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Nº 13 :: SETEMBRO / 2015

PARTE I

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A PALAVRA: COMUNICAÇÃO DE DEUS QUE NOS ENCONTRA Pag. 2 NA VERDADE

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Abertura do Ano Santo da misericórdia

pag. 06 SenhorSenhor fazei­me instrumento de vossadepaz fazei­me instrumento vossa paz


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No mês de setembro, a Igreja como sempre dedica especial atenção à Bíblia, que etimologicamente significa o conjunto de livros sagrados que formam uma biblioteca. Daí deriva, o termo Bíblia, que também, sabiamente a denominamos de Sagrada Escritura, Palavra do Senhor, Palavra da Salvação, Palavra de Deus. Nossa fé, sustenta aquela certeza absoluta, conforme o ensinamento da sã doutrina da Igreja, que a Sagrada Escritura foi escrita por mãos humanas sob a inspiração do Espírito Santo. O propósito de realçarmos a importância da força da Palavra dá­ Publicação: Diocese de Assis Diretor Espiritual: Dom José Benedito Simão Revisão Geral: Adriano Matilha / Marisol Xavier T. Carvalho Editor: Anderson Servilha

se porque ela é para nós cristãos fonte de verdade, fonte de vida na Fé, fonte de toda a Criação, de toda Revelação, Redenção e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo e confiança na Aliança Eterna de Deus com a humanidade. A Palavra comunicada por diversas modalidades, tanto a Palavra escrita acolhida mediante leitura pessoal como a proclamada nos grupos, assembleias e encontros acolhida na escuta, gera a novidade do encontro com a verdade. A verdade total e absoluta, segundo a nossa fé, trata­se do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A vida concebida de forma EXPEDIENTE

Endereço para Correspondência Rua Dom José Lazáro Neves, 414

Diagramação: Anderson Servilha Criação e Design: Adriano Matilha

E­mail: informativodiocesanodeassis@gmail.com

Centro de Pastoral Fone: (18) 3322 2614

integral sempre se destaca como razão de Deus se revelar no processo da História da Salvação. Tal constante no Deus da Bíblia é central nos autênticos escritos do Antigo e Novo Testamento, que se complementam e se reforçam na dinâmica histórica de um Deus que se revela contra toda a ordem de injustiça e escravidão. Sendo assim, é impossível pensar o Antigo Testamento sem o Novo e impossível pensar o Novo Testamento sem o Antigo. A revelação de Deus acontece num processo histórico de um povo realmente contextualizado que gradativamente evolui em termos de concepção da vontade do Senhor. A História da Salvação é a História de Deus e a História da Humanidade, pois não existem duas histórias, a História é o lugar predileto da Revelação de um Deus que salva. Para a pessoa de Fé, a História encontra o seu sentido pleno somente na Palavra. Toda a obra de

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evangelização da Igreja dá­se em difundir a verdade dessa Palavra enquanto reveladora do princípio e do fim. Para o fiel, mistério da vida não encontra explicação fora de Deus, pois somente Ele é a verdade absoluta sempre eterna. A interpretação da vida e de sua história à luz da fé na Palavra, remete a considerarmo­nos homens e mulheres da Palavra e não exclusivamente de pessoas presas às letras do Livro, mesmo tratando de um Livro Sagrado. Tudo o que contém na Bíblia é Palavra divina, contudo nem toda a Palavra divina está contida na Bíblia. Como bem nos escreve o Papa Bento XVI em sua Exortação Apostólica Pós­Sinodal VERBUM DOMINI, n. 7: “... na Igreja, veneramos extremamente as Sagradas Escrituras, apesar da fé cristã não ser uma ‘religião do Livro’: o cristianismo é a ‘religião da Palavra de Deus’, não de ‘uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo’ . Por conseguinte a Sagrada Escritura dever proclamada, escutada, lida, acolhida e vivida como Palavra de Deus, no sulco da Tradição Apostólica de que é inseparável.” A Palavra de Deus presente na Sagrada Escritura, na Tradição e no Magistério da Igreja, não é uma letra inanimada, mas uma Palavra portadora de alma, tanto que as diversas modalidades dela ser transmitida sempre se renovam de acordo com os diversos contextos históricos e sociais. Uma Palavra problematizada, constantemente situada nos contextos do tempo e do espaço. Sendo assim, propõe­se como

verdade dialogável em busca de soluções humanísticas para as diversas situações de conflito, e nunca como recurso excludente. A Palavra devidamente interpretada é geradora de tolerância, respeitosa, amorosa, motivadora de inclusão, enfim acolhedora. Ao acolhermos a Palavra em nossos corações, automaticamente acolhemos os nossos irmãos na Fé, com especial atençãos aos mais necessitados. Livre de certos preconceitos culturais, a Palavra é fonte de inculturação. A Palavra interpretada com chave de leitura fundamentalista gera fanatismos e preconceitos, colocando­se a serviço de seitas, facções ou ideologias religiosas promotoras de violência, de terrorismo e guerra, mas a Palavra de Deus que dispõe de uma chave de leitura que a interpreta à luz da justiça, da Paz e da vida humana como dom sagrado, desde a fecundação até o seu término natural, sempre é caminho de amor e libertação. Os sinais dos tempos sempre são assistidos pelos sinais de Deus através de sua Palavra, da qual sempre extraímos tantos elementos novos adequados à nossa realidade concreta. A Palavra de Deus alimentada pelo Espirito Santo sempre é vigorosa em busca de renovação da face da terra. A Palavra é encarnada no seio da Igreja e na História da humanidade, a Palavra que encontra­se presente na Bíblia também encontra­se em nosso 5º Plano de Ação Evangelizadora, em todos os nossos setores orgânicos de instrumentos eclesiais, como

alimento de espiritualidade, fortalecimento na Fé, e impulso de compromisso de todos os cristãos que comungam um só Batismo para com os tantos desafios existenciais e sociais. Não canso de exortar com certa teimosia os queridos irmãos e irmãs cristãos, que se esforcem em demonstrar um grande amor pela Palavra do Senhor, considerando­a e assumindo­a como riqueza para a sua vida de oração. Como gesto concreto em nossas famílias e comunidades eclesiais em geral, poderíamos começar ou continuar a praticar a leitura Orante da Bíblia, também tradicionalmente conhecida por Lectio Divina. Queridos fiéis, que a mensagem da Palavra os torne sempre mais santos e atuantes para o nosso bem, bem de todas as famílias, bem de todo o povo de Deus.

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Em Cristo Jesus, Paz e Esperança!

Dom José Benedito Simão


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A DIMENSÃO CONTEMPLATIVA DA LITURGIA CRISTÃ SYMBOLUM E MYSTERIUM A experiência humana traduzida da física quântica, o avanço das espontam com “dons” especiais: pela cultura contemporânea vem demostrando um preferencial índice de direcionamento à procura e a estabilidade do bem estar, o denominado culto ao corpo e o desejo de uma constante harmonização global da pessoa. As ciências sociais, sobretudo as escolas mais avançadas de estudos nesta área e de origem anglo­ francesa, definem este comportamento recuperando determinados mosaicos de hermenêutica humana que vem sendo definidos pela história do pensamento filosófico, aqui, segundo nossos autores, indicaremos as últimas definições, uma clássica o “homo sapiens” e outra contemporânea, o “homo estheticus” (estética). A passagem de uma tradução sobre o homem que atravessou do racionalismo (Hegel), emancipatório (Marx), ao estético (Mafesoli). Esta conclusão é definida pela autonomia da experiência humana, cujos autores, simplesmente constatam e apreendem o fenômeno. É a redescoberta do homem universal, holístico e monóstico, o reflorescimento de um neo­ romanticismo e uma original busca terapêutica de transcendência, com mediações unificantes e pluralistas: o aroma terapia, musico terapia, cuidados sofisticados com a forma do corpo e a sutileza dos investimentos de beleza para tratamentos especiais de rejuvenescimento da pele, a busca dos clássicos recursos de equilíbrio pessoal como o yoga, meditação oriental, o vegetarianismo, a cultura das ervas, a orientação voltada para a energia primordial, a re­acentuação

propostas de espiritualizações orientais em todo o mundo, a libertação do sagrado e o retorno do sagrado às esferas públicas, a desprivatização do sistema clássico religioso e o retorno do símbolo. Este temperamento do homem contemporâneo elimina o sufocamento causado pelo racionalismo e pela era industrial, passamos do teocentrismo clássico, para o antropocentrismo moderno e nos encontramos agora no eco­ centrismo, o pós­moderno. Um novo paradigma do modo de ser e estar no mundo do homem. O mundo religioso influenciado por essa exigência é conduzido a reabrir e a explorar sua dimensão simbólica, seus acervos artísticos e se lançar em prospectiva lúdica do maravilhoso que se expressa no rito e do fascinante que seduz. O homem religioso contemporâneo superou a experiência de um deus politico e libertador, de um deus ortodoxo e dogmático, para um deus sedutor e atraente em beleza, docilidade e ternura, terapeuta e ágape. É o momento, segundo a antropologia sociocultural, cuja epistemologia é fundada no campo da semiótica, da democratização do sagrado. Quantas experiências religiosas e novos movimentos religiosos e “carismáticos” surgem nesse período e em constante expansão, quantos modelos pluralistas de culto dentro de uma mesma Igreja local (missa versus Deus, missa sertaneja, missa de quebra maldição, missa com a piscina de Siloé, missa de cura e libertação, missa carismática, missa e cerco de Jericó etc.). Quantos fiéis

pregação leiga, oração leiga, cura, unção, “falar em línguas indecifráveis”, votos, consagrações, a volta do novenário popular e a divulgação iminente dos neo­ novenarios marianos. Uma explosão de “ministerialização laical do cristianismo” em confronto aberto, muitas vezes, com a doutrina histórica e milenar da Igreja, basta aqui registrar as afirmações frequentes como “nossa” Missa e o “segundo batismo” etc., incluímos, também nesse texto, o horizonte da cristologia pré­pascal, que coerentemente sustenta que Jesus de Nazaré era um leigo, o que parece orientar este modelo de laicização “total” da Igreja, segundo os teólogos holandeses. A nucleação desse material de pesquisa, contudo, não há limites, é encontrado no âmbito do neopentecostalísmo “cristão protestante”; gerando assim o conceito que nos leva a compreender a forma de religiosidade subjetivada: a democratização do sagrado. Não se tem visão de um princípio fundador, mas de um “big­bem”, isto é, uma explosão aleatória, um mítico mental sem os arquétipos das lendas. A verdade que emerge dessa experiência do homem é o que nos interessa, para tentar compreender de que modo à liturgia cristã pode aproximar­se desse homem que, hoje se exprime a nível espiritual com essas características fundadas em um personalismo religioso, seguindo a inspiração de uma hetero­ soteriologia. Tudo isso, nos leva ver apresentado, que a moldura da cultura pós­moderna está presente nas

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grandes cristalizações ocidentais do mundo religioso clássico e ao mesmo tempo perceber que não podemos dirigir­lhes sentenças dogmáticas, a exemplo de Trento, mas nos interrogarmos o porquê do déficit real de nossa incomunicabilidade com as moções do homem religioso contemporâneo e suas exigências espirituais? Os teólogos do culto cristão, sentindo­se eles, responsáveis por uma resposta diante desse fenômeno, indicam a importância de recuperar para além do convencionalismo celebrativo, a dimensão estética da litúrgica, não como produção alienante, mas para suscitar à experiência de uma condição humana original criatural, global linguística e somática do mistério. Damos boas vindas à chegada dos desafios suscitados pelas novas afirmações dos recursos exigidos pela experiência do homem religioso contemporâneo, que para um clássico autor bastaria precisar os rótulos históricos da síntese greco­romana do cristianismo, para o autor contemporâneo, ao contrário, ele admite o apelo central de Jesus sobre a sabedoria (pesquisa­ciência), velado nos santos evangelhos, texto onde Ele ensina: “um escriba retira coisas velhas e novas de seu baú” (acervo). Orientados por essa visão pedagógica, própria dos santos evangelhos, nos inclinamos neste itinerário à procura do preenchimento desse homem, na ótica do espiritual, e sustentamos que a dimensão contemplativa da liturgia precisa ser restaurada para propormos uma correspondência integral com os apelos da alma do homem. Destacando dois elementos centrais de tipo holístico e somático, a dimensão contemplativa da liturgia, sem alterar o culto, tem meios próprios e objetivos para tocar esses

ambos os aspectos que parecem ser dominantes na alma do homem religioso na atualidade: a começar a exprimir no âmbito da ação celebrada que nós estamos diante de um mistério e diante de um Vivente, diante de uma pessoa espiritual e real, as formas e a materialização do culto estão em função desse encontro com as maravilhas de Deus; o Cristo, esplendor da glória divina e o seu mistério pascal; a síntese da vida do universo, toda ela desemboca em um mistério de amor universal e renovação plena do mundo criado; Ele não distingue nossa realidade infinitamente miserável de sua glória divina e eterna. Ele é presente. O culto precisa revelar o Cristo e permitir sua transfiguração e epifania, conduzir­nos diante de sua paixão pelo homem, que nunca se põe no horizonte como a semelhança do sol. O culto deve conduzir os fiéis a deduzir que a fé não é baseada naquilo que enxergamos. A esfera da contemplação desse mistério de amor nos traz a consciência desse dom maravilhoso que nos é concedido por gratuidade divina, e este dom nos leva ao ato de agradecimento por havê­lo recebido. Aqui se inicia, portanto, o louvor. Para o cristianismo não existe uma separação entre o interior e o exterior do homem, por mais que elaboramos simulações sociais, por este motivo, também o louvor, não poderá ser manifestado com uma atitude fechada e intrínseca, mas com a totalidade do corpo (soma), o louvor deve sair pelo corpo, pelos poros, da globalidade do homem, de sua linguagem corporal e simbólica carregada e gravida de significados transcendentes. O corpo, segundo a fé do novo testamento, é o templo do Espírito Santo; o corpo de Cristo crucificado é o maior e mais perfeito louvor a Deus, diante do qual não existe outra glorificação a Deus maior ou mais

perfeita. Em conclusão o corpo também ora, louva, agradece, assim também na penitência se recolhe e se redime, jejua e entra pelas vias do ascetismo, do deserto, do silencio, da renuncia e do celibato, procurando sua plenitude, a configuração com Cristo. Estes passos reflexivos pode nos introduzir a pensar o quanto o patrimônio cristão, em sua dimensão essencialmente cultual, pode aproximar­se e doar ao homem contemporâneo suas próprias fontes, que o mesmo interpela. Tal tarefa é condutora à um extenso exame da literatura bíblica, onde é descoberto não uma ontologia ou uma cosmogonia ou metafísica, mas uma Pessoa divina encarnada (o verbo de Deus se fez carne). Tudo sobre Deus está revelado e sendo comunicado em um corpo humano (Filho). O maior autor do Novo Testamento (Paulo), fala de uma Igreja que é Corpo. A comunhão, o encontro com Deus (Filho) e o Homem é somático, a Eucaristia. Decorrendo as diversas afirmações do Novo Testamento, aparecerá cada vez mais clara a centralidade do corpo e o seu valor no mistério da revelação cristã e, a liturgia cristã, precisa devolver ao homem, no interior de seu espaço cultual, a possibilidade dele suprir essa necessidade, muitas vezes única para exprimir um autêntico louvor.

A experiência do mistério Na Liturgia a Igreja celebra o mistério pascal, por meio do qual Cristo realizou a salvação de todos os homens. Os fiéis devem viver o mistério pascal dentro da Liturgia e devem dar testemunho dele ao mundo. Dentro da Liturgia participa do sacerdócio (por meio do culto) profético (com o anuncio do evangelho) e real (no serviço da

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caridade) de Cristo. A liturgia torna visível à Igreja o sinal e o momento de comunhão dos homens com Deus, por meio de Cristo. Os fiéis não são simples espectadores que assistem à liturgia como se fosse um espetáculo. Todos os crentes são chamados a empenhar­ se, a tomar parte ativa na vida da comunidade de modo consciente, ativo e frutuoso. Todavia, a liturgia não é a única ação da Igreja: ela deve ser precedida pela evangelização, pela fé e pela conversão de todo crente. É a esse ponto que a liturgia pode levar os seus frutos na vida dos fiéis. Eles se manifestam na vida nova vivida segundo o Espírito, tornam­se evidentes em uma vida dedicada à missão da Igreja, os santos e os mártires e, se tornam tangíveis com o serviço ativo e generoso. A liturgia é o lugar principal em que é possível desenvolver a catequese do povo de Deus. Dentro da liturgia, a catequese tem o intento de introduzir os fiéis no mistério de Cristo. Na liturgia se procede, de fato, do visível ao invisível, dos sacramentos (sinais sensíveis de algo que não é visível) aos mistérios. Através de Pentecostes, o Espírito Santo foi infundido na Igreja e inaugura um tempo no qual Jesus Cristo se torna presente e comunica a sua salvação por meio da liturgia, “até que Ele venha” (1Cor 11,26). Cristo, que vive na sua Igreja, age, de fato, por meio dos sacramentos. A tradição do Oriente e do Ocidente chama a ação de Cristo nos sacramentos de “economia sacramental”. Por meio da economia sacramental, os homens podem receber os frutos do mistério pascal. Mistério Pascal de Cristo quer no seu fato histórico, de há dois mil anos, como na sua permanência viva no Senhor Ressuscitado e na sua comunicação à Igreja, mediante, sobretudo, a celebração sacramental,

é a realidade básica de toda a liturgia e de toda a vida cristã. É uma das convicções que o Concílio Vaticano II mais claramente formulou. “Esta obra da Redenção humana e da perfeita glorificação de Deus (...) realizou­a Cristo Senhor, principalmente pelo Mistério Pascal” (SC 5). “Pelo Batismo os homens são introduzidos no Mistério Pascal de Cristo” (...). Desde então, nunca mais a Igreja deixou de se reunir em assembleia para celebrar o Mistério Pascal: lendo, em todas as Escrituras, tudo que lhe dizia respeito, celebrando a Eucaristia, na qual “se torna presente o triunfo e a vitória da sua morte” (SC 6). Tudo na Liturgia e na vida cristã é iluminado e recebe pleno sentido desse Mistério Pascal, sempre presente em nós: no ano litúrgico: o Motu proprio, com que Paulo VI aprovou, em 1969, o novo calendário romano, intitulou­o expressamente Mysterii Paschalis, porque, como ele mesmo afirma, “a celebração do Mistério Pascal, como claramente ensina o Concilio Vaticano II, constitui o momento privilegiado do culto cristão, no seu desenvolvimento quotidiano, semanal e anual. Por isso, na reforma do ano litúrgico, segundo as normas dadas pelo Concílio, é necessário que se dê o maior relevo ao Mistério Pascal de Cristo”; daí que se destaque, no ano litúrgico, o Tríduo Pascal como momento culminante: “porque a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus foi realizada por Cristo especialmente no seu Mistério Pascal” (NG 18); o mesmo ponto de referência têm as festas dos Santos e da Virgem, “porque ao celebrar os dias natalícios (isto é, a morte) dos Santos, ela (a Igreja) proclama o Mistério Pascal

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realizado neles” (SC 104); assim como, cada semana, ao domingo: “a Igreja celebra o Mistério Pascal e de oito em oito dias, no dia que justamente se chama dia do Senhor” (SC 106); do mesmo modo fica rica de conteúdo, pelo Mistério Pascal, a celebração da Liturgia das Horas e qualquer outra experiência pessoal ou comunitária de oração ou devoção. Quando S. João Paulo II, em 1988, quis destacar os “princípios diretivos da Constituição”, nos 25 anos da sua aprovação, não teve dúvidas em colocar, como primeiro deles. “a atualização do Mistério Pascal de Cristo na liturgia da Igreja” (VQA 6). Mas, como finalidade da liturgia é a vida cristã. E esta também está impregnada da vida pascal de Cristo, já desde a primeira instrução pós­conciliar, em 1964, a Inter oecumenici (n.6): a Igreja lembra­nos de que “o esforço desta ação pastoral centrada na liturgia deve tender a fazer viver o Mistério Pascal” (ut mysterium paschale vivendo exprimatur). No catecismo da Igreja Católica toda a apresentação da vida litúrgica e sacramental é baseada nesta perspectiva. Na primeira secção da segunda parte, o enfoque é claro: “O mistério Pascal no tempo da Igreja” (CIC 1077ss). O que Cristo realizou há dois mil anos em Jerusalém agora permanece nele e, pelo seu Espírito, o atualiza no tempo da Igreja, sobretudo por meio dos sacramentos. À liturgia chama­lhe “celebração sacramental do Mistério Pascal” (CIC 1135ss). E afirma que “na liturgia da Igreja, Cristo significa e realiza principalmente o seu Mistério Pascal” (CIC 1085). A descrição terminológica ensina que a palavra “mistério” vem do latim mysterium; em grego mysterion, do verbo myo (fechar, ocultar). Daí que, no uso normal, significa algo escondido, difícil de

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entender. Mas, no uso religioso, esse termo é aplicado, sobretudo, nas religiões chamadas “mistéricas” – gregas e orientais ou egípcias ­, à celebração cúltica de um acontecimento salvador divino, celebração pela qual os iniciados entram em comunhão com esses fatos passados, mais ou menos históricos ou míticos, mas que se crê que transmitem a salvação. Para São Paulo, o “mistério” é um conceito­chave para entender Cristo e a salvação que Ele nos comunicou. Mistério é o desígnio eterno de Deus pelo qual nos quer salvar e que se nos manifestou em plenitude em Cristo Jesus. Mas o mistério não consiste tanto numa verdade oculta, nem muito menos num rito celebrativo, mas na atuação salvadora de Deus: mais ainda, o mistério é o próprio Cristo, em pessoa (Cl 1,27; 2,2; Ef 1, 4­9; 3, 4.9). “Mistério” refere­se à celebração cúltica – celebrar os mistérios ­, mas, sobretudo, ao acontecimento salvífico por excelência, a morte e ressurreição de Cristo. Que se comunica, isso sim, visível sacramentalmente no rito litúrgico cristão. Por isso, como participação nesse mistério central que é Cristo e a sua Páscoa, chama­se “mistério”,

no uso da liturgia atual, a várias realidades: por exemplo, os “mistérios da vida de Cristo”, celebrados ao longo do ano litúrgico. Mas, sobretudo na linguagem dos Padres e dos textos litúrgicos, antigos e atuais, “mistério” é muitas vezes sinônimo de sacramento, e quer indicar que na nossa celebração litúrgica se torna presente o acontecimento salvador de Cristo, desde o seu Nascimento até a sua Páscoa e à sua Ascensão. Celebrar os santos mistérios é celebrar a liturgia, sobretudo por sua sacra mentalidade, pela qual entramos em comunhão privilegiada com o Mistério Pascal de Cristo. De modo particular, aplica­se à Eucaristia, os “Mistérios do Corpo e Sangue de Cristo”. Uma das aclamações que, no coração da Eucaristia, sublinha a sua centralidade é a do “Mistério da fé!” (Mysterium fidei), porque é a celebração que culmina e condensa a nossa salvação por Cristo e a sua comunicação a nós por parte do mesmo Senhor Jesus, agora Ressuscitado e realmente presente em toda a celebração. A “teologia dos mistérios” é a prospectiva do liturgista alemão beneditino O. Casel, que fez estudos profundos a partir dos cultos mistéricos pagãos, que ajudaram a Igreja, sobretudo a partir do Concílio,

à compreensão da liturgia como atualização sacramental do mistério salvador de Cristo. Reunindo esses dados, nos colocamos a pergunta sobre o como integrá­los na liturgia e na pessoa orante? Do ponto de vista antropológico a liturgia precisa manifestar a sua própria dimensão lúdica, sensorial através de seus símbolos, da musica, da dança e dos gestos. Reencontrar­se com o conteúdo de sua espiritualidade somática – vive a fé com o corpo – e deixar­se conduzir pela era do Espírito Santo.

Prof. Dr. Pe. Manoel Pacheco. Mestre e Doutor em Teologia dos Sacramentos pelo Pontifício Ateneo Santo Anselmo – Roma. Professor Titular de Teologia da Faculdade João Paulo II (Modalidade Presencial e EAD) Marília/ SP Publicou o Livro: A Noção do Sacramento da História Cristã Parecerista da Revista Cultura Teologica da PUC – SP Colaborador da Revista REHMA Assessor Diocesano da Formação Cristã – Diocese de Assis

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Mês de SETEMBRO Dia 2 de SETEMBRO ­ Aniversário Natalício ­ Pe. Oldeir José Galdino 4 de SETEMBRO ­ Aniversário Natalício ­ Pe. Leandro César Martins 6 de SETEMBRO ­ Aniversário de Ord. Presbiteral ­ Pe. Carlos Augusto Martins Júnior 11 de SETEMBRO ­ Aniversário Natalício ­ Pe. José David Espessotti 17 de SETEMBRO ­ Aniversário Natalício ­ Pe. Vicente de Paula Gomes 25 de SETEMBRO ­ Aniversário Natalício ­ Pe. Sérgio Henrique da Silva

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Palavra X Palavra Paulo diz que os santos julgarão o mundo, mas não diz quando. Jesus diz: “Não julgueis para não serdes julgados”. E afirma que, da mesma maneira como julgarmos os outros, seremos julgados por Deus. Por isso, nós, que nos consideramos seguidores de Jesus, não usemos da Palavra apenas para julgar o mundo. Ainda não somos suficientemente santos para correr esse risco. Jesus podia perguntar: “Quem de vocês pode me acusar de pecado?”. Ele não os tinha. Mas nós temos pecado. Então, o melhor é não acusarmos o mundo de não ver direito por ter um cisco no olho, já que nós, religiosos que pensamos ver mais do que ele, às vezes temos um graveto no nosso e nos ouriçamos de forma até histérica quando alguém questiona nossa pregação e nosso marketing da fé. Gostamos de falar, mas não queremos ouvir.

Para comemorar o dia de Nossa Senhora das Dores, celebrado em 15 de Setembro, a Paróquia Nossa Senhora das Dores da Vila Operária organizou uma programação que, embora tenha ficado popularmente conhecida como Semana da Padroeira, constou de mais de uma semana de diversas atividades.

Padre Zezinho, scj Temos o direito de expor com coragem as nossas convicções, na mesma mesa onde o mundo expõe as suas. A mídia do mundo ensina isso, e nós ensinamos outra coisa. O mundo ensina tais e tais ideias sobre família, sexo, clonagem, dinheiro, consumo, nudez, droga, violência, retaliação, direitos humanos, e nós ensinamos diferentemente. Mas a palavra do mundo tem o seu valor. Há ateus dizendo coisas que devemos levar a sério. Há religiosos que não oram nem pensam como nós emitindo conceitos com os quais podemos e devemos concordar. E há aqueles de quem devemos discordar. Compete a nós expor nossas ideias e mostrar, com coragem, mas de maneira civilizada, o que achamos correto, como Paulo propunha na 2ª Carta a Timóteo: Julgar, nunca! Deixemos isso para Deus. Atitude de quem ama − Atacar,

Tendo sido solenemente aberta no dia 05 de Setembro com as visitas missionárias realizadas pelo grupo de jovens a semana prosseguiu, no dia seguinte, com a celebração do Sacramento da Crisma por Dom José Benedito Simão. Na sequência dos dias foram realizadas as celebrações eucarísticas presididas por diferentes

cercear, proibir o outro e suas canções, até mesmo as inocentes, e agredi­lo porque ensina e pensa de outra maneira, não é coisa de cristão convertido. Discordar e mostrar onde e por que discordamos é atitude de quem ama o mundo que Deus tanto amou, a ponto de enviar a ele o seu Filho. Pregadores histéricos e mal resolvidos geram reação histérica dos fiéis. Pregadores serenos geram reação serena. Se dois fiéis estiverem se agredindo na rua, por causa de sua fé, procure os culpados nos púlpitos ou na televisão e veja o que anda ensinando. Os pregadores incapazes de diálogo são o maior problema da maioria das Igrejas. Isto porque pregação sem diálogo é imposição, pode até rimar, mas não é religião. REVISTA FAMÍLIA CRISTÃ EDIÇÃO JUNHO 2015

sacerdotes da diocese, cada uma das quais tendo como tema uma das sete dores de Maria. Para encerrar festivamente a semana foi realizada, no dia 15 de Setembro, dia de Nossa Senhora das Dores, a solene Celebração Eucarística seguida por uma bonita procissão com a imagem de Nossa Senhora das Dores pelas ruas do bairro da Vila Operária que reuniu um grande número de fiéis vindos das diversas capelas e setores que compõem a Paróquia Nossa Senhora das Dores da Vila Operária de Assis. Que Maria, como mãe zelosa, abençoe e proteja todos os seus filhos, sobretudo aqueles que nestes dias celebraram­na sob o título de Nossa Senhora das Dores.

Senhor fazei­me instrumento de vossa paz

Pe. Orlando de Almeida Alves


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