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BRASÍLIA-DF, OUTUBRO/NOVEMBRO DE 2010 / www.miraculoso.com.br / DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

O que será que será... Brasília 2010-2014. Por: Solano Teodoro / P. 5 Literatura e Poesia P. 10 a 13

A volta das lixeiras de ouro - UnB Por: André Shalders / P. 3

Entrevista do Mês: Toninho do PSOL

Meio Ambiente: Projeto Cerrado em Pauta Por: Dra. Fátima Rodrigues

Setor Noroeste de Brasília Corrupção no Urbanismo de Brasília Por: Dr. Frederico Flósculo


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EDITORIAL Esta 5ª edição do MIRACULOSO chega às suas mãos depois de inúmeros aperreios. Os maiores deles, obviamente, são os financeiros, e se devem ao fato de o Jornal O MIRACULOSO ser uma publicação independente, sem vínculos políticopartidários ou empresariais. Não conseguimos, por enquanto, atingir o intento de fazer um jornal mensal. Pelo menos nessas primeiras edições, o jornal virá sempre que as possibilidades (e as contas) o permitirem. Nesta edição, trazemos em destaque uma entrevista exclusiva com o Toninho do PSOL, responsável pelo 2º turno das eleições no DF. Brindamos o leitor também com uma singela análise sobre o recente recredenciamento da Finatec e o texto “O Setor Noroeste e o banditismo no urbanismo”. Para além disso, trazemos também artigos sobre o 2º turno nas eleições no DF e no cenário nacional. A parte lírica do jornal traz como escritor do mês o contista miraculoso Rubem Fonseca, com seu retrato cru e cruel de um personagem-síntese das anomalias sociais. Trazemos também poemas de diversos autores do DF e do Brasil. Na parte cultural, temos uma reportagem sobre o grupo Radicais Livres, da cidade de São Sebastião-DF. Esperamos que vocês miraculem conosco, seja enviando conteúdo (sempre extremamente bem-vindo); ou mediante anúncios que financiam a publicação; e nos incentivando lendo, enviando sugestões, críticas aproveitando o resultado dos nossos esforços.

BRASÍLIA SETOR NOROESTE DE BRASÍLIA CORRUPÇÃO NO URBANISMO São espantosos os descaminhos tomados por Brasília ao longo de seus 50 anos de existência no Planalto Central do Brasil. Em traços amplos, é preocupante pensar que os maiores responsáveis pela preservação do plano original de Lúcio Costa e pela irreversibilidade da ocupação do Planalto Central pela Capital da República tenham sido os governos da ditadura militar (1964-1985); os militares entregaram ao governo civil uma cidade tão preservada que foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade ainda no final da década de 1980. É ainda mais preocupante o rumo que os governos do período de Autonomia Política (de 1990 até os dias atuais) tomaram: uma irresistível corrupção do Território e da Cidade, graças a uma desastrosa conjuntura política, que coloca José Sarney na Presidência do Brasil (19851990) e Joaquim Domingos Roriz no Governo do Distrito Federal (1987-1990, 19901994, 1998-2002, 2002-2006). O que vemos é o mais puro banditismo na gestão do território, com total impunidade. Cerca de 600 condomínios irregulares são fundados por grileiros em áreas públicas, sobretudo, iniciando a devastação de áreas de proteção ambiental e nascentes, em todos os quadrantes do Distrito Federal – num processo de depredação territorial que está longe de ser estacado, pois tem o apoio do Governo do Distrito Federal até os dias de hoje, quando vivemos o grama da grilagem do belíssimo Altiplano Leste, a área de passagem entre as Bacias do Paranoá e do São Bartolomeu. O TRISTE PAPEL DOS URBANISTAS Quem defende o futuro de Brasília, a Capital das futuras gerações? A lucidez de Lucio Costa (1902-1998), infelizmente, não a defende mais. Também é espantoso que o celebrado autor do Plano Piloto de Brasília tenha um papel fundamental na devastação imobiliária do território do Distrito Federal, por sua posição conformista, a-crítica e, no caso da expansão urbana dos Setores Sudoeste e Noroeste, colaboracionista com a especulação imobiliária.

No documento por ele denominado “Brasília Revisitada” (1987), num singelo, poderoso e inexplicado parágrafo, o grande urbanista de Brasília cria, a pedido, quatro imensas frentes de expansão urbana dentro da Bacia do Paranoá: o Setor Sudoeste, o Setor Noroeste, a Asa Nova Norte (parte do atual “Setor Habitacional Taquari”) e a Asa Nova Sul (de polígono quase totalmente grilado pelos condomínios com o selo “Jardim Botânico” e outros). A “peça de resistência” que vai marcar a incorporação imobiliária na década de 2010 é o Setor Noroeste, entre outros. Numa visão retrospectiva, é notável que o Setor Noroeste não tenha pego a cidadania de Brasília totalmente desprevenida. Digo isso porque o Setor Sudoeste a pegou, completamente. Esse bairro é aproximadamente cinco a seis vez maior do que Lucio Costa parece ter inicialmente insinuado. E digo “insinuado” porque o Setor Sudoeste, assim como os demais setores criados pelo Brasília Revisitada, não foi desenhado, projetado, pelo grande urbanista. Foi apenas “paragrafeado”, criado a partir do mais impressionante deslize que cometeu com sua própria obra. As obras do Setor Noroeste foram adiadas por quase uma década, em função de um magro, magérrimo debate político criado a partir de ONGs ambientais, pela vacilante participação da UnB (notavelmente contraditória no debate das políticas públicas em geral, e nas políticas urbanas em particular), e a grande denúncia feita parte da campanha imobiliária mais mentirosa já vista em Brasília: a de que o Setor Noroeste é um “Bairro Ecológico”. Mas não é tarde para parar o Noroeste, ao contrário. Se “Miraculoso” permitir, eu continuo o debate no próximo número, explicando de quantas formas o Setor Noroeste NÃO é um “Bairro Ecológico” e como, ao contrário da propaganda governamental e dos especuladores imobiliários, é crime ambiental perpetrado por via legal. Prof. Dr. Frederico Flósculo Pinheiro Barreto, 52, é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB


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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA - UnB A VOLTA DAS LIXEIRAS DE OURO

Contrariando o MPDFT e o bom senso, burocratas da UnB tecem acordo para recredenciar a Finatec. A Finatec, fundação privada “de apoio”, obteve do Conselho Universitário (Consuni) da UnB, um presentão: seu recredenciamento junto à Universidade. A sessão aconteceu no dia 08 de outubro. Dos presentes, 34 votaram pelo recredenciamento, 15 votaram contra e dois se abstiveram. O recredenciamento da Finatec tem toda a cara de um “acordão” entre os grupos de docentes/burocratas que controlam a Reitoria e a Finatec. Entre as condições listadas para o recredenciamento, estão a aprovação, pelo Consuni, das contas da fundação relativas aos anos de 2008, 2009 e 2010, e o reconhecimento de seu estatuto pelo Conselho, conforme pedem o MEC e Ministério da Ciência e Tecnologia. Em troca, o Consuni indicará os nomes de todos os membros do Conselho Superior da Finatec, conforme disse a atual presidente da fundação, Julia Issy Abrahão. Além disso, todos os contratos acima de R$ 50 mil terão de ser aprovados pelo MPDFT, conforme exige a Justiça Federal. Na reunião seguinte do Consuni (21 de outubro) outras condições adicionais foram estabelecidas para o recredenciamento. Tudo muito bonito e moralizante. Foi quando um desavisado resolveu perguntar: «que sentido faz decidir recredenciar a Finatec e só depois estabelecer condições? E se eles não cumprirem?». Se engana quem pensa que o grupo ligado ao famigerado ex-rei-tor da UnB, Timothy Mulholland, está extinto ou disperso. Ele continua ativo, tendo a frente personagens como o professor Márcio Pimentel, que tendo sido decano de Timothy e presidente da

Finatec até outro dia, concorreu a reitor nas últimas eleições. Os braços desse grupo de docentes estão presentes por todos os lados da UnB, da “tresloucada” direção da Adunb ao próprio Consuni. Um parêntese. A direção da Adunb, sob o comando do professor Ebenézer Nogueira, foi responsável por deixar os técnicos administrativos em difícil situação ao sair da greve logo em maio. Pouco antes de sair da greve, a direção da Adunb lançou uma nota informando que “solicitou, na data de hoje, às Assessorias Jurídicas estudar e elaborar processo para entrar no STF petição de impeachment do Presidente Lula, bem como prisão dos ministros Luis Adams, Paulo Bernardo e reitor José Geraldo” Esse grupo mostra seus dentes novamente ao conseguir que o Consuni aprove o recredenciamento de um de seus principais instrumentos. Não se pode dizer que os nossos timotistas sejam a maioria no Consuni. Não. Eles se tornaram maioria ao se aliar à uma parte do grupo do rei-tor José Geraldo. São os representantes dessa coalizão que ocuparão as 12 cadeiras no Conselho Diretor da Finatec. Vale lembrar que o próprio decano de administração e finanças da UnB, professor Pedro Murrieta, votou contra o credenciamento da fundação. O posicionamento dele é o que nos permite imaginar que nem todo o grupo ligado ao reitor tenha se incorporado à aliança. À decisão amalucada de recredenciar a Finatec, seguirão-se outras do mesmo calibre. Para cumprir seu intento, o Consuni terá que se superar, aprovando as contas de 2007, 2008 e 2009 da entidade, muito embora a fraudulência e a podridão das mesmas sejam de conhecimento até das árvores do “guapú” em frente à reitoria e dos saruês que passeiam pelo campus. Não foi por menos que a Finatec, em 2008, motivou a ocupação da reitoria da UnB e a queda de Timothy,

notabilizado-se nacionalmente como exemplo de má-versação do erário . A Finatec fez de tudo um pouco, em escala nacional, inclusive destinar recursos para a compra de lixeiras no valor de três mil reais para o apartamento de Timothy Mulholland. São essas contas que os senhores conselheiros terão de aprovar, antes mesmo que o Tribunal de Contas da União e o MPDFT o façam. Vale lembrar que, segundo o MPDFT, instituição que pede a extinção da Finatec, a fundação ostenta dívidas no valor de 50 milhões de reais, fruto de negociatas que nada tem à ver com a pesquisa. E o nosso monarca, onde fica nessa história toda? Conforme nos informa a Secom da UnB, José Geraldo se pronunciou favoravelmente ao recredenciamento, dizendo que “A MP sinalizou que a continuidade de projetos será por meio de fundações”. A medida provisória a que ele se refere é a 495/2010, assinada em julho deste ano pelo Lula. O rei-tor só se esquece de dizer que a medida não traz qualquer incentivo ao credenciamento de fundações privadas. Ela se limita a estabelecer regras para as relações entre as IFES e as fundações, proibindo que elas sejam utilizadas, por exemplo, para contratar empresas prestadoras de serviço, tipo de marmota usado para comprar as famosas lixeiras douradas de Timothy. Com esse estranho “acordão”, José Geraldo encaminha uma das únicas ações, até agora, para cumprir seu slogan de campanha, que falava em “gestão compartilhada” da Universidade. É lamentável no entanto, que o rei-tor se disponha compartilhar sua gestão justamente com o que há de mais retrógrado, fisiológico e corrupto na UnB. André Shalders, 21, Estudante de Comunicação da UnB.


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POLÍTICA ENTRE O NULO E O «NELO»: UM DILEMA CHAMADO SEGUNDO TURNO O dia 31 de outubro se aproxima. Nesse dia, o eleitorado do DF escolherá o ocupante do cargo de Governador do Distrito Federal. Para os mais de 20% dos eleitores que não votaram em Weslian ou Agnelo, o dia de votar se avizinha como um verdadeiro dilema. Pensando em melhorar a situação de quem se encontra nesse limbo de aflição, pensei em trazer aqui um apanhado desse debate, com os principais argumentos para o voto nulo e para o voto em Agnelo. Se a indecisão aumentar, é normal – e não me responsabilizo por isso. Weslian Roriz não conta como opção nesse dilema, pois não votar na candidata que expressou com todas as letras em um debate na TV que irá “defender toda aquela corrupção” será considerada uma questão de bom senso. Vamos às razões. A favor em Agnelo Finalmente, após a ruína do ex-governador Arruda e seu vice Paulo Octávio, dois filhos da era Roriz envolvidos nos escândalos de corrupção revelados pela operação Caixa de Pandora, Brasília finalmente vislumbrou a chance de se levantar da poça de lama corrupta onde estava e de eleger um governo que rompesse com a era Roriz. Nesse segundo turno, o candidato Agnelo do PT seria essa alternativa a Weslian Roriz, e tem chances reais de vitória. Por isso o voto em Agnelo. A favor do voto nulo Ao mesmo tempo que Agnelo é a alternativa a Roriz, traz no meio de sua coligação pessoas envolvidas nos mesmos escândalos em que Roriz e Arruda estiveram. O vice de Agnelo era até pouco tempo um dos grandes aliados de Roriz no PMDB, partido de Roriz até o ano passado, que hoje é aliado ao PT. Dessa forma, o grupo Agnelo passa a ser mais semelhante ao grupo Roriz do que alternativo a ele. Por isso o voto nulo. A favor do voto em Agnelo Por mais que a coligação de Agnelo deixe a desejar e mereça todas as críticas possíveis, é o que temos no momento para livrar Brasília de mais quatro anos de retrocesso, e que podem, a partir de uma política eleitoreira se multiplicar por muitos outros anos mais. Nós somos os mais de 20% que não votamos no PT no 1º turno, e agora o que se fará é um voto crítico: vota-se no grupo de Agnelo, mas esse grupo será fiscalizado por todos os eleitores que farão esse voto crítico. A favor do voto nulo Se for para votar em um candidato que passa uma imagem de esquerda, mas está coligado com a direita e com corruptos, tanto no DF, quanto nacionalmente, é melhor anular o voto e demonstrar a indignação e o repúdio a esse modo de se fazer política. Mais de 20% das pessoas já fez isso no 1º turno não votando em Agnelo e nem em

Roriz. Agora a forma de repetir isso é votando nulo. Até o Tiririca está na base do PT. Pingue-pongue Mas votando nulo, corre-se o risco de o grupo Roriz ser eleito. Mas votar Agnelo é eleger o PMDB de Roriz, só não vai ter o Roriz, mas o grupo é quase o mesmo. Mas pelo menos o núcleo de Roriz ficará de fora, será um governo de disputa, e a população deve mostrar o que deve prevalecer. Mas se o governo já vai começar tendo que agradar a gregos e troianos, não será diferente do que já aconteceu nos governos anteriores. Mas, dos males o menor. Mas não dá pra escolher entre males. Mas aí pode-se deixar o mal maior vencer. Mas não se combate o mal se associando a outros males. E por aí vai. Argumentos não faltam para manter acesa a chama desse angustiante dilema, mas os argumentos principais estão aí. Longe de dizer qual é a escolha certa entre as duas, desejo a você que vote certo nesse segundo turno, ou seja, desejo que vote com informação e com convicção. * Leonardo Ortegal é assistente social e escreve também no blog www.cartadesmarcada.blogspot.com

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COLUNA POLÍTICA Sequer fala-se em medidas ousadas e imprescindíveis para O QUE SERÁ QUE SERÁ... minorar o grau de miserabilidade e desigualdade social – O resultado das eleições se avizinha. Em nível nacional, Serra e Dilma disputam a presidência, transformando debate em sinônimo de baixaria e enrolação. Já localmente, Weslian Roriz e Agnelo travam batalha pelo Governo do DF, envoltos em diversas suspeições. Num cenário de batalha campal, chama atenção a quantidade de propaganda eleitoral feita pela internet. Ataques pessoais, geralmente feitos por meio de um discurso agressivo e raivoso, são regra, temas como aborto, terrorismo e drogas pululam de um lado a outro do ringue virtual que, sem cerimônia, invade caixas de email alheias. As características da campanha eleitoral servem como ensinamentos para nós e para as gerações vindouras, que provavelmente também terão a democrática liberdade de serem obrigadas a votar, sob pena de várias sanções em caso de não participarem da “festa da democracia”. Primeira lição: debates não são mais momentos de se discutirem propostas e idéias, são, sim, momentos de troca de acusações e insultos; segunda lição: programa de governo é uma terminologia em desuso, que não é (como se imaginava) prérequisito para pleitear votos do eleitorado, o programa de governo faz-se de acordo com as conveniências das pesquisas, marqueteiros e anseios da mídia; terceira lição: é permitido prometer tudo, sem sequer explicar como será feito – o que é bem razoável, afinal de contas é difícil explicar o impossível.

implementadas no Brasil ao longo de mais de 500 anos de exploração e submissão a metrópoles e a nações imperialistas – como, por exemplo, a imediata suspensão do pagamento da dívida externa, a realização da reforma agrária, a punição severa aos crimes de colarinho branco e a equiparação do ensino e da saúde públicos com os serviços particulares. É isso. Enquanto nada se discute, a pós-modernidade bate à nossa porta: até os vendedores ambulantes que passam de mesa em mesa nos bares utilizam maquinas de cartão de débito da Cielo, estamos rodeados das diversas parafernálias de ponta feitas na China por trabalhadores semi ou praticamente escravizados, ao mesmo tempo que a Rodoviária do Plano Piloto, que fica ao lado do Congresso Nacional, convive com menores abandonados entregues à prostituição, estupro, craque, tiner e a tantos outros dramas, vivendo como zumbis, dos quais simplesmente se desvia o olhar ou se ignora. O que será que será dos próximos anos do Brasil com dois candidatos a presidência que são marionetes do sistema econômico mundial, e o que será do DF com um candidato demagogo que não fala verdadeiramente em nome dos trabalhadores e com uma palhaça que nada deixa a desejar ao Tiririca? Realmente só tenho conjecturas a fazer, porém, quanto aos meus votos tenho certeza: ambos serão nulos! Coluna Política – Por Solano Teodoro, 29, Professor e Metroviário

ELEIÇÕES DISTRITO FEDERAL para os moradores da Asa Norte e da Asa Sul: eles possuem carro e trabalham perto de casa – ou moram perto do trabalho, como queiram. ELEITORES E ELEITORES Bolsa remédio, bolsa isso, bolsa aquilo... nada disso interessa Estamos a dez dias do segundo turno das eleições e eu ainda não vi nenhum comício do Roriz (digo Roriz porque todos sabemos que é ele o candidato) no Lago Norte. Vou ao Sudoeste duas vezes por semana e nunca deparei com um trio elétrico do Agnelo estourando os tímpanos dos moradores daquela cidade, como ocorre nas satélites. Entre os belos jardins das superquadras do Plano Piloto, jamais vi algum candidato distribuindo santinhos e bajulando os moradores locais. Agnelo e Roriz peregrinaram pelas ruas estreitas do Condomínio Pôr-do-Sol, próximo ao Setor P Sul, mas não visitaram as mansões dos condomínios do Jardim Botânico. O programa eleitoral dos dois também me causa estranheza: não vejo as madames da high society brasiliense; nem os jovens chiques dos bairros "nobres" da capital. É como se não existissem eleitores nessas áreas. Será que os endinheirados dos bairros ricos do DF não votam? Claro que votam. Todos votam. Ocorre que os marqueteiros das campanhas sabem que os ricos não precisam seacotovelar ao redor dos candidatos nem "pagar mico" em programas de TV para verem as suas expectativas eleitorais atendidas, seja quem for o vitorioso na disputa. Sabem que é inútil oferecer escola pública para os filhos do Lago Sul: eles estudam no Galois;Cque é perda de tempo falar em melhoria do transporte público

diretamente a quem tem dinheiro para comprar qualidade de vida e leva no bolso o número do telefone celular do governador e de seus assessores. Aos grandes empresários, sobretudo os da construção civil, não é necessário fazer promessas em público. Eles, os empresários, já sabem que o que é deles está guardado e que os candidatos não podem revelar isso em frente às câmeras. Resta a Agnelo e a Roriz apelar para os moradores das cidades pobres que circundam Brasília. O discurso é para eles. São para eles os abraços, os apertos de mão. É deles que os marqueteiros se utilizam quando querem impingir um tom emocional e sensacionalista à propaganda política. Sobram para eles todas as atenções, mas também o barulho dos carros de som, a poluição visual das ruas e os engarrafamentos provocados pelas carreatas. A classe média e os ricos não ficam enciumados nem se sentem traídos. Pelo contrário: agradecem por não ser importunados nos lares, nas ruas, nos bares... Já estão acostumados a ver candidatos namorando uns e se casando com outros. Assistem ao show à distância. Sabem que, no final, será deles a maior parte da bilheteria. Edvan Pacheco, 38, é Estudante de Museologia da UnB


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EDUCAÇÃO MODELOS DE EDUCAÇÃO: PARA QUE? PARA QUEM? Diante do modelo de educação que nos é apresentado nos ensinos fundamental e médio públicos de nosso país, convido ao leitor a dialogar com o Jornal O Miraculoso sobre a educação que desejamos para o devir de u m a v e r d a d e i r a transformação em nossa sociedade. Prestando serviços na área da infância e adolescência, me causa um profundo descontentamento o que presencio diariamente, frente a mais de 300 crianças e adolescentes com os quais convivo e trabalho – é assustador o alto índice de crianças e adolescentes, com idade entre 08 e 13 anos, que ainda não se encontram alfabetizados ou se situam numa fase muito primária de alfabetização, apenas ensaiando algumas sílabas. O que fazer com esse quadro, visto que a instituição não tem como foco a alfabetização? E quando pensamos na escola e o seu papel, por que esta não vem cumprindo o que deveria ser básico em sua tarefa educacional? Pensando no lado psicológico e humano, como é frustrante para uma criança ou adolescente conviver com o estigma da nãoalfabetização ou da dificuldade de aprendizagem. Será que são as crianças que tem dificuldade de aprendizado, ou não seria a escola que não está preparada para o acolhimento dessas crianças? Convivemos muito com os termos TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ou DM – Deficiência Mental, entre outros, que são comumente utilizados para rotular essas crianças e adolescentes, quando, na verdade, o que mais vemos é a falta de estímulos para que o processo de aprendizagem ocorra de fato. Por um lado, vemos um modelo educacional onde não há reprovação, os alunos passam de série em série sem o aprendizado do conteúdo ministrado, eles haverão de dar conta dos conteúdos atrasados na série seguinte, e em paralelo às novas matérias; por

outro lado, visualizamos profissionais mal remunerados, desestimulados, e muitas vezes, sem a capacitação necessária para realizar um trabalho de qualidade. Há professores que se deslocam de realidades diferentes para dar aula nas comunidades, mas nem sempre conseguem se adentrar ao universo e contexto em que vivem seus alunos. Também entra em jogo a questão familiar; há pais que não participam da vida escolar dos filhos, não dispondo de tempo suficiente para acompanhá-los, ou mesmo, deixando essa tarefa a cargo das escolas e organizações que acolhem aos alunos em tempo integral. As crianças e adolescentes exercerão sua condição de cidadania através do voto, mais à frente... Em quem eles votarão amanhã; como construirão o pensar de modo crítico para o exercício de uma cidadania ativa, capaz de mudar os rumos da vida política de nosso país? É bem claro que não interessa aos nossos atuais governantes educar as pessoas para pensarem de modo crítico, cabe-lhes apenas levá-las ao contentamento com as políticas assistencialistas, que sequer se aproximam do cerne de todas essas questões; o governo opta, pois, por tentar promover a todo custo a alienação total, com o auxílio das grandes mídias e meios de comunicação. Nesse momento tão relevante, de análise da atual conjuntura política que vivemos, cabe fazermos reflexões sobre em quem votamos, e se de fato, o voto tem sido válido, quando muitas vezes, o voto nulo poderia ser uma saída como o modo de expressar a insatisfação dos cidadãos com os candidatos, visto que as pessoas tem escolhido os candidatos menos piores para votarem, e assim, o o ato de votar não se faz em sua legitimidade, com o mínimo de consciência e satisfatoriedade. Em nosso país sequer temos um sistema de punição efetivo para os políticos corruptos que adentram cada vez mais nas esferas de governo, e sem contar que vivemos uma pseudo-democracia, onde o voto ainda é obrigatório. Enfim, é preciso fomentar a reformulação das políticas públicas de educação, para propiciar o ensino público, gratuito e de qualidade e cobrarmos dos políticos eleitos, para que façam cumprir a garantia de acesso à escolarização, enquanto direito fundamental. Ao pensarmos o processo de educação é importante a construção de uma autocrítica pessoal e profissional dos diversos atores envolvidos no ato de educar, para que possamos, dessa forma, vislumbrar um sistema educacional que promova a autogestão dos cidadãos, e que estes, possam sonhar e lutar, trazendo à tona os avanços e as utopias ativas que desejamos concretizar e potencializar em nossa sociedade. Camila Valadares, 27, é Psicóloga pela Unileste-MG

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MEIO AMBIENTE 1. Como nasceu a ideia e o projeto Cerrado em Pauta? Em 2005, encaminhei proposta para o edital do FNMA/MMA para a Formação de Coletivos Educadores no DF. Várias entidades do Brasil foram selecionadas e a UnB foi uma delas. Ao longo de quase quatro anos, tentamos viabilizar o convênio e as ações, mas por questões administrativas, isso não foi possível. Durante esse tempo surgiu a idéia do projeto O MIRACULOSO, na seção que trata Cerrado em Pauta como parte sobre meio ambiente, traz nessa edidas ações de Formação do ção entrevista com a professora do departamento de física da UnB, Dra. Coletivo Educador no Distrito Fátima Rodrigues, militante da trans- Federal, já que uma das ações formação social através da mudança previstas era exatamente um da concepção sobre como o ser huplano de educomunicação mano interage com o meio ambiente. socioambeintal na região. Na entrevista que segue, conheça o Elaboramos o projeto mas não projeto Cerrado em Pauta. conseguimos na época financiamento para executá-lo. Por: Diogo Ramalho No final do ano passado (2009), o Programa da Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD - abriu uma licitação para contratação de serviços para executar a formação de educomunicadores socioambeintais como parte do convênio com o Ministério do Meio Ambiente. Vimos uma oportunidade de resgatar aquele projeto e finalmente realizar ações de formação de educadores ambientais populares, além do inccentivo à formação de redes socioambientais. As ações descritas no termo de referência eram possíveis de serem realizadas de acordo com a nossa perspectiva de formação. Assim fizemos uma proposta e ela foi aceita. Em julho de 2010 começamos a executar as ações contratadas pelo PNUD, e no âmbito da Universidade de Brasília criamos o Projeto Cerrado em Pauta. 2. Como uma rede de Educomunicação Socioambiental pode solucionar esses problemas locais? Quais são suas potencialidades e limitações? Uma das premissas deste projeto é poder incentivar e/ou fortalecer redes e coletivos locais voltados às questões socioambientais por entender que uma formação em rede contribui para a auto-capacitação de seus membros, ou seja, para a construção de autonomias individuais e coletivas, para a vida social e política e consequentemente, para uma gestão compartilhada do território onde se vive. Isso significa, em outros termos, que acreditamos que a formação em redes e coletivos fortalece a sociedade civil e portanto pode mudar a balança, aidna que localmente, das decisões sobre questões socioambientais, tais como: ordenamento do solo, expansão agrícola, segurança alimentar, qualidade e oferta de água, áreas verdes públicas, meios sustentáveis e democráticos de transporte urbano, entre tantos outros assuntos que atingem diretamente a vida do cidadão comum. 3. O que na sua opinião impulsiona a participação social ambiental local e como formar uma rede ambiental no Distrito Federal? Participar ou não de alguma ação é, e sempre será, uma decisão de foro particular. As razões para a participação em questões ambientais locais podem

ser muito variadas, desde um interesse muito específico, como por exemplo, a necessidade de coleta adequada de esgoto na rua onde mora até questões mais amplas, como a perda da biodiversidade do cerrado frente à expansão da fronteira agrícola da soja. As vivências pessoais de cada sujeito irão apontar para um conjunto de interesses específicos. Quanto à formação de redes, acredito que o pulo do gato está em proporcionar por um lado espaços de diálogo - espaços onde não haja líder, mas lideranças e potenciais a serem desenvolvidos, onde a cooperação seja a tônica e criar seja o objetivo. Por outro lado, proporcionar a possibilidade real de que aquilo que for criado ser executado de forma colaborativa. Quando isso acontece, está criada a condição de possibilidade para a emergência de uma rede social solidária - temos o espaço, o diálogo, os potenciais, o desejo de criação e sobretudo temos um pacto - o de realizar esta criação coletiva. 4. De que/quem depende o sucesso de uma intervenção como o Cerrado em Pauta? Basicamente das pessoas que se reúnem para trocar experiências: saberes e práticas. Num primeiro momento, são os homens e mulheres que estão neste momento ofertando as oficinas de vídeo, rádio, jornal, teatro, música, grafite, história em quadrinhos entre tantas outras, juntamente com a equipe técnica que se desdobra para acompanhar os trabalhos. Ao mesmo tempo são tecidas parcerias entre ações e programas, de acordo com o princípio de rede, onde todos colaboram da melhor maneira possível, dentro das suas competências como exemplo podemos lembrar o Projeto de Comunicação Comunitária em Planaltina do Prof. Fernando Paulino da Faculdade de Comunicação da UnB, o Programa Casa Brasil em Ceilândia, dirigido pela Profa. Dóris Naves e a Rádio Comunitária Utopia FM de Planaltina. São programas com suas especificidades mas que colaboram com as ações do Cerrado em Pauta - isso é muito positivo. Num segundo momento, o sucesso depende é claro, do impacto da formação dos jovens que participam destas oficinas, isto é, o quanto eles se transformam nesse processo educativo, se os coletivos se fortalecem, se as redes se ramificam e passam a atuar mais fortemente na gestão das questões socioambientais locais. 5. Hoje em dia está na moda defender a questão ambiental. O que é questão ambiental no seu entendimento? A questão ambiental para mim diz sobre como vivemos no mundo, em sociedade, convivendo com outras culturas e outras espécies. A questão ambiental aponta para a nossa profunda (inter)dependência - dos outros e do meio que nos cerca e ao mesmo tempo para a nossa profunda autonomia - em escolher os caminhos que trilhamos em nossas vidas. A questão ambiental não é somente a questão da amazônia, do cerrado ou das mudanças climáticas, observadas sob o ponto de vista técnico, mas sobretudo entendidas como escolhas políticas, econômicas e culturais - ou seja, escolhas que fazemos enquanto sujeitos sociais e políticos. 6 – O MIRACULOSO agradece imensamente a participação da Professora Fátima, nesta coluna ambiental do jornal que a cada edição abordará um tema ligado a questão do meio ambiente. Muito Obrigado Fátima, O MIRACULOSO está sempre aberto às novidades do Projeto Cerrado em Pauta. Agradeço a oportunidade de divulgar o projeto e convidar a todos os leitores do Miraculoso a acompanhar os avanços do trabalho no blog: www.cerradoempauta.blogspot.com ou no Facebook: cerradoempauta.


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ENTREVISTA DO MÊS - TONINHO DO PSOL eleições, até pelo nome Toninho do PSOL e pelas nossas propostas, o quadro muda. Mas o que explica o Toninho do PSOL ter tido uma votação expressiva e nós não termos conseguido eleger nenhum parlamentar é, obviamente, uma legislação eleitoral extremamente atrasada, do nosso ponto de vista. Maninha, por exemplo, teve cerca de 13 mil votos, foi a 17ª candidata mais votada para a câmara legislativa, entre os 24. E no entanto não se elegeu. O PSOL, sem se coligar, não conseguiu o número mínimo de votos que permitisse a eleição de um parlamentar. Nós temos pouca militância, o PSOL ainda não é um partido com milhares e milhares de quadros militantes. Ao contrário, nós estamos crescendo a partir desse acúmulo que conseguimos nos processos eleitorais, e temos procurado ampliar a nossa presença entre a população. Vendo o mapa eleitoral, nós tivemos uma votação muito expressiva no Plano Piloto, no Lago Sul, no Lago Norte, no Cruzeiro, Guará, até Taguatinga, e uma votação menor nas demais cidades. Isso indica que existe um espaço de crescimento para uma proposta como a do PSOL principalmente entre esses segmentos com maior nível de esclarecimento e de informação. Miraculoso - Quais os pontos fortes e fracos que você enxerga nas O Miraculoso entrevistou nesta quinta feira (21/10) o candidato do PSOL ao candidaturas de Weslian Roriz e Agnelo? primeiro turno para as eleições do GDF Antônio Carlos de Andrade, conhecido Toninho - No caso da candidatura Weslian, eu só vejo pontos fracos. Eu como Toninho do PSOL. Toninho foi o grande azarão dessas eleições com a considero que foi um grande equívoco, aliás, um ato covarde de expressiva e inesperada marca de 14,25% dos votos válidos. Em cerca de uma Joaquim Roriz colocar sua esposa numa situação como essa. Primeiro, hora e meia de entrevista, Toninho falou sobre as eleições, sobre as por conta do machismo que está colocado nesse ato. Ele, Joaquim, perspectivas para os próximos quatro anos, sobre sua militância no escolheu a sua esposa e determinou que ela fosse candidata. Não movimento estudantil e sobre vários outros temas. Não deixe de ler a íntegra respeitou sequer a convenção que escolheu Jofran Frejat como vice na da entrevista na página do Miraculoso. sua chapa. O que todos nós esperávamos, com o impedimento de Miraculoso - Como você avalia a sua participação e a participação do Joaquim, era que Jofran Frejat se tornasse o candidato. Mas parece que seu partido o PSOL nessa eleição aqui no DF? ele, não confiando no seu próprio vice, preferiu uma solução onde ele Toninho - Para nós, foi um momento importante da vida política aqui na pudesse continuar controlando, como sempre, a política do DF. Ela capital da república, onde o PSOL pode apresentar à [Weslian Roriz] demonstrou que não tem condições de população um programa de governo baseado em ser candidata porque não é um quadro político, não Ela [Weslian Roriz] propostas de mudanças efetivas, de combate domina as questões programáticas, ideológicas e sistemático à forma como a política está organizada demonstrou que não tem políticas da sua coligação. Ela inclusive está condições de ser em nossa cidade. O PSOL procurou ocupar um espaço demonstrando toda a sua fragilidade e despreparo ao se à esquerda aqui no DF. Combatemos, com muito candidata porque não é negar a participar dos debates promovidos pelas vigor, a proposta representada por Joaquim Roriz, e um quadro político, não emissoras de TV e de rádio. Para mim esse é mais um é bom que se lembre que foi o PSOL quem entrou na grande equívoco desse coronel da política local que é o domina as questões justiça com um pedido de impedimento da Joaquim Roriz. E ela obviamente também tem sua programáticas, candidatura dele, resultando no afastamento de parcela de culpa por ter aceitado se submeter dessa ideológicas e políticas da Roriz das eleições. Obviamente nós também não forma ao marido. Quanto a Agnelo, o ponto forte, sua coligação. Ela temos acordo com o projeto representado pela eleitoralmente falando, é justamente essa aliança inclusive está aliança entre Agnelo Queiroz e Tadeu Filipelli. Para ampla que ele conseguiu estabelecer. Mas é também a demonstrando toda a sua principal mim, o PT já não representa mais, hoje, aquilo que fragilidade da candidatura dele. Com essa fragilidade e despreparo ele representou ao longo da história aqui no DF. Eu aliança tão ampla, ele não conseguirá governar, ou fará ao se negar a participar um governo de centro-direita, um governo que só vai avalio que o crescimento da nossa candidatura foi dos debates promovidos atender os interesses da maioria dos setores que o um reflexo da falta de alternativas à esquerda. pelas emissoras de TV e apóiam, do empresariado, daqueles que sempre Miraculoso - Apesar da sua candidatura ter tido de rádio. uma votação bastante expressiva, de certa forma mandaram no DF e que agora mudaram de lado. Eles vão até inesperada, o PSOL não elegeu nenhum ganhar a eleição, não tenho dúvida disso. Mas será um parlamentar aqui no DF. Como o Sr. vê isso? governo sem cara, sem marca, marcado pelo Toninho - O PSOL é um partido que tem cinco anos de existência no fisiologismo, como de resto sempre foram os governos aqui do Distrito Distrito Federal. Nos temos uma organização ainda incipiente nas Federal com a exceção brevíssima representada pelo governo do cidades do DF. O partido não era conhecido, e eu acho que depois dessas companheiro Cristóvam.

Por: Diogo Ramalho e André Shalders


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ENTREVISTA DO MÊS Miraculoso: Caso o Sr. tivesse sido eleito, como o PSOL trabalharia essa contraditórios, que vai ser difícil ter uma marca no governo. É óbvio que, questão da governabilidade, dentro desse sistema político dado no DF como cidadão, eu quero o melhor para a nossa cidade, para o nosso povo. e no Brasil? Vocês fariam alguma aliança? Mas tudo indica que ele, como provável vencedor, fará um governo de Toninho: Durante o primeiro turno, eu repeti várias concessões a todos que financiaram sua campanha, vezes que o PSOL governaria diretamente com o a todos que estão em sua aliança política, e a todos a minha análise é que Agnelo já que já se declararam base de apoio na Câmara povo. Por exemplo, no primeiro dia de governo, eu ganhou o governo do Distrito Legislativa. encaminharia um projeto de lei revogando o Plano Federal. Ele fez uma aliança tão Miraculoso - E se o vencedor for o clã Roriz? Diretor de Ordenamento Territorial, o PDOT. Tendo ampla que, para atender o ou não base de apoio na CLDF. Certamente não teria. Toninho - Nós não temos nenhum nível de diálogo apetite dos seus parceiros, Nesse caso, eu mobilizaria, através da ação do com a família Roriz. Faremos oposição sistemática e governo, as entidades de defesa do nosso qualquer que seja a composição radical, por que nós sabemos o que eles patrimônio histórico, as entidades representativas do governo, das secretarias, das representam. Então, o que nós faremos será bater administrações regionais, das pesado nessa coligação, caso a Dona Weslian seja que tem um posicionamento contrário ao PDOT, por exemplo. Iria mobilizar a população. Eu, Toninho, empresas públicas do GDF, vai eleita, do primeiro ao último dia de governo. Com o iria para a rodoviária e de lá sairia com o povo até as Agnelo, ainda temos esse benefício da dúvida. Se faltar cargo para tanta gente galerias da Câmara Legislativa propor a revogação ele assumir alguns pontos do programa, claro que fisiológica que se juntou á do PDOT. Sobre isso, é importante lembrar que, poderemos apoiar. candidatura dele. quando o Cristóvam foi governador, nós só tínhamos Mi raculoso: Ton i n ho, agradecem os sua sete deputados distritais, entre os 24. Eram cinco do participação na 5ª Edição do Miraculoso. PT, um do PC do B e um do PSB, entre 1995 e 1998. E nós conseguimos Eu quero deixar registrada a importância de vocês manterem um jornal governar como esse, para a comunidade acadêmica e principalmente para a Miraculoso - O que quer dizer o voto nulo do PSOL nesse segundo turno? opinião pública no Distrito Federal. É importante que a gente tenha Toninho - Nosso diretório no DF decidiu por unanimidade pelo voto nulo. sempre meios de comunicação que levem um outro ponto de vista para a Nem Agnelo, nem Dona Weslian. Mas é importante ressaltar que o PSOL população. Faz avançar a democracia, faz aparecer a manipulação que há não está fazendo campanha pelo voto nulo. Nós liberamos a nossa nos meios de comunicação tradicionais e que eu pude sentir tão militância, aqueles que votaram em mim, a votarem de acordo com a sua fortemente durante a campanha. Enfim, ser um espaço permanente de consciência. Eu fui um crítico muito severo das propostas e da aliança debate e de crítica. Parabéns a todos do coletivo que fazem esse jornal representada por Agnelo Queiroz, que para mim é uma aliança de centrocircular. direita. Juntou partido de esquerda e de direita, pessoas vinculadas ao rorizismo, ao que há de mais atrasado na política do DF. De qualquer maneira, do outro lado, não tem nem o que conversar. Nós entendemos que Roriz é um resquício do coronelismo em pleno século XXI na capital da república. Não nos resta então nenhuma alternativa a não ser o voto nulo. É um voto consciente, elaborado, pensado. Algumas pessoas dizem “ah, Toninho, mas com o voto nulo você está se omitindo do processo político” Eu tenho ouvido muito de petistas esse tipo de coisa. “você subiu no muro...”. Eu digo: Não, vocês é que atravessaram o muro, vocês foram para a direita. Depois de toda a crítica que fizemos ao Agnelo no 1º turno, não tem cabimento vir de cara lavada defendê-lo agora. Miraculoso: Qual o panorama que você vê para o GDF nos próximos 4 anos, com a vitória de Agnelo ou de Weslian? Toninho: A possibilidade de eleição de Agnelo é muito grande. A dez dias das eleições, isso é muito claro para nós. Não só pelo que indicam as pesquisas eleitorais como também pela qualidade da sua opositora, que não consegue mobilizar nem a base rorizista. Mas o que está claro é que Roriz não consegue transferir seus votos para a sua candidata. Diante desse fato, a minha análise é que Agnelo já ganhou o governo do Distrito Federal. Ele fez uma aliança tão ampla que, para atender o apetite dos seus parceiros, qualquer que seja a composição do governo, das secretarias, das administrações regionais, das empresas públicas do GDF, vai faltar cargo para tanta gente fisiológica que se juntou á candidatura dele. Portanto, na minha avaliação, o Agnelo não fará um bom governo no DF. Por que ele terá que atender a interesses tão distintos, tão


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LITERATURA "Neste momento estou desenvolvendo o começo da história que iniciei com o título que lhe deu o sopro inicial de vida. No quiosque de livros da praça li um poema no qual o autor (roubei dele o título da minha história) diz que o mundo é doloroso, os seres humanos não merecem existir e ele, poeta, suspeita que a crueldade da sua imaginação está de certa forma conectada com seus impulsos criativos. Matar a velha, não a crueldade, como disse o poeta, mas a força do meu ato e não apenas da minha imaginação foi a impulsão que fará de mim um verdadeiro escritor. Tenho, agora, o começo, tenho o meio e o fim." (FONSECA, Rubem. Pequenas criaturas – "Começo")

Fonte: www.oglobo.com

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omo um engasgo na garganta, Rubem Fonseca – escritor nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1925 – grita por personagens e enredo marcantes, histórias do dia a dia sufocadas na imensidão das cidades grandes, tendo como principal cenário o Rio de Janeiro. O Miraculoso apresenta aqui uma das célebres obras do autor, O Cobrador, conto que apresenta a personificação do caos social. Cheio de violência e sangue quente, é um relato envolvente para aquele que o lê. Acompanhem aqui o início dessa história e termine sua descoberta em nosso site: www.miraculoso.com.br. Apreciem!

O Cobrador Rubem Fonseca NA PORTA da rua uma dentadura grande, embaixo escrito Dr. Carvalho, Dentista. Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente. Esperei meia hora, o dente doendo, a porta abriu e surgiu uma mulher acompanhada de um sujeito grande, uns quarenta anos, de jaleco branco. Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um guardanapo de papel no meu pescoço. Abri a boca e disse que o meu dente de trás estava doendo muita. Ele olhou com um espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado. Só rindo. Esses caras são engraçados. Vou ter que arrancar, ele disse, o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros, inclusive estes aqui — e deu uma pancada estridente nos meus dentes da frente. Uma injeção de anestesia na gengiva. Mostrou o dente na ponta do boticão: A raiz está podre, vê?, disse com pouco caso. São quatrocentos cruzeiros. Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse.

Não tem não o quê? Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à porta. Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era um homem grande, mãos grandes e pulso forte de tanto arrancar os dentes dos fodidos. E meu físico franzino encoraja as pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogadas, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38, e perguntei com tanta raiva que uma gota de meu cuspe bateu na cara dele, -- que tal enfiar isso no teu cu? Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Arrebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande cheia de merda. Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro! Dei um tiro no joelho dele. Devia ter matado aquele filho da puta. *** A rua cheia de gente. Digo, dentro da minha cabeça, e às vezes para fora, está todo mundo me devendo! Estão me devendo comida, buceta, cobertor, sapato, casa, automóvel, relógio, dentes, estão me devendo. Um cego pede esmolas sacudindo uma cuia de alumínio com moedas. Dou um pontapé na cuia dele, o barulhinho das moedas me irrita. Rua Marechal Floriano, casa de armas, farmácia, banco, china, retratista, Light, vacina, médico, Ducal, gente aos montes. De manhã não se consegue andar na direção da Central, a multidão vem rolando como uma enorme lagarta ocupando toda a calçada.

Continua....www.miraculoso.com.br/ocobrador


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LITERATURA JANELAS E CHUVAS

Eu toquei as tênues e rígidas cordas de teu espírito as

A reclusão que assalta o momento, O fora que insiste em ser dentro, O cinza que se esparrama e arrefece A pele, o riso, o relento.

fazendo vibrar. E delas, soaram perfeitas

A consternação que não espera A gente se abrigar

DEFESAS

nessa intimidade toda. Mas que audácia! Alucina,

A prateleira

adverte e me abriga. Me

melodias e teu espírito,

Admito que não sou livre. Vocês

guarda o texto

aconchega nessa

Samantha,

ainda podem me calar.

aguarda o tema

teia, porque sei que isso tudo

tornou-se leve e assim se pôs a

Mas duvido que consigam

resguarda o papel

que incendeia é obra infinita.

dançar.

conter... Minha poesia!

intocado

E o teu espírito dançou aos O chiado que cheira a terra,

és tu! Me descompondo assim

Declaração à Sociedade Autoritária Pequeno-Burguesa

(Sheila Campos)

toques da esferográfica sobre o papel devotado, que em

(Nathália)

Solidão

a prateleira se fecha

Somos duas árvores

momentos como estes me trazia

em escudadas portas.

Acompanhada de uma dor,

à luz poemas apaixonados.

Você, Aroeira

Eu te toquei como nenhum outro

Eu, Caraíba

Os borbotões translúcidos:

jamais te tocou, Samantha.

As duas lado a lado, plantadas, se

Sou cada um deles.

E o som que eu tirei do teu

olhando

espírito me encantou.

E ainda assim, tão apaixonadas,

O tempo escorre. Escapa.

Com ela, me viro do avesso,

E assim segui às cegas para o

sem poder se tocar.

Esquiva. Esculacha. Esnobe.

torno-me reticências,

Espera! No espaço.

ponto de interrogação.

Da luz que se encerra.

Vejo-me em cada um deles, No embaçar do cristal.

(Pedro Du Bois)

Acompanhada de ilusão,

meu infortúnio, tal como os Rostos lúcidos Em quatro paredes.

a solidão me visitou.

(Ser Semente)

marujos de Homero ao canto das

Tampa Tempo

sei que não vem em vão.

O tempo derrama, desemboca,

sereias sedutoras.

(Glauce Souza Santos)

desperdiça. No descaso. E na

Anjo

Eterno Pique esconde.

E como borboletas, Samantha, tu

Anjo da minha alma

pressão,

voaste para jardins mais

Consolo dos meus sonhos

vem a pressa. De sentir, salvar,

belos e coloridos.

Amor supremo

sorrir, suar. Soa sustenido. Soa

Enquanto eu afundava em

Deleite eterno

surdo. Sua,

Corre criança.

A chuva as açoita.

abismos tenebrosos, onde não

A pureza em gotas de cristal

expele, ejeta, expulsa. Correndo,

Vai brincar em seu jardim

Já elas tremem.

havia o som de tuas melodias,

A essência do Paraíso

custa caber na cabeça da gente!

Ou entre os vales verdejantes.

nem as cores de tuas asas.

O para sempre até o fim

É mais uma

Mostra tua força.

Onde havia apenas trevas e

Forma indescritível

corrente que se apossa na

Quero aprender contigo a ser

solidão.

Beleza sobrenatural

mente, uma reação em cadeia.

feliz.

Samantha, eu te toquei sem te

Nenhuma palavra jamais será

Ela nasce nobre,

tocar.

boa o bastaste para ti.

não necessariamente nua. Mas

Verso menino.

Já nelas,

E o amor que não conseguiu me

O brilho das estrelas

crua, como a dor. Novamente

Sou teu irmão, amigo,

Chuvas.

matar, eu o matei em mim.

O raio de sol

rirei meu riso e

conselheiro;

(Erivelton Sardinha)

No abismo fiz sua sepultura para

O amanhecer após uma noite de

derramarei meu pranto, setenta

Teu pai...

me ressurgir.

chuva

vezes sete e o que também não

Teu escravo.

Encanto dos meus olhos

for necessário.

Se foges de mim às vezes

Alegria do meu coração

No concreto, no incerto esse

É porque sabes que vou

O primeiro beijo

tempo sempre se derrete, se

procurar-te

A última canção.

desfaz, se refaz, me

Dois verbetes, Num instante matinal.

Silêncio!

Intenso! Nas gotas, a mulher afoita. Já nelas, sêmen...

O ADEUS A SAMANTHA Eu te toquei como nenhum outro jamais te tocou, Samantha.

(Walter Luiz Jardim Rodrigues)

(Ranyane)

compromete. Mas que danado

E nesse eterno pique - esconde,


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LITERATURA Quando me perco nos becos

SÃO RIACHOS

SÃO SÓIS SÃO FARÓIS

Cidade, céu,

escuros de minh'alma,

SÃO SEMENTES GRANDES

SÃO HINOS SINGELOS

carro, gente.

Tu vens pra me dar a mão

SÃO AVES VESTIDAS DE CORES

SÃO ELOS SÃO HALOS

E me guiar de volta à Calma.

SÃO VESTES DE BORBOLETAS

SÃO CÉU

Pé descalço,

dita a moda

ÁRVORES SÃO VOTOS DE AMOR

ÁRVORES SÃO BEIJOS

vento frio.

Contrasta com seu verde o tom

SÃO ABRAÇOS

SÃO GESTOS SÃO DESEJOS

Eu, você,

marrom, cores de botas

SÃO OLHOS MOLHADOS

AFAGOS

multidão, vazio.

Postal num fim de tarde, um céu

ÁRVORES SÃO PENSAMENTOS

NADOS CAMINHADAS

POSITIVOS

ÁRVORES SÃO SONS DIVERSOS

Pé descalço,

SÃO ÂNCORAS SÃO NAVIOS

ÁRVORES SÃO MUITAS

chora a cidade.

Não chove e a poeira faz do ar o

BALÕES

ÁRVORES SÃO PÉS

Ira, dor,

seu reinado

SÃO SINOS SÃO BOSQUES

SÃO CEDROS SÃO BALSAS

dura verdade.

No beijo um choque estala e

SÃO BUSCAS

SÃO ROXAS SÃO ROSAS

ENCONTROS DE VENTOS

ÁRVORES DÃO A SI

Pé descalço,

Deserto em combustão, fumaça

PERFUMES

DOAM-SE

triste lamento.

e chamas no cerrado.

(Vinícius Sales)

ESPINHA DORSAL DA CIDADE uma relva úmida uma entrequadra inteira uma colina, um lago (e uma chuva ao longe...) (Marcos Freitas)

ÁRVORES

Inverno em Brasília Ao longo do caminho o ipê roxo

azul de nuvens rosas.

afasta dois lábios rachados

SONS

Chuva, poeira,

ÁRVORES DÃO REDES DÃO CASAS

ÁRVORES AMAM DEMAIS

ÁRVORES SÃO SERENAS

DÃO CORES DÃO CURAS

SÃO SUBLIMES

DÃO VERSOS DÃO SOMBRAS

SÃO BELAS

DÃO CHÃO

SÃO PRÓXIMAS

ÁRVORES SÃO SEMENTES

ÁRVORES SÃO CASAS

ACORDADAS

Pé descalço,

SÃO NASCENTES

SÃO FLORES PINTADAS

asfalto quente.

lama, cimento.

O galo termostato escureceu,

(Bic)

Andarilho

pele arrepia Pé descalço

Mulheres de elegantes

audaz desafio.

agasalhos, noite fria

Cidade, poeta,

Um filme, abraços, cobertor, é

calor e frio.

inverno em Brasília. (Vinícius Sales)

(Leonardo Ortegal)

FEIRA DO LIVRO “De dous ff se compõe esta cidade a meu ver um furtar, outro foder” Gregório de Matos É fundamental que a opinião pública saiba que a Feira do Livro já foi bem pior do que a deste ano. De fato, no fundo é um triunfo que s e t e n h a conseguido fazer essa Feira, do jeito que foi, com as falhas que teve. É preciso que se diga que “a galera da Eurides Brito” mandou na Feira por 10 anos. Por 10 anos, pessoas mal intencionadas mandavam e desmandavam na Feira, elitizando um evento cultural que tem tudo pra ser cartão postal da cidade. Por 10 anos, ônibus contratados pelo

pessoal ficha suja do GDF traziam crianças de várias escolas d'entorno, dando um livro pra cada uma, gravando nos principais jornais de TV estas crianças andando desvairadas pela Feira, enquanto os bolsos de um cartel enigmático se enchiam com o valor pago pelos metros quadrados exorbitantes cobrados num Shopping central do Plano Piloto. Uma Feira de mentira! Uma Feira farsa! Agora que o pessoal da Eurides Brito foi varrido da Câmara do Livro, agora que pessoas corajosas como o Hildebrando, Chiquinho, Vitor Alegria, Batista, entre outros, começaram a por nos trilhos o evento, agora enfim podemos ler os sinais de um renascimento da Feira do Livro. É certo que este ano não foi dos melhores. Chegamos a quase 40 graus na sombra do pavilhão de exposições do Parque da Cidade. Os livros ferviam, quanto mais os expositores. As vendas foram mínimas, uma piada. Faltaram milhares de livreiros como o Armazém do Livro, o Pindorama, gente que nem vai mais à Feira, gente cansada da própria Câmara, referências

na história do livro e da leitura em Brasília. Mas tudo tudo tudo vai dar pé. São pessoas que esperamos ver na Feira do ano que vem. Quanto ao Sebinho, bem..., o Sebinho é melhor que nem se cite. Sebo mesmo é outra coisa! Como a esperança é a última que morde, nossa esperança é ver, unidos pela causa da leitura, livreiros, editoras e, principalmente, leitores, juntos para uma Feira que mereça realmente este nome. E basta do lucro milionário que algumas distribuidoras e interesses particulares, anos a fio, costumavam gerar às nossas custas. Pensemos em Porto Alegre, pensemos no Recife, cidades com modelos inquestionáveis de feira de verdade, feiras com “f” minúsculo e digno, e não esses dois “F” escondidos entre as 8 letras da palavra Brasília.

Eudásio Gaio de Sousa, 89, Aposentado


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CURIOSIDADE MIRACULOSA as linhas de transmissão e, portanto, não se justificam mais as ADEUS A CONTA DE TELEFONE taxas cobradas. Além disso, há anos que até parlamentares Você sabia que existe um Projeto de Lei (PL n.º 5476, do ano de 2001) que trata do CANCELAMENTO DA TAXA TELEFÔNICA (chamada também de assinatura ou plano mensal), que atualmente é de: R$ 40,37 (residencial) e R$ 56,08 (comercial)? Não? Pois é... Reparou que quando se trata do interesse da população, nada é divulgado? Esse tipo de assunto NÃO é veiculado na grande mídia (TV, jornais ou rádio), porque, entre outros motivos, geralmente os grandes grupos das comunicações também possuem interesses na área de telecomunicações e não querem perder essa parte substancial dos lucros fáceis; pressionando através de lobby p a r a e m p e r r a r a t r a m i t a ç ã o ( v e j a e m http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=34235) de diversas formas desde 2001. E digo lucros fáceis porque essa taxa era justificável na época em que foi criada, para financiar o desenvolvimento das telecomunicações, naquela época era necessário chegar fisicamente com a rede telefônica a todos os lugares, para que o telefone chegasse. Mas gente, isso foi muito antes da nova geração de telecomunicações que nós usamos hoje: os celulares. Hoje em dia, quase todos os lugares do Brasil já receberam

perceberam que agora as empresas telefônicas quase não precisam mais investir e embolsam as taxas como sendo lucro. Tanto é assim, que o Projeto de Lei é de 2001!! Ou seja, já são no mínimo 10 anos cobrando essas taxas e não investindo quase nada. E quem paga essas taxas? Nós! Então nós é que temos de correr atrás, afinal quem paga somos nós! Sabe como? Vamos ajudar a fazer pressão como opinião pública! Ligue 0800-619619 . Digite 1 (um), 1 (um),1 (um) . Votar a favor do cancelamento da taxa de telefone fixo. O telefone a ser discado (0800-619619, de segunda à sexta-feira das 08 às 20h00) é da Câmara dos Deputados Federal. LIGUE: 0800-619619 . Vamos divulgar!!! Entrando em vigor esta lei, você só pagará pelas ligações efetuadas, acabando com esse roubo que é a assinatura mensal. Este projeto está tramitando na 'COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR', na Câmara. Quantos mais ligarem, maior a chance. E MUITO CUIDADO COM AS PRIVATIZAÇÔES! Andrés Sugasti, 28, é Professor

CIDADES DO DF - PLANO PILOTO Nessa edição não será abordada uma cidade satélite em particular, mas o Plano Piloto e as cidades satélites de maneira geral. O Plano Piloto como o nome já diz, foi o plano inicial da nova capital e recebe esse nome devido ao concurso realizado para escolher um plano para a nova capital do Brasil. Foram apresentados 26 planos, porém o vencedor foi o plano apresentado por Lúcio Costa. Dentre os motivos que contribuíram para a escolha deste, conforme o Relatório Plano Piloto de Brasília, estão: O único plano para uma capital administrativa do Brasil; Seus elementos podem ser prontamente apreendidos – o plano é claro, direto e fundamentalmente simples; O plano estará concluído em dez anos, embora a cidade continue a crescer; O tamanho da cidade é limitado – seu crescimento após 20 anos se fará pelas penínsulas e por cidades satélites; Um centro conduz a outro, de modo que o plano pode ser facilmente compreendido; Tem o espírito do século XX – é novo, é livre e aberto, é disciplinado sem ser rígido; O método de crescimento – por arborização, alguns caminhos e a artéria principal, é o mais prático de todos; As embaixadas estão bem situadas, dentro de um cenário variável. No projeto de Lúcio Costa foi definido como seria a cidade destinada a integrar o país e resgatá-lo do subdesenvolvimento. A nova capital do Brasil representaria a construção de um mundo diferente, ordenado, não caótico. Um novo modelo de cidade e de sociedade, no qual prevaleceria a racionalidade que, irradiando o desenvolvimento, retiraria o país do atraso, conduzindo-o ao patamar de uma nação moderna. Porém não foi isso que ocorreu, a nova capital, logo demonstrou que teria e tem os mesmos problemas das grandes cidades. Em torno do Plano Piloto, foram surgindo as cidades satélites, ou seja, conforme o dicionário Michaelis, áreas ou comunidades suburbanas que dependem economicamente de uma metrópole. Em 1961, um ano após a inauguração da nova capital, havia apenas sete cidades satélites. Com o passar dos anos o nome cidade satélite foi deixado de lado, pois algumas dessas cidades criaram identidade própria e deixaram de ser

áreas que dependem exclusivamente da economia do Plano Piloto, exemplo seria Taguatinga, região com alto potencial econômico, devido ao comércio local. Apesar de algumas dessas cidades não dependerem exclusivamente do Plano Piloto, elas continuam tendo sua rotina baseada lá, devido ao fato de muitos de seus moradores morarem no Plano e grande parte dos empregos, principalmente do funcionalismo público, concentrar-se naquela região. A nomenclatura atual para as cidades que compõem o Distrito Federal é Região Administrativa (RA), as quais atualmente, 50 anos após a inauguração da nova capital, são trinta, a mais recente é Vicente Pires. As Regiões Administrativas tornaram-se bastante importantes, principalmente em períodos eleitorais, devido ao fato de nelas estarem mais da metade, quase 80%, da população do DF. Na região de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, é onde se concentra o maior número de eleitores do DF, por isso, e não para aproximar o governo da população que o exgovernador de Brasília, José Roberto Arruda, transferiu a sede do GDF para Taguatinga, para o local que ficou popularmente conhecido como Buritinga. Muitas pessoas perceberam essa atitude do ex-governador como positiva, porém não perceberam que ele apenas estava fazendo isso com fins eleitoreiros, para fazer com que aquela região deixasse de ser “curral” eleitoral da família Roriz e passasse a ser “curral” do grupo Arruda. A ideia de transferir a sede do GDF para qualquer outra região fora do Plano Piloto, não é positiva, tendo em vista que prejudica as demais regiões, por exemplo, caso a sede seja em Taguatinga, quem mora no outro extremo do DF (Sobradinho, Paranoá e outras Regiões Administrativas) fica prejudicado/a. Por mais complicado que seja chegar ao Plano Piloto de qualquer Região Administrativa, devido à precariedade do transporte público, é mais fácil do que ir de um extremo a outro do DF. Jardel Santana, 27, é estudante de Psicologia da UCB.


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CULTURA RADICAIS LIVRES S/A NO ESPAÇO MOSAICO E SEMANA DE EXTENSÃO DA UnB

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om muita poesia e arte, os artistas Radicais Livres S/A de São Sebastião cruzam a ponte e participam de bate-papo literário no Espaço Cultural Mosaico e se apresentam na Semana de Extensão da UnB. A arte como caminho. Esse é o slogan que mantém os Radicais Livres S/A, grupo de poetas, músicos, atores e artistas plásticos em constante agitação pelo DF. O grupo que há sete anos dirige um sarau comunitário em São Sebastião, o Sarau Radical, agora parte para novas empreitas: Bate-papo literário com o ator e amante da poesia Adeilton Lima, no Espaço Mosaico no próximo dia 9 de novembro e faz grande SarauRadical na Universidade de Brasíia(UnB), dia 11, durante a Semana de Extensão, com participação do grupo de percussão, dramaturgia e dança afrobrasileira, Umoja, de São Paulo. Eles já estiveram aqui em Brasília e na própria UnB apresentando o melhor do maracatu, coco e samba de roda e agora voltam para grande show. Para os Radicais, é importante dialogar com públicos mais críticos como o do Plano Piloto. Para um dos produtores do grupo, Vinícius Borba, essa fase de saída das satélites e ocupação do espaço central é difícil, mas importante, pois força o crescimento do coletivo. "A gente já fez muitas intervenções no Plano, mas normalmente inseridos nas programações dos outros ou em momento de menor impacto. Tivemos grande atuação na organização de todas as intervenções poéticas no Brasília Outros 50, realizando seis saraus no entanto tivemos mais 20 poetas convidados além de nossos cinco figuras. Agora invadimos por nós mesmos. Bater papo com Adeilton Lima é um desafio, além de um prazer. Apresentar para a galera da UnB e de Brasília nos pede ensaios maiores", disse o produtor. Ele ainda ressaltou que muita poesia e musicalidade vão marcar a atividade na Semana de Extensão. "As pessoas vão curtir o melhor que o Sarau Radical pode oferecer. Com os poetas Radicais, vem a galera da Poéticatrupe, que traz um som massa com poesia, o Diga How, que manda rap da melhor qualidade e o Umojá(SP) que já veio conosco a Brasília e rodou em cinco cidades satélites além da UNB. Agora eles poderão trazer um pouco mais dessa riqueza da negritude para Brasília. Além de exímios músicos e dançarinos, eles também trazem a poesia preta", reafirmou Vinícius. Quem quiser curtir um pouco mais de poesia e conhecer a resistência poética de São Sebastião no Vinho e Poesia, o evento ocorrerá no Espaço Cultural Mosaico, SCRN 714/15, bloco D, loja 16,

Asa Norte, no dia 9/11(terça), à partir das 19h. O Sarau Radical, na Semana de Extensão da UnB, ocorre no dia 11 de novembro, quinta-feira, também às 19h e a entrada é franca nos dois eventos. Vinícius Borba Jornalismo, produção cultural e assessoria de comunicação (61)8551 1075/ (61)8169 8150 viniciusborba.cultura@gmail.com

Poema do Radical Livre, Thiago Allexander, em seu livro recém lançado Faruteiro Anti-expotético Assando um bobo da corte: Metamorfose capital E num futuro pós-apocaliptico Brasília, vazia. Cansada do concreto... sai de seu casulo, bate as asas se transforma em borboleta e sai voando.

Poema do poeta Radical Livre, Diogo Ramalho: Pouco importa o poder que modifica o real. Seja a verdade o impropério de muits. Ela como Rainha impera: Em minha fala, alimento, arte e vida! Antes o proletariado justo que o imperialismo cruel


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PAINEL DO LEITOR SR. EDITOR, DIOGO RAMALHO BOM DIA RECEBI SEU JORNAL NO "TBONE". GOSTEI MUITO. É UM VEICULO, CLARO, DIRETO COM REPORTAGENS VALOROSAS E IMPORTANTES, SEM BAIXARIA, DIVULGAÇÃO DE CRIMES E.OU, OUTRAS NOTICIAS / IDEIAS POPULISTAS. PARABÉNS. BRASILIA MERECE.

Olá pessoal, Me chamo Vinícius e sou estudante de Letras-português da UnB (como muitos de vocês, pelo que vi). Primeiramente, gostaria de parabenizá-los pelo jornal. Acompanhovos desde a primeira edição, e venho sempre tendo surpresas boas. Gosto principalmente da parte de literatura e poesia (como era de se esperar) e fiquei bastante animado com a possibilidade de publicar algum trabalho meu. Bom, estão em anexo dois poemas de minha autoria. Se for do interesse de vocês publica-los eu ficaria sinceramente honrado. Espero que continuem com o ótimo trabalho, Cordialmente, Vinícius Sales.

Escreva-nos: leitor@miraculoso.com.br Publique: publique@miraculoso.com.br

ABRAÇOS FERNANDO NUNES Advogado e estudante de Logosofia.

PONTOS DE DISTRIBUIÇÃO Pontos de distribuição: Rodoviária do Plano Piloto (20% da tiragem) - UnB (20% da tiragem) – UniCEUB - UDF - Faculdade Alvorada UniEuro - UCB - IESB - ALUB – CEAM - Biblioteca Nacional – Ministérios - Congresso Nacional - Centro Cultural Banco do Brasil – Centro Cultural Renato Russo - Feira do Guará - Aeroporto. Parceiros: CULT Locadora - 107 norte, 204-210-215 sul / Dom Bosco Pizzaria - 307 norte / Sebinho - 406 norte / Oscarito Locadora – 406 norte / DCE Bar - 406 norte / Martinica Café - 303 norte / Armazém do Brás 107norte / Balaio Café 201 norte / Associação Cultural de Capoeira Angola nzambi - 403 norte / Centro Cultural de Brasília - CCB- L2 norte / Unidades new World Informática (Taguatinga, Ceilândia e Gama) / Café da Rua 8 - 408 norte / Senhoritas Café - 408 norte / Caldo Fino - 409 norte / Panelinha Brasileira Restaurante - 316 norte / Bar Raizes - 408 norte.

EXPEDIENTE Coordenador Executivo e Editor: Diogo Ramalho Editora de Literatura: Maíra Marins Redator Político e Coordenador de Diagramação: Solano Teodoro

Coordenador de Arte: Fernando Aquino Revisor: Andrés Sugasti

André Shalders Apoio: Leonardo Ortega Tiragem: 25mil exemplares

Colaboradores: Paloma Amorim Jardel Santana Bruno Borges Camila Valadares

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Raul Seixas

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que que que que que

pousou em sua sopa pintou pra lhe abusar pousou em sua sopa pintou pra lhe abusar pousou em sua sopa

Água mole em pedra dura Tanto bate até que fura Quem, quem é? A mosca, meu irmão Eu sou a mosca que pousou em sua sopa Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar Eu sou a mosca que pousou em sua sopa Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar E não adianta vir me dedetizar Pois nem o DDT pode assim me exterminar Porque você mata uma e vem outra em meu lugar Eu sou a mosca que pousou em sua sopa Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar Eu sou a mosca que pousou em sua sopa Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar Eu sou a mosca que perturba o seu sono Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar Eu sou a mosca que perturba o seu sono Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar Mas eu sou a mosca que pousou em sua sopa.

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Mosca na Sopa

Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar Eu sou a mosca que perturba o seu sono Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar Eu sou a mosca que perturba o seu sono Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar E não adianta vir me dedetizar Pois nem o DDT pode assim me exterminar Porque você mata uma e vem outra em meu lugar Eu sou a mosca que pousou em sua sopa Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar Eu sou a mosca que pousou em sua sopa Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar Atenção, eu sou a mosca A grande mosca A mosca que perturba o seu sono Eu sou a mosca no seu quarto A zum-zum-zumbizar Observando e abusando Olha do outro lado agora Eu tô sempre junto de você

O que você vê? What do you see? Qué ves?

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