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Caderno Especial NOVEMBRO 2013

Diabetes

• Tipos • Causas • Dúvidas


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29 de novembro de 2013

O Diabetes O diabetes é uma síndrome metabólica de origem múltipla, decorrente da falta de insulina e/ou da incapacidade de a insulina exercer adequadamente seus efeitos, causando um aumento da glicose (açúcar) no sangue. O diabetes acontece porque o pâncreas não é capaz de produzir o hormônio insulina em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo, ou porque este hormônio não é capaz de agir de maneira adequada (resistência à insulina). A insulina promove a redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está presente no sangue possa penetrar dentro das células, para ser utilizado como fonte de energia. Portanto, se houver falta desse hormônio, ou mesmo se ele não agir corretamente, haverá aumento de glicose no sangue e, consequentemente, o diabetes.

A Federação Internacional de Diabetes (IDF, em inglês) informa que existem 371 milhões de diabéticos entre os adultos de todo o mundo. A maioria dos casos se refere ao tipo 2 da doença, passível de ser evitado com medidas como o combate a obesidade e o sedentarismo. Segundo a IDF, há 13,4 milhões de diabéticos no Brasil (tipo 1 e 2). O país ocupa o quarto lugar no mundo em número de casos, ficando atrás apenas da China, Índia e Estados Unidos, respectivamente. Trata-se de um número alarmante, já que a estimativa era de que teríamos cerca de 12,7 milhões de brasileiros diabéticos somente em 2030.

Ti pos Diabetes tipo 1

No diabetes tipo 1, o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina em decorrência de um defeito do sistema imunológico, fazendo com que nossos anticorpos ataquem as células que produzem a esse hormônio. O diabetes tipo 1 ocorre em cerca de 5 a 10% dos pacientes com diabetes.

Pré-diabetes

A pré-diabetes é um termo usado para indicar que o paciente tem potencial para desenvolver a doença, como se fosse um estado intermediário entre o saudável e o diabetes tipo 2 - pois no caso do tipo 1 não existe pré-diabetes, a pessoa nasce com uma predisposição genética ao problema e a impossibilidade de produzir insulina, podendo desenvolver o diabetes em qualquer idade.

Diabetes tipo 2

No diabetes tipo 2 existe uma combinação de dois fatores - a diminuição da secreção de insulina e um defeito na sua ação, conhecido como resistência à insulina. Geralmente, o diabetes tipo 2 pode ser tratado com medicamentos orais ou injetáveis, contudo, com o passar do tempo, pode ocorrer o agravamento da doença. O diabetes tipo 2 ocorre em cerca de 90% dos pacientes com diabetes.

Diabetes Gestacional

É o aumento da resistência à ação da insulina na gestação, levando aos aumento nos níveis de glicose no sangue diagnosticado pela primeira vez na gestação, podendo - ou não - persistir após o parto. A causa exata do diabetes gestacional ainda não é conhecida.

Outros tipos de diabetes

Esses tipos de diabetes são decorrentes de defeitos genéticos associados a outras doenças ou ao uso de medicamentos. Podem ser: Diabetes por defeitos genéticos da função da célula beta; Por defeitos genéticos na ação da insulina; Diabetes por doenças do pâncreas exócrino (pancreatite, neoplasia, hemocromatose, fibrose cística etc.); Diabetes por defeitos induzidos por drogas ou produtos químicos (diuréticos, corticoides, betabloqueadores, contraceptivos etc.). Fonte: Site Minha Vida

Perguntas Meu exame de glicemia está acima dos 100 mg/dl. Estou com diabetes?

Não necessariamente. O exame de glicemia do jejum é o primeiro passo para investigar o diabetes e acompanhar a doença. Os valores normais da glicemia do jejum ficam entre 75 e 110 mg/dL (miligramas de glicose por decilitro de sangue). Estar um pouco acima ou abaixo desses valores indica apenas que o indivíduo está com uma glicemia no jejum alterada. Isso funciona como um alerta de que a secreção de insulina não está normal, e o médico deve seguir com a investigação solicitando um exame chamado curva glicêmica, que define se o paciente possui intolerância à glicose, diabetes ou então apenas um resultado alterado.

Diabetes é contagioso?

O diabetes não passa de pessoa para pessoa. O que acontece é que, em especial no tipo 1, há uma propensão genética para se ter a doença e não uma transmissão comum. Pode acontecer, por exemplo de a mãe ter diabetes e os filhos nascerem totalmente saudáveis. Já o diabetes tipo 2 é uma consequência de maus hábitos, como sedentarismo e obesidade, que também podem ser adotados pela família inteira - explicando porque pessoas próximas tendem a ter a doença conjuntamente.

Posso consumir mel, açúcar mascavo e caldo de cana?

Apesar de naturais, esses alimentos tem açúcar do tipo sacarose, maior vilã do diabetes. Hoje, os padrões internacionais já liberam que 10% dos carboidratos ingeridos podem ser sacarose, mas sem o controle e a compensação, os níveis de glicose podem subir e desencadear uma crise. O paciente até pode consumir, mas ele deve ter noção de que não pode abusar e compensar com equilíbrio na dieta.

Insulina causa dependência química?

A aplicação de insulina não promove qualquer tipo de dependência química ou psíquica. O hormônio é importante para permitir a entrada de glicose na célula, tornando-se fonte de energia. Não se trata de dependência química e sim de necessidade vital. O paciente com diabetes precisa da insulina para sobreviver, mas não é um viciado na substância.


29 de novembro de 2013

ARTIGO: Renan Finamor*

UM MAL SILENCIOSO! O último dia 14 de novembro foi o Dia Mundial do Diabetes e a matéria de hoje tem o propósito de espoliar muitas dúvidas das pessoas, portadoras ou não dessa patologia. Alusivo ao diabetes tipo 2 em 1985, era estimado haver 30 milhões de pessoas com diabetes. Em 1995, esse número já ultrapassava os 150 milhões. De acordo com as estatísticas da IDF (International Diabetes Federation), atualmente o número já supera os 250 milhões. Se nenhuma atitude eficiente de prevenção for feita, a IDF estima que o número total de pessoas com diabetes em 2025 alcançará os 380 milhões. A IDF também sinaliza alguns dados estatísticos de extrema relevância como: estima-se que metade das pessoas com diabetes desconheça a própria condição; Em países em desenvolvimento, essa estimativa chega a 80%; A cada ano 7 milhões de pessoas desenvolvem diabetes; A cada ano 3,8 milhões de mortes são atribuídas ao diabetes. Um número maior de mortes provenientes de doenças cardiovasculares pioradas por desordens lipídicas relacionadas ao diabetes e por hipertensão arterial; A cada 10 segundos uma pessoa morre de causas relacionadas ao diabetes; A cada 10 segundos duas pessoas desenvolvem diabetes; O diabetes é a quarta maior causa mundial de morte por doença; O diabetes é a maior causa de falência renal em países desenvolvidos e é a maior responsável por grandes custos de diálise; Em média, pessoas com diabetes tipo 2 têm sua expectativa de vida diminuída em 5 a 10 anos em relação a pessoas sem diabetes, principalmente por causa de doenças cardiovasculares; As doenças cardiovasculares são a maior causa de morte no diabetes, respondendo por 50% das fatalidades e por muitas inaptidões; Pessoas com diabetes tipo 2 estão cerca de duas vezes mais suscetíveis a um ataque cardíaco ou derrame do que as que não tem diabetes. Na verdade, pessoas com diabetes tipo 2 são tão suscetíveis a um ataque cardíaco quanto pessoas sem diabetes que já tiveram um ataque. Diabetes Mellitus é uma doença do metabolismo da glicose causada pela falta ou má absorção de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas e cuja função é quebrar as moléculas de glicose para transformá-las em ener-

gia a fim de que seja aproveitada por todas as células. A ausência total ou parcial desse hormônio interfere não só na queima do açúcar como na sua transformação em outras substâncias (proteínas, músculos e gordura). São dois os tipos mais frequentes de diabetes: Diabetes tipo 1 onde o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina o que leva ao acúmulo de glicose no sangue. A instalação da doença ocorre mais na infância e adolescência. Ela causa sintomas como urina frequente, boca seca e emagrecimento sem causa aparente, e o seu tratamento é feito com uso de insulina todos os dias, alimentação própria para diabéticos, com baixa quantidade de carboidratos presente em pães, bolos, biscoitos, arroz, batata, macarrão, algumas frutas, e inclui também a prática regular de exercícios físicos leves, sob orientação do educador físico; No Diabetes tipo 2 as células são resistentes à ação da insulina. A incidência da doença que pode não ser insulinodependente, em geral, acomete as pessoas depois dos 40 anos de idade, todavia cresce assustadoramente o número de adultos jovens diagnosticados com diabetes tipo 2 devido aos maus hábitos de saúde. É uma doença que pode ser causada por hábitos alimentares indevidos como consumo exagerado de açúcar, carboidratos, frituras, sedentarismo, obesidade e fator hereditário. Ela gera sintomas como dificuldade de cicatrização das feridas, muita fome, muita sede, urina frequente e visão turva, mas nem sempre o indivíduo percebe estes sintomas, diagnosticando a diabetes num exame de glicose de rotina, por isso é chamada também de um mal silencioso. O tratamento da diabetes tipo 2 é semelhante ao da diabetes tipo 1, mas dependendo do estado de saúde do indivíduo, ele nem sempre necessita do uso diário da insulina. Por vezes o uso de hipoglicemiantes orais, uma alimentação adequada e os exercícios físicos podem controlar de maneira eficaz a doença. Ainda, existe a diabetes gestacional que é aquela que surge durante a gravidez. Ela causa os mesmos sintomas da diabetes tipo 2, que nem sempre são percebidos, e pode ser diagnosticada num exame de glicose em jejum após as 22 semanas de gestação solicitado pelo

ginecologista no pré-natal. Dependendo da taxa de açúcar no sangue o médico poderá indicar para o tratamento somente uma alimentação adequada e os exercícios para o controle da diabetes, que tende a desaparecer após o nascimento do bebê. No entanto, quando a glicose sanguínea encontra-se muito elevada, o médico poderá indicar o uso de hipoglicemiantes orais ou até mesmo da insulina. Algumas recomendações importantes: o fumo provoca estreitamento das artérias e veias. Como o diabetes compromete a circulação nos pequenos vasos sanguíneos (retina e rins) e nos grandes vasos (coração e cérebro), fumar pode acelerar o processo e o aparecimento de complicações; Um programa regular de exercícios físicos irá ajudá-lo a controlar o nível de açúcar no sangue, coloque-o como prioridade em sua rotina de vida; A dieta alimentar deve ser observada criteriosamente. Procure ajuda para elaborar o cardápio adequado para seu caso. Não é necessário que você se prive por toda a vida dos alimentos de que mais gosta. Uma vez ou outra, você poderá saboreá-los desde que o faça com parcimônia; O tratamento do

diabetes exige, além do acompanhamento médico especializado, os cuidados de uma equipe multidisciplinar e muita disciplina nos cuidados por parte do paciente; O diagnóstico precoce é o primeiro passo para o sucesso do tratamento. Procure logo um serviço de saúde se está urinando demais e sentindo muita sede e muita fome; O controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol e triglicérides deve ser feito com regularidade. Conforme as informações descritas, conclui-se que é imprescindível que as pessoas tenham o hábito de fazer consultas médicas anuais bem como a realização de exames sanguíneos. É válido ressaltar que o uso de medicamentos é uma parte do tratamento. A alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos são obrigatórios e que em muitos casos apenas esses são necessários para o controle da glicemia. Não fique com dúvidas, procure ajuda de um profissional capacitado e evite a automedicação. A PREVENÇÃO AINDA É A MELHOR SOLUÇÃO! * enfermeiro, com atuação no Espaço Vida Unimed, em Encantado

A cada 10 segundos uma pessoa morre de causas relacionadas ao diabetes; A cada 10 segundos duas pessoas desenvolvem diabetes; O diabetes é a quarta maior causa mundial de morte por doença...

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Mulher pode ter mais dificuldades de controlar o diabetes do que o homem As flutuações hormonais das mulheres durante o ciclo menstrual podem dificultar o controle da diabetes e, por isso, elas podem estar mais expostas aos riscos da doença e podem ter até 50% mais lesões nos rins e olhos, além de problemas nos nervos e risco de infarto. No entanto, segundo o endocrinologista Alfredo Halpern no programa Bem Estar da Rede Globo, hoje em dia há tratamentos que podem diminuir as chances da diabetes evoluir para essas complicações. A doença atinge milhões de brasileiros em todo o mundo e tem grande relação

com o ganho de peso e a obesidade, por isso, ter uma dieta equilibrada e sem exageros pode ser uma medida extremamente importante de prevenção, como alertou o endocrinologista Walter Minicucci. Se bem tratada, a diabetes geralmente não dá sintomas. O consumo de alimentos integrais, por exemplo, é uma das medidas importantes para prevenir e diminuir a incidência da doença porque torna a alimentação saudável e diminui o risco da pessoa engordar, como explicou o endocrinologista Alfredo Halpern. Além disso, os

integrais, como pães, cereais e arroz, têm antioxidantes e fibras. O mesmo vale para o trigo freekeh, uma fonte saudável e saborosa de fibra, proteína e carboidrato, que vem se popularizando na cozinha em cidades como Londres e Nova Iorque. Além de gostoso, o trigo freekeh tem muitas vantagens nutricionais: o grão tem mais fibras do que qualquer outro cereal, inclusive mais do que o arroz integral, e também é rico em vitaminas e sais minerais. Por isso, ele é recomendado para diabéticos por causa do baixo valor

glicêmico. Todas essas medidas saudáveis na alimentação são importantes na prevenção da diabetes já que ela pode ser desencadeada pelo excesso de peso. Por isso, evitar grandes porções, comer de 3 em 3 horas e manter uma alimentação saudável e uma rotina de atividade física são hábitos que reduzem muito o risco da pessoa desenvolver a doença. Em alguns casos, ela pode ter um quadro de pré-diabetes, mas nesse momento, ainda é possível reverter com mudanças no estilo de vida.

Pré-diabetes A pré-diabetes é uma condição que, como o nome já diz, precede a diabetes, mas pode ser reversível se forem adotados hábitos de vida mais saudáveis. A situação ocorre quando a taxa de açúcar no sangue varia entre 100 e 125 mg/dl. A partir daí, a pessoa já é considerada diabética. Segundo os endocrinologistas Alfredo Halpern e Mario José Saad, que estuda a área de resistência a insulina, a pré-diabetes atinge 12% da população brasileira e a diabetes, 15% – principalmente do tipo 2. Nos EUA, os dois estágios da doença já atingem 23% das crianças. Existem dois tipos de exame de sangue para detectar esses problemas. Quem tem pré-diabetes deve repetir o teste anualmente. Outros fatores de risco para desenvolver a doença são: hipertensão, triglicérides altos, síndrome dos ovários

policísticos, casos da doença na família e bebês que nascem acima de 4 kg. A diabetes também favorece o aumento de problemas cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Para metabolizar o açúcar, ou seja, quebrar suas moléculas e aproveitá-lo como energia nos tecidos muscular e gorduroso, o pâncreas produz insulina. Pessoas com resistência a esse hormônio têm dificuldade de executar o processo, e aí o açúcar se acumula na corrente sanguínea. Estudos apontam que indivíduos com pré-diabetes desenvolvem o tipo 2 da doença em dez anos se não perderem pelo menos 5% do peso corporal por meio de dieta e atividade física. Um controle nutricional e 150 minutos de exercícios semanais já são capazes de reduzir até 58% o risco de diabetes em quem é pré-diabético.

Sinais e Sintomas O desencadeamento de diabetes tipo 1 é geralmente repentino e dramático e pode incluir sintomas como: Sede excessiva; Rápida perda de peso; Fome exagerada; Cansaço inexplicável; Muita vontade de urinar; Má cicatrização; Visão embaçada; Falta de interesse e de concentração; Vômitos e dores estomacais, frequentemente diagnosticados como gripe. Os mesmos sintomas acima podem também ocorrer em pessoas com diabetes tipo 2, mas geralmente são menos evidentes. Em crianças com diabetes tipo 2, estes sintomas podem ser moderados ou até mesmo ausentes. No caso do diabetes tipo 1, estes sintomas surgem de forma abrupta e às vezes podem demorar a ser identificados. Já no diabetes tipo 2, esses sintomas podem ser mais moderados ou até mesmo inexistentes. Não se sabe ao certo por que as pessoas desenvolvem o diabetes tipo 1. Sabese que há casos em que algumas pessoas nascem com genes que as predispõem à doença, mas outras têm os mesmos genes e não têm diabetes. Outro dado é que, no geral, o diabetes tipo 1 é mais frequente em pessoas com menos de 35 anos, mas vale lembrar que ela pode surgir em qualquer idade.

FIQUE POR DENTRO

O Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro) foi criado em 1991 pela IDF em parceria com a OMS (Organização Mundial da Saúde), com o objetivo de dar respostas ao crescente interesse em torno da doença, além de alertar para o aumento de sua incidência no mundo. A data escolhida para a celebração é a mesma do nascimento do cientista canadense Frederick Bantin que, em parceria com Charles Best, foi responsável pela descoberta da insulina, em outubro de 1921. Dois anos mais tarde, Banting recebeu o Prêmio Nobel de Medicina por esta descoberta e pela aplicação da insulina no tratamento das pessoas com diabetes.

Caderno Vida & Saúde, Novembro 2013  

Encartado no Jornal Opinião, da cidade de Encantado/RS

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