Page 1

S B

ão rás, a voz da evangelização

Diocese de Campo Limpo Ano XXVIII - Edição 207 Jan/Fev de 2014


Acompanhe a programação do Ano do Jubileu de Prata da Diocese de Campo Limpo: Seja um missionário da MPD (Missão Popular Diocesana) em sua Paróquia! Fevereiro e Março/2014:

Retiro Foranial (Vida Nova) para Formação da Equipe Paroquial de Missionários Capacitadores da MPD (10 por Paróquia), que será responsável por repassar a formação recebida aos Missionários que realizarão a MPD nas Paróquias.

Para participar da MPD e conhecer a programação própria de cada região, entre em contato com sua Paróquia e Forania. A programação também será divulgada em outros meios de comunicação de nossa Diocese: o jornal “Diocese em Ação”, o site www.diocesedecampolimpo.org.br e através do facebook: facebook.com/diocesedecampolimpo

Logotipo comemorativo do Ano do Jubileu de Prata da Diocese de Campo Limpo Conceito: desenvolvido a partir do texto bíblico utilizado como lema para o ano jubilar da Diocese: “Coragem, levanta-te e anda” (cf. Mc 10, 49 – 52). A árvore: a semente plantada (brasão da Diocese) cresceu e se transformou numa bela árvore. Os três galhos da árvore são o desenvolvimento das três folhas da semente que remetem às virtudes teologais: fé, esperança e caridade. O tronco da árvore remete ao caminho que conduz ao centro. Diz respeito ao percurso que cada pessoa é chamada a fazer ao longo da vida: “Coragem, levanta-te e anda”. O formato da árvore é composto de três círculos que fazem referência à Santíssima Trindade, em cuja vida somos introduzidos a partir do Batismo. As duas pegadas no início do tronco da árvore reforçam o convite a percorrer o caminho proposto por Jesus: “Coragem, levanta-te e anda”. É ainda uma árvore frutífera, carregada de 25 frutos, em referência aos 25 anos comemorados.


Editorial Olá! O ano de 2014 começa cheio de esperança e perspectivas. Queremos convidar você e sua família a refletir a Palavra de Deus e os ensinamentos de Jesus para que nos próximos meses possamos juntos fazer a diferença. Nesta edição meditaremos sobre São Brás, bispo e mártir, que morreu defendendo sua fé e seu amor em Deus e Jesus Cristo. Ele também é lembrado como “Padroeiro da Garganta”. Lembremonos que a voz é um dom de Deus e que através dela, devemos proclamar suas maravilhas, louvar e agradecer por tudo o que somos e temos. Nossa Diocese está em festa. Já estamos comemorando o ano do Jubileu de Prata de sua criação (1989-2014). A partir deste número dedicaremos uma seção especial para reviver sua caminhada e remontarmos sua história nos anos que antecederam sua criação. Usemos nossa voz, a exemplo de São Brás, para levarmos a Palavra de Deus aos irmãos e proclamar o Jubileu de Prata de nossa Diocese. Que Deus nos abençoe!

Índice Editorial.............................................................3 Índice..................................................................3 A renovação do Colégio Cardinalício...........4 Trium Puerorum...............................................6 Projeto construindo igrejas 2013 entrega prêmios aos ganhadores..................................7 Que caminho seguir?.......................................8 Por que tantas separações? ............................9 O que importa um “Ano Novo”?.................10 A transmissão da fé........................................12 Reflexão sobre o Dízimo e sua história.......13 São Brás, a voz da evangelização.................14 “Vem e segue-me”..........................................16 A concepção da Diocese de Campo Limpo...17 Dom Luiz ordena cinco novos diáconos.....20 Entretenimento...............................................22

Revista Vida de Missão

Conselho Editorial: Dom Luiz Antônio Guedes; Pe. Adilson Ulprist; Elizabeth A. P. Batista; Rosângela Benetão. Para esta edição editor e jornalista responsável: Luciano Antunes Batista (Mtb 031229/SP)

Diagramação e capa: Carlos Henrique Teixeira (Estagiário) Foto de capa: Carlos Henrique Teixeira / Produção: Vera Lúcia Carvalho Oliveira A Revista Vida e Missão é uma publicação da Diocese de Campo Limpo - SP. As matérias publicadas são de inteira responsabilidade de seus autores, não expressando necessariamente a linha editorial desta revista. Rua Lira Paulista, 30 - Jd. Bom Refúgio - São Paulo - SP CEP 05788-320 - (11) 3584-9014 vidaemissao@diocesedecampolimpo.org.br


Igreja em movimento

Foto: Divulgação

Luciano Batista

A renovação do Colégio Cardinalício

O

primeiro Consistório convocado pelo Papa Francisco tem como foco dois temas importantes para a Igreja: debater sobre a família, visando o Sínodo dos Bispos convocado para o período entre 5 e 19 de outubro quando haverá um amplo debate sobre os desafios pastorais da família no contexto da evangelização e criar novos cardeais, entre eles o Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta. Entre os dias 20 e 21 de fevereiro, o Papa Francisco estará reunido com todos os cardeais – com exceção dos que serão oficialmente criados no dia 22 – para refletirem sobre a realidade das famílias. O Consistório é a reunião dos cardeais, com a finalidade de auxiliar o Papa na tomada de decisões. Esse encontro pode ser Or-

dinário – quando reúne apenas os cardeais presentes em Roma – e Extraordinário – quando são convocados todos os cardeais. Esse será, portanto, Extraordinário. O anúncio desse Consistório aconteceu em 12 de janeiro, na Praça de São Pedro. O Papa Francisco informou a criação de 19 cardeais. Além do Brasil, Itália, Alemanha, Reino Unido, Nicarágua, Canadá, Costa do Marfim, Argentina, Coréia do Sul, Chile, Burkina Faso, Filipinas, Haiti, Espanha e Santa Lúcia, também foram contemplados. Desse grupo, 16 tem menos de 80 anos e terão direito a voto num possível Conclave e os demais irão compor o Colégio Cardinalício, mas sem direito a voto.

Assim, o Colégio passa a contar com 237 cardeais sendo que 122 têm direito ao voto. Os cardeais são considerados os “príncipes” da Igreja Católica. Comparado ao mundo leigo, eles são os “senadores” do Vaticano. Alguns chegam a assumir cargos na Cúria Romana para auxiliar na administração da Igreja, como por exemplo, Dom João Braz de Aviz, ex-arcebispo de Brasília, atualmente prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. O Consistório para a criação de novos cardeais segue o rito introduzido por ocasião do Consistório de 28 de junho de 1991 e prevê os seguintes momentos:

Foto: L’Osservatore Romano

4


Foto: Arquidiocese do Rio de Janeiro

Saudação litúrgica onde o Papa lê a fórmula de criação e proclama solenemente o nome dos novos cardeais. O primeiro deles se dirige ao Santo Padre em nome de todos. Segue a Liturgia da Palavra, a homilia do Papa, a Profissão de Fé e o juramento. Cada novo cardeal se aproxima do Santo Padre e se ajoelha diante dele para receber o barrete cardinalício e a atribuição do título. O Papa coloca o barrete sobre a cabeça do novo cardeal e proclama as seguintes palavras: “Este barrete vermelho é sinal da dignidade do oficio de cardeal e significa que está preparado para atuar como fortaleza, ao ponto de derramar o seu sangue pelo crescimento da fé cristã, pela paz e harmonia entre o povo de Deus, pela liberdade e a extensão da Santa Igreja Católica Apostólica Romana”. O Santo Padre concede a cada novo cardeal uma igreja de Roma, como sinal de sua participação no cuidado pastoral do Papa pela cidade. Em seguida entrega a Bula de Criação de Cardeais e troca o “Beijo da Paz” com os novos membros do Colégio Cardinalício. Dom Orani João Tempesta

será o 21º cardeal brasileiro. Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, também arcebispo do Rio de Janeiro, foi primeiro a ser criado no Consistório de 1905 pelo Papa Pio X. O Arcebispo do Rio de Janeiro passará a integrar o grupo de seis cardeais brasileiros com direito a voto em um eventual conclave. Ao lado dele estão: Dom Claudio Hummes, Arcebispo emérito de São Paulo; Dom Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida; Dom João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica; Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo. Natural de São José do Rio Preto (SP), Dom Orani tem 63 anos. Ingressou na Ordem Cisterciense no Mosteiro de Nossa Senhora de São Bernardo em 20 de janeiro de 1968. Realizou seus estudos em São Paulo na Faculdade de Filosofia no Mosteiro de São Bento entre os anos de 1969 e 1970. Sua ordenação presbiteral foi em 7 de dezembro de 1974 pelas mãos de Dom Tomás Vaque-

Dom Orani João Tempesta

ro, na igreja matriz de São Roque. Em 26 de fevereiro de 1997 foi nomeado Bispo pelo Papa João Paulo II para assumir a Diocese de São José do Rio Preto. Em 13 de outubro de 2004 foi nomeado Arcebispo de Belém (PA) recebendo das mãos do Papa Bento XVI o pálio de Arcebispo Metropolitano. Em 27 de fevereiro de 2009 foi nomeado para a Arquidiocese do Rio de Janeiro sendo anfitrião do Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude em 2013. Especialista em comunicação foi presidente da Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação da CNBB além de ter participado da Conferência de Aparecida como membro delegado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

5


espiritualidade

Pe. Carlos Eduardo Olivieri Prelazia do Opus Dei

Representação do Trium Puerorum (Três Jovens) Foto: Divulgação

Trium Puerorum

D

esde a antiguidade, a Igreja utiliza o Cântico dos Três Jovens (Trium Puerorum) como hino de ação de graças depois da Missa, para fomentar a piedade dos fiéis1. Narra o Livro de Daniel2 que, quando os três jovens judeus, Ananias, Azarias e Misael, foram condenados a morrer num forno ardente por se terem negado a adorar a estátua de ouro erigida pelo rei Nabucodonosor, oraram ao Deus e cantaram esse hino que soa “como uma chamada dirigida às criaturas para que proclamem a glória de Deus Criador”3. Assim começa o hino: Obras do Senhor, bendizei todas o Senhor; louvai-o e exaltai-o por todos os séculos. Os anjos do céu iniciam o louvor. Depois, os céus e todos os corpos celestes, o sol e a lua, as estrelas, as chuvas, os ventos, o fogo e o calor, os orvalhos e as geadas, os gelos e os frios, as neves, as noites e os dias, a luz e as trevas, os relâmpagos e as nuvens são convidados a louvar a Deus. A mesma exortação é dirigida à terra, com os seus montes e outeiros; às suas fontes, aos seus mares e rios, aos cetáceos e peixes e a tudo o que se move nas águas; às aves do céu, aos rebanhos e aos animais selvagens. 1 Carvajal, Francisco F., Falar cm Deus, Ed. Quadrante, SP, vol. 5, n. 95. 2 Dan 3, 68 e segs. 3 João Paulo II, Audiência geral, 12.03.86.

6

O homem, rei da criação, aparece em último lugar, e nesta ordem: todos os homens em geral, o povo de Israel, os sacerdotes, os ministros do Senhor, o povo judeu, os justos, os santos e humildes de coração. Por último, os próprios três jovens judeus são chamados a cantar os louvores ao Criador. Para a ação de graças depois da Santa Missa, acrescentou-se a este cântico o Salmo 150, em que também se convocam todos os seres vivos para que bendigam o Senhor. Laudate Dominum in sanctis eius... Louvai o Senhor no seu santuário, louvaio no seu augusto firmamento. Louvai-o pelas suas obras grandiosas, louvai-o pela sua excelsa majestade. Louvai-o com timbales e com danças, com instrumentos de corda e com o órgão, com címbalos... Tudo o que respira louve o Senhor. A nossa vida cristã deve ser toda ela um vibrante cântico de louvor, cheio de adoração, ação de graças e entrega amorosa. Por isso, na ação de graças após a Comunhão, enquanto temos o Senhor do Céu e da terra no nosso coração, unimo-nos a todo o universo no seu pregão de agradecimento ao Criador4. Fica aqui, então, a sugestão deste costume para o momento daqueles dez minutos de ação de graças que somos estimulados a fazer, na medida do possível permanecendo na igreja, depois da Santa Missa. 4 Cf. Carvajal, Francisco F., Falar cm Deus, Ed. Quadrante, SP, vol. 5, n. 95.


Rosangela Benetão

Foto: Carlos Henrique

Projeto construindo igrejas 2013 entrega prêmios aos ganhadores

gerando comunhão

O

s vencedores do projeto “Construindo Igrejas 2013” da Diocese de Campo Limpo estiveram na Mitra Diocesana para retirarem os prêmios. A campanha tem como objetivo arrecadar fundos para que as paróquias possam realizar seus projetos e investir em reformas. É um projeto que ajuda em muito o desenvolvimento das paróquias da nossa diocese. Cada bilhete é vendido a R$ 5,00 e desse valor, R$ 4,50 vão para a paróquia e R$ 0,50 para a diocese para fazer frente aos prêmios que são distribuídos.

A Administração Diocesana prepara e organiza o projeto. A paróquia vende os números sem se preocupar com a impressão, prêmios e controle. Através deste projeto as paróquias ganham a oportunidade de envolver seus paroquianos em projetos que necessitem de ajuda extra como reformas, aquisições e outras necessidades que possam ter. Segue abaixo os ganhadores do projeto “Construindo Igreja 2013”, sorteados pelas extrações de números 04822 da loteria federal de 11 de dezembro de 2013 e 04824 de 18 de dezembro de 2013.

1º 2º 3º 4º 5º

Prêmio Prêmio Prêmio Prêmio Prêmio

nº 68.887 1 Gol 1.0 G4 nº 87.209 TV Led 40” nº44. 878 Notebook nº 72.504 Tablet nº06. 291 Smartphone

Número não vendido Santuário Santa Terezinha Paróquia São Mateus Paróquia Nossa Senhora do Paraíso Paróquia Santa Suzana

1º 2º 3º 4º 5º

Prêmio Prêmio Prêmio Prêmio Prêmio

nº 49.656 1 Gol 1.0 G4 nº 79.659 TV Led 40” nº49. 253 Notebook nº 21.010 Tablet nº39. 156 Smartphone

Paróquia Maria Mãe da Igreja Paróquia Nossa Senhora do Rosário Santuário Santa Terezinha Santuário São José Operário Santuário São José Operário

Agradecemos em nome da Administração Diocesana toda a atenção e colaboração de todos que participaram deste projeto que já beneficiou tantas paróquias e muitos paroquianos. 7


vocacional

Foto: Divulgação

Pe. Jefferson Sampaio Vice-Reitor Sem. N. Sra. Aparecida

F

Que caminho seguir?

requentemente nos deparamos com situações em nossa vida que exigem que façamos uma escolha. E isso não é nada fácil, pois uma escolha implica sempre em abrir mão de uma coisa que talvez nunca mais tenhamos a chance de um dia viver ou realizar. A indecisão se torna angustiante, porque nem sempre estamos dispostos a sair de cena e deixar livre um dos caminhos. Ao contrário, geralmente ficamos paralisados diante do cruzamento à espera de um milagre que finalmente nos tire dessa “encruzilhada”. Muitas vezes a solução se apresenta de forma inesperada através de eventos indesejados: acidentes, doenças, mudanças de casa e de trabalho e, até mesmo, decepções. Tais acontecimentos funcionam como impulsos que nos lançam adiante de modo compulsório, ajudando-nos a resolver de uma vez por todas o conflito, conduzindo-nos para um dos lados pela força do nosso inconsciente. Por outro lado, há momentos em que conseguimos analisar todos os ângulos dos caminhos e optamos de forma consciente por um deles. Quando realizamos uma escolha é preciso lembrar que não estamos simplesmente escolhendo uma coisa ou outra, mas que decidimos por uma parte de nós mesmos. Em outras palavras, não optamos por algo, pessoa, lugar ou ocasião específica, mas sim por uma parte de nosso Eu que deseja se expressar naquele momento. Então, toda vez que tal pergunta surgir na sua cabeça “Qual caminho devo seguir?”, simplesmente pare por alguns instantes, dias ou mesmo meses e vá para dentro do seu coração buscar a resposta. Avalie todas as facetas da situação, analisando os prós e os contras, bem como as devidas consequên-

8

cias que cada escolha poderá trazer. Qualquer um dos lados por que você se decidir implicará em renúncias, responsabilidades, direitos e realizações. Pergunte a si mesmo: “Que preço estou disposto a pagar para ser feliz?”, “Que tipo de experiência desejo passar agora?” e, principalmente, “De que estou precisando para que me possa  tornar um Ser mais pleno e completo?”. A decisão deve ser baseada naquilo que atende  sua vida interior e não às exigências sociais que nada têm a ver com você.  “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”, já dizia o poeta Fernando Pessoa. Todo caminho é bom e contém dentro de si a semente da felicidade e de um grande aprendizado. Consulte o seu coração para saber o que ele sente, o que ele deseja.


fé em questão Pe. Odair Eustáquio

Par. Maria Mãe dos Caminhantes

Por que tantas separações?

N

o momento do casamento, tudo é festa, emoção e alegria, mas o que acontece com muitos casais alguns anos depois da grande festa do casamento? A resposta, infelizmente é: a separação. Tratase de uma questão discutida na preparação de noivos, nos Encontro de Casais com Cristo e na Pastoral Familiar em geral. O assunto também é debatido nas novelas, programas de TV e em livros e rodinhas de conversas do dia-a-dia. Apesar de muito se falar a questão permanece: Por que tantas separações? Algumas respostas são conhecidas: - Falta fé e temor a Deus; - Falta maturidade nos casais; - Falta diálogo, compreensão, amor e respeito; - Muitos são egoístas; - Alguns são incapazes de serem fiéis; - Outros não teem mesmo vocação para o Matrimônio;  A lista poderia ser mais longa! De qualquer forma, cada uma das respostas tem em si uma parcela de verdade. Mas recentemente, tive oportunidade de conhecer o trabalho de um homem de Deus, psicólogo americano com uma longa experiência na orientação de casais.  Refiro-me ao Sr. Gary Chapman. Confesso que seus livros e trabalhos me impressionaram muito e de forma positiva. Vou me restringir nesse artigo a comentar o seu principal livro: As cinco linguagens do amor. No referido livro, o autor, além de partilhar muitas experiências adquiridas no consultório, faz uma excelente orientação sobre o amor, a paixão e muitos aspectos envolvidos num casamento. Contudo, sua tese principal é: Cada ser humano possui uma das cinco linguagens de amor que seguem: tempo de qualidade, atos de serviço, palavras de afirmação, presentes ou toque físico. São cinco, mas cada pes-

soa possui uma das cinco como sendo a sua linguagem de amor. Quando essa linguagem não é preenchida pelo outro, existe uma grande possibilidade de separação. Naturalmente, o autor faz uma orientação de cunho psicológico, porém, se avaliamos mais profundamente, percebemos que existe uma conotação bíblica considerável em cada linguagem de amor. Exemplo: atos de serviço. Trata-se de um conselho evangélico que Jesus valorizou e ensinou: “eu não vim para ser servido, mas para servir”; “aquele que quiser ser o maior, seja o servo de todos”. Nada mais evangélico! Quando uma marido não é capaz de servir e a linguagem de amor, isto é, aquilo que deixa a esposa feliz é exatamente atos de serviço, dificilmente o marido conseguirá realizar plenamente a esposa e o casamento correrá muitos riscos.  Com humildade e abertura ao diferente, poderemos usufruir dessa contribuição para podermos encontrar respostas mais satisfatórias sobre o por que de tantas separações. Me coloco à disposição para ajudar nesse trabalho!  9


atualidade

Pe. Alfredo C. Veiga

Par. Santo Antônio do Caxingui

O que importa um “Ano Novo”? E

ntrei em disparada para dentro de um bar, único refúgio à mão contra uma chuva forte e uma ventania de arrastar caminhão. O clima lá dentro ainda era de ano novo. Parecia até que as pessoas faziam uma espécie de suspensão do tempo, como se tudo aquilo que os fizera sofrer já não importasse mais, e olha que a distância entre um ano e outro estava a menos de 72 horas! Fiquei ali, a ouvir e a refletir, que espécie de magia envolve o tempo que faz as gentes esquecerem da sua tirania e das mágoas que nos envolvem. Seria realmente o tempo o grande mago com força de criar feridas e também de nos ajudar a esquecê-las? Afinal, por que as pessoas gostam de dizer adeus ao ano que 10

passou, como se ele fosse um ser vivo, uma entidade corpórea com personalidade própria ao ponto de lhe darem uma ordem: “Vai embora, 2013, que já vai tarde!”. Concluí, para mim mesmo, que não é o tempo que diferencia nosso estado de ânimo, mas a esperança. Os gregos acreditavam que a esperança era guardada dentro de uma caixa chamada Pandora (traduzida como “o dom dos deuses”) e, aquilo que traduzimos como esperança, para eles, o presente contido na caixa era a “antecipação”. As taças levantadas na noite de Réveillon, antecipam uma felicidade que não se sabe se virá, mas se espera que virá. O tempo, portanto, conserva, em si mesmo, uma dupla

perspectiva: antecipar momentos felizes ou mostrar uma realidade que não tem nada de feliz: a realidade dos sonhos frustrados, das separações e do abandono, da insegurança financeira, etc. Pode-se afirmar, assim, que a comemoração de um novo ano não passa de uma esperança de que tudo seja diferente, como se os objetos tivessem o poder de transformar nossas vidas. O tempo pode ser tudo, menos milagreiro, e se imaginamos assim, é porque tememos abrir a caixa da nossa realidade e ver que não é o ano que é ruim ou bom. O tempo é apenas uma maneira que descobrimos para medir a nossa história e organizar as coisas, cada uma em seu lugar. O lado bom do tempo é que


ele é simbólico, e o símbolo serve para uma porção de coisas, como o de ajudar a esquecer tudo o que nos tornou mais duros e menos suaves ou menos proativos e mais egoístas. Em uma palavra: o tempo não cura, a menos que o deixemos nos “dizer” certas coisas que ele nos precisa falar. Passados três anos da morte do meu pai, assisti ao casamento de minha mãe aos 82 anos. Ela, literalmente enganou o tempo não permitindo que ele zombasse dela e lhe convencesse que seu “tempo” se esgotou. Assim, quando começamos de novo, quando insistimos e persistimos em deixar a vida fluir em nós, quando temos a coragem de iniciar um processo não importando quão tardia seja a nossa jor-

nada neste planeta, podemos então fazer um brinde ao ano novo. Do contrário, o dia seguinte ao 31 de dezembro não passará um mero dia atrás do outro.

11


catequese

Luciano Batista

da fé A transmissão

A

catequese nos foi dada pela Igreja para que discípulos sejam feitos, a fim de ajudar os homens a crer em Jesus Cristo e pela fé, possam ter vida em seu nome, e para educar e instruí-los nesta vida, e assim edificar o Corpo de Cristo. No sentido mais específico, a catequese pode ser vista como a educação na fé de crianças, jovens e adultos, que inclui especialmente o ensino da doutrina cristã, em geral de maneira orgânica e sistemática, para apresentá-los a plenitude da vida cristã. A catequese é construída sobre uma série de elementos da missão pastoral da Igreja, que tem um aspecto catequético como o primeiro anúncio do Evangelho ou a pregação missionária para despertar a fé e a experiência da vida cristã: celebrar os sacramentos, a integração na comunidade eclesial e o testemunho apostólico e missionário. A catequese está intimamente ligada à vida da Igreja. Ela não está somente conectada à extensão geográfica, mas também ao crescimento interior e ao plano de Deus que depende da catequese. Os períodos de renovação da Igreja também são momentos intensos de catequese. Assim, na época dos “grandes padres da Igreja”, encontramos bispos que consagraram uma parte importante de seu

12

ministério à catequese. É o tempo de São Cirilo de Jerusalém, São João Crisóstomo e Santo Agostinho. A catequese extrai uma grande energia dos Concílios realizados pela Igreja. O Concílio de Trento é um exemplo. Foi dada prioridade à catequese em suas constituições e decretos, nascendo assim, o Catecismo Romano. No dinamismo do Concílio Vaticano II, idealizado pelo Papa Paulo VI – tido como o grande catequista dos tempos modernos – a catequese da Igreja chamou novamente a atenção. O “Diretório Geral Catequético” de 1971; as sessões do Sínodo dos Bispos dedicado à evangelização (1974); e à catequese (1977); as exortações apostólicas “Evangelii nuntiandi” (1975) e “Catechesi tradendae” (1979), atestam isso. A sessão especial do Sínodo dos Bispos, em 1985, pediu um catecismo ou compêndio de toda a doutrina católica sobre a fé e a moral. O Papa João Paulo II, aprovando este desejo emitido pelo Sínodo dos Bispos, reconheceu que “responde plenamente a uma verdadeira necessidade da Igreja universal e das Igrejas particulares”. Tudo o que foi ordenado pelo Pontífice foi prontamente atendido pelos padres sinodais dando uma nova face para o catecismo da Igreja, o qual foi amplamente meditado durante o Ano da Fé.


dízimo

Reflexão sobre o Dízimo e sua história

I

niciamos o ano e nossos trabalhos enquanto evangelização, mostrando os fundamentos do sistema de Dízimo, os motivos que o homem sente para assim fazer, sua atitude pode ser de amor ou de temor, para um intercambio com a divindade com gestos para exprimir seu desejo , com respeito, adoração, oração, louvor e o de oferecer algum bem (valor) material. É sempre importante lembrar que os bispos do Brasil, por ocasião da X Assembleia Geral em l969, votou que se fizesse um estudo teológico e científico sobre o dízimo, a ser aplicado sistematicamente e sugestões para a adoção do Dízimo no Brasil. Durante a XI Assembleia Geral, em maio de l970, implantou-se o Dízimo em âmbito nacional. O período de 1971/72 foi marcado pela elaboração de subsídios . No biênio 1973/74 as regionais movimentaram-se no sentido da implantação do sistema. O Dízimo foi aceito em nível diocesano, com a conscientização e implantação em paróquias e comunidades. As decisões finais da XIV Assembleia foram redigidas em seis pontos que atendem a diversidade de situações e é colocado como meta a ser atingida por todas as igrejas no Brasil. 1. Implantação do Dízimo como sistema de contribuição sistemática e periódica que substitua o sistema de taxas. 2. Trabalho de conscientização do povo e dos agentes de pastoral com organização ao nível diocesano, paroquial e de base. 3. Dentro de um mesmo regional, devem prestar mútua ajuda, fazendo circular as experiências. 4. Os regionais cuidem da elaboração de subsídios. 5. Os organismos nacionais prestem aos regionais a devida assessoria. 6. Cada igreja determinará a data da implantação do sistema. O sistema do Dízimo vem ao longo dos anos sendo concretamente realizado como um dever

Enicéa Carvalho e José Luciano Micácio Coord. da Pastoral do Dízimo

pastoral, com intenso trabalho de conscientização e uma progressiva organização do sistema. Jesus denunciava o exagero dos doutores da Lei, no Novo Testamento, que estendia o recolhimento do Dízimo até às especiarias. Postula a observância da misericórdia, da justiça ou do amor. Para os dias de hoje, a manutenção das comunidades e seus serviços, reduz- se a: 1- O sistema de doações espontâneas como expressão da disponibilidade religiosa do homem e do espírito de sacrifício. 2- O sistema do Dízimo. 3- O sistema da côngrua , isto é, subvenção dos padres e do culto. 4- O sistema de taxas, aos serviços religiosos. Enquanto sistema de contribuição, busca-se no Dízimo que seja - mensal - de compromisso com a comunidade - de acordo com a consciência de cada um A palavra Dízimo tem uma ressonância bíblica na consciência cristã. O que leva o sistema do Dízimo para ser pastoral é a profunda formação de consciência, sem sua liberdade constrangida, com sua contribuição dignificada dentro de uma dimensão religiosa. O Dízimo é concebido como vivencia de fé em comunidade, sinal da doação livre e responsável diante de Deus. 13


capa

Pe Cesar Silva Rossi Vig. da Par. São Judas Tadeu

S B

ão rás, a voz da evangelização

Foto: Divulgação

E

14

sse santo tão popular, invocado em seu dia, 03 de fevereiro, para a bênção das gargantas, foi bispo e médico, ou seja, trabalhava na saúde do corpo e da alma. Brás era bispo de Sebaste na Armênia, no século III da nossa era cristã. Brás dedicou seu ministério pastoral na pregação do Evangelho curando as almas e com sua caridade se empenhou na saúde dos corpos. É importante recordar que esse santo bispo intercedeu a Deus vários pedidos de fiéis para a cura de doenças corporais. Certamente a cura mais famosa que Deus operou através de São Brás, foi a de um menino que estava para morrer sufocado. A mãe o trouxe até São Brás afirmando que ele havia comido peixe e se engasgado. Já com dificuldade para respirar e com tudo sendo feito para salvar sua vida sem sucesso, São Brás acende das velas e pede o auxílio de Deus, dando a bênção na garganta do menino. Milagrosamente o menino se livra da espinha e tem sua vida salva. Outro aspecto interessante da vida desse santo era o seu

relacionamento com animais selvagens, com os quais ele se comunicava. Quando estavam na presença de São Brás, eles se tornavam extremamente dóceis e assim não o feriam. Conta-se que uma vez uma mulher foi até esse ele para pedir um favor. O porco dessa mulher fora roubado por um lobo e ela o queria de volta. São Brás vai até o lobo, pede para que devolva o porco e é atendido pelo selvagem animal. Esse relacionamento também lhe deu o título de Patrono dos animais selvagens. No tempo desse glorioso Santo, a Igreja vive momentos de paz já que estava sendo duramente perseguida pelo Império Romano. Constantino promulgou um decreto concedendo liberdade de culto a todo império. Daí por diante a Igreja pôde edificar templos, pregar o Evangelho, realizar seu trabalho livremente e não ser mais pressionada pelas forças do governo. Contudo, o imperador Licínio – que governava parte oriental do Império Romano – começou a se desentender com Constantino – que era seu cunhado – e viu


Foto: Paróquia São José do Jaguaré

nos cristãos verdadeiros inimigos passando a persegui-los e os obrigando a voltar a adorar ídolos. Para fugir das perseguições, São Brás, junto com um grupo de amigos e animais selvagens, se refugiou numa caverna. Porém, um agricultor da região o denunciou às forças do governo, e vários soldados foram enviados para prender o bispo. Brás uma vez capturado foi levado às autoridades permaneceu fiel a seu Deus, o único Senhor Jesus Cristo, e assim se negou a adorar qualquer ídolo, sendo condenado à morte. Os soldados tentaram afogar o santo e não conseguiram. Depois, com ferros quentes foram furando seu corpo e nem assim morreu ele morreu. Por fim ele foi decapitado, entregando sua vida ao seu Amado Jesus e descansando de seus trabalhos de médico e Pastor. Com São Brás, aprendemos a importância do cuidado aos enfermos, a harmonia com a natureza e sermos fiéis a Jesus até o fim. Com a bênção das gargantas, também refletimos sobre o valor da voz. Ainda que existam diversos meios de comunicação, a voz é a

mais importante. O seu uso é tão necessário nos nossos relacionamentos porque nos permite expressar sentimentos e pensamentos. Certamente o uso mais nobre da nossa voz é para louvar a Deus. As Sagradas Escrituras nos dizem: “Povos, aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres.” Sl 46, 2. 9. “Portanto, se com tua boca confessares que Jesus é o Senhor, e se em teu coração creres que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. É crendo de coração que se obtém a justiça, e é professando com palavras que se chega à Salvação.” Rm 10, 9-10. E se usamos a nossa voz para falar com Deus, também devemos usá-la para falar de Deus aos outros. É ordem de Jesus à Sua Igreja: “Ide e pregai o Evangelho a toda criatura.” Mc 16, 16. São Brás morreu pela causa do Evangelho, deu a vida pela Palavra de Deus que é Cristo, morreu como fiel testemunha, louvando e falando de Deus do começo ao fim. Com sua morte tentaram calar-lhe a voz, mas, o seu sangue, o seu amor apaixonado pelo Evangelho nos comunica Deus até hoje.

Vale lembrar as palavras do Papa Francisco: “A vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros. Isto é, definitivamente, a missão. Consequentemente, um evangelizador não deveria ter constantemente uma cara de velório. Recuperemos e aumentemos o fervor de espírito, a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas! E que o mundo do nosso tempo, que procura ora na angústia ora com esperança, possa receber a Boa Nova dos lábios, não de evangelizadores tristes e descoroçoados, impacientes ou ansiosos, mas sim de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram quem recebeu primeiro em si a alegria de Cristo.” Evangelii Gaudium, 10 Ajude-nos a intercessão da Virgem Maria, nossa Mãe, Estrela da Nova Evangelização, e do glorioso São Brás, grande evangelizador que a bênção das gargantas que recebemos nos ajude a termos sempre uma boa voz para aclamar a Deus com voz alegre, e com nosso entusiasmo falar do Evangelho aos nossos irmãos. 15


juventude

Pe. Rodolfo Camarotta

“Vem e segue-me”

O

sentimento no início de um novo ano é o de colocar em prática novos projetos, desenvolver novos ideais de vida e de caminhada e dar andamento a aquilo que pensamos ser importante para nós e que queremos que permaneça conosco. Nestes dias ouvi algo interessante em um encontro que estive. Algo que é na verdade muito simples, mas que nem sempre se torna uma realidade vista no meio de nós. Independente do que formos fazer, qual seja a nossa vocação, nossa idade, ou o caminho a seguir, deveremos ter o mesmo estilo de vida de Jesus. É o tempo de ousar para crescer. Isso é próprio da juventude. O jovem deve ser ousado. Ainda que tenha que consertar algo de errado, ou um fracasso conseguido, não pode se prender ao medo de tentar, mas deve se lançar para a chance de uma nova oportunidade. Claro que tudo isso, vivido de maneira inconsequente, pode ser perigoso! Para que isso seja evitado, a coragem que deve nos acompanhar é mesma coragem de Jesus. Abandonar o comodismo, a preguiça e aquilo que nos impediu de crescer. Uma nova vida em Cristo, para alcançar novas conquistas e poder oferecer novos frutos. Agir com a mesma cria-

16

tividade e empenho daquele que nos ensinou o caminho da verdadeira felicidade. Ao longo do ano teremos que ampliar nossas relações e nosso empenho com aqueles que nos forem confiados. Precisamos estar ligados, num gesto de fraterna comunhão, assim como fez Jesus. Viver a Juventude e a novidade dos dias, de maneira que nos tornemos o reflexo perfeito da comunidade jovem, profética e ardorosa que o Mestre nos pede que sejamos. O jovem – assim como todo o cristão – é convidado por Jesus a ser discípulo. O convite é pessoal: “Vem e segue-me”(Lc 18,22). Ele sempre chama os seus pelo nome. O entusiasmo provocado pelo convite é revelado por Santo André que corre em busca do seu irmão Simão e lhe anuncia jubiloso: “Encontramos o Messias” (Jo 1,41). O seguimento e o testemunho até dar a vida são, pois, aspectos essenciais

da resposta do discípulo. O relacionamento entre o Mestre e o discípulo significa uma vinculação pessoal com ele: “Vós sois meus amigos” (Jo 15,14). (cf. n.55 Doc 85 CNBB Evangelização da Juventude) Jovens, neste novo ano nos lancemos com a mesma ousadia de Cristo. Sejamos corajosos! Devemos nos libertar da desilusão e dos falsos amores e senhores, que muitas vezes nos roubaram do encontro pessoal e profundo com o Salvador. É preciso renovar e aprofundar a cada dia, o desejo de seguimento e testemunho. Assim poderemos aprofundar nossas relações, buscando aqueles que não conhecem ainda essa grande mensagem de Amor.

“Viver a Juventude e a novidade dos dias, de maneir a que nos tornemos o reflexo perfeito da comunidade jovem, profética e ardorosa que o Mestre nos pede que sejamos.”


especial

A concepção da Diocese de Campo Limpo

O

ano é 1979. Naquele ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou como sendo o “Ano Internacional da Criança” e o “Ano Internacional de Solidariedade com o Povo da Namíbia (África)”. Aqui no Brasil, o 30º presidente da República toma posse em 15 de março. O general João Batista de Oliveira Figueiredo assume o lugar do também oficial do Exército, Ernesto Geisel. Estávamos em plena ditadura militar que em agosto começaria a se desfazer com a sanção da Lei da Anistia. Logo em seguida, em 30 de novembro, uma grande manifestação popular contra o mesmo regime militar ocorrida no centro da cidade de Florianópolis – SC, ganhou o nome de “Novembrada”. Com o governo militar o país foi classificado com características de uma “Belindia”, em referência à sua enorme desigualdade social

onde uma minoria da população vivia com padrões semelhantes aos da Bélgica e a grande maioria com padrões da Índia. Esse capítulo da recente história do Brasil também teve momentos importantes em São Paulo e a Igreja foi a responsável por grandes mudanças. Nessa fase vivia-se sob a forte influência da Teologia da Libertação e da opção pelos pobres. Mas a Igreja começa a passar por uma renovação e se distancia do poder político, tendo no Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, então arcebispo metropolitano da capital paulista, sua grande participação nesse processo de transição entre o regime militar e democrático.

Luciano Antunes Batista

Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Emílio Pignoli

17


Dom Fernando José Penteado

Com 58 anos na época, Dom Paulo já estava à frente da Arquidiocese há nove anos. Durante esse período criou a Comissão de Justiça e Paz, incentivou a Pastoral da Moradia e a Pastoral Operária. Porém, no meio desse turbilhão, o arcebispo renovou o plano pastoral da Arquidiocese, criando novas regiões episcopais e condições para a entreajuda do projeto “Igrejas-Irmãs”. Segundo Monsenhor Luís Carlos Parede, vigário episcopal da Região Episcopal 3 da Diocese de Campo Limpo, a capital paulista estava crescendo muito para as regiões periféricas e Dom Paulo tomou uma decisão. “Santo Amaro e Campo Limpo era uma coisa só, então a responsabilidade era muito grande com um território imenso para um único bispo e Dom Paulo apresentou o então padre Fernando Penteado para ser sagrado bispo auxiliar e assumir a nova região episcopal de Itapecerica da Serra”. 18

Na visão do cardeal de São Paulo, desmembrar o território da Arquidiocese seria a melhor coisa a se fazer para atender com mais zelo o povo de Deus que aumentava consideravelmente. “A proposta de Dom Paulo era de que os bispos auxiliares mantivessem mais unidade como o cardeal de São Paulo, mas é claro que na criação de uma diocese essa situação não é tão possível porque é preciso ter um bispo que vai coordenar pastoralmente tudo aquilo”, explica monsenhor Parede. Em 1979, no entanto, o cardeal Arns queria apenas dividir a Arquidiocese em regiões episcopais, mas não imaginava que anos mais tarde, elas se tornariam dioceses. Atualmente na Arquidiocese de São Paulo existem seis regiões: Belém, Brasilândia, Ipiranga, Lapa, Santana e Sé. Naquela época as regiões ficaram sendo: Santo Amaro, Itapecerica da Serra – rebatizada anos mais tarde como Campo Limpo – Osasco e São Miguel Paulista. “Dom Fernando chegou trazendo muito dinamismo e consolidou a Casa de Formação, as Comunidades Eclesiais de Base e isso trouxe a maior participação do povo na caminhada da construção da nova Igreja e nós, padres, éramos formados para estarmos a serviço do povo e Dom Fernando consolidou bem tudo isso naquela parte da cidade que recebeu muita força no sentido de animar o povo de Deus”, lembra Monsenhor Parede.

A recém-implantada região episcopal Itapecerica da Serra foi testemunha ocular de um dos episódios mais dramáticos e marcantes do período militar. Ainda na década de 60, a Igreja começava a discutir os ensinamentos do Papa João XXIII e uma nova maneira de organizar o leigo dentro de sua estrutura. Na verdade, esses foram os primeiros passos para a formação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) – a mesma defendida pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Na região episcopal Itapecerica da Serra residia um jovem de 37 anos que desde a adolescência participava de atividades religiosas em sua terra natal, entre elas, a Legião de Maria. Santo Dias da Silva, como católico praticante, era membro ativo das CEBs e dos movimentos de bairro que surgiram das ações promovidas pelas comunidades como as lutas pelo transporte público, escolas e melhorias nas vilas de trabalhadores. O ano de 1979 foi marcado pelos grandes movi-

Santo Dias da Silva


Dom Luiz Antônio Guedes

mentos grevistas e Santo Dias era um líder, principalmente no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, já que ele era operário e tinha atuado em empresas como a Metal Leve e Alfa Fogões. Em 28 de outubro começa uma nova grande paralisação e todas as subsedes do sindicato são abertas para abrigar os comandos de greve. Em pleno regime militar, a polícia não mede esforços e prende mais de 130 pessoas. Mas no dia 30 de outubro o conflito entre PM e grevistas chega ao ápice. Santo Dias sai da Capela do Socorro para engrossar o movimento em frente à fábrica de lâmpadas Sylvania. Viaturas da polícia chegaram para dispersar o movimento e Santo Dias tenta conversar com os policiais e recebeu em troca, um tiro nas costas, disparado pelo soldado Herculando Leonel.

Monsenhor Parede afirma que esse fato marcou muito os primeiros meses da nova região episcopal Itapecerica e lembra que “havia por parte da Igreja, um trabalho de conscientização do povo e graças a Deus e a Dom Paulo Evaristo fizemos muito para evitar a consolidação daquela ditadura que tínhamos no Brasil e foi no auge da luta pela democracia que a Igreja, aqui em São Paulo, tinha nas regiões episcopais, sobretudo na nossa, gente muito forte na conscientização do povo”. Na década em que era de região episcopal – compreendido entre os anos de 1979 e 1989 – se construiu muita coisa. “Nós tínhamos um seminário e uma casa de formação. Eu sou fruto desse período porque comecei a fazer teologia em 1983 e a casa de formação preparou vários

padres que estão conosco até hoje como os Monsenhores Aguinaldo de Carvalho e João Batista, além do padre Carlos Alberto, que é pároco em uma igreja no Parque Pinheiros em Taboão da Serra e nós acolhemos aquilo que a Igreja estava propondo e não tem nada melhor na Igreja do que você assumir aquilo que ela lhe propõe”, complementa Monsenhor Parede. “Os primeiros 25 anos são uma alegria e eu vejo com a probabilidade da nossa diocese continuar crescendo e que no Jubileu de Ouro ela possa se alegrar muito com os passos que está dando, primeiro com Dom Emílio e agora com Dom Luiz”, finaliza Monsenhor Parede.

19


em pauta

Luciano Batista

A

Diocese de Campo Limpo ganhou neste sábado (21/12) mais cinco novos diáconos em vista do sacerdócio. Familiares, amigos e muitos padres participaram da celebração que foi presidida por Dom Luiz Antonio Guedes, Bispo Diocesano de Campo Limpo. Dom Emílio Pignoli, bispo emérito e responsável pelo acolhimento dos novos diáconos, concelebrou a Santa Missa. Antonio Ferreira Gonçalves, Marcelo Souza Almeida, Renato Gomes Alves, Rodrigo Antonio da Silva e Wellington Eduardo Calixto Miguel receberam a ordenação diaconal pela oração e imposição das mãos de Dom Luiz.  O rito de ordenação aconteceu logo após a leitura do Santo Evangelho com Dom Luiz Anto-

Fotos: Carlos Henrique

20

Dom Luiz ordena cinco novos diáconos nio Guedes chamando um a um que se colocaram na frente do bispo quando ouviram o canto “Com tua Mão”. Em seguida padre Iolando pediu ao bispo diocesano para que “ordenes para a função de Diáconos estes nossos irmãos”. Os novos diáconos passaram a ocupar um lugar de destaque no altar. Em sua homília, Dom Luiz falou sobre a alegria dessa celebração de ordenação diaconal e que acontece junto com o quarto domingo do Advento onde a igreja também celebra o “Mistério da Encarnação”.  Dom Luiz disse também que “sabemos que na história, Deus que se revela quer associar a Ele, pessoas humanas e por isso queremos celebrar nesse dia de hoje e que por obra do Espírito Santo se

pôs no ventre da Virgem Maria”. Segundo Dom Luiz, “a entrada do Filho de Deus por obra do Espírito Santo na história, da caminhada da humanidade inteira se fez presente e Ele é nosso companheiro de caminhada, Isso aconteceu para se cumprir às escrituras que dizia que o Salvador viria para nos salvar, Deus está presente, Deus está conosco e Jesus permanecerá. Eu estarei convosco até a consumação dos séculos”.  Relembrando as leituras, o bispo diocesano disse que “ouvimos diversos personagens como rei Acás, Maria e José. O Rei não confiou em Deus porque tinha seus próprios projetos enquanto Maria e José confiaram plenamente em Deus e José, que era um homem justo colocou-se completamente disponível para contribuir com as obras de Deus e Maria, acolheu e deu o seu Sim concebendo através da ação do Espírito Santo”.  Dom Luiz explicou que “em princípio José não compreendeu o que estavam lhe pedindo, mas como ele era um homem justo, recebe uma comunicação de Deus, através do anjo Gabriel que lhe explica que aquele era o Filho de Deus e José decide acolher Maria em sua casa e dá seu sobrenome a Jesus e o fato dele ter adotado o menino Jesus, ele introduziu juridicamente como filho de Davi, podendo se realizar a salvação”. 


Dom Luiz finalizou pedindo para que “nós possamos não seguir os nossos projetos, mas seguir o projeto de Deus e nos engajar nele. Um exemplo disso está na segunda leitura que faz um preâmbulo apresentando Jesus como filho de Davi e ele mesmo se considera um apóstolo que está investido de anunciar a boa nova, a alegria do evangelho para trazer os povos todos para a fé que é a salvação e devemos nos inspirar nesses exemplos”. Ele afirmou ainda que “na igreja todos temos essa vocação e somos chamados a vivê-la com fidelidade, não exercemos da mesma forma. A Maria Deus pediu que fosse mãe e a José pediu que fosse guardião da mãe e do filho, mas ele também tem uma

felicidade imensa de poder ter dado essa contribuição para a salvação da humanidade”. Segundo Dom Luiz, “na igreja somos todos crismados, batizados, celebramos a eucaristia, mas há diversas formas, como o ministério da ordem, diversos sacramentos, como os religiosos que alimentam que fortalecem a igreja através dos seus serviços e hoje estamos vivenciando essa ordenação de cinco novos diáconos que vem de uma caminhada longa, mas tranquila que os levará para o serviço à diocese”.  Em seguida houve o “Propósito dos Eleitos” onde o bispo diocesano pede para que os ordenados “manifestem perante todo o povo, o seu desejo de assumir este ministério”. 

Um dos momentos mais significantes da celebração é quando os neo-diáconos se prostram diante do altar para ouvirem a Ladainha de Todos os Santos. Logo em seguida acontece a Imposição das Mãos iniciada com a Prece de Ordenação onde, na resposta pede-se para que Deus “envie sobre eles o Espírito Santo que os fortaleça com os sete dons da vossa graça, a fim de exercerem com fidelidade o seu ministério”. Nessa celebração houve ainda mais dois momentos: a entrega das vestes e do Livro dos Evangelhos que, ao receberem são “constituídos mensageiros, transformando em fé viva o que irão ler, ensinando aquilo que crê e procurar realizar o que ensinar”.

21


entretenimento

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Diac. Renato G. Alves

EXPOSIÇÃO DEUSES E MADONAS - A ARTE DO SAGRADO

FILME MANDELA

PASSEIO SP Diversões

Com 40 obras de mestres dos séculos 14 ao 19, Deuses e Madonas - A Arte do Sagrado apresenta o universo do sagrado na cultura ocidental e mostra pela 1ª vez depois de restaurada na França a obra-prima São Jerônimo Penitente no Deserto (1451), de Andrea Mantegna.

Sinopse: Esta biografia relembra o percurso de Nelson Mandela, desde a sua infância, em um meio rural, até a eleição democrática ao cargo de presidente da República da África do Sul.

O local abriga uma pista de kart com 470 metros de extensão, ideal para iniciantes. Alguns modelos dos carros de corrida permitem que um adulto e uma criança disputem a corrida juntos no mesmo veículo. Há ainda máquinas de jogos eletrônicos e mesas de sinuca. As pistas de boliche são animadas por luzes piscantes e música alta. Próximo a elas, ficam as mesas onde são servidos lanches, pizzas e petiscos.

Curadoria: Teixeira Coelho e Denis Molino Local: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) Endereço: Avenida Paulista, 1578 São Paulo – SP Telefone: (11) 3251-5644 Horários: Segunda-feira: fechado De terça a domingo: das 10h às 18h Quinta-feira: das 10h às 20h   Ingressos: R$ 15,00 (Toda terça-feira a entrada no MASP é gratuita a todos os visitantes.)

22

Lançamento: 14 de fevereiro de 2014 Duração: 2h19min Direção: Justin Chadwick Elenco: Idris Elba, Naomie Harris, Tony Kgoroge Gênero: Biografia, Drama Nacionalidade: Reino Unido, África do Sul

Endereço: R. Santa Rosa Jr., 189 - Vila Pirajussara - São Paulo Telefone: 3723-7070 Ingresso: R$ 5 (a partir das 18h) Funcionamento: de segunda a quinta e domingo: 12h às 24h; sexta e sábado: 12h às 4h. Site: http://www.spdiversoes.com.br


Vamos conhecer mais a Bíblia? Venha participar da capacitação para multiplicadores da Palavra de Deus

Descubra a unidade mais próxima de você. É muito fácil, basta você comparecer no primeiro dia de aula e fazer no local a sua inscrição. Início: segunda semana de fevereiro! Módulo 1: Introdução à Sagrada Escritura (para os que vão começar a capacitação) Paróquia santa Margarida Maria Alacoque e Sagrado coração de Jesus - Taboão da Serra, Quarta-feira, das 20 às 22h; Paróquia São Pedro Apóstolo - Taboão da Serra -Terça-feira, das 19:30 às 21:30h; Paróquia Cristo Ressuscitado - Embu das Artes - Terça-feira, das 19:30 às 21:30h Paróquia Maria Mãe dos Caminhantes - Itapecerica da serra, Terça-feira, das 19:30 às 21:30h Centro Pastoral Sagrada Família, Campo Limpo, Quinta-feira, das 19:30 às 21:30h Paróquia São Bento, Morumbi, Quinta-feira, das 19:30 às 21:30h Paróquia N Sra. do Bom Conselho, Capão Redondo, Sábado, 9:30h às 12h Paróquia Santíssima Trindade, Embu-Guaçu - Itapecerica da Serra

Módulo 2: Evangelho segundo Lucas Centro Pastoral Sagrada Família, Campo Limpo, Quarta-feira, 19:30 às 21:30h Paróquia Sagrado Coração de Jesus e Sta Margarida Maria Alacoque, Taboão da Serra, Quarta-feira, das 19:30 às 21:30h Paróquia Santa Edwiges, M´Boi Mirim, Quarta-feira, das 19:30 às 21:30h Santuário São José Operário, Capão Redondo, Quarta-feira, das 19:30 às 21:30h Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Lourenço, Quinta-feira, das 19:30 às 21:30h Paróquia Santa Clara de Assis, Itapecerica da Serra, Sexta-feira, das 19:30 às 21:30h

Módulo 3: Técnicas de Pregação Paróquia São Judas e Santa Clara, Embu das Artes, Terça-feira, das 19:30 às 21:30h Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, Mirim-Guaçu, Quarta-feira, das 19:30 às 21:30h Paróquia Santa Terezinha, Embu-Guaçu, Sexta-feira, das 19:30 às 21:30h Paróquia São Bento, Morumbi, Sexta-feira, das 19:30 às 21:30h Paróquia N Sra. do Bom Conselho, Capão Redondo, Sábado, das 19:30 às 21:30h

Módulo 4: Lectio Divina: 07 de junho de 2014 (Sábado das 8h às 17h)

Local: Seminário Mater Eclesiae, Itapecerica da Serra

Para mais informações: (11) 3584-9022 (falar com Tayná) ou pelo E-mail: comissaobiblica@hotmail.com


com

Ir. Miria T. Kolling de 14 a 16 de fevereiro de 2014 no Salão Sagrada Família

Mais informações: (11) 3584-9005

Revista Vida e Missão  

Edição nº 207 jan/fev de 2014

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you