gestor, que busca, na transversalidade, qual é a competência de quem na gestão desses projetos. No nosso entender, a nossa competência é a de identificar o potencial das áreas para irrigação; quem é aliado na questão fundiária; as questões ambientais e a aptidão do solo do perímetro da produção, etc. A Secretaria da Agricultura tem o papel de identificar essas áreas viabilizando-as. A secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, por sua vez, vai dizer se elas podem ou não ser exploradas sob o ponto de vista ambiental. A Secretaria de Infraestrutura, que também deverá entrar nesse processo, é que terá a incumbência em construir e acompanhar o projeto de construção das barragens. A organização do perímetro, como um todo e a definição de políticas de produção partirá da Secretaria da Agricultura novamente. E nós temos que construir um projeto que possa agregar valor. E ai entra outra secretaria, a de Indústria e Comércio, fomentando a entrada de empreendimentos que venham a agregar valor aos produtos dos projetos. Então, esses projetos não são só da Secretaria da Agricultura e muito menos da Secretaria de Recursos Hídricos e Meio Ambiente. A obrigação com a execução desses projetos é um conjunto. Mas eu entendo que se existia, digamos assim, uma confusão em relação às competências dentro dos projetos de irrigação, eu entendo que a Secretaria de Meio Ambiente começa atuar, desde a concepção até infinitamente no projeto, mas na sua competência. Você há de convir comigo que é antagônico uma fusão de recursos hídricos com o meio ambiente. Este último tem o papel de fiscalizar e monitorar sob o ponto de vista ambiental e não a construção do projeto de irrigação. Nós vamos trabalhar para fazer com que os projetos que estão paralisados hoje, por um problema ou outro, para que tenha continuidade. “A Aquicultura e Pesca, surgiu não só com o intuito de apoiar o setor pesqueiro no Estado, mas também difundir novas práticas da produção de peixes”

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“Uma ação imediata seria com relação às pastagens degradadas, hoje em torno de 5,5 milhões de hectares”

CR- Outro problema neste setor é o Projeto de Irrigação Rio Formoso. Estrutura emperrada e nas mãos de poucos. O que fazer para melhorar e democratizar o Projeto? Café – O modelo do Projeto Rio Formoso segue um projeto público tendo algumas concepções na fundação deles que não foram as mais adequadas. Agora, o que fazer? Potencializá-lo na maneira que atinja sua plenitude. O projeto terá um investimento de mais de R$ 100 milhões, num primeiro momento, para a sua reestruturação. Isto vai garantir a melhoria das condições para que ele volte a produzir 100%. E não só este, como os outros projetos que serão construídos, nós buscaremos a parceria público-privado. O governo entra com o barramento, a reserva hídrica e o produtor com, a estrutura. CR – Não foi um equívoco, no Projeto Manuel Alves, priorizar a agricultura familiar, em detrimento da agricultura empresarial, que poderia passar sua experiência para a agricultura familiar? Pelo o que sei, colocaram esta à frente daquela. Café – Eu acho que não. Lá tem também a agricultura empresarial. Eu vejo o seguinte: o que é que tem que acontecer. O que tem que acontecer lá é a presença da extensão rural. O grande erro foi o governo fazer um investimento grande daquele e, depois, sair de dentro, não dando continuidade como, por exemplo, por meio da extensão rural. CR- O governo do Tocantins tem comemorado muito os recordes na produção e produtividade de grãos no Estado e sua exportação, como se o objetivo final do produto fosse à exportação in natura. Quando é que vai comemorar a agregação de valor a esses produtos, por meio de uma agroindústria? Café – Quando tivermos produção que atenda a demanda das agroindústrias que são investimentos pesados. No caso da soja, por exemplo, é preciso ter demanda para todo o processo agroindustrial: da extração do óleo, passando pelo refino, envasamento; da extração do farelo a confecção das tortas e assim por diante. Temos que trabalhar para aumentar a produção e a produtividade desses produtos para que possam atender às agroindústrias. Ninguém investe numa planta agroindustrial para ela ficar ociosa. CR- Está se desenvolvendo no Tocantins um sistema de logística multimodal, ligando o Estado as demais regiões do Brasil e, via de regra, aos mercados internacionais. É a Ferrovia Norte-Sul, hidrovias e rodovias. O que isto significa para o futuro do agronegócio no Estado?

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Café – Uma atração muito forte de empreendedores e empreendimentos que vão agregar valor aos nossos produtos, principalmente os de origem rural. Veja você: com uma logística desta, com o Estado oferecendo, hoje, tecnologias de ponta para a produção de soja, de carne, entre outros, principalmente agora em que temos preços melhores para alguns produtos e o Estado só crescendo. Veja bem que somos procurados, todos os dias, por empreendedores e investidores voltados para as diversas áreas de produção – rural, industrial, comercial e de serviços -, e com esta infraestrutura que está se colocando à nossa disposição, dando-nos uma condição de logística que até então, não tínhamos, que era tido como nosso principal problema, esse sistema de multimodal, puxado pela ferrovia, vem num momento crucial, quando o mundo fala em aumentar a produção de alimentos, sob pena de o planeta passar por conflitos por falta de alimentos. Então, o Tocantins tem o privilégio imenso com esta logística. CR- A Agrotins tem como tema neste ano a “Agropecuária de baixo carbono”, a chamada agricultura ABC. O que a Secretaria e o Governo do Estado, promotores do evento, esperam com isto? O Estado já pratica este tipo de cuidado com a produção? Café – A gente está indo ao encontro de um novo momento que o mundo pede, ou seja, que o setor produtivo agrícola tenha maior responsabilidade, no que diz respeito à emissão de gases poluentes. Um tema muito abordado nesta última conferência que teve em Copenhague e o Tocantins se colocou a frente, levantando este tema que é a agropecuária de baixo carbono, assumindo a responsabilidade de transferir e difundir práticas que venham ao encontro com esta necessidade do planeta. Práticas como o plantio direto na palha, o que elimina algumas fases da produção, A secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, por sua vez, vai dizer se elas podem ou não ser exploradas sob o ponto de vista ambiental.

como uso de mais hora/máquinas, arado, etc.; a rotação de culturas que propicia melhores condições ao solo; a integração lavoura/pecuária/floresta e tantas outras alternativas que, durante o evento, nós vamos expor aos nossos produtores que, de certa forma, já têm esta consciência – a gente pode afirmar isto. Mas, o papel do Estado e desta feira tecnológica é de levar estas tecnologias. Vale ressaltar que o governo federal, também com esta mesma preocupação, lançou uma linha de crédito com juros diferenciados para o produtor no sentido de viabilizar essas práticas, como aquisição de equipamentos específicos à agropecuária de baixo carbono e a recuperação de pastagens. CR – Qual a expectativa que o senhor tem desta feira, no diz respeito ao tripé: difusão de tecnologias, público e comercialização? Café – O momento é de bons preços na arrouba do boi, que é a cultura de maior extensão no Estado; de bons preços na soja; de excelente produtividade nos projetos de arroz irrigado. O algodão está entrando agora no estado e é muito promissor; novas culturas estão chegando, como a cana-de-açúcar, o amendoim e tantas outras culturas e produtores com vontade de investir. Durante a feira, nós teremos linhas de crédito especiais; parceiros oferecendo novas tecnologias em forma de máquinas agrícolas, veículos e cultivares novas ou melhoradas. Enfim, esperamos superar a feira do ano passado em difusão de tecnologias, público e comercialização. CR – Secretário Jaime Café, para descontrair e finalizar esta entrevista: hoje a Seagro tem Café na sua gestão, tem cafezinho para as visitas e quando o cerrado tocantinense, a exemplo dos cerrados da Bahia e de Minas Gerais vai ter café? Café – (Risos) O meu xará será sempre bem vindo ao Tocantins. Já existem alguns estudos para a introdução desta cultura nos cerrados do Tocantins. O que nós fazemos, Antônio, é vender sonhos. Você sabe que o grande papel da Secretaria da Agricultura é vender sonhos. E o café é um dos nossos alvos e já temos alguns índices que mostram que algumas variedades se adaptaram bem ao Tocantins. O que a gente precisa é que alguns produtores que tenham know how, que tenham vontade de produzir que procurem a Secretaria de Agricultura, os órgãos de pesquisas. Eu não tenho dúvida que o café é um dos produtos com condições de alcançar um ambiente favorável no Tocantins e um mercado muito vasto na região Norte do país que tem o Tocantins como uma grande oportunidade. Vamos começar uma cultura que tem tudo a ver comigo....(risos).


Kleiber Arantes

aftosa

D Goiás terá apenas uma etapa de vacinação

Medida foi anunciada pelo governador Marconi Perillo atende a uma antiga reivindicação dos pecuaristas Antônio Oliveira

Com informações da Faeg

os 20,5 milhões de cabeças de gados que integram o plantel goiano, pelo menos 9 milhões deixarão de ser vacinados na segunda etapa das campanhas anuais que ocorrem no mês de novembro. São os animais com mais de 2 anos de idade. O anúncio desta medida foi feito pelo governador de Goiás, Marconi Perillo, durante o 1º Congresso Sindical Rural promovido pelo Sistema Faeg (Federação da Agricultura do Estado de Goiás) e Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), no dia 24 de março. Com isso, Perillo atende a uma antiga solicitação da Faeg e da Agência Goiana de Defesa Sanitária (Agrodefesa) ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A primeira etapa da campanha de vacinação contra a Aftosa começa neste mês de maio, ao custo de R$ 1,50 por cada vacina, totalizando mais de R$ 30 milhões em duas etapas da campanha. Com apenas uma, portanto, a economia será de 50% deste valor. Para o presidente da Agrodefesa, pecuarista Antenor Nogueira, essa iniciativa do governo de Goiás é o primeiro passo para transformar Goiás em zona livre de Aftosa sem vacinação. “É parte audacioso e importante no contexto da política goiana de sanidade agropecuária”, frisou. A meta, de acordo com a Agrodefesa, é tornar Goiás zona livre de Aftosa até 2015. O Estado é zona livre com vacinação há 16 anos. Antenor Nogueira disse ainda que a retirada total da vacina é uma oportunidade do Brasil exportar carne bovina para os mercados mais exigentes como o Japão e Estados Unidos.

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Já o presidente do Sistema Faeg/Senar, agropecuarista José Mário Schreiner, lembra que a medida do governo goiano, além de gerar economia para o produtor, vai garantir o bem estar do gado e conseqüente produtividade, isto porque a vacinação ocorre em épocas em que o gado está fragilizado e o manejo o deixa muito debilitado. Entretanto, ele observa que é preciso não “baixar a guarda”. Goiás, conforme Schreiner, conquistou o status de zona livre com vacinação e não pode perdê-lo. “Ao invés disto, temos que trabalhar para chegar ao status de zona livre sem vacinação”, afirma. Entrevista coletiva, dia 11 de abril, após apresentar o balanço dos 100 dias de seu governo, Marconi Perillo disse a Cerrado Rural que esta alteração no calendário goiano de vacinação contra aftosa tem o aval do Ministério da Agricultura. “Sem essa autorização, jamais poderíamos tomar essa iniciativa”, disse. OUTRAS MEDIDAS – Ainda naquela ocasião, o governador Marconi Perillo anunciou o apoio do Estado ao Prêmio Seguro Agrícola; reativação do Programa Cheque Moradia Rural, com a entrega de 1.500 moradias; ativação da Patrulha Rural (policiamento) e apoio a aprovação ao Projeto Marco Zero na Assembléia Legislativa do Estado.

João Faria/Faeg

aftosa

Schreiner e governador Marconi Perillo: medida vai proporcionar uma economia de cerca de R$ 15 milhões

Em entrevista coletiva após o balanço de seus 100 dias de governo, abordado por Cerrado Rural, o governador Marconi Perillo lamentou que os produtores rurais goianos amarguem um prejuízo entre R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão, em consequencia do excesso de chuva e das condições precárias das estradas goianas. “O trabalho do governo é apoiar a Federação da Agricultura, na busca da viabilização de recursos seguros ou uma forma de mitigação desses prejuízos”, disse Perillo. O Governador considerou ainda que os prejuízos são muito elevados e eles recaem sempre sobre o ombro dos produtores. Mas lembrou que o governo criou um fundo destinado à construção e recuperação de estradas. “É importante registrar que com os recursos do Fundo nós vamos atacar, neste ano, os dois mil quilômetros de rodovias mais estragados e, nos próximos anos, nós vamos transformar nossa malha viária numa malha mais segura, à altura dos interesses dos goianos, principalmente dos nossos produtores”, garantiu. Ainda naquela coletiva, Marconi Perillo anunciou que, juntamente com a Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura, está organizando a legalização da área onde será construído o novo Parque de Exposições Agropecuárias de Goiânia, cujos recursos

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Divulgação

Produtores terão apoio do governo

Estradas ruins causam prejuízos à produtores e transportadores para sua construção, da ordem de R$ 23 milhões, é uma emenda sua, quando era Senador, “e que está até hoje tramitando na Caixa Eco-

nômica Federal”. Esta verba, de acordo com ele, vai garantir o início das obras do Parque, que terá múltiplo uso. (Antônio Oliveira) ABRIL 2011 |

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Rizicultura

Várzeas tocantinenses comprovam sua aptidão em produzir grãos e sementes de qualidade Da Redação

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om um dos maiores potenciais para a produção de arroz em grãos e sementes em várzeas no Brasil, o Tocantins apresentou ao mercado, em um dia de campo, uma nova variedade de semente deste cereal. Ela foi resultado de mais de cinco anos de pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Arroz e Feijão. A BRS Tropical, como foi denominada, é, de acordo com a Empresa de pesquisa, altamente produtiva e resistente às doenças como a brusone e a mancha de grãos. Ela chega a ter produtividade média entre 7 e 8 toneladas por hectare. De acordo com o pesquisador da Embrapa, Orlando Peixoto, a qualidade de grãos de arroz é um fator determinante para a venda do produto a indústria. Por isso, diz ele, a BRS Tropical foi lançada com este foco, “oferecendo ao produtor mais chances de fechar bons negócios na comercialização da safra”. A Secretaria de Agricultura do Tocan-

tins (Seagro) comemora essa conquista. Para o coordenador de Desenvolvimento Vegetal da Pasta, José Américo, essa semente é mais uma evidência que o Tocantins tem para a produção de sementes e grãos. “É uma semente de arroz irrigado com alto padrão de qualidade adaptado ao clima e solo do Estado”, diz ele. Já para o diretor de Defesa Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec), Luis Henrique Michelin, o Tocantins vai se transformar num grande pólo de produção. “Aqui tem todas as qualidades necessárias para o desenvolvimento da produção de grãos, tornando o Estado como um diferencial positivo neste segmento”, diz. O arroz BRS Tropical foi plantado numa área de 30 hectares da Fazenda Dona Carolina, no município de Lagoa da Confusão, município integrante do Projeto de Irrigação (por inundação) Rio Formoso. Parte da produção será para duplicação na própria fazenda na próxima safra e a outra parte será para comercialização.

Divulgação

Embrapa lança nova variedade em Tocantins

Crescimento A safra de arroz irrigado na região de Lagoa da Confusão teve um aumento de 14% em sua área plantada na safra 2010/11, passando para 62 mil hectares, ante os 58 mil hectares plantados na safra passada. O Projeto, integrado pelos municípios de Lagoa da Confusão, Dueré, Pium, Cristalândia e Formoso do Araguaia conta com cerca de 70 produtores de arroz irrigado, segundo a Seagro.

O Projeto Rio Formoso ocupa uma área de cerca de 500 mil hectares e é uma espécie de mesopotâmia brasileira, com muito espaço ainda para ser ocupado. ABRIL/MAIO 2011 |

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capa

divulgação

Verdes e R produtivos novamente

Antônio Oliveira

Mais 15 milhões de pastos degradados serão incorporados ao processo produtivo no Brasil

Solo fraco não tem produtividade mas, com investimentos na sua recuperação, volta ao que era antes ou até mais. Pasto sombreado, como este da foto à direita, melhora o rendimento do gado

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ecuperar em dez anos cerca de 15 milhões de terras degradadas e já inúteis para a produção. Esta é a meta do programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), lançado em junho do ano passado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), como forma de ampliar a produção e produtividade de produtos agrícolas no país. A área atual de pastagens recuperadas é de 40 milhões de hectares de um total de 55 milhões que estavam nessas condições. Com isto, o Mapa espera também reduzir entre 83 e 104 milhões de toneladas equivalentes de gases de efeito estufa. A recuperação de áreas degradadas é uma técnica em prática há mais de 20 anos e pode ser aplicada em qualquer bioma brasileiro, fixando o produtor na atividade e contribuindo para o crescimento econômico rural de forma sustentável. Para o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Ademir Zimmer, o manejo inadequado e a falta de reposição de nutrientes do solo consistem em grande risco para a pecuária brasileira. “Além disso – comenta -, a degradação da área impacta o meio ambiente, ocasionando perda de matéria orgânica e, como consequencia, a liberação de dióxido de carbono (CO2) e metano”. Solo fraco também reflete na economia e finanças do produtor. É o que revela pesquisas desenvolvidas pela

É o que revela pesquisas desenvolvidas pela Embrapa, segundo as quais enquanto em uma área degradada permite apenas a produtividade de 2 arrobas por hectare/ ano, na pastagem recuperada o resultado é de 12 arrobas por hectare/ano, graças, principalmente, a reposição de nutrientes na pastagem, assegurando dieta de melhor qualidade para o gado, reduzindo o tempo de abate de quatro anos em média, para dois anos, diminuindo também a emissão de gás metano.

Embrapa, segundo as quais enquanto em uma área degradada permite apenas a produtividade de 2 arrobas por hectare/ano, na pastagem recuperada o resultado é de 12 arrobas por hectare/ano, graças, principalmente, a reposição de nutrientes na pastagem, assegurando dieta de melhor qualidade para o gado, reduzindo o tempo de abate de quatro anos em média, para dois anos, diminuindo também a emissão de gás metano. “O acumulo de matéria orgânica no solo é outro benefício à natureza, pois permite o sequestro de CO2 pelo processo de fotossíntese.


O governo federal destinou

R$ 2 bilhões Juros de

5,5% ao ano

prazo de

12 anos Pagamento

Custo é recompensado com altas produtividades Recuperar é preciso, mas tem um custo. De acordo com o consultor Leonardo Hudson, o investimento inicial é orçado entre R$ 400 e R$ 1,2 mil por hectare, conforme a situação da pastagem. O procedimento é feito a partir da correção do solo com adubação, restabelecendo a produção de forrageiras. Ainda de acordo com o agrônomo, a necessidade de preparo do solo com uso de máquinas, a dosagem de adubo em camadas mais superficiais ou profundas dependem do estágio de degradação do solo. Mas o retorno dos investimentos é compensador. Diz Hudson: “O que o produtor precisa para ampliar seu uso é de capital, com juros compatíveis com sua renda. Por isso, o ABC é um grande negócio”, diz. O governo federal destinou R$ 2 bilhões

O que o produtor precisa para ampliar seu uso é de capital, com juros compatíveis com sua renda. Por isso, o ABC é um grande negócio”

por meio deste programa para a recuperação de pastagens, com juros de 5,5% ao não e prazo de pagamento de 12 anos. O ABC foca ainda a recuperação de solos por meio de tecnologias como o Sistema de Plantio Direto, fixação biológica de nitrogênio, plantio de florestas e o sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.

Nesta fazenda, a Boiadeiro, no oeste da Bahia, o proprietário faz rotação de culturas. Durante um período planta soja ou milho de um lado e faz pecuária do outro. Depois inverte as posições. O resultado é a alta produtividade tanto do gado quando dos grãos.

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Seagro

capa

Tocantins quer recuperar mais de 5 milhões de ha

Jaime Café fala aos produtores rurais em dia de campo: “Governo quer inovar”

O Tocantins com seu solo quase 100% formado pelo bioma cerrado tem cerca de 5,5 milhões de hectares de pastos degradados ou em estágio de degradação. Um programa de recuperação dessa considerável faixa de terra do complexo produtivo do Estado está em desenvolvimento pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Agrário (Seagro), que inclusive promoveu, no final do mês passado, um dia de campo sobre o tema numa fazenda de pecuária do norte do Estado, a São Paulo, no município de Arapoema, de propriedade do ruralista, Baltazar Rodrigues, o Tazinho. Presente ao evento, o secretário da Pasta, Jaime Café Filho, enfatizou que a necessidade de reversão desses pastos bem como os incentivos que o governo do Tocantins concederá para isto. “É de interesse do governo do Estado inovar com produção eficiente

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A relação custo-benefício é viável pois permite a diversificação de culturas e aumenta a capacidade de se criar animais em um mesmo espaço

que atenda os agricultores para elevar a qualidade e produtividade no campo”. Ainda de acordo com o Secretário, é importante que o produtor rural com áreas degradadas tenha acesso a novas tecnologias na busca da melhoria da produção e produtividade sem desmatar novas áreas. ROTAÇÃO Na Fazenda São Paulo, uma proprie-

dade de 8 mil hectares, mas com apenas 1.200 em produção, Tazinho está usando a técnica do plantio rotativo soja/milho/ pecuária. A soja é o principal elemento de fixação de nitrogênio no solo. Esse sistema, diz ele, faz com que o capim cresça forte e resistente a pragas, como a cigarrinha, melhorando a qualidade da alimentação do gado. O pecuarista disse ainda que adotou este sistema há cerca de 10 anos e está satisfeito com a produtividade adquirida. “A relação custo-benefício é viável pois permite a diversificação de culturas e aumenta a capacidade de se criar animais em um mesmo espaço. Ele exemplificou que antes de recuperar a pastagem criava apenas 21 animais por cada 25 hectares. Hoje, nessa mesma área recuperada, ele criar 71 cabeças


Agrotoxicos

Ecologicamente correto Divulgação

Maranhão é destaque na coleta de emalagens vazias de agrotóxicos

Da Redação

Com informações da Secretaria da Agricultura do Maranhão

O

estado do Maranhão está entre os 12 estados que mais arrecadam embalagens vazias de agrotóxicos. Nos dois primeiros meses deste ano coletou 24 toneladas a mais de embalagens do que neste mesmo período do ano passado, totalizando 110 toneladas destinadas à reciclagem. A informação é da engenheira agrônoma, Filomena Antônia de Carvalho, da Agência de Defesa do Maranhão (Aged), durante o “Encontro de Centrais de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos”, realizado em março pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev). Entre os 12 estados que mais se destacaram na coleta de embalagens neste período estão ainda: Mato Grosso (1.292t); Rio Grande do Sul (664 t); Goiás (617 t); Minas Gerais (521 t); Mato

Como chegar :

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Grosso do Sul (402 t) e ahia (395 t). Conforme informações do Inpev, nestes dois primeiros meses do ano, em todo o rasil foram coletadas 5.280 toneladas de embalagens vazias para a reciclagem, o que representa um crescimento de 25% em relação ao mesmo peCESBA - UEMA Praça Gonçalves Dias, s/n, Centro CEP: 65.800-000 Balsas / MA Telefones: (99) 3541-3363 / 3541-5361 E-mail: cesba@uema.com.br

N

BALSAS

O material recolhido é prensado e encaminhando para as indústrias de reciclagem

ríodo do ano passado. De acordo com Aged, o Maranhão conta com duas centrais de recolhimento de embalagens, uma em Balsas e outra em Imperatriz, no sul do Estado, além de um posto de coleta em Anapurus. Para aumentar a arrecadação das embalagens também na Ilha de São Luiz, a Aged realizou, no ano passado, palestras e reuniões com agricultores familiares, orientando sobre a devolução dos vasilhames usados. “A previsão é de que neste ano o projeto aconteça também na regional de Bacabal e no município de São Domingos do Maranhão”, disse Filomena Antônia. Ainda de acordo com ela, a Aged tem como meta também para 2011 a assinatura do “Acordo de Cooperação Técnica” com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para aumentar a fiscalização do uso de agrotóxicos em propriedades rurais das principais regiões agrícolas do Estado. O encontro supracitado reuniu profissionais dos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Tocantins, Pará, Amazonas e Roraima.

S

7°27'36,63" S 46°01'18,48" O

Comissão Organizadora Presidente Gisela Introvini - gisela@fapcen.org.br

BA

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO

Rua Oswaldo Cruz, 1143 - Campina Grande/PB Telefone: (83) 3182-4300 Fax: (83) 3182-4367 www.cnpa.embrapa.br

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ensaio

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Surubim e o Pirarucu graças a piscicultura deixaram de serem extintos. Ambos podem servir de exemplo e instigação para salvarmos o Filhote da extinção. No caso do Surubim, hoje a reprodução em laboratório já é uma técnica dominada em 90% em criatório escavado ou tanque-rede. Ele aprendeu comer ração. Na natureza o Surubim tem hábito noturno, vive no fundo do rio se alimentando de peixes menores. O Pirarucu segue na mesma ribanceira do Surubim. A tecnologia para reproduzi-lo de forma controlada supera em 60%. O bicho é sabido e dócil, come ração de soja e milho.

Agora chegou a vez do Filhote

“A piscicultura também pode salvar da extinção este gigante da Amazônia”, diz o proprietário e coordenador do Projeto Ecofish, José Aroldo Jacomo do Couto, que colocou o maior bagre do Brasil no plantel dos peixes a serem criados em sua piscicultura, e que objetiva a desenvolver técnicas e metodologia para tornar viável a retirada do Filhote da lista de peixes em extinção e garantir sua criação. Aroldo, disse que quando menino, morador de Taipas- TO, quase beiradeiro do Rio Palmeiras, ouvia estórias de captura de enormes filhotes, no entanto, hoje, não escuta falar de pescada de filhote no referido rio e nem no Rio Palmas do qual o Palmeiras é tributário. O Filhote (Branchyplathystoma filamentosum) da família Pimelodidade é o maior bagre das aguas dos rios Tocantins, Araguaia e outros rios pertencentes a Bacia Amazônica do Brasil. Este peixe pode atingir até 2,5m de comprimento e 300 kg de peso, habita remansões e margem de rios fundos e tem desova total na enchente. O filhote na verdade, é o Piraiba, que recebe três denominações, respectivas ao seu peso em ordem crescente e nada cientifico, tudo expertise dos caboclos ribeirinhos. Por exemplo, eles consideram: filhote a piraiba pesando por volta dos 100 Kg e ate aí, é peixe bom de comer; piraiba (100 kg a 150 kg); e piratinga (acima de 150 kg). Os dois últimos nomes têm origem nas línguas indígenas: pira, “peixe” e íba “ruim” e também tinga, “branco”, pois, quando o peixe atinge idade mais avançada, fica com o couro esbranquiçado, perdendo o cinza-chumbo característico. O filhote é um peixe de grande importância comercial, possuindo carne muito apreciada na culinária brasileira, situação que tem colocado-o na lista de peixes em extinção. Exemplo desta condição pode-se citar o Médio Tocantins, trecho compreendido entre o Bico do Papagaio ate a cidade do Peixe, praticamente não se tem noticia de alguém que pescou um Filhote, nos últimos anos.

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Maior bagre da Bacia Amazônica está na lista de extinção. Mas projeto tocantinense quer que ele volte a reinar

O gigante pede Piscicultura

Projeto no Tocantins pretende salvar o maior bagre da

“Quando atingem tamanho de piraiba e piratinga, muitos acreditam que sua carne faz mal e transmite doenças gastro intestinais. Mas nada que não resolva, com uma evisceração dos peixes logo em seguida à pesca para evitar a penetração das larvas dos mesentérios para os músculos, a inativação dos parasitas a 60 º C por 10 minutos, ou congelamento em - 35 º C. O Filhote (Branchyplathystoma filamentosum) da família Pimelodidade é o maior bagre das aguas dos rios Tocantins, Araguaia e outros rios pertencentes a Bacia Amazônica do Brasil. Este peixe pode atingir até 2,5m de comprimento e 300 kg de peso, habita remansões e margem de rios fundos e tem desova total na enchente.

A Piraíba

A Piratinga


Divulgação

socorro Bacia Amazônica: o Filhote

Nos tempos dos “à gás” Mas a caça a este gigante vem de muitas eras, começou com os holandeses, em suas incursões pelo rio Tocantins acima. E falando em Tocantins acima, uma parte deste filme posso dizer que conheci o ator principal e alguns coadjuvantes. Lembro com clareza, do meu pai, Adib Sahium e o tio Antonio Sahium, falar de Adalgisio Francisco Braga, das pescadas do Filhote em Porto Nacional e redondezas. Tudo começa com a inativação da Hidrovia Araguaia Tocantins, logo após a inauguração da Belém Brasília. A viagem de Goiânia a Porto Nacional era realizada em um Ford 48, preto, motor V8, com um tanque reserva adaptado. O tempo de viagem girava em torno de 26 horas. Bom, voltando a pescaria, as traias não eram muita coisa, basicamente anzóis de todos os tamanhos; linhas de pesca de todos os números; varias lanternas Rayovac, recém –lançadas; lampiões Petromax à Querosene Jacaré; cordas de nylon e outras bugigangas mais. A principal figura destas pescarias, seo Adalgizio, companheiro de pesca do meu tio e do meu pai, morava em Porto Nacional e, como diziam naquela época, Adalgizio, pescador de “18 quilates”, desenvolvera técnicas de captura e embarque, que o diferenciava dos demais pescadores. Outra vantagem é que conhecia o Rio Tocantins de cabo a rabo. Quanto aos pesqueiros, ficavam nos porões do rio, logo abaixo das bocas do Rio Crixás, Carreira Comprida, Ribeirão Areia e na Saída do Córrego São João e Funil, morada certa dos baitas. Na lida usavam duas canoas de tabuas de Landi, motores de popa de 5 HP, marca Archimedes, importado da Suécia. No final da pescaria, os anzóis e as traias eram distribuídos aos ribeirinhos. Dois exemplares de filhote (seo Adalgizio só pescava e deixava pescar filhotes de 50 a 100 kg) eram preparados, acondicionados em caixa térmica de madeira, com serragem e gelo para conservar o produto, os quais, apresentados em

Goiânia, para fazer inveja na comunidade de pescadores, bem como, prova de que estavam pescando de verdade. De lá pra cá, quantos Filhotes foram capturados no Rio Tocantins? Quanta riqueza este peixe patrocinou com a própria vida? Quantos barcos em viagens para Belém ou de volta, não tinham nos seus cardápios: Filhote a milanesa com ovos de tartaruga; Filhote com molho de tucupi ou tropical ao molho de murici, ensopados, moquecadas, com pimentas e temperos da região e etc.? Quantos peixes foram comercializados? Quantas pessoas vão dizer: “este rio era bom de peixe?” Hoje a pesca do filhote é proibida por Portaria do IBAMA nos estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso. A multa é pesada para quem for flagrado transportando o peixe ou partes dele. Pesque e solte é liberado. Imaginem a briga: de um lado, o pescador motorizado, com anzol do tamanho de um gancho de dependurar peça de boi e corda de nylon; do outro lado o peixe, fisgado pela boca, arrastado com a força da ação extra-pesada com varas curtas e firmes. As carretilhas devem armazenar pelo menos 100 m de linha com resistência mínima de 50lbs. A favor do peixe, só a natureza e a sorte . Este gigante da Amazônia, antigamente no Médio Tocantins riquezas produziu, mas parece que dessas águas há tempos ele sumiu, sinal de socorro por anos emitiu, muitos se fazendo de mocos não ouviu, a quem o gigante não pediu, a piscicultura sentiu, que pode fazer alguma a coisa a este que a muitos serviu. E assim, colocando este gigante na batida do Pintado e do Pirosca, logo poderá estar, nadando nas aguas do Médio Tocantins. Isto é, se os donos do Rio, os seguidores do Deus Aracnideo, o monstro dessas aguas, deixarem. ABRIL/MAIO 2011 |

Roberto Sahium Roberto Sahium é agrônomo, consultor e ex-secretário de Agricultura do Tocantins

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SeagroGO

Investimento Schreiner e governador Marconi Perillo: medida vai proporcionar uma economia de cerca de R$ 15 milhões

Chineses abrem os olhos para os cerrados

Produzir e industrializar 1,5 milhão de toneladas de soja na Bahia e importar 6 milhões de toneladas do grão em Goiás, é o que visam investimentos de R$ 16 bilhões Da Redação

P

roduzir soja nos cerrados de Goiás e Bahia e exportá-la, in natura, no primeiro, e industrializada, no segundo, para a sua nação. É este o objetivo que os chineses – governo e iniciativa privada -, estão visando há anos e dando novos passos, nos últimos dias para a consolidação desse projeto. No dia 11 de abril, em Pequim, por exemplo, o grupo Chongqing Grain Group, por meio de seu presidente Hu Julie e o governo da Bahia, por meio do governador Jaques Wagner, assinaram protocolo de intenções que culminará no investimento, por parte dos chineses, de R$ 4 bilhões na construção, em Barreiras, no oeste da Bahia, de um complexo de esmagamento e extração de diversos produtos da soja. Será uma das maiores proces-

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Vamos construir um pólo industrial com capacidade inicial de esmagar 1,5 milhão de toneladas de soja – quase a metade da produção anual baiana -, refinar 300 mil toneladas de óleo e armazenar 400 mil toneladas de grãos

sadoras da oleaginosa do mundo. O Memorando de Entendimentos entre os governos baiano e da província de Chongging, segundo informações da Secretaria de Agricultura da Bahia, será assinando neste mês de maio em Salvador.

Na solenidade, Jaques Wagner comentou que a Bahia já tem outras empresas que fazem todo o processo de beneficiamento, extraindo da soja o óleo, a lecitina e a torta para a alimentação animal. “Mas quanto mais gente vier investir melhor. O interesse nosso não é vender o produto in natura, mas o de agregar valor ao produto fazendo a verticalização da cadeia. Já o presidente do grupo chinês, Hu Julie, explicou que o complexo a ser construído em Barreiras contempla o processamento de alimentos, armazenagem de grãos e logística. “Vamos construir um pólo industrial com capacidade inicial de esmagar 1,5 milhão de toneladas de soja – quase a metade da produção anual baiana -, refinar 300 mil toneladas de óleo e armazenar 400 mil toneladas de grãos”, informou o empresário chinês.


Já no cerrado goiano, o governo chinês, após uma sondagem de mais de dois anos, fez novo contato com o governo goiano, no final do mês de março, para anunciar sua intenção de investir R$ 12,2 bilhões na agricultura e infraestrutura do Estado. O objetivo é a compra de 6 milhões de toneladas de soja (1,8 tonelada a menos que toda a produção goiana, hoje) in natura a cada safra. As regiões que receberiam este investimento, segundo informações da Secretaria de Agricultura de Goiás, são a norte, nordeste e entorno de Brasília. Ao contrário que empresários chineses pretendem fazer no oeste da Bahia, ou seja, industrializar a soja na própria região, em Goiás, o governo chinês quer apenas comprar a soja na sua forma in natura, o que está gerando polêmica. O secretário de agricultura, Pecuária e Irrigação de Goiás, Antônio Camilo de Lima, diz acreditar que esse negócio entre os governos chinês e goiano é bom para Goiás. “O investimento não será apenas na produção de soja, mas também nas rodovias, porque o Estado precisa dessa infraestrutura para atender um negócio deste porte”, disse. Amenizando a polêmica, ele frisou, em entrevista ao jornal Opção, de Goiânia, que “o interesse da China é importar a soja goiana in natura. Po-

Antônio Flávio

Chineses também no cerrado goiano

Missão chinesa visita o secretário de Agricultura rém, ainda não se sabe se ela só fecha o negócio assim ou se a aceita beneficiada. Já para o presidente da Federação da Agricultura de Goiás, José Mário Schreiner, também em entrevista àquele jornal, o fator que determina a agricultura é o investimento. Ele afirmou: “Este projeto chinês implica infraestrutura, aumento da produção e melhoria do solo” Schreiner defende que Goiás aceite a pro-

posta dos chineses. “O Estado tem capacidade para aumentar sua produção, chegando a um total de 13 milhões de toneladas anuais e a uma área de 4 milhões de hectares”. Ele não acha que a industrialização gere tantos empregos assim, “gera alguns”. E recomendou: “Se a gente não fechar este contrato os chineses vão buscar outros estados. Não se pode travar. Corre-se o risco de perder a oportunidade”.

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Agrovitrine Simpósio

Silvicultura

Vermeer lança novo picador

Pratini fará palestra

Cana será debatida em Piracicaba Acontece entre os dias 6 e 8 de julho próximos, em Piracicaba, SP, o V Simpósio de Tecnologia de Produção da cana-de-açúcar. O evento, que terá a coordenação dos professores doutores Godofredo Cesar Vitti (ESALQ/USP), e Pedro Henrique de C. Luz (FZEA/ USP), tem como objetivo difundir tecnologias para o aumento da eficiência da produção de cana-de-açúcar, apresentar os rumos da pesquisa do setor sucroalcooleiro e promover interação entre produtores, empresas privadas, instituições e palestrantes.

Caminhões

Actros, vedete na Bahia Farm A linha Actros de caminhões da Mercedes Benz, lançada no final do ano passado, será a vedete do stand da concessionária da marca em Barreiras – Brasília Motors -, na Bahia Farm Show de Luis Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. Além desta linha de pesados, será exposto o modelo Atego 2425, do segmento semipesado, e os dois produtos da linha tradicional: o extrapesado LS-1634 e o veículo leve 710. O gerente da revendedora, Luis Fernando Lavagnino, diz acreditar num volume “expressivo de negociações devido à prorrogação da isenção do IPI para caminhões e as linhas de crédito com jutos atrativos”.

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O ex-ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, faz palestra na Feira da Indústria de Aves e Suínos (Avesui) de Florianópolis, SC. O tema será: “A Expansão da Agroindústria Brasileira nos Mer-

Como plantar

Cultura do coco anão

Como produzir coco anão. É o que ensina o vídeo comercializado pelo www.portaldoagronegocio. com.br, ao preço de R$ 103,00. Nesse vídeo, o passo a passo da produção do coqueiro anão verde para consumo d´água. Um cultivo rentável que possibilita o retorno dos investimentos já nos 3 primeiros anos de produção. Cada planta produz 200 frutos por ano, com custo de produção anual por hectare (200-250 plantas) é de cerca de R$ 3 mil.

cados Internacionais: Negociações comerciais e Potencialidades de Novos Mercados”. A feira é realizada entre os dias 17 e 19 de maio e é a vitrine nacional da avicultura e suinocultura.

A subsidiária latinoamericana da Vermeer - empresa líder no desenvolvimento de equipamentos para meio ambiente, agricultura, escavação especializada e infraestrutura subterrânea - lançou, em primeira mão na Expoforest, (Mogi-Guaçú – SP, entre os dias 13 e 15 de abril), o picador florestal WC2300. O equipamento é o mais moderno picador voltado ao mercado de biomassa brasileiro e oferece produtividade drasticamente superior aos modelos de sua categoria. "O WC2300 processa material de até 58 cm de diâmetro com garantia de eficiência através de um sistema de alimentação automático patenteado, um rotor de corte de alta velocidade e uma embreagem a disco comprovada no mercado", diz o gerente especialista de meio ambiente Herbert Waldhuetter.


Divulgação

Máquinas e Motores O Leader Maxxi é resultado de dois anos de pesquisas desenvolvidas pela própria Faresin

Italiana

lança novo equipamento para a pecuária

Empresa chega ao Brasil trazendo o que há de mais moderno para a mistura de ração: o Leader Maxxi, o maior carro misturador autopropulsionado do mundo Simonny Santos

O

crescente desenvolvimento do agronegócio no Brasil tem atraído empresas internacionais de diferentes setores de tecnologias a serviço da agropecuária. A italiana Faresin Industries é uma delas e está entrando no país, com o Leader Maxxi, “o maior Carro Misturador Autopropulsionado do mundo”, conforme define a própria empresa, em comunicado à imprensa brasileira, no lançamento recente desta máquina. O carro, projetado para ser usado na pecuária intensiva, tem capacidade para processar 35m³, contando com dupla rosca sem fim vertical. Possui completo controle eletrônico de todas as funções e parâmetros da máquina. “Trata-se de uma evolução da série Leader Double, já bem conhecida e apreciada pelos criadores de todo o mundo por suas inigualáveis prestações”, descreve a empresa. O equipamento, ainda de acordo com a empresa, tem como principais características suas grandes dimensões e maior eficiência operacional, o que o torna especialmente indicado às criações de médio e grande porte. A mistura a ser preparada pela máquina é submetida ao controle de uma unidade programada para estabelecer a velocidade de rotação das roscas

sem fim, ou seja, cada receita será programada de modo a obter instruções sobre o tipo e a quantidade do ingrediente a ser introduzido. “Mas, também, para cada um deles, esclarecimentos sobre o tempo e a velocidade do processamento”, pontua a empresa. ECONOMIA Com o gerenciamento eletrônico das várias funções operacionais, o Leader Maxxi proporciona “uma especial eficácia no plano de poupança energética, ou seja, para cada fase operacional é distribuída somente a potência necessária para a execução, evitando desperdícios e reduzindo emissões poluentes”, explica. O caminhão é equipado ainda com o novo sistema Ecomode, controlada pelas centrais de comando CAN BUS. Agindo sobre as principais funções da máquina ele controla e aprimora suas funções. Conforme a Faresin, este sistema proporciona uma redução de consumo de 60 litros por hora, para 32 litros/hora, após ter sido alcançada a velocidade de transferência de 40 quilômetros/ hora, “uma economia de quase 50%”, pontua. O Leader Maxxi é resultado de dois anos de pesquisas desenvolvidas pela própria Faresin. Ele é equipado com o motor Iveco de 355 HP, Tier 3-A, já projetado para redução de emissões de gases poluentes.

PRELIMINARES Para que seus produtos estejam cada vez mais presentes no mercado brasileiro, a Faresin está abrindo uma filial com o objetivo de auxiliar na questão comercial e para prestar assistência aos seus clientes. “Uma das características mais marcantes da Faresin é o relacionamento direto com nossos clientes e para isso é essencial estarmos estabelecidos no país”, diz o fundador e presidente da empresa, Sante Faresin. Pensando em mercados emergentes, como o Brasil, que está em forte desenvolvimento, a Faresin está lançando o projeto dos “Carros Globais”, uma máquina com instalações padrão, de 12 a 26 metros cúbicos e com 2 roscas sem fim, que conserva o alto nível de qualidade oferecido pelas gamas, a exemplo da estrutura em aço ST 52. ORIGEM A Faresin Industries SPA surgiu a partir de uma oficina mecânica, fundada em 1973 pelos irmãos Guido e Sante Faresin. Em 1989, é criado o primeiro carro misturador, o “Master” e em 2001 foi produzida a primeira linha de Manipuladores Telescópicos Faresin. A empresa já possui 10 subdivisões e seus produtos são reconhecidos mundialmente. ABRIL/MAIO 2011 |

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recreio

Receita

Bolo de Aipim (mandioca ou macaxeira) Ingredientes 1 coco ralado 1 kg de aipim ralado 300 g de açúcar 100 g de manteiga 4 ovos inteiros 1 pitada de sal 1/4 de litro de leite 1 gota de baunilha Modo de preparo Coloque numa batedeira a manteiga, os ovos e o açúcar e bata bem Adicione o aipim ralado (atenção: o aipim deve ser espremido um pouco para retirar o excesso de líquido), o coco ralado, o sal, o leite e a baunilha Misture tudo com uma colher e depois coloque numa forma, que pode ser redonda ou em um tabuleiro que já deverá estar untado com manteiga e polvilhado com farinha de trigo Leve ao forno médio por cerca de uma hora Quando estiver corado, o bolo estará pronto para ser servido

Causo

de O (não) pagador

promessas

governaanos de eleito, o , com is do s un de is Depo lácio s escadarias do Pa dor se encontra, na ecer o dito cujo, o roceiro nh um capiau. Sem co : ta conversa pergun aqui que a gente É o! oç m Ó – au a? Capi É aqui que ele mor com o governadô? o) – É sim, meu bom roceiçand Governador (Disfar m a lhe falar? r o que o senhor te ses polítibe sa o ss po ro. Mas o m . Num sô co es Capiau – Pode, sim inroladô. Vim falar umas verdade. Alguma e or sobre o que? cos sem vergonha nhor veio falar com o governad se Governador – E o o cumpriu? e teve lá, promenã e el e qu sa e de Pau Furado. El ad cid promes na o or m mosca. Eu nada. Capiau – Acertô na em cima do córrego e num fez foi e nt po dirigir a ele? teu fazê uma dá ele mo o senhor irá se tar ponte, vou man Governador – E co go) – Se ele falá que num vai fazê a nome. fo eé Capiau – (cuspindo o. Vô xingar a famia dele de tudo qu rn fe in pros quinto dos as reivinvernador atender etário go o de a di a er , te . Coincidentemen , manda que o secr Eles se despendem para começar o seu dia com humor toma um susto. E, . padi dicações do povo ido a valente. Ao entrar, nosso cum et m chame o capiau essa... clamação? is bem. Qual é a re ça baixa) – Eu vim...cobrá...a prom Governador – Po be o o chapéu, de ca Capiau – (rodand verno tem mais o meu amigo. O go , ui aq a da ponte. lh O – ) za é que há? indo aspere Governador (fing zer ponte nenhuma. E daí? O que e nóis fa é daquele jeito qu u isa vo o co a e qu é há e que fazer. Nã qu u Furado que há? O que é Capiau – O que é fora! E sai pisando duro, rumo a Pa lá o dois cunveersam n) (Rolando Boldri

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AGROHUMOR Morreu de quê? Naquela tarde, o vigário recebe a visita de um de seus paroquianos. - Bença, padre. - Deus o abençoe, meu filho. - Padre, o sr. lembra do João Pintor? - É claro, meu filho. - Pois é Padre, o João veio a falecer. - Que pena, morreu de quê? - Olha, Padre, eu moro numa rua sem saída e minha casa é a última. Ele desceu com o carro e bateu no muro lá de casa. - Coitado, morreu de acidente. - Não, ele bateu com o carro no muro e voou pela janela. Caiu dentro do meu quarto e bateu a cabeça no meu guarda-roupa de madeira. - Que pena, morreu de traumatismo craniano. - Não Padre, ele tentou se levantar pegando na maçaneta da porta que se soltou e ele rolou escada abaixo. - Coitado, morreu de fraturas múltiplas. - Não Padre, depois de rolar a escada ele bateu na geladeira, que caiu em cima dele. - Que tragédia, morreu esmagado. - Não, ele tentou se levantar e bateu as costas no fogão que tombou derramando a sopa que estava fervendo em cima dele. - Coitado, morreu queimado. - Não Padre, no desespero saiu correndo, tropeçou no cachorro e foi direto na caixa de força. - Que pena, morreu eletrocutado. - Não Padre, morreu depois d´eu dar dois tiros nele. - Filho, você matou o João? - Uai, o desgraçado tava destruindo a minha casa!


passatempo PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

www.coquetel.com.br

© Revistas COQUETEL 2010

Celebridade comum na festa do Oscar Vogal ausente em "Pernambuco"

Marca do comportamento da donzela Poseidon e Tritão (Mit.) Aloucado; insensato Falta de chuvas

Poeta am- Objeto de estudo do austríaco Gregor bulante da Grécia Mendel Judas (?), Antiga um dos 12 apóstolos

Insistir em algo Tempo (símbolo)

Abundância Santa (abrev.)

Região de origem do cão husky (?) Barbosa, jurista De + os

A via do clister Sentar, em inglês Superior do monge Apêndice da xícara

Sereia de rios e lagos (bras.)

Interjeição de nojo Mágica, em inglês

Categorias do iatismo Pedido do guloso à mesa Tórax

(?) Johnson, ator brasileiro Vogais de "mate" Rato, em inglês

Aficionado por computador (gír.)

Solução

L L S Q

A S A R E C A T O

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I C

H E R E D I T A R I E D A D E

BANCO

Autran Dourado, romancista mineiro

A L I R A N T A T E IM A N T I D A D A S O E SI T R U A B A D E C E D O N I E R E S T A I C E R M A I S A A N ER D G U E V A R I M I A C I A L I T

3

Terceira nota musical

3/rat — sit. 4/nerd. 5/magic. 6/recato. 9/socialite. 10/laser e star.

Guerrilheiro argentino Árvore urbana Mulher da sociedade (ing.)

P E IT O

Instituto de pesquisas da Amazônia

O regime de trabalho, no feudalismo

D E U S E S M A R I N H O S

(?) Jaime, cantor País dos Bálcãs onde nasceu Alexandre, o Grande

Esperidião (?), político Curto

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Crônica

Uma senhora “Bela”

Simonny Santos

B

ela não é só o seu nome, mas também a sua alma. Uma senhora baixinha de coração gigante e espírito generoso. Esse seria um belo resumo do que é essa mulher. Mas acho que não é tão difícil defini-la. Até mesmo meu priminho, o Luan, de quatro anos, já sabia o que dizer quando foi questionado de como a minha avó agüenta tanta coisa. “Ela é uma guerreira”, respondeu o dono de um belo sorriso. A dindinha, como nós (os netos) a chamamos, é inquestionavelmente forte. Porque, para sentir a dor do parto dez vezes, haja coragem! Mas não é só por isso, não. É por não abaixar a cabeça diante das adversidades da vida, é por acolher quem precisa. Por ser imbatível, mesmo quando geme de dor. Dos 28 atuais netos, ela ajudou a criar todos. E, como se não bastasse, pegou uma criança para ser seu filho somente do coração. Dá para perceber que, o que não falta por lá é menino, né? E como consequência, muita bagunça. Mas sabe o que é mais intrigante? É que ela

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gosta e até assumi sentir falta deles. Menino chora, panela chia. É gente na porta. É gente que entra, gente que chega para almoçar e depois sai para trabalhar. É sempre aquele vuco-vuco. E não se engane achando que falta espaço não, porque lá sempre vai estar aberto para mais um. Depois disso, ao fazer o almoço, ela tem que lembrar que um não come com cebola, o outro, não come cenoura. E ainda tem que bater tudinho no liquidificador porque meu avô, Dilson, o “barbeiro” (corta cabelo), diz ter gastrite. Contudo, se você não estiver na hora que o almoço está pronto, não se preocupe, ela guarda as marmitinhas dentro do fogão. Moradora antiga ali da Rua Marechal Deodoro, no centro da cidade de Barreiras (BA), quase todo mundo a conhece e já até faz parte da família. Sim, a família da gente está em constante crescimento, quando não há nenhuma grávida, ainda há os vizinhos que se achegam. Mas ela é boa mesmo é para dar recado. “Olha, alguém que eu não lembro o nome, ligou, mandou dizer para você ligar para ela,

mas eu já esqueci o número, ela queria falar sobre uma coisa que eu já não sei mais o que é”. Entretanto, seu forte é a caridade. Ela é tão generosa que quase deu, por engano, a maioria das roupas do meu tio Ednobauer. Isso por que ele as levou para serem lavadas e ela pensou que era para doar. E ficou agradecendo a Deus pela boa condição que o filho estava tendo. Diariamente, lá pelas oito da noite, na esquina, os gatos esperam uma senhora cambaleando com suas perninhas cambotas, o resto de comida que ela trás para eles, quando vai fazer companhia a sua mãe, dindinha Aurelina, que mesmo apesar dos cabelos branquinhos, ainda está procurando por um “broto”. Mulher forte, aos nossos olhos, imortal. É incrível como ela sempre está de pé, parece não cansar. E se cansar é tudo no calado, �� gemendo de dor e sorrindo. Se quiser saber se ela está em casa é só ver se a casa está cheia. Se ela estiver, pode se achegar e tomar um cafezinho. Na cafeteira vermelha, é café com leite; na verde é café fraco e, na preta, é forte. Lá não é a casa da “mãe Joana”, mas é a da dona Bela. E, se quer saber, é bem melhor estar lá.


Uma revolução no cerrado

brasileiro ANTÔNIO OLIVEIRA

ESPECIAL

Ferrovias, hidrovias, rodovias e aeroportos de cargas vão transformar os cerrados das regiões Centro, Norte e Nordeste do Brasil na principal mola propulsora da logística brasileira. Mais do que isto, vai incrementar a produção agropecuária e a agroindústria. Só de plantas de etanol, estão previstos mais de 40 ao longo da Norte-Sul. É o novo Brasil que surge onde antes era “o nada” e hoje caminha para ser um dos celeiros da humanidade. Fizemos um completo Raio X desta nova realidade e o publicaremos, em caderno especial, na nossa próxima edição.

Um das centenas de projetos de irrigação no oeste da Bahia para a produção de café, frutas, grãos e sementes

Que deixem o desenvolvimento fluir Regiões têm tudo para transformar o Brasil numa super potência

Antônio Oliveira

A

crescente demanda mundial por alimentos, fibras e bioenergia fez dos Cerrados da Bahia (oeste do Estado), Maranhão, Piauí (região sul destes estados) e Tocantins – o que nós aqui de Cerrado Rural chamamos de BAMAPITO e não só MAPITO, como denominam muitos no Brasil, esquecendo-se que o oeste da Bahia está, também, inserido neste contexto -, nas últimas duas décadas, alvos de grandes investimentos nacionais e internacionais para a produção agropecuária e agroindustrial. São, aproximadamente, 20 milhões de hectares formados por terras planas, o que facilita a mecanização, e condições edafoclimáticas que propiciam a introdução e cultivo de diferentes culturas agrícolas e pecuárias. Não só grandes grupos nacionais estão presentes nestas regiões, principalmente nos Cerrados da Bahia, mas também produtores e agroempresas internacionais. Entre estas, destacam-se empresas com faturamento anual entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões, como

SLC Agrícola, Multigrain, Bunge, Cargil, Amaggi, Louis Dreyfus e ADM, que estão presentes em quase todo o BAMAPITO. E novos grupos, de todas as partes do mundo, estão chegando, como é caso do Pallas International, que pretende adquirir entre 200 mil e 250 mil hectares de terras no oeste da Bahia. Este grupo, formado por investidores chineses, quer plantar grãos para exportação e, ainda, produzir bioenergia. O potencial destas quatro regiões é tão grande que chegou a surpreender os Estados Unidos. Preocupados com a concorrência com o Brasil na produção de grãos, o Departamento de Agricultura daquele país, fez, há anos, uma pesquisa sobre a capacidade produtora rural das terras brasileiras e chegou à conclusão que o BAMAPITO se constituirá na maior região contínua de produção de alimentos, fibras e biomassa no mundo. Uma verdade que se tornou bem visível nos últimos anos. Só para se ter uma idéia, somente no oeste da Bahia, o PIB gerado pelo agronegócio é de mais ou menos R$ 3 bilhões e a produtividade e qualidade de produtos como soja e algodão nesta

região são as mais altas de todo o Brasil. Juntas e com desenvolvimento livre dos obstáculos da logística, essas regiões podem transformar o Brasil num grande celeiro e numa superpotência econômica mundial. Entretanto, as quatro regiões são carentes de infraestrutura, como logística. Contudo, mesmo que, a toque de caixa, iniciativa privada e os governos federal e daqueles estados estão desenvolvendo projetos que vão melhorar as condições de produção e escoamento, integrando essas regiões, por sistemas multimodais, aos principais centros consumidores nacionais e internacionais. Os mais beneficiados por esses projetos são o Tocantins e o oeste da Bahia, principalmente com a construção das ferrovias Norte-Sul e Leste-Oeste. A primeira vai ligar os portos do Litoral Norte às regiões Sul e Sudeste do Brasil, cortando todo o Tocantins, de norte a sul e, a segunda, ligando o Litoral baiano à Ferrovia Norte-Sul, no sul do Tocantins. Acentuando seu compromisso e afinidade com este contexto, Cerrado Rural fez um Raio X deste panorama. Veja nas páginas seguintes. ABRIL 2011 |

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