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Ano da Liturgia e a oportunidade do encontro com o Cristo ressuscitado pág.

ANO XI - nº 114 – Março de 2011 – Leia mais: www.diocesedeblumenau.org.br

Diocese de Blumenau CNBB Regional Sul 4

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Jornal da

Diocese de Blumenau

“A terra é mãe, é criatura viva; Também respira, se alimenta e sofre. É de respeito que ela mais precisa! Sem teu cuidado ela agoniza e morre” (Trecho do Hino da Campanha da Fraternidade 2011 – “Fraternidade e a Vida no Planeta”)


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Opinião

“Eu lhes falo como a filhos: abram também o coração de vocês” 2Cor 6,13

Salvar só a alma? Não. Também o corpo No próximo dia 9 de março, em todo o Brasil, abre-se of cialmente a 47ª Campanha da Fraternidade, que se estende até o Domingo de Ramos, 17 de abril. Sua temática, no entanto, por abordar desaf os sociais de certa gravidade, perdura, não só por todo o ano em curso, mas penetra a ação evangelizadora da Igreja por longo tempo, deixando rastros de reconstrução, de esperança e salvação. O tema deste ano não poderia ser mais sintonizado com os anseios e temores dos seres humanos de todo o mundo: “Fraternidade e a Vida no Planeta”. O lema faz jus à contribuição específica d a Igreja nesse campo da ecologia, ou seja, a perspectiva religiosa, bíblica, teológica: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). “Salva tua alma” foi palavra de ordem durante muitos séculos para a obra evangelizadora. Na visão platônica e aristotélica, que determinou também a posição tomista, o corpo reduzia-se a mero “burro”, mal necessário para a existência da alma. Como síntese dos elementos cósmicos, o corpo humano também significa toda a

matéria, inclusive a animal e a vegetal. Assim também, não valia a pena pensar no mundo, nas criaturas. Importante realmente era cultivar a alma, santif cá-la e salvá-la, desprezando o mundo e até dele fugindo. O Concílio V aticano II trouxe uma reviravolta copernicana nesse sentido: declarou a autonomia das realidades terrestres, isto é, o seu valor em si, como criaturas de Deus e não só relativamente à salvação eterna dos homens e mulheres. Como o corpo humano, chamada igualmente à ressurreição, a criação deve ser preservada, respeitada, aperfeiçoada, salva da ganância e exploração desequilibrada. Não só São Paulo refere-se a esta ressurreição do cosmos. Isaías já fala: “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Is 65,17). A Campanha da Fraternidade desse ano vem alimentar em todos nós esse sonho e essa luta: um planeta onde a vida é valorizada, conservada, resgatada e melhorada.

Dom José

Quaresma e conversão Quaresma é o te mpo da conversão, do retorno a Deus. Esse tempo será, para toda a noss a igreja, um tempo que nos preparará para a Páscoa, fazendo-nos ref etir sobre o signif cado do Batismo e sobre a nossa vida batismal, sobretudo sobre o que brotou e f oresceu a partir dessa vida na nossa Igreja local. O texto do Concílio V aticano II, que fala sobre a liturgia, propõe que se esclareça melhor a dupla índole do tempo quaresmal – que, principalmente pela lembrança ou preparação ao Batismo e pela penitência, fazendo os f éis ouvirem com mais frequência a Palavra de Deus e se entregarem à oração, os dispõe à celebração do misté-

rio pascal. Além de ser um tempo de graça, a quaresma é também um tem po de luta, tempo em que devemos tomar consciência da realidade conf itante de nossa vida, d as lutas que devemos empreender contra o mal, contra as tentações, contra todas as formas de desânimo, de medo e de angústia, que nos ameaçam. Mas, como viver concretamente o caminho quaresmal em nossas comunidades? Uma das lei turas que ouviremos nesse tempo será a de Isaías (Is 58,4-10), em que ele denuncia, com fortes palavras, uma religiosidade longe da vida, atos religiosos que não se traduzem em atos de justiça, de caridade e honestidades.

Criado por Deus “Quando digo que Deus me criou parece-me perfeitamente válido, necessário até, que eu coloque o meu ser de indivíduo criado por Deus como o de um ser privilegiado” Deus não fabrica lixo. Logo, ao me criar, criou um ser importante, que não existia antes e não será nunca mais repetido. Não haverá nunca outra pessoa ex atamente como eu, dure o mundo o tempo que durar. Deus não faz clones. Só o ser humano é capaz de tal aberração. Quem não sabe criar, copia e copia mal! Quando digo que Deus me criou parece-me perfeitamente válido, necessário até, que eu coloque o meu ser de indivíduo criado por Deus como o de um ser privilegiado. Ele podia, no concerto da criação, ter criado tudo o que lhe aprouvesse, menos eu. Se no meio de bilhões e bilhões e bilhões de criaturas Ele escolheu criar também a mim, é porque tenho um significado no seu projeto e na sua obra. Aqui, ao usar “eu”, não estamos sendo nem

“Além de ser um tempo de graça, a quaresma é um tempo de luta, em que devemos tomar consciência da realidade conflitante de nossa vida, das lutas que devemos empreender contra o mal, as tentações e todas as formas de desânimo, de medo e de angústia”

egoístas e nem excludentes ou exclusivistas. Toda vez que, agradecido, eu louvo a Deus pela chance que me deu de ser alguém, estou com a minha atitude entrando no concerto da criação e dizendo a Deus: “Muito obrigado, Tu que és aquele que é e desteme a gr aça de ser qu em sou. Mas, assim como Tu és quem és para tudo e para todos, eu também quero ser alguém para os outros. O meu ser só existe em função do Teu ser e da Tua criação. O meu ser perde a importância se não em função dos outros”. Todos esses sentimen tos são lindos e maravilhosos de se ter e devemos mantê-los, porque, sem isso, jamais mantemos o nosso lugar aqui, agora, já, no concerto da criação. Oremos para entendermos isso! Padre Zezinho (scj)

Seremos, portanto, convidados a iniciar a quaresma com atos religiosos como, por exemplo, a imposição das cinzas, que nos compromete num caminho de penitência e de conversão, a meditação, a oração silenciosa e também a capacidade de fazer jejum. Com tudo isso, não nos esqueçamos de traduzir a conversão em atos cotidianos de caridade, de amor para com os nossos próximos. A campanha da fraternidade deste ano nos levará a olhar com particular atenção a f gura de São Francisco, que louvava a Deus pelas criaturas e com as criaturas. O exemplo dele nos faça crescer mais no respeito da criação esperando o triunfo de Cristo que, na sua ressurreição, levou toda a criação à completa libertação.


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“Seus olhos se abriram, e eles o reconheceram” (Lc 24,31)

Diocese ANO DA LITURGIA

Eucaristia, fonte e cume da vida e missão da Igreja

Como continuidade do programa do ano passado, Ano da Palavra, em 2011 vamos dar sequ ência ao Plano de Pastoral, a partir do texto dos discípulos de Emaús (Lc 24,1335). Depois d e ter explicado as Escrituras aos dois discípulos, Jesus se senta com eles à mesa, toma o pão, abençoa-o, parte-o e o dá a eles. Ele celebrou uma verdadeira liturgia. Naquele momento, os discípulos se sentiram transformados. Seus olhos se abriram, o coração se abriu, a fé desabrochou e eles reconheceram o Mestre. O Ano da Liturgia, portanto, nos remete logo ao sentido e à maneira de vivermos os Sacramentos. Como reza o documento do Vaticano II a respeito da primeira igreja, quando ela apareceu ao mundo depois do Pentecostes, retomando o livro dos Atos dos Apóstolos, os que “receberam a palavra de Pedro foram batizados.

E perseveravam na doutrina dos Apóstolos, na comunhão da fração do pão e nas orações, louvando a Deus e cativando a simpatia do povo”. Nunca, depois disso, a Igreja deixou de reunir-se p ara celebrar o mistério pascal: lendo tudo quanto a Ele se referia em todas as Escrituras, celebrando a Eucaristia, na qual “se torna novamente presente a vitória e o triunfo de sua Morte”. A partir dessas considerações, desejamos, sobretudo neste ano, colocar no centro da nossa vida diocesana pastoral o Sacramento da Eucaristia, o sacramento do amor, que deveria ser o último dos sacramentos da iniciação cristã, porque é aquele que nos acompanha ao longo de toda a nossa vida.

Desaf os Ao longo desses próximos anos, poderíamos ter presentes algumas metas para orientar-nos sobre como

fazer para que a Eucaristia se torne o p onto c entral d e n ossa Pa storal. Mas, para chegar a isso, é necessário encontrar uma resposta para os seguintes questionamentos: sabemos celebrar de verdade o mistério de Deus? Ele é, verdadeiramente, para todos nós, um grande valor? A nossa missa transforma nossa vida? N ós nos sentimos atraídos pela Eucaristia? As missas que celebramos são de verdade um momento de crescimento para toda a comunidade? O que está faltando para que, de fato, a Eucaristia se torne o centro do nosso ser e fazer? A primeira dificuldade pode surgir a partir do fato mais evidente que se refere à Eucaristia, vivida no seu aspecto da celebração. V ale a pena aqui vivenciarmos aquilo que a Escritura diz a respeito da atitude íntima da pessoa diante do mistério de D eus, m istério n em s empre compreendido. Fala-se em “dureza de coração” ou em “coração lento

para crer”. Isso acontece quando a Eucaristia não é colocada no centro da celebração, na vida da comunidade e na missão de cada um. Uma coisa que nos impressiona é o abandono da missa dominical pela m aior p arte d os n ossos fiéis, justificado por mil e uma motivações. É con siderável, por exemplo, o número de jovens que depois da Crisma abandonam a igreja e, portanto, também a partic ipação na Eucaristi a. Muitos pais relatam aos seus sacerdotes que os f lhos adolescentes não querem sequer saber mais da missa dominical. Sabemos que até crianças, q ue a inda s e en contram no p rocesso d e f ormação d a iniciação cristã, frequentam apenas esporadicamente a missa do domingo. Em alguns casos parece que esse abandono tem como causa a preguiça ou o desleixo de seus responsáveis. Em outros, está relacionado à perda do senso de pertença eclesial e dos gestos que a expressam. Não é raro o fato de que alguns entre os nossos f éis pensam que eles mesmos podem determinar o que é mais necessário para serem cristãos e excluem, a priori, a missa do domingo.

Comunhão Outro ponto que deve ser relevado diz a respeito à superficialidade com que se trata muitas vezes a santa comunhão. Longe de querer expressar

qualquer julgamento, não é incomum ouvirmos a observação de que muitas vezes as pessoas entram na fila da comunhão mais por hábito do que por convicção, e sem uma adequada preparação para receber esse sacramento. Se, por um lado, estamos assistindo a uma diminuição da sensibilidade dos fiéis d iante do mistério eucarístico, de outro, porém, devemos admitir que a maneira de celebrar nem sempre é a mais adequada. Não é fácil a presentar aqui as razões dessa forma de celebrar , como também não é fácil levar em consideração o justo equilíbrio entre os dois extremos: um ritualismo formal de um lado e, de outro, uma familiaridade exasperada com o mistério, ao ponto de reduzi-lo a banalidade. Nesses casos, podemos observar que quando a Eucaristia perde o seu espaço no centro de nossas vidas, quando em lugar de Cristo outros interesses se colocam, ela não consegue mais liberar a plenitude de sua força e não atrai mais as pessoas. É necessário percorrer um caminho de conversão, que nos ajude a descobrir o mistério eucarístico não como um bem que está simplesmente à nossa disposição, mas identificar nesse mistério a presença viva de Cristo, a força do seu Espírito, que nos atrai naquele movimento de obediência ao Pai. (Texto do Bispo Diocesano Dom José Negri para o Ano Eucarístico. Continua na próxima edição).

Diocese comemora seu padroeiro A Catedral de São Paulo Apóstolo se encheu de alegria no dia 25 de janeiro, para a comemoração do padroeiro do templo e da Diocese de Blumenau. A missa solene, celebrada por Dom José Negri, reuniu lideranças católicas, religiosos e a comunidade da região.

Na ocasião, o bispo proferiu a bênção apostólica com indulgência plenária. Na homilia, Dom José se lembrou da celebração eucarística presidida pelo padre Alberto Gattone, em 1865, marcando o início da caminhada da comunidade católica blumenauense, ao redor do Alimento da Eucaristia.

A comunidade festejou o dia do Santo Padroeiro.


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Igreja

“Venham vocês, que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança, o Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo” (Mt 25,34)

ENTREVISTA

“O Senhor me escolheu e enviou. Também ele há de inspirar, amparar e orientar” Ordenado bispo auxiliar, Dom Jaime Spengler segue sua missão, na arquidiocese de Porto Alegre Na mesma Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo, em Gaspar, onde foi batizado, recebeu a Primeira Eucaristia, foi crismado e ordenado, Dom Jaime Spengler recebeu, no dia 5 de fevereiro, a consagração episcopal. Foi um dia de festa para a comunidade, que lotou o templo, na celebração presidida pelo núncio apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, juntamente com o arcebispo da capital gaúcha, Dom Dadeus Grings. Dom Jaime agora é bispo auxiliar de Porto Alegre e, nesta entrevista, fala sobre sua missão, o chamado de Deus e a importância das vocações. Como o senhor se sentiu ao receber o chamado para a missão do episcopado? Com surpresa e alegria. Alegria porque sempre gostei de ser religioso. Surpresa porque jamais imaginava que pudesse ser indicado para bispo numa realidade como Porto Alegre, cidade de grande importância no cenário nacional, tanto em nível político como religioso, uma metrópole. É uma responsabilidade e um desaf o abraçar este ministério, um serviço em favor do povo de Deus. Qual a sua expectativa em relação a esse novo desaf o? O desaf o representa convocação a se desinstalar . Espero poder corresponder às exigências e desafios apresentados à Igreja presente em Porto Alegre. Espero poder ser , com os presbíteros que atuam na região, presença evangelizadora, testemunho da paz e do bem, um pastor cuidadoso e atento às necessidades do povo de Deus. Quais serão estes desafios e como enfrentá-los?

[+] PERFIL Filho de Genésio e Léa Maria Spengler, nasceu em 6 de setembro de 1960, em Gaspar. Ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1982 e fez a profissão solene em 1985. Cursou Filosofia e Teologia no Brasil, concluindo a formação no Instituto Teológico de Jerusalém, em Israel. Foi ordenado diácono em 1989 e presbítero em 1990. Fez doutorado em Filosofia em Roma e atuou em seminários e comunidades em cidades de São Paulo e Paraná. Seu lema episcopal é “Gloriar-se na cruz” (Cl 6,14).

Ungido pelo núncio apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, Dom Jaime agora assumirá um novo desafio, no Rio Grande do Sul O primeiro é conhecer o local, a região do V icariato de Gravataí e a realidade da própria Arquidiocese de Porto Alegre. Conhecer os presbíteros, diáconos, seminaristas, religiosos, religiosas, as lideranças eclesiais e as pastorais. Adquirir conhecimento e sensibilidade para corresponder às diversas situações do cotidiano. Tudo exigirá tempo, disposição e capacidade de escuta. Construindo relações, fortalecendo contatos, amiz ades... É preciso ver e compreender os desafios a partir da fé e por ela entender que se trata de uma escolha. O Senhor me elegeu e me enviou, então Ele também haverá de inspirar, amparar, orientar e sugerir. De que forma esse chamado de Deus pode ref etir no contexto religioso de Gaspar? O povo do V ale do Itajaí é batalhador, trabalhador, honesto. Povo marcado pela fé e tradição católica. A fé cristã moldou seu caráter . Portanto, estamos falando de um povo determinado! Talvez um reflexo possa ser a convicção da necessidade de conser-

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var e perpetuar às novas gerações um pouco do brio, da determinação, da decisão, do empenho e da fé dos que nos precederam. De que forma o seu SIM pode incentivar as vocações nas comunidades onde atuou? Todo SIM ao projeto de Jesus ref ete, comunica algo. É como a pedrinha que atiramos na água: forma ondas. E esse movimento, por menor que seja, transforma a realidade. Todo o universo é tocado, se transforma. Do mesmo modo, a decis ão de alguém de se lançar nesse ou naquele estilo/ forma de vida, transforma tudo. Creio que um evento como esse, vivido pela Paróquia de Gaspar, toca não só a Paróquia, mas toda a comunidade diocesana. Mexe, provoca e faz pensar! Vocação é sempre uma graça, é dom, é chamado. Chamado que vem do próprio Senhor! Da nossa competência é somente cuidar do terreno, cultivar o chão, preparar a terra! E isso está sendo feito! A vocação sacerdotal, na maioria

das vezes, é fruto de uma experiência cristã em família. De que forma as famílias podem fomentar uma vocação? De que forma a sua família o fez? Toda vocação é graça! E em se tratando de graça, diz de algo muito particular, especial, pessoal. É através do desenvolvimento da obra do cuidado para com a vida que vai se desenvolvendo, constituindo e formando os alicerces da vocação. Pai que é pai, mãe que é mãe, comunidade que é comunidade... Todos forjam os elementos necessários para que a graça possa atuar. E a graça se faz presente mesmo quando não a percebemos. Daí a urgência de fomentar a perspicácia, a sensibilidade, o tato! Graça diz de uma singeleza, de uma nobreza, de uma dignidade atuante e perceptível nos corações retos e sinceros. Essa retidão e sinceridade de coração talvez sejam coisas que as famílias - juntamente com a escola e a Igreja - pudessem fomentar no seio de nossa juventude!

SANTO DO MÊS

São Nicolau de Flue

Na história da Igreja, edif cam-nos muitos santos que exerceram decisiva influência na pacificação, reconciliação e unif cação de seus países. Um dos mais eloquentes nesse sentido é São Nicolau de Flue, celebrado em 21 de março, dia de sua natividade, em 1417, na Suíça. Nicolau passou a mocidade na casa paterna. Sua inclinação chamava-o à vida monástica, mas, por solicitação dos pais, casou-se com uma moça muito religiosa e virtuosa. Teve dez f lhos que educou no temor de Deus. Numerosos sacerdotes surgiram de sua descendência. Sua integridade moral, retidão de consciência e capacidade de discernimento eram evidentes. Foi procurado para exercer altos cargos públicos. Tomou parte ativa em diversas guerras, como soldado e of cial. Aos 37 anos decidiu seguir seu ideal de vida, retirado na solidão e na oração. Separou-se da família e dos bens e foi viver numa humilde cabana, com uma capelinha para rezar. Penitência, jejum e oração preenchiam seus dias. Alimentava-se de frutas e ervas silvestr es. Nos domingos e dias santos ia à missa. Fez romarias aos santuários de Einsiedeln e Engelberg. Por mais de 20 anos só se alimentou da Eucaristia. Atraía muita gente, até da alta sociedade, que reconhecia o valor de seus conselhos e orientações. Sua inf uência nos assuntos sociais e políticos da Confederação Suíça foi altamente benéf ca. Desempenhou papel decisivo na reconciliação dos ânimos exasperados e conseguiu a unificação dos partidos na famosa Dieta de Stans, em 1481. Tornouse venerado pelo povo, símbolo de paz, concórdia e f delidade à pátria. O eremita morreu santamente no mesmo d ia e m q ue n ascera, a os 7 0 anos, consumido pelas penitências, mas rico de merecimentos per ante Deus e a sociedade. Ainda hoje é venerado como herói da Igreja e da pátria, exemplo de homem cristão, numa sociedade conf itiva.

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“Conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber. Tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras, é nossa alegria”. (Documento de Aparecida)

Catequese CATEQUESE

Processo de educação da fé em vida

Objetivo dessa caminhada não é o sacramento a ser celebrado, mas a vida cristã que dele nasce Iniciação à Vida Cristã – Um processo de inspiração catecumenal. Um percurso a ser percorrido, que provoque transformações concretas no modo de educar n a f é A c atequese d e Iniciação Cristã não é apenas doutrinação ou instrução, mas a construção de um itinerário, uma nova maneira de conduzir o processo catequético, com critérios e horizonte que ajudarão a compreender o no vo jeito de fazer catequese. O objetivo não será o sacramento a ser celebrado, mas a vida cristã que dele nasce. Um projeto aberto, para ser seguido por todas as paróquias e comunidades, não podendo ser limitado à idade ou turma, ou por tarefas cumpridas na sala, mas, pela v ivência da fé, participação e per-

tencimento à comunidade cristã. O fundamento e ssencial é Jesus e o seu seguimento, a partir de sua vida e de seu projeto. Queremos discípulos missionários e nã o p essoas q ue fa zem “cursinho” sem compromisso com a vida cristã.A nova proposta é uma experiência integral, que cada pessoa vai viver a seu jeito, sempre em comunidade, sem “ponto f nal de chegada”! A catequese de Iniciação à Vida Cristã é o elo entre a açã o missionária que chama à fé e a ação pastoral que alimenta a comunidade (DGC 64). A catequese iniciática atual adaptada recupera do catecumenato aspectos importantes para colocar o iniciante em contato e em comunhão com Jesus Cristo (DGC 80). É um processo progressivo,

A iniciação, na prática Para facilitar a compreensão do que é a Iniciação à V ida Cristã – Um processo de inspiração catecumenal - queremos esclarecer que o processo se inicia com a admissão ou inscrição, como o primeiro tempo do catecumenato (cf.Estudos da CNBB 97). O catecumenato é o segundo tempo e inicia com a catequese em que os iniciantes recebem formação e exercitamse na vida cristã. Este segundo tempo é dedicado ao ensino, à

que precisará de adaptações e soluções locais e criativas, que possibilitem aprender a conviver com as dif culdades e limites que aparecerão. Não podemos mudar tudo. É impore outras celebrações. Querigma, no Novo Testamento, é o anúncio central da fé, o núcleo de toda mensagem cristã, a boa notícia da salvação (Evangelho). O primeiro tempo (pré-catecumenato), consiste nesse anuncio essencial da fé. Os sacramentos da iniciação - Batismo, Crisma e Eucaristia - expressam uma unidade da Obra Trinitária e indissolúvel na Iniciação à Vida Cristã!

reflexão e aprofundamento da fé (cf. RICA, nº 7). Para isso os catequistas deverão também ser iniciados. A f nalidade da catequese é aprofundar e amadurecer na fé, educa ndo para a mudança de atitude, para que se integre, incorpore à comunidade cristã. A Iniciação à Vida Cristã é a introdução de uma pessoa no mis- Catequistas tério de Cristo, da Igreja e dos saPreparemo-nos com carinho, dedicacramentos, por meio da proclamação da mensagem (querigma), da ção e coragem para fazer acontecer esta catequese e dos ritos sacramentais mudança preconizada pela Igreja do Bra-

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tante considerar as conquistas de nossa catequese, que devem ser valorizadas, conservadas e aprofundadas. O novo proposto não invalida o que temos de bom. Neste modelo, é fundamental respeitar a gradualidade progressiva, dando passos processuais, sem pressa para a meta de construir uma identidade cristã, formando discípulos missionários a serviço da vida no mundo, a exemplo de Jesus! É fundamental apresentar aos iniciantes algo preci oso, que vai dar sentido e mudar a vida pelo encontro pessoal com Jesus Cristo. “Ser cristão não é uma carga, mas um dom. Deus Pai nos abençoou em Jesus Cristo, seu Filho, Salvador do Mundo” (Documento de Aparecida, 28). O pré-catecumenato é o primeiro tempo do catecumenato. Um e spaço p ara o a colhimento do iniciante na comunidade cristã, para receber o primeiro anúncio (querigma) - ou evangelização - e uma primeira adesão à fé (cf RICA 7a, 9-13; Estudos CNBB 97, 78-79; 125). O processo de Iniciação Cristã envolverá introdutores, pais, padrinhos, catequistas, equipe de coordenação, comunidade, ministros, ordenados, bispo, presbíteros e diáconos. sil e America Latina, participando de cursos nas paróquias, na tentativa de formar os catequistas, possibilitando a eles próprios viverem a Iniciação Cristã! “Ora, como invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele que não ouviram? E como ouvirão, se ninguém o proclamar? E como proclamarão se não houver enviados” (Rm 10,14-15).

(Irmã Anna Gonçalves, coordenadora diocesana de catequese)

CURTAS HOMENAGEM Ao Padre Raul Kestring, coordenador do Jornal da Diocese, que comemorou aniversário dia 9 de fevereiro. A ele desejamos muita saúde, luz e bênçãos especiais em sua missão de comunicador.

CF 2011 Os catequistas da Paróquia da Catedral São Paulo Apóstolo estão muito envolvidos, participando do curso de formação oferecido no início do ano, trabalhando a criação sob o tema “Fraternidade e a V ida do Planeta”, da Campanha da Fraternidade 2011.

COORDENAÇÃO Nos dias 16 e 17 de fevereiro, as coordenações diocesanas de catequese se reuniram em L ages para rever a caminhada da catequese nas dioceses e encaminhar o encontro do 7º Sulão, que acontecerá em São José do Rio Preto (SP), em agosto. O tema do evento será “Mistagogia, novo caminho formativo de catequistas” e o lema, “Encontramos o Senhor... Vem e vê” (Jo 1,41b.46c).


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Ecumenismo

“Eu não vim por mim mesmo. Quem me enviou é verdadeiro e vocês não o conhecem” (Jo 7,28)

ENCONTRO

Lideranças refletem sobre ecumenismo e diálogo religioso

Reunião ocorreu em São Paulo, promovida pela Comissão Episcopal Pastoral da CNBB

A Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB promoveu, em janeiro, em São Paulo, o 14º Encontro de Professores de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso. O evento reuniu 52 integrantes de várias regiões brasileiras, entre educadores, coordenadores do ecumenismo e membros de entidades ecumênicas. O objetivo era refletir sobre como os temas do ecumenismo e do diálogo inter-religioso podem e devem ser contemplados nos diferentes espaços do ensino. O coordenador do curso, Padre Elias Wolff, assessor da CNBB, lembrou que esta formação é de grande importância para qualificar os agentes de pastoral, para desenvolverem a dimensão do ecumenismo e do diálogo em sua ação evangelizadora, como orienta o Magistério da Igreja Católica. O curso, também, contou com

Religiosos e leigos participaram do encontro em São Paulo a assessoria do Padre Marcial Maçaneiro, que ref etiu sobre a natureza, o objetivo, o método e o conteúdo do ensino do ecumenismo e do diálogo inter-religioso. Dom Oneres Marchiori, bispo emérito de Lages e Administrador Apostólico da Diocese de Caçador , palestrou sobre a mística do diálogo. Os participantes - em sua maio-

ria professores - refletiram sobre como possibilitar que os lugares de ensino sejam de fato espaços que possibilitem uma educação para o diálogo. “É urgente fazer com que, tanto as escolas públicas e particulares, quanto os seminários, as faculdades de Filosofia e Teologia contribuam para que os estudantes

Contra a intolerância religiosa Outro evento ecumênico foi promovido pela Rede Ecumênica de Juventude (REJU), em janeiro, com o lançamento da campanha contra a intolerância religiosa. Esta campanha se estende durante todo o ano de 201 1, envolvendo todas as regiões do Brasil, com o objetivo de promover uma discussão sobre o tema entre as conf ssões religiosas, estimulando a prática da convivência. Os jovens estão se reunindo em encontros, celebrações e manifestações,

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possam adquirir uma postura de diálogo com as diferentes igrejas e as religiões. E isso se faz conhecendo bem a orientação da Igreja sobre o tema, participando dos organismos ecumênicos existentes e desenvolvendo uma espiritualidade do diálogo que consolide a formação e a prática ecumênica de cada um”, expressou dom Oneres.

lembrando casos de violência pela intolerância à religião, as mobilizações pela liberdade religiosa no Brasil, bem como as lutas pelos direitos humanos e justiça social no Brasil. O dia 21 de janeiro foi of cializado como Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, data que marca um episódio de desprestígio a uma mãe-de-santo por uma seita brasileira. O versículo bíblico norteador da campanha está no evangelho de João – “O vento sopra onde quer , ouvimos sua voz, mas não sabemos de onde vem, nem para onde vai” (Jo 3,8).

Papa reza pela unidade dos cristãos Na celebração q ue marcou o encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, em Roma, no dia 25 de janeiro, o Papa Bento XVI d isse q ue o movimento ecumênico surgido sob o im pulso da graça do Espírito Santo deu passos signif cativos, tornando possível atingir convergências encorajadoras e consensos sobre vários aspectos, desenvolvendo entre as igrejas e as comunidades eclesiais, relações de estima e respeito recíproco e de colaboração concreta diante dos desafios do mundo contemporâneo. Em sua homilia, o Sumo Pontífice declarou que ainda estamos distantes da unidade pela qual Cristo rezou e a qual encontramos ref etida no retrato da primeira comunidade de Jerusalém. “A unidade à qual Cristo, mediante o seu Espírito, chama a Igreja não se realiza apenas no plano das estruturas organizativas, mas conf gura-se a um nível muito mais profu ndo, como unidade expressa na conf ssão de uma só fé, na comum celebração do culto divino e na concórdia fraterna da família de Deus”. “A busca do restabelecimento da unidade entre os cristãos divididos não pode reduzir-se a um rec onhecimento das diferenças recíprocas, nem à consecução de uma convivência pacíf ca: aquilo ao que aspiramos é a unidade pela qual o próprio Cristo rezou e que, por sua natureza, se manifesta na comunhão da fé, dos sac ramentos e do ministério. O caminho rumo a esta unidade deve ser sentido como um imperativo moral, resposta a um chamamento específ co do Senhor. Por isso, é necessário vencer a tentação da resignação e do pessimismo, que é falta de conf ança no poder do Espírito Santo”.


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Enfoque Pastoral

“O jejum que eu quero é este:repartir a comida com quem passa fome, hospedar os pobres, vestir o que se encontra nu e não se fechar à sua própria gente” (Is 58,6-7)

EXEMPLO

Pároco de Mirim Doce, testemunho de solidariedade

A cidade ficou debaixo d’água, com a maioria das casas, empresas e até a igreja destruídas Todos nós e todo o Brasil nos comovemos com as tragédias do último janeiro, no Rio de Janeiro e em outros estados brasileiros. Ocorre, porém, que esses tristes acontecimentos que, infelizmente, ceifaram vidas humanas, tornam-se ocasião de manifestações do espírito de solidariedade, tão característico do nosso povo. Próximo da nossa região, a cidade de Mirim Doce foi duramente atingida por enorme avalanche de água, lama, pedra, madeira. Muito pouco sobrou da-

quele pequeno povoado, que já vinha apresentando significativo desenvolvimento e infraestrutura. Felizmente em Mirim Doce não houve ocorrência de morte nessa circunstância. No entanto, em meio às perdas e sofrimentos que o povo não esquece, destacou-se o testemunho de solidariedade do Padre Genésio V argas, pároco daquela comunidade, que tem por padroeiro, São José Operário. A casa paroquial onde reside o Padre Genésio, foi tomada também pela repentina avalan-

A nova Eucaristia

tãos, que desejamos viver a Eucaristia diariamente, precisamos ref etir sempre sobre a vontade de Cristo ao nos ensinar a “partilhar o pão”. A verdadeira Eucaristia não existe enquanto há crianças desnutridas, abandonadas, violentadas; jovens perdidos para a droga, a prostituição, à margem da vida; famílias desagregadas, desorientadas, sem casa; homens e mulheres iludidos por um sistema consumista e explorador; idosos abandonados, feridos, desejando a morte. Essas são as tragédias do nosso dia a dia, tragédias sociais per-

Quando ocorrem grandes tragédias climáticas, como a que destruiu Mirim Doce ou o Rio de Janeiro, a comunidade prontamente se mobiliza, arrecadando donativos para garantir que não faltem alimentos, água, roupas e remédios para os desabrigados. A solidariedade é um dom divino, atitude que merece elogios da sociedade. Não é só nas situações ocasionais, porém, que a solidariedade é bem-vinda. Especialmente nós, cris-

che. Como seus f éis mirimdocenses, o pároco viu-se sem nada e ainda cercado pela lama que não poupou nem mesmo a Igreja Matriz São José Operário. Alguns dias depois se comentou que o pároco se teria ausentado, em busca de local mais seguro, confortável. Ao contrário, os próprios moradores da cidadezinha semi-destruída asseguram a todo momento: “Padre Genésio permaneceu conosco, vivendo nossa dor , confortando-nos, fazendo de tudo para aliviar momentâneas atitudes de deses-

Na catástrofe que atingiu a cidade, o Padre Genésio Vargas permaneceu ao lado de sua comunidade

pero, limpar objetos litúrgicos enlameados, providenciar material de primeira necessidade para as pessoas desalojadas e famintas”. Gesto desse tipo lembra imediatamente o exemplo de Jesus. Vindo morar entre os homens, particip ou de suas angústias, dores, doenças, tr istezas. E mais: morto e ressuscitado, permaneceu vivo e presente nas alegrias e esperanças da humanidade, como alimento divino de amor, esperança e ressurreição. Nada impedia que Padre Vargas decidisse sair daquele caos e refugiar-se

Após as cenas trágicas, a esperança move os habitantes de Mirim Doce, que vão reconstruindo suas vidas manentes às quais, lamentavelmente acabamos por nos acostumar. Os d esafios c limáticos ta mbém

merecem nossa reflexão. Até que ponto estamos tendo atitudes que contribuem com os eventos climáticos

na casa de famílias amigas, que geralmente não faltam ao sacerdote. Num gesto verdadeiramente eucarístico, pastoral, ele submeteu-se ao desconforto, à renúncia, ao sacrifício para estar juntos dos seus paroquianos. Exemplos desse valor precisamos descrever e publi car para que Deus seja glorif cado em nossas boas obras e para que os irmãos e as irmãs tenham suas dores minoradas. Padre Raul Kestring

e as catástrofes que se repetem em todos os lugares do Brasil e do planeta? Qual é a nossa atitude diante do meio ambiente? Estamos sendo consumidores responsáveis de água, alimentos, energia e produtos de toda ordem? O que estamos fazendo com o nosso lixo? Não mais nos deixarmos interpelar por esses outros verdadeiros gritos de socorro da natureza e dos nossos irmãos, talvez indique a tragédia maior da humanidade de hoje.

Franciscanas

Irmãs Catequistas

Transforme seu sonho em projeto de vida!

Atuamos nas áreas de: Educação, Catequese, Grupos de Reflexão, CEBs, formação de lideranças, movimentos populares, trabalhos com indígenas e afro descendentes, mulheres, economia solidária, juventudes, ecologia, saúde popular...

Nosso Contato:

Província Imaculado Coração de Maria - Tel: (0..47) 3323-1789 Correio eletrônico: Irmã Marlene Eggert: mar.eggert@hotmail.com Visite nosso site: www.cicaf.org


Especial

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PLANETA

“A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22) Campanha da Fraternidade 2011 alerta para o nosso papel de cristãos, diante da exploração ambiental e suas consequências A cada ano, a Campanha da Fraternidade traz a preocupação da Igreja do Brasil em criar condições, para que o Evangelho seja mais bem vivido, numa sociedade que se torna indiferente aos problemas humanos. Em 2011, o assunto é o meio ambiente. Através do tema “Fraternidade e a V ida no Planeta” e o lema “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22) somos convidados a ref etir sobre a nossa contribuição para a exploração dos recursos da terra, o aquecimento global e todas as suas consequências. Esta não é a primeira vez que a Igreja aborda a problemática ambiental. Antes, em 2002, alertou para a questão indígena, lembrando a relação harmônica dos nossos antepassados com a natureza, de onde extraíam apenas o necessário para sua subsistência e viam a divindade nas coisas da terra. Em 2004, fomos exortados a repensar o consumo de água e as consequências de sua escassez para a vida do planeta. Em 2007, a reflexão sobre a Amazônia já era um indicativo dos problemas ambientais e sociais que representam a derrubada de áreas imensas das nossas f orestas. Estas três correntes voltam à luz neste ano, quando a Campanha da Fraterni-

[+] COMO AGIR EM CASA ✗ Troque a sacola plástica por papel ou tecido, que têm ciclo de decomposição mais rápido ✗ Consuma produtos locais e alimentos orgânicos ✗ Diminua a temperatura da geladeira e do ar condicionado ✗ Desligue totalmente os aparelhos que não estão em uso ✗ Utilize energia solar e procure captar água da chuva para uso em casa ✗ Prefira carros a gás ou etanol ✗ Use vidros, ao invés de alumínio ou plástico, para guardar alimentos ✗ Só imprima documentos, quando for necessário ✗ Não escove os dentes, ou faça a barba com a torneira aberta ✗ Tome banhos rápidos ✗ Use lâmpadas mais econômicas ✗ Reaproveite e reutilize tudo que puder ✗ Use pilhas recarregáveis ✗ Faça coleta seletiva dade conclama as pessoas de boa vontade para olhar a natureza e perceber como as mãos humanas estão contribuindo para o fenômeno do aquecimento global

e as mudanças climáticas, com sérias ameaças à vida, sobretudo as mais frágeis: a dos pobres e vulneráveis.

Mudanças Ao longo da existência, a terra sofreu muitas mudanças. No passado, por causas naturais (como as variações da órbita da terra, a queda de meteoritos e as erupções vulcânicas), as transformações levavam milhões de anos para ocorrer . A partir do crescimento populacional e do domínio das culturas ocidentais, no recente século 18, surgiram os sistemas de produção industrial e o incentivo ao consumismo e as mudanças se tornaram mais frequentes e drásticas. A temperatura da terra aumentou, causando elevação nos níveis do mar , derretimento de geleiras e aquecimento das águas. O desmatamento e a poluição mudaram os ciclos das estações, alterando os padrões climáticos, que nos impõem secas rigorosas, furacões, enchentes e inundações. A humanidade já consome 25% a mais do que o planeta é capaz de disponibilizar . Nessas condições, sofre a vida em geral e, em especial, o homem, pois apesar da riqueza gerada, um sexto da população mundial (um bilhão de pessoas) passa fome. Milhares já vivem sem água, mesmo na América Latina, onde este recurso natural é dos mais abundantes do mundo. Outros milhares não têm saneamento básico, expostos a doenç as e privações de toda ordem.

[+] O tema, na prática O documento da CNBB sobre a Campanha da Fraternidade 2011 apresenta três propostas à Igreja, que somos nós. ✗ 1 - VER: como cristãos precisamos enxergar a problemática do aquecimento global e suas consequências para o planeta, sob a perspectiva da consciência de que o consumo exagerado ocasiona, ou contribui para esta situação. ✗ 2 – JULGAR: o projeto de Deus, Criador para com o mundo e o ser humano nos conclama a uma conversão, uma mudança de comportamento com o meio ambiente. O nosso objetivo deve ser o bem comum, não o enriquecimento de alguns.

Propostas para a sustentabilidade

Os cristãos não podem f car indiferentes à questão climática e são conclamados, especialmente no período da Quaresma – tempo de escutar a Palavra, de viver a oração, o jejum e a caridade – a ref etir e a mudar sua consciência em relação à vida do Planeta. Entender que o amor ao

meio ambiente é uma resposta de amor ao Criador e com Ele salvaguardar o direito e a dignidade de vida das futuras gerações. Sustentabilidade é a harmonização de três vertentes: a economia, o meio ambiente e o bem-estar social. Já dizia

o pacifista Mahatma Gandhi, “o mundo tem recursos suf cientes para atender às necessidades de todos, mas não às ambições de todos”. Temos que ref etir sobre que planeta queremos deixar aos nossos filhos, mas sobretudo, que filhos queremos deixar para o planeta.

Cartaz da Campanha da Fraternidade de 2011

✗ 3 – AGIR: cada um deve perceber que, também, tem sua contribuição, que é parte do problema, adotando ações concretas para conter o consumo desenfreado e suas consequências. Uma das propostas da Igreja diz respeito ao resgate do sentido do domingo, dia de descanso e louvor a Deus, agradecendo à vida através da Eucaristia. Outra forma de agir é não considerar o problema, globalmente, mas pensar, localmente, adotando e incentivando o próximo às práticas mais corretas de se relacionar com o meio ambiente.

[+] PARA PROPOR NA COMUNIDADE ✗ Promova cursos e palestras de conscientização ✗ Adote um programa de controle de emissão de gases, diminuindo os gastos energéticos nas igrejas, seminários e casas ✗ Sugira a instalação de sistemas para reduzir o consumo energético, como painéis solares, captação da água da chuva,

sensores de luz e torneiras inteligentes ✗ Promova o plantio de árvores em terrenos das paróquias, ou em áreas públicas ✗ Denuncie os descasos com o meio ambiente por parte de empresas e poder público ✗ Reafirme e promova em sua paróquia o sentido do domingo como dia santo, dedicado ao Senhor

Oração da Campanha da Fraternidade 2011 Senhor Deus, nosso Pai e Criador. A beleza do universo revela a vossa grandeza, A sabedoria e o amor com que f zestes todas as coisas, E o eterno amor que tendes por todos nós. Pecadores que somos, não respeitamos a vossa obra, E o que era para ser garantia da vida está se tornando ameaça. A beleza está sendo mudada em devastação, E a morte mostra a sua presença no nosso planeta. Que nesta Quaresma nos convertamos E vejamos que a criação geme em dores de parto, Para que possa renascer segundo o vosso plano de amor, Por meio da nossa mudança de mentalidade e de atitudes. E, assim, como Maria, que meditava a vossa Palavra e a fazia vida, Também nós, movidos pelos princípios do Evangelho, Possamos celebrar na Páscoa do vosso Filho, nosso Senhor, O ressurgimento do vosso projeto para todo o mundo. Amém.


Especial

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PLANETA

“A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22) Campanha da Fraternidade 2011 alerta para o nosso papel de cristãos, diante da exploração ambiental e suas consequências A cada ano, a Campanha da Fraternidade traz a preocupação da Igreja do Brasil em criar condições, para que o Evangelho seja mais bem vivido, numa sociedade que se torna indiferente aos problemas humanos. Em 2011, o assunto é o meio ambiente. Através do tema “Fraternidade e a V ida no Planeta” e o lema “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22) somos convidados a ref etir sobre a nossa contribuição para a exploração dos recursos da terra, o aquecimento global e todas as suas consequências. Esta não é a primeira vez que a Igreja aborda a problemática ambiental. Antes, em 2002, alertou para a questão indígena, lembrando a relação harmônica dos nossos antepassados com a natureza, de onde extraíam apenas o necessário para sua subsistência e viam a divindade nas coisas da terra. Em 2004, fomos exortados a repensar o consumo de água e as consequências de sua escassez para a vida do planeta. Em 2007, a reflexão sobre a Amazônia já era um indicativo dos problemas ambientais e sociais que representam a derrubada de áreas imensas das nossas f orestas. Estas três correntes voltam à luz neste ano, quando a Campanha da Fraterni-

[+] COMO AGIR EM CASA ✗ Troque a sacola plástica por papel ou tecido, que têm ciclo de decomposição mais rápido ✗ Consuma produtos locais e alimentos orgânicos ✗ Diminua a temperatura da geladeira e do ar condicionado ✗ Desligue totalmente os aparelhos que não estão em uso ✗ Utilize energia solar e procure captar água da chuva para uso em casa ✗ Prefira carros a gás ou etanol ✗ Use vidros, ao invés de alumínio ou plástico, para guardar alimentos ✗ Só imprima documentos, quando for necessário ✗ Não escove os dentes, ou faça a barba com a torneira aberta ✗ Tome banhos rápidos ✗ Use lâmpadas mais econômicas ✗ Reaproveite e reutilize tudo que puder ✗ Use pilhas recarregáveis ✗ Faça coleta seletiva dade conclama as pessoas de boa vontade para olhar a natureza e perceber como as mãos humanas estão contribuindo para o fenômeno do aquecimento global

e as mudanças climáticas, com sérias ameaças à vida, sobretudo as mais frágeis: a dos pobres e vulneráveis.

Mudanças Ao longo da existência, a terra sofreu muitas mudanças. No passado, por causas naturais (como as variações da órbita da terra, a queda de meteoritos e as erupções vulcânicas), as transformações levavam milhões de anos para ocorrer . A partir do crescimento populacional e do domínio das culturas ocidentais, no recente século 18, surgiram os sistemas de produção industrial e o incentivo ao consumismo e as mudanças se tornaram mais frequentes e drásticas. A temperatura da terra aumentou, causando elevação nos níveis do mar , derretimento de geleiras e aquecimento das águas. O desmatamento e a poluição mudaram os ciclos das estações, alterando os padrões climáticos, que nos impõem secas rigorosas, furacões, enchentes e inundações. A humanidade já consome 25% a mais do que o planeta é capaz de disponibilizar . Nessas condições, sofre a vida em geral e, em especial, o homem, pois apesar da riqueza gerada, um sexto da população mundial (um bilhão de pessoas) passa fome. Milhares já vivem sem água, mesmo na América Latina, onde este recurso natural é dos mais abundantes do mundo. Outros milhares não têm saneamento básico, expostos a doenç as e privações de toda ordem.

[+] O tema, na prática O documento da CNBB sobre a Campanha da Fraternidade 2011 apresenta três propostas à Igreja, que somos nós. ✗ 1 - VER: como cristãos precisamos enxergar a problemática do aquecimento global e suas consequências para o planeta, sob a perspectiva da consciência de que o consumo exagerado ocasiona, ou contribui para esta situação. ✗ 2 – JULGAR: o projeto de Deus, Criador para com o mundo e o ser humano nos conclama a uma conversão, uma mudança de comportamento com o meio ambiente. O nosso objetivo deve ser o bem comum, não o enriquecimento de alguns.

Propostas para a sustentabilidade

Os cristãos não podem f car indiferentes à questão climática e são conclamados, especialmente no período da Quaresma – tempo de escutar a Palavra, de viver a oração, o jejum e a caridade – a ref etir e a mudar sua consciência em relação à vida do Planeta. Entender que o amor ao

meio ambiente é uma resposta de amor ao Criador e com Ele salvaguardar o direito e a dignidade de vida das futuras gerações. Sustentabilidade é a harmonização de três vertentes: a economia, o meio ambiente e o bem-estar social. Já dizia

o pacifista Mahatma Gandhi, “o mundo tem recursos suf cientes para atender às necessidades de todos, mas não às ambições de todos”. Temos que ref etir sobre que planeta queremos deixar aos nossos filhos, mas sobretudo, que filhos queremos deixar para o planeta.

Cartaz da Campanha da Fraternidade de 2011

✗ 3 – AGIR: cada um deve perceber que, também, tem sua contribuição, que é parte do problema, adotando ações concretas para conter o consumo desenfreado e suas consequências. Uma das propostas da Igreja diz respeito ao resgate do sentido do domingo, dia de descanso e louvor a Deus, agradecendo à vida através da Eucaristia. Outra forma de agir é não considerar o problema, globalmente, mas pensar, localmente, adotando e incentivando o próximo às práticas mais corretas de se relacionar com o meio ambiente.

[+] PARA PROPOR NA COMUNIDADE ✗ Promova cursos e palestras de conscientização ✗ Adote um programa de controle de emissão de gases, diminuindo os gastos energéticos nas igrejas, seminários e casas ✗ Sugira a instalação de sistemas para reduzir o consumo energético, como painéis solares, captação da água da chuva,

sensores de luz e torneiras inteligentes ✗ Promova o plantio de árvores em terrenos das paróquias, ou em áreas públicas ✗ Denuncie os descasos com o meio ambiente por parte de empresas e poder público ✗ Reafirme e promova em sua paróquia o sentido do domingo como dia santo, dedicado ao Senhor

Oração da Campanha da Fraternidade 2011 Senhor Deus, nosso Pai e Criador. A beleza do universo revela a vossa grandeza, A sabedoria e o amor com que f zestes todas as coisas, E o eterno amor que tendes por todos nós. Pecadores que somos, não respeitamos a vossa obra, E o que era para ser garantia da vida está se tornando ameaça. A beleza está sendo mudada em devastação, E a morte mostra a sua presença no nosso planeta. Que nesta Quaresma nos convertamos E vejamos que a criação geme em dores de parto, Para que possa renascer segundo o vosso plano de amor, Por meio da nossa mudança de mentalidade e de atitudes. E, assim, como Maria, que meditava a vossa Palavra e a fazia vida, Também nós, movidos pelos princípios do Evangelho, Possamos celebrar na Páscoa do vosso Filho, nosso Senhor, O ressurgimento do vosso projeto para todo o mundo. Amém.


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www.dioceseblumenau.org.br Março 2011. Jornal da Diocese de Blumenau

Variedades

“Temos dons diferentes conforme a graça concedida a cada um de nós” (Rm 12,6)

DESAFIO

CONTO

O que você sabe sobre Moisés?

Nesta edição, mais uma vez, lançamos perguntas para testar seus conhecimentos sobre o profeta

Na edição anterior do Jornal da Diocese, lançamos um Desaf o Bíblico sobre Moisés e os ganhadores foram Carlos Alberto Monteiro e Dorotéia Feller. Nesta edição, além das respostas

VOCÊ SABE? 1. A bíblia diz que Deus encontrou Moisés e o quis matar, por quê: A) negara a sua nacionalidade B) casou-se com uma mulher que não era do seu povo C) não colocou no f lho o sinal da aliança do seu povo D) tinha estado muito tempo longe do seu povo 2. Deus deixou claro que Moisés não entraria na Terra Prometida: A) quando o povo saiu do Egito B) quando o povo atravessou o Mar Vermelho

daquele teste, apresentamos novas questões sobre a vida do profeta que atravessou o Mar Vermelho e conduziu o povo de Israel à Terra Prometida. Responda às perguntas e envie

até 10 de março para o email jornal@ diocesedeblumenau,org.br ou pelo Correio para a Cúria Diocesana de Blumenau, aos cuidados do Padre Raul Kestring (Rua XV de Novembro,

RESPOSTA DO ÚLTIMO TESTE BÍBLICO:

DESAFIO BÍBLICO C) quando os espias voltaram de Canaã D) quando Arão fez o bezerro de ouro 3. A causa principal pela qual Moisés não entrou na Terra Prometida foi: A) idolatria B) teimosia C) incredulidade D) imoralidade 4. Moisés, quando se encontrou com o seu sogro Jetro, teve a

seguinte atitude: A) apertou a sua mão B) abraçou-o C) saudou-o de longe D) inclinou-se e o beijou 5. Moisés esteve na Terra Prometida quando: A) os espias foram até ali B) no Monte da Transf guração com Jesus C) quando atravessou o Jordão com o povo D) depois que subiu no Monte Nebo

1. Quem eram os pais de Moisés: A) Anrão e Joquebebe

2. A princesa ,quando encontrou Moisés: A) ouviu que ele chorava 3. Uma das características do temperamento de Moisés era: D) pessimismo 4. Deus deu testemunho de Moisés como alguém que: B) mostrava as coisas apenas em visão 5. A bíblia diz que certa vez Moisés saiu da presença do Faraó: C) cantando

RECORDAÇÃO

Memória de uma tragédia

“Terrorismo: hora da reflexão” é o título destacado à página 4 da edição de dezembro 2001/janeiro 2002 do Jornal Diocese de Blumenau / edição nº 14. Assinado pelo jornalista W aldemar Bastos, de Doutor Pedr inho, o artigo faz ecoar o fatídico 11 de setembro de 2001, quando foram tragicamente derrubadas as “Torres Gêmeas” em Nova York, matando milhares de pessoas. Alude o escritor a artigo anterior , de mesmo título, publicado pelo professor Valmor Schiochet, da FURB, na edição de outubro do nosso jornal. Salienta Bastos que os atos terroristas têm sua origem no tripé Fanatismo Religioso, Miséria e Capitalismo Neo-liberal.

955 / Bl umenau-SC / C EP 8 9010003). Informe seu nome completo, telefone e endereço. Se acertar a todas as questões, você estará concorrendo a uma bíblia.

Situa o “campo fértil” do terrorismo junto ao povo miserável e analfabeto do Oriente Médio, naturalmente com exceção de Israel. Nomeia “os líderes e dirigentes políticos detentores do poder, donos do petróleo, de cassinos e rentosas casas noturnas que, acintosamente, se beneficiam da situação miserável do povo. O j ornalista d e D outor Pe drinho acentua que a miséria e o analfabetismo trazem o agravamento da violência terrorista, ou seja, não são as causas, mas, antes, uma consequência do modelo econômico globalizado, que fu nciona para excluir e não para incluir as pessoas no sistema produtivo.

Ainda esse modelo de desenvolvimento neoliberal capitalista, avalia o escritor, além de destruir vidas humanas, acirra as tensões da ameaça nuclear , sempre presente e apocalíptica. Na sua visão, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e Alemanha aliam-se no combate ao terrorismo, confrontan-

do-se com Afeganistão, Paquistão e Índia, países de maioria muçulmana e de grande maioria analfabeta. A “guerra santa” contra os “inf éis” - isto é, os ocidentais - é apregoada pelos países de predominância islâmica c “em nome de Deus”, numa f agrante exploração da ignorância de um povo e subjugado pelo analfabetismo e o capis talismo neoliberal. “Seu dinheiro é sujo ta de sangue”, afirma Bastos, corajosamente. me O autor fecha com chave de ouro seu artigo referindo-se ao Papa João Paulo II. Atingido pelo ódio de um terrorista em plena Praça de São Pedro, o magnânimo líder religioso perdoou a seu agressor . Revelava, assim, o verdadeiro amor de Deus para com todas as suas criaturas, base da paz e da justiça que sonhamos para todos e todas.

Tudo para fazer São João Maria Vianney entrava em Ars, paróquia descuidada havia muito tempo. Disseram-lhe: “aqui nada mais há para fazer”! E ele respondeu: “então, aqui precisa fazer tudo”!

Bem-aventurados os que sofrem A bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá, Prêmio Nobel da Paz em 1979, resume todo o sonho da sua vida dedicada aos pobres e moribundos e a história da sua vocação num relato. De Calcutá, escrevia numa carta: “Nos primeiros dias da minha atividade entre o paupérrimo povo da periferia, adoeci de uma febre altíssima. Delirando, encontrei-me diante de São Pedro, mas ele não queria deixar-me entrar no paraíso! Dizia ser impossível que alguém da periferia pudesse entrar no céu. Não existem periferias no paraíso. Eu lhe respondi enraivecida: como? É assim mesmo? Então farei de tudo para encher o paraíso de gente das periferias da cidade e, dessa forma, serás constrangido a deixar passar também a mim. Pobre São Pedro! A partir de então as irmãs e os irmãos não lhe dão mais paz, porque existe sempre uma multidão da nossa gente que se assegurou um lugar no paraíso com os seus sofrimentos!”


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Março 2011. Jornal da Diocese de Blumenau www.dioceseblumenau.org.br

Nossa História

“Ele é o nosso Deus e nenhum outro a ele se compara” (Br 3,36)

PARÓQUIAS

Expediente

A criação da comunidade de Santa Inês

Igreja Matriz de Indaial foi instituída em 1946, desmembrada de Blumenau

Dom Pio Freitas, bispo da Diocese de Joinville, no dia 28 de fevereiro de 1946, pelo seu decreto, decidiu criar e estabelecer a Paróquia de Indaial, separando-a da Paróquia de Blumenau. “Terá por limites os mesmos que tem o primeiro distrito, o da sede do município, na divisão administrativa de 1944, limites estes que não poderão ser alterados sem ato formal da Autoridade Diocesana”. Diz ainda o decreto: “compreenderá a citada Paróquia as capelas de São Bonifácio, em Encano Baixo, São Luís, em Encano Alto, Santa Luzia, em Estradinha, Santo Estanislau, em Estrada da Areia, Santo Antônio, em W arnow Pequeno, Perpétuo Socorro, em Warnow Grande e as outras que para o tempo adiante nos referidos limites forem constituídas”. Foi elevada a Igreja de Santa Inês à categoria de Igreja Matriz, com todas as insígnias, prerrogativas e privilégios. Dom Pio, pelo seu decreto, determinou: “concedemos à dita Igreja, por todo tempo, o direito e faculdade de ter o sacrário, de nele conservar a sagrada eucaristia com o necessário ornato e decência e com a lâmpada acesa dia e noite. Que nela se celebrem todos os atos litúrgicos que compete à Matriz celebrar. Conf rmamos que Santa Inês seja também a padroeira principal da cidade e da paróquia. Que sua festa seja celebrada no rito que lhe compete, com toda pompa e religioso esplendor”.

Igreja Matriz da Paróquia Santa Inês, criada em 28 de fevereiro de 1946

Fone/ Fax: (047) 3323 3339 Cama- Mesa - Banho - Calçados - Uniformes escolares Confecções em geral - Roupas para Toda a Família

Anacleto Dagnoni e Isolde B. Dagnoni Rua Bahia, n° 136 – Itoupava Seca – Blumenau – SC

Direção Geral: Dom José Negri PIME Diretor Geral: Pe. Raul Kestring Diretor Comercial: Pe Almir Negherbon

História da capela Pe. Antônio Francisco Bohn

Jornal da Diocese de Blumenau

A Capela Santa Inês não foi a primeira de Indaial. Antes dela existiam outras duas. No entanto, por se situarem distantes e devido ao rápido crescimento populacional no centro do povoado, foi fundada a capela em 1894. No dia 21 de janeiro do ano seguinte foi colocada a pedra fundamental, estando as paredes a meia altura das janelas. Foi abençoada no dia 21 de janeiro de 1896. Tanto ela quanto as outras eram atendidas pelos padres franciscanos da Paróquia São Paulo Apóstolo. Com o grande aumento do movimento religioso, resolveram os f éis e fabriqueiros, pelo ano de 1945, solicitar a Dom Pio que criasse a Paróquia de Indaial. O pedido foi atendido em 1946 e nomeado o primeiro pároco, Padre Aldolino Gesser (10.03.1946 - 07.03.1947). Constituía a Paróquia, as seguintes capelas: São Bonifácio (Encano Baixo, 1875), Santo Estanislau (Estrada das Areias, 1878), São Luiz (Encano Alto, 1902), Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Warnow Alto, 1902), Santo Antônio (Warnow Pequeno, 1938), Santa Luzia (Estradinha, 1938). Após a criação da Paróquia, em virtude do crescimento de novos bairros e o aumento da população, foram criadas outras capelas. Inúmeros f lhos e f lhas de famílias católicas de Indaial seguiram a vida religiosa. O espírito religioso das famílias católicas sempre foi bastante ativo e começou antes mesmo da criação da Paróquia, pois já em 1893 foi recebido o primeiro membro da Ordem Terceira de São Francisco.

Textos e edição: New Age Comunicação Rua Sete de Setembro, 2587 – sala 202 - Centro – Blumenau/SC (47) 3340-8208 Jornalista Responsável: Marli Rudnik (DRT 484) marli@newagecom.com.br Fotografias: Acervo da Diocese de Blumenau, e Divulgação Editoração: Job Designer jobdesigner@gmail.com Revisão: Pe Raul Kestring Raquel Resende Alfredo Scottini Impressão: Jornal de Santa Catarina Tiragem: 20 mil Periodicidade: Mensal Distribuição gratuita Correspondência Cúria Diocesana de Blumenau Rua XV de Novembro, 955 Centro (47) 3322-4435 Caixa Postal 222 CEP: 89010-003 Blumenau/SC comunicacoes@diocesedeblumenau.org.br www.diocesedeblumenau.org.br


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Março de 2011. Jornal da Diocese de Blumenau

Movimentos

“Eis o Cordeiro de Deus! Vinde e vede! (Jo 1,35-39)

EVENTO

FRANCISCANISMO

Um carnaval diferente com a Arca da Aliança

Comunidade aproveita o feriado para organizar o retiro “Queremos Deus” Enquanto a maioria das pessoas pensa em aproveitar os dias de carnaval para pular, dançar ou viajar, muitas vezes, expondo-se a riscos na noite e nas estradas, outros preferem se recolher em oração e buscar uma vivência mais próxima com Deus. A Comunidade Arca da Aliança proporciona esta oportunidade aos que desejarem, através do 12º Queremos Deus, que acontece nos dias 5 e 8 de março, na chácara Cidade de Deus, em Blumenau. O retiro de carnaval é uma tradi- Oração, diversão e encontro com Deus fazem parte ção de 21 anos e tem o objetivo de da programação de carnaval na Arca da Aliança oferecer uma programação diferente e diversif cada nesse período. Considerado o evento de maior expressão apostólica da comunidade, o evento faz parte do seu calendário festivo, atraindo caravanas da região e de todo o Brasil. O Queremos Deus oferece atrações p ara t oda a família, com espaços reservados aos jovens e crianças, exibições artísticas, danças e música.

[+] FIQUE POR DENTRO O que vai ter: ✗ Início todos os dias, às 15 horas ✗ Missa todos os dias, às 20 horas ✗ Shows todos os dias, após a missa ✗ Animação e adoração ✗ Atendimento de oração ✗ Confissão ✗ Lazer e Queremos Deus Mirim (para crianças) ✗ Lanchonete ✗ Encerramento às 23 horas Para se inscrever: ✗ Informe-se junto à Rádio Blumenau Arca da Aliança, pelo fone (47) 3340-1260

Escola de Liturgia para Jovens Nos dias 14 a 23 de janeiro, aconteceu em Joaçaba, a Escola de Liturgia para Jovens, uma promoção das Pastorais da Juventude d o R egional S ul, e m conjunto com a Comissão Regional de Liturgia. Este evento serviu para capacitar os jovens para o serviço litúrgico da igre-

ja, a lém d e l evar u ma e xperiência de participação litúrgica como fonte de espiritualidade e de revigoramento da fé, conforme sugere o Concílio V aticano II. A Escola reuniu 44 participantes de sete dioceses catarinenses, uma do Rio de Janeiro e uma do Paraguai.

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Jovens participam da capacitação para o serviço litúrgico, em Joaçaba

Vale uma lembrança muito valiosa o ato de comer de São Francisco. Por vezes, ele se sentia atacado pela gula, mas com penitências duras, logo, afastava este mal. Conta-se que, certa feita, foi esmolar de casa em casa, como o fazia quase sempre. Depois se retirou para a sombra de um bosque, a f m de comer, olhando a comida misturada, sentiu náuseas e teve vontade de jogar tudo fora. V enceu, porém, a repugnância e dominou a tentação. Comeu devagar e sentiu haver dominado mais este momento de fraqueza. Nunca mais teve outra tentação desse gênero. Estes fatos nos levam a pensar se valorizamos, de fato, a comida que temos e sabemos usá-la com a verdadeira consciência de seres humanos, filhos de Deus. Muitas vezes, reclamamos do que temos para comer e nos esquecemos de que muitos nada possuem, ou dispõem de tão pouco, que não conseguem satisfazer a fome que os atormenta. Não se faz necessário praticar os grandes jejuns dos santos, mas, é possível abster-se de algumas guloseimas, de especialidades a que nos leva a gula. Todos temos bastante, inclusive para doar um pouco aos que pouco, ou quase nada têm. A comida é e sempre será um hábito saudável que toda pessoa deve cultivar. Muitos males que atacam a pessoa provêm da comida, ou da mesma mal administrada, ou mal ingerida. Diz-se que o peixe morre pela boca, o mesmo se pode dizer do ser humano, sempre que não consegue controlar a gula e os vícios. Sejamos franciscanos, pratiquemos um pouco de penitência e veremos a Paz com nosso irmão corpo, produzindo o Bem para nós e para todos os nossos irmãos.

Alfredo Scottini


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Março de 2011. Jornal da Diocese de Blumenau www.dioceseblumenau.org.br

“A ti elevo a minha alma. Em ti confio, meu Deus” (Sl 25,2)

Paróquias MISSÃO

lhos de Pastoral, sem esquecer das pastorais constitutivas, da catequese, da liturgia, do Ministério da Eucaristia, do Apostolado da Oração e dos movimentos de irmãos, coroinhas e renovação carismática. O padre afirma que, neste primeiro ano, não serão realizadas mudanças. Estas, quando e se necessárias, serão definidas em acordo com o Conselho de Pastoral. “Precisamos respeitar o que já foi planejado para ser executado e decidido em assembleia de pastoral”. A pintura externa da igreja, por exemplo, está na proposta administrativa de 2011. “Vamos buscar concretizar esse desejo da comunidade”.

A fé construída em 150 anos

RICARDO SILVA

Identif cação

Padre Pedro Bastos assume Paróquia Santa Luzia Transferido da comunidade São José Operário, o religioso traça perspectivas para a evangelização

A Paróquia Santa Luzia, no Bairro Machados, em Navegantes, acolheu seu novo pároco no dia 22 de janeiro. O Padre Pedro Rodrigues de Bastos está à frente dos trabalhos e da evangelização na comunidade, que abrange cerca de sete mil f éis. Antes disso, ele atuava na Paróquia São José Operário, em Blumenau. Bastos traça várias perspectivas de trabalho na nova paróquia, que tinha como dirigente espiritual até então o Padre Idonizete Kruger. “Será uma caminhada pastoral de presença e acompanhamento próximo, que

[+] Atuação ✗ Pedro Rodrigues de Bastos foi ordenado sacerdote em 13 de dezembro de 1987, em Mafra, sua cidade natal. ✗ Começou a vida religiosa atuando na Paróquia Santíssima Trindade, em Campo Alegre e já trabalhou também nas comunidades Cristo Rei, Santa Izabel, Santa Cruz e São José Operário (todas em Blumenau), e nas paróquias Nossa Senhora da Paz (Balneário Piçarras) e Divino Espírito Santo (Barra Velha).

já é bastante forte em Navegantes”, af rma o pároco. Ele cita como prioridades, os trabalhos com os grupos de re-

f exão, a Pastoral do Dízimo, a formação permanente mensal de todas as lideranças da paróquia e valorização dos Conse-

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A nova missão também exigiu a mudança de endereço e de cidade, uma rotina à qual os religiosos devem estar sempre prontos, pois sua missão evangelizadora não tem uma parada def nitiva. Na nova comunidade, é preciso se ambientar aos hábitos e costumes locais, para estar sempre para servir. “É necessário ter paixão pelo ambiente e o estilo de seus moradores”, afirma. O pároco destaca a importância do entrosamento com o Conselho de Pastoral e a comunidade. “Sem isso, não estaríamos fazendo a vontade do Divino Mestre Jesus Cristo, que deu sua vida por amor , em vista da unidade”. Ele complementa: “Sem este comportamento não estaríamos nos portando como igreja”. Ele pontua que a casa paroquial da Santa Luzia, em Navegantes, tem sua estrutura no estilo casa de família, com dependências suficientes para a morada de até dois padres. No local, residem um padre e um diácono, que está se preparando para o sacerdócio.

As reformas da estrutura física da Paróquia São Pedro Apóstolo, no centro de Gaspar, representam a imagem da igreja, ao comemorar 150 anos. O aniversário é celebrado no dia 25 de abril, mas as ações comemorativas iniciaram ainda em 2010. A pintura (nas paredes internas, externas e no telhado) e alguns reparos t ransparecem a fé e a comunhão, com o engajamento da comunidade. Para viabilizar a reforma os fiéis se uniram e organizaram c hurrascos, pasteladas, venda de pães e cucas case iros e doces natalinos, arrecadando os recursos necessários. Doações da comunidade também foram de grande ajuda ne sse p rojeto. “ O povo faz a Igreja, tanto na celebração como na manutenção”, afirma o Frei Germano Gesser, pároco

da São Pedro Apóstolo. A secretaria e a casa paroquial também receberam pintura e um novo projeto de jardinagem deixou ainda mais bonito o conjunto arquitetônico e turístico da Igreja. Para reforçar a segurança, foram instaladas câmeras de vigilância no seu entorno.

Ação de graças A missa de ação de graças pelos 150 anos da Paróquia São Pedro Apóstolo será celebrada no dia 25 de abril, presidida pelo Bispo Dom José Negri. Além da comunidade, foram convidados todos os padres que nasceram ou atuaram na paróquia. Uma homenagem à Paróquia São Pedro Apóstolo ainda será prestada na Câmara de Vereadores de Gaspar e na Assembleia Legislativa, em Florianópolis.


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Vida Missionária

www.dioceseblumenau.org.br Março de 2011. Jornal da Diocese de Blumenau

“Que a graça e a paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam com vocês” (Rm 1,7)

VOCAÇÕES

Congresso Latinoamericano encerra na Costa Rica Padre Marcelo Martendal, da Diocese de Blumenau, representou a Regional Sul IV no evento A cidade de Cartago, na Costa Rica, recebeu cerca de 500 congressistas nos dias 31 de janeiro a 5 de fevereiro, para o 2º Congresso Continental Latinoamericano de Vocações. De Blumenau, o Padre Marcelo Martendal representou não apenas a Diocese, mas par ticipou como delegado da Regional Sul IV. O congresso teve como tema, a frase inspirada no evangelho de Lucas: “Chamados a lançar as redes para alcançar a vida plena em Cristo”. E o lema, o próprio versículo bíblico: “Mestre, em teu nom e lançarei as redes” (Lc 5,5). Entre os participantes estavam três cardeais, 30 bispos, mais de 200 padres, 100 religiosos e religiosas, 20 diáconos e seminaristas, mais de 20 consagrados e consagradas seculares e mais de 120 leigos e leigas. A delegação brasileira era composta por 52 representantes. Entre os objetivos do congresso, destaca-se a importância de examinar a consciência que os batizados têm da cultura vocacional e a ref exão sobre o projeto do Pai para o ser humano nas circunstâncias atuais (apresentar a vocação batismal como eixo transversal de toda ação p astoral da Igreja). No encerramento, o presidente do CELAM, cardeal Raymundo Damasceno Assis, ressaltou que a Pastoral Vocacional, responsabilidade de todo o povo de Deus, começa na família e continua na comunidade cristã. “É fruto de uma sólida pastoral feita nas famílias, nas paróquias, nas escolas católicas e demais instituições eclesiais”. Ele afirmou que a Igreja na América

O que é ser missionário Todos somos chamados a ser discípulos e missionários de Jesus. Ser discípulo significa “aprendiz”, aquele que aprende com o Mestre. Missionário signif ca “enviado”, no sentido de missão, ou seja, é aquele que põe em prática o que aprendeu. Ser missionário não é privilégio de determinadas pessoas, mas a essência de ser cristão: “anunciar o evangelho é necessidade que se me impõe” (1Cor 9,16). É u m c ompromisso d e toda a comunidade que vive e transmite a sua fé. Nenhuma comunidade cristã é f el à sua vocação se não é missionária. Ser missionário é a difícil viagem de sair de si, ir ao encontro do outro, do “diferente”, do marginalizado – o preferido de Jesus. Ser missionário exige de mim, de você, de todos nós, uma abertura constante, pessoal e

comunitária para responder aos desafios de hoje. É a missão de fidelidade ao “envio” de Jesus: “assim como o Pai m e enviou, eu também vos envio” (Jo 20,20). Sem entusiasmo e esta convicção, arriscaremos perder a alegria do anúncio da boanova libertadora. Ser missionário é fazer uma decisão radical de entrega total ao Reino de Deus, em prol da promoção humana. A seguir, uma lista dos 10 mandamentos do missionário, com o desaf o: como eu posso ser missionário em minha casa, no trabalho e na comunidade em que vivo?

[+] Dez mandamentos do Missionário

Padre Marcelo Martendal (à direita)

Países do Mercosul marcaram presença no encontro, que ocorreu na Costa Rica

Latina e no Caribe está fortalecendo a cultura vocacional para que os batizados assumam o chamado missionário de Cristo. “Estamos tentando fortalecer a cultura vocacional para que os batizados assumam seu chamado como discípulos missionários de Cristo nas atuais circunstâncias da América Latina e do Caribe, destacando os aspectos principais da dinâmica vocacional, examinando a consciência-cultural vocacional dos batizados”, disse.

1. Ter HUMILDADE para servir e acolher a todos, sem distinção (Mt 20,25-28; Lc 10,30-34). 2. Ter DISPONIBILIDADE para estar sempre a serviço do Reino de Deus (Lc 9,57-62). 3. Ter DESPOJAMENTO para servir a Deus e aos irmãos, confiando sempre na Providência divina (Lc 9,1-6). 4. Ter FORÇA ESPIRITUAL através de uma vida de oração (Lc 6,12; Lc 9,28-28; Mt 14,32-34). 5. Ter CORAGEM E CONFIANÇA em Deus, diante de todos os desafios para anunciar o Evangelho, denunciando as injustiças e vencendo todos os tipos de males que oprimem (Lc 4,16-19; Mt 10,28-31).

6. Buscar sempre a INSPIRAÇÃO DE DEUS para levar o amor, o carinho, a paz, o perdão e a reconciliação (Jo 14,12-13). 7. Ter CLAREZA E SABEDORIA de Deus no agir e no falar, lembrando sempre as atitudes, ações e palavras de Jesus. 8. Ter SOLIDARIEDADE e COMPANHEIRISMO, para que seu testemunho seja verdadeiro e coerente (Jo 15,4-5; Mt 10,12). 9. Ter profunda COMUNHÃO COM DEUS, para que seu testemunho seja verdadeiro e coerente (Jo 15,4-5; Mt 10,12). 10. Reconhecer a GRANDEZA DE DEUS e se alegrar pelo valor e dons que Ele dá a cada um (Lc 10,17-21).

Padre Alcimir José Pillotto


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Março de 2011. Jornal da Diocese de Blumenau www.dioceseblumenau.org.br

Espaço da Família

“Se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos filhos, quanto mais o Pai do céu! Ele dará o Espírito Santo àqueles que o pedirem” (Lc 11,12)

REFLEXÃO

[+] Como ajudar os filhos?

A família e as drogas

✗ Dê afeto: manifestações de carinho e amor são sempre bem-vindas. Abrace, beije, incentive os filhos, mesmo em público. Fortaleça os vínculos entre os membros da família, incentivando o clima de afetividade, sinceridade e companheirismo entre todos.

Exemplo e oração para prevenir, coragem para agir, quando este drama atinge um lar cristão

✗ Ambiente: reduza a influência negativa que possa vir de outros grupos. Faça com que o ambiente familiar seja atrativo e aconchegante. Faça com que seu filho se sinta bem em sua própria casa. ✗ Diálogo: ache tempo para conversas e consultas frequentes sobre qualquer assunto. Reserve um tempo especial para cada membro da família. Mantenha em casa um clima de diálogo franco e aberto. Converse com seus filhos sobre o consumo de álcool e de outras drogas, mas também sobre demais assuntos que fazem parte de seus interesses.

A família nunca espera, muito menos d eseja, q ue u m m embro querido do seu seio, seja um filho ou amigo, venha a se envolver com o mundo das drogas. Nenhum lar cristão, porém, por mais fervoroso que seja, está livre deste “mal do século”, que desestabiliza completamente a estrutura familiar . O uso e abuso das drogas estão tomando proporções epidêmicas no mundo inteiro e não é diferente por aqui, perto de nós. O problema, muitas vezes, começa na própria família, onde as

ditas drogas lícitas - como o álcool, o cigarro, os medicamentos e outros - aparecem entre as principais causas de morte evitáveis. O combate pode ser feito por várias ações: a repressão ao tráfico, a redução da produção e, principalmente, com a prevenção, procurando evitar que nossos jovens comecem a consumir drogas. Esta é, sem dúvida, a ação mais ef caz, que pode ser praticada por todos nós.

✗ Participação: tome decisões em conjunto. Assim, todos percebem que suas opiniões e pontos de vista são respeitados. ✗ Presença: reforce as relações familiares, participe mais das atividades dos filhos. Cresça com seus filhos. ✗ Prevenção: explique sempre aos filhos quais são os riscos do uso de drogas. Ensine-os a não experimentá-las.

✗ Liberdade: mais autonomia significa maior capacidade de decisão. Incentive a responsabilidade de cada um. Respeite os valores e os sentimentos de seu filho. Evite criticá-lo o tempo todo.

✗ Regras claras: imponha limites. Quando fizer alguma proibição, não deixe dúvida sobre suas razões. O amor de pai e de mãe precisa ser exigente. Esse amor acompanha, coloca limites, exige comportamentos, orienta respostas, deixa as regras claras e alerta para os sinais de fraqueza. Confie em seus filhos.

✗ Modelo: cuide para que a relação com os

A Semana da Família é um evento anual, que ocorre em praticamente em todas as paróquias do Brasil, desde 1992. O subsídio começou a ser editado desde a vinda do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1994 e se tornou anual, estando na 15ª edição, com 21 mil exemplares publicados. “A família vem enfrentando grandes desaf os, inquietações e ataques

✗ Ocupação: encoraje as atividades criativas e saudáveis de seus filhos, ajude-os a lidar com as pessoas de seu meio, motive-os a tomar decisões, ensine-os a assumir responsabilidades e estimule-os a desenvolver valores fortes e o senso crítico diante das mais diferentes situações, inclusive das drogas.

✗ Dê o exemplo: álcool e cigarro são drogas lícitas. Evite consumi-las, se não quiser estimular os filhos a fazer o mesmo. Viva o que você recomenda aos seus filhos. Mesmo que contestem ou questionem, eles terão nos pais os melhores exemplos e guias.

Semana Nacional da Família discute desafios A Comissão Episcopal Pastoral para a V ida e a Família da CNBB e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar publicaram o subsídio “Hora da Família 2011”, com o tema “Família, Pessoa e Sociedade”. Este documento traz uma ref exão sobre temas familiares para a Semana Nacional da Família, que será realizada de 14 a 20 de agosto.

filhos seja fundamentada na confiança e no respeito. Isso cria um modelo de comportamento para eles. Os jovens precisam de bons modelos.

de quem deveria defendê-la. Convocamos a sociedade a debater este ano sobre este tema”, disse o assessor da Comissão, Padre Luiz Antonio Bento. A publicação traz sugestões de c elebrações e r eflexões s obre os dias das Mães, dos Pais, do Catequista e do Nascituro, além de 10 encontros a serem realizados pelas famílias.

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✗ Princípios: evidencie os princípios espirituais, em contraposição aos valores materiais.


O exemplo de força e de solidariedade que vem de Mirim Doce Diocese de Blumenau CNBB Regional Sul 4

pág.

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CELEBRAÇÕES

Festas e visita pastoral marcam a vida da comunidade Louvor a Nossa Senhora de Navegantes, homenagem às religiosas e à presença de Dom José

O Santuário de Nossa Senhora dos Navegantes ficou lotado no dia 6 de fevereiro, para a missa em comemoração ao dia da padroeira da cidade litorânea. A celebração foi presidida pelo Bispo Diocesano, Dom José Negri, e marcou o encerramento de uma programação que envolveu fé, tradição e história. A 115ª Festa de Nossa Senhora dos Navegantes ocorreu de 28 de janeiro a 6 de fevereiro, incluindo missas, novenas, atrações gastronômicas, feira comercial e shows musicais. Neste ano, o maior evento religioso do Estado teve um engajamento expressivo da Secretaria do Turismo da cidade e também da imprensa local.

O Bispo Diocesano, Dom José Negri, reconhece o valor da profunda religiosidade do povo em ocasiões como a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes. Em diversos dias, ele se fez presente à tradicional festa com outros sacerdotes, seminaristas, diáconos.

A comunidade da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, no Bairro Barracão, em Gaspar, recebeu Dom José Negri no dia 1 1 de fevereiro, em sua visita pastoral. O Bispo Diocesano percorreu também as capelas da região.

Presença marcante e carismática na Festa de Nossa Senhora dos Navegantes foi o Padre Reginaldo Manzotti, cantor e comunicador católico, no dia 05 de fevereiro. Ele anima o programa diário “Experiência de Deus”, transmitido por várias emissoras de TV e rádio no Brasil. A Rádio Blumenau Arca da Aliança, por exemplo, prestigia seus ouvintes, diariamente, com o programa, das 10 às 11 horas.

A comunidade Paroquial do Belchior, com o seu pároco Pe. Márcio, no dia 18 de fevereiro, acolheu Dom José que iniciava, ali, sua visita pastoral.

N lt da d parede, d àà frente f t do d presbitério bité i do d No alto Santuário de N ossa Senhora dos Navegant es, permanece a bela imagem da Mãe dos navegantes, presente à vida da cidade e dos cidadãos da simpática cidade catarinense. Dali, todos os dias ela escuta as preces, dores, alegrias, louvores dos seus queridos f lhos e f lhas.

O Dia da Apresentação de Jesus (2 de fevereiro) foi também o Dia Internacional das Religiosas, celebrado com missa solene na Catedral, presidida pelo Padre João Bachmann. Um grupo de reli giosas de Blumenau pr esente à missa renovou seus votos diante de Jesus Eucarístico, pouco antes do momento da Comunhão.


Jornal da Diocese de Blumenau Março/2011  

Jornal da Diocese de Blumenau, ano XI, Edição 114, Março de 2011

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