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Em Vila Velha, inclusão social vale ouro na ginástica rítmica. Vila Velha tem a vocação de revelar talentos em ginástica rítmica, formando vencedoras com destaque internacional. A cidade conquista agora um presente de ouro, definitivo para o esporte: o Centro de Excelência Caixa Jovem Promessa de Ginástica Rítmica. Parceria da Prefeitura de Vila Velha, CEF, FESG e CBG, o centro de treinamento vai promover inclusão social pelo esporte, além de identificar e incentivar novos talentos. Meninas de 5 a 9 anos já têm aulas, de manhã e de tarde, no Ginásio do Tartarugão, em Coqueiral de Itaparica. Para meninas acima de 10 anos serão oferecidas 50 vagas.

Cen Ce C Cent ent e tro o de Ex Exce celê elência nc n c cia i C ia Ca Cai a aiixa a Jove ovem ve vem em mP Prro Pro romessa romess me m mes mess ess e sssa de de G Giiin Gin nást ná ásti ásti ás sstti tc ca a Rítm R Rítmi ítm ít ítmi tm tmi miica ca, c a, inic inic nic iciat ciiat ia iati ati ati tiva a da C Caix ix ixa xa a Econ Econ Econômic Eco onômic ômi ôm ô mic mic ica a Fede F de Fe dera der d eral, era e er ra all,, e em mp parrc rcer rce ceria cer riia a com maP Prrre Pre efeit ffei fe eiitura eit ura de ur e Vila Vila ila a Velh Velh e elha a, por po orr meio eio i da da Sec Secr S ecr e ec eta etar t ria tar a de Esport Esport po orte e L Laze azer ((S Se eme emel me e ), ), c com om a Fe om Fe Fed ed dera eraç raç açã ão o do Espíri Essp píri írito Santo ntto de eG Gin Gi Giná in ná ástic s a ((FESG) st ESG G)) e Co onf onfe on nfed dera de era e rra ação ão o Bras Br iile Brasilei Br ilei lei e rra a de Gi Ginást nás nást ást stica ca a (CB (CBG CBG G). ). Funciona Func iona ona a no o Tart Tar T art ar arugão, aru ão arug ão, o G Giná iná inásio ssio io oP Poli Po Pol oliliespo o espo esportiv spo orti rtiv rtiv tivo P Presid es dente es ente e nte nttte eJ Jo Joã oã o ão G Go Goular ular u la tt, Coque lar Co oque que qu ue eiral irall de iira de Itap Ittap Ita parica. paric arrica. ar aric a


danza

www.vilavelha.es.gov.br


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www.lojapraia.com.br

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Facebook: Praia minhas raĂ­zes | Showroom: (27) 3019-9267 | 9254-5246 7


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EDITORIAL: ATITUDE

Tome uma atitude omar as rédeas do seu destino, se atirar em uma viagem de descobertas, buscar conhecimento e sabedoria, fortalecer corpo, mente e espírito. Dropar a maior onda, fechar o negócio mais complicado, descer a ladeira mais íngreme, enfrentar o adversário mais difícil. Desenvolver uma nova tecnologia, criar um novo conceito, fazer a diferença. Para isso, é fundamental ter atitude. Por isso, o lançamento de ATITUDE, este novo veículo de comunicação que chega ao mercado, acontece para trazer matérias cuidadosamente produzidas para despertar em vocês, caros leitores, a vontade de viver intensamente e de acreditar que seus sonhos vão se realizar.

Boa leitura. Boa viagem. Hugo Verçoza, editor.


ÍNDICE

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LIQUIDIFICADOR

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OS GÊMEOS

28 CUBA

38 MMA

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LONGBOARD

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SOLANA 12


EXPEDIENTE

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Diretor Editorial e jornalista responsável: Hugo Verçoza MTB ES 01694 Diretor responsável: Bruno Dias

EDITORIAL DE MODA

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REDAÇÃO Projeto Gráfico: Directa Design Arte: Ronald Perrone e Higor Ferraço Web Master: Wanderson Belo e Luana Calmon Mídias Sociais: Renan Corrêa Matérias: Chico Dias e Hugo Verçoza

DOWNHILL

Fotógrafo: Celso Pereira Junior Colaboraram nesta edição: Ronald Perrone, Yuri Salvador, Haroldo Lima e Fora do Eixo ES Departamento comercial: Hugo Verçoza (27) 9254 5246 Bruno Dias (27) 9870-8897

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Impressão Gráfica GSA

MAR DE PLÁSTICO

Periodicidade: Bimestral Distribuição: Grande Vitória Site: www.atitudeonline.com.br Email: contato@atitudeonline.com.br Endereço: Rua Amélia Tartuce Nasser, 174/202 Jardim da Penha - Vitória/ES Telefone: (27) 3317 8697

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Parque de Itaúnas revisitado por livro e documentário A série Últimos Refúgios, idealizada pelo fotógrafo Leonardo Merçon, lançou mais dois trabalhos no último mês de novembro. Trata-se do livro e documentário Últimos Refúgios: Parque Estadual de Itaúnas, que registram as espécies e a rotina da região. O lançamento aconteceu durante as comemorações dos 20 anos do parque, nos dias 11, 12 e 13. O projeto teve início em 2006, com o livro fotográfico sobre o Parque Estadual Paulo César Vinha, localizado entre as cidades de Vila Velha e Guarapari. O material é uma importante ferramenta para preservação do meio ambiente capixaba, como reforça Leonardo: “Atualmente, não existe no Estado uma produção focada em imagens relacionadas ao meio ambiente, e esse registro é muito importante para incentivar as políticas de preservação de nossos recursos aturais”. Quer saber mais ou apoiar o projeto? Acesse www.ultimosrefugios.com.br!

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Móveis Coloniais de Acaju ganha o público capixaba no II FML

A Móveis foi mesmo responsável pelo grande momento do. As canções de apelo fácil, os metais contagiantes e a hiperatividade do vocalista André Gonzalez não permitiram que o Saldanha ficasse parado.

Atração mais esperada pelo público, a banda Móveis Coloniais de Acaju mostrou, recentemente, no II Festival Música Livre (FML), por que se firmou entre os principais nomes da cena musical brasileira independente da última década.

Black Drawning Chalks; Fepaschoal; Ava; Tereza; Acasos Irrisórios; Velho Scotch; Amélia Barreto e outros artistas tocaram nas três noites de Música Brasileira Fora do Eixo, promovidas pelo FML, entre os últimos dias 28 e 30 de outubro.

Com o Saldanha da Gama tomado por fãs, a Móveis deslizou um hit após o outro. Seria fácil justificar o sucesso do show devido a empolgação do público, porque foi a primeira vez que a banda tocou em Vitória, mas foi muito mais que isso.

NATAL SUSTENTÁVEL O projeto de decoração de natal desse ano da Prefeitura de Vitória/ES, realizado pela Setran, entrou no caminho Sustentável. Setenta mil garrafas reaproveitadas foram usadas na montagem de duas grandes árvores de natal e enfeites do tema tradicional natalino como estrelas, bolas entre outros. Os enfeites estão em 36 pontos da capital.

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Mídias naturais

propõem revolução sustentável na propaganda

Quantas vezes, ao parar em lugares movimentados você voltou para seu carro e viu um panfleto no para-brisa do seu carro ou recebeu um flyer na parada do sinal ou na saída de sua faculdade? Provavelmente, você já recebeu milhares de panfletos e outros materiais impressos com a divulgação de empresas e serviços. E o resultado geralmente é o mesmo: sua reação foi bater o olho e procurar a primeira lixeira para jogar o panfleto fora. Mas, e se no lugar destas mídias tradicionais você se deparasse com logotipos marcados em um gramado, na areia ou uma propaganda feita com pedras? Não iria chamar sua atenção?

Existe uma riqueza de serviços operacionais, mídias e produções em todos os materiais naturais que se possa imaginar, quer se trate da construção exata, em areia, de um carro para uma campanha de lançamento, até um logotipo feito de pedras sobre um gramado, para um estande de feira. Essa maneira inspiradora de promover empresas e seus produtos prova que mídia eficaz e envolvente pode ser natural e sustentável. Criatividade, inovação, sustentabilidade, eficácia e surpresa. Essas cinco palavras resumem as novas mídias naturais.

Pois é exatamente esta a proposta de empresas que trabalham com mídias naturais, que, além de trazer novos serviços para a indústria criativa, estão preocupadas com as questões ambientais.

Fonte: http://www.coletivoverde.com.br/midia-natural/

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Segunda sem Carne convida a conhecer novos sabores

A Campanha Segunda Sem Carne se propõe a conscientizar as pessoas sobre os impactos que o uso de carne para alimentação tem sobre o meio ambiente, a saúde humana e os animais, convidando-as a tirar a carne do prato pelo menos uma vez por semana e a descobrir novos sabores. Existente em vários outros países, como nos Estados Unidos e no Reino Unido (onde é encabeçada pelo ex-Beatle Paul McCartney) e apoiada por inúmeros líderes internacionais, a campanha foi lançada em São Paulo, em outubro de 2009, numa parceria da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) da Prefeitura paulistana, estendendo-se depois a várias outras cidades brasileiras. Fonte: www.segundasemcarne.com.br/

Samsung Galaxy Ace Uma excelente opção de Smartphone para quem não pretende passar da casa dos R$ 600,00 é o Galaxy Ace. O Galaxy Ace é um smartphone com Android de preço intermediário, bastante acessível e com características interessantes, sua tela tem 3.5 polegadas, mesmo padrão de um iPhone, e um hardware central capaz de rodar o Android 2.3 Gingerbread.

w

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Nó na orelha confirma Criolo como novo nome da MPB

por Eduardo Yukio

bral e Daniel Ganjaman, Criolo, o MC, o rapper, entrega ao mercado um dos mais completos discos da música pop brasileira, nos últimos tempos.

Nó na Orelha é o segundo disco de Kleber Gomes, o Criolo, anteriormente conhecido como Criolo Doido. O disco, que foi aclamado no ultimo Vídeo Music Brasil (VMB ), transita por vários gêneros musicais.

Completo pelo estilhaçamento de ritmos e pela forma como tudo se amarra; completo nas letras, que vão de imagens poéticas a ataques críticos; de relatos contundentes ao bom humor; e principalmente porque é um poderoso disco de hip-hop, na essência, Nó na orelha é música popular com sangue nas veias.

Capaz de criar letras e transformar pequenas cenas em rimas como se fosse uma máquina industrial, Criolo percebeu que poderia registrar suas crônicas de forma mais adequada ao seu furor criativo. Com a ajuda dos produtores Marcelo Ca-

lirismo pop O cantor e sanfoneiro Marcelo Jeneci é mais uma revelacao da nova safra da musica brasileira. Suas composicoes pops, repleta de lirismo lhe renderam premio no multishow e vem agradando a critica e pblico. O talentoso musico que ganhou sua primeira sanfona de Dominguinhos, ja conquistou artistas famosos com quem vem fazendo parcerias, entre eles Vanessa da Mata e Arnaldo Antunes.

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Video Mapping Interatividade

+55 27 3317-8697

www.pixxfluxx.com.br 19

Pioneira no ES em Video Mapping


genial mostra Fermata está em cartaz no Espírito Santo. Os artistas Otávio e Gustavo Pandolfo, mais conhecidos como Os Gêmeos, ficaram cerca de 30 dias preparando mais uma obra incrível. O museu Vale do Rio Doce, que vem realizando um belíssimo trabalho, trazendo grandes nomes da arte do Brasil e do mundo, colocando Vitória no circuito nacional, abre as portas para a dupla de grafiteiros paulistas que vem roubando a cena contemporânea mundial.

Os Gêmeos já realizaram também outra exposição de muito sucesso, a “Vertigem”, e exibem seus trabalhos ao redor do mundo. A exposição fica em Vitória até o dia 12 de fevereiro, com entrada gratuita. Suas obras permeiam o lúdico, as relações pessoais, multicores, sutilezas, sonhos, aventura e crítica social, como na obra em que o lixo retirado da baía de Vitória é reutilizado e “devolvido” para os capixabas. A mostra conta com pinturas, obras interativas e esculturas. Visita obrigatória.

Exposição fermata

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Exposição Vertigem

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Novo Mural em parceria com o Blu, na Av Fontes Pereira de Melo em Lisboa.

FERMATA - Exposição de OsGemeos Período: de 28 de outubro a 12 de fevereiro Museu Vale: antiga estação Pedro Nolasco, s/n - Argolas - Vila Velha - ES Horário: de terça a sexta, das 8h às 17h; sábado e domingo, das 10h às 18h Telefone: (27) 3333-2484

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Exposição fermata

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Produção do famoso charuto Bolivar, nome dado em homenagem ao Libertador Venezuelano, Simón Bolivar. A fábrica foi fundada em 1927 em Havana.

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Nostalgia, beleza e diversidade fazem um mix na

ilha de Fidel Texto: Chico Dias Fotos: Celso Pereira Jr

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nostálgica Cuba se tornou um procurado destino, desde que seu governo socialista abriu a famosa Ilha para o turismo. O país, conhecido pela revolução de Fidel Castro e Che Guevara, tem muito mais a oferecer.

Carro dos anos 50 com área militar ao fundo.

Cuba oferece grande diversidade cultural e paisagística, belíssimas praias caribenhas, com areias brancas, águas quentes, zonas montanhosas. Varadero é uma das regiões mais procuradas. Na música, embalada muitas vezes pelo rum, ouvimos do ritmo sensual da salsa até os mais belos momentos do repertório do jazz, que inclusive proporcionam bons festivais, assim como o cinema. A charmosa Havana, famosa tam-

Real Fabrica de Tabacos Partagás. A mais antiga fábrica de Cuba fundada em 1845 por Dom Jaime Partagás Ravelo. A qualidade do fumo é excepcional, pois seu fundador foi um dos primeiros em estudar as técnicas para melhorar a produção, especialmente na área de fermentação. Na frente da tabacaria o ônibus adaptado a uma cabine de caminhão

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Marcas da posição anticapitalista.

bém por seus charutos, preserva a aura dos anos 50. Os carros são antigos e a carroça ainda é meio de transporte na maioria das cidades. Os voos domésticos são servidos por velhos aviões. A arquitetura dos seus prédios e os ônibus adaptados

Sebos ao ar livre com muitos livros sobre os heróis cubanos.

A beleza das praias caribenhas de Cuba

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à cabine de um caminhão são marcas da paisagem, constrastando com os grandes hotéis hoje instalados lá. O país, anticapitalista, possui números de Primeiro Mundo: taxa de alfabetização de


99,8%, mortalidade infantil inferior até mesmo à de alguns países desenvolvidos, e uma expectativa de vida média de 77,64 anos.

vana Vieja, Patrimônio Mundial da Humanidade. Andar pelas suas ruas é memorável. Lá você encontra a Bodeguita del Medio, imortalizada por Hemingway, que brindava a chegada da noite com um mojito. Visite também a Plaza de la Revolucion, onde Fidel Castro discursa para a população.

Apesar da pobreza da população, o povo é muito alegre, culto e quase não há registros de violência. No interior está a Ha-

Antiga sede do comitê de defesa da revolução, em Havana.

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A Cubana, com trajes tĂ­picos e o emblemĂĄtico charuto.

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www.silverland.com.br Rua Chapot Prevot, 239-lj. 03 - Praia do Canto/Vit贸ria - Tel 3235-1915 Rua Ant么nio Ata铆de, 823 - Ed. Shopping Tropical - Centro/Vila Velha - Tel 3239-7965


Nascido na antiguidade clássica,

MMA dá a volta por cima

Texto: Chico Dias Fotos: Divulgação UFC/Textual

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Octogono

ratê, judô, muay thai e boxe, entre outras. Mas na realidade não é um vale-tudo, existe uma série de regras cada vez mais rígidas.

ão é só você que tem ouvido falar muito em MMA, ou vale-tudo, ultimamente. O MMA, ou Mixed Martial Arts, é um dos esportes que mais crescem em todo mundo.

A grande mídia se rendeu ao esporte e hoje o UFC é o maior evento de MMA do mundo. Uma de suas edições foi diputada recentemente, no Brasil, e atraiu milhões de telespectadores.

Na luta, praticada dentro de um octógono, os atletas podem usar técnicas de vários tipos de artes marciais: jiu-jitsu, ca-

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Vista panor창mica dos treinos abertos realizados nesta quarta-feira, dia 24, na Praia de Copacabana. Foi a primeira atividade oficial do UFC Rio

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Phil Davis e Tim Boetsch

História mãos, com algumas adaptações, criando assim o jiu-jitsu brasileiro.

Os primeiros eventos de MMA surgiram na Grécia, em 648 a.C., com o nome de Pankration (“pan” significa tudo, ou vários, e “kratos”, força). A luta se tornou o evento mais popular dos antigos jogos olímpicos. Nos tempos modernos, o esporte teve um período de declínio, perdendo espaço para o boxe e o wrestling.

Depois disso, os Gracie abriram academia no Rio de Janeiro. Para chamar a atenção, criaram o “Gracie Challenge”, desafiando outros lutadores de qualquer arte marcial. Daí surgiu o termo vale-tudo. A partir do sucesso e de lutas em estádios de futebol, foram para os Estados Unidos e lá fizeram o primeiro UFC, em 93.

Sua volta se deu graças à família brasileira Gracie. Carlos Gracie aprender a lutar judô com Mitsuyo Maeda e ensinou a seus ir-

Ao lado, Anderson em Las Vegas no treino aberto ao público

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Ring Girl do UFC

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O MMA está se tornando tão popular que já existe há um bom tempo, nos EUA, o reality show “The Ultimate Fighter”. O programa, que já está em sua quinta temporada, reúne 16 grandes lutadores em uma casa e o próximo será no Brasil.

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Anderson Silva, atual campeão de peso médio do UFC


Considerada a luta mais importante da história do UFC, Spider acaba com a luta no primeiro round com um chute de cinema que Steve Seagal o ensinou levando Belfort a knockout

Anderson Silva, também conhecido como Spider, é o atual campeão de peso médio do UFC no mundo. Está invicto há 13 lutas, um recorde, e se tornou um grande ídolo do esporte no Brasil. De origem humilde e com jeito calmo e carismático, Anderson conquistou fãs pelo Brasil. Venceu oito desafios ao seu trono no MMA. Em seu mais recente (e um dos mais importantes) combates, derrotou Vitor Belfort por nocaute, com um poderoso chute no queixo. A técnica foi aperfeiçoada nas aulas com o ator Steven Seagal, mestre das artes marciais. Anderson separa bem técnica dentro do ringue de violência. Fora das lutas, é um cara da paz.

O Brasil é um grande formador de lutadores de MMA. O big five brasileiro é formado por: Maurício Shogun, com estilo muay thai e técnica apurada de jiu-jitsu, ganhou o Pride Grand Prix em 2005, na categoria peso médio. Murilo Ninja é um atleta muito agressivo. Vem sendo cada vez mais respeitado no MMA mundial. Wanderlei Silva é bicampeão mundial de MMA é ídolo em vários países, em especial no Japão, onde é personagem de videogame e grande estrela de comerciais de TV.

Abaixo, Anderson abraça Steven Seagal. Dedicatória também ao ator americano. Segundo Anderson, foi Seagal quem lhe ensinou o “chute de cinema”.

Antônio Rodrigo Nogueira Minotauro é considerado um dos maiores lutadores do mundo. Já morou nos Estados Unidos, onde abriu sua academia. Um momento marcante na carreira de Minotauro foi a vitória sobre Mark Colleman, um dos grandes nomes do MMA.

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Surfista com prancha sustentรกvel.

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SURF SUSTENTÁVEL Texto: Hugo Verçosa Fotos: Divulgação

Uma prancha ecologicamente correta á se sabe que os surfistas têm, em sua filosofia, um grande respeito pela natureza, sempre na vanguarda do que hoje é levado como prioridade: reciclagem e preservação. Na contramão desse pensamento e filosofia, a prancha de surfe é altamente poluente e agressiva, pelo uso de materiais (poliuretano ou poliestireno) que são produzidos a partir de combustíveis fósseis (óleo mineral), bem como pela emissão de substâncias cancerígenas durante o processo de pré-produção. Além disso, dificilmente poderá ser reciclada. Por conta disso, shapers espalhados pelo mundo vêm propondo novas formas de construção da nossa tão amada prancha de surf. Um deles, o espanhol Kun Tiq, faz a bonita e romântica prancha de balsa, um tipo de madeira bem leve e flexível.

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“90% dos materiais importados utilizados para a construção dessas pranchas de madeira são renováveis. Assim, a comunidade surf pode dar sua própria contribuição para preservar o nosso planeta”, garante Tiq.

“O núcleo da nossa prancha de surf, e, portanto, seu elemento principal, é de madeira balsa (Ocroma pyramidale). Balsa é a madeira mais leve de todas e já foi usada em canoas, na América do Sul, 1.000 anos antes do Império Inca. A planta é uma das mais rápidas espécies de crescimento, atingindo uma altura de até 10 metros e um diâmetro de 20-25 cm em três ou quatro anos”.

Detalhes do belo e eficiente acabamento das pranchas de madeira.

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O deslizar da pracha de madeira na manobra.

Ao lado, o espanhol Kun Tiq, com a família de Don Zandoval do Equador.

“A sensação de andar sobre a madeira é especialmente fluida e viva. Depois de surfar com uma dessas, talvez você nunca volte para pranchas de surf usuais”, conclui Kun Tiq.

“A balsa que usamos vem de uma fazenda da família, situada na região litorânea do Equador. O chefe da fazenda e da família é Don Zandoval. As árvores são plantadas em um programa de cultivo sustentável, misturadas com banana, mandioca e feijão.”, explica o shaper. E a performance? Afinal, ninguém quer surfar com um toco!

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BANDA

SOLANA onde o som e a literatura se encontram

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banda Solana surgiu em 2003, com o álbum Quanto mais pressa mais devagar. Com influências literárias e muita originalidade, logo se tornou uma das bandas mais requisitadas no cenário capixaba. Em 2008, lançou Feliz feliz (www.felizfeliz. com.br), um álbum virtual com download gratuito na internet. Um ano mais tarde, Solana aparece com um novo show, chamado Veneza, mantendo a essência, mesclando canções antigas e 11 inéditas que serão gravadas no próximo álbum da banda, que terá o mesmo nome do show. Na entrevista abaixo, o Juliano Gauche fala da origem e dos projetos da banda.

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ATITUDE - Fale um pouco do início da banda, como se conheceram e da Casa Alta.

JULIANO GAUCHE - Eu morava no centro de Vitória, na mesma casa que o Dante e outros amigos. O Bento e o Murilo apareceram lá, procurando alugar a parte de baixo da casa, para fazer um estúdio. Ficaram amigos do Dante. Não alugaram ali, mas sim onde é a Casa Alta, que foi onde começamos a tocar juntos. Isso em 2001, 2002, eu acho. Também com o Rafael Rocha na guitarra. O Rodolfo só veio no Feliz feliz. Resumindo, é meio assim.

Como a literatura entra na música de vocês, e com quais autores? A literatura já estava na gênese de tudo. Quando fiz o segundo ano do ensino médio, conheci o Dante e o Adonai, que liam e escreviam muito. Eles tinham essa coisa de trocar textos e referências. Comecei a ler e escrever poesia por influência deles, embora tenha escolhido poetas menos românticos, como Fernando Pessoa, Baudelaire, Jean Cocteau. Minha primeira banda foi com eles, a ideia era musicar os poemas. Até hoje carrego isso comigo.

Como é a pré-produção de um CD, vocês se isolam pra compor?

Eu escrevo a maioria das músicas, sozinho, e só consigo fazer isso quando eu tenho certeza de que ninguém está me ouvindo. Depois, levo a composição para a banda e a gente fica improvisando em cima dela. Daí, já não importamos se estamos sozinhos ou não. E, depois de muito tocar, a gente grava.

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Início da carreira da banda Solana.


Vocês estão rodando com o show Veneza. Qual a proposta desse novo projeto?

E o CD Veneza, quando deve ficar pronto?

Estamos evitando nos dar um prazo de entrega do disco. Já fizemos isso algumas vezes e só gerou estresse. Vamos continuar trabalhando, no nosso tempo. Quando atingirmos o que estamos buscando, entregamos.

O Veneza, embora seja o terceiro disco da banda, é o segundo disco com esta formação. No primeiro, ainda tínhamos o Dante compondo e cantando, e o Sérgio Benevenuto nos arranjos e produção. No Feliz feliz, nós assumimos tudo. O Veneza é a continuação dessa escolha. No Feliz a ordem era: só vamos gravar aquilo que podemos tocar ao vivo; só o que sair deste quarteto. Já no Veneza estamos abrindo mais esse conceito, dialogando com outros músicos. E a poética agora está mais existencialista e menos romântica. De certa forma, estamos nos permitindo mais.

O que vocês acharam da Circulação Cultural e do espaço para as bandas locais no estado?

A Circulação Cultural é um projeto lindo. Só assim alguns artistas conseguem chegar ao interior do estado. E essa coisa de espaço sempre tem a ver com as expectativas do artista. Estamos felizes com o nosso.

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“...No Veneza estamos abrindo mais este conceito, dialogando com outros músicos. E a poética agora está mais existencialista e menos romântica. De uma certa forma estamos nos permitindo mais.” 58


Show no teatro Carlos Gomes

Qual a principal forma de divulgação do trabalho da banda?

cidade e tem um desses cruzeiros enormes, aonde eu sempre ia com amigos para tocar nossas músicas lá em cima. Era uma espécie de tradição minha e do Dante. Sempre que escrevíamos uma música, íamos lá pra cima tocá-la, como se fosse um batismo. Eu ainda faço isso e sempre fico sonhando com um show completo por lá.

A internet e o boca a boca.

Tem algum show que sonham em fazer?

Sonhos são pessoais. Eu, por exemplo, passei muito tempo num lugar em Ecoporanga que chamamos de Pedra do Cruzeiro. É uma montanha no meio da

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EDITORIAL DE MODA

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Marca: PRAIA Fotógrafo: Celso Pereira Jr. Modelo: João Paulo Alcantara Local: Regência

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EDITORIAL DE MODA


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EDITORIAL DE MODA

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Douglas Rodrigues da Silva em competição.


Um campeão voando nas rodas do skate down hill A historia de Douglas Dalua e do downhill brasileiro gaúcho da atualidade se misturam. Dalua faz parte de uma nova geração que inovou o skate downhill no brasil, junto com atletas novos, dalua esta no cenário desde 1999, onde começou a andar nas ladeiras do Rio Grande do Sul, e vem acumulando otimas experiências e títulos em todos eventos que disputa no Brasil e no exterior. 67


Era uma ladeira na minha rua mesmo. Os equipamentos eram os obrigatórios de hoje: capacete, luvas, joelheiras e cotoveleiras. Era difícil, por não ter base, mas nunca desisti e fui sempre me espelhando em grandes skatistas e amigos que tenho até hoje.

TITUDE - Idade, naturalidade: Douglas Rodrigues da Silva - 28

E o equipamento que usa agora, qual é?

anos, gaúcho de São Leopoldo.

Hoje uso os melhores equipamentos para DH, shapes de carbono trucks de alta precisão. Sou um competidor e preciso disso.

Quantos títulos no longboard?

Inúmeros títulos, em 11 anos de skate, mas os que destaco são Recordista Mundial de Velocidade, seis vezes campeão gaúcho, Bicampeão Sul-Americano e Top4 do mundo em 2010.

Qual o seu recorde em velocidade?

Meu recorde reconhecido pelo Guinness Book é 113/km/h em Teutônia, mas meu recorde pessoal é de 136km/h, no mesmo lugar.

Quando começou a andar de skate downhil? E por quê?

A ladeira de Teutônia é a mais rápida competição do Brasil e do mundo. Como descobriu essa ladeira? Conte um pouco sobre ela e o último campeonato.

Há anos, vi um longboard na TV. Gostei, comprei um e não parei mais de andar...

Como foi o inicio, quais ladeiras você descia, como era o equipamento?

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Descida solo de Douglas.

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ver novamente o DH em um XGAMES e em uma Olimpíada. Seria um resultado muito bom para o skate DH.

Quem descobriu foi o próprio organizador. Depois alguns amigos foram lá e aprovaram. Já se foram sete anos de corrida por lá, e eu, graças a Deus, fui o único atleta que ficou em todos os eventos entre os três primeiros. É muito difícil, isso, mas é um prazer.

Conte uma passagem que acha legal no skate, sobre uma competição, ou sobre um drop insano que fez.

Quem te inspira, quais são seus ídolos no esporte?

O que quais me marcou foi uma queda que tive em 2010, na África. Quebrei o joelho e com isso perdi a chance de ficar entre os “Top 3” do mundo. Estava muito bem, no final do ano, e um erro de um outro atleta acabou com meu sonho. Com isso, hoje reflito assim: ande de skate mantendo o máximo de cuidado com você e principalmente com os atletas que estão junto.

No esporte, Ayrton Senna, o melhor piloto de F1. Na vida, minha mãe, a maior guerreira do mundo.

E as novas promessas?

Apenas me divertir com o skate...sempre com sorriso no rosto. O resto é consequência de toda a diversão.

Como é, para você, viver profissionalmente do esporte?

O que você acha do futuro do downhill? Para onde vai evoluir o esporte?

É prazeroso e gratificante. Não sou rico, não tenho uma vida financeiramente perfeita, mas sou feliz sendo profissional e fazendo o que mais amo na vida.

Nossa, o skate, e principalmente o DH, vem crescendo muito, pelo mundo. Fico feliz de ver essa evolução. Meu sonho é

Nem a chuva para os praticantes de Down Hill.

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CINEMA

Cientista louco apaixonado por Ronald Perrone

segunda metade dos anos 90, quando obteve status de “grande autor” e passou a adotar um tom melodramático em suas narrativas, afastando-se dos suspenses, policiais e o humor escrachado dos seus primeiros trabalhos. Após duas obras primas, Tudo Sobre Minha Mãe e Fale com Ela, a carreira de Almodovar começou a desandar. A Pele que Habito é um retorno a boa fase, justamente quando se baseia num romance policial, Tarântula, de Thierry Jonquet, mantendo-se fiel ao clima de horror e ficção científica. Mas é obvio que os temas tratados superficialmente podem resultar em farto material de discussão em torno da identidade do indivíduo na sociedade moderna e outros assuntos filosóficos para críticos que procuram pêlo em ovo. O que realmente importa é o senso estético deste grande diretor espanhol, criador de belas imagens, experiente na utilização de cores como elemento dramático e que garante bons momentos de prazer aos olhos dos amantes da sétima arte.

Pedro Almodovar sempre teve facilidade para trazer ao público suas transgressões bizarras em forma de filme, como o estupro amoroso na cama de hospital em Fale com Ela (2002), o travesti que vira pai em Tudo Sobre Minha Mãe (1999) e freiras que usam LSD em Maus Hábitos (1984); é por esse caminho que segue o cinema delirante de Almodovar, que encanta na mesma medida que choca. A Pele que Habito (La Piel que Habito, 2011), nesse sentido, não decepciona. A história se desdobra em cima da figura clássica do cientista louco, atualizado aqui no cirurgião plástico vivido por Antonio Banderas, e suas experiências mirabolantes envolvendo um inusitado objeto sexual em cativeiro, que se transforma em algo ainda mais absurdo, que só poderia ter saído do estranho universo de Pedro Almodovar. É um filme no qual o diretor espanhol busca uma aproximação com o início de sua carreira, embora não deixe de manter sua assinatura atual, reconhecível para o público que conquistou na

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MAR DE PLÁSTICO Degradação avança muito mais rápido que consciência de mundo sustentável

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Há meio século, quase todos os destroços encontrados no mar eram biodegradáveis. Agora, 90% são de plástico. Mas a degradação começou bem antes. Após a revolução industrial, ainda no século XIX, as pesquisas cientificas para busca de novos materiais, mais duráveis, e os novos hábitos exagerados de consumo começaram a causar danos cada vez mais alarmantes ao nosso habitat. O desenvolvimento humano está diretamente ligado à sua relação com a Natureza. O combate à lógica industrial de extrair tudo do meio ambiente, de

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forma insustentável, está cada vez mais em pauta, mas muito ainda precisa ser feito e mudado, na direção de um comportamento sustentável por parte da Humanidade. Simples questão de educação. No estilo de vida fast use, materiais cada vez mais descartáveis, muitas vezes feitos de plástico, por ser durável e barato, preenchem todos os nossos espaços da vida cotidiana. E consequentemente o lixo produzido vem aumentando vertiginosamente. Entre os anos de 1970 e 1990, a população cresceu 18%, enquanto o lixo aumentava em 25%.


O plástico é absolutamente onipresente e se tornou a base da sociedade moderna. Ao sair do útero, o primeiro contato com o plástico: pulseira, mamadeira, termômetro, fralda. E daí crescemos com os brinquedos de plástico, os copos e canudos de plástico. Depois passamos à escola, com bolsas, canetas, objetos escolares. Chegamos à fase adulta com objetos da casa, do trabalho, recipiente de alimentos e bebidas, sem falar no lixo hospitalar, industrial, público, entre tantos outros. Essa dependência nos segue durante toda a vida.

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Para se ter uma idéia, a água engarrafada, que emplacou no mercado de massa no meio dos anos 1980, gera um consumo mundial de 200 bilhões de litros por ano. Cerca de 5% do plástico são reciclados, 50% vão para aterros sanitários, e o resto, cerca de 100 milhões de toneladas, está flutuando nos oceanos. O Programa Ambiental das Nações Unidas diz que 20% dos detritos de plástico no oceano são despejados diretamente no marr., enquanto os outros 80% vêm da terra, das nossas bacias hidrográficas.


O vento sopra o lixo plástico de ruas sujas e de caminhões em comboios a caminho dos aterros sanitários. O material vai parar em rios, córregos e bueiros. Em seguida, segue as marés e as correntes, para o mar. O lixo esquecido nas praias também é um dos principais contribuintes, bem como a indústria da pesca. O oceanógrafo Americano Charles Moore descobriu o “Great Pacific Garbage Patch” ou “vórtice de lixo”. Ele acredita que cerca de 100 milhões de toneladas de plástico estão circulando na região entre a China e os EUA. As correntes marinhas impedem que eles se dispersem. Isso quer dizer que o maior depósito de lixo do mundo não está em nenhum aterro de uma grande capital mundial, está no mar. Uma área de 680 mil km2, que vai da costa californiana até o sul do litoral havaiano. O Mar Mediterrâneo é considerado o

mais poluído do planeta. Para cada quilômetro quadrado, contém cerca de 2 mil peças de plástico flutuante. As pesquisas do Programa Ambiental da ONU relatam que os entulhos plásticos são responsáveis, anualmente, pela morte de mais de 1milhão de pássaros e de 100 mil mamíferos, como baleias, focas, leões-marinhos e tartarugas. As aves marinhas confundem objetos como escovas de dente, isqueiros e seringas com alimento, e diversos desses objetos já foram encontrados nos corpos de animais mortos. Uma tartaruga encontrada numa praia havaiana apresentava em seu estômago e intestinos mais de 1 mil pedaços de plástico. Segundo cientistas, esse lixo marinho representa também um risco para a saúde humana, já que produtos químicos encontrados em parte desses materiais entram na cadeia alimentar e podem acabar no seu prato.

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Cai, cai, tanajura Tavares Dias (*) Vêm o pai e o filho, de nove anos, de mãos dadas, caminhando pela calçada. Vêm do colégio do menino, ao fim de um dia de aulas. E vêm se alegrando. O pai, por ter aquele e outros dois filhos, todos gente boa e amiga. E o menino comemora a alegria de ter pai. Quando andam juntos, é sempre em meio a risos e troças e rimas, entremeados, às vezes, por um ou outro ensinamento, uma correção necessária. E rolam musiquinhas com letras engraçadas que compõem em parceria e cantam a se pocar de rir. Vêm felizes. O pai carrega a mochila do filho, pesadona. O menino acaba de sair do futsal, depois de cinco aulas. E está cansado. E o pai, cansado de umas tantas coisas da vida mas feliz com a própria vida, gosta de poder aliviar o peso da mochila do filho. O menino conta dos gols feitos, dos perdidos, daquela que bateu na trave e saiu, de uma que o goleiro tirou com os olhos. Quando relata um gol bonito que conseguiu fazer, gosta de usar frases que aprendeu com o pai: “O goleiro não saiu nem na foto, Pai. Ela entrou lá onde a coruja dorme”. Passam por duas praças. E muitas lojas. E faixas de pedestres. E vendedores ambulantes, com seus pregões. E de tudo tiram proveito. E riem, satisfeitos de seu amor de pai e de seu amor de filho. E o filho quase sempre tem uma piada nova, que aprendeu com os amigos. E o pai lembra pegadinhas, parlendas, trava-línguas, histórias de outros tempos mais calmos e de valores mais voltados para a solidariedade e para os tesouros verdadeiros da vida. O pai usa o trajeto também para fazer o filho se acostumar com caminhadas, con-

forme ele mesmo, o pai, gosta de fazer, em manhãs de tempo firme, à beira-mar. Às vezes acelera um pouco o passo, a ver o desenvolvimento do filho. Depois, suavemente, desacelera, até um andamento mais favorável para seu moleque querido. Naquela manhã, o sol tinha sido forte, por umas poucas horas, após dias chuvosos. E aquilo trouxe uma novidade para o menino, que nunca vira uma tanajura. -Um formigão de asa, Pai. Então o pai vai rebobinando a memória e contando ao filhote que as tanajuras, lá no interior, há muitos anos, eram motivo de festa, quando saíam. Diante da revoada dos insetos, a meninada gritava, correndo atrás das tanajuras em seu voo de acasalamento: -Cai, cai, tanajura, na panela de gordura. E os olhos do menino brilham de surpresa quando o pai conta que muita gente tirava a bundinha das tanajuras e fazia farofa. E que também se fincava um palitinho de fósforo ou espinho de laranjeira na bundinha delas e elas ficavam girando, feito ventilador. Ninguém achava aquilo cruel, porque eram outros tempos. E o menino se espanta quando o pai diz que cada tanajura fêmea fura um buraco no chão e dali nasce um novo formigueiro, que a bundinha delas é um depósito de ovos. E o menino conta, no caminho até em casa, 49 tanajuras mortas no asfalto. E naquele dia vai dormir com as impressões de um tempo que não é seu. Mas o pai é seu, para sempre. Por isso, depois da oração que sempre fazem juntos, o menino dorme tranqüilo, sorridente, talvez correndo atrás de tanajuras numa rua sem asfalto.

Jornalista, escritor. Mestre em Estudos Literários.



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