Page 13

Encantado

Jornal Opinião Encantado, 02 de março de 2012

13

XÔ AES Sul! Uma das manifestações mais fortes partiu do jornalista Felipe Diehl, de Colinas. Ele apresentou um relatório publicado pela empresa em 2010 em que a receita foi de R$ 2,82 bilhões, enquanto que os investimentos chegaram a R$ 250 milhões, isto é, 10%. E foi mais além. “Façam que nem a Tropa de Elite, peçam para sair. Chega de AES Sul. Está na hora de as autoridades mobilizarem os deDe Colinas, Felipe Diehl putados, o governo e pedir a troca da concessionária”, esbravejou. O empresário e produtor de eventos, Roni Dalpizzol, fez um relato dos prejuízos que vêm sofrendo em seu estabelecimento com as constantes quedas de energia elétrica. Desde foram quatro interrupções. A mais recente atrapalhou a realização de uma festa de aniversário surpresa. “Perdemos a festa, a credibilidade e não tivemos lucro”, comentou.

Sede da Câmara de Encantado ficou lotada durante a audiência pública

Da ACIE, Marciano Fontana

Da CIC-VT, Ito Lanius

Secretário Luciano Moresco

“Será uma transformação significativa para Encantado” ENTREVISTA: LUIS ALBERTO KRUMMENAUER, diretor da AES Sul

Do STR, Gilberto Zanatta

Vereador Sander Bertozzi

Interior A dificuldade enfrentada pelos agricultores foi destacada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Encantado, Gilberto Zanatta, e pelo vereador encantadense Sander Bertozzi. “Segundo Zanatta, o serviço prestado é de péssima qualidade. “Se o agricultor aciona a ordenhadeira, não pode ligar o chuveiro ao mesmo tempo”, constatou. “É necessária uma mudança urgente na área rural”, acrescentou Sander, que pediu ainda agilidade no atendimento via telefone 0800.

Ação judicial O consenso entre os participantes é de que a esfera judicial deva ser acionada imediatamente. Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Encantado, Marciano Fontana, esperar 60 dias até que as reformas na subestação sejam concluídas é muito tempo. “Precisamos de soluções imediatas. Se a AES Sul não tinha competência para prestar um serviço de qualidade, que nem tivesse se estabelecido. Temos a via judicial para buscar os nossos direitos”. O proponente da audiência pública e presidente da Comissão de Infraestrutura do Legislativo de Encantado, vereador Jonas Calvi, concorda. Para ele, o debate não conseguiu esclarecer se os investimentos relatados pelo dirigente da AES Sul vão resolver todos os problemas. “Uma das providências agora é tentar, através de uma demanda judi-

cial, fazer com que a concessionária cumpra seus acordos e seus investimentos”, disse. Para Jonas, a população precisa ser persistente e registrar as ocorrências via 0800. “As reclamações do call Center são poucas. Isso faz com que a AES Sul venha aqui e se orgulhe dos prêmios recebidos pelo atendimento. Mas na realidade não é o que acontece”.

Cúpula Uma audiência com a direção geral da AES Sul também foi sugerida, como forma de pressionar por mais investimentos em melhorias. Para o vicepresidente da Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), Ito Lanius, o trabalho que a empresa vem prestando atrapalha o desenvolvimento e a qualidade de vida na região. É preciso dividir o problema com a direção geral da empresa”, propôs. Comentário parecido fez o secretário de Administração de Encantado, Luciano Moresco. Para ele, houve falta de planejamento da AES Sul, por exemplo, em não antecipar a troca dos postes de madeira pelos de concreto, a fim de evitar os transtornos. “Parece-me que investir R$ 1,2 milhão em Encantado ainda é pouco e os altos diretores da AES Sul precisam saber disso”, apontou Moresco. O morador de Encantado, Fredi Camargo, também cobrou ações urgentes da AES Sul. “Qual é o compromisso que a empresa vai assumir conosco?”, questionou.

Liquinho O empresário Ramon Mazzarino levou um liquinho para a Câmara de Vereadores como forma de protesto pela má qualidade do fornecimento de energia elétrica em Encantado. Indignado com as explicações do representante da AES Sul, Mazzarino deixou a sede do Legislativo em meio à audiência pública. O liquinho, porém, permaneceu.

Jornal Opinião - Que tipo de trabalho está sendo feito em Encantado? Luis Alberto Krummenauer - Estamos reformando a subestação. Alguns dos transtornos que têm sido causados à comunidade, são decorrentes dessa reforma, ou por acidentes, ou por desligamentos necessários para que as obras possam avançar. Esta obra, certamente, estará pronta até o meio do ano. Será uma transformação significativa para Encantado, tanto no aspecto de qualidade do fornecimento, quanto na questão de disponibilidade de energia, assim como para alguns municípios ao redor. Estamos, praticamente, duplicando a capacidade da subestação. JO - Houve semanas com quedas quase diárias. O que aconteceu? Krummenauer - Tivemos algumas ocorrências que foram em decorrência do sistema de transmissão. Apesar de atingir a AES Sul e os seus clientes, ele não é de responsabilidade da AES Sul. Então tivemos coisas originadas das linhas de transmissão que são de responsabilidade da CEEE. Algumas delas foram em decorrência das obras da subestação. E tivemos as ocorrências que são da própria rede da distribuição. Essas coisas todas se somam. Com a reforma da subestação, e a gente sabe que a CEEE está investindo numa obra de melhoria significativa na região dos vales, acreditamos que, nos próximos meses, essa qualidade de fornecimento vai melhorar muito, e o nível de interrupção vai cair drasticamente. JO - O que está previsto para Roca Sales? Krummenauer - Estaremos inaugurando, antes do final do ano, uma nova subestação, beneficiando Roca e os municípios da volta, até mesmo Encantado, por-

que alivia a subestação e dá uma condição melhor de atendimento para toda aquela área de Roca Sales. JO - E as reclamações de demora no atendimento? Krummenauer - Quando estamos falando de atendimento no campo, de a equipe chegar ao local para fazer os serviços, nós temos, em situação normal, um tempo médio que chega a duas horas. O que acontece em alguns casos, mesmo que se tenha só uma ocorrência para atender, em algumas vezes vamos levar seis, sete horas, por que às vezes é tempo de reconstrução. Por exemplo, se um caminhão bate num poste, derruba dois, três postes, tem que levar um caminhão para lá, tem que levar material, e tem toda reconstrução da linha. E por mais que a gente seja ágil em chegar, temos o trabalho da recuperação. Nas situações de temporais, o que temos tentado fazer é, rapidamente, mobilizar equipes adicionais, de locais não atingidos, e trazer para a localidade para que a gente tenha mais força de trabalho na região, para reduzir o tempo de atendimento. JO - O contato via telefone está muito congestionado? Krummenauer - Nesses dias de temporais é muito difícil. Nos próximos dias, o número de telefones no planeta vai ultrapassar o número de habitantes. Tivemos dias em que mais de 1,4 milhão de pessoas tentaram ligar para a AES Sul. Temos 1,2 milhão de clientes e conseguimos atender, no limite, 50 mil ligações telefônicas num dia. Não tem cabimento a gente montar uma estrutura para tentar atender esses telefonemas todos. Então, se criam ferramentas alternativas, como a internet e o torpedo. O torpedo é o mais ágil. Hoje, ele responde, nos temporais, por 40% dos atendimentos.

Profile for Diogo Fedrizzi

Jornal Opinião 02 de Março de 2012  

Ediçaõ de sexta-feira, dia 2 de março de 2012. Veículo do Grupo Encantado de Comunicação, da cidade de Encantado/RS.

Jornal Opinião 02 de Março de 2012  

Ediçaõ de sexta-feira, dia 2 de março de 2012. Veículo do Grupo Encantado de Comunicação, da cidade de Encantado/RS.