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BRASÍLIA-DF, MAIO DE 2010 - 3ª EDIÇÃO |

ENTREVISTA DO MÊS

Professor

Cristovam Buarque p. 08 UnB e Cotas Raciais

quando um tema não é mais prioridade p. 07 por Artur Antonio e Dalila Fernandes O quê

sabemos da Gripe A (H1N1)?

Curiosidades Miraculosas

p.

por Andrés Sugasti

Ceilândia

05

por Jardel Santana

em Cidades Satélites

p.

02

ar

C los Drummond de Andrade Tema do mês Trabalhadores

p. 10

enhas e

Poemas, Res Contos

p. 11 a 13

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CIDADES SATÉLITES

Editorial

capital que ajudariam a construir e da qual foram “removidos” por não possuírem condições financeiras de residir. Tal fato ocasionou a configuração de um imaginário social negativo em relação aos habitantes de Ceilândia: a cidade dos erradicados, dos carentes, dos favelados, dos bandidos. Ao mesmo tempo em que ocorreu a transferência, os moradores buscaram construir uma identidade própria, pautada em ações coletivas voltadas para a conquista da dignidade de vida e da cidadania, por meio de várias formas de resistência. Prova disso é o fato de Ceilândia ser considerada a cidade satélite que apresenta o maior número de entidades comunitárias, com altos índices de organização em torno de reivindicações especificas, voltadas à melhoria das condições de vida na cidade. Abaixo, um poema feito pelos primeiros moradores, aqueles que ajudaram a construir não apenas Brasília mas a própria Ceilândia. O poema foi retirado do livro: Ceilândia – Ontem. Hoje. E amanhã?, que foi escrito em forma de literatura de cordel, a partir de experiências vivenciadas pelos próprios moradores. O poema é transcrito na íntegra e da maneira que foi escrito:

Eis que nasce a 3° edição do Jornal O MIRACULOSO, com o tema TRABALHADORES. Trouxemos textos exclusivos sobre o 1°de Maio, o trabalho escravo, Ceilândia - estreiando a coluna Cidades Satélites, Usina Belo Monte e uma curiosidade miraculosa sobre um tema muito atual – A Gripe A e seus mistérios; dentre outros assuntos. Esta edição traz também poemas do escritor trabalhador Carlos Drummond de Andrade, autores brasilienses e de outros estados. Essas são as colunas e caras do MIRACULOSO, que pretende trazer à tona cada vez mais pessoas e ideias miraculosas. O porco que o macaquinho miraculoso pendura pelo rabo, simbolicamente, representa o grito contra a exploração dos trabalhadores.

Mudança de papel O Jornal O MIRACULOSO, desde seu lançamento, vêm pesquisando, orçando e batalhando para conseguir mudar seu papel branco e grosso para um papel reciclado. O problema é que na Capital do Brasil simplesmente nenhuma gráfica, nem as maiores nem as menores, trabalham com papel reciclado. Poderíamos insistir em utilizá-lo, contudo o mesmo é o dobro do preço do papel jornal, o que é um paradoxo já que o primeiro não derruba árvores e o segundo vêm das nossas florestas. Esse é o retrato da falta de políticas públicas que incentivem o uso de papel reciclado. Nessa busca por uma alternativa ecologicamente correta, O MIRACULOSO abandonou seu papel branco das duas primeiras edições e adotou o papel jornal, menos poluente. Esperamos que os governos, tanto federal quanto distrital, implementem políticas de isenção de impostos e incentivos para que os Jornais passem a usar papel reciclado.

Ceilândia JARDEL SANTANA

O nome Ceilândia surgiu da sigla CEI, que significa Campanha de Erradicação de Invasões, e do sufixo “lândia” (sufixo inglês que estava em moda na época). A cidade foi criada para transferência de 80.000 pessoas, que viviam em 15.000 barracos nas antigas “invasões” do IAPI, das Vilas Tenório, Esperança, Bernardo Sayão e Colombo; dos Morros do Querosene e do Urubu; Curral das Águas e Placa das Mercedes. O período de remoção contou com forte resistência e recusa e foi marcado por uma política assistencialista por parte do Estado, que apresentava para a população os benefícios a que esta teria acesso com a remoção. Medidas coercitivas também foram empregadas diante das reações de resistência. As promessas de melhoria feitas pelo governo não foram cumpridas. No início, a cidade era um amontoado de tábuas e barracas improvisadas, sem ruas e muito suja. Não havia infraestrutura alguma, faltava água, energia elétrica, transporte coletivo, saneamento básico e escolas. Ceilândia iniciou sua existência com a marca da exclusão, como depositária dos incômodos habitantes que manchavam a imagem da nova e moderna capital. Habitantes estes que haviam deixado seus locais de origem (geralmente estados nordestinos) em busca de melhores condições de vida e emprego, embarcando na promessa de serem absorvidos pelo mercado de trabalho da nova

No dia da derrubada foi desde a madrugada o barulho e a algazarra barraco caindo ao chão o povo sob ameaça quem não quiser ir de graça vai ser levado na raça pra outra localização. Houve um pouco de recusa por parte do morador mudança demais abusa deixa-nos aqui por favor a gente um dia acusa o então governador. Joga tudo no carro com a maior humilhação não podia dar um escarro chamava a gente a atenção quebraram até um jarro na cabeça dum negão que foi subir no carro sem ter autorização. Foi um negócio de louco a mudança da invasão pra traz ficou muito toco do antigo barracão o tempo na hora era pouco para a arrumação se uns tava num sufoco outros com as tábuas no chão. A viagem foi depressa apesar da amolação gente rezando à bessa para que aquela promessa não fosse tapeação.


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POLÍTICA

Da “ex-UnB”: será que estão todos dormindo? EUDÁSIO GAIO DE SOUSA Será injusto com os que conhecem a história do campus Darcy Ribeiro, deixar transparecer que Edson Nery da Fonseca, da altura de seus 88 anos, ilustre fundador do Departamento de Biblioteconomia (agora transformado em Faculdade) e da Biblioteca Central dos Estudantes (BCE), fosse apenas um bajulador do governo americano, naqueles anos de chumbo da Universidade de Brasília. Nery da Fonseca foi, é, e sempre será, exímio trabalhador. Seu trabalho lateja vivíssimo na memória ativa da UnB. Seu reconhecimento é internacional. Sua fé no ora e labora é um dom. Claro que o professor é tão importante quanto Chiquinho, o Aurino, as Eneides e Zezés, bem como tantos outros funcionários da nossa devassada biblioteca. Mas, principalmente,

é importante um tal Diomedes. O Diomedes é um funcionário praticamente surdo que, apesar de hoje ser ajudante de guarda livros da BCE, um re-colocador, foi um dos que construiu pedra por pedra, tijolo por tijolo, o enorme e imponente prédio que fica do outro lado da FAU, na frente da Arena inabitada de sempre. Ah...como têm segredos estes fundadores ditos “menores” dessa universidade que fará seus 50 anos em 2012. Como são eles, fundamentais. Quanto a Nery da Fonseca, este homem que reza poemas de Bandeira, Drummond e Murilo Mendes, além de oblato do Mosteiro de São Bento, é escritor sensibilíssimo. É urgente que se faça justiça neste mea culpa sincero e resignado. Tanto Nery da Fonseca quanto Diomedes são dois nomes inesquecíveis que trabalham até hoje pela história Maior da UnB, história que completará

jubileu em 2012. Se o mundo um ilustre presidente americano o convenceu não acabar até lá. de fundar a Universidade necessária. Àquela alAntes que o mundo acabe tura, JK alegava que não queria estudantes em em 2012, é crucial registrar Brasília para fazer o que costumavam fazer lá aqui uma conversa pesso- em frente ao Palácio Guanabara. Teria nascido al com o professor Nery da aí a truculência da polícia toda vez que estuFonseca na última semana de dantes ocupam as ruas e as Câmaras da nova abril. Estive com ele por lon- capital? É de se pensar. gas horas, onde Contou-nos também que, pude entregarcerta vez, Azevedo, o ineslhe um exem- Àquela altura, JK alegava quecível reitor dos anos de plar d’O Mirachumbo da UnB, maldito culoso de abril, que não queria estudan- por muitos e injustiçado por no quarto do tes em Brasília para fazer outros tantos, foi convidaHotel Nacional do a escrever sobre a UnB. em que estava o que costumavam fazer O capitão PHD pediu então hospedado para a Nery da Fonseca para dar a cerimônia de lá em frente ao Palácio uma opinião. O professor lançamento do Guanabara. Teria nascido prontamente, lá de Pernamseu livro de mebuco, respondeu sugerindo mórias Estão to- aí a truculência da polícia que Azevedo não ofendesse dos dormindo. Ribeiro em suas amartoda vez que estudantes Darcy Com ele congas linhas. Que parasse de versamos mui- ocupam as ruas e as Câ- dizer que Darcy não tinha to. Impetuoso, sequer titulação, que Darcy disse-nos que JK maras da nova capital? É era um incompetente, um era um ladrão, comunista. Nery da Fonseca de se pensar. que Brasília foi foi curto e grosso: “Não poscriada para corso aceitar que fale assim de rupção e para o nepotismo, Darcy, foi ele quem criou esta casa”. dados que se revelam pelas Nery e Azevedo nunca mais se falaram. Azeúltimas notícias da CLDF. Dis- vedo morreu há poucos meses. Morreu brigado se ainda que o marido da Dona com Nery da Fonseca que, tristemente, contouSara sequer teve coragem de nos tais histórias, sob uma tarde enluarada do assumir criar a UnB. Teve que quarto 813 do Hotel Nacional. ser pressionado. O epitáfio de

O Brasil e a abolição que ainda não ocorreu DANILO SILVESTRE

Em 13 de maio de 1888, há 122 anos, era assinada a Lei Áurea, que acabava com a escravidão no Brasil. Ou que deveria acabar com tal prática. É incrível, e triste, perceber que mesmo depois de tanto tempo ainda exista escravidão no Brasil e que ela é uma prática recorrente. O regime de escravidão

pode ser definido como um regime em que a pessoa não tem liberdade e que serve a quem lhe tirou a liberdade. De acordo com o Ministério do Trabalho, em 2009 foram libertadas 3.769 pessoas que eram escravas. Até abril de 2010 já foram libertadas 207 pessoas. E isso sem contar com as pessoas que não foram libertadas dessa condição. Assim, que abolição foi essa que não garante a liberdade de todas as pessoas? Hoje, os trabalhadores que são libertados da condição de escravos recebem apenas uma indenização. Atualmente, o trabalhador que é libertado da escravidão tem o direito, de acordo com a Lei 7.998/90, de receber três parcelas do seguro-desemprego, no valor de um salário mínimo cada parcela. Resumindo, não existe uma verdadeira política para acabar com a escravidão, já que é fácil para o trabalhador retornar para a situação da qual foi

libertado. Além disso, a fiscalização é falha e não garante que trabalhadores escravizados uma vez tenham seus direitos respeitados posteriormente. Então como combater a escravidão no Brasil? Existem diversas formas. Uma delas é que todo mundo tenha a consciência da barbaridade que é esse ato e denuncie a prática de trabalho escravo. Outra forma possível é exigir a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, que se encontra na Câmara dos Deputados. Se aprovada, os donos das propriedades rurais onde forem encontrados os escravos perderão a terra e não receberão nenhuma indenização. E por fim, exigir a punição de quem escravizar qualquer pessoa e uma verdadeira indenização para os trabalhadores libertados da escravidão. É preciso fazer com que a sociedade se mobilize para

exigir o fim dessa prática. É preciso pressionar as autoridades para que estabeleçam regras que coíbam esse tipo de prática. Além das já citadas, podemos incluir também que a empresa flagrada com trabalhadores escravos seja colocada, para sempre, em uma lista de empresas que não poderão prestar nenhum tipo de serviço aos poderes públicos. Outra medida importante seria colocar a prática da escravidão como sendo um crime hediondo e sem possibilidade de pagamento de fiança. Ou seja, em pleno mês em que comemoramos o dia do trabalhador, ainda há muito o que ser feito para que toda a população possa sim ser trabalhadora, mas que possa trabalhar em condições dignas, ter acesso aos serviços públicos, como saúde e educação e, mais do que isso, se auto-sustentar e poder até mesmo escolher que emprego é melhor para si. O poder de escolha é fundamental para que realmente exista liberdade. Danilo Silvestre é Publicitário e Cientista Político. Escreve e é responsável pelo blog http://danilosilvestre.blogspot.com


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COLUNA POLÍTICA

1º de maio é dia de luta! Coluna por SOLANO TEODORO

Primeiro de Maio, dia do Trabalhador. Esse dia é herança legada à humanidade por trabalhadores que não concordaram com a exploração a que eram submetidos e tiveram a coragem de lutar em busca de melhores condições; em alguns casos, as manifestações custaram a vida de muitos operários. Em 1º de maio de 1886, teve início uma onda de protestos em Chicago pela jornada de trabalho de 8 horas, o que resultou em mais de doze mortos. Em 1º de maio de 1891 foram dez mortos em Paris. Desde a Revolução Industrial, que teve início na segunda metade do século XVIII na Inglaterra, até os dias de hoje, não se pode falar em meio termo: trata-se de uma guerra entre classes e no meio dessa batalha não há

espaço para aqueles que dizem dialogar tanto com patrão quanto com empregado, tanto com latifundiário quanto com trabalhador rural, tanto com empresariado quanto com operariado. O que há no meio da luta de classes, que se trava desde o advento do capitalismo, é uma trincheira – ou se está do lado dos trabalhadores ou se está contra eles. Primeiro de maio é dia da classe trabalhadora sair às ruas em busca da transformação social e dia também para juntar energia para todo um ano que deve ser de luta incessante contra os capitalistas e sua política exploratória. Em diversos países observam-se manifestações desse tipo, mais notadamente na Grécia, onde a população se sublevou contra o governo e contra a Comunidade Européia, sob lemas como “abaixo o governo de sangue, pobreza e privatizações”. Já no Brasil, parece que todos aguardam um milagre, quando, na verdade, o mais próximo que chegarão de um, será receber um exemplar do jornal O MIRACULOSO gratuitamente na Rodoviária do Plano Piloto. Um país no qual a saúde pública humilha e mata diariamente os trabalhadores; onde os aposentados – que durante décadas trabalharam para construir o Brasil – tiveram a proposta de reajuste de 7,7% vetada pelo Presidente da República, que considera 6,14% suficiente; em que o salário mínimo, segundo a Constituição Federal de 1988, deveria ser “capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, ali-

O metrô pede socorro A exemplo de outras empresas públicas, como a CEB, o Metrô pede socorro. Trata-se de um serviço diferenciado que tem a capacidade de melhorar de forma efetiva a qualidade de vida de seus usuários. Contudo, o que se observa é um patrimônio bilionário de todos os cidadãos brasilienses, que vem sendo sucateado e pessimamente gerido. Recentemente o novo Governador Rogério Rosso, mais do mesmo em relação aos quatro outros governadores que o predecesseram, demitiu o Diretor Presidente do Metrô e dois outros diretores, nomeando para presidir o Metrô, o Sr. Cairo Ramos, que está sendo investigado por suspeição acerca de problemas com licitação, processo que corre em segredo de justiça, ou seja, trata-se de farinha do mesmo saco! A manutenção terceirizada do Metrô objetiva apenas retirar milhões e milhões de reais dos cofres públicos para enriquecer empresários e manter o Metrô de mal a pior. Recentemente um trem descarrilou, fato gravíssimo, e, a que tudo indica, tal fato se deu em razão da péssima

mentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo”, passa longe de suprir as necessidades básicas dos privilegiados que o recebem. Nesse cenário de apatia e aceitação, o que se observou foi que as grandes centrais providenciaram o circo: shows, sorteio de apartamentos, churrascos, sorteio de carros e, ainda, serviram de palanque para a candidata do Governo Federal à Presidência da República. O Governo Federal, por sua vez, contribuiu com o pão nessa nefasta política de pão e circo, na qual está mergulhado o povo brasileiro. E quando se fala em pão, é pelo entendimento de que programas assistencialistas do Governo, apesar de evitarem a morte por inanição de milhares de brasileiros, representam apenas migalhas diante do montante de dinheiro gasto com banqueiros e empresários. Na mais recente crise do sistema econômico mundial, o Governo Federal gastou cerca de R$ 370 bilhões com os ricos, e a classe trabalhadora amargou arrocho salarial, demissões em massa e retirada de direitos. Primeiro de maio é dia de lutar e combater o sistema capitalista que oprime, mata, engana e aliena a classe trabalhadora. Trata-se de um dia de luta! E não de assistencialismo! Viva a luta do povo grego que mantém viva a tradição revolucionária do 1° de maio!

“Na mais recente crise do sistema econômico mundial, o Governo Federal gastou cerca de R$ 370 bilhões com os ricos, e a classe trabalhadora amargou arrocho salarial, demissões em massa e retirada de direitos.”

manutenção prestada pelos terceirizados. No Metrô de São Paulo a manutenção, composta por trabalhadores concursados, faz a verificação diária das condições da malha metroviária, através de trabalhadores que percorrem toda a via, a pé, munidos de lanterna, prancheta e equipamento de proteção individual, atentos aos mínimos detalhes. Já em Brasília a verificação da malha metroviária é feita por um veículo adaptado, que passa, em alguns casos, a mais de 80 km/h e não verifica, realmente, nada. Esse é um exemplo, dentre muitos, que levam a população de Brasília a vivenciar: trens constantemente quebrados, lentidão no sistema, rebocamentos, descarrilamento, dentre outros transtornos. Quando se fala em Concurso Público

para a manutenção do Metrô, não é por purismo, mas em razão do entendimento de que o Estado deve ser diretamente responsável pela segurança das vidas que utilizam o sistema diariamente, e não delegar essa responsabilidade a empresários que não tem compromisso com os passageiros, vide o estado dos ônibus coletivos a serviço dos brasilienses. Os funcionários do Metrô/DF não são culpados pelos transtornos do sistema, são vítimas de diretores que objetivam terceirizar, sucatear e degradar o nosso Metrô/DF, patrimônio de todos, construído com o dinheiro suado dos impostos de todos os cidadãos! Contratação de todos os aprovados no Concurso de 2009 e Concurso Público para a manutenção já!


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CURIOSIDADE MIRACULOSA

O quê sabemos sobre a “GRIPE A (H1N1)”? ANDRÉS SUGASTI Você sabia que menos da metade das pessoas que o Governo esperava que tomassem a vacina contra a Gripe A foi tomála? Por quê será? Será que é porque falta informação sobre o assunto? Não falo de informações como o surgimento do foco da doença no México, nem dos sintomas, amplamente difundidos pela mídia; assim como não me refiro ao fato de que, em um país com tão poucos recursos destinados à saúde pública, milhões foram gastos na compra de imensas quantidades da vacina, pois isso todos sabemos. Refiro-me a outra coisa. Refiro-me a informações importantíssimas sobre o assunto que não são divulgadas. Por exemplo: Você sabia que a patente da vacina contra a Gripe A foi registrada em 2007 e que a doença só surgiu dois anos depois, em fevereiro de 2009?!? E sabia que em 9 de março de 2009 o Presidente Sarkozy (França) assinou contratos de investimentos de 100 milhões de Euros (250 milhões de reais!!!) para a ampliação de uma fábrica de vacinas, que passou a produzir a vacina da Gripe A; menos de um mês depois de surgirem os primeiros casos? E que essa fábrica (controlada por grupos farmacêuticos franceses) é no México, exatamente onde surgiu a doença? E que a Organização Mundial da Saúde (OMS) alterou em 27 de abril de 2009 a sua própria definição de pandemia, para que esta incluísse a Gripe A, fazendo com que os países adotassem uma série de procedimentos (como a compra das vacinas em

caráter emergencial, ou seja, sem licitação ou qualquer controle dos preços)? Não? Mas deve saber que a gripe comum mata cada ano entre 250.000 e 500.000 pessoas, cerca de 1.000 por dia, segundo dados da própria Organização Mundial da Saúde – OMS, o que representa 20 vezes mais óbitos do que os causados pela Gripe A, certo?

E que nunca algo similar ao que foi feito em relação à Gripe A será feito em relação à gripe comum? Sabendo de fatos assim, eu pergunto: Como é possível que em menos de dois anos uma doença tenha surgido e se es-

palhado pelo mundo inteiro, tenha sido produzida uma vacina em grande escala para essa doença e já se estejam vacinando milhares de pessoas ao custo de milhões de dólares? Foi bastante rápido, não? E os testes que devem ser feitos com novas vacinas, que geralmente levam anos para serem concluídos? Foram feitos adequadamente com esta vacina? Então me pergunto, porque gostaria muito de saber... Quem está lucrando com isso?!? Porque certamente tem alguém lucrando com esta história, e lucrando muito!!! O que sei é que, em países como a Finlândia e a Holanda, onde a população costuma questionar seus governos, o nível de gravidade da doença foi questionado e revisto, sendo então corretamente atribuído o nível 4 à Gripe A em vez de nível 5, anteriormente atribuído pelos governos para justificar a compra em massa das vacinas e a vacinação obrigatória das pessoas. E posso garantir que, para a minha irmã, que foi viver no México em meados de 2008, e portanto assistiu ao surgimento da doença e a toda a história de perto; tudo o que foi feito em torno dessa doença não passou de um exagerado sensacionalismo muito bem construído, que lubridiou governos, organizações internacionais e envolveu praticamente toda a população mundial e todos os países do mundo em uma enorme fraude, gerando lucro de milhares de milhões de dólares para os fabricantes da Gripe A, ops, quis dizer para os fabricantes da vacina da Gripe A! Porquê, afinal de contas, excluindo-se a campanha de vacinação; cada vez se fala menos nessa doença e sequer se tem mais informações sobre novos casos? Será que essa “pandemia” não passou de uma “marolinha” usada para gerar milhões de dólares em lucros? Então, se assim como eu quis, vocês também quiserem saber sobre como a vacina é produzida, o que ela contêm, quem a fabrica e o detalhamento das informações resumidas acima, acesse o portal www.miraculoso.com.br/curiosidadesmiraculosas e veja você mesmo essas e muitas outras informações sobre a Gripe A. Vamos nos informar para além do pouco que nos deixam saber, para além do que nos bombardeiam através da grande mídia, pois informação é poder e O MIRACULOSO quer que todos tenham o poder da informação!

O Brasil precisa saber por que dizer não à Belo Monte e sim CAMILA HEMÉTRIO VALADARES

O Governo Brasileiro pretende construir a Usina Hidrelétrica de Belo Monte à força! Trata-se de um empreendimento faraônico do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC e cujas polêmicas vêm sendo discutidas há mais de 20 anos. Se construída, Belo Monte poderá ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, depois de Três Gargantas, da China e Itaipu, situada na fronteira entre Brasil e Paraguai. A Usina, orçada entre 17 e 30 bilhões de reais, com financiamento de 80% através do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, e utilizando recursos do tesouro Nacional - com juros de 4% ao ano, durante 30 anos, com pacote de benefícios vantajosos concedidos para os vencedores, como descontos de 75% no Imposto de Renda durante 10 anos; com potencial de geração de 11.233 MW de energia nas cheias e apenas 4.000 MW na maior parte do ano; com custos de 78 reais por Megawatt/hora, enquanto a Administração Federal havia fixado o valor de 83 reais por Megawatt/ hora; e ainda assim, considerada como uma obra inviável financeiramente para as empreiteiras, insiste-se nesse desastre ambiental. O descontentamento com a política de construção de barragens no Xingu tem sido demonstrada desde 1989, a partir do I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, ocorrido em fevereiro do mesmo ano, em Altamira, no Pará, dois meses após o assassinato do líder Chico Mendes; evento considerado como marco socioambientalista no país. Até o momento, a história se repete, e os povos indígenas sequer são protegidos pela Funai, pois o órgão

liberou a construção da obra em outubro de 2009, desconhecendo os efeitos da construção sobre os indígenas, que tiveram o direito de consulta violado! Diante disso, as lideranças indígenas kayapó enviaram uma carta para Lula, repudiando a construção da Usina e manifestando sua posição de defesa em relação ao território em que vivem, declarando guerra caso o projeto seja levado adiante dessa forma, mas não receberam respostas. Já em fevereiro de 2010, o Ministério do Meio Ambiente concedeu a licença ambiental, sem esclarecer os reais impactos socioambientais. Até o dia 20 de abril, data marcada para o Leilão - ironicamente na Semana de Comemoração dos Povos Indígenas - foram concedidas três liminares para suspensão do leilão, que mais pareceu uma farsa; as duas primeiras foram cassadas; uma delas, anulava o Estudo de Impacto Ambiental - EIA, devido a informações discrepantes a respeito do reservatório, que em alguns documentos previa uma área de 516 Km² e no anexo do edital, constava de 668,10 Km², aumentando consideravelmente a área a ser alagada. Já terceira e última liminar, concedida pelo juiz de Altamira, horas antes do início do certame, foi ignorada – os presentes na Aneel fingiram não tê-la recebido e afirmaram que ela só chegou ao conhecimento deles após o término do Leilão. Diante disso, o Leilão, que durou apenas 7 minutos teve seu resultado prorrogado, ao invés de suspenso, e havendo a confirmação das informações de que foi desobedecida a ordem judicial de suspensão, o mesmo deverá ser anulado. Há muita preocupação dos especialistas ambientais e

dos indígenas em relação à diminuição do curso do Rio Xingu, que terá como consequência a redução dos níveis do Rio Bacajá, comprometendo diretamente a navegação e a pesca na região, principal meio de subsistência dos indígenas, e além disso, prejudicando aos moradores da Volta do Rio Xingu, trecho em que provavelmente o rio secará. Muitos protestos marcam essa luta, como o liderado por Sigourney Weaver, atriz do filme “Avatar”, ao final de abril, em Nova York, em frente à sede da Missão do Brasil na Organização das Nações Unidas – ONU. Já o Cacique Raoni, Chefe kayapó, se dirigiu à Europa aos 05 de maio, para solicitar apoio aos dirigentes europeus, passando pela França, Luxemburgo e Mônaco. E a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB do Pará manifestou, nesta quinta-feira, 06 de maio, a retirada de apoio à construção da Usina. Mesmo diante de tantas manifestações pelos quatro cantos do mundo, o Governo Federal está passando por cima de questões tão relevantes, em prol do chamado desenvolvimentismo, que não leva em conta os impactos socioambientais e a vida dos que amam e dependem do Rio Xingu para sua sobrevivência! Já basta o que fizeram aos indígenas desde os primórdios da colonização do Brasil; não podemos calar, não podemos confiar aos Governantes e Capitalistas o destino do Rio Xingu! Sim à Vida e não à Belo Monte! Camila Hemérito é Psicóloga e Pós-Graduanda BH-MG


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UnB e Cotas Raciais: Quando um tema não é mais

Direito achado na rua na UnB:

ARTUR ANTÔNIO e DALILA FERNANDES DE NEGREIROS

Roberto Lira Filho foi mais do que um grande professor de Direito da “Ex-UnB”. Crimininalista, assim como seu pai, um dos expoentes da conhecida família Lira, que radica no nordeste brasileiro, Lira Filho foi grande libelo de uma clássica bandeira que corre sob a rubrica de sua obra O Direito achado na rua. Nas reuniões em seu apartamento no Plano Piloto, em meio a milhares de exemplares de uma impecável biblioteca - entre idas e vindas de cadetes do exército um Círculo de intelectuais e professores se reuniam para estudar Filosofia do Direito, Hegel, enfim, estudar Brasil. Às vésperas de conquistarmos a Constituinte, Lira Filho, com o pseudônimo de Noel Delamare, assinou a obra Da cama ao comício. Apesar de extraordinariamente gordo, o poeta deu nesta obra o grande sinal de que queria participar da festa da Democracia. Mas, ora, o que aconteceu com a reitoria da UnB, herdeira intelectual do legado de Lira Filho, que a denúncia de um estudante que foi torturado moral e fisicamente foi vetada pela Secretaria de Comunicação? E um estudante da UnB? Estamos ou não estamos comprometidos com a Democracia e com os Direitos Humanos? Até tu, Brutus?

Quando as cotas foram implementadas na UnB em 2004, tínhamos a impressão que era uma porta aberta para sucessivas vitórias para a inclusão de pessoas negras no ambiente da Universidade pública em Brasília. Mas ao longo do tempo, o assunto foi deixando de ser novidade e pauta. Ou pior, as cotas muitas vezes foram vistas como uma ação que se encerrava por si só, sendo ignoradas as diversas potencialidades e implicações da inclusão promovida pela política. E mesmo agora, quando a legitimidade do sistema esta sendo contestada pela Ação do DEM no STF, não podemos dizer que a UnB tem efetivamente se empenhado pelo êxito e continuidade do sistema. Assim que foi efetivada a implantação das cotas, todos sabíamos que seriam necessárias diversas ações para fomento da produção intelectual negra, o que iria desde as ações de permanência aos estudantes, ao incentivo a pesquisa e extensão na temática racial, a publicação dos artigos, monografias e teses de pesquisadores da área, e a toda uma revisão do ser universitário e pesquisador dentro de uma universidade que adota uma política inclusiva como a de cotas. Na prática, a coisa não tem sido nada parecida com o que se prevê

como minimamente necessário. A UnB tem uma bolsa de permanência e um projeto que todas as universidades que possuem estudantes cotistas tem, que é o Afro Atitude, um Centro de Convivência Negra, um Núcleo de Promoção da Igualdade Racial, uma campanha institucional “A UnB diz não ao racismo” e centenas de estudantes negros e talvez duas dezenas de professores. Mas o que a UnB não tem são ações efetivas. Tudo o que se refere à temática racial é esvaziado, sem recursos humanos e financeiros e na melhor das hipóteses precário. O que a sociedade tem como resultado da inclusão desses alunos para além de mais pessoas negras com diploma? Esses alunos têm conseguido produzir sobre a temática racial? Ela ganhou alguma força no ambiente universitário? Há apoio para a publicação nesse tema? Bom, a resposta é não. Desde os escândalos de corrupção envolvendo a gestão anterior, o tema cotas saiu da pauta prioritária. Mesmo depois de reiteradas reuniões com a reitoria, nada foi feito em termos práticos para o incentivo à pesquisa, extensão e publicação. A UnB tem uma editora, tem incentivos mil a pesquisa, tem

bolsas, cooperações internacionais e tudo o que se pensa de uma instituição acadêmica. O que a UnB não tem é vontade política de fortalecer o trabalho com essa temática, e enquanto dizer que o que faz é suficiente, não é preciso fazer nada. Ter pessoas negras no ambiente universitário é com certeza uma vitória importante, mas nada além disso para um universidade que se diz diversa e plural é não só contraditório quanto cínico. Porque se comprometer com a implantação de uma política de diversidade e promoção da igualdade racial não é só criar uma “Secretaria de Diversidade e Promoção da Igualdade Racial”, ou fazer eventos nas datas “comemorativas” (13 de maio e 20 de novembro). Compromisso são ações efetivas, e isso a UnB não tem. Artur Antônio é formado em Letras pela UnB. Mestrando em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo - USP. Coletivo de Articulação em Defesa das Cotas. Dalila Fernandes de Negreiros. Geógrafa formada pela UnB. Coletivo de Articulação em Defesa das Cotas

quem te viu, quem te vê.

Bruno Borges

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ENTREVISTA

CRISTOVAM BUARQUE POR DIOGO RAMALHO, BRUNO BORGES, PALOMA AMORIM e SOLANO TEODORO

de horas extras e não o aumento de novas vagas de trabalho, se configurando como um programa de aumento da renda mais do que de redução de trabalho. Não vamos aumentar a jornada de trabalho dos nossos trabalhadores, vamos aumentar a renda deles, o que julgo positivo. Isso só vai existir quando tivermos uma evolução na educação que permita todo mundo ser capaz de substituir os trabalhadores que terão uma jornada melhor. Um dia a gente vai chegar lá. Espero e não vejo outra saída para o Brasil do que a redução da jornada de trabalho de 44 para 22 horas. Outra maneira é, em vez de reduzir a jornada, aumentar o período de férias. Por que não aumentar o período de férias dos trabalhadores no futuro? Mas para isso vamos precisar ter muita gente preparada para a substituição do trabalho. Ou fazemos uma revolução maior: adotarmos o decrecimento. Ou seja, entender que a felicidade não vem do consumo crescente. Vem do bem estar crescente e o bem estar pode estar mais em menos horas de trabalho do que no carro novo ou no sapato novo que se compra.

maneira que trouxesse governos éticos e competentes para o governo do Distrito Federal. Como resolver isso? Outubro está aí! É a população votar bem. A gente sempre lembra do eleito que rouba e esquece do eleitor que votou nele. Nós somos culpados, nós o conjunto dos eleitores. E eu não vejo outra saída a não ser quando tivermos uma sociedade muito educada, não porque o educado saiba votar mais que o menos educado. Mas porque o educado tem mais alternativas, e então ele pode votar sem se preocupar com os benefícios que vai ter imediatamente. Ele pode votar pensando a longo prazo. Alguns educados são bandidos. Já o menos educado não tem alternativa, ele vota por uma camisa, porque inteligentemente é o que ele precisa, ou vota por uma receita de remédio, porque inteligentemente ele ou alguém da família está doente. É inteligente porque ele quer resolver aquele problema imediato. O que é preciso fazer é que ninguém precise trocar o voto por uma receita de remédio, e sim por um bom sistema de saúde, pela educação de todos, que permitirá emprego, que dê alternativas.

“Essa conspiração da mídia,

Cristovam Buarque natural de Recife, tem 66 anos. Engenheiro Mecânico e Economista de formação, é escritor e educador, tendo já publicados mais de 22 livros. Foi Reitor da UnB, Governador do Distrito Federal, Ministro da Educação, e é Senador da República. Senador e Professor Cristovam, que tem a educação como uma de suas bandeiras de luta, prestigiou esse mês O Miraculoso, nos concedendo a frutuosa entrevista que se segue. O MIRACULOSO: Qual a opnião do senhor acerca da redução da carga horário do trabalhador de 44h para 40h semanais que tramita há 14 anos no Congresso? Prof. Cristovam Buarque: Eu creio que no futuro nós vamos ter redução para 40, 36, 30 horas semanais. Não tem outra maneira de gerar emprego hoje. Eu não vejo que essa proposta, que sou favorável, vá gerar emprego, porque o emprego não depende só da vaga, depende também da disponibilidade de pessoal com formação su-

ficiente para ocupar a vaga. O Brasil hoje tem vaga sobrando, mas falta pessoal preparado para ocupar essas vagas. Quando se reduz de 44 para 40, existe uma redução de 10%, teoricamente haveria 10% a mais de emprego. Mas isso não vai acontecer, porque não existirão 10% a mais de pessoas com formação suficiente para substituir o que seria necessário. Então a gente vai ter na verdade a redução de 44 para 40 horas e a contratação desses que terão menos jornada de trabalho ganhando horas extras. O projeto para mim será o projeto de aumento

O MIRACULOSO: Como o senhor vê a Crise Político-Institucional do Distrito Federal?

dos partidos e dos institutos de pesquisas fazem com que o primeiro turno seja feito pela mídia, pelos partidos e pelos institutos de pesquisas, sem a chance de o eleitor ter dois turnos.”

Prof. Crist o v a m Buarque: Primeiro a tristeza de ser morador desta cidade e ver que antes a gente dizia que a corrupção vem de fora. Agora a gente tem que reconhecer que a corrupção é aqui dentro também. E em segundo, saber que a punição não virá ou demorará muito, porque com os instrumentos legais nas mãos de advogados capazes de encontar brechas, a gente sabe que os processos vão se arrastar por muito tempo. Então não dá pra saber quando haverá punição. É muito triste dizer isso, mas acredito que é verdade.

O MIRACULOSO: Como o senhor enxerga tudo isso, com a visão de quem já foi govenador? Prof. Cristovam Buarque: Tem gente que me diz “você deve estar satisfeito porque você foi o único governador eleito que passou limpo por esse processo todo”. Não estou nenhum pouco satisfeito ou alegre. Estou triste de reconhecer que não tenhamos sabido utilizar o instrumento do voto de

O MIRACULOSO: Tendo em vista a total indefinição de candidatos ao GDF, por que o senhor não se lançará candidato há Governador do Distrito Federal?

Prof. Cristovam Buarque: Primeiro porque o meu partido é pequeno, e o governador precisa ser do partido maior, que no caso da esquerda, é o PT. Eu defendo que o governador seja do Partido dos Trabalhadores. Segundo porque eu coloquei uma energia, nestes últimos 12 anos, por uma revolução na educação no Brasil. Ser governador significaria abandonar completamnte essa luta, me concentrando apenas no DF, enquanto precisamos de uma revolução educacional no Brasil inteiro. Porque não se faz revolução educacional só em um estado, ou em uma cidade. Você pode fazer em blocos de cidades pelo Brasil afora ou no país inteiro ao longo de um certo tempo, mas é preciso ver de fora para dentro da cidade, uma respondabilidade do governo federal. Eu defendo a federalização da educação. Se eu fosse governador iria trabalhar a municipalização. Todavia, contribuo mais para o país e portanto para minha cidade, nesta luta nacional, permanecendo no Senado. Porque eu acredito ser mais fácil um candidato a governador no meu lugar com as propostas iguais as minhas, do que en-


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ENTREVISTA do MÊS de MAIO contrar um Senador que me substitua neste momento. O MIRACULOSO: E no cenário Nacional, a polaridade entre PT e PSDB, sendo que em muitos sentidos e ações representam o mesmo projeto político, como enxerga essa polaridade? Prof. Cristovam Buarque: Fico muito descontente com esta espécie de conspiração da mídia. A idéia do primeiro turno e do segundo turno é para o eleitor votar em quem ele considera mais próximo dele, tendo a chance de no segundo turno votar no menos distante, porque se só tivéssemos primeiro turno teríamos presidentes com 30%, 25% dos votos. Essa conspiração da mídia, dos partidos e dos institutos de pesquisas fazem com que o primeiro turno seja feito pela mídia, pelos partidos e pelos institutos de pesquisas, sem a chance de o eleitor ter dois turnos. Em 2006 já se sabia que era Alckimim e Lula. Hoje sesabe que é Serra e Dilma, o que é muito ruim. Assim ninguém presta atenção aos discursos dos outros como Marina Silva, Plínio de Arruda Sampaio e outros, que tem o que dizer. É uma pena isso. Além disso, esses dois que estão na frente são muito parecidos, não tem diferença nos discursos, na proposta, aí o eleitor fica sem alternativas de votar em algum candidato diferente. Você pode até dizer que tem um lado positivo, que o Brasil não vai tão mal. O Brasil não vai tão mal, e a prova é que os dois defendem a mesma continuidade, mas no fundo o Brasil precisa continuar algumas coisas e mudar outras. É preciso uma inflexão, essa dobra do futuro... Os jornais não dão chances de outras propostas aparecerem. Em 2006, quando fui candidato, aparecia muito pouco no jornal. Liguei e eles disseram “nós somos democráticos, distribuímos os espaços proporcionalmente ao que você tem nos institutos de pesquisa. Você só tem 1%”. Se você tem 1% eles só te dão 1%. Na época chamei de pesquisocracia. Se é assim não façamos eleição: faz-se uma pesquisa de opinião e quem tiver na frente leva. Vítimas dos institutos de pesquisa, contando que eles erram, manipulam e são sujeitos a outras influências como compra de votos o que faz toda a diferença. Tenho uma proposta que mudaria isso. Primeiro permitir que haja um candidato avulso, sem partido, com um número de eleitores indicando-o. E em segundo, todos os partidos serem obrigados a apresentar candidatos a presidente, governador, e prefeitura no primeiro turno, só sendo possíveis as alianças no segundo turno. Mas dificilmente esse projeto passa. O MIRACULOSO: Sendo o Sr. um ativista e militante pela Educação, e tendo sido Reitor da UnB, qual seu posicionamento sobre a Greve e a

possibilidade dos professores recuarem e abandonarem os servidores e alunos, saindo da greve? Prof. Cristovam Buarque: Há muito tempo eu acredito que a greve de professores e funcionários em um país que não dá importância para a educação não é um instrumento muito eficiente. Creio que os instrumentos só ficam eficientes quando vão para a rua. A própria greve da UnB só foi pra frente quando foram para o palácio do presidente. A luta dos professores e funcionários é mais do que justa. Se a luta por aumento é justa, faz idéia a luta pela não redução de salário. Os professores conseguiram a manutenção dos salários mas não se sabe até quando. Se a justiça resolver tirar esse dinheiro a Universidade acaba. É uma tragédia que está diante de nós. Imagine se eles exigirem a devolução desse salário. Entendo perfeitamente essa greve, embora acho que eles deveriam usar instrumentos mais duros.

da pelos estudantes na UnB, a comunidade conseguiu eleger um reitor com a força dos votos dos estudantes, em eleições paritárias.Como o senhor avalia a atual reitoria? Prof. Cristovam Buarque: Ele está dando prosseguimento a todos os compromissos da democratização, inclusive nesta greve o reitor ficou do lado da comunidade. E tem gente que estava querendo o impeachment dele. Confesso que não estou acompanhando, mas os compromissos da administração e de respeito à comunidade, vejo que esta cumprindo.

“(...) as manifestações debaixo das patas dos cavalos contra o Arruda, e se não fossem aquelas manifestações eu não sei se teria acontecido tudo o que aconteceu, não porque a justiça tenha sido pressionada, mas pelo clima que se criou. Fico orgulhoso de ver que a juventude do Distrito Federal é como poucas no Brasil. Não dá para dizer que a população não é ativa. ”

O MIRACULOSO: O senhor que participou e apoiou a ocupação da reitoria em abril de 2008, o que acha das ações dessa geração de jovens, que através da ação direta refletida em ocupações de espaços públicos, como a ocupação da reitoria, Câmara Legislativa do DF, nova CLDF, como forma de protesto e resistência pacífica, a fim de exigir o fim da Impunidade? Prof. Cristovam Buarque: Eu colocaria mais, as manifestações debaixo das patas dos cavalos contra o Arruda, e se não fossem aquelas manifestações eu não sei se teria acontecido tudo o que aconteceu, não porque a justiça tenha sido pressionada, mas pelo clima que se criou. Fico orgulhoso de ver que a juventude do Distrito Federal é como poucas no Brasil. Não dá para dizer que a população não é ativa. Fomos nós que fomos pedir as diretas, o impeachment do Collor na frente do Congresso, junto com os outros estados. Agora com o Arruda, com o ex - reitor, o Timothy, com a ocupação da Câmara Legislativa, que só mostram que é uma juventude que está viva. Eu tenho orgulho disso. Uma juventude vitoriosa que está conseguindo tudo. O MIRACULOSO: Com toda luta trava-

O MIRACULOSO: Qual a sua opinião a respeito da intervenção federal no DF?

Prof. Cristovam Buarque: Eu digo desde o começo que eu gostaria de que a Câmara elegesse um interventor que respeita a legalidade, alguém que viesse dizer “eu tenho cabeça, coração e pernas de interventor, para fazer uma limpeza geral”, que não consultasse a Câmara, os partidos, mas diretamente a população. Não sei se ele vai fazer isso, não sei se ele tomou essa medida. Às vezes dá impressão de que ele está querendo governar com esses deputados que estão aí, o que ele não deveria fazer: governar nem com deputados, nem com partidos, nem com senador, obviamente, tem que governar com a população. O MIRACULOSO: O senhor acredita que a eleição da câmara, feita por dez parlamentares investigados no escândalo conhecido como Mensalão do DEM, tem legitimidade? Prof. Cristovam Buarque: Não, ela não tem, mas tem legalidade. Rasgar essa legalidade é perigoso, mas pode ser necessária. Na intervenção tiram o

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governador e não os deputados. Nunca ficou claro pra mim que os deputados perderiam seus mandatos, então não adianta muito. Legalmente esta Câmara podre que está aí representa a sociedade brasiliense. Uma intervenção de fora para dentro pode ser necessária, e então temos que defender e reconhecer o fracasso de todos nós, das lideranças políticas, não só da Câmara, mas de todos nós que não conseguimos construir uma saída. Era preciso evitar esse fracasso, desde que com legitimidade. A notícia que se ouve é que houveram muitos acordos para eleger o governador Rogério Rosso, neste caso não existiu legitimidade. Entre a legitimidade e a legalidade, eu fico com a legitimidade, mas preciso casar as duas. O Miraculoso agradece. Prof. Cristovam Buarque: Quando eu vi O MIRACULOSO eu gostei muito, não só do titulo, mas também do jornal, fiquei impressionado em pensar como vocês conseguem fazê-lo, não é fácil. E digo a vocês que todo jornal começou. Não tem nenhum jornal que tenha existido sempre. Espero e acredito que O MIRACULOSO pode ser um jornal que dure bastante, se ele conseguir, em primeiro lugar, ter a legitimidade que vem da credibilidade. Em segundo se ele se organizar de tal maneira que seja capaz de passar de uma geração para outra, porque a impressão que da, é que é um Jornal muito comprometido com a juventude, e a juventude vocês passam por ela. Deve existir outros jovens que prossigam o trabalho d’O Miraculoso, e não queiram vocês mesmos manter-se no jornal. Com isso existe o risco dele ficar velho, o que não é bom. As vezes você consegue ter adultos que mantêm um jornal com juventude, mas é bom ter um jornal da juventude e pela juventude. Meus votos é para que consigam fazer um jornal que em pouco tempo, tenha tanta credibilidade e consiga tanto solidificar-se que outros jovens, daqui a dez anos, depois de vocês, mantenham O MIRACULOSO. Eu vou ficar muito feliz de que uma entrevista comigo apareceu em uma das primeiras edições do jornal. PUBLICIDADE


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LITERATURA

Nessa Brasília do funcionalismo público e nesse mês de homenagem aos trabalhadores, O MIRACULOSO resgata aquele que foi e é um dos mestres da literatura brasileira. Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi poeta, contista e cronista brasileiro. Apesar de durante boa parte de sua vida ter sido funcionário público, sempre manteve a chama da escrita acessa e essa luz ainda hoje nos ilumina e faz pensar. Reflitam!

Salário Ó que lance extraordinário: aumentou o meu salário e o custo de vida, vário, muito acima do ordinário, por milagre monetário deu um salto planetário. Não entendo o noticiário. Sou um simples operário, escravo de ponto e horário, sou caxias voluntário de rendimento precário, nível de vida sumário, para não dizer primário, e cerzido vestuário. Não sou nada perdulário, muito menos salafrário, é limpo meu prontuário, jamais avancei no Er��rio, não festejo aniversário e em meu sufoco diário de emudecido canário, navegante solitário, sob o peso tributário, me falta vocabulário para um triste comentário. Mas que lance extraordinário: com o aumento de salário, aumentou o meu calvário!

Congresso Internacional do Medo Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Drummond Operário do mar Na rua passa um operário. Como vai firme! Não tem blusa. No conto, no drama, no discurso político, a dor do operário está na blusa azul, de pano grosso, nas mãos grossas, nos pés enormes, nos desconfortos enormes. Esse é um homem comum, apenas mais escuro que os outros, e com uma significação estranha no corpo, que carrega desígnios e segredos. Para onde vai ele, pisando assim tão firme? Não sei. A fábrica ficou lá atrás. Adiante é só o campo, com algumas árvores, o grande anúncio de gasolina americana e os fios, os fios, os fios. O operário não lhe sobra tempo de perceber que eles levam e trazem mensagens, que contam da Rússia, do Araguaia, dos Estados Unidos. Não ouve, na Câmara dos Deputados, o líder oposicionista vociferando. Caminha no campo e apenas repara que ali corre água, que mais adiante faz calor. Para onde vai o operário? Teria vergonha de chamá-lo meu irmão. Ele sabe que não é, nunca foi meu irmão, que não nos entenderemos nunca. E me despreza... Ou talvez seja eu próprio que me despreze a seus olhos. Tenho vergonha e vontade de encará-lo: uma fascinação quase me obriga a pular a janela, a cair em frente dele, sustar-lhe a marcha, pelo menos implorar lhe que suste a marcha. Agora está caminhando no mar. Eu pensava que isso fosse privilégio de alguns santos e de navios. Mas não há nenhuma santidade no operário, e não vejo rodas nem hélices no seu corpo, aparentemente banal. Sinto que o mar se acovardou e deixou-o passar. Onde estão nossos exércitos que não impediram o milagre? Mas agora vejo que o operário está cansado e que se molhou, não muito, mas se molhou, e peixes escorrem de suas mãos. Vejo-o que se volta e me dirige um sorriso úmido. A palidez e confusão do seu rosto são a própria tarde que se decompõe. Daqui a um minuto será noite e estaremos irremediavelmente separados pelas circunstâncias atmosféricas, eu em terra firme, ele no meio do mar. Único e precário agente de ligação entre nós, seu sorriso cada vez mais frio atravessa as grandes massas líquidas, choca-se contra as formações salinas, as fortalezas da costa, as medusas, atravessa tudo e vem beijar-me o rosto, trazer-me uma esperança de compreensão. Sim, quem sabe se um dia o compreenderei?

A opinião em palácio O Rei fartou-se de reinar sozinho e decidiu partilhar o poder com a Opinião Pública. ― Chamem a Opinião Pública ― ordenou aos serviçais. Eles percorreram as praças da cidade e não a encontraram. Havia muito que a Opinião Pública deixara de freqüentar lugares públicos. Recolhera-se ao Beco sem Saída, onde, furtivamente, abria só um olho, isso mesmo lá de vez em quando. Descoberta, afinal, depois de muitas buscas, ela consentiu em comparecer ao Palácio Real, onde Sua Majestade, acariciando-lhe docemente o queixo, lhe disse: ― Preciso de ti. A Opinião, muda como entrara, muda se conservou. Perdera o uso da palavra ou preferia não exercitá-lo. O Rei insistia, oferecendo-lhe sequilhos e perguntando o que ela pensava disso e daquilo, se acreditava em discos voadores, horóscopos, correção monetária, essas coisas. E outras. A Opinião Pública abanava a cabeça: não tinha opinião. ― Vou te obrigar a ter opinião ― disse o Rei, zangado. ― Meus especialistas te dirão o que deves pensar e manifestar. Não posso mais reinar sem o teu concurso. Instruída devidamente sobre todas as matérias, e tendo assimilado o que é preciso achar sobre cada uma em particular e sobre a problemática geral, tu me serás indispensável. E virando-se para os serviçais: ― Levem esta senhora para o Curso Intensivo de Conceitos Oficiais. E que ela só volte aqui depois de decorar bem as apostilas.


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LITERATURA Felicidade em uma cama king size Eu posso dizer que matei todos os meus amigos para ver que gosto tem amizade putrefada.Talvez a náusea do cheiro me cause algum efeito redentor mais revelador que nossas pseudopresenças. Eu posso dizer, que logo depois de matar meus amigos, eu matei você porque me emputeci solenemente com nossa transa mal feita sem língua e sem gozo.Me senti aliviada em saber que você foi responsabilizado pela falta de talento para amante, ou menos,que nem trepar direito sabia mesmo,para que viver nesse mundo de “meldels” se nem uma chupadinha você sabia dar? Depois,peguei meu ônibus e fui em pé para ceder lugar a um velhinho que podia ser você se soubesse trepar, fiquei ouvindo Eu te amo do Chico com uma entonação mais dramática que de costume, como se algum dia na vida eu tivesse te dado meus olhos para você tomar conta, imagina a merda que ia sair? Ou que meu sangue tivesse se perdido junto com o navio exilado no Haiti.Se ainda tivéssemos fodido como dois pagãos,poderia relevar a tua falta de jeito para escafandrista. Chorei a morte dos meus amigos como a fisgada de um membro amputado, vomitei a madrugada toda o vazio dessas perdas e, afirmei com a convicção de uma virgem, que te amava e que amizades são pérolas no mar infindo. Logo depois, vi a marca branca da aliança que um dia você me deu prometendo felicidade em uma cama king size .Melhor seria se tivéssemos comprado um kama sutra ilustrado e nos matriculado numa aula de sexo tântrico para casais enquanto ainda havia tempo.Agora eu te matei e aprisionei na minha marca branca da aliança para sempre, como castigo. Nossa, imagina que tipo de vilã pós-moderna de um romance ainda não escrito eu me tornarei ? Best-seller na certa. Meus gritos no escuro por uma tira do The New York Times.Minha masturbação mental e vaginal por um elogio do Harold Bloom.Minha solidão por uma cama king size na beira da praia... Tá vendo porque morreram? (Aysha Santiago)

Resenha

... aí eu chorei de amor pelos navegadores dos mares. Chorei por tê-los odiado, chorei por ainda ter mágoa dessa história. Mas chorei fundamentalmente diante da poesia do encontro térrico-atlântico, da poesia partida para a conquista. Eles o fizeram por medo também e talvez tenham chorado diante de todas as belezas além do mar atlântico. Aos quais infinito poder fazer esse elo de ligação numa história fragmentada. (...) Eu sou atlântica. (Beatriz do Nascimento - ORÍ)

A idéia de quilombo é central em ORÍ, filme de Raquel Gerber, com texto e narração de Beatriz do Nascimento. Quilombo chama agregação, comunidade, reconhecimento do homem e da mulher negros(as) assim como a África chama sua memória a seus descendentes nas Américas. Neste ensaio pretendo reconstruir algumas imagens e cenas de ORÍ e, a partir disto, propor algumas interpretações a este belo e importante documentário. Foi no Festival de Cinema Negro de Goiânia, 2007, que assisti ORÍ pela primeira vez. Cheguei na sala de cinema com o filme já rodando e fiquei abismada com a cena em que me deparei: uma subjetiva que nos leva a percorrer um caminho no mato. O caminho que não está traçado, pois a natureza ainda está fechada e toca nossos olhos de verde queimado. Lembro-me agora de um verso de Ferreira Gullar: “Caminhos não há, mas os pés na grama o farão”. E assim fez Zumbi, aponPUBLICIDADE

Orquestra Frevo - Maracatu - Ciranda - Caboclinho - Choro - Baião 30 de maio - sábado - CCBB - 17h Popular 05 de junho - sábado - Clube do Choro - 21h Marafreboi

“Atrás de nossa orquestra só não vai quem já morreu!”

tou um rumo a liberdade para um sujeito racializado que não reconhece que é propriedade do outro. A fuga pela busca do território aqui significa mais que uma delimitação de espaço físico, quilombo é um sistema político-simbólico de resistência cultural, ou seja, tem o objetivo de “Assegurar a condição humana do povo afro-brasileiro, há tantos séculos tratado e definido de forma humilhante e opressiva... ” (NASCIMENTO, 1980). Necessita-se então expandir os quilombos para além dos terreiros de macumba e das escolas de samba. E qual seria então um ponto de partida para tal tarefa? Orí, termo de orí-gem Yorubá significa cabeça e perdê-la é perder a si mesmo. Ao contrário disto, Oborí (adoração à cabeça ou dar de comer a esta, o primeiro ato em uma iniciação) é o ritual do candomblé que simboliza o centramento da pessoa, é quando esta chama os orí-xás, seus antepassados para cuidar de sua cabeça. Raspar a cabeça é reconhecer este passado, ou seja, reconhecer sua história e fazê-la norteadora de seu presente e de seu futuro. Orí é o primeiro orí-xá a ser cultuado, é ele o portador do destino humano. Assim, a mulher e o homem negras(os) ao reconhecerem seu passado numa ancestralidade africana se iniciam neste processo de libertação rumo ao quilombo de Zumbi. Em seu texto em ORÍ, Beatriz do Nascimento fala de identidade negra e para isso descortina parte de sua história mostrando fotos de criança e a foto de sua carteira de identidade: ironicamente ela não se reconhece ali, onde sustenta um papel embranquecido. Em contrapartida, o filme mostra a corporeidade, os cabelos, a música, a dança, o vestir negros que são abafados por uma sociedade de ideal de beleza branco. Vemos então uma auto-imagem bela e única que se identifica a partir da beleza de seu grupo: “Porque o rosto de um é o reflexo de outro. O corpo de um é o reflexo de outro. E cada um é o reflexo de todos os corpos. (Beatriz do Nasci-

mento em ORÍ).” A dicotomia mar – terra, que permeia todo o filme com imagens, músicas e reflexões de Beatriz, parece-me reportar a uma memória que não se restringe a uma espacialidade fixa em um solo simplesmente, mas a de uma cultura (a africana) que, transportada pela água do atlântico para as terras americanas deve ser resgatada e vivida em sua potencialidade. Por isso mesmo que Beatriz é atlântica. (Lorena Carmo) PUBLICIDADE


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LITERATURA senti em minha alma o arrepio frio que lhe cortava a pele, embora tivesse sobre mim um manto de veludo holandês que minha ex-namorada me dera de presente. Quase desfaleci, cheguei até mesmo a tropeçar com tamanho incomodo. O homem que já tinha problemas demais: o vento, os jornais e o frio; sequer me viu cambalear sobre as pedras da calçada. Quis fazer alguma coisa que aquecesse a carcaça daquele velho barbudo e o meu interior. Na rua não havia transeuntes. Era véspera de Natal e todos estavam muito preocupados em prepararem suas rabana(Diogo Ramalho) das, seus perus, saladas de fruta, arroz com passas e outras coisas secas como farofas * de miúdos. Se tivesse eu casa que me entro. pago. sento. e o verbo passa pedindo centa- fosse própria convidá-lo-ia a tomar um banho quente e uma vos para comprar bombons boa dose de conhaque, assento por assento comprova mas estava de favor na casa de o arroz, o feijão, a farinha. Tia Margarida até me restanecessidade. dar vida a palabelecer. vra. Perdera eu um trabalho de 12 anos nas últimas 72 horas eu? E, junto com ele, a esperança levanto. puxo. salto. de ter pagos meus 5 meses de abro o guarda-chuva (com a salários atrasados. certeza de ser mais uma dorA empresa faliu e com ela, eu. de-cotovelo Não tinha, pois, condições de um calo no pé de sapato)pra sustentar a mim, muito menos proteger o cigarro a qualquer o utro. e Contudo a idéia de ajudá-lo sigo o trago. estava fixa em minha cabeça. (Moisés N.) Tinha de dar conta. Foi quando vi os pelos de minha casaca roçarem o meu * pescoço. Hesitei por um instante, afinal era o meu calor que estava em Feliz Natal compajogo, nheiro! mas não teve maneira. Joana, volta pro barraco Aproximei-me daquele corpo, Numa certa noite fria, pro marido ajoelhei ao seu lado, um homem barbudo encolhiaestúpido, rude, bêbado tirei o casaco... pintinho triste do qual galinha se sob um tapete de jornais. As folhas chacoalhavam com o Porém quando fui acordá-lo não pode se livrar para oferecer-lhe meu prevento forte, sente, quase se desprendiam por Joana dá dá dá... senti-o estranhamente imóvel completo daquele corpo, e gélido (Éveri sirac - do livro Perpetual) não fossem os grandes braços Morria mais um sem documenque lhes serviam de peso de * to nos pés do Corcovado. papel voariam como pássaros em Macularam a obra cidade grande, (Maíra Marins) Perco-me nos enormes espaços desordenadas. Passei por aquele homem e que me separam das pessoas

a mais uma vida sem chance de vingar Joana tem voz cheia e estomago vazio A boca não cala, a língua não Aos inconformados cansa (Jorge Antunes) Aos dignos indignados A sopa é sempre pouca Aos que ousaram lutar, não As Razões são tantas * sem temer, Tanta gente que não pode ter Mas ousaram. filho Tanta gente tendo filho sem Não sem perder, poder (baseado em obra homônima Não sem ter família, de Marcelino Freire) Não indolor, Joana vai sair Mas lutaram. avisa o marido Joana vende lata papel garraO marido já não sabe fa, de plástico de vidro latão Em nossa homenagem - Quê bebê? Mas filho, filho não O dia primeiro de maio, consSó sabe que não vai parar de Filho ela dá, trutores! bebê e quem vai reclamar? Em nossa homenagem Ela vai até a esquina A ONU talvez possa se horroO aniversário da cidade-mãe E de novo tá lá rizar que estamos a reconstruir. o carro preto e luminoso estaMas é melhor assim Em nossa homenagem cionado na penumbra Não é? O dia dezoito de maio, pela exalando cheiro de dinheiro Joana não é difícil de entender violência imoral e covarde da mofado Trata-se de uma vida dedicada polícia à qual sobrevivemos ai que lindo! A demonstração do amor verEm nossa homenagem Dessa vez o magnata trouxe a O dezoito de maio, pelos delí- dadeiro esposa rios e a loucura de achar que a de Mãe, assim, com M maiúsJoana leva a sua mais nova imensa corrupção poderia ruir! culo mesmo cria até a janela Sem ter dó, sem remorso, nem Menos de um mês peso de consciência Aos novos candangos Nessa idade é bem mais fácil Joana é uma pessoa muito O suspiro aliviado de um país É menino ou menina pergunta humana Que, embora, não esteja a madame Filantropa, (sem saber) liberto Joana nem lembra, Dá pro marido, dá cria, e sem Sabe que pode contar com o É curta, prática, condições de criar criança, amor e rebelde de seus filhos - Quer ou não quer? Dá... dá... dá. E quem é que vai ali que não Quanto trabalho! Quanto suor! Já perdeu a conta quer? Assim Lágrimas! E ainda quanto Faz pouco tempo ela soube de Uma galinha botando ovos no sangue! um filho em Paris Numa obra deveras monumen- mundo Virou doutor Um poeta duma janela sem tal. Ela se sente uma mãe orgureboco, dando adeus aos seus A implosão das pútridas obras lhosa Versos agudos, afiados, corde corrupção tantes, E a edificação da cidade Joana, bela, sábia, heróica Mundos mudos, liberta. Demora-se um pouco Berrantes sussurros Espera o carro virar a esquina (Ortegal) SsssssssssssssssssssssssssSilênSorri cio invisível sensação de dever cumprido

Homenagem aos Novos Candangos – 1º de Maio

coragem absoluta, chega logo, abre a faixa. O estudante sempre acha alguma janela aberta.

Darluz

*

Qual a diferença entre um coração de estudante e um coração de cinquentão? Velho coração alerta! O cinquentão sempre espera a utopia, a quimera, fraternidade por perto, um coração bem aberto e um grande amor em oferta. Jovem coração alerta! Doce ímpeto de luta,

Joana, sábia mãe, nossa senhora Vende leite de peito Pra quem, diferente dela, não tem peito Mendiga a desgraça, chora, excomunga deus Crucifica o pai o filho e o espírito santo e não dá, não dá, não Prefere ver a vida adoecer Apodrecer naturalmente Em meio sem meios Joana sente por dar de mamar

Dentro dos prédios de mármore no outro lado de uma larga avenida. Uma exposição moderna a céu aberto, Mais os atos dos seres humanos emporcalham a grande obra, Transformando-a em símbolo da impunidade. Perco-me em viagens... O mais lindo céu na cidade mais bela, Um espetáculo livre, Para o mendigo, o doutor, A moça rica e o camelô. Caminhando distraído, Chego à rodoviária, E lá encontro com todos os trabalhadores que fazem Da capital um lugar ainda de esperança.


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LITERATURA manifesto andava na rua e ao lado... o grito que era constante... do senhor que se julga decente, honesto, cidadão, bom, importante, do político sincero e decoroso, do casto padre recatado, do justo pastor honrado, do pai dedicado e amoroso, e outros que por juízo, julgamento, razão, política, conceito, poder, absolvição, perdão, mágoa, medo, indignação, ódio, revolta, raciocínio, incompreensão olhavam para mim e viam a cisão do que diziam ser certo, natural, correto olhavam pra mim e passavam direto se arrastavam para a rua do outro lado, se afastando do que dizem ser errado, enquanto o lábio trêmulo murmurava, com uma voz ríspida, rouca e brava, um xingamento que de longe cortava: viado! dizia que eu rompia a lei de deus, a lei da família e da natureza, da comunidade, da humanidade, da certeza, da identidade, da verdade, da clareza, dos valores compartilhados, seus e meus, mesmo que nem todas acreditassem nesse deus, a ele deviam se submeter, sempre ser colocadas no lugar, aprender sempre sempre as pessoas devem seguir reto e a moral prevalecer sempre sempre sempre e eu não posso ser o que sou foi o que disse o som uníssono que ecoou: viado! porque ser isso é ser dejeto, animal,inumano,abjeto,

indigente, miserável, excreto, a quem o ódio deve ser o único afeto. eu não posso ser o que sou. foi o que disse a professora que brigou quando percebeu o menino feminino, pouco masculino, afetado, que não reagia, que não respondia com a violência esperada de um macho – deve ser a falta de referência, acho. falta um pai, tio presente, um padrasto, alguém que o leve a um puteiro para deixar de ser casto. – deve ser influência da TV, acho. daquele ator afetado, das músicas modernas, dos cantores, das artistas, das badernas. – que tal fazermos um despacho? exorcizá-lo, benzê-lo, rezá-lo, curá-lo, tratá-lo, interná-lo. – talvez precise de psicólogo, de aconselhamento. está só querendo atenção, carinho, acalento. – precisa de surra, ferro quente, porrada, tapa pra ser valente. – precisa ser comido para aprender, se é isso que gosta, agora vai ter. – precisa ser apedrejado, levar tiro, paulada, açoitado, ser esfaqueado, morto degolado, ter o corpo queimado, o rosto deformado. ter o corpo jogado no lixo, ser tratado que nem bicho, porque é isso que é... é bicha! é viado! no brasil, pelo que diz a mídia um dos meus é morto a cada dois dias deve ser mais, mas de vida que não importa, morte não faz notícia nos jornais. os policiais, ladrões, boyzinhos, pais, colegas, vizinhos, pessoas normais, amigos, amantes, pessoas banais, lembram que a homofobia

mata, que a discriminação maltrata que preconceito solapa, ata e cala. lembram que eu devo tomar cuidado, estar atento com quem ando, converso e falo. me masculinizar, não dar pinta. não beijar quem eu amo em público, não importa quanta vontade sinta. mas tem hora que esqueço, sou o que sou e pronto. mas logo o homem a quem afronto, me lembra, xinga e diz que mereço. com a veia do pescoço em palpitação, desvia os olhos dos filhos de minha direção e grita alterado e em consternação: viado! e como a vida de quem não importa tanto importa, por não ser direita, por ser torta, por não ser bem cuidada, várias se dispõem a cuidar. e as pessoas se reúnem, comentam, fofocam, vigiam, monitoram, regulam, controlam – será que ele é? – se não é ainda vai ser... vai ser o que não pode ser... pois é o que nem mesmo é.

forme, corrompa. que o desnaturado lhe desnature. que os degenerados ameaçem seu gênero, seu gene, gêneses, geração. tem medo porque? porque odeia o diferente ou porque tem que me odiar para fazer de mim seu diferente? não posso estar perto, para que esteja certo, do que é e não pode ser viado! pois então, deixa que eu me aproximo chego perto, olhos nos seus olhos e digo não adianta esmurrar, bater, matar, você não vai conseguir nos calar, nem a mim, nem a meus irmãos e irmãs, gays, bichas, travestis, sapatas, lésbicas, transexuais,

proliferação de dissidentes, diversas, anormais. gente que não é o que você é, porque não quer ser, porque não precisa ser, porque não é e não vai tentar ser. o que diz ser tormento, pecado, crime, doença, desvio, e usa como insulto, afronta, ultraje, ofensa e xingamento, eu me digo com orgulho e anuncio: se ser humano é ser isso, afastar, odiar, temer, matar, destroçar, corroer, digo com força, coragem e viço prefiro não ser e ser ser de outro jeito, por outra vida, por outra via... ...do jeito que sou e quero ser viado! (Felipe Areda) PUBLICIDADE

viado! viado! viado! ora, não pense que me calo, que apanho quieto e não falo, que baixo a cabeça, saio e choro, que corro, fujo e me apavoro. não se engane, macho. ora, não pense que desisto, que me entrego, não revido,

que converto, me reverto, que me torno o que você quer eu seja, para você ter certeza de que não é viado!

tem medo de que? de que lhe contamine. de que lhe perverta, trans-

O lançamento do nº 5 da revista Nova Águia ocorrerá em momento cultural na Embaixada de Portugal, no dia 8 de Junho, às 19:30


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HUMOR

Paulo Octávio pediu, O MIRACULOSO publicou O bilionário e ex-vice-governador do DF, Paulo Octávio, resolveu cobrar indenizações aos manifestantes do Fora Arruda. Na noite de quarta-feira (05), ocorreu no Fórum Leal Fagundes uma audiência de conciliação entre um dos manifestantes, David Almeida, e a Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda. David, que é estudante de filosofia da UnB, foi preso enquanto participava de um protesto pacífico, no dia 22 de fevereiro deste ano, contra a construção do Setor Noroeste. O protesto aconteceu na Central de Vendas do bairro, uma suntuosa loja na 208 Norte. No boletim de ocorrência feito no dia, o manifestante é acusado pela empresa de ter destruído dois vasos de plantas, que adornavam a entrada da loja. Durante audiência, porém, a advogada da empresa, Flávia Alves Gomes, resolveu cobrar de David não só os vasos, no valor de R$ 1.000,00 cada, como também a pintura da parede e até mesmo a água da fonte que decora a loja, no valor de R$ 7.000,00. Na ocasião, os manifestantes demonstraram seu repúdio ao balcão ilegal que é o stand de vendas do Noroeste. Faixas irregulares de propaganda do bairro também foram incendiadas. Na ponta do lápis, o “acordo” proposto por Paulo Octávio custaria ao estudante nada menos que R$ 10.000,00. Além do dinheiro, David também teria de redigir um pedido formal de desculpas à empresa, a ser publicado num jornal diário da cidade. Tal conta só é possível graças a toda experiência em superfaturamento acumulada pelo P.O. ao longo dos anos.

Foto: Jacques Philippe Bucher

André Shalders Paulo Octávio exige indenização e retratação pública de estudante

Cruzadinha

1. 2.

2. Antônimo do nome da empresa de Valmir Amaral responsável pelo transporte público do GDF.

3.

3. Planta que utiliza adubo natalino. 4. 4. Grande empreiteiro, genro de JK proprietário do 1°bairro ecológico indígena de Brasília.

6. Empresa acusada de repassar verba destinada à educação para a base do Ex-governador do GDF. 7. Benzedor de Pan10. dora.

André Shalders é estudante de Jornalismo da UnB

Enviada para o Painel de Leitores - leitores@miraculoso.com.br - por Tiago Moria e Tiago da Rede

1. Prefixo de negação + segundo nome do ex-deputado acusado de colocar propina nas suas vestimentas no GDF.

5. Abreviação de cangaceiro baiano.

“É um absurdo ser processado pelo maior empresário de Brasília pela suposta quebra de dois vasos de planta, que não representam nada no orçamento dele. E o pior é a exigência de ter de se retratar publicamente por algo que não pratiquei. O processo todo é motivado por interesses políticos, já que o movimento foi vital na derrubada do ex - governador. Isso é parte do trabalho de criminalizar os movimentos sociais. Não vamos nos amedrontar com essa atitude”, pontua David, que se mantém na UnB graças à assistência estudantil, por possuir baixa renda familiar e estar desempregado. O estudante está sendo assessorado por advogados que atuam no Movimento Fora Arruda, Gilson dos Santos e Márcio Freitas Filho. “Na verdade, a empresa não queria construir acordo nenhum. As exigências deles são estapafúrdias. A ação contra o David tem uma série de falhas, e talvez a maior delas seja a de imputar a uma só pessoa coisas que aconteceram durante um ato com vários e vários militantes. Além de não haver flagrante, as testemunhas arroladas por eles trabalham todas na empresa, estando contratualmente impedidas de falar contra a companhia”, detalha Gilson. A audiência terminou sem acordo entre as partes, de forma que a disputa será levada a julgamento. Nas últimas semanas, o caso de David vem ganhando apoio dentro da sociedade civil, como o demonstrado pelo pronunciamento em plenária, no dia 13/05, feito pelo deputado federal Chico Alencar.

5. 6. 7.

8. 9.

M i r a c u l o s o

8. Na antiguidade te essa pessoa abriu a caixa que continha quase todos os males do GDF. Pandora abriu uma caixa que continha to- 9. Família dona do Maranhão em expansão para o Amapá. dos os males do mundo, recentemen 10. Ex-professora da UNB e ex-secretária de Educação do GDF, flagrada recebendo dinheiro e guardando na bolsa. 1. [IMPRUDENTE] | 2. [DIFÍCIL] | 3. [ARRUDA] | 4. [PAULOOCTÁVIO] | 5. [ACM] | 6. [INFOEDUCACIONAL] | 7. [BRUNELLI] | 8. [DURVALBARBOSA] | 9. [SARNEY] | 10. [EURIDES BRITO]


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Painel dos Leitores - Edição de Abril

Elogio ao trabalho 16 de abril de 2010 Digníssimos organizadores do jornal “O Miraculoso” Há muito não vejo um jornal com tamanha qualidade que, mesmo em poucas páginas, consegue expressar da melhor forma informações culturais, políticas, et cetera. Sou estudante de Direito do UniCeub e estou totalmente maravilhada com o trabalho de vocês. Adorei “O Miraculoso” desde o nome. Parabéns! Poliana Sousa

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O Miraculoso nos 50 anos de Brasília 17 de abril de 2010

Aconteceu no dia em que ofereci ao Bruno quatro ou cinco caixotes com cerca de seiscentos números de Jornal de Letras, publicado em Lisboa. Essa coleção destina-se aos fundos da futura biblioteca do Bruno. Rua abaixo, descendo a Arniqueira em Águas Claras, o Bruno carregava “O Miraculoso”. Eu mantinha-me silencioso. Não tinha a mínima idéia sobre essa entidade secreta. Falou-me do nome mas eu não conhecia a cara do santo. É evidente que não se tratava de um “miraculoso” andor numa procissão em honra do padroeiro.Nada disso. Eu entendia. Nem tão pouco se tratava de um taumaturgo tipo Santo António de Lisboa conhecido fazedor de milagres nas terras de Itália. Entendia também. “O Miraculoso” que o Bruno carregava era mais sutil. Entendi depois. E entendi tão profundamente que até me empolguei quando olhei seu porte físico. Era bem formado. Jovem, de cores saudáveis, alardeando olhares firmes de vanguarda. Deixava-me animado. Levemente, logo que parei o carro, ao dar com os olhos nele, percebi que era produção de se ter em conta pelo que denunciava em sua apresentação e porque se unia à celebração dos cinquenta anos de Brasília. Bruno me passou “O Miraculoso” para as mãos. Senti-o pulsar em sua alegria de diagramação e de cores. Chamavame a atenção: Brasília: 50 anos de quê? Tentei uma reflexão na hora: 50 anos de quê? Pelo falatório geral da plebe, eu podia presumir que eram 50 anos de vida. Mas também

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rapidamente entendi que esses anos podiam não representar exatamente aquela vida que os idealistas e os artistas sempre desejaram - a vida do espírito. Dava para entender que este “Miraculoso” fazia questão de mostrar uma personalidade exigente e por isso os cinqüenta anos que a plebe ruidosamente quer celebrar podem ser vistos apenas como anos de existência sem que a data garanta à partida que o cinqüentenário deva ser um festival de vida. Depois desta reflexão dava para entender que a plaqueta espetada no dorso do elefante ajudava a medir o lance “50: de quê”??? Depois disto e já no hall de “O Miraculoso” apliquei o olhar com plenitude no rosto de “O Miraculoso” e vi que a solene armadura inventada com total felicidade pelo Fernando Aquino, me convidava para uma mirada geral voltada para o embandeiramento do palco. Sugestivamente me senti interessadíssimo com o espetáculo que se anunciava no portal. Havia promessas de um grande espetáculo. Percebi de longe que haveria alguém apresentando índios no setor Noroeste de Brasília discutindo na mira deles a marcha da civilização. Num dos lados, uma plaqueta anunciando entrevista com nosso cineasta candango Vladimir Carvalho. Noutro hemisfério, outro anúncio interessante: “UnB 50 anos: os caminhões da nova capital”. Prometiam-se poesias e contos brasilienses, logo à entrada, e, nas arcadas laterais, havia reportagem e crítica sobre o fracasso dos últimos líderes políticos locais. Bastante entusiasmado com o que via, olhei para o Bruno e disse: é tudo muito interessante. -Quero conhecer esse “Miraculoso” de verdade . Sei que tem elefantes, tem índios, tem caminhões da nova capital, tem povo buscando autonomia, tem luta contra a corrupção, tem discurso crítico contra a especulação imobiliária no DF, tem Vladimir, tem poesia, tem literatura, tem arte, tem Diogo Ramalho, tem Paloma Amorim, tem Maíra Marins, tem Victor Nunnes, tem Paulo Marchetti, tem Nicolas Behr, tem William Alves, tem Eudásio Gaio de Sousa, tem Andrés Sugasti, tem Solano Teodoro, tem Aílton Fagundes, tem Fernando Aquino, tem juventude e otimismo. Tem tudo para ir longe e se fazer ouvir. O elefante que é o símbolo da comunicação e reina poderoso com sua sonora e capacitada tromba tem bons tratadores. De sua imagem nasce a convicção de que “O Miraculoso” tem uma tuba potente que levará a voz crítica e democrática a todos os candangos e brasileiros do mundo. “O Miraculoso” tem o rosto da luz da alvorada do Planalto na manhã de 21 de abril de 1960. O rosto da nova capital saudada pela alvorada. Tem cores. Tem juventude. Cultua e afirma as vanguardas estéticas formais e sobretudo as vanguardas livres que têm o faro especial de distinguir à distância, com intuição inteligente, o odor do peixe vivo! Jan Muá

Surpresa na rodoviária 16 de abril de 2010 Estava eu saindo de um ônibus pra ficar mais umas 2

horas em outro ônibus para poder chegar em casa. Madrugar, enfrentar engarrafamento, e comprovar o lixo que é o transporte público de Brasília: essa é a vida dos estudantes (os sem carro e “paitrocínio”, obviamente). Quando então na rodoviária vejo uma garota distribuindo O Miraculoso. Já tinha visto a primeira edição pela net e sinceramente não acreditava muito. Quando peguei o jornal e entrei no ônibus senti uma verdadeira inquietação ao ler as matérias. Ao final vi que esse sentimento além de surpresa, era orgulho: da iniciativa dos estudantes. Parabenizo a todos pela luta e farei de tudo para divulgar pesadamente o jornal, cada vez mais. Acredito muito na força do Miraculoso. Me chamo Nathália Guedes, tenho 18 anos e estou no 4º semestre de Letras-Português na UnB (inclusive conheço o Diogo Ramalho por conta de algumas assembleias no CALET, no ano passado). Abraços e Avante! Nathália Guedes

Pontos de Distribuição CULT Locadora - 107 N, 204-210-215 S Raízes - 408 N Dom Bosco - 307 N Sebinho - 406 N DCE Bar - 406 N Oscarito - 406 UnB UniCEUB UDF Faculdade Alvorada UniEuro UCB IESB Rodoviária ALUB CEAMs Biblioteca Nacional Ministérios Congresso Nacional Martinica Café - 303 Norte Armazém do Brás 107Norte Balaio Café 201 Norte Associação Cultural de Capoeira Angola Nzambi - 403 Norte Centro Cultural de Brasília - CCB- L2 Norte Unidades New World Informática (Taguatinga, Ceilândia e Gama) Café da Rua 8 - 408 Norte Senhoritas Café - 408 Norte Caldo Fino - 409 Norte Panelinha Brasileira Restaurante 316 Norte

EXPEDIENTE Coordenador Executivo e Editor: Diogo Ramalho

Coordenador de Arte e Diagramação: Fernando Aquino

Redatora Chefe e Editora de Literatura: Maíra Marins

Revisor: Andrés Sugasti

Redator Político: Solano Teodoro Editora Cultural: Paloma Amorim

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Colaboradores: Jardel Santana Bruno Borges Tiragem: 12.000 exemplares CNPJ: 04811 396/0001-08 Caixa Postal 743 agência de correios do Lago Norte CEP: 71510-000

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