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Edição N°15 - Abril de 2018 UMA VIDA NOVA ESCORRE DA PÁSCOA DE CRISTO, COMO DE UMA FONTE, A FIM DE QUE, TAMBÉM NA VIDA, NOS REVISTAMOS DAQUELE QUE REVESTIMOS NO SACRAMENTO, JESUS CRISTO.

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Paranaguá PR

O BOM PASTOR

“É com as palavras do Apóstolo

que vos falo: Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não deis atenção à carne para satisfazer as suas paixões (Rm 13,14), a fim de que, também na vida, vos revistais daquele que revestistes no sacramento... Continue lendo a Pg. 2

CATEQUESE INFANTIL Em nosso caminhar pelas paróquias de nossa diocese apresentando as diretrizes de Catequese percebemos que uma das propostas com aceitação e adesão prática mais imediata é a catequese infantil. Sim, não precisamos deixar para a chegada da idade da razão... Continue lendo a Pg. 04

O MINISTÉRIO PASCAL Quero oferecer a vocês uma reflexão sobre o Mistério Pascal, baseando-me em um texto do Padre Moisés Daniel Perez Dias, da Nicarágua. Continue lendo a Pg. 06

Bom Pastor by Claudio Pastro


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Paranaguá, Abril de 2018 PALAVRA DO BISPO

UMA VIDA NOVA ESCORRE DA PÁSCOA DE CRISTO,

COMO DE UMA FONTE, A FIM DE QUE, TAMBÉM NA VIDA, NOS REVISTAMOS DAQUELE QUE REVESTIMOS NO SACRAMENTO, JESUS CRISTO. “É

com as palavras do Apóstolo que vos falo: Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não deis atenção à carne para satisfazer as suas paixões (Rm 13,14), a fim de que, também na vida, vos revistais daquele que revestistes no sacramento. Todos vós que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3,27)” (Santo Agostinho, Sermão 8). Foi assim que Santo Agostinho, Bispo de Hipona, se dirigiu aos recém-batizados e à sua Igreja, no Domingo da Oitava da Páscoa. O que celebramos na Liturgia é fonte da vida espiritual a ser encarnada em nosso cotidiano: “Concedei, ó Deus onipotente, que conservemos em nossa vida o sacramento pascal que recebemos” (2º Domingo da Páscoa, Oração depois da comunhão). Mas, o que celebramos nesses dias? Celebramos o Tríduo Pascal, o sagrado tríduo do Crucificado, do Sepultado e do Ressuscitado. Cristo em seu mistério de morte e ressurreição – mistério pascal – é o centro desse Tríduo, mais ainda, o centro de nossa fé! Bebamos a espiritualidade – a “água viva” – que nos é dada pela Liturgia desses dias santos, tomando o simbolismo da água. Água na bacia! Água do lado de Cristo morto na Cruz. Água do Batismo. Água da bacia: serviço. Na celebração da quinta-feira santa, da Ceia do Senhor, a Igreja

realizou – nós realizamos em nossas comunidades – o gesto do lava-pés. O Senhor lavou os pés dos discípulos. Continua a ser um gesto que significa o serviço e a caridade de Cristo, que veio “não para ser servido, mas para servir” (Mt 20,8). Assim ele indicava aos apóstolos – e a nós, também, claro! – o modo de viver para estar em comunhão com ele e com os irmãos: “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos um exemplo, para que façais a mesmo coisa que eu fiz” (Jo 13,14-15). Água do lado de Cristo morto na Cruz: nascimento da Igreja, instrumento de salvação do mundo inteiro – Sexta-feira Santa. “Neste dia, em que Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado (1Cor 5,7), a Igreja, com a meditação da paixão do seu Senhor e Esposo e adorando a cruz, comemora o seu nascimento do lado de Cristo que repousa na cruz, e intercede pela salvação do mundo todo” (Paschalis Sollemnitatis, n. 58). Sim, “do lado de Cristo agonizante sobre a cruz nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja” (Sacrosanctum Concilium, n. 5). Um belíssimo texto de Santo Agostinho nos ajuda a aprofundar esse sentido do nascimento da Igreja, quando jorraram água e sangue do lado do Cristo. “Quando Adão dormiu, foi-lhe retirada uma costela, e Eva foi

criada (Gn 2,21-22). Assim também, tendo o Senhor adormecido na cruz, seu lado foi traspassado pela lança, e jorraram os sacramentos, de onde nasceu a Igreja (Jo 19,34). Pois, a Igreja, esposa do Senhor, saiu de seu lado, como Eva foi modelada do lado de Adão. Mas como Eva foi formada do lado de Adão que dormia, assim a Igreja não foi formada senão do lado de Cristo que morria”. O Senhor se entregou totalmente; ele é o modelo para uma Igreja toda ela missionária. A Igreja nasce suplicando a Deus pela salvação dela e do mundo inteiro (Celebração da Paixão do Senhor, Intenções da Prece dos Fiéis)!

que foram batizados na Páscoa”. Água do Batismo: nossa Busquemos a espiritualisalvação – Vigília Pascal. Pelo sacramento do Batismo nós dade que jorra dos textos e dos fomos sepultados com Cristo, ritos da Liturgia, mantendo o “para que, como Cristo ressus- nexo entre liturgia e vida. Assim, citou dos mortos pela glória do muitas sejam as nossas páscoas, Pai, assim também nós leve- passando: da morte para a vida, mos uma vida nova” (Rm 6,4 do pecado para a graça, da dis– 8ª Leitura da Vigília Pascal). persão e isolamento à reunião da Nesta mesma celebração, toda a comunidade. E, como rezamos assembleia renova as promessas na segunda-feira após a Páscoa, do próprio batismo e é aspergida Deus nos dê a graça de, por toda pela água recém-abençoada: a nossa vida, sermos fiéis ao “que esta água seja para nós uma Sacramento do Batismo que recordação do nosso batismo e recebemos professando a fé. Dom Edmar Peron nos faça participar da alegria dos

EXPEDIENTE Publicado pela Diocese de Paranaguá Endereço: R. Manoel Maia Júnior, 264 - Eldorado, Paranaguá PR, 83206-295 Telefone: (41) 3422-8553. RESPONSÁVEIS Dom Edmar Peron - Bispo diocesano Pe. Eliel de Oliveira Venâncio Tiago Machado da Silva André Paulo Souza


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Paranaguá, Abril de 2018

MENSAGEM DE PÁSCOA E BÊNÇÃO URBI ET ORBI 2018 DO PAPA FRANCISCO FONTE: ACIDIGITAL

Vaticano, 01 Abr. 18 / 09:30 am (ACI).- Como todo Domingo da Ressurreição, do balcão central da Basílica de São Pedro, o Papa Francisco compartilhou a Mensagem de Páscoa e deu a Bênção “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo).

força dá fruto também hoje nos sulcos da nossa história, marcada por tantas injustiças e violências. Dá frutos de esperança e dignidade onde há miséria e exclusão, onde há fome e falta trabalho, no meio dos deslocados e refugiados – frequentemente rejeitados pela cultura atual do descarte – Na Mensagem, recordou alguns das vítimas do narcotráfico, do conflitos atuais ativos em algu- tráfico de pessoas e da escravimas partes do mundo e sublinhou dão dos nossos tempos. que “a morte, a solidão e o medo já não são a última palavra. Há E nós, hoje, pedimos frutos uma palavra que vem depois e de paz para o mundo inteiro, que só Deus pode pronunciar: é a a começar pela amada e martirizada Síria, cuja população palavra da Ressurreição”. se encontra exausta por uma A seguir, o texto completo: guerra sem um fim à vista. Nesta Páscoa, a luz de Cristo RessusciQueridos irmãos e irmãs, feliz tado ilumine as consciências de Páscoa!

vezes sofrem abusos e perseguições, ser testemunhas luminosas do Ressuscitado e da vitória do bem sobre o mal. Frutos de esperança, suplicamos neste dia para todos aqueles que anseiam por uma vida mais digna, especialmente nas regiões do continente africano atormentadas pela fome, por conflitos endémicos e pelo terrorismo. A paz do Ressuscitado cure as feridas no Sudão do Sul: abra os corações ao diálogo e à compreensão mútua. Não esqueçamos as vítimas daquele conflito, sobretudo as crianças! Não falte a solidariedade em prol das inúmeras pessoas forçadas a abandonar as suas terras e

Jesus ressuscitou dos mortos.

Nós, cristãos, acreditamos e sabemos que a ressurreição de Cristo é a verdadeira esperança do mundo, a esperança que não decepciona. É a força do grão de trigo, a do amor que se humilha e oferece até ao fim e que verdadeiramente renova o mundo. Esta

Frutos de vida nova, Cristo Ressuscitado dê às crianças que, por causa das guerras e da fome, crescem sem esperança, privadas de educação e assistência sanitária; e também aos idosos descartados pela cultura egoísta que põe de lado aqueles que não são «produtivos». Frutos de sabedoria, imploramos para aqueles que, em todo o mundo, têm responsabilidades políticas, a fim de que respeitem sempre a dignidade humana, trabalhem com dedicação ao serviço do bem comum e garantam progresso e segurança aos seus cidadãos.

Ressoa na Igreja, por todo o mundo, este anúncio, juntamente com o cântico do Aleluia: Jesus é o Senhor, o Pai ressuscitou-O e Ele está vivo para sempre no meio de nós. O próprio Jesus preanunciara a sua morte e ressurreição com a imagem do grão de trigo. Dizia: «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24). Foi isto mesmo que aconteceu: Jesus, o grão de trigo semeado por Deus nos sulcos da terra, morreu vítima do pecado do mundo, permaneceu dois dias no sepulcro; mas, naquela sua morte, estava contida toda a força do amor de Deus, que se desencadeou e manifestou ao terceiro dia, aquele que celebramos hoje: a Páscoa de Cristo Senhor.

mos para o povo venezuelano, que vive – escreveram os seus Pastores – como que em «terra estrangeira» no seu próprio país. Possa, pela força da Ressurreição do Senhor Jesus, encontrar a via justa, pacífica e humana para sair, o mais rápido possível, da crise política e humanitária que o oprime e, àqueles dentre os seus filhos que são forçados a abandonar a sua pátria, não lhes falte hospedagem nem assistência.

Queridos irmãos e irmãs! todos os responsáveis políticos e militares, para que se ponha imediatamente termo ao extermínio em curso, respeite o direito humanitário e proveja a facilitar o acesso às ajudas de que têm urgente necessidade estes nossos irmãos e irmãs, assegurando ao mesmo tempo condições adequadas para o regresso de quantos foram desalojados. Frutos de reconciliação, imploramos para a Terra Santa, ferida, também nestes dias, por conflitos abertos que não poupam os indefesos, para o Iémen e para todo o Médio Oriente, a fim de que o diálogo e o respeito mútuo prevaleçam sobre as divisões e a violência. Possam os nossos irmãos em Cristo, que muitas

privadas do mínimo necessário Também a nós, como às mulhepara viver. res que acorreram ao sepulFrutos de diálogo, imploramos cro, é-nos dirigida esta palavra: para a península coreana, para «Porque buscais o Vivente entre que os colóquios em curso pro- os mortos? Não está aqui; resmovam a harmonia e a pacifica- suscitou!» (Lc 24, 5-6). A morte, ção da região. Aqueles que têm a solidão e o medo já não são a responsabilidades diretas ajam última palavra. Há uma palavra com sabedoria e discernimento que vem depois e que só Deus para promover o bem do povo pode pronunciar: é a palavra coreano e construir relações de da Ressurreição (cf. João Paulo confiança no âmbito da comuni- II, Palavras no final da Via-Sacra, 18/IV/2003). Com a força dade internacional. do amor de Deus, ela «afugenta Frutos de paz, pedimos para a os crimes, lava as culpas, restiUcrânia, a fim de que se reforcem tui a inocência aos pecadores, os passos a favor da concórdia e dá alegria aos tristes, derruba sejam facilitadas as iniciativas os poderosos, dissipa os ódios, humanitárias de que necessita a estabelece a concórdia e a paz» (Precônio Pascal). população. Frutos de consolação, suplica-

FONTE: ACIDIGITAL


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Paranaguá, Abril de 2018

CATEQUESE INTANTIL Catequizar, desde cedo...

Em

nosso caminhar pelas paróquias de nossa diocese apresentando as diretrizes de Catequese percebemos que uma das propostas com aceitação e adesão prática mais imediata é a catequese infantil. Sim, não precisamos deixar para a chegada da idade da razão (por volta dos 7 anos) para que o anúncio da boa nova de Jesus Cristo ressoe nos ouvidos e nos corações de nossos pequenos catequizandos. Justificativa bíblica-teológica existe, dê uma olhada no Evangelho de Lucas 18,15-18, perceba o tratamento de Jesus as criancinhas, perceba que para alguém entrar no céu terá que ter a receptividade dos pequenos. Justificativa psico-pedagógica existe, não subestime a capacidade de entendimento de uma criança, mesmo que não compreenda ainda conceitos abstratos

ou não tendo preclara a noção tão, sempre o texto bíblico rede pecado e não ferencial do emitindo juíencontro, zo moral sobre pode ser o as situações a evangelho criança percebe do domingo. o mundo, entenÉ tempo da de a realidade, criança ree pode entender zar, sim com muito de quem suas simples é Deus e do palavras, mistério da salhaja motivação em Jesus Cristo. vação para que nossos catequizandos expressem o que senNa mudança de mentali- tem. Mais ainda está catequese dade, tão necessária, compreen- já está no processo de iniciação demos que não se trata de uma à vida Cristã, que se compre“pré-catequese”, uma “quase ca- enda logo que não se reduziu o tequese”, uma “catequezinha”, é tempo de catequese, adaptado catequese infantil, ou seja, apro- as idades, estamos propondo priada e adaptada para a idade um processo global que começa que antecede o início da cate- desde tenra idade, tem o momenquese eucarística, mas é cateque- to forte na recepção dos sacrase com tudo o que isso significa. mentos de iniciação e continua É tempo da criança ter contato com o acompanhamento dos com a Palavra de Deus, haja en- catequizandos após a Crisma.

INTENÇÕES DO PAPA FRANCISCO PARA O MÊS DE ABRIL.

Para abril, o Papa tem uma intenção de oração universal por aqueles que têm uma responsabilidade na economia, “para que os responsáveis pelo planejamento e pela gestão da economia tenham a coragem de rejeitar uma economia da exclusão e saibam abrir novos caminhos”.

Nos preocupamos muito em dar sugestões para que que os encontros sejam condizentes com a idade. Invista-se no lúdico, música, coreografias, dinâmicas, artes, mas haja sentido no fazer, que tudo não vire só um momento de brincar. Brincando queremos educar na fé. Por falar em idade, seria dos 5 aos 7 anos, mas isso não seja “camisa de força”, bom senso é uma “regra” muito maior e melhor que nossa possibilidade de expressar algo em uma folha de papel. Pela beleza do que temos visto se iniciar ou fortalecer o que já existia pedimos que perseverem, dará frutos a seu tempo, catequizar se começa desde cedo. Equipe diocesana de

Coordenação BíblicoCatequética

“GAUDETE ET EXSULTATE”

NOVA EXORTAÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO

O Papa explica que a santidade não é uma chamada para poucos, mas um caminho para todos. “O Senhor pede tudo e, em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer que sejamos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa”. É um documento de cinco capítulos e 177 parágrafos que nos convida a ser santos hoje.


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Paranaguá, Abril de 2018

Repasse do ENF

Nos dias 03 e 04 de março, a Renovação Carismática Católica da Diocese de Paranaguá promoveu o Repasse do ENF.

PHN JOVEM 2018 Por hoje não vou mais pecar! Nos dias 05 e 06 de Maio, na comu-

nidade Sagrado Coração de Jesus (balneário Shangri-lá) em Pontal do Paraná, acontecerá o PHN Jovem 2018. Tendo por tema, neste ano, a frase inspirada em I Tm 4, 12 “Que ninguém menospreze a tua juventude”, o encontro visa proporcionar momentos de oração, espiritualidade e convivência fraterna, que levem os jovens da nossa diocese a buscar a vivência do amor autêntico a Deus, a si mesmo e aos irmãos. A estrutura do encontro conta com pregações, adoração, apresentações e, claro, com o ápice de nossa vivência católica: a Santa Missa.

Aconteceu na Catedral Nossa Se-

nhora do Rosário, onde Maria Ivone Ferreira Ranieri pregou sobre o tema do ano e a coordenadora diocesana, Nívea Carraro, sobre “Conversão Sincera”. Padre Emerson Zella, assessor do Setor Litoral, marcou presença e, além das pregações, aconteceram workshops de alguns dos ministérios.

São presenças confirmadas no encontro nosso bispo diocesano, Dom Edmar Peron, e a coordenadora estadual do Ministério Jovem, Aline Silveira. “Neste ano, que a Igreja nos cha-

ma enquanto leigos a sermos Sal da Terra e Luz do Mundo, sigamos também, enquanto jovens, o exemplo do jovem Timóteo e não neglicenciemos o carisma que nos é concedido para anunciarmos a Boa Nova” nos motiva Erico, coordenador do Ministério Jovem em nossa diocese. Para mais informações ou dúvidas, entre em contato conosco: Rafaele Machado (41) 99595-6744 Erico Gurski (41) 99540-1774


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Paranaguá, Abril de 2018

Quero

oferecer a vocês uma reflexão sobre o Mistério Pascal, baseando-me em um texto do Padre Moisés Daniel Perez Dias, da Nicarágua. A categoria mistério pascal é uma das recuperações mais felizes para a teologia da Liturgia do nosso século. Aparece especialmente na Sacrosanctum Concilium (SC), Documento do Concílio Vaticano II sobre a sagrada Liturgia. É o fundamento e a chave interpretativa de todo o culto cristão. Para a Sacrosanctum concilium, a liturgia atualiza esse mistério de modo especial nos sacramentos da Iniciação cristã; no sacramento do Batismo, se realiza a morte-ressurreição de Cristo nos fiéis; e eles recebem, na Crisma, o Espírito Santo, no qual têm acesso ao Pai, Espírito que os consagra sacerdotes do Deus altíssimo; na Eucaristia, que torna presente o triunfo de Cristo sobre a morte, e da qual os fiéis participam com alegre ação de graças; a Eucaristia constitui, de forma totalmente particular, o memorial do mistério pascal (SC 47). Mas desse mistério pascal obtêm eficácia e significado todos os outros sacramentos e os sacramentais, através dos quais a graça contida neles flui sobre todos os acontecimentos da vida, santificando-os (SC 61). O Mistério Pascal também é celebrado durante todo o ano litúrgico, quer no retorno anual da Páscoa (SC 102), quer a cada oito dias no dia justamente chamado desde a era apostólica de “Dia do Senhor”, o Domingo (SC 106) e, inclusive, na memória do dia natalício dos mártires e dos outros santos (SC 104). O termo “Mistério Pascal” O conceito de Mistério da Páscoa ou Mistério Pascal recapitula toda a obra salvadora realizada em Cristo e comunicada à Igreja, no Espírito Santo, pela Liturgia. Por esta razão, o termo “Mistério Pascal” no Missal Romano, aparece frequentemente para

O MISTÉRIO PASCAL indicar a salvação que se realizou na morte e ressurreição de Cristo, celebrada anualmente na Páscoa e a cada Domingo e nos sacramentos, especialmente do batismo e da eucaristia, centro de toda a liturgia cristã, através dos quais tal obra salvadora se torna presente na Igreja. “Mistério Pascal” na caminhada do povo de Deus Para o Antigo Testamento, a celebração memorial da Páscoa é, ao mesmo tempo, sinal que recorda um acontecimento de salvação do passado, indica sua presença atual no hoje e no agora da comunidade que celebra e profecia de sua consumação futura. No Novo Testamento, a celebração eucarística, raiz da liturgia eclesial, foi instituída pelo Senhor – e assim interpretada pela Igreja – como memorial litúrgico da nova e definitiva Páscoa, isto é, da plena libertação, e aliança eterna que Cristo mesmo selou com seu sacrifício na cruz. Desde as primeiras gerações cristãs, as ações de culto não se limitam a ser a expressão ritual da própria pertença à Igreja; elas são uma ação salvadora de Deus na vida das pessoas. Desta forma, quando a Igreja celebra suas ações de culto, ele faz o memorial de Páscoa de Jesus Cristo, o Senhor. O memorial não é apenas a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus fez e faz “hoje” em favor da humanidade. Na celebração litúrgica, esses acontecimentos se tornam presentes e atuais. Cristo, especialmente na Liturgia, está sempre presente em sua Igreja, realizando a sua obra salvadora. A liturgia celebra o único “mistério

Pascal” de Cristo

Na celebração litúrgica, não só se recordam os acontecimentos que nos salvaram, mas eles se tornam presentes para que os cristãos vivam do mistério salvador de Cristo e deem testemunho do mesmo ao mundo. Visto desta forma, o acontecimento da Cruz e da Ressurreição permanece e atrai tudo para a Vida. Na celebração litúrgica, o mistério da salvação se atualiza e se manifesta através do rito. Nem a Igreja e nem a sua liturgia criam o mistério de Cristo. Pois, tanto na ordem da inteligência (teologia) quanto na ordem da história (revelação), em primeiro lugar se dá o acontecimento salvífico de Cristo e, depois, a sua celebração memorial. O rito de culto é, portanto, um acontecimento de salvação na história. “ M i s t é r i o Pascal” e existência cristã O Novo Testamento funda a vocação cristã – que é chamada ao culto espiritual a Deus (Rm 12,1; 1Pd 2,5) – no acontecimento pascal de Cristo, do qual participam os que creem, graças à liturgia. Eles, os que creem, se aproximaram “da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, de miríades de anjos, da assembleia festiva” (Hb 12,22-23) graças ao sacrifício de Cristo e ao seu sangue, que purifica a consciência das obras mortas para servir ao Deus vivo (Hb 9,14). Esses fiéis, resgatados pelo Cordeiro (1Pd 2,5-9; Ap 1,6; 5,9), são chamados a realizar na vida diária a morte e a ressurreição de Cristo, das quais participaram sacramentalmente pela primeira vez no batismo, e delas continuam a participar pela celebração eucarística.

Assim, renunciando cada dia ao pecado para viver em novidade e liberdade (Rm 6,3-11), os fiéis: fazem morrer em si mesmos o que ainda pertence ao mundo, enquanto buscam as coisas do alto (Cl 3, 1-9), os novos céus e a nova terra que Deus prepara para eles, mas não sem eles (2Pd 3,13; Ap 21,1); renovam-se continuamente na justiça e na santidade, revestindo-se com sentimentos de misericórdia, bondade, humildade, mansidão, paciência, que são os sentimentos do homem novo, Cristo, em cuja imagem devem configurar-se cada vez mais (Ef 4,24; Cl 3,10-12). A vida cristã aparece assim marcada pelo “já” e o “ainda não”, que caracteriza o acontecimento da salvação pascal e a sua celebração na liturgia, pelo que se pode defini-la como uma liturgia pascal celebrada na existência: manter desperta a memória de Cristo, que padeceu por nós, deixando-nos um exemplo para que sigamos seus passos (1Pd 2,21). Desse modo: nos livraremos do velho fermento da malícia e da perversidade (1Cor 5, 6); viveremos como estrangeiros e peregrinos (1Pd 2, 11), vigilantes para captar os sinais da passagem libertadora de Deus, com nossas lâmpadas acesas e prontos para acolher o Cristo que vem como juiz, esposo e salvador (Lc 12,35); daremos aos que pedirem a razão da esperança que existe em nós (1Pd 3,15), cantando as obras maravilhosas daquele que nos chamou das trevas à sua luz admirável (1Pd 2,9). Assim pode-se dizer que a existência cristã consiste em realizar na vida o mistério pascal, celebrado nos sacramentos (oração coleta da sexta-feira da oitava de Páscoa), em fazer passar à vida o que foi recebido pela fé (coleta da segunda-feira da oitava de Páscoa) à espera de que se cumpra a bem-aventurada esperança e venha o Senhor Jesus Cristo. Dom Edmar Peron

SANTUÁRIO DO ROCIO REALIZA VÁRIAS AÇÕES SOCIAIS

Cursos gratuitos, Clube de Mães, Formação Continuada, Palestras sobre temas sociais, atendimento às famílias carentes, são alguns dos programas implementados no Santuário do Rocio, tendo como base as urgências pastorais da Igreja Católica e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU A Igreja sempre atuou na ação sócio caritativa e, notadamente, é a organização não governamental com mais programas sociais e assistenciais no mundo. No Brasil a Igreja tem ressaltado cinco Urgências Pastorais: 1. Igreja em estado permanente de missão; 2. Igreja: casa de iniciação à vida cristã; 3. Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral; 4. Igreja: comunidade de comunidades e 5. Igreja a serviço da vida plena para todos. A ação social está relacionada à quinta urgência. Nessa perspectiva a Pastoral do Santuário

todos”: acompanhamento de algumas famílias em vulnerabilidade social, com a entrega de cestas básicas.

2. “Organizar e ser Solidário”: Clube de Mães com cursos de crochê, tricô e artesanato, bem como auxílio para colocar os produtos à venda.

rando o tema da Campanha da Fraternidade, no dia 21 de março foi organizado uma palestra técnica com a Dra Cristina Ruaro e Marcelo Fortunato mostrando o uso de drogas como grande gerador de violência na sociedade e tendo por objetivo preparar às famílias para a prevenção e a recuperação dos viciados. Ao longo do ano, vão acontecer outros eventos de formação com temas de importância social.

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realiza várias ações, disponíveis para toda a comunidade: 1. “Preparar o futuro” - Cursos profissionalizantes gratuitos de inglês, informática, conferente de contêineres e logística portuária.

“Ame e Cuide”: Conside-

“Alimento é direito de

A ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou em 2015, 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para o Planeta. Os programas sociais do Santuário, contribuem em quatro destes objetivos: ODS 2 – Fome Zero ODS 4 - Educação de Qualidade ODS 10 – Redução das desigualdades e, ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes Vamos unir esforços para ajudar a edificar uma sociedade solidária, justa e fraterna. Pascom do Santuário de Nsra do Rocio


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Paranaguá, Abril de 2018

FESTA DO PADROEIRO DE PONTAL ACONTECEU DE 09 A 19 DE MARÇO A 19ª FESTA DE SÃO JOSÉ

A 19ª Festa de São José aconteceu de 09 a 19 de março de 2018 na nova Igreja Matriz de nossa paróquia em Praia de Leste. O povo celebrou com fé e alegria o seu padroeiro participando

da novena, das procissões, dos shows artísticos e do Show de Prêmios. A grande estrutura parecia pequena para acolher os que por ali passaram durante os dez dias da festa de São José. No dia 19 de março, dia litúrgico de São José aconteceu a Procissão e Missa solene presidida por Dom Edmar Peron, na ocasião ele leu a carta que aprova que a nova Igreja Matriz de São José no ato de sua Consagração torna-se o Santuário Diocesano de São

sucesso; PERDÃO: peço perdão pelas minhas falhas e pelas falhas da nossa equipe, vamos avaliar tudo que não foi bom em vista de podermos melhorar; AJUDAR: todos os presentes percebem No final da celebração, Pe. o quanto a nossa Igreja Matriz Carlimar Gonçalves de Holanda, Santuário necessita de ajuda para pároco de nossa paróquia, pediu a continuidade das obras de sua que “ficassem gravada em construção, que cada um assuma nossos corações três palavras: o compromisso de ajudar essa GRATIDÃO: é justo e necessário obra”. agradecer a todos que deram um PASCOM pouco de si para que a nossa festa Paróquia São José e São Sebastião acontecesse e fosse um grande José, essa noticia trouxe grande alegria a toda a comunidade católica do Litoral e de modo especial para o povo de Deus de Pontal do Paraná.

A AÇÃO PASTORAL E O DISCERNIMENTO VOCACIONAL Os jovens, a fé e o discernimento vocacional

O documento preparatório do próximo sínodo1 dos bispos a ser realizado de 3 a 28 de Outubro de 2018 em Roma traz interessantes reflexões sobre “Os Jovens, a Fé e o discernimento vocacional”. O capítulo III traz indicações práticas de que modo deve se realizar a ação pastoral com a juventude. A primeira coisa que nos purifica é afirmar que os jovens não são objetos da ação pastoral, são sujeitos, protagonistas desta ação, mais ainda o texto nos lembra que todos os jovens, sem exceção, tem o direito de ser acompanhados em seu caminho. Neste caminho o auxílio da Igreja é importante para garantir um justo discernimento vocacional. Assim sendo a comunhão entre a Pastoral Juvenil e a Pastoral Vocacional não poderá ser opcional, ainda que cada uma

1 Encontro do papa com os bispos para refletir um tema específico.

mantenha sua especificidade. Caminhar com os jovens implica encontrá-los onde estão, levá-los a sério em seu esforço de encontrar um sentido para suas vidas. E Seguindo o estilo tão marcante do Papa Francisco o texto nos ressoa palavras da exortação Evangelii Gaudium: nada de usar o cômodo critério pastoral do “sempre fez assim”, é uma questão de repensar estruturas, objetivos, estilo e métodos evangelizadores de nossas comunidades. Três verbos indicam então o modo de caminhar com os jovens, baseados na pedagogia de Jesus: sair, ver e chamar. Sair é a proposta marcante deste papado. Não poucas vezes ouvimos sua santidade nos apelar a uma “Igreja em Saída”. Este modelo de evangelização é desafiador, mas nos liberta de esquemas

explorar um novo caminho, novas possibilidades. Chamar é fazer perguntas que não tem respostas prontas ou rápidas, mas é um alargar dos horizontes. Nos atenhamos finalmente que não são a prescrição de regras Ver é a disponibilidade que estimulam alguém a coloem parar, ouvir, permitir que o car-se a caminho para estar com jovem partilhe as suas alegrias Cristo. e os seus desafios. Não é o Que Maria, Mãe e estrela olhar de quem quer determinar a consciência do outro, obrigar da Evangelização nos ajude a a enquadrar-se nos próprios caminhar com os jovens e fazer esquemas. É sobretudo o olhar com eles um verdadeiro discerpastoral, olhar de quem permite nimento vocacional. que o outro se exprima, não o Anderson Flaviano Ulatoski constrange nem o ameaça. prontos e engessados. No caso dos jovens implica uma abertura tal que eles se sintam atraídos pelo acolhimento, na capacidade de receber o que eles se sintam capazes de oferecer.

C h a m a r é a consequência dos dois verbos anteriores. Uma vez que saímos e vemos, assim como Jesus, precisamos chamar para a novidade, para


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Caminhar Juntos | 16º Edição | Abril de 2018  
Caminhar Juntos | 16º Edição | Abril de 2018  
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