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lojista dirige nte

· 33 ano 36 · n° 4

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20 10 ·

r$ 9 ,90

ENTREVISTA Roberta Cardoso, da FGV, analisa o varejo sustentável LEGISLAÇÃO O futuro da lei geral das micro e pequenas empresas CDL JOVEM Jogo empresarial agita encontro da juventude lojista

encontro de

ideias A 51ª convenção nacional do comércio lojista reúne 5 mil pessoas em FLORIANÓPOLIS para discutir novas tendências para o comércio


Sujeito à aprovação do crédito. Válido para as linhas BB Giro Rápido, BB Giro Empresa Flex e Recebíveis Cartão a Realizar e observado o atendimento de requisitos cadastrais à época da contratação.

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Central de Atendimento BB 4004 0001 ou 0800 729 0001 – SAC 0800 729 0722 Ouvidoria BB 0800 729 5678 – Deficiente Auditivo ou de Fala 0800 729 0088


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Nesta edição

A Dirigente Lojista é editada e comercializada pela Editora Empreendedor

C

om recorde de público e em clima de otimismo, a 51a Con-

venção Nacional do Comércio Lojista mostrou mais uma vez a união dos empresários do setor em torno de questões fundamentais para o desenvolvimento do varejo nacional. As mais de 5 mil pessoas que estiveram em Florianópolis puderam participar de discussões importantes sobre a regulamentação do mercado de cartões, as mudanças no Simples Nacional e a sustentabilidade nos negócios, entre outras. Além de palestrantes de renome nacional e internacional, o maior evento do varejo na América Lati-

DIRETOR-EDITOR Acari Amorim acari@empreendedor.com.br DIRETOR DE COMERCIALIZAÇÃO E MARKETING Geraldo Nilson de Azevedo geraldo@empreendedor.com.br REDAÇÃO dirigentelojista@empreendedor.com.br EDIÇÃO-EXECUTIVA Diógenes Fischer REPORTAGEM Alexandre Gonçalves, Marlon Aseff e Cléia Schmitz EDIÇÃO DE ARTE Diógenes Fischer PROJETO GRÁFICO Wilson Williams REVISÃO Lu Coelho EDITORA DO PORTAL DA CNDL Ana Paula Meurer EDITORA DO PORTAL EMPREENDEDOR Carla Kempinski SEDES São Paulo DIRETOR COMERCIAL Fernando Sant’Anna Borba fernandoborba@empreendedor.com.br EXECUTIVO DE CONTAS Osmar Escada Junior e Ana Carolina Canton de Lima Rua Sabará, 566 – 9º andar – conjunto 92 – Higienópolis 01239-010 – São Paulo – SP Fone: (11) 3214-1020 empreendedorsp@empreendedor.com.br

Brasília Ulysses C. B. Cava Condomínio Ville de Montagne, Q. 01 Casa 81 - Lago Sul - 71680-357 - Brasília - DF Fones: (61) 9975-6660 / 3367-0180 ulyssescava@gmail.com Rio Grande do Sul Flávio Duarte Rua Silveiro 1301/104 – Morro Santa Tereza 90850-000 – Porto Alegre – RS Fone: (51) 3392-7767 commercializare@terra.com.br Paraná Merconeti Representação de Veículos de Comunicação Ltda / Ricardo Takiguti Rua Dep. Atílio Almeida Barbosa, 76 – conjunto 3 Boa Vista – 82560-460 – Curitiba – PR Fone: (41) 3079-4666 ricardo@merconeti.com.br Pernambuco HM Consultoria em Varejo Ltda / Hamilton Marcondes Rua Ribeiro de Brito, 1111 – conjunto 605 – Boa Viagem 51021-310 – Recife – PE – Fone: (81) 3327-3384 hmconsultoria@hmconsultoria.com.br

Florianópolis EXECUTIVA DE ATENDIMENTO Samantha Arend Schvantes anuncios@empreendedor.com.br Av. Osmar Cunha, 183 – Ceisa Center – bloco C – 9° andar – Centro – 88015-900 – Florianópolis – SC Fone: (48) 2106-8666

Minas Gerais SBF Representações / Sérgio Bernardes Faria Av. Getúlio Vargas, 1300 – 17º andar – conjunto 1704 30112-021 – Belo Horizonte – MG Fones: (31) 2125-2900 / 2125-2927 sbfaria@sbfpublicidade.com.br

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PRODUÇÃO GRÁFICA Teixeira Gráfica e Editora

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na contou ainda com encontros da juventude lojista e das mulheres empreendedoras, que promoveram ainda mais a integração entre os convencionais de todo o Brasil. A Dirigente Lojista acompanhou de perto o evento e traz a você esta edição especial com todos os detalhes da convenção em uma série de reportagens e entrevistas com os principais personagens deste verdadeiro encontro de ideias. Aproveite a leitura e não perca a convenção de 2011 em Fortaleza! Diógenes Fischer Editor

4�

dirigente Lojista � outuBRO 2010

Presidente Roque Pellizzaro Junior 1º. Vice-Presidente Vítor Augusto Koch Vice-Presidente Egnaldo Pedro da Silva Vice-Presidente Adão Henrique Vice-Presidente José Vicente Rocha Estevanato Vice-Presidente Agenor Braga e Silva Filho Vice-Presidente Melchior Luiz Duarte de Abreu Filho Diretores José Manoel Ramos Renato Campos Carvalho Wagner Gonçalves da Silveira Júnior Wilmar Jardim de Carvalho Fernando Luis Palaoro Adilson Schuenke Olavo Aloísio Steffen Ilson Xavier Bozi Adelayde Cristina Arçari Hand Cuzzuol Diretorias Especiais Diretor Administrativo e Financeiro Silvio Antônio de Vasconcelos Souza Diretor do CEDEL Francisco Honório Pinheiro Alves Diretor do DASPC Roberto Alfeu Pena Gomes Diretor do CEPES Kissao Álvaro Thais Diretor do CONTEC Aldo Moura Gonçalves Diretor do CEACON Antonio Wanderlei da Silva Rey Diretor do COMERSUL Paulo Silva DIRETOR DE COMUNICAÇÃO José César da Costa Coordenador de Administração Marcelo Rosado

Coordenador de Expansão Celso Vilela Guimarães Coordenador da CDL Jovem Davidson Luiz Cardoso Conselho Fiscal Integrantes Efetivos Alberto Fontoura Nogueira da Cruz, Eduardo Melo Catão e Marcelino Campos Integrantes Suplentes Jayme Tassinari, Milton Araújo, Jacinto Lúcio Borges Diretoria SPC Brasil Conselho Deliberativo Presidente Itamar José da Silva Vice-Presidente José César da Costa Conselho de administração Presidente Roberto Alfeu Pena Gomes Vice-Presidente Eduardo Melo Catão Diretor Financeiro Melchior Luiz Duarte de Abreu Filho Vice-Diretor Financeiro Marcelo Salles Barbosa Diretor de Comunicação Francisco de Freitas Cordeiro Superintendente André Luiz Pellizzaro supervisão Luiz Santana


a o s

l o j i s t a s

em sintonia com os ideais do

movimento A

Assembleia de Representantes – órgão máximo da CNDL e que legitimamente é o porta-voz do Movimento Lojista brasileiro – reuniu-se no dia 17 de outubro para um encontro histórico. Nessa data foi eleita por aclamação a diretoria da Confederação para a gestão 2011/2013. Mais uma vez, ficaram demonstrados a força, a união e o comprometimento com os ideais do movimento e a democracia. Apenas uma chapa foi inscrita para o pleito, o que demonstrou que estamos sendo bem avaliados e que o trabalho da atual diretoria, em conjunto com as FCDLs, CDLs e associados, está no caminho certo. Após três anos de resgate da credibilidade dos lojistas, da transparência total das ações empreendidas e da gestão de qualidade, podemos comemorar juntos muitas vitórias em favor do varejo e da sociedade brasileira. Estes resultados só foram possíveis graças ao apoio incondicional que tivemos de todos os integrantes do Movimento Lojista. Queremos destacar também a atuação dos diretores distritais que, de

“Após três anos de resgate da credibilidade e da transparência, podemos comemorar juntos muitas vitórias em favor do varejo” ROQUE PELLIZZARO JUNIOR Presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)

norte a sul do País, têm a sensibilidade de reconhecer e encaminhar os anseios dos lojistas visando benefícios coletivos. Nossa responsabilidade é ainda maior após esta eleição, feita por aclamação em uma demonstração de unidade e integração por parte da Assembleia de Representantes com relação às decisões que estamos tomando. Agradecemos a participação e o empenho de todos no objetivo de fazer mais e melhor pelo Movimento Lojista, e agradecemos par-

ticularmente o voto de confiança que foi depositado para esta diretoria, que vem no dia a dia cumprindo fielmente os compromissos assumidos e agindo em todas as frentes para atender as expectativas daqueles que tenho a honra de representar e que contribuem com sua imprescindível parcela para o desenvolvimento econômico e social de nosso país. Nossas bandeiras continuarão sempre na ordem do dia, em nome da nação lojista, visando comemorarmos mais conquistas no próximo triênio. dirigente Lojista � outuBRO 2010

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í n d i c e

EDIÇÃO

433 44

38

Legislação O Movimento Lojista discute as mudanças que estão para acontecer na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e se mobiliza para ter voz ativa nas discussões sobre o tema no Poder Legislativo.

38

X

6�

20

Entrevista Roberta Cardoso, coordenadora técnica do Programa de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo da FGV, fala sobre como é possível ser sustentável, promovendo benefícios sociais e ambientais à comunidade, sem precisar abrir mão do lucro.

dirigente Lojista � outuBRO 2010

20

44

CDL Jovem A juventude lojista teve seu próprio encontro durante a convenção de Florianópolis e trouxe um toque de criatividade ao evento com um jogo que levou todos até a Idade Média para testar suas habilidades de gestão.

50

Empreendedorismo A força feminina no varejo brasileiro foi demonstrada no Encontro da Mulher Empreendedora, que reuniu mais de 1 mil participantes durante a Convenção Nacional do Comércio Lojista.


seções 8

26

Reportagem de capa

Um encontro de ideias. Uma oportunidade de ampliar horizontes. Um termômetro do que pensa e o que quer o varejista brasileiro. A 51a Convenção Nacional do Comércio Lojista foi tudo isso e muito mais. Confira nossa cobertura especial sobre os quatro dias que transformaram Florianópolis na capital nacional do varejo.

Movimento

12

Brasil Lojista

16

Informe Jurídico

18

Destaque FCDL

58

Varejo Internacional

64

Móveis e Negócios

70

Tecnovarejo

80

Leitura

82

Agenda

56

Banho de Loja por Kátia Bello

62

Ponto de Venda por Caio Camargo

68

De Olho no Cliente por Luciana Carmo

74

Sobre Loja por Josemar Basso

78

Ideias e Estratégias por Ivan Postigo

dirigente Lojista � outuBRO 2010

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MO V IME N TO

Vendas do varejo brasileiro devem crescer até 11% em 2010

O

aumento do parcelamento e a confiança dos consumidores

devem levar o varejo a ampliar suas vendas entre 10% e 11% este ano na comparação com 2009, segundo o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior. Até o mês passado, a previsão era de uma expansão de 10% ante 2009, que já registrou um acréscimo no comércio na casa dos 6% ante 2008. "No fim do ano, teremos volume de compradores a prazo bem maior que em 2009. E isso projeta um

Desempenho em setembro foi 7,9% maior que em 2009

Natal bastante positivo", prevê. De acordo com o presidente da

O mês de setembro fechou com

a média de vendas do comércio

CNDL, os números apresentados em

aumento de 7,9% nas vendas, em

neste ano será de 7,1%, a maior

setembro já foram "bastante animado-

comparação ao mesmo período

da série histórica, pois as taxas

res" e devem ser atribuídos ao desem-

de 2009, segundo a pesquisa

registradas em 2008 e 2009 foram

penho positivo do tripé que, segundo

realizada pelo IAV-IDV (Índice

3,9% e 3,6% respectivamente.

ele, sustenta o aquecimento do varejo:

Antecedente de Vendas) com os

emprego, aumento de renda e crédito.

35 maiores varejistas do País,

duráveis, como material

"Não há falta nenhuma de crédito no

associados ao Instituto. Esta taxa

de construção, móveis,

varejo", resume o dirigente.

supera ligeiramente a última

eletrodomésticos e informática,

previsão, na qual foi projetado um

despontam com as maiores

crescimento de 7,4%.

taxas de crescimento, sempre

A queda de 4,65% nas consultas ao SPC Brasil de agosto para setem-

Os varejistas ligados a bens

superiores a 10%. Setores de bens

bro, na opinião de Pellizzaro Junior, era

O IAV-IDV aponta para um

esperada. "A queda é natural, pois não

último trimestre otimista. Em

semiduráveis, como vestuário

temos nenhuma data festiva em se-

outubro, a expectativa é que se

e livraria, apresentam vendas

tembro. Normalmente, as vendas em

atinja uma taxa de crescimento

dentro da média, enquanto os

setembro são mais frias do que as de

de 7,7% em relação a igual mês

setores de bens não-duráveis

agosto, sem dúvida nenhuma", obser-

do ano anterior. Em novembro,

(alimentação fora do lar, super

va. Na comparação com setembro de

este número sobe para 7,9%, e

e hipermercados e farmácias)

2009, houve um crescimento no volu-

volta aos 7,7% para o último mês

apresentam as menores taxas,

me de consultas da ordem de 8,23%.

de 2010. De acordo com o Índice,

inferiores à média do varejo.

8�

dirigente Lojista � outuBRO 2010


Resultado do Dia da Criança supera as expectativas do comércio

A

s vendas do comércio para o Dia taxa de crescimento foi a maior regis-

20% a 22% no fluxo de pessoas nos

da Criança atingiram a maior trada no ano entre as datas comemo-

dias que antecederam o Dia da Criança

taxa de crescimento entre as datas rativas. No Dia das Mães o aumento

e projeta alta de 16,5% nas vendas.

comemorativas do ano, superando a foi de 10,3%, no Dia dos Namorados, previsão dos lojistas e aumentando de 6,7%, e de 10,7% no Dia dos Pais. a expectativa para uma alta de dois

Outros dados divulgados em ou-

dígitos neste Natal. De acordo com a tubro reforçam os bons resultados. pesquisa nacional da Serasa Experian, O Grupo Pão de Açúcar ampliou em o faturamento do comércio entre os 25% as vendas de brinquedos para dias 5 e 11 deste mês aumentou 12% o Dia da Criança deste ano e proem relação ao mesmo período em jeta crescimento de 14% a 15% 2009.

no faturamento bruto para o

Segundo a Associação Comercial quarto trimestre. Na véspede São Paulo (ACSP), os números ra da data comemorativa, levantados na capital paulista confir- o maior centro de comércio mam os resultados nacionais da Sera- popular no País – a Rua 25 de sa Experian. De 1º a 12 de outubro, a março, em São Paulo – recebeu entre média de consultas para vendas com 700 mil e 800 mil pessoas, movimento cheque à vista ou pré-datado e para semelhante à véspera do Natal. A Alo crediário aumentou 11,1% em re- shop, associação que reúne os lojistas lação aos mesmos dias de 2009. Essa de shopping, registrou crescimento de

» Segundo dados do IBGE, o

» Atento ao crescimento das

» A rede Bretas, maior cadeia de

aumento de 10,4% nas vendas

classes C e D, a operação brasileira

supermercados de Minas Gerais,

é recorde entre os meses de

do Wal-Mart vai investir na

foi vendida no início do mês para

agosto, desde quando a pesquisa

ampliação da rede nordestina

o grupo chileno Cencosud, em um

foi iniciada, em 2001. O ramo de

TodoDia, com 112 lojas pelo País.

negócio de R$ 1,35 bilhão. A Bretas

perfumaria e cosméticos foi um

A bandeira aposta em conceitos

é a sétima maior supermercadista

dos que mais cresceu, alcançando

como açougue, padaria e farmácia

do País com 62 lojas, 45 delas

o índice de 2,6%, o que lhe

próprias, de olho nas preferências

em Minas. Com essa aquisição,

garantiu uma posição de destaque

do novo consumidor, que quer ir

o Cencosud entra nos estados de

entre os 10 principais segmentos

para um hipermercado e fazer tudo

Minas Gerais e Goiás e consolida

do varejo brasileiro.

o que precisa em um só lugar.

sua posição no mercado brasileiro. dirigente Lojista � outuBRO 2010

�9


MO V IME N TO

Movimento nos shopping centers tem a maior alta dos últimos quatro anos MercadoFlux, indicador espe-

O

maior alta entre todas as três capitais

cífico do mercado de shopping

pesquisadas (8%). Em Belo Horizonte,

center, feito pelo Ibope Inteligência

a atividade comercial subiu 6,5% e, em

em parceria com a Feixe Tecnologia,

São Paulo, a alta foi de 5% em relação

mostra que a atividade comercial de

ao mesmo período do ano passado.

shopping centers em setembro cres-

Na análise por porte do empreen-

ceu 7% em relação ao mesmo perí-

dimento, os shopping centers de mé-

odo do ano passado, permanecendo

dio e grande portes apresentaram alta

estável se comparada com agosto de

na atividade comercial se comparado

2010. A atividade comercial no mês

com o mesmo período do ano passa-

de setembro registrou a maior alta dos

do, 5% e 8% respectivamente. Já os

últimos quatro anos.

shoppings de pequeno porte tiveram

Na avaliação por cidade, o município do Rio de Janeiro apresentou a

Sem Losango.

queda de 7%, na comparação com setembro de 2009.

Com Losango.


Grupo Linx cria nova divisão voltada à prevenção de perdas no varejo

E

mbora poucas empresas no

Segundo a empresa, a nova di-

das empresas varejistas. Criamos

Brasil mensurem corretamente,

visão vai empregar um total de 100

esta divisão porque o nosso intuito

estima-se que as perdas do varejo

colaboradores até o final de 2010 e

é oferecer serviços completos para

brasileiro hoje atingem a ordem de

até 2012 a meta é atingir 400 colabo-

aumentar a eficiência e a competiti-

3% de sua receita. Para colaborar na

radores. A Linx Prevenção de Perdas

vidade dos nossos clientes", explica

redução deste índice, o Grupo Linx

chega ao mercado com ofertas dife-

Alberto Menache, diretor-presiden-

criou uma nova divisão de negócios.

renciadas de serviços que, além de

te do Grupo Linx.

Com uma equipe especializada e pro-

quantificar as perdas com maior pre-

A Linx disponibilizará informa-

cessos amparados por tecnologia de

cisão, vão disponibilizar de forma ágil

ções quantitativas e qualitativas em

ponta, o objetivo da Linx Prevenção

para os clientes informações quanti-

várias escalas, permitindo inclusi-

de Perdas é minimizar perdas rela-

tativas e qualitativas que ajudam na

ve a avaliação de aderências, com

cionadas a materiais, oportunidades,

tomada de decisões gerenciais e es-

apoio tecnológico e processos ba-

tempo e capital em diversos seg-

tratégicas.

seados no modelo QFD (Quality Full

mentos do mercado.

"Este é um ponto crítico da gestão

Deployment).

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b r a s i l

l o j i s t a

Nova diretoria da CNDL é eleita por unanimidade F oi eleita no último dia 17 de ou-

tubro, em Assembleia Geral Or-

dinária de Representantes da CNDL, em Brasília, a nova diretoria da enti-

dade maior do varejo brasileiro, encabeçada pelo atual presidente, Roque Pellizzaro Junior. Como somente uma chapa participou do pleito, o ex-presidente da CNDL, Sebastião Mauro, que conduziu parte da assembleia, propôs que a votação fosse feita por aclamação, com base no artigo 69 do estatuto da entidade, que permite que a eleição ocorra desta forma caso haja apenas uma chapa inscrita. A nova diretoria foi eleita por unanimidade.

ASSEMBLEIA Dirigentes de todo o País se reuniram em Brasília para definir os rumos da entidade

Composição da diretoria – gestão 2011-2013 Presidente: Roque Pellizzaro Junior 1º Vice-Presidente: Vítor Augusto Koch Vice-Presidentes: Melchior Luiz Duarte de Abreu Filho, Adão Henrique, Francisco Honório Pinheiro Alves, José César da Costa e Geraldo César de Araújo Diretor-Administrativo e Financeiro: Sílvio Antônio de Vasconcelos Souza Diretor do DASPC: Roberto Alfeu Pena Gomes

Medeiros, Jair Francisco Gomes, Marcelo Caetano Rosado M. Batista, Mustafá Morhy Júnior, Paulo N. Gasparoto, Ilson Xavier Bozi, Maria do Socorro Teixeira Noronha, Antônio Xará, Fernando Luis Palaoro e Francisco Régis Cavalcante Dias Conselho Superior: Romão Tavares da Rocha, Aliomar Luciano dos Santos, Geruza Lúcia R. de Nazareth, Francisco Freitas Cordeiro e Álvaro Cordoval de Carvalho

Diretor CDL Jovem: Samuel Torres de Vasconcelos

Conselho Fiscal: Eduardo Melo Catão, Marcelino Campos e Alberto Fontoura Nogueira da Cruz

Diretores: Ralph Baraúna Assayag, Maurício Stainoff, Sérgio Alexandre

Conselho Fiscal (suplentes): Milton Araújo, Divino José Dias e Jayme Tassinari

12 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


Idealizador do Projeto Copa 2014 avalia condições para a realização do evetno epois de passar por 11 cidades-sede, o Projeto Copa 2014 foi encerra-

D

plo, é 100 vezes mais lenta que a de

do com a realização de um seminário em Brasília. Com o objetivo de

Portugal. Temos uma das internets

orientar, preparar e apresentar as principais necessidades tecnológicas que a

mais caras do mundo e mais lentas

cidade terá com a Copa do Mundo, participaram dos debates gestores públicos

do continente americano.

e privados, além de empresários, integrantes do comércio varejista, governos e profissionais de tecnologia. O idealizador do Projeto 2014, Marcelo Castro,

Brasília encerrou o seminário. Qual

concedeu entrevista à CNDL e explicou os principais desafios para a realização

foi o saldo das reuniões?

da Copa do Mundo no Brasil.

Marcelo – Nestas 12 edições do seminário, o que percebemos é que é

Como surgiu o Projeto Copa 2014?

mais difícil do que se imagina organi-

Marcelo Castro – A ideia surgiu há

zar uma Copa do Mundo no Brasil. São

um ano e meio, quando fizemos um

diferentes culturas, temperaturas, con-

estudo das 20 maiores cidades bra-

dições de infraestrutura tecnológica, a

sileiras com relação à infraestrutura

distância. Temos que copiar o que deu

tecnológica. A infraestrutura básica

certo e adaptar, porque não dá mais

(estádios, estradas, etc.) está bem

tempo de "inventar a roda". Temos

resolvida, pois temos grandes cons-

que buscar grandes corporações com

trutoras e bons engenheiros. É fácil

domínio de tecnologia, aprender com

enxergar a falta de um estádio, mas

eles, pegar o que tem de bom de um

não é fácil enxergar a falta de acesso

e de outro e montar a nossa Copa. Se a

à internet ou de energia elétrica. O

gente tentar fazer do nosso jeito, como

Brasil é mais digital do que imagina-

acontece hoje, vai dar no que está

mos. Somos o único país do mundo

dando: estado com problemas de pro-

que faz eleição em urna eletrônica,

jeto, principalmente na infraestrutura

o único que tem mais de 80% das

Por isso, estamos muito preocupados

tecnológica. Os hotéis estão despre-

transações bancárias feitas na inter-

com este preparo.

parados, principalmente na questão de telecomunicação. Visitamos hotéis

net e nos caixas automáticos, o único que tem o Imposto de Renda 100%

Se a Copa fosse hoje, o Brasil esta-

em todas as cidades-sede e não existe

na internet. Nossa preocupação é

ria preparado?

um com condições de encher de jor-

saber se estamos preparados para

Marcelo – O Brasil não está preparado

nalistas trafegando imagens em 300

sediar uma Copa num ambiente de

hoje para dar solução para os garga-

dpi sem que a internet caia. O nosso

extrema inovação tecnológica como

los que já existem. Várias capitais têm

desafio é realizar uma grande Copa e

será 2014. O comércio e a rede hote-

problemas com falta de energia elé-

conquistar atenção das empresas que

leira são o parachoque da economia.

trica. A internet brasileira, por exem-

querem investir no Brasil. dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 13


b r a s i l

l o j i s t a

Comércio gaúcho lança campanha para renegociar dívidas de inadimplentes PARCERIA Vítor Koch, presidente da FCDL/RS (esq.), apresentou a campanha ao juiz-coordenador das Centrais Judiciais de Conciliação e Mediação

tes que hoje estão com problemas.” No dia 5 de outubro, acompanhado do auditor Alcebíades Santini, o presidente da FCDL/RS teve audiência com o juiz Daniel Englert Barbosa, coordenador das Centrais Judiciais de Conciliação e de Mediação, para esta-

U

ma campanha nacional de recu-

Vítor Augusto Koch, eles quitarão suas

belecer uma parceria com o Poder Ju-

peração de crédito pelo comércio

dívidas pagando apenas correção mo-

diciário. O magistrado acolheu a ideia

será lançada de forma pioneira no Rio

netária sobre o débito, que será par-

da FCDL, avaliando como a ação pode

Grande do Sul. Idealizada pela CNDL e

celado em 12 vezes, com entrada de

facilitar a conciliação entre devedores

coordenada no território gaúcho pela

30% do valor devido. “Ao repactuar a

e credores, e prometeu levar a pro-

FCDL/RS, a campanha tem como slo-

dívida, o cliente sai imediatamente do

posta à apreciação da Corregedoria.

gan “Quero meu cliente de volta”, com

cadastro de inadimplentes e volta ao

Ele comentou que, de modo geral, as

o objetivo de buscar a repactuação das

mercado”, diz Koch. “É bom para ele,

pessoas não se tornam inadimplentes

dívidas dos clientes inadimplentes

que se reabilita sem pagar juros e de

por esperteza, mas sim porque so-

sem a cobrança de juros.

forma facilitada, e bom para os lojistas.

frem algum revés ou perdem o con-

O que queremos é recuperar os clien-

trole sobre os gastos da família.

Segundo o presidente da FCDL/RS,

Inadimplência registra queda de 1,62% em setembro A inadimplência apresentou queda de 1,62% em se-

número apresentou um crescimento de 1,77%. O número

tembro de 2010, em relação a agosto. A redução no nú-

de consultas para compras a prazo e para pagamentos com

mero de registros está associada à ampliação do mercado

cheques subiu 8,23% em setembro deste ano, na compa-

de trabalho, ao aumento real da renda do trabalhador de

ração com o mesmo mês em 2009. Contra agosto de 2010,

1,4% no mês e à injeção de novos recursos na economia

houve queda de 4,65% e, no acumulado do ano, foi regis-

proporcionados pela restituição do Imposto de Renda, que

trada uma expansão de 8,18%. Os números estão relacio-

beneficiou aproximadamente 1,1 milhão de trabalhadores.

nados ao aquecimento nas vendas e seguem em expansão,

Em comparação com mesmo período do ano passado, o 14 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

impulsionados pelo tripé emprego, renda e crédito.


c d l

j o v e m

CDL Jovem entrega brinquedos em Campo Grande No Dia das Crianças, a diretoria jovem da CDL de Campo Grande distribuiu brinquedos para as crianças dos bairros Los Angeles e Parque do Sol. “Para nós é uma grande satisfação reservar parte do nosso dia para a realização da campanha e presentear essas crianças que merecem o nos-

Jovens participam com destaque da 51a Convenção Nacional do Comércio Lojista

so carinho e nossa atenção”, diz

m game empresarial com o tema Idade Média, com direito a cenário me-

U

os mais de 300 brinquedos arre-

dieval, rainha, mensageiro e apenas uma hora para construir um castelo.

cadados na campanha “Criança

Este foi o desafio de mais de 300 jovens empreendedores no Encontro Nacional

Feliz – CDL Jovem”, muitos carri-

da CDL Jovem, realizado no dia 27 de setembro, durante a 51ª Convenção Na-

nhos, bonecas, bolas de futebol,

cional do Comércio Lojista, em Florianópolis. No jogo, os 60 minutos de duração

brinquedos pedagógicos e passa-

para a execução da tarefa equivaliam a dois meses.

tempos que estimulam o apren-

Dendry Rios, coordenador da CDL Jovem na capital sul-mato-grossense. “Estamos dando exemplo para que elas façam campanhas semelhantes lá na frente.” Entre

De acordo com Renan Stringhini, coordenador da CDL Jovem de Florianópolis,

dizado. Para que a campanha

o objetivo era incentivar o corporativismo e empreendedorismo nos participan-

conquistasse o sucesso de arreca-

tes. “Durante o game, os jogadores tiveram que liderar, planejar, improvisar e

dação, os jovens da CDL contaram

enfrentar desafios como a escassez de recursos”, diz. Segundo ele, a meta não

com a colaboração de empresas

era chegar a um vencedor, mas fazer com que todos aplicassem as práticas do

e entidades parceiras.

empreendedorismo e aprendessem com a experiência. Com o objetivo de promover a troca de experiência e a capacitação, o game reuniu empresários do comércio com idades entre 18 e 35 anos. Em grupos de três, os jovens só podiam se comunicar entre si através de "arquitetos", que orientavam a equipe na construção do castelo. “Assim mostrávamos a importância de um canal de comunicação eficaz para o êxito de um negócio”, diz Stringhini. Mais detalhes sobre o jogo na página 44 desta edição.


i n f o r m e

j u r í d i c o

Assessores jurídicos de FCDLs e CDLs marcam presença na Convenção Nacional

A

51ª Convenção Nacional do Comércio Lojista, realizada em Flo-

rianópolis no final de setembro, contou com a participação de mais de 5 mil pessoas de todo o Brasil, fortalecendo o Movimento Lojista, que mais uma vez mostrou toda a sua força e união. Durante o evento, assessores jurídicos das FCDLs e CDLs se reuniram para discutir temas relevantes relacionados à sua área de atuação. Um dos pontos altos foi a palestra do ilustre juiz catarinense Stephan Klaus Radloff, que falou sobre o Códi-

CDC EM PAUTA A palestra do juiz catarinense Stephan Radloff foi um dos destaques do encontro

go de Defesa do Consumidor. O pales-

os participantes puderam fazer ques-

gerido pelo palestrante foi “Código de

trante foi apresentado pelo advogado

tionamentos ao palestrante. O advo-

Consumo”.

André Luiz Pellizzaro, que o destacou

gado Reinaldo Assis Pellizzaro sugeriu

A partir da sugestão foi lançada a

como sendo o maior pensador da ci-

a mudança do nome do ordenamen-

ideia a ser debatida e levada ao Le-

ência jurídica da atualidade de Santa

to jurídico denominado “Código de

gislativo, pois a mudança do nome do

Catarina e um dos maiores do Brasil,

Defesa do Consumidor”, porque não

CDC é uma necessidade que conta com

com obras editadas sobre o tema e

se trata de uma lei unilateral, criada

o apoio da nação lojista. Também foi

doutoramento

Universidade

para defender o consumidor do em-

registrada a presença de Marcelo Go-

Clássica de Lisboa, o que comprova

presário lojista ou dos fornecedores

mes Silva, jovem promotor de Justiça,

o nível elevado do encontro jurídico

de produtos, mas sim uma lei que

doutorando pela Universidade Federal

realizado durante a Convenção.

se destina a garantir e normatizar o

de Santa Catarina, que desponta pelo

A abordagem feita sobre o Código

inter-relacionamento entre as partes.

seu conhecimento jurídico e brilhante

de Defesa do Consumidor foi pre-

Com a nova denominação, o código,

atuação no Ministério Público estadual.

senciada por grande número de ad-

colocado por força de lei e exposto

Na reunião foi debatida ainda a mi-

vogados que ouviram explicações e

ostensivamente no estabelecimento

nuta do Estatuto da CNDL, cujo texto

esclarecimentos sobre importantes

comercial dos lojistas, não será visto

finalizado foi enviado para análise da

aspectos da legislação de grande in-

como uma “figura policial”, imposta

diretoria da CNDL e seguirá para a de-

teresse para os empresários lojistas e

obrigatoriamente para vigiar e punir

liberação da assembleia geral ordiná-

as entidades. Ao final da explanação,

possíveis transgressores. O nome su-

ria da CNDL.

16 �

pela

dirigente Lojista � outuBRO 2010


por ANDRÉ

LUIZ, assessor jurídico Cndl assejur@cndl.org.br

Empregador pode exigir atestado de antecedentes criminais para contratar

A

empresa não pode ser surpreendida por um ato ilícito de seu

empregado, quando podia ter se precavido neste sentido. Assim entendeu o Tribunal Regional do Trabalho do Paraná ao autorizar o empregador a exigir atestado de antecedentes criminais. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou o recurso de revista do Ministério Público que pretendia impedir a exigência. O ministro Brito Pereira ressaltou que a investigação da história da vida

públicos, nos quais se pode apontar

do candidato, quanto a bons antece-

como exemplo a Polícia Federal, que

dentes e investigação social, “se dá,

verifica os antecedentes do candidato

inclusive, para investidura em cargos

aprovado” (Fonte: TST).

“As grandes ideias surgem da observação dos pequenos detalhes” Augusto Cury, psiquiatra e escritor brasileiro

Em alta

Em baixa

Menos de sete horas do fe-

A aposentadoria com-

chamento das urnas, o Brasil

pulsória como punição,

já conhecia os governadores

ou seja, o servidor pú-

eleitos no primeiro turno, seus deputa-

blico é afastado das funções por

dos federais e estaduais e senadores,

improbidade, mas mantém seu

e que a Presidência da República seria

salário integral na forma de apo-

definida no segundo turno.

sentadoria.

notas rápidas Prescrição: O direito de herdeiros menores de 16 anos para propor ação com pedido de créditos trabalhistas não prescreve após dois anos do falecimento do empregado, nos termos do artigo 7º, XXIX, da Constituição. Nestas situações, aplica-se o artigo 198, I, do Código Civil, segundo o qual não corre prescrição contra os incapazes (entre eles, os menores de 16 anos) (Fonte: TST). Cursos: O Brasil tem mais faculdades de Direito que todos os países no mundo juntos. Existem 1.240 cursos superiores para a formação de advogados em território nacional, enquanto no restante do planeta a soma chega a 1.100 universidades. Os números são do Conselho Nacional de Justiça. Felizmente, como contraponto, nossa legislação prevê o “exame da ordem”, que afasta bacharéis despreparados do mercado de trabalho. Deficientes: O empregador só poderá dispensar o trabalhador deficiente físico ou reabilitado após contratar um substituto em condição semelhante. Caso contrário, a dispensa é considerada nula. Esse é o teor do parágrafo 1° do artigo 36 do Decreto 3298/99, aplicado pela 7ª Turma do TRT-MG, ao modificar a decisão de 1° Grau e declarar nula a rescisão contratual, determinando a reintegração de uma trabalhadora ao emprego (Fonte: TRT3).

dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 17


d e s t a q u e

f c d l

UM ANO DE

CONQUISTAS A FCDL/SC festeja 2010 com o sucesso da Convenção Nacional e das ações focadas na redução tributária para as micro e pequenas empresas locais

O

momento do Movimento Lojista em Santa Catarina não poderia

ser mais positivo. Além de festejar os 50 anos da CDL de Florianópolis, a primeira no estado, os líderes lojistas organizaram um dos maiores eventos do setor, a 51ª Convenção Nacional Lojista, realizada no final de setembro na capital catarinense. “Posso dizer que o Movimento Lojista de Santa Catarina vive um ótimo momento com o espírito empreendedor das CDLs e que cresce cada vez mais”, afirma Sergio Medeiros, presidente da FCDL de Santa Catarina. “E tivemos a alegria de sediar a Convenção Nacional, o que foi um marco histórico para todos nós.” Medeiros destaca o papel desempenhado pela FCDL e seus associados na

FORÇA POLÍTICA A criação da Frente Parlamentar do Varejo na Assembleia Legislativa e a participação da FCDL nas discussões sobre a questão tributária foram momentos marcantes da gestão de Sergio Medeiros

economia do estado. “A nossa FCDL tem uma participação efetiva no desenvolvimento do varejo no estado e não por acaso alcançamos a marca de 173 CDLs abertas, chegando a um total de 35 mil lojistas

18 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


A IMPORTÂNCIA DA CONVENÇÃO Na opinião de Sergio Medeiros, o sucesso da Convenção Nacional Lojista e a importância de Florianópolis sediar o principal evento do varejo brasileiro podem ser resumidos em três pontos:

EVENTO HISTÓRICO A Convenção Nacional em Florianópolis veio coroar os bons resultados de 2010

associados”, diz. Neste contexto, o

do Santa Catarina se tornou o primei-

dirigente também vê como positiva

ro estado do Brasil a conseguir reduzir

a participação dos lojistas nas ações

em 70% a margem de valor agrega-

desenvolvidas pela FCDL. “É impres-

do do ICMS para micro e pequenas

sionante o crescimento que estamos

empresas, graças à mobilização dos

tendo”, festeja Medeiros. “O encon-

lojistas”, diz Medeiros.

tro de líderes lojistas, um dos nossos

Nesta vitória, ele destaca o apoio

principais eventos, vem crescendo

da Frente Parlamentar do Varejo,

mais de 20% ao ano, o que mostra

criada na Assembleia Legislativa de

o interesse das lideranças de todo o

Santa Catarina, formada por mais de

estado. Entre as ações com grande

30 deputados. “A Frente dá respaldo

participação dos lojistas, o presidente

para discutir mais de perto questões

da FCDL de Santa Catarina cita ainda

essenciais para o varejo, que pare-

o Seminário do SPC, a convenção es-

cem simples, mas que são complexas

tadual realizada em Joinville, o Recicla

na visão dos lojistas.” E para encer-

CDL e o Pedágio do Brinquedo – este

rar um ano repleto de boas notícias,

último responsável pela arrecadação

Medeiros já sabe o que Movimento

de mais de 500 mil brinquedos, doa-

Lojista de Santa Catarina deve ga-

dos para crianças carentes.

nhar do Papai Noel: um crescimen-

Além destas ações, a FCDL mergu-

to de 12% nas vendas para o Natal,

lhou de cabeça também na questão

em comparação ao mesmo período

tributária em 2010. “Tivemos uma

de 2009, totalizando 10% de cresci-

conquista importante este ano quan-

mento no ano.

Primeiro: o número de participantes (mais de 5 mil, recorde de público, segundo a organização). Extremamente feliz e formado por pessoas interessadas nos temas apresentados, na avaliação de Medeiros. Segundo: a parte técnica com uma grade de palestrantes interessantes, com assuntos diretamente ligados ao dia a dia do lojista. Terceiro: a movimentação que o evento trouxe para a capital catarinense, gerando negócios para a cidade no comércio, em hotéis, prestadores serviços e em bares e restaurantes. “Foi um dos pontos altos do evento ver a alegria do povo de Florianópolis e de outras cidades de Santa Catarina, que acabaram recebendo também a visita dos nossos convencionais.”

dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 19


e n t r e v i s t a

20 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


Roberta Cardoso | Coordenadora técnica do Programa de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo da Fundação Getulio Vargas

sustentável e

LUCRATIVa por CLéia schmitz fotos carlos pereira/palavracom

Sustentabilidade é negócio e não há mal nenhum em tirar proveito do conceito para gerar lucros à sua empresa. A única condição é que as ações se revertam em benefícios à comunidade, sejam eles sociais ou ambientais. Este foi o recado deixado por Roberta Cardoso, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), em sua palestra na 51ª Convenção Nacional do Comércio Lojista. Ela aconselhou os lojistas a se anteciparem à concorrência e sentenciou: “Se a mudança é inevitável, faça você mesmo. Se deixar o outro fazer primeiro, pode custar bem mais caro”.

dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 21


e n t r e v i s t a

Dirigente Lojista – Para o lojista

rios. Por isso, é normal que haja uma

DL – Em sua palestra na Convenção

brasileiro, ser sustentável é hoje

tendência em trabalhar mais a susten-

Nacional do Comércio Lojista você

um diferencial de mercado?

tabilidade voltada às questões sociais,

aconselhou os varejistas a divulga-

Roberta Cardoso – A sustentabilida-

com um número menor de iniciativas

rem suas ações de sustentabilida-

de é uma tendência de mercado que

voltadas para a área ambiental.

de. Não há um risco do consumidor

traz uma série de oportunidades de

cansar desse discurso?

diferenciação das empresas, seja na

Roberta – A FGV fez uma pesquisa

área de serviços, em novos produtos

sobre essa questão no final de 2008

ou até mesmo em novas formas de

e os consumidores responderam que

fazer negócio. Hoje, por motivos ób-

gostariam de saber o que as empre-

vios, há uma predominância de ações

sas fazem com relação ao tema sus-

na área de redução de recursos como

tentabilidade. Os entrevistados dis-

água e energia elétrica. Mas vejo que

seram que consideram a divulgação

grandes empresas varejistas já estão

importante porque serve de exemplo

incorporando o tema sustentabilidade

para que outras empresas façam o

em suas estratégias de negócios. As

mesmo. A pesquisa mostrou ainda

pequenas e médias também têm in-

que os consumidores não estão preo-

vestido em ações sustentáveis, mes-

cupados se a empresa vai ter ganhos

mo que de maneira mais pontual.

com essa divulgação. Para eles, não há nenhum demérito nisso, desde

DL – Que retorno é possível esperar

que a comunidade também ganhe

dessas ações?

com as ações realizadas.

Roberta – O retorno pode variar no curto e longo prazo. Algumas promoções com retorno muito rápido estão ligadas ao uso mais adequado dos recursos naturais, que traz economia financeira para o negócio, mas a longo prazo é possível ter bons ganhos ligados à imagem da marca. O importante para ter retorno é que cada negócio invista em ações que tenham mais correlação com a sua expertise. Afinal, empresas não são entidades filantrópicas. O varejo, de uma maneira geral, tem uma relação muito forte com a comunidade, porque é nela que estão seus clientes e também seus funcioná22 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

O importante para ter retorno é investir em ações que tenham mais correlação com a sua expertise. O varejo tem uma relação muito forte com a comunidade pois é nela que estão seus clientes e também seus funcionários.

DL – O dono de um mercadinho de uma pequena cidade pode pensar “meu consumidor não está interessado em sustentabilidade, ele quer saber mesmo é do preço”. O que você diria para este lojista? O varejo tem o papel de conscientizar também? Roberta – Eu diria que, ainda que o consumidor não tenha seu desejo manifesto, o fato é que todo mundo quer morar em um lugar melhor, uma cidade que tenha um rio limpo, mais segurança para se viver com a família – isso é inerente ao ser humano.


Eu acredito que o varejo pode ser um grande promotor desse novo mercado, sim, principalmente por sua capilaridade e proximidade com o consumidor final. DL – Na sua opinião, o varejo ainda usa pouco esse potencial de disseminação? Roberta – Sim, os varejistas ainda não perceberam o poder que têm nas mãos. Temos visto o exemplo da sacola plástica, quando os varejistas foram duramente atacados de todos

também ao seu redor, veja a realida-

Acredito que o varejo pode ser um grande promotor desse novo mercado, principalmente por sua capilaridade e proximidade com o consumidor final. Os varejistas ainda não perceberam o poder que têm nas mãos.

os lados. Mas espere aí. A loja distri-

de da sua comunidade, quais são as demandas que existem no local. Mais cedo ou mais tarde o governo vai intervir e legislar sobre elas. No caso específico da lei de resíduos sólidos, as empresas terão que fazer logística reversa e encontrar formas de parceria para trazer de volta os produtos na fase do pós-consumo. Alguns fabricantes já têm ações nesse sentido em conjunto com redes varejistas. A Unilever, por exemplo, fez uma parceria em 2002 com o Pão de Açúcar para recolher embalagens.

bui a sacola, porém é a "dona Joana" quem joga no lixo. Não estou isentan-

tros retornáveis, e isso gera um custo

DL – Há ainda a oportunidade de

do o varejo de maneira alguma. Ele

de operação altíssimo para o varejo.

negócios em subprodutos do lixo.

é parte do processo, mas é só uma

Este exemplo mostra que não apro-

Roberta – Sim, precisamos criar valor

parte, o que existe é uma correspon-

veitar uma oportunidade pode acabar

econômico para o lixo e isso implica

sabilidade. Voltando ao exemplo, eu

gerando custos altos depois.

em estabelecer novas cadeias econô-

acho que há uma grande oportunida-

micas. Veja o caso do Wal-Mart, que

de para o varejo sair de uma posição

DL – Recentemente, o presidente

recolhe óleo usado, envia para uma

defensiva – “se é assim, vou dar ou-

Lula sancionou a Política Nacional

empresa que faz sabão e traz de vol-

tra sacola” – para uma posição mais

de Resíduos Sólidos. A lei ainda de-

ta para a rede, onde é vendido por

ativa, ou seja, de propor soluções. Eu

pende de regulamentação. Como

um preço mais barato, uma ação que

sempre digo: é preciso se antecipar à

o varejo pode se antecipar às exi-

beneficia o consumidor de várias for-

legislação. Além de ser um diferencial

gências que virão?

mas. O Pão de Açúcar também tem

para o cliente, você não vai precisar

Roberta – Sugiro que as empresas

um ciclo fechado para as embalagens

correr atrás na hora em que o poder

passem a prestar atenção nos mer-

dos produtos da marca Taeq, feitas

público legislar sobre a questão. No

cados mais maduros, ou seja, onde a

com resíduos reciclados coletados na

caso das sacolas, o comércio convive

legislação é mais rígida. Assim, olhe

própria rede de lojas da marca.

com um problema até hoje por conta

para São Paulo, onde já há mais exi-

da falta de uma política de resíduos

gências. Se já estiver em São Paulo,

sólidos. Redes varejistas que traba-

preste atenção no mercado europeu.

lham em nível nacional têm que se

Agindo dessa forma, você terá um

adaptar à lei de cada município. Uns

norte, saberá para onde vão as coi-

exigem sacolas biodegradáveis, ou-

sas e poderá se antecipar a elas. Olhe dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 23


e n t r e v i s t a

DL – O que você acha da proposta

já demonstra uma iniciativa que, aos

DL – Você apresentou em sua pales-

de incentivos fiscais para empre-

poucos, vai apresentando novas de-

tra várias ações realizadas por pe-

sas que investem em sustentabi-

mandas, seja de consumidores, de

quenos negócios. É possível dizer

lidade?

fornecedores, de ONGs, etc.

que o pequeno varejo tem tanta

Roberta – Eu acho muito difícil fa-

iniciativa quanto os grandes, mas

zer isso. Quem vai ter direito? Aquela

elas são pouco divulgadas?

empresa que fez uma doação para

Roberta – Sim, eu acho que isso acon-

um asilo ou o negócio que plantou

tece. Mas, por outro lado, acho que

árvores? Eu acredito mais no apoio

muitas vezes falta ao pequeno vare-

do governo para produtos com me-

jo consistência na gestão do negócio

nor impacto ambiental. Nós vimos

como um todo. A sustentabilidade é

isso após a crise econômica, quando

um conceito que permeia toda a or-

ninguém queria perder os incentivos

ganização, desde como eu trato os

fiscais e a opção foi manter no caso

meus funcionários, meus fornecedo-

de produtos com selo Procel (selo de

res e meus clientes, até a minha re-

eficiência energética) ou carros mo-

lação com o governo. O pequeno tem

vidos a álcool.

iniciativas ótimas, mas geralmente elas se limitam a um público só. E por

DL – Voltando ao caso das sacolas:

isso, talvez tenha menos evidência do

você não acha que para alguns va-

que as ações de grandes varejistas.

rejistas a sustentabilidade se limita a oferecer sacolas retornáveis e

DL – Que dicas você daria para

pronto? Há uma certa acomodação

quem acha que não faz nada em

nessa atitude? Roberta – A divulgação da sustentabilidade tem um lado que é positivo, consegue agregar mais pessoas em torno do tema. Mas por outro lado temos essa tendência de simplificação. Então, de um dia para o outro, parece que o único indicador da empresa é ser ou não sustentável, é oferecer uma opção à sacola plástica. Aí, na semana seguinte, o que vale é não emitir mais CO2. Depois aparece o assunto água. Isso é inevitável. Na minha opinião, mesmo que o varejista comece apenas com a sacola, 24 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

Muitas vezes falta ao pequeno varejo consistência na gestão do negócio como um todo. A sustentabilidade deve permear toda a organização, desde o modo de tratar funcionários, fornecedores e clientes, até a relação com o governo.

sustentabilidade e gostaria de começar a fazer? Roberta – Primeiro, entenda o que é o conceito de sustentabilidade e você vai ver que faz alguma coisa sim. Muitas vezes eu estou dando um curso e as pessoas dizem: “Mas isso eu já faço”. Saia do conceito amplo e procure conhecer melhor os indicadores de responsabilidade social do Grupo Ethos, por exemplo. Depois, tente fazer associações com outras empresas. Há uma tendência de discutir e trazer mais pessoas para mudar as práticas empresariais.


c a p a

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c o nv e n ç ã o

n a c i o n a l

A T S I J O L nação

A D I N U E R , Em clima de festa o País o d to e d s o ri á s re emp ópolis n a ri lo F m e m a ir n se reu ro do tu fu o r ti u c is d ra a p a onvenção C 1 5 a n jo re a v Lojista io rc é m o C o d l a n Nacio

seff por Marlon A Araújo fotos Cláudio


dirigente dirigenteLojista Lojista� �outuBRO outuBRO2010 2010� �27 27


c a p a

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c o nv e n ç ã o

n a c i o n a l

O encarregado de abrir a grade

so, é preciso antes descobrir o efeito

oram quatro dias de intensos de-

F

de palestras no auditório principal do

“a-há!” do negócio, isto é, despertar

bates sobre qualificação profis-

centro de convenções CentroSul foi

aquilo que realmente faz a diferença.

sional, cenários econômicos, associa-

o norte-americano Jim Cunningham.

Ele chama a atenção para alguns “pi-

tivismo e oportunidades de negócio.

Bem-humorado, o gerente do Insti-

lares do sucesso”, que começam com

De 26 a 29 de setembro, a 51ª edição

tuto Disney para o Desenvolvimento

a definição da visão, dos propósitos e

da Convenção Nacional do Comércio

Profissional lembrou que o conceito

dos valores da empresa, se consoli-

Lojista mostrou por que é considerada

habitual que temos de hóspede ainda

dam com uma excelente experiência

o maior fórum de debate sobre os ru-

é muito importante no momento de

do cliente e com colaboradores fiéis,

mos do comércio nacional, ao reunir

treinar os funcionários para receber

e finalizam com uma excelente lide-

em Florianópolis mais de 5 mil vare-

pessoas. Afinal, o desafio da Disney é

rança de qualidade.

jistas de todos os estados brasileiros.

acolher 120 mil hóspedes novos, que

Mas, de acordo com Cunningham,

A bela capital catarinense sediou um

visitam os quatro parques temáticos

toda empresa bem-sucedida corre

evento marcado pela integração en-

todos os dias. Para garantir que tudo

um grande risco: acostumar-se ao su-

tre lojistas de diferentes regiões do

saia conforme o planejado, seus 70

cesso. “Descer o morro sem pedalar é

País. Além de trocar experiências,

mil funcionários precisam estar com-

fácil, mas o problema é que tem gen-

todos estavam em busca de novas

prometidos com o sucesso da empre-

te pedalando muito atrás de você”,

ideias para melhorar seus negócios e

sa.

fez questão de lembrar. Foi mais ou menos isso que aconteceu com a

ansiosos para ouvir as opiniões de um time seleto de palestrantes, incluindo consultores, escritores e executivos de renome nacional e internacional.

Lidando com o sucesso

Disney depois da morte de Walt, em

Segundo o gerente da Disney,

1965. O sucesso consolidado não foi

para que uma empresa tenha suces-

mantido no dia a dia e a empresa

BOM HUMOR E BOAS IDEIAS Jim Cunningham interagiu com a plateia e contou como a Disney se tornou referência mundial em atendimento ao cliente

28 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


PLATEIA ATENTA Os participantes da convenção lotaram os auditórios do CentroSul, em Florianópolis, da cerimônia de abertura à última palestra

quase fechou as portas em uma crise

que cada funcionário vivesse o lema

Cunningham, é fundamental. Mes-

sem precedentes no final da década

da empresa, seguindo as normas de

mo quando estiver errado, ele deve

de 1980. A saída foi reformular o ne-

segurança, cortesia, bom show e efi-

“enganar-se com dignidade” e nunca

gócio, apostar nos parques e hotéis

ciência. Entender o cliente, assegura

ser afrontado. “Dedique cinco minutos do seu tempo para agradar a um

e partir para uma reestruturação que durou cerca de cinco anos e meio. Isso incluiu entender melhor os clientes e criar uma operação que superasse as expectativas dos clientes a cada novo show, todos os dias. Para a Disney, mudar significou entender o real propósito da organização e reforçar essa cultura ao máximo. “Ao definir o que fazemos, chegamos à definição de que criamos felicidade, ofertando o melhor entretenimento para pessoas de todas as idades e de todos os lugares”, sintetizou. A segunda lição foi fazer com

O evento foi marcado pela integração entre lojistas de diversos estados, em busca de novas ideias para melhorar seus negócios

cliente, fazer o inesperado, pois nunca sabemos o tipo de impacto que teremos sobre as pessoas”, ensinou o ex-professor de psicologia.

Cartões em debate Ainda imersos nas ideias de excelência semeadas por Jim Cunningham, os milhares de convencionais que lotaram o auditório principal do centro de eventos foram trazidos de volta ao efervescente cenário nacional, no painel “Discutindo o Varejo e o Cartão de Crédito”, onde o presidente dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 29


c a p a

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c o nv e n ç ã o

n a c i o n a l

A FAVOR DA CONCORRÊNCIA O presidente da CNDL, Roque Pellizzaro, participou do debate sobre o mercado de cartões com o consultor Nelson Barrizzelli e o presidente da rede de farmácias Pague Menos, Deusmar Queirós

da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, e o

tão de crédito da MasterCard man-

progressivamente. “Só com o corte de

diretor da rede de farmácias Pague

tinha uma taxa de 0,8% a 1,9% ao

aluguel do POS a indústria de cartões

Menos, Deusmar Queirós, debate-

lojista, agora esse custo é de 0,3%.

perdeu R$ 1,5 bilhão de faturamen-

ram o novo ambiente da concorrên-

Para o presidente Roque Pellizzaro,

to. Perdeu ainda R$ 700 milhões com

cia entre as bandeiras de cartão. Para

a concorrência entre as bandeiras foi

a redução da taxa de desconto e R$

o mediador do encontro, o consultor

um verdadeiro marco para o varejo

600 milhões com a redução da taxa

Nelson Barrizzelli, o excelente de-

nacional. “Se hoje qualquer máquina

de antecipação. Trata-se da maior in-

sempenho do varejo brasileiro no ano

recebe qualquer cartão, o lojista deve

jeção de recursos através do corte de

passado já representou um aporte de

negociar com a credenciadora o custo

custos em toda a história do varejo”,

nada menos que R$ 550 bilhões ao

zero do POS, pois todos que fizeram

comemorou Pellizzaro Junior, sob os

PIB nacional. Nesse cenário, conforme

isso conseguiram”, aconselhou o líder

aplausos do auditório. Para o presi-

Barrizzelli, o desafio para o mercado

lojista, acrescentando que o próxi-

dente da CNDL, a batalha seguinte

de cartões será o de equalizar taxas

mo passo é a negociação da taxa de

será acabar com o percentual inci-

de acordo com o tipo de comércio, já

desconto e antecipação em cerca de

dente sobre o cartão de débito, que

que empresas diferentes requerem

35%.

poderá significar uma redução de até

financiamentos distintos.

As taxas brasileiras são cerca de

R$ 750 milhões ao ano para o varejo nacional.

As mudanças capitaneadas pela

40% maiores que as praticadas nos

CNDL, no entanto, já são percebidas

Estados Unidos, por exemplo, mas

Deusmar Queirós, presidente da

no dia a dia do comércio. Se o car-

existe a perspectiva de que caiam

rede de farmácias Pague Menos,

30 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


aproveitou os números divulgados por Pellizzaro e avisou que o ganho de escala em sua empresa com o corte de uma credenciadora será de nada menos que R$ 10 milhões ao ano. Otimista convicto, Deusmar agi-

O consultor Nelson Barrizzelli propôs um desafio para o mercado de cartões: equalizar taxas de acordo com o tipo de comércio

tou a plateia. “Precisamos nos livrar dos corvos e dos agourentos. A salva-

longo prazo. “Não se acostumem com

mento em capital humano também

ção do Brasil é a nação lojista”, decre-

2010”, avisou Giannetti. ”Não vamos

tem se mostrado inconsistente em

tou. Para o empresário da maior rede

crescer 7,5% nos próximos anos, mas

seu retorno, pois o Brasil ainda ocu-

de farmácias do Brasil, há motivos

perto de 4,5% ao ano.” Para o econo-

pa postos muito abaixo do esperado

de sobra para euforia. "Se em 1999

mista, há um baixo nível de investi-

quanto ao nível de aprendizado no

eram necessários 157 salários míni-

mento dos setores público e privado,

final do ensino médio.

mos para comprar um automóvel Gol,

que atingem cerca de 18% do PIB,

Além disso, a carga tributária atin-

hoje bastam 56 salários. Além disso,

contra taxas consolidadas em 40% na

ge 36% do PIB, ou seja, de cada R$

o nível de desemprego está em 6,7%

China, por exemplo, e 32% na Coreia

100 de valor criado pela nação, R$ 36

e os juros não vão passar dos 11%“,

do Sul. Segundo Giannetti, o investi-

vão para os cofres públicos. “O Estado

estimou, destacando ainda o alto índice de confiança do consumidor. “"Se tínhamos 30% de pobres em 2000, hoje não passam dos 15%“, enfatizou

RISCOS A LONGO PRAZO O economista Eduardo Giannetti alertou para a necessidade de modernizar o Estado brasileiro e investir na educação para o País não parar de crescer

Queirós. “Além disso, cerca de 34 milhões de novos consumidores estão no mercado, e essa potência do varejo simplesmente salvou o Brasil da crise econômica internacional.“

Freio no otimismo O economista Eduardo Giannetti da Fonseca, no entanto, jogou um “balde de água fria” – como fez questão de salientar – nas previsões mais otimistas semeadas por Deusmar Queirós. Segundo o assessor econômico da candidatura Marina Silva, o País tem realmente a vocação do crescimento, mas sem a vocação da poupança isso pode ser fatal para as perspectivas a dirigente Lojista � outuBRO 2010

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gasta mais do que arrecada, mas na outra ponta sai um baixo investimento em capital fixo. Só o déficit previdenciário do funcionalismo público supera o gasto com 37 milhões de crianças do ensino público”, alertou o economista. O déficit educacional se

n a c i o n a l

O bom momento da economia e os investimentos necessários para o País crescer de forma sustentável foram temas recorrentes

reflete no ambiente de negócios bra-

animadora, Giannetti enumerou algu-

placente com os problemas de fundo,

sileiro que, segundo Giannetti, está

mas condições para o varejista con-

como o baixo nível de qualidade do

muito atrasado em relação à concor-

tinuar competitivo. “É preciso inovar,

capital humano, educação fraca e re-

rência internacional. “Se o Bill Gates

sair na frente, fazer algo que ninguém

gras econômicas distorcidas.

começasse em um fundo de garagem

está fazendo com clareza e estraté-

no Brasil, estaria até hoje lá. E ven-

gia. O lojista deve estar atento para

dendo produtos piratas”, brincou. O

o mercado, conhecer as pessoas que

Superando-se os problemas es-

fato de que um terço da economia

entram em sua loja e estar sintoni-

truturais, não há por que o Brasil não

nacional está na informalidade foi ou-

zado com as expectativas do consu-

atingir níveis de crescimento invejá-

tro ponto destacado pelo palestrante.

midor”, recomendou, acrescentando

veis em relação aos mercados mun-

Dentro dessa perspectiva pouco

que o País não pode mais ser com-

diais. Pelo menos essa foi a noção

Conjuntura favorável

que os lojistas tiveram após a avaliaBOLA DA VEZ Reynaldo Saad, da Deloitte, destacou as vantagens do Brasil no mercado global

ção da conjuntura global, a cargo do consultor Reynaldo Saad, da Deloitte. Ele traçou um perfil das mudanças de comportamento do consumidor internacional, começando por algumas guinadas da economia dos EUA em tempos de crise. O perfil do consumidor norte-americano está mudando, saindo do ambiente exclusivo do shopping para as lojas de bairro. Essa percepção está apenas no começo, mas indica que a dança das cadeiras na economia varejista, inclusive no ambiente on-line, está só começando. A China, segundo Saad, é mais parecida com o Brasil. Ao ocidentalizar suas exportações, alavancou o setor produtivo e dará o alicerce para o crescimento da economia global. Ain-

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dirigente Lojista � outuBRO 2010


LIDERAR E SERVIR Autor do best seller O monge e o executivo, James Hunter expôs seu conceito de liderança pautada nos relacionamentos

Lição de liderança

da assim, apenas um terço da popu-

receita do varejo europeu depende

lação consome regularmente e com

de empresas estrangeiras. Essa pers-

Com uma perspectiva otimista

características muito peculiares, como

pectiva, assegura Saad, abre ótimas

pela frente, o que não pode faltar ao

a sensibilidade a preço e a marcas

oportunidades para a globalização

lojista brasileiro é eficiência na hora

conhecidas. ”Embora a classe média

de marcas brasileiras.

de gerir o negócio. E esse foi o mote

Em sua análise do mercado vare-

da palestra de James Hunter, escritor

jista nacional, Saad fez coro com o

norte-americano, autor do best seller

O mercado europeu, por sua vez,

pronunciamento de Deusmar Quei-

O monge e o executivo. Para Hun-

apresenta claros sinais de enfraque-

rós no dia anterior: “O Brasil é a bola

ter, não existem mistérios quando se

cimento. Mesmo a Alemanha, que se

da vez. Estamos em níveis acima dos

quer ser um líder efetivo no ambiente

recuperou puxada pelas exportações,

7% de crescimento e ficaremos em

de trabalho. Ele afirma que as regras

convive com um crescimento econô-

uma média de 5% na década se-

básicas de seu conceito de “liderança

mico aquém do esperado. Ainda as-

guinte, com uma renda doméstica

servidora“ já estão claras há mais de

sim está melhor do que os modestos

fortalecida. Temos investimentos es-

2 mil anos e tudo o que precisamos

índices da França, Itália ou Grécia,

trangeiros, o real em alta, a Petrobras

saber sobre relacionamento correto

com sua população cada vez mais

valorizada e o dólar não é mais um

e justo já aprendemos no jardim de

idosa. Nesse ambiente, o varejo está

bicho-papão. Além disso, teremos os

infância. “Os princípios da liderança

dominado por lojas de desconto e

investimentos em infraestrutura para

servidora são autoevidentes. Por isso,

tem um nível de internacionaliza-

a Copa de 2014 e as Olimpíadas do

para ser paciente, gentil, respeitoso,

ção bastante alto. Cerca de 35% da

Rio de 2016”, salientou o consultor.

honesto e comprometido, é apenas

chinesa venha mudando, continua poupando muito”, enfatizou Saad.

dirigente Lojista � outuBRO 2010

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n a c i o n a l

ESTRATÉGIA VENCEDORA Ângela Hirata, ex-diretora de comércio exterior da Alpargatas, contou como levou a marca Havaianas ao sucesso mundial

uma questão de identificar as neces-

pressupõe interferir seriamente na

gia absolutamente vencedora. Para

sidades das pessoas. Trate os outros

vida de outras pessoas, por isso os

tornar o produto aceito no mercado

como gostaria de ser tratado – essa é

grandes líderes devem saber subor-

internacional, ela colocou em prática

a regra dourada”, avisou Hunter.

dinar as equipes a suas vontades. ”O

uma estratégia específica por país,

De acordo com o palestrante, a

líder influente é aquele que escolhe a

em quatro anos de ações ininterrup-

melhoria contínua é uma condição

resposta correta frente a milhões de

tas. Quando se desligou da empresa,

para o sucesso e o varejista não pode

estímulos que recebe todos os dias”,

em 2005, o percentual de exportação

parar de se aprimorar. Mas de nada

definiu Hunter.

das tradicionais sandálias de borracha havia pulado de 1,5% para 10%. “Sa-

adianta ficar apenas na “teoria da mudança“ e não colocá-la em prá-

Fera do marketing

bíamos que existia um nicho de mer-

tica, adiantou Hunter. “A liderança é

Liderança foi o que não faltou para

cado para sandálias de dedo em todo

uma habilidade, mas não acontece

a palestrante que abriu o último dia

o mundo e o principal desafio era

no plano intelectual. Eu preciso sa-

do evento. No cargo de diretora de

transformar as Havaianas em objeto

ber o que vou fazer hoje para mudar

internacionalização e comércio ex-

de desejo de milhões de consumido-

o jogo. O grande líder deve abraçar

terior da Alpargatas, Ângela Hirata

res em diferentes países e culturas.

forte quando estiver na festa e cobrar

coordenou as ações que colocaram

Acho que conseguimos”, disse Ângela

forte, quando a questão for essa”,

a marca Havaianas nos maiores mer-

Hirata ao público lojista.

disse. Para o escritor, a liderança

cados mundiais, em uma estraté-

34 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

Nos EUA, por exemplo, ela esta-


beleceu uma parceria com o Oscar,

intérpretes de Bach em todos os tem-

na Bulgária, quase perdeu a vida e fi-

prêmio maior do cinema mundial. De

pos, o maestro narrou sua trajetória,

cou com metade do corpo paralisada.

2002 a 2005, todos os concorrentes

sempre perseguido por acidentes que

Voltou a tocar apenas com uma mão,

receberam de brinde um modelo da

acabaram por retirar completamente

mas descobriu um tumor que poderia

sandália customizado especialmente

a habilidade de suas mãos.

inutilizá-lo totalmente para a música.

para o evento. Como as celebridades

Um acidente no futebol o fez per-

Foi então que João Carlos Martins

começaram a usar as Havaianas, esta-

der os movimentos da mão direita.

optou por reinventar-se e voltar à arte

va criado um excelente veículo de di-

Mesmo assim, tocou com dedeiras de

através da regência. Foram momentos

vulgação da marca no maior mercado

aço por dois anos até abandonar pela

de mais superação e hoje o músico

consumidor do mundo.

primeira vez a música. Virou empresá-

é reconhecido como um dos maio-

Segundo a consultora, não adianta

rio do boxeador Eder Jofre e o condu-

res maestros do mundo, atuando em

ter um produto sem fixar sua marca,

ziu ao campeonato mundial. Mais tar-

diversos programas sociais, levando

sua identidade. Para ganhar o mer-

de, treinou muito e retomou a carreira

a música a populações carentes. Um

cado externo, a Alpargatas buscou os

de pianista. Mas as lesões por esforço

exemplo de amor pelo que faz e uma

parceiros ideais, antes de grandes in-

repetitivo o retiraram novamente de

lição de mestre para encerrar uma lon-

vestimentos em dinheiro. Ela garante

cena. Recuperado, voltou aos estúdios

ga e proveitosa convenção. Os 5 mil

que não houve grandes investimen-

e concertos até que, em um assalto

lojistas presentes aplaudiram de pé.

tos em mídia para lançar a Havaianas no mercado internacional, mas um suporte planejado em assessoria de

EXEMPLO DE SUPERAÇÃO O maestro João Carlos Martins tocou e encantou todos com sua história de vida

imprensa. Segundo Ângela Hirata, a palavra de ordem para transformar a equipe da Alpargatas em um time vencedor foi “faça o que você sabe que deve ser feito”. Além de um bom planejamento, ela aponta outro fator fundamental para o sucesso: acreditar, acima de tudo, no seu produto.

No tom da emoção A persistência também foi a tônica da palestra do maestro João Carlos Martins, que encerrou com perfeição a 51a Convenção Nacional do Comércio Lojista. Alternando histórias de vida com músicas magistralmente interpretadas, o músico emocionou o público. Considerado um dos maiores dirigente Lojista � outuBRO 2010

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n a c i o n a l

A OPINIÃO DE QUEM FOI Lojistas de Norte a Sul comentam os pontos altos daquela que foi considerada a maior convenção lojista de todos os tempos O sorriso no rosto de cada um dos

cio frente ao crescente cenário de es-

painel sobre cartões de crédito foram

5 mil convencionais foi considera-

cassez de recursos (ver entrevista na

dois bons momentos da convenção.

do pelo presidente da CNDL, Roque

pág. 20). “Ela tocou na nossa ferida”,

Presidente da Cooperativa de

Pellizzaro Junior, a prova maior do

comentou Romão sobre a dificuldade

Crédito dos Empresários de Goiânia

sucesso da 51ª Convenção Nacional

das empresas em lidar com os resí-

(Sicoob Lojicred) e diretor da CDL da

do Comércio Lojista. De acordo com o

duos sólidos.

cidade, Geraldo Emídio Borges elo-

dirigente, foi o maior evento já reali-

Já o presidente da CDL de Anápo-

giou a explanação de Maurício França

zado na história da CNDL. “Isso mos-

lis (GO), Wilmar Jardim de Carvalho,

Schaffer, gerente de operação pela

tra o bom momento por que passa o

comentou que a convenção de Floria-

internet do BNDES, que mostrou as

varejo nacional, o Movimento Lojista

nópolis foi uma das melhores já reali-

linhas de crédito da instituição para

e seu principal serviço, o SPC“, resu-

zadas pelo Movimento Lojista. “Além

micro, pequenas e médias empre-

miu Pellizzaro, ao agradecer à nação

de muito prestigiada, a organização

sas (ver matéria na pág. 38). “Essas

lojista que prestigiou o evento e à

foi excelente e os horários foram

linhas de financiamento são muito

organização do encontro, represen-

cumpridos.” Para Wilmar, a palestra

importantes. Todos os empresários

tada por Sergio Alexandre Medeiros,

do economista Eduardo Giannetti e o

precisam conhecer”, afirmou o diri-

presidente da FCDL/SC, Osmar Silveira, presidente da CDL de Florianópolis, e Valdir Della Giustina, vice-presidente de eventos da FCDL catarinense.

BALANÇO POSITIVO Para o presidente da FCDL/PE, Eduardo Catão, o recorde de participantes e a organização do evento refletem a nova fase do Movimento Lojista

gente goiano. Com uma delegação formada por quase 140 pessoas, Goiás foi uma das grandes presenças na convenção de Florianópolis.

Romão Tavares da Rocha, di-

Para o presidente da FCDL de

retor da CDL Goiânia, elogiou a

Pernambuco, Eduardo Catão, esta

palestra de Jim Cunningham, mas

foi uma das melhores convenções

elegeu a apresentação da pes-

lojistas já realizadas. “Assistimos

quisadora da Fundação Getulio

a excelentes palestras e tivemos

Vargas, Roberta Cardoso, como

um número recorde de partici-

uma das mais importantes do

pantes, além da oportunidade de

evento. Coordenadora do Progra-

conhecer esta cidade acolhedora.

ma de Responsabilidade Social

Isso reflete a nova fase que vive

no Varejo da FGV, ela procurou

o Movimento Lojista. Avanço, de-

mostrar aos lojistas a importância

senvolvimento, liderado por um

de modificar o modelo de negó-

presidente jovem e competen-

36 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


REPRESENTATIVIDADE As delegações estaduais marcaram presença com muita animação na cerimônia de abertura no CentroSul, em Florianópolis

te”, enfatizou. Um dos momentos que

presidente da FCDL/RS, Vítor Augusto

car até Santa Catarina, enfrentando

representaram bem a união da dele-

Koch, entregou ao presidente da CDL

12 horas de viagem para estar nes-

gação pernambucana foi o Jantar das

de Uruguaiana, Jorge Prestes Lopes, o

te grandioso evento e poder trocar

Delegações. Na ocasião, as CDLs das

troféu de maior delegação gaúcha no

informações, adquirir conhecimentos

cidades de Arcoverde, Bejo Jardim,

evento. “Quero agradecer aos compa-

para colocar em prática no comércio

Caruaru, Garanhuns, Olinda, Ouricuri,

nheiros cedelistas que acreditaram e

de nossa cidade”, disse Prestes Lopes.

Paulista, Pesqueira, Petrolina, Recife,

não mediram esforços para se deslo-

Para Freitas Cordeiro, presidente da CDL de Fortaleza, palco da próxima

Salgueiro, Santa Cruz do Capibaribe, São Bento do Una e Timbaúba se fizeram presentes através de seus presidentes e convidados. A 51ª Convenção Nacional do Comércio Lojista também reservou grandes emoções para a delegação gaúcha, quando o vice-presidente da FCDL/RS, Fernando Palaoro, anunciou o prêmio para a maior delegação feminina, recebido pela empresária Luciane Lopes, de Uruguaiana. O

Três mil pessoas já aproveitaram para garantir sua inscrição para a convenção do ano que vem, em Fortaleza

convenção lojista, o desafio para os organizadores do próximo encontro ficou ainda maior, tendo em vista o sucesso do evento em Florianópolis. “Nosso desafio será muito grande, mas já temos 3 mil convencionais com vagas reservadas para os dias 11 a 14 de setembro do ano que vem no Ceará”, comemorou, antecipando mais um grande evento que já é aguardado pela nação lojista. dirigente Lojista � outuBRO 2010

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LE G ISLAÇÃO

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MPE

s

O futuro das micro e pequenas empresas diante das mudanças na lei do Simples foi tema de debates e mobilização durante a Convenção Nacional de Florianópolis 38 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


MUDAR para

melhorar Simples. Para o gerente do Sebrae, a

O

COBRANÇA Bruno Lourenço, do Sebrae Nacional, conclamou os lojistas a cobrar dos parlamentares ações para corrigir “um sistema tributário equivocado“ que impede o crescimento da microempresa

ano de 2010 está quase aca-

aprovação da lei é uma oportunida-

bando, mas ainda reserva uma

de de corrigir, em parte, “um sistema

agenda política importante para o

tributário equivocado”, que muitas

Movimento Lojista brasileiro. Está

vezes compromete a sobrevivência

em tramitação na Câmara dos Depu-

dos pequenos negócios. Ele ainda

tados o projeto de lei complementar

citou dados da Receita Federal que

591/10, que propõe uma série de

mostram que 0,1% das empresas

alterações no Simples Nacional, ins-

brasileiras concentram 70% da ren-

tituído há três anos pela Lei Geral da

da do País. “Enquanto isso acontece,

Micro e Pequena Empresa. “No corre-

os pequenos empresários empregam

-corre, se não tiver gente cobrando,

mais da metade dos trabalhadores.

não acontece nada”, destacou Bruno

Essa equação não fecha”, criticou.

Quick Lourenço, gerente da unidade

Obviamente, o projeto de lei

de políticas públicas do Sebrae Na-

591/10 não vai solucionar todos os

cional, durante palestra proferida na

problemas tributários das micro e

51ª Convenção Nacional do Comércio

pequenas empresas. No entanto,

Lojista, realizada no final de setem-

suas propostas trazem um horizonte

bro, em Florianópolis.

bem mais otimista. Uma das altera-

Lourenço conclamou os lojistas

ções previstas é a atualização do teto

presentes a se mobilizarem pela

da receita bruta anual para enqua-

aprovação do projeto. Afinal, a maior

dramento no Simples, de R$ 240 mil

parte dos comerciantes brasileiros é

para R$ 360 mil. Segundo Lourenço,

por CLÉia Schmitz

composta de micro e pequenos em-

o limite atual inibe o crescimento de

fotos cláudio araújo

presários, muitos deles inscritos no

muitos negócios porque, em muitos dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 39


LE G ISLAÇÃO

|

casos, não é vantajoso faturar mais e perder os benefícios do Simples. “Não dá para a empresa chegar no teto do Simples e querer parar de crescer. Não é para isso que a lei foi criada”, argumentou o especialista. O projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados propõe ainda o parcelamento dos débitos tributários das empresas enquadradas no Simples. O procedimento seria automático a partir de três meses consecutivos ou alternados de inadimplência,

MPE

s

Dos mais de 450 mil empreendedores individuais formalizados até agosto, 32,76% são comerciantes

perar as dificuldades financeiras. A lei complementar também prevê mais benefícios para microempreendedores individuais (MEI), aqueles com faturamento bruto anual de até R$ 36 mil. Um deles é aumentar esse valor para R$ 48 mil. E aqui vale um parêntese. Dos cerca de 450 mil empreendedores individuais formalizados até agosto, 32,76% – a maior parcela – são comerciantes. A PLP 591/10 quer permitir que o MEI obtenha seu registro pela internet, tornando o processo mais rápido e des-

com limite de três parcelamentos por empresa. Pequenas empresas paga-

zação do passivo. Pelo projeto, essas

centralizado. Outra proposta é reduzir

riam um acréscimo de 1% na alíquo-

empresas também passariam a ter

a zero os valores de taxas relativas a

ta do Simples e as microempresas

mecanismos de acompanhamento e

sua abertura, inscrição, registro, fun-

de 0,5%, como parcela de amorti-

apoio, uma forma de ajudá-las a su-

cionamento, alvará, licença, cadastro,

número de empresas optantes pelo simples nacional

4.080.159 3.386.255 2.917.926 1.946.110 1.337.107

JUN 2007

DEZ 2007

DEZ 2008

DEZ 2009

AGO 2010

Fonte: Secretaria Executiva do Comitê Gestor do Simples Nacional

40 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


Soluções em sustentabilidade no varejo apresentadas por especialistas nacionais e internacionais.

8ª Edição - 2010

28 de outubro, das 14h às 19h

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Jeb Brugmann - The Next Practice - Canadá

* tradução simultânea

Cerimônia de Premiação

5º Prêmio de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo Apresentação e premiação dos projetos finalistas e vencedores

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LE G ISLAÇÃO

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MPE

s

SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Pellizzaro, presidente da CNDL, e Medeiros, da FCDL/SC, destacaram a atuação dos lojistas catarinenses na redução da ST

alterações e procedimentos de baixa

cigarros, bebidas alcoólicas, refrige-

dos com o Simples”, destaca Sergio

e encerramento.

rantes, energia elétrica, eletroeletrô-

Medeiros, presidente da Federação

nicos e carros.

catarinense. Segundo o dirigente, a

Uma das propostas da lei com-

substituição tributária chegava a ele-

plementar mais aclamadas pelos pequenos empresários é, certamente,

O ”monstro” do ICMS

var em até 80% o ICMS cobrado em algumas optantes do Simples.

o fim da antecipação ou substituição

Em Santa Catarina, o governo

tributária (ST). “Temos que enfrentar

estadual aprovou, em agosto deste

Para Roque Pellizzaro Junior, pre-

o monstro do ICMS. E haja São Jorge

ano, um redutor sobre a margem de

sidente da Confederação Nacional de

para matar esse dragão”, provocou

lucro, que zera os efeitos da substitui-

Dirigentes Lojistas (CNDL), o caso de

Lourenço, sob aplausos da plateia de

ção tributária. O mecanismo foi uma

Santa Catarina mostra como a mobi-

convencionais. Segundo o gerente

sugestão da FCDL/SC, apresentada

lização pode mudar a história a favor

do Sebrae, a questão é urgente sob

em audiência pública no início de

dos lojistas. “A matéria estava como

risco de desmonte do Simples, já que

maio, logo que a ST entrou em vigor

vencida, no entanto, a federação lo-

o custo de algumas empresas chega

no estado. “É uma forma da peque-

cal se organizou e conseguiu rever-

a aumentar em até sete vezes com

na empresa – que representa mais

ter a situação”, destaca. O dirigente

a ST. O projeto em tramitação veda

de 90% do setor produtivo estadual

informa que a lei complementar será

o regime, exceto para combustíveis,

– não perder os benefícios conquista-

discutida durante o encontro dos

42 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


presidentes de FCDLs, que acontece de 4 a 7 de novembro em Aracaju.

Quantos municípios jÁ aprovaram a lei geral

“A partir daí, cada federação vai se mobilizar para pressionar os deputados de suas bases a votar a favor do

Estado

No de municípios

Municípios com a lei regulamentada

%

projeto”, afirma Pellizzaro. Há ainda outras lacunas no Simples, que dependem da cobrança dos micro e pequenos empresários. Em vigor há três anos, a Lei Geral das MPEs foi regulamentada até o momento por menos de 40% dos municípios brasileiros. Em função disso, muitos pequenos negócios ainda não se beneficiam dos termos da lei que estabelece condições especiais para sua participação em licitações públicas. A Lei Geral define, por exemplo, exclusividade de participação nas licitações até R$ 80 mil e subcontratação de até 30% do valor contratado com médias e grandes empresas. Lourenço explica que o objetivo da lei é estimular o desenvolvimento da economia local. Para Lourenço, as micros e pequenas empresas mostraram sua força e sua importância para o País no ano passado, durante a crise econômica mundial. Enquanto grandes empresas se viram obrigadas a reduzir o número de funcionários, as empresas de menor porte criaram mais de 1,1 milhão de postos formais de trabalho. “A micro e pequena empresa tem crédito com o País e ele precisa ser usado agora”, destacou Lourenço.

ES MT SC PR RJ RO AL RN CE AP MS RS AM TO PE MA AC GO SE RR BA SP PB MG PA PI

78 141 293 399 92 52 102 167 184 16 78 496 62 139 185 217 22 246 75 15 417 645 223 853 144 224

TOTAL

5.565

78 139 242 318 70 31 56 88 93 7 34 213 26 55 66 74 7 78 21 4 94 128 42 110 18 28

100% 98,58% 82,59% 79,70% 76,09% 59,62% 54,90% 52,69% 50,54% 43,75% 43,59% 42,94% 41,94% 39,57% 35,68% 34,10% 31,82% 31,71% 28,00% 26,67% 22,54% 19,84% 18,83% 12,90% 12,50% 12,50%

2.120

38,10% � 43

dirigente Lojista � outuBRO 2010


CDL

44 �

JO V EM

dirigente Lojista � outuBRO 2010


muito mais que um

jogo

No encontro da CDL Jovem, uma fábula medieval envolveu todos com uma forma divertida de trabalhar conceitos de gestão empresarial por Cléia schmiTZ fotos Cláudio Araújo

mos às crianças. Trata-se de um jogo, ra uma vez uma rainha sem cas-

E

elaborado pela Plenitude Soluções Em-

telo. Para resolver seu problema,

presariais com a proposta de trabalhar

Vitória Terceira, a Destemida, convo-

de forma lúdica questões relativas ao

cou todos os súditos do reino para

cotidiano de uma empresa. O game

uma assembleia. Depois de separá-

foi apresentado no encontro da CDL

-los em diferentes grupos e nomear

Jovem, durante a 51ª Convenção Na-

arquitetos-mor e mestres-de-obras

cional do Comércio Lojista, em Floria-

para coordená-los, desafiou: “Quem

nópolis. Durante duas horas, mais de

fizer o castelo mais bonito num prazo máximo de dois meses será recompensado com ouro. Os demais serão jogados no poço de crocodilos!” Pode até parecer, mas esta não é mais uma história daquelas que contadirigente Lojista � outuBRO 2010

� 45


CDL

JO V EM

SUA MAJESTADE, O CONSUMIDOR A missão dos súditos era apresentar um castelo que agradasse à exigente rainha interpretada pela psicóloga Márcia Luz

250 jovens lojistas se concentraram na

outra sala, não conseguia visualizar o

Qualquer semelhança com o que

tarefa de transformar cartolinas, papel

que suas equipes estavam fazendo. A

acontece em uma rede de lojas ou

crepom, garrafas plásticas e outros

ponte entre ele e os “súditos traba-

entre as diferentes áreas de uma

materiais no "mais belo dos castelos".

lhadores” era o mestre-de-obras.

empresa não é mera coincidência. A

Mas o que parecia apenas uma brincadeira despretensiosa escondia situações comuns a qualquer profissional que trabalha em uma empresa. Para começar, cada castelo devia ser erguido por três equipes, que se limitavam a fazer apenas uma das partes da construção: a base, o corpo ou a torre. Um detalhe importante: elas só conseguiam se comunicar por meio do arquiteto-mor. Ele era o único a acompanhar o processo por inteiro. No entanto, como ficava em 46 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

A ideia do jogo é mostrar os principais desafios que se apresentam no dia a dia da gestão de um negócio

ideia do jogo é exatamente mostrar os principais desafios que se apresentam no dia a dia da gestão de um negócio. E a comunicação é um deles. Coordenadora do game, a psicóloga Márcia Luz já viu castelos com torres enormes irem abaixo por terem bases pequenas demais para sustentá-los. “Erro de projeto, resultado da falta de comunicação entre arquitetos e mestres-de-obras”, explica Márcia, que no jogo interpreta sua majestade, a rainha Vitória Terceira.


Uma cliente real Uma rainha cheia de caprichos, por sinal – como tantos consumidores que passam por nossas lojas. No meio do processo, avisou os arquitetos que fazia questão de um lago com patinhos amarelos no jardim do castelo. O jogo ainda simulava outras artimanhas do dia a dia. Em determinado momento, alguns integrantes das equipes tiveram suas mãos atadas, outros foram vendados e outros amordaçados. O objetivo era mostrar as dificuldades que aparecem no trabalho quando um colega fica doente. Com o mesmo propósito, a rainha aparecia de vez em quando para dar férias a alguns “súditos”. Não por acaso, escolhia justamente aqueles que estavam mais envolvidos com o trabalho. Em outro momento, algumas pessoas eram transferidas para outras

COMUNICAÇÃO COMPLICADA O arquiteto-mor não tinha acesso ao local da construção e contava com a ajuda de um mestre-de-obras para coordenar as equipes da base, do corpo e da torre

equipes – para desespero dos participantes –, simulando as frequentes mudanças de área e de função em uma empresa. É como o gerente ou o supervisor de vendas que "cai de paraquedas" em outra loja e tem que se ambientar rapidamente para não prejudicar o andamento dos negócios. “Esse rodízio mostra como é importante saber lidar com as mudanças que acontecem no ambiente de trabalho”, explica Márcia. Outro desafio incorporado ao jogo é a falta de recursos. Os materiais para a construção do castelo são escassos, o que obriga o arquiteto-mor – dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 47


CDL

JO V EM

que é responsável pelo almoxarifado

foram percebendo que a criativida-

Os dois meses dados pela rainha para

– a distribuí-los corretamente entre as

de é o ponto-chave para a limitação

a construção do castelo se traduziram

equipes e, muitas vezes, pedir de vol-

dos recursos, além da boa gestão dos

em duas horas. Era só um jogo, mas

ta o que não foi usado. Inicialmente,

materiais.

a preocupação com o relógio era evi-

as equipes receberam apenas uma

Mas o maior desafio foi trabalhar

dente no semblante dos “súditos”, es-

régua, uma tesoura e duas folhas de

com a pressão do tempo. No jogo,

pecialmente dos arquitetos e mestres-

papel. Aos poucos, os participantes

cada dia correspondia a um minuto.

de-obras. São os líderes que sentem mais o peso da responsabilidade pelo resultado final. Após o término do prazo para construção de cada uma das partes do castelo, as equipes tiveram cinco minutos (equivalente a cinco dias) para montá-lo.

Mesmo com poucos recursos, o resultado do trabalho em equipe agradou à rainha, que poupou todos dos crocodilos 48 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


Mas não acabou aí. Com os cas-

dos oito castelos e decidiu ficar com

Seus colegas gaúchos concordaram:

telos prontos, a rainha pediu que as

todos. Alívio: ninguém foi jogado ao

“Reflete o dia a dia de um negócio e

equipes responsáveis por cada um

poço de crocodilos.

torna o aprendizado mais fácil e duradouro em comparação a uma palestra

deles preparasse seus argumentos de venda, incluindo a apresentação de

Súditos satisfeitos

tradicional”, destacou Pauliane Soran-

um jingle com direito a coreografia

Os participantes aprovaram o jogo.

so, da CDL Jovem de Vacaria (RS). “O

encenada por todo o grupo. Mais uma

"Além da integração, a dinâmica pos-

que me chamou atenção foi o fato de

vez, tudo foi cronometrado. Foram

sibilitou o desenvolvimento de aspec-

termos que lidar o jogo inteiro com o

dez minutos (dez dias) para discutir

tos importantes como saber delegar

tempo curto e a escassez de recursos.

como vender o castelo, tempo curto

tarefas, administrar o tempo, traba-

É o que acontece nas empresas, esta-

para administrar ideias e opiniões di-

lhar em equipe e gerenciar conflitos",

mos sempre correndo atrás”, comple-

ferentes. Ao final das apresentações,

destacou Ramon Scariot, coordenador

tou Samuel Maikel Polli, da CDL Jovem

enfim, a decisão da rainha. Ela gostou

da CDL Jovem de Caxias do Sul (RS).

de Farroupilha (RS).

CONHEÇA O MOVIMENTO CDL JOVEM Com uma boa dose de irreverência, o movimento CDL Jovem tem deixado sua marca em mobilizações Brasil afora. A principal bandeira – o protesto contra a elevada carga tributária – já é uma tradição no País, com dia marcado: 25 de maio. A data não foi escolhida à toa – a soma dos impostos pagos em um ano equivale ao dinheiro recebido pelos trabalhadores brasileiros de 1º de janeiro a 25 de maio. Em 2010, o movimento investiu na venda de gasolina com desconto de tributos para chamar a atenção da população. A responsabilidade social é outro foco de campanhas do movimento lojista jovem. Em Belo Horizonte, um mutirão de solidariedade é realizado todos os anos para oferecer exames oftalmológicos e doação de óculos para crianças

de creches e abrigos da capital mineira. Em Campo Grande, jovens lojistas fizeram, em setembro, uma campanha de arrecadação de brinquedos para presentear crianças pobres no dia 12 de outubro. No Rio Grande do Sul, os movimentos lojistas de Porto Alegre e Caxias do Sul tornaram-se franqueados do projeto Pescar, de profissionalização de jovens carentes. Outra campanha que já se transformou numa marca dos cedelistas jovens é a luta pela paz no trânsito. Com o slogan “Não quero morrer no trânsito”, a proposta é conscientizar motoristas sobre a importância de dirigir de forma responsável para não colocar em risco sua própria vida e das pessoas em volta.


e m p r e e n d e d o r i s m o

um toque

feminino

por MARLON ASEFF fotos Cláudio Araújo

50 �

Com informação e glamour, o 3o Encontro da Mulher Empreendedora mostrou a força das empresárias do varejo brasileiro

dirigente Lojista � outuBRO 2010


mercado varejista nacional tornaram-

organizados workshops sobre como

o Brasil, dos 18,8 milhões de

-se ainda mais evidentes em 2009

montar um desfile de moda, um en-

empreendedores em estágio

e nada indica que estas empreen-

saio fotográfico e um desfile com mo-

inicial ou com menos de 42 meses

dedoras vão parar de crescer. Além

delos escolhidas pelas federações das

de existência, mais da metade é mu-

do Brasil, apenas Tonga e Guatema-

CDLs, organizado pelo Curso de Moda

lher. A força feminina no mundo dos

la obtiveram índices que mostram o

da Universidade do Estado de Santa

negócios ficou evidenciada no levan-

empreendedorismo feminino mais

Catarina (Udesc).

tamento promovido pela pesquisa

elevado que o masculino.

N

De acordo com Gelda Tavares Silva,

Global Entrepreneurship (GEM 2009),

De acordo com um levantamento

presidente da comissão organizadora,

que concluiu que 53% desses novos

feito pelo Sebrae no início deste ano,

o encontro veio coroar o momento

empreendedores são mulheres, con-

elas brilham mesmo é no ambiente

de destaque que a atuação feminina

tra 47% de homens. A virada das

dos micro e pequenos empreendi-

vem obtendo junto ao setor produ-

mulheres e o peso que elas têm no

mentos. Segundo a pesquisa, 63,5%

tivo brasileiro. Na abertura do even-

dessas empresas possuem uma mu-

to, a esposa do presidente da CNDL,

lher no comando e elas respondem

Dhébora Costa Pellizzaro, lembrou da

ainda por 57,2% dos cargos de direção

importância de haver um momento

e gerência. Das entrevistadas, 44,4%

dedicado a elas na convenção. "Não

disseram que não encontram dificulda-

podemos esquecer nunca que nós

des em conciliar as atividades empre-

mulheres é que damos um toque es-

sariais com as familiares e 90,2% não

pecial nos nossos empreendimentos",

sentem discriminação no ambiente de

salientou.

trabalho pelo fato de ser mulher. Na 51ª Convenção Nacional do Co-

Eficientes e intuitivas

mércio Lojista, o maior fórum varejis-

Segundo especialistas em empre-

ta da América Latina, o talento emer-

endedorismo, é esse "toque espe-

gente do público feminino no mundo

cial" que faz a mulher triunfar em um

dos negócios ficou evidenciado du-

ambiente de negócios cada vez mais

rante o 3º Encontro da Mulher Empre-

inovador. "Diante dos desafios que o

endedora, no dia 28 de setembro. Em

mercado apresenta a cada dia, as mu-

um espaço reservado especialmente

lheres estão conseguindo ser mais efi-

para mulheres empresárias, elas pu-

cientes graças a atributos naturais para

deram participar de diversas ativi-

a gestão de negócios, como a capa-

dades programadas especialmente para atendê-las. Entre elas, nichos de atendimento de beleza, penteado e maquiagem; Lounge Spa Reflexologia e Atelier Spa; avaliação energética, auriculoterapia. Além disso, foram dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 51


e m p r e e n d e d o r i s m o

SUCESSO O evento reuniu cerca de 1 mil mulheres, que trocaram ideias, participaram de workshops de moda e aproveitaram serviços de bem-estar e beleza

sequência, a felicidade. “Por isso ela está despontando em tantos setores empresariais, pois busca o sucesso e sua felicidade consiste em chegar ao limite de competência para melhorar sua vida e a dos outros”, define. Luciane Lopes, lojista da cidade

52 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

cidade de relacionamento

gaúcha de Uruguaiana, tem a mesma

mais flexível, e o sentido

percepção. Ela foi uma das cerca de 1

intuitivo mais apurado que

mil mulheres presentes no encontro

os homens", avalia o con-

em Florianópolis e atribui o sucesso

sultor e palestrante Gilberto

das mulheres nos negócios a um prag-

Wiesel. Para ele, a mulher

matismo em todas as áreas em que

empreendedora se motiva

atuam, desde a casa até o ambiente

principalmente pela busca

de trabalho. “Estamos sempre evoluin-

da realização e, por con-

do no cuidado de nossos lares, de nos-


sos filhos, e agora de nossos negócios. Por isso a importância da participação das mulheres em encontros como este”, disse a empresária. A capacidade feminina de realizar múltiplas tarefas está sendo reconhecida pelos maiores especialistas em administração como um acréscimo ao perfil ideal de gestor, que requer mais flexibilidade, sensibilidade e comando.

Exemplo em família Nesse sentido, a palestra de Sonia Hess, presidente da camisaria Dudalina e uma das mais promissoras executivas do País, complementou com precisão o tema do encontro. Em uma conversa descontraída, ela contou a história da Dudalina desde antes do início da empresa, quando seus pais, Duda e Adelina, se casaram, em 1947. Embora Duda tenha sido sempre um homem presente na vida familiar, foi Adelina quem demonstrou a aptidão pelo empreendedorismo. No início, o casal mantinha uma venda de secos e molhados na cidade de Luís Alves, interior de Santa Catarina. A empresa nasceu, no entanto, em 1957, quando Adelina transformou em camisas uma compra exagerada de tecidos feita pelo marido, e passou a vendê-las pela região. A partir daí, a história da Dudalina é permeada por momentos de puro empreendedorismo, onde Adelina sempre foi a protagonista. Sexta filha em uma família de 16 irmãos, Sonia

CARACTERÍSTICAS DA MULHER EMPREENDEDORA Intensidade Dedica-se integralmente ao trabalho,

com um campo de visão amplo, mas que sabe ser restrito quando necessário. Isso passa ao interlocutor a sensação de uma comunicação eficiente e com sentimento real.

Afetividade Sabe ser afetuosa quando necessário e

cobrar quando precisa. Dosa gentileza e exigência.

Aptidão para negociação Sabe apresentar ideias,

levando em conta prazos e orçamentos.

Humildade Valoriza as ideias dos outros, sabe dizer

quando desconhece como realizar uma atividade e pede ajuda, mostrando-se pronta para aprender.

Responsabilidade Cumpre prazos, prometendo somente o que poderá cumprir.

Alto astral Sua necessidade de comunicação oral

impulsiona risadas e boas histórias. Ela sempre tem um comentário a mais por fazer, tornando o ambiente mais leve.

Excelente ouvinte Sabe ouvir e compreende com

mais facilidade as necessidades dos outros.

Autoconhecimento Por ser extremamente

assertiva, analisa constantemente suas habilidades e dificuldades.

Organização Começo, meio e fim – esta é a sequência e a dinâmica de suas ações.

Flexibilidade Devido à necessidade constante em

cumprir vários papéis, como dona de casa, mãe, esposa e profissional, desenvolveu a capacidade de adaptação às mais variadas situações.


e m p r e e n d e d o r i s m o

INSPIRAÇÃO E VALORES A empresária Sonia Hess, presidente da camisaria Dudalina, falou sobre a tradição empreendedora herdada da mãe Adelina, fundadora da empresa

lembra que a mãe já implementava

espaço customizado, pois ser industrial

Com uma trajetória que iniciou ain-

os conceitos de governança corpora-

é uma coisa, mas varejar é um verbo

da jovem na empresa de dona Adeli-

tiva muito antes disso se tornar uma

que envolve atender desejos, e esta-

na, Sonia Hess ainda trilhou o caminho

tendência mundial. Hoje a empresa

mos aprendendo isso”, revela a exe-

do mercado de tecelagem em Minas

conta com 1.375 colaboradores, 1 mil

cutiva, que prepara a abertura de fran-

Gerais e passou por uma qualificação

deles mulheres. Mesmo com o cres-

quias nos estados de São Paulo, Santa

na Espanha, até se tornar presidente

cimento, Sonia mantém os valores

Catarina e Rio Grande do Sul.

da Dudalina, em 2003. A partir daí, passou a implementar uma série de

semeados pela matriarca: ética, inovação, qualidade e paixão. ”A construção de relações sólidas e éticas com clientes e colaboradores”, assegura, ”é fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento”. Na atualidade, a Dudalina passa por um processo gerencial que envolve a quebra de alguns paradigmas, com os primeiros passos no ambiente de varejo. “Queremos atender pelo coração, com envolvimento e em um 54 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

A palestra da presidente da Dudalina, seguida de um desfile de moda, foram os pontos altos da programação

conceitos gerenciais para administrar uma empresa familiar e os conflitos que naturalmente surgem nesse ambiente. “Éramos 16 irmãos, mas quando minha mãe morreu, viramos 16 famílias”, recorda. Por isso, ela se mantém focada em áreas que envolvem desde o planejamento da sucessão até inovação, responsabilidade social e sustentabilidade – áreas em que a Dudalina é exemplo no País.


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CREDIBILIDADE DE QUEM FAZ . CREDIBILIDADE PARA QUEM LÊ .


o p i n i ã o

|

b a n h o

d e

l o j a

MúltiplA

escolha M

ais e mais opções nos são oferecidas a

A chave para resolver esta equação está

cada dia. Opções de serviços, de pro-

na adequação da solução oferecida ao cliente.

dutos, de relacionamentos, entre outras. Com

Exemplificando: uma pessoa, em diferentes

o advento da tecnologia, hoje podemos falar

momentos, pode comprar o mesmo item em

com pessoas que moram do outro lado do

uma loja de conveniência, em uma loja espe-

planeta e saber suas opiniões sobre marcas

cializada ou em um hipermercado. A escolha é

e produtos, interferindo no nosso processo de

feita de acordo com o momento ou propósito da

compra. Podemos também escutar as músicas

compra. Posso ir à conveniência do posto de ga-

que queremos sem depender da programação

solina para comprar um chocolate, por exemplo,

do rádio ou do lançamento de um CD com a

porque estou abastecendo meu carro. Ou posso

seleção definida por uma gravadora.

ir ao hipermercado porque necessito de mais

Contudo, nem sempre um excesso de opções é o que buscamos. Às vezes, todas essas possibilidades nos deixam confusos e não temos tempo nem vontade de vasculhar tudo até

itens, entre eles o chocolate. Ou ainda posso

“A diferença entre o lucro

querer presentear alguém com um chocolate e minha decisão poderá ser a loja especializada. Posso comprar o mesmo tipo e marca de

achar o que realmente desejamos. É por isso

e o prejuízo

chocolate em cada uma destas lojas, mas to-

que vivemos hoje a era do "personal": personal

pode estar no

das devem preencher e, de preferência, supe-

DJ, personal stylist, personal trainer, personal shopper, etc. Eles fazem a triagem das opções,

gerenciamento

facilitando e agilizando as escolhas para pesso-

correto das

as sem tempo ou paciência, que por vezes não conseguem realizar uma compra que demande

opções para o

a análise de muitas opções.

consumidor”

Por vezes, reduzir a variedade de uma categoria pode aumentar as vendas. Há momentos em que queremos ter opções para poder decidir a compra, mas há outros em que opções demais só atrapalham. 56 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

rar as minhas expectativas. Posso ficar satisfeita com cinco opções de chocolate na loja de conveniência, mas insatisfeita com 20 opções para escolher na loja especializada. As lojas, cada vez mais, assumirão este papel de triagem. Agrupar, destacar, sugerir itens não é papel só de pessoas (ou personals), mas

Kátia Bello Arquiteta e sócia-diretora da Opus Design. katia@opusdesign.com.br

do varejo também. Em um cenário de múltiplas opções e escolhas, a diferença entre o lucro e o prejuízo pode estar no gerenciamento correto das opções para o consumidor.


v a r e j o

i n t e r n a c i o n a l

BOM NATAL

PARA O VAREJO DOS EUA Com a economia em lenta recuperação, lojistas esperam um aumento de 2,3% nas vendas de fim de ano

A

pós um 2009 mediano e um 2008 desastroso, as vendas de

fim de ano no varejo norte-americano começam a esboçar uma recuperação. A previsão da National Retail Federation (NRF) é de um crescimento discreto de 2,3% este ano, movimentando US$ 447,1 bilhões nos meses de novembro e dezembro. Ainda que o crescimento mantenha-se ligeiramente inferior à média dos últimos dez anos (2,5%), já representa uma significativa melhora diante dos pífios 0,4% do ano anterior e dos deprimentes -3,9% experimentados em 2008. ”Enquanto muitos consumidores aumentam a procura por itens de vestuário e eletrônicos neste Natal, os varejistas esperam que as festas de fim de ano tragam um crescimen58 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


por

Diógenes fischer

diogenes@agenteinforma.com.br

to econômico sustentável”, afirma o presidente da NRF, Matthew Shay. ”Embora o varejo esteja em posição mais sólida do que no ano passado, as empresas estão acompanhando de perto os principais indicadores econômicos, como o nível de emprego e a confiança do consumidor antes de fi-

O consumidor está mais disposto a gastar no comércio, mas ainda é muito sensível ao preço

carem muito otimistas e acharem que a recessão já ficou para trás.” Assim como já fizeram nos anos

de fim de ano é baseada em um mo-

anteriores, os varejistas devem se

delo econômico com vários indica-

concentrar na eficiência da cadeia

dores, incluindo emprego, produção

de abastecimento e controle de es-

industrial, renda pessoal disponível

toque nesta temporada para não ter

e os relatórios mensais de vendas

que lidar mais adiante com excesso

no varejo anteriores. De acordo com

de mercadorias e descontos não pla-

as estatísticas mais recentes, o cli-

nejados. Espera-se também que as

ma do varejo tem sido irregu-

empresas invistam em novos canais

lar durante a maior parte de

– como a telefonia móvel – para im-

2010: as vendas não têm sido

pulsionar as vendas e oferecer um

capazes de manter o ritmo devido a

serviço agregado aos clientes que

preocupações sobre a viabilidade da

querem comprar a qualquer hora,

recuperação econômica.

em qualquer lugar. ”Enquanto os consumidores demonstram que estão novamente dispostos a gastar com o que consi-

crescimento nas vendas de fim de ano nos EUA (por ano)

deram importante, eles ainda continuam muito conscienciosos no que se refere ao preço”, diz o economista-chefe da NRF, Jack Kleinhenz. ”Os varejistas devem compensar esta mudança no comportamento do consumidor oferecendo promoções significativas ao longo da temporada de férias e enfatizando o valor em todos os seus esforços de marketing.” A previsão da NRF para as vendas

*estimativa Fonte: NRF, com base em dados do Depto. de Comércio dos EUA

dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 59


v a r e j o

i n t e r n a c i o n a l

Wal-Mart agita o mercado de varejo na África do Sul O panorama do varejo sul-africano pode de alterar significativamente com os recentes investimentos do Wal-Mart no mercado local. Segundo a agência de avaliação de riscos Fitch Ratings, o anúncio

Tempos difíceis em Dubai

feito recentemente pela rede,

Depois de uma crise sem precedentes, os Emirados Árabes enfrentam vendas em queda

adquirir 100% da Massmart

A

confirmando que pretende Holdings, deve levar a um aumento na competição e a

lguns anos atrás, as lojas pratica-

crescimento – tem se esforçado para

uma consequente melhora nos

mente abandonadas que se espa-

lidar com um período de dificuldades

níveis de atendimento e preço ao

sem precedentes.

consumidor.

lham por todo o território de Dubai se-

riam uma cena impensável no mercado

Ao mesmo tempo em que os Emi-

Caso a venda se concretize, o

de varejo mais exuberante do Oriente

rados Árabes passam por dificuldades,

Wal-Mart absorve as operações

Médio. Mas o reflexo dos problemas

outros países da região, como Catar e

da maior empresa varejista da

econômicos enfrentados pelos Emi-

Omã, tiveram um aumento de 14% e

África, com 290 lojas em 13

rados Árabes Unidos transformou um

15% nas vendas, respectivamente. Na

países, focada no atacado de

setor antes vibrante em um verdadeiro

Arábia Saudita, houve um crescimento

alimentos e utensílios para o

deserto de clientes. Diante dessa dura

de 8% nas categorias não-alimentícias

lar. Segundo a Fitch, a entrada

realidade, o comércio da cidade sofreu

e de 4% em produtos alimentares, se-

de multinacionais varejistas na

uma queda de aproximadamente 24%

gundo dados do Nielsen Group.

África do Sul deve conduzir a

nas vendas no ano passado, de acordo

Para Peter Walichnowski, executivo-

uma concorrência mais forte

-chefe da Majid Al Futtaim Properties,

de preços, onde as vantagens

Como o mercado imobiliário entrou

que administra três shopping centers

de empresas como o Wal-Mart

em colapso, os empregos foram elimi-

no emirado, os varejistas já passaram

em termos de poder de compra

nados, as despesas dos turistas diminu-

pelo pior. ”Estamos prevendo uma re-

e economia de escala criarão

íram e a confiança despencou. Agora

cuperação no último trimestre e cres-

uma pressão sobre as margens

o varejo – um dos setores que melhor

cimento estável para o próximo ano”,

entre as grandes cadeias

sintetizou a extravagância dos anos de

avalia o executivo.

supermercadistas do país.

com o Nielsen Group.

60 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


Arejando o mercado de shoppings

Centros comerciais a céu aberto ganham espaço nos EUA

D

ois quarteirões depois de sair da praia, o turista desatento pode

entrar no novo shopping de Santa Monica, em Los Angeles, sem perceber que está em um shopping. O local foi desenhado em 1980 e parece continuação natural de uma movimentada rua fechada de comércio. O Santa Monica Place passou por mudança radical de US$ 265 milhões para transformar o que era um grande “caixote de cimento“ em um shopping a céu aberto. “Era uma construção fechada, meio velha, cansada. As pessoas queriam algo que não fosse tão opressivo, que

ao ar livre, integrados à comunidade.

mosfera de rua principal de uma pequena cidade.

fosse prático para entrar e sair”, diz

Muitos dos shoppings foram cons-

Doug Roscoe, gerente do Santa Monica

truídos 25 anos atrás em locais então

No sul da Califórnia, centros ao ar

Place. A iniciativa representa uma ten-

distantes de centros urbanos. “Hoje,

livre são onipresentes. Há pelo menos

dência recente do mercado de shop-

novos terrenos são caros e ninguém

outros três grandes shoppings do gê-

ping centers nos EUA pós-recessão:

quer ficar longe da clientela”, diz o

nero em Los Angeles, incluindo o mais

quem não fechou as portas está sendo

pesquisador Michael Beyard, do Urban

recente, Americana At Brand, constru-

reformado. Nessa onda de mudanças,

Land Institute. Com o shopping a céu

ído em 2008 unido a um complexo

muitos são transformados em centros

aberto, a ideia é reproduzir aquela at-

residencial.

Harvey Nichols abre sua segunda loja em Hong Kong Em outubro de 2011, os quatro andares e 83 mil me-

Esta não é exatamente o fim da Seibu, mas uma opção

tros quadrados de espaço do antigo prédio das lojas Sei-

estratégica para atingir um mercado mais sofisticado, já

bu, em Hong Kong, serão tomados pela rede inglesa de

que o grupo Dickson Concepts, proprietário da Harvey

lojas de departamentos Harvey Nichols. A loja de luxo

Nichols, também é dono das lojas Seibu em Hong Kong

já tem uma loja na Queen's Road Central, no distrito de

e China. A adição da Harvey Nichols ao Pacific Place tam-

Hong Kong, mas esta segunda loja no Pacific Place Mall,

bém marcará o final de um esforço de modernização do

na cobiçada região administrativa da cidade, será o car-

espaço que começou em 2007 e custou cerca de US$

ro-chefe da rede no mercado asiático.

257,9 milhões. dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 61


o p i n i ã o

|

p o n t o

d e

v e n d a

quando o varejo virA

sala de estar J

á repararam que, quanto maior a loja,

um shopping em São Paulo (um espaço den-

mais ela parece um espaço de “estar”,

tro de um espaço dentro de um espaço). Es-

ao invés de uma loja propriamente dita? Es-

tou em um shopping mas não vim aqui para

tamos sempre dizendo que o varejo é cada

fazer compras. Vim para passar o tempo, es-

vez mais um vendedor de soluções, e não

perando acalmar um pouco esse trânsito lou-

mais um vendedor de produtos. As pessoas

co da cidade, para que eu possa ir até meu

buscam em um mesmo espaço resolver tudo

destino (do outro lado do mundo) com um

de uma vez só, não importa o segmento, não

pouco mais de tranquilidade. Até aí já começamos a perceber um fenô-

importa a categoria de produtos. Em uma loja de materiais para construção,

meno interessante. É cada vez mais comum

por exemplo, as pessoas querem encontrar

os shopping centers – principalmente os de

tudo para casa no mesmo espaço. De pre-

perfil mais popular – atraírem pessoas dis-

ferência, não querem ter de escolher o re-

“É comum os

postas apenas a passear. Dessa forma, saber

vestimento em uma loja e a cor das paredes

shoppings –

atrair a atenção e ofertar corretamente é a

completas (com variedade e qualidade) vêm

principalmente

formar estas pessoas “a passeio” em clientes

ganhando a preferência do consumidor a

os de perfil

em outra. Varejistas que oferecem as opções

cada dia.

grande chance que os lojistas têm de transreais. O que tenho visto é como as lojas grandes

mais popular –

vêm se tornando locais de passeio, locais de

pensar que a área de vendas de uma loja

atraírem pessoas

estar para os clientes. Nessa livraria em que

deveria ser expressa, dinâmica, de uma ma-

dispostas apenas

estou nesse momento, enquanto tomo um

Pensando desta maneira, poderíamos

neira que o consumidor mal precisasse entrar no ponto de venda. Entrar-comprar-sair seria

a passear”

Mas não é bem assim. No momento que escrevo este artigo, estou em uma cafeteria, localizada dentro de uma livraria, dentro de 62 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

da semana em exposição, por exemplo. Se eu me interessar por ela, levo. Costumo com-

a diretriz básica de qualquer loja voltada ao cliente.

café e acesso a internet, posso ver a revista

Caio Camargo Diretor de Planejamento Estratégico da Fantasy Publicidade & Propaganda. www.falandodevarejo.com.br

prar com certa voracidade livros e revistas de design e arquitetura. Não dá para comprar um livro onde o conteúdo seja formado por imagens sem folheá-lo! Lojistas muitas vezes


trancam e encapam produtos imaginando que estão prevenindo perdas causadas por clientes dispostos a folhear algumas páginas. Quanto será que estão perdendo? Quantos venderiam se deixassem os clientes ler à vontade? Eu vejo inclusive sofás! É um convite a ler, a se aprofundar, a decidir, a levar depois de ler! Também vejo fenômenos parecidos em hipermercados, principalmente aqueles que oferecem, além de tudo um pouco, horários de atendimentos extensos, em muitos casos, funcionando 24 horas sem parar! Já reparou como as pessoas gostam de comprar durante a madrugada? Casais comprando frutas para um café da manhã, jovens comprando salgadinhos e doces depois da balada, ou até mesmo pessoas que não têm tempo para comprar durante o dia e que preferem comtigos depósitos de materiais para construção

prar durante a madrugada, quando tudo é muito mais calmo. Para algumas pessoas, supermercados

“Saber atrair a

se transformariam em incríveis templos de casa e decoração? Um exemplo disso é pas-

próximos de casa funcionam como verda-

atenção e ofertar

sear por uma das lojas de móveis Etna ou a

deiras extensões de suas residências, uma

corretamente

Tok & Stok, onde só a forma de “percorrer”

espécie de despensa onde é só passar pelo caixa antes de consumir. Um bom case é da

é a grande

rede americana Starbucks, que tem como

chance que os

missão ser o “terceiro local” para o consu-

a loja já vale o passeio por sua inovação. Lojas como C&C Casa e Construção oferecem a seus clientes serviços como cyber cafés, espaço para recreações, atendimentos em

midor, junto com a residência e o trabalho

lojistas têm de

das pessoas. Um terceiro lugar... seu café

transformar

diário, um estar. Supermercados têm con-

estas pessoas

tretenimento.

baseados completamente nos serviços de

‘a passeio’ em

Stok, entre tantas outras, representam uma

conveniência ao cliente. Em muitos super-

clientes reais”

série de lojas e formatos criados de maneira

vergido seus modelos, em alguns casos,

mercados já é possível consumir produtos e iguarias no próprio local. E quem imaginaria anos atrás que os an-

espaços especializados, tudo para transformar o prazer de comprar também em enDecathlon, FNAC, Livraria Cultura, Tok &

não só a cativar a preferência dos consumidores, mas também de criar o hábito de entreter. Um grande abraço e boas vendas! dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 63


m ó v e i s

e

n e g ó c i o s

confiança

em alta

Com crédito fácil, desemprego em queda e inflação sob controle, as famílias brasileiras vão às compras sem medo de consumir

64 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


por

Geraldo Rigoni

O

geraldo@geraldorigoni.com.br

momento econômico do Brasil

tou 1,7% em relação ao segundo tri-

traz a ideia de que a vida está

mestre, mas caiu 0,4% em relação

tranquila. A percepção de que está

ao primeiro trimestre de 2010.

mais fácil conquistar um emprego e

De acordo com a pesquisa, as

de que a inflação está menor leva os

famílias mais pobres estão mais oti-

consumidores aos melhores índices

mistas com suas intenções de con-

de confiança na economia registra-

sumo (alta de 0,8% no índice de

dos nacionalmente.

setembro) do que as famílias mais

De acordo com a Fundação Ge-

ricas (queda de 0,8% no mês).

tulio Vargas (FGV), em setembro o

No que diz respeito aos indicado-

Índice de Confiança do Consumidor

res regionais, o destaque do mês foi

(ICC) atingiu pela segunda vez con-

o Nordeste (+2,0% de alta no índice

secutiva o maior patamar da série

em setembro), responsável por 50%

histórica com ajuste sazonal, 121,7

da alta do ICF no mês.

pontos, aumentando 0,7% em relação a agosto e 9,9% no comparativo a setembro de 2009.

Segundo a FGV, o Índice de Confiança do Consumidor em setembro foi 9,9% maior do que no mesmo mês do ano passado bém parece estar controlada. Com boas perspectivas a curto prazo, as preocupações dos lojistas a partr de agora devem estar focadas

RESULTADO NAS VENDAS

no médio prazo. Se as vendas real-

Todo esse otimismo por parte do

mente atingirem um crescimento de

O estudo da FGV mostra que o fa-

consumidor já começa a se refletir

6% a 7% no ano que vem, elas po-

tor que mais ajudou para a elevação

nas previsões dos lojistas para os

derão bater na barreira da produção

do índice foi a análise feita da econo-

próximos meses. A Associação Co-

industrial e da infraestrutura, o que

mia atual, quesito que cresceu 3,5%

mercial de São Paulo (ACSP) estima

fará com que o comércio registre ta-

e atingiu 140,8 pontos. No geral as

um crescimento de 10% nas vendas

xas menores de crescimento a partir

pessoas estão felizes com o atual

do comércio varejista este ano com

de 2012.

momento econômico e com o aque-

crescimento no comparativo com

Mas por enquanto, de acordo com

cimento da economia.

2009. A previsão é de uma expansão

os economistas, os bons ventos de-

do setor de 6% a 7% em 2011.

vem continuar. Aproveitar a oportu-

INTENÇÃO DE CONSUMO

Segundo a ACSP, a oferta de cré-

nidade do desejo de compra e apre-

Segundo a Pesquisa Nacional de

dito fácil, a taxa de emprego em ele-

sentar boas soluções e produtos para

Intenção de Consumo das Famílias

vação, o aumento dos salários, dos

os consumidores são obrigações do

(ICF-Nacional), a intenção de consu-

empregos e da confiança do con-

varejo. É claro que temos uma série

mo das famílias brasileiras cresceu

sumidor têm permitido a expansão

de ações que precisam de inves-

0,6% em setembro, atingindo 135,2

das vendas no varejo. Além disto, a

timentos para garantir um cresci-

pontos. É o quinto mês consecutivo

inadimplência está sob controle jus-

mento sustentável para a economia

de alta do índice.

tamente porque a variável que mais

nacional. Mas, na proximidade do

No acumulado do terceiro trimes-

provoca os atrasos nos pagamentos

Natal, deixemos as reclamações e

tre, a intenção de consumo aumen-

– a falta de um emprego fixo – tam-

vamos em busca de bons resultados.

dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 65


m ó v e i s

e

n e g ó c i o s

Novos rumos para o Ponto Frio Rede deve "sair da rua" e focar no público das classes A e B

A

rede de móveis e eletroeletrônicos Ponto Frio vai reestrutu-

rar seu negócio. O objetivo é tornar a marca "premium", alcançando as classes A e B. Para isso, a empresa vai focar nas lojas de shoppings. A Nova Globex, detentora das Casas Bahia, Ponto Frio e Pão Açúcar, quer evitar a perda de clientes dessas unidades para os concorrentes. Retirando a marca Ponto Frio “da rua”, uma parte dos consumidores destes pontos de venda migraria para as Casas Bahia e outra para a concorrência. A Nova Globex também prepara mudanças nas Casas Bahia, porém, "sem perder o DNA da marca". As

A previsão da Nova Globex é inves-

A companhia terá 53% de partici-

lojas serão atualizadas e repagina-

tir entre R$ 100 milhões e R$ 120 mi-

pação do Pão de Açúcar e 47% da fa-

das para ficarem mais jovens. Quinze

lhões até o fim de 2011 em conversão,

mília Klein, que entra no negócio com

unidades já foram abertas neste novo

modernização e inaugurações de lojas.

Casas Bahia. Serão 1.023 lojas em 12

formato, e as próximas que forem

As 47 lojas da marca Extra Eletro serão

estados, 67,4 mil funcionários, 9,2

inauguradas ou reformadas também

transformadas em Ponto Frio ou Casas

milhões de clientes e R$ 16 bilhões

seguirão o novo padrão.

Bahia e a marca deixará de existir.

de crédito disponível.

Ricardo Eletro, Insinuante e City Lar lançam cartão A união das redes Ricardo Eletro, Insinuante e City

praticidade de não ser necessária avaliação a cada

Lar está criando uma nova modalidade de crédito para

compra, juntamente aos benefícios permitidos pelo

facilitar a venda de seus produtos aos clientes. O novo

carnê, serão englobadas em um único produto.

cartão permitirá que os clientes comprometam até 30%

Assim como ocorre com as bandeiras mais comuns

da sua renda com a parcela, o que ao fim resulta em um

existentes no mercado, o consumidor poderá fazer

crédito mais elevado.

uso do novo cartão tanto na rede como fora dela. O

As facilidades nativas do cartão de crédito e a 66 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

diferencial é a cessão de maior poder de compra.


Avanço na logística Brasil chega à 41a posição no ranking mundial

Centro de distribuição A Masisa, empresa

O

Brasil avançou 20 posições no

atuam nas fronteiras precisam ser

especializada na fabricação de

Índice de Desempenho em Lo-

mais eficientes e não se concentrar

painéis de madeira para móveis

apenas na coleta de impostos.

e arquitetura de interiores,

gística (LPI, sigla em inglês), passando da 61ª em 2007 para a 41ª este

O País aparece no 82º lugar em re-

ano, mas ainda precisa combater

lação a trâmites alfandegários, atrás

distribuição. Localizado em

muitos gargalos de infraestrutura e

de Uganda (44º), República Demo-

Londrina, no interior do Paraná,

melhorar os serviços alfandegários e

crática do Congo (59º), Togo (75º) e

o novo CD traz vantagens

de fronteiras. O ranking é elaborado

Benin (80º).

logísticas principalmente aos

pelo Banco Mundial.

O estudo indica que uma boa es-

inaugurou novo centro de

fabricantes de móveis de

Segundo a pesquisa, a questão

trutura logística tem mais efeitos co-

alfandegária é o que puxa o Brasil

merciais do que a redução de impos-

A nova estrutura conta

para uma posição mais baixa no

tos e tarifas, podendo elevar o PIB em

com uma área de 5 mil m²

ranking. A alfândega e agências que

1% e o comércio em 2%.

e permitirá à Masisa maior

Arapongas e região.

agilidade na entrega de seu mais novo produto, o MD Premium (Medium Density Parcicleboard), para as empresas do principal polo moveleiro do Paraná. A expectativa é de que o transporte dos painéis da fábrica, no Rio Grande do Sul, até o CD seja feito 100% pelo modal ferroviário. O novo CD da Masisa em Londrina iguala-se, em tamanho, ao inaugurado em 2006 em Barueri, na Grande São Paulo, e complementa uma estrutura logística que inclui também os centros de distribuição que a empresa opera em suas duas fábricas em Ponta Grossa (PR) e Montenegro (RS). dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 67


o p i n i ã o

|

d e

o l h o

n o

c l i e n t e

combine com

a torcida P

ara obter melhores resultados de uma

mando que a nova coleção está disponível. Há

empresa é preciso ter uma equipe enga-

somente uma loja própria e as outras são fran-

jada participando ativamente do processo de

quias espalhadas nos principais shoppings de

conquista e retenção de clientes e um atendi-

algumas capitais. Fui a uma das lojas 20 dias

mento adequado com sua proposta de valor.

após ter recebido o catálogo. Quando solicitei

A proposta de valor de uma empresa traduz

um produto que constava na publicação, fui in-

sua essência, qual público quer servir e o que

formada que não havia chegado, mas várias

a diferencia dos concorrentes. Você somente

clientes haviam solicitado e poderiam anotar

obtém funcionários engajados e envolvidos se

o nome e telefone para retornar.

treiná-los e prepará-los para atingir os resulta-

Como gostei muito do produto e queria

dos esperados.

comprá-lo, resolvi pesquisar em outras lojas da

Atualmente há um estilo de gestão focado

mesma marca e cada vendedor informou algo

no envolvimento dos líderes no dia a dia da

“É importante

diferente: “Há produtos que constam no catá-

empresa. É necessário conhecer bem o cliente.

haver

logo e nem são comprados, estão lá somente

E, para isto, não basta ficar dentro de uma sala; é preciso estar onde as coisas acontecem. A

transparência

importância da gestão participativa é observar

ao informar seus

novas oportunidades que surgem no contato com o consumidor e também dar orientações

funcionários

e receber informações da equipe. É um rico

sobre os

momento no qual você poderá interagir com o

objetivos da

cliente e conhecê-lo melhor. Recentemente, vivenciei um exemplo de

empresa”

uma empresa na qual, aparentemente, os donos não vão às lojas. É uma empresa de calçados e bolsas focada no público feminino, que não vende pela internet e periodicamente envia um catálogo para todas as clientes infor68 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

para compor o mostruário”. Outro exemplo: “Há muitas clientes interessadas, mas trabalhamos com exclusividade e portanto não oferecemos todos os produtos publicados”. Exclusividade com envio de material para toda a base de clientes e lojas espalhadas pelo Brasil? Falta comunicação entre gestores e funcionários. É importante haver transparência ao informar seus funcionários sobre os objetivos da empresa, formas de atendimento ao cliente, solu-

Luciana Carmo Especialista em gestão de serviços e palestrante. luciana.carmo@mixxer. com.br

ção de problemas e aplicações de novas ideias. Somente assim poderá ser fortalecida a confiança, que é a principal determinante do compromisso com a eficiência e a produtividade.


t e c n o v a r e j o

DE "webportas"

abertas Especialista em comércio eletrônico mostra as melhores estratégias para construir uma loja virtual de sucesso

A

brir uma “filial” na internet não

pequenas e médias empresas no va-

cesso (Editora Gramma), livro que

é mais uma opção na vida dos

rejo on-line é pequena, mas poucas

traz desde as principais ferramentas

lojistas. É uma obrigação diante do

conseguem sobreviver ao primeiro

para criar uma loja na internet até

crescimento do comércio eletrônico

ano de vida, devido principalmente

dicas de apresentação de produtos,

nos últimos anos. E na opinião do

à falta de planejamento e de conhe-

além de mostrar como tirar proveito

professor e consultor Maurício Salva-

cimento do mercado”, diz.

das redes sociais e outras ações de

dor, tamanho não é documento, mas

Especializado em comércio ele-

marketing digital. Um pouco do que

é preciso cuidado ao abrir uma loja

trônico, Salvador acaba de lançar-

Salvador conta no livro está na entre-

virtual. “A barreira de entrada das

Como abrir uma loja virtual de su-

vista a seguir.

70 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


por ALEXANDRE

GONÇALVES

alexandre@agenteinforma.com.br

TecnoVarejo – O que caracteriza

comunicação e as ações de marketing

tes de busca e interagir de forma cor-

uma loja virtual de sucesso?

também terão que acompanhar essas

reta nas redes sociais, por exemplo.

Maurício Salvador – Uma plataforma

diferenças.

Outro problema do mercado é a falta de mão de obra qualificada. O comér-

de e-commerce adequada aos objetivos da empresa, preços competitivos,

TecnoVarejo – Qual o erro mais co-

cio eletrônico está crescendo muito

navegação fácil, facilidade de parce-

mum que o lojista pode cometer ao

mais rápido do que o mercado conse-

lamento, excelente conteúdo (design,

abrir uma loja virtual?

gue formar profissionais, por isso falta

fotos e descrições de produtos), rapi-

Maurício – A escolha da plataforma

mão de obra. Daí surgiu a ideia de es-

dez na entrega e no atendimento aos

de e-commerce e a falta de um plano

crever o livro, para fazer com que os

clientes e campanhas de marketing

de negócios estruturado são alguns

empresários tenham conhecimentos

on-line muito bem estruturadas, onde

dos erros mais comuns. Além disso,

básicos e maior autonomia nos pro-

os resultados sejam constantemente

o empresário deve enxergar a inter-

cessos de decisão da criação de sua

medidos e revistos. Além disso, ter

net não apenas como um canal de

loja virtual.

bons fornecedores é fundamental. São eles que vão definir o giro dos estoques e as margens de lucro. TecnoVarejo – Que diferenças entre a loja física e a loja virtual o lojista deve levar em consideração ao investir em comércio eletrônico? Maurício – É preciso considerar a loja virtual como uma filial. Ou seja, um negócio separado. Não adianta mistu-

“É importante ter boas estrátegias para melhorar seu posicionamento em sites de busca e interagir nas redes sociais”

TecnoVarejo – De que forma o consumidor pode contribuir para o sucesso de uma loja virtual? Maurício – Com o crescimento do uso das redes sociais, o consumidor passou a ser cada vez mais importante como influenciador nos processos de compras de outros consumidores. Isso quer dizer que cada vez mais as pessoas leem o que outras pessoas escreveram sobre produtos e lojas virtuais,

rar controle de estoques, fornecedores e atendimento das lojas física e virtual.

vendas, mas também de relaciona-

antes de se decidirem pela compra.

Cada uma deve ter sua própria estru-

mento, onde a experiência do usuário

Para ter sucesso, uma loja virtual

tura. Quanto maior for a independên-

não acaba depois que ele sai da loja

deve saber como usar esse conteúdo

cia do canal on-line, maiores e mais

com o produto. É preciso ter fornece-

gerado pelos usuários, de forma cata-

claros serão os resultados. Outra dife-

dores especializados em e-commerce

lisadora dos seus negócios. Muitas já

rença marcante que surpreende mui-

nas áreas críticas tais como tecnolo-

publicam depoimentos e avaliações

tos empresários é entre o perfil do seu

gia, design e logística. Criar uma loja

de outros consumidores nas páginas

cliente no mundo físico dos clientes no

virtual e ficar esperando as pessoas

de seus produtos. Há pesquisas que

mundo virtual. Diferenças de idade,

entrarem também não funciona. É

indicam que lojas virtuais que adotam

renda, sexo e região, por exemplo. É

importante ter boas estratégias para

essa prática aumentam a conversão

importante estar atento a isso, pois a

melhorar seu posicionamento em si-

em até 70%.

dirigente Lojista � outuBRO 2010

� 71


t e c n o v a r e j o

Ofertas em tempo real via celular Shopping Della usa tecnologia bluetooth para falar com o consumidor esde maio deste ano, o

D

preendimento também podem

bluetooth, sistema gra-

se beneficiar da novidade. Para

tuito de envio de mensagens

os negócios instalados fora do

disponível na maioria dos apa-

empreendimento, o bluetooth

relhos de celular, vem sendo

possibilitará comunicação direta

utilizado pelo Shopping Della,

com um público específico. “Cir-

de Criciúma, no Sul de Santa

culam diariamente pelo Della

Catarina, como canal de comu-

em torno de 14 mil pessoas e

nicação com o público que fre-

para muitas marcas e serviços

quenta o estabelecimento. A ini-

será uma oportunidade de di-

ciativa é fruto de uma parceria

recionar a comunicação para o

firmada entre o shopping e a

consumidor que eles querem

empresa 2Call Mobile Marketing

atingir”, explica a gerente de

e permite o envio de informa-

marketing do shopping, Cris-

ções, campanhas, promoções

tiane Peyrot Rosso. “Isto acaba

relâmpago e serviços de utilidade, so-

vídeos, banners, fotos, textos e até

representando uma economia signifi-

mente enquanto o consumidor está

áudios podem ser enviados.

cativa para estas marcas, pois, em vez

dentro do estabelecimento. Para re-

Além de divulgar informações do

de pulverizar a divulgação em diversos

ceber as mensagens o usuário só pre-

próprio Della e das lojas instaladas no

meios, vão concentrá-la no celular e

cisará ativar a ferramenta, permitindo

local, a ferramenta está sendo comer-

falar com quem interessa, e com um

a aceitação do conteúdo. Aplicativos,

cializada e empresas de fora do em-

custo baixo”, define.

» O Magazine Luiza comemorou

» Para dar mais agilidade aos

» O Comprafacil.com lançou um

dez anos de sua loja virtual com

pagamentos on-line, a PortCasa,

novo portal de comércio eletrônico

uma série de promoções em

loja virtual de cama, mesa

focado em crianças de até quatro

mídias sociais, em especial no

e banho, decidiu integrar as

anos. O www.prabebe.com.br

Twitter. O diretor de marketing

transações feitas pelos clientes aos

conta com 12 departamentos,

Frederico Trajano credita a década

relatórios gerenciais. Implantado

cerca de 5 mil itens e aposta no

de sucesso à linguagem receptiva

pela Braspag, o sistema suporta

diferencial de promover vendas

e informal adotada pela varejista

o grande tráfego de pedidos sem

agregadas, enviando também

na internet e à sintonia do site

prejudicar a experiência de compra

dicas de produtos para os pais,

com as mais modernas tendências

e ainda permite acesso em tempo

sempre relacionadas ao que estão

em tecnologia na web.

real às operações da loja.

adquirindo para seus filhos.

72 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010


Consultoria virtual para varejistas Site Planeje-se quer auxiliar empresários do comércio na tomada de decisões de negócio

H

Integração com Twitter fortalece e-mail marketing Diante do crescimento das redes sociais, a Frontier Digital Business lançou um novo

á mais de cinco anos atuando

uma promoção, negociar com o ban-

recurso em sua solução de

como consultores, Marcos Mar-

co, entre outros”, diz Martins.

e-mail marketing para promover

tins e Fernando Alvite perceberam

Para usar o Planeje-se, o lojista

uma escassez de serviços avançados

acessa o site, identifica a área em que

de uma única plataforma. A

oferecidos para micro e pequenas

deseja uma consultoria e localiza o

partir de agora, os usuários da

empresas. Desta constatação nasceu

tipo de decisão que pretende tomar. A

plataforma DirectMails podem

o Planeje-se, consultoria virtual onde

partir daí, o sistema solicita mais deta-

publicar automaticamente

o gestor acessa as soluções disponí-

lhes para auxiliar o processo decisório.

um post no perfil do Twitter

veis no site www.planeje-se.com.br e

Estas informações, tratadas de forma

ao iniciar uma campanha de

assim melhora o rendimento corpo-

totalmente sigilosa, servirão para que

e-mail marketing. Por sua vez, a

rativo. “O benefício esperado é que

o sistema calcule o grau de sucesso ou

mensagem enviada por e-mail

os lojistas melhorem seus resultados

de risco para o qual tende essa deci-

traz um ícone do Twitter que

a partir do momento que ele passa

são, com base nas informações que

permite que o destinatário

a usar o Planeje-se para tomar suas

foram prestadas. Imediatamente, o

envie para seus seguidores um

decisões do dia a dia, como comprar

Planeje-se sinaliza numa escala se a

link com a ação recebida.

de um fornecedor, aplicar uma mar-

decisão tende para o verde (positivo

“Ao complementar a

cação para vender um produto, fazer

ou maior chance de suces-

campanha de e-mail marketing

so) ou para o vermelho

com redes sociais, as empresas

(negativo ou menor chan-

incentivam a viralização de sua

ce de sucesso).

comunicação de forma prática

campanhas multicanais através

e automatizada, ampliando a visibilidade da comunicação em canais complementares”, diz Edson Barbieri, CEO da Frontier. Em pesquisa realizada pelo Center of Media Research, 57% das empresas planejam investir em ações de e-mail marketing em 2010 e 56% em ações nas redes sociais, sendo estas duas as primeiras da lista. dirigente Lojista � outuBRO 2010 � 73


o p i n i ã o

|

SOBRE

LOJA

SERÁ QUE PODE

Existir... U

ma loja onde se trabalha em equipe?

colega e, de comum acordo, um interfere para

Onde os colaboradores estejam real-

complementar as informações". Eles sabem

mente empenhados em colaborar com seus

que isso agrega informações importantes que

colegas? Onde as chefias trocam informações

muitas vezes na ânsia de vender e atender

de como podem melhorar as condições de

deixamos passar. Assim a gente vê a impor-

trabalho e procuram realmente qualificar suas

tância do trabalho em equipe.

equipes? Onde a equipe de venda esteja pre-

Já faz parte da sabedoria popular que duas

ocupada não apenas em cumprir horário, mas

cabeças pensam melhor que uma. Os vende-

também na organização da loja?

dores da nossa loja devem colaborar com os

Vou citar exemplos que já vi acontecerem:

colegas quando perceberem que podem com-

Um amigo comprava um carro e já estava

plementar a negociação com algumas infor-

bastante tempo negociando com o vendedor, mas a coisa não andava. Um colega da mesa

“Os vendedores

ao lado levantou, pediu licença e comentou:

devem colaborar

– Observei que o senhor tem ainda algumas dúvidas para ficar com o veículo. Quais

com os colegas quando

são? O cliente colocou suas dúvidas e o vendedor que estava atendendo complementou

perceberem

todas as informações. Foi interessante que os

que podem

dois forneceram as informações com palavras

complementar a

diferentes, mas ressaltaram os itens que eram importantes e que ainda faltavam. Com as dú-

negociação”

que agiram daquela forma e me disseram o seguinte: "Quando um de nós não esta atendendo, fica prestando atenção na venda do 74 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

o colega aceitar, a venda está feita. Basta que haja sintonia entre os vendedores. Em outra loja que prestei consultoria me chamou a atenção um gerente que, após a saída do cliente, se dirigia ao vendedor com os seguintes questionamentos: – Que argumentos você deixou de usar que poderiam concretizar a venda? – Que conhecimentos você precisa agregar a este produto para convencer o cliente? – Cite cinco vantagens deste nosso produto com relação ao concorrente e que são impor-

vidas superadas a venda foi efetivada. Perguntei depois para os vendedores por

mações para o cliente decidir pela compra. Se

Josemar Basso Administrador de empresas, consultor e palestrante. josemarbasso@ officemarketing.com.br

tantes para o cliente. – Observe a próxima venda que seu colega fará

e diga que argumentos ele usou que

você não usa normalmente.


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FOTO: Pablo de souza

INFORME DO SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Outubro de 2010 l www.sebrae.com.br l 0800 570 0800

Sustentabilidade em micro e pequenos negócios é tema de encontro internacional Evento será realizado no Rio de Janeiro, em novembro, e promoverá a reflexão sobre o conceito de sustentabilidade e suas implicações econômicas Os impactos e as oportunidades do desenvolvimento sustentável nos pequenos negócios. Esse é o mote do 14o Encontro Internacional de Empreendedores, que será realizado de 16 a 18 de novembro, no Rio de Janeiro. O evento acontecerá paralelamente ao Encontro de Consultores e Coordenadores e ao Encontro Internacional de Diretores do Empretec, que vai reunir 33 dirigentes do programa no mundo. Mais de 3 mil pessoas, entre empresários, candidatos a empresários,

participantes do Empretec e representantes das Nações Unidas, são esperadas para debater o contexto da sustentabilidade e suas implicações na economia brasileira e mundial. Os participantes discutirão, ao mesmo tempo, as oportunidades decorrentes desse movimento. “Ouvimos muito falar em sustentabilidade, mas ainda é um conceito relativamente distante da realidade das micro e pequenas empresas. É preciso lembrar o tripé que sustenta este conceito: economicamente viá-

vel, socialmente justo e ambientalmente responsável. Queremos traduzir essa tendência para o cotidiano das empresas e criar oportunidades por meio de negócios sustentáveis”, explica Carla Virgínia Lima Costa, coordenadora nacional do Empretec. O conceito de sustentabilidade adotado no evento considera que o modelo de negócios sustentáveis está necessariamente relacionado à justiça social e à cultura local em consonância com a preservação e a recuperação ambiental. “Essas


premissas podem levar a empreendimentos de sucesso, capazes de impactar positivamente não apenas no meio ambiente, mas também nas comunidades em que estão inseridos”, diz. Nesta edição, serão abordados temas como energia limpa, arquitetura e engenharia em um contexto sustentável, economia de baixo carbono, mudanças climáticas, tratamento e reciclagem de resíduos sólidos, a questão da água, florestas e biodiversidade, entre outros. Os participantes poderão ainda trocar experiências, discutir estratégias de desenvolvimento e conferir produtos e serviços de empreendedores das mais diversas partes do mundo.

Ferramenta de destaque Desenvolvido pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Empretec é uma das maiores ferramentas de capacitação empresarial do mundo. A metodologia do Empretec chegou ao Brasil em 1991 e, dois anos depois, começou a ser implantada em todo o

MAIS INFORMAÇÕES www.encontroempreendedores.com.br www.sebrae.com.br | 0800 570 0800 País pelo Sebrae. Destinado a empresários e a candidatos a empresários, o Empretec aborda as características e os comportamentos empreendedores determinantes para o sucesso no universo dos negócios. Até hoje, mais de 160 mil empreendedores já foram capacitados no Empretec. Só neste ano, quase 7 mil pessoas participaram do curso.

Parceria com CDL forma empretecos em Santa Catarina Um dos parceiros do Sebrae em Santa Catarina é a Câmara de Dirigentes Lojistas de Orleans, na região Sul do estado, a 170 quilômetros de Florianópolis. Por meio deste convênio, já foram realizadas quatro turmas do Empretec com a capacitação de cerca de 100 pessoas no município, que tem 20 mil habitantes. Para Alexandre Cascaes, responsável pela Agência de Atendimento

do Sebrae em Tubarão (SC), a parceria é importante porque a CDL tem interesse em levar conhecimento aos empresários. “Este envolvimento é fundamental e a entidade é muito comprometida em divulgar os cursos e outras soluções do Sebrae, que podem contribuir para a melhoria da gestão das empresas e, consequentemente, para o desenvolvimento econômico do município.”

MUDANÇA DE POSTURA Características do empreendedor trabalhadas durante o Empretec: Realização • Busca de oportunidades e iniciativa • Correr riscos calculados • Exigência de qualidade e eficiência • Persistência • Comprometimento Planejamento • Busca de informações • Estabelecimento de metas • Planejamento e monitoramento sistemático Poder • Persuasão e rede de contatos • Independência e autoconfiança

Empreender Este informe é de responsabilidade do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), sob coordenação da Gerência de Marketing e Comunicação. Presidente em exercício do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae: Roberto Simões - Diretor-presidente: Paulo Okamotto - Diretor-técnico: Carlos Alberto dos Santos - Diretor de Administração e Finanças: José Claudio dos Santos - Gerente de Marketing e Comunicação: Cândida Bittencourt. Endereço: SEPN Quadra 515 Bloco C Loja 32 - 70770-900 - Brasília-DF - Fone: (61) 3348-7100 - www.sebrae.com.br - Para falar com o Sebrae: 0800 570 0800 * Textos: Agência Sebrae de Notícias


o p i n i ã o

|

i d e i a s

e

e s t r a t é g i a s

ideias convergentes, pessoas divergentes

O

s modelos de gestão em nossas empre-

ma técnica e peça opiniões. Colherá algumas

sas são constituídos de técnicas conso-

críticas, mas de modo geral ouvirá elogios e

lidadas no mundo. Poucas organizações pos-

aprovação. Passe para o segundo estágio: im-

suem gestores ou grupo de pessoas inovando e

plantação na empresa. A partir desse ponto co-

revolucionando o processo. A incessante busca

meçam as dificuldades.

por resultados e a pressão por respostas nos

Em uma reunião de planejamento, as di-

leva à procura de formas testadas e aprovadas.

ficuldades podem começar já na definição de

O mundo empresarial sempre foi inten-

horários e local, além de outras divergências

samente influenciado pelas técnicas do mo-

pessoais. Ao observar as barreiras levantadas,

mento, o que tem como aspecto negativo o

você se perguntará: "Como é possível divergi-

negligenciamento dos processos implantados e

rem tanto no desenvolvimento e na implanta-

positivo a reflexão sobre novas possibilidades.

ção, quando havia plena concordância na ava-

Não existe a melhor forma, e sim aquela à qual nos adaptamos e que nos permite maximizar desempenhos e resultados. Seria como se perguntássemos a um jogador de futebol qual a melhor maneira para se chutar uma bola. Certamente aquela que acerta

“A concordância com os conceitos não é suficiente para garantir a

o gol e vence o goleiro. Com tantas possibilida-

continuidade da

des, qual o artilheiro deveria usar? Sem dúvida

execução de um

aquela a que ele melhor se adapta, ainda que seja de “bico”. Afinal, o objetivo é fazer o gol.

projeto em uma

Não adianta sofisticar o processo e não obter

empresa”

cas costumam chegar às nossas empresas testadas e largamente aprovadas, mas nem sempre conseguimos sucesso em sua implantação. Reúna seus gestores, apresente-lhes algu78 �

dirigente Lojista � outuBRO 2010

mostrando que a concordância com os conceitos não é suficiente para garantir a continuidade da execução. O sucesso de qualquer projeto está diretamente ligado ao comprometimento com o atendimento ao planejamento e programação. As divergências levam ao esvaziamento e desinteresse. O não-atendimento, a falta de pontualidade e de rigor é sabotagem. Isso é inadmissível em qualquer organização. Quando as diferenças pessoais são impossíveis de serem

resultados. Em gestão ocorre a mesma coisa. As técni-

liação dos conceitos?" Os exemplos são muitos,

Ivan Postigo Diretor de gestão empresarial da Postigo Consultoria. . www.postigoconsultoria. com.br

resolvidas é melhor não participar. Nesse sentido, é importante entender que a empresa deve ser maior que seus gestores. É a única forma de harmonizar o processo administrativo e desenvolver projetos com sucesso.


Fotos de Edemir Garcia, meramente ilustrativas

New York

Palestras

4 5 6 . 4 US$

Participantes

Exposição

www.primundo.com.br/nr f11

*Consulte valores para acompanhantes.

O logotipo NRF’s BIG SHOW e seus direitos pertencem a National Retail Federation of EUA ®


l e i t u r a

|

l a n ç a m e n t o s Você é o cara

Inspire-se

Com leveza e bom humor, a obra defende a construção de uma personalidade competitiva e cooperativa e estimula qualidades como autoestima, empatia, autodomínio e compromisso com a realidade. Para o autor, a melhor forma de ser reconhecido como “o Cara” é apostar nos seus talentos e ouvir a voz da vocação. Ou seja: ser feliz fazendo o que gosta.

Valendo-se de dezenas de estudos de casos, o autor revela como definir uma proposta consistente que despertará o entusiasmo dos consumidores e os manterá motivados. O livro mostra como atrair uma nova geração de clientes que valoriza a transparência e a autenticidade acima de tudo e como ir além de simples campanhas de marketing.

Carlos Alberto Carvalho Filho Integrare Editora. 152 pág. R$ 33,90

Jim Champy Campus-Elsevier. 176 pág. R$ 49,90

Manual de gestão para entidades e associações A gestão de entidades sem fins lucrativos

montar a diretoria e disputar a eleição,

– como é o caso das mais de 1,4 mil CDLs

planejamento estratégico e criação de

em todo o Brasil – ainda é um desafio, com

projetos, gestão financeira, relacionamento

frequentes casos de fracassos, que se es-

com a imprensa e outras instituições.

tendem à vida privada (empresa e família)

O autor tem 20 anos de envolvimento

dos dirigentes. Com o lançamento de No

com associações do terceiro setor, desde

topo – do propósito ao legado, o consultor

que trabalhou no Sebrae/SC e entidades

e conferencista Luc Pinheiro nos oferece

como Sinduscon, Câmara Estadual da In-

um manual sobre por que e como dirigir

dústria da Construção, Instituto Voluntários

uma organização desse tipo. Entre os temas do livro estão os motivos que levam a dirigir uma entidade, como

No topo Luc Pinheiro Nova Letra. 144 pág. R$ 34

da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis e conselheiro da ADVB/SC.

A era do Twitter

Colaboração

O Twitter é a ferramenta de comunicação que mais rapidamente foi adotada na história mundial, indo de zero a 10 milhões de usuários em menos de dois anos. Neste livro, o autor e jornalista de mídia social Shel Israel mostra como usá-la para se aproximar de clientes e outras pessoas que compartilham seus interesses ao redor do mundo.

Ao oferecer um método que ajuda gestores a separar as boas das más oportunidades de colaboração, o livro descreve técnicas para obter redução de custos, mais inovação e aumento de vendas. Além de apontar as barreiras à colaboração e mostrar aos líderes como identificá-las, o autor relata histórias de boa e má colaboração nos negócios, política e história.

Shel Israel Campus-Elsevier. 288 pág. R$ 69,90

80 �

em Ação e FCDL/SC, além de ser diretor

dirigente Lojista � outuBRO 2010

Morten T. Hansen Campus-Elsevier. 256 pág. R$ 66


a g e n d a

É hora de renovar o estoque de bijuterias A 51a edição da Bijóias, em São Paulo, reúne mais de 200 expositores do segmento Exclusiva para lojistas e profissionais do setor, a Bijóias é a mais representativa feira de negócios do segmento de bijuterias, acessórios, joias de prata, joias de aço e folheados. Em sua 51a edição, o evento espera receber cerca de 12 mil visitantes para conferir de perto os lançamentos de mais de 200 expositores, entre designers e indústrias. A feira é focada na pronta entrega e recebe compradores de todas as regiões do País e América

Latina para abastecer as lojas com os principais lançamentos da estação. A Bijóias não cobra ingresso, mas o visitante deve apresentar o cartão do CNPJ da empresa para comprovar a atuação no setor. 17 a 19/11/2010 Bijóias SP 51a Salão de Bijuterias, Folheados, Prata e Acessórios de Moda Centro de Convenções Frei Caneca São Paulo – SP www.masi-bijoias.com.br

Novembro 4 a 6/11/2010 Rio Franchising Business Feira de Negócios e Oportunidades em Franquias Riocentro Rio de Janeiro – RJ www.riofranchisingbusiness. com.br 5 a 14/11/2010 Mãos & Arte Feira Nacional e Internacional de Artesanato Centro de Eventos de Londrina Londrina – PR www.redproducoes.com.br 9 a 11/11/2010 Brasilshop Brasília 2ª Feira e Congresso Internacional do Varejo Centro de Convenções Brasil 21 Brasília – DF www.alshop.com.br 82 �

9 a 13/11/2010 Construir Rio Feira Internacional da Construção Riocentro Rio de Janeiro – RJ www.feiraconstruir.com.br/rj 11 a 16/11/2010 Natal Artesanal 5a Feira Nacional de Produtos Artesanais para o Natal Complexo Cultural da Urca Poços de Caldas – MG www.feiradenatalpocosdecaldas. com.br 23 a 28/11/2010 Feira Nacional de Artesanato 21a Edição Expominas Belo Horizonte – MG www.feiranacionaldeartesanato. com.br

dirigente Lojista � SETEMBRO 2010

Dezembro 3 a 12/12/2010 Rio Mundi Edição Natal Feira Internacional de Artesanato Jockey Clube da Gávea Rio de Janeiro – RJ www.tmlpromoeventos.com.br

2 a 5/12/2010 Feistock Feira Multissetorial dos Setores Madeireiro e Moveleiro Promosul São Bento do Sul – SC www.feistock.com.br

Janeiro 17 a 20/01/2011 Couromoda 38ª Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro Pav. de Exposições do Anhembi São Paulo – SP www.couromoda.com.br

18 a 21/01/2011 FIT 0/16 – Outono/Inverno 36ª Feira Internacional do Setor Infanto-Juvenil, Teen e Bebê Expo Center Norte – Azul São Paulo – SP www.fit016.com.br


Cartão. A dica é saber usar.



Dirigente Lojista 433 - Outubro 2010