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Agenda Cultural

Por: Djenane Arraes | Fotos: Divulgação

Lenda em evolução

Bob Dylan vai mostrar em Brasília canções cuidadosamente desenvolvidas ao longo de mais de 50 anos de carreira

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ob Dylan foi o maior símbolo da música folk de cunho político da década de 1960. Em clássicos como Ballad of Donald White, Like a Rolling Stone e Master of War, ele criticou a sociedade e a política estadunidense. Ato de coragem numa época em que o mundo estava em ebulição. Mas não é este Bob Dylan a que o público brasiliense vai assistir no dia 17 de abril, no Ginásio Nilson Nelson. O artista que estará no palco não é mais aquele ícone, mas sim uma lenda viva da música internacional que tornou-se maior do que o movimento que integrou no início da carreira. O artista que faz turnê em cinco capitais em 2012 há muito tempo não se dedica exclusivamente ao violão. Deixou de ser um purista do folk desde 1965, na ocasião do lançamento do disco Bringing it All Back Home. Para algumas pessoas, a introdução da guitarra elétrica foi uma traição ao movimento. Para Dylan, introduzir um pouco de eletricidade na música dele foi um resgate às origens e o início da evolução também como instrumentista. Ele acredita que a evolução da música está associada ao palco. É ali, ao vivo e no calor da plateia, que a música evolui. Por isso é que o brasiliense não deve ir ao show pensando em assistir versões fiéis de clássicos. Dylan pode surpreender e mostrar uma versão diferente.

Origens Assim como aqueles que viveram a adolescência na década de 1950, Robert Allen Zimmerman adorava rock. Era fã de Elvis Presley, Buddy Holly e do bluesman Muddy Waters. Essas pessoas inspiraram o jovem Bob a montar uma banda e, consequentemente, sair a tocar em bares,

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praças e onde mais o aceitassem. Foi nessa lida que o Zimmerman virou Dylan, nome que adotou em homenagem ao poeta Dylan Thomas. Apesar do apreço pelo rock, foi o folk, mais precisamente o cantor Woody Guthrie, que o levou a Nova York. Entre as ruas de Greenwich Village, reduto de cantores de blues e de folk, ele começou a apresentar canções críticas e de protestos genais. O sucesso chegou com o The Freewheelin’ Bob Dylan. Lançado em 1963, o disco era marcante desde a capa. Bob aparecia abraçado com a então namorada e musa inspiradora, a artista e ativista Suze Rotolo. A fotografia foi tirada por Don Hustein e mostra o casal caminhando pela West 4th Street, em Greenwich Village, apenas a alguns metros do apartamento que o casal dividia. A primeira faixa do disco foi nada menos do que Blowin’ in The Wind, um hino ativista regravado por centenas, inclusive por Joan Baez. Bob Dylan ganhou status de deus do folk. Mas ele não estava tão interessado assim em manter uma condição que por si só era limitante. Daí a introdução da guitarra elétrica, apesar de todo o barulho acústico, e a preocupação desde cedo em aprimorar-se artisticamente. Lá se vão mais de 50 anos de carreira e 56 discos de inéditas e compilações. É um trabalho impressionante desenvolvido por uma lenda viva que o brasiliense terá a oportunidade de assistir. Não dá para perder. Serviço Bob Dylan em Brasília 17 de abril às 21h30 Ginásio Nilson Nelson Ingressos: de R$ 120 a R$ 250


Bob Dylan em Brasília