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A RESSURREIÇÃO DE JESUS E O NOSSO FUTURO Cada vez mais pessoas ouvem falar sobre o sacrifício de Jesus na cruz. Mesmo aqueles que não são cristãos sabem da história do homem que veio ao mundo, fez milagres, morreu numa cruz e, depois de três dias, ressuscitou. Não é à toa que, mesmo sem saber o motivo, quase todo mundo comemora a Páscoa. Mas, a grande questão é: será que nós, cristãos, realmente sabemos o que a cruz significa? E não somente a cruz, mas também a ressurreição? Muitos questionam as evidências da morte e da ressurreição de Cristo. Se você ligar a televisão agora, não vai ser difícil encontrar programas que falem sobre isso, pessoas que saem pelo mundo procurando respostas. Corremos o risco de transformar o maior ato de amor feito pela humanidade em um caso de investigação, um episódio de CSI. Acontece que o próprio Jesus disse que a única maneira de alcançarmos a vida eterna é tendo fé – crendo sem ver! – de que Ele é o Filho de Deus, que veio ao mundo para morrer pelos nossos pecados e, ao terceiro dia, ressuscitou, vencendo o poder da morte. Essa é a verdade. O mais incrível é que não precisamos buscar evidências. A Palavra e a história nos garantem tudo. Que outro homem teve seguidores que deram a vida por simplesmente não negarem a Sua existência? Qual outra religião possui testemunhas dispostas a morrer pelo seu mestre? Por que os cristãos da igreja primitiva enfrentaram, com tanta ousadia, a perseguição? Para divulgar uma notícia falsa? Para falar de algo que eles não tinham certeza? Seriam fanáticos religiosos? Seriam homens e mulheres desesperados por atenção? É impossível imaginar pessoas que tinham suas vidas sob controle, abandonando tudo para seguir apenas “um boato”. A ressurreição é verdadeira, porque, depois de Sua morte na cruz, Jesus apareceu aos Seus discípulos como havia prometido. A ressurreição é verdadeira, porque inspirou e inspira homens e mulheres a deixarem tudo para seguir a Cristo e pregar as boas novas. A ressurreição é verdadeira, porque não impacta apenas os seguidores daquela época, mas aponta para um futuro onde o Reino de Deus se estabelece em toda a terra. A ressurreição fala sobre o nosso futuro, sobre viver com esperança, sobre abrir mão da nossa segurança e conforto para pregar o Evangelho que liberta e restaura. Jesus é a boa nova, e a ressurreição é o ápice do poder e do plano que o Pai tem para nós. “Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último. Sou Aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para todo o sempre” (Ap. 1.17-18).

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#98 | ABRIL | 2018

DIREÇÃO GERAL:

Carlos Alberto de Quadros Bezerra CONSELHO GESTOR:

Carlos Bezerra Jr, Osmar Dias, Aguinaldo Fernandes, Valmir Ventura, Lair de Matos, Cézar Rosaneli, Fernando Diniz, Gustavo Rosaneli, Ronaldo Bezerra COORDENAÇÃO EDITORIAL:

Carlos Bezerra Jr. Gustavo Rosaneli COORDENAÇÃO DO PROJETO:

Gustavo Rosaneli JORNALISTA RESPONSÁVEL:

César Stagno - MTB 58740 REVISÃO:

Mayra Bondança COLABORADORES:

Mayra Bondança, Claudia Guimarães, Davi Martins, Estevão Ferreira, Renato Reis, Enrico Guerrero, Mariana Martins DIREÇÃO DE ARTE E PROJETO GRÁFICO:

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No Estado de São Paulo: São Paulo Capital; Arujá; Atibaia; Balsa; Bragança; Campinas; Caraguatatuba; Guarulhos; Mauá; Mogi das Cruzes; Registro; Santos; São Bernardo do Campo; Socorro; Sorocaba; Tatuí; Taubaté; Ubatuba. Rio de Janeiro: Macaé. Minas Gerais: Governador Valadares; Belo Horizonte; São Sebastião de Vargem Alegre; Visconde do Rio Branco. Paraná: Curitiba; Foz do Iguaçu; Londrina; Maringá; Paranaguá; Rolândia. Pernambuco: Barreiros; Caruaru; Catende; Itapissuma; João Pessoa; Recife; Sta. Maria da Boa Vista. Bahia: Salvador; Vitória da Conquista IMPRESSÃO:

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EM DEFESA DE CRISTO Quais são as evidências da ressurreição?

18 14 VOCÊ ESTÁ DISPOSTO A SEGUI-LO?

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A TRISTE VENEZUELA

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RECOMENDO

SE AMAIS SOMENTE OS QUE VOS AMAM, QUE RECOMPENSA TEREIS? Transformando uns aos outros em amor e à imagem de Cristo

A ETERNIDADE NO CORAÇÃO

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Como as nossas atitudes impactam a vida eterna?

GUINA

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ACONTECEU

DEUS SALVE O REI Qual a mensagem que estamos passando aos nossos filhos?

REFLEXÃO 5


PALAVRA DO PRESIDENTE

TRANSFORMANDO UNS AOS OUTROS EM AMOR E À IMAGEM DE CRISTO

a edição anterior da Revista Comuna, tratei com vocês a respeito da doutrina dos apóstolos e da sua importância para a vida saudável da igreja. É vital que nós cristãos observemos aquilo que eles ensinaram, por ser a principal fonte de informação a respeito de Jesus e do Seu ensino. A mensagem que os apóstolos carregaram serve como fundamento da teologia bíblica, para não corrermos o risco de nos afastarmos da verdade. A doutrina dos apóstolos é o retrato fiel da verdadeira igreja de Cristo. Veja que, por causa do seu testemunho de vida, que envolvia a comunhão com os irmãos em verdadeira fraternidade e partilha, era dito nos primeiros tempos: “Vede como eles se amam”. Justamente, este é um dos mais importantes princípios contidos nos ensinamentos de Jesus: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo. 13.35). E, para que não reste dúvida alguma, o Mestre ainda afirmou: “Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste 6


modo sereis os filhos de vosso Pai que está no céu, pois ele faz nascer o sol sobre os maus como sobre os bons e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt. 5.43-48). Um relato escrito há mais de mil anos para um pagão, registrado no livro “Epístola a Diogneto”, desenha o que fazia dos cristãos um povo tão capaz de mudar o mundo mediante a mudança do coração: “Os cristãos não se distinguem dos outros homens nem por sua terra, nem por sua língua, nem por seus costumes. (...) Sua doutrina não foi inventada por eles, nem se deve ao talento e à especulação de homens curiosos; eles não professam, como outros, nenhum ensinamento humano. Pelo contrário: mesmo vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes de cada lugar quanto à roupa, ao alimento e a todo o resto, eles testemunham um modo de vida admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na sua pátria, mas como se fossem forasteiros; participam de tudo como cristãos, e suportam tudo como estrangeiros. (...) Vivem na carne, mas não vivem segundo a carne; (...) amam a todos e são perseguidos por todos; (...) são pobres, mas enriquecem a muitos; (...) são injuriados e, no entanto, bendizem; (...) fazem o bem e são punidos como malfeitores; são condenados, mas se alegram como se recebessem a vida. Os judeus os combatem como estrangeiros; os gregos os perseguem; e quem os odeia não sabe dizer o motivo desse ódio. (...) embora não tenha recebido injustiça por parte dos cristãos, o mundo os odeia, porque eles se opõem aos seus prazeres desordenados. (...) os cristãos estão no mundo, como numa prisão, mas são eles que sustentam o mundo”. Segundo o registrado em João 13.34, Jesus ressaltou que o amor não era uma escolha, mas um mandamento: “Dou-vos um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”. E não é amor de qualquer jeito, mas sacrificial, de renúncia, de compaixão, de entrega total e incondicional. Amor que transforma o mundo. Amor irresistível! Esta é a única forma de ser cristão. No livro de Atos, o verso 33 do capítulo 4 diz: “Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus”. Sabe o que eles falavam? Que Cristo estava vivo, e tinha ressuscitado para nos

Jesus ressaltou que o amor não era uma escolha, mas um mandamento. Amar é a única forma de ser cristão dar uma vida completamente nova, uma vida que transborda amor, compaixão e misericórdia, as mesmas coisas que Ele ensinou Seus discípulos a praticar, e que chegou a nós como legado imutável e marca fiel da natureza de Deus: o amor. Os apóstolos falavam pouco, mas ensinavam com suas vidas. Como o Mestre lhes ensinou, assim faziam. E se queremos, de fato, transformar o mundo e viver uma vida de plenitude em Deus, precisamos viver dessa mesma forma. Na igreja primitiva, o Senhor ia reunindo mais e mais pessoas, e ela ia crescendo porque eles se amavam. E esse testemunho fazia com que mais e mais pessoas quisessem aderir ao cristianismo. O amor foi a principal virtude para que a igreja, no início tímida e pequena, fosse angariando mais e mais seguidores. Amar é dedicação. É como cuidar de um jardin. Às vezes é preciso arrancar o que faz mal, preparar novamente o terreno, semear, regar, cuidar e ser paciente. Podem haver pragas, falta ou excesso de chuvas, mas nada nos fará desistir. Ame, aceite, valorize, respeite, dê afeto, admire e compreenda. Ame, simplesmente ame! A vida sem amor perde propósito, e o próprio Jesus nos ensinou o verdadeiro valor: “Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

CARLOS ALBERTO BEZERRA Carlos Alberto Bezerra é fundador da Comunidade da Graça. Um homem apaixonado por pessoas. Pastor há 52 anos e casado com Suely pelo mesmo tempo. Tem seis filhos e 16 netos. O amor, o serviço e a valorização da família são suas ênfases ministeriais. Pregador apaixonado, escritor inspirador.

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TRANS FORMAÇÃO

A ETERNIDADE NO CORAÇÃO COMO AS NOSSAS ATITUDES IMPACTAM A VIDA ETERNA?

nde você se vê daqui a cinco anos? Essa é uma pergunta que costumamos ouvir e fazer muitas vezes. Ela fala sobre onde desejamos estar num futuro próximo, e o que estamos fazendo hoje para que possamos chegar lá. Mas, há uma outra pergunta importante a que devemos responder. Uma pergunta que enche folhetos que encontramos pelas ruas, em letras garrafais: Onde você passará a eternidade? Talvez, para nós cristãos, a resposta a esse questionamento pareça mais óbvia. Será? Com certeza, muitos pararam para refletir sobre o seu futuro diante dessa pergunta. Outros, quando a ouvem ou leem, sentem medo e preferem não pensar nisso. A verdade é que a eternidade está plantada em nós. Podemos evitar ao máximo pensar sobre ela, mas essa pergunta sempre vai existir em nós. O rei Salomão escreveu em Eclesiastes 3.11: “Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade”. Deus colocou em nós um senso de que há algo além da vida, um instinto pelo nosso verdadeiro lar. Jesus ampliou nosso conhecimento e percepção sobre esse assunto quando declarou: “Da mesma forma como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crer tenha a vida eterna. Porque Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3.14-16). A única garantia da vida eterna é Cristo. Essa vida que Ele nos promete começa com o novo nascimento e se estende por toda a nossa história nesta terra e, depois, por toda a eternidade. O que Jesus disse aos Seus discípulos, vale também para nós: “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu teria dito a vocês. Vou preparar lugar para vocês” (Jo. 14.1-2). Essa perspectiva da eternidade precisa nos levar a viver uma vida diferente (Mt. 6.19-21). A maneira como vivemos hoje impacta diretamente 8


a vida eterna. A maneira como buscamos as coisas de Deus determina como vai ser quando tivermos um relacionamento face a face com Ele. É como a semeadura, lançamos as sementes e as regamos aqui, para que possamos colher os frutos quando estivermos com Jesus. Mas, como, então, devemos viver? O apóstolo Paulo responde: “Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tt. 2.11-13). Seguir rumo à eternidade é viver em obediência ao Senhor e à Sua Palavra, em santidade e justiça. É crer que “nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles” (2Co. 4.17). Aguardamos um novo céu e uma nova terra, vivendo conforme a direção de Deus. E isso não só nas grandes coisas, não só quando estamos na igreja ou na célula, mas em todos os momentos, em cada detalhe e em cada palavra. Jesus veio a este mundo e nos mostrou como proceder em todas as situações, precisamos ser Seus imitadores. Paulo disse também em sua carta aos Gálatas que “quem semeia para a sua carne da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito do Espírito colherá a vida eterna” (6.8). Somente semear no Espírito nos dá a vida eterna. Sabendo de todas essas coisas, como você tem vivido? Onde você tem investido o seu tempo, seus recursos e o seu coração? Quais sementes você tem lançado para impactar diretamente a eternidade? Podemos seguir a nossa vida tentando não pensar no que vai acontecer quando nossa trajetória nesta terra acabar. Como se a vida eterna não existisse. Ou podemos nos lembrar de que existe uma vida melhor para nós mais à frente, que não pertencemos a este mundo e estamos à espera da chegada ao nosso verdadeiro lar. Jesus nos fez filhos e herdeiros de Deus, e Ele está preparando um lugar para nós. Viva hoje semeando sementes que vão durar eternamente.

SUELY BEZERRA Fundadora e líder do Ministério Mulheres Intercessoras, Suely Bezerra tem uma vida marcada pela oração e intercessão. Tem mentoreado líderes e pastoras ao redor do país durante toda sua vida. É esposa do Pr. Carlos Alberto Bezerra. Eles são casados há 52 anos, têm seis filhos e 16 netos.

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INSPIRAÇÃO

A PÁSCOA DAS MULHERES Páscoa é sem dúvida a maior e a mais importante celebração no calendário cristão, representa a ressurreição de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus. Contudo, a Páscoa – instituída entre os judeus Pessach – já era comemorada antes do surgimento do cristianismo. Tratava-se da comemoração do povo judeu por ter sido liberto da escravidão no Egito, que durou aproximadamente 400 anos. Essa libertação coincidiu com a primavera, que ocorria no mês hebraico (nissan) que corresponde mais ou menos aos últimos dias de março e meados de abril. Portanto, refletir sobre o evento pascal, é necessariamente fazer memória dos nossos irmãos e irmãs na experiência do Êxodo: “Javé disse: Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos. Por isso, desci para libertá-lo” (Êx. 3.7-8). Toda a trama bíblica se situa nessa perspectiva. O cristianismo nunca deveria ter sido outra coisa a não ser a resposta de Deus ao clamor dos escravos, oprimidos e violentados da história. Tudo começa com um povo às margens

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A nação de Israel só pôde experimentar a Páscoa porque mulheres se mobilizaram para cumprir o projeto de Deus do mundo e com um Deus que não pode permanecer apático ao sofrimento e ao clamor dos Seus filhos e filhas. Tudo começa com o fim: com a libertação. Deus é incapaz de permanecer inerte às dores e clamores dos que vivem oprimidos, violentados e invisibilizados.


O primeiro capítulo do livro de Êxodo desenha um quadro para mostrar a intensidade da violência que afetava o povo. O trabalho escravo, sob o uso abusivo da violência física por parte do Império, criava uma situação de humilhação permanente. Eram forçados a trabalhar em condições desumanas de produtividade, sob a acusação de serem preguiçosos e desonestos. No limite da opressão e do controle social, o Faraó ordena um plano macabro de extermínio dos recém-nascidos hebreus, a famigerada matança dos meninos. Acreditava-se que a mulher era um simples depósito do poder masculino de gerar a vida. Seu protagonismo não era reconhecido. O curioso é como o Êxodo representa uma inversão nas lógicas discriminatórias. Essa perspectiva é revolucionária diante da realidade brasileira: a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil; a cada cinco minutos, uma mulher é agredida no Brasil; a cada duas horas, uma mulher é morta no Brasil; durante o carnaval de 2017 no Rio de Janeiro, uma mulher foi agredida a cada três minutos. O homicídio de mulheres negras aumentou 54% entre 2007 e 2017; 40% das mulheres vítimas de violência doméstica são evangélicas. No projeto de Deus de gestação de um novo povo, tudo começa com o protagonismo da mulher. O Êxodo é resultado da articulação de mulheres. Começa pela desobediência e insubordinação de duas parteiras, que se articulam com uma mãe corajosa, passa pela cumplicidade de uma irmã e, por fim, envolve a princesa, filha de Faraó, que se utiliza das ações das servas para apanharem o menino que tinha sido colocado no leito do rio para sobreviver. A insubordinação das mulheres é muito elogiada nesta história. A primeira aparição de Deus no Êxodo é para premiar a luta dessas mulheres em favor da vida, contra o genocídio decretado pelo Faraó. Deus as favoreceu (Êx. 1.20). A nação de Israel só pôde experimentar o novo nascimento, a Páscoa, porque mulheres se mobilizaram para cumprir o projeto de Deus. Caminhando um pouco mais, a gente encontra um segundo evento pascal. Dessa vez, no Novo Testamento. Depois do julgamento na casa do governador, Jesus seguiu para o Calvário. Quem o acompanhou? Maria, sua mãe. Jesus é crucificado, diante do governador e de autoridades religiosas. José de Arimatéia, homem bom e justo – único membro do conselho que não consentiu na decisão de execução –, leva o corpo de Jesus, junto com quem? Com as mulheres que O haviam acompanhado desde a Galileia. No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, quem foi levar perfume ao sepulcro de Jesus? As mulheres. Quando Jesus ressuscitou, na madrugada do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a quem? A Maria Madalena. Não é de hoje, nem de agora que mulheres são colocadas em descrédito quando ousam falar dos planos de Deus.

Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de Tiago, e outras mulheres que acompanhavam Jesus, quando foram contar para os discípulos sobre a ressurreição foram tidas como loucas. Malucas, como assim Jesus apareceria a mulheres? O evento pascal, tanto no Antigo como no Novo Testamento, é um compromisso radical de Deus com os escravizados e oprimidos da história. A experiência do Êxodo é o protótipo da nova humanidade: pessoas livres (não apenas dos processos de escravidão física, mas dos sistemas que aprisionam e escravizam), reconciliadas com Deus e dedicadas umas às outras. O evento pascal é a quebra e o rompimento radical com estruturas que subjugam qualquer ser humano que seja. A Páscoa é um convite a novas éticas de relação. Relações que experimentam outros tipos de afetos. É possível imaginar uma igreja como a comunidade experimental de novas relações sociais e políticas, conforme partilhada por Jesus e pela experiência do Êxodo. A comunidade de Jesus pode ser esse lugar onde experimentamos formas de relação, formas de vida, diferentes daquelas que matam e aniquilam o outro, o nosso próximo.

CARLOS BEZERRA JR. Carlos Bezerra Jr., é pastor, médico, deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

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FAMÍLIA

DEUS SALVE O REI QUAL A MENSAGEM QUE ESTAMOS PASSANDO AOS NOSSOS FILHOS?

ão, o título da matéria não faz nenhuma referência à novela da Globo. Na verdade, esta é uma expressão historicamente utilizada para declarar que o monarca é quem conduz os destinos da nação e que foi colocado por Deus nesse lugar. Hoje, dentro de muitas casas, vemos situações em que precisamos fazer a pergunta: quem é o rei do seu lar? Fazer os filhos se sentirem amados é fundamental. Sob essa premissa, muitos pais têm abandonado seus papéis dentro de casa, achando que isso é uma expressão profunda de amor e renunciando a absolutamente tudo para fazer a vontade dos filhos, que escolhem, ordenam, fazem birra e todo tipo de coisas para alcançar seus desejos. Dizer “não” parece ser cada vez mais difícil para os pais. Com alguma insistência os “nãos” passam a “nins”, e com algum choro e um pouco de birra transformam-se em redondos “SIM, está bem! Mas só desta vez”. Assim, conquista aqui conquista ali, vão criando precedentes que lhes dão argumentos fortes do tipo “mas o pai deixou” ou “você deixou outras vezes”. A grande verdade que precisa ser declarada é que eles são os príncipes e princesas, não os reis ou rainhas. Mas, então, quem é o rei? Para responder a essa pergunta, precisamos primeiro definir o que é lar. Existe uma grande diferença entre casa e lar. A primeira é uma construção de cimento e tijolos, uma estrutura fria e sem sentimentos ou personalidade. O segundo envolve corações, relacionamentos, amor, compaixão, segurança, princípios, valores. Como alguém muito bem afirmou uma vez: “Casa é o abrigo das chuvas, do calor, do frio… Lar é o abrigo do medo, da dor e da solidão”. E essa construção de corações começa pela vida do casal. Marido e mulher precisam estar constantemente fortalecendo seu relacionamento de amor. Precisa existir namoro, elogio, afeto, troca de ideias, comunicação. O casal precisa sonhar, planejar, refletir. E precisam fazer essas coisas juntos! É claro que podem existir diferenças, mas elas devem ser tratadas no tempo e da forma correta – nem na frente dos filhos e nem aos gritos. Devemos estar atentos à forma com que, como pais, nos relacionamos com nosso cônjuge dentro de casa, porque num lar os corações estão sendo tocados, marcados e transformados. 12

Veja como é importante e necessária a presença de Deus como modelo e referência para nossas vidas. O Senhor é o padrão no qual devemos nos espelhar! “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef. 5.1). O Novo Testamento revela com clareza que o plano divino para cada um de nós é sermos conformados à imagem do Senhor Jesus: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm. 8.29). Cristo é nosso referencial de conduta. O apóstolo João declara que “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1Jo. 2.6). O apóstolo Pedro afirmou que devemos seguir os Seus passos, o que significa: caminhar como Ele caminhou (1Pe. 2.21). A transformação que experimentamos na vida cristã é progressiva – “de glória em glória” – e tem endereço certo: tornar-nos semelhantes a Jesus (2Co. 3.18). Se, de fato, esses princípios governarem o relacionamento do casal, poderão vir


tempestades, lutas e até divergências, mas nada vai abalar essa construção e nem a identidade dos filhos. A figura do casal é tão importante na criação dos pequenos que se torna o rei do lar. Os reis são os pais! Eles marcam o ritmo, porque Deus marca o ritmo na Sua Palavra. Assim, a mulher consegue ser a guardiã do lar: ela tem a função de guardar os princípios, vigiando, estabelecendo a paz, colocando ordem, marcando a individualidade e identidade dos filhos e filhas, trazendo harmonia e amor, sendo a ajudadora que seu marido precisa. E o homem conseguirá honrar o seu papel de provedor, protetor, sacerdote. Ele irá, em liberdade e fidelidade, amar sua esposa, honrá-la, guiá-la, protegê-la, estabelecendo valores e princípios que definirão a identidade dos filhos e marcarão seu futuro. Juntos, cada um na sua função, unidos no mesmo propósito de construir e edificar o lar.

É determinante que os pais das crianças vivam honestamente os seus valores, que sejam fiéis àquilo em que acreditam de tijolos e cimento. Essa é a melhor mensagem que podemos dar aos nossos filhos. Os reis são os pais que, conduzidos pelo Espírito Santo e a Palavra de Deus, vão sendo transformados à imagem de Cristo e formando o caráter dos príncipes e princesas, que, amanhã, serão reis e rainhas do coração do Pai. Nosso casamento deverá ter como principal alvo o relacionamento marido e mulher. Assim, na medida em que os filhos observam isso, eles se tornam fortes, seguros e felizes. Vendo isso, fica fácil eles colaborarem na construção do lar.

Por isso, é determinante que os pais das crianças vivam honestamente os seus valores, que sejam fiéis àquilo em que acreditam – não poderíamos ser melhores modelos para os nossos filhos. É em casa que as crianças aprendem a ser, a ajudar e cooperar e também a tratar de si e entre si. É em casa que elas aprendem a estar em comunidade e é neste espaço que deverão sentir-se seguras e não ameaçadas.

ALESSANDRA BEZERRA CALDAS

O casal alicerçado em Deus terá um relacionamento sadio que irá constituir o teto de um lar feito de corações, não

Alessandra Bezerra Caldas é pastora e pedagoga. É casada com o Dr. Anderson Caldas e mãe de quatro filhos. Atua na área educacional há mais de 20 anos e fez parte da implantação do Colégio da Comunidade, onde hoje é diretora.

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DISCIPULADO

VOCÊ ESTÁ DISPOSTO A SEGUI-LO? O PREÇO DO DISCIPULADO

o capítulo 14 do livro de Lucas, podemos ver que Jesus fala do preço do discipulado. Uma multidão O seguia, e Ele afirmou: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?” (v. 26-28). E no capítulo 16 do livro de Mateus está escrito: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (v. 24), dando destaque específico para esses três pontos. As palavras de Jesus estavam dirigidas aos Seus discípulos, um grupo de jovens que saíram para mudar o mundo com amor, compaixão e serviço. Jovens que haviam comprometido suas próprias vidas à mensagem da ressurreição de Cristo, ao ponto de estarem preparados para morrer por isso, se necessário fosse. Em algum momento da história nós perdemos o rumo. Perdemos o valor do discipulado. Perdemos propósito. Perdemos o significado do que realmente envolve seguir a Cristo. E uma das coisas que precisamos reaprender é sobre dedicação, sobre sacrifício, e o poder que uma pequena multidão disposta a se entregar totalmente tem de influenciar o mundo. Deus não exige nada menos do que dedicação em nosso relacionamento com Ele. O Senhor exigiu isso de Abraão: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei” (Gn. 22.2). E aquele homem obedeceu, estava disposto a sacrificar. E quando a faca estava próxima do coração de Isaque, Deus o deteve e disse: “Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho” (Gn. 22.12). O Senhor sabia que Abraão estava disposto a ir até o final, entregar tudo. 14

Deus não exige nada menos do que dedicação em nosso relacionamento com Ele Moisés era herdeiro do trono do Egito, poderia ter chegado a ser Faraó. Tinha toda a riqueza, glória e poder que um homem poderia ter. E virou as costas para tudo isso a fim de sofrer junto com o povo de Deus. Daniel também era uma pessoa de poder e influência. Mas, ao se recusar a abandonar sua fé, foi levado à cova dos leões. Ele não sabia que o Senhor ia fechar a boca daqueles animais, apenas se mostrou disposto a dar até sua própria vida. O apóstolo Paulo afirma em 2 Coríntios 11: “Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar. Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e perigos dos falsos irmãos. Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez” (v. 24-27). Ele carregou a mensagem do Evangelho por um alto preço. E Jesus diz para nós a mesma coisa hoje: “renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, siga-me” e poderemos transformar o mundo! Você está disposto a ser esse alguém? Ele marca o ritmo. O mundo procura riqueza, e Ele, sendo rico, tornou-se pobre por nossa causa, para que assim nós pudéssemos ser ricos (2Co. 8.9). Procuramos conforto, e Jesus diz: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt. 8.20). Buscamos aceitação, e Ele foi rejei-


tado pela humanidade. Queremos evitar o sofrimento, “mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades” (Is. 53.5). Somos egocêntricos, mas Ele deu Sua vida em resgate de muitos (Mt. 20.28). Jesus viveu o que ensinou, e não espera nada menos de nós. Perceba que Cristo oferece uma oportunidade de escolha ao afirmar “se alguém quiser vir após mim”. Mas nenhum de nós pode ir após Ele – segui-lo – sem antes ter chegado até Ele, se aproximado. E muitos, dentro da igreja mesmo, nem sequer cogitam fazer isso. Não o recebem como Senhor e Salvador, não há nenhum propósito que os leve a sacrificar tudo, não há causa que domine e determine as atitudes. Não há compromisso, não há aliança, não há nada. Precisamos negar a nós mesmos, como Ele nos disse. Mas, o que isso significa? Dizer não a um sorvete, uma Coca-Cola, um chocolate, álcool, drogas? Significa renúncia, sacrifício. É o oposto de egoísmo. É afirmar que o amor domina completamente sua vida. Que amor? “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’” (Lc. 10.27). Significa ser transformado pela renovação da mente (Rm. 12.2). Significa que Jesus é Senhor de nossas vidas e que Ele domina nossos pensamentos e atitudes. Quando nos aproximamos dele não O recebemos apenas como Salvador, mas como Senhor, e Ele assume o controle. Para sermos discípulos devemos nos colocar sob o senhorio de Cristo! Nascer de novo, nos arrepender, nos converter, termos um relacionamento pessoal com Jesus. É uma experiência diária. Se não acontecer isso, não podemos segui-lo. A salvação é absolutamente gratuita, mas uma vez que você a recebe, isso lhe custará tudo. Para realmente seguir a Cristo, devemos considerar o custo e colocá-lo acima de todo o resto. “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça” (Lc. 14.35).

BILLY GRAHAM Billy Graham foi um pastor americano reconhecido por seu trabalho de conselheiro espiritual de diversos presidentes dos EUA e por ter pregado em 185 dos 195 países do mundo, o que fez com que mais de 3 milhões de pessoas se convertessem ao cristianismo. A mensagem transcrita aqui foi ministrada num dos seus famosos eventos evangelísticos, em Dallas, no ano de 1969. Graham faleceu em 21 de fevereiro de 2018.

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FATO

A TRISTE

VENEZUELA VENEZUELANOS SAEM DO PAÍS EM BUSCA DE MELHORES CONDIÇÕES

país mais triste da América Latina. Essa foi a conclusão do Relatório Mundial da Felicidade 2018 – realizado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU (SDSN, na sigla em inglês) – sobre a Venezuela. O estudo, além de pesquisas de opinião entre os habitantes, usa informações estatísticas, como renda per capita, apoio social, esperança de vida saudável, liberdade social, generosidade e ausência de corrupção no ambiente político para montar o ranking. Para os venezuelanos, a nota de sua vida no país é 4,1, em uma escala de zero a 10, número que tem se mostrado em queda desde 2008. O resultado não é uma surpresa, já que o país enfrenta uma forte crise socioeconômica e política há quase cinco anos. Desde a morte do presidente Hugo Chávez, que permaneceu no comando por 14 anos, e a consequente eleição de Nicolás Maduro, governo e oposição têm se enfrentado, causando a divisão da população e uma onda de protestos. Como se já não bastasse, o valor do barril de petróleo, que representa 96% da renda venezuelana, despencou, piorando uma situação que já era grave. Com isso, o país que já era dono da maior inflação do mundo – agora, acima de 800% ao ano –, passou a sofrer com o encarecimento exacerbado e a escassez de insumos básicos, como alimentos, produtos de higiene e remédios. Em meio ao embate político, a população tem sido a maior vítima. Um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos revelou que 70% das crianças venezuelanas de até cinco anos de idade estão desnutridas, sendo que 15% delas já se encontram num quadro agudo. Notícias de bebês que acabam falecendo por falta de alimento não são novidade e cresce cada vez mais o número de mulheres procurando a esterilização, já que dizem ser impossível criar um filho nessas condições. 16


Diante de tudo isso, a saída para milhares de venezuelanos tem sido buscar ajuda nos países vizinhos, o que inclui o Brasil. Estima-se que mais de 40 mil pessoas atravessaram a fronteira e migraram para Boa Vista, no Estado de Roraima. Acontece que a situação aqui acaba não sendo das melhores para aqueles que chegam. O deputado estadual Carlos Bezerra Jr. esteve em Boa Vista e pôde ver como realmente estão as coisas. Sem estrutura para receber tantos imigrantes, a cidade tem adaptado o que pode para abrigar as famílias. O ginásio de esportes Tancredo Neves, mais conhecido como Tancredão, se tornou o maior abrigo da cidade. Já são mais de 900 pessoas vivendo ali. Mas nem todos conseguem um “teto”, então a praça do centro da cidade também acabou tomada. Apesar do alívio em conseguir fugir da situação caótica do seu país de origem, os imigrantes têm vivido situações complicadas. Sem emprego e sem documentação válida, eles ficam impossibilitados de fazer muitas coisas, principalmente de buscarem condições de vida melhores. A saúde também tem se mostrado preocupante, já que há indícios de um surto de sarampo na região. “A impressão que eu tenho é de que estamos de braços abertos desde que os que venham fiquem no quartinho dos fundos. Será que estamos dispostos a integrá-los, como um dia nossos pais, avós e bisavós foram integrados no nosso país?”, questionou Carlos Bezerra em uma Audiência Pública realizada pela Assembleia Legislativa de Roraima. “Se o argumento de termos o valor da vida como valor máximo das nossas sociedades não é suficiente, que, pelo menos, sejamos inteligentes. Os estudos feitos sobre o impacto econômico de integração de migrantes e refugiados na sociedade mostram claramente que há ganho cultural, em termos de criatividade e econômico”, completou. Pelos esforços do deputado, o estado de São Paulo vai começar a receber venezuelanos que estão em Boa Vista nos próximos meses. É uma maneira de tentar oferecer melhores condições aos que já estão aqui e preparar lugar para os que chegam todos os dias. No meio de toda essa história de dificuldades e desafios, a esperança tem surgido através de cidadãos brasileiros e diversas igrejas. Num encontro com os pastores da região, Carlos Bezerra Jr. conheceu Seu Antônio, dono de uma oficina mecânica. Desde

Visita de Carlos Bezerra Jr. a Boa Vista, em Roraima. Situação difícil dos que chegam em busca de abrigo

que os imigrantes começaram a chegar em Boa Vista, ele os acolhe em seu estabelecimento. Hoje, são 80 pessoas que ele abriga e alimenta, mas mais de mil já foram suas hóspedes. Em lágrimas, ele conta que está fazendo o possível para aumentar o espaço da oficina para poder servir melhor. Além dele, muitos missionários têm ido à região para tentar ajudar. Como é o caso do pastor Rudi Sano, de Santa Catarina. Ele viaja até Boa Vista e vai à praça da cidade distribuir sopa e falar do Evangelho aos recém-chegados. Jesus é o maior especialista em enxergar beleza no meio do caos, em transformar a dor em alegria, em acolher aqueles que estão em maior necessidade. Ele nos chama a ser a resposta para estes que, agora, entram em nosso país em busca de ajuda. Que eles encontrem não só abrigo, mas também a verdadeira alegria. 17


CAPA

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EM DEFESA DE CRISTO CÉSAR STAGNO E GUSTAVO ROSANELI

m 1998, Lee Strobel, repórter do jornal americano Chicago Tribune e advogado graduado na Universidade de Yale, publicou o livro “Em Defesa de Cristo”, um dos maiores best-sellers na categoria de apologética cristã de todos os tempos. Nele, o autor, conta que se sentiu compelido pela conversão de sua esposa ao cristianismo a tentar refutar as principais afirmações sobre Jesus. As descobertas levaram Strobel a abandonar o ateísmo e declarar a fé cristã. A historicidade da ressurreição de Jesus tem despertado curiosidade ao longo das eras. Muitos livros foram escritos e muitos filmes foram feitos. Recentemente, o trabalho de Strobel ganhou as telas dos cinemas, e a própria Sony lançou “Ressurreição”, uma espécie de “CSI: Jerusalém” que narra a história de como teria sido a investigação dos romanos após a crucificação e o desaparecimento do corpo de Jesus. A maioria dos historiadores modernos dedicou-se a estudar a ressurreição a partir da pressuposição filosófica de que a existência de milagres é impossível, tornando o fato uma questão extremamente difícil de ser analisada com objetividade. Mas a grande verdade é que se Jesus, de fato, ressuscitou dos mortos, isso muda tudo. Foi isso que os primeiros cristãos sentiram ao ouvir a notícia da ressurreição. Eles sabiam que, se fosse verídica, não seria possível mais viver de qualquer forma. Significava, também, que não haveria espaço para o medo, nem das espadas romanas, nem de qualquer coisa ou circunstância. Isso muda tudo.

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Os críticos da historicidade da ressurreição de Cristo argumentam que os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João se desenvolveram mais tarde, muito depois dos acontecimentos, pelo que os textos possuiriam, em grande parte, invenções. A verdade é que os primeiros relatos sobre o túmulo vazio e as testemunhas oculares não constam dos evangelhos, mas das cartas de Paulo, as quais, todos os historiadores concordam, foram escritas entre quinze e vinte anos apenas após a morte de Jesus. Um dos textos mais reveladores está escrito em 1 Coríntios 15.3-6: “Porque primeiro vos entreguei o que também recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; e foi sepultado; e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; e apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, e a maior parte deles ainda vive, mas alguns já faleceram”. Aqui, Paulo não só fala do túmulo vazio e da ressurreição “ao terceiro dia” – demonstrando falar de um acontecimento histórico, não de um símbolo ou metáfora –, mas também lista as testemunhas oculares. O apóstolo indica que o Jesus ressurreto não apenas apareceu para indivíduos e pequenos grupos, como também apareceu para quinhentas pessoas de uma só vez, a maioria das quais continuava viva no momento da redação da carta, de modo que podiam ser consultadas para confirmar o fato!

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Os primeiros cristãos sabiam que, se a notícia da ressurreição fosse verídica, não seria possível mais viver de qualquer forma. Isso muda tudo


A carta era dirigida a uma igreja; logo, era um documento público, escrito para ser lido em voz alta. Paulo convidava qualquer um que duvidasse de que Jesus houvesse ressuscitado a procurar as testemunhas oculares se assim desejasse. Era um desafio direto, facilmente aceitável. Paulo não afirmaria num documento público que havia um bocado de testemunhas oculares vivas se isso não fosse verdade! Muitos dos críticos também afirmam que os relatos da ressurreição de Jesus foram inventados. “Histórias da carochinha”, costumam dizer. Mas o contexto cultural dos mesmos indica que teria sido extremamente problemático tentar inventar um sucesso daqueles. Todos os evangelhos afirmam que as primeiras testemunhas oculares da ressurreição foram mulheres. A posição social inferiorizada das mulheres implicava que seu testemunho não constituía prova admissível em juízo. Para a igreja, não seria de modo algum vantajoso dizer que elas foram primeiras a ver o Cristo ressurreto. Isso só conseguiria enfraquecer a credibilidade do testemunho. A única explicação possível é que tudo aconteceu exatamente como os evangelhos narram. Ao longo dos anos, outros céticos da ressurreição sugeriram que os seguidores de Jesus podem ter tido alucinações, imaginando que Ele lhes aparecia e lhes falava. Isso implica que a ressurreição do Mestre era concebível para Seus seguidores judeus. Mas não era! Da mesma forma, afirmar, como se de uma teoria conspirativa se tratasse, que o corpo foi roubado pelos discípulos implica que aqueles homens esperavam achar receptividade para a ideia da ressurreição. Mas isso seria

desconhecer a cultura e cosmovisão da época! Ainda que sugeríssemos a ideia altamente improvável de que um ou dois discípulos de Jesus se convenceram sozinhos de que Ele havia ressuscitado, eles jamais conseguiriam levar judeus ou gregos a acreditarem nisso. Para aqueles povos, a ressurreição era absolutamente inconcebível. O teólogo britânico Michael Green ressalta: “Sem a ressurreição não existiria cristianismo algum. A igreja cristã jamais teria começado a existir; com a execução de Jesus, o movimento daqueles que O seguiam teria se extinguido tal como uma fogueira alimentada com lenha molhada”. Assim, considerando que praticamente todos os primeiros líderes cristãos morreram por causa da fé, fica difícil acreditar que esse tipo de auto sacrifício seria feito para sustentar uma mentira. Como o matemático e filósofo francês Blaise Pascal disse: “Acredito naquelas testemunhas cujo pescoço é cortado”. A explicação para a existência da igreja é a sua fé na ressurreição (1Co. 15.17). Por que os discípulos de Jesus chegariam à conclusão de que a crucificação não havia sido uma derrota, mas um triunfo – a menos que O tivessem visto ressurreto? As evidências são esmagadoras. Estamos diante de um fato histórico. Isso significa que existe uma esperança infinita, que a morte foi derrotada e que há liberdade para a escravidão do pecado. O cristianismo é a boa nova para o mundo inteiro, uma boa nova que aquece o coração, nos dá um espírito novo e nos leva a confiar apenas em Jesus como único Salvador. Ele vivo está! 21


A VERDADEIRA PÁSCOA O “PLANO A” DE DEUS CARLOS ALBERTO BEZERRA

morte e ressurreição de Jesus é mais do que um fato histórico incontestável. O assunto não pode ser descartado dizendo: “Isso simplesmente não pode ter acontecido”. Como muito bem menciona o pastor Timothy Keller no seu livro “A fé na era do ceticismo”, os críticos precisam ir além e responder a estas perguntas: “Por que o cristianismo surgiu tão repentinamente e com tamanho poder? Nenhum outro grupo de seguidores messiânicos da época jamais concluiu que seu líder ressuscitou dos mortos – por que este grupo o fez? Nenhum grupo de judeus jamais adorou um ser humano como se fosse Deus. O que levou este grupo a agir assim? Os judeus não acreditavam em homens divinos nem em ressurreições de indivíduos. Como explicar as centenas de testemunhas oculares da ressurreição que continuaram vivas durante décadas e publicamente sustentaram seu testemunho, às vezes dando a vida por aquilo em que criam?” E, ainda mais, como um assassino de cristãos como Saulo (At. 26.9-10) poderia ter se convertido no maior teólogo do cristianismo? Toda tentativa de explicar o nascimento da igreja que deixe de fora a ressurreição de Jesus vai contra o que sabemos a respeito da história e cultura do primeiro século. “Os primeiros cristãos não inventaram o túmulo vazio, nem os encontros com Jesus ressurreto, nem suas aparições. Ninguém esperava algo assim; nenhum tipo de experiência de conversão haveria de inventar essas histórias, não importa quão culpados – ou perdoados – se sentissem esses indivíduos, não importa o número de horas que se debruçassem sobre as Escrituras”, afirmou uma vez o grande teólogo N. T. Wright. A verdade da ressurreição de Cristo é que explica a força dos Apóstolos a saírem pelo mundo pregando Jesus vivo e presente entre eles. Nesta certeza, eles enfrentaram o Império Romano e o tornaram cristão. Nesta certeza, eles enfrentaram os dentes dos leões sob Nero, Dioclesiano, Vespasiano, Domiciano e outros imperadores que os massacraram. Foi na força da ressurreição de Jesus que a igreja sempre venceu todos os seus inimigos e perseguidores. Acreditar que a igreja chegou até nós com 2000 anos de vitórias, sem acreditar na ressurreição de Cristo, seria acreditar num milagre maior do que a própria ressurreição. O túmulo vazio de Cristo foi o berço da igreja e a certeza de uma vida completamente nova para toda a humanidade. Jesus sempre foi o “Plano A” de Deus, sempre foi a primeira opção para dar esperança às pessoas. A forma como veio ao mundo – como servo e homem simples – nos ensina a viver, não em uma pobreza ou simplismo coberto de falsa humildade, mas com o coração pronto a compartilhar tudo o que temos, desde nossos dons e talentos, até nossas posses e bens. 22

O túmulo vazio de Cristo foi o berço da igreja e a certeza de uma vida completamente nova para toda a humanidade.


Deus, através de Jesus nos ensina que “mais feliz é quem dá do que quem recebe” (At. 20.35), e acho que foi exatamente isso que Cristo pensou no momento em que passou tão grande dor antes da crucificação. Ele nos deu a Sua vida em alegria e obediência para que pudéssemos experimentar tamanha graça e amor, mesmo não merecendo. Fomos incluídos em Sua morte, abandonando a nossa natureza egoísta, e também em Sua ressurreição, recebendo uma nova natureza, doadora e sensível, pois agora Cristo vive em nós (Rm. 6.5). O verdadeiro cristão vive para aquele que por ele morreu e ressuscitou (2Co. 5.14-15). Jesus libertou a humanidade dos seus temores e frustrações, dos seus males espirituais, físicos e mentais, para experimentar relacionamentos sadios, atitudes de misericórdia, hábitos que transbordam compaixão, e um modo de vida cheio de graça. Cristo ressuscitou e vive entre nós. Isso é fato. E a Páscoa é a celebração da ressurreição de Cristo, a vitória da vida sobre a morte, o triunfo da graça sobre o pecado, da luz sobre as trevas. É o final da nossa vida egoísta e o surgimento da nossa

vida de verdadeiros doadores, parecidos com Jesus. Por isso, essa festa é tão importante para nós cristãos, é a comemoração da nossa ressurreição em Cristo! “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo. 11.25). Feliz Páscoa! Feliz vida nova em Cristo! Feliz ressurreição!

O verdadeiro cristão vive para aquele que por ele morreu e ressuscitou 23


RECOMENDO

LIVRO

Maridos Perseguindo a Excelência LOU PRIOLO | NUTRA PUBLICAÇÕES

Qual é a função do homem no lar? E da mulher? Como os dois devem proceder? Qual é o seu papel? A Bíblia responde a todas essas perguntas e nos dá uma direção clara de qual é o plano de Deus para a família. O problema é que vivemos dias em que isso tudo tem sido deixado de lado. Os papéis têm se invertido, afetando diretamente o relacionamento familiar. Muitos homens, por exemplo, se reduziram a meros provedores financeiros e frequentadores de igreja, deixando de lado sua função de pastorear os filhos e liderar sua esposa. É exatamente sobre isso que Lou Priolo fala em seu novo livro, “Maridos perseguindo a excelência”. A ideia é ajudar os homens a serem aperfeiçoados em seu papel, mostrando o modelo bíblico e criando um padrão de excelência a ser perseguido. A cada capítulo, o autor expõe com clareza as verdades da Bíblia e faz aplicações práticas de cada uma delas, ajudando o leitor a entender como a Palavra se manifesta em suas atitudes do dia a dia. Com certeza, uma ferramenta muito importante para abençoar os maridos e as famílias.

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LIVRO

MÚSICA

A Assinatura de Jesus

Tão Perto e Eu Não Vi

BRENNAN MANNING | EDITORA VIDA

THIAGO GRULHA | SALLUZ PRODUÇÕES

Brennan Manning é conhecido por escrever sobre a graça e o amor incondicional de Deus. Em seu livro, “A assinatura de Jesus”, ele convida o leitor a uma existência significativa, uma vida diferente. Manning fala sobre viver o Evangelho como Cristo viveu, tendo uma vida marcada pela simplicidade, a pureza de coração, a oração incessante, o serviço às pessoas e a alegria plena.

Depois de cinco anos desde o seu último trabalho, Thiago Grulha lança “Tão perto e eu não vi”. Com participações especiais de Paulo Cesar Baruk e Amanda Rodrigues, o CD tem canções de grande valor para o cantor e compositor. “Cada poesia vem com cheiro de esperança! A esperança de que Deus pode usar o pouco para fazer muito”, comenta.

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APP

CG Sede LEITURA DIGITAL

Agora, ter acesso aos cultos, mensagens, novidades e boletins da Comunidade da Graça Sede ficou muito mais fácil! É só baixar o aplicativo CG Sede no celular ou no tablet e conferir todo o conteúdo disponível. O app ainda conta com as datas e horários dos cultos e inscrições para eventos diversos.

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AMOR QUE TRANSFORMA

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m homem livre e realizado. É assim que Aguinaldo se descreve ao contar a sua história. Mas, foi um longo caminho para chegar até aqui. Nascido em Caculé, no interior da Bahia, era um entre 15 irmãos. Não demorou muito para que a família notasse que havia algo diferente com ele. Aguinaldo nasceu com os dois tímpanos perfurados por causa de problemas durante a gestação. A única maneira de procurar tratamentos adequados seria vir para São Paulo. E foi o que o seu pai fez. Viajava com o menino por mais de 1.300 quilômetros para procurar médicos e tentar, de alguma forma, melhorar a sua situação. Mas, o inesperado aconteceu. Quando Aguinaldo tinha cinco anos, perdeu o pai por causa de um câncer. Em meio à tristeza do luto, uma grande mudança foi necessária para que ele pudesse continuar a se tratar. Acostumado com a casa cheia, ele teve que se mudar com apenas uma de suas irmãs para a casa de uma tia, que morava na capital paulista. Passou a infância cercado de médicos e cirurgias. “Ia a consultas com fonoaudiólogos e psicólogos, e tive que fazer sete operações”, relembra. Sabendo das dificuldades que um portador de deficiência enfrenta, já que vivia cada uma delas na pele, Aguinaldo pensava em como poderia ajudar aqueles que, como ele, tinham alguma dificuldade. Por isso, aos 15 anos começou a trabalhar na Semear, Associação para Integração e Apoio à Pessoa com Deficiência, onde aprendeu a importância do respeito e da valorização do ser humano. Depois disso, foram anos trabalhando em empresas onde acabou sofrendo preconceito por conta de sua condição. Até que ele conheceu a Fundação Comunidade da Graça, onde está hoje. “Aqui eu encontrei liberdade para fazer o meu trabalho e aplicar tudo o que eu aprendi”, conta. Aguinaldo trabalha como assistente administrativo, é responsável pelos certificados de utilidade pública e dá suporte nas áreas de finanças e de Recursos Humanos. Mas o que ele mais gosta de fazer é ajudar outros funcionários da FCG, também portadores de deficiência.

Eu não tenho revolta nenhuma do passado, se não fosse todo esse processo que eu passei, acho que nem estaria aqui Apelidado carinhosamente por eles de “pai Guina”, ele acompanha, aconselha e ajuda na socialização dos seus “filhos” no ambiente de trabalho. Apesar de sua trajetória difícil e de ainda apresentar alguns problemas na fala por conta de sua deficiência, Guina não se lembra de sua história com tristeza. “Eu não tenho revolta nenhuma do passado, se não fosse todo esse processo que eu passei, acho que nem estaria aqui”. Além da realização no trabalho, ele também tem experimentado uma nova vida em Cristo. Depois de muita oração de sua esposa, que já era cristã, Aguinaldo se entregou a Jesus e hoje, junto de sua família, frequenta a Comunidade da Graça em Ermelino Matarazzo. Como se não bastasse todo o seu bom desenvolvimento profissional, desde o ano passado ele tem enfrentado um novo desafio. “Nosso GCEM se multiplicou e, hoje, eu e a minha esposa lideramos uma célula. Já somos em cinco casais”, comemora. Talvez, pensando em todo o processo que Aguinaldo viveu, em toda a sua história, muitos poderiam desanimar. Mas ele prosseguiu, mesmo em meio às dificuldades e desafios, e tem colhido os frutos das sementes que lançou. 27


ACONTECEU

UM MOMENTO HISTÓRICO “Este é um ato que vai marcar o começo de uma nova história no ministério da Comunidade da Graça.” Foi com essas palavras que o pastor Carlos Alberto Bezerra começou o culto do dia 4 de março, na Comunidade da Graça Sede. Emocionado, ele leu o texto de Números 27.12-23, que fala do chamado de Deus a Josué para liderar o povo à terra prometida, e anunciou “uma das decisões mais importantes” de sua vida, a transferência do ministério pastoral da CG Sede a seu filho, o pastor Ronaldo Bezerra. “Ele viveu os mesmos desafios ministeriais que eu, desde o início da sua vida. É um homem que tem amor pela Palavra, é fiel ao rebanho, chefe de família, pai exemplar, amigo e irmão, fiel e leal. Alguém que, sem dúvida, pode continuar com a mesma graça, e ainda maior, o ministério da Comunidade Sede”, disse o pastor Carlos Alberto. O pastor Carlos Alberto Antunes declarou o texto de Zacarias 3.1-8 e disse que aquela palavra estava se cumprindo naquele momento. “Ronaldo é um pouco de filho para mim”, disse antes de começar a orar por ele, ungindo-o como pastor principal da igreja. Com os familiares, Ronaldo recebeu de seu pai, de forma simbólica, um cajado. Símbolo de liderança e de autoridade para pastorear, servir, amar e honrar o rebanho. Empossado, ele afirmou a sua disposição para servir: “A obra que o Senhor começou na minha vida, Ele está aperfeiçoando. Quero servir e amar vocês”. Com certeza, um dia memorável para a história de toda a Comunidade da Graça ao redor do Brasil!

LIDERANÇA SE REÚNE PARA 1º ENCONTRO REGIONAL A Comunidade da Graça em Ermelino Matarazzo recebeu o primeiro Encontro Regional de 2018. Pastores e líderes das CGs Ermelino, Itaim Paulista, Mogi Mirim e Jardim Presidente Dutra se reuniram nos dias 23 e 24 de fevereiro para ouvir os pastores Carlos Alberto e Suely Bezerra, Carlos Bezerra Jr., Osmar Dias, Carlos Alberto Antunes e Aguinaldo Fernandes. “Deus capacita Seus filhos de forma sobrenatural para que Seu Reino venha na terra”, disse o pastor Carlos Alberto. 28


MÊS DA MULHER Em 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. E as Comunidades da Graça ao redor do mundo não deixaram a data passar em branco. Durante todo o mês de março, programações especiais deram ênfase ao propósito de Deus para a mulher. CGs Sede, Itaquera, Londrina, Atibaia, Zona Sul, São Bernardo do Campo, Ubatuba, Guarulhos, Bonsucesso, Foz do Iguaçu, Taubaté, Jardim Presidente Dutra, Japão, Itapissuma, Suzano, Governador Valadares e Rolândia realizaram cultos, momentos de oração, chás e encontros. Momentos especiais lembrando daquele que mais valorizou a mulher, nosso Senhor Jesus.

SEDE

FOZ DO IGUAÇÚ

ITAQUERA

LONDRINA

SÃO BERNARDO DO CAMPO

SUZANO

GOVERNADOR VALADARES

ZONA SUL

JAPÃO

CASA NOVA

COMEÇA O PROJETO MAE

A Comunidade da Graça Zona Sul (antiga Vila Mariana) está de casa nova! O novo endereço, no bairro do Ipiranga, foi inaugurado oficialmente no dia 18 de março, com a presença dos nossos queridos pastores Carlos Alberto e Suely Bezerra. No culto, os líderes da Zona Sul, os pastores Osmar e Nice Dias, lavaram os pés dos fundadores da Comunidade da Graça, como um símbolo de serviço à toda a igreja nesta nova fase.

Mais de 170 pastoras e esposas de pastores e líderes estiveram na cidade de Serra Negra, São Paulo, para o primeiro encontro do Projeto MAE de 2018. Sob o tema “Andando em Obediência”, elas ouviram as pastoras Suely Bezerra e Alessandra Bezerra Caldas, e tiveram dias de compartilhamento da Palavra e muita comunhão, que foi aproveitada também para homenagear a pastora Suely pelo seu aniversário. O próximo encontro acontece já no mês de maio!

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ENCONTRÃO 2018 No dia 17 de março, os jovens das Comunidades da Graça Sede, Zona Norte, Zona Sul, Itaquera, Pirituba, São Mateus, Santo André, Cidade Tiradentes, Jardim Iguatemi e José Bonifácio estiveram juntos para a primeira edição do MAG18, “Transmita”. A tarde foi cheia de louvor e Palavra de Deus, com a presença do líder nacional de jovens da Comunidade da Graça, o pastor Fernando Diniz, do pastor Carlos Bezerra Junior e de Gustavo Rosaneli. Isso tudo para o pessoal começar 2018 com as expectativas lá em cima para o que Deus vai fazer!

ITAQUERA EM FESTA O mês de março foi muito especial na Comunidade da Graça em Itaquera. A igreja completou 16 anos e comemorou de uma maneira muito especial: a cada domingo do mês, um culto diferente, com convidados especiais e muita festa. No dia 11, os pastores Os-

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mar Dias, da CG Zona Sul, e Davis Mosço, de São Mateus, levaram a Palavra. No dia 18 foi a vez do pastor José Diniz, da CG Guarulhos. E no dia 25, Gustavo Xavier ministrou o louvor e o pastor Carlos Bezerra Jr levou uma mensagem especial. Parabéns, CG Itaquera!


UM CARNAVAL DIFERENTE Jovens de diversas Comunidades da Graça ao redor do Brasil fizeram um carnaval diferente neste ano. Os MAGs Guarulhos, Atibaia, Jardim São João, Bonsucesso, Dutra, Zona Norte, Sorocaba, Suzano e Taubaté realizaram o Trilhas! O evento, que se estendeu por todos os dias do feriado, contou com ações internas e externas, com o objetivo de levar a Palavra de Deus e abençoar as pessoas. Já para os jovens do Carrão, Itaim, São Bernardo do Campo, Bragança Paulista e Balsa, foram dias de buscar ao Senhor e ter muita comunhão nos acampamentos. Em Rolândia, o encontro aconteceu dentro da igreja, em um acampadentro muito especial. São os jovens da Comunidade da Graça marcando esta geração!

SEDE

BALSA

ITAIM

ROLÂNDIA

SÃO BERNARDO DO CAMPO

ATIBAIA

PRESIDENTE DUTRA

GUARULHOS

SÃO JOÃO

SOROCABA

ZONA NORTE

CASADOS & FELIZES O trabalho com os casais começou com tudo neste ano! As Comunidades Zona Norte, São Mateus, Jardim São João, Itapissuma, Londrina, Cidade Tiradentes e Governador Valadares, por exemplo, realizaram no primeiro trimestre seus encontros e cultos com os casais. Em Itapissuma, o culto aconteceu no dia 14 de fevereiro, abrindo a programação do ano. Os casais de São Mateus se reuniram em Águas de Lindóia no feriado do carnaval. A CG Cidade Tiradentes realizou uma noite especial no dia 23 do mesmo mês. Já em Londrina, a temática para 2018, “Multiplicando o amor no casamento”, foi inaugurada em 24 de fevereiro, mesmo dia em que as atividades do Casados & Felizes tiveram início na CG Jardim São João. Nas CGs Zona Norte e Governador Valadares, a programação teve início no mês de março.

ITAPISSUMA

LONDRINA

SÃO MATEUS

PRESIDENTE DUTRA

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REFLEXÃO

POR QUE JESUS VEIO PARA MORRER? ma das perguntas que mais ouvimos quando se trata de Jesus é esta: “Por que Ele veio para morrer?”. Mas a questão central da morte de Jesus não é a sua causa, senão o seu propósito – o seu significado. Os homens podiam ter suas razões para querer Jesus fora do seu caminho. Mas só Deus poderia pensar em algo assim para o bem do mundo, para resgate de muitos (Mt. 20.28). Por que a morte de Jesus foi tão poderosa? Seu amor e Seu sofrimento transformam o mundo ainda hoje. Ele era mais do que um simples humano, era Deus (Jo. 1.1,14). Além disso, Ele era completamente inocente em Seu sofrimento. Não só inocente das acusações de blasfêmia, mas de todo pecado. “Ele não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado em sua boca” (1Pe. 2.22). E mais, Ele abraçou Sua morte com autoridade absoluta: “Eu dou a minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la” (Jo. 10.17-18). Jesus escolheu morrer. Mas a história não acaba aí. Três dias depois, no domingo de manhã, Ele ressuscitou dos mortos. Não foi simplesmente um corpo que se levantou. Foi a ressurreição do Filho de Deus para uma vida nova e indestrutível. A questão crucial é: Por quê? Por que Jesus veio para morrer? O que Cristo conquistou com a Sua morte? Por que Ele teve que sofrer tanto? O que o calvário significa para o mundo? De fato, os propósitos de Deus com a morte de Cristo são infinitos. Podemos citar milhares, mas sempre haverá mais. E esse texto é sobre isso. Reuni algumas razões da morte de Cristo. Não causas, mas propósitos. O que Deus conquistou para pecadores como nós enviando Seu Filho para morrer? Por que Jesus veio para morrer? 32

PARA ABSORVER A IRA DE DEUS “Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda, por meio dele, seremos salvos da ira de Deus!” Romanos 5.9

PARA AGRADAR AO PAI CELESTE “Como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus.” Efésios 5.2

PARA MOSTRAR A RIQUEZA DO AMOR DE DEUS E A SUA GRAÇA PARA COM OS PECADORES “Dificilmente haverá alguém que morra por um justo, embora pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.” Romanos 5.7-8


PARA TORNAR-SE RESGATE POR MUITOS “Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Marcos 10.45

PARA O PERDÃO DOS NOSSOS PECADOS “Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus.” Efésios 1.7

PARA NOS FAZER SANTOS, INOCENTES E PERFEITOS “Mas agora ele os reconciliou pelo corpo físico de Cristo, mediante a morte, para apresentá-los diante dele santos, inculpáveis e livres de qualquer acusação.” Colossenses 1.22

PARA NOS DAR UMA CONSCIÊNCIA LIMPA “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, para que sirvamos ao Deus vivo!” Hebreus 9.14

PARA MOSTRAR O SEU AMOR POR NÓS

PARA TIRAR A NOSSA CONDENAÇÃO

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” Gálatas 2.20

“Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós.” Romanos 8.34

Use o leitor de QR Code em seu celular e leia o texto completo no site da Revista Comuna”

PARA CANCELAR AS EXIGÊNCIAS DA LEI CONTRA NÓS “Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz.” Colossenses 2.13-14

JOHN PIPER John Piper é pastor, doutor em Teologia pela Universidade de Munique, fundador do desiringGod.org e chanceler no Bethlehem College & Seminary. Serviu por 33 anos como pastor principal da Bethlehem Baptist Church em Minneapolis, Minnesota. É autor de mais de 40 livros.

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Revista Comuna 98  

Em defesa de Cristo: Quais são as evidências da ressurreição? Palavra do Presidente: Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis...

Revista Comuna 98  

Em defesa de Cristo: Quais são as evidências da ressurreição? Palavra do Presidente: Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis...