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aprenda a valorizar os nossos

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espaço reservado para arte de rua 3 Noix por Noix /2013/1ªedição


EDITORIAL Amigo leitor, A revista Noix por Noix chega às ruas com o objetivo de mudar o conceito das pessoas sobre a cultura urbana. Produzida de forma independente e com o apoio e colaboração de grandes amigos e parceiros, a publicação trimestral tem a intenção de divulgar a arte, a música, a dança e todas as demais manifestações culturais, priorizando a linguagem da rua. Esta primeira edição dá o pontapé inicial com uma inspiração voltada para o movimento hip hop em seus quatro elementos: DJ, MC, graffiti e break e traz, ainda, grandes exemplos de esforço, superação e conquistas, como as histórias de Ficore, Stefan Marques e do grupo Conexão Flow Bgirls. Aproveite a leitura do canal de comunicação feito na rua, pra galera da rua. Equipe Noix por Noix

Tiragem 1000 Exemplares Direção Geral Felipe Araújo felipeaero22@hotmail.com Editora Jornalista Responsável Mariana Perim contato.mperim@gmail.com Projeto Gráfico e Diagramação Felipe Araújo Colaboradores Adriano (DNA Urbano) Andryelle (Magrela) Gustavo Debiase Helena Maia Isabela Bimbatto Judeu marc1 Keylla Cristina Luara Monteiro Maiara Souza Mônica Peruca Erick Tiago Set Apoio Gustavo Jacobsem Giovanna Bardi Equipe UFES Revisão Mariana Perim Fotografia Marc1, FelipeAraujo, Keylla Cristina Adriano(Smokeice) Convidados Contatos com a redação Email: noixpornoix@hotmail.com Tel:27.99612-0967 27.99879-7978

Os artigos e anúncios são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam,necessariamente, a opinião da revista.

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INDICE

'Atitude 7 Vizinho da Arte 17 Boca a Boca 18 Centro de Referência Dna Urbano 21 A Tatuagem e o Hip-Hop Especial 24 Filial Grafitti Olhares 39 Isabela Bimbato E mais 10 Universo Hip-Hop

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O H N I Z I V DA ARTE

# ATITUDE #

Por Felipe Araújo

de um v Quem nunca reclamou

movimentação no cenário da música, da dança e das artes visuais. Embora as comunidades sejam grandes e populosas, faltava algo que pudesse fazer com que os moradores tivessem uma vivência na comunidade e com um contato com a cultura. As comunidades da Grande Santo Antônio tem pouca opção de lazer, de espaços e atividades de recreação. Com isso em mente e muita vontade de mudar o cenário local, dia 10 de Novembro de 201 a comunidade da Volta do Rabaiolle recebeu a primeira edição do projeto “Vizinhos da Arte”. Muitos imprevistos, mas muita mobilização da comunidade e amigos. Foi um sucesso e automaticamente as pessoas passaram a cobrar a continuidade. E assim, veio a 2ª, 3ª e 4ª edição em Janeiro, fevereiro e abril de 2013 em Caratoíra. com apenas 2 meses de vida faz a grande diferença por onde passão e o real objetivo é divulgar bandas , grupos, compositores e jovens que com talento, fazem a diferença em cada comunidade ao qual eles percorrem . É com essas ideias que as coisas começão a parecer para todo convivio social valorize o estado, o bairro, se tiver passando e ouvir falar do “Vizinho da Arte“ lembre dessa rapaziada que luta para a melhoria de sua comunidade.§

foto:judeumarc1

M

as esse não é o nosso foco, moradores de comunidades, condominio e até apartamentos, acabam acostumando a uma vida proxima com seus vizinhos muita das vezes se alegram, brincam e até brigam, mas com apenas uma ideia e muita força de vontade, um jovem da periferia de caratoira , melhor dizendo da comunidade de caratoira, vitória , espirito santo; Vem trazendo para a sua comunidade um dia de lazer, diversão, e muito samba no pé, com um talento imprescindível Leandro Mello, com apenas alguns poucos anos de carreira já faz a diferença onde vai e hoje com sua banda traz um novo modelo de samba rock para o Estado e alegria na sua comunidade , convidados de nome sempre aparecem para fortalecer em seus encontros. O “Vizinho da Arte“, surgiu por meio de uma indignação. O músico, residente na comunidade, foi percebendo ao longo da sua trajetória de trabalho que a comunidade na qual estava inserido não havia nada que pudesse proporcionar um período de lazer, cultura e música para a população. Ao tocar em uma festa e vendo as pessoas se divertindo, surgiu então a idéia de criar um movimento cultural que pudesse perfazer e envolver os bairros da Grande Santo Antônio (Caratoíra, Alagoano, Santo Antônio, Santa Tereza e Quadro) levando uma

izinho?

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Música: Estação Quinze (part. Juju Gomes) Compositor : Mc Xará “Quantas vezes eu me perguntei Por quê... pra quê... sei lá”. Por que será que eu sou parte disso aqui, É o verão do brooklyn, no rolé do spike lee. Uma parte ainda falta, outra parte eu já vivi. É uma noite pra afundar e dez pra se redimir, Busca o ar, busca a paz, busca amor, vai atrás, Mira o sol, deixa vir pra aquecer, deixa ser. O mito faz, ela trai, o mundo cai, o que tu quer, Vamo ver e vamo ter, escrevi pra esquecer. Um copo de água clara, muita sede pra beber, Um gole de cicuta, seis anos pra aprender Eu podia ter tentado ser tudo o que eu não fui, Eu podia tá melhor mas a música seduz Eu sei, cd não vende, ainda, o mundo vai quebrar, Eu quero uma internet, as contas vão chegar Já é, demorou, eu tenho que lidar com isso, Orgulho tá no chão, rap é compromisso E a escola do meu filho pra pagar é o quê, Reforço minhas convicções, vou subverter Eu rimo pra dormir e durmo pra não me abater, Eu luto pra sair e saio pra não me render Ahh! Coração me fez sofrer, Solidão me viu voltar, Bota fé que meu time vai vencer,Um samba em fevereiro pra cantar, Me fez sofrer, Solidão me viu voltar,Tantos são pra jorge amar e proteger, Um samba é pra cantar. Cai as amarras no efeito dominó, Li haile selassie e sun tzu pra enxergar melhor Anos de escola sem identificação, Mares nunca antes navegados, vinte anos vão A bola quica, vive, a roleta gira em contramão, Deixo os inimigos irem, do contrário eles ficarão Aí é foda, ver legal é igual o rato, Na esteira firma a meta de segunda que amanhã É terça-feira, vidros pelo chão, drinques e neon, Solidão, vizinhança em paz, só confirmação A volta pra minha terra é emoção e fortaleza, Os mesmos caras na estação e um monte de incerteza Foi tiro inicial, agora é shaw e gutierrez, Rd e ténéré, agora hornet e rr Já foi puma e nike air, agora é só de doze molas, Já foi afrika bambaataa, agora tudo elas rebolam Samba é no império, quer ver jongo é na serrinha, Baile charme é viaduto, baile funk é fazendinha Cheira-cola e camelô, vagabundo, puta e crente, Vascaíno e flamenguista, calçadão, mar de gente Ahh... Quem vê de fora é sedutor, O dia ferve, a noite cobra, O chão é cinza, o clima é seco, A paz é relativa, a pista é sinuosa, Mas pra quem quer se perder, É a disneylândia, vagabundo” O meu lugar também tem mitos e seres de luz, A sirene do samu é o mississipi em luz A milícia tá de frente e desce a rua. É uma ginga em cada andar e o bicho continua Cai o rei, troca secretário, plano de governo, É a civil que apreende as maquininhas deles mesmo Vendaval de buceta é carro, as piranhas pulam, As pessoas algumas não, mas as coisas mudam Papo é de abrir, qualquer porta é pra vender, O dinheiro gira aqui e é sonho de crescer Enquanto clínica de aborto lota e cytotec é mato, No 9º batalhão até soldado blinda carro A 1% ao ano, o crescimento é controlado, Eles juram, mas sem neurose, as coisas mudam Céu tá que é só pipa, a pista tá que é calmaria, O asfalto quase brilha, os olhos em cima é igual farol de milha. Tem que saber levar, quem cumprimentar, Tem os caratê, peculato, os panamá À esquerda é marechal, à direita é irajá, Em frente oswaldo cruz, e é longe pra voltar Ahh! Coração me fez sofrer, Solidão me viu voltar, Bota fé que meu time vai vencer,Um samba em fevereiro pra cantar, Me fez sofrer, Solidão me viu voltar,Tantos são pra jorge amar e proteger, Um samba é pra cantar.

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Instinto Resistente Compositor: Tiago Set Tão forte quanto um tambor de congo, no peito eu sentia, Encontros e desencontros reconhecendo a magia Gerada quando escrevia e via o bem que fazia, Ver que o nível de assimetria por um tempo diminuía Sem limitações nas formas de me expressar, E mesmo se eu não agradar carrego sentimento bom Flutuo, com os pés no chão vendo que limites não há, Lamento quem duvidar pois ta longe da evolução Sem intervalo, Set inverte por todo lado, Rimando em todo formato, Show de flow elástico Canto o verso falado, mesmo se for julgado , E o aplauso é o melhor salário e compensa todo trabalho Feito independente, do que se pense, do que se vende, Instinto resistente sempre Deixo minha mente assim livremente, E vejo a minha satisfação tornar-se então mais coerente Venho eu com minha mente, caderno e caneta na mão, Mudando a ordem vigente e causando uma confusão O Set inverte a corrente sempre na contra-mão, Com o mundo inteiro na mente e Vitória no coração Liberdade pra alcançar, Base forte pra resistir, Caminho é pra se caminhar e cada passo é pra prosseguir, Faço por acreditar em tudo aquilo que aprendi, E o sonho de me superar não me faz te diminuir. Eu vejo mais que me classificar, mais que delimitar, Eu não vou me restringir, nem me desqualificar Não vou fugir, fingir nem menos atuar, Sempre soube discernir e fazer mais do que falar Não rimo ilusão, não ligo pra aprovação, Penso que seja inclusão, vou além da competição Me infiltro e não sinto que isso é infração, Independente de opinião o respeito à transpiração Então valeu e com licença sei muito bem meu lugar, Me interno, expresso meus versos, sem me importar Com meia dúzia de fala mal que sempre vai falar, Cansei de ouvir latido fraco e ver caravana passar Não disperso, conduzo, puxo, solto e volto, A milhão igual meteoro, por aqui eu “poco” não “estóro” Não atolo, desembolo e verbo que escreto pelos meus poros, Adoro os efeitos sonoros das viagens que elaboro e te mostro Quando me disponho, invado seu sonho, dobro meu tamanho, Ser humano cagando e andando pra grego e troiano Com esse poder insano, sigo tirano os tiranos, E no final de tudo mano... reencontrando. Liberdade ... Ritmo e poesia, é um espaço onde o artista traz uma poesia de sua autoria junto com uma canção de algum artista que adimira, todo conteúdo e de responsabilidade do colaborador.

Tel. 27.997894994 e 999201872

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16 Anos na Ativa Semanalmente, a galera sintoniza na 104,7 fm e fortalece o rap local. Por Keylla Cristina

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á 16 anos, Adriano Luciano, mais conhecido no meio como LBrau, sentiu a necessidade de ter uma rádio voltada para a cultura hip hop, em que ele pudesse se identificar. Sem opção no mercado, desenvolveu a idéia de fazer um programa. Em 13 de março de 1997, Anderson Bacana, Renegrado Jorge e Conceição, da Rádio Universitária FM, autorizaram o programa Universo Hip Hop a ir ao ar. Atualmente, o Universo Hip Hop tem 2 horas de du ração e é veiculado aos domingos, com a produção do próprio, com o apoio de Fredone. No programa, o ouvinte tem acesso a um setlist que mistura rap nacional e gringo. No início, Brau conta que se juntou a um amigo para idealizar o projeto, que hoje agrega valor à cultura local e faz parte do cotidiano da galera que curte a rádio. Antes discriminado, atualmente o Universo Hip Hop é um canal que ajuda a divulgar os trabalhos dos artistas capixabas. “Hoje a rádio funciona em um estúdio completamente montado e equipado dentro de uma universidade trazendo para seus ouvintes uma qualidade melhor, já aceita totalmente no meio”, ressalta Brau. Brau acredita que o Universo Hip Hop ajudou a quebrar barreiras, ainda que o rádio tenha perdido um pouco do espaço para a internet. “O rádio tem seu lugar, porque

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através dele os artistas conseguem mostrar seu talento, também”, conclui. Em 2001 a rádio lançou sua primeira coletânea, com as principais músicas tocadas no programa, e já se prepara para lançar a segunda edição, dando prioridade aos rappers capixabas. Uma das atrações do programa é o quadro “Papo Reto”, em que os artistas da cena são entrevistados e podem, assim, mostrar suas ideias e fazer a divulgação dos seus trabalhos. Sem fins lucrativos, o veículo se mantém por meio do apoio da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e principalmente dos integrantes, que se doam para manter a rádio ainda no ar. Quem fortaleceu e viabilizou o projeto, hoje pode se orgulhar devido à dimensão e ao profissionalismo demonstrado em anos de trabalho em favor do hip hop capixaba.§


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" Skateboarding"

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Gente que faz a diferença

Stefan Marques fortalece a cena urbana por meio do hip hop e do skate

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dealizador do projeto Ritmo, Skate e Poesia, o

skatista capixaba Stefan Marques, 25 anos, vem fazendo a diferença na cena capixaba. Com suas manobras e ideias, o articulador social vem mostrando que, por mais que tenhamos dificuldades, não podemos desanimar. Aos 14 anos Stefan começou a andar de skate, por influência de um amigo de escola. Sempre que as aulas acabavam, eles se juntavam e dividiam o mesmo skate, até que Stefan teve interesse em praticar o esporte. Desde então, o jovem não parou mais. Assim foi conquistando os picos até se tornar conhecido entre a galera. Stefan passou por várias dificuldades até conquistar o lugar onde se encontra. Muita correria, muitas quedas e muitas amizades foram as essências que o ajudaram a trilhar o caminho até hoje. - Quem é Stefan? Stefan Marques, 25 anos, ‘arteculador’ social do CRJ, promotor cultural da equipe ‘Ritmo, Skate e Poesia’ e universitário, cursando o 7° período de administração na Doctum Fabavi.

Fotos: Felipe Araujo

- Quando, como e onde você começou a praticar skate? Comecei a andar de skate no ano de 2002, através de um amigo da minha sala, chamado Thiago Fardim. Ele tinha um skate usado e sempre, após as aulas, chamava para ir na casa dele para andar em um grande corredor que tinha. Isso me despertou um grande interesse pelo skate e em setembro de 2002 ganhei meu primeiro skate do meu pai e estou até hoje, graças a Deus. Eu amo skateboard. Comecei a andar de skate no bairro que nasci, Jardim América, e depois fui conhecendo outros lugares e picos para andar, como Parque Moscoso, Alto Laje, Novo México e Praça dos Namorados, local que me identifico e atualmente dou o meu role sempre que posso. O skate não é minha profissão, mas é considerado mais que isso. É minha identidade, meu estilo de vida. - Quais as maiores dificuldades que você enfrentou ? E quais foram suas maiores conquistas? Preconceitos, devido à falta de conhecimento das pessoas que não sabem o que realmente é o skate e o que ele representa na vida de quem o vive. As conquistas eu posso dizer que são a alegria que o skate me proporciona, a satisfação em poder andar, dar manobras, sair 13 Noix por Noix /2013/1ªedição


" Skateboarding" alegre depois de uma sessão ou aquela manobra que eu estava tentando. Isso para mim é tudo. - O que você acha do desenvolvimento do skate no ES? Atualmente o skate no estado esta dando ‘um up’ bem legal, devido a grandes coisas que estão acontecendo, como pistas novas, projetos, campeonatos, pessoas que estão com disposição de mudar a identidade e dar uma nova visão para que o skate do Espírito Santo possa também ser comparado a outros grandes pólos do skate no Brasil. Falta muito ainda, falta iniciativa principalmente do poder publico, incentivos e formas de fazer com que essa ferramenta tenha uma visibilidade muito maior para a população. - Você tem algum ídolo no skate? Ídolos não, mas admiro alguns como o Bob Burnquist, Lucas Xapahall, Rodrigo TX, Alex Takahashi, Koston, Torey Pudwuil, Dylan Rider, Chris Haslam... - Quais são seus planos e maiores objetivos? Concluir meu curso superior, ser um grande gestor privado, manter o projeto Ritmo, Skate e Poesia sempre ativo, ter saúde e forças para poder andar de skate, e eu tenho o sonho de abrir minha própria skateshop. Se for possível vamos batalhar para esse sonho ser concretizado .

- Conseguir bons patrocinadores é o sonho de todo skatista que pensa em viver do esporte? Sim, mas é muito complicado alguém querer investir no skate em nosso estado, por isso que muitos skatistas resolvem seguir o caminho em outras cidades. - Quais dicas você pode dar para aqueles que estão iniciando no skate e pensam em ter bons patrocínios? Buscar desenvolver e aprender cada vez mais, não desisitir, e investir na sua própria divulgação, como registros, fotos, documentário e também participar de eventos em geral. Isso é essencial para ter um bom currículo no skate. - O que mais te inspira na hora da session de skate? Antes de ir para a session procuro assistir um vídeo ou escutar um som, tomar um gatorade (risos), e partir com a vontade de voltar todas aquelas tricks que estão em

minha mente e também as que não estão, que surgem no nomento. - Qual sua manobra preferida? Back side tail slide - Quais seus projetos para o futuro? Planeja disputar alguma competição? Continuar podendo andar de skate, ser um grande colaborador para tudo que envolva o skate no estado, e também poder colocar em praticar projetos e criar novos projetos, sempre fortalecendo a cena do skateboard capixaba. - Fale um pouco sobre o ritmo skate e poesia. Ritmo, Skate e Poesia vem com o propósito de apresentar e divulgar o que temos de melhor na cena urbana capixaba através de duas importantes vertentes que fazem parte do nosso cenário: o skate e o hip hop. - Qual mensagem você gostaria de deixar para os leitores? Espero deixar uma mensagem bem transparente do que o skate significa para mim. Sou um amante do carrinho, e que isso sirva de exemplo para a nova geração que está surgindo no skate capixaba. Eu digo para todos que nunca devemos desistir daquilo que realmente almejamos e queremos. Siga em frente que você vai conseguir. Objetive, foque e conclua, nunca deixe nada pela metade, vá ate o fim.§

Fotos: Felipe Araujo

- Como descobriu seu talento para o skate?

Descobri através da minha insistência e curiosidade em aprender as manobras. Sempre fui persistente, nunca desisti e isso fez com que eu conseguisse me destacar e poder aprender cada vez mais manobras. Não digo que sou um talento, mas sim esforçado, com técnica e estilo.

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Fotos: Felipe Araujo

“Descobri através da minha insistência e curiosidade como concluir minhas manobras.” 15 Noix por Noix /2013/1ªedição 15 Noix por Noix /2013/1ªedição


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#2 ATITUDE # Por Mc Jack da Rua

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projeto tem como objetivo descobrir e dar visibilidade aos jovens artistas e músicos para mostrarem seus trabalhos e expressarem suas opiniões, deixando em cada comunidade uma perspectiva de que por meio da arte e da cultura urbana é possível construir alternativas para enfrentar as dificuldades cotidianas, estimulando o empoderamento para que esses possam se fortalecer como cidadãos críticos e participativos na sociedade mostrando também a importância da Cultura Hip Hop e suas vertentes no eixo

social como ferramenta de mobilização e transformação. Descrição: O Projeto Boca a Boca é uma manifestação cultural realizado toda sexta-feira em uma comunidade diferente utilizando pontos estratégicos como praças, parques municipais e outros locais públicos, trazendo grande oportunidade para que Mc’s, poetas, escritores, grafiteiros,

DJ’s, B-Boys... consigam mostrar suas ideias e habilidades. O Boca a Boca é um projeto independente e acontece de forma descontraída criando um ambiente onde as pessoas posam fortalecer laços de amizades, o companheirismo, à solidariedade, o respeito ao próximo e momentos de troca de informações/ conhecimentos.§

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#3 ATITUDE #

Por: Equipe CRJ

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CRJ: UM EQUIPAMENTO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL DO MUNICÍPIO DE VITÓRIA

spaço dá visibilidade e orientação a jovens capixabas. Destinado ao serviço de convivência e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários dos jovens residentes deste município com idade entre 15 a 29 anos, o Centro de Referência da Juventude foi solicitado dentro do orçamento participativo e, desde 2006, ano da sua inauguração, atua como principal interlocutor entre o poder público e a juventude local. Através de ações planejadas, o CRJ visa proporcionar o diálogo e oferecer um espaço que propicie a elaboração e efetivação das políticas públicas de juventude e da assistência social incentivando a participação dos jovens do município. O trabalho realizado corresponde ao desenvolvimento de um conjunto de intervenções urbanas por meio do protagonismo do jovem e dos

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grupos juvenis com a finalidade de superar as condições de vulnerabilidade e risco social, de prevenir o rompimento dos vínculos, que prejudica seu desenvolvimento em sociedade. As ações do CRJ têm como objetivo a valorização dos jovens em suas diversas expressões, no fortalecimento dos coletivos juvenis, no apoio as potencialidades e no acompanhamento aos seus usuários. Os jovens que frequentam o CRJ têm momentos de integração e descontração, contam com um espaço de referência. Há também as oficinas que promovem não só o aprendizado, mas também a convivência entre os participantes. As oficinas hoje oferecidas são automaquiagem; Beat Box; Forró; Fotografia; Teatro do Oprimido e quadrinhos. Como o CRJ é um espaço de juventude as oficinas são ofertadas de acordo com as demandas desses jovens que

contribuem com a construção desse espaço. No local, os jovens podem contar com profissionais para atendimento das suas necessidades (desde um bate papo a um encaminhamento), tais como educadores sociais, pedagogo, articuladores externos, assistente social, auxiliar administrativo, facilitadores e oficineiros. Recentemente, a instituição passou por uma reforma, no período de março a agosto de 2013. Durante esse tempo, o espaço funcionou provisoriamente no Cajun da Praia do Suá e as oficinas ficaram à espera da reabertura do local, que está com estrutura nova, pronto para receber todos os jovens da cidade. O Centro de Referência da Juventude tem, atualmente, muitos jovens que foram criados e acabaram se envolvendo com o espaço. Diante disso, um deles, referência em poesia, foi convidado a expor em palavras sua gratidão pelo trabalho realizado.#


Arte Papo

O Espaço e 2008, com grafitti dos artistas locas e alunos.

“CRJ lugar de cultura e arte que para nós abre as portas, assim sendo referência não só para as correrias mas também de inteligência... Juventude se agrega ao lugar e se apega segunda casa esse lugar alguns herdam, pra lá e pra cá andam mas lá se encontram. Aprendendo coisas ensinam e sentimentos novos despertam, não é só um lugar de cultura que gira CRJ referência para a vida.”

Ritmo, Skate e Poesia

Ronaldinho Poeta Marginal.

13de Julho dia mundial do rock. Divulgação/CRJ/Fotos CRJ

Cine Kbça

19 Noix por Noix /2013/1ªedição Encontro de Dancas Urbanas.


Política e Juventude Novos Tempos

por Gustavo De Biase

Passamos por um momento de intenso descrédito da política institucional, o que tem afastado a sociedade da participação efetiva nos espaços de decisão.

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enan Calheiros na presidência do Senado, Henrique Eduardo Alves na Câmara, mensalões de todas as cores, denúncias diárias de corrupção em todos os poderes... Estes são alguns dos elementos que contribuem para o avanço da crise política e institucional e trazem à tona o fatalismo, exterminando sonhos e utopias. Entretanto, é necessário tentar ir além e ultrapassar as barreiras do pessimismo. Enquanto parte da população afirma não gostar de política e mostra antipatia ao tema, existem outros que gostam e o resultado são as manchetes de jornais que tanto nos entristecem. Política é uma palavra de origem grega que remete ao conceito de pensar a cidade nas suas múltiplas atividades, portanto, é verdade a afirmação de Sócrates: “Todo homem é um animal político”. Não há a possibilidade de não estarmos envolvidos neste processo pois a própria ausência na participação da tomada de decisões também é uma atitude política. Ao mesmo tempo que constatamos as dificuldades, não podemos ignorar que a juventude, aos poucos, começa a se mobilizar para cobrar respostas do poder público, como no fenômeno virtual do Fora Renan, protestos por melhoria no transporte público, movimentos anti-corrupção e outros bons ventos que trazem a esperança de que nem tudo está perdido. Há mais de 20 anos um poeta dizia que via o futuro repetir o passado num museu de grandes novidades... Acredito que agora não será assim. Nossa esperança é de que a renovação avance e em breve, figuras como Fernando Collor de Mello, José Dirceu, Jader Barbalho e José Sarney sejam uma minoria isolada em todo cenário nacional.§

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Fotos: Internet

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P

ara alguns, as tatuagens feitas precisam ter algum valor sentimental, uma explicação, um motivo, e para outros, é apenas um ato de prazer onde um desenho feito vai perpetuar a sua pele pra sempre. O certo é que o ato de se tatuar não vem de agora. Registros arqueológicos mostram que as primeiras tatuagens foram feitas no Antigo Egito, entre 4000 e 2000 a.C. e também por nativos da Polinésia, Filipinas, Indonésia e Nova Zelândia, (os maoris) que tatuavam-se em rituais ligados a religião. A Igreja Católica na Idade Média baniu a tatuagem da Europa  (Em  787, ela foi proibida pelo  Papa), sendo considerada como uma pratica demoníaca, comumente caracterizando-a como pratica de vandalismo no próprio corpo, afirmando em sua doutrina como maneira de vilipendiar o templo do  Espírito, o corpo, levando seus fiéis a uma forma verdadeiramente reta de louvor a Deus.

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ADORADA POR ALGUNS, VISTA COM MAUS OLHOS POR OUTROS, SE TATUAR AINDA É ALGO POLÊMICO. O pai da palavra “tattoo” que conhecemos atualmente foi o capitão James Cook (também descobridor do surf), que escreveu em seu diário a palavra  “tattaw”, também conhecida como  “tatau” (era o som feito durante a execução da tatuagem,em que se utilizavam ossos finos como agulhas e uma espécie de martelinho para introduzir a tinta na pele). Com a circulação dos marinheiros ingleses a tatuagem e a palavra Tattoo entraram em contato com diversas outras civilizações pelo mundo novamente. Porém o Governo da Inglaterra adotou a tatuagem como uma forma de identificação de criminosos em 1879,e a partir daí a tatuagem ganhou uma conotação fora-

da-lei no Ocidente. Mas foi apenas em 1891 que  Samuel O’Reilly desenvolveu um aparelho elétrico para fazer tatuagens, baseado em outro aparelho extremamente parecido que havia sido criado e patenteado pelo próprio Thomas Edison que na época chamava-se de caneta elétrica, onde era usada principalmente para a marcação de gado. A tatuagem no Brasil é uma arte muito recente, surgiu em meados dos anos 60 na cidade portuária de  Santos  e foi introduzida pelo dinamarquês  Knud Harld Lucky Gregersen  (também conhecido como  Lucky Tattoo), que teve sua loja nas proximidades do cais, onde na época era a zona de boemia e prostituição da cidade de Santos. Isto contribuiu bastante para a disseminação de  preconceitos  e  discriminação  da atividade. A localização da loja era zona de intensa circulação de imigrantes embarcados, muitas vezes bêbados, arruaceiros e envolvidos com


de consumo, e outro iniciado na subcultura. Hoje em dia, no mundo do rap, não é diferente. Desde a memorável tatuagem ‘Thug Life’ na barriga de 2Pac, até os desenhos por todo corpo de Lil’ Wayne, pode ser visto que a

“TATUAGEM É UNANIMIDADE ENTRE RAPPERS.” Muitos inclusive são amigos de tatuadores e estão sempre em um estúdio. Também tem acontecido muitas fusões artísticas, onde graffiteiros usam várias referências e técnicas do desenho da tatuagem em seus trabalhos e vice-versa. Até foi criada a primeira revista de tatuagens para pessoas de pele negra, a Urban Ink que contém fotografias de grandes dimensões e de boa qualidade onde as grandes celebridades do Hip Hop são praticamente prioridade em cada edição bimensal da revista.

É a visão da sociedade pós-moderna que mudando através do anos. A tatuagem e o Hip Hop são duas culturas que tem muito em comum,ambas enfrentaram preconceitos para ser aceitos na sociedade,tanto que hoje em dia, não se consegue diferenciar qual estaria inserida dentro da outra, mas vem sendo consumidas basicamente com o mesmo propósito de diferenciação e disseminação, afim de transmistir cultura através da arte seja ela verbal, estética ou visual.# Texto por Ana Carolina M.Miranda - “Nega Ana”,Proprietária do Manga Loca Tattoo Shop,tatuadora profissional, formada em moda e pós graduada em Design e Produção de Arte. Bibliografia: O Brasil tatuado e outros mundos – Toni Marques 1997 Cartografias da cultura e da violência: gangues, galeras e o movimento hip hop – Glória Diógenes 1998.

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Fotos: Internet

drogas e prostitutas; gerando um estigma de arte marginal que perdurou por décadas. Uma década depois, surge o movimento Hip Hop. E é nos subúrbios negros e latinos  de  Nova Iorque, verdadeiros  guetos, que se enfrentavam diversos problemas de ordem social como pobreza, violência,  racismo,  tráfico de drogas, carência de infra-estrutura e de educação, entre outros. Os jovens encontravam na rua o único espaço de lazer, e geralmente entravam num sistema de gangues, as quais se confrontavam de maneira violenta na luta pelo domínio territorial. E assim a tatuagem os diferenciavam como uma curiosa forma de comunicação. Os integrantes das gangues movimentavam-se, gesticulavam-se e apontavam no corpo as marcas da sua história. Era quase um sinal “ obrigatório” entre as gangues, porque possibilita expressar a diferença entre um jovem comum , da sociedade


Por Felipe Araujo

“ Vento frio bate forte no rosto, Coração palpita mais que o normal, Para alguns um simples evento, Para nós a filial”

A

ssim começa um novo dia, como se Jah disse-se, preparei esse dia especial, então façam aquilo que vocês sabem de melhor. Manha ensolarada, vento frio da praia tudo perfeito, pessoas chegando de todas as partes e por todos os lados, cada um com seu estilo e sua crença, porém todos com um só objetivo, ambiente agradável , amigos que não se vinham a muito tempo trocando varias idéias, com aquela energia não poderia ser diferente, diversos estilos, técnicas e conceitos do graffiti, com trampos de artistas nacionais e estrangeiros reconhecido nas artes urbanas. Esse é um dos objetivos da Filial, que na sua 3ª edição não deixou a desejar. Nomes de destaque tiveram presente nessa edição como Mone, Celo, Seres(BH), Kajaman(RJ),Image(SP), além dos locais Ficore, Patrick, Star-

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ley, Liam, Aqi entre outros. Os artistas nessa edição trouseram suas artes e fizeram uma exposição no alojamento, onde todos que chegavam podiam admirar os trabalhos de cada um. A “Filial Graffiti” pode proporciona nesses dias essa energia positiva onde artistas são convidados de todos os lugares, para juntos fazerem aquilo que mais gostam, pintar, mas não é só por isso que eles comparecem, nesse evento é o momento de fazer novas amizades, rever velhos amigos, trocar aquela idéia e o mais importante aprender a arte do graffiti. Assim tivemos a oportunidade de trazer um pouco dessa energia para dentro das nossas paginas. Com o objetivo de conhecer a galera do Espirito Santo e fazer novos amigos, o criador do projeto Luciano, fez seu primeiro evento em 2006 onde fez suas divulgações em redes sociais, na época Orkut, interagiu com artista, convidou alguns amigos do Rio de Janeiro e então surgiu o “1º Encontro Estadual de Graffiti”. Luciano , conhecido no meu urbano como “AQI”, 31 anos, nascido em Brasília, morou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde começou sua carreira, porém vive

a 10 anos no espírito santo, sempre teve uma intimidade com a arte dês de os 3 anos de idade já rabiscava algumas paredes, cadernos entre outros, porém começou mesmo a se identificar com o graffiti quando começou a “xarpi” em 1994, onde foi estimulado a conhecer o graffiti, nessa caminhada viu vários amigos perderem sua vida, até que certo dia veio perder um amigo mais chegado, daí em diante viu a necessidade de parar de “xarpi”. Sempre admirando a arte do Graffiti, Luciano tem o “Xarpi”, como a maior influência, porém passou a graffitar em 2006 onde no mesmo ano teve a idéia de fazer seu primeiro evento.

A primeira edição “Filial Graffiti” aconteceu em 2011,

com o objetivo de divulgar a arte no local onde mora, ponta da fruta espírito santo, Luciano correu atrás de alguns recursos, no próprio bairro e viu uma certa dificuldade, porém no segundo ano, após mudanças da diretoria de uma das empresas patrocinadoras e um suposto boicote por meio dos


graffiteiros, conseguiu então ter esse apoio , juntamente com apoio de comerciantes. A Filial em si traz um pouco de arte para a comunidade,

“o evento não é meu, o evento é da galera, todos que estão presente, quem ta batendo foto, quem ta vendendo o cachorro quente, e não somente para trazer arte para comunidade e sim a necessidade do intercambio com os artistas de outros locais.”

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#Galeria Nesse edição teve uma novidade, a galeria onde os artistas convidados traziam seus trabalhos e fariam um exposição no alojamento, e como de costume não decepicionaram e botaram pra quebrar mais uma vez com trabalhos varias e muita inovação. curti ai um pouco.

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E

stiveram presente, artistas importante como a dupla mone e celo, de BH que se destacam com uma linha de raconio muito parecidas, baseado nos elementos da cultura hip hop , valorizando e esbanjando sempre o colorido em seus trabalhos, artes essas que é um impacto de cores nos muros das cidades, seus trabalhos são tão parecidos que eles foram confundidos com uma pessoa.

“A filial esse ano trouxe break, dj, mc, graffiti e uma energia positiva, fizeram presente mais de 60 artistas, mais de mil pessoas de todos os lados e visando sempre a amizade, dessa vez com certeza podemos presenciar e fazer novas amizades e valorizar a cultura num todo. que venha 2014!”

M

orador de "Embu das Artes" SP , Ronaldo Souza, que assina seu graffiti como "Image", pinta desde 2001, Image começou seu trabalho com stencil, e passou a se identificar com personagens femininos e hoje lança mulheres nos muros de são paulo e marcou o evento com suas lindas mullheres onde fez algumas intervneções com outros artistas.#

Fotos: Felipe Araujo e Keylla Cristina 27 Noix por Noix /2013/1ªedição


Mirage - Chambis - Image - AQI - Lyn - Celo - Mone - Kajaman

Seres - GRD - Memi - Alemão - Ren - Bispo

PTK - Voodoo -James - Luahn - Esdras

Trama - Ficore - Prock - FelVint2 - Ritmo - Zumbi

Feto - Stryper - Alma - Alecs - Ruiva - Nen - Nico

28 Noix por Noix /2013/1ªedição Starley - Liam


Kika- Gentil - Pontello - Keka - Somal - Nareba

Hero - Smoke - Tofakie - Gtr

29 Noix por Noix /2013/1ªedição Mirage - Chambs - Celo - Truff - Nick - Image


"Black Book" "Black "Black "BlackBook" Book" Book" Book é tudo nosso! "Black Book" "Black "Black Book" Book"

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S O AD

M I INT o

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ã Padr o d ora om F

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Fotos: Felipe Araujo

“ QUEM NÃO BOTO FÉ DESACREDITOU, MECHERAM COM NÓS AGORA SENTE O SOM” FORA DO PADRÃO

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S O AD

M I T INCorrerias e batalhas que rendem frutos O grupo Fora do Padrão conversou com a equipe da revista Noix por Noix e contou um pedaço da trajetória, da formação até os dias atuais, quando os integrantes comemoram o lançamento do CD “Presente de Grego” Texto Mariana Perim / Entrevista Keylla Cristina / Fotos Felipe Araújo

F

ormado por MC Judeu, MC Teco e DJ Jone BL, o Fora do Padrão vem se destacando a cada dia no cenário capixaba, com letras positivas e diretas. O grupo, que já passou por várias mudanças em sua formação, conseguiu alcançar, com muita batalha, o objetivo maior: lançar um CD. O disco “Presente de Grego” veio como uma verdadeira conquista para o Fora do Padrão. Com composições completamente autorais, o grupo continua reafirmando as mensagens positivas e transmitindo as ideias cantadas. A Noix por Noix traz, nesta edição, um pouco mais da correria que os integrantes já passaram e continuam a passar para lutar pelo que acreditam: o rap. Com um copo de café na mão e uma vontade louca de se expressar, MC Judeu e seus companheiros começam, então, a escrever as letras, que nada mais são do que as ideias passadas para um papel. Originais e com letras que falam sobre o dia a dia na periferia, o grupo Fora do Padrão vai de encontro às ideias da sociedade, mostrando que a cultura também está presente nas quebradas. Com vários vídeos clipes também produzido pelos próprios integrantes fazem então a divulgação de suas musicas pela internet. vídeos clipes lançados na rede que levam a verdade desses meninos.

História

Definir a correria do grupo é complicado. Em resumo, os meninos com várias ideias e projetos. Em meados de 2008, na comunidade da Ilha do Príncipe, conhecida popularmente como Cracolândia, em Vitória, surgia o Fora do Padrão. Tudo começou no graffiti, na brincadeira. Com o tempo, eles começaram a ensaiar até conquistar um local na própria comunidade. Sem muitos recursos, começaram rimando em cima de batidas gringas. Quando viram que a história estava ficando séria, batizaram o o grupo de Fora do Padrão e começaram a buscar o que um grupo de rap deveria ter. A partir de então, Jone BL se interessou pelo lado mais técnico e buscou conhecimento na área de produção, sendo apoiado pelos veteranos DJ Jack e MC Adikto. Inexperiente, mas cheio de força de vontade, Jone investiu nos corres para garantir suas próprias produções. Mesmo com acesso à internet restrito na época, o DJ evoluiu, assim como o grupo

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S O D MA

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em geral, e se tornou beatmaker oficial e DJ. “Tive muitas dificuldades, enchia o saco dos DJs e sentia que eles não gostavam muito, por causa do zelo com os equipamentos. Hoje eu entendo, mas isso não me abateu. Por isso, pela insistência, estou aqui hoje”, relembra Jone. Com o tempo, surge a proposta de colocar uma voz feminina no grupo, quando Maia entrou para reforçar o time. Um dos integrantes Aluno do MC Adikto, Hard, aproveitou para apresentar o trabalho dos caras para o professor, que deu apoio, com troca de ideias e produção de bases. Em 2009, lançaram o primeiro CD demo, batizado como “Do Nosso Jeito.” Realmente ‘do jeito deles’, com muito suor e correria, as letras mostravam o dia a dia na comunidade, com rimas baseadas no cotidiano do grupo. “Lançamos nosso primeiro trabalho físico, com pouca qualidade sonora, mas com muito amor e dedicação”, relata Judeu. Na mesma época, lançaram o primeiro videoclipe.

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Em 2010 e em 2011 o grupo passou novamente por reformulações. Ainda em 2011, o grupo lançou o clipe que se tornou referência: “Prece ao Vento”. Notícia em jornais locais, o trabalho levou o grupo a ser convidado para fazer um pocket show no tradicional Duelo de MCs, em Belo Horizonte. Quando apresentaram o novo som para Gilmar, representante da marca Doggueto, tiveram imediatamente apoio para lançar o primeiro álbum da história do Fora do Padrão. Em parceria com a Macrophono, representada pelo DJ Jack, o primeiro CD foi gravado. Com muita dedicação, muita perseverança e principalmente força de vontade, eles desfrutam hoje o prazer de ter em suas mãos o fruto de toda correria. O CD “Presente de Grego” é mais que um presente. É a verdadeira concretização de um sonho.§


DJ Jone BL

MC Teco

- Como pensou em ser DJ? Sempre fui curioso. Quando rolavam os eventos de graffiti eu via o DJ Jack e passei admirar o trabalho e o elemento chamado “DeeJay”. Fui desenvolvendo com o passar do tempo.

- Quem é o MC Teco? Pergunta interessante.Talvez eu passe o resto da minha vida me perguntando isso, mas é como diria Noah Calhoun no livro Diário de uma Paixão: “não sou nada especial; disso estou certo. Sou um homem comum com pensamentos comuns e vivi uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim, e o meu nome, e em breve, será esquecido.”

“Nunca podemos desistir”

- Quais são suas referências? Na verdade eu ouvi muitos raps gringos, como J.Dilla, Kev Brown, Madlib entre outros. E hoje em dia devido aos estudos e pesquisas minhas referências passaram a ser bem variadas. - Qual o seu recado para quem está começando? Se temos uma vontade, nunca podemos desistir. Corra atrás dos seus sonhos. Não é fácil, mas se você tiver dedicação e força de vontade, você consegue. - Quais os projetos para o futuro? Recebi um convite para dar um rolé na gringa, e creio que essa viagem vai me ajudar muito, porque já tenho alguns contatos lá e levarei meus trabalhos para me aprimorar ainda mais nessa área da produção.

Capa do CD “Presente de Grego”

“Canto porque amo”

- Há quanto tempo canta rap? Nunca fui bom com números, e o tempo que canto não considero importante, o que realmente importa são os resultados. Mas posso dizer que tenho no mínimo seis anos de palco urbano. - Por que canta rap? Canto porque amo, porque é prazeroso, porque quando canto eu “exorcizo meus demonios”, canto porque acredito que quando alguém me escuta algo de bom é acrescentado na vida de quem o faz. - Como avalia o rap capixaba? Eu acho que é exatamente igual ao rap que existe em qualquer outro lugar do mundo, ou seja, perfeito. Mas é claro que cada lugar tem sua particularidade e identidade, mas no geral eu amo o rap capixaba. - Fale um pouco da sua trajetória no Fora do Padrão. Quando eu fiz minha primeira letra com aproximadamente 16 linhas, o Fora do Padrão já existia, inclusive eu me lembro de ter ido pedir ajuda deles algumas vezes. Eu sempre fui amigo deles e já tinha alguns trampos paralelos com Judeu e Jone, mesmo não sendo do grupo. Depois de algum tempo nós apenas oficializamos minha participação no grupo. Na prática, eu sempre fui membro. - Qual o conselho que você deixa para quem está começando agora? Respeito, humilddade, e dedicação! É esse o recado que eu deixo. Temos que respeitar quem está na cena antes a gente, temos que respeitar outras culturas como o funk. restarmoso tempo que tenho de estrada o meu maior cachê foi aprender que sem humildade e sem dedicação não chegaremos a lugar nenhum, e esse é o meu recado. 37 Noix por Noix /2013/1ªedição


S O D MA

I T IN

Judeu Marc1

“Poeta da perifería”

Letras voltadas as previsões futuras, que faz agente viajar e refletir no que estamos fazendo para levar um rap de qualidade.

Quando foi seu primeiro contato com o Rap? E quando você viu que era isso o que queria fazer? Meu primeiro contato foi através do amigo meu Wesley apelido gordinho, crescemos juntos e o pai dele tinha uma coleção de vinil diversos, mc batata, Regina Casé, Furacão 2000. Lembro muito bem dessa época 96 “mais ou menos” e conhecemos a radio que rolava funk e gastávamos de gravar as músicas na fita e depois passava horas e horas escutando e passando no papel para cantar. Primeiro contato com rimas, foi assim, depois começamos a tentar gravar nossas rimas nas batidas, sempre amante do funk com idéia e consciência rolava uns racionais e mv Bill e me interessei a parti daquele momento apaixonei pelo rap mais não via e não vejo diferença no funk consciente e o rap.

Qual sua faixa especial do Presente de grego? Alguma razão especial? Minha faixa especial é alem da retina um som do meu intimo talvez alguns não possam entender mais é um som que não consigo cantar com voz firme pela emoção que carrego nela. Esse cd presente de grego na verdade foi um trabalho único do Fora do Padrão talvez nunca mais role som desse modelo ou talvez sempre role, foi um momento único e marcante para o Estado esse é o nosso cartão de visita. O disco Presente de grego definitivamente mostrou o grupo, para o cenário do Rap capixaba, como foi o processo de produção desse disco? e quais foram as inspirações? A produção do disco foi um processo necessário para obter a qualidade alcançada vários nomes envolvido varias parcerias. Para que esse trampo saísse assim acrílico Box tudo que tem direito queria agradecer ao envolvido direta ou indiretamente pois foi uma conquista para o estado. Inspiração pra mim sempre vai ser o beat escolhido sempre escuto o que ele pede pra eu fazer é como se fosse um engenheiro ordenando o mestre de obra.

Sei que você também é um produtor. O que você gosta mais, produzir ou rimar? E qual veio primeiro? Primeiro veio a rima depois a carência de produzir se tornou paixão tambem, não vejo balança em qualquer função que DEUS te concede, faço meu melhor em ambas Quais são seus planos musicais para 2014? Planos pra 2014 é lança um EP mais voltado a uma pegada que se destacou no fora do padrão e mais natural devirado 87 bpm hehehe. DJ Jone Bl , Mc Teco e Mc Judeu

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(27)3034-0899/9811-4942


Conexão Flow Bgirls

MEXA-SE

Exemplo de garra

“Mesmo com obstáculos, crew se mostrou imbatível e se manteve unida”

O

Conexão Flow Bgirls surgiu em 2010 com um grupo de meninas que já dançavam. Priscila Charpinel, conhecida como Pri Foquinha, foi a principal idealizadora da crew. Ela tinha a intenção de unir as bgirls e acreditava que racha separava as meninas, então queria algo diferente. Junto com Magrela (Andrielly), Mirian, Rose, Camila e Formiga, Foquinha formou o Conexão Flow Bgirls, com o apoio do Bboy Chapolim, atualmente líder do grupo Underground Funkers. No mesmo ano, ainda em 2010, as meninas receberam a grave notícia do câncer de Priscila, fato que abalou a estrutura do grupo, que se concentrava na recuperação de Foquinha. No ano seguinte, já paradas devido ao contratempo, as meninas acompanharam o tratamento da enfermidade. Em 2012, infelizmente, o grupo

perdia Foquinha para a doença. Abaladas, todas decidiram por encerrar as atividades do Conexão Flow. Quando se tocou, Magrela caiu em si e entendeu que o sonho do grupo não podia morrer e, no fim de 2012, em uma reunião, foi acertada a volta do grupo, com força total. Mesmo com a gravidez, descoberta ainda em 2012, Magrela continuou envolvida com as atividades da crew. Após o nascimento de Henrique, Magrela voltou à ativa, uniu as meninas novamente e atualmente o Conexão conta com 13 integrantes no elenco: Andrielly (Magrela), Rose, Mirian, Ellen, Thalita, Camila, Jéssica, Daiane (Dadáh), Aldynne, Anna Paula, Lory, Vivian e Dani. Os ensaios são realizados às sextas-feiras, a partir das 19h30, no Centro de Referência da Juventude de Vitória.#

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Conheça um pouco da trajetória do DJ Jack Há 15 anos na correria, Eric Silvestre Endlich, mais conhecido entre a galera como DJ Jack, percorreu um longo caminho até chegar onde está. Ex-integrante do Irmandade SA, Jack conversou com a equipe da Noix por Noix e contou um pouco de sua trajetória, suas inspirações e considerações sobre a atual cena do movimento hip hop no estado.

>Como e quando começou a tocar? Desde meus 13 anos eu mexo com som, pickups, receivers e coisas do gênero, fios, alto falantes, essas parafernalhas (risos). Comecei a tocar profissionalmente mesmo em 2003.

boa. Também acho que aqui no nosso estado temos excelentes MCs, não perdemos nada para outros lugares, porém ainda precisa de muito trabalho ainda. >Quais as maiores dificuldades da profissão de DJ no momento, para você? Acho que a falta de consideração, principalmente de alguns contratantes e também o fato de as vezes não saberem diferenciar o que cada um representa, como história e trajetória, porque soltar um som que está no momento e que todos gostam é uma coisa, mas manipular e trabalhar isso é outra parada, a função do DJ.

>Quais foram suas influências? Tive algumas fases de influência na minha vida, mas as primeiras inspirações mesmo foram o Miami Bass e Eletro Funk e Rap, que na verdade eu não sabia que era rap, achava que era a mesma coisa, funk. Mas o que eu me identificava bastante era com os scratchs. Alguns exemplos: Dynamix, Maggotron, FreeStyle, MCADE, >Como você vê o hip hop capixaba? MCShy D, Two Live Crew, Grand Master Flash, Aos trancos e barrancos, mas está indo (risos). Brincadeira DJ Laz e um pouco mais a frente, Run DMC, NWA, Thaide e DJ Hum e Racionais. Como você começou na cultura Hip Hop? O primeiro evento que fui na minha vida foi o ganga zumba, vi a galera do Negritude Ativa e Suspeitos na Mira se apresentando e depois disso comecei a ir em todos. Foi quando através de um amigo conheci Marcelo Shimu e André Adikto, que tinham um grupo chamado Irmandade S/A, que comecei a participar como DJ. Vc tem muitos vinis ou coleção? Falando de sua coleção de vinis quais são os principais e mais raros de sua coleção? Tenho alguns LPs sim, não chega a ser muitos acho que uns 800 só, tenho amigos DJs que têm muito mais do que isso, também não tenho muitos discos raros, mas os que eu dou mais valor são os nacionais da época de 70, principalmente Tim Maia, Jorge Ben e Roberto Carlos. e também alguns importados de Miami, Eletro e Rap. Tem um especial que entrou nesta lista que é o LP duplo do Sabotage. Um DJ de Hip Hop convive muito com MCs , diga qual sua relação com eles. O DJ e o MC convivem bastante. Eu tenho vários amigos MCs e sempre a relação é muito 40 40Noix Noixpor porNoix Noix/2013/1ªedição /2013/1ªedição


à parte, temos muitas referências boas aqui, temos vários MCs, DJs, BBoys e grafiteiros reconhecidos nacional e internacionalmente. Acho que é só questão de tempo mesmo. De um tempo para cá evoluiu absurdamente, mas ainda precisa de muito empenho, foco e investimento. >Qual a maior alegria proporcionada pela sua profissão? Acho que conseguir manter minha família com suor do meu trampo, e eles sentindo orgulho de mim, é a melhor coisa que pode acontecer na profissão. >Hoje em dia, o acesso a um computador e a softwares é muito mais fácil, e surgem muitos novos beatmakers devido a essa facilidade. O que você vê de consequência nisso? Isso é uma fita natural, quem está vindo agora está colhendo um fruto que foi plantado com muita dificuldade por quem veio antes. Não vejo mal nisso, quando há respeito e humildade tudo funciona bem.

>Vc é produtor também. Conte-nos um pouco das suas produções. Em 2004 já com meu grupo de rap comecei a conhecer como se produzia um instrumental, minhas principais influências aqui no estado foram Marcelo Shimu, André Adikto, L.Brau e Dj Tropesso e Renatinho Midi. Acho que isso construiu muito como faço os meus beats o lance dos samplers e arranjos. >O que você acha das fontes de sample? Faz diferença, de alguma forma, extrair o áudio de um vinil, por exemplo? Captar um trecho de um LP sempre vai ser melhor, mais consistente, demonstra uma pesquisa mais sólida, concreta, mas não tenho nada contra quem sampleia sons da internet. Existe algum sample que você quis muito usar e, por algum motivo, não pôde? Sim, acaba que existe um problema com a arte de samplear, que é a coincidência de usar samplers iguais. E isso é um grande fato, já tive esse problema com alguns sons, e acaba que vence quem tem mais nome. >Que beatmaker você acha inovador na arte de cortar samples? Sempre gostei muito das produções do DJ Premier e do GZA, depois, Madlib e Pete Rock. >Alguns músicos questionam a legitimidade do sample como composição. Sample é uma composição? É uma criação musical? O sampler sempre fez parte da produção musical da cultura hip hop, porém, tem que samplear com muiot zelo, tem muito a ver também com uma homenagem para aquele sentimento que o artista teve naquela época, que pode ser chamado também de recriação musical. >Atualmente, no que você vem se dedicando e produzindo? Hoje estamos com um estúdio e loja no Centro de Vitória, onde estamos gravando, produzindo e finalizando os trabalhos de vários MCs e grupos de rap aqui no estado. >E o futuro? Quais são suas expectativas? São boas no ponto de vista de progresso para nossas correrias, com muito trabalho e dedicação, mas sempre ligeiro com as peças da vida. >Como de costume, para finalizar, deixamos um espaço livre para você se expressar e mandar um recado pra galera. Queria mandar um salve para geral, especialmente os meus manos e manas do dia a dia e que fazem a correria para melhorar o nosso movimento. Também queria dizer que nossos esforços não vão ser em vão. A luta nunca para, somos muitos e venceremos!§

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La Calle Brasil expressa tudo aquilo que co-existe nas ruas, dos muros grafitados aos sons que emanam dos carros em movimento, uma sincronia perfeita de universos paralelos. A rua é um grande jogo sendo isso exatamente o que serve de inspiração para o conceito “La Calle”, que traz consigo um infinito de possibilidades; música, esporte,diversão. É a arte que une amigos e estilos por que... “ La Calle es nuestra”

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olhares

Por Luara Monteiro

Isabela Bimbatto

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AQI-LUCIANO

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MOSCA

KIKA


FICORE

MAIK

GIU

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Elo Entretenimento/foto : Rafael Nick

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Ficore Sócio Fundador do Instituto Tamo Junto integrante da BCL Crew.


Arte de Rua

FILHO

Por Keylla Cristina

DAS CORES

No graffiti desde 1997, Ficore se destaca por onde passa. Talento, sensibilidade e autenticidade são algumas características do artista urbano, compositor e MC Breno Kalic, mais conhecido como Ficore Kabelera. A paixão pelo graffiti surgiu em sua vida em 1997. De lá pra cá, Ficore nunca se desligou da arte e sua marca passou a ser reconhecida nas ruas da capital do Espirito Santo. O talento do jovem artista conquista quem tem a oportunidade de apreciar seus traços, e sua trajetória fez com que seu nome fosse conhecido além das fronteiras. Os traços do artista, de 29 anos, se tornaram inconfundíveis. É possível identificar sua característica através do estilo abstrato e colorido no qual utiliza elementos orgânicos e formas geométricas. Tivemos a oportunidade de bater um papo com Ficore, que contou um pouco sobre sua carreira, incluindo a turnê de três meses que realizou pela Europa em 2013. No período, o jovem ganhou projeção internacional e chegou a ter um painel tombado como Patrimônio Cultural na Itália.

B

reno Kalic, 29 anos, natural de Belo Horizonte – MG e morador de Vitória - ES desde os 8 anos de idade, mais conhecido como “Ficore o Filho das Cores”.

- Qual a origem do nome Ficore? O nome Ficore vem do tag, que primeiramente era Fico. Em 2002, eu tinha uma banda de rap core e resolvi adicionar o ‘core’ de hardcore no tag. Depois de um tempo, um grande amigo mexicano me batizou de ‘Filho das Cores’. - Desde quando se envolveu com a arte de rua? Quando eu era criança admirava os desenhos da minha irmã e nas visitas que fazia à minha família em BH, o que mais me fascinava era a pichação da cidade. O lance de escrever começou nas carteiras e paredes da escola em Vitória, zuando os apelidos de amigos e depois copiando as letras emboladas de capas de discos de bandas de metal. No meu bairro tinha uma galera que era do Rio e representava. Foi nesse contexto que comecei a assinar meu tag, acho que em 1997. Na minha escola muita gente gostava de assinar e a gente tinha uma crew chamada CPC que depois virou FDS. A cada dia fomos fazendo em uma rua mais distante de casa. O envolvimento cresceu a cada rolê, troca de idéias e pesquisas. Eu formava dupla com meu irmão gêmeo e a gente se inspirava no rolê de outra dupla de irmãos (Croni e Invazor), que também moravam em Jardim Camburi. Aprendi muito com o mano Sims que também era de BH e morava em Vitória, foi ele até que mudou o nome

da nossa crew pra BCL. A maioria que fez parte do início nem assina mais. Nessa fase também conheci o Somall que se tornou meu companheiro eterno de graffiti. Na época não era tão fácil conseguir sprays e os primeiros trampos foram de pincel e rolinho. A gente já tava na atividade fazendo tag e conhecemos um mano que mudou de BH pra Serra, Mark2. Foi ele que nos apresentou mais a fundo a dimensão que era o universo do graffiti. Tempo depois veio o envolvimento com a rapa do estado, Fredone, Ren, Alecs, Samuka e por aí vai. Levo o nome da minha crew por onde vou e fazem parte da família BCL o Somal, Iran e Toca, além dos manos skatistas Ramon e Laurin que representam no esporte e os manos da CSR CREW da Itália. - Como foi o processo de evolução para seu estilo? Quais são suas inspirações em seus trabalhos? Comecei no tag depois passei a fazer throw –up, wildstyle, personagens, realismo, 3D, e passei pra formas mais abstratas de composição. Hoje mantenho as raízes do tag e throwup e também me dedico ao meu estilo autoral, que venho estudando h áum tempo. Estou produzindo duas linhas de criação, ambas com elementos orgânicos e geométricos. Uma é o ‘Peixe-Fio’ que propõe uma estética mais fluente em que faço uma mixagem de imagens sobrepostas que se fundem formando outras. O ‘Peixe-Fio’ é uma representação do homem que assume diversos aspectos. Na maioria deles com olhos de coração, sugerindo que devemos olhar o mundo 51 Noix por Noix /2013/1ªedição


Arte de Rua

Mural tombado como Patrimônio Cultural de Spinoso- Itália

com uma visão amorosa, não romântica, mas pautada nos valores da fraternidade, respeito e união entre os seres e as formas de vida. Já a outra série chamo de ‘Fragmentos de nós’ e representa pessoas e animais com traços simétricos, fragmentadas como se fossem estilhaços. Geométrico com citação ao realismo. Em geral nessas criações me inspiro na natureza e nas relações humanas com o mundo Terra e mundo Espiritual. -Você consegue viver da arte ? Como é viver da arte e como esse tipo de trabalho é valorizado no Brasil? Posso dizer que sim, pois todas as minhas fontes de renda vêm da minha atuação artística. Viver de arte é muito difícil, mas creio que seria mais difícil viver sem ela. É o caminho que escolhi e é nele que realizo, crio e recrio meus sonhos e motivações. Tenho o ideal de viver somente da minha produção autoral, tanto na arte quanto na música e estou caminhando pra isso, mas como a maioria dos artistas, muitas vezes tenho que atuar realizando trabalhos comerciais. Também me dedico a ensinar arte de rua em projetos sociais e acho muito importante essa possibilidade que a arte proporciona de trocar conhecimentos. Acho que não só no Brasil, mas em todo o mundo a arte 52 Noix por Noix /2013/1ªedição

em geral é muito desvalorizada, tem que ser guerreiro. - Na sua opinião o que um artista de rua precisa para ser bem sucedido no meio? - O que é mais satisfatório em Depende da concepção do que é ser bem todo processo de desenvolvimento sucedido. Já mudei muito de opinião em de seus trabalhos e qual foi a relação a isso e espero evoluir cada vez oportunidade que mais lhe trouxe mais minha visão. Creio que o ideal é satisfação? ter desapego, fazer a arte com amor se Gosto de todas as etapas do fazer livrando de tudo que prende e valorizando arte e pra mim a rua é o melhor o que liberta. Hoje o que penso como ser lugar. Na maioria das vezes que bem sucedido é ter saúde, amizades, ter estou pintando passo mais tempo conhecimento que promova sabedoria, conversando do que propriamente ser apaixonado pelo que faz de modo pintando e considero isso como que encontre sempre novas motivações e parte fundamental da minha maneiras para seguir em frente. produção. É também nessa troca Eu sou um cara que gosta de estar em que meu trabalho se amplia em contato com grandes públicos, ter espaço conceito e filosofia, pois na forma pra mostrar meu trampo e condições para de pensar de cada pessoa conheço realizá-lo, mas você pode ter tudo isso e novos pontos de vista em relação não ser verdadeiro, não ser feliz de fato à vida e a minha própria arte. com o que faz. Também sou muito contemplativo, Vejo sucesso em pessoas que são minha relação com o meu trampo é tranquilas com o que tem e buscam bastante lúdica, faço uma imersão e evoluir sem carregar o peso da disputa que reflito em muitas coisas através dos nos coloca na ilusão da separatividade. ambientes que vou e das imagens Aquele que tem poder de transformação, que crio. Não sei o que me trouxe que consegue dar passos consistentes, mais satisfação, mas olhar para evoluindo nos aspectos mais essenciais, é o tempo e ver que preenchi boa bem aventurado. parte dele fazendo o que gosto é Temos que ter sempre em mente que o algo muito especial. São muitos tempo é rei e tudo pode acontecer em momentos inexplicáveis que já vivi. qualquer momento. Aquele que está no


Arte de Rua

Estudio das bandas Krikka Reggae e Esquelito / Bernalda - Itália

fundo do poço pode estar no topo e viceversa e isso não faz com que um ou outro seja melhor, pois melhor estará quem estiver em paz consigo mesmo e com o próximo, atraindo o respeito de pessoas que não tem interesse em o que você tem ou o status que carrega. Com base em tudo isso e com disciplina, foco, trabalho e humildade podemos alcançar e construir bons lugares. É preciso estar atento às oportunidades, se capacitar e estabelecer relações que promovam possibilidades reais de atuação. - Desde que você começou até os dias atuais o que mudou e o que continua na arte de rua? São centenas de fatores que indicam mudanças, fatores evidentes e subjetivos que extrapolam o meu entendimento. O que vejo é que a discussão de graffiti e arte de rua são paradoxos, a própria utilização dos termos é polêmica. Não existe uma linha de pensamento em comum entre os próprios artistas, e quem dirá entre pesquisadores. O que não muda de fato são as verdadeiras raízes, independente de opiniões. A real da essência, o bombardeio, o ilegal, continuam vivos, a resistência não morreu. Mesmo com toda opressão e tentativa de institucionalização ainda existem aqueles que preservam a cultura

dentro da sua tradição, a disputa por espaços, a existência de crews. Por outro lado o assunto é muito abrangente. Atualmente a arte nas ruas tem mais aceitação. A discussão e difusão são mais amplas, extrapolaram a proibição. Eu poderia citar dezenas de fatos aqui como a facilidade de comunicação e de se obter informações, o avanço na indústria, o acesso e a qualidade dos produtos, a inserção da temática em diversos meios, a absorção por parte do mercado da arte e por aí vai. Hoje um escritor de graffiti pode desdobrar sua atuação para um campo profissional onde se emprega toda linguagem das ruas em outras possibilidades. A arte das ruas é espelho pra uma molecada e abre portas, hoje um artista tem seguidores e sua conduta é referência pra um monte de gente. É bom ver a galera das ruas vivendo de arte. Torço para que a essência continue sempre firme e que outras portas se abram dando poder de escolha pra quem quiser seguir o que acredita. Porém é necessário saber distinguir as coisas.

Encontro com escritores de Bucaleto - Potenza / Itália

opinião? Eu admiro. Pra mim sempre foi uma expressão natural desde adolescente. A maioria se preocupa em dividir graffiti e pichação, e essa é outra questão polêmica. Pra mim é tudo tinta na rua. O espírito do graffiti é o tag. Minha opinião é a sigla da minha crew, Bombardeio Constante. O fenômeno está aí, não dá pra segurar, tá no sangue do homem. Eu acho espetacular muita coisa que vejo. Pra mim não se resume no ato de fazer qualquer coisa na rua, envolve a disposição, a composição, a constância, a tradição, a técnica, o estudo da parada, muitos dedicam a vida por isso. A escrita das ruas é o que mais me chamou e continua me chamando atenção nas ruas. É um fenômeno cultural fascinante e muito valor pra cultura urbana.

- O que um bomb representa para você e para o universo do Graffiti como um todo? Difícil traduzir isso em palavras. O bomb representa uma tradição e diz respeito a vida de muitas pessoas de todo o mundo, defende um direito de liberdade de expressão e de manifestação artística livre e espontânea. É o que mais me motivou nessa trilha de mais de 15 anos de graffiti. Muito suor, adrenalina e tinta na pista, - Quanto à pichação, qual sua só quem compartilhou dos momentos 53 Noix por Noix /2013/1ªedição


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Foto: Ricardo Villar

“O Peixe- Fio é uma representação do homem que assume diversos aspectos. Na maioria deles com olhos de coração, sugerindo que devemos olhar o mundo com uma visão amorosa, não romântica, mas pautada nos valores da fraternidade, respeito e união entre os seres e as formas de vida. Já a outra série que intitulo de “ Fragmentos de nós ” representa pessoas e animais com traços simétricos, fragmentadas como se fossem estilhaços.”


Arte de Rua

Show com Mc Nero, Dj Lastletter + ExnihiloCrew / Tito - Itália.

sabe o que realmente passamos. Foram muitas situações que as pessoas nunca vão fazer idéia. O tempo é rei e por tudo que passei, hoje sei respeitar o amor que sinto por tudo isso, minha trajetória me faz respeitar o rolê de outros manos também. Quando você dedica sua vida pra alguma coisa, desfruta de vitórias e derrotas, deixa família em casa pra pintar, se envolve em desacertos e sobrevive, passa a refletir mais nas coisas. Sei que não importa o que aconteça em todas fases da minha vida depois de iniciar sempre continuei viciado nisso. Parafraseando Sabota, o bomb é compromisso, não é viagem. - Como você conseguiu distinguir sua vida profissional com a vida que arte de rua te exige? Nunca consegui separar as coisas, acaba ficando tudo misturado, uma coisa leva a outra. Mas hoje tento respeitar o tempo que cada momento exige, estou tentando me preservar mais e focar nos objetivos. mas sempre envolve riscos né. - O que o Graffiti já te deu e o que ele já te tirou? O graffiti me deu acesso a um universo que talvez eu não ia conhecer em outros corres, meu deu chaves pra liberdade de correr os asfaltos, ver a cidade com outros olhos, hoje eu olho pras ruas e me vejo nelas. Ganhei amizades verdadeiras, atravessei fronteiras geográficas, mentais e espirituais. Ele me abriu portas e fechou também. O que ele tirou de mim 56 Noix por Noix /2013/1ªedição

eu nem sei, mas reflito que me tirou de dentro de casa em muitos momentos que eu podia estar com a minha filha e minha família. O tempo passa rápido. Acho que estive presente nas ruas e ausente em casa em momentos que eram importantes pra quem eu amo e me ama. - Qual seu objetivo dentro do Graffiti? Minha intenção é evoluir em todos os sentidos e aspectos. Os objetivos mudam, hoje quero me libertar de tudo que me atrasa, andar pra frente sem me preocupar com coisas mesquinhas. Tento estar por inteiro na minha arte, me descobrir dentro dela, encontrar minha verdade. O que vier disso é lucro. - Qual pior erro para um grafiteiro? Posso falar de mim, meus maiores erros foram me preocupar com tudo aquilo que não me adiantava em nada, carregar pesos desnecessários. Porém não me arrependo, pois pela prática adquiri parâmetros de discernimento. Por muito tempo também dediquei meu tempo e suor por pessoas que não estavam nem aí pra mim, só me viam como número, hoje meu esforço não é mais por esses. - O que você diria para os que

Obras de Ficore em exposição na Inglaterra, as telas fazem parte da mostra do Projeto U-NEEK do Festival Espírito Brum.

estão começando agora? Que a luz divina os inspire e lhes proteja sempre para dedicarem seu tempo para crescerem no que realmente importa. - Conte sobre sua experiência na Europa. Foram dois meses e meio de atividades intensas. Quinze dias na Inglaterra, depois Itália. Entre palcos e ruas, amizades especiais e muitas conquistas. Fui selecionado pelo Festival Espírito Mundo e corri bastante aqui no Brasil pra viabilizar minha ida. Larguei trampo pra trás e me joguei pra viver meu sonho. Lá fiz vários rolês, exposição, pinturas e shows, interagi com diversos artistas da Europa e do Brasil que também foram pra lá. Fiz uma grande família. Profissionalmente rendeu coisas incríveis, fiz uma residência artística com o grande artista urbano Martin Hoakser na Inglaterra pelo festival Espírito Brum, onde pintamos dois murais, além de participar de uma expo coletiva. Na Itália participei do festival Brasilicata Tour, quando passei por várias cidades. Somando os públicos foram mais de 10 mil pessoas. Tive um mural tombado como Patrimônio Cultural na cidade de Spinoso, fato que nunca tinha imaginado na vida. Colei com irmãos responsa do Hip Hop de Potenza: ExnihiloCrew, DjLastLetter, Nero Mc, Purê Croquete, Macro Pêpe, Simone Ilovetu, CSR CREW que virou crew aliada da BCL. Fiz vários shows com Nero e LastLetter e Dj Liam e dessa união surgiu o convite pra gravar participação no novo disco do Nero. Fato que gostei muito também foi ter ministrado oficina


foto: Leandro Recoba

Arte de Rua

Bomb , Serra Espírito Santo 2013

de 13 dias pra jovens escritores de graffiti no Centro Cultural Cecilia, em Tito Scalo. No sul da Itália foi muito bom, conheci os amigos da banda Basiliski Roots, que são irmandade pura. Tocamos na cidade deles em Satriano em um festival fantástico. Alguns shows que fiz foram com colaboração especial da banda capixaba Cidade do Reggae, que também estava participando do festival e me deu uma grande moral tocando músicas minhas para que eu pudesse me apresentar também. Tocamos no tradicional Festival Pollino Music Festival organizado pelo grande produtor Nico Ferri com um público de 4 mil pessoas, onde abri o show do AfricaUnite, banda respeitada na Itália. Além disso ainda participei do Metaponto Beach Festival dentro de um castelo em Metaponto onde pintei um trampo em um

In Itália - homenagem aos amigos do AMAZONICA que participam do Festival Espírito Mundo / Brasilicata Tour.

tecido e cantei com grandes nomes da cena italiana na Meridional Reggae Reunion. Castelo lotado, vários cantores em uma jamsession de quase 2 horas de duração comandada pela BandaKrikka Reggae. Quero voltar logo, a receptividade do público da Itália foi incrível. Fiz um role também em Bolonha na casa do amigo Deco Rabiscando de BH, que mora lá e me inseriu na cena da cidade. Fizemos vários trampos e pintamos em um Centro Social chamado XM24 que tem pintura do Blu, famoso artista de rua italiano. Momentos muito especiais, agradeço a todos que me ajudaram sempre. - Deixe um recado para os leitores da Noix por Noix. Gratidão a todos vocês, desejo evolução espiritual para todos. Que possamos nos

Trabalho em andamento Vitória ES

enxergar no próximo, plantar e colher valores que nos unam. Preserve a natureza e dê valor a cada segundo de suas vidas, o hoje é a outra chance que pedimos um dia.§

POLLINO MUSIC FESTIVAL - Itália 2013

contato fanpage: facebook.com/ficore

Flickr.com/irantattoo

iran.os@hotmail.com 3376-5879 / 9239-0170

R. Carlos Eduardo Monteiro de Lemos, 262 57 Noix por Noix /2013/1ªedição Shopping Jardins, Jardim da Penha


Por Mariana Perim

Escola de Rima "conhecimento por meio do hip hop"

“Após o lançamento do seu primeiro álbum, em 2007, André, mais conhecido como Mc Adikto, professor de Geografia, começou a ter seu trabalho musical cobrado pelos alunos em uma de suas aulas. Receoso por estar diante de um ambiente tão formal quanto a sala de aula, Adikto desenvolveu, então, o projeto Escola de Rima, responsável por inovar o método de ensino, além de acolher e dar espaço a jovens talentos do movimento hip hop na Grande Vitória.

A

rte, cultura, educação e muito, muito hip hop. A mistura resulta na essência da Escola de Rima, projeto realizado uma vez por mês na Escola Estadual de Ensino Médio Gomes Cardim, no Centro de Vitória. O evento reúne grandes nomes do movimento, além de abrir espaço para quem está iniciando a caminhada, revelando novos talentos a cada edição. O projeto foi idealizado há mais de três anos pelo professor de geografia André Martins, o MC Adikto, diante do grande índice de evasão escolar enfrentado na rede pública de ensino. Com a intenção de estimular a leitura e o aprendizado por meio da

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cultura, Adikto passou a usar rimas em sala de aula, criando, inicialmente, uma metodologia de ensino mais atraente para os jovens.

“Eu sou professor e, quando a gente passa na biblioteca, praticamente ouve barulho de grilo. Percebo que as pessoas têm dificuldade em ler, em se informar e isso não é problema só de uma determinada idade”, diz.

A partir desta ideia, a escola passou a abrir os portões

periodicamente à comunidade, com a intenção de oferecer alternativas ao público jovem local. Dentro do evento, é realizada a Batalha do Vocabulário, disputas de freestyle baseadas em algum tema pesquisado aleatoriamente no dicionário momentos antes do embate. “É uma forma de trabalharmos a questão da rima, do conhecimento. Estimulamos cada um a adquirir hábitos de leitura. O meu trabalho em sala de aula e o rap que eu faço estão lado a lado. Eu acho que um ajuda o outro. Na Escola de


Fotos feitas no dia 5 de Outubro de 2013. Rima, quem está envolvido na batalha aprende, assim como quem está ouvindo. O público ganha e os MCs também ganham”, ressalta Adikto. Nas edições com “ensaio aberto”, os grupos locais encontram espaço livre para apresentar os trabalhos e expressar as próprias produções, trocando experiências com integrantes da velha e também da nova escola, enriquecendo as relações no movimento. Com representantes de todos os pontos da Grande Vitória e às vezes até mesmo de outros estados, os quatro elementos - break, graffiti, DJ e MC - são exaltados

Mc´s disputam a batalha do vocabulário.

em tardes de muita troca de conhecimento e, sobretudo, de crescimento e celebração ao movimento hip hop. Pela escola, já passaram os DJs Jack, LDFli, Bruno Makaa, Jone BL e WC Beats. Também já marcaram presença graffiteiros como Ficore, Fredone, Giu, Kika, Iran, Starley, Hero, e vários outros artistas ‘da rua’. Faça sol ou chuva, a cada edição o público marca presença, mostrando que o hip hop, com seus quatro elementos, é

ferramenta primordial quando o assunto é derrubar barreiras, unir, agregar e revelar talentos. Muito além de uma proposta de evento, a Escola de Rima destaca o lado social do movimento, mostrando que o, “Espírito

Santo não fica atrás de outras grandes cidades brasileiras quando o assunto é gente talentosa”,

com força de vontade e empenho em ensinar e aprender.#

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SÓ DE ROLÊ SÓ DE ROLÊ É UM ESPAÇO DESTINADO PARA A GALERA QUE CURTI AQUELA FOTINHO DE EVENTOS, E A NOSSA TURMA NÃO PODE DEIXAR DE REGISTARAR ESSES MOMENTOS INIESQUECIVÉIS. A CENA DO HIP HOP CAPIXABA NÃO PARA, E NESSES TRÊS MESES ROLOU MUITA COISA. A NOIX POR NOIX PRESENCIOU NADA MAIS NADA MENOS DO QUE O RACIONAIS MC´S, O ESCOLA DE RIMAS E A REINAUGURAÇÃO DO CENTRO DE REFERÊNCIA DA JUVENTUDE DE VITÓRIA.

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curte ai Livros + Musicas + Videos “O Hip-Hop Está Morto!” Sinópse

Este é um livro de ficção com drama verdadeiro. Neste romance de estreia de Toni C., o leitor terá contato de maneira quase autobiográfica com o Hip-Hop! Narrado em terceira pessoa, com uma linguagem informal e com o ritmo de um bom Rap. A obra cumpre a tarefa de levar a história do movimento Hip-Hop no Brasil e suas influências internacionais ao público em geral. O texto traz elementos adicionais até para os mais aficionados. Mas também é um excelente “guia introdutório” para quem quer descobrir mais sobre esta cultura. A obra ainda traz 28 fotos de grandes ícones da história do HipHop brasileiro.

“ D M N ”

O DMN surgiu em 1989 quando quatro pessoas envolvidas em batalhas de rimas em São Paulo reuniram-se para dar origem a um grupo. Markão II, Elly, Max e DJ Slick, que estão juntos há 24 anos fazem parte da história do RAP no Brasil. Com 4 álbuns lançados e um DVD ao vivo, o consagrado grupo DMN volta a dar as caras este ano de 2013. DMN, hoje lança o novo álbum intitulado “DMN – 9 Anos Depois – Epilogo, Vol I”. Com 16 faixas, o disco foi gravado e mixado no Estúdio Operante por DJ QAP e a masterização ficou por conta do especialista GrandMaster Duda, “O Complô”. 62 Noix por Noix /2013/1ªedição

“Um

Bom

Lugar”

Sinópse Sabotage é um artista que reúne a rara combinação da fineza e simplicidade de um papel de seda. Na seda bolava, acendia as ideias, compunha frases soltas e via surgirem seus versos. Filho de dona Ivonete e seu Júlio, era irmão caçula de Paulinho e Deda. A esferográfica o atraía mais que a bola no campinho na favela do Canão onde cresceu. Casou com Dalva, teve três filhos: Wanderson, Tamires e Larissa. Viveu em meio à criminalidade e a fama, o descaso e o sucesso. Rap é Compromisso, de 2001, seu único disco em vida, é um marco para o Hip-Hop brasileiro. O Rap ele misturou com Samba, Rock, Eletrônico, gravou músicas ao lado de Charlie Brown Jr., Sepultura, Thaíde, RZO, Black Alien, BNegão, Rappin Hood, entre muitos outros. Atuou nos filmes O Invasor e Carandiru e colecionou prêmios. Foi violentamente assassinado em 2003 no auge de sua carreira. Dez anos depois, ressurge em filme, disco, quadrinhos, e nessa biografia, só para provar a frase que junto com ele se eternizou: “Rap é Compromisso, não é viagem!”

“Bnegão & Sele-

tores De Frequência Sintoniza Lá”

A mistura explosiva de Hip-Hop, Ragga, Dub, Jazz, Samba, Soul, Funk Carioca e Rock promovida pelo rapper Bnegão e sua banda, os Seletores de Frequência, vem causando bastante impacto no Brasil e no exterior, atraindo um número cada vez maior de ouvintes pelo planeta. Agora, o grupo liderado pelo ex-rapper do Planet Hemp vem mostrar sua sonoridade única no álbum “Sintoniza Lá”. Com 11 faixas e participação especial da cantora Céu em “Alteração (Éa!)”, o disco não vai deixar ninguém parado na pista. É só sintonizar!

“Dança

de

Rua”

Sinopse O livro “Dança de Rua” vai além de um título, é arte, é cultura que nasce nas ruas. Vai além de um simples manual sobre “Aprenda a dançar Hip-Hop”, envolve arte, cultura e história de muitas vidas que se transformaram. Estuda uma das maiores manifestações culturais, que influenciou e influencia a juventude do munto inteiro, o Hip-Hop. Apresentar pessoas que nunca imaginaram percorrer o mundo, mostrando uma cultura que nasceu em um bairro pobre, nos Estados Unidos da América, espalhando-se por todo o país e para fora dele. Pessoas que se dedicaram em demonstrar que os guetos eram e são um depósito de talentos. Conheça a cultura e apaixone-se, dance... Márcio Santos (Rapper, advogado, assessor especial de projetos para HipHop da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo).

“DVD Cruel“

Realidade

O grupo Realidade Cruel lançou esse ano o seu primeiro DVD. Com 19 faixas, o DVD foi gravado na Quadra da Peruche em SP durante o Gangsta Paradise 3.Com participações especiais de: DEXTER, NICÓLE, DBS, GREGORY, MOYSÉS A286, EDUARDO E DUN DUN (FACÇÃO CENTRAL), DU IC e YZALÚ Produção Executiva: Douglas, DJ Bola 8 e Mauricio DTS. Diretor Geral: Erick 12.

Curti ai é um espaço reservado para os colaboradores , indicarem um livro, um cd ou um dvd que gostam, lançado recentemente ou antigo. colabore e faça parte das nossas edições, todo material utilizado nessa pagina, a fonte é da internet.


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Revista

NN

POR

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OIX

Revista Noix Por Noix #1  

Produzida de forma independente, a Revista Noix por Noix é uma publicação trimestral que tem a intenção de divulgar a arte, a música, a danç...

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