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RECEBEI O

Espírito Santo!

Diocese de Campo Limpo Ano XXVIII - Edição 209 Maio/Jun de 2014


Loci B. Lenar


Editorial Querido leitor,

Índice Editorial......................................................................... 3

Mais uma vez chegamos até você por meio desta nossa Vida e Missão.

Índice.............................................................................. 3

Ainda vivemos a intensidade do anúncio do Cristo vivo. Quanta graça e bondade da parte de um Deus que é Pai de ternura. É nessa vivência que somos chamados a testemunhá-lo aos irmãos para que possam fazer a mesma experiência que cada um de nós o fez. Neste mesmo espírito, nossa Diocese de Campo Limpo, está celebrando e comemorando seu jubileu de prata de existência, seus 25 anos de instalação. O convite feito por nosso bispo dom Luiz Antônio, foi que assumíssemos o compromisso da missão. Uma grande missão em todo o território diocesano, anunciando o Cristo vivo. Você que vive a fé e crê no amor de Deus, não pode deixar de participar, de viver esse momento que deve marcar nossas paróquias e comunidades. Vamos juntos fazer esta missão acontecer, vamos tornar presente ainda mais Cristo na vida das pessoas. E o convite especial para você é a participação na Missa em Ação de Graças pelo jubileu diocesano que acontecerá no dia 08 de junho em nossa Catedral as 15h00 e com esta a abertura oficial das missões. Que juntos no anúncio de Cristo possamos tornar nossas comunidades casa de irmãos.

Vigília Eucarística da Primeira Sexta Feira.............. 6

Revista Vida de Missão

Conselho Editorial: Dom Luiz Antônio Guedes; Pe. Adilson Ulprist; Elizabeth A. P. Batista; Rosângela Benetão. Editor e jornalista responsável: Pe. Adilson Ulprist (Mtb 46046/SP)

Diagramação e capa: Carlos Henrique Teixeira (Estagiário) Foto de capa: Divulgação A Revista Vida e Missão é uma publicação da Diocese de Campo Limpo - SP. As matérias publicadas são de inteira responsabilidade de seus autores, não expressando necessariamente a linha editorial desta revista. Rua Lira Paulista, 30 - Jd. Bom Refúgio - São Paulo - SP CEP 05788-320 - (11) 3584-9014 vidaemissao@diocesedecampolimpo.org.br

Jubileu e Compromisso............................................... 4

Visibilidade em rede.................................................... 7 O Sim a Deus................................................................ 8 A vocação a vida comum.......................................... 10 “Creio na ressurreição dos mortos”........................ 11 Pastoral do Dizimo - Diocesana............................... 13 Pentecostes ................................................................. 14 Afastai-vos dessa gente corrompida (At.2,40)....... 15 Diabo: O retorno......................................................... 16 Ser Mãe........................................................................ 18 Evangelização da Juventude.................................... 19 Trabalho, empenho e desenvolvimento espiritual..20 Entretenimento........................................................... 22


palavra do Pastor

Dom Luiz Antônio Guedes Bispo Diocesano

Jubileu e Compromisso Jubileu de Prata da Diocese de Campo Limpo

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festa de Pentecostes tem para nós, neste ano, um sabor todo especial, pois estamos comemorando o jubileu de prata de nossa diocese como um momento de ação de graças a Deus por todo o caminho percorrido nos vinte e cinco anos de sua existência e como uma renovação do nosso compromisso missionário, pois a razão de ser da Igreja é a evangelização. A grande maioria das paróquias aderiu ao chamado de nossa diocese e tem se empenhado na preparação dos seus missionários nos encontros de formação que têm ocorrido nos diversos níveis de nossa organização pastoral. A cada dia cresce a consciência de que a missão é permanente. Há momentos mais fortes, como o será todo o segundo semestre deste ano que culminará com a grande ação de graças na festa de Cristo Rei, o que não poderá ser compreendido como um encerramento, mas como um renovado envio que Jesus faz de todos nós. A vitalidade da comunidade eclesial está na sua fidelidade em viver o envio recebido de Jesus. Durante muito tempo nós nos acostuma4

mos a organizar bem a vida interna de nossas comunidades, a esperar que as pessoas nos viessem procurar e até nos esquecemos de esmerar no acolhimento aos que nos procuravam. Há cristãos e há presbíteros que se contentam em zelar por aquilo que ocorre dentro dos limites de suas paróquias. Esquecem que são co-responsáveis pela missão de toda a Igreja. Ainda há quem pense que missão é responsabilidade apenas das congregações missionárias ou de alguns grupos especializados. É necessário redescobrir que a Igreja Particular, isto é, a Igreja Diocesana, com suas paróquias, comunidades, pastorais, associações e movimentos, é sujeito da missão. Nos primórdios do cristianismo contemplamos as Igrejas locais profundamente empenhadas na evangelização. Vemos, por exemplo, como Paulo e Barnabé são escolhidos e en-

viados pelo Espírito Santo a partir da Igreja de Antioquia (Atos 13, 1-5) e a ela voltam para relatar tudo o que o Senhor havia feito através deles (Atos 14, 21b-28). A vitalidade da Igreja depende de não guardar para si aquilo que recebeu do Senhor e de comunicar a toda a humanidade, a partir do lugar onde está, o que o Senhor quer fazer chegar a todos: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude” (João 10,10). O apelo é assumir a missão a partir do lugar onde estamos e ampliar sempre mais os horizontes de nosso zelo. Evangelizar os batizados. Procurar os afastados. Ser solidários com os que sofrem. Acolher bem quem chega a nossas comunidades. Percorrer juntos o caminho do seguimento do Senhor. Ampliar a visão: há gente em situações de risco: desempregados, migrantes, menores de rua, crianças abandonadas. Quem


será boa nova para todos esses? Alargar o olhar: viver um amor que abranja o mundo e a humanidade. Nossa Igreja pode se abrir e florescer em missionários ad gentes. Já o Papa Paulo VI falava que não se deve esperar que a Igreja esteja pronta para partir em missão e desafiava as Igrejas em formação a dar da sua própria pobreza. Com certeza, quanto mais missionária a Igreja, mais dinâmica e cheia de vida ela será. É preciso fortalecer-se na convivência com o Senhor Ressuscitado, experimentá-lo na própria vida e deixar-se conduzir pela força do Espírito que Ele nos comunica. Só assim poderemos caminhar no meio dos desafios da nossa realidade atual. De fato, os noticiários enchem nossos olhos e ouvidos, diariamente, com fatos tenebrosos e preocupantes. Além dos acontecimentos que independem da vontade humana, como são

Dom Luiz Antônio Guedes - Bispo Diocesano

“O apelo é assumir a missão a partir do lugar onde estamos e ampliar sempre mais os horizontes de nosso zelo.”

as catástrofes naturais, verifica-se um crescimento da agressividade nos relacionamentos e dos crimes de diversas espécies. A dignidade inalienável da vida humana tem sido, na prática, menosprezada por inúmeras formas. Valores antes inquestionáveis são submetidos ao império do relativismo e, gradativamente, descartados, o que fez a Conferência de Aparecida reconhecer que estamos vivendo uma mudança de época e não apenas uma época de mudanças. É nesse mundo real que devemos dar nossa resposta ao convite de Jesus através do amor aos irmãos e irmãs, especialmente os empobrecidos e excluídos com a certeza de que Ele nos sustenta e fortalece na missão de construir sociedade e humanidade novas enquanto caminhamos para o Reino definitivo.

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Carlos Henrique

espiritualidade

Pe. Carlos Eduardo Olivieri Prelazia do Opus Dei

Vigília Eucarística da Primeira Sexta Feira comum, em muitas igrejas e comunidades, promover uma vigília de adoração eucarística, começando na noite da quinta-feira que antecede a primeira sexta-feira do mês e invadindo a madrugada até chegar a manhã, em que as pessoas vão se turnando para que o Senhor fique acompanhado o tempo todo. A referência principal é a proposta litúrgica de adoração do Santíssimo Sacramento depois da Missa in Cena Domini, na Quinta-Feira Santa. O objetivo: preparar-nos para encarar todos os embates da vida, as nossas tentações, considerando como que dirigido a nós o convite que Jesus fez aos Apóstolos para vigiarem consigo em oração. De fato, naquela noite, tomado por uma grande angústia, narra o Evangelho, Jesus pede aos seus que vigiem com Ele permanecendo em oração: «Ficai aqui e vigiai comigo» (Mt 26, 38), mas os discípulos adormeceram. Ainda hoje o Senhor nos diz: «Ficai aqui e vigiai comigo». “E vemos como também nós, discípulos de hoje, com freqüência dormimos. Aquele foi para Jesus o momento do abandono e da solidão”1. “Diante da Eucaristia, os fiéis contemplam Jesus na hora da sua solidão e rezam para que cessem todas as solidões do mundo”2. Na verdade, se meditarmos nos porquês daquela exortação de Jesus; e do cuidado que o Espírito Santo teve ao deixar-nos este registro, com certeza concluiremos que se trata de “uma mensagem permanente para todos os tempos, porque a sonolência dos discípulos não era só um problema daquele momento, mas é o problema de toda a história. (...) Diria que a sonolência dos discípulos

ao longo da história é uma certa insensibilidade da alma ao poder do mal, uma insensibilidade a todo o mal do mundo. Não nos queremos deixar perturbar demasiado por estas coisas, queremos esquecê-las: pensamos que talvez não é tão grave, e esquecemos. E não se trata apenas de insensibilidade ao mal, quando deveríamos vigiar por fazer o bem, para lutar pela força do bem. É insensibilidade a Deus: eis a nossa verdadeira sonolência; esta insensibilidade pela presença de Deus que nos torna insensíveis também ao mal. Não ouvimos Deus – incomodar-nos-ia – e assim, naturalmente, também não ouvimos a força do mal e permanecemos no caminho do nosso bem-estar. A adoração noturna (...), o estar vigilantes com o Senhor, deveria ser precisamente o momento para nos fazer refletir acerca da sonolência dos discípulos, dos defensores de Jesus, dos apóstolos, de nós, que não vemos, não queremos ver toda a força do mal, e que não queremos entrar na sua paixão pelo bem, pela presença de Deus no mundo, por amor ao próximo e a Deus”3. Trata-se, com estas vigílias, de preparar-nos para combater a tentação de opor-nos à vontade de Deus, e deixar que Jesus puxe a nossa vontade para o alto, rumo à vontade do Pai, para aderir ao bem: «Não seja feita a minha vontade, mas a Tua»44. Façamos, se ainda não o fizemos, a experiência de participar de uma vigília assim. E, caso nos seja difícil apontar-nos para algum horário da madrugada; ou se na nossa comunidade não haja este costume, em cada quinta-feira que antecede a primeira sexta-feira do mês, permaneçamos ao menos alguns minutos diante do Santíssimo, no final da tarde, já à noitinha, evocando aqueles momentos de Jesus no Horto das Oliveiras.

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Bento XVI, Audiência, 12 de abril de 2006. Bento XVI, Audiência, 31 de março de 2010.

Bento XVI, Audiência, 20 de abril de 2011. Cf. Bento XVI, Audiência, 20 de abril de 2011.


Visibilidade em rede

gerando comunhão Côn. Edson Oriolo

Promova na diocese uma paróquia que articule uma pastoral orgânica e missionária

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stive garimpando os documentos do ‘magistério ordinário e extraordinário da Igreja’ e notase existem poucas literaturas teológicos e pastorais em relação à instituição paróquia. Nos últimos anos, há uma preocupação: uma instituição antiga, mas por outro lado, muito venerada por dar visibilidade à Igreja. Recentemente, o Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelli Gaudium (EG) veio abrir horizontes quando afirma: “a paróquia não é uma estrutura caduca; precisamente porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas diferentes que requerem a docilidade e a criatividade missionária do pastor e da comunidade (...). Não se torne uma estrutura complicada, separada de pessoas, nem um grupo de eleitos que olham para si mesmos (...). È comunidade de comunidades, santuário onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar, e centro de constante envio missionário” (EG 28). Estes pensamentos do Papa Bergolio vieram trazer à tona a sua atuação quando Arcebispo de Buenos Aires, na preocupação para que em cada paróquia houvesse dois ou três sacerdotes, para ter uma forte presença da Igreja entre as pessoas e guiar também a piedade popular. Esta forte presença da Igreja por meio da atuação de sacerdotes significa que a paróquia tem que estar impregnada e definida pelo caráter de ‘diocesaneidade’, pois, ou é diocesana ou perde à razão de ser. A ‘diocesaneidade’ caracteriza a identidade do presbítero diocesano no atendimento das necessidades pastorais da Igreja local. A diocese, com suas, características geográficas, humanas, culturais, econômicas, seus costumes e sua identidade demográfica, é o lugar existencial do nascimento da vocação e do exercício do ministério. O padre na sua diocesaneidade colabora com a Igreja particular na salvação de almas em um determinado território que denominamos paróquia (cf. Cân.515, 1). Uma paróquia, desvirtuada e desconectada da dinâmica diocesana, está minando sua própria consistência eclesial. O Código de Direito Canônico define a diocese como “uma porção do povo de Deus confiada ao pastoreio do bispo com a cooperação do presbitério, de modo tal que, unindo-se ela a seu pastor e, pelo evangelho e pela eucaristia, reunida por ele no Espírito Santo, constitua uma Igreja particular, na qual está verdadeiramente presente e operante a Igreja de Cristo una, santa, católica e apostólica” (Cân. 369)

Nessa definição aparecem os elementos da “Igreja”: povo de Deus, pastor e seus colaboradores, sinais sensíveis que possibilitam e consolidam a unidade ( Palavra, Eucaristia) e o fundamento invisível realizador da unidade dos fiéis, o Espírito Santo. A paróquia nunca deve ser considerada autossuficiente, fechar-se em si mesma, fazer uma pastoral de ‘gueto’. È necessário trabalhar em rede. Deve organizar uma pastoral integral e orgânica de acordo com o plano de pastoral da diocese, uma pastoral mais profunda e eficaz sob a ação do Espírito Santo. A paróquia é chamada a vivenciar seu caráter relacional em relação à diocese aspecto que não pode renunciar, senão à custa de destruir sua própria identidade eclesial (cf. Estudos CNBB 104, 93). Em âmbito diocesano, a paróquia deve buscar respostas de conjunto para situações e os problemas mais significativos que afetam todas as paróquias da diocese. A paróquia é estrutura constitutiva da organização diocesana em virtude do princípio da territorialidade e se a Igreja local não é uma parte da Igreja universal, mas uma porção, isto é, a realização da Igreja do Senhor em um determinado lugar, também na paróquia realiza esta mesma Igreja. A paróquia como parte constitutiva da diocese é uma comunidade estável por ter sido devidamente criada na Igreja particular(cf. Cân. 374, 1), pelo bispo diocesano (cf. Cân. 515, 2). A paróquia não deve se fechar em si mesma, mas deve se recordar de ser parte de uma comunidade mais ampla, ou seja, a diocese. Portanto, promover uma articulação pastoral mais orgânica e missionária, em todas as instâncias pastorais, movimentos, comunidades em um caminho de santificação, vivido na comunhão do presbitério de uma Igreja local (cf. PO, 12; PDV, 24) faz da paróquia sinal visível da Igreja universal (cf. AA,10). Siglas Evangelii Gaudium - EG Lumem Gentium - LG Apostolicam Actuositatem - AA Presbyterorum Ordinis - PO Pastores Dabo Vobis - PDV

Revista Paróquias & Casas Religiosas, ed 48, maio/junho 2014

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em pauta

Luciano Antunes Batista

O Sim a Deus

Imagens: Luciano Batista

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Diocese de Campo Limpo ganhou no dia 10 de maio quatro novos sacerdotes. Foram ordenados presbíteros pela imposição das mãos do Bispo Diocesano, Dom Luiz Antônio Guedes, os diáconos: Antonio Ferreira Gonçalves, Marcelo Sousa Almeida, Renato Gomes Alves e Rodrigo Antonio da Silva. A Catedral Santuário Sagrada Família ficou lotada de amigos, parentes e fiéis das paróquias onde os néo-sacerdotes irão atuar, para celebrar este importe momento da vida da Igreja. Toda a cerimônia foi marcada por muita emoção. Após a procissão inicial que contou com a presença de vários padres da Diocese, os quatro novos sacerdotes atravessaram o corredor central da Catedral de Campo Limpo acompanhados de seus pais e padrinhos. 8

Posicionados nos primeiros bancos, acompanharam a entrada do Bispo Diocesano, Dom Luiz Antônio Guedes e do Bispo Emérito, Dom Emílio Pignoli. Dom Luiz, após incensar o altar, deu as bvoas vindas a todos e fez uma saudação especial aos diáconos que estavam a poucos minutos de serem consagrados sacerdotes. Após a leitura do Santo Evangelho, deu-se início ao Rito da Ordenação. Padre Paulo Visintainer, reitor do Seminário, chamou os diáconos, um a um, para que ficassem à frente de Dom Luiz. A partir deste momento, o reitor pede ao Bispo Diocesano que “ordene para a função de Presbíteros estes nossos irmãos”. O bispo pergunta se eles “são dignos deste ministério” e o reitor responde que “tendo interrogado o povo de Deus e ouvido os responsáveis, dou testemunho de que foram considerados dignos”.

O bispo então diz que “com o auxílio de Deus e de Jesus Cristo, nosso Salvador, acolhemos estes nossos irmãos para a Ordem do Presbiterado”. Já no presbitério, os diáconos acompanharam a homília proferida por Dom Luiz que, meditando sobre o Santo Evangelho disse que para ser pastor, é preciso impregnar-se de Jesus, é preciso deixar-se purificar por Ele para poder ganhar a liberdade verdadeira, inclusive em relação a si mesmo para poder estar aberto para Deus e para os irmãos. Logo após a homilia, os diáconos fizeram o “Propósito dos Eleitos”, onde manifestaram o propósito de aceitar o sacerdócio diante do bispo e dos fiéis. Em seguida, houve um dos momentos mais emocionantes da celebração: a Ladainha de Todos os Santos. Os quatro diáconos deita-


ram na frente do altar num gesto de entrega e humildade enquanto a assembleia entoava a ladainha. Outro momento marcante é a imposição das mãos do Bispo Diocesano e a prece de Ordenação. “Nós vos pedimos, Pai todo poderoso, constituí estes vossos servos na dignidade de Presbíteros; renovai em seus corações o espírito de Santidade; obtenham, ó Deus, o segundo grau da Ordem Sacerdotal, que de Vós procede, e sua vida seja exemplo para todos”. Em seguida à oração houve a imposição das vestes e a Unção das Mãos. Ungidos com o Santo Óleo do Crisma, os neo-presbíteros passaram pelos corredores da Catedral sendo aclamados pelos fiéis. A última parte deste momento da Celebração Eucarística é marcada

pela entrega do Cálice e da Patena ouvido do Bispo Diocesano a seguinte frase: “Recebe a oferenda do povo santo de Deus. Toma consciência do que vais fazer e põe em prática o que vais celebrar, conformando tua vida ao ministério da cruz de Cristo”. Em seguida os novos sacerdotes foram acolhidos por Dom Luiz Antônio Guedes e pelos sacerdotes que estavam presentes na cerimônia. Os quatro novos sacerdotes da Diocese de Campo Limpo se uniram aos mais de 410 mil presbíteros que atualmente exercem o seu ministério em todo o mundo, além dos inúmeros outros que, ao longo dos mais de dois mil anos da história da Igreja, realizaram a sua missão de evangelizar e levar a Palavra de Deus aos mais longínquos cantos da Terra.

Lemas escolhidos pelos novos sacerdotes:

Padre Antonio Ferreira Gonçalves “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho”. 1Cor 9,16

Padre Marcelo Souza Almeida “Quem inviarei? Quem irá por nós? Respondi: Eisme aqui! Envia-me!”. Is 6,8

Padre Renato Gomes Alves “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá: mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, a salvará”. Mc 8,35

Padre Rodrigo Antonio da Silva “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça”. Mt 6,33

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Imagem: Divulgação

vocacional

Pe. Jefferson Sampaio Vide-Reitor Sem. N. Sra. Aparecida

A vocação a vida comum

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vida em comum é um dom de Deus, mas ao mesmo tempo um chamado que o Senhor nos faz para vivermos como Ele viveu, ou seja em comunidade. Ao iniciar o Seu ministério, umas das primeiras coisas que Jesus fez foi chamar os doze apóstolos para que pudesse continuar de modo semelhante a vida comunitária que vivida desde sempre junto da Trindade, mas também para mostrar aos seus discípulos e a cada um de nós que é possível vivermos juntos como irmãos. Nós hoje somos chamados a continuar a viver a vida de Deus com nossos amigos e irmãos e a testemunhar que, se estamos juntos é porque Cristo nos uniu e nos fez passar da morte à vida, nos fez passar do eu ao nós. A nossa missão como discípulos missionários, é anunciar a Jesus Cristo sendo Comunidade, e sendo comunidade levar, ao mundo que prima o individualismo, a Sua Presença que se manifesta cada vez que os cristãos se reúnem no Seu santo nome. 10

A vida em comunidade é como água que jorra e irriga a terra, ela precisa ser o coração pulsante da nossa ação evangelizadora. Não podemos deixar o relativismo e o individualismo entrarem em nossa comunidade, eles são o veneno que mata a vida comum e faz com que cada um de nós busque suas próprias vontades e se feche no seu próprio eu. Na maioria das vezes o que nos faz tropeçar na vida em comum, não são as grandes coisas, mas as pequenas coisas do dia a dia que nos tira o foco, que nos faz cansar de anunciar, de nos doar, de viver a plenitude desse amor que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, nos impulsionando a amar até as últimas consequências como Cristo soube muito bem nos dar o exemplo. Por isso, peçamos ao Senhor todos os dias a graça de colocar sempre Jesus e o novo mandamento do amor ao centro da nossa vida espiritual e comunitária.


fé em questão Pe. Odair Eustáquio

Imagem: Divulgação

Par. Maria Mãe dos Caminhantes

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o tempo pascal, soa mais forte em nossos ouvidos esta parte do Credo em que professamos aquilo que é fundamental para nós: a ressurreição dos mortos. No Credo apostólico lemos: “Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Catótica; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; na vida eterna. Amém.”;  e no Credo Niceno-Constantinopolitano a afirmação é assim: “Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Professo um só batismo para remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir”. Nas duas afirmações, o que se professa é o alicerce fundamental no qual se baseia a fé cristã. A Ressurreição pressupõe a morte, acontecimento este, que atormenta e questiona os homens de todas as épocas. Afirma-se que

o homem passou a filosofar a partir justamente da experiência da morte de parentes e amigos. Ela coloca fim aos anseios e projetos de poder, riqueza e sucesso. Ela escancara a finitude da vida hu-

“a morte angústia o homem e torna-o um fracassado, principalmente, quando percorre a vida em busca de coisas passageiras.” mana. São Francisco, expõe os enganos e limites  de certos tipos de vida ao expressar o que pensavam os parentes de um morto que vi-

veu somente para aumentar o seu “capital”. “Aproxima-se a morte; chamam o sacerdote. Ele pergunta ao moribundo: “Queres o perdão de todos os teus pecados?”, e ele responde que sim. E o sacerdote: “Estás preparado para satisfazer os erros cometidos com os demais?”. E ele: “Não posso”. “Por que não podes?”. “Porque já deixei tudo nas mãos dos meus parentes e amigos”. E assim ele morre impenitente e, apenas morto, os parentes e amigos dizem entre si: “Maldita a sua alma! Podia ganhar mais e deixar-nos, e não o fez!”. Em suma, a morte angústia o homem e torna-o um fracassado, principalmente, quando percorre a vida em busca de coisas passageiras.  É diante da perplexidade da morte que a Ressurreição se insurge não só como vitória da vida, êxito verdadeiro, duradouro e eterno mas, por isso mesmo, como resposta de 11


Imagem: Divulgação

fé fundamental que o cristianismo apresenta para a morte. Mas quais seriam os argumentos básicos para crer na ressurreição dos mortos? Considerando os limites deste espaço, apresento-os em seguida, observando desde já, que crer pressupõe fé e está, por sua vez, é dom de Deus e resposta humana ao Deus que se revela. Feita esta observação, vamos refletir, primeiramente, em forma de perguntas: Quem criou o céu, a terra e tudo de belo e digno que existe? Quem criou o ser humano à sua imagem e semelhança? Quem insuflou o seu espírito no ser humano? Quem considerou o hu-

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mano como sua criatura preferida? A quem Deus entregou toda criação para ser cuidada? Quem escolheu um povo e nunca deixou de ser fiel ao mesmo? Quem libertou o povo da escravidão do Egito, acompanhoulhe pelo deserto e providenciou-lhe o necessário para sobreviver (água e comida)? Quem entregou a Moisés os mandamentos para a vida do homem?  Permita-me outras perguntas: quem enviou a cada tempo os profetas para orientar o ser humano no caminho da vida e da salvação? Quem é que disse: “ainda que a mãe esqueça seu filho, eu não te esquecerei povo meu”? “Que minha mão se resseque,

se eu de ti me esquecer Jerusalém? E ainda: quem, na plenitude dos tempos, enviou seu próprio filho para nos salvar? Quem agiu e ressuscitou Jesus de Nazaré, respondendo assim com força e poder à pena imposta pelos homens a Ele? Tantas perguntas uma resposta: DEUS. E agora uma última pergunta: pode, um Deus tão atuante, Pastor e  Pai providente, esquecer na morte os seus filhos? Deixar que o “objeto” de tantas ações, carinho e cuidado, fosse entregue definitivamente à morte?! Jamais! Deus nunca deixaria aqueles que o fez romper os limites entre céu e terra, na mansão triste dos mortos. Neste sentido, é maravilhoso ler no sábado santo o texto da Liturgia das Horas onde se afirma que Cristo vai até à mansão dos mortos, e chama Adão: “Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste”.  Quanto aos sinais e textos bíblicos atestando a ressurreição, nestes tempos estamos a ouvi-los desde a missa da Vigília Pascal: Aparição aos Onze reunidos; o túmulo vazio; o lençol colocado ao lado, as marcas da crucificação apresentadas a Tomé, são alguns dos sinais. O fato de aparecer aos Onze na Galiléia, a Pedro, aos discípulos de Emaús; as inúmeras reflexões de Paulo e as pregações de Pedro atestando a Ressurreição e muitas outras passagens bíblicas que colocam claramente a ressurreição como sendo o centro da nossa fé.  Enfim, poderíamos fazer um tratado sobre a Ressurreição, mas como é próprio deste artigo, queremos apenas provocá-lo a pensar mais sobre esta afirmação fundamental da fé cristã: “Creio na ressurreição dos mortos e na vida eterna”.  Cristo ressuscitou! Aleluia! 


dízimo

Pastoral do Dizimo Diocesana

Enicéa Carvalho Coord. da Pastoral do Dízimo

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omo todas as Pastorais, o Dizimo tem sua representatividade na Diocese, com uma agenda previamente determinada para os encontros a cada dois meses, com um grupo considerável de 70 a 80 pessoas, representantes da Pastoral do Dizimo, das paróquias ou das comunidades, recebem informações, sanamos duvidas e partilhamos sugestões encontradas, é o ‘’CANTINHO DO DIZIMO’’. Há palestrantes como por exemplo o Pe. Rodrigo Matheus que não só deixou seu parecer sobre o tema: “Dízimo e a Paróquia’’, como apresentou o trabalho em sua paróquia, investindo na Pastoral com entrega de mimos e cartões com o objetivo de reavivar a Pastoral. Em sua criatividade, premiaram um Dizimísta com a missa em casa e ter o Cristo em nosso lar é uma grande emoção e com a aceitação e participação do Bispo Dom Luiz, surpreendeu os que lá estiveram. Ao definirmos Dizimo em cada encontro, sempre na palavra de Deus, lembramos a profissão de fé: Creio em Deus Pais todo poderoso, criador do céu e da terra e em Jesus Cristo, seu único filho, nosso Senhor, falado pela comunidade, precisa ser vivido verdadeiramente, agradecendo a Ele por nossas vidas, família, trabalho e portanto devolver a Ele parte do que Dele recebemos, consagrando nosso Dizimo fielmente, ou seja, com o compromisso mensal conforme nossos recebimentos para que a Paróquia se organize em seu caixa. Torna-se uma contabilidade, que ainda encontramos paróquias incomodadas por ter que lidar com valores. Temos hoje 100 paróquias com a pastoral implantada, com 80% caminhando bem, sem dúvidas, com Padres atuantes, com uma equipe participativa, que lê, busca informação e cria sugestão as quais querem inovar, informando aos demais. Nas reuniões há novas equipes do Dizimo, que permanecerão por dois anos e foram escolhidos pelo Padre,

aceitam mais vêm às reuniões com sede de informação e pronto para ouvir e receber materiais complementares. Que tal começarmos pela Oração, com a entrega desse trabalho à Deus, para que o Espírito Santo nos ilumine, no falar, no informar e vivenciar o Dizimo. Verificar qual sacramento nos falta, para querermos ter esse Deus por inteiro em nossa vidas e portanto termos um coração aberto diante da coordenação da equipe e da comunidade. A equipe do Dízimo é aquela que vivencia Deus, fala na palavra de Deus e agradece à Deus. 13


capa

Dom Luiz Antônio Guedes Bispo Diocesano

PENTECOSTES Recebei o Espírito Santo!

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inquenta dias após a Ressurreição de Jesus, o Espírito Santo foi profusamente comunicado à Igreja nascente. O próprio Jesus, antes de sua glorificação, ao encarregar seus discípulos da missão de testemunhar tudo o que Ele havia realizado, determinou-lhes que aguardassem até serem revestidos da força do alto, o Espírito Santo. É visível a transformação que os primeiros discípulos vivenciaram após receberem o Espírito. Antes eram medrosos, egocêntricos, competidores entre si, desejosos de poder. Depois, perdem o medo e se enchem de coragem, abandonam seus próprios interesses e se entregam à causa de Jesus e seu Reino, tornamse solidários, sofrem perseguições e torturas e continuam perseverantes até o martírio. Só a força do alto pode explicar essa mudança. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho. É a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Quando Deus Pai envia o Filho, envia também o

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Espírito Santo. O Filho e o Espírito são distintos, mas inseparáveis. Em sua peregrinação para o Pai, a humanidade necessita de Jesus, o caminho, e do Espírito, a força para o caminhar. O apóstolo Paulo afirma a necessidade de dois testemunhos para que alguém possa chegar à confissão de fé e se salvar: o testemunho externo, que vem pelo anúncio da Igreja (cf Rom 10, 10-15) e o testemunho interior dado pelo Espírito Santo (cf 1Cor 12, 3b). Nossa fé nos leva a cantar: “Deus infinito, teu Santo Espírito renova o mundo sem jamais cessar. Nossa esperança, nossos projetos só se realizam quando ele falar”. É graças ao Espírito Santo que Jesus chega até nós. É Ele que nos torna Igreja viva em nosso tempo. Jesus disse: “Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não sois capazes de compreender agora. Quando ele vier, o Espírito da Verdade, vos guiará em toda a verdade” (Jo 16, 12-13a). Esta palavra refere-se à assistência permanente do Espírito Santo para que a Igreja, em todos os lugares e tempos, defrontando-se com novos desafios e necessidades, possa discernir o que fazer permanecendo fiel ao projeto de Jesus. Já nos Atos dos Apóstolos vemos exemplos dessa assistência do Paráclito na questão do atendimento às viúvas dos fiéis de origem grega (Atos 6, 1-6) e na questão da necessidade ou

não da circuncisão para a salvação (Atos 15, 1-35). Na carta enviada na ocasião se afirma: “Pois decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis...” (Atos 15, 28). A festa de Pentecostes é precedida pela semana devotada à oração pela unidade dos cristãos e a própria festa é momento forte de expressão de nossa comunhão. O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC, do qual participa a Igreja Católica, Apostólica, Romana, propõe que as Igrejas irmãs busquem se encontrar para orar pela unidade dos cristãos. E quando isto ainda não é possível por alguma razão, fica a sugestão para que as paróquias, comunidades e outros organismos de nossa Igreja diocesana orem por esta mesma intenção. Vivamos a festa de Pentecostes com os mesmos sentimentos de Jesus que orou ao Pai: “Eu não te peço só por estes, mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles, para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. Eu mesmo dei a eles a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um. Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade, e para que o mundo reconheça que tu me enviaste e que os amaste, como amaste a mim” (João 17, 20-23).


refletindo

Afastai-vos dessa gente corrompida (At.2,40)

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a convivência do dia a dia estamos vivendo uma batalha permanente entre aqueles que têm a mente corrompida e que odeiam a verdade, e até fazem da oração uma fonte de lucro. É uma disputa entre homens corruptos, longe da verdade, e pensam estar fazendo bem à coletividade, realizando o bem comum. Mentes e coração ávidos do lucro, provocando ódio, indignação e despertando sentimentos de vingança. A coletividade, o povo quer gritar, quer se manifestar, quer reivindicar a dignidade e o direito de viver na justiça. A paz que queremos, que desejamos, é fruto da Justiça (Is.32,17). “Todo ato de injustiça e desamor é pecado e fonte de violência. Ela sempre aparece quando é negado à pessoa aquilo que lhe é de direito a partir de sua dignidade ou quando a convivência humana é direcionada para o mal. A violência nega a ordem querida por Deus.” (CF 2009 nº 197). A corrupção, em todas as áreas, além de ser um péssimo exemplo principalmente para as crianças e jovens, líderes em potencial, é uma ameaça à paz social e à garantia de segurança. Como diz a palavra: “Movidos por sórdida ganância, tais mestres os explorarão com suas lendas e artimanhas. Todavia, sua condenação desde há muito tempo paira sobre eles, e sua destruição já está em processo” (2 Pd. 2,3).

O grito que a nação brasileira tem entalado na garganta é o grito pela dignidade, pela segurança, pela educação, pela saúde, pela vida na sua totalidade. As manifestações pacíficas e ordeiras têm como objetivo fazer calar essas vozes de aparências, de promessas e discursos bonitos, de líderes cujo poder é exercido em beneficio próprio. A crítica precisa ser feita a todos os partidos, às instituições e também à iniciativa privada. A Palavra de Deus é direta: “É necessário fazê-los calar, pois, motivados pela cobiça, transtornam casas inteiras, pregando o que não convém” ( Tito 1,11). Um Brasil que nasceu aos pés da cruz, tem raízes cristãs, tem povo temente a Deus, tem amor e honestidade em ganhar o pão com o suor do próprio rosto. Por isso é inadmissível que os nossos líderes políticos, com a conivência da iniciativa privada, continuem promovendo e legitimando a corrupção. Precisamos de uma reforma política. Ninguém queira fazer justiça com as próprias mãos. Lembremos o que o Apóstolo Paulo fala à comunidade Tessalônica: “Então, será plenamente revelado o perverso, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá pela gloriosa manifestação da sua vinda (2 Tes 2.8,11). Deus é o autor da Justiça. O julgamento do perverso e do corrup-

Dom Anuar Battisti Arcebispo de Maringá (PR)

to está ardendo nas mãos de Deus. Vamos tomar cuidado para que o nosso coração não se perverta, não seja incrédulo, afastando-se do Deus vivo e verdadeiro. “Irmãos, tende muito cuidado, para que nenhum de vós mantenha um coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo” (Heb 3-12,13). Nada pior do que uma consciência pervertida. O profeta Ezequiel faz uma alerta para a coerência entre a fé e as obras: “O meu povo vem a ti, como costuma fazer, e se assenta para ouvir a tua pregação, mas não coloca a Palavra em prática. Com a boca eles chegam a expressar louvor e devoção, mas o coração dessa gente dá mais importância ao lucro, estão ávidos por ganhos injustos” (Ez 33,31). No sermão das Bem-Aventuranças Jesus é taxativo: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados Filhos de Deus” (Mt 5,9). Se acreditamos que Deus é verdadeiramente o nosso Criador e Pai, é nossa obrigação de filhos e herdeiros de seu Reino promover a Paz, lutando contra a injustiça. Que Deus nos abençoe.

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atualidade

Pe. Alfredo C. Veiga

Par. Santo Antônio do Caxingui

Diabo: O retorno

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m meus atendimentos tenho percebido uma mudança radical com relação à espiritualidade de nossos católicos. Sem medo de exagerar, não existe um atendimento sequer no qual o diabo não esteja no centro do cenário da imaginação ou fantasias dos nossos cristãos. No início, isso causava certa irritabilidade; aos poucos, no entanto, fui abandonando o critério psicopatológico e mergulhando mais fundo no funcionamento dessas pessoas enquanto entidades sociais, produtos de seu tempo e sinalizadoras de um tipo característico da sociedade da qual fazemos parte. Em geral, leigos se sentem “possuídos” pelo demônio porque foram convencidos disso por padres que, de igual modo, funcionam de acordo com as tendências da comunidade humana e suas manifestações, uma vez que todos somos filhos do nosso tempo e principais articuladores das nossas representações. Portanto, não cabe aqui julgar entre certo e errado manifestações que extrapolam um juízo restrito de valores, sobretudo valores morais. Nesse sentido, a fim de compreender um fenômeno, nada melhor do que inseri-lo em seu contexto temporal e, assim, perguntar a esse tempo o que

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ele mesmo tem para falar sobre as inter-relações que se estabelecem entre os sujeitos desse momento histórico. Entrando em uma livraria católica, perguntei da razão em se ter tantos volumes de um livro litúrgico contendo orações de exorcismo. Foi-me respondido que a demanda é enorme e que não somente padres, mas também cristãos leigos se deixam fascinar pela possibilidade de expulsar os demônios que supostamente invadiram suas vidas e de seus familiares. Das três últimas pessoas que me procuraram solicitando para que eu “expulsasse” seus demônios, havia um ponto em comum entre elas: Foram convencidas, nos grupos que frequentam, de que suas dores, seu sofrimento, só poderia ter uma fonte: o demônio. Nesses encontros esses “demônios” são instados a se manifestar a fim de serem dominados e, assim, “libertar” a pessoa que sofre sob seu jugo. Em uma missa assisti a uma cena chocante: uma mulher se arrastava pelo chão como uma serpente, ao mesmo tempo em que emitia sons como se estivesse possuída de um animal selvagem. Isso alimentava na plateia certa sensação de poder que redundava em palavras de ordem sempre mais inflamadas. O fenômeno da “possessão

diabólica” pode ser lido de diversas maneiras, uma delas é o sentimento de apropriação do sagrado invisível, e isso tem relação direta com o fato de que, em meio a uma sociedade de consumo, temos necessidade de sentir que podemos tocar e, tocar, significa poder dominar. Objetos originalmente criados para veneração e admiração à distância, como tudo o que se relaciona ao sagrado, estão sendo cada vez mais aproximados e feitos partícipes das ações corriqueiras da vida. Existe, portanto, um movimento de abandono da esfera do invisível para se encarnar no mundo da realidade de consumo. Sem que se admita isso formalmente, há um mercado religioso que utiliza de estratégias para atrair um público que exige dos pastores algum diferencial em relação aos outros, comuns. É assim que tais pastores têm saído em busca de maneiras novas, nem sempre éticas, de atender a essa demanda contemporânea. Um exemplo é o vocabulário neopentecostal cada vez mais frequente em ambientes católicos, prometendo curas, mobilizando afetos e emoções sem qualquer identificação ou compromisso com a realidade social. Se os demônios não pagam nossas contas, pelo menos podemos terceirizar seus serviços, depositan-


Imagem: Divulgação Imagem: Divulgação

do neles a responsabilidade que deveríamos chamar para nós apenas. A supervalorização da experiência interior pode ser indício de evasão do agir ético que procura por um demônio invisível ao invés de identificá-lo – o que seria mais apropriado, com personagens contemporâneos revestidos de tal poder que conseguem submeter os outros ao seu domínio, retirando dos mais fracos o pouco de força que ainda lhes resta a fim de continuarem espalhando morte e devastação por todos os lugares. Tais demônios não se arrastam pelo chão de nossas igrejas, pois não perdem nunca seu status de invisibilidade. Proliferam-se não em ambientes sombrios, mas lá onde existe um silenciamento perigoso com relação às injustiças que conduzem à violência e à morte. São esses demônios, fatalmente reais, que mereceriam uma verdadeira “ação exorcista”.

“Se os demônios não pagam nossas contas, pelo menos podemos terceirizar seus serviços”

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catequese Irmã Vera Lúcia do Coração Transpassado Irmãs Missionárias Catequistas do Sagrado Coração

Ser Mãe Ser Mãe é ser portadora de um mistério, sendo testemunha de um instante maravilhoso: em que o amor de Deus se materializa num pequenino ser. Ser Mãe é deixar-se ser tocada pelas mãos de Deus, tornando-se capaz de gerar, dar vida, de amar, de amparar... de sensibilizar-se com o desabrochar da obra criada por Deus no seu ventre. Ser Mãe é ser artista na telinha da vida, desdobrando-se quando tudo parece sucumbir, cumprindo todos os papéis para criar, educar e proteger um pedaço do seu ser: o filho. Ser Mãe é ser raiz de esperança, gritando ao mundo que o verdadeiro amor jamais acaba, e que a morte e suas invenções trágicas, jamais se instala no seu coração de Mãe. Ser Mãe é ser malabarista do bem, sustentando no coração da sociedade os valores do lar, que nunca passa e nem perde sua beleza. Ser Mãe é ser uma heroína no fim de uma luta, tendo a capacidade de ouvir o silêncio, adivinhar os sentimentos, encontrar a palavra certa nos momentos incertos, fortalecer quando tudo ao redor parecer ruir. Enfim, ser Mãe, é ser reflexo de Deus: amar, amar, amar... e amar! 18


juventude

Evangelização da Juventude

Pe. Rodolfo Camarotta

Aproveitando as riquíssimas orientações e diretrizes do documento 85, para Evangelização Da Juventude. Nesta edição, partilho, o trecho das 8 linhas de ação para o bom desenvolvimento dessa missão.

1ª. Linha de Ação: Formação integral • Grupos, catequese, escola, etc • Discernimento vocacio nal. • Auxílio ao Projeto Pe ssoal de Vida. • Formação sobre afetiv idade-sexualidade. • Vivência na cultura mi diática.

2ª. Linha de Ação: Espiritualidade • • • • • • • •

: de Ação ento a h in L . ª 5 ham acompan e d s a r Estrutu

e; Juventud r to e S do quial; cimento lano Paro P ; • Fortale m u e unitárias m ão d o ç c a iz s n e a d • Org ativida ecisão; ento nas cias de d n im tâ lv s o in v s n a s; n •E dos joven os jovens to d n o e ã m ç a a z h • Valori acompan to para o n e ciais. m ti s e • Inv redes so s a n o nism • Protago

6ª. Linha de Ação: Assessoria

Oração pessoal e comunitária. Vivência sacramental. Missa dominical. Atendimentos, direção espiritual, confissão. Diálogo Ecumênico. Leitura Orante da Palavra de Deus. Devoção mariana. Encontros de formação e retiros.

• Escolha e formação de acompa nhantes de jovens; • Organização de uma equipe de ass essores de jovens.

7ª. Linha de Ação: Diálogo fé e razão

3ª. Linha de Ação: Pedagogia da formação • Processo de educação na fé. • Capacitação: convivência, grupo, organização. • Promoção de grupos juvenis nas comunidades. • Valorização das expressões culturais juvenis: dança, teatro, esporte, grafite, paródias, arte, bandas. • Promoção de eventos de massa. • Prática do voluntariado.

4ª. Linha de Ação: Discípulos e discípulas para a missão • Novos areópagos e rostos juvenis sofredores; • Experiências missionárias; • Ações missionárias nas redes sociais; • Voluntariado;

es e escolas; • Presença significativa nas universidad dania, etc.; • Promoção de fóruns: bioética, cida icos; • Destaque de assessores específ ntariado; • Promoção de experiências de volu jetos sociais; • Pré-vestibulares alternativos e pro

8ª. Linha de Ação: Direito à vida • Estudos: Doutrina Social da Igre ja, fé-política, políticas públicas para a juventude; • Formação para a vivência da cida dania; • Capacitação nas expressões cult urais; • Destaque: a vida, a família, a bioé tica, etc.

(Para melhor conhecer as 8 linhas de ação, leia o documento 85 para Evangelização da Juventude. Pág. 47 à 89)


especial

Luciano Antunes Batista

Trabalho, empenho e desenvolvimento espiritual

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m 1989 a região episcopal Itapecerica da Serra estava prestes a ser elevada à categoria de Diocese. Havia 32 paróquias constituídas e outras três estavam em formação. Naquela época o então Papa João Paulo II havia solicitado aos bispos responsáveis pelas dioceses mais próximas da Arquidiocese de São Paulo, que aconselhassem nomes para assumirem as quatro novas dioceses – Osasco, Santo Amaro, Campo Limpo e São Miguel Paulista. Entre os prelados ouvidos, estava o bispo de Mogi das Cruzes, Dom Emílio Pignoli. “Eu lembro que a minha sugestão era para que os bispos que já estavam à frente das regiões episcopais fossem confirmados em suas posições”, recorda Dom Emílio. A região que abrigaria a nova diocese tinha uma extensão de 1.560 km² abrangendo seis municípios: São Paulo, Taboão da Serra, Embu, Itapecerica da Serra, Juquitiba e Embu Guaçu. A maior parte da população estava concentrada na cidade de São Paulo com aproximadamente 900 mil habitantes. Em nível pastoral, a região estava dividida em quatro setores: Campo Limpo, Itapecerica da Serra, Capão Redondo e Morumbi. Bem estruturada, o Papa João Paulo II então, decidiu elevá-la a Diocese. “Voltando de um crisma em Salesópo-

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lis, cheguei na Cúria de Mogi e fui informado de que o núncio apostólico, Dom Carlo Furno, havia encaminhado uma carta. Quando abri, vi a surpresa”. Nesta carta estava a nomeação de Dom Emílio para a nova diocese. “Diante desta necessidade, o Santo Padre o Papa João Paulo II decidiu pedir a Vossa Excelência este serviço, nomeando-o Bispo Diocesano de Campo Limpo”. Dom Emílio lembra que ficou surpreso com a nomeação. “Eu estava bem em Mogi e não esperava a transferência para a nova diocese”. Dom Emílio passou a conhecer mais de perto o território. “Telefonei para Dom Fernando Penteado dizendo que gostaria de vir para Campo Limpo e conhecer a região. Fiquei aqui um dia e meio e participei no Insti-

tuto Paulo VI de uma reunião do clero. Esta foi a minha primeira reunião na Diocese”. A ata de instalação da Diocese de Campo Limpo e da posse canônica de seu primeiro Bispo Diocesano, diz que “aos quatro dias do mês de junho do ano de um mil novecentos e oitenta e nove do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Exmo. Sr. Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, em solene celebração realizada no Estádio de Esportes do Município de Taboão da Serra, pelas dezesseis horas, deu posse canônica ao 1º Bispo Diocesano da recém criada Diocese de Campo Limpo, ao Exmo. Sr. Dom Emílio Pignoli”. Muito trabalho passou a fazer parte do dia a dia da nova diocese. Para um dia de troca


de experiências e definir os primeiros passos que as recémdioceses dariam, aconteceu o 1º Encontro dos Bispos na Cúria Diocesana. Em 29 de junho de 1989 foi criada a primeira paróquia pela diocese: Maria Mãe dos Caminhantes em Itapecerica da Serra, tendo como seu primeiro pároco, padre Pedro Paganin Junior. Naquela época a região do Capão Redondo era considerada a mais violenta do mundo. Esse foi um dos grandes desafios enfrentados pela Igreja e uma das principais metas, era diminuir o índice de criminalidade. “Havia um grupo de extermínio chamado Pé de Pato porque eles marcavam suas vítimas com um sinal que lembrava um pé de pato e essa era uma das minhas maiores preocupações”, lembra Dom Emílio. Em julho de 1989 a diocese, através da Comissão dos Direitos Humanos, lançou uma carta aberta chamada “S.O.S. Campo Limpo” com o objetivo de chamar a atenção das autoridades para as necessidades da região denunciando, além dos altos níveis

de violência, a péssima situação do transporte público, das estradas, da saúde e da educação. O primeiro ano da Diocese de Campo Limpo foi marcado por várias atividades. Entre elas, o XI Congresso Nacional do Encontro de Casais com Cristo (ECC), realizado no Estádio do Morumbi, reunindo cerca de 140 mil pessoas. Em setembro de 1989 vários ônibus, lotados de operários, saíram da Diocese de Campo Limpo em direção ao Santuário Nacional de Aparecida onde participaram da 2ª Romaria dos Trabalhadores. Com o crescimento da Diocese de Campo Limpo e a necessidade de divulgar os trabalhos que estavam sendo realizados, o Boletim Informativo Vida e Missão passou a fazer parte do cotidiano dos diocesanos. A primeira edição em nível diocesano foi publicada em 8 de outubro de 1989 que continha, além das notícias, uma “folha de coleta de sugestões” com o objetivo de ouvir dos diocesanos, o que seria interessante entrar nos próximos números.

A Diocese de Campo Limpo organizou ainda, entre os dias 22 e 29 de outubro daquele ano, a 1ª Semana Diocesana da Família, em comunhão com as 40 dioceses do Estado de São Paulo. A coordenação da pastoral Familiar promoveu o Dia de Convivência dos Casais, na sede do Menor, anexa à Cúria Diocesana. Durante a semana, vários grupos familiares estudaram os subsídios que haviam sido elaborados pela Diocese. Continua na próxima edição.

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entretenimento

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Da Redação

SESC Campo Limpo

Narrativas Poéticas

Getúlio

Recém-inaugurada, a 13ª unidade do SESC Campo Limpo ocupa um terreno de mais de 20.000 metros quadrados ao lado do Shopping Campo Limpo. A programação de abertura acontecerá na parte externa do espaço contará com a presença do Rapper Crioulo, dos cantores Angela Maria e Cauby Peixoto, além de outras atrações totalmente gratuitas.

A exposição apresenta 58 obras de artistas como Di Cavalcanti, Cícero Dias e Aldo Bonadei, combinados com fragmentos de poesia relacionados com as peças. Frases de Mário de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Castro Alves, entre outros poetas conectam-se (nem sempre de maneira clara) com as obras, possibilitando diversas interpretações dos visitantes.

O filme retrata a vida de Getúlio Vargas nos seus últimos 19 anos. Nessa época, Getúlio vive pressionado pelo poder político, uma vez que fora acusado de ordenar o atentado contra Carlos Lacerda, ele então avalia os riscos existentes até tomar a decisão de se suicidar.

Mais informações: http://www.sescsp.org.br/

Onde: Museu da Língua Portuguesa Praça Da Luz, s/n - Bom Retiro

Rua Nossa Senhora do Bom Conselho, 120, Campo Limpo CEP: 05763-470

Quando: Até 20 de julho Terça a domingo, 10h às 18h. A bilheteria fecha às 17h. Quanto: R$ 6,00 Grátis aos sábados Mais informações: Tel.: (11) 3322 0080

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Lançamento: 01 de maio Produção: Carla Camurati Diretor: João Jardim Duração: 100 min. Gênero: Drama


Participe em sua Paróquia!

Imagem: Canção Nova

Corpus Christi


Você e sua família são nossos convidados para a missa diocesana em ação de graças pelos 25 anos de instalação da Diocese de Campo Limpo!

Dia 08 de junho às 15h

Catedral Sagrada Família Rua Campina Grande, 400

Revista Vida e Missão  

Ed. nº 209 - Maio e Junho de 2014

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