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VERSOS DE FLOR DE LIS... CANTOS DE UM BEMQUERER

DIRCEU DETROZ

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HOUVE UMA VEZ... UM VERÃO

Houve uma vez... um verão, desses que a gente não esquece, 1942. Enquanto a guerra semeava o ódio, e provocava destruição houve um verão de amor Um amor de menino, um amor de mulher. Houve uma vez... um verão desses que a gente não quer esquecer. Havia uma praia, havia areia, havia ondas, havia o mar. A inocência de um menino, a meiguice de uma mulher. Houve uma vez... um verão, desses que uma trilha sonora nos faz reviver lembranças numa canção. O primeiro olhar, um abraço, depois um beijo, então, o gosto do sexo. Um menino descobrindo encantamentos, uma mulher deixando-se levar pelo êxtase. Houve uma vez... 2


um verão, desses que nunca se repetiu, e como todo verão precisou acabar. A angústia da partida, fuga sem despedida, um menino apaixonado uma mulher envolvida. Houve uma vez um verão, houve um amor impossível, inesquecível.

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PESADELOS A noiva chegou numa limusine impecavelmente limpa, pisou num tapete impecavelmente vermelho, subiu pelas escadas impecavelmente lavadas, entrou na igreja impecavelmente linda, ouviu o coro nupcial de Wagner impecavelmente interpretado. O clima da igreja perfumada de rosas estava sensivelmente nervoso, a noiva disse o sim sensivelmente emocionada, ouviu o sim sensivelmente emocionada, foi beijada pelo noivo sensivelmente emocionada, jogou o buquê sensivelmente emocionada. À noite de núpcias foi docemente de amor, as mãos que a despiram foram docemente amorosas, a virgindade foi perdida entre sussurros docemente excitantes. Tragicamente o noivo era soropositivo, tragicamente estava infectado pelo HIV, tragicamente de um sonho restou o pesadelo, tragicamente o sopro da morte destruiu os sonhos tragicamente... a morte interpretou seu papel.

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LÍNGUA AFIADA O fio da navalha corta, o fio da faca corta, o fio da gilete corta, o fio de uma língua afiada... não corta, mas, leva a ruína. O corte da navalha cicatriza, o corte da faca cicatriza, o corte da gilete cicatriza, a reputação perdida pelo fio de uma língua afiada.... nem sempre se recupera.

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ROTINA MODERNA O olhar at么nito, a boca seca, um movimento, estampido, buraco na testa, sangue expirando, olhos arregalados, morte...

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FOSSA A raça humana, transformou o planeta numa imensa privada sem cordão de descarga. Agora, atolados até os tornozelos, descobrimos que o Arquiteto dessa obra, não planejou rede de esgoto.

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ENGASGADO Drummond! o maior? não!!! Apenas uma pedra no nosso caminho, que a crítica insiste em querer nos fazer tropicar...

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PODIA SER JOSÉ Ali, naquela favela do centenário há um cubículo de número 100, onde vive mulher, filho e João, ele não se chama José, por causa do Drummond.

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DIETA Passo meus dias configurando meus neurônios, se é que os tenho, para pensar milhares de besteiras... Faço isto como uma espécie de dieta. Lúcido, estaria tomando antidepressivos tarja preta.

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INSTINTO SELVAGEM Ah! esse doce apelo que têm teus pelos, por debaixo das tuas calcinhas rendadas. Ah! esse lugar sagrado, templo encantado fonte louca de prazer, tesão explícito, quando te vejo diante dos meus olhos, quando te sinto em minhas mãos, quando você me deseja por inteiro dentro de você. Ah! este teu gozo gostoso pedindo por mais, tenho a eternidade neste momento fugaz.

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AVE DE MAU AGOURO Vou ser a tua unha encravada a tua dor de cabeça, quem sabe outras coisas na cabeça vou ser a tua úlcera perfurada. Vou ser o calo do teu calcanhar a tua dor de cotovelo, quem sabe o motivo do teu ciúme, vou ser uma pedra no teu sapato. Vou ser os teus fantasmas os teus pesadelos, quem sabe as tuas noites de insônia, vou ser a tua infelicidade. Vou ser a tua insegurança a tua preocupação, quem sabe a tua desilusão, vou ser a tua ave de mau agouro.

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MOMENTOS DE FELICIDADE

Hoje meu coração sorriu, por minutos apenas mas sorriu, e cantou, e dançou, e brincou feita criança, porque te viu. Ah! esses minutos feitos de felicidade, remédio para a dor. Há quanto tempo eu não sorria um sorriso de verdade. Quanto peso de saudade meu corpo aliviou. Infelizmente aqueles minutos passaram e tudo recomeçou. Saudade... saudade... falta... falta... de quem é o meu amor.

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ETERNIDADE Duas semanas sem te ver quinze dias sem te ver 360 horas sem te ver 21.600 minutos sem te ver 1.296.000 segundos sem te ver, para mim foi à eternidade, e nesta eternidade toda meu coração bateu 1.512.000 vezes por você....

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DISTĂ‚NCIA

Imaginei mil sorrisos para te receber, mil palavras para te dizer, mil fofocas para te contar, mil coisas para te agradar, mil presentes para te dar, mil maneiras de te fazer feliz mas vocĂŞ preferiu ir para longe, muito mais longe do que algum dia eu pudesse sonhar.

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TUDO E NADA

E se o nada fosse o tudo, e se o tudo fosse o nada, eu teria o tudo e não teria o nada. Mas o nada não é o tudo, e o tudo não é o nada, por isso eu não tenho o tudo, mas tenho mais que o nada. Desejando ter o tudo posso ganhar o nada, e se ganhar o nada para mim será o tudo. Mas, se não ganhar o nada posso ganhar o tudo, e outra vez o tudo pode se o nada.

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AVENTUREIROS

Chegaram nem todos mas todos cansados, vieram de longe homens errantes, rudes reais. Seus olhos conheceram o mundo, as guerras, as fomes, as vitórias, as derrotas. Seus corpos trazem marcas, cicatrizes, a areia do deserto, o sal do mar. São livres como o vento, e ao vento galopam como deuses, sem temor, sem amor, que ficou no harém. As mulheres são miragens, são sonhos sob noites estreladas, objetivo pra se voltar vivo da longa jornada.

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PINTURAS

Colei meus sonhos na parede, pintei teu rosto em meu pensamento cada dia, cada manhã depois de sonhar com você, cada noite esperando sonhar com você. Pintei teu auto-retrato mil vezes diante dos meus olhos te imaginei deusa, fada, virgem, sem vergonha, mulher, somente mulher assim nua. Ah! essa nudez que me assola de prazer, quente, doce, molhada, vulcão descendo em torrentes. A pintura desta loucura, é nunca morrer é ser eterno. Da Vinci sentiria inveja do nosso tesão.

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TO BE

Eu sou a extensão do teu corpo quente, como o fogo que queima! Eu sou o teu complemento o motivo do teu sorriso, a razão dos teus sentimentos, a explosão do teu prazer! Sou teu guru teu karma, teus devaneios sou tua loucura absoluta! Povôo teus sonhos após nossas noites de amor, sou teus passos, teu equilíbrio, tua riqueza, tua luz! Por isso, enlouqueci, me atirei no abismo morri, de tanto te pertencer meu corpo deixou de ser quem eu sou, entretanto, minha alma, ela não te queria, minha alma sabia que você me esqueceria depressa demais.

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FAMA Um Picasso na parede, um Hemingway na estante, por que valem mais nunca menos que meus poemas desconhecidos. Minhas rimas não são leiloadas. elas não valem milhões. A fama, talvez, não se explica, ou tem explicação? Freud explicaria? na dúvida, acho que sim! acho que não! Calcular um verso ao quadrado, medir a hipotenusa de uma rima, ou compor um poema a um amor impossível, é possível que magoe meu coração, mas não aumenta o saldo da minha conta bancária. Nesta inspiração capitalista, duas palavras somam cifrão, a fama me alcançara? Ou serei mais um que tentou desvendar mais este mistério, entretanto, sem nunca alcançá-la, e nem sequer entender a existência da calçada da fama.

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MARGINAIS A relatividade é relativa, o gatilho dispara, o sangue explode e escorre pela calçada. Ser bicha, ser puta, marginal, viciado é uma opção, perdidos na noite o fiel aprendiz, faz do seu baseado a viagem dos deuses. Ser de repente um traficante, ter nas mãos o poder de matar tanta gente, da lei do silêncio ser o mandante. O crime compensa, a justiça colabora, é essa a lei. De arma na mão eu faço e desfaço, eu cobro e pago por proteção. Eu te assalto, eu te seqüestro, você bom cidadão é a bola da vez, é nosso freguês e financiador. E quando me prendem, atear fogo à cela é minha diversão. Clamo pelos direitos humanos dos bons cidadãos, 21


de bons corações. Eles acham que eu mereço mais uma chance porque fui marginalizado pela sociedade. Uma rebelião, uma fuga em massa, estou de volta às ruas. Ontem estuprei uma moça, quinze anos ela tinha, era virgem ainda, depois a matei. Os bons cidadãos dos direitos humanos, limitou-se a lamentar mais uma vítima. Outra vez, me libertaram por que sou menor, sou vítima também, sou coitado, mereço outra chance, sou jovem ainda. Livre! assaltei, estuprei, e matei... outra vez! Bons cidadãos dos direitos humanos, por favor, eu mereço outra chance! Mas desta vez, sob o viaduto, havia uma overdose no meu caminho, e as chances que me deram a vida me negou, e a morte que espreitava silenciosa, veio me viu, me levou. 22


As bichas, as putas, os marginais viciados, viram a morte me levar sem compaix達o e sem dor, meu lugar simplesmente outro assumiu. E outra menina foi estuprada, e outra, e outra, mais outra, outra ainda...

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DESEJOS Você é tentação pura, tesão exposto, fruto proibido que minha boca gosta. Você me acende todo, fera que me devora, fogo que me queima, teu corpo me descontrola. Teus peitos me atiçam, tuas coxas tremem a bundinha, pedindo por beijos, beijos... beijos implorando para ser minha. Teu tesão me molha meu corpo lambuza, tua vagina enlouquece quando me usa. Querendo você eu estremeço, você me querendo eu sinto que cresço. Entrar em você é mais que cobiça, te dar mais prazer é gozar em delícias. O teu orgasmo e o meu parece não ter um fim, comungam do mesmo Karma somos nós dois, yang e yin. E assim vamos noite adentro, eu sempre dentro de você, você sugando gota a gota toda a energia do meu prazer.

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DA MINHA JANELA Da minha janela eu vejo o trem passar, vejo os automóveis, vejo as pessoas, as chaminés. Vejo as torres das igrejas, vejo as antenas de comunicação, vejo os rios, vejo as matas, vejo as estrelas e o luar. Da minha janela eu vejo meu amor sair, eu vejo meu amor chegar, vi minha mãe partir para não mais voltar...! Na minha janela, muitas vezes, penso nela! Da minha janela eu penso, e repenso o mundo, penso em mim, crio teorias, filosofias, de por que estar aqui A minha janela guardam segredos, sonhos, fantasias eróticas e infantis. Da minha janela eu penso no meu amor, dou asas à minha paixão, se há motivo para viver você é uma razão. Da minha janela já vi coisas que não queria, vejo coisas que não quero, e nada posso fazer. Na minha janela busco inspiração, 25


palavras soltas, rimas loucas, nascidas no coração. Da minha janela...!

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GLOBALIZAÇÃO

Minhas rimas são emergentes, meus versos globalizados, da minha cadeira navego pelo ciberespaço. Enquanto o planeta se disfarça de globalizado, e alguns posam de emergentes... As etnias ainda se chacinam pela supremacia, judeus e árabes se unem contra a paz. Ainda se morre de fome, ainda se morre de diarréia. Ainda se mata para roubar, ainda se mata para calar. Ainda se corrompe pelo poder, ainda se corrompe pelo dinheiro. O planeta virou um mercado, os poderosos, mercadores, as cifras são valiosas, a vida... um produto descartável. E gritam os ecologistas, e gritam os pacifistas, gritam também as religiões, gritam, apenas gritam. Porque as mãos que detêm o poder, o tríplice poder, 27


político, econômico e espiritual, divertem-se com a gritaria. É no poder que está a fartura, é no poder que está as riquezas, é ali que reside os privilégios. Um planeta globalizado, de débeis mentais globalizados, de loucos varridos globalizados, de insanidade globalizada, geram terroristas emergentes, criam destruição globalizada.

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FRENTRE FRIA

Elas tomam forma na Patagônia, tomam forma nos Andes, e são empurradas pelos ventos, são trazidas pelas correntes marítimas, até nos atingir sem cerimônia, sem piedade. E tudo começa com chuvas, chuviscos, às vezes, duram horas, outras vezes, duram dias, então, ela chega, às vezes, com céu azul, outras vezes, com céu acinzentado. A temperatura cai, bruuuu...! os pés congelam, bruuuu...! acendam o fogo, bruuuu...! procurem os cobertores, bruuuu...! vistam os casacos, bruuuu...! Vai gear, vai nevar. O sol da manhã, chega com os campos geados, esbranquiçados, o ar gelado. Outras vezes, 29


ĂŠ apenas um cĂŠu acinzentado. um vento cortante, e a neve caindo, fazendo a alegria dos turistas.

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PECADOS O pior dos pecados, é nunca cometer pecados. Você já pecou hoje? pode apostar que sim. Se a salvação está no ato de não pecar, então para a humanidade não há salvação. Por que não pecar? se já nascemos pecadores. É ridícula e prepotente, esta afirmação escrita por homens ridículos, que nada têm de divinos. O homem se especializou em inventar e cultuar convenções, só àquelas, que melhor lhe convém, é claro! Pobre homem! Pobre ser humano! Pobre ser superior! Não passamos de vermes intrusos, a mercê da natureza, que quando quer nos esmaga e aniquila, sem pedir permissão, sem obedecer à convenção. Mas é lindo, estudar e não entender o universo. Mas é maravilhoso, procurar e não encontrar explicação.

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É divino ser um verme, mas pertencer a tudo isto...

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TANTAS VEZES Tantas vezes, escalei o Everest, por que você me pediu. Tantas vezes, atravessei continentes, por que você me pediu. Tantas vezes, naveguei oceanos, por que você me pediu. Tantas vezes, falei com os anjos, por que você me pediu. E quando eu pedi que você me amasse, você me pediu para que eu te esquecesse...

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SABÁ DE PRIMAVERA As vozes da primavera, são cânticos celestiais aos meus ouvidos. Os aromas da primavera, são beijos celestiais em meus lábios. Porque, como se tivesse sido esquecido pelo tempo, a vida renasce, floresce, alegra-se, como criança inocente, majestosa, única. É primavera... o meu corpo, e o meu espírito Saúdam-te, numa oferenda de amor. Invocando os druidas em épocas remotas, nas suas fogueiras, nas suas orgias, nos seus bacanais, faço eu o meu Sabá. É primavera... que o sol que volta, e que se volta para mim, ilumine meus caminhos, ilumine meu karma, e me transforme em um ser de luz, desses que vagam pela noite, como se fosse eterno dia. Meu espírito te saúda oh! grande primavera! que teus sons supremos sejam valsas, 34


sinfonias, poesias. Comungo tua chegada invocando paz, prosperidade... tantos quantos forem os frutos e as flores, que germinar達o de ti...

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SONHOS NO ESPELHO É abstrata, às vezes, a minha imagem no espelho. Não me conheço, quem é esse cara, eu mesmo me causo espanto. É complexa, às vezes, a minha identificação com o universo. É simples, às vezes, colocar um fim em tudo isto. Basta um simples momento de desespero, aquele clic que nos diz, você não está no controle. O espelho é cruel, destrói os sonhos, desata convicções, escancara as verdades, da qual sempre queremos fugir.

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ILHA Sou uma ilha cercado de Lizz por todos os lados. Sou beijado pelas ondas de volúpias do teu prazer, que arrasta minha loucura para o teu abismo... Minhas areias são levadas, pelos gemidos do teu gozo, misturados com os meus. Não tenho latitude, não tenho longitude, nem fui mapeada, mas, sou refúgio da Lizz nas madrugadas de amor.

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VIVER Viver é uma aventura, dessas que nem Steve Spilberg ousaria filmar. Viver é uma mágica, dessas que nem David Coperfild ousaria fazer. Viver é um gol, desses que nem Pelé ousaria marcar. Enfim, viver é viver, nada parece tão simples, mas, quantos passaram pela vida sem viver...

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NOITE De que é feita a noite? de escuridão, de solidão, onde os pensamentos cintilam como as luzes da cidade. Meus pensamentos vagam soltos pelo espaço, saem de você, voltam para você, você é como se fosse uma dançarina, dançando em minha mente. A noite se veste de negro, eu me visto de você, sinto na pele, nos poros, o meu amor florescer. Do que é feita a noite, do que é feito o meu amor por você? de onde nasceram essas palavras... Ah! no meu coração, que ama você.

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VIAJANTE Eis me aqui viajante, cansado de aventuras! Hoje descanso nos teus braços, bebendo nos teus lábios o veneno da paixão. Por que vim não sei! se percorri estrelas, galáxias, e de repente, ao vê-la, mais rápido que a luz me apaixonei. E então, viajei como só loucos errantes, desafiando os perigos, hoje só quero ficar contigo. Os caminhos do universo, as suas trilhas, já pouco importa, se é aqui nos teus braços, que está o meu destino meu porto seguro. Anos-luz percorri, em ti aportei...

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NO DIA DA MULHER No dia da mulher o que todo homem quer... vaginas excitadas, calcinhas rendadas, todinha molhada, é o que o homem quer. No dia da mulher, ambos, homem, mulher, querem motéis, jogos eróticos, luzes de velas. No dia da mulher, nenhuma mulher quer ser tratada como vaso chinês. No dia da mulher, mulher que é mulher, quer beber das loucuras da paixão, supremo tesão.

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UM GRITO

Um grito, nem sempre será de espanto, ele pode ser apenas de prazer. quando dado sem pudor, sem vergonha, só para os ouvidos de quem o provocou. Um grito, quando de êxtase, excita até os deuses que inventaram o amor, porque até entre os deuses, um grito de prazer jamais será pura banalidade. Um grito, no entanto, pode não ser de prazer nem de espanto, se ele for de ódio, é tragédia anunciada, é loucura, daquelas que nos faz perder loucamente a razão.

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LOUCAMENTE... LÚCIDO Nosso amor é assim tão louco, loucamente lúcido, entre torrentes de gemidos, ecoando em nossos ouvidos. Nosso prazer escorre por nossos corpos suados, como um vulcão, na mais plena das erupções, somos lavras incandescentes, guiando-se por um único desejo. Ah! nos gravitamos, nos orbitamos, somos sugados pelo buraco negro, dessa paixão avassaladora. E se ainda houver lucidez para tanta loucura, busquem em nós a pureza dessa lucidez. Porque o amor nos faz loucamente loucos, a paixão nos faz vulcões de desejos, o prazer único nos transforma em astros da noite, com brilho próprio, intenso, propensos a realizar noites após noites, loucas loucuras, e nos apaixonar perdidamente... louca, loucamente.

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IMÃ Com você tudo é simples, o abraço, o beijo, o amasso, o desejo. Ah! você é meu pólo positivo, me atrai para a loucura me domina pelo tesão, é minha doença sem cura com você, perco a razão. Imã das noites de volúpias quando nos vestimos de nudez, onde horas são segundos, e eu acabo te querendo outra vez, presa no virtual do meu mundo. E se perdido estou, me acho nos teus braços. E quando me acho, me perco de novo em você.

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TERROR Os infiéis ocidentais bombardearam Cabul, e feriram Alá com uma ferida de guerra. Oh! infiéis covardes dirá Osama, dirão o mesmo os mulás. O terror fez estrago do jardim de concreto do tio Sam, matando inocentes, ferindo a liberdade. Oh! cães assassinos dirá o tio Sam, dirão o mesmo os ocidentais. O terror, cinco vezes por dia rezam a Alá, Os ocidentais, exclamam solenes Deus salve a América. Fazem e desfazem, em nome do Pai.

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VOLÚPIAS A música soa lenta, romântica, excitante, entre abraços quentes, beijos molhados, corpos ardentes. Minha doença é você, a sua sou eu. Conheço teu gosto, teu oceano de desejo, os caminhos do teu gozo, o tamanho da tua paixão. Sou escravo dos teus orgasmos, e dono dos teus gemidos. Com você vou de extremo a extremo, da razão, à loucura absoluta, Anjos e demônios se apoderam de mim, mas, sou assim, quero ser assim, e é assim, que sou teu amor. Meu refúgio á a tua boca, meu paraíso é o teu prazer.

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BAILARINA Quando você dança assim em minha mente, feita bailarina do ventre me entrego todo pra você... E você se veste de nudez quase pura, me seduz com um sorriso quase meigo, me possui de um jeito todo amor... E atravessamos assim madrugadas, de estrelas que vão e que vêm... Você dançando pelo meu corpo assim, ah! beijos, ah! caricias, ah! susurros, ah! gemidos. Corpos enroscados, beijos molhados, carícias de toques encantados, sussurros de lábios pedindo, gemidos de gozo explodindo... Nessa dança sem fim... Essa dança, é nosso balé de amor.

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JÓIA RARA

A minha apaixonada, além, de ser pequena, também, é pedra preciosa, pérola, dessas que de tão rara escondem o brilho, de bilhões de sois. Puramente lapidada, esta jóia cintilante enfeitiçou um bem querer, que se enamorou hipnotizado, perdido de amor. Um amor, que de tão grande não caberia na Via Láctea. Um amor, que de tão grande sugaria os buracos negros do universo, e transformaria as explosões colossais, em batidas do meu coração amando você.

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DIRCEU Dirceu, Sou um deus mitológico transformado em fonte. Me encho de pétalas perfumadas, para banhar o teu corpo. Me transformo em água cristalina, para matar tua sede. Me transformo em riacho espumoso, para brincar nos teus pés. Me transformo em cordilheira, para transbordar no teu coração. E transformar você, em parte de mim.

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AUSÊNCIA O terremoto da tua ausência, abalou as estruturas desse teu amor, alcançando dez pontos na escala da paixão. Tua ausência é assim, vendavais, maremotos, ciclones, avalanches. A me golpear sem cessar, causando noites de insônia, sede de beijos, fome de abraços, gulodice de desejos, tesão de amassos. Você é quem está no meu controle, estou simplesmente desgovernado sem você.

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MULHER

Mulher, mistura perfeita do que há de mais puro no universo. Há estrelas em seus olhos, mel em seus lábios, graça no seu sorriso. Falar de uma mulher, é ouvir canções angelicais, é navegar pelo paraíso, é chorar de felicidade.

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LIMITE No limite do que me espera, entre extremos de onde estou, uma boca me embriaga um corpo me cambaleia. No abstrato de um desejo, no absoluto de uma paixão, um nome me vem à boca uma mulher me vem aos olhos. No doce de um beijo ardente, na umidade de um gozo louco, sou pura explosão de prazer. É no limite deste todo abstrato, que faço meus extremos se encontrar com a razão real do que quero... você.

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SEDE Marinheiro que sou, quero aportar o barco dos meus lábios, na enseada da tua boca. Alpinista que sou, quero escalar solitário os picos sensuais dos teus seios. Explorador que sou, quero desvendar com volúpia, segredos, fendas e grutas do teu sexo ardente. Apaixonado que sou, quero morar para sempre no palácio real, do teu coração.

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VAZIO A ausência se fez, e a espera foi infinita como o abismo do universo... A espera se fez, e a ausência se fez saudade, como o amor do coração...

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FELIZ Feliz eu sou que tenho você. Tenho teus beijos nas nossas noites. Tenho tuas unhas nas minhas costas. Tenho teu prazer molhando meu tesão. E que sou eu sem teus beijos, sem tuas unhas, sem teu prazer. Nada além de nada, o tudo é você, o máximo é você, o paraíso é você. Serei apenas amor seu sonho encantado. Só quero me perder no brilho dos teus olhos. Escorregar na gangorra dos teus lábios. Me sentir teu homem abraçando você. Ser teu orgasmo, amor e paixão...

55


AUSÊNCIA Tua ausência é como me perder... é como estar fora de mim. é não ter o gosto da tua boca, é não ter o cheiro do teu corpo... Tua ausência é como não ter... o chão para pisar. é não ter oxigênio, é não ter um sentido...

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PODRIDÃO Os abutres fazem do planalto central, seu habitat natural. Abrem suas asas, e alçam seus vôos rasantes sobre palácios, esplanadas, congresso, ministérios em busca do cheiro, do asco, da podridão, da carniça pura, muito bem disfarçado com perfume francês. E que mesmo assim, conseguem feder bem mais que as favelas.

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DIA DOS NAMORADOS

Dia dos namorados, se eu fosse uma estrela... buscaria meu brilho nos teus olhos. Dia dos namorados, se eu fosse uma brisa... sopraria de mansinho teus cabelos. Dia dos namorados, se eu fosse um beijo... pousaria nos teus lábios adocicados. Dia dos namorados, se eu fosse um oceano... banharia teu corpo de amor. E, seríamos... só abraço, só beijo, só paixão. E, seríamos... só loucura, só prazer, só tesão. Porque você é o meu amor...

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VOCÊ (Acróstico) Lá vem você, assim linda, Incendiando meus desejos, Zanzando pelo meu corpo, Zoando pelos meus beijos. Assim também, lá vou eu, Nanando pelos teus orgasmos, Dominado pelo teu cio, Razão nenhuma, apenas loucura, Amor assim, nunca se viu.

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TUDO DE MIM O sal das tuas lágrimas, em minha boca tem sabor de mel. São puras e cristalinas, como é a alma desse meu amor. Enfeitam os teus olhos, feito um oceano de ondas infinitas. Ah!... me afogo em ti, me derreto em ti, me esqueço em ti, me acho em ti. Ah!... lágrimas, sorrisos, noites de amor.

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CORPO EM RELEVO Ah! a umidade desses teus cabelos caídos sobre o rosto, têm o cheiro e a frescura de quero mais. Ah! esse teu olhar de mulher fatal, penetra fundo na alma da gente, olhos assim, de pidona, enfeitiçam, e deixa a gente de joelhos a teus pés. Ah! essa tua boca de mulher sedutora, princípio de todos os meus desejos, lábios de sensualidade infantil, criança sapeca, que ri e seduz. Ah! o contorno desses peitinhos escondidos, que nos induz a loucura, te dispo quando te quero, e quero sempre, senhora de todos os meus desejos.

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AINDA HÁ Ainda há traços, da tua boca na minha. Ainda há marcas das tuas unhas, em minhas costas. Ainda há o gosto do teu cio em minha língua. Ainda há você em mim, há eu em você. Ainda há torrentes do teu gozo, no meu gozo. Ainda há poemas, versos, rimas, espalhadas no teu corpo. Ainda há você, isso já me basta.

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GEOMETRIA Num círculo que nos rodeia, estamos imersos respirando sonhos virtuais. Num triângulo que nos cerca, somos ângulos respirando paixão e desejo. Somos elevados ao quadrado em cada madrugada, ou simples hipotenusa num só corpo, entre nós há formas, picos, grutas, fendas, linhas imaginárias.

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FLOR DE LIS

Flor de lis encanto, essa vontade de voar feito Ícaro, sem asas, sem sonhar com o céu, mas apenas voar... voar..... voar... por teu corpo, por tua boca, teus mistérios teus caminhos. Flor de Liz hummmmmmmmm isssssssssssssss delírio que causa febre de prazer, dessas quase sem cura, dessas que meu corpo sempre quer mais, porque é doce como veneno, gostoso como amor... Flor de lis gota cristalina que mata minha sede maná que mata minha fome, respirando teus poros te amo....

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UMBIGO DA LIZZ Ele é indecifrável, abstrato... mas sensível a um tato, redondinho tem um furinho no meio, você sabe do que eu estou falando, sabe? sabe? Uma obra-prima, obra de Picasso? de Da Vinci? de Monet? não, nenhum deles seria capaz de criar tal maravilha, e você, você sabe do que eu estou falando, sabe? sabe? Estrela que brilha no centro da minha galáxia, estrela de primeira grandeza encravada no meu universo, única, a mais linda, brilha, excita, pulsa, me encanta, me seduz, e você.... você agora já sabe do que eu estou falando... ainda não!!! vou dizer do umbigo da Lizz....

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SIMPLESMENTE LIZZ

É complexo.... o cálculo da hipotenusa. É divino... o pôr do sol no entardecer. É puro... dizer e dizer e repetir, eu te amo. É raro.... sentir-se no céu num orgasmo múltiplo. É maravilhoso.... sentir o perfume de uma rosa. É grandioso... ficar sem palavras com a imensidão do universo. É simplesmente simples... falar de você. E transformar você num ser complexo, divino, puro, raro, maravilhoso, grandioso, simples. Virtudes de ser simplesmente Lizz.

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NOVOS TEMPOS Que buscas Madalena na fonte... 叩gua! muitos dir達o, mas est達o enganados os tempos s達o outros, Madalena busca o amante...

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AMORES Entre os amores possíveis e os amores prováveis, é justamente pelos amores impossíveis pelos quais nos apaixonamos. por quem sonhamos, por quem sofremos, por quem choramos. E diferente do sol e da lua, que nunca se encontram, são sempre os amores impossíveis que acabamos encontrando.

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NOITE Chega à noite descem as sombras após o pôr do sol, aos poucos muito lentamente... cala-se a sinfonia diurna, e começa a sinfonia da noite. É a hora da brisa que sopra ligeira... mansa afagando as folhas do fim da primavera. Há grilos namorando pelos gramados molhados pela chuva passageira. Ah! uma estrela ascende-se então, outra e outra e outras mais tingem o céu de dourado. E Órion se ergue imponente no horizonte, na sua eterna perseguição ao escorpião fugitivo. À noite dita o ritmo, na hora sagrada dos amantes, na hora dos beijos, às vezes, roubados, outras vezes, oferecidos. Noite! noite! noite! noite de amores amores que misturam perfumes, sabores, 69


paladares, Noite! ah! madrugada, agora a nudez, é a roupa que se veste, o cheiro de cio, é o odor gostoso que se respira. Até que o gozo, traga para os corpos suados de tanto amor, todo o esplendor do amanhecer, adormecidos enfim nos braços de quem se ama.

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MUNDOS Então um dia, cismei que eu era um super humano, e com outros sonhadores da mesma estirpe parti para o objetivo de mudar o mundo. E assim, durante alguns anos vivi com o mundo na cabeça, sem perceber que meu mundo também existia. Tinha idéias infalíveis, fórmulas mágicas rabiscos de projetos, agendas de mudanças, era tudo perfeito. Mas o mundo não mudou uma vírgula sequer. E quando acordei da minha utopia, barata demais descobri que como um homem bomba quase tinha explodido o meu.

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RESTOS Estou juntando os restos, do meu abril despedaçados. Quero as rimas do meu silencio, aquelas que fiz nas noites de paixão, depois que silenciavam nossos sussurros de amor. Depois do amante, eu era apenas teu poeta.

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BEM QUERER Senti em teus poros cheiro do meu amor, ah! e me apaixonei por você, tão certo quanto às estrelas brilham na noite. Na noite quando nosso amor se faz na pureza de um beijo. Te amo, e nas asas deste amor voam sentimentos que cavalgam nos desejos, nos delírios loucos das madrugadas inesquecíveis. Flor de Lis é teu nome, este é o meu amor, a minha paixão. Eu sou aquele que te canta, o teu bem querer. Encravado em mim está o brilho dos teus olhos feito diamantes. Adoço minha boca nos teus beijos. E me alimento como um beija-flor, com o néctar do teu corpo.

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SABORES Provar do teu bolo de aniversario, ah! essa delícia... é como beijar tua boca. Gostos, sabores, umidades, cada pedaço que devoro, é como um beijo que me seduz e me faz te amar. Provar dos brigadeiros do teu aniversario, ah! essa delícia... é como minha língua deslizando pelos biquinhos dos teus seios, Durinhos, doces, convidativos, cada brigadeiro que devoro, tem o sabor de um gemido, de um sussurro de êxtase. Provar do gelado de morango do teu aniversario, ah! essa delícia... é como espalhar creme em cada centímetro do teu corpo, Delicado, sensual, loucamente atraente, cada pedaço que devoro tem minha boca 74


conhecendo teus segredos, tuas cavernas e picos encantados, que fazem das nossas noites o mais puro tes達o de amor.

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APAIXONADA (JOIA RARA 2) A minha apaixonada além de pequena, também é pedra preciosa, perola, dessas que de tão rara, ofuscam o brilho de milhões de sóis. Puramente lapidada essa jóia cintilante, enfeitiçou um bem querer perdido de amor. Um amor que de tão grande... não caberia na Via Láctea. Que de tão grande... sugaria todos os buracos negros do universo, num simples tum.. tum... tum... de coração, amando você.

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MADRUGADAS VIRTUAIS Essa noite sem você está chata, sem sentido, o virtual deixou de ser o mesmo sem você. Todos falam. todos namoram, todos amam, e eu espero por você que não vem, ou se veio é outra e eu não te achei. O sábado está chato, a chuva está chata, a internet está chata, e eu acabei de ficar um chato também. Tem peladinha, tem feiticeira, tem até a carente de amor, só não tem a Brisa, ou a Flor de Liz.

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SOMBRAS Nuvens negras invadiram o meu vale, trazendo em nas asas as sombras da morte, que chegaram ávidas por almas de anjos e pecadores. Águas lamacentas cobriram o meu vale, deixando em seu rastro lares e mais lares no chão, agora já se foram mas deixaram na boca um clamor, de quem já não tem nem mesmo um colchão. E os morros desceram feitos queijos suíços, tsunamis de barro, lama assassina, despedaçaram o meu vale ceifando sua beleza de outrora. As sombras da morte desfizeram sonhos, interromperam vidas, deixaram em seu rastro a fome, a sede, a esperança perdida enterrada em sete palmos de terra. Depois que as sombras da morte se forem saciadas, nos olhos dos anjos nos olhos dos pecadores, essa esperança perdida renascerá É pelas lágrimas desses olhos desamparados 78


que meu vale hoje ferido se levantarรก.

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UNICÓRNIO ALADO Para onde me levas... oh! unicórnio alado, de asas ligeiras... Hoje, não quero voar sozinho em teu dorso aconchegante... hoje, quero me aninhar como um menino carente, no colo do meu amor. Hoje não quero ventos, apenas brisa... nem o brilho da lua, apenas o faiscar das estrelas... não quero a canção de uma chuva caindo... apenas o cheiro dos cabelos dela... ainda molhados... úmidos. Hoje, quero essa noite toda para mim, assim poderei dar essa noite toda para ela: minha Lizz. Mas, o que seria desta noite sem beijos molhados... sem sussurros de issssssssss... sem línguas safadas... sem caldinhos de gozo.... escapando por rachinhas e rasgadinhos. Com a noite, quero também você... menina, minha apaixonada, dona dos meus desejos, dona do meu amor.

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Vem... vem comigo, vem voar em nosso unicórnio alado... faremos amor sobre as montanhas ao lado de fogueiras acesas, arderemos de tesão tanto como elas, e ainda estaremos ardendo... quando as fogueiras já forem apenas cinzas. Fugiremos para longe além do tempo e do espaço, ate onde as asas do nosso unicórnio alado ousar nos levar. Ouviremos canções celtas, enquanto nossos corpos se sugam numa sinfonia interminável de amor...

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INTRANSITIVO Tertuliano que também era Inácio, sempre foi desses sujeitos de poucos predicados, vivia de birra com os verbos, e seu mundo não ia muito além do que cinco consoantes. Dois esses, dois erres, além do ceaga nos rabiscos de Tertuliano ninguém ia encontrar. Um dia possuído de amor, Tertuliano se aventurou numa cantada cheia de pronomes, e um objeto direito acertou-lhe em cheio as fuças. E sem qualquer parêntese nem aspas, a moça ainda esbaforiu alguns substantivos impróprios pelas ventas. E o enamorado Tertuliano que também era Inácio, gemeu, gemeu, gemeu... em duas vogais.

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SE VOCÊ NÃO EXISTISSE Se eu não existisse ninguém me inventaria, Poeta não é como o pão que mata a fome, Matar tua fome, tua sede, isto eu não poderia, Se eu fosse inventado, só saberia rimar teu nome. Se eu não existisse falta também eu não faria, Sou um desses derradeiros que a rima consome, E mesmo que elas ecoassem ninguém ouviria, Num mundo onde o ódio já tatuou o homem. Mesmo assim ainda te rimo nas horas de silencio, Te quero sem os pudores de uma criança no berço, Nas asas de um unicórnio alado, quero a magia. Mesmo assim ainda te rimo, sou teu benquerer Minhas rimas seriam nada, ocas sem você, E se você não existisse eu te inventaria.

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