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DIOCESE

AÇÃO

Publicação da Diocese de Campo Limpo, São Paulo - SP Edição 09 - Fevereiro/Março 2014. Distribuição interna e gratuita.

Diocese celebra seu Jubileu com ação missionária

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o ano em que a Diocese de Campo Limpo celebra seus 25 anos de criação, todos os leigos estão convidados a participar de uma importante e histórica atividade que marcará esse Jubileu de Prata. Já está em curso a Missão Popular Diocesana (MPD) que tem como objetivo “ir ao encontro das pessoas, formar novos grupos de comunhão e participação através do agir missionário da comunidade”. A Missão Popular Diocesana teve início na solenidade de Cristo Rei – 24/11/2013 – e prosseguirá até a mesma ocasião neste ano (23.11.14),

Acontece

Missionários de Campo Limpo realizam missão no interior de São Paulo

quando haverá uma celebração litúrgica na Catedral Santuário Sagrada Família presidida pelo bispo diocesano, Dom Luiz Antônio Guedes. A MPD está baseada sobre 11 tópicos que serão observados durante o decorrer do ano. Entre eles destacase: fazer da paróquia, “comunidade de comunidades” (em consonância com o Documento de Estudos da CNBB nº 104) e dar à comunidade “novo ardor e entusiasmo, alegria e esperança”. Entre outros itens para a realização da MPD estão: - a promoção de uma participação maior, através da escuta, do anúncio, do serviço e do

Especial

A Vitória da Páscoa

testemunho dos leigos, - ir ao encontro dos católicos que estão afastados da comunidade e da Igreja, além de suscitar novas lideranças leigas. A Missão Popular Diocesana prevê ainda o favorecimento ao protagonismo dos leigos e o atendimento à pluralidade de seus interesses através de novos grupos de rua e intensificar o compromisso da Igreja com os pobres. A proposta ainda quer conhecer a realidade de cada rua que compõe a Diocese de Campo Limpo, criar novos ministérios para servir o povo de Deus e fazer que esse seja “um tempo de conversão pessoal e de uma profunda vivência eclesial”. No dia 8 de junho de 2014, às

Juventude

Encontro nacional de revitalização da pastoral juvenil

Igreja

15h na Catedral Sagrada Família será celebrada a Missa de Ação de Graças pelos 25 anos da Diocese de Campo Limpo, com o envio dos missionários para a MPD nas paróquias e a entrega da Cruz Missionária, com o logotipo do Ano Jubilar.

Confira em sua paróquia toda a programação da Missão Popular Diocesana ou pelo site:

www.diocesedecampolimpo.org.br

Pe. Paulo Medeiros: 50 anos de vida sacerdotal

Versão online issuu.com/diocesecl


E ditorial M

ensagem

Olá querido leitor! Graça e paz em Cristo Jesus!

Estamos para iniciar o tempo da quaresma em nossa Igreja. Tempo de profunda reflexão e de propósito de conversão. O tempo da quaresma não é para ser visto por cada um, como um tempo pesado, mas sim, como uma oportunidade de voltarmos para Deus e viver segundo os ensinamentos de seu filho e nosso Senhor Jesus Cristo participando da sua graça. O grande convite feito pelo Senhor é justamente de vivermos livres, aliás, a CF 2014 fala disso. Seu lema: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl. 5,1). E nessa liberdade somos chamados a renunciar ao pecado e nos fazer livres pela graça em Cristo. Tenhamos todos um único propósito: nos desprender das coisas que nos tornam escravos para vivermos na liberdade que nos foi dada por Jesus. Por Jesus, com Maria e José!

Boa leitura a todos!

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Jornal Diocese em Ação

EXPEDIENTE

Publicação da Diocese de Campo Limpo São Paulo - SP. www.diocesedecampolimpo.org.br Distribuição interna e gratuita. Tiragem: 50 mil exemplares Conselho Editorial: Dom Luiz Antônio Guedes – Bispo Diocesano; Pe. Adilson Ulprist - Editor e Jornalista Responsável (Mtb 46046/SP); Elizabeth Aída Petersen Batista – Secretária Pastoral; Rosângela Benetão – Secretária Administrativa. Diagramação: Carlos Henrique Teixeira (estagiário) Os artigos apresentados neste jornal são de inteira responsabilidade de seus autores.

A caminho da Páscoa

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entro de pouco transformação radical de nossa vida é fruto do encontro tempo, entra- da iniciativa de Deus com a resposta do ser humano. Em toda a caminhada quaresmal, as comuremos na caminhada para a festa nidades eclesiais acompanham solidariamente os da Páscoa, ponto cul- catecúmenos - jovens e adultos - que se preparam minante de todo o ano para receber os sacramentos da iniciação cristã na litúrgico. Não se trata vigília pascal e, ao mesmo tempo, empenha-se para de uma mera repetição aprofundar sua adesão a Jesus na Igreja através da daquilo que fazemos renovação das promessas batismais. A vigília pascal é a celebração mais importodos os anos. O cristianismo não é uma tante do ano litúrgico. Ela é toda impregnada de religião na qual caminhamos num círculo fechado. clima batismal. É o encontro mais apropriado para Voltamos, sim, aos mesmos acontecimentos salvífi- a administração dos sacramentos pascais: Batismo, cos, mas caminhamos numa espiral que nos conduz Crisma e Eucaristia. Na dinâmica da quaresma deste ano seremos sempre mais para a frente e para o alto na direção do abraço infinito do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. convidados a fazer a escolha de Deus e seu projeto A Igreja crê, firmemente, que a celebração dos vencendo com Jesus as tentações (1º Domingo), a mistérios da salvação não apenas recorda, mas faz pre- subir com ele ao monte e contemplar antecipadamensentes as ações de Deus em favor da humanidade. As- te seu ser interior na transfiguração (2º Domingo), a sim, a Páscoa é a presença do amor supremo de Deus acolhê-lo como água viva (3º Domingo), a aceitá-lo no dom que Jesus faz de sua vida para o resgate de to- como a verdadeira luz (4º Domingo) e como garantia dos. Páscoa é celebração da morte, ressurreição e glori- de ressurreição e vida plena (5º Domingo). A dinâmica da quaresma nos convida a conficação de Jesus. É presença eficaz de sua vitória sobre o pecado e a morte. Mas Páscoa é, também, nossa par- trariar a sabedoria do mundo que nos propõe a busca ticipação na vitória de Cristo através do Batismo. Neste de segurança, de satisfação de desejos egoístas, de sacramento nós morremos com Jesus para o pecado e realização individualista e nos desafia a entrar no ressurgimos com ele para uma vida nova na graça de esforço de ser para Deus e para o próximo, a fazer Deus, no amor. A Igreja crê que a eficácia dos sacra- de nossa vida uma oblação de amor, a almejar a aumentos reside no poder de Deus que se manifestou vi- totranscendência. Assim viveremos um verdadeiro torioso na ressurreição de Jesus e no dom do Espírito movimento pascal e a vida será beneficiada, pois Santo que nela permanece sempre. Sem esta iniciativa quanto mais perto de Deus estivermos mais próxie atuação da graça de Deus, os sacramentos não teriam mos, também, dos irmãos nós estaremos. Desde já, a poder de realizar o que eles significam. Por outro lado, todos e todas desejo “Feliz Páscoa”, com a certeza a Igreja está convicta da necessidade da participação de que “é para a liberdade que Cristo nos liberativa de quem recebe os sacramentos para que eles tou” (Gálatas 5,1). Vivamos nosso Batismo, fonte produzam os frutos desejados por Deus na pessoa, na de todas as vocações! comunidade e na sociedade. Esta é a razão pela qual a celebração da Páscoa é preparada pelo longo perífacebook.com/diocesedecampolimpo odo da quaresma. Este não é um tempo de tristeza. É um @dioceseCL período de preparação espiritual intenso: recolhimento, @diocesedecampolimpo despojamento do supérfluo e valorização do essencial, youtube.com/diocesedecampolimpo escuta e meditação da Palavra de Deus, oração, esforço diocesedecampolimpo.com de conversão, tudo para predispor os discípulos de Jesus comunicacao@diocesedecampolimpo.org.br a receber o dom de Deus. A

diocese on-line


m grupo formado por 44 missionários, entre eles cinco seminaristas e duas consagradas, participou da IV Missão Diocesana Além Fronteiras, organizada pelo Conselho Missionário Diocesano (COMIDI) da Diocese de Campo Limpo. A equipe saiu em missão no dia 3 de janeiro com destino às cidades de Tarabai e Narandiba, no interior de São Paulo e pertencentes à Diocese de Presidente Prudente, que acolheu pela segunda vez a missão. Com o objetivo de levar a missão de Jesus e evangelizar, o grupo se prepara durante um ano para anunciar o amor de Deus. O curso missionário consiste em fortmar leigos para o trabalho missionário nas paróquias da nossa diocese e em outras localidades. As formações acontecem uma vez por mês e o final do curso é marcado pela viagem onde os missionários passam uma semana visitando famílias dentro do território das paróquias que os recebem. O conteúdo das visitas consiste basicamente no Querigma – que é o anúncio do Amor de Deus. O material utilizado foi preparado pelo padre José Bortolin para a Missão Popular Diocesana (MPD). “Nos apresentamos e falamos que estamos a serviço da paróquia e as famílias nos recebem de uma forma excepcional e afirmaram que estavam esperando pela nossa visita”, disse a missionária Márcia Ma-

ria de Souza, coordenadora do Comidi. Nessa viagem foram visitadas 4 mil moradores de Narandiba e 7 mil de Tarabai. “Além das famílias da área urbana, visitamos vários assentamentos na área rural e em todo o momento o padre Edcarlos Amorim Moreira, pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida acompanhou com muito carinho e atenção a realização da missão”. A visita compreende em anunciar a palavra de Deus e viver um momento de oração com a família,

além da benção da residência. “O que mais chamou a atenção é que pessoas de outras denominações religiosas acolheram a visita e alguns até desejaram a benção das casas”. Os missionários de Campo Limpo, na des-

pedida, fizeram os votos para que os leigos locais continuem a missão que foi iniciada. “Nas duas cidades realizamos formações para os líderes das pastorais para que a proposta que levamos, tivesse continuidade e assim, resgatar também, os católicos afastados da igreja”. Um dos momentos que mais chamou a atenção dos missionários foi o depoimento de uma senhora que afirmou nunca ter recebido a visita de missionários católicos em sua casa. “Isso dá animo para continuarmos a nossa missão”. Todos os missionários que participaram da missão regressaram para Campo Limpo agradecidos pela acolhida, pela organização que a paróquia ofereceu e “agora, em março, recomeçaremos o 8º Curso Missionário em consonância com a MPD por ocasião do Jubileu da Diocese”. Os interessados em participar do Curso Missionário devem procurar a secretaria pastoral da Diocese de Campo Limpo para realizar as inscrições.

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Da Redação

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Missionários de Campo contece Limpo realizam missão no interior de São Paulo


E special

Pe. Carlos Eduardo Olivieri Prelazia do Opus Dei

A Vitória da Páscoa

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Jornal Diocese em Ação

Imagem: Divulgação

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risto vive! Esta realidade, que a Igreja nos faz saborear com força na Vigília Pascal e, depois, em todos os domingos do ano, ou melhor, em cada vez em que é celebrada uma Missa, nunca deveriam parar de ressoar na nossa alma. “Cristo vive! Esta é a grande verdade que enche de conteúdo a nossa fé. Jesus, que morreu na cruz, ressuscitou, triunfou da morte, do poder das trevas, da dor e da angústia. Não temais, foi a invocação com que um anjo saudou as mulheres que se dirigiam ao sepulcro. Não temais. Vindes buscar Jesus Nazareno, que foi crucificado. Já ressuscitou; não está aqui. Haec est dies quam fecit Dominus, exsultemus et letemur in ea: este é o dia

que o Senhor fez, alegremo-nos. (...) Cristo vive. Jesus é o Emmanuel: Deus conosco. A sua ressurreição revela-nos que Deus não abandona os seus”1. Verdade que enche de conteúdo a nossa fé: foi o fundamento da coragem com que os Apóstolos empreenderam a missão de propagar o cristianismo, juntamente com seu empenho por cultivar uma intima vida de união com Cristo, dispostos ao que fosse para poder estar sempre com Ele. Foi, também, o fundamento da conversão de todas aquelas multidões de pessoas que foram alvo da sua pregação. Conta S. Lucas, nos Atos dos Após1 Escrivá, J., É Cristo que Passa, Ed. Quadrante, São Paulo, n. 102.

tolos: “os Apóstolos, com grande coragem, davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus; e era grande em todos a graça”2. É esta, sem dúvida, a intenção da Igreja quando nos propõe celebrar estes mistérios todos os anos: encher-nos de segurança para caminharmos pela vida sem medo de nada, nem de ninguém; estimular-nos a renovar os nossos compromissos de seguir a Jesus Cristo bem de perto e de ajudar a tantas pessoas para que se vejam livres do poder das trevas, da dor e da angústia. O Papa Bento XVI, no início da Quaresma 1983, como Cardeal Ratzinger, pregou o retiro anual de João Paulo II. Naquele então, fez uma referência à quinta feira Santa, em que, depois da Ceia, Jesus desrespeitou o prescrito pela lei, para ir enfrentar o inimigo no seu próprio território. Dizia: “Estava proibido abandonar a cidade de Jerusalém na noite de Páscoa. Toda a cidade se considerava lugar de salvação contra a noite do caos, e seus muros eram como diques que defenderiam a criação. A Páscoa se celebrava em casa. Assim o fez também Jesus. Mas, depois da Ceia, Ele se levantou e foi para fora, ultrapassou os limites estabelecidos pela lei, porque passou para o outro lado da torrente do Cedron, que indicava os confins de Jerusalém. Não teve medo do caos, não quis esquivar-se dele, adentrou-se nele até o mais profundo, até a face da morte. Jesus saiu, e isto significa que, como as muralhas da Igreja são a fé e o amor de Jesus Cristo, a Igreja não é praça fortificada, mas cidade aberta; e, em conseqüência, crer significa sair também com Jesus Cristo, não temer o caos, porque Jesus é o mais forte, porque Ele penetrou nesse caos, e nós, ao enfrentá-lo, seguimos a Ele. Crer significa sair dos muros e, no meio deste mundo caótico, criar espaços de fé e de amor, fundados na força de Jesus Cristo. O Senhor foi para fora: este é o sinal de sua força. Desceu à noite do Getsemani, à noite da cruz, à noite do sepulcro. E pode descer porque, frente ao poder da morte, Ele é o mais forte; porque seu amor leva em si o amor de Deus, que é mais poderoso que as forças da destruição. Sua vitória, portanto, se faz real justamente neste sair, no caminho da Paixão, de sorte que, no mistério do Getsemani, se encontra já presente o mistério do gozo Pascal. Ele é o mais forte; não há potencia que possa resistir-lhe nem lugar que Ele não preencha com sua presença. Convida-nos a todos a empreender o caminho com Ele, pois onde há fé e amor, aí está Ele, está a força da paz, que vence o nada e a morte”3. Jesus, portanto, derrotou o inimigo no seu próprio território, de modo que com Ele, Jesus, sob o seu poder, devemos caminhar por todos os lugares do mundo com passos de vitoriosos, com sentimentos de quem caminha por sua própria casa. Já não 2 At 4, 33. 3 Ratzinger, J., El Camino Pascual, Ed. BAC, Madrid, 2005, pp. 112-113.


4 Escrivá, J., É Cristo que Passa, Ed. Quadrante, São Paulo, n. 155.

suadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as virtudes, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem a força, nem a altura, nem a profundidade, nem nenhuma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo nosso Senhor”5. Isso mesmo: “O dia do triunfo do Senhor, da sua Ressurreição, é definitivo. Onde estão os soldados que a autoridade tinha destacado? Onde estão os selos que tinham colocado sobre a pedra do sepulcro? Onde estão os que condenaram o Mestre? Onde estão os que crucificaram Jesus?... Perante a sua vitória, produz-se a grande fuga dos pobres miseráveis. Enche-te de esperança: Jesus Cristo vence sempre”6. A nossa reação, portanto, tem de consistir em não decair. Não deixar-nos levar pelo desânimo, não atemorizar-nos diante dos inimigos internos (as nossas concupiscências desordenadas, nossa faltas, os próprios pecados, nosso orgulho, sensualidade, ira, inveja...); nem dos inimigos externos, que compõem o caos, ao qual Bento XVI se referia naquele retiro. Além disso, deveria aumentar a nossa dedicação ao apostolado, bem convencidos de que nenhum esforço se perde, apesar das resistências dos homens. Vamos dirigir-nos à Virgem, Regina Coeli, pedindo-lhe que, nesta celebração da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, aumente em nós esta moral de vitória, a persuasão de que falava S. Paulo, de que em tudo sairemos vencedores com a força de Cristo, que nos amou.

“Crer significa sair dos muros e, no meio deste mundo caótico, criar espaços de fé e de amor, fundados na força de Jesus Cristo.”

5 Rom 8, 31-39. 6 Escrivá, J., Forja, Ed. Quadrante, São Paulo, n. 660.

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há lugar para o temor. Estamos capacitados para, no meio deste mundo caótico, criar espaços de fé e de amor, fundados na força de Jesus Cristo. No mesmo sentido, disse S. Josemaria: “a Eucaristia foi instituída durante a noite, preparando de antemão a manhã da Ressurreição. Também em nossas vidas temos que preparar essa alvorada. Tudo o que é caduco e nocivo, tudo o que não presta - o desânimo, a desconfiança, a tristeza, a covardia -, tudo isso deve ser jogado fora. A Sagrada Escritura introduz a novidade divina nos filhos de Deus, e devemos corresponder in novitate sensus (Rom 12, 2), com uma renovação de todos os nossos sentimentos e de toda a nossa conduta. Foi-nos dado um princípio novo de energia, uma raiz poderosa, enxertada no Senhor. Não podemos voltar ao antigo fermento, nós que temos o Pão de hoje e de sempre”4. São Paulo tenta inculcar em nós essa persuasão: “Que diremos, pois, à vista destas coisas? Aquele que não poupou nem o seu próprio Filho, mas por nós todos o entregou, como não nos dará também com Ele todas as coisas? Quem acusará os escolhidos de Deus? Deus é quem os justifica. Quem os condenará? Jesus Cristo é o que morreu, e ainda mais, o que ressuscitou, o que está à direita de Deus, o que também intercede por nós. Quem nos separará, pois, do amor de Cristo? A tribulação? Ou a angústia? Ou a fome? Ou a nudez? Ou o perigo? Ou a perseguição? Ou a espada? Segundo está escrito: Por ti somos entregues à morte todos os dias, somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas de todas essas coisas saímos mais do que vencedores por aquele que nos amou. Porque estou per-

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Pe. Rodolfo Camarotta

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Jornal Diocese em Ação

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Jornada Mundial da Juventude que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, entre os dias 23 a 28 de julho de 2013, foi sem dúvida o maior evento relacionado a Juventude na história do nosso país. Milhares de pessoas foram ao encontro do Santo Padre, para com ele e toda a Igreja, celebrar a vida e a missão que nos foram entregues por Jesus Cristo. Fomos responder ao apelo de Cristo; Ide e fazei discípulos entre todas as nações! (cf. Mt 28, 19) Papa Francisco durante a JMJ, propôs a todos o desafio de “Ir, sem medo, para servir”. Este foi o lema de nossa da Assembleia Diocesana da Juventude, que realizamos em novembro do ano passado e lema também do Encontro nacional de revitalização da pastoral juvenil, realizado em Brasília, entre os dias 11 a 15 de dezembro, nas dependências do Colégio Salesiano Dom Bosco. O encontro teve como objetivo ouvir as representações das dioceses do país inteiro, naquilo que realizaram dentro do processo de preparação para a JMJ, pensando e construindo assim um caminho de metas e objetivos para o Pós JMJ. Desejou-se com isso, perceber quais as necessidades urgentes dentro do projeto de Evangelização da Juventude. A Diocese de Campo Limpo esteve presente com várias representações; em âmbito diocesano através da Assessoria Diocesana, através de representatividades de congregações religiosas que aqui desenvolvem trabalho com a Juventude, e com a presença de jovens representantes de Paróquias e Movimentos. Os trabalhos se desenvolveram em etapas distintas de escuta, sistematização, partilha e instrumento de trabalho. Estas etapas foram

Encontro nacional de revitalização da pastoral juvenil

amarradas por quatro áreas coordenadas; Avanços, Desafios, Princípios Orientadores e Pistas de Ação. No decorrer dos dias o encontro falou da JMJ, Campanha da Fraternidade, Semana Missionária, Peregrinação dos símbolos da Jornada, por todas as dioceses do país e as diversas manifestações e eventos que foram realizados durante todo o ano dedicado para a Juventude. Não poderia deixar de ser mencionado o marco evangelizador que a JMJ nos permitiu viver no Brasil. Assim como a oportunidade de renovar a opção afetiva e efetiva pelos jovens. Durante o encontro tratamos ainda a necessidade de se promover a consciência do estado permante de missão, que a Igreja necessita viver. A Comunidade, sendo o lugar da iniciação cristã do ser humano, precisa ter um profundo espírito de acolhida para o jovem, dando a ele oportunidade de expressar seu encontro pessoal e renovador com Jesus Cristo. Perceber a necessidade da rede de Comunidade de Comunidades, sendo a Igreja um lugar de serviço para todos. Houve um grande convite ao profetismo que todo cristão deve abraçar e que envolve também a vida e a caminhada de cada jovem. Todos estes elementos foram discutidos e apresentados a partir da Sagrada Escritura, dos Documentos da Igreja e do testemunho de muitos e muitas que puderam se expressar através das diversas realidades que encontramos presentes em nosso imenso Brasil. Algo que marcou profundamente o encontro, foi a apresentação de um quadro geral da realidade dos jovens no país, no que se refere as questões culturais, sociais, morais, familiares, entre outras. Uma estimativa de grande violência, de realidades com pouquíssimas oportunidades para a Juventude e de situações que muitas vezes a Igreja

é a única fonte de esperança para muitos. Isso nos convidava sempre a reviver o modo de vida profético de Jesus, para a transformação do mundo em lugar melhor e mais justo. Para melhor exemplificar estas realidades foi apresentado também um quadro evolutivo do desenvolvimento das gerações e suas principais características de vida, de escolhas e de pensamentos, conforme a época e a realidade que aconteceram. Isso nos permitiu entender melhor alguns sinais que os jovens da atualidade vivem. Seguem breves relatos de como foi a experiência de participação de duas jovens de nossa Diocese que lá estiveram: “Sinto-me feliz em ter participado do Encontro Nacional de Revitalização da Pastoral Juvenil, em Brasília. O encontro com representantes da Juventude de todo o país me fez conhecer realidades de muitos jovens que eu desconhecia totalmente. Tudo que nos foi apresentado só aumentou minha vontade de sempre estar presente na missão que Cristo nos deixou: “Ir ao mundo e fazer discípulos.” (Erika Kentenich Costa dos Santos - Paróquia São Pio X) “Participar do Encontro Nacional de Revitalização da Pastoral Juvenil foi redescobrir as diversas expressões juvenis que existem em nossa Igreja, em particular no nosso país. Foi um momento também de começar a colocar em prática o que o Santo Padre o Papa nos pediu: “Ide, sem medo, para servir.””(Tayná Silva - Secretaria do Setor Juventude)


Foto: Divulgação

Igreja

Luciano Batista

dre Paulo nasceu em Massachusetts nos Estados Unidos em 1936. Durante sua infância dedicou-se aos estudos, sendo um dos alunos mais aplicados do colégio. A participação de sua família na vida da

comunidade cristã de onde viviam e a animação vocacional oferecida por sua própria irmã, Lucy, ajudaram o pequeno Paulo a se dedicar às atividades paroquiais. Partilhava seu tempo com a prática de esportes sendo os seus preferidos

o ciclismo, o baseball, basquete e golf. Após muitos estudos, o então seminarista Paulo foi ordenado sacerdote em 1964 pela Congregação Missionária dos Oblatos de Maria Imaculada (OMI). Grande admirador do Brasil, e mesmo sabendo das dificuldades e resistências que existiam aqui naquela época por conta da ditadura militar, padre Paulo decidiu exercer o seu ministério em terras brasileiras. Seus avós paternos eram brasileiros e essa proximidade familiar, o fez aprender a língua e quando desembarcou em Poços de Caldas – MG, em 15 de setembro de 1964, não encontrou dificuldades para se comunicar. Com seu dinamismo e uma visão diferenciada, foi um dos principais responsáveis pela instalação do Seminário da cidade, responsável pela formação de diversos sacerdotes na região sudeste de Minas Gerais. Em 1973 foi transferido para São Paulo e instalou-se na região da Vila Miriam. No entanto, quando foi atuar na paróquia São José, pertencente à Diocese de Santo Amaro, conheceu as Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s). Em quase uma década, o sacerdote foi responsável pela criação de 20 comunidades nessa região. No final dos anos 90 foi transferido para nossa Diocese como Vigário Paroquial da Paróquia Santo Eugênio de Mazenod e desde então é o coordenador Diocesano das CEB’s. Sempre atento às necessidades do povo, dedicou-se as formações bíbli-

cas, formações de ministros e equipes de liturgia, acompanhou com muito apresso a Pastoral do batismo e os grupos de rua dedicando-se a visita de doentes e de famílias em diferentes contextos. Estamos todos muito felizes por fazer parte desta celebração de seus 50 anos de vida sacerdotal. Para os amigos fiéis que participaram da celebração, foi um momento de agradecer a Deus pela vida e trabalho do padre Paulo. Maria da Conceição Benitez afirma que ter conhecido o padre foi uma das principais causas de sua volta para a Igreja. “Eu estava muito tempo sem participar das missas e da vida em comunidade até que a minha irmã me convidou para assistir a uma celebração do padre Paulo e o seu jeito carinhoso e dedicado, me fez voltar e participar da Igreja”. O aposentado Manoel Brito dos Santos disse que a figura do padre Paulo é o exemplo da bondade e da simplicidade. “Olhar para esse sacerdote e imaginar que deixou seu país e veio para o Brasil enfrentar uma série de dificuldades e levar a palavra de Deus é realmente um exemplo a ser seguido”. Muito emocionado com a celebração, o estudante Adriano de Paula Cavalcante disse que “Deus está olhando para o trabalho do padre Paulo e fico muito feliz de participar desse momento tão importante de sua vida”.

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ais de 700 fiéis participaram da missa em ação de graças pelos 50 anos de vida sacerdotal do padre Paulo Eugênio Medeiros, realizada no dia 19 de janeiro. A celebração foi presidida pelo bispo diocesano de Campo Limpo, Dom Luiz Antonio Guedes e concelebrada por Dom Fernando José Penteado, bispo emérito de Jacarezinho – PR e vários padres. Padre Paulo disse estar muito feliz com a celebração e afirmou que essa era uma data muito especial. “É uma missa em ação de graças por todos os serviços prestados, pelas graças recebidas e uma forma de continuar pedindo que Deus continue nos abençoando especialmente nos dando muita saúde”. Durante a homilia, Dom Luiz ressaltou o trabalho realizado pelo padre Paulo em toda a Diocese e o carisma do sacerdote junto aos fiéis. “Eu não conhecia o padre Paulo, só vim conhecê-lo há cinco anos, quando vim para a Diocese de Campo Limpo, mas nesse pouco tempo, ele demonstrou uma amizade muito grande e pude ver o carinho que ele tem com os fiéis”. Filho mais de novo da Família, pa-

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Pe. Paulo Medeiros: 50 anos de vida sacerdotal


Capacitação Bíblica Neste mês de fevereiro demos início à 9 novas turmas da Capacitação para multiplicadores da Palavra. Outras 10 turmas fazem o segundo ou terceiro módulo e também recomeçaram nestes dias.

Veja a unidade mais próxima de você e se inscreva até o fim deste mês. A inscrição pode ser feita no local na primeira aula. Módulo 1: Introdução à Sagrada Escritura

Módulo 2: Evangelho segundo Mateus

Módulo 3: Técnicas de Pregação

(para os que vão começar a capacitação)

(para aqueles que fizeram pelo menos o módulo 1)

(para aqueles que fizeram módulo 1 e pelo menos um evangelho)

Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Paróquia santa Margarida Maria Alacoque e Sagrado Centro Pastoral Sagrada Família - Campo Limpo São Lourenço - Itapecerica da Serra coração de Jesus - Taboão da Serra Paróquia Sagrado Coração de Jesus e Santa MargariParóquia São Pedro Apóstolo - Taboão da Serra da Maria Alacoque - Taboão da Serra Paróquia São Judas e Santa Clara - Embu das Artes Paróquia Cristo Ressuscitado - Embu das Artes

Paróquia Santa Edwiges - M´Boi Mirim

Paróquia Maria Mãe dos Caminhantes - Itapecerica Santuário São José Operário - Capão Redondo da Serra Paróquia Santa Clara de Assis - Itapecerica da Serra Centro Pastoral Sagrada Família - Campo Limpo Paróquia São Bento - Morumbi Paróquia N Sra. do Bom Conselho - Capão Redondo Paróquia Santíssima Trindade, Embu-Guaçu Paróquia Bom Jesus de Piraporinha

Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, Mirim-Guaçu Paróquia Santa Terezinha - Embu-Guaçu Paróquia São Bento - Morumbi

Módulo 4: Lectio Divina: 07 de junho de 2014 (Sábado 8 às 17h) Local: Seminário Mater Eclesiae, Itapecerica da Serra

Mais informações pelo telefone (11) 3584-9016 ou pelo e-mail: comissaobiblica@hotmail.com

Com a Quaresma, a Igreja no Brasil, vive também a Campanha da Fraternidade. Que em comunidade possamos viver uma fé verdadeira que no leve a uma profunda conversão e que sejamos livres do pecado e de tudo aquilo que atenta contra a vida.

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Jornal Diocese em Ação

Entenda o significado do cartaz: 1-O cartaz da Campanha da Fraternidade quer refletir a crueldade do tráfico humano. As mãos acorrentadas e estendidas simbolizam a situação de dominação e exploração dos irmãos e irmãs traficados e o seu sentimento de impotência perante os traficantes. A mão que sustenta as correntes representa a força coercitiva do tráfico, que explora vítimas que estão distantes de sua terra, de sua família e de sua gente. 2-Essa situação rompe com o projeto de vida na liberdade e na paz e viola a dignidade e os direitos do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus. A sombra na parte superior do cartaz expressa as violações do tráfico humano, que ferem a fraternidade e a solidariedade, que empobrecem e desumanizam a sociedade. 3-As correntes rompidas e envoltas em luz revigoram a vida sofrida das pessoas dominadas por esse crime e apontam para a esperança de libertação do tráfico humano. Essa esperança se nutre da entrega total de Jesus Cristo na cruz para vencer as situações de morte e conceder a liberdade a todos. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1), especialmente os que sofrem com injustiças, como as presentes nas modalidades do tráfico humano, representadas pelas mãos na parte inferior. 4-A maioria das pessoas traficadas é pobre ou está em situação de grande vulnerabilidade. As redes criminosas do tráfico valem-se dessa condição, que facilita o aliciamento com enganosas promessas de vida mais digna. Uma vez nas mãos dos traficantes, mulheres, homens e crianças, adolescentes e jovens são explorados em atividades contra a própria vontade e por meios violentos. (Fonte: CF 2014).

Jornal Diocese em Ação  

Ed. nº09 Fev/Mar 2014

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