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2 DIÓGENES BATISTA ÂNGELO

ARQUITETURA SAGRADA: TEMPLO CATÓLICO EM GARANHUNS

Produto

Final

do

Trabalho

Final

de

Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade

Federal

de

Alagoas

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Orientador: Prof. Dr. Augusto Aragão

Maceió – Alagoas 2011

e


3

Aos meus pais e irm達os por todo seu amor.


4

AGRADECIMENTO

Quero agradecer primeiramente a Deus, por está comigo em todos os meus passos. Agradecer também a minha mãe, Carmelita, meu pai José Batista e irmãos, Eustáquio, Cleudo, Socorro e Ângela (in memorian), por toda fé, amor e confiança. Agradeço a Imyra, por todo o apoio e amor no desenvolvimento desse trabalho. Agradeço a Universidade Federal de Alagoas pelo apoio didático. Agradeço a experiência acadêmica do PET Arquitetura e ao professor Flávio Miranda, como exemplo de profissional e educador. Agradeço ao Bispo de Garanhuns, Dom Fernando Guimarães, ao padre da paróquia do Sagrado Coração de Jesus, Padre Jeová e ao professor Augusto Aragão por sua amizade e por ter acreditado no tema e apoiado em todos os momentos dessa pesquisa.


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RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo desenvolver um anteprojeto de um templo Católico na cidade de Garanhuns, Pernambuco. Para tanto, foi necessário uma pesquisa sobre a arquitetura simbólica e a arquitetura religiosa, seguida de uma análise de repertório e também da área de intervenção. Com a pesquisa e os dados levantados pelas análises citadas, foi construído o programa de necessidades, para então ser desenvolvida a proposta arquitetônica de um Templo Católico.

Palavras chaves: Arquitetura religiosa, Arquitetura simbólica, Templo Católico.


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LISTA DE IMAGENS

Figura 1: altar mor da Igreja Nossa ........................................................................... 14 Figura 2: Villa Sovaye na França .............................................................................. 14 Figura 3: Palácio Gustavo Capanema - MEC - Rio de Janeiro – RJ ......................... 15 Figura 4: Ponto de ônibus tubular na cidade de Curitiba. .......................................... 16 Figura 5: Esquema das Residências usado para Culto dos primeiros Cristãos ........ 17 Figura 6: Interior da Basílica de São Paulo, Roma. Iniciada em 386. ....................... 18 Figura 7: Cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. ........................................................ 20 Figura 8: Capela Notre Dame du Haut de Ronchamp, construida em 1955 e projetada por Le Corbusier ........................................................................................ 21 Figura 9: Interior da Catedral de Brasília. .................................................................. 24 Figura 10: Desenho esquematico da planta da Catedral de Brasília......................... 24 Figura 11: Catedral de Brasilia em primeiro plano a culpula do batisterio. ................ 25 Figura 12: Batistério da Catedral de Brasília. ............................................................ 25 Figura 13: Mosteiro de São Bento em Garanhuns. ................................................... 26 Figura 14: Interios da capela do Mosterio de São Bento........................................... 26 Figura 15: Igreja de Dom Bosco, Brasília-DF ............................................................ 27 Figura 16: Interior do templo, como os vitrais e o lustre em seu centro. ................... 28 Figura 17: Fachada Principal do Santuário de Nossa Senhora de Fátima. ............... 28 Figura 18: Capela do Santíssimo e Presbitério. ........................................................ 29 Figura 19: Fachda Principal da Igreja do Jubileu em Roma Itália. ............................ 30 Figura 20: imagem da esquerda, altar da nave principal e a direita, fachada posterior com destaque ao setor profano. ................................................................................ 30 Figura 21: Planta esquemática do templo: ................................................................ 31 Figura 22: Mapa de Pernambuco localizando a cidade de Garanhuns. .................... 32 Figura 23: Templo atual, com vista externa............................................................... 33 Figura 24: Foto da antiga Estação Ferroviária de Garanhuns, hoje abriga o Centro Cultural ...................................................................................................................... 34 Figura 25 Foto aérea do município de Garanhuns-PE nos dias atuais - Fonte: Garanhuns................................................................................................................. 35


7 Figura 26 Templo Presbiteriano no Centro de Garanhuns ........................................ 35 Figura 27: Atual Catedral de Santo Antônio de Garanhuns. Foto: Vicente A. Queiroz. .................................................................................................................................. 36 Figura 28: Esquema da planta baixa da Catedral de Garanhuns. ............................. 37 Figura 29: Capela do Santuário da Mãe Rainha em Garanhuns. .............................. 37 Figura 30: Esquema mostrando as duas formas de parcelamento do solo. .............. 38 Figura 31: Principais acessos para o local do projeto ............................................... 39 Figura 32: Rota e ponto de parada dos ônibus Urbanos. .......................................... 39 Figura 33: Localização do terreno no bairro e edificações existentes. ...................... 40 Figura 34: Corte esquemático mostrando o perfil do entorno imediato do terreno do projeto. ...................................................................................................................... 40 Figura 35: Mapa de uso e ocupação do solo atual. ................................................... 41 Figura 36: Esquema mostrando a localização de Garanhuns em relação o Oceano e o Sertão. .................................................................................................................... 42 Figura 37: Mapa referente às áreas com zona bioclimática 5. .................................. 43 Figura 38: Igreja do Sagrado Coração de Jesus - Munique - Alemanha. .................. 45 Figura 39: Batisterio da The Chapel of the Assumption, Paris - França .................... 46 Figura 40: Imagem de Nossa Senhora na Igreja Notre Dame do Rosário em Les Lilas - França............................................................................................................. 47 Figura 41: Fluxograma dos espaços da Paróquia. .................................................... 49 Figura 42: Diagrama de Bolha................................................................................... 50 Figura 43: Diagrama de Bolha no terreno do projeto ................................................ 50 Figura 44: Altar local central do edifício igreja. .......................................................... 51 Figura 45: Esquema do sítio em que localiza-se o projeto. ....................................... 51 Figura 46: Zoneamento do projeto. ........................................................................... 52 Figura 47: Perspectiva ilustrativa, mostrando o templo, a praça e o centro paroquial como moldura do conjunto. ....................................................................................... 52 Figura 48: Perspectiva interna do templo. ................................................................. 53 Figura 49: Fachada Principal e a torre. ..................................................................... 53 Figura 50: Esquema representando o Centro Paroquial e o Templo. ....................... 54 Figura 51: Planta baixa do templo católico. ............................................................... 55 Figura 52: Perspectiva da fachada do centro paroquial. ........................................... 55 Figura 53: Conjunto Paroquial. .................................................................................. 56 Figura 54: Planta de cobertura vegetal. Fonte: LOPES apus Ângelo, julho 2011. .... 56 Figura 55: Altar do projeto. ........................................................................................ 57


8 Figura 56: AmbĂŁo. ..................................................................................................... 58 Figura 57: SĂŠdia. ....................................................................................................... 58 Figura 58: Pia batismal. ............................................................................................. 59


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SUMÁRIO

LISTA DE IMAGENS .................................................................................................. 6 SUMÁRIO ................................................................................................................... 9 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11 1. ARQUITETURA E OS SÍMBOLOS.................................................................. 13 1.1

ARQUITETURA RELIGIOSA .................................................................... 17

2. ANALISE DE REPERTÓRIO ........................................................................... 23 2.1 CATEDRAL DE BRASÍLIA ........................................................................... 23 2.2

CAPELA DO MOSTEIRO DE SÃO BENTO DE GARANHUNS ................ 25

2.3

IGREJA DE DOM BOSCO ........................................................................ 27

2.4

SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE FATÍMA ................................... 28

2.5

IGREJA DO JUBILEU ............................................................................... 29

3. ÁREA DE INTERVENÇÃO .............................................................................. 32 3.1 HISTÓRIA .................................................................................................... 34 3.2

RELIGIÃO ................................................................................................. 35

3.3

SÍTIO......................................................................................................... 38

3.4

CONDICIONANTES AMBIENTAIS ........................................................... 42

4. PROGRAMA DE NECESSIDADES................................................................. 44 4.1 PRÉ-DIMENSIONAMENTO ......................................................................... 48 5. DESENVOLVIMENTO DO PROJETO ............................................................ 51 5.1 FUNCIONALIDADE...................................................................................... 54 5.2

PEÇAS LITÚRGICAS ............................................................................... 57

5.3

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS DOS MATERIAIS .................................. 59

CONCLUSÃO ........................................................................................................ 63


10 REFERÊNCIAS...................................................................................................... 64


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INTRODUÇÃO

O Espaço Sagrado é um tema decorrente da História da Arquitetura. Desde as Pirâmides do Egito até as Igrejas Barrocas do mestre Aleijadinho, em Minas Gerais, tais prédios não só encantam por sua beleza ou pelo valor artístico, mas principalmente por seu significado simbólico presente nos objetos e pinturas presente nessas construções. Em muitas religiões, para a comunhão de fé é necessária a união da comunidade em um único espaço, a exemplo dos Judeus, que se encontram nas Sinagogas, dos Mulçumanos em suas Mesquitas, e os Cristãos, que celebram sua fé nos templos. Este trabalho tem como objetivo elaborar um anteprojeto arquitetônico de um Templo Católico na cidade de Garanhuns, no estado de Pernambuco, que enfatize a dimensão simbólica da arquitetura de espaços sagrados. Tendo como objetivo específico a compreensão do espaço do Templo Católico na contemporaneidade. No primeiro capítulo, ira discorrer sobre a Arquitetura e seu significado simbólico, mostrando sua importância e como que na história e culturas seus valores são simbolizados por meio de seus prédios. Nesse mesmo capitulo também trataremos dos seus significados nos templos religiosos, assim como sua evolução e tipologias. No segundo capítulo trará a analise de repertório, na qual possibilitará um entendimento maior do funcionamento e expressões simbólicas presentes nos templos Católicos. Para em seguida tratar sobre a cidade de Garanhuns, local no qual será desenvolvido o produto dessa pesquisa, falando de suas características sócio-econômicas e religiosas.


12 Com a primeira parte da pesquisa, foi possível dar base para a construção da proposta de um templo Católico em Garanhuns. Inicialmente foram feitos estudos de condicionantes ambientais no sítio da intervenção e depois a construção do programa de necessidades. No último capítulo mostra como foi desenvolvido o produto dessa pesquisa com o partido arquitetônico tomado, estudos funcionais e espaciais, que resultam em um Estudo Preliminar.


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1. ARQUITETURA E OS SÍMBOLOS

A Arquitetura é um conjunto de elementos que vai além da construção. Ela dá forma a uma sociedade, ela comunica e significa. E dentre as várias formas que a mesma revela, o seu sentido simbólico tem grande importância principalmente na Arquitetura Religiosa, sendo esta, o foco dessa pesquisa, que terá como produto final o Anteprojeto de um Templo Católico. Uma vez que o simbolismo é um dos aspectos mais relevantes para Arquitetura Religiosa, é necessário entender o seu significado. Partindo do dicionário Aurélio o símbolo é “aquilo que, por sua forma ou sua natureza, evoca, representa ou substitui, num determinado contexto, algo abstrato ou ausente...”. Mesmo o dicionário não tendo uma definição primordialmente cientifica, tal significado traz conceitos relevantes nessa definição, tais como “forma”, “representa”, “substitui” e “abstrato”, que são palavras relevantes e utilizadas quando nos referimos a espaços onde exista uma carga simbólica muito forte, como nos locais sagrados destinados a rituais praticados pelas religiões. Umberto Eco, para explicar o símbolo, utiliza como exemplo o trono do Rei “... servir de assento é somente uma das funções do trono – e somente um de seus significados, o primeiro, mas não o mais importante” (ECO, 1971). O símbolo vai além do visível: ele comunica e expressa valores atribuídos ou mesmo adquiridos por seu uso ou aquele que o usa, como no exemplo anterior que Aurélio utiliza as palavras “representa ou substitui...”. Nesse caso a cadeira representa o poder, na arquitetura Religiosa encontramos a cadeira ou Sédia, local destinado ao Deus e que simboliza o trono, no entanto substituído pelo celebrante. Dessa forma a arquitetura sempre tem e traz significados que mesmo que não sejam entendidos por todos, faz com que nosso comportamento mude diante de tal espaço. O exemplo da Igreja Barroca, que independente da crença ou fé, ele modifica, de alguma forma, aquele que entra nesse espaço com suas pinturas e esplendor artístico (Figura01).


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Figura 1: altar mor da Igreja Nossa Fonte: www.vitruvius.com

Outro exemplo são os modernistas, que deixaram de utilizar os ornamentos neoclássicos e outros elementos arquitetônicos usados até início do século XX. Modificando a arquitetura não só na funcionalidade e espacialidade. Criaram uma teoria e princípios, que resultaram em prédios que se tornaram símbolos de uma geração, como o edifício do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro, a Villa Sovaye de Le Corbusier ou o conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Brasília onde Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, transformaram em símbolo da arquitetura moderna no Brasil e no exterior.

Figura 2: Villa Sovaye na França Fonte: http://lcvillasavoye.blogspot.com/2010_05_01_archive.html - Acesso: Março de 2011


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Figura 3: Palácio Gustavo Capanema - MEC - Rio de Janeiro – RJ Fonte: http://www.panoramio.com/photo/11996965 - Acesso: Março de 2011

No entanto, como os símbolos são construídos na arquitetura? Muitas são as maneiras de compreender, uma delas seria por meios dos estilos arquitetônicos. No Gótico, por exemplo, por ser predominante em certo tempo da história, ganhou uma conotação religiosa, por se tornar o símbolo do poder da fé Católica daquele tempo. No Renascimento as cúpulas das Igrejas eram símbolos da centralidade do homem, onde essas associações são importantes para o estudo dos movimentos arquitetônicos, como também o Classicismo, Maneirismo, romantismo, e outros movimentos, que podem nos apontar como esses símbolos são construídos na história. Outra maneira de entender a simbologia é o papel que ela exerce como meio de comunicação. Essa é uma das formas de uso dos símbolos na arquitetura: ele comunica e informa ao receptor algo que vai além das funções programáticas destinadas a esse elemento arquitetônico. Essa importância simbólica em alguns momentos pode ser secundária, mas em outros ela tem papel primário. Como os pontos de ônibus visto na cidade de Curitiba, desde sua forma até o que eles representam como segurança e pontualidade no serviço de transporte coletivo da cidade. Mesmo sabendo que muito desses significados são atribuídos de acordo com outros serviços e funções que


16 sejam ligados a ele, aquele simples abrigo simboliza e comunica muito mais que sua função primária de arquitetura.

Figura 4: Ponto de ônibus tubular na cidade de Curitiba. Fonte: LOPES, Imyra - Dezembro 2010

Esse é apenas um exemplo entre tantos outros que mostram como os símbolos presentes na arquitetura têm significados próprios e vão além dos propostos pelo projetista. Eles significam fatos que não ficam restritos ao lote em que ele está inserido, eles se comunicam com sua vizinhança, com o bairro e com a cidade. Quando observamos a cidade como elemento simbólico, percebemos como sua estrutura é dividida em partes. Os prédios públicos têm características próprias, assim como os templos religiosos e as residências. Cada um desses tem um papel funcional e simbólico dentro de uma cidade. Os prédios públicos são os locais onde as decisões políticas, econômicas acontecem, assim como os templos, que tem a função de reunir as pessoas para celebrar suas crenças e as residências locais de recolhimento populacional, para Aldo Rossi (2001) essa idéia de partes da cidade é importante para sua caracterização. A cidade é constituída por partes; cada uma dessas partes é caracterizada; ela tem, além disso, elementos primários em torno dos quais se agregam edifícios. Os monumentos são pontos de referência da dinâmica urbana; são mais fortes que as leis econômicas... (ROSSI, 2001)

Como nas cidades ou nas edificações que lhe compõem, o elemento simbólico é parte fundamental da composição arquitetônica. Mesmo em uma simples


17 residência, ou nos palácios, o caráter simbólico tem seu papel de comunicar ou representar as crenças e poder dos que a constroem.

1.1 ARQUITETURA RELIGIOSA

O homem sempre atribui significado aos objetos e fenômenos da natureza. Dentre as experiências vividas por ele na história, a dimensão espiritual se destaca, por ser nela onde o homem atribui relação com forças superiores e invisíveis a si mesmo.1 Por isso temos que compreender como os elementos simbólicos são utilizados na Arquitetura Religiosa e como eles se modificaram no decorrer da história2. Os primeiros cristãos não tinham um local especifico para celebrar os rituais que surgiu após a morte e ressurreição de Jesus3. Eles usavam as residências dos fiéis mais abastados para celebrar as cerimônias religiosas (JANSON,2001, P. 291). E de maneira simples o espaço era dividido em três partes: o pátio central, uma sala onde ocorriam os cultos e uma sala batismal. Como visto na figura abaixo. (SCOTTÁ, 2010, P. 19)

Figura 5: Esquema das Residências usado para Culto dos primeiros Cristãos Fonte: SCOTTÁ e adaptado pelo autor

Quando os cristãos chegaram à antiga Roma, eram perseguidos por não seguir a religião do Império, com isso se reuniam nos subsolos das cidades. No entanto no ano de 313 eles puderam sair da marginalidade e praticar a sua fé 1

Não pretendemos aprofundar nas questões de espiritualidades e o homem, por serem complexas e variar no decorrer da história e culturas. 2 Não iremos nos aprofundar na história da arquitetura religiosa, vamos nos delimitar no Cristianismo, o seu surgimento, suas marcantes fases e focar-se na arquitetura religiosa do século XX e XXI, pois a finalidade desse trabalho é desenvolver o projeto de um templo nos dias atuais. 3 Pretendemos focar no desenvolvimento da arquitetura religiosa nos templos católicos na atualidade, pois será fundamental no desenvolvimento do templo.


18 livremente, nesse ano o Imperador Constantino concede a liberdade de culto aos cristãos pelo Édito de Milão. Com o seu reconhecimento ela tinha que se tornar visível, com isso surgiu à necessidade de espaços para os cultos dos cristãos, com isso foram construídos um grande número de Igrejas em Roma (Figura 06), na Terra Santa, Constantinopla e em outros lugares (JANSON, 2001). Também foram utilizadas as basílicas romanas, que tinha diversas funções, de mercado, e sala de justiça e localizava-se próximo a praça do mercado. Sendo esse tipo arquitetônico base dos templos desenvolvidos pelos cristãos nos séculos seguintes, ele era composto por uma grande sala dividida por coluna, nave longitudinal, altar (que antes era dedicado à deusa da justiça, Minerva) e foi acrescida uma sala para os batismos no exterior do Templo (SCOTTÁ, 2010, P. 19).

Figura 6: Interior da Basílica de São Paulo, Roma. Iniciada em 386. Fonte: www.flickr.com - Foto: Francisco Aragão.

Essa tipologia foi utilizada até o século V, quando se começou a utilizar a cúpula e planta retangular com presbitério em forma de trevo. Muitas experiências foram feitas até que por volta do século XI apareceram templos com planta em forma de Cruz. Durante esse momento de crescimento e firmação do Cristianismo, a doutrina não era unitária. Por isso, durante os primeiro séculos existiram os Concílios Ecumênicos, que eram as reuniões dos bispos, nas quais se fixaram normas e


19 costumes pelos quais a Igreja seria regida. Nesse período a Igreja se organizou e Roma tornou-se a sede mais importante do cristianismo, no entanto rivalizava com outras sedes do Oriente. A divisão do Império Romano no século IV, entre Oriente e Ocidente, levou também a um cisma religioso. Divergência entre o patriarca de Constantinopla e o bispo de Roma, cuja autoridade derivava de São Pedro, o papa, nas quais tinha diferenças na doutrinaria e política, enquanto os cristãos de Roma mantiveram sua independência do poder político, já os Orientais se fundavam na união espiritual e política (JANSON, 2001). Havendo assim no século XI a primeira ruptura do Cristianismo entre os Católicos, palavra que vem do grego e que significa “universal” e para os Ortodoxos, também do grego, “que segue a crença correta”. O segundo grande cisma do cristianismo foi por volta de 1517, quando um teólogo Alemão chamado Martinho Lutero, revoltou-se contra algumas práticas da Igreja Católica, como a venda de indulgência e o poder centralizador do Papa, começando assim a não reconhecer a autoridade papal, negando o culto aos santos e o celibato dos padres e religiosos. Tal movimento denominou-se Reforma Protestante, na qual de origem a Igreja Reformada. Os templos da chamada Igreja reformada eram simples construções, com poucos ornamentos e a celebração tinha como foco o sermão. Com isso o símbolo máximo da teologia Protestante é o ambão ou púlpito que simboliza a leitura bíblica, diferentemente do Catolicismo, onde o altar tem destaque principal na celebração. (DE MELLO, p.157) O Movimento da Contra Reforma foi à reação da Igreja Católica diante a Reforma Protestante. Muitas mudanças ocorreram na liturgia e doutrina católica, nas quais foram traçadas no Concílio de Trento (1545 a 1563). Nele definiram-se orientações que foram seguidas também na construção dos novos templos, com planta em forma de cruz latina, a nave única, diferentemente dos templos Renascentistas, alongando-se a nave para os fiéis e separando-a do coro, reservado para o clero. O altar ficou isolado e elevado, onde passaram a ser destacados os sacramentos existentes na Igreja Católica, definindo-se o local para o Sacrário, local onde ficam as hóstias consagradas, ganhando destaque central no retábulo junto às imagens dos santos e elementos artísticos.


20 Para Janson a tipologia Barroca, não pode ser expressa como a demonstração da Contra-Reforma, pois ele exprime o resultado de vários acontecimentos na Europa no século XVII, como a religião, política, com o Absolutismo, governado por um imperador com poderes ilimitados e a ciência que nesse período era complexo, abstrato e sistemático. Os príncipes da Igreja que deram apoio ao crescimento da arte barroca foram conhecidos mais pelo esplendor mundano do que pelo fervor religioso. Além disso, o novo estilo penetrou tão rapidamente no Norte protestante que devemos evitar o destaque excessivo de seu aspecto anti-reformista. (JANSON, 2001, p.716)

No Brasil o Barroco foi fundamental na formação cultural e política do Período Colonial. A Igreja Católica teve papel importantíssimo na formação das cidades, na educação e na presença do Império, já que nessa época o papel da Igreja era subordinado ao Estado. Ordens

religiosas

como

franciscanos,

os

carmelitas

e

beneditinos,

construíram edifícios que marcam o horizonte de muitas cidades brasileiras, tais prédios financiados por doações generosas de um povo temente a Deus. Foi fundamental a arte brasileira de acordo com Tirapeli (2005), “visto pelos conceitos da

estética,

esses

homens

temerosos

cumpriram

o

papel

de

mecenas

inconscientes.” Exemplo dessa arquitetura e urbanismo Barroco, pode encontrar na região Sudeste e Nordeste, como as cidades Históricas de Minas Gerais.

Figura 7: Cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Fonte: www.flickr.com - Foto: Hitlodeu.


21 O Barroco até hoje é marco de uma tipologia de Igreja. No entanto com a chegada da Família Real ao Brasil e anos antes a expulsão dos jesuítas e o espírito burguês, novos estilos foram trazidos, o rococó e depois o neoclassicismo e neogóticos. Presente ainda em diversos tipos de prédios das cidades brasileiras. Na Arquitetura Religiosa, voltam-se o uso de três naves, não característicos dos templos Barrocos. Já no século XX as cidades mudaram, e o pensamento modernista começou a transformar a paisagem urbana. Com isso os templos religiosos também modificarse, e as cidades começam a adquirir novas características e formas, de acordo com Scottá (apud COLIINS): Assim como os horizontes das cidades modernas são dominada pelos prédios comerciais, na Europa Medieval as catedrais e igrejas eram os edifícios maiores e mais imponentes. A catedral era um símbolo da cidade.(2000, p.111)

Os templos nesse momento não precisavam exercer o papel na cidade que tinha anteriormente, e uma nova maneira de pensar o templo cristão começou a ser desenvolvida no início do século XX. Na Europa templos foram construídos com matérias e técnicas modernas e projetos que traziam o pensamento modernista. Igreja como Notre Dame em Rounchamp (Figura 08), na França uma das últimas obras de Le Corbusier. Diferentemente de outras obras dele, Notre Dame traz planos irracionais e um jogo de curva

Figura 8: Capela Notre Dame du Haut de Ronchamp, construida em 1955 e projetada por Le Corbusier Fonte: http://whatsnewlili.wordpress.com/2010/01/13/igrejas-incomuns/ - Acesso em Abril de 2011

No entanto a principal transformação ocorrida na Igreja Católica foi o Concílio Vaticano II (1962 a 1965), que fez uma renovação na Liturgia implantando-se o uso das línguas locais nos ofícios, o ecumenismo, a defesa da liberdade religiosa. Na


22 arquitetura, também ocorreram modificações na construção e concepção dos novos templos, segundo Sartorelli: O Concilio Vaticano II é um marco dentro da renovação litúrgica, em razão de que sendo a liturgia fator determinante do uso do espaço da igreja, ele também implicou em modificações das normas de sua concepção arquitetônica.(2005. P.75)

Com todas as transformações ocorridas, o espaço do culto cristão se modificou para que cada sociedade em seu momento histórico pudesse aproximar os fiéis de Deus. Com isso, nos dias atuais os templos reduziram o número de imagens dos santos, tornando-se um espaço mais “limpo” e simples. Dos primeiros Cristãos até os dias atuais, por meio da arte e arquitetura podemos entender como se deram as dinâmicas sociais e políticas ocorridas nesses mais de 2000 anos de cristianismo. Sua influência na sociedade brasileira e a importância de seus prédios na História da Arquitetura.


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2. ANALISE DE REPERTÓRIO

Para entender como são dadas as modificações dos templos Católicos pós o Concilio Vaticano II, foi procurado estabelecer alguns critérios na escolha dos templos, tais como: a utilização das diretrizes do Concilio Vaticano II e seu significado simbólico, pelos elementos religiosos e sua arquitetura, a nível mundial, nacional e regional. Para essa analise foram escolhidos cinco edifícios igreja, quatro no Brasil, a Catedral de Brasília, Capela do Mosteiro de São Bento em Garanhuns, Igreja de Com Bosco em Brasília e o Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Maceió. E no exterior a Igreja do Jubileu na Itália.

2.1 CATEDRAL DE BRASÍLIA

A Catedral Metropolitana de Brasília, projetada em 1958, anos antes do Concilio vaticano II de 1969, pelo arquiteto Oscar Niemeyer é um ícone da Arquitetura Moderna, além de templo, sua concepção possui caráter monumental é um marco para a cidade de Brasília. Sua nave central é formada por uma coberta de 16 elementos parabólicos em forma de coroa. A nave é localizada em um nível subterrâneo à rua principal, e seu acesso se dá por uma galeria escura conduzindo o visitante até uma igreja iluminada, recoberta por vitrais da artista plástica Marianne Peretti4. Liturgicamente o templo utiliza das reformas de 1969, como o pequeno número de imagens, que são: os três anjos pendurados do teto do artista Alfredo Ceschiatti e a Via Sacra do artista Di Cavalcanti. No presbitério destaca o grande crucifixo próximo o altar, contando apenas e uma pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida, a qual o templo é dedicado. (figura 09)

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Marianne Peretti nasceu na França, filha de mãe francesa e pai pernambucano, é artista plástica e já ilustrou livros, trabalhou com Oscar Niemeyer em varias de suas obras e com outros arquitetos. Fonte: http://www.marianneperetti.com.br/


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Figura 9: Interior da Catedral de Brasília. Fonte: Foto do autor- Abril de 2011.

O próprio Oscar Niemeyer defende a concepção dessa Catedral explicando de maneira simbólica alguns partidos tomados na sua concepção, tais como o acesso e a luz que invade o templo: "Na Catedral, por exemplo, evitei as soluções usuais das velhas catedrais escuras, lembrando o pecado. E, ao contrário, fiz escura a galeria de acesso à nave e esta toda iluminada, colorida, voltada com seus belos vitrais transparentes para os espaços infinitos."

Sua planta é formada pela nave principal, com o coro na lateral, santuário e embaixo dele a cripta, que serve de capela do Santíssimo, em uma das laterais fica o batistério, exteriormente, representada por uma cúpula (figura 11) e do outro lado a sacristia, banheiros e salas (Figura 10).

Figura 10: Desenho esquematico da planta da Catedral de Brasília. Fonte: Lopes, Imyra, julho 2011.


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Figura 11: Catedral de Brasilia em primeiro plano a culpula do batisterio. Fonte: http://www.ideasposa.com.br

O batistério, localizado no subsolo e com acesso pela nave através de uma galeria subterrânea, é uma pequena capela com a pia batismal ao centro e cadeiras no entorno da mesma. (figura 12)

Figura 12: Batistério da Catedral de Brasília. Fonte: LOPES, Imyra. Abril de 2011

2.2 CAPELA DO MOSTEIRO DE SÃO BENTO DE GARANHUNS


26 O mosteiro de São Bento de Garanhuns foi Inaugurado na década de 1940 pelos monges beneditinos, funciona como escola de formação de monges, fabrica de hóstias e pousada (Figura 13).

Figura 13: Mosteiro de São Bento em Garanhuns. Fonte: Próprio autor – setembro de 2010

No início da década de 1990, foi construído uma segundo capela. Essa foi projetada pelo arquiteto e artista plástico Cláudio Pasto. Nesse templo pode ser visto características próprias de um templo monástico, a nave voltada para um grande presbitério, no qual contas com espaço nas laterais para acomodar os monges (Figura 14).

Figura 14: Interios da capela do Mosterio de São Bento. Fonte: Próprio autor – setembro de 2010

No templo não contem esculturas ou imagens, mas conta com um grande painel no presbitério com desenhos representando Cristo.


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2.3 IGREJA DE DOM BOSCO

Outro templo analisado foi a Igreja de Dom Bosco em Brasília. Projetada pelo arquiteto Carlos Alberto Naves, tem formato de um prisma e tem 80 colunas que se fecham nas extremidades em formato de arco ogival (Figura15).

Figura 15: Igreja de Dom Bosco, Brasília-DF Fonte: Foto Próprio autor – Abril de 2011.

A simplicidade formal de seu volume exterior se transforma dentro do templo, pois entre as colunas foram dispostos vitrais em tons de azul. Nas laterais do quadrilátero estão localizadas em cada extremidade da estrutura do Santuário, uma coluna com vitrais rósea (Figura 16). A iluminação do Templo fica pro conta de um imenso lustre, com 3,5 metros de altura e 5 metros de diâmetro, formado 7400 peças de vidro e sustentado por seis cabos de aço, e simboliza Jesus, a luz do mundo.


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Figura 16: Interior do templo, como os vitrais e o lustre em seu centro. Fonte: Foto próprio autor. - Abril de 2011

No subsolo da Igreja de Dom Bosco ficam a sacristia, arquivo paroquial, escritório e três grandes salões que funcionam separadamente ou interligados. O santuário de Dom Bosco é um local encantador desde sua forma até as sensações vividas quando se esta dentro os vitrais produzem um belíssimo efeito luminoso. 2.4 SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE FATÍMA

O santuário de Nossa Senhora de Fátima, localizada no bairro da Pajuçara na cidade de Maceió, inaugurada em 2008, conta com vitrais que contam a história da Via Sacra e a aparição de Nossa Senhora de Fátima (Figura 17 e 18).

Figura 17: Fachada Principal do Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Fonte: Próprio autor.


29 O seu interior a nave acomoda 400 fiéis sentados, outro destaque é a capela do Santíssimo localizado em um nicho a esquerda da nave (figura 18). O presbitério tem pouco espaço, mas nele contem o altar, ambão e sédia.

Figura 18: Capela do Santíssimo e Presbitério. Fonte: LOPES, Imyra - junho 2011

2.5 IGREJA DO JUBILEU

A Igreja do Jubileu, localizada na periferia de Roma, foi pensada inicialmente para ser a Igreja do Milênio, porém só foi inaugurada em 2003, por conta do atraso da construção, prevista inicialmente para o ano 2000. (Figuras 19 e 20). Teve nome inicial de Igreja do Milênio, modificado após comemoração do jubileu do pontificado do Papa João Paulo II, ocorrido no ano da inauguração. Projetada pelo arquiteto norte-americano Richard Meier, vencedor de um concurso realizado pelo Vaticano em 1996.


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Figura 19: Fachda Principal da Igreja do Jubileu em Roma Itália. Fonte: http://www.architetturaeviaggi.it

Figura 20: imagem da esquerda, altar da nave principal e a direita, fachada posterior com destaque ao setor profano. Fonte: http://www.architetturaeviaggi.it

A nave principal, capela e confessionário se localizam no lado sul, destacado por ter três elementos curvos que simbolizam a Santíssima Trindade, segundo o próprio arquiteto. Na ala norte, localizam-se o centro comunitário e a casa do pároco, que possui formas retas (Figura 21). O centro paroquial é composto sala de catequese, escritório, auditório e casa paroquial.


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Figura 21: Planta esquemática do templo: Fonte: http://www.arcoweb.com.br

Os Templos escolhidos nessa analise de repertório, independente de suas realidades e regiões que estão inseridos, são exemplos de que a própria Igreja Católica coloca quando fala das artes: “... a Igreja não cessa de solicitar a nobre contribuição das artes e admite as expressões artísticas de todos os povos e regiões.(...) também procurar promover formas novas que se adaptem à índole de cada época.”. (Introdução ao Missal Romano n.289). Por isso não existe um estilo ou mesmo forma de projetar um templo Católico, o que deve é levar em consideração suas exigências litúrgicas e seu significado simbólico.


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3. ÁREA DE INTERVENÇÃO

Para o desenvolvimento do projeto foi escolhida a cidade de Garanhuns, localizada no estado de Pernambuco, uma vez que a mesma é a cidade natal do autor, e o mesmo haver percebido a importância que a religião na cidade e a devoção de grande parte da população.

Figura 22: Mapa de Pernambuco localizando a cidade de Garanhuns. Fonte: http://pt.wikipedia.org, modificado pelo autor.

Com isso foi procurado entender as necessidades da Diocese, e realizada uma entrevista com o Bispo de Garanhuns Dom Fernando Guimarães5. Além de falar sobre a Diocese e como ela é formada, foi colocada a situação das paróquias de Garanhuns, com isso o Bispo falou da realidade dos templos e como eles funcionam. Quando questionado sobre a possível construção de um novo templo para Diocese na cidade de Garanhuns, foi levantada a questão de uma das paróquias, que possuía uma pequena capela, mas necessitava de um novo templo, a Igreja Matriz da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Com isso Dom Fernando Guimarães pediu para entrar em contato com o pároco local para obter maiores informações das reais necessidades de tal localidade. Em contato com pároco local Pe. Jeová Ribeiro, no qual foi apresentada a idéia do projeto acadêmico sem pretensões da construção do projeto, o mesmo falou das dificuldades da comunidade e a necessidade real de construir um novo templo, maior e com melhor estrutura para que a comunidade, também pretendendo tornar o

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Entrevista realizada no dia 28 de Dezembro de 2010 na Cúria da Diocese de Garanhuns.


33 edifício um elemento marcante no bairro, pois, segundo o Padre, o bairro é carente de elementos de destaque arquitetônico. A capela da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, foi criada em 2008, por conta do grande número de fiéis do bairro Francisco Figueira e região próxima. O atual templo foi construído a mais de vinte anos e antes as celebrações ocorriam somente aos domingos. O prédio atual tem uma arquitetura popular, sem nenhuma erudição. No pavimento térreo fica um salão com a nave com bancos para 200 lugares, e um pequeno presbitério, No pavimento inferior localiza-se uma pequena sala que serve para atendimento, sacristia e sala de apoio. No conjunto da paróquia localiza-se outro prédio que abriga o salão paroquial, onde acontecem algumas reuniões de grupos da Igreja e da Associação dos Moradores do Bairro.

Figura 23: Templo atual, com vista externa Fonte: Próprio autor - março de 2011

Muitas são as carências e necessidades desse templo, que vão desde sua organização espacial, e a utilização dos elementos simbólicos e litúrgicos, até a demanda da construção de um novo espaço.


34 3.1 HISTÓRIA

A cidade de Garanhuns, localizada no Agreste Meridional do estado de Pernambuco, possui uma população de 130 mil habitantes segundo (IBGE 2010). Nos últimos anos a cidade tem se desenvolvido economicamente, por conta do turismo, comércio e Educação. A cidade foi emancipada em quatro de fevereiro de 1879 e nessa época contava apenas com quatro ruas. No entanto com a chegada do trem em 1887, que vinha de Recife, a cidade se modificou completamente, foram construídos prédios, como o da estação ferroviária, que hoje funciona como Centro Cultural (figura 24). Além de investimentos no urbanismo e economia da cidade, com a cultura do café e algodão (CAVALCANTI, 1968)6.

Figura 24: Foto da antiga Estação Ferroviária de Garanhuns, hoje abriga o Centro Cultural Fonte: Domínio Público.

Em 1958 a revista o Cruzeiro, destacou Garanhuns como uma das 10 cidades de mais progresso do país. Porém no final da década de 1960 com a queda da produção cafeeira e o fechamento da estrada de ferro sua economia entrou em decadência. Depois de vinte anos de decadência, hoje a cidade tem outra dinâmica e mudanças acontecem no seu cenário econômico, principalmente com a cultura e turismo, promovendo eventos como o Festival de Inverno de Garanhuns, o Festival de Jazz durante o carnaval e festivais de música e teatro que estão transformando a sociedade, além do turismo religioso.

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Alfredo Leite Cavalcante além de escrever o Livro “História de Garanhuns”, foi empresário e defensor da história e cultura de Garanhuns


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Figura 25 Foto aérea do município de Garanhuns-PE nos dias atuais - Fonte: Garanhuns Fotos – Flickr - http://www.flickr.com/photos/garanhunsfotos/4371141548/sizes/z/in/photostream/ – Acesso Fevereiro de 2011

3.2 RELIGIÃO

Outro marca importante na cidade é a religião. No inicio do século XX, existiam na cidade escolas Católicas e Protestantes, como o Colégio Santa Sofia e o XV de Novembro (foi fundado como uma escola Luterana, hoje pertence aos Presbiterianos). Esse registro é marcado com templos localizados nas principais avenidas e ruas de Garanhuns, na Avenida Santo Antônio, no centro da cidade encontra-se de um lado a Catedral e do outro a Igreja Presbiteriana (Figura 26). A arquitetura desses templos revela a diversidade cultural da cidade.

Figura 26 Templo Presbiteriano no Centro de Garanhuns Fonte: http://www.panoramio.com/photo/3960613 - acesso: fevereiro de 2011


36 Dentro da evolução que Garanhuns tinha no início de século XX foi criada em 1918 a Diocese de Garanhuns7, sendo desmembrada da Arquidiocese de Recife e Olinda em 2 de Agosto de 1918 pelo Papa Bento XV. Além da de Garanhuns Foram criadas as Dioceses de Pesqueira no sertão do estado e Nazaré da Mata na Zona da Mata, no seu início ela era formada por quinze paróquias, sendo a sede Garanhuns. Localizado no Centro Sul do estado de Pernambuco, atualmente a diocese de Garanhuns conta com trinta e três paróquias em vinte e seis municípios, distribuído na Zona da Mata e Agreste. E também fazendo Fronteira com as Dioceses de Pesqueira, Caruaru, Palmeira dos índios e a Arquidiocese de Maceió. O principal templo de toda Diocese, a Catedral de Garanhuns, foi a primeira igreja de da cidade e representa o seu marco zero (figura 27). Em 1742, no mesmo local da atual Catedral foi construída uma pequena Igreja. Durante muitos anos foram realizada varias reconstruções, até que em 1872 foi construída a nova matriz, com melhoramento de estilo e uma nova fachada, semelhante à atual8. Já na década de 1990 foi realizada uma grande reforma em seu interior, na qual houve grandes modificações.

Figura 27: Atual Catedral de Santo Antônio de Garanhuns. Foto: Vicente A. Queiroz. Fonte: http://www.panoramio.com/photo/28842775

Com a última reforma a planta da Catedral ficou dividida com uma única nave (figura 28), presbitério bem mais alto que a nave, do lado direito a capela do

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História da Diocese de Garanhuns no site: http://www.diocesegaranhuns.org CAVALCANTE – História de Garanhuns.


37 santíssimo e do esquerdo a sacristia com a sala de apoio a celebração, na entrada fica o batistério à esquerda e à direita a cripta da igreja.

Figura 28: Esquema da planta baixa da Catedral de Garanhuns. Fonte: Próprio autor.

Figura 29: Capela do Santuário da Mãe Rainha em Garanhuns. Fonte: http://www.diocesegaranhuns.org- Acesso - Junho de 2010

Garanhuns também conta com o Mosteiro de São Bento. Criado em 1940 pelos beneditinos, ela funciona como escola de formação de monges e fabrica de hóstias. Outra instituição é o Santuário da Mãe Rainha inaugurado em 2004, que hoje é local de peregrinação de fiéis.


38 3.3 SÍTIO

Localizado no bairro Francisco Figueira, que tem como origem um conjunto habitacional, criado no ano de 19839 como parte de um programa de habitação, a COHAB - Companhia de Habitação, hoje ele se tornou um bairro consolidado. No entanto conta com graves problemas de infra-estrutura, falta de escolas e áreas de lazer coletivo. Na imagem abaixo podemos observar a distinção do desenho urbano, do loteamento do conjunto habitacional na cor amarela e a formação urbana mais recente na cor laranja.

Figura 30: Esquema mostrando as duas formas de parcelamento do solo. Fonte: Com base na imagem do Google.

Os principais acessos para o bairro são pela Av. São Miguel, que dá acesso ao Centro da cidade, a BR 424 a outros bairros, e a PE 218, uma das saídas da cidade. No bairro, o acesso ao terreno se dá pela Rua Zumbi, onde passam os ônibus urbanos, como visto na Figura 30 e 31.

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Informação levantada por meio de entrevistas com os moradores locais, referente o ano da inauguração do conjunto habitacional, pois não foram encontrados dados com a data do início de sua construção.


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Figura 31: Principais acessos para o local do projeto Fonte: Google Earth, modificado pelo autor.

Outro acesso para o bairro é por meio de ônibus urbano que saem do centro da cidade via COAHB II10, ou por meio do circular que passa por vários bairros, no mapa abaixo poderá ser visto os pontos de ônibus próximo do terreno e o percurso feito pelo mesmo.

Figura 32: Rota e ponto de parada dos ônibus Urbanos. Fonte: Fonte: Google Earth, modificado pelo autor.

O terreno com área de 2614m² tem forma de quadrilátero irregular com quatro testadas, três delas voltada para as principais ruas de acesso: ao norte para Rua 10

Mesmo o bairro tendo nome oficial Francisco Figueira, a maioria da população e os ônibus urbanos usam o nome do antigo conjunto COHAB II.


40 Napoleão Almeida, a leste para Avenida Florêncio Rodrigues e a Sudoeste a Rua Álvaro Agobar. No terreno, além da Capela atual, também existem outros dois prédios: Centro Paroquial e a casa paroquial.

Figura 33: Localização do terreno no bairro e edificações existentes. Fonte: Google Earth, modificado pelo autor.

Todo o antigo Loteamento e o terreno do projeto localizam-se em declive. A figura 34 representa um corte esquemático das casas duas quadras acima da Igreja e uma quadra abaixo, tomando como base o nível zero a Rua Zumbi a fachada frontal do templo atual fica a cinco metros e duas quadras acima do terreno do projeto ficando a mais de onze metros.

Figura 34: Corte esquemático mostrando o perfil do entorno imediato do terreno do projeto. Fonte: Google Earth, modificado pelo autor

Segundo o Plano Diretor do Município de Garanhuns de 2008, o bairro localiza-se no (ZAD) Zona de Alta Densidade, que se refere “às áreas das últimas fases de expansão urbana, predominantemente ocupadas por padrões médios e populares de parcelamento e edificação residencial.” (Plano Diretor de Garanhuns). No quadro de Parcelamento Urbanístico a região apresenta uma Taxa de ocupação máxima de 60% e outros parâmetros para ocupação urbana na região, (Tabela 01).


41 Tabela 01:Parâmetros Urbanístico - Plano Diretor de Garanhuns – 2008

O Plano Diretor de Garanhuns define o gabarito da zona seja de dois andares, térreo mais um pavimento (T+1), a taxa de ocupação nessa zona é de 60% do terreno e afastamentos mínimos de 5 metros na testada frontal, 1,5 nas laterais e 3 metros no fundo do lote. O uso do solo é predominantemente residencial, no entanto existem alguns os equipamentos destinados a serviços e comércio. Localizam-se principalmente às margens da Rua Zumbi, por essa ser o principal acesso ao bairro. A figura 35 ilustra como é a ocupação no entorno do terreno do projeto.

Figura 35: Mapa de uso e ocupação do solo atual. Fonte: Base da Prefeitura de Garanhuns, modificado pelo autor.


42 3.4 CONDICIONANTES AMBIENTAIS

A cidade de Garanhuns é localizada geograficamente no Agreste Meridional do estado de Pernambuco, faz parte do Planalto da Borborema, que vai do sul do estado de Alagoas até o estado do Rio Grande do Norte, formado por um maciço rochoso e relevo movimentado com altitudes que variam entre 600 à 1000m de altitude. Na qual constitui uma área de transição entre a Mata Atlântica e a caatinga (figura 36), servindo de barreira natural dos ventos que vem do Oceano Atlântico que vão em direção do sertão, a cidade tem altitude média de 842 metros ao nível do mar e chegando aos 1.030m no alto do Magano.

Figura 36: Esquema mostrando a localização de Garanhuns em relação o Oceano e o Sertão. Fonte: Próprio autor.

A cidade tem os ventos predominantes leste e sudeste, segundo dados da estação climatológica de Garanhuns, pertencente ao Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), com temperatura média anual de 20,5ºC. A cidade não passa do 30ºC no verão e durante o inverno sua temperatura mínima é de 15ºC. Ainda observando os condicionantes climáticos na zona bioclimática na qual a cidade se insere, segundo a NBR 15220, ao qual estabelece um Zoneamento bioclimático Brasileiro, são feitas recomendações estratégias construtivas para cada zona O zoneamento bioclimático no Brasil compreende oito diferentes zonas. Para estabelecer as estratégias de cada zona, foram considerados os parâmetros e condições, do tamanho das aberturas para ventilação e sua proteção, vedação externa e estratégia de condicionamentos térmicos (NBR 15220). Garanhuns localiza-se na zona bioclimática cinco (Figura 37). Na qual as estratégias de condicionamento térmico no verão é ventilação cruzada e no inverno


43 vedações interna pesadas. E as aberturas para ventilação é média e sombreamento da aberturas.

Figura 37: Mapa referente às áreas com zona bioclimática 5. Fonte: NBR 15220


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4. PROGRAMA DE NECESSIDADES

Primeiramente para compreender o funcionamento do edifício Igreja é necessário entender como se desenvolvem as ações nesse espaço. Utilizando a simbologia na arquitetura para comunicar e representar culturas, preceitos, idéias e formas. O programa de necessidades de um templo vai além de uma lista de espaços funcionais. Deve contemplar também elementos simbólicos, por esse tipo de edifício ter que transmitir sacralidade, um local onde possa agregar e integrar a comunidade. Para a definição do programa de necessidades para o Templo do Sagrado Coração de Jesus em Garanhuns, foi considerado às características locais e a Liturgia Católica. •

Santuário ou presbitério; Espaço amplo na qual se encontra o altar, ambão, sédia e a imagem do Cristo

crucificado. Esse espaço representa um dos elementos mais simbólicos, que compõem esse tipo de edificação. Por isso esse espaço deve se localizar em uma posição de destaque no templo, para que possa ser visto por todos (MISSAL ROMANO, p. 178). Altar: peça fundamental em um templo católico, ele simboliza o sacrifício de Cristo na cruz, de origem judaica, quando o cordeiro era posto em uma mesa para ser sacrificado e também representa a mesa da refeição, lembrando a última ceia de Cristo. Ele pode ser feito de pedra maciça ou de folhas de pedra ou outro material que seja sólido e firme. Segundo a tradição essa mesa do altar deve ser fixa, em formato retangular ou quadrado com tamanho máximo 0,8 x 1,70 e com 2,5m livre no seu entorno. Nos templos construídos após o Concilio Vaticano II, definiu-se que seja feito um único altar, para simbolizar um só Deus e uma só Eucaristia da Igreja. Ambão: local onde acontece a liturgia eucarística, na primeira parte da missa. Nele são lidas as leituras Bíblicas, o salmo e pode ser proferida a homilia. Ele é uma


45 extensão do altar, um local sagrado, onde se anuncia e testemunha Cristo. Cada templo só possui um ambão, simbolizando que só existe uma palavra de Deus, Por isso é feita do mesmo material do altar. Sédia do presidente ou cátedra do bispo: pertence a um único celebrante, Cristo, podendo ser usado pelo bispo ou padre, no entanto se recomenda que ela fique vazia. A sédia utiliza o mesmo material do Altar e Ambão e recomenda-se que seja construída da maneira mais simples possível. •

Nave; Espaço, na igreja, desde a entrada até o santuário, nele estão dispostos

bancos simples, que ficam no entorno do Santuário. Segundo a tradição Cristã o centro da celebração é Cristo, que está sentado no Trono (Sédia). Por isso, o melhor lugar pertence a Ele. Com a Contra-Reforma esses bancos ganharam genuflexórios. Recomenda-se que os bancos sejam dispostos de maneira que os fiéis possam sem dificuldade ouvir, ver o sacerdote, diácono e leitores, como se posicionar sem dificuldades para comunhão.

Figura 38: Igreja do Sagrado Coração de Jesus - Munique - Alemanha. Fonte: http://www.snpcultura.org, acesso abril 2011.

Capela do Santíssimo; Uma pequena capela à parte, onde fica o sacrário ou tabernáculo, é uma

caixa fechada e feita de material sólido, onde são guardadas as hóstias, É um espaço de oração pessoal. As hóstias ficavam guardadas na sacristia, entretanto, com a Contra-Reforma foram colocados no presbitério junto o altar. Com o Concilio


46 Vaticano II, o sacrário foi retirado do presbitério, ficando em um espaço separado, para destacar a mesa do Altar, o local de destaque do Templo. •

Batistério; Pequena capela que pode localizar-se próximo ao altar ou na entrada do Templo. Nesse local celebra-se o Sacramento de entrada na vida Cristã.O próprio Jesus foi Batizado pelas águas e colocou mandou os Apóstolos repetiram esse ato, “Ide e ensinai por todas as nações, batizando-as em nome do Pai do Filho e Espírito Santo.” (Bíblia, Mateus 28, 18-20) O batistério pode ser uma peça que possa depositar a água e permita a aspersão ou imersão do batizado ou podendo ser também uma piscina

Figura 39: Batisterio da The Chapel of the Assumption, Paris - França

com uma fonte em um local onde todos possam participar desse sacramento.

Fonte: http://www.dezeen.com

Imagens ou Esculturas São elementos utilizados desde a Igreja Primitiva, com pintura e mosaicos de

Cristo como o Bom Pastor, e tal tradição continua até hoje com a representação do próprio Cristo, Maria e dos Santos como elemento de veneração. No entanto, nos templos construídos após o Concilio Vaticano II (1961 – 1965), não aparecem imagens ou pintura de Santos ou de Maria no Presbitério, pois na tradição cristã o centro da celebração é o próprio Cristo. Por isso próximo o altar deve ter apenas uma cruz com a imagem do Cristo crucificado. As demais imagem dedicadas em honra a algum santo sejam dispostas de maneiro que “conduzam os fiéis ao mistério da fé”(INSTRUÇÃO DO MISSAL ROMANO, n.318, p.189), e que o número não seja grande e que exista uma única imagem de cada santo.


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Figura 40: Imagem de Nossa Senhora na Igreja Notre Dame do Rosário em Les Lilas - França. Fonte: www.dezeen.com

Torre

Antigamente a torre marcava a paisagem das cidades e simbolizava a presença da Igreja Católica e a fé do povo que ali morava. No entanto com a verticalização e crescimento dos centros urbanos, o seu significado simbólico ainda continua, como sua função de conter os sinos para chamar os fiéis para as celebrações e servindo também como meio de comunicação, em muitos locais avisa sobre o nascimento ou morte de alguém daquela comunidade. •

Átrio

Espaço amplo de frente a Igreja onde os fiéis e visitantes do templo podem ter contato com a comunidade. Tal espaço também é destinado para que o prédio não fique próximo às vias públicas e para a realização de cultos fora do templo quando o número de fiéis é grande. Cada espaço de um templo Católico é repleto de significados e símbolos que traz em uma tradição e história. Por isso, seu programa de necessidades tem que atender além do elemento funcional, de conforto e acústica, tem que expressar a dimensão simbólica de todos os espaços que compõem o edifício-igreja. Cada um dos espaços e elementos citados é característico de todos os templos Católicos construídos atualmente. No entanto existem outros espaços que dependem do tipo de igreja ou mesmo do local em que ela se localiza.


48 Outro elemento programático fundamental para tal projeto é o fato do templo ser dedicado a um santo ou devoção, nesse caso a devoção do Sagrado Coração de Jesus. No entanto, além de um novo templo, são necessários anexos que acompanham o edifício Igreja, Em entrevista com o Padre Jeová, atual pároco responsável pelo templo, o mesmo relatou como é o funcionamento do espaço a ser projetado. Onde hoje funciona da seguinte maneira: com missas nas quintas-feiras, sextas-feiras, sábado e três celebrações aos domingos, além de servir de espaço para encontro dos grupos ligado a Igreja da comunidade, tais como, Renovação Carismática, Terço dos Homens, Praesidium da Legião de Maria e outros grupos. Para que a paróquia tenha um bom funcionamento e que os grupos possam se reunir confortavelmente, terão que ser projetadas: salas para reuniões e catequese, sacristia, arquivo, sala de som e equipamentos, banheiros, sala de atendimento do pároco e um salão paroquial que possa ter múltiplo uso, podendo ser utilizado para encontros ou festas de casamentos.

4.1 PRÉ-DIMENSIONAMENTO

A

partir

do

programa

de

necessidades,

foi

elaborado

um

pré-

dimensionamento levando em conta as mínimas dimensões para cada ambiente. O templo atual conta com 200 lugares. Com a ampliação e modernização, esse número será elevado para 330 lugares. Serão incluídos outros espaços como salas de reuniões e salas de catequese, cada espaço para 30 pessoas, além do salão paroquial, que será um espaço multiuso, com um salão para reunião de até 200 pessoas, com copa e banheiro. Na tabela abaixo seguem todos os espaços e dimensões utilizados no projeto: Tabela 1: Programa de necessidades e pré-dimensionamento.

Ambientes Nave Átrio Santuário Capela do Santíssimo

Observações 330 lugares x 0,5m² + 20% de circulação

Área m² 300 150 35 15


49 Batistério Sacristia Secretária Sala de Som e Apoio Sala de Confissões Copa Arquivo Salão Paroquial 2 Sala de Reuniões 2 Salas de Catequese 6 Banheiros

30 pessoas x 0,6m²

15 20 12 10 12 10 10 150 36

20 pessoas x 0,6m²

24

segundo a NBR 9050 Total

15 834

Com o programa de necessidades, foi desenvolvido um fluxograma e um diagrama de bolhas, onde cada círculo corresponde à área de cada ambiente. O Fluxograma corresponde à relação dos diversos tipos de usuários com os usos funcionais específicos, garantindo assim uma melhor orientação dos freqüentadores e funcionários (Figura 41). Nesse projeto, foram definidos três acessos: o do templo, do centro paroquial e salão paroquial, garantindo o funcionamento independente de cada setor, havendo comunicação interna dos setores.

Figura 41: Fluxograma dos espaços da Paróquia.

Com o entendimento dos fluxos e pré-dimensionamento dos espaços projetados, foi desenvolvido um diagrama de bolhas, no qual cada bolha corresponde à área de cada ambiente, assim possibilitou a relação dos espaços entre si e com o terreno (Figura 42 e 43)


50

Figura 42: Diagrama de Bolha.

Figura 43: Diagrama de Bolha no terreno do projeto


51

5. DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

A proposta arquitetônica desse projeto nasceu antes mesmo dos primeiros desenhos, pois foi necessário entender a função dos elementos litúrgicos presente no espaço sagrado. No caso do templo Católico vimos que o altar é o elemento principal, nele, são realizada as celebrações litúrgicas, tornando-se o coração desse tipo de edifício (Figura 44).

Figura 44: Altar local central do edifício igreja. Fonte: próprio autor. Julho 2011.

O partido arquitetônico tomado compreende a função principal do templo, a celebração e oração e seu papel de marco na paisagem do bairro, no qual esta inserida. Num sítio de em uma região de aclive, seu terreno é um quadrilátero, onde existe um muro em um dos seus lados (Figura 45), e com diferentes cotas.

Figura 45: Esquema do sítio em que localiza-se o projeto. Fonte: próprio autor. Julho 2011.


52 É proposto que o espaço do templo seja um elemento destaque do projeto, propondo que ele seja um volume mais alto que os prédios de seu entorno e também localizado na cota mais alta do terreno. E os demais espaços que compõem a paróquia, localizada em um volume mais baixo e paralelo com o muro que divide o terreno, tal volume servindo de moldura ao volume principal. Com isso foi criado um grande espaço nas cotas mais baixas, servido de praça, na qual se poderá ter uma melhor perspectiva do conjunto arquitetônico (Figura 47), e servindo como um espaço de encontro da comunidade, no qual é carente de ambientes coletivos de convívio no bairro. No zoneamento foram definidas as aéreas de intervenção (Figura 46).

Figura 46: Zoneamento do projeto. Fonte: Próprio autor, julho 2011.

Figura 47: Perspectiva ilustrativa, mostrando o templo, a praça e o centro paroquial como moldura do conjunto. Fonte: próprio autor, julho 2011.

O acesso ao templo se dará na fachada principal que só conta com uma abertura, uma grande e alta porta, que serve de passagem dos fiéis para o espaço


53 sagrado e tendo como perspectiva o altar ao centro. A luz que entra pelas grandes aberturas laterais (Figura 48 e 49). Nessa mesma fachada foi colocada a torre, que como nos templos antigos, marcava o horizonte das cidades, nesse caso além de armazenar o sino, para avisar a comunidade dos horários das celebrações, também servirá como elemento marcante do bairro, que tem predominância de edifícios horizontal.

Figura 48: Perspectiva interna do templo. Fonte: próprio autor, julho 2011.

Figura 49: Fachada Principal e a torre. Fonte: próprio autor, julho 2011.


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5.1 FUNCIONALIDADE Construído o partido arquitetônico, os espaços foram divididos em três setores: o do templo, do centro paroquial e a praça (Figura50).

Figura 50: Esquema representando o Centro Paroquial e o Templo. Fonte: próprio autor, julho 2011. .

O templo, que se refere ao volume mais alto e acessado pela Rua Florêncio Rodrigues, com um recuo maior que o pedido no Código de Edificações de Garanhuns, para que nele possa ter o átrio, proporcionando esse espaço que serve para o convívio e encontro dos fiéis antes de depois das celebrações. O espaço destinado ao templo conta com a nave, capela do santíssimo, presbitério e batistério, além da sala de som que se localiza no volume da torre que fica conectado ao templo. Na lateral direita estão espaços como os banheiros, sala de apoio, sala de confissões e sacristia ligada diretamente ao presbitério, ligado diretamente ao centro paroquial (Figura 51).


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Figura 51: Planta baixa do templo católico. Fonte: LOPES apud Ângelo, julho 2011.

O centro paroquial localizado perpendicular ao templo contém a secretária, sala de atendimento do pároco, sala de reuniões e salas de catequese. O salão Paroquial tem sua entrada principal dado pela grande praça localizada pela fachada sudeste do templo, além de um acesso de serviço pela lateral oposta. (Figura 52),

Figura 52: Perspectiva da fachada do centro paroquial. Fonte: Próprio autor, julho 2011.


56 O terceiro setor proposto é a praça, que no partido arquitetônico corresponde à relação de perspectiva e de convívio para a comunidade. Nele foi feito um agenciamento com volumes elevados do chão servindo de canteiro no contorno da praça com vegetação alta, árvores de médio porte para proporcionar sombreamento. E no centro da praça volumes em diferentes alturas acompanhando as cotas do terreno, e servindo para vegetação arbustiva e de pequeno porte, esse espaço tem como caráter ser um local de permanência ou passagem, para toda comunidade do bairro.

Figura 53: Conjunto Paroquial. Fonte: Próprio autor, julho 2011.

Figura 54: Planta de cobertura vegetal. Fonte: LOPES apus Ângelo, julho 2011.


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5.2 PEÇAS LITÚRGICAS Peças como altar, batistério, ambão e sédia fazem parte do programa de necessidades do templo. Tais objetos são elementos simbólicos importantíssimos no edifício igreja, por isso, tem que ser projetados visando sua função, uso e significado simbólico. Para o projeto desenvolvido, tais peças foram projetadas em comunicação com o projeto arquitetônico. O altar foi projetado como um prisma de granito fixo, sem detalhes ou adornos, para que ele destaque a simplicidade formal, localizado no centro do presbitério (Figura 55).

Figura 55: Altar do projeto. Fonte: Próprio autor, junho 2011

O ambão, local da liturgia da palavra, parte do altar, por isso a utilização do mesmo material, tem forma em “L” e localiza-se nos degraus de acesso ao presbitério, na lateral do altar (Figura 56).


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Figura 56: Ambão. Fonte: Próprio autor, julho 2011

Outra peça é a cadeira do celebrante, ou sédia, também projetada com o mesmo material do altar e ambão. Nele é proposto um projeto de simplicidade nas formas e sem detalhes. Mas caracterizando sua importância como local do celebrante.

Figura 57: Sédia. Fonte: Próprio autor, julho 2011

A última peça projetada é a pia batismal, nesse caso foi projetado em comunicação com altar, esse objeto é um prisma com uma abertura na face superior, na qual é colocada água para celebração do batismo.


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Figura 58: Pia batismal. Fonte: Próprio autor, julho 2011

5.3 ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS DOS MATERIAIS

Tal especificação tem como objetivo mostrar os materiais aplicados no projeto, como também para servir com parâmetro futuro para o orçamento da obra. EXTERIOR 1. PISO / CALÇADAS -Piso revestido com piso intertravado retangular de concreto, nas dimensões 10x20x06cm, nas cores terracota e natural. 2. PAREDES / FACHADAS -Brise metálico,tipo Aeroscreen

perfurado, espessura de 0,03 cm, ref.:

.HANTERDOUGLAS ou equivalente. - Brise metálico, perfil tipo as de avião, com painel fixo, espessura 0,06 cm, Ref.: HANTERDOUGLAS ou equivalente. - Elemento vazado de argamassa de cimento, regular, 0,20 x 0,20cm. 3. COBERTA


60 - Telha autoportante plana, constituída de telhas metálicas, cor alumínio natural, ref.: TELAPORT ou equivalente. INTERIOR 1. PISO •

Templo:

-Granito branco Itauna, Chapas de 1,5 X 1,50 X 2cm •

Piso demais áreas:

-Porcelanato polido bege, Dolmen 60x60 POL -linha Progetto, nas dimensões 60x60cm. Ref.: 93707E, PORTOBELLO ou equivalente. •

Piso Banheiro

-Porcelanato polido cinza, Trani 45 x 45 POL -linha Progetto, nas dimensões 45x45cm. Ref.: 877996, PORTOBELLO ou equivalente. 2. PAREDES -Vidro laminado transparente refletivo, composto de 2 lâminas de vidro de espessuras desiguais, de 6 e 8mm aderidas entre si por um filme de polivinil butiral PVB fumê -SAFLEX. Ref.: BLINDEX ou equivalente. -Vitrais coloridos, desenvolvido por artista a ser escolhido. -Rodapé em Granito branco Itauna, Chapas de 0,10 X 1,50 X 2cm. •

Revestimento das Paredes de todos os ambientes:

- Tinta Látex branca, para pintura de superfícies de alvenaria, concreto ou blocos de cimentos. Ref.: CORALAR ou equivalente. •

Revestimentos Banheiros:

-Porcelanato polido cinza, Trani 45 x 45 POL -linha Progetto, nas dimensões 45x45cm. Ref.: 877996, PORTOBELLO ou equivalente. BANHEIROS •

Louças:


61 -Bacia Convencional modelo P5, na cor branca, Ref.: P5, com assento, na cor branca, Ref.: AP-50, DECA ou equivalente. -Lavatório pequeno com coluna suspensa, na cor branca, linha conforto. Ref.: modelo L510 (lavatório) e C510 (coluna suspensa), DECA ou equivalente. -Bacia vogue plus conforto com abertura frontal, na cor branca, linha conforto. Ref.: P51, DECA ou equivalente. -Bacia convencional, na cor branca, linha Studio Kids. Ref.: PI16, DECA ou equivalente. •

Metais:

-Acabamento para válvula de descarga anti vandalismo, linha Docol System. Ref.: 01505006, DOCOL ou equivalente. -Acabamento para válvula de descarga Pressmatic Benefit anti vandalismo, linha Docolmatic Benefit. Ref.: 00184906, DOCOL ou equivalente. -Barras de apoio em aço inox escovado para deficiente físico 80 cm, linha docol matic. Ref.: 00446416 DOCOL ou equivalente. -Barras de apoio em aço inox escovado para deficiente físico 40 cm (para porta), linha docol matic. Ref.: 00446616, DOCOL ou equivalente. -Barras de apoio em aço inox escovado para deficiente físico em “L” 80cm (para chuveiro), linha docol matic. Ref.: 00489316, DOCOL ou equivalente. -Barras de apoio em aço inox escovado para deficiente físico em “U” para pia, bitola 1” ½ chumbada na alvenaria. -Barras de apoio em aço inox escovado para deficiente físico em “L” para pia, bitola 1” ½ chumbada na alvenaria. -Chuveiro Bello Banho com dispositivo DR, cor branca. Ref.: LORENZETTI ou equivalente. -Cabide, linha acessórios Malta. Ref.: DOCOL ou equivalente.


62 -Dispensador para sabonete / detergente, linha Docolmatic – complementos. Ref.: 17200006. Com fixador anti vandalismo para torneira de mesa. Ref.: 00511700, DOCOL ou equivalente. -Ducha higiênica com mangueira flexível metálica, registro e derivação, linha trio.

REF.:

00502506,

DOCOL

ou

equivalente.

-Sifão para lavatório, linha básicos. Ref.: 00322606, DOCOL ou equivalente. -Sifão para tanque. Ref.: S-1 1/4 x1/2 x 30, FABRIMAR ou equivalente. •

Acessórios:

-Porta toalha de papel interfolhada em plástico de alta resistência, na cor branca, linha Kimberly-Clark. Ref.: 30180225, LALEKLA ou equivalente. -Porta Papel Higiênico em plástico de alta resistência, na cor branca, linha KimberlyClark. Ref.: 30175768, LALEKLA ou equivalente. -Saboneteira Aitana Branca, AC: 70.000, linha clássica. Ref.: JOFEL ou equivalente. -Lixeira em aço inox com tampa basculante, diâmetro 25cm. Ref.: 9452012, TRAMONTINA ou equivalente. -Espelho em cristal 4mm de espessura. Ref.: BLINDEX ou equivalente.

ALTAR, AMBÃO, SÉDIA E PIA BATISMAL - Granito branco Nepal, padronizados e sob medida para cada peça.


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CONCLUSÃO

A arquitetura e o Urbanismo existem parâmetros que vão além do desenho do projetista, algumas propostas trazem uma carga de elementos simbólicos e teóricos que vão além do projetado, eles trazem influências políticas, sociais e religiosas da sociedade que a constrói. Todos os prédios têm um significado, assim como os edifícios destinados ao culto, os templos trazem elementos que comunicam e expressam as crenças da população que usam e à freqüentam. O cristianismo é um bom exemplo desse caráter simbólico da arquitetura, suas imagens, objetos, trazem uma carga de signos que são expressos e celebrados na liturgia. Na História da arquitetura o edifício religioso, traz exemplos de prédios que foram marcantes, no entanto, nos dias atuais, muitos templos são apenas prédios construídos e depois decorados, levando como influência artística do barroco e do ecletismo, convém entender que não existe um estilo ou tipologia definida para esse tipo de edificação. A própria Igreja Católica fala que ele deve representar e expressar o pensamento do tempo e região que ele é construído. Com isso, é possível entender que a cultura de cada local influencia seu estilo arquitetônico, e no partido tomado pelo arquiteto. Quanto ao sítio em que localizará o projeto, também pode-se compreender algumas características físicas e sociais da cidade de Garanhuns e mais especificamente do bairro onde o projeto foi proposto. Com o exercício da proposta de um Templo Católico foi possível desenvolver a capacidade de liberdade projetual, mesmo sendo necessário seguir parâmetros litúrgicos e simbólicos para que o projeto seja caracterizado como um templo católico, uma vez que existem documentos que determinam os espaços litúrgicos. Ainda assim, foi possível unir na arquitetura do edifício templo a simbologia religiosa, a forma projetual, e trabalhá-la como uma obra de arte.


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REFERÊNCIAS

CAVALCANTE, Alfredo Leite. História de Garanhuns – Garanhuns 1968 DE MELLO, Ricardo Bianco. A cultura da Crença: Uma reflexão sobre o espaço simbólico e o simbolismo na arquitetura religiosa. São Paulo, 2007. Dissertação de Mestrado USP - FAU ECO, Humberto. A estrutura ausente: introdução à pesquisa semiologia. São Paulo: Ed. USP, 1971 Enciclopédia do Estudante: Religião e Culturas – tradutores Yone Lima, Rafael Rodriges, Pedro Lima – Ed. Moderna, 2008 FRADE, Gabriel. Arquitetura Sagrada no Brasil. São Paulo: Edições Loyola, 2007 HOLANDA, Frederico. ARQUITETURA SOCIOLÓGICA. REVISTA BRASILEIRA DE ESTUDOS URBANOS E REGIONAIS, Salvador, n. 9, p. 115 a 130, maio de 2007. Instrução Geral sobre o Missal Romano – Comentário de J. Adazábal; tradução Antonio Francisco Lelo – São Paulo: Pauliunas, 2007. JANSON, H. W. História Geral da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 2001. MACHADO, Regina Céli de Alburqueque. O local de celebração: Arquitetura e Liturgia. São Paulo: Paulinas, 2001. MENEZES, Ivo Porto de. Arquitetura Sagrada – São Paulo: Edições Loyola 2006. PASTRO, Cláudio. O Deus da Beleza: a educação através da Beleza. São Paulo: Paulinas, 2008. PIACENZA, Mauro. RIFLESSIONE DI S.E. MONS. MAURO PIACENZA PONTIFICIA COMMISSIONE PER I BENI CULTURALI DELLA CHIESA, 2005. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_ commissions/pcchc/ documents/rc_ com_pcchc_20051005_eucarestia-architettura_it.html ROSSI, Aldo. A Arquitetura da Cidade/ Aldo Rossi, Tradução Eduardo Brandão. – 2º Ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2001. SARTORELLI, César Augusto. O espaço sagrado e o Religioso na obra de Claudio Pastro: Um estudo da produção arquitetônica e plástica de Claudio Pastro e da arquitetura religiosa católica brasileira no século XX. São Paulo, 2005.


65 Dissertação de Mestrado em Ciência da Religião na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. SCOTTÁ, Luciane. Arquitetura Sagrada de Oscar Niemeyer em Brasília. Brasília, 2010. Dissertação de Mestrado UNB. STRICKALAND, Carol. Arte Comentada: da pré-história ao pós-modernismo: tradução: Angela Lobo. São Paulo: Ediouro, 2004 TIRAPELI, Percival Organizador. Arte Sacra: barroco memória viva. São Paulo: Imprenssa Oficial do Estado de São Paulo: editora UNESP, 2005


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ANEXOS

1. Planta de situação, Locação e Coberta, Planta baixa do pavimento inferior; 2. Planta baixa do pavimento térreo; 3. Cortes; 4. Fachadas e Corte; 5. Fachada e Detalhes

Arquitetura Sagrada: Templo Católico em Garanhuns  

Trabalho de Comclusão de Curso de Diógenes Batista Ângelo - UFAL - 2011

Arquitetura Sagrada: Templo Católico em Garanhuns  

Trabalho de Comclusão de Curso de Diógenes Batista Ângelo - UFAL - 2011

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