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JULHO 2011

Fechamento autorizado. Pode ser aberto pela ECT


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CINZAS DO PASSADO

< EDITORIAL

A gestão da saúde em vigor no país herdou um modelo que embutia em si mesmo genes de subfinanciamento e tolerância com a ineficiência. Transmutar essa carga do passado em um sistema de saúde comprometido com a realidade é a grande tarefa de todos os envolvidos com a saúde brasileira.

A

crise crônica dos hospitais privados e filantrópicos é decorrente de um conjunto de fatores históricos relacionados com a insuficiência dos recursos orçamentários federais, estaduais e municipais para o Sistema Único de Saúde – SUS. São agravantes dessa condição o desacordo com o previsto na Emenda Constitucional nº. 29, de 13 de setembro de 2000; e a defasagem dos valores da tabela de remuneração do SUS pelos serviços prestados pelos hospitais privados e laboratórios – pois a tabela, além de ser irreal, não contempla as incorporações tecnológicas exigidas pela sociedade e pela medicina. E, para fazer uma dura autocrítica, também não ajuda aquele processo de gestão dos hospitais ainda tão usual, com pouco ou nenhum foco nos custos operacionais, nos resultados financeiros e de qualidade e eficiência dos tratamentos prestados aos usuários. O atual modelo de gestão pública do sistema de saúde é não menos crivado de vícios, pois tolera a ineficiência, e mantém um altíssimo custo operacional com baixa produção de serviços, o que causa um rombo nas finanças da saúde sem que o povo veja resultados concretos. Isso dá margem para que a sociedade seja assediada pela ideia de que, para resolver o subfinanciamento do setor, seria imperativa a recriação da CPMF ou de outra congênere. No entanto, os estudos comprovam que é pela falta de normas claras e obrigações consistentemente progressivas para os gastos públicos de responsabilidade federal e dos diversos estados que se alimenta o conflito distributivo que precariamente financia o Sistema Único de Saúde.

O SUS necessita de uma profunda transfusão de recursos, como bem o sabem gestores públicos e todos os segmentos profissionais e empresariais ligados à saúde. Os municípios estão sobrecarregados, principalmente no que diz respeito ao financiamento da Atenção Primária. Mais de 100 milhões

de brasileiros são beneficiados pelo Programa de Saúde da Família (PSF). Os recursos que chegam aos municípios, porém, são minguados, e os prefeitos estão estrangulados pela Lei de Responsabilidade Fiscal. É impossível garantir o direito constitucional com pouco mais de R$ 700 habitante/ano de investimento. A comparação com outros países e com a saúde complementar evidencia um forte subfinanciamento. Não há mágica. O SUS precisa de muito mais dinheiro. O gargalo central do SUS é financeiro.

AHESC-FEHOESC consideram como uma verdade evidente por si mesma que a consolidação do SUS nos últimos 22 anos, com sua generosa proposta de acesso universal e integral de qualidade, é uma das mais importantes heranças da Constituição de 1988. A transmutação que se exige agora consiste em incorporar modernas ferramentas de gerenciamento, clarear o pacto federativo setorial, inovar nas estruturas, introduzir ganhos de escala para permitir avanços a partir do aumento da produtividade dos recursos. Os gestores de estabelecimentos privados e filantrópicos de saúde estão contribuindo social e politicamente com percepções que ajudem o SUS a repensar as relações inter-federativas e o seu modelo de Governança. Há forte evidência de que o modelo de governar a saúde continua a ser fragmentado. A normatização, o planejamento e o financiamento são decididos verticalmente. Cada instância define as suas prioridades (ou se subordina às prioridades do Governo Federal), o que, de qualquer forma, resulta em uma pulverização dos recursos e na baixa capacidade de integração na busca de resultados efetivos para o sistema, que é o atendimento às necessidades de saúde dos usuários e o compromisso com a vida. As ações da AHESC-FEHOESC são nesse sentido de reforçar o pacto pela vida, e não deixar as cinzas do passado soterrarem as conquistas de saúde do povo catarinense e brasileiro.

Dario Staczuk Presidente AHESC | Tércio Kasten Presidente FEHOESC

Expediente Saúde Catarinense Presidente AHESC Dario Staczuk Presidente FEHOESC Tércio Kasten Diretor Executivo AHESC-FEHOESC Braz Vieira

Gerente Administrativo AHESC-FEHOESC Carlos Alberto de Liz Medeiros Assistente Financeiro AHESC-FEHOESC Silvana Hoffmann Assessor Jurídico AHESC-FEHOESC Rodrigo de Linhares (OAB/SC 8630)

Editor-chefe Iuri Grechi Jornalista Responsável Rute Enriconi DRT-SC 434

Reportagem Marcelo Tolentino

Projeto Gráfico e Diagramação Gabriel Bourg Comercial Cyrillo Jr

Este informativo é produzido e publicado pela Associação e Federação dos Hospitais de Santa Catarina, com veiculação dirigida a associados e instituições da área de saúde.

Telefone: (48) 3224-5866 vendas@saudecatarinense.com.br E-mail: ahesc-fehoesc@ahesc-fehoesc.com.br Twitter: @ahesc_fehoesc www.ahesc-fehoesc.com.br

AHESC-FEHOESC em números Associados Hospitais Laboratórios Clínicas Serviços de Saúde Total

137 357 2070 765 3329

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ENTREVISTA>

GUERRA AO

>

TERROR

Lavadoras ultra-sônicas e detergentes com formulações multienzimáticas implacáveis contra microorganismos perigosos são as novidades tecnológicas para enfrentar a infecção hospitalar, um dos terrores que assombram a saúde pública.

E

specialista em gestão

empresarial e controle

de infecção, a farmacêutica Andréa Tomazelli é Executiva Sênior da 3M em Santa Catarina. A

empresa é referência em produtos para a esterilização de materiais. Na entrevista

abaixo, a farmacêutica mostra os avanços do setor e o aumento da complexidade

dos materiais a serem processados nas Centrais de Material e Esterilização (CME).

As novidades se relacionam com a

evolução de equipamentos e insumos para o processamento de forma mais

rápida e com alto nível de segurança. Os

procedimentos de limpeza, que até então eram totalmente manuais, estão sendo

realizados com equipamentos que, pouco

tempo atrás, só figuravam em almanaques de ficção científica.

A evolução do setor, conta Andréa Toma-

zzelli, também passa pela mudança de cul-

tura e exigência de qualificação. “Enfermeiros que trabalhavam na CME não recebiam o mesmo reconhecimento em relação aos

enfermeiros da assistência direta com o pa-

ciente. De uma década para cá, o enfermeiro que atua na assistência indireta (CME) tem

sido reconhecido, já que a central necessita de profissionais treinados e capacitados

para lidar com toda a tecnologia e complexidade do processo”, destacou ela.

Quais são as novidades na área de esterilização de materiais? Nos últimos anos a complexidade dos

materiais a serem processados na CME tem

aumentado consideravelmente. Junto com a complexidade dos artigos, ocorreu também a evolução dos equipamentos e insumos para a realização de um processamento de forma rápida, mas sem abrir mão da segurança. A limpeza até então 100%

manual deu lugar a lavadoras ultra-sônicas com aquecimento e encaixe para materiais

canulados, além de equipamentos que rea-

lizam termo-desinfecção em um único ciclo. Os detergentes também evoluíram muito, e desde a chegada da primeira formula-

ção de detergente enzimático , há 16 anos

(continham apenas 1 enzima, a protease),

agora contamos com formulações multienzimáticas, com várias enzimas de diferentes grupos, capazes de digerir e limpar

superfícies de difícil acesso e garantir total

segurança ao processo. Principalmente contra o chamado Biofilme, que são colônias de

Imagens: PhoroXpress | Dreamstime | Arquivo

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microorganismos protegidas por uma matriz

processamento de artigos, já que é impossí-

Sanitária. Uma esterilização eficiente é

que um microorganismo na forma vegetativa

monitoramento da limpeza passa ser uma

teriais esterilizados entrarão em contato

de exopolissacarídeos, e que chegam a ser mil

vezes mais resistentes aos antimicrobianos do livre. Assim, a chegada da tecnologia trouxe também a necessidade de implementação de novas técnicas no processamento de

vel desinfetar ou esterilizar uma superfície que não está totalmente livre da sujeira, o

poderosa ferramenta no controle do processo. O resultado é a segurança do paciente,

principalmente o cliente cirúrgico.

materiais, e ao mesmo

trabalha na CME. Afinal,

Essas novidades na área de esterilização de materiais ajudam a evitar quais outros problemas, além da infecção hospitalar?

uma das principais fer-

Ajuda e contribui para um

tempo uma capacitação e perfil profissional di-

ferenciados para quem agora este setor tem

sido reconhecido como

ramentas para controle das infecções hospi-

talares relacionadas a assistência à saúde.

No que essas novidades se diferem? O diferencial é automação e tecnologia cada

vez mais presentes na CME, levando ao pro-

cessamento de artigos, que agora possuem

maior demanda em

quantidade e também

“Diferentes indicadores existem disponíveis para monitorar e validar o processo de limpeza. Isso se dá através da detecção de proteína e (ATP) adenosina trifosfato. Até então a limpeza era monitorada através da acuidade visual do profissional, método ultrapassado, empírico, e sujeito a erros por falha humana”.

processamento de mate-

riais mais rápido e seguro. Além de evitar exposição

ocupacional e afastamento de colaboradores, que

possuem cada vez menos contato com material

contaminado graças à automação, ao uso de

Equipamentos de Prote-

ção Individual adequados e à performance cada vez

maior dos agentes químicos usados nos processos de descontaminação.

complexidade. Muitos deles possuem encai-

O que mensura e define uma esterilização eficiente?

difíceis de limpar.

Esterilização eficiente é aquela onde o

xes e peças que precisam ser desmontadas,

ou lumens estreitos, que são extremamente

Essas novas técnicas já representam um divisor de águas no sentido de conseguir baixar o índice de infecção hospitalar? Sim, já que agora os processos são monitora-

dos e os profissionais fazem parte de programas de treinamento e educação continuada.

Para se ter uma idéia da evolução no controle e segurança do processo, atualmente existem disponíveis diferentes indicadores para mo-

nitorar e validar o processo de limpeza. Isso

se dá através da detecção de proteína e (ATP) adenosina trifosfato. Até então a limpeza era monitorada através da acuidade visual do

profissional, método ultrapassado, empírico, e sujeito a erros por falha humana. Considerando que a limpeza é um passo fundamental no

material final está estéril, que é a ausência de

microorganismos viáveis (com capacidade de reprodução/desenvolvimento). Esterilização é um conceito probabilístico, e um material

é considerado estéril quando a chance de ha-

fundamental para evitar infecções principalmente as de sítio cirúrgico, já que ma-

com cavidades internas do paciente e são um potencial risco de infecção caso os

artigos não sejam adequadamente pro-

cessados. Os instrumentos implantáveis são complexos e podem, em até um ano, desenvolver uma infecção hospitalar.

Em que medida essa eficiência depende da técnica do profissional de esterilização? Até um tempo atrás, a CME era um local

tratado de forma pejorativa, onde pro-

fissionais com doenças crônicas (coluna, hipertensão) ou problemas compor-

tamentais eram encaminhados. Enfermeiros que trabalhavam na CME não

recebiam o mesmo reconhecimento em

relação ao enfermeiros da assistência di-

reta com o paciente. De uma década para cá, o enfermeiro que atua na assistência

indireta (CME) tem sido reconhecido, já que a central necessita de profissionais treinados e capacitados para lidar com toda a tecnologia e complexidade do

processo. Agora, profissionais após a

graduação fazem a opção de trabalhar e buscar especializações/pós graduação

em centrais de esterilização e possuem

excelente empregabilidade. Não só pro-

fissionais de enfermagem, como também farmacêuticos e engenheiros estão en-

trando nesse mercado e têm capacidade de administrar este processo.

Como está o estado em termos de avanço na área?

ver um microorganismo vivo após o processo

O estado de Santa Catarina tem se

Mas para o sucesso da esterilização, além

Atualmente contamos com diversos hos-

for menor do que 1 em 1.000.000 (chamado Nível de Garantia de Esterilidade - SAL).

da necessidade de uma limpeza (manual ou automatizada) perfeita, é necessário que

o processo de esterilização seja observado

com monitores físicos, químicos e biológicos. Todo este monitoramento deve ser registrado para fins de rastreabilidade, segurança

do paciente e eventuais visitas da Vigilância

destacado com avanços tecnológicos e de

pessoal em suas centrais de esterilização. pitais acreditados, certificados em pro-

gramas de qualidade e/ou de reconhecimento na implementação das melhores

práticas relacionadas ao processamento de artigos médico-hospitalares.


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GESTテグ>


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PISO SEM FUNDO >

Em um exercício de ficção financeira, foi aprovado um salário mínimo regional que não tem fundamento na realidade. Os novos valores oprimem as gestões hospitalares, e surtem um efeito contrário ao esperado: comprometem a qualidade do atendimento pela dificuldade em manter profissionais atuando.

O

perigo de se ultrapassar

os limites da realidade e da razão é

ancestral na

memória do

homem, e os

alertas contra essa atitude são

transmitidos de geração em geração através de histórias e mitos. Um dos mais conhecidos talvez

seja o de Ícaro, que teve as asas

de cera derretidas ao voar muito

média, a folha de pagamento das unidades hospitalares. E a folha é onde se concentram todas as atenções financeiras, pois representa até 50% em média dos custos hospitalares.

Reféns de um sistema no qual não há margem

nem autonomia para repassar adiante os valores pelos

serviços prestados, os gestores são obrigados a estudar

O reajuste proposto no salário base dos trabalhadores da saúde foi de R$ 660,00. Impacto do novo piso será, em média, de 42% na folha de pagamento dos hospitais, que representa hoje cerca de 50% dos custos hospitalares.

empurrar o setor de saúde rumo a um destino semelhante, em que a euforia precede a queda.

No último dia 16 de março, o governador de Santa

Catarina, Raimundo Colombo, sancionou o novo

salário mínimo regional. Os valores definidos confor-

me a categoria de trabalhadores variam de R$ 630, R$ 660, R$ 695 a R$ 730 e são retroativos a 1° de janeiro de 2011, conforme projeto do governo aprovado por

unanimidade na Assembleia Legislativa no começo de março.

O reajuste de 7% no piso colocou Santa Catarina

como o segundo maior valor inicial de salário mínimo regional do Brasil e gerou uma situação preliminar de Imagens: PhoroXpress

de saúde é de R$ 660,00, o que impactou em 42%, na

possíveis cortes de profissionais, o

alto. Pois os legisladores de Santa Catarina acabam de

insolvência para os administradores de unidades de saúde.

O aumento já em vigor para os servidores da área

que é ruim para todo mundo. Para os trabalhadores da área, em primeiro

lugar, sim, mas principalmente para

a população atendida pois a falta de

pessoal produz, como consequência natural, prejuízo na qualidade do atendimento.

“Nosso setor é diferente dos de-

mais, pois não somos nós que fazemos o preço, mas o comprador de serviço”, avalia o presidente da FEHOESC,

Tércio Kasten. Essa peculiaridade da

área é ignorada, desprezada ou, simplesmente, incompreendida durante a formulação das políticas públicas

– algo que a AHESC-FEHOESC estão trabalhando para mudar.

“É o freguês que faz o valor”, tem bradado Tércio

Kasten nas audiências com gestores públicos. “Neste

caso, o SUS, que é o nosso grande comprador, além dos planos, seguradoras e operadores de saúde. Ficamos reféns dessa situação”.

O Diretor-executivo da AHESC-FEHOESC, Braz

Vieira, debruçou-se sobre os cálculos do efeito cascata

que o aumento já está provocando. “Temos um aumento do salário mínimo da base da categoria, mas os demais profissionais, com salários mais elevados, também já

começam a reivindicar reajustes mais ou menos iguais. E a matemática financeira disso exige toda uma reade-

quação. Os formuladores da política salarial imaginavam que estariam multiplicando riqueza. Não estão.


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Estão subtraindo. Não vamos conseguir

absorver todo este aumento”, afirma Braz Vieira.

A AHESC-FEHOESC não discordam

da necessidade de aumento de salário

dos trabalhadores. Reclamam, sim, que

nenhum representante das duas entidades foi ouvido no debate da composição do valor do piso regional para Santa Ca-

tarina. Os novos valores foram definidos

INSUFICIÊNCIA CRÔNICA >

Os cálculos demonstraram que não há meios de absorver todo o aumento salarial de uma vez só.

durante uma reunião no final de janeiro entre representantes de entidades de

alguns setores da economia e o governo. “As entidades da saúde ficaram fora do

debate. Os gestores públicos ignoram o

setor, e nós exigimos maior participação

nas discussões”, desabafou Tércio Kasten.

Para consertar o estrago A única maneira de equilibrar as con-

tas seria por meio do reajuste da Tabela

de Procedimentos do SUS, bem como dos serviços contratados pela iniciativa pri-

vada, como os planos de saúde. E AHESC

-FEHOESC reivindicam que o estado promova essa valorização dos serviços para

que o setor possa absorver o aumento na folha de pagamento. QUEDA DE ÍCARO >

“Só assim os hospitais terão condi-

Por Herbert Draper: ninguém voa alto demais, se voa com

ções de atender aos pacientes usuários

as próprias asas.

do SUS, hoje em torno de cinco milhões

de catarinenses (80% da população que depende do serviço). Do contrário a

situação financeira que já é crítica ficará insustentável e com sérios reflexos na

qualidade e segurança do atendimento”, alertou Dario Staczuk, presidente da AHESC.

Ele avalia que é “inadmissível e

inexplicável” serem criadas obrigações

que onerem os custos hospitalares sem a devida contrapartida.

Staczuk reclamou ainda do fato da

Assembleia Legislativa de Santa Catari-

na, onde o projeto do piso tramitou, não ter ouvido o setor. “Provavelmente os

demais segmentos que participaram das negociações para fixação do reajuste do

piso regional terão alguma compensação (repasse do custo para os consumido-

res, compensação fiscal) e os hospitais públicos também terão, naturalmente,

seus orçamentos ajustados”, lembrou o

presidente. Impor o mesmo fardo à rede de hospitais filantrópicos e privados

não apenas é injusto, como irrazoável.

O atendimento de toda essa parcela da população – oito em cada dez catari-

nenses atendidos pelo Sistema Único de

Saúde – depende de uma certa liberdade do setor em manejar seus próprios e

escassos recursos. Ao formular políti-

cas salariais, os gestores públicos

fariam bem em considerar isso,

em vez de colar asas de cera nos ombros do setor

privado e incentivá-lo a voar para o

A GESTÃO HOSPITALAR REFÉM >

Não há válvula de escape para os reajustes salariais, que só vigoram à custa de cortes nos recursos humanos ou nos padrões de qualidade

Imagens: PhoroXpress | Dreamstime | Stock.xchng

declínio.


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COLUNA

DR. RODRIGO DE LINHARES Advogado, Assessor Jurídico da AHESC-FEHOESC e membro do Conselho Jurídico da CNS

STF DERRUBA PISO SALARIAL

E

DOS TÉCNICOS EM RADIOLOGIA

m julgamento ocorrido em 06/05/2011, o Supremo Tribunal Federal considerou ilegítima a imposição legal de piso salarial para os Técnicos em Radiologia, deferindo uma medida cautelar que suspendeu a eficácia do art. 16 da Lei 7.397/1985.

A Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF n° 151, questionando a incompatibilidade da fixação do piso de dois salários mínimos em relação ao texto Constitucional, foi ajuizada pelo Conselho Jurídico da Confederação Nacional de Saúde-CNS, constituído pelos advogados das Federações Estadual de Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde, com pedido de exclusão, em definitivo, da referida exigência. No entendimento da relatora do processo, Ministra Carmen Lúcia, o “art. 16 da Lei 7.394/1985 deve ser declarado ilegítimo, por não recepção, mas os critérios estabelecidos pela referida lei devem continuar sendo aplicados, até que sobrevenha norma que fixe nova base de cálculo, seja lei federal, editada pelo Congresso Nacio-

nal, sejam convenções ou acordos coletivos de trabalho, ou ainda, lei estadual, editada conforme delegação prevista na Lei Complementar 103/2000.

E, com o escopo de preservar os direitos dos trabalhadores com contratos em vigor, “determinou a Ministra, cujo voto foi acompanhado pelos demais julgadores, o “congelamento da base de cálculo em questão, para que seja calculada de acordo com o valor de dois salários mínimos vigentes na data do trânsito em julgado desta decisão, de modo a desindexar o salário mínimo.” Portanto, o STF decidiu liminarmente que o art. 16 da Lei 7.394/85 é ilegítimo por não ter sido recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Determinou, ainda, a manutenção do critério da Lei nº 7.394/85, até que nova base de cálculo seja fixada por lei federal, convenção ou acordo coletivo ou lei estadual. Além disso, a decisão judicial buscou preservar os direitos dos trabalhadores, “congelando” o salário dos técnicos em radiologia com contrato de emprego em vigor. Contudo, esse congelamento, por óbvio, não atingiu novos contratados, para os quais o STF determinou a aplicação do piso previsto em instrumentos normativos ou em lei estadual.

Vale lembrar que a Lei Complementar nº 459, de 30 de setembro de 2009, estabeleceu no âmbito do estado de Santa Catarina o piso regional para diversos setores econômicos, inclusive o da saúde. Porém, a mesma lei afastou, em seu art. 3º, sua eficácia em face da existência de acordo ou Convenção Coletiva firmado. Logo, havendo piso normativo previsto em Convenção Coletiva, este se sobrepõe ao piso regional da Lei Complementar 459/2009. Em qualquer caso, doravante já não se aplica o piso salarial da Lei 7.394/85 que, conforme dito, foi suspenso pelo STF.

Ainda, é equivocado o entendimento que vem sendo divulgado por entidades que representam os interesses dos profissionais técnicos em radiologia, segundo o qual estaria preservada a necessidade de aplicação de dois salários mínimos regionais como base de cálculo do piso salarial. Afinal, como se viu, inexiste exigência legal válida nesse sentido, sendo que a decisão do STF apenas determinou a manutenção dos valores pagos aos atuais funcionários, os quais deverão ser anualmente corrigidos com base nos mesmos critérios aplicados aos demais empregados.

DECISÃO JUDICIAL AFASTA VÍNCULO DE EMPREGO COM MÉDICOS

A

relação entre os médicos e estabelecimento hospitalares é tema que envolve grande controvérsia jurídica. Aliás, tendo em vista o aumento de autuações por parte dos órgãos oficiais de fiscalização, exigindo o reconhecimento do vínculo de emprego com os profissionais médicos, o assunto será objeto de amplo debate no próximo Encontro de Advogados e Administradores da Área da Saúde, evento organizado pelo Conselho Jurídico da AHESC-FEHOESC e que, neste ano, será realizado no dia 16 de setembro. Sobre o assunto, uma importante decisão foi recentemente proferida em primeiro

grau de jurisdição, em Ação de Execução Fiscal nº 0270-53.2011.5.12.0010, da Vara do Trabalho de Brusque, movida contra Hospital multado pela União Federal em razão da ausência do recolhimento de depósitos de FGTS em favor de médicos autônomos, integrantes do Corpo Clínico do nosocômio. O Hospital executado apresentou defesa (Embargos à Execução), valendo-se de argumentos que denunciaram a arbitrariedade da exigência de recolhimento de FGTS de profissionais sem vínculo de emprego e, por conseguinte, da ilegalidade da aplicação de multa, sendo o pleito acolhido pelo Juízo Sentenciante que, em fundamentada decisão de mérito, ressaltou que a fiscalização trans-

cendeu ao poder fiscalizatório ao consignar que todos os médicos, independentemente da forma como prestavam seus serviços, deveriam ser registrados como empregados.

O MM. Juiz, ao declarar a arbitrariedade da multa, justificou, ainda, que “o julgamento sobre a existência ou não de vínculo de emprego é exercício de jurisdição, ou seja, dicção do direito, tarefa reservada, no Brasil, exclusivamente ao Poder Judiciário. A existência ou não de vínculo de emprego envolve concomitância dos requisitos do artigo 3º da CLT.” Mais informações sobre o tema poderão ser fornecidas pela Consultoria Jurídica da AHESC-FEHOESC, que atua na referida demanda judicial.


Imagens: Photoxpress

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< GESTÃO

ENERGIA

RENOVÁVEL >

Projetos de leis estaduais podem proporcionar redução de custos para unidades de saúde, com isenções de pagamentos de água e luz e troca de equipamentos antigos por versões mais modernas e econômicas.

D

Imagens: PhoroXpress

(Imbituba) e Hospital São Francisco de Assis (Santo ois projetos de deputados Amaro da Imperatriz). estaduais podem ajudar a reduzir as despesas nos hospiDepois de uma avaliação minuciosa, serão tais públicos trocadas lâmpadas, fiação, e filantró“As taxas de enermotores, máquinas e equipapicos. O projeto de Marcos gia e água reprementos hospitalares consideVieira (PSDB), já está sendo sentam cerca de rados obsoletos, por produtos implementado e propõe subsmais sofisticados que conso6% a 10% dos tituição de equipamentos mem menos energia. Todo o custos. Autorizando para estimular o uso racional investimento será realizado a isenção o estado e a redução do consumo de pela Celesc. trabalharia para energia elétrica. reduzir o impacto da O Programa de Eficiência A indicação aprovada pela Energética existe desde 1999, falta de investimento Assembleia Legislativa acaquando a Agência Nacional na saúde, o que é de bou sendo incluída no Projeto de Energia Elétrica (Aneel) responsabilidade do Celesc de Eficiência Energépublicou resolução determipróprio governo”, tica. “O objetivo é possibilitar nando às empresas do setor a defende Padre Pedro a continuidade dos serviços obrigação de investir 0,5% do de saúde, mas com menores lucro operacional em programas voltados à redução custos operacionais aos mantenedores de cada do consumo de energia. Em 2010 a Celesc pretende hospital”, destacou Marcos Vieira. investir R$ 6,1 milhões nos 34 hospitais contemplados. A mobilização do parlamentar iniciou em fevereiro de 2010. Após visitar as casas que prestam serviços de saúde sem visar lucros, o deputado conversou com a diretoria comercial da Celesc solicitando a concessão do benefício às entidades de saúde. Entre as unidades beneficiadas estão o Hospital de Caridade e Maternidade São José (Urubici); Hospital São José e Maternidade Chiquinha Gallotti (Tijucas); Hospital de Caridade Coração de Jesus (São Joaquim); Hospital Nossa Senhora Conceição (Angelina); Hospital São Camilo

Redução de 30% nas despesas

Administrador do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages, Canísio Isidoro Winkelmann elogiou as indicações dos deputados. Ele lembra que a iniciativa de Marcos Vieira deve gerar otimização da iluminação, condicionamento de ar, refrigeradores, força motriz e equipamentos de esterilização, beneficiando 34 hospitais do Estado de Santa Catarina.

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Programa de eficiência energética o investimento é da Celesc, e obrigatório, em cumprimento à resolução da Aneel.

iniciativas como essas dos deputados Padre Pedro e Marcos Vieira se reproduzam, pois o maior beneficiado é o cidadão catarinense que é atendido por estas centenárias Casas Hospitalares de origens comunitárias e religiosas”, ressaltou ele.

Tem que nascer no Executivo

projeto para isentar hospitais filantrópicos do pagamento de água e luz precisa ter origem no governo, porque implica renúncia fiscal, e os parlamentares não podem fazer leis nesse sentido.

“Com o cronograma já estabelecido, o projeto em muito contribuirá para reduzir os custos de energia elétrica, estimado em torno de 10%”, calcula o gestor. Canísio também frisou a importância do projeto de Padre Pedro Baldissera. “É sem dúvida uma maneira inteligente do estado contribuir com o custeio dos hospitais que preenchem os requisitos da filantropia”. Contudo, ele lembra que, na prática, o projeto deve ser de iniciativa do Poder Executivo, pois já traz a renúncia de re-

ceitas governamentais. Como o serviço tem sido municipalizado, a iniciativa também tem de ser acompanhada de lei municipal. “Neste sentido temo que o projeto, assim como os anteriores, não vingue pela sua origem, ainda mais apresentado por deputado de oposição e pelo legislativo”, avalia o gestor. O presidente da AHESC, Dario Staczuk, avalia que o projeto do Padre Pedro ajuda a equilibrar as contas. “Como 80% destes hospitais atendem quase que exclusivamente pacientes do SUS, recebendo somente 40% em média do custo dos procedimentos, a isenção de água e luz trará significativa economia. Reduzirá a defasagem hoje existente entre o que estes hospitais gastam e o que se recebem pela prestação de serviços. O projeto é uma antiga reivindicação”, avalia o presidente.

Já a indicação feita pelo deputado Marcos Vieira, segundo Dario Staczuk, destinará R$ 6 milhões na substituição de equipamentos elétricos, reduzindo os gastos com energia. “Esperamos que

ILUMINAÇÃO INTELIGENTE:

Os projetos de lei que auxiliam os hospitais a trocar equipamentos e economizar energia têm efeito em cadeia na qualidade de vida do cidadão catarinense.

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EQUILÍBRIO >

Para Dario Staczuk, presidente da AHESC, projeto do Padre Pedro ajuda a equilibrar contas.

“Elas prestam inestimáveis serviços à sociedade catarinense e são indispensáveis para consolidação do Sistema Único de Saúde, que se constitui na única porta de acesso aos serviços de saúde para cerca de de 80% da população brasileira e catarinense”, acrescentou.


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INFORME PUBLICITÁRIO

PEDRO ASSIS

Fundador e Presidente da AGEMED Saúde SA

PARCERIA GARANTE

VALOR DIFERENCIADO Ampliação da parceria já existente entre

A maioria das empresas oferecia o plano

que teve como interprete o consagrado ator

mais completo e economicamente viável. O

cede o CNPJ e os empregados contratam o pla-

porém, somos o plano mais completo e

a Agemed garante aos clientes um plano

“Aliança Blumenau” chega custar até 30%

abaixo do valor praticado por outros planos de saúde. Para conhecer as vantagens do

plano e saber um pouco mais sobre a par-

ceria, conversamos com Pedro Assis, fundador e Presidente da Agemed Saúde S.A.

Há quanto tempo existe a parceria entre o Hospital Santa Catarina de Blumenau e a Agemed? A parceria começou ainda na década dos anos 90, quando, a pedido da Tigre S.A, a maior fabricante nacional de tubos e

conexões, nossa cliente, credenciámos o Hospital Santa Catarina para atender os seus funcionários que trabalhavam em

Blumenau. A condição da empresa era que

oferecêssemos o melhor serviço hospitalar da cidade. Portanto, já nascia ali a parce-

ria Agemed/Hospital Santa Catarina para

oferecer aos clientes o que há de melhor em

contratado na modalidade que nos chamamos de livre adesão. Nesta modalidade, a empresa

no as suas próprias expensas. Os funcionários

que não possuíam condições para bancar esta despesa ficavam sem ter plano de saúde e

vulneráveis ao apelo de head hunters de outras

Regius Brandao, lembrando o publico que a Agemed não é a marca mais lembrada,

outra promocional divulgando as vantagens da parceria do Aliança Blumenau.

Como funciona?

empresas. O mercado de trabalho no Brasil

Além de oferecer um plano de saúde, a Age-

tem maior capacidade de retenção da mão de

demos que a consulta médica, sozinha, não

começou aquecer e neste cenário, as empresas que oferecem o beneficio do plano de saúde

obra contratada e também de atração de bons colaboradores do que as empresas que não

oferecem este beneficio. Foi aí que nossa equipe procurou o Hospital Santa Catarina e juntos desenhamos um produto capaz de atender essas empresas.

Então esta parceria, na qual denominamos de Aliança Blumenau, nasceu de uma garantia

de fidelidade dos usuários Agemed em troca

dos melhores serviços com o melhor preço do Hospital Santa Catarina.

Em termos de valores, dependendo do modelo

med se preocupa também com a assistência farmacêutica, odontológica e ótica. Enten-

resolve o problema. O usuário precisa fazer o tratamento medicamentoso e por isso, oferecemos também acesso as melhores redes de farmácia da cidade., Também

entendemos que a saúde começa pela boca

e o cuidado com os dentes é fundamental e por isso oferecemos acesso também a uma excelente rede de dentistas. Outro fator

fundamental para a nossa saúde é a visão

por que os olhos representam mais de 90%

nas atividades do nosso dia a dia E por isso incluímos também acesso a uma excelente

rede de óticas aptas a fornecer as lentes re-

O que foi ampliado na parceria?

adotado a diferença poderá chegar a 30% em

Ao longo do tempo, novas necessidades

Quando foi lançado o plano “Aliança Blumenau”?

cessidades. Muitas empresas de Blumenau

A linha de produtos Aliança Blumenau foi

Além dos diferenciais já expostos, a grande

função de não oferecer um plano de saúde.

na mídia duas campanhas: Uma institucional,

custos, o que nos dá a possibilidade de per-

termos de qualidade em plano de saúde.

foram surgindo. O próprio mercado de

Blumenau passou a demandar outras ne-

e região nos procuravam em busca de uma solução para a perda de mão de obra em

relação aos concorrentes e em alguns casos muito mais.

lançada em Novembro do ano passado. A

estratégia de marketing inicial foi de veicular

ceitadas pelos melhores oftalmologistas da cidade. Tudo com um serviço de primeira qualidade.

O que diferencia o plano “Aliança Blumenau” dos demais planos? vantagem deste produto é a garantia de uma melhor gestão principalmente dos

Fonte: AGEMED | Imagens: Divulgação AGEMED

o Hospital Santa Catarina de Blumenau e


17

A grande vantagem deste produto é a garantia de uma melhor gestão principalmente dos custos, o que nos dá a possibilidade de personalizar o desenho dos planos de acordo com a capacidade financeira de cada empresa. sonalizar o desenho dos planos de acordo

com a capacidade financeira de cada empresa. Esta condição dá também mais facili-

dades de adesão de empresas que tinham interesse em aderir a um plano de saúde,

porém não entravam por não ter a condição financeira de patrocinar este benefício aos seus colaboradores.

Quais as vantagens? A vantagem é que o cliente passa ter uma Gestão alicerçada em 3 ferramentas: A

tempo desejado e necessário para dirimir a sua dúvida. A Agemed disponibiliza um serviço que coloca outro profissional na especialidade com igual ou até melhor

capacidade. Ainda, para nossos clientes que possuem unidades fora de Santa Catarina, dependendo o número de beneficiários,

a Agemed abre rede própria em qualquer

cidade do Brasil, ou ainda comprar serviços de outras operadoras parceiras que temos espalhados por todo o Brasil, ou seja,

sempre estaremos encontrando soluções para facilitar o atendimento dos nossos

beneficiários onde quer que eles estejam.

Eu sempre costumo dizer que, se o cliente quiser, a Agemed é do tamanho do Brasil.

Sempre teremos uma solução personalizada para a empresa cliente atender com a

ção do funcionário com farmácia e outras.

As pessoas físicas também podem contratar o plano de saúde? Explique.

da mãe, entre outras demandas, tudo isso passa ser administrado pela Agemed. A segunda ferramenta é a Gestão da

Sinistralidade. Durante todo o período de

vigência muitas coisas vão acontecendo e é necessário um acompanhamento para que

ao final do contrato a empresa não seja sur-

preendida com um reajuste fora do controle da própria empresa. Por isso, nossa equipe técnica vai fornecendo as informações

pertinentes a sinistralidade e mais do que isso - propondo correções de rota.

A terceira ferramenta que disponibiliza-

mos é a Gestão da Rede. Muitas vezes um

determinado profissional, por uma questão de agenda, não pode atender o cliente no

sas que estavam trocando pela segunda,

terceira e quarta vez o fornecedor de plano de saúde, através dos nossos corretores,

encontraram na Agemed uma verdadeira

parceria para administrar um beneficio que deixa de ser uma benevolência da empresa

e passa a ser uma necessidade para a gestão dos seus recursos humanos.

Aliança Blumenau.

Porque o hospital âncora desta região é o

A inclusão do dependente, a inclusão do pai

termos de plano de saúde. Muitas empre-

Região pode contratar um produto da linha

isso a Gestão do Beneficio é muito impor-

inclusão, exclusão, desconto da coparticipa-

prestar uma verdadeira consultoria em

Todas as empresas podem aderir ao plano?

Por quê?

tante. Aquelas coisas como carteirinha,

corretores. Eles estão preparados para

que fazem a prosperidade da sua empresa.

benefício toma muito tempo dos profissionais que cuidam do RH das empresas. Por

ligar e solicitar a visita de um dos nossos

são os seus colaboradores, afinal são eles

Qualquer empresa sediada em Blumenau e

de saúde de uma operadora. A gestão deste

Pedro: Fabiane, qualquer interessado pode

máxima satisfação o seu cliente interno que

primeira delas é é a Gestão do Beneficio.

Não basta uma empresa contratar um plano

Para concluir, em caso de interesse, como os nossos leitores podem contratar o “Aliança Blumenau”?

Hospital Santa Catarina, com quem a Agemed mantem esta aliança operacional.

Somos especializados em planos coletivos

empresariais como forma de democratizar os custos e oferecer as vantagens que citamos. Até as pessoas físicas se beneficiam desta estratégia, quando são

incluídos em planos coletivos, como é o caso dos cooperados da Cooperuso, uma cooperativa que se dedica a contratar o melhor plano de saúde para

oferecer aos seus associados.

ATENÇÃO AINDA NÃO FINALIZADO


18

GESTÃO >

O CONSENSO >

DO SUL

Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina têm muito mais em comum do que a geografia. Na área da saúde, compartilham metas e objetivos que, em conjunto, podem alcançar com menor custo e esforço.

Mas a construção política dessa união não está pronta, tem que ser pactuada, firmada e mantida. AHESCFEHOESC trabalham para isso, trazendo resultados imediatos em diversos níveis da gestão hospitalar.

A


A

19

integração entre os três estados do Sul,

Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do

Sul, na hora de levantar bandeiras e cobrar soluções em nível nacional, tem feito a

diferença. As federações e associações

de hospitais catarinenses, paranaenses e gaúchas se encontram periodicamente

para debater questões comuns e traçar estratégias. Trata-se

“Aqui nós temos uma cultura diferente do resto do país. Temos

mão-de-obra diferenciada e seriedade. Prova de que temos peso

diante de outras regiões do país”, reforçou Kreisel, cuja entidade representa cerca de 500 hospitais no Paraná. A FEHOSPAR

(Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Ser viços de Saúde no Estado do Paraná), presidida por Renato Merolli, também participa do G3.

do chamado G3.

Debates são antecipados

FEHOESC, Tércio

essencial pela FEHOSUL (Federação dos

A parceria também é vista como

O presidente da

Hospitais e Estabelecimentos de Serviços

Kasten, explica que o setor nos três

de Saúde do Estado do Rio Grande do

estados possui muitas característi-

Sul. “São discutidos assuntos de grande

cas semelhantes. “A relação com os

relevância para o setor. Muitas vezes

médicos, por exemplo, é diferente.

antecipamos temas que serão debatidos

É mais legal, legítima e franca. E os

na mesa dos administradores e gestores”,

agentes envolvidos são mais atuantes, a exemplo da parte regulatória

de Vigilância Aanitária ou Ministério Público. Eles cobram mais”, disse Kasten.

“Percebemos que juntos conse-

guimos levar nossas reivindicações

com mais força do que se estivesse-

mos separados. Deu mais legitimidade e representatividade na hora de

buscar soluções para um problema em nível nacional”, acrescentou.

Um dos resultados desta integra-

ção foi a criação do Departamento de Saúde Suplementar, fruto da pressão dos três estados, preocupados com discussão envolvendo o índice do

Nasce uma Solução Criação do Departamento de Saúde suplementar só foi possível graças ao entendimento e ação conjunta dos estados do Sul. O G3 tem concebido plataformas de gestão e ingerência política que são inéditas na forma e criativas na aplicação.

grado desta maneira para discutir os problemas comuns”, informou Kasten.

Para o presidente da AHOPAR (Associação dos

Hospitais do Paraná), Benno Kreisel, o G3 é uma troca de experiências. “Os estados apresentam seus problemas e < SENTIDO E DIREÇÃO:

No G3, há um consenso sobre Imagens: PhoroXpress | Stock.xchng

as políticas de atuação que,

quando apresentadas à sociedade e aos gestores públicos, ganha maior representatividade.

apontam as medidas que deram certo e deram errado. Quando saímos do

encontro já temos algo para apresen-

tar em nível nacional”, ressaltou ele,

destacando fatores que favorecem a integração.

Financeira da FEHOSUL, Shirlei Frigo

Gazave. A entidade representa cerca de

sete mil estabelecimentos de saúde no Rio Grande do Sul.

Assessor da presidência da FEHOSUL

e também integrantes da diretoria da

AHRGS (Associação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do

Sul), Alcides Pozzobon elogiou a condição de Santa Catarina nos trabalhos do G3.

“Como anfitriã, Santa Catarina, por

meio de suas lideranças, tem mostrado

que é altamente salutar a integração de

propostas e de discussões. Essa união é cada vez mais necessária, pois estamos

crescendo juntos em termos de estratégia

custo hospitalar. “Eu desconheço no

Brasil outra região que tenha se inte-

destacou a Assessora Administrativa e

e representatividade”, frisou ele.

Também participam do G3 entidades patronais e sindicatos do

setor.

< RECURSOS HUMANOS CAPACITADOS, COM FORMAÇÃO CONTINUADA>

Nível tão elevado, que se

equivale aos padrões internacionais. É um dos diferenciais na prestação de serviços de

saúde em todo o Sul do país.


20


< PERFIL

21

PERSONAGEM

Canísio Isidoro Winkelmann Administrador do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, Tesoureiro da AHESCFEHOESC, Tesoureiro do Instituto Santé e Membro do Conselho Fiscal da FBH.

Sua vida é marcada pela doação ao serviço de saúde e ao fortalecimento das entidades do setor.

des de saúde no estado se confunde com a trajetória

profissional de Canísio

Isidoro Winkelmann, 54

anos, hoje Diretor adminis-

trativo do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages. Ele acumula uma longa história de

lutas que se destacou em

1994, há 17 anos, quando

lideranças se reuniram em Gravatal, no Sul do estado, em encontro de hospitais. Na época, o grupo

decidiu demonstrar inconformismo e indignação,

oferecendo uma chapa al-

ternativa para conduzir os destinos da AHESC, “com

propostas claras, baseadas na profissionalização, na participação efetivada

de todos os associados,

levando cursos de formação e presença constante

Canísio também traz no currículo uma espe-

cialização e um MBA em administração e gestão

hospitalar. “Formamos um grupo muito forte, no qual laços de amizade e companheirismo foram marcantes. Cito alguns nomes como o Tércio, o

Ele frisa que, na ocasião, o sistema sindical catarinense também foi reformado sob a coordenação de Tércio Kasten. As delegacias regionais acabaram sendo transformadas em sindicados e, em 1996, a Federação dos Hospitais de Santa Catarina (FEHOESC) foi criada pelo grupo de Canísio Isidoro Winkelmann. Por consequência saiu do papel a CNS (Confederação Nacional de Saúde).

em todos os Centros Administrativos Regionais Hospitalares do estado”, lembra Canísio, que é

administrador de empresas formado pela UFSC Imagens: Arquivo

(Universidade Federal de Santa Catarina).

Braz, o Bráulio, Rosina, Dario e Gerson. E assim fomos

vitoriosos em abril de 1995,

através de processo eleitoral”, recorda o gestor.

Ele frisa que, na ocasião,

o sistema sindical catarinense também foi reformado sob a coordenação do Tércio Kasten. As delegacias regionais

acabaram sendo transforma-

das em sindicatos e, em 1996, a Federação dos Hospitais de

Santa Catarina (FEHOESC) foi criada pelo grupo de Canísio

Winkelmann. Por consequência reforçou o papel da CNS (Confederação Nacional de Saúde).

Foi então que o projeto

de unir federação e associação também começou a virar realidade. Na época, a sede da FEHOESC

Imagens: Divulgação

O

fortalecimento das entida-


22

PERSONAGEM nosso modelo representativo é único a nível

de Brasil”, explica. “Entendo que nossas entidades estaduais cumprem seu papel, através de planejamento das ações e participação

efetiva nas políticas de saúde e indo cada vez mais focado nas ações políticas (legislativo) nas três esferas do poder”.

Propostas baseadas na profissionalização levaram um

novo grupo à condução das políticas setoriais em Santa Catarina

ficava em Joinville. Em 1996, Canísio, então vice-presidente da AHESC e da FEHOESC, assumiu interinamente a presidência da

federação por seis meses, por afastamento temporário de Tércio Kasten. “Oportunidade que articula-

mos, sempre com a

participação do Tércio,

a transferência da sede para Florianópolis,

juntando os espaços

físicos das duas entidades”, comemora ele. “Assim, de fato,

consolidamos na prá-

tica, o nosso discurso,

O eterno subfinanciamento do SUS e seus mitos Profissional dedicado, Canísio acredita

que a concepção do SUS (Sistema Único de Saúde) é das mais avançadas do mundo,

sendo inclusive copiada por muitos países

quanto aos aspectos filosóficos, porém, carece de financiamento próprio. Avalia que falta

vontade política para regulamentar a Emenda 29, na qual os recursos orçamentários ficarão

Gestão da Saúde ou da Doença? O subfinanciamento impede o planejamento de ações e é por isso que a sociedade tem razão quando diz que o governo gasta muito e gasta mal.

tornando nosso segmento representativo

muito mais forte, mais consistente, livre de vaidades pessoais, apesar de críticas dos

segmentos nacionais. Fizemos história, pois o modelo foi copiado em várias unidades federadas, a partir da nossa experiência”, destaca o gestor.

Hoje, avalia Canísio, com a descen-

tralização da saúde (municipalização), as

entidades perderam seu espaço em função

das reivindicações e discussões serem bem localizadas. São de cunho local, ou seja,

prestador se relaciona diretamente com o gestor municipal. “Aí a importância cada

vez maior das entidades terem participação no domicílio junto aos seus associados. O

indexados nas três

esferas do governo,

resultando em subs-

O (ainda) pouco investigado movimento da descentralização: as relações entre prestadores de serviços de saúde e gestores deve encontrar um novo eixo e equilíbrio, que está sendo buscado com a participação maior das entidades junto aos associados.

tantivo aumento de

outros ou de emendas parlamentares. Não

carga de recursos é

Canísio.

recursos para a saúde. De fato, hoje a maior

cobrada dos governos municipais que vem

comprometendo em

torno de 20% ou mais

do seu orçamento com a saúde. “Então penso que o melhor modelo de saúde seria aquele que efetivamente mantivesse o equilíbrio

financeiro através de remuneração justa aos serviços prestados e não que remunerasse

apenas até 40% dos custos de produção”, frisa ele.

Descentralização

A grande dificuldade das unidades de

saúde, principalmente os hospitais, é a

defasagem da tabela do SUS, que em média

remunera apenas 40% dos custos. Segundo o gestor, isso inviabiliza qualquer estrutura e o governo cada vez mais empurra seus

compromissos para a iniciativa privada sem

agregar recursos suficientes. “A sobrevivência de muitos hospitais depende de contribui-

ções da comunidade através de festas, rifas, e

é possível com este cenário planejarmos as nossas organizações hospitalares”, critica

Mesmos caminhos, mesmos resultados Há um erro histórico e cultural na

remuneração da prestação de serviços es-

tarem atrelados à produção, analisa Canísio Winkelmann.

Serviços essenciais, como urgên-

cias/emergências, UTI, deveriam ter

sua remuneração definida independente da produção. Mas pré-estabelecida pela

importância que significam para o conjunto do complexo hospitalar e sua cobertura

para a população, conclui. “Neste sentido costumo comparar com o serviço dos

Bombeiros. Imagine se a corporação tivesse que sobreviver através da sua produção? Se assim fosse, já teria falido e desaparecido. Ou nossas cidades viveriam em chamas diárias”, compara o gestor.

Imagens: PhoroXpress | Dreamstime | Stock.xchng

Saúde se faz com posições claras e formação continuada>


23

ARTIGO O trabalho na saúde Além de gostar do que faz, o profis-

ADM. CARLOS ALBERTO DE LIZ MEDEIROS ¹ ADM. RAGNAR JOSÉ JACOB ²

sional de saúde precisa estar preparado tecnicamente e com formação específica, relata o administrador. “Ler muito,

ADMINISTRANDO SOBRE A

afinal, todos os dias temos legislações

CORDA BAMBA

novas”, ressalta ele. “Saber trabalhar em equipe multidisciplinar e cabe ao administrador ser o grande articulador do

planejamento estratégico da organização hospitalar. Devemos ser mágicos, pois

quem trabalha com o SUS convive com a

escassez de recursos financeiros”, acres-

centa ele, que é um apaixonado pela profissão. Para o gestor, é gratificante poder fazer a diferença. “Me sinto realizado

Q

uem nunca foi ao circo quando

conselhos profissionais e os seus sindi-

arcos, garrafas e pratos lançados

as imposições e sanções do Ministério

criança e ficou fascinado pelas

proezas dos malabaristas e seus

ao ar e que voltavam precisamen-

ao pensar e planejar ações para pessoas

te as suas mãos? Sobretudo com a precisão

do nas atividades do Hospital Nossa

minhavam na corda bamba, muitas vezes

que dependem única e exclusivamente do SUS”. Quando não está mergulha-

Senhora dos Prazeres, Canísio dedica-se

a fazer atividades físicas, principalmente hidroginástica, ler, ir à praia e assistir

filmes. “Também adoro bater papo com os amigos”, afirma Canísio.

dos movimentos, o equilíbrio e, porque

não dizer, o risco que corriam quando casem nenhuma rede de segurança para o caso de algum erro.

Este preâmbulo nostálgico nos remete

à uma metáfora comumente utilizada para representar o perigo, a instabilidade, a

tensão de alguma situação. Traçando um paralelo com o setor saúde, a expressão

outrora lúdica, faz refletir sobre qual pro-

fissional mais representa o “estar na corda bamba”. Sem dúvidas é o Administrador Hospitalar!

Não obstante aos outros profissionais

de saúde que também enfrentam os desa-

fios de lidar com a vida, é o Administrador Hospitalar que na atividade meio, garante

a “vida” da instituição e, indiretamente, de

todos os seus clientes - médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde, assim como, e principalmente, o usuário de seu hospital. Por um punhado de REAIS>

Municípios não têm mais de onde tirar recursos, depois

que estados e União transferiram responsabilidades sem a contrapartida das verbas.

O Administrador Hospitalar é contra-

tado para gerenciar o caos. Despesas operacionais elevadas por vezes maiores que as receitas... a Tabela do SUS que é uma

vergonha nacional... a pressão das Operadoras de Plano de Saúde para melhores serviços e menores remunerações... os

catos da saúde exigindo maiores salários e redução da carga horária laborativa...

Público... as exigências do Ministério da Saúde que em grande parte beiram o

absurdo, a insegurança jurídica, as fre-

quntes interferências... Ufa! Ah, e ainda tem que administrar o hospital.

Bom, esses são apenas alguns

exemplos das ameaças que permeiam a vida do Administrador Hospitalar que

constantemente busca alternativas para garantir a sobrevivência da instituição,

mesmo diante do cenário mais aterrador. Mas não pense que o Administrador

Hospitalar tem um quê de masoquista.

Na verdade, a administração hospitalar é praticamente uma vocação! Não é

incomum encontrar profissionais que

estão há mais de 30 anos no sacerdócio da profissão, pautando sua atuação na

atualização profissional constante, im-

plementando iniciativas criativas frente

aos desafios, adaptando-se e reagindo às nuances do mercado e, principalmente,

não perdendo o foco de sua atividade: a qualidade dos serviços de saúde!

1. Adm. Carlos Alberto de Liz Medeiros, administrador de empresas, especialista em gestão hospitalar, gerente administrativo da AHESC-FEHOESC.

2. Adm. Ragnar José Jacob, administrador de empresas, especialista em gestão hospitalar, sócio e consultor da Adhocracia Administração em Serviços de Saúde.


24


25

ARTIGO

Admª Isabela Regina Fornari Müller Administradora, Presidente da Fundação dos Administradores de Santa Catarina FUNDASC

ESPECIALISTA EM

GESTÃO DE SAÚDE GANHA ESPAÇO NO MERCADO

A

busca de especializa-

ção na área de gestão

em saúde pode ser um

passaporte importante

para o crescimento

no mercado de trabalho. Em janeiro, o

jornal Valor Econômico publicou matéria mostrando que a expansão dos serviços privados de saúde no país e a busca

crescente por eficiência na área, tanto

nos hospitais quanto nos laboratórios e nos convênios aumentariam em 20% o número de vagas na área de gestão em serviços de saúde até o fim do ano.

“A área de saúde tem especificidades

bastante importantes e por isso exige um preparo especial daqueles que

pretendem atuar em hospitais, clínicas e outros serviços. Os responsáveis por esses empreendimentos perceberam

isso e estão em busca de pessoal cada

vez mais especializado”, diz a Presidente da Fundação dos Administradores de

Santa Catarina - FUNDASC, Admª. Isabela Regina Fornari Müller. Pensando nisso

a entidade formatou um curso especial

– o MBA em Gestão Hospitalar, já na 12ª turma e oferecido em Florianópolis e

Imagens: Arquivo FUNDASC

Criciúma – que busca adaptar os conhe-

cimentos necessários à gestão ao ambiente de saúde.

O mais importante é que a busca por pro-

fissionais qualificados tende a crescer. Em entrevista recente, o presidente do Con-

selho Deliberativo da Associação Nacional

de Hospitais Privados (Anahp), Henrique Salvador, disse que os processos de acre-

ditação e a maior regulamentação do setor estão impulsionando os estabelecimentos

em busca da melhoria constante da gestão. Isso sem falar que a própria Associação Nacional de Saúde Suplementar (ANS)

estuda um programa de monitoramento da qualidade dos hospitais que terá impacto

sobre os valores pagos por procedimentos realizados.

“O administrador na área de saúde vive

sob constante pressão. Ele precisa buscar a excelência, mas jamais pode esquecer que atua em um segmento no qual estão em jogo constantemente o bem-estar e, em casos extremos, até a sobrevivência do cliente. Além disso, é preciso conviver em um ambiente bastante tenso e marcado muitas vezes por conflitos”, finaliza a Admª. Isabela Regina Fornari Müller.


33º ECH

ENCONTRO DA

EXCELÊNCIA GESTÃO EM

>

O 33ª Encontro Catarinense de Hospitais discute Novas Tendências na Gestão da Saúde. Em setembro, no Centro Multiuso de São José.

C

onsiderado o mais tradi-

cional do Brasil, o Encontro Catarinense de Hospitais e

Prestadores de Serviços de

Saúde parte para a sua 33ª

edição com o tema “Novas

Tendências na Gestão da Saúde”. O evento

Acontece nos dias 14, 15 e 16 de setembro, no Centro Multiuso de São José, na Grande Florianópolis, e deve receber cerca de 350 profissionais da área da saúde de todo o

Brasil, principalmente do Sul. As inscrições já estão abertas.

A novidade este ano é que as palestras

principais serão realizadas à tarde e pela manhã acontecem os seminários para

discutir assuntos relacionados a custos hospitalares, RH, filantropia, questões jurídicas hospitalares e administração.

Paralelo ao congresso ocorre a Feira de

Tecnologia, Produtos e Serviços Médico-Hos-

oportunidade dos profissionais se inteirarem

sobre o que está sendo discutido no Brasil e no mundo”, resumiu ele.

Entre os nomes confirmados como pales-

trantes estão o doutor em Medicina Wladimir Taborda, que falará sobre “Organizações

Sociais de Saúde: cenário atual e tendências

no Brasil”. Outra palestra de destaque será do doutor Paulo Mattos, presidente do Conselho Deliberativo do Hospital e Maternidade São José de Jaraguá do Sul (SC), um modelo de sucesso na parceria com empresários.

A realização do Encontro é do Instituto

Santé com apoio da AHESC-FEHOESC, FEHOSC (Federação das Santas Casas, Hospitais e

Entidades Filantrópicas de SC) e a Federação Brasileira de Administradores Hospitalares.

Organizações Sociais Doutor em Medicina pela Universidade

pitalares, onde haverá mais de 60 stands.

Federal de São Paulo, Wladimir Taborda fará

cio Kasten, é uma oportunidade de recicla-

viços de Saúde da SES/SP, e abordará o tema

Segundo o presidente da Fehoesc, Tér-

gem, já que serão apresentadas e discutidas as novidades do cenário nacional. “Vamos falar sobre as novas tendências. É uma

uma das palestras mais disputadas. Ele atua

hoje na Coordenadoria de Contratação de Ser“Organizações Sociais de Saúde: cenário atual e tendências no Brasil”. Sua palestra acontece no dia 15.

Imagens: Dreamstime | Photoxpress

26


27

Difícil? 

Tá difícil alcançar altos padrões de gestão? Venha aprender com quem sabe, no Encontro Catarinense de Hospitais.


PRO GRA MA

28

ÇÃO

14

Novas Tendências  “Vamos falar sobre as novas tendências. É uma oportunidade dos profissionais do interior se inteirarem sobre o que está sendo discutido no Brasil e no mundo”, Tércio Kasten, presidente da FEHOESC

>> TURBULÊNCIA O parque hospitalar brasileiro, composto por 6.641 hospitais (2.249 são públicos e 4.392 divide-se entre privados e filantrópicos), que gera 500 mil empregos diretos e possui capacidade instalada de 470.000 leitos, atravessa um momento de grande turbulência. Alguns apenas culpam o governo e se afundam ainda mais na crise. No entanto, a maioria dos profissionais de várias áreas, inclusive vindos da indústria, que passou por processo semelhante há dez anos em razão da abertura de mercado – e sobreviveu – busca soluções para tornar seus processos mais eficientes. Carlos Kazume Oyama

Diretor Executivo Suprimentos e Engenharia do Hospital Israelita Albert Einstein – HIAE, São Paulo.

>> 14.09

19h00 Abertura oficial do evento 19h40 Premiação – Prêmio Santé de Excelência na Gestão em Serviços de Saúde 20h20 Palestra: Qualidade Palestrante: Sr. Mauro Figueiredo 21h00 Coquetel de Abertura

>> 15.09 MATUTINO Na sua exposição, Taborda

apresentará um panorama de

como funciona o modelo de par-

ceria com as Organizações Sociais de Saúde no estado de São Paulo no gerenciamento dos hospitais

públicos, uma tendência que deve ser adotada pelo Governo de Santa Catarina.

Ele defende que a parceria foi um

15

FILANTROPIA | 09h00 às 10h30 LOCAL: AUDITÓRIO Tema: Seminário sobre a nova lei da filantropia

Palestrantes: José Luiz Spigolon Administrador Hospitalar, Pós graduado em Finanças, Superintendente da CMB – Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas. Brasília (DF)

Vilson Alberti Santin

marco de modernização gerencial dos hos-

Administrador Hospitalar, Pós graduado em Gestão Hospi-

foi uma quebra de paradigma. Segundo o

DEBATE | 11h00 às 12h30

que adotou mecanismos de controle que

Tema: Gestão de Riscos: Impactos na Qualidade, Segurança e Custo dos Serviços de Saúde.

das aos usuários.

Palestrante: Luiz Carlos Nemetz

para a gestão do hospital público é garan-

Sócio fundador e gestor da Nemetz & Kuhnen Advocacia

pitais da saúde pública de São Paulo, cujo

talar, presidente da FEHOSC – Federação das Santas Casas,

especialista pelo fato do planejamento es-

DIREITO | 09h00 às 10h30 LOCAL: SALA 02

processo iniciou em 1998 e que, na época, tratégico ser atribuição do gestor público, garantiram a transparência, eficiência e

eficácia nas ações de saúde disponibilizaA qualificação das organizações sociais

Hospitais e Entidades Filantrópicas de SC | Blumenau (SC).

Advogado, Especialista em Direito Médico e da Saúde, Pós-graduado em Direito da Economia e da Empresa.

tida em Lei, não visa fins lucrativos, suas

Empresarial | Blumenau (SC).

seus direitos garantidos e o patrimônio é

Seminário sobre segurança do paciente e infecção hospitalar e descarte de medicamentos.

atividades são dirigidas ao Sistema Único de Saúde, os servidores concursados têm mantido como bem público.

A relação do estado com a Organização

Social de Saúde dá-se através de um Con-

trato de Gestão sendo prerrogativa do estado a contratação de serviços, a avaliação e o controle”, disse Wladimir Taborda.

ENFERMAGEM | 9h00 às 12h30 LOCAL: SALA 04

Palestrantes: Andréa Tomazelli Farmacêutica Bioquímica, Especialista em Gestão Empresarial, Pós graduada em Gestão em Saúde e Controle de Infecção, Executiva Sênior da 3M | Florianópolis (SC)

Micheli Coral Arruda Enfermeira, Pós graduada em Gestão Estratégica de Pessoas. Hospital Dona Helena | Joinville (SC).


29

RECURSOS HUMANOS | 9h00 às 10h30 LOCAL: SALA 06 Tema: Relacionamento com o cliente: aspectos básicos da qualidade nos serviços Palestrante: Catia Santiago Mestre em Ciência da Informação, Especialista em Gestão da Informação, Analista de Recursos Humanos do Laboratório Médico Santa Luzia | Florianópolis (SC)

ADMINISTRAÇÃO | 9h00 às 10h30 LOCAL: SALA 08 Apresentação do Software de apuração de custos hospitalares

PALESTRA | 16h00 às 17h30 LOCAL: AUDITÓRIO

FARMÁCIA | 11h30 às 12h30 LOCAL: SALA 06

Palestra: Apresentação da experiência do Hospital São José (Jaraguá do Sul, SC) parceria com os empresários.

Tema: Farmácia Hospitalar – A importância do profissional farmacêutico

Palestrante: Paulo Mattos

Farmacêutica Bioquímica, Mestre em Farmácia Clínica, Presidente

Advogado, Pós graduado em Direito do Trabalho, Direito

da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de

Comercial e Direito e Negócios Internacionais, Presidente

Saúde | Fortaleza (CE)

do Conselho Deliberativo do Hospital São José. | Jaraguá do Sul (SC)

JANTAR | 20h00 Jantar de Confraternização Hotel Cambirela Av. Max Schramm, 2199, Estreito | Florianópolis (SC).

Palestrantes: Cesar Luiz Calisto Contador do Hosp. de Caridade São Braz | Porto União (SC)

Inovadora Sistemas | Joaçaba (SC). COFFEE BREAK | 10h30 às 11h00

Palestrante: Eugenie Desirèe Rabelo Néri

16

>> 16.09 MATUTINO ENFERMAGEM / FARMÁCIA 09h00 às 10h30 LOCAL: SALA 02

ADMINISTRAÇÃO | 11h00 às 12h30 LOCAL: SALA 08 Tema: Hotelaria Hospitalar - Tendências do setor. Necessidades das Instituições em relação à hotelaria. Palestrante: Marcelo Boeger Administrador, Mestre em Administração Hoteleira, Presidente da Sociedade Brasileira de Hotelaria Hospitalar | São Paulo (SP).

>> 16.09 VESPERTINO

Coffee Break e Visitação à Feira de Tecnologia, Produtos e Serviços Médico-Hospitalares

Tema: PGRSS – Programa de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde.

MOTIVACIONAL | 14h00 às 16h00 LOCAL: AUDITÓRIO

RECURSOS HUMANOS | 11h00 às 12h30 LOCAL: SALA 06

Palestrante: Dr. Luiz Carlos da Fonseca e Silva

Tema: Motivacional

Tema: Humanização no atendimento ao paciente Palestrante: Maria José Varela P sicóloga, Pós graduada em Psicodrama. Hospital Dona Helena | oinville (SC).

ADMINISTRAÇÃO | 11h00 às 12h30 LOCAL: SALA 08 Tema: Auditoria de Contas Médicas

Médico, Pós graduado em Vigilância Sanitária – Serviços de Saúde. Chefe da Unidade de Tecnologia da Organização

Unidade de Terapia Intensiva, Enfermagem em Unidade de Centro Cirúrgico e Auditoria de Serviços de Saúde, MBA em Gestão Hospitalar| Navegantes (SC).

DEBATE | 11h00 às 12h30

DIREITO | 09h00 às 12h30 LOCAL: SALA 04 Tema: A terceirização dos serviços médicos frente aos tribunais

MESA REDONDA | 14h00 às 15h30 LOCAL: AUDITÓRIO Tema: Organizações Sociais de Saúde: cenário atual e tendências no Brasil Wladimir Guimarães Correa Taborda Médico, Doutor em Medicina, Mestre em Obstetrícia, Consultor técnico para modelo de gerenciamento em parceria com OSS no estado de São Paulo e em outros estados da Federação | São Paulo (SP)

COFFEE BREAK | 15h30 às 16h00 Coffee Break e Visitação à Feira de Tecnologia, Produtos e Serviços Médico-Hospitalares

ENCERRAMENTO |16h00 Encerramento e Premiações

>> INSCRIÇÕES

Palestrante: Dr. Rodrigo de Linhares Advogado, Assessor Jurídico da AHESC-FEHOESC e membro do Conselho Jurídico da CNS | Florianópolis (SC)

ADMINISTRAÇÃO | 09h00 às 10h30 LOCAL: SALA 06 Tema: Prêmio Santé de Excelência na Gestão em Serviços de Saúde Palestrante: Luciana Matos Santos Lima Engenheira Civil, Mestre em Engenharia de Produção. Diretora Executiva do MCE – Movimento Catarinense de

>> 15.09 VESPERTINO

Sociólogo, Palestrante e Conferensista. Belo Horizonte (MG).

em Serviços de Saúde – ANVISA | Brasília (DF).

Palestrante: Milena Schmitz Gomes Enfermeira obstétrica, Pós graduada em Enfermagem em

Palestrante: Múcio Morais

Excelência | Florianópolis (SC)

COFFEE BREAK | 10h30 às 11h00 Coffee Break e Visitação à Feira de Tecnologia, Produtos e Serviços Médico-Hospitalares ENFERMAGEM / FARMÁCIA / 11h00 às 12h30 LOCAL: SALA 02 Tema: PGRSS – Case do Hospital São José de Criciúma (SC) Palestrante: Márcia Aparecida de Campos Engenheira Química e de Segurança do Trabalho. Coordenadora de Qualidade do Hospital São José | Criciúma (SC).

Até 01/09/2011 Associados R$ 350,00 Não Associados R$ 465,00 Estudantes R$ 310,00 Apenas 01 dia R$ 200,00

Até 01/09/2011 Associados R$ 370,00 Não Associados R$ 495,00 Estudantes R$ 340,00 Apenas 01 dia R$ 230,00 Acima de 4 inscrições do mesmo estabelecimento:10% de desconto Para condições de associado, deverá estar em dia com a contribuição da entidade de classe. Serão considerados estudantes: universitários/ acadêmicos/pós-graduandos na área da saúde, com comprovação.

INSCREVA-SE EM: www.saudecatarinense.com.br/ech


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ACONTECE

AÇÕES E POLÍTICAS INSTITUCIONAIS >>AHESC-FEHOESC E FEHOSC APRESENTAM REIVINDICAÇÕES DO SETOR PARA O SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE O Secretário de estado da Saúde, Dalmo de Oliveira, recebeu no mês de março, uma pauta de reinvindicações dos prestadores de serviço de saúde do estado, representados pela Federação e Associação dos Hospitais de SC, além da Federação das Santas Casas. No documento entregue estão os principais problemas enfrentados pelo setor, entre eles a defasagem histórica da tabela do SUS, a desmotivação da classe médica para o atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde, além da falta de incentivos no atendimento dos serviços de terapia O Presidente da FEHOESC, Tércio Kasten e o Secretário de estado da Saúde, Dalmo de Oliveira.

intensiva. O presidente da Federação dos Hospitais de SC, Tércio Kasten, destacou ainda a falta de profissionais na Vigilância Sanitária do estado para fazer a “inspeção nos hospitais da

rede “, é preciso fazer um mutirão para regularizar a situação, alguns hospitais aguardando há anos pelo alvará. O secretário prometeu analisar as principais demandas do setor. Dalmo de Oliveira disse ainda que, neste primeiro momento, está conhecendo toda a estutura da secretaria e que em breve estará visitando pessoalmente os hospitais privados e filantrópicos de SC. O presidente da AHESC, Dario Staczuk, falou ainda que as entidades estão a disposição para contribuir na busca de alternativas para os principais problemas do setor. O secretário de estado da saúde anunciou que pretende organizar um seminário estadual para debater as principais questões pendentes no setor. As entidades prestadores de serviços da saúde representam hoje cerca de 3 mil estabelecimentos de saúde no estado, sendo os principais responsáveis pelo atendimento em 82% dos hospitais de SC.

>>AHESC-FEHOESC reúnem-se com o presidente do fórum parlamentar O Deputado Federal Edinho Bez, do PMDB, presidente do Fórum Parlamentar Catarinense, esteve reunido , dia 29 de abril, com representantes da Federação e Associação dos Hospitais de Santa Catarina na sede da AHESC-FEHOESC em Florianópolis. O presidente da Federação, Tércio Kasten, destacou inicialmente

A Deputada Federal Carmen Zanotto e o presidente da AHESC, Dario Staczuk.

a importância das duas entidades para o setor da saúde. Em Santa CatariE é de responsabilidade das instituições o atendimento de oito mil leitos pelo SUS, envolvendo mais de 20 mil trabalhadores. O presidente da Federação encaminhou várias reivindicações ao presidente do Fórum Parlamentar Catarinense, entre elas a revisão da tabela do SUS, defasada há vários anos. Segundo Kasten, em alguns casos “os hospitais trabalham com prejuízo de até 70%. No caso da apendicectomia o SUS repassa apenas 40,82% do custo real do procedimento”. Outro pedido foi para que o Fórum se empenhe em fazer pressão política para que a regulamentação da Emenda 29 seja aprovada, garantindo mais repasse de recursos para a saúde. O deputado Edinho Bez disse que vai encaminhar as solicitações para os 16 deputados e 3 senadores que fazem parte do Fórum. Bez afirmou que “ o momento agora é de mobilização, precisamos forçar o governo a votar a regulamentação da emenda 29”. Com relação a defasagem do SUS, o deputado disse que irá levar a reivindicação pessoalmente ao ministro da Saúde. AHESC-FEHOESC reunidos com o preidente do Fórum, Edinho Bez.

>>DEMANDAS DA SAÚDE SERÃO DEBATIDAS DURANTE ENCONTRO COM REPRESENTANTES DO FÓRUM PARLAMENTAR CATARINENSE A Deputada Federal Carmen Zanotto, propôs durante encontro com representantes da AHESC FEHOESC, em Florianópolis, a realização de um evento com a participação dos representantes do Fórum Parlamentar Catarinense para debater as principais demandas do setor da saúde. Entre os principais problemas enfrentados pelos gestores, estão a defasagem da tabela do SUS, a demora no credenciamento junto ao Ministério da Saúde de leitos hospitalares, além da necessidade de aprovação da Emenda Constitucional 29, que dará um aporte maior de recursos para o setor da saúde. A intenção é  realizar o seminário na Assembleia Legislativa em Florianópolis.  O presidente da FEHOESC, Tércio Kasten, também convidou a deputada para participar da próxima reunião da CNSConfederação Nacional de Saúde, em Brasília, para encaminhar o assunto em nível nacional.

Imagens: Arquivo AHESC-FEHOESC

na, por exemplo, dos 222 hospitais, 182 tem gestão privada ou filantrópica.

Q


< SAÚDE

SALVE, O.S! >

O clamor de S.O.S da saúde Pública catarinense pode ser atendido pelas O.S – Organizações Sociais especializadas em gerir unidades hospitalares públicas para o estado. Não tem privatização, não tem perda de direitos para ninguém. O que as O.S fazem é administrar hospitais de forma mais ágil, segura e eficiente, porque não estão atreladas à paquidérmica estrutura burocrática dos governos.

Q

uase 15 anos após a medida provisória que criou no país a figura da Organização Social (OS) - pessoas jurídicas, sem fins lucrativos, que podem gerenciar serviços públicos — Santa Catarina ainda mantém um grande número de hospitais com gestão própria. Dos 19 hospitais públicos, 14 são administrados pela Secretaria de Saúde e cinco por organizações sociais, ou seja, 26%.

A meta agora é seguir os passos de estados como São Paulo, um dos mais avançados na transferência da gestão dos hospitais ao terceiro setor. Lá, as OS já são responsáveis por 30 unidades, o que representa 43% das 70 instituições.

Organizações Sociais não são, evidentemente, a solução mágica para os problemas crônicos da Saúde Pública catarinense – mas são, sim, uma evolução em gestão hospitalar. Conforme enfatiza Dalmo Claro de Oliveira, Secretário Estadual de Saúde, as OS podem adquirir produtos e serviços sem licitação e contratar funcionários sem concurso público, adequando rapidamente a necessidade de pessoal à demanda. “Não precisamos mexer onde funciona, como o Hospital Santa Tereza, em Lages, que está em ótimas condições de atendimento. Já no Hospital Florianópolis, na Capital, a proposta é reabrir após a reforma já com

a gestão de uma organização social”, anuncia o secretário.

Representantes do setor privado, como o presidente da FEHOESC, Tércio Kasten, concordam com a ideia de que instituições administradas por OS beneficiam os usuários. Para Kasten, as OS conseguem trazer economia e eficiência para o Estado, diminuindo as filas comuns nas portas dos hospitais públicos. Além de agilizar os procedimentos, a administração por organizações poderia reduzir os gastos públicos. Enquanto os técnicos de enfermagem concursados pelo estado trabalham 30 horas semanais e têm salário base de R$ 900 mensais, mais eventuais gratificações, as OS podem contratar celetistas com carga horária de até 44 horas semanais e piso de R$ 660. “As OS geram uma agilidade que a administração pública não tem. Tiram das costas do governo os encargos de contratação e compras de materiais, que precisam ser sempre via licitação – por sua vez uma burocracia lenta, anacrônica e nem sempre eficiente”, ressaltou Tércio Kasten.

Estado não perde o controle

Especialista na gestão de unidades de saúde em parceria com Organizações Sociais, o médico Vladimir Taborda destaca a efetividade do funcionamento das OS, e as vantagens que elas trariam para a qualificação da assistência na rede pública . Ele implantou o modelo, que tem sido adotado no Brasil inteiro, durante sua passagem pela Secretaria de Saúde de São Paulo. Taborda conta que, ao buscar parcerias no setor privado filantrópico para implantar e gerenciar esses serviços em curto prazo, o governo paulista definiu um escopo de compromissos e parâmetros. O objetivo era a melhora na oferta de serviços, a agilidade nos processos administrativos e o cuidado em estabelecer mecanismos de avaliação e controle de desempenho e qualidade. Dentro desse modelo, existe uma preocupação de garantir que os custos sejam racionalizados, sem perder o foco no bom atendimento. “A qualificação das organizações sociais para a gestão do hospital público é garantida em Lei, não visa fins lucrativos. Suas atividades

são dirigidas ao Sistema Único de Saúde, e os servidores concursados têm seus direitos garantidos. O patrimônio é mantido como bem público. A relação do estado com a Organização Social de Saúde se dá através de um Contrato de Gestão, sendo prerrogativa do estado a contratação de serviços, a avaliação e o controle”, explica Wladimir Taborda.

>>CASE HEMOSC O modelo tem sido case em algumas unidades de saúde do estado, como no HEMOSC, administrado por uma Organização Social que já apoiava a instituição antes da assinatura do contrato de gestão com a Secretaria de Estado da Saúde, em dezembro de 2007. “Sem dúvida uma organização privada sem fins lucrativos faz toda diferença para a nossa gestão. Por exemplo: fazemos importação direta de materiais de qualidade, com isenção de alguns impostos”, informa a gerente administrativa do HEMOSC Bianca Schmidt. A estrutura gerencial permitiu ao centro conquistar um equilíbrio e uma sustentabilidade financeira, mesmo diante de uma receita com aproximadamente 90% de financiamento de custeio pelo SUS, mantendo a qualidade. “Uma prova foi o Hemosc ter alcançado o certificado ISO 9001 e a qualificação internacional da empresa francesa contratada pelo Ministério da Saúde para recolhimento do Plasma”, pondera Bianca. O contrato de gestão da entidade com o HEMOSC está baseado em metas de produção e o repasse considera os valores pagos pelo SUS. Apesar de todas as vantagens, Bianca alerta: há poucos recursos orçamentários para investimentos e para as manutenções de alto custo (como ampliações de estruturas e implantação de novos serviços, tecnologias e reformas). Bianca afirma que o HEMOSC está em constante negociação com a Secretaria de Estado da Saúde para a manutenção de suas unidades. “ Há também a necessidade de ampliação do quadro de Recursos Humanos, que sempre é uma questão crítica em qualquer gestão”, lembrou ela. “Para solução deste tipo de situação, o formato do Contrato de Gestão deve ser muito bem amadurecido, possibilitando também as OS a sobrevivência em longo prazo”.

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BEM-ESTAR >

“Os vinhos são como os homens: com o tempo, os maus azedam e os bons apuram.” CÍCERO

Scarlett Johansson, em “Vicky Cristina Barcelona” (2008) dirigido por Woody Allen.

DA SAÚDE >

O grego Hipócrates (cerca de 450 aC) recomendava o vinho como desinfetante, medicamento, um veículo para outras drogas e parte de uma dieta saudável. Para ele, cada tipo de vinho teria uma diferente função medicinal. A ciência moderna tem comprovado em diversos estudos que o consumo moderado de vinho é um dos mais poderosos aliados do bem-estar, da saúde e da longevidade. Beba com prazer.


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aleno (século II d.C.), o mais famoso médico da Roma antiga, empregava o vinho na

cura das feridas dos gladiadores, para que

agisse como um desinfetante. Também os Judeus antigos tinham o vinho como medicamento. Segundo o Talmud, “sempre

que o vinho faltar, a medicina tornar-se-á

necessária”. Foi na Universidade de Salermo

(Itália), fundada no século XI, que a importân-

cia do vinho sobre a dieta e a saúde foi codificada.

Lá, correntes clássicas e árabes se fundiram, fornecendo as bases da medicina européia. O “Regime

de Salermo” especificava “diferentes tipos de vinho para diversas constituições e humores”. São os polifenóis

(poli = muitos; fenóis =

ácido carbólico) presentes nas uvas, e consequentemente no vinho, que

garantem benefícios para a saúde humana. Os famosos taninos, por exemplo, são

polifenóis de característi-

cas adstringentes - é o que causa a secura na boca.

Contudo, os fermentados de uva possuem cerca de 200

tipos diferentes identificados destes compostos.

O resveratrol, um dos

quantidades desse composto em rótulos de

outros países. Então foi surpreendido. “Nesse aspecto, os vinhos nacionais só ficaram atrás

dos franceses”. Eis alguns dos benefícios comprovados da ingestão moderada de vinho.

Promove a Longevidade

Os bebedores de vinho têm uma taxa de

mortalidade de 34 por cento menor do que os

bebedores de cerveja. Fonte: um estudo finlandês

de 2.468 homens ao longo de um período de 29

anos, publicada nos jornais de Gerontologia, 2007.

Reduz o risco de ataque cardíaco

“O vinho é uma bebida excelente para o homem, tanto sadio como doente, desde que usado adequadamente, de maneira moderada e conforme o seu temperamento.”

compostos, é uma fitoale-

xina (proteína enzimática)

HIPÓCRATES

produzida por diversas

plantas quando sob ataque

de fungos ou bactérias. Pesquisas recentes revelam que este polifenol tem ação anti-inflamatória, anti-

cancerígena, de diminuição dos níveis de açúcar do

sangue, além de efeitos cardiovasculares benéficos. Os pesquisadores ainda buscam dados sobre seus efeitos contra o envelhecimento e doenças neuro-degenerativas como Alzheimer.

Segundo o químico gaúcho André Souto, da

PUC do Rio Grande do Sul, os tintos nacionais estão Imagens: PhoroXpress | Divulgação: IMAGEM FILMES

De posse dos números, comparou-os com as

entre os vinhos com maior concentração dessa

molécula promissora. Souto analisou quimicamente 36 amostras de vinhos tintos produzidos no

Brasil a partir de diferentes castas de uva. Depois

se debruçou sobre as concentrações de resveratrol.

Os bebedores moderados

que sofrem de pressão alta são 30 por cento menos

probabilidades de ter um

ataque cardíaco do que os abstêmios. Fonte: uma pes-

quisa de 16 anos da Harvard School of Public Health, com estudo de 11.711 homens, publicado no Annals of Internal Medicine, 2007.

O consumo moderado de vinho controla os níveis sangüíneos de algumas substâncias químicas

inflamatórias chamadas citocinas. Estas, por sua

vez, afetam o colesterol e

as proteínas da coagulação.

O vinho é capaz de reduzir os níveis de LDL e aumentar os de HDL (colesterol bom). Com relação à coagulação, o vinho torna as pla-

quetas presentes no sangue menos aderentes e reduz os níveis de fibrina, evitando que o

sangue coagule em locais errados. Estes efeitos poderiam prevenir o entupimento de uma coronária, evitando um infarto do miocárdio. Os Taninos do vinho tinto contém procianidinas, que protegem contra doenças cardíacas. Vinhos da Sardenha, e sudoeste da França têm procianidinas a mais que outros vinhos. Fonte:

Estudo da Universidade Queen Mary, em Londres, publicado na revista Nature, de 2006.

>>VINHO La Romanée-Conti É um vinho francês produzido em Vosne-Romanée, na Côte de Nuits, sudoeste da França. Ele é classificado como “Grand Cru” e é considerado o melhor vinho da Borgonha e um dos melhores da França, reverenciado por enólogos e enófilos de todo o mundo. O Conti é feito exclusivamente com uvas pinot noir resultando num vinho elegante, com aromas e sabores florais, manteiga, frutas vermelhas, terra e animal. É um vinho de guarda que exige maturação entre 6 e 12 anos quando atinge seu ápice. Todos os vinhos produzidos pela Domaine de La Romanée-Conti são grands crus tratados com a mesma atenção. Os vinhedos remontam do século XV plantados pelos monges de Saint-Vivant. O nome vem do príncipe Louis François de Bourbon-Conti que o comprou em 1760. A DRC produz, além do vinho que lhe dá nome, os também raros e caros: La Tâche, Richebourg, Grands Échézeaux, Échézeaux, Romanée-St-Vivant e o Le Montrachet, o único branco.


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APRECIA A PAISAGEM? >

O vinho ajuda a reduzir a incidência de catarata, e assim ver me-

está associado a uma menor incidência de úlcera

No vinho espelha-se a vida.” (Roland Betsch)

inibição da histamina, ação antimicrobiana contra

Reduz Risco de Diabetes Tipo 2

da úlcera duodenal. Por atuar sobre o colesterol,

Os bebedores moderados têm um risco 30 por cento menos do que os abstêmios de desenvolver diabetes tipo 2. Fonte: pesquisa sobre 369.862

cálculos no interior da vesícula biliar.

a morte. No vinho estão a aurora e o crepúsculo, a juventude e a

transitoriedade. No vinho está o movimento pendular do tempo.

O Barolo é um vinho produzido no noroeste da Itália, Província de Cuneo, região do Piemonte e sob DOCG ou “Denominação de Origem Controlada e Garantida”. Ficou conhecido como o Rei dos Vinhos e o Vinho dos Reis. O nome Barolo está ligado à família Falletti, então Marqueses de Barolo, que iniciaram a produção dos vinhos na região. O Barolo é um vinho intenso, vermelho profundo, com perfume complexo, grande corpo e taninos bastante persistentes com características de frutas (ameixas secas), florais (baunilha, alcaçuz, rosas) e chocolate. Estas características fazem do Barolo um vinho elegante e de grande personalidade. A gradação alcoólica dos Barolos é de aproximadamente 13 %.O Barolo é um vinho perfeito para acompanhar grelhados de carne vermelha, de caça, tartufo, queijos e Fritto Misto, prato típico da região. Um “vinho de meditação” harmoniza-se bem com praticamente qualquer prato, mas é delicioso quando bebido unicamente, sem acompanhamentos, para poder apreciar as nuances do sabor.

indivíduos estudados durante uma média de 12 anos

péptica por uma série de razões: alívio do estresse, o Helicobacter pylori, bactéria implicada na gênese o vinho parece reduzir as chances de formação de

Retarda o declínio do cérebro

melhorando a qualidade de vida dos pacientes com

A função cerebral diminui a uma taxa significativamente mais rápido em abstêmios que em bebedores moderados. Fonte: um estudo da

diabetes tipo 2 (não insulino-dependente).

especialistas, os polifenóis presentes no vinho

Diminui o risco de AVC

(principalmente nos tintos) seriam os responsáveis

A possibilidade de sofrer um acidente vascular cerebral coágulo de sangue cai-relacionados por cerca de 50 por cento em pessoas que consomem quantidades moderadas de álcool. Fonte:

É intrigante notar que, proporcionalmente falando,

cada, em Amesterdam VU University Medical Center, publicado no Diabetes Care, 2005. O vinho melhora a sensibilidade das células periféricas à insulina,

Columbia University de 1.416 pessoas, publicada no Neuroepidemiology, 2006. Segundo alguns

por evitar o envelhecimento das células cerebrais. a ação antioxidante dos polifenóis dos vinhos brancos é superior à dos tintos. Entretanto, a quantidade de polifenóis dos tintos é muito superior à dos

um estudo da Columbia University de 3.176 indivídu-

brancos, tornando estes vinhos mais interessantes

os com mais de um período de oito anos, publicado

para as células cerebrais. Além da ação antioxi-

na revista Stroke, 2006.

dante, os vinhos melhoram a circulação cerebral,

Reduz Risco de Cataratas

com o fazem com a circulação coronária. Sabe-se,

Os bebedores moderados são 32 por cento menos probabilidade de ter catarata do que os abstêmios, aqueles que consomem vinho são 43 por cento menos probabilidade de desenvolver catarata do que aqueles que bebiam principalmente cerveja. Fonte: um estudo de 1.379 indivídu-

os, na Islândia, publicado na revista Nature, de 2003.

Reduz Risco de Câncer de Cólon

O consumo moderado de vinho (especialmente tinto) reduz o risco de câncer no cólon em 45 por cento. Fonte: um estudo da Universidade de

Stony Brook, de 2.291 indivíduos por um período de quatro anos, publicado no American Journal of Gas-

ainda, que as chances de apresentar depressão são menores em consumidores moderados de vinho.

Seleção de Robert Parker dos melhores vinhos de todos os tempos: Haut Brion 1945 Cheval Blanc 1947 Petrus 1947 Latour 1961 Mouton Rothschild 1982 Le Pin 1982 Leoville-Las-Cases 1982 Haut Brion 1989 Margaux 1990 Petrus 1990

Imagens: PhoroXpress | Dreamstime | Stock.xchng

>>BAROLO

troenterology, 2005. O consumo moderado de vinho

lhor o que vida tem de bom. “No vinho estão a verdade, a vida e


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Revista Saude Catarinense - 52  

Revista Saude Catarinense - 52

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