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Evolução DA partícula

Artigo de Física Poesia Cadernos de Albino de Teixo

&

ferida

Prosa Conto O Sonho Comanda a vida Octavio paz, Dos Sonhos-artigo, Críticas e mais


O conceito de revista tem vindo a calcinar-se ao longo dos tempos, não só porque não gera os ambientes intelectuais, constituídos pelos mais diversos indivíduos, que utilizavam a faculdade da razão na escrita e na ciência, como meio de chegar à verdade, como tem vindo a ser banalizada, com não-revistas, que intitulando-se de revistas, esvaiam a verdadeira conceção e estrutura deste meio de comunicação da verdade analítica ou literário, que não deixa de ser analítica. Longe da envolvência e do fragor tacteado pelas correntes literárias e filosóficas, que engordaram as épocas passadas, a revista, no século XXI, resvalou totalmente, devido, certamente, à indolência das pessoas para com os valores científicos e literários. Esta revista, cujo nome Anotações, nos remete para a estrutura primária das ideias, a expressão verbal da cogitação primitiva, pretende revolver a essência do conceito de revista e recuperar o véu das letras e das ciências que se expandiam em torne dele. Conta-se, portando, com a participação da comunidade escolar, que poderá mandar os trabalhos, que desejar publicar para a nossa revista, utilizando, como via, o endereço do correio eletrónico, que se encontra em baixo referido. Esperemos que o leitor se sinta satisfeito com este projeto e com a leitura das páginas que se seguem.

Com os melhores cumprimentos, A redação

Revista nº1 Tiragem: 200 exemplares 22 de Março de 2012 Set_epes@hotmail.com


A evolução da partícula elementar O conceito de partícula elementar começou por ser uma ideia fecundada pelos gregos, embora longe de uma conceção física ou de qualquer fundamentação empírica, sendo elaborada somente com o uso da razão, ou seja, elaborada por um mecanismo filosófico. A genealogia da palavra átomo vem de Demócrito e Leucipo, quando estes dois filósofos tentaram expressar verbalmente a peça elementar que constitui toda a matéria e, consequentemente, transversal a todo o universo. Demócrito acreditava também na imutabilidade, invariância e indivisibilidade do átomo: «Nada existe além do átomo e do espaço vazio e tudo o resto é comentário.»

Dalton recuperou, mais tarde, o conceito do «atomismo», construindo a teoria atómicomolecular, na qual tudo que existia era explicado por diferentes combinações de átomos. Também Newton inseriu o «atomismo» na sua teoria da luz, explicando a luz como um conjunto de partículas luminosas que se propagavam em linha reta, que viria a ser desmentida posteriormente pela teoria ondulatória, enunciada uns anos mais cedo por Huyghens, que, aliás, era contemporâneo de Newton. Porém, em 1897, a indivisibilidade do átomo caiu, quando Thompson apresentou o seu modelo, conhecido, actualmente, por «pudim de paçãs». Este físico, durante a construção do seu modelo, detetou que o átomo não era uma estrutura simples, como sugeria Dalton, mas sim uma «mistura» de partículas carregadas, às quais deu o nome de electrão, englobadas na parte maior do átomo, onde estava concentrada a maior parte da massa.


Pouco depois da descoberta de Thompson, Planck, em 1900, atribuía às radiações luminosas um caracter (de novo) corpuscular, com a equação , em que cada é a energia elementar nas trocas energéticas das radiações com a matéria. Denote-se que Planck não estava a atribuir à luz uma natureza corpuscular contínua, como Newton, mas sim descontínua e, em particular, quando esta realiza troca de energia electromagnética. A interpretação destes «quanta» hv, só foi aprofundada com Einstein em 1905. Em 1911, Rutherford, com base na relação dos «quanta» de Planck-Einstein, cria o modelo planetário dos átomos, no qual Bohr uns anos mais tarde, com uma reformulação, explica as trocas discretas de energia do sistema de electrões planetários dos átomos com as radiações. No entanto, com esta nova fundamentação do átomo e com a descoberta do novo caracter corpuscular da luz, levantava-se o problema da dualidade da luz, que levaria ao desenvolvimento da mecânica quântica. De Broglie, apoiando-se na teoria da relatividade especial, admite a universalidade das relações de Planck para todas as partículas, ou seja, atribuiu um caracter ondulatório e corpuscular a todas as partículas e não apenas aos «quanta». As experiências De Broglie provaram a existência dessa dualidade e ficava agora só a necessidade de criar uma teoria coerente que unificasse todas estas descobertas. Essa coerência foi dada com a teoria ondulatória de Shrondinger, a teoria de Heisenberg e, por fim, a teoria dos campos. Contudo, todas estas teorias levaram, e em especial a teoria relativista de Dirac, levaram à previsão da existência de uma nova partícula, ou melhor dito, de uma antipartícula do electrão- o positrão. Uma explosão de previsões rebentava do núcleo dos físicos teóricos, pois se existia uma antipartícula do electrão, o mais provável é que existissem mais. E todas estas previsões ganharam credibilidade, quando Anderson, em 1932, demonstrou que a radiação cósmica se transformava em pares de electrões e positrões.

Observou-se também que o positrão era capaz de interagir com o electrão, desmaterializando-se ambos e originando raios gama. E isto, se repararmos, só


pode ser interpretado numa teoria relativista, na qual a energia equivale a massa.

A descoberta destas novas partículas levou à criação de novas forcas elementares, para além da electromagnética e gravítica. Pauli, interpretando a radioactividade β com os princípios da conservação do momento e energia, foi levado a postular a existência de uma nova partícula, sem carga, designada por neutrino (ν). Assim, na interacção de radioactividade β, correspondente a um processo de aniquilação e de criação de partículas, Pauli detectou que era emitido um par de leptões( um neutrino ou antineutrino e um electrão ou positrão).

Este foi o primeiro exemplo de um tipo de interacção fraca. Ao mesmo tempo, o físico japonês Yukawa, imaginou uma forca de interacção forte responsável for unir os protões e neutrões no núcleo apesar das forcas electroestáticas, e que ligou à existência de partículas chamadas de mesões, por a sua massa surgir com um valor intermediário entre a dois electrões e outras partículas leves (leptões) e o neutrão e o protão de massa relativamente elevada (bariões). Em 1947 foi descoberto por Powell o mesão de Yukawa. Mais tarde todas estas partículas foram organizadas e explicadas no chamado modelo padrão, que fundamenta os mais diversos tipos de interações entre as partículas, porém a massa que algumas partículas adquirem durante essas interações é explicada pelo Bosão de Higgs, que, esperemos nós, seja descoberto nas novas experiencias do CERN que começaram agora em março.

Artigo construído pela redação a partir: Informações retiradas das Masterclasses da Física de Partículas nas quais a ESDAH participou. Moreira, Araújo- Física básica- Fundação Gulbenkian.


La historia de la poesía moderna es la de una desmesura. Todos sus grandes protagonistas, después de trazar un signo breve y enigmático, se han estrellado contra la roca. El astro negro de Lautréamont rige el destino de nuestros más altos poetas. Pero este siglo y medio ha sido tan rico en infortunios como en obras: el fracaso de la aventura poética es la cara opaca de la esfera; la otra está hecha de la luz de los poemas modernos. Así, la interrogación sobre las posibilidades de encarnación de la poesía no es una pregunta sobre el poema sino sobre la historia; ¿es quimera pensar en una sociedad que reconcilie al poema y al acto, que sea palabra viva y palabra vivida, creación de la comunidad y comunidad creadora? Este libro no se propuso contestar a esta pregunta: su tema fue una reflexión sobre el poema. No obstante, la imperiosa naturalidad con que aparece al principio y al fin de la meditación, ¿no es un indicio de su carácter central? Esa pregunta es la pregunta. Desde el alba de la edad moderna, el poeta se la hace sin cesar —y por eso escribe; y la Historia, también sin cesar, la rechaza —contesta con otra cosa. Yo no intentaré responderla. No podría. Tampoco puedo quedarme callado. Aventuro algo que es más que una opinión y menos que una certidumbre: una creencia. Es una creencia alimentada por lo incierto y que en nada se funda sino en su negación. Busco en la realidad ese punto de inserción de la poesía que es también un punto de intersección, centro fijo y vibrante donde se anulan y renacen sin tregua las contradicciones. Corazón— manantial.

Octavio Paz, La casa de la presencia


Poesia Quarta Ah! De dar à corda, queria uma solidão de dar à corda De dar à corda, aqueles brinquedos de dar à corda De dar à manivela e ver a bailarina girando Naquele pequeno palco, naquela solidão toda a vida De dar à corda aquele brinquedo que não se pode tocar De dar palmadas para a criança não tocar Ah! Naquele palco, a bailarina sozinha, sozinha, sozinha! Ah! De dar à corda e tocando música Naquele palco, a bailarina numa solidão musical, não-sozinha De dar à corda àquela bailarina que pára De parar recebendo palmas e o toque da criança Ah! De dar à corda, se minha solidão fosse de dar à corda De dar à corda e eu girando numa solidão não-sozinha Naquele palco, girando e pensando com música De dar à corda, parando e recebendo palmas e o toque da criança De dar à corda, numa solidão que sei que vai parar.

Ah! De dar à corda, mas minha manivela está partida Fico no palco, girando, girando sem cessar, uma vida De não cessar, estou sempre a pensar, pensando demais De pensar demais, fico louco nesta solidão sem música No sótão arrumado ao lado de nada Onde ninguém me bate palmas, nem um toque de criança.

Cadernos de Albino de Teixo, O Arrabalde Orgânico


FERIDA Fui ao arquivo de feridas E pesquisei pelas antigas A ver se tinham cicatrizado Se já estavam desaparecidas Cheguei às recentes Feitas de maneira inocente Mas o sangue que por elas corria Era de glóbulos vermelhos quentes Tirei essa pasta Com as iniciais Porque sujeitar-me a isto A minha alma está farta De amores platónicos, mortais e irreais Não há penso que a cure Pois a tua cara Faz com que demore a sarar E dure Os leucócitos Bem tentam fazer-me esquecer Daquilo que aconteceu Aquilo que me envergonha Aquilo que nunca foi meu E que nunca poderia ser Mas a culpa também é minha Quem me manda Tirar a casca Da ferida Esta dor é eterna E nunca há-de passar Ainda vou ter de amputar a perna E o que mais houver para amputar

Não vai ser a água oxigenada Ou o mercúrio Que vai desinfectar O buraco que me deixaste Esse buraco Um único órgão Infecta Como uma envenenada seta Partida No meu coração A dor Já é ida Mas nada vai curar Esta maldita ferida Luís Neto – 12ºE


Prefiro a prosa ao verso, como modo de arte, por duas razões, das quais a primeira, que é minha, é que não tenho escolha, pois sou incapaz de escrever em verso. A segunda, porém, é de todos, e não é- creio bem- uma sombra ou disfarce da primeira. Vale pois a pena que eu a esfie, porque toca no sentido íntimo de toda a valia da arte. Considero o verso como uma coisa intermédia, uma passagem da música para a prosa. Como a música, o verso e limitado por leis rhythmicas, que, ainda que não sejam as leis rígidas do verso regular, existem todavia como resguardos, coacções, dispositivos automáticos de oppressão e castigo. Na prosa fallamos livres. Podemos incluir rhythmos musicaes, e comtudo pensar. Podemos incluir rhythmos poéticos, e comtudo estar fóra d’elles. Um rhythmo occasional de prosa faz tropeçar o verso. Na prosa se engloba toda a arte- em parte porque na palavra livre se contém todo o mundo, em parte porque na palavra livre se contém toda a possibilidade de o dizer e pensar. Na prosa damos tudo, por transposição: a côr e a forma, que a pintura não póde dar senão directamente, em ellas mesmas, sem dimensão intima; o rhythmo, que a música não póde dar senão directamente, nelle mesmo, sem corpo que é a idea; a estructura, que o architecto tem que formar de coisas duras, dadas, externas, e nós erguemos em rhythmos, em indecisões, em decursos e fluidezas; a realidade, que o esculptor tem que deixar no mundo, sem aura nem transubstanciação; a poesia, enfim, em que o poeta, como o iniciado em uma ordem occulta, é servo, ainda que voluntário, de um grau e de um ritual. Creio bem que, em um mundo civilizado perfeito, não haveria outra arte que não a prosa.

O Livro do Desassossego, Bernardo Soares.

O diário é uma carta à solidão. Isto justifica o facto de não ter diário; não quero ter sequer por companheira a solidão; quero que se extinguem as ligações. A mais bela florescência desdobra-se do vazio; o pensamento mais profundo nasce como a planta no meio do penedo.

Apontamentos da Solidão por Bernardino Teixo, O Arrabalde Orgânico


A filosofia é eterna como o pensamento humano; mas, porque é eterna como ele, é que é como ele continuamente instável e flutuante, susceptível de progresso e sujeita ao retrocesso, desenvolvendo-se, como todas as coisas vivas, segundo uma linha sinuosa e complicada, que representa ao mesmo tempo a directriz da força íntima inicial e a acção mais ou menos perturbadora das forças concomitantes que lhe condicionam a expansão. Sempre igual a si mesma, no fundo, mas num fundo envolto, inconsciente e quase impenetrável, é continuamente diversa de si mesma nas suas manifestações, nas afirmações conscientes e sistemáticas do misterioso princípio ideal que forceja por exprimir e que, a cada ensaio de expressão definida, encobre quase tanto quanto revela. Ela representa assim, neste seu fieri incessante, o que há de absoluto no pensamento humano tem de si mesmo; uma potência infinita e um acto limitado; o segredo sublime das coisas gaguejado numa linguagem deficiente e bárbara, cheia de lacunas e obscuridades; e esta sua incurável imperfeição é justamente a condição da sua indestrutível vitalidade, da sua fecunda e incansável actividade. A filosofia alimenta-se das suas próprias dúvidas. Duvidar não é só uma maneira de propor grandes problemas; é já um começo de resolução deles, porque é a dúvida que lhes circunscreve o terreno e que os define; ora, um problema circunscrito e definido é já uma certa verdade adquirida e uma preciosa indicação para muitas outras verdades possíveis. É pela dúvida que a filosofia concebe, é a dúvida que a torna fecunda e a sua relatividade é, afinal, toda a sua razão de ser.

Antero de Quental, Tendências Gerais da Filosofia.


O sonho comanda a vida Na vida, acho que todos temos um sonho: de ser médico, doutor, engenheiro, ter uma casa grande, um carro, uma família feliz, um bom emprego, entre outras coisas. Porém, há sonhos impossíveis de se concretizar. Por isso, deixei de acreditar na tão célebre frase “o querer dita a vida”. Mas sonhar faz bem à alma e condiciona o futuro. A importância de um sonho na vida de uma pessoa é como um ponto de partida, um arranque, um motor, motor esse que só funciona se tiver gás e, por conseguinte, esse gás é a nossa luta, o nosso trabalho, esforço, garra e ambição. Quando vemos o gás acabar, sentimo-nos impotentes e ignorantes, mas temos de ter a força suficiente para caminhar em direção a outro rumo. Existem certos momentos na vida, em que temos de tomar consciência das nossas capacidades e /ou limitações e averiguar as situações, de modo a que sejamos na mesma felizes com aquilo que temos. O futuro pertence aos muito bons, no entanto, o importante não é ser perfeito, mas sim inteiro. E eu, nesta altura, neste capítulo do livro da minha vida, virei a página onde escrevi o meu grande sonho e continuei redigindo dia após dia, o meu garantido e fiel futuro, pois viver em sonhos não me traz felicidade, mas ajuda-me a enfrentar a realidade e a caminhar na estrada da vida. Portanto, se me perguntarem se sou feliz, irei responder com um grande sorriso: faço por isso. Diana Pinto, nº11, 10ºAS Nota: inserimos este texto no tópico Psicologia, não porque se trata de psicologia, mas sim porque reflete acerca do mesmo tema que o artigo que o segue.

Dos sonhos Uma das obras mais conhecidas de Freud, devido ao contexto histórico e ao avanço que deu à psicologia analítica, normal e patológica, é a Interpretação dos Sonhos. Esta obra possibilitou não só o estudo do sonho, como o arranque e o alicerce para a fundação da psicanálise, que, ao contrário da visão russa, intitulou o seu autor de «pai da psicanálise», quando, na realidade, o fundador foi o escritor russo Dostoievski. Na Interpretação dos Sonhos, Sigmund Freud parte de uma suposição que considera fundamental para o estudo do sonho, ou seja, toma como ponto de partida “ a existência de duas instâncias psíquicas (por um lado, o «sistema consciente/pré-consciente» e, por outro, o «sistema inconsciente» com uma «instância de censura intermédia»), a distinção entre «conteúdo manifesto e latente do sonho» (entre «processo primário» e «processo secundário»), a tese central do sonho como «satisfação do desejo» e «guardião do sonho», e, por fim, o reconhecimento da infantilidade dos sonhos que «permite o conhecimento da herança arcaica» e um «vislumbre da infância filogenética da humanidade».” Artigo elaborado pela redação da Anotações com o apoio dos livros: Lohmann, Hans-Martin, Sigmund Freud, 1998 e Dostoievski, Fédor, O Pequeno Herói, Europa-América,2007 com a utilização da nota do autor Consiglieri Sá Pereira.


Poster retirado de http://www.sprace.org.br/poster/poster.jpg

Anotações Nº1 - Revista ESDAH  

Revista Cientifico Humanistica Aborda temas como a poesia, a fisica de particulas, artigos cientificos e muito mais...

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