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VIVER NO ESPÍRITO

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ALCANÇANDO OS CÉUS COM A ORAÇÃO Jacira Mourão - Rio de Janeiro Irmã em Aliança da Comunidade Divino Oleiro “Temos, portanto, um grande Sumo Sacerdote que penetrou nos céus, Jesus, filho de Deus. Conservemos firmes a nossa fé. Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado. Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno”. (Heb. 4,14-16)

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esta nova vida no Espírito somos conduzidos pelas dóceis mãos do Espírito Santo a experimentar aqui na Terra as realidades celestiais, e uma das vias pelas quais somos impelidos a fazê-lo, é a oração. O Senhor Jesus por Seu sangue na cruz abriu-nos um novo caminho para Deus! Por Sua ressurreição, Jesus nos entronizou juntamente com Ele à direita de Deus Todo Poderoso nos fazendo penetrar nos céus! E pelo seu Santo Espírito confiadamente podemos clamar: Abba! Paizinho! A partir de então gozamos de um privilégio inefável concedido somente aos anjos: o de entrar na presença de Deus Pai e aí permanecer, descansar nosso coração em Seu amável coração, depositar Nele nossas vidas, confessar-Lhe nossos segredos, derramar sobre Suas mãos nossas aflições, angústias, anseios e temores, confiar-Lhe nossas preocupações, ali ficar aos Seus pés e expandir nossa alma, chorar, falar, sussurrar e desfrutar da mais profunda intimidade com um Senhor que não nos trata como servos, mas nos chama, amigos (Jo. 15,15). A toda esta atividade entre terra e céu, entre você e Jesus, damos o nome de ORAÇÃO!

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Orar é chegar ao lugar de encontro do céu com a terra (nosso coração), falar-Lhe das coisas da nossa vida que tanto a Ele interessa e depois, mansamente perceber Sua real presença a nos falar do que Ele, como pai amoroso, tem em Seu reino para cada um de nós! E pondo nisto toda nossa certeza de fé, aproximemo-nos do trono da graça com toda confiança de que ali encontraremos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo (I Jo.2,1b), e que Dele alcançaremos compaixão das nossas fraquezas e necessidades, receberemos favor que não merecemos mas que Ele nos concederá em Sua infinita misericórdia, e assim receberemos a cura para nossas enfermidades, a paz para nossos lares, a restauração para o nosso matrimônio, a alegria para nosso ministério, o bálsamo para nosso coração, a fortaleza para nosso espírito.... E ao término deste encontro chamado oração, você já não será mais o mesmo, porque mais do que somente falar ou enumerar uma série interminável de queixumes ou pedidos, você se encontrou com seu Deus que vive e reina, com Deus que tem o poder de fazer infinitamente mais do que tudo pedimos ou entendemos (Ef. 3,20), você pôde então experimentar o toque do Espírito Santo sobre tua alma e Dele experimentar vida abundante, misericórdia, graça e luz! Ainda hoje experimente deste novo mover do Espírito que Deus tem para você!

outubro 2010


A CRIANÇA EM MIM Profº Carlos Martendal

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omo os anos passam ligeiro... Naquele tempo, a infância premiavame com a inocência, o carinho de pais amorosos, a singeleza da vida no interior. Quanta alegria por 'simplesmente' viver numa família em que todos se davam bem, iam à Missa, deitavam cedo e cedo levantavam. Nada de tênis da moda para ir à escola: pés no chão, mesmo nos dias de geada; nada de televisão, computador, cinema, coisas de que sequer ouvíamos falar. Caneta? A pena, que molhávamos no tinteiro, mas só quando se chegava à quarta série do primário! Água encanada? Não, do poço! Luz? A do dia. Ou a da vela. Quando muito, do lampião! Gás? Que nada: providenciavam-se gravetos secos para dar início ao fogo de cada dia! E como se era feliz! Rezava-se à noite — sempre de joelhos —, e de manhã. Nos domingos, ia-se à Missa, na igreja três quilômetros distante de casa. Muitas vezes de carroça. A simplicidade envolvia nossa vida e tínhamos tudo, muitas vezes tendo quase nada. Um dia, ali no pasto, depois de ter ido ver se no jequi colocado no valo havia peixes, eu estava parado debaixo de uma laranjeira. Tinha apanhado uma laranja e, com a mão suja, meu dedo a descascava. Tive, então, uma das maiores surpresas da minha vida. Uma pessoa que estava por perto disseme que meus tios, em Blumenau, compravam laranja. Isso não entrava na minha cabeça: como é possível ter que comprá-las, se nós as tínhamos ali, à vontade, sem pagar nada a ninguém? Ah, como é boa a vida assim... Nosso passatempo era jogar bola. No dia em que matavam um boi, o açougue era o nosso shopping: dali sairia a bexiga que, enchida, se tornava nossa diversão. Por pouco tempo, é claro, mas como brincávamos! Depois, veio o progresso: as pequenas bolas de borracha. Que logo rasgavam. Bem mais tarde, mas aí a evolução já fora grande, as bolas de couro. A número 5 era a oficial: que sonho ter uma bola número cinco! Nunca a tive.

ele hoje é um anjo de Deus!”...

PRA SER MAIS FELIZ

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Caçar era nosso passatempo. Quase nunca acertava, mas, alvoroçado, chegava perto da mãe e dizia: “Não matei, mas tirei pena dele!”... Ah, criança que dormes em mim, e que neste mês em que se celebra o Dia da Criança eu recordo. Olhando para minha funda (estilingue), quando estava no mato e via a forqueta de uma árvore, pensava: “A funda de Deus deve ser assim grande”... Anos mais tarde, meu coração deu pulos de alegria quando li, no Salmo 107 [108], 8.10: “Deus falou em seu santo lugar: É Moab minha bacia de banho, sobre Edom eu porei meu calçado”! E no Cântico de Isaías 40: “Ele toma os cordeirinhos em seus braços, leva ao colo as ovelhas que amamentam. Quem, no côncavo da mão, mediu o mar? Quem mediu o firmamento com seus dedos abertos? Quem mediu com o alqueire o pó da terra? Quem pesou, pondo ao gancho, as montanhas, e as colinas, colocando-as na balança? Que conselheiro o teria orientado? As nações todas são um nada diante dele, a seus olhos, elas são quais se não fossem”. Senhor, grande e todo-poderoso, que o universo inteiro não pode conter, obrigado, muito obrigado, por te teres revelado em coisas tão pequenas à criança que fui. Obrigado: acho que usas mesmo, como cabo da funda, a forqueta da maior árvore que a terra já viu! Não pões as colinas todas e as montanhas na tua balança? Obrigado, Senhor! E obrigado pelos pais que me deste. Na sua simplicidade, te deram a mim e me deram a ti! Fica comigo, Senhor!

Andar de bicicleta era um luxo para poucos. Como a bicicleta foi minha companheira: de subir morros, descer escadas (da casa), de quedas, de esbarradas. Claro que nas ruas não havia iluminação. Um dia à noite, esbarrei num cavalo que estava no meio da estrada e fiquei como morto, deitado por ali mesmo durante longo tempo... O dia da primeira Comunhão, o mais feliz da minha vida! Já se vão 58 anos e eu o vivo como se fosse hoje, cada vez que dele me lembro. Ainda tenho guardados o santinho que o recorda e a fita que usei. Da vela que levei na mão, vejo com a memória até os detalhes que continha. Que dia! E meu pai, de tão poucas letras, dando aula de “teologia”: “Não toquem no Calinho que

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Revista Divino Oleiro Outubro  

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