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O LÁBARO Comunicação a serviço da fé

C O M U N I C A Ç Ã O

Ano CII - Edição nº 2.105 - Agosto 2011 w w w. d i o c e s e d e t a u b a t e . o r g . b r

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S E R V I Ç O

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F É

Distribuição Gratuita “O que vos digo ao pé do ouvido proclamai-o por sobre os telhados” (Mt 10,26).

IGREJA NO BRASIL

ganha novas Diretrizes Com as Diretrizes Gerais da Ação Evagelizadora da Igreja no Brasil 2011 - 2015 em mãos, a Diocese de Taubaté já pensa o seu Plano de Pastoral Pág. 8 e 9

Passa de 26 mil o número de pessoas que pretendem adotar crianças no Brasil em 2011 Pág. 16

SAV realiza caminhada vocacional em Taubaté

Diocese assina convênio com Estado Pág. 6

Mês Vocacional: Veja alguns testemunhos Pág. 3

Pág. 6


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Comunicação a serviço da fé

EDITORIAL

A VOZ DO PASTOR

Chamados ao serviço do Evangelho

Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2011-2015

Muitos são os desafios para se viver uma fé coerente à proposta de Jesus Cristo no nosso tempo. Somos, a todo momento, tentados por propostas encantadoras que prometem grandes realizações e felicidade. Contata-se uma forte tendência das pessoas ao individualismo e a um consumismo sempre crescente. Há que se notar também uma crescente indiferença, quando não ataques abertos, aos valores religiosos. Além disso, aconteceu uma verdadeira revolução no campo da comunicação, de modo que as nossas referências comunicacionais de antes já não servem aos novos processos. Já não se pode mais pensar a comunicação como um processo linear, vertical ou horizontalmente estabelecido, mas como um processo dinâmico, plural, em que emissor e receptor não ocupam mais lugares cativos, e, sim, alternativos. É neste contexto que somos chamados a dar razão de nossa fé e de nossa esperança. Sim, somos vocacionados. Esta é a realidade sobre a qual a Igreja no Brasil nos convida a refletir, de maneira especial, neste mês de agosto. Nesta edição, O Lábaro traz alguns depoimentos de pessoas que procuram viver a vocação nesses diversos modos. Como comunidade dos vocacionados, a Igreja também precisa encontrar meios eficazes para concretizar o mandato de Jesus: “Ide e evangelizai”. Atenta a isso e aos sinais dos tempos, a Igreja no Brasil lançou as novas Diretrizes para a sua ação evangelizadora, a fim de iluminar a caminhada pastoral das igrejas particulares, apresentando Jesus como modelo de missionário a ser seguido, para que se realize o anseio de vida plena e a concretização do Reino Definitivo. Rezemos por todos os que, respondendo ao chamado de Deus na gratuidade, colocam a vida a serviço do Evangelho. Boa Leitura!

Igreja existe para evan- Cristo... E então? Abandonou seus Não podemos ter dúvidas quanto gelizar. Esta é sua voca- estudos e partiu para as missões. Lá à necessidade do discipulado. Ou ção e missão; sua graça morreu, plantando a semente do nós vivemos o seguimento amoroso e compromisso (cf. EN e Diretrizes Evangelho em terras chinesas e ja- e fiel de Cristo, ou tudo continuará Gerais 30.76). É sua glória ou então ponesas. como anteriormente, ou ficará pior. seu fracasso. Não nos faltam Diretrizes. Temos Para mim, é claro: chegamos a É claro que o Deus Triúno é o as da CNBB nacional, as do Sul I um momento da História, onde, ponto de partida e de chegada das (apenas sinalizações), o plano dio- precisamos mais do que nunca de Diretrizes. Jesus é o caminho. O cesano e paroquial (nem sempre...). autênticos seguidores de Cristo. Evangelho é o ideal a ser realizado Mas temos, também, cansaço... de- Convertidos a Cristo e à missão. A com urgência e eficiência. O modo sânimo e pouco comprometimen- pós-modernidade torna-se sempre de vivê-lo, tem formas diferencia- to, gastando energia sem grandes mais hostil ao cristianismo. As dedas no tempo e no espaço. Trata-se progressos. Por isso, pede-se nova nominações modernas (+ 38.000) de fidelidade ao essencial e assun- evangelização. Já, há tempo. O Sí- são ativíssimas. Usam alguns meios ção da missão, tendo em conta as nodo dos Bispos de 2012 retoma a para nós inviáveis (teologia da prosdeficiências da época e seus desa- temática. Fala até em “demanda de peridade, milagres à granel, show da fios. É preciso ser fiel a Cristo e ao espiritualidade (08), em encontro e fé, etc.). A nós resta sermos autênhomem, como Igreja e como mem- comunhão com Cristo (11), inicia- ticos. Dinâmicos. Apaixonados pelo bros integrantes da mesma. ção à experiência cristã (18), teste- Reino. Santos. Não basta termos Na implementação novas Diretrizes, sem Ou nós vivemos o seguimento amoroso das Diretrizes todos os renovados agentes de católicos têm missão e fiel de Cristo, ou tudo continuará como pastoral. O Senhor está especifica, própria, dizendo: “Vai você tamanteriormente, ou ficará pior mas complemenbém trabalhar em mitar. Leigos, como sal e luz de um munho (22). De fato, se não houver nha vinha” (Mt 20,4). Aceitamos? mundo a ser renovado. Religiosos amor profundo e pessoal a Cristo, Cristo o espera e a Igreja o merece. como sinais eficazes de Cristo ser- qualquer outra motivação tornar- Mãos a obra. Todos. vidor e transfigurado, e os ministros se-á possível. Até passar à outra deNa linha evangelizadora temos, ordenados como profetas, sacerdo- nominação religiosa. Já vimos este antes de tudo, a Palavra de Deus tes e pastores do povo de Deus. filme, até, em Taubaté. que nos ilumina e forma - os docuSucesso ou fracasso na adimplênPrecisamos de discípulos e missio- mentos da Igreja, que aprofundam cia das Diretrizes. Não somos fun- nários. É o que afirma o Documento a mensagem do Senhor e a trazem cionários, nem mercenários. Não de Aparecida. É o que pede o Papa para os nossos tempos, bem como fomos contratados, mas chamados Bento XVI. Já, bem antes, Jesus in- os sacramentos, que nutrem nossa e enviados. Não, sem antes, nos sistia com os Apóstolos: “Ide fazer caminhada. No Brasil, temos tamconvertermos. Ali está o “nó gór- discípulos meus todos os povos... bém as Diretrizes Gerais e outros dio”. O gargalo. Geralmente, nos (Mt 28,19). Queria discípulos, ami- documentos, que traçam metas, falta a conversão autêntica a Cristo. gos. Na história constatamos como indicam prioridades, urgências etc. As pessoas, trabalham por amor à certos discípulos amavam seus mes- Precisamos mais? Em si, não. Apeuma causa, por interesses, para apa- tres (cf. Platão a Sócrates; Alceu A. nas levá-los bem a sério, tirar as recer ou por paixão a Cristo, que Lima a Jean-Jacques Maritain; Edi- conseqüências. (cf. Diretrizes Gedeveria ser o nosso caso. th Stein a Edmund Husserl, etc. rais, 73ss). Conto com todos. Jeremias sentiu-se seduzido (Jr 20,7). Paulo fulminando ante as portas de Damasco. Mudou. Agos- EXPEDIENTE Comunicação a serviço da fé tinho levou mais tempo, mas tocaDEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO DA DIOCESE DE TAUBATÉ do pela graça, falou: “Sero nimis te Avenida Professor Moreira, nº 327 – Centro – Taubaté/SP. CEP 12030-070 Diretor: Pe. Kleber Rodrigues da Silva cognovi Domine” (Tarde demais te Editor e Jornalista Responsável: Pe. Jaime Lemes, msj – MTE 62.839 / SP conheci Senhor). E São Francisco? Conselho Editorial: Pe. Kleber Rodrigues, Pe. Jaime Lemes, Pe. Silvio Dias, Pe. Rodrigo Natal, Mons. Marco Silva, Henrique Faria, Eliane Freire, Valquíria Vieira e Santa Tereza? Edith Stein? ConverDiego Simari. teram-se. Tornaram-se santos. Revisão: Eliane Freire Projeto Gráfico: Diego Simari São Francisco Xavier estudou Impressão: Katú Editora Gráfica para ser advogado... para ganhar Tiragem: 5.000 | Distribuição dirigida e gratuita Contatos: Tel.: (12) 3632-2855 / ramal: 216 (Redação) dinheiro. Para possuir riqueza. Era E-mail: olabaro@diocesedetaubate.org.br sua meta. Conheceu Santo Inácio As matérias assinadas são de inteira responsabilidade de seus autores, não emitem necessariamente a opnião deste veículo. de Loyola e, por meio dele, Jesus

Dom Carmo João Rhoden, scj

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DA REDAÇÃO

Depoimentos lembram as vocações celebradas no mês de agosto A Igreja no Brasil tem o mês de agosto como o mês vocacional. A cada semana propõe – num contexto celebrativo – a reflexão e a oração pelas diversas vocações que se colocam a serviço da propagação do reino de Deus no mundo. Veja, a seguir, depoimentos de pessoas que assumiram a sua vocação e são felizes naquilo que fazem. “Me chamo Álvaro Mantovani, mas desde pequeno recebi um apelido carinhoso de Tequinho e até hoje é assim que me chamam, Padre Tequinho. Desde muito pequeno trago no coração o desejo de servir a Deus como padre. Não foi fácil responder a esse chamado, ainda não é. No entanto, sou feliz por ser padre. Há 4 anos, o Senhor me conferiu essa missão que busquei com coragem e amor. Me sinto bem por sê-lo, me faz bem saber que o sacerdócio ajuda as almas a recuperarem sua amor por Deus. Ser padre não é fácil. Você pode agradar alguns e desagradar a outros, porém, tento viver meu sacerdócio conforme o coração de Jesus. Não sei se consigo, mas Deus sabe que tenho tentado. Em 2010, Dom Carmo João me enviou em missão para a Paróquia Santíssima Trindade, na Vila das Graças, em Taubaté, para trabalhar ao lado do amigo Côn. Paulo César como vigário paroquial. Um trabalho gratificante, tenho muitos desafios, mas nada se compara à família que se ganha. Agradeço a Deus por estar lá, agradeço a Deus por querer me usar, ainda que eu não tenha muitas coisas boas pra lhe oferecer. O sacerdócio me ensinou que Deus faz milagres com poucas coisas. Como já disse, Sou feliz por ser padre. Ser padre é um presente do coração de Jesus. Eu aceitei o presente, ainda estou aprendendo usar. Para o bom uso, conto com a oração de todos”.

“Eu sou a Irmã Terezinha Barboza, da Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. Aos 13 anos já era catequista, e lia muito uma revista chamada ‘A Messe’, que falava muito nas missões. Isso me entusiasmou em procurar uma congregação com esse carisma. Aos 19 anos, conheci essa congregação em Fortaleza, no Ceará. Rezei, e resolvi entrar. Já estou fazendo 63 anos de vida consagrada. Trabalhei em vários lugares no Brasil. O que mais me deu experiência foi trabalhar com grande responsabilidade numa paróquia de Goiás. Há alguns anos trabalho na Paróquia do Menino Jesus, em Taubaté, além de outras atividades, procuro dedicar-me mais à Catequese com adultos e à Pastoral do Batismo. Me sinto muito feliz e realizada com esse meu trabalho”.

Irmã Terezinha Barboza Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado Paróquia do Menino Jesus

Pe. Álvaro Montovani Vigário da Paróquia Santíssima Trindade - Taubaté

“Meu nome é João Henrique de Moraes Ramos, (Dentinho), sou casado com Alessandra Aparecida Silva Ramos (Estrelinha) há 19 anos, participamos há 18 anos dos Vicentinos e há 14 anos das Equipes de Nossa Senhora. Minha vida católica nasceu dentro da Paróquia São José Operário, onde fiz minha primeira comunhão e preparação para crisma já adulto. Iniciei ali a contação de historinhas nas missas com crianças e participamos como vicentinos. Hoje, conto historinhas nas missas das Igrejas Vila das Graças, Alto São Pedro, Jaraguá e São José Operário.Temos duas filhas lindas, Carolina Alessa, de 17 anos, e Isabela Rebeca, de 14. As duas são participantes dentro da Igreja, nas nossas missas sempre participam da equipe litúrgica. A Carol participa do grupo de jovens JD da Paróquia São José Operário, e a Isabela participa das Aldeias de Vida - Jovens, na Paróquia Sagrada Família. Ser pai é ser exemplo. Às vezes não é fácil, somos humanos, somos falhos, somos limitados, mas para Deus, para as coisas de Deus, nada podemos deixar de lado. Temos um momento especial familiar após a comunhão, nos abraçamos e rezamos juntos com a presença maior de Cristo. Trago isso desde o dia do nosso casamento. Recém-católico, ao comungar naquele dia, abracei a Estrelinha e ali agradecemos a Deus pelo nosso matrimônio. Isso virou hábito em nossa vida conjugal e agora familiar”.

“Meu nome é Victor Thomas Marques Fonseca, tenho 19 anos, sou seminarista diocesano e estou cursando o primeiro ano de Filosofia. Minha caminhada vocacional começou aos dez anos, quando decidi ser coroinha na comunidade Nossa Senhora da Piedade, da paróquia Nossa Senhora da Boa Esperança, em Caçapava. Fiquei durante quatro anos na comunidade desempenhando esse trabalho e, no decorrer desses anos, acompanhando o padre Luciano no exercício de seu sacerdócio, o anseio de ser padre aumentava dentro do meu coração. Foi quando ele me chamou para ser coroinha na Igreja matriz da paróquia. No ano seguinte, o Padre Luciano me indicou para o discernimento vocacional no Seminário (Encontros Vocacionais) com o SAV (Serviço de Animação Vocacional). Fiquei nesse processo de discernimento durante um ano e meio, sendo acompanhado por padres e seminaristas responsáveis por esse trabalho. Assim, no final do ano de 2009, após o último retiro, fui considerado apto a ingressar no seminário no ano seguinte (2010). Hoje estou no meu 2º ano de seminário, com muita alegria de ter respondido a esse chamado de Deus. A cada dia cresço e amadureço nesta vocação. Atualmente, desempenho meu trabalho pastoral na Paróquia Bom Sucesso, em Pinda, onde acompanho movimentos, equipes e pastorais. Espero um dia alcançar meu objetivo de ser padre”.

João Henrique de Moraes Ramos Paróquia São José Operário”

Victor Thomaz Marques Fonseca Seminarista da Diocese de Taubaté


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SOB O OLHAR DA FÉ

SANTO DO MÊS

Quem é o ser supremo e absoluto?

Ao grande Adorador São Pedro Julião Eymard

D. Antônio Affonso de Miranda, sdn* Quem é o Ser Absoluto, Su- (cf. Gn 15,2-6). Trata-se do futuro premo? É o Deus que os ateístas Messias, o Cristo. “Abraão teve fé forcejam por afastar e mesmo ex- no Senhor, que levou isto em continguir de nossa consciência de ta de justiça” (Gn 15,6). crentes. No Novo Testamento, o evanDeus não é palpável, não é vi- gelista João, narrando a vinda de sível. É supremo, está acima de Jesus ao mundo e revelando que toda percepção humana. Só sabe- este Jesus é o Verbo de Deus e Fimos que ele existe porque ele se lho de Deus que se fez homem, revelou à nossa consciência que deixou escrito o seguinte: “Ninaderiu crer na “revelação narrada guém jamais viu a Deus: o Filho na Sagrada Escritura”. único, que é Deus se está na intiEsta é uma coleção de livros midade do Pai, foi quem o deu a antiquíssimos e respeitáveis – A conhecer” (Jo 1,18). Bíblia. Crê-se que seus autores foDeus só é conhecido por meio ram inspirados pelo próprio Deus da fé, que sublima a inteligência e receberam suas narrativas das humana, e convence a consciênpróprias pessoas agraciadas por cia a aceitar o fato de que Deus um encontro com o Senhor. existe. Talvez o texto inicial que podeFé é ato de crer, em nossa íntimos evocar ma consciênDeus só é conhecido por meio sobre o encia, e aceitar, da fé, que sublima a inteligência contro de como verdade Deus com humana, e convence a consciência a revelada, tudo um homem o que Jesus de aceitar o fato de que Deus existe histórico Nazaré, Palaseja o passo de Gênesis 12,1-4: vra (Verbo) e Filho único de Deus, “O Senhor disse a Abraão: Sai de nos ensinou. Pode-se dizer que a tua terra, do meio de teus paren- fé tem sua origem nos textos inites, da casa de teu pai, e vai para a ciais do Evangelho de João: “No terra que te vou mostrar. Farei de princípio era Palavra (Verbo), e a ti uma grande nação e te abençoa- Palavra estava junto de Deus, e a rei: engrandecerei o teu nome, de Palavra era Deus. Ela existia, no modo que ele se torne uma bên- princípio, junto de Deus. Tudo ção. Abençoarei os que te aben- foi feito por meio dela, e sem ela çoarem e amaldiçoarei os que te nada foi feito de tudo o que existe. amaldiçoarem. Em ti serão aben- Nela estava a vida e a vida era a çoadas todas as famílias da terra”. luz dos homens” (Jo 1,1-5). Houve uma visão do Deus SuConhecer Jesus, o Verbo de premo, e este Deus foi visto pelo Deus, que se tornou homem Patriarca? Se não houve uma vi- como nós, pode ser apenas um são factual, material, houve de conhecimento intelectual. Isto certo um encontro pessoal, uma não é fé. A fé real e verdadeira voz, uma presença efetiva que é uma penetração íntima da atingiu a consciência íntima de consciência pela ação mesma de Abraão e que o fez acreditar no Deus, que sublima a inteligência Senhor, Deus todo poderoso. e a leva a crer e aceitar toda a Da revelação ao Patriarca se verdade revelada por Jesus. vai, através da Bíblia, até ao cumÉ assim, pela graça amorosa primento de uma promessa do do Senhor, que chegamos ao Deus a Abraão: que num de seus conhecimento do Deus Supremo descendentes serão abençoadas e Absoluto. todas as gerações da terra; este descendente, muito posterior, é *Dom Antônio Affonso de Miranda é bispo emérito de Taubaté e membro da Acadêmia que será o herdeiro de Abraão. Taubateana de Letras

Irmãs Sacramentinas

Sentinela de amor, quase à entrada do Templo, Cuidadoso e vigilante… Como um guia sem par, como um exemplo, O Padre Eymard acolhe e fala ao visitante: “Entra mais devagar… em silêncio… contrito… Não ouves uma voz que o coração te inflama? Vais encontrar Jesus em Seu Trono infinito! É Jesus que te quer, é Jesus que te chama! Vai adorá-LO, vai com meu olhar te sigo… Não sabes adorar?… Vem aprender comigo: Deixa lá fora, à porta, as vaidades do mundo. Aqui só tem lugar, o amor! O amor profundo! O mais sincero, o mais ardente amor! A Jesus Sacramentado, a Cristo Redentor! Baixa os teus olhos, curva os teus joelhos e ora. Sofres? Revela tudo a Jesus Hóstia… e chora… Que a lágrima que cai humilde aos pés do Altar Serena a própria dor que da alma a fez brotar. Confessa a confusão… a ânsia que te vai na alma Conta tudo a Jesus, que as angústias acalma… Que as dúvidas resolve… as trevas ilumina… Põe-te todo nas mãos da Vontade Divina! E dize-Lhe que O amas muito! Humilha-te e agradece Banha-te dessa luz interior que é a prece. E tu que aqui chegaste aflito como um réu! Sem forças combalido… Sairás de alma forte, convencido! Que aqui dentro… Jesus transforma a terra… em Céu!” Homenagem feita a São Pedro Julião Eymard por uma das primeiras Zeladoras da Guarda de Honra do Santíssimo Sacramento no Brasil, a Senhora Laurita Lacerda. Com grande alegria, celebramos no dia 2 deste mês de Agosto a Festa Litúrgica de São Pedro Julião Eymard, agradecendo a Deus pelo grande dom da vida deste “Apóstolo da Eucaristia”.


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FALANDO DE MARIA

Divina Misericórdia: Mãe de Misericórdia Pe. Rodrigo Natal* “Salve Rainha, Mãe de misericórdia...” Por séculos as pessoas têm invocado Maria sob este título, e em tempos modernos, o Beato Papa João Paulo II apresentou-nos novamente essa invocação para enfatizar o papel único que Maria desempenha no plano eterno de Deus de misericórdia . Em sua carta encíclica Rico em misericórdia, ele dedica uma seção inteira a Maria, “Mãe de Misericórdia.” Ela é a única, explica ele, que tem a compreensão mais profunda da misericórdia de Deus, aquela que, mais do que ninguém, merecia e recebeu misericórdia (9). Para Santa Faustina, Maria era uma constante fonte de misericórdia de Deus, como mãe, tutora, mestra e intercessora. De Maria,

ela recebeu um presente especial, no sofrimento, e incontáveis lições sobre a vida espiritual. “Maria é a minha Instrutora,” ela escreve, “que está sempre me ensinando como viver para Deus (620)” Quanto mais eu imitar a Mãe de Deus, mais profundamente eu vou conhecer a Deus (843)... antes de cada Santa comunhão, eu sinceramente peço à Mãe de Deus para me ajudar a preparar a minha alma para a vinda de seu Filho (114)... Ela me ensinou a amar a Deus interiormente e também como realizar a Sua vontade em todas as coisas (40) ‘” Ó Maria, minha Mãe, eu coloco tudo em suas mãos (79) ... Os conselhos e as recomendações que Nossa Senhora deu a Irmã

Faustina devem refletir também na vida dos devotos da Divina Misericórdia. Os conselhos são: • Descubra a presença de Jesus em sua própria alma e desenvolva uma comunhão pessoal com Ele todos os dias: “Minha filha, busca o silencio e a humildade, para que Jesus, que habita continuamente no teu coração, possa repousar. Adora-o no teu coração, não saias do teu interior” (Diário, 785) . • Viva a vontade de Deus, como expressão de nossa confiança e amor: “Minha filha, recomendo-te encarecidamente que cumpras fielmente, todos os desejos de Deus, porque é isso que mais agrada aos Seus santos olhos. Deves por essa vontade acima de todos os sacrifí-

cios e holocaustos” (Diário, 1244). • Pratique as virtudes teologais (fé, esperança, amor) e as virtudes morais (especialmente a humildade e a misericórdia para com o próximo): “Desejo que cada um se distinga por estas virtudes: humildade e mansidão, pureza e amor a Deus e ao próximo, compaixão e misericórdia” (Diário, 1244). • Ame a cruz, pois esse amor indica o grau de união da alma com Deus. Sê corajosa, não tenhas medo de dificuldades ilusórias, mas fixa teu olhar na paixão do Meu Filho e, dessa maneira, vencerás (Diário, 449). *Padre Rodrigo Natal é pároco da Paróquia São Sebastião em Taubaté-SP.

ESPIRITUALIDADE

Agosto: Mês Vocacional Pe. Leandro dos Santos*

O mês de agosto foi definido como “Mês Vocacional” em 1981 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, na sua 19ª Assembléia Geral. Em 1983, reforçando esta caminhada, foi celebrado em todo o Brasil um Ano Vocacional. O objetivo principal foi o de instituir um tempo, o mês de agosto, voltado prioritariamente para a reflexão e a oração pelas vocações e ministérios. Em 2011, o tema proposto para nossa reflexão é: “Anunciar a Palavra que gera Vida”. A atenção às vocações constitui para cada diocese uma das prioridades pastorais. Com abundância e gratuidade, o Senhor lança a semente da Palavra de Deus, mesmo consciente de que ela poderá encontrar um terreno inadequado, que não lhe permitirá amadurecer por causa da aridez, ou que apagará a sua força vital, sufocando-a no meio dos arbustos espinhosos. No entanto, o semeador não desanima, porque sabe que uma parte da semente está destinada a encontrar o

“terreno bom”, ou seja, corações ardentes e capazes de acolher a Palavra com disponibilidade, para fazê-la amadurecer na perseverança e para lhe oferecer de novo o seu fruto com generosidade, em benefício de muitos. Eis o sentido de toda vocação! A imagem do terreno pode evocar a realidade das famílias: um ambiente às vezes árido e árduo do trabalho vocacional. A terra é, principalmente, o coração de cada homem, de modo particular dos jovens, aos quais o serviço de animação vocacional dirige um trabalho de escuta e de acompanhamento, a um coração muitas vezes perturbado e desorientado e, no entanto, capaz de conter em si uma grande vontade de doar-se totalmente, dedicando sua vida por amor a Jesus, capaz de segui-lo com a totalidade e a certeza de ter encontrado o maior tesouro da existência. O jovem anseia por algo que o realize e é em Cristo que está a grandeza e a realização da sua vocação. Quem

semeia no coração do homem é sempre e só o Senhor. Só depois da sementeira abundante e generosa da Palavra de Deus é possível aventurar-se pelas sendas do acompanhamento e da educação, da formação e do discernimento vocacional. Existe outra palavra de Jesus que utiliza a imagem da semente e que se pode comparar com a parábola do semeador: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, permanece ele só; mas se morrer, dará muito fruto” (Jo 12, 24). Aqui o Senhor insiste sobre a correlação entre a morte da semente e o “muito fruto” que ela há de produzir. O grão de trigo é Ele, Jesus. O fruto é a “vida em abundância” (Jo 10, 10), que Ele nos adquiriu mediante a sua Cruz. Esta é também a lógica e a verdadeira fecundidade de toda a pastoral vocacional na Igreja. Como Cristo, o sacerdote e o animador devem ser um “grão de trigo”, que renuncia a si mesmo para cumprir a vontade do Pai; que

sabe viver escondido do clamor e do rumor; que renuncia à busca desta visibilidade e grandeza de imagem que hoje em dia, com frequência, se tornam critérios e até objetivos de vida em muitas partes da nossa cultura, fascinando muitos jovens. Essa renúncia deve ser, antes de tudo, uma realização que seja testemunho para que outros desejem viver o mesmo ideal, pois “o testemunho suscita vocações”. Que possamos, em nossa diocese descobrir o valor e a alegria em doar-nos, a cada dia, com liberdade, na vocação para a qual fomos chamados. E que nossa vida suscite muitas e generosas vocações para a Igreja de Cristo. Que o Senhor da messe e Pastor do rebanho nos ilumine neste mês tão especial para nossa Igreja! *Pe. Leandro dos Santos é assessor Diocesano do Serviço de Animação Vocacional


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DIOCESE EM FOCO

Foto: Paulo Roberto de Oliveira Junior

Foto: Do arquivo

Paróquia Nossa Senhora da Conceição realiza a 1ª Festa Sertaneja de Quiririm

General Peternelli, Andrea Matarazzo (Secretário da Cultura do Estado de São Paulo), Lilian Mansur (Advogada), Geraldo Alckmin (Governador do Estado de São Paulo), Dom Carmo João Rhoden (Bispo de Taubaté) e Cônego Geraldo.

Durante a missa Pe. Silvio exaltou o trabalho das 9 comunidades que juntas fizeram acontecer a Festa da Unidade Paroquial.

O Seminário São José, em Quiririm, sediou a 1ª Festa Sertaneja da Paróquia Nossa Senhora da Conceição entre os dias 14 a 17 de julho deste ano. Idealizada há muito tempo pelo Pe. Silvio Lira de Menezes como um evento que pudesse reunir a Paróquia de Quiririm e suas nove comunidades em prol de um único objetivo, a 1ª Festa Sertaneja tonou-se realidade graças ao apoio da comunidade. Foram quatro dias de muito trabalho e alegria para os paroquianos, que abraçaram o evento e fizeram que o mesmo se tornasse um grande sucesso de público. Segundo estimativa da Polícia Militar, cerca de 30 mil pessoas passaram pelo Seminário São José nos quatro dias de festa e curtiram os quitutes oferecidos em diversas barracas, além dos grandes shows que animaram os participantes. No palco principal da festa estiveram presentes as Bandas Rodeio, Chapéu Brasil, Taubatexas, Forró Maré e Comitiva. No domingo, dia 17 de julho, foi realizada a “Missa Sertaneja”, ocasião em que Pe. Silvio agradeceu o apoio de todos e disse estar feliz pela unidade paroquial demonstrada na 1ª Festa Sertaneja. Após a celebração, foi servida uma deliciosa feijoada para mais de 2 mil pessoas. Por: Paulo Roberto de Oliveira Junior Coordenador Paroquial da PasCom

Diocese de Taubaté faz convênio com o Estado para a reconstrução da Igreja de São Luiz A Mitra Diocesana de Taubaté assinou um convênio com a Secretaria de Cultura do Estado, neste dia 15 de agosto para a liberação de uma verba de cerca de R$13 milhões, que será investida na reconstrução da Igreja Matriz de São Luiz de Tolosa, na cidade de São Luiz do Paraitinga. O ato de assinatura foi feito entre o Bispo Diocesano, Dom Carmo João Rhoden, o Secretário de Cultura do Estado de São Paulo, Andrea Matarazzo, e o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Segundo a gestora do convênio, a advogada Lilian Mansur, as obras assim que iniciadas tem o prazo de 18 meses para serem concluídas. Ainda de acordo com a advogada, já existe um projeto para a reconstrução, e a obra deverá respeitar as características da Igreja que já existia em São Luiz do Paraitinga. “A reconstrução vai respeitar todas as características da igreja antiga. Mesmo sendo uma igreja nova as pessoas vão ver, quando estiver pronta, a mesma igreja que têm na memória, na lembrança da cidade” disse Lilian. A expectativa da Mitra Diocesana é que as obras comecem dentro de um mês. A igreja matriz de São Luiz do Paraitinga, como outros prédios, foi destruída em 2010, quando uma enchente inundou a cidade. Por: Valquíria Vieira Repórter Rádio Cultura

SAV realiza caminhada vocacional

Foto: Do arquivo

Com concentração na Igreja do Alto São João, a partir das 9h das manhã do próximo dia 21 de agosto, terá início a VII Caminhada Vocacional Diocesana, que conta com a participação de todos os movimentos diocesanos, paróquias, seminários e casas religiosas. A atividade terá um momento de louvor e adoração na Quadra do Cruzeiro, no Alto de São Pedro, e será encerrada com Santa Missa no Monumento Cristo Redentor, no Alto do Cristo. A caminhada é realizada anualmente pelo Serviço de Animação Vocacional da Diocese de Taubaté – SAV/PV – que convida toda a comunidade para fazer parte deste importante evento em prol das vocações. A comunidade e diversos movimentos diocesanos participaram da Caminhada Vocacional no ano passado


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DIOCESE EM FOCO

No dia 13 deste mês, dia em que a Catedral de Taubaté celebrou 61 anos de sua sagração e recebeu a imagem e a relíquia (ex-ossibus) da Bem-aventurada Dulce dos Pobres, vários seminaristas de Teologia da Diocese foram admitidos aos ministérios de Leitor e Acólito. Os seminaristas Cleiton Willian Rodrigues, Cipriano Alexandre de Oliveira, Diego de Paula Campos, Flávio Mariano da Cruz, Kleber Santos Junior, Luiz Gustavo Sampaio e Paulo Donizete de Siqueira recebera o Leitorato. Já os seminaristas Alexandre Eduardo da Cruz, Celso Luiz Longo e Luiz Gustavo Sampaio receberam o Acolitato. A missa foi presidida pelo Dom Antônio Affonso e concelebrada pelo Mons. Marco Jacob, cura da Catedral e aniversariante do dia, além de outros padres.

Imagem: Divulgação

Seminaristas da Diocese recebem ministérios de leitor e de acólito

Paróquia São José de Tremembé comemora 10 anos

Foto: Jesus Aguiar

Criada em 2001, a Paróquia São José, da cidade de Tremembé, completa 10 anos neste mês. A comemoração consta da dedicação da Igreja Matriz e do Altar, além de novena e quermesse. A programação da festa começa no dia 18 e vai até o dia 28 de agosto.

Por ocasião da comemoração dos 61 anos da sagração da Catedral de Taubaté, Dom Antônio Afonso, institui sete seminaristas ao ministério de leitor e três ao de acólito

Olga Óculos, 20 anos, escrevemos juntos esta história!!!

Aqui, você é de.casa. Assista às sessões da Câmara todas as quartas-feiras, às 15h. Pela TV Câmara: Canal 17 digital ou 98 analógico da Net. Na Internet: tv.camarataubate.sp.gov.br

A Câmara Municipal é a cara de Taubaté e do Taubateano. Suas decisões espelham as necessidades e exigências dos cidadãos, que se transformam em leis para tornar a cidade cada vez mais moderna, agradável e bonita, melhorando a qualidade de vida de todos. Participe das atividades da Câmara, conhecendo o processo legislativo e ajudando a garantir sua transparência. Afinal, a Câmara é sua.

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CAMPOS DO JORDÃO

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CÂMARA MUNICIPAL DE TAUBATÉ Do povo.Para o povo.

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CNBB lança as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil A Igreja no Brasil, tendo como grande referencial a Conferência de Aparecida, que também é um marco para a Igreja na América Latina e Caribe, lançou na última Assembléia dos Bispos as Diretrizes de sua Ação Evangelizadora para o quadriênio de 2011 a 2015.

Veja abaixo os principais pontos apresentados no Documento 94 da CNBB:

OBJETIVO GERAL

MARCAS DO NOSSO TEMPO

Evangelizar a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo. (cf. Jo 10,10)

Mudanças de época são, de fato, tempos desnorteadores, pois afetam os critérios de compreensão, os valores mais profundos a partir dos quais se afirmam identidades e se estabelecem ações e relações. Atitudes que surgem facilmente: - Agudo relativismo: próprio de quem oscila entre as inúmeras possibilidades oferecidas. - Fundamentalismo: fechamento em determinados aspectos, não considerando a pluralidade e o todo da realidade (n. 20).

NOVIDADE EM RELAÇÃO ÀS DIRETRIZES ANTERIORES Tem como ponto de partida JESUS CRISTO Dá ênfase nas “URGÊNCIAS DA EVANGELIZAÇÃO” Acentua duas atitudes de Jesus: GRATUIDADE e ALTERIDADE Pede COMPROMISSO DE UNIDADE.

URGÊNCIAS NA AÇÃO EVANGELIZADORA “A Igreja no Brasil se empenhará em ser uma Igreja em permanente estado de missão, casa da iniciação à vida cristã, fonte da animação bíblica de toda a vida, comunidade de comunidades, a serviço da vida em todas as suas instâncias” (n. 29).

PARTIR DE CRISTO Toda ação eclesial brota de Jesus Cristo e se volta para Ele que “é nossa razão de ser, origem de nosso agir, motivo de nosso pensar e sentir... compreendemos a realidade à sua luz e com ela nos relacionamos no firme desejo de que nosso olhar, ser e agir sejam reflexos do seguimento cada vez mais fiel ao Senhor Jesus” (n. 5). “Viver, pois, o encontro com Jesus Cristo implica necessariamente amor, gratuidade, alteridade... Significa contemplar Jesus Cristo em constante atitude de saída de si, de desprendimento e esvaziamento” (n. 16)

CONCLUSÃO Estas Diretrizes apontam para o compromisso evangelizador da Igreja no Brasil para o início da segunda década do século XXI. Manifestam, através das cinco urgências, o caminho discernido, à luz do Espírito Santo, como resposta a este tempo de profundas transformações. Em continuidade com as orientações de toda a Igreja, elas assumem o mais profundo espírito do Concílio Vaticano II, recolhendo a riqueza existente no Magistério pósconciliar. Acolhem de modo especial, as Conclusões da Conferência de Aparecida, no desejo de que elas se concretizem em ações evangelizadoras, capazes de suscitar o fascínio por Jesus Cristo e o compromisso pelo Reino de Deus e sua justiça.


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ENTREVISTA Por Pe. Jaime Lemes

O LÁBARO - As novas DGAE foram aprovadas por quase unanimidade pelos bispos durante a última Assembleia da CNBB, em Aparecida. Isso é expressão de um esforço conjunto para que a Igreja caminhe num mesmo rumo? Qual a sua visão sobre isso? Pe. Kleber - É importante considerar que todo papel desenvolvido na Igreja do Brasil através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil tem em vista a comunhão das Dioceses e as assembleias são uma expressão desta iniciativa e desta colegialidade, mesmo que as DGAE não foram aprovadas por unanimidade. A Igreja no Brasil tem procurado responder aos anseios da 5ª Conferência Episcopal Latino Americana, através do Documento de Aparecida, no qual, o maior objetivo é mudar a mentalidade eclesial e colocar a Igreja num estado permanente de missão. No meu pensar, acredito que trata-se de mais um desafio presente na vida da Igreja, pois, promover a mudança de mentalidade não é algo que acontece da noite para o dia, exige planejamento, clareza nos objetivos, estratégias e, acima de tudo, o testemunho. Por isso, acredito que o processo de evangelização deverá acontecer em duas perspectivas: a primeira delas, com aqueles que atuam dentro de nossas comunidades, dando-lhes oportunidade de conhecer cada vez mais a essência de nossa igreja e, segunda, com queles que são o destino de nossa missão evangelizadora, os que participam de nossas celebrações e os que se afastaram da vida eclesial.

O LÁBARO - O objetivo Geral das DGAE reflete claramente os anseios da Conferência de Aparecida. Que avanços têm dado a Igreja no Brasil, especialmente na Diocese de Taubaté, desde aquela Conferência? Pe. Kleber - Na Igreja do Brasil, vejo as iniciativas da CNBB em promover grandes reflexões e até mesmo tentar assimilar o que o Espírito Santo soprou sobre a Conferência de Aparecida. O grande desafio que permanece é apresentar elementos práticos, não basta grandes reflexões teológicas – e isso o Magistério da Igreja sabe fazer e muito bem –, é preciso, como nos apontam a grande novidade das DGAE 20112015, esses elementos básicos, que proporcionem uma ação pastoral efetiva. Na Diocese de Taubaté, nós tivemos a oportunidade de logo após a Conferência de Aparecida preparar e organizar nosso Plano Diocesano de Evangelização e Pastoral. Na ocasião, elegemos o acesso à Palavra de Deus como a grande prioridade de nossa Diocese, considerando também outros elementos que acrescentariam a esse processo. Agora é o momento de analisarmos e verificarmos o que deu certo, corrigir os erros e lançar-nos mais em novas etapas do processo evangelizador. O LÁBARO - Quais considera ser as grandes urgências da Igreja na Diocese de Taubaté hoje? Pe. Kleber - Penso que nossa diocese tem a urgência de encontrar um caminho de ação pastoral que promova a unidade eclesial na diversidade de nossa Igreja particular.

Foto: Pe Jaime Lemes

Durante a 49º Assembleia Geral da CNBB, realizada no mês de maio em Aparecida, foram aprovadas as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), para o próximo quadriênio (2011-2015). As DGAE, como o próprio nome já indica tem como propósito oferecer elementos norteadores para a caminhada da Igreja, levando em conta os novos tempos com os seus desafios e esperanças. Neste bate-papo, o Pe. Kleber Rodrigues, Coordenador Diocesano de Pastoral, fala sobre como a Diocese de Taubaté está pensando a aplicação das Diretrizes na sua realidade eclesial.

Padre Kleber espera adesão do clero e comprometimento dos agentes responsáveis pela evangelização na concretização do Plano de Pastoral

Vivemos numa realidade geográfica em que temos duas Serras (Mantiqueira e do Mar) e uma grande planície. Isto faz com que a ação pastoral aconteça de modos diferentes. Não que isso seja um elemento negativo, pelo contrário, é a diversidade eclesial. Outro elemento importante é o desenvolvimento de referenciais para a ação pastoral. Por exemplo, um diretório dos sacramentos, uma participação mais efetiva do clero nas assessorias junto às pastorais diocesanas, retomada das ações do Conselho Diocesano de Pastoral, e a promoção de um espírito de unidade eclesial. O LÁBARO - Que ações devem ser desenvolvidas para que a aplicação das DGAE aconteçam efetivamente aqui na Diocese? Como isso está sendo pensado? Pe. Kleber - Primeiro passo foi a elaboração, da minha parte, de um organograma básico das ideias centrais que aparecem nas DGAE 2011-2015. Com isso, temos um referencial para começar os trabalhos. A partir daí, realizaremos o processo de adequação do nosso Plano Diocesano de Evangelização e Pastoral. Estamos agora numa etapa em que os decanatos estão analisando o organograma básico e apresentando suas sugestões. Em seguida, reuniremos os coordenadores das pastorais e movimentos e apresentaremos a proposta para acréscimos. Paralelo a isso, já apresentei ao bispo o nome de alguns padres para compor uma

equipe central para analisar as considerações vindas das diversas instâncias e, em seguida, elaborarmos a adequação ao nosso Plano Diocesano, para ser apresentado na Assembleia Diocesana no fim do ano. O LÁBARO - Quais as suas expectativas em relação à realização deste plano de evangelização? Pe. Kleber - Sempre de confiança na ação do Espírito Santo dentro de nossa realidade eclesial. Além disso, rezo muito para que a adesão do clero e dos membros responsáveis pela evangelização em nossas comunidades seja efetiva, para que sintam-se motivados por mais uma tentativa em acertar que nossa diocese deseja realizar com este plano diocesano de evangelização e pastoral. Os desafios existem para serem superados e como ouvi uma vez de um amigo, “o sonho existe para tornar-se realidade e a realidade existe para sonhar novamente”. O LÁBARO - Outras considerações: Pe. Kleber - Desejo, como Secretário de Pastoral, que todos renovem seu entusiasmo de participantes da construção do Reino de Deus. Uma das ideias principais do Documento de Aparecida e, consequentemente, das DGAE e do nosso plano, é promover o encontro com a pessoa de Jesus Cristo e, a partir dele, evangelizar. Peço a cada dia, que o Espírito que conduz a Igreja, aqueça os nossos corações.


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REFLEXÃO

DE OLHO NA REALIDADE

O Padre voltado para o povo

Na ilha do Planalto

Henrique Faria*

Agosto é o mês das vocações. Nesse mês, comemoramos o Dia do Padre e rezamos pelas vocações sacerdotais. Gostaria de compartilhar aqui uma reflexão motivada pelo retiro espiritual do clero, ocorrido no final de junho, em Atibaia. Cuidar do rebanho do Senhor. Foi isso que Jesus pediu a Pedro, depois de confirmá-lo no amor: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,17). Mais do que oferecer-lhe incenso e cuidar do seu altar, o maior amor a Jesus, da parte do padre, será demonstrado no cuidado pastoral. Principalmente com os mais pobres e necessitados. Quem cultiva bela liturgia, mas não cuida da pastoral e não se dedica ao rebanho, não está atendendo ao apelo de Jesus Cristo, o Bom Pastor. No entanto, fazer uma coisa não significa deixar de fazer outra. A solenidade e a beleza da liturgia, assim como o primor do templo e do altar, revelam o apreço que o padre tem, tanto pelo Senhor, quanto pelo seu rebanho que ali se reúne, motivando esse mesmo rebanho a prestar culto ao Pastor e Sacerdote Eterno. Por isso, o padre não pode descuidar da liturgia, nem desleixar o templo. Tampouco pode desprezar o cuidado pastoral. Menos ainda desdenhar da ação pastoral da Igreja. O Concílio do Vaticano II definiu a vocação sacerdotal como ministério, isto é, um serviço. E serviço para o povo, de modo que o padre deve estar voltado para o povo. Seu sacerdócio existe em função do sacerdócio comum dos fiéis, em função do sacerdócio da Igreja. Com efeito, o número 10 da Lumen Gentium descreve um único sacerdócio de Cristo na Igreja, que se manifesta no sacerdócio comum dos fiéis e no sacerdócio ministerial, estando

A presidente Dilma Rousseff, nos ministérios, em seus órgãos me parece, é uma pessoa bem in- e agências controladoras estratétencionada. Tem um histórico de gicos, para se locupletarem. Para luta diferente do seu padrinho po- satisfazerem os interesses pessoais lítico. Além de ter sofrido na pele dos políticos e de seus apanigua– na pele mesmo! – as sevícias da dos. Não que os partidos de opotirania de um governo totalitário sição, com destaque ao PSDB, que, com certeza jamais quer en- estejam imunes aos privilégios frentar de novo, as suas incursões concedidos pelo poder. Eles tampolíticas na história da República bém levam a sua cota. Aliás, inrecente são voltadas mais para a teressante notar que o governo do gestão administrativa. Tendo cir- PT sofreu muito mais denúncias culado nas instâncias municipal, de corrupção e assistiu a muitos estadual e federal sempre exer- e mais tonitruantes escândalos do cendo cargos de gerenciamento, que o governo FHC bancado pecompõe um perfil de competência los tucanos. Não porque seja mais aliado à de honestidade – e longe corrupto, mas porque (o PT) tem de mim qualquer preconceito em uma oposição muito mais comperelação à integridade masculina tente. No governo FHC, a oposi– e à condição de ser mulher. Ou ção era pífia, bravateira. Já o goseja: a possibilidade de ter vergo- verno PT enfrenta uma oposição nha na cara é muito maior. que conhece o caminho das peJá o patrocinador da sua candi- dras. Por terem sido tão corruptos datura à Presidência da Repúbli- quanto, os homens da oposição ca tem um currículo totalmente sabem em que curvas conseguem diferente. Apesar de ter tomado surpreender seus adversários. Porcafé de canequitanto, sobram deOs partidos que nha nos porões mônios em Brasído DOPS na dédão sustentação ao lia. cada de 1970 por infergoverno estão instalados noNesse alguns dias, não de hipocrisia nos ministérios, tem uma história Dilma circula, já como tem a sua sem desenvoltura, em seus órgãos e afilhada. Afora ilhada pelo dever o tempo em que agências controladoras de lealdade ao hovendeu banana estratégicos, para se mem que a ascenno Pernambuco, deu ao terceiro locupletarem vindo para São andar do PlanalPaulo trabalhou muito pouco e se to e amargurada em sua própria infiltrou nas mordomias do sindi- consciência, que a fez intervir, em cato desde muito cedo. Enfrentou oito meses, em quatro ministébarras pesadíssimas, reconheço. rios diferentes, ruminando ainda Tem o mérito de alçar a sua clas- a traição de Antonio Palocci, o se de trabalhadores metalúrgicos descarte de Alfredo Nascimento, a uma casta privilegiada dentro o descaramento de Nelson Jobim da massa trabalhadora nacional. e... aguarde um novo escândaMas parou por aí. Foi um grande lo no Ministério da Agricultura, sindicalista. E, como tal, um gran- cuja bola já foi cantada pela revisde articulador, um negociador res- ta Veja em sua edição de 3.8.2011. peitado, com o mérito de ser um Acredito que ainda não possa grande jogador de... conversa fora, acontecer nos primeiros quatro o que ele mais sabe fazer. Apesar anos de seu governo, mas se ela de ter legado ao país a eleição de optar por mais quatro, na segunda uma mulher para Presidente, não quadra ela dá um murro na mesa consegue desgrudar a sua sombra e diz: “Aqui quem manda sou do Palácio do Planalto. eu!” E quem sabe possa resgatar o Lula deixou para Dilma um sta- ideário ético que fez o povo acreff viciado em todos os níveis do ditar, em 2002, que a nossa hora poder. Não se pode fugir da reali- havia chegado. dade: os partidos que dão susten- *Henrique Faria é colaborador leigo e tação ao governo estão instalados responsável por esta coluna

Ilustração: www.xda-wallpapers.com

Pe. Silvio Dias*

um ordenado para do outro. Eis então, a natureza do sacerdócio ministerial: servir ao povo sacerdotal na pessoa de Cristo, o Sacerdote Eterno. E o sacrifício que ele oferece é por toda a Igreja e em nome do povo de Deus. Desse modo, podemos compreender que, diferente do sacerdócio da antiga aliança instituído para o serviço do Templo, o sacerdócio ministerial na Igreja está primordialmente a serviço do povo. Sua missão é edificar, reunir a Igreja, o povo de Deus. Ao padre, cabe a missão de fomentar os vários ministério e carismas na comunidade. Ele tem o dever de animar a Igreja missionária e o povo sacerdotal para viver a sua vocação (cf. LG 22; PDV 14). Para isso, ele é instituído pastor na Igreja, estando ele voltado para o povo ao qual foi confiado, como ministro servidor “in persona Christi”. Sendo assim, a tarefa do padre não é tanto edificar prédios, embelezar templos, cuidar de paramentos e altares. Se ele faz todas essas coisas é porque, no templo e na liturgia, ele reúne e manifesta o povo de Deus. Em maio de 2010 participei do XVI Congresso Eucarístico Nacional, em Brasília. Nos intervalos, visitando a feirinha de artigos religiosos, espantou-me verificar que, nas lojas oferecendo batinas, faixas, clegiman e paramentos, estavam sempre cheios de padres e seminaristas experimentando a última moda. Já as livrarias, apresentando edições novas e antigas de livros teológicos, publicações pastorais e documentos eclesiais, recebiam poucos interessados. Na maioria, padres já experimentados no serviço ministerial. Sintomático e preocupante. *Padre Silvio Dias é pároco da Paróquia Nossa Senhora d’Ajuda em Caçapava-SP


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MEMÓRIA

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CATEDRAL

21 anos da Encíclica Redemptoris Missio Ofícios e Ministérios da Liturgia Episcopal Prof. José Pereira da Silva* Lançada pelo Papa João Paulo II em 07 de dezembro de 1990, a Encíclica “Redemptoris Missio” (A missão de Cristo Redentor) está para comemorar 21 anos. A Encíclica é uma chamada urgente para a evangelização universal. Colocou em evidência a validade permanente da ordem missionária de Cristo. Com razão, afirma que a tarefa da evangelização ainda está no começo: “A missão de Cristo redentor, confiada à Igreja, está ainda longe do seu pleno cumprimento. No termo do segundo milênio, após a sua vinda, uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão está ainda no começo,e que devemos empenharnos com todas as forças no seu serviço” (RM, 1). A Igreja deve enfrentar os desafios do nosso tempo e realizar uma nova evangelização: “A Igreja deve hoje enfrentar outros desafios, lançando-se para novas fronteiras, quer na primeira missão ad gentes, que na nova evangelização dos povos que já receberam o anúncio de Cristo: a todos os cristãos, às Igrejas particulares e à Igreja universal, pede-se a mesma disponibilidade para escutar a voz do Espírito” (RM, 30).

Mons. Marco Eduardo Jacob Silva* Nova Evangelização é, então, sinônimo de missão; pede capacidade de recomeçar, de ir além, de ampliar os horizontes. É o contrário da auto- suficiência e de fechamento em si mesmo, da mentalidade do status quo e de uma visão pastoral que considera suficiente continuar a fazer como sempre se fez. O Papa João Paulo II lembrou o papel do Vaticano II na atividade missionária: “O Concílio Vaticano II pretendeu renovar a vida e a atividade da Igreja, de acordo com as necessidades do mundo contemporâneo: assim sublinhou o seu caráter missionário, fundamentando-o, dinamicamente, na própria missão trinitária. O impulso missionário pertence, pois à natureza íntima da vida cristã, e inspira também o ecumenismo: ‘que todos sejam um (...) para que o mundo creia que tu me enviaste’ (Jo 17,21)” (RM, 1.c). A missão é uma atitude, um estilo audaz. É a capacidade do cristianismo de saber ler e decifrar os novos cenários que nestas últimas décadas se tem vindo a criar na história da humanidade, para os habitar e transformar em lugares de testemunho e de anúncio do Evangelho. *José Pereira da Silva é historiador e professor

A liturgia, por sua natureza, possui uma tal variedade de níveis de comunicação, que lhe permitem cativar o ser humano na sua totalidade. A simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e aliciam mais do que o artificialismo de adições inoportunas. A atenção e a obediência à estrutura própria do rito, ao mesmo tempo em que exprimem a consciência do caráter de dom da Eucaristia, manifestam a vontade que o ministro tem de acolher, com dócil gratidão, esse dom inefável. Em qualquer comunidade congregada em volta do altar, sob o ministério sagrado do Bispo, se manifesta “o símbolo daquela caridade e unidade do Corpo místico sem as quais não pode haver salvação” (LG 23). presidida É pois, da máxima conveniência que, todas as vezes que o Bispo tomar parte nalguma ação litúrgica com participação do povo, por si mesmo à celebração, investido esteja da plenitude do sacramento da Ordem. E isto deve-se fazer, não para aumentar a solenidade externa do rito, mas para significar de modo mais vivo o ministério da Igreja. É importante observar, sobretudo em nossas Celebrações Diocesanas, quando presidida pelo Bispo, que cada participante, ou membro da celebração, tem o direito e o dever de desempenhar unicamente o ofício que lhe pertence ou compete, de acordo com a diversidade da ordem e função. Neste sentido, todos, ministros e fiéis, no desempenho de seu ofício, farão só e tudo o que lhes pertence (cf. SC 28). Aquilo que teve lugar na história, ou seja, o mistério pascal, o mistério da nossa salvação, tornase hoje presente na celebração litúrgica da Igreja, que é um corpo, cujos membros constituem um só todo, onde o Salvador não é uma

recordação do tempo passado, mas constitui o Vivente, que dá continuidade à sua obra salvífica no seio de sua única Igreja, comunicando a ela, sua vida, que é graça e antecipação da eternidade. Presbíteros: Embora não gozem do sumo pontificado e dependem do Bispo no exercício do seu poder, estão, todavia, unidos pela dignidade sacerdotal. Como zelosos cooperadores da ordem episcopal, seu instrumento e auxílio, são chamados a servir o povo de Deus, constituindo assim, com o seu Bispo, um único presbitério, e, sob a autoridade dele, santificam e regem a parte do rebanho que lhes fora confiada (LG 28). Muito se recomenda que, nas celebrações litúrgicas, o Bispo tenha alguns presbíteros que o assistam e concelebrem com o mesmo, para assim manifestar a unidade da Igreja e assim a unidade com o Bispo, princípio visível de unidade em sua Igreja Particular, ou seja, em sua Diocese. Diáconos: Devem ser “homens de boa reputação e cheios de sabedoria” (At 6,3), e deve ser tal o seu proceder mediante o auxílio de Deus que sejam reconhecidos como verdadeiros discípulos daquele que não veio para ser servido, mas para servir (Mt 20,28). Prestam a sua ajuda ao Bispo e ao seu presbitério, no ministério da Palavra, do altar e da caridade. Enquanto ministros do altar, anunciam o Evangelho, servem à celebração do Sacrifício, distribuem o Corpo e o Sangue do Senhor. Devem considerar o Bispo como pai e ajudá-lo, como ao próprio Senhor Jesus Cristo. Nas ações litúrgicas, ao diácono compete: assistir o celebrante; servir junto do altar, do livro e do cálice; dirigir a comunidade dos fiéis com oportunas monições; enunciar as intenções da oração universal. *Mons. Marco Eduardo Jacob Silva é Pároco e Mestre de Cerimônias da Igreja Catedral


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E A PALAVRA SE FEZ CARNE...

“A boca fala daquilo que o coração está cheio. Quem é bom faz sair coisas boas de seu tesouro, que é bom” Pe Samuel Carvalho, ocs* Tomo estas palavras para iniciarmos nossa reflexão, tendo em mente uma das primeiras frases encontradas nas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2011-2015): “A Igreja existe para Evangelizar.” Poderíamos dizer o mesmo de outras formas: nós existimos para falar às pessoas coisas boas, enchê-las de esperança, mostrar-lhes as saídas (exit, em inglês, ou êxito em português) que levam a uma vida que valha a pena, à Vida em plenitude. Esta é a nossa missão. Mas é certo que viver em nosso tempo é, para muitos, o mesmo que estar desorientado, sem saber aonde ir. Diante de tantas coisas novas que aparecem a cada dia, tudo fica fora de moda, sem uso, muito rapidamente. As novidades vêm e acabam mudando nossos costumes, o que aprendemos parece agora não servir mais. O que é bom e o que é mau? Para qual lado devo ir? Dentre as novidades, há coisas boas e más. Algumas mostram-se boas e, com o passar do tempo, nos vemos enganados; outras surpreendem, julgamos ser ruins, mas terminam por nos trazer boas notícias. O que seguir então? A quem ouvir? Para onde ir? Nós, cristãos, temos uma resposta certa: “A quem iremos, Senhor, só Tu tens palavras de

Vida Eterna.”(João 6,68) Em tempos como o nosso, é preciso voltar à fonte da nossa fé, porque não podemos ter outro fundamento que Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre (Cf. Hebreus 13,8). A História de nossa Igreja mostranos como isso é verdadeiro. Em tempos difíceis, nas mudanças de épocas, homens e mulheres encheram seus corações da Palavra de Deus e suas bocas falaram palavras de Deus que mostraram a direção para o povo. Lembremo-nos de grandes santos, como Agostinho (que viveu o fim do mundo romano), São Bento, São Francisco de Assis, São Domingos de Gusmão, Santo Inácio de Loyola (época da Reforma Protestante), Santa Teresa D’Ávila, São João Bosco (época da Revolução Industrial), São João Maria Vianney (durante a Revolução Francesa), Beata Teresa de Calcutá (na Índia de nossos dias). E onde podemos encher-nos, como eles, da sabedoria e da santidade de Cristo? Onde está o tesouro de onde podemos tirar tantas coisas boas? A esse tesouro chamamos “Depósito da Fé”. A Igreja é responsável por guardar e distribuir a Palavra de um Deus que se mostrou a nós: que se revelou desde a Criação, de forma extraordinária em Jesus Cristo (Deus encarnado) e em tantas pessoas e si-

tuações da história. A Tradição e a Sagrada Escritura constituem o “Depósito da Fé”. É aí que vamos encher nossos corações para que a nossa boca fale palavras de Deus. O Papa Bento 16 nos escreve: “É importante que o Povo de Deus seja educado e formado para claramente abeirar-se das Sagradas Escrituras na sua relação com a Tradição viva da Igreja, reconhecendo nelas a própria Palavra de Deus.” (Verbum Domini, 18). Seguindo este pedido do Santo Padre, nossos bispos pedem-nos que, urgentemente, nossa Igreja se torne uma fonte de animação bíblica para toda a vida. Ler, meditar, orar com a Sagrada Escritura dever ser um hábito, algo que seja feito repetida e quase ‘naturalmente’ entre nós. Em tudo, desde nossas celebrações litúrgicas, passando pelas reuniões de comunidade e pastorais, em nossa convivência familiar e até a oração pessoal devem estar impregnadas da Palavra de Deus. Só assim, “quando formos bombardeados por questões que desafiam a fé, a ética e a esperança, estaremos de tal modo familiarizados com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra, que continuaremos solidamente firmados em Cristo e converteremos aqueles que nos questionam. Afinal, o mundo fala muito, mas tem sede de uma Palavra que guia, tranquiliza, impulsiona, envolve, ajuda a discernir. O mundo tem sede, portanto, da Palavra de Deus.” (DGAE, 47-48). Uma imagem pode nos ajudar a entender o que é ser cheio da Palavra de Deus. Imagine uma esponja, dessas que você usa para lavar vasilhas em sua casa. Se ela não entrar em contato com água, você pode apertá-la o quanto puder, e não sairá uma gota d’água sequer. Você pode umedecêla. Então, ao ser pressionada, sairá um pouco d’água; mas se estiver encharcada, nem precisa apertá-la para que derrame água. Assim somos nós em relação à Palavra de Deus, quanto mais você a lê e medita, mais sua boca falará palavras de Deus, quanto menos você tem contato com a Sa-

grada Escritura, mais difícil será para você falar d’Ele. Sugiro que faça este teste para saber como você está: 1) Quanto tempo, por dia, você conversa com seus familiares, amigos e colegas (em casa, nos intervalos, nos meios de transporte, por telefone, via internet): a) 5 min; b) 15 min; c) 30 min; d) 1 hora; e) mais de 1 hora. 2) Quanto tempo, por dia, você gasta assistindo TV (telejornal, novela, futebol e outros programas): a) 5 min; b) 15 min; c) 30 min; d) 1 hora; e) mais de 1 hora. 3) Quanto tempo, por dia, você se dedica à leitura, meditação e oração com a Sagrada Escritura: a) 5 min; b) 15 min; c) 30 min; d) 1 hora; e) mais de 1 hora. Agora compare! Lembro-me do dia 11 de setembro de 2001, quando ocorreu o atentado ao Pentágono e às Torres Gêmeas nos Estados Unidos. Era de manhã e estávamos trabalhando na limpeza de nossa casa, quando a notícia nos chegou. Nossas exclamações eram: Será verdade? Como isso aconteceu? Não é o lugar e o país mais seguros do mundo? Foi quando um de nossos Irmãos falou: “É bem verdade, se o Senhor não guarda a cidade, em vão vigiam os soldados”. (Salmo 127,1). Naquele momento, a boca de nosso Irmão falou aquilo que seu coração estava cheio, transbordou palavras de Deus. Os tempos são difíceis, nós o sabemos, mas também de muita esperança. O mundo espera de nós Boas Notícias! Encha seus ouvidos e seu coração com a Palavra de Deus, use do tesouro do Depósito da Fé que temos à disposição e “permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como Verdade”. (2ª Timóteo 3, 14). *Padre Samuel Carvalho é da congregação Oblatos de Cristo e mestre do seminário de noviço em Barretos-SP

LEITURAS DOS DOMINGOS DE AGOSTO Dia 21 - Ap 11,19; 12,1.3-6.10/ Sl 44 (45) 1Cor 15,20-27/ Lc 1,39-56 Dia 28 - Jr 20,7-9/ Sl 62 (63) / Rm 12,1-2 Mt 16,21-27


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LITURGIA

Glória ou Hino de Louvor? Pe. Kleber Rodrigues da Silva*

Para entendermos melhor isso, façamos um pequeno comparativo do texto litúrgico, com o texto não litúrgico:

Dando continuidade às nossas

aclamação e da súplica. Movida

mês

pela ação do Espírito Santo, a

TEXTO LITÚRGICO (1)

desejo refletir com vocês o tema

assembléia entoa esse hino, que

do Hino de Louvor de nossas

tem sua origem naquele canto dos

celebrações eucarísticas. Trata-se

anjos que ressoou pela primeira vez

de um momento importante dentro

nos ouvidos dos pastores de Belém,

dos ritos iniciais que, no entanto,

na noite do nascimento de Jesus

não é sempre bem cuidado ou

(cf. Lc 2,4).” (cf. Frei Joaquim

considerado com o respeito que

Fonseca, “Cantando a missa e o

Glória a Deus nas Alturas, e paz na Terra aos homens por ele amados. Senhor Deus, rei dos céus, Deus Pai Todo-Poderoso. Nós vos louvamos, nós vos bendizemos, nós vos adoramos, nós vos glorificamos, nós vos damos graças por vossa imensa glória. Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito. Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai. Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica. Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós. Só vós sois o Santo. Só vós o Senhor . Só Vós o Altíssimo, Jesus Cristo. Com o Espírito Santo, na glória de Deus Pai.

merece.

ofício divino” (Paulus 2004)

reflexões

litúrgicas,

este

Contextualizando nossa reflexão, recordemos

os

elementos

que

2) O ‘Glória’ pode ser dividido a) O canto dos anjos na noite

são eles: motivação inicial, canto

do nascimento de Cristo: ‘Glória a

de entrada, saudação presidencial,

Deus nas alturas e paz na terra aos

ato penitencial, hino de louvor,

homens por ele amados’;

oração do dia ou coleta. Todos

b) Os louvores a Deus Pai: ‘Senhor

esses passos que damos servem

Deus, rei dos céus, Deus Pai todo-

para introduzirmos no mistério

poderoso: nós vos louvamos, nós

eucarístico que vamos participar

vos bendizemos, nós vos adoramos,

de uma forma consciente (com

nós vos glorificamos, nós vos damos

o coração voltado para o que

graças pro vossa imensa glória’; c)

Os

louvores

seguidos

de

dos cantos, das respostas durante

súplicas e aclamações a Cristo:

a oração eucarística, por exemplo)

‘Senhor

e frutuosa (preenchendo o coração

Unigênito, Senhor Deus, Cordeiro

e a vida da presença viva do Cristo

de Deus, Filho de Deus Pai. Vós

Palavra-Eucaristia).

que tirais o pecado do mundo,

Jesus

Cristo,

Filho

Outro elemento importante que

tende piedade de nós. Vós que tirais

precisamos considerar, é que toda

o pecado do mundo, acolhei a nossa

ação litúrgica consiste numa “ação

súplica. Vós que estais à direita

trinitária”, isto é, ao Pai, pelo

do Pai, tende piedade de nós. Só

Cristo, no Espírito Santo. Isto será

vós sois o Santo, só vós o Senhor,

também base para entendermos o

só vós o Altíssimo Jesus Cristo’.

papel do hino de louvor na missa.

(citado por Frei José Ariovaldo

Considerando estes dois dados acima, analisemos o nosso objeto de reflexão: 1) “O ‘Glória’ é um hino que remonta

aos

Silva, Ficha09, Formação Litúrgica em Mutirão, CNBB) d)

primeiros

séculos

O

‘Glória’

termina

É bem simples comparar o litúrgico e o não litúrgico. Na caixa azul, vemos a riqueza e a consistência do texto, o respeito hierárquico e a não-confusão das funções trinitárias; na caixa laranja, vemos um vazio das ações trinitárias e um aspecto meramente repetitivo. Confesso que quando ouço este canto, sinto a Santíssima Trindade sendo destrinchada, separada. Seria como dar glórias ao Pai, deixa-se o Pai do lado e dão-se glórias ao Filho e por fim, deixam os dois de lado (Pai e Filho) e homenageia-se o Espírito Santo. É preciso pensar no futuro de nossa liturgia, pois a incapacidade bíblica, teológica e pastoral tem feito com que a “pobreza de conteúdos” invada cada vez mais nossas celebrações. Lembrem-se, é fundamental que nossas equipes

de celebrações, incluindo os músicos, devem se pautar em alguns critérios para a escolha dos cantos. Resumidamente aponto: a) texto do evangelho do dia, b) situar a celebração no tempo litúrgico; c) considerar o momento que o canto ocupa na celebração; d) conduzir ao mistério celebrado (Paixão-Morte-Ressurreição); e) evitar o “eu”, o “meu” e dar lugar ao “nós” ou ao “nosso”. Por fim, sugiro que você da Pastoral Litúrgica reflita este texto na reunião mensal, analise como seu “grupo de canto” tem executado o Hino de Louvor. Guarde sempre: a palavra Glória não é o único critério para dizer se o texto é apropriado ou não para a celebração. Desejo uma boa reflexão a todos. *Pe. Kleber Rodrigues da Silva é secretário diocesano de pastoral e assessor de liturgia da Diocese de Taubaté

um final majestoso, incluindo o Espírito Santo. É importante lembrar que esta

do Missal Romano, lemos que o

inclusão não constitui, em primeira

‘Glória’ é um ‘hino antiqüíssimo

instância,

e venerável, pelo qual a Igreja

à terceira pessoa da Santíssima

congregada

Santo

Trindade. O Espírito Santo aparece

glorifica e suplica a Deus Pai e ao

relacionado com o Filho, pois é

Cordeiro... (n. 53). Esta definição

neste que se concentram os louvores

nos deixa claro que o ‘Glória’ é

e as súplicas. Em outras palavras: o

um hino doxológico (de louvor/

Cristo se mantém no centro de todo

glorificação) que canta a glória de

o hino. Ele é o Kyrios, o Senhor que

Deus e do Filho. Porém, o Filho

desde todos os tempos habita no

se mantém no centro do louvor, da

seio da Trindade.

Espírito

sempre, Glória.

com

da era cristã. Na Instrução Geral

no

Glória, glória ao Pai criador, ao Filho redentor e ao Espírito Glória. Ao Pai criador do mundo, ao Filho redentor dos homens, ao Espírito de amor demos

em três partes:

compõe os ritos inicias da missa,

celebramos), ativa (participando

TEXTO NÃO LITÚRGICO (2)

um

louvor

explícito

Av. Helvino Moraes, 1149, Vila São José (próximo a Escola São Luís)


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CRÔNICA

Sobre ipês-amarelos Pe Jaime Lemes, msj*

Eu gosto do mês de agosto – o trocadilho é mera coincidência. Não porque se comemora o Dia do Padre ou porque se homenageiam os pais ou, ainda, porque, para muitos, é o início do fim de ano. A razão do meu gosto por este mês – quase nunca escolhido pelas noivas para realizar o sonho de cruzarem o corredor da igreja ao som da Marcha Nupcial de Mendelssohn por considerá-lo um mês de azar – também não se ampara em nenhuma concepção supersticiosa. O meu motivo é muito mais prosaico. Gosto de agosto por causa dos ipês-amarelos. É um gosto que vem de infância, quando morava na fazenda, em terras mineiras. Como era fascinante olhar da janela e ver os morros dourados de paus-d’arcos floridos! Inocente, perguntava: “Mãinha (é assim que ainda hoje chamamos a nossa mãe), quem foi que plantou?”. E ela respondia: “Foi Deus quem plantou, desde o começo do mundo”. Assim, crescia também a minha admiração

por Deus. Embora sem entender muito bem a sua existência, sabia que era um ser especial e muito feliz. Na minha infante concepção, só alguém muito especial e feliz poderia ter a magnífica ideia de plantar árvores tão bonitas. Ainda hoje, sempre que vejo um ipê-amarelo florido, me vem ao coração essa lembrança. Aliás, tenho para mim que os ipês sempre fizeram parte de minha vida. No colégio onde eu estudava, tinha três pés de ipê: um branco, um rosa e um amarelo. As nossas manhãs eram muito mais agradáveis quando a escola ficava naturalmente enfeitada. Parece que as árvores tinham algo de mágico, capaz de transformar a nossa rotina. Éramos felizes. Hoje, no jardim de minha casa também tem vários ipês, e eles já estão cheios de botões, prontos para desabrochar. Mas, os daqui, não sei ainda por qual motivo, talvez por timidez ou porque são mesmo especiais – talvez isto seja puro desvario de minha parte – só florescem

depois que os outros já estão no fim de sua florada. Aguardo ansiosamente por esse momento, porque, assim como na infância, eles continuam a exercer forte influência na minha rotina. Tempos atrás, quando ainda não se ouvia falar em mudanças climáticas, quando o pau-d’arco floria era prenúncio da passagem de estação, a temporada do frio estava chegando ao fim e já despontava sorridente a estação das flores. Durante o inverno, o ipêamarelo perde todas as folhas, toma um aspecto de árvore morta, os seus botões se desenvolvem sem que os percebamos. Curiosamente, dizem os botânicos, que quanto mais severo for o inverno, mais fartas serão as flores. Ao menos nisso parece-me haver alguma semelhança entre gente e ipês. Também nós podemos fazer de nossos invernos existenciais tempo oportuno para o amadurecimento humano, para renovar nossa fé e esperança e, enfim, permitir que a nossa vida ga-

nhe uma cor diferente. Nas outras partes do ano, o ipê-amarelo não é uma árvore tão notável, não é frondosa e nem possui folhas exuberantes. Mas ela parece saber de seu potencial e de sua missão, tão singela e tão essencial. Precisa apenas de duas semanas, tempo médio da duração de sua florada, para provocar nítida transformação na paisagem quase sempre seca e cinzenta de agosto – sobretudo nas florestas de concretos em que se tornaram as nossas cidades – e proporcionar momentos de deslumbramento na vida das pessoas. Não há quem não se encante quando os olhos se deparam com um ipê florido. Mesmo os corações mais pedregosos. Ele têm o mágico poder de, ao menos por alguns instantes, nos fazer esquecer os nossos aborrecimentos diários, de trazer esperança aos corações feridos e de nos fazer acreditar na felicidade. *Padre Jaime Lemes, msj, é Jornalista, vigário da Paróquia do Menino Jesus em Taubaté e assessor da Pastoral da Comunicação na Diocese

LINK CULTURAL // CiNEMA O filme “A árvore da vida”, vencedor da Palma de Ouro em Cannes este ano e forte candidato ao prêmio de melhor filme da Academia de Cinema americana em 2012, é uma reflexão existencialista, que fala sobre a relação entre pai e filho e as consequências dela na vida de um homem. O diretor e roteirista Terrence Malick demorou mais de dois anos na montagem da obra, que narra as memórias de Jack (Sean Penn), incluindo a infância passada no interior do Texas, na qual os protagonistas são a mãe (Jessica Chastain), o pai (Brad Pitt) e os irmãos menores, um dos quais morreu adoles-

// LIVRO cente. A morte do irmão assombra Jack e é um dos motores a levá-lo a uma indagação maior sobre o sentido do mundo e a existência de Deus. O cineasta enfatiza mais as sensações – de uma brincadeira no quintal, de uma briga em família à mesa da cozinha – para revelar as memórias do protagonista, aproximando o foco na relação entre pai e filho de uma família comum, e expandindo a ótica desta rica relação, em uma fabulosa viagem pela história da vida e seus mistérios, remontando às origens do Universo – que inclui imagens do cosmos e até dinossauros – e que culmina na busca pelo amor altruísta e o perdão. Trata-se de um filme com imagens esplêndidas, de uma profunda reflexão religiosa, que faz o espectador redescobrir o amor e a vida.

Lançado pela Companhia das Letras, o livro “A ausência que seremos” é uma biografia em ritmo de ficção escrita com refinamento, poesia e lances de humor pelo filho do médico sanitarista colombiano Héctor Abad Gómez (1921-1987), defensor de causas sociais e pacifista convicto, que foi executado pelos esquadrões da morte que golpearam seu país nos anos 1980. O autor Héctor Abad – que é jornalista, escritor, editor e tradutor – levou quase vinte anos para narrar a trajetória do próprio pai, um homem de fortes convicções, que defendia a liberdade de pensamento

e conduziu uma batalha sanitarista pela Colômbia, lutando em prol dos direitos humanos e denunciando as barbaridades praticadas pelos paramilitares. O título do livro foi inspirado no soneto “Epitáfio”, atribuído a Jorge Luis Borges, que Héctor filho encontrou no bolso do pai, pouco depois de seu assassinato. Na obra, de 320 páginas, o filho-autor apresenta um caleidoscópio de relatos num testemunho delicado e sutil do amor filial, expresso em um texto onde estão presentes a dor e a violência, que incluem seu ponto de vista pessoal – sua visão sobre o pai-herói, o paicoruja, o pai-mártir – além de trechos deixados pelo próprio protagonista, somados aos de amigos, colegas e conhecidos, da viúva e das filhas, e até os de inimigos e desafetos.


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DIOCESE DE TAUBATÉ

Expediente

Horário de Missas

DIOCESE DE TAUBATÉ MITRA DIOCESANA DE TAUBATÉ - CNPJ 72.293.509/0001-80 Avenida Professor Moreira, nº 327. Centro - Taubaté-SP CEP 12030-070 Expediente: De Segunda a Sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Telefone (12) 3632-2855

Bispo Diocesano: Dom Carmo João Rhoden, scj Vigário Geral: Mons. José Eugênio de Faria Santos Ecônomo e Procurardor: Côn. Luiz Carlos de Souza Chanceler do Bispado: Mons. Irineu Batista da Silva Coordenador Diocesano de Pastoral: Pe. Kleber Rodrigues da Silva

Decanatos / Decanos / Paróquias / Párocos DECANATO TAUBATÉ I - Decano: Mons. Marco Eduardo-------------Catedral de São Francisco das Chagas – Mons. Marco Eduardo Nossa Senhora do Rosário (Santuário Sta. Teresinha) – Mons. José Eugênio São José Operário – Pe. Luís Lobato Santo Antônio de Lisboa – Côn. Elair Ferreira São Pedro Apóstolo – Pe. Fábio Modesto Nossa Senhora do Belém – Pe. Valter Galvão São Vicente de Paulo – Pe. Éderson Rodrigues

3632-3316 3632-3316 3632-2479 3633-2388 3608-4908 3633-5906 3621-5170 3621-8145

DECANATO TAUBATÉ II - Decano: Pe. Sílvio Menezes, sjc Sagrada Família – Pe. Arcemírio, msj Santa Luzia – Pe. Ethewaldo Júnior do Menino Jesus – Pe. Vicente, msj Nossa Senhora Mãe da Igreja – Pe. Emerson Ruiz, scj Nossa Senhora da Conceição (Quiririm) – Pe. Sílvio Menezes, sjc São Sebastião – Pe. Rodrigo Natal

3686-1864 3681-1456 3632-5614 3681-4334 3411-7424 3686-1864 3629-4535

DECANATO TAUBATÉ III – Decano: Pe. José Vicente Santíssima Trindade – Côn. Paulo César Sagrado Coração de Jesus – Pe. Carlos, scj Senhor Bom Jesus (Basílica de Tremembé) – Pe. José Vicente São José (Jd. Santana-Tremembé) – Pe. Alan Rudz Espírito Santo – Pe. Antônio Barbosa, scj

3672-1102 3621-3267 3621-4440 3672-1102 3672-3836 3602-1250

DECANATO CAÇAPAVA – Decano: Pe. Sílvio Dias Nossa Senhora D’Ajuda (Igreja São João Batista) – Sílvio Dias Santo Antônio de Pádua – Pe. Décio Luiz Nossa Senhora da Boa Esperança – Côn. José Luciano São Pio X (Igreja de São Benedito) – Frei Deonir Antônio, OFMConv Menino Jesus – Pe. Luiz Carlos Nossa Senhora das Dores (Jambeiro) – Pe. Gracimar Cardoso

3652-2052 3652-2052 3652-6825 3652-1832 3653-1404 3653-5903 3978-1165

DECANATO PINDAMONHANGABA – Decano: Pe. Celso Aloísio Nossa Senhora do Bom Sucesso – Côn. Luiz Carlos Nossa Senhora da Assunção (Igreja de São Benedito) – Pe. Celso Aloísio Nossa Senhora do Rosário de Fátima – Côn. Francisco São Miguel Arcanjo (Araretama) – Pe. João Miguel São Benedito (Moreira César) - Pe. José Júlio São Vicente de Paulo (Moreira César) - Côn. Geraldo São Cristóvão (Cidade Nova-Km 90 da Dutra) – Pe. Sebastião Moreira, ocs

3642-1320 3642-2605 3642-1320 3642-7035 3642-6977 3641-1928 3637-1981 3648-1336

DECANATO SERRA DO MAR – Decano: Côn. Amâncio Santa Cruz (Redenção da Serra) – Côn. Amâncio Nossa Senhora da Natividade (Natividade da Serra) – Côn. Joaquim Nossa Sra da Conceição (Pouso Alto-Natividade da Serra) – Côn Joaquim São Luís de Tolosa (São Luiz do Paraitinga) – Pe. Edson Rodrigues

3676-1228 3676-1228 3677-1110 3677-1110 3671-1848

DECANATO SERRA DA MANTIQUEIRA – Decano: Pe. Celso, sjc Santa Terezinha do Menino Jesus (Campos do Jordão) - Pe. Celso, sjc São Benedito (Campos do Jordão) – Pe. Vicente Batista, sjc São Bento (São Bento do Sapucaí) – Pe. Ronaldo, msj Santo Antônio (Santo Antônio do Pinhal) – Côn. Pedro Alves

3662-1740 3662-1740 3663-1340 3971-2227 3666-1127

TAUBATÉ

CAMPOS DO JORDÃO

PARÓQUIA DA CATEDRAL DE SÃO FRANCISCO DAS CHAGAS Catedral de São Francisco das Chagas Missa preceitual aos sábados: 12h / 16h. Aos domingos: 7h / 9h / 10h30 / 18h30 / 20h Convento Santa Clara Missa preceitual aos sábados: 19h30. Aos domingos: 7h / 9h / 11h / 17h30 / 19h30 Santuário da Adoração Perpétua (Sacramentinas) Missas aos domingos: 8h30 Igreja de Santana Missa no Rito Bizantino, às 9h30 aos domingos PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO Matriz: Santuário de Santa Teresinha Aos domingos: 6h30 / 8h / 9h30 / 17h / 19h Missa preceitual aos sábados: 19h PARÓQUIA SÃO JOSÉ OPERÁRIO Matriz: São José Operário Missa preceitual aos sábados: 12h / 18h. Aos domingos: 7h / 10h30 / 18h / 20h PARÓQUIA SANTO ANTÔNIO DE LISBOA Igreja de Santo Antônio de Lisboa (Vila São José) Missas aos domingos: 8h / 19h30 PARÓQUIA SÃO PEDRO APÓSTOLO Matriz: São Pedro Apóstolo Missas aos domingos: 8h / 9h30 / 17h 18h30 / 20h PARÓQUIA SAGRADA FAMÍLIA Matriz: Sagrada Família Missas aos domingos: 8h / 10h30 / 17h / 19h PARÓQUIA SANTA LUZIA Matriz: Santa Luzia Missas aos domingos: 10h / 19h30 PARÓQUIA MENINO JESUS Matriz Imaculado Coração de Maria Missas aos domingos: 8h / 11h / 19h PARÓQUIA NOSSA SENHORA MÃE DA IGREJA Matriz: Santuário São Benedito Missas aos domingos: 7h / 9h30 / 17h30 19h30 PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO Matriz: Nossa Senhora da Conceição (Quiririm) Missa preceitual aos sábados: 19h Aos domingos: 8h / 18h PARÓQUIA SANTÍSSIMA TRINDADE Matriz: Nossa Senhora das Graças Missas aos domingos: 7h / 9h / 10h30 / 19h PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS Matriz: Sagrado Coração de Jesus Missa preceitual aos sábados: 17h Missas aos domingos: 7h / 9h30 / 17h30 19h30 PARÓQUIA SÃO VICENTE DE PAULO Matriz: São Vicente de Paulo Missas aos domingos: 7h / 10h / 17h / 19h30 PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO BELÉM Matriz Missa aos domingos: 9h / 19h

PARÓQUIA SANTA TEREZINHA DO MENINO JESUS Igreja Matriz: Santa Terezinha do Menino Jesus (Abernéssia) Missas aos domingos: 7h / 9h / 19h PARÓQUIA SÃO BENEDITO Matriz: São Benedito (Capivari) Missas aos domingos: 10h30 / 18h

CAÇAPAVA PARÓQUIA NOSSA SENHORA D’AJUDA Matriz: São João Batista Missas aos domingos: 6h30 / 9h30 / 11h 18h30 PARÓQUIA SANTO ANTONIO DE PÁDUA Matriz: Santuário Santo Antônio de Pádua Missas aos domingos: 7h / 9h / 19h Comunidade de São Pedro: Vila Bandeirante Missas aos domingos: 17h PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA Matriz: Nossa Senhora da Esperança Missas aos domingos: 10h / 19h PARÓQUIA SÃO PIO X Matriz: São Benedito Missas aos domingos: 6h30 / 9h30 / 11h 18h / 20h Igreja São José Operário Missas aos sábados e domingos: 19h PARÓQUIA MENINO JESUS Matriz: Menino Jesus Missas aos domingos: 6h30 / 10h / 19h

JAMBEIRO

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DORES Matriz: Nossa Senhora das Dores Missas aos domingos: 8h0 / 19h

DAS

NATIVIDADE DA SERRA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA NATIVIDADE Matriz: Nossa Senhora da Natividade Natividade da Serra Missas aos domingos: 9h30 / 19h PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO Matriz: Nossa Senhora da Conceição - Natividade da Serra (Bairro Alto) Missas aos domingos: 2º e 4º Domingos do mês: 10h

PINDAMONHANGABA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO BOM SUCESSO Matriz: Santuário Nossa Senhora do Bom Sucesso Missas aos domingos: 7h / 9h / 11h / 18h PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO Matriz: São Benedito Missas aos domingos: 7h / 9h30 / 18h / 19h30 Igreja Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos (Cidade Jardim) Missas aos domingos: 8h / 19h30 PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE FÁTIMA Matriz: Nossa Senhora do Rosário de Fátima Missas aos domingos: 7h30 / 9h / 19h PARÓQUIA SÃO BENEDITO (Moreira César) Matriz: São Benedito (Vila São Benedito) Missas aos domingos: 8h PARÓQUIA SÃO VICENTE DE PAULO Igreja Matriz: São Vicente de Paulo (Moreira César) Missas aos domingos: 7h / 9h / 19h30 PARÓQUIA SÃO CRISTÓVÃO - Cidade Nova Igreja Matriz: São Cristóvão Missas aos domingos: 7h / 19h PARÓQUIA SÃO MIGUEL ARCANJO (ARARETAMA) Igreja Matriz: Missas aos domingos: 8h / 19h

REDENÇÃO DA SERRA PARÓQUIA SANTA CRUZ Matriz: Santa Cruz (Redenção da Serra) Missas aos domingos: 9h30

SÃO LUIZ DO PARAITINGA

PARÓQUIA SÃO LUIZ DE TOLOSA Matriz: São Luiz de Tolosa (São Luiz do Paraitinga) Missas aos domingos: 8h / 10h30 / 19h

SANTO ANTONIO DO PINHAL

PARÓQUIA SANTO ANTONIO DO PINHAL Matriz: Santo Antônio Missas aos domingos: 8h / 10h / 19h

SÃO BENTO DO SAPUCAÍ

PARÓQUIA SÃO BENTO DO SAPUCAÍ Matriz: São Bento Missas aos domingos: 8h / 10h / 18h

TREMEMBÉ

PARÓQUIA SENHOR BOM JESUS Matriz: Basílica do Senhor Bom Jesus Missas aos domingos: 7h / 8h30 / 10h /17h 18h30 / 20h Igreja São Sebastião Missa no Rito Bizantino, às 18h PARÓQUIA SÃO JOSÉ Matriz: São José (Jardim Santana) Missa preceitual aos sábados: 18h30. Aos domingos: 7h30 / 10h30 / 19h30


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Comunicação a serviço da fé

CIDADANIA EM PAUTA

As histórias daqueles que são pais do coração De acordo com o último levantamento do Cadastro Nacional de Adoção, o número de pretendentes a adotar no Brasil em 2011 passa de 26 mil pessoas

Foto: Rebeca Caballero / Vale Repórter

Por Rebeca Caballero* diano explica que, antes de adotar, pensou muito sobre sua idade: “Eu sei que quando ele mais precisar de mim, eu estarei muito velho ou talvez nem esteja aqui para ajudar. É por isso que, antes de entrar com o proJuninho, filho adotivo de Norma de Oliveira e Veridiano do Nascicesso, conversei muito mento Oliveira, já mora há mais de 5 meses com o casal com meus filhos mais Enquanto a dona de casa Norma velhos, para ter certeza de que eles esAlice Rosalino de Oliveira fala sobre a tariam dispostos a criar o bebê”. Meshistória da adoção de seu filho – Ve- mo com a circunstância adversa, o pai ridiano do Nascimento Júnior, (mais relata que está feliz por mais um filho. conhecido como Juninho) – papai Ve- O casal mora em Taubaté e tem, além ridiano do Nascimento Oliveira brinca de Júnior, cinco filhos adultos, quatro e conversa com o bebê, que tem pou- homens e uma mulher. Há quem diga que o processo de co mais de um ano de vida. O curioso dessa história, é que o casal resolveu adoção é muito demorado, mas o proadotar um filho quando os dois já es- blema não é a burocracia, nem os dotavam lá pela casa dos 50 anos. A mãe cumentos, e sim a exigência dos futuros tem 57 anos e o pai, que já é aposenta- pais. O setor técnico do departamento de Serviço Social da Vara da Infândo, tem 66 anos. Norma diz que, quando conheceu cia de Taubaté informa que, para dar Juninho, foi amor à primeira vista. O entrada em requerimento de adoção, bebê é filho de uma sobrinha de Veri- são necessárias cópias protocoladas de diano, e foi encaminhado pelo Conse- uma série de documentos do adotante, lho Tutelar da cidade de Conceição das que deve residir na cidade, ser maior Alagoas, em Minas Gerais. A dona de de 18 anos, e irá passar por um estudo casa teve que buscar seu bebê lá longe e social e uma avaliação psicológica que diz que não se arrepende. Segundo ela, não tem custo. A partir daí, é necessásempre teve o desejo de adotar uma rio aguardar a manifestação do Minismenina, mas ressalta que está mais do tério Público. Com o deferimento do que feliz e satisfeita por Juninho ter en- Ministério, o adotante entra em um trado em sua vida. “Não me arrependi cadastro nacional, e aguarda a criança. nem um minuto por ter adotado, ele Quanto mais restrições o futuro pai e faz a alegria da casa”, enfatiza. Veri- (ou) mãe fizerem, mais demorada é a

chegada do filho. A espera pode durar quatro anos ou mais, dependendo das características esperadas pelo adotante. No caso de Norma e Veridiano, o processo é mais favorável por serem parentes da criança. Taubaté tem um Grupo de apoio a pais adotivos, o grupo “Convivência”, que existe há quatro anos e realiza reuniões toda última quarta-feira do mês às 19h30 na Câmara Municipal. Nos encontros, os pretendentes à adoção, os que já adotaram e as pessoas que tiverem interesse no assunto recebem informações, orientações e trocam experiências com relação ao tema. A coordenadora do Grupo Convivência, Ângela Soares da Cruz explica: “Quando a pessoa adota uma criança, ela passa por um processo de adaptação, assim como quando nasce uma criança, ou quando o adotado é adolescente, as circunstâncias são diferentes, mas a intensidade das dificuldades de adaptação é a mesma”. Ângela é mãe adotiva do menino Davi, começou no grupo como participante e agora o coordena voluntariamente. Aproximadamente dez pessoas frequentam as reuniões, entre elas voluntários, pretendentes à adoção, e pais que já adotaram. Foi por meio do grupo que Éderson Flavio Ribeiro, de 37 anos conheceu um pouco mais sobre o tema. Ele é pai de Anderson, Luiz Fernando, Eduardo, Rodrigo, Rafael, Bruno e Jean, e ainda pretende adotar mais filhos, quando comprar uma casa mais espa-

çosa para a família. Éderson, diferente de muitos pais adotivos, é solteiro, e adotou as crianças de idade entre 7 e 20 anos. Ele conheceu a realidade dos garotos em um orfanato, e resolveu se tornar parte da vida deles pra fazer a diferença. Observa-se um grande sorriso no rosto do pai, quando conta como é a sensação de quando um processo de adoção se completa: “Quando saiu a certidão de nascimento com o meu nome, provando que é definitivamente meu filho, eu senti um alívio, um misto de paz e felicidade. Imagino que seja essa a sensação de quando nasce um filho biológico, pois o amor é o mesmo”. O processo de adoção não é um processo fácil, além disso, existe muito preconceito, tanto de futuros pais, que normalmente só querem adotar bebês, quanto da sociedade, que muitas vezes, ainda que com pequenos atos não considera filho adotivo como filho legítimo. Veridiano Oliveira e sua esposa dizem ter sofrido preconceito por causa da idade. A coordenadora Ângela Soares relata que muitos não consideravam Davi como seu filho verdadeiro e Éderson Ribeiro lamenta que muitas mães impeçam os filhos de brincar com os filhos dele, porque é pai solteiro. Mas a principal pergunta que foi feita a todos eles – se vale a pena passar por processos longos e preconceitos como esses – teve a mesma resposta: “Sim, com certeza”. *Rebeca Caballero é aluna do 2º ano de Jornalismo da Universidade de Taubaté


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