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Revista de Ilustração, Arte e Design


Publicação Fotografica


Por: Diogo Costa // Fotografia: Hugo Delgado

HUGO DELGADO jovem fotógrafo bracarense. trabalha para LUSA e faz parte de uma agência fotográfica da cidade de Braga, a Wapa. A sua carreira começou depois de ter realizado um curso profissional e uma licenciatura em Fotocomposição. A partir daqui surgiu logo um convite do Jornal de Notícias, para o qual começou a colaborar directamente de Braga. Este foi o ponto de partida da sua evolução profissional como fotógrafo. O gosto pela fotografia surgiu a Hugo Delgado dentro de portas. Desde cedo que o convívio com o seu pai, fotojornalista de profissão, o fez idealizar a fotografia como uma profissão para o seu futuro. Neste sentido, a fotografia é, para o fotógrafo, “o “congelar” do momento, quer ele seja repetível ou não”. É o poder mágico e criativo de decidir o que “posso ou não fazer com que as pessoas vejam”. Hugo Delgado teve inúmeras expe riências noutros países, entre os quais África, Ásia, Europa e América Latina.


viagens! O próprio nos confessa que tem a sorte de fazer o que gosta: viajar muito! Conta-nos, então, na primeira pessoa, uma das peripécias que viveu, numa das suas viagens de trabalho, que proporcionam sempre momentos menos bons mas também episódios curiosos… “Bem, são imensas, coisas boas, coisas más - mas tento só recordar-me dos melhores momentos das reportagens que faço. Uma altura em África, mais concretamente em Ocua, Moçambique, eu e um meu colega jornalista fomos jantar a uma Missão Católica. Lá habitava uma Irmã, já com alguma idade, que nos preparou umas iguarias para o jantar. Na mesa estavam já duas cestas, uma com uns cubinhos de cana-de-açúcar e outra com uma espécie de palha, uns fios fibrosos. Entretanto, enquanto o jantar não estava pronto, e a Irmã foi à cozinha, eu e o meu colega chegamo-nos para junto da mesa. O meu colega disse que aquilo era cana-de-açúcar, mas não sabia o que era a dita “palha”… Estava na hora de experimentar! Pôs então aquilo à boca e disse: “- É doce!” E lá continuou a mascar aquilo. Eu, que sou mais desconfiado, fiquei apenas a observar...

Entretanto entrou a Irmã e disse: “- Ah, então, já estão a comer, muito bem... Vou-lhes explicar como é que isto se come”. Começou então a explicar que se pegava na cana-de-açúcar, que se mastigava, que se dava uma “voltinha” com a língua e que se cuspia para o outro cesto... O meu colega, com a boca cheia de palha (que já havia sido mastigada pela senhora) ficou branco! A mim, escorriam-me as lágrimas de tanto rir, e ainda hoje sempre que nos encontramos falamos da “voltinha”. Esta é uma das histórias que nos trazem as mais engraçadas recordações….”

reportagem hugo delgado


marrakech


Retratos Uma das grandes características do trabalho de Hugo Delgado é o seu gosto pelos retratos. O fotógrafo tem uma grande colecção dos mais variados cantos do mundo. De seguida apresenta-se uma série deles, nomeadamente das suas viagens a África.


A nível profissional, a sua experiência em publicações periódicas tais como o Público, o Comércio do Porto, 24 Horas, Record e Courrier Internacional influenciaram de alguma forma a sua postura como fotógrafo. O próprio afirma que “todos os dias tento ser melhor, não melhor que alguém, mas melhor que eu mesmo… e o melhor neste momento passa pela abordagem que temos perante um tema e como vamos passá-lo para as pessoas. Costumo dizer “eu serei os olhos de muitas pessoas” pois é através das nossas fotografias que transportamos o leitor até ao sítio onde estivemos a fotografar. As pessoas habituaram-se a ter facilmente imagens de zonas complicadas, e muitas vezes se esquecem de que, para que aquelas imagens estejam ali no jornal ou na TV, houve alguém que esteve no terreno a passar dificuldades para as fazer chegar à redacção. Para Hugo Delgado, hoje em dia já são poucos os fotógrafos que o inspiram, não deixando contudo de ter presentes como pontos de referência (ou interferência) nomes como Bresson, Robbert Cappa, James Nachtwey, Sebastião Salgado, Alfredo Cunha, bem como o próprio pai, José Delgado, “que embora, em momentos diferentes da minha carreira, me marcaram de uma forma positiva”.

menina africana fotografada por hugo delgado

Gostava de saber mais? Para saber mais e obter mais informações sobre o fotógrafo consulte:

olhares.aeiou.pt/puni wapaphoto.com


Arte e Ciência de Mãos Dadas

Ilustração científica

Ilustrado por George L. Venable. Desenho de 1992. Software Usado: Adobe Photoshop Versão 2

Entrevista com o desenhador e biólogo Pedro Salgado, vencedor de inúmeros prémios nacionais e internacionais na área da Ilustração e da Biologia.


A revista Shapemind agradece ao jornal “Ciência Hoje” pela sua disponibilidade em fornecer a entrevista. Foram uns habitantes de Lisboa em particular, os peixes, que deram um reconhecimento internacional a Pedro Salgado. Biólogo, descobriu que o seu gosto pelo desenho poderia ser potenciado numa actividade científica e, numa crise de vocacional, acabou por enveredar pelo desenho científico. Uma área ainda pouco divulgada em Portugal, mas cujos profissionais são reconhecidos num mundo globalizado. Um deles o próprio Pedro Salgado, que desenhou o Big Fish – um ictiossauro referenciado na Grã-Bretanha – para a National Geographic sem sair de Lisboa, contactando com o editor em Washington e o paleontólogo na Escócia.

Como decidiu partir para o desenho científico, havia alguma relação com o seu trabalho, foi antes de decidir o curso ou depois? P.S. - Eu gostava muito de desenhar em miúdo, mas quando chegou a altura de decidir os meus estudos, optei pela Biologia, em especial a Biologia marinha – lembro-me que sempre tive uma paixão pelos peixes. Formei-me em Biologia e fiz investigação científica durante quatro anos, mas o desenho nunca foi abandonado e, pouco depois de uma crise vocacional, decidi juntar ciência e arte e fui estudar ilustração científica para os EUA. Como foi essa experiência? P.S. - A experiencia nos EUA foi fantástica. Aprendi muito com grandes profissionais, conheci gente incrível, trabalhámos a um ritmo elevado e bem dirigido para o profissionalismo.

A melhoria das condições de trabalho na área da ciência em Portugal também se nota no caso do desenho científico? Estou-me a lembrar dos vários programas e projectos entretanto criados (centros Ciência Viva, património natural, parques naturais, etc)? P.S. - Quando voltei para Portugal, a ilustração científica era pouco mais que uma curiosidade, quase novidade, mas pouco a pouco foi fazendo sentido para diversos interlocutores, como os que refere, como forma de expressão artística vocacionada para comunicar ciência. As ilustrações criadas por artistas sem conhecimentos científicos são, muitas vezes, incorrectas ou imprecisas para o efeito, e também é necessário maior esforço de comunicação entre cientista e artista. Nesse aspecto, há mais informação e mais opções, consoante os projectos. Tem havido melhorias.

Serigrafia de Pedro Salgado


Os trabalhos que fez para a Expo'98 são citados várias vezes, pode explicar-nos como surgiu essa possibilidade e em que consistiu esse projecto? P.S. - Os calendários com os peixes do Tejo para a Expo’98 foi um dos projectos mais gratos que fiz até hoje. No essencial, escolhi doze espécies de peixes existentes no estuário da cidade de Lisboa como se se tratasse de mostrar outros “habitantes de Lisboa”, escrevi uns pequenos textos sobre a biologia de cada um deles e dediquei cerca de um ano, a tempo inteiro, a fazer os doze desenhos. São ilustrações a tinta da china, muito rigorosas, na tradição das sofisticadas gravuras do século XIX. Seis destas ilustrações ictiológicas (de peixes) foram premiadas em exposições internacionais. Comecei a fazer as ilustrações para Oceanário dois anos antes da inauguração EXPO’98), colaboração que se mantém até ao presente. Estas foram concebidas para os painéis de identificação dos peixes, que se encontram ao lado dos tanques. Foram realizadas em aguarela, são menos complexas, mais naturais e com outros objectivos.

Desde a Expo que os locais onde que celebram a ciência natural, e sobretudo a marítima, tem surgido pelo país (do Minho ao Algarve, passando pelo Fluviário ou pela Aguda). São possíveis clientes de uma actividade que parece ter pouco mais do que um nicho num país pequeno? P.S. - Os locais onde se celebra a ciência natural serão sempre potenciais clientes, mas não necessariamente os únicos. Podemos, por exemplo, trabalhar para um centro de investigação produzindo imagens numa linguagem muito especializada ou criar ilustrações para educação ambiental, desde a sinalética aos painéis de interpretação. Também para o mercado editorial, ou mesmo produzir ilustrações que se afastam da ciência, por opção ou necessidade. Na prática, um ilustrador científico dispõe de um considerável domínio de técnicas de ilustração (tradicionais e digitais), o que lhe permite uma boa capacidade de adaptação a outros projectos de ilustração.

Olho de Zeus, de Pedro Salgado

Mas isso não significa que haja necessariamente mercado, será por falta de fundos, das entidades que poderiam trabalhar com desenhadores de ciência ou falta de conhecimento (ou até de marketing, quem sabe)? P.S. - Sim, há ainda bastante desconhecimento e também falta de fundos. Esperemos que ambos os problemas se possam ir resolvendo, com algum optimismo e atitude positiva. Quanto ao marketing, porque não?


Ilustração Científica realça pormenores interessantes. Qual é a grande diferença entre a fotografia e a ilustração científica? P.S. - A fotografia reproduz a realidade, o indivíduo. A ilustração científica reproduz o “indivíduo modelo”, o representante da espécie. Além disso, interpreta, faz a reconstrução de partes danificadas ou omissas e omite partes sem importância. Codifica transparências, esquematiza estruturas, simplifica. A ilustração científica permite-nos “ver” seres já desaparecidos, espécies e paisagens de há milhões de anos, do universo e de futuros possíveis. A fotografia é indispensável para o trabalho do ilustrador científico, seja como material de referência ou como ponto de partida para uma imagem com tratamento digital. O desenho científico é uma actividade que requer uma formação equilibrada em ciência e arte. Quando uma destas facetas é frágil, o desenho dificilmente terá o rigor e a qualidade gráfica adequada a um nível profissional. Um ilustrador poderá fazer desenho científico

sem se interessar e documentar pela ciência associada a cada projecto; um cientista poderá fazer desenho científico se se interessar e dominar instrumentos de expressão plástica, tradicionais e digitais. A divulgação lá fora do trabalho feito por portugueses pode ser um caminho? Pelo que percebi na pesquisa, há portugueses a trabalhar para fora e portugueses que trabalham nesta área lá fora... P.S. - Em Portugal, temos pouco mais de uma dúzia de profissionais da ilustração científica, na generalidade de nível internacional. Também temos outros profissionais de diferentes áreas, com formação em ilustração científica que realizam projectos, ocasionalmente. E, como em outras profissões, temos ilustradores portugueses a trabalhar para o mercado nacional e também para o mercado internacional. Hoje, é possível ter uma boa comunicação com entre as partes de um

projecto, em tempo real, e podese estar a trabalhar com um editor ou um director de arte, a cinco mil quilómetros de distância. Por exemplo, há cinco ou seis anos, fiz umas ilustrações para a National Geographic Magazine americana e tenho um arquivo de centenas de desenhos, referências, artigos e comentários que foram realizados e trocados, por email, em trio - eu, o editor e o especialista do peixe extinto em questão. Trabalhámos juntos durante alguns meses, mas nunca nos vimos. Eu estava em Lisboa, o editor em Washington e o paleontólogo estava na Escócia.


Desenho do Big Fish Como surgiu essa oportunidade? P.S. - O “big fish” – um peixe de mais de 20 metros, o maior que alguma vez existiu, extinto há 160 milhões de anos – foi o protagonista de um artigo da NGM, para o qual foi necessário fazer uma ilustração original. Só havia duas ou três representações, já desactualizadas. Contactaram-me porque tiveram conhecimento do meu trabalho com desenhos de peixes, sobretudo para

o Oceanário (que foi construído por americanos, com quem trabalhei antes). E como trabalhavam? Por e-mail. Do lado do editor recebia instruções em termos de formato, composição e direcção de arte. Da parte do especialista recebia referências, descrições, esboços do peixe e acompanhamento nos estudos de morfologia para salvaguardar o rigor

científico dos meus desenhos. Tinha de chegar a uma ilustração interessante para o editor e correcta para o ictiopaleontólogo. Um compromisso. Claro que quando se descobrirem fósseis mais completos do "big-fish" serão popostas novas versões, diferentes da minha, actualizadas.

Big Fish no seu ambiente natural.

Cienciahoje.pt

Jan 2009 por Filinto Melo


Peixes da Madeira Trabalho desenvolvido por Pedro Salgado


Por: Diogo Costa Fotografia: Ângela Berlinde

ângela berlinde entrevista à fotógrafa bracarense. BIOGRAFIA. Licenciada em Direito pela Universidade do Minho em Braga, optou por uma carreira no domínio da Fotografia, tendo realizado, como bolseira da Embaixada Real dos Países Baixos, um mestrado europeu em Multimedia e Tecnologias na área da Fotografia Digital na Utrecht School of Arts, Holland. A sua obra foi inserida em várias exposições individuais e colectivas e publicou uma obra de Fotografia e Texto sobre a India portuguesa e sobre os retratos pintados dos indios Brasileiros. Como dissertação de mestrado, estudou as comunidades indígenas do Estado de Amazonas e Ceará, um estudo antropológico e imagético sobre a identidade indígena. Em paralelo colaborou como docente na Faculdade de Comunicação e Imagem da Grande Fortaleza-Brasil nas áreas de Fotografia e Estética de Arte. Prepara Doutoramento em Fotografia e Estudos Artísticos na Universidade Federal do Rio de Janeiro em cooperação com a Universidade do Minho. É professora assistente no Curso de Artes Visuais-Fotografia da Escola Superior Artística do Porto e responsável em coautoria pela Direcção dos Encontros da Imagem desde 2004. entrevista ângela berlinde


Drag達o do Mar 2005


Onde e quando surgiu o gosto pela fotografia? AB: O gosto pela fotografia foi sendo revelado por influência do meu pai que, embora sendo professor utilizava a fotografia como suporte e como forma de expressão e comunicação. Desde a infância que fui sendo habituada a lidar com a imagem e o aparato fotográfico. O que é para si a fotografia? AB: A fotografia é uma forma de comunicação, nem sempre reveladora do real, mas sim resultado de uma experiência do olhar. É por isso uma linguagem. Um sistema de códigos, verbais ou visuais, um instrumento visual de comunicação. Ela não é uma cópia fiel da realidade fotografada, pois embora se tente apreender essa realidade em toda a sua amplitude, qualquer tentativa técnica é inútil, dado a fotografia descobrir outro tipo de visão, a visão fotográfica, dotada de gramática própria, estética e ética peculiar. Assim, a linguagem fotográfica é essencialmente metafórica. entrevista - ângela berlinde


“Fotografia, para mim, é o melhor jeito de aproveitar a vida” Thomas Farkas


De que forma é que iniciou a sua carreira como fotógrafa? AB: A fotografia foi-se afirmando ao longo do meu crescimento e aprendizagem como caminho paralelo à minha formação jurídica. A certa altura após a Licenciatura e ainda no âmbito do exercício da profissão de advocacia, já desenvolvia a fotografia de autor com algum método e reconhecimento, tendo realizado publicações, das quais destaco o livro de fotografia e texto sobre a India Portuguesa, o que contribuiu para a obtenção da Bolsa da Embaixada Real dos Países Baixo que me permitiu realizar o Mestrado em Fotografia na Utrecht School of Arts na Holanda. Depois do Mestrado, rapidamente fui inserida na Universidade do Porto enquanto docente na áreas da Fotografia, Projecto e Arte digital. Quais são os seus pontos de referência, ou seja, os seus artistas/fotógrafos de eleição que de alguma forma o inspiram? AB: Jeff Wall, Burtinski, Loretta Lux, Martin Parr, Erwin Olaf, Hellen Van Meen... Um lema de vida para si, frase ou citação preferidos? AB: Prestando homenagem a Thomas Farkas, grande fotógrafo da actualidade e que partiu recentemente, vivendo intensamente a sua obra e vida: “Fotografia, para mim, é o melhor jeito de aproveitar a vida”. A revista Shapemind agradece todo o apoio prestado pela fotógrafa Ângela Berlinde para o desenvolvimento desta entrevista. 2011. poço da draga, brasil

Poço da Draga, Brasil. (fotografias da pág 12 e 13 - Curiosidades)

O Poço da Draga é a favela mais antiga da capital do Nordeste Brasileiro e também uma das mais organizadas quando se trata de lutas pelos direitos e dignidade. Hoje é flagrante a resistência dos habitantes contra a especulação imobiliária que tenciona transformar a favela num imenso aquário para lazer turístico.


Drag達o do Mar 2005


Por: Diogo Costa // Fotografia: João Faraco

João faraco entrevista ao designer brasileiro. Designer Gráfico graduado na ESPM do Rio de Janeiro. É qualificado em comunicação visual, com especial enfâse no marketing. O jovem designer já se encontra no mercado desde 2006, primeiro na empresa PVDI Design, e mais recentemente na Tátil Design ( ambas do Rio de Janeiro). É co-fundador e escritor no blog “Caligraffiti.com.br”, um website que se dedica á partilha de material relacionado com o design, com o objectivo de oferecer inspiração aos artistas. O blog cita bastantes vezes software bem como tutoriais para elevar o nosso conhecimento em determinadas áreas. João Farraco também tem uma página pessoal: JoãoFaraco.com.br. Para a sua página costuma desenvolver tutoriais complexos na área da ilustração, motion design e animação.

Auto-Retrato do fotógrafo.


Fala-me um pouco do teu percurso, desde a entrada na ESPM-RJ à saída para o mercado de trabalho. JF: Eu entrei na ESPM por indicação da minha irmã, que já fazia o curso de Comunicação da faculdade, e me falou que eles tinham acabado de abrir o curso de Design Gráfico com Habilitação em Comunicação Visual e Ênfase em Marketing (sim, isso tudo é o nome do curso !). Eu já sabia que queria fazer programação visual, e não projeto de produto, então a ESPM me pareceu a opção perfeita, já que todos os outros cursos tinham módulos de projeto de produto, e permitiam que os alunos escolhessem em que se especializariam. Isso era 2004, e eu não sei se é assim mais. Meu tempo na ESPM foi muito bom, fiz bons amigos e conheci ótimos professores, e desenvolvi uma boa relação através de dedicação e interesse. O que, no início do meu 4º período em 2006, me rendeu uma indicação pro meu primeiro (e único) estágio em um escritório de design – a PVDI. Trabalhei lá como estagiário durante dois anos, e fui efetivado quando me formei. Ainda fiquei mais um ano como designer na PVDI, mas já estava querendo conhecer outros lugares, outras pessoas e outros projetos. Mostrei meu portfolio pros diretores de criação da Tátil Design, e em abril de 2009 fui chamado pra equipe como designer junior, onde estou até hoje, porém agora, como designer pleno.

Olhando assim, posso dizer que valorizar o seu tempo na faculdade é uma das coisas mais importantes pra que você seja impulsionado no mercado. Eu aproveitei a liberdade acadêmica, grudei nos professores e mantenho uma boa relação com eles até hoje, que eu considero um fator de segurança, caso um dia esteja precisando de qualquer ajuda profissional.

CDI - Transformando vidas através da tecnologia


Que tipo de projectos desenvolves a nível profissional? Trabalhas mais para impressão ou para suportes digitais? Quais gostas mais de desenvolveres? JF: Desde que entrei no mercado, procurei fazer os trabalhos do escritório, e também reservar um tempo pessoal pra fazer trabalhos por fora, pros clientes de minha escolha. Digo isso porque o que ganho formalmente já me sustenta, então o que faço por fora é sempre um bônus para o bolso e para o portfolio. Quando trabalhava na PVDI, fazia muito material impresso. Eles são um escritório bem tradicional, e o forte deles é esse. Especialmente editorial. Tive a oportunidade de trabalhar no layout de dois livros de arte, e em alguns projetos de identidade visual e materiais impressos em geral. A experiência foi ótima, mas serviu pra eu ver que editorial não é a minha praia ! Prefiro muito mais trabalhos digitais e de estratégia. Foi o que me colocou pra dentro da Tátil. Lá eu comecei fazendo material de ponto de venda para TIM (operadora de telefonia), mas como a variedade de trabalhos lá dentro é maior, logo viram meu interesse por motion, design digital ebranding. Participei de projetos como o redesenho das lojas da TIM no Brasil, a campanha da Tátil pra conquistar o prêmio Caboré, redesenho da marca da ONG CDI e recentemente participei do projeto da marca dos jogos olímpicos Rio 2016. Ainda faço trabalhos por fora, ainda pra servir de válvula de escape dos clientes do escritório, e também pra eu poder experimentar e aprender novas técnicas.

rio de janeiro, terra natal de joão faraco


Le Café - Cafeteria e Conveniência


Quão difícil é ser designer gráfico no Brasil? JF: Dizem que quem ama o que faz não precisa trabalhar nenhum dia da vida. Então quem ama o design pode trabalhar bem em qualquer lugar. Mas existem sim as dificuldades no Brasil, quanto ao mercado de design. Não sei como é em Portugal, mas a profissão de designer aqui não é regulamentada. Não temos tabela de salários, nem regras pra concursos e licitações, por exemplo. Basicamente, qualquer um que se chamar de designer pode ser um.

Design gráfico é uma área/profissão conhecida no Brasil? As pessoas sabem o que é, ou é o homem que faz o logo para a loja, ou cartaz grande da estrada? JF: O fato do design não ser uma profissão regulamentada aqui acaba prostituindo muito o mercado, e leva muitos clientes a abusarem do nosso trabalho, além de não conhecerem exatamente o nosso papel nos projetos. A cultura de design aqui ainda não é muito desenvolvida (apesar de que o protagonista da novela de maior audiência da Globo é um designer – não sei nem se isso é bom ou ruim para a profissão). Mas aos poucos isso vai mudando. Lembro que há 5 anos conversava com pessoas na rua e dizia que estudava design, todo mundo torcia o nariz sem entender direito. Hoje em dia pelo menos a palavra é reconhecida, e as pessoas têm um pouco mais de noção. Apesar de que a especialidade que vem à cabeça de todo mundo é sempre designer de interiores !

Como chegaste ao nível de domínio que possuis dos programas da adobe? JF: Desde antes de entrar na faculdade eu já era rato de computador, e queria conhecer todos os programas gráficos, apesar de não ter feito curso nenhum. Foi na ESPM mesmo que passei a conhecer os programas da Adobe como Photoshop, Illustrator e After Effects, e sabendo que pra começar a executar qualquer trabalho eu teria que saber mexer bem nos programas, continuei estudando através de tutoriais na internet, e experimentando na faculdade, sempre tirando dúvidas com os professores. No momento em que comecei a trabalhar, já dominava bem os programas, e isso contribuiu bastante para a minha evolução teórica, já que a ferramenta não era um obstáculo. Acho que o que me ajuda muito também, na hora de estudar os softwares, é estar fluente em inglês, e entender a lógica básica de softwares. Isso corta caminhos imensos, e torna o aprendizado e a experimentação muito mais fluidos.

trabalho realizado pelo joão Faraco para o “le café”


Website Calligraffiti De onde surgiu o projecto Caligraffiti? Quais são os vossos objectivos para o projecto? Que tipo de actividades desenvolvem? JF: O Caligraffiti surgiu de uma troca de emails entre eu e alguns amigos de faculdade, logo depois que havíamos nos formado. Nós éramos as duas primeiras turmas a se formarem em design na ESPM-RJ, e queríamos manter o contato, trocando referências e ideias, já que o am-

biente acadêmico não existia. A ideia de criar um blog pra ser esse ambiente pareceu perfeita, pois permitia que trocássemos essas referências e ideias entre nós, e tudo ficaria visível para o mundo também. O blog foi evoluindo, e até hoje serve de incentivo pra que estejamos antenados com o que acontece no mundo do design, arte e tecnologia. Ao mesmo tempo, consideramos o Caligraffiti como um coletivo de amigos designers, e de vez em quan-

do fazemos trabalhos para clientes, assinando como o grupo. Participamos também de eventos de design, como o N Design (Encontro Nacional dos Estudantes de Design) e o R Design (Encontro Regional dos Estudantes de Design) dando palestras e workshops pra ajudar quem está começando a mergulhar no universo do design. Isso fortalece a presença do nome no meio offline, o que leva mais interessados a continuar o contato conosco no meio online.


Quão difícil é ser designer gráfico no Brasil? JF: Dizem que quem ama o que faz não precisa trabalhar nenhum dia da vida. Então quem ama o design pode trabalhar bem em qualquer lugar. Mas existem sim as dificuldades no Brasil, quanto ao mercado de design. Não sei como é em Portugal, mas a profissão de designer aqui não é regulamentada. Não temos tabela de salários, nem regras pra concursos e licitações, por exemplo. Basicamente, qualquer um que se chamar de designer pode ser um.

Design gráfico é uma área/profissão conhecida no Brasil? As pessoas sabem o que é, ou é o homem que faz o logo para a loja, ou cartaz grande da estrada? JF: O fato do design não ser uma profissão regulamentada aqui acaba prostituindo muito o mercado, e leva muitos clientes a abusarem do nosso trabalho, além de não conhecerem exatamente o nosso papel nos projetos. A cultura de design aqui ainda não é muito desenvolvida (apesar de que o protagonista da novela de maior audiência da Globo é um designer – não sei nem se isso é bom ou ruim para a profissão). Mas aos poucos isso vai mudando. Lembro que há 5 anos conversava com pessoas na rua e dizia que estudava design, todo mundo torcia o nariz sem entender direito. Hoje em dia pelo menos a palavra é reconhecida, e as pessoas têm um pouco mais de noção. Apesar de que a especialidade que vem à cabeça de todo mundo é sempre designer de interiores !

A revista Shapemind agradece ao João Faraco por nos ter concedido a entrevista.


5 Maneiras de lidar com

BLOQUEIOS CRIATIVOS freelanceswitch.com

Aparece quando menos precisámos dele. Como resolvê-lo? Qual uma das piores coisas que pode acontecer a um freelancer? Além de um furo nos contratos, é provavelmente um furo na criatividade que o pode deixar a imaginar porque deixou o seu trabalho como assalariado. Muitas vezes o trabalho simplesmente não quer ser terminado, sejamos escritores, designers, desenvolvedores ou qualquer tipo de trabalhador freelancer. Podemos estar a tentar exercitar o nosso lado criativo, mas pode ser mesmo um dia em que isso não acontece. Eis o momento de quebrar aquele bloqueio criativo.

Motivos dos bloqueios criativos Antes de conseguirmos eliminar um bloqueio criativo, precisamos de estar conscientes do porque isto pode estar a acontecer. Eis alguns motivos: Stress Saúde Preocupações financeiras Ocupação com actividades não relacionadas ao trabalho Falta de conhecimento de um assunto, ou preocupação de que não saibas o suficiente Não saber exatamente o que queres dizer. Sem direção: sem planos para um trabalho específico. Podem existir muitos mais motivos para além dos acima mencionados.

DICA nutricional Juntamente com o stress, um dos principais problemas é comer mal. Ter uma má nutrição pode provocar o caos no teu cérebro. Uma dieta equilibrada é essencial para uma boa saúde. Queres estar mais disperto de manhã, mas não queres beber café ou chá? Come uma maçã. Estudos comprovam que é mais eficiente do que a cafeína.


FOTO DE: RICARDO FERREIRA

1

faz um brainstorm

Brainstorming é um mapa mental. Escreve numa lista o maior número de razões pelas quais podes estar a ter um bloqueio mental. Não te auto-censures, não te preocupes em categorizá-los mais tarde. Quando achares que escreveste todas as razões, junta as idéias por qualquer hierarquia lógica. Também podes fazer um brainstorm sobre o que sabes sobre o tópico X se achares que não sabes muito sobre esse assunto que estás a tratar.


2

Procura por inspiração

Todos nós temos os nossos designers favoritos (ou pelo menos deviamos ter). Observa os trabalhos destes designers, inspira-te. Vê imagens, visita websites, etc. Encontra o que é importante para o teu freelancing. Não fiques com medo de fazer “cross-overs” também: lê alguns textos que podem inspirar-te e não te limites apenas ao design.

Sugestões: abduzeedo.com behance.com designontherocks.com.br logopond.com


3

lê artigos sobre tópicos específicos

Lê artigos sobre o que estás a tentar escrever / desenhar. Observa diagramas, imagens, websites relevantes. Anota as tuas ideias e pensamentos num papel ou no bloco de notas do teu computador. Escreve o que achas que deveria ser mais explorado ou que nem sequer foi coberto. Junta essas anotações num mapa mental. Lê o que surgiu e vê se isso te trouxe alguma inspiração.


FOTO DE: RICARDO FERREIRA

4

refaz o trabalho de outras pessoas

Um método usado por escritores de ficção é utilizar uma parte da peça já existente e rescrevê-la do seu próprio jeito, no seu próprio estilo. Podes fazer a mesma coisa com design: utilizar trabalhos de outras pessoas e refazê-los seguindo o teu próprio estilo. O objetivo não é publicar esse trabalho, mas sim fazer com que te sintas mais realizado e que chegaste a algum lugar ao fazer esse exercício. Dá pra aplicar isso com logos, diagramas, websites ou até mesmo codificação.


5

escreve sobre isso.

“Escreva tudo que você está a sentir sobre o motivo do seu stress ou ansiedade”. Se tudo mais falhar, talvez algo possa estar te a incomodar ou a stressar? Talvez não saibas que está lá ou ainda não admitiste a ti mesmo. Volta ao mapa mental do ítem 1 e procura por possíveis motivos de stress. Está na hora de escrever sobre isto. Pode ser num diário pessoal (ou folha de caderno) ou se fores mais ousado, no teu blog pessoal. Não te segures – escreve tudo o que estás a sentir sobre o motivo do teu stress ou ansiedade. Até liberares os teus pensamentos sobre esse tópico, todos os outros pensamentos vão estar bloqueados. Se necessário, podes criar um mapa mental sobre esse assunto antes de escrever sobre ele. Repete os passos acima várias vezes, se necessário, até obteres sucesso em quebrar o teu bloqueio criativo. Podes até ter mais de um bloqueio.


Revista concebida para a Prova de Aptid達o Profissional de Diogo Costa - Escola Profissional de Braga


2011

Shapemind  

Magazine created for my final project at school.

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