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CENTRO UNIVERSITÁRIO NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO Faculdade de Engenharia e Arquitetura

DIOGO FRANCISCO CUNHA ALVES - RGM: 948290

ESTAÇÃO CULTURA

CENTRO DE ARTES PERFORMÁTICAS EM CERQUILHO - SP

Trabalho apresentado aos Profs. Me. Renata Segalla e Dr. Estevam Otero na disciplina Tópicos de Pesquisa II como forma de obtenção de nota parcial.

SALTO_MAIO_2018


O que interessa mesmo na arquitetura ĂŠ amparar a imprevisibilidade da vida. Paulo Mendes da Rocha


Figura 01 - ginasta Anna Bessonova


AGRADECIMENTOS

Agradeço aos professores pela dedicação, inspiração e influência que tiveram ao longo dessa jornada, aos meus queridos amigos Carina, Larissa, Natália e Rafael pela amizade e trabalho conjunto, ao engenheiro André Joseph Stieltjes pelo apendizado diário e abertura para que pudesse estudar sempre que necessário, e, a minha família pelo amor, esforço e apoio ao longo dessa trajetória.


RESUMO

O objetivo deste trabalho é a proposta de um novo edifício para a Estação Cultura, local onde são ofertadas oficinas de canto e coral, dança e teatro para a população de diversas faixas etárias na cidade de Cerquilho – SP. Com base em análise de referencial teórico, será proposta um centro com infraestrutura adequada que atenda as demandas dos programas artísticos e que desperte e promova uma vivência artística na população através da conexão entre edifício cultural e espaço público.


Figura 02 - ensaio oficina de ballet - Fonte: Estação Cultura de Cerquilho


15 19 25 27 29 51

introdução objetivos arte e seus efeitos no indivíduo e espaço urbano arquitetura do edifício cultural demanda visitas técnicas praça das artes sesc 24 de maio referências projetuais instituto brincante tenerif center of dramatic arts escola de artes em carcassone nova casa tirângulo


67

lugar cerquilho sistema viário entorno e seus usos topografia legislação urbanística

82 84

pré-proposta construção do programa bibliografia


Segundo Cruz (2017), a cidade contemporânea, inevitavelmente, é alvo de diversas críticas que tentam encontrar saídas para o cotidiano não experimentado, para a atual indiferença naturalizada e para a desigualdade social, econômica e cultural.

INTRODUÇÃO

Dito isto somado as realidades criadas pelo uso da tecnologia, em suas diversas funções, pode-se dizer que os indivíduos estão perdendo seu vínculo de vivência com a cidade e a ideia de convívio começa a se extinguir. De acordo com Pallamin e Ludemann (2002 apud Cruz, 2017, p.4), é necessária uma ressignificação do espaço e a arte dentro deste contexto pode interpretar e ressignificar os espaços públicos através de sua prática crítica. Para a geração de um novo edifício para a Estação Cultura, é necessário que o mesmo integre-se ao local de forma a criar dimensões de conectividade, que segundo Cruz (2017) são três:

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A primeira é a locação no espaço, em rela-

Além de outros eventuais, os três verbos

ção à cidade, a segunda é em relação ao seu

conjugados num centro de Cultura são:

entorno imediato e, por fim, a locação no

informar, discutir e criar. O primeiro re-

espaço em sua relação de comunicação com

fere-se a todo o conjunto de processos e

o pedestre. Estas estratégias servirão para

procedimentos que leva o público a ter

que o espaço se caracterize de tal forma que

acesso às informações. [...] O segundo

possa também abrigar outras funções além

propicia a potencialização a informação.

dele mesmo, sendo suporte de passagem,

No momento em que as ideias são expos-

lazer, conectividade e convivência urbana.

tas conflitos surgem, a busca de novas informações passam a ser uma necessidade.

Equipamentos culturais como o desta futura proposta são geralmente baseados em três verbos segundo Milanesi (1997 apud Pinto, 2017, p.13).

Nada é definitivo, não há dogma, nenhuma certeza sobrepõe-se de forma permanente a mutabilidade da existência. [...] O terceiro, criar, é o que dá sentido aos

São eles: informar, discutir e criar, que se concretizam respectivamente como áreas de acesso ao conhecimento, espaços para convivência e discursão e setores de oficina e criação (PINTO, 2017).

dois outros. A criação permanente é o objetivo de um centro de Cultura. Ele deve ser gerador contínuo de novos discursos e propostas (MILANESI, 1997, p.172-180).

Figura 03 e 04 - apresentação oficina de teatro - Fonte: Estação Cultura de Cerquilho

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Será necessário construir um programa arquitetônico que se adeque a cada atividade artística de forma que este equipamento cultural seja além de uma ferramenta para difusão e fomento da cultura entre a sociedade, e torne-se um suporte para o crescimento e desenvolvimento dos alunos que escolherem o caminho profissional nos vários segmentos que essas atividades proporcionam. A cidade de Cerquilho, também conhecida como Cidade das Rosas, é uma referência no quadro de municípios do Estado de São Paulo, na zona fisiográfica de Piracicaba, servida pelo Rio Sorocaba (MARTINS 2004). O presente trabalho abordará a situação atual do cenário cultural na cidade de Cerquilho, que vem numa crescente devido as atividades promovidas pela coordenadoria da cultura do município e a contribuição das mesmas na vida das pessoas.

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Objeto - Estação Cultura de Cerquilho - SP.

OBJETIVOS

Objetivo - Proposta de um novo edifício com infraestrutura adequada para a Estação Cultura, local onde a prefeitura do município promove oficinas de atividades artísticas. Objetivos Específicos Projetar salas de ensino e ensaio para as oficinas de canto e coral, ballet e jazz e teatro. - Propor espaço externo que crie uma conexão entre o edificio cultural e o espaço público.

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A

R

T

E SEUS EFEITOS NO INDIVÍDUO

E

O inicio desta pesquisa se dará perante algumas discussões sobre o que é arte e sobre seus efeitos no indivíduo. Para Coli (1995) “dizer o que seja a arte é coisa difícil [...] se buscamos uma resposta clara e definitiva, decepcionamo-nos: elas são divergentes, contraditórias, além de frequentemente se pretenderem exclusivas, propondo-se como solução única”. O entendimento de arte por um homem de cultura mediana, segundo Bosi (1991) é que esta lembre “[...] objetos consagrados pelo tempo, e que se destinam a provocar sentimentos vários e, entre estes, um, difícil de precisar: o sentimento do belo”. Contudo, para Cruz (2017) definições não são relevantes, “o importante é perceber as reverberações da arte, já que esta tem representado, desde a pré-história, uma atividade fundamental do ser humano”. Acrescentasse ainda, segundo Bosi (1995 apud Cruz, 2017, p.7), que a arte pode ser encontrada em toda atividade que:

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... ao produzir objetos e suscitar certos estados psíquicos no receptor, não esgota absolutamente o seu sentido nessas operações. Estas decorrem de um processo totalizante, que as condiciona: o que nos leva a sondar o ser da arte enquanto modo específico de os homens entrarem em relação com o universo e consigo mesmos. [...] Nesse sentido, qualquer atividade humana, desde que conduzida regularmente a um fim, pode chamar-se artística.

É possível dizer que as diversas manifestações artísticas afetam o indivíduo através de percepções e estímulos físicos e visuais nas mais diversas expressões e linguagens. Sobre as artes abordadas na propositura desta pesquisa, canto, dança e teatro, Bosi (1991) cita-as da seguinte forma:

Figura 05 e 06 - ensaio e apresentação oficina de canto e coral - Fonte: Estação Cultura de Cerquilho

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No canto a voz solta-se (sobe, desce, prolonga-se...) perseguindo a melodia. [...] O canto é voz livre, sim, mas “entoada” com engenho e arte. Na dança um processo análogo envolve a postura corporal inteira, o gesto e o passo, potenciando a todos, e, ao mesmo tempo, a todos dispondo em um código novo de movimentos. No drama [...], leva-se ao extremo o trato da voz, do gesto, do olhar, dos músculos faciais, visando a obter-se um grau mais alto de expressividade.

Segundo Bosi (1991) a palavra expressão está intimamente ligada a um nexo que se pressupõe existir entre uma fonte de energia e um signo que a veicula ou a encerra, uma força que se exprime e uma forma que a exprime. A expressão corporal, no caso da dança, que todos deveriam ter a oportunidade de experimentar, segundo Marques (2011 apud Gambarini, 2017, p.13), é uma “forma de experiência estética e de expressão do ser humano, que pode ser um elemento de educação social do indivíduo. [...] todos tem o dom livre, natural e espontâneo de dançar”. 23 DIOGO FRANCISCO CUNHA ALVES


Gambarini (2017) aponta que o desenvolvimento de diversos estilos de dança ao longo da história, e devido às inúmeras modalidades de arte, há uma possibilidade grande de adaptação das pessoas, e que: É possível tratar as artes de diferentes maneiras: área teórica, como de pesquisa e

Com o passar do tempo às artes e seus processos de criação se transformam à medida que a sociedade modifica seus costumes, com isso surgem manifestações que invadem os mais diversos meios, já que além das formas tradicionais de trabalho, muitos artistas hoje detêm do apoio de tecnologias avançadas e sofisticadas que estão em contínuo desenvolvimento.

escrita; e as mais práticas, como educação, performance e coreografia, cada uma atribuindo diferentes qualidades para os alunos. Informações corporais, intelectuais, racionais ou intuitivas, dando a possibilidade de cada um ter contato com a dança e progredir na modalidade que tiver maior proveito.

Cruz (2017) esquematiza que “[...] a arte vem como atividade humana criativa que estimula a consciência através das linguagens, as quais possuem em comum a expressão enquanto forma, utilizando de percepções sensoriais como ponte entre artista e receptor”.

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Diante disso, Cruz (2017) cita que “[...] muitas obras estimulam outras formas de entrar em contato com a arte, onde o tocar, sentir, ouvir e interagir provocam reações no público que vão além da contemplação”.


A cidade contemporânea, segundo Cruz (2017) passa por diversos problemas sociais, os quais acarretam que os indivíduos estão perdendo seu vínculo de vivência com a cidade e a ideia de convívio começa a se extinguir.

A

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E ESPAÇO URBANO

E

A arte através de uma prática crítica sobre os espaços públicos segundo Pallamin e Ludemann (2002), pode sanar essa perda de vínculo através de ações de inserção social. Para Vera Pallamin, o trabalho de um grupo de teatro de rua de São Paulo é um exemplo vivo da resistência que a arte como agente de memória política, pode opor à amnésia urbana (PALLAMIN; LUDEMANN,2002). Pallamin e Ludemann (2002) ainda citam que as práticas artísticas são apresentação e representação dos imiaginários sociais, e:

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Sendo um campo de indeterminação, a arte urbana adentra a camada das construções simbólicas dos espaços públicos urbanos, intervindo nos modos diferenciais da produção de seus valores de uso, sua validação ou legitimação, assim como de discursos e formas sedimentadas de representação cultural ali expostas. Pode criar situações de visibilidade e presença inéditas, apontar ausências notáveis no domínio público ou resistências às exclusões aí promovidas, desestabilizar novas

expectativas

convivências,

e

criar

abrindo-

-se a uma miríade de motivações.

Para Cruz (2017), há uma necessidade de ressignificação de espaços e a valorização da cultura também como setor econômico, tornando-se imprescindível para a formação de ambientes criativos.

Figura 07 e 08 - ensaio e apresentação oficina de teatro - Fonte: Estação Cultura de Cerquilho

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ARQUITETURA DO EDIFÍCIO CULTURAL

Com o objetivo de buscar respostas para a necessidade da valorização e inserção da cultura, ocorreu em 2011, o Seminário Internacional Cultura e Transformação Urbana, no SESC Belenzinho – SP. Dentre as discussões no seminário, Cruz (2017) discorre que uma alternativa para a transformação urbana é a construção de novos edifícios de proposta cultural em áreas degradadas da cidade ou ainda indicando um eixo de desenvolvimento desejável para ela. Contudo é necessário diálogo com o entorno, construção de parcerias, apoio governamental para que o projeto consiga desenvolver-se e promover a retomada, recuperação, reorganização e o religamento do cidadão nas relações urbanas. É de vital importância que o edifício cultural molde-se ao seu entorno através de singularidades locais, proporcionando o acesso e a produção da cultura.

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Segundo o Seminário Internacional Cultura e Transformação Urbana (2011), uma das funções de projetos culturais é atuar sobre os gargalos que comprometem os fluxos urbanos de criatividade e mudança, devido a uma válvula deletéria: a baixa autoestima dos residentes; e através da conexão entre edifício cultural e espaço público é possível identificar a promoção e apropriação do público em seu entorno, onde se geram igualdades de condições, local que se firmam a cultura como direito e o direito à cultura, onde a mesma é o entretenimento urbano fundamental no exercício de nos encontrarmos para nos entendermos.

Para Tada (2017) é função do arquiteto distribuir o espaço, de forma que seja uma experiência prazerosa para aqueles que o vivenciarem, e que sejam um suporte para a sucessão de eventos que irão acontecer ali, constituindo a vida. Arquitetura é, antes de mais nada, construção, porém é concebida com o propósito de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade (Costa, 1940 apud Silva, 2014, p.63). No caso da dança, Gambarini (2017) cita que o edifício influencia diretamente nos dançarinos e no seu ensino: Entendendo que se até um espelho, que

Em relação à qualidade arquitetônica de um edifício público como o abordado, Cruz (2017) diz que para romper com possível desafio a respectiva aceitação das pessoas, é preciso dar aos espaços uma forma tal que a comunidade se sinta pessoalmente responsável por eles, incentivando a contribuição de cada indivíduo na construção de sua identidade e que essas áreas tornem-se tão atraentes quanto possível.

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é um objeto, até ser considerado um revestimento, por algumas escolas vestirem suas paredes com eles, pode atrapalhar o desenvolvimento do aluno, imagine-se o que um espaço especificamente pensado para tal atividade pode oferecer para o desenvolvimento do aluno.


DEMANDA

O cenário cultural atual da cidade de Cerquilho vem numa crescente devido às atividades promovidas pela Coordenadoria de Cultura e Teatro Municipal durante o ano. Destaca-se a proximidade para com a cidade de Tatuí, conhecida como “Capital da Música” devido ao Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos, onde em mais de 60 anos de formação e difusão cultural, tornou-se uma das mais respeitadas escolas de música da América Latina. Entre as atividades culturais realizadas na cidade de Cerquilho, são oferecidas oficinas de canto e coral, dança (ballet e jazz) e teatro, gratuitas e que totalizam em torno de 372 alunos de várias faixas etárias, ministradas em diferentes horários de segunda a sábado. Para a realização das mesmas, a prefeitura municipal disponibilizou um antigo edifício localizado na orla ferroviária, no centro da cidade. Contudo, este prédio não foi concebido e executado para estas finalidades, e, com isso, adaptações a fim de torna-lo utilizável, principalmente no campo da acústica, foram realizadas ao longo do tempo. 29 DIOGO FRANCISCO CUNHA ALVES


A carência de equipamentos culturais dentre outras formas de lazer na cidade de Cerquilho gera um caráter atribuído pelos habitantes de um “lugar onde não tem nada a se fazer”. A implantação, portanto, de um novo edifício para a Estação Cultura, em conformidade com as situações citadas anteriormente, tem a chance de reestruturar essa realidade, buscando e estabelecendo nova identidade e dinâmica na cidade.

OFICINAS

SEGUNDA-FEIRA

TERÇA-FEIRA

QUARTA-FEIRA

QUINTA-FEIRA

SEXTA-FEIRA

CANTO E

Manhã e

CORAL

Tarde

DANÇA

SÁBADO

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Manhã e

Manhã e

Manhã e

Manhã e

Tarde

Tarde

Tarde

Tarde

TEATRO

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TOTAL DE ALUNOS

Manhã e Tarde

250 85


Praça das Artes Ficha Técnica:

VISITAS TÉCNICAS

Localização: Avenida São João, 281 – Centro – São Paulo – SP, Brasil Área do Terreno: 28.500m² Ano do projeto: 2012 Autor do projeto: Brasil Arquitetura (Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz + Luciana Dornellas)

Figura 09 - croqui Praça das Artes - Fonte: Brasil Arquitetura

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Segundo os arquitetos do escritório paulistano Brasil Arquitetura, comandado pelos arquitetos Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz, o convite e a iniciativa para a realização do projeto da Praça das Artes foi da Secretaria da Cultura do município de São Paulo. O projeto foi estruturado para funcionar como um anexo do Theatro Municipal para abrigar os corpos artísticos, orquestra sinfônica municipal, coral lírico e paulistano, quarteto municipal de cordas, escola municipal de música, balé da cidade e escola de bailado, além de abrigar um centro de documentação, a discoteca Oneyda Alvarenga, galeria de exposições, áreas administrativas, de convivência, restaurantes, cafés e estacionamento em dois níveis de subsolo.

Figura 09 - fachada Praça das Artes - Fonte: Archdaily Brasil

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A partir do centro da quadra o novo edifício se desenvolve em três direções – Vale do Anhangabaú (Rua Formosa), Avenida São João e Rua Conselheiro Crispiniano . Para Marcelo Ferraz, a região possui problemas, mas conta com grande vitalidade e potencial de novos usos, assim o projeto caminhou no sentido de regeneração dessa zona central.

l

Implantação

Figura 10 - implantação Praça das Artes - Fonte: Archdaily Brasil

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ES


O projeto da Praça das Artes deve responder à demanda de um programa de diversos novos usos, ligados às artes musicais e do corpo, mas deve também, responder de maneira clara e transformadora a uma situação física e espacial preexistente, com vida intensa e com uma vizinhança fortemente presente. mais ainda, deve criar novos espaços de convivência a partir da geografia urbana, da história local e dos valores contemporâneos da vida pública. Isso aparece na construção através dos cheios e vazios, este último alias, Francisco Fanucci cita em entrevista sobre a apropriação do espaço pelo indvíduo, suas diversas utilizações, além da própria sombra gerada pelo edifício, proporcionando em um ato gentil , conforto para o transuente local. Este espaço central em evidência configura uma espécie de foyer para com o edifício devido a localização dos acessos principais.

Figura 11 e 12 - imagens Praça das Artes - Fonte: Archdaily Brasil

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Programa O programa se divide em um conjunto de grandes edifícios, o maior com nove pavimentos e o menor com dois, contados à partir do térreo. Distribuídos em trê grandes blocos e o maior volume em altura do conjunto destina-se à locação de salas de ensaios e corpos artísticos do Theatro Municipal.

Figura 13 - imagem Praça das Artes - Fonte: arquivo do autor

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07

01 - praça central 02 - hall de acesso geral 03 - exposições 04 - documentação 05 - lanchonete 06 - café 07 - banca de revistas 08 - acesso estacionamento 09 - acesso / circulação 10 - auditório 11 - restaurante 12 - sala dos maestros e áreas de apoio 13 - sala de ensaio - orquestra 14 - hall de acesso 15 - sala de concerto 16 - documentação 17 - administração escolas 18 - cozinha 19 - restaurante 20 - terraço 21 - ligação entre os edifícios 22 - salas de ensaio (dança e música) 23 - ligação entre edifícios 24 - vazio (sala de ensaio e orquestra) 25 - terraço do café 26 - café 27 - sala de apoio e camarins


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28 - hall de acesso 29 - administração escolas 30 - vazio (restaurante) 31 - camarins 32 - documentação 33 - sala de ensaio (música) 34 - sala de ensaio (dança) 35 - sala maestros 36 - sala coral paulistano 37 - sala coral lírico 38 - salas de apoio

Figura 14 - imagem Praça das Artes - Fonte: arquivo do autor

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Circulação A circulação do pavimento térreo é marcada pelo fluxo horizontal de pedestres na área entre os edifícios. O fluxo é entre os usuários das escolas e também de pedestres que utilizam o espaço para acessar as ruas que dão acesso a Praça das Artes.

fluxo / circulação de pedestres acesso aos edifícios rampa de acesso aos estacionamentos circulação vertical

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Figura 15 - imagem Praรงa das Artes - Fonte: arquivo do autor

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Materialidade O concreto foi escolhido como material principal para a construção do conjunto da Praça das Artes, com isso, incorpora-se a mão-de-local e representa a junção entre arquitetura e estrutura, criando uma identidade própria e sendo a estrutura e a vedação dos edifícios. Aforma dos prédio e a escolha pelo concreto pode não agradar a todos, mas acredito que através dos vazios gerados pela implantação, o conjunto aparenta leveza. Internamente, atendendo as demandas acústicas principalmente das atividades musicais e de dança, essa pele de concreto pode ser revestida com acabamentos acústicos e também ficar exposta em áreas de circulação e comuns. Outro destaque é a sequência ritmada de janelas salientes, que além de cumprir função de iluminação e não prejudicar a acústica dos ambientes, elas foram implantadas segundo os arquitetos com objetivo de transformar o espaço de trabalho de alunos e professores em algo menos opressivo e isolado do entorno. Figura 16 e 17 - imagens salas de ensaio Praça das

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Artes - Fonte: ArchDaily Brasil


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Figura 18 - croqui Praça das Artes - Fonte: Brasil Arquitetura

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SESC 24 de Maio Ficha Técnica:

VISITAS TÉCNICAS

Localização: R. 24 de Maio, 109 - República, São Paulo - SP, Brasil Área do Terreno: 27.865m² Ano do projeto: 2017 Autor do projeto: MMBB Arquitetos e Paulo Mendes da Rocha

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Segundo a equipe do escritório autor do projeto, a nova unidade do SESC, localizado na esquina da Rua 24 de Maio com a Rua Dom José de Barros, centro de São Paulo, é um problema exemplar de transformação no patrimônio urbano construído. Com isso, o projeto pretende além do simples aproveitamento e adaptação de instalações que originariamente atendiam a usos de natureza tão diversos aos que estão sendo agora propostos, contribuir de forma efetiva na desejada recuperação de área tão notável da cidade através da seguinte ordem de idéias básicas: - Abrigar, com uma praça sob o edifício existente, a idéia de transformação do lugar. A “Praça do SESC”, com caráter de galeria de passagem livre, ligada à animação da vizinhança; - Transformar o antigo subsolo de garagem em Café e Teatro francamente ligados à Rua 24 de Maio; - Criar um novo sistema de circulação vertical que além de atender as exigências de segurança previstas no Código de Obras seja, através do conjunto de rampas proposto, um circuito claro e contínuo,

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capaz de transformar, de modo arquitetônico, o largo espaço público do recinto da cidade nos diversos lugares de atividades específicas aos programas do SESC de modo desencadeado e lúdico, um passeio; - Distinguir o recinto Restaurante, de uso público livre, imediatamente acima do conjunto Praça e Administração do SESC; - Dispor alguns espaços em níveis estratégicos com o sentido de praças cobertas, sem vedação nas fachadas, jardins suspensos – Praça de Convivência, Jardim da Piscina; - Adotar associações eventuais de dois níveis, com caráter de grande salão, parte com duplo pé direito, e galerias superiores e debruçadas, para alguns itens do programa, a fim de valorizar recintos e evitar a monotonia da simples sobreposição de andares tipo; - Construir uma “Praça do Sol” na cobertura; - Deixar visível nas fachadas um caráter resultante da nova disposição para a massa do edifício, onde se vê esta inesperada sucessão de atividades superpostas, um novo e peculiar edifício na cidade com caráter próprio;


Destaco quatro pontos utilizados neste projeto que acredito serem relevantes como referência projetual: a praça do pavimento térreo, o sistema de circulação vertical através de rampas, o sistema de lavatórios dos vestiários do nono e décimo segundo pavimentos e por fim, o décimo primeiro pavimento onde se localiza o jardim da piscina.

Rua 24 de Maio

- Concentrar e isolar as instalações técnicas e principalmente mecânicas de apoio às diversas atividades sugeridas no programa da entidade, anexando-se, para tanto, a propriedade contígua na Rua Dom José de Barros – abandonada há alguns anos – para a construção de um complexo auxiliar de serviços e máquinas, Torre de Serviços.

e Barros

Rua Dom José d

Figura 19 e 20 - imagens página anterior, fachada Sesc

Figura 21 - implantação Sesc 24 de Maio - Fonte:

24 de Maio - Fonte: ArchDaily Brasil

ArchDaily Brasil

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Rua 24 de Maio

Assim como discutido na Praça das Artes, o Sesc 24 de Maio também convida gentilmente ao transeunte a oportunidade de cruzar da Rua 24 de Maio para a rua Dom José de Barros através do edifício, por uma praça coberta e com bancos, oferecendo um espaço de interação social e conforto.

Rua Dom José

de Barros

fluxo / circulação de pedestres acesso aos edifícios circulação vertical

Figura 22 - imagens Sesc 24 de Maio - Fonte: ArchDaily Brasil

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Descer da piscina até o térreo é como descer a rua Augusta”, segundo o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, em entrevista, sobre o sistema de rampas implantado no projeto. Posso dizer que obtive essa sensação ao utilizar das mesmas, e que são capazes de promover um caminhar que permite vivenciar e apropriar-se do espaço já que é possível visualizar o que acontece em todos os pavimentos e também parar em cada patamar e poder observar a rua.

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Figura 23 e 24 - imagens rampa Sesc 24 de Maio Fonte: ArchDaily Brasil

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O décimo primeiro pavimento do Sesc 24 de Maio abriga o Jardim da Piscina, uma espécie de varanda ou bar molhado como diz o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que cita ainda que “o que interessa mesmo na arquitetura é amparar a imprevisibilidade da vida”. Momentos inusitados como as crianças pulando e se divertindo nos espelhos d’água são exemplos para essa citação. Durante a visita ao local percebi a real promoção do espaço como agente de estímulo a interação social. Muitas pessoas lendo, com amigos e família ou simplismente contemplando.

circulação vertical área de refeições sanitários ESTAÇÃO CULTURA_CENTRO DE ARTES PERFORMÁTICAS EM CERQUILHO 50


Figura 25 e 26 - imagens jardim da piscina Sesc 24 de Maio - Fonte: ArchDaily Brasil

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Por fim, destaca-se a disposição dos lavatórios dos vestiários encontrados no nono e décimo segundo pavimento. Estes vestiários constam com vista para a cidade e foram elaborados com base em projeto de Vilanova Artigas, dispostos em uma coluna triangular onde cada louça ocupa uma face, e, segundo Paulo Mendes da Rocha, faz com que se evite constrangimentos e garanta maior privacidade ao usuário.

circulação vertical

sanitários

lavatórios

Figura 27 - imagem vestiário Sesc 24 de Maio - Fonte: ArchDaily Brasil

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Instituto Brincante Ficha Técnica:

REFERÊNCIAS PROJETUAIS

Localização: Rua Purpurina, 412 - Vila Madalena - São Paulo - SP Área do Terreno: 342m² Ano do projeto: 2016 Autor do projeto: Bernardes Arquitetura

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Segundo sua descrição, o Instituto Brincante é um espaço de conhecimento, assimilação e recriação das inúmeras manifestações artísticas do país, que celebra a riqueza da cultura nacional e a importância da sua diversidade. Apresenta diversos cursos e também oficinas (inclusive gratuitas) voltados as crianças, educadores, jovens e adultos. A escolha dessa referência deu-se pela sua nova sede, com 342m² de construção e projeto do escritório Bernardes Arquitetura. O novo local, com área bastante reduzida, cerca de 320m², localiza-se ao lado do antigo galpão sede. e conta com um programa de um auditório para cerca de 80 pessoas, sala de ensaios, espaço de armazenamento de figurinos, instrumentos e adereços, área administrativa e espaços de apoio. Figura 28 e 29 - imagens página anterior, fachada Instituto Brincante - Fonte: ArchDaily Brasil

Figura 30 e 31 - fachada Instituto Brincante - Fonte: ArchDaily Brasil

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Destaca-se sua fachada revestida de madeira que segue a forma inclinada do telhado, como um celeiro, e no interior essa inclinação é acompanhada de uma iluminação zenital em shed na área de ensaios


Além de sua funcionalidade, as placas de tratamento acústico presentes no auditório criam identidade ao local através de suas cores e diferentes posicionamentos. Outro ponto de destaque é o mezanino, sendo uma área de transição e permanência ligada ao auditório. Serve também como uma ampliação do foyer do térreo, permitindo um acesso direto ao nível superior da arquibancada e à uma passarela criada sobre a área do palco, com intenção de ampliar a capacidade do auditório, possibilitar intervenções artísticas em dois planos e conectar-se ao jardim que está na parte posterior do palco. Algo a se considerar é a acessibilidade do edifício já que a circulação acontece através da escada helicoidal que liga os três níveis : térreo, mezanino e pavimento superior. Mesmo assim é perceptível que o instituto está perfeitamente em harmonia com o bairro que o acolhe por décadas, a Vila Madalena.

Figura 32 - imagens sala de ensaio Instituto Brincante Fonte: ArchDaily Brasil

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Figuras 33 e 34 - imagens palco e arquibancada Instituto Brincante - Fonte: ArchDaily Brasil

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2 5 9

8

3

7

1 4 6

10 1 - Foyer

4 - Banho PNE

7 - Arquibancada

2 - Acesso

5 - Copa

8 - Palco

3 - Bilheteria

6 - Depósito

9 - Coxia

10 - Banho

12

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11 - Varanda 12 - Passarela 13 - Jardim

Circulação Vertical

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17

14 - Acesso / Copa

17 - Vestiário Masculino

15 - Escritório

18 - Vestiário Feminino

16 - Sala de Reunião

19 - Sala de Ensaio

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Circulação Vertical


Tenerif Center of Dramatic Arts Ficha Técnica:

REFERÊNCIAS PROJETUAIS

Localização: Rua Pedro Suaréz, s/n, El Ramonal, Santa Cruz de Tenerife - Tenerife - Espanha Área do Terreno: 3360m² Ano do projeto: 2011 Autor do projeto: gpy arquitectos

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A escolha deste projeto como referência projetual deu-se pela sua implantação. Este centro de artes localizado numa área de grande inclinação, traz o espaço urbano para dentro do edifício através da utilização dos pedestres de seu sistema de rampas que faz ligação entre os níveis. Com isso, o pátio fez-se trajeto dos pedestres e ao mesmo tempo é um auditório ao ar livre, transformando o edifício em um espaço para performances, com a platéia assistindo das rampas, das plataformas , e a qualquer momento podem passar de espectadores a atores. Figuras 35 e 36 - imagens página anterior, Tenerif Center - Fonte: Desigboom

Figuras 37 e 38 - imagens Tenerif Center - Fonte: Desigboom

ESTAÇÃO CULTURA_CENTRO DE ARTES PERFORMÁTICAS EM CERQUILHO 60

Outro destaque dessa construção é o enquadramento da vista da cidade e o uso da cobertura como mirante, estar, contemplação. Vale ressaltar a utilização do concreto e o contraste com a madeira, materiais que se misturam com as cores da natureza presente no entorno.


Figuras 39 Ã 43 - imagens Tenerif Center - Fonte: Desigboom

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Escola de Arte em Carcassone Ficha Técnica:

REFERÊNCIAS PROJETUAIS

Localização: 842 Avenida Jules Verne, 11000, Carcassone - França Área do Terreno: 5700m² Ano do projeto: 2012 Autor do projeto: Jacques Ripault Architecture

ESTAÇÃO CULTURA_CENTRO DE ARTES PERFORMÁTICAS EM CERQUILHO 62


A escolha deste projeto como referência projetual deu-se pelo seu programa e sua distribuição. A escola contempla cursos de música, dança, teatro e artes plásticas, e cada um foi setorizado de forma bastante clara. Segundo o escritório Jacques Ripault Architecture, O projeto é criado em forma de concha e é modulado por uma fachada curvilínea em torno de um teatro ao ar livre, Os ateliês se abrem, no lado norte, para as salas de teatro organizadas em volta do teatro principal. As salas de dança, da altura do edifício, são acessíveis através de uma rampa que serve também à coreografia dos bailarinos. As salas de música são dispostas ao longo da concha acústica, gerando ambientes trapezoidais. Sobre as fachadas, é possível observar um ritmo que vêm desde a fachada curva com janelas longas e estreitas e termina na fachada leste, onde se situam as salas de dança com sua sequência de brises verticais. O material de revestimento assentado verticalmente também contribui para a continuação do ritmo imposto. Figuras 44 à 48 - imagens Escola de Arte em Carcassone Fonte: ArchDaily Brasil

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Acesso / Informações

Artes Plásticas

Documentação

Administração

Artes Musicais

Dança

Artes Cênicas

Serviço

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Através das plantas percebe-se a divisão dos setores conforme tipo de atividade. No pavimento térreo todos eles se conectam através do teatro central ao ar livre.


Figuras 49 Ã 50 - imagens Escola de Arte em Carcassone Fonte: ArchDaily Brasil

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Nova Casa Triângulo Ficha Técnica:

REFERÊNCIAS PROJETUAIS

Localização: Rua Estados Unidos, 1324, São Paulo - SP. Área do Terreno: 450m² Ano do projeto: 2016 Autor do projeto: METRO Arquitetos

ESTAÇÃO CULTURA_CENTRO DE ARTES PERFORMÁTICAS EM CERQUILHO 66


A escolha deste projeto como referência projetual deu-se pela sua materialidade. O plano translúcido em policarbonato utilizado na fachada permite a entrada de luz natural durante o dia e à noite ocorre o efeito reverso: fornece luz artificial como se fosse uma lanterna, contribuindo com a iluminação da rua, o que ajuda a promover mais segurança ao local. Outro ponto é que assim como as placas de policarbonato, foram utilizados outros materiais que não necessitam de acabamento posterior, como as placas cimentícias utilizadas na fachada.

Figuras 51 à 53 - imagens Nova Casa Triângulo - Fonte: ArchDaily Brasil

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ANÁLISE COMPARATIVA - VISITAS TÉCNICAS E REFERÊNCIAS PROJETUAIS PRAÇA DAS ARTES

SESC 24 DE MAIO

INSTITUTO BRINCANTE

TENERIF CENTER OF DRAMATIC ARTS

Materialidades

Materialidades

Materialidades

Materialidades

Programa de atividades Estética

Programa de atividades

Programa de atividades Estética

Permeabilidade Urbana

Permeabilidade Urbana

Figuras 54 - tabela comparativa - Fonte: elabaoração do autor

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Estética Permeabilidade Urbana

ESCOLA DE ARTES EM CARCASSONE

NOVA CASA TRIÂNCULO Materialidades

Programa de atividades Estética


Levantamento da área de intervenção Dados do município:

LUGAR

População estimada (2017): 43733.

CERQUILHO

População (2010): 39617. Área da unidade territorial (km²): 127,803. Densidade demográfica 2010 (hab/km²): 309,98. Gentílico: Cerquilhense.

69 DIOGO FRANCISCO CUNHA ALVES


O povoamento do atual Município de Cerquilho iniciou-se no local, onde havia um arcado de “pau-a-pique“, destinado ao pouso de animais dos tropeiros que se dirigiam `a feira de Sorocaba, chamando de “cerquinho” ou “cerquilho”. Com a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana, em 1882, foi construída uma estação de parada nas terras da fazenda Santa Maria. Em 24 de dezembro de 1948 o então distrito é elevado a categoria de município, através da Lei Estadual nº 233, quando foi empossada a primeira Câmara de Vereadores. O primeiro prefeito, Antônio Souto, tomou posso em 3 de abril de 1949, conseguindo assim a emancipação política-administrativa do município.

N

Região Administrativa de Sorocaba Sub-Região de Tatuí

Figuras 55 e 56 - mapas região administrativa - Fonte: prefeitura municipal de Cerquilho

ESTAÇÃO CULTURA_CENTRO DE ARTES PERFORMÁTICAS EM CERQUILHO 70


No início do povoado de Cerquilho, segundo MARTINS (2004), alternavam-se os ritos sagrados e profanos e a partir de 1914 tem-se notícias também de touradas, cinema e mágica, entretenimento para a população em um período de muito trabalho e pouca diversão.

4 5

1 2

3

6

7 N

Município de Cerquilho

4 Sub-Região de Botucatu

1 Sub-Região de Tatuí

5 Sub-Região de Avaré

2 Sub-Região de Itapetininga

6 Sub-Região de Itapeva

3 Sub-Região de Sorocaba

7 Sub-Região de Capão Bonito

Da emancipação até os dias atuais diversos eventos foram acrescentados na agenda anual, mantendo as características de religiosos, como na festa de São José. padroeiro da cidade, e profanos., como o tradicional carnaval de rua no convívio, área central da cidade. Apesar do município contar apenas com a Estação Cultura como equipamento público de ensino de atividades artísticas, existem outros locais importantes para o funcionamentos das atividades culturais anuais da cidade, como mostra o mapa a seguir.

71 DIOGO FRANCISCO CUNHA ALVES


X

Atual Estação Cultura de Cerquilho

Praça do Convívio

Ginásio Municipal Mário Pilon

Teatro Municipal de Cerquilho

Centro Olímpico Otávio Pilon ESTAÇÃO CULTURA_CENTRO DE ARTES PERFORMÁTICAS EM CERQUILHO 72

Figuras 57 - mapa eventos culturais - Fonte: elaboração do autor

Centro de Eventos Cidade das Rosas


No centro estão concentradas as princpais atividades da cidade, administrativas, serviços e comércio e várias das vias principais conectam os bairros com estes equipamentos.

SISTEMA VIÁRIO

O local escolhido para a implantação do projeto da nova Estação Cultura situa-se na Rua João Gaiotto, esquina com a Avenida Vinicius Gagliardi, possibilitando maior acessibilidade já que as vias destacadas no mapa viário mostram que as mesmas conduzem a área de forma facilitada. O acesso ao centro da porção leste da cidade se faz principalmente pela Rua Paraná, da porção sul pela Avenida Washington Luiz e Rua Cunha Bueno, da porção oeste pela Avenida João Pilon, que também serve de acesso para quem vêm tanto de Tatuí quanto Tietê, e, da porção norte, através da Rua Dr. Soares Hungria e Avenida Vinicius Gagliardi.

73 DIOGO FRANCISCO CUNHA ALVES


X

Saída Tietê

sé Rua São

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Rua Dr. Ca

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Rua João

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Pavimentaç ão - Asfalto

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Local de implantação

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Rua João Gaiotto

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Vias Coletoras

Cunh

Avenida João Pilon

Rua A

Vias Arteriais

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Figuras 58 e 59 - mapas sistema viário e transportes Fonte: elaboração do autor

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0m

250m

500m

1000m

N

Saída Vicinal Boituva


Rua João

de veículos

Gaiotto

Vias de tráfego alto

Ponto de

de pedestres

ônibus

Local de implantação escolhida

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ungria Soares H Rua Dr.

Rua Dr. Ca

Gaiotto Rua Para

Avenida B

rasil

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Vias de tráfego alto

Rua João

Cu

O município de cerquilho apresenta predominância na utilização de transporte individual, principalmente automóveis. O sistema de transporte coletivo funciona com ônibus tipo circular, disponíveis de hora em hora em duas linhas, uma entre os bairros de Cerquilho com chegada final em Tietê, e outra com a saída em Tietê e chegada nos bairros de Cerquilho. Próximo ao local de intervenção estão dois pontos localizados na Rua Dr. Campos que fazem o sentido bairro-Tietê. Também se encontra um ponto na Rua Paraná e outro na Rua Dr. Soares Hungria, ambos sentido Tietê- bairros. A rua João Gaiotto, onde está a área de implantação, caracteriza-se por possuir trânsito médio-baixo e também por estar sendo usada como estacionamento para quem utiliza os serviços localizados na área.

75 DIOGO FRANCISCO CUNHA ALVES


Os lotes vizinhos ao local escolhido são de predominância residencial, com alguns imóveis de serviço. Há vários lotes vazios ao lado da área escolhida e também quatro residências e uma área comercial.

ENTORNO E SEUS USOS

Na quadra defronte ao local de implantação está uma área de preservação permanente do município e na esquina da Rua João Gaiotto com a Avenida Vinicius Gagliardi existe um lote ao qual está em fase de obras. Sobre a área de intervenção está uma trilha que os pedestres utilizam para cortar caminho, o que demonstra apropriação do espaço, mesmo que inconcientemente. Quanto ao gabarito, observa-se pouca variação, sendo em sua maioria, imóveis térreos e outros com dois pavimentos.

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Figuras 60 - mapa entorno - Fonte: elaboração do autor

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Local de Implantação

Uso de Serviços

Estacionamento

Uso Residencial

Uso Misto

Institucional Privado

Uso Comercial

Lote Vazio

Institucional Público

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Local de Implantação

2 Pavimentos

Térreo

Lote Vazio

1 Pavimento

N 0m

50m

100m

200m

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TOPOGRAFIA

A região onde está inserido o local de implantação possui bastante desnível ao longo do trecho próximo ao Córrego do Campo. Através do mapa ao lado percebe-se o desnível médio no local escolhido. O vento que predomina durante o ano vem da direção leste durante mais de 6 meses, inforamação estratégica para direcionar o projeto.

Figuras 61 e 62 - mapas página anterior. gabarito e uso do

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solo - Fonte: elaboração do autor


539 m

538 m

N

549 m

AREA

541 m

550 m

540 m

543 m

542 m

542 m

548 m 544 m 546 m 545 m 547 m

543 m

551 m

552 m

555 m

553 m 556 m

558 m

559 m

Sentido de caimento da topografia

554 m 557 m

561 m

549 550 551 552

560 m

564 m

565 m

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567 m

553

568 m

562 m

Ventos predominantes

563 m

565 m

564 m

566 m

554 555 556 555 m

Figuras 63 e 64 - mapa e peril topográfico - Fonte: elaboração do autor

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LEGISLAÇÃO URBANÍSTICA

Os parâmetros para se projetar e construir edificações no município de Cerquilho estão atrelados a lei nº 593, de 1971, que institui o plano diretor físico da cidade. O terreno escolhido para implantação da proposta de um novo edifício para a Estação Cultura está localizado na rua João Gaiotto, esquina com a Avenida Vinícius Gagliardi, Centro. - sobre o SETOR: Segundo a lei nº593, a área de intervenção está inserida numa área denominada SR (Setor Residencial). - sobre o ZONEAMENTO: O artigo 18 , inciso II, institui que para efeito de zoneamento de uso dos terrenos, quadras, lotes, edificações e compartimentos localizados no território urbano do município, poderão ter a seguintes utilizações: - Cultural, compreendendo usos educacionais e culturais em geral, inclusive religiosos. - sobre GABARITO: O artigo 34 institui que edificações com três ou mais pavimentos terão

ESTAÇÃO CULTURA_CENTRO DE ARTES PERFORMÁTICAS EM CERQUILHO 82


estacionamento próprio, na proporção de uma vaga para cada 50,00m² ou fração de construção, excluídas as áreas destinadas a hall, elevadores, depósitos e garagens. 53.84

9

26.05

2351,99m²

10.08

Considerando que é um projeto de teor cultural, o C.A. (coeficiente de aproveitamento) é igual a 80% da área do terreno, portanto, como o terreno possui uma área de 2351,99m², a ocupação máxima para construção no pavimento térreo, incluindo projeções de pavimentos superiores, será de 1881,59m².

11

.4

44.34

- sobre o QUADRAS E LOTES: Faz-se necessária a apropiração da lei nº 2.334, de 22 de março de 1991, a qual deu nova redação para o inciso IV do artigo 27 da lei nº 593, e com isso passa a vigorar os seguintes parâmetros: - Na edificação principal serão observados os recuos mínimos: - de frente: 4,00 metros; - laterais:1,50 metros; - nos fundos: 2,00 metros.

30.14

30.70

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PRÉ-PROPOSTA CONSTRUÇÃO DO PROGRAMA

Após todas as considerações levantadas até então, é possível construir uma proposta inicial para o projeto da nova Estação Cultura. O projeto além de receber o programa dedicado ao ensino e ensaio das oficinas de canto e coral, dança e teatro, funcionará de forma integrada ao entorno com o intuito de tornar-se um ambiente de convivência urbana da comunidade. Além disso, é necessário que o edifício possibilite a interação com outras formas de expressão artística presentes na cidade, como arte digital, hip-hop, grafite, expressões típicas, etc, Para tanto, o programa será dividido em quatro áreas: apresentações e exposições, ensino e ensaio, administração e apoio e área de convivência. O esquema ao lado mostra como se fará a organização e a comunicação entre as áreas.

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SECRETARIA, DIREÇÃO, COORDENAÇÃO, PROFESSORES

ENSINO E ENSAIO

SALAS DE ENSINO E ENSAIO PARA AS OFICINAS DE DANÇA, CANTO E CORAL E TEATRO; SALA MULTIUSO; SALAS DE ENSAIO INDIVIDUAIS; SALA PARA CONFECÇÃO E DEPÓSITO DE FIGURINOS; VESTIÁRIOS

ADMINISTRATIVO E APOIO

LIMPEZA, DEPÓSITO, ESTACIONAMENTO

ÁREA DE CONVIVÊNCIA

ÁREAS VERDES, CAFÉ E RESTAURANTE, BIBLIOTECA, ESTAR COMUNITÁRIO, PRAÇA COBERTA

APRESENTAÇÕES E EXPOSIÇÕES

ESTAÇÃO CULTURA FOYER E TEATRO DE PEQUENO PORTE

85 DIOGO FRANCISCO CUNHA ALVES


BIBLIOGRAFIA BOSI,Alfredo. Reflexões sobre a arte. 4ª Edição. São Paulo: Editora Ática, 1991. COLI, Jorge. O que é arte. 15ª Edição. São Paulo: Brasiliense, 1995. CRUZ,Aline de Lima. Parque dasArtes: uma estratégia de convivência urbana através da ressignificação do espaço público em Itapeva/SP.2017. 68 p.Trabalho Final de Graduação I. (Curso de Arquitetura e Urbanismo) – UFFS. 2017. FONSECA, Ana Carla (org). Cultura e transformação urbana. Anais do Seminário Internacional Cultura e Transformação Urbana/ Serviço Social do comércio – São Paulo: SESC SP, 2011. Disponível em <http://garimpodesolucoes.com.br/wp-content/uploads/2014/09/Cultura-e-Transforma%C3%A7%C3%A3o-Urbana.pdf>. Acesso em 22 de março de 2018. GAMBARINI, Estefanía Denise. A influência da Arquitetura no ensino da dança: um espaço cultural que traduz a importância dessa qualidade. 2017. 74 p. Trabalho Final de Graduação. (Curso de Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Metodista de Piracicaba. 2017.

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MARQUES, Isabel tos e contextos.

A. 6ª

O ensino de dança hoje: TexEdição. São Paulo: Cortez, 2011.

MARTINS, Ana Luiza. Cerquilho – do pouso de tropas ao parque industrial 1949-2004. Editora Prefeitura de Cerquilho, 2004 PALLAMIN, Vera M.; LUDEMANN, Mariana. Cidade e cultura: esfera pública e transformação urbana. 2ª Edição. São Paulo: Estação Liberdade, 2002. PINTO, Thays Souza Gama de Paula. Centro de Artes performáticas do Ceará. 2017. 156 f. :il. color. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação). (Curso de Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Federal do Ceará. 2017. TADA, Thais Akemi. Arquitetura e dança: o movimento do corpo no espaço. 2017. 94 p. Trabalho Final de Graduação. (Curso de Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie. 2017.

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