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Fernanda Botelho Gostaria de que os meus livros fossem como varinhas de condão, capazes de abrir portas a uma relação mais íntima entre os leitores e o verde que nos rodeia. A partir da minha primeira agenda, publicada em 2010, germinaram anualmente seis edições, estando a sétima reservada para o tema da biodiversidade e das plantas medicinais. O adubo deste crescimento é o entusiasmo e a dedicação a uma causa: a ecologia. Estudei pedagogia Waldorf e os anos passados na companhia dos mais pequenos inspiraram os livros infantis Salada de Flores, Sementes à Solta e Hortas Aromáticas. A partilha de workshops e de passeios botânicos com adultos ajudou-me a criar um guia prático de remédios caseiros: As Plantas e a Saúde. Tive uma rubrica no Rádio Clube de Sintra e, em 2015, fui colaboradora regular da RTP1. Percorro o país para compartilhar a paixão pelas plantas que me corre nas veias. Amo, respeito e preservo a Terra. E sei que sou Terra, sempre fui assim e não sei ser de outra forma.

Este livro não é apenas um guia prático e transpõe também as fronteiras que limitam os manuais técnicos. É verdade que identifica os constituintes químicos, bem como as propriedades e aplicações medicinais de 55 plantas, mas vai mais além, porque as quer retratar a partir de todas as perspetivas e em todos os contextos. Assim, a par de conselhos de cultivo e curiosidades botânicas, são-nos revelados os usos possíveis das várias espécies ao nível da culinária, da cosmética ou da tinturaria. Ao mesmo tempo, descobrimos o seu impacto cultural: as marcas que imprimiram na história dos homens, os mitos e as lendas de que são protagonistas. As imagens a cores, por sua vez, despertam-nos o olhar para as subtilezas presentes numa folha de milefólio em contraluz ou para os pormenores de um botão de esteva prestes a desabrochar. E, página a página, de uma forma quase íntima, aproximamo-nos de 55 plantas aqui unidas por um atributo comum: o facto de crescerem espontaneamente em Portugal. Com o apoio de:

de plantas que curam

Uma mão cheia De plantas que curam

Nasci e cresci em comunhão com a natureza, entre o azul do mar e o verde das árvores. Sou menina da aldeia com rastos de viagens pelo caminho, viagens internas e externas entre o reino das plantas, o Reino Unido e um reino interior habitado por sonhos. No decorrer dos meus dias, a felicidade é um dever e a gratidão, uma constante.

Uma mão cheia

55 espécies espontâneas em Portugal

Fernanda Botelho

Outros livros da autora


Uma mão cheia

de plantas que curam 55 espécies espontâneas em Portugal

Fernanda Botelho


Uma mão cheia

de plantas que curam 55 espécies espontâneas em Portugal

Fernanda Botelho


© Dinalivro e Fernanda Botelho 2015 nalivro e Fernanda Botelho 2015 © Dinalivro e Fernanda Botelho 2015

Título: Uma mão cheia plantas curam 55 espécies espontâneas em Portugal o: Uma mão cheia de plantas Título: que curam Uma mão – de 55cheia espécies de que plantas espontâneas que–curam em Portugal – 55 espécies espontâneas em Portugal Botelho Botelho ra: Fernanda Botelho Autora: Fernanda Autora: Fernanda Fotografias: FernandaFernanda Botelho Botelho grafias: Fernanda Botelho Fotografias: à exceçãoà(Nuno de badana contracapa (Nuno das páginas 14, 15, 110 251 (Céu Garnel), eção de badana da contracapa exceção Antunes) deda badana e dasda páginas contracapa 14,Antunes) 15, (Nuno 110 Antunes) ee 251 (Céu e das Garnel), páginas 14, e15, 110 e 251 (Céu Garnel), 175 (Graça 234 (Susana 281 (Albina 290 e 291 (Inês Gonçalves) (Graça Saraiva), 234 (Susana Pereira), 175Saraiva), (Graça 281 Saraiva), (Albina Griniuté), 234 Pereira), (Susana 290Pereira), e 291 (Inês 281Griniuté), Gonçalves) (Albina Griniuté), 290 e 291 (Inês Gonçalves) Revisão: Revisão: Nuno Miguel ão: Nuno Miguel Marques NunoMarques Miguel Marques Revisão botânica e taxonómica: Célia Cabral ão botânica e taxonómica: Célia Revisão Cabral botânica e taxonómica: Célia Cabral João Martins nação: João Martins Paginação: Paginação: João Martins Capa: João Martins fotografia gentilmente cedida por Nunopor Antunes a: João Martins sobre fotografia Capa: gentilmente João sobre Martins cedida sobre por Nuno fotografia Antunes gentilmente cedida Nuno Antunes e acabamento: SerSilito Empresa Gráfica, Lda. essão e acabamento: Impressão SerSilito Impressão – Empresa eGráfica, acabamento: Lda. –SerSilito – Empresa Gráfica, Lda. : 978-972-576-648-4 ISBN: 978-972-576-648-4 ISBN: 978-972-576-648-4 legal: 399526/15 ósito legal: 399526/15DepósitoDepósito legal: 399526/15 1.ª edição: de 2015 de 2015 dição: outubro de 2015 1.ªoutubro edição: outubro

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FernandaFernanda Botelho Botelho anda Botelho Telefone: 219 611 219 767 611 | 912767 183| 912 904 183 904 one: 219 611 767 | 912 183 904 Telefone: Correio eletrónico: fernandatojeira@gmail.com eio eletrónico: fernandatojeira@gmail.com Correio eletrónico: fernandatojeira@gmail.com http://malvasilvestre.blogspot.pt/ //malvasilvestre.blogspot.pt/ http://malvasilvestre.blogspot.pt/

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Índice

Prefácios – Anne McIntyre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 Célia Cabral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

15

Açafroa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Agrimónia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 Alecrim . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 Alfafa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 Alfavaca-de-cobra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 Alfazema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 Alquemila . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 Amora-silvestre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 Amor-de-hortelão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 Angélica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 Arruda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 Bardana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 Beldroega . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76 Betónica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 Bolsa-de-pastor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 Borragem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Calêndula . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 7


Camomila . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 Cavalinha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110 Celidónia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 Chagas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 Chicória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122 Consolda-maior . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126 Dedaleira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 Dente-de-leão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136 Erva-cidreira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142 Erva-de-são-roberto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146 Erva-do-caril . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 Escrofulária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154 Esteva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158 Fel-da-terra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164 Fumária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 168 Funcho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172 Hipericão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 Hissopo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184 Linho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188 Lúpulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194 Madressilva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 198 Malva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 Margarida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 210 8


Menta ou Hortelã . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 214 Milefólio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220 Morugem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 226 Onagra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 230 Orégãos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 236 Pervinca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 Prunela . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244 Rosa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 248 Salva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254 Tanchagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260 Tomilho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 266 Umbigo-de-vénus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 272 Urtiga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 276 Verbasco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 282 Violeta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 286 Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 293

9


Prefácio

A

través da beleza das suas fotografias e de textos maravilhosamente descritivos, a Fernanda dá ainda mais vida às plantas espontâneas de Portugal. Eu tive o privilégio de testemunhar o seu encanto e esplendor numa altura em que atapetavam a paisagem primaveril e observei a dedicação e a imersão absolutas da Fernanda em tudo o que diz respeito à flora portuguesa. Se quiserem conhecer a Fernanda, vão encontrá-la em colinas e em prados repletos de plantas, sempre com uma máquina fotográfica e um caderno de esboços, ou acompanhada por grupos de estudantes que ela inspira, surpreendendo-os com as incríveis propriedades terapêuticas das espécies de que mais gosta. Este livro é uma introdução magnífica ao universo das plantas medicinais que descobrimos na soleira da nossa porta, universo que inclui a alfazema, as amoras, a bardana ou a madressilva. Trata-se de um repositório de sabedoria em que as observações profundas da Fernanda nos convidam a explorar 55 espécies silvestres, revelando-nos não só a arquitetura da sua beleza, mas também inúmeros conselhos práticos sobre o modo como as devemos utilizar. A Fernanda conta-nos as estórias da sua história e a forma como as podemos transformar em remédios. Partilha ainda receitas e descreve métodos de cultivo. Na qualidade de herborista com 35 anos de experiência, recomendo absolutamente este livro a todos os que queiram aprofundar o seu conhecimento sobre os benefícios extraordinários das plantas que crescem à nossa volta. Como divulgadora e defensora das espécies medicinais – uma das mais empenhadas em Portugal –, a Fernanda consegue captar a magia e o fascínio do mundo natural e, ao fazê-lo, transforma-se numa estrela, a 56.ª estrela do seu livro. Anne McIntyre Com cerca de duas dezenas de livros publicados em diversos idiomas, Anne McIntyre é uma fitoterapeuta com mais de 30 anos de prática clínica. Membro do National Institute of Medical Herbalists, realiza com regularidade cursos e conferências sobre as virtudes medicinais das plantas.


Prefácio

A

Fernanda Botelho tem o dom de transmitir os seus conhecimentos sobre plantas medicinais com uma simplicidade ímpar e só quem possui uma compreensão profunda sobre uma determinada temática o consegue fazer da forma brilhante como ela o faz. Nesta obra, que contempla 55 espécies, a Fernanda deixa bem patente a sua familiaridade com cada uma delas. Sempre que a oiço falar de plantas, o entusiasmo vê-se-lhe nos olhos e sente-se nas palavras. Os conhecimentos que detém sobre espécies medicinais devem-se não só a uma formação académica sólida no Reino Unido, mas também a viagens por vários países e a um contacto direto com as plantas, que tem lugar no seu próprio jardim, bem como em diversas ações de divulgação desenvolvidas de norte a sul de Portugal.

Neste livro, cada uma das plantas mencionadas é objeto de uma abordagem bastante completa e interessante, que contempla os seguintes itens: nomes comuns, nome científico, família botânica, história, descrição e habitat, constituintes e propriedades, no jardim ou na horta, culinária, cosmética e precauções. Os textos são acompanhados por fotografias representativas de cada espécie, da autoria da Fernanda. Como investigadora no domínio das plantas medicinais e da validação científica dos seus usos tradicionais, recomendo vivamente a leitura desta obra magnífica, que nos conduz numa viagem fantástica por 55 espécies medicinais espontâneas que podemos encontrar no nosso país. Célia Cabral Doutorada em Biologia pela Universidade de Coimbra (UC); investigadora no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século xx, no Centro de Neurociências e Biologia Celular e na Faculdade de Farmácia da UC; e autora de publicações científicas sobre a caracterização química e o potencial farmacológico das plantas medicinais.


Introdução

E

screver sobre plantas medicinais é, para mim, entrar em comunhão com uma outra esfera da existência: o reino vegetal, o mundo fantástico das plantas. Entro nele todos os dias como quem entra num templo sagrado, com respeito, gratidão e devoção. Nutro-me dos ciclos das estações, que diante de mim vão desfilando, alegres, coloridas e abundantes. É aqui que me inspiro, sempre de câmara pronta para mais um assédio à intimidade das flores e dos insetos. Estou atenta, deixo-me surpreender pelas abelhas, felizes e trabalhadoras, encharcando-se em pólen de onagra. Gosto de contemplar a luz oblíqua a iluminar o verde das folhas de cidreira. Observo, encantada, as formas artísticas das chagas dando lugar à nudez das sementes. Gosto do perfume das violetas, que aquece o inverno. Saboreio a textura das rosas e o paladar das estrelas de borragem. Emociono-me com a clareza com que tantas vezes se me revelam os usos das plantas, com a subtileza com que se me aviva a memória num simples toque, numa respiração pausada ou num olhar mais contemplativo. Através das imagens que vou captando ao longo do ano, este livro pretende dar-vos provas de que uma aproximação mais íntima ao verde que nos rodeia só nos trará benefícios – e não são poucos! Por detrás destas páginas, estão muitos anos de estudo, de pesquisa e de prática, divididos entre Portugal e Inglaterra. Obrigada a todos os que colaboraram e me impulsionaram neste projeto e que acompanham o meu percurso e trabalho com carinho. Estão sempre no meu coração e não vou mencionar nomes para não correr o risco de deixar alguém de fora. Obrigada à vida pela sua imensa generosidade. Obrigada ao meu coração por saber expressar gratidão. Abençoados sejam todos os leitores pela escolha.


32


Nome comum:

ALFAFA

Nome científico:

Medicago sativa L. Família:

Fabaceae (Leguminosae) Nomes vulgares:

luzerna e alfalfa Inglês:

alfalfa Francês:

luzerne

História

O seu nome vem do árabe al-fac-facah. A alfafa ou alfalfa foi provavelmente cultivada pela primeira vez na Ásia Central, tendo-se propagado há mais de dois mil anos até à China, país em que é conhecida por mu-su. Chegou à Grécia no século v a.C., levada por Dário, rei da Pérsia, quando este tentou conquistar Atenas. Já era mencionada por Plínio, o Velho como planta de grande interesse medicinal. Da Grécia terá viajado para o resto da Europa e de África. Começou a cultivar-se mais intensivamente na Europa do século xvii, sendo muito apreciada pelos agricultores da época. Por volta de 1850, foi levada pelos colonos para os Estados Unidos, onde é ainda hoje uma das plantas mais utilizadas nas grandes pradarias, visto que, devido ao seu alto teor em proteínas, fornece um alimento muito rico aos animais, ao mesmo tempo que é benéfica para os solos. Como espécie de interesse terapêutico, é usada há mais de 1500 anos na medicina tradicional chinesa para combater problemas digestivos e urinários. A medicina ayurvédica serve-se das flores como digestivo e utiliza as sementes para tratar a artrite e a retenção de líquidos. Os índios da América do Norte faziam compressas a partir das suas folhas para aliviar dores de ouvidos. 33


34


35


Descrição e Habitat

Planta herbácea e perene, a alfafa pode atingir 80 centímetros de altura. De folhas trilobadas, as cores das suas flores variam entre o amarelo, o azul e o violeta. Os frutos são pequenos e apresenta vagens espiraladas, onde crescem minúsculas sementes castanhas. Cresce em Portugal como planta subespontânea em prados, nas beiras dos caminhos e em terrenos cultivados ou incultos. Geralmente, colhe-se no verão, embora se possam fazer várias colheitas ao longo do ano. Também denominada luzerna, feno-de-borgonha, melga e, no Brasil, melga-dos-prados, a alfafa é sobretudo conhecida como planta forrageira, cultivada e utilizada como alimento para o gado e como azotante dos solos.

des Constituintes e Proprieda

A alfafa é rica em clorofila, proteínas, cálcio, magnésio, fósforo, potássio e outros minerais, bem como em vitaminas A, C, D, K e do grupo B. Possui isoflavonas (genisteína, daidzeína e biocanina A), esteróis, saponinas triterpénicas, vestígios de cumarinas, alcaloides e cerca de 3% de taninos. A alfafa contém dez vezes mais minerais e proteínas do que a média dos cereais, pois, ao penetrar profundamente no solo, consegue absorver substâncias inacessíveis às gramíneas. O seu alto teor vitamínico faz dela um excelente remineralizante do organismo, muito útil em casos de convalescença e de anemia, dado que aumenta a vitalidade e o bem-estar físico e emocional. Graças à vitamina K, possui uma ação anti-hemorrágica. Eficaz como laxativo suave, é também estrogénica, sendo recomendada no tratamento dos problemas associados à menopausa. Útil contra a osteoporose, ajuda a consolidar as fraturas e fortalece ossos e dentes. É igualmente benéfica no tratamento da artrite, da diabetes, das úlceras, dos abcessos, da sinusite e das infeções no nariz, ouvidos e garganta. A maioria dos estudos sobre a alfafa incide na sua eficácia para baixar os níveis de colesterol. Pode tomar-se alfafa em infusões das folhas e das flores frescas ou secas. Existe também no mercado sob a forma de cápsulas e de extratos. Os germinados constituem um excelente suplemento alimentar e são muito fáceis de fazer em casa, embora se possam comprar frescos em lojas de produtos biológicos. 36


No jardim ou na horta

Trata-se de uma planta de fácil cultivo e de grande importância não só para fixar os nutrientes no solo, mas também para atrair abelhas. Prefere os terrenos drenados aos muito húmidos, podendo ganhar míldio em caso de rega excessiva. Floresce durante muito tempo e pode, por isso, ser uma interessante planta ornamental em vasos na varanda.

Precauções

Não se deve tomar em casos de doenças autoimunes e de lúpus eritematoso ou em conjunto com medicação estrogénica, hemostática ou anticoagulante. 37


Nome comum:

AMORA-SILVESTRE

Nome científico:

Rubus fruticosus L. Família:

Rosaceae Nomes vulgares:

amora (fruto) e amoreira ou silvas (planta) Inglês:

blackberry Francês:

ronce commune

História

Estes pequenos frutos nutritivos e refrescantes eram já muito apreciados pelo homem pré-histórico. A colheita de amoras é provavelmente um dos poucos hábitos ou rituais coletivos de recolha de plantas silvestres que ainda sobrevivem nas mais variadas culturas até aos dias de hoje. Os escoceses eram grandes apreciadores de amoras e faziam grinaldas, misturando as suas silvas com tramazeira (Sorbus aucuparia) e hera (Hedera helix), para se protegerem dos maus espíritos. Durante a guerra civil americana, os ferozes combates frente a frente eram muitas vezes interrompidos para que ambas as partes pudessem colher as folhas das silvas, ideais para tratar problemas tão comuns, como a disenteria e a diarreia. Nas regiões rurais de Inglaterra ainda hoje se acredita que não se devem colher amoras depois da festa de São Miguel, a 29 de setembro, sob pena de o diabo lhes ter cuspido ou urinado em cima. 55


Descrição e Habitat

Pertencentes à família das Rosaceae, as silvas são tão conhecidas que dispensam descrições. Devem ser poucas as pessoas que nunca sofreram arranhões por elas provocados, ao passear pelos campos ou ao colher as deliciosas amoras. Os picos ou acúleos são, na realidade, uma defesa da planta contra os predadores. As suas flores pequenas de cor branca ou rosada são praticamente inodoras, podendo-se usar o seu botão na confeção de tisanas ou de saladas. A amoreira-negra é oriunda da Ásia Oriental e foi há muito introduzida na Europa Mediterrânica.

des Constituintes e Proprieda

As amoras são ricas em taninos, em glícidos e em diversos ácidos: salicílico, oxálico, cítrico e málico. Além de conterem um alto teor de vitaminas A, B e sobretudo C, são, à semelhança de todos os outros frutos vermelhos, uma excelente fonte de antioxidantes, substâncias cruciais no combate aos radicais livres. Para tratar os arranhões e o inchaço causados pelos picos das silvas, pode utilizar as folhas esmagadas da própria planta para desinfetar as feridas e para estancar o sangue, caso seja necessário. O chá destas folhas é também útil no combate à diarreia, à disenteria, às úlceras da boca, às gengivites, à anemia e aos estados gripais, dado que ajuda a baixar a febre. Uma vez arrefecido, pode funcionar como uma loção para a pele. No caso específico das dores de garganta, o chá pode ser bebido ou utilizado em gargarejos. Embora as folhas das silvas sejam bastante adstringentes, em algumas culturas, mastigam-se os rebentos tenros para aliviar as dores de cabeça. Estes rebentos podem ainda ser consumidos em saladas. A amoreira-branca (Morus alba) é mais conhecida por árvore do bicho-da-seda, porque as suas folhas servem de alimento às futuras borboletas deste inseto. Trata-se de uma árvore de médio a grande porte, cujos frutos, também denominados amoras, são comestíveis. No entanto, quando comparados com os frutos maiores da amoreira-negra (M. nigra), os da amoreira-branca são insípidos e, mais tarde, doces e sem acidez. Há ainda outra diferença: enquanto os frutos da M. alba são pedunculados, os da M. nigra são desprovidos de pedúnculo. Os 56


frutos de ambas as variedades eram muito apreciados pelos gregos e pelos romanos devido ao seu sabor ligeiramente ácido, um misto de groselha e de framboesa. Embora ricos em vitaminas, o seu teor vitamínico é inferior ao das amoras das silvas (Rubus fruticosus), cujas folhas adstringentes são utilizadas como antidiabético nos Balcãs. Além disso, são febrífugas, laxantes, hipoglicemiantes e refrescantes, bem como úteis no tratamento de anginas, de aftas e de outros problemas da boca e das gengivas.

Culinária

DOCE DE AMORAS E DE MAÇÃS ---------------500g de amoras;---------500g de maçãs re ineta inteiras e com ca sca; raspa de um limã o; açúcar.

Cozer em fogo le nto durante 15 minutos. Esma gar e passar por um passe-vite ou por um pano fino. Pesar a polpa e juntar 100g de açúcar por cada 300g de po lpa. Deixar arrefecer e colo car em frascos esterilizado s. 57

XAROPE DE AMORAS

-------------------------Encher uma tigela de vidro ou de loiça com amoras. Cobrir com vinagre de cidra ou de arroz. Tapar com um prato e deixar um dia ou dois. Depois, esmaga-se e coa-se, retirando-se as sementes. Medir e juntar metade desse volume em mel. Colocar em lume muito brando a derreter. Ao deitar, tomar uma colher diluída em água quente ou no chá para tratar as constipações.


Nome comum:

CAMOMILA

Nome científico:

Matricaria chamomilla L. Família:

Asteraceae (Compositae) Nomes vulgares:

camomila-dos-alemães, camomila vulgar, margaça-das-boticas, mançanilha, matricária e, no Brasil, camomila-comum ou macela Inglês:

German chamomile ou camomile Francês:

camomille sauvage

Mal começa o mês de fevereiro com sinais de dias mais longos, avistam-se brancos os campos, luminosos de uma luz delicada, anunciando a primavera que se aproxima. São as flores de camomila que se derramam nos verdes prados.

História

Entre os antigos egípcios, a camomila não só era considerada uma planta sagrada por se encontrar associada ao Sol, como também possuía aplicações medicinais: usavam-na para combater as febres, em especial a febre da malária. Na Grécia, crescia em abundância e era facilmente identificada pelo seu aroma peculiar. Os médicos da época e, mais tarde, os médicos árabes não ignoravam as suas potencialidades terapêuticas. O mesmo sucedeu no século xii, em Itália, 103


na Escola de Salerno, no seio da qual Matthaeus Platearius fez uma referência à camomila em De Simplici Medicina, um dos grandes tratados médicos da Idade Média. Nele, são descritos os remédios de origem vegetal, animal e mineral, que foram sendo experimentados desde a Antiguidade até então. Foi também Platearius quem procedeu à divisão das plantas segundo os quatro elementos – quente, frio, seco e húmido – e ainda quem nomeou as diversas propriedades terapêuticas: diurética, carminativa, antipirética, entre outras. A Matricaria é igualmente mencionada em Complete Herbal, um livro de Nicholas Culpeper (1616-1654). A maior parte destas e de outras descobertas empíricas sobre a camomila vieram mais tarde, no século xix, a ser confirmadas através de estudos laboratoriais.

Descrição e Habitat

A camomila é uma amante da luz e, por isso, procura os campos abertos, as bermas das estradas e os caminhos. Prefere os solos húmidos e barrentos, mas tam104


bém cresce nos terrenos calcários e arenosos. Pertence à família das Asteraceae ou Compositae, que inclui cerca de oitocentas plantas e um total de treze mil espécies. Entre elas, estão a margarida, a maravilha, o dente-de-leão, a arnica, a chicória ou os crisântemos. As Compositae conquistaram praticamente o planeta inteiro, crescendo em todos os continentes, incluindo a Oceânia. À exceção dos polos e das florestas tropicais, encontramo-las numa diversidade de regiões: nas áreas montanhosas, nas planícies, em zonas costeiras e nas margens de lagos e de rios. Em Portugal, há várias designações para os diferentes tipos de camomila, o que provoca alguma confusão no que diz respeito à sua distinção. Por exemplo, o nome científico da camomila vulgar, camomila-dos-alemães, camomila-húngara ou margaça é Matricaria chamomilla. Esta variedade é ainda conhecida como mançanilha, denominação que também lhe é atribuída pelos espanhóis. Trata-se de uma planta anual, que mede entre 20 a 50 centímetros de altura e cujas flores brancas, pequenas e abundantes são sustentadas por um caule glabro e muito ramificado. De um verde intenso, as folhas são lisas na página superior. O centro da flor, que mais parece um disco solar, exala um cheiro aromático, algo áspero, mas agradável e adocicado. Apesar de as suas propriedades serem bastante semelhantes às das outras camomilas, esta é a variedade mais eficaz. Podemos distingui-la devido a três características: as língulas brancas dos capítulos curvam-se para baixo no final da floração; o recetáculo é oco, cónico e desprovido de brácteas entre as flores; e as folhas são recortadas em finas lâminas. A macela, também conhecida por macelinha, macela-dourada, macela-galega, falsa camomila, camomila-romana ou camomila-inglesa, corresponde ao nome científico Anthemis nobilis. Vivaz e com caules prostrados ou eretos, mede entre 10 e 30 centímetros de altura, apresentando folhas verde-acinzentadas, que se dividem em lóbulos curtos e estreitos. O seu cheiro é penetrante e o sabor, mais amargo do que o da M. chamomilla. 105


des Constituintes e Proprieda

Entre os inúmeros constituintes da camomila, encontramos óleos essenciais, farnesina, alfabisabolol, cânfora, princípio gomo-resinoso, taninos, pigmentos falfunoicos, colina, glicósidos amargos, enxofre, fósforo, ferro, ácidos gordos, inositol, esterol, cumarinas, potássio, vitamina C e camazuleno. A camomila é utilizada para tratar uma grande variedade de sintomas, sobretudo aqueles que se relacionam com o sistema nervoso, nomeadamente as insónias ou a ansiedade, dado que a sua tisana possui uma ação sedativa. De facto, o seu efeito relaxante é extremamente útil para acalmar o nervosismo e a hiperatividade das crianças, que se intensificam quando elas estão com febre ou com problemas de dentição. Neste último caso, pode massajar-lhes as gengivas com algodão embebido numa infusão de camomila. Uma outra forma excelente de descontrair os bebés é juntar à água do banho uma forte tisana destas flores ou, em alternativa, apenas algumas gotas do seu óleo essencial, uma vez que é um dos mais caros à venda no mercado. Antiparasitária, anti-inflamatória e antiespasmódica, a camomila, ainda sob a forma de infusão, é benéfica no combate aos espasmos do aparelho digestivo, aos enjoos matinais, às indigestões, às cólicas, à gastrite, ao cólon irritável e à diarreia. Ajuda igualmente a aliviar os espasmos uterinos, sendo, por isso, eficaz no tratamento das dores menstruais, contra as quais deve tomar uma chávena de tisana três vezes ao dia. Diminui também as dores de cabeça pré-menstruais e as enxaquecas de origem nervosa. Contra as dores reumáticas e a gota, massaje as articulações com um óleo à base de amêndoas doces, ao qual adicionou umas gotas de óleo essencial de camomila. Sob a forma de compressas mornas, a camomila atenua a inflamação e a dor quando aplicada sobre o nervo ciático. Em uso externo, as suas compressas e pomadas possuem, além disso, uma ação curativa no caso 106


dos mamilos gretados, das queimaduras e dos eczemas. Antimicrobiana e antifúngica, esta planta é ainda recomendada no combate às manifestações do fungo Candida albicans. Contra o catarro, a asma e a febre dos fenos, recorra à camomila em inalações, que, ao mesmo tempo, irão ajudar a tratar a pele, limpando as impurezas e aliviando alguns casos de acne. Das flores da camomila-romana (A. nobilis) extrai-se um óleo essencial de cor azul, com fortes propriedades antisséticas e bastante benéfico no alívio da dor e na cicatrização das feridas. Desde a Antiguidade que era conhecido o poder da camomila de reduzir o cansaço e a inflamação dos olhos. Nestas situações, aplique sobre eles compressas embebidas numa infusão de camomila ou simplesmente limpe a vista com algodão embebido nessa mesma tisana. 107


No jardim ou na horta

A camomila-romana (A. nobilis) produz um efeito curativo nas outras plantas do jardim. Trata-se de uma excelente cultura para acompanhar as couves e as cebolas, dado que lhes melhora o desenvolvimento e o sabor. Porém, convém plantá-la de forma dispersa, aproximadamente de 45 em 45 metros. O trigo cultivado com a camomila na proporção de 100:1 cresce com maior vigor e espigas mais cheias. No entanto, em proporções mais elevadas, a camomila torna-se prejudicial em vez de benéfica. Quando reduzidos a pó, os capítulos da variedade M. matricarioides são extremamente úteis no combate a diversos tipos de traças. Por seu lado, a M. chamomilla repele moscas e mosquitos com uma eficácia igual à do piretro comercial. Além disso, a sua tisana em aspersão é usada contra as pulgas, podendo ser pulverizada na cama dos cães ou dos gatos ou rechear-se os seus colchões e almofadas com a planta fresca ou seca. A M. chamomilla é ainda eficaz contra o emurchecimento das plantas, sobretudo as de estufa, e capaz de controlar o apodrecimento resultante da humidade. Em pequenas quantidades, a camomila aumenta a produção do óleo essencial da hortelã-pimenta. E na agricultura biodinâmica, fazem-se preparados com a Matricaria que ajudam a vitalizar as outras plantas, estabilizando o azoto e regulando a fermentação do composto.

Culinária

Apesar de haver quem não goste do sabor da camomila, uma tisana arrefecida, depois de lhe terem sido acrescentados mel e limão, pode ser adicionada à salada de frutas, dado que lhe confere um sabor exótico e a torna mais digerível. 108


Nome comum:

CHICÓRIA

Nome científico:

Cichorium intybus L. Família:

Asteraceae (Compositae) Nomes vulgares:

almeirão e chicória-do-café Inglês:

chicory Francês:

chicorée sauvage e chicorée amère

As flores da chicória são o espelho do céu. É por isso que se diz que, ao contemplarmos o azul das suas pétalas, o olhar se acalma e o espírito se eleva.

História

Os antigos egípcios conheciam a chicória desde, pelo menos, o ano 4000 a.C. Além de a acrescentarem a saladas, utilizavam-na para combater problemas hepáticos e consideravam-na, por isso mesmo, uma «amiga do fígado», opinião mais tarde partilhada por Dioscórides e por Plínio. Na época dos faraós, misturava-se o sumo de chicória ou com óleo de rosas e vinagre para aliviar as dores de cabeça, ou com vinho para tratar as doenças da bexiga e do fígado. A partir do século xvii, a planta começou a ser cultivada nas hortas, surgindo algumas variedades, como as escarolas e as endívias, que, por serem menos amargas, eram também menos eficazes enquanto tónicos do fígado. Na Europa pré-industrial, era costume, na altura do parto, deitar as mulheres sobre uma subespécie mais rara, de flor branca, cujo suco leitoso e amargo servia para o tratamento dos mamilos durante o período de amamentação. 123


Descrição e Habitat

O nome francês do dente-de-leão, pissenlit, foi-lhe atribuído em virtude das suas propriedades diuréticas. Com a sua raiz forte, as folhas que se desenvolvem em forma de roseta, e as flores grandes e brilhantes, de perfume subtil e delicado, o taráxaco é a imagem perfeita de uma planta alpina. Apesar disso, é também encontrado em vales e em planícies. Extremamente resistente à poluição, consegue crescer em estado selvagem em quase todo o mundo e um pouco por todo o lado: nos prados e nos relvados, nas bermas das estradas e nos caminhos, nos terrenos incultos e nos jardins dos centros urbanos. Na França e na Alemanha, cultivam-no para fins medicinais. Trata-se de uma planta vivaz, que pode atingir entre 30 a 50 centímetros de altura. Apresenta folhas bacilares de recorte irregular, caules ocos, flores de um amarelo-dourado e uma raiz aprumada, cuja cor varia entre o branco e o amarelo-acastanhado. Todas as suas partes contêm um suco leitoso, que, na primavera, se concentra nas folhas e, no verão, sobretudo nas raízes. As sementes são leves, esvoaçantes e coroadas por um papilho. De acordo com o tipo de 138


paisagem, o solo, a estação, o clima ou a altitude, produzem-se inúmeras variantes da forma básica do dente-de-leão.

des Constituintes e Proprieda

Além de possuir taraxacina, responsável pelo seu sabor amargo, o dente-de-leão contém taninos, ácidos fenólicos, resina, inulina, cumarinas, inositol, carotenoides, açúcar, glicósidos, cálcio, ferro, magnésio, bastante potássio, sílica e ainda as vitaminas A, B e C. Na raiz, encontram-se também fibras solúveis. Depois dos excessos da época natalícia, trata-se de uma planta particularmente eficaz no processo de desintoxicação do fígado e de regeneração do organismo. As folhas verdes e tenras do dente-de-leão constituem uma boa fonte de betacaroteno, a vitamina A existente nos frutos amarelos e nos vegetais verdes. Segundo a American Cancer Society, uma dieta rica nestes alimentos poderá diminuir o risco de alguns tipos de cancro. A vitamina A tem a propriedade adicional de proteger os olhos. Igualmente fonte de cálcio, de ferro e de vitamina C, as folhas reforçam o esmalte dos dentes, são um potente diurético e, ao contrário de inúmeros diuréticos convencionais, não provocam a perda de potássio, uma vez que apresentam um alto teor deste mineral: cerca de 5%. Por ser um excelente diurético, o taráxaco reduz o volume de líquidos no organismo, sendo utilizado no tratamento do reumatismo, da gota, da arteriosclerose e da hipertensão. As suas infusões estimulam o fluxo da bílis, evitam a formação de cálculos e auxiliam a digestão, sobretudo das gorduras, constituindo um remédio suave contra a flatulência ou o mau funcionamento da vesícula biliar. A par de purificar o sangue e os tecidos, o dente-de-leão combate eficazmente as doenças de pele, as erupções cutâneas e as varizes, podendo ser consumido internamente sob a forma de tisana ou usado externamente em lavagens. A seiva leitosa dos pedúnculos serve para tratar as verrugas, ao passo que a raiz é um desintoxicante eficiente do fígado e da vesícula, promovendo a eliminação dos 139


Nome comum:

ESTEVA

Nome científico:

Cistus ladanifer L. Família:

Cistaceae Nomes vulgares:

xara Inglês:

rockrose Francês:

ciste porte-laudanum e ciste à gomme

O perfume doce a madeira e a terra da esteva transporta-me sempre para sul, para as paisagens mediterrânicas onde esta magnífica planta resiste ao calor do verão e impregna o ar quente com o seu aroma.

História

O nome científico cistus vem do antigo grego kiste e significa cesto, o que se explica pelo facto de os frutos da esteva serem cápsulas globosas com sete a dez compartimentos semelhantes a caixas. É quase impensável imaginar a paisagem mediterrânica sem esta planta, que cresce sobretudo nas matas densas do Centro e do Sul do país, embora também se encontre nas zonas quentes do interior das Beiras, do Douro e de Trás-os-Montes. 159


Nome comum:

FUMÁRIA

Nome científico:

Fumaria officinalis L. Família:

Papaveraceae Nomes vulgares:

canitor-béu-béu, catarinas-queimadas, erva-moleirinha, erva-pombinha, molarinha e, na Madeira, moleirinha; no Brasil, capnoida, fel-da-terra, fumo-da-terra e molarinha Inglês:

common fumitory e earth smoke Francês:

fumeterre

História

Embora seja nativa da Europa, a fumária cresce também em África, na Ásia e nas Américas. Pensa-se que a origem do seu nome possa estar relacionada com a cor das flores ou com a aparência das folhas. Apesar de ter hoje caído em desuso, esta planta era conhecida na Antiguidade em virtude das suas propriedades medicinais. Dioscórides, no século i, e Galeno, no século seguinte, mencionaram o seu uso no tratamento de problemas hepáticos. No século x, foi a vez de os 169


estames salientes com pequenas glândulas redondas na extremidade. O H. perforatum deve o perforatum da sua designação científica aos inúmeros pontos translúcidos que surgem nas suas folhas e flores quando olhadas a contraluz, pontos que não são mais do que glândulas de óleos essenciais altamente medicinais. O hipericão prefere solos soalheiros e bem drenados, crescendo em terrenos incultos, em bosques pouco densos, nas margens dos ribeiros, nas bermas de estradas e nos muros, locais em que se desenvolve em aglomerações de um amarelo extremamente luminoso. Também conhecido como erva-de-são-joão em Portugal, o H. perforatum distingue-se do hipericão-do-gerês (H. androsaemum), espécie que possui diferentes propriedades medicinais e que prefere as zonas húmidas do Minho, das Beiras e da Estremadura, sobretudo Sintra.

des Constituintes e Proprieda

Têm sido realizados inúmeros estudos acerca do hipericão e chegou-se à conclusão de que um dos seus constituintes, a hipericina, responsável pela pigmentação vermelha das flores, é fortemente antidepressiva e antiviral, estando inclusive a ser considerada a possibilidade de a planta ser usada no tratamento da SIDA. Não surpreende, por isso, que se recorra ao H. perforatum para combater não só diversos tipos de depressões nervosas, mas também a ansiedade, a inquietação, as insónias, a neuralgia, as enxaquecas e os esgotamentos nervosos. Composto igualmente por glicósidos, flavonoides, taninos, resina e óleos voláteis, o hipericão aumenta a vitalidade, combate as cólicas menstruais e alivia problemas decorrentes de alterações hormonais provocadas pela menopausa. Trata-se de um importante tónico do sistema nervoso e do fígado, que, por ser 181


183


Nome comum:

LINHO

Nome científico:

Linum usitatissimum L. Família:

Linaceae Nomes vulgares:

linho-galego, linho-de-inverno e linho-mourisco Inglês:

flax e linseed Francês:

lin cultivé

História

O linho foi uma das primeiras plantas no mundo a ser domesticada e cultivada. Foram os antigos mesopotâmios quem primeiro se dedicou à sua plantação por volta de 5000 a.C. Seguiram-se-lhes os egípcios, que se serviam dos tecidos de linho para envolver as múmias. No entanto, os responsáveis pela expansão do cultivo do Linum usitatissimum e pela sua propagação pelos outros povos europeus foram provavelmente os romanos. Estes usavam as sementes para fins terapêuticos e recorriam às fibras resistentes para fabricar tecidos. 189


Até ao século xix, isto é, antes da chegada do algodão, o linho era a planta mais utilizada na Europa. Quase todos os mosteiros medievais possuíam pequenas plantações nos seus jardins para consumo interno. As sementes serviam para combater várias doenças, mas eram sobretudo as fibras que tinham maior procura e aplicações: depois de fiadas e tecidas, eram usadas para manufaturar toalhas, guardanapos, sacos e os próprios hábitos dos monges, sendo também utilizadas no fabrico de cordas e de velas para os barcos. Ainda na Idade Média, os pintores substituíram uma parte do ovo, então presente na composição da têmpera, por óleo de linhaça cozido e decantado ao sol, o que veio acentuar o brilho das cores e facilitar o uso das tintas. O imperador Carlos Magno, por seu lado, acreditava que o consumo regular de sementes de linhaça mantinha a boa saúde e aconselhava os seus súbditos a incluí-las na alimentação. Aliás, a utilização das sementes do linho, a linhaça, é recomendada em diversos herbários antigos como cura eficaz para inúmeros males. 190


Descrição e Habitat

Planta anual que pode atingir um metro de altura, o linho (L. usitatissimum) apresenta um caule fino, ereto e esguio, bem como folhas lanceoladas, pequenas flores de um azul-celeste e sementes castanhas do tamanho de uma pulga. Nativo das zonas temperadas da Europa e da Ásia, é hoje plantado em quase todo o mundo. Em Portugal, embora seja mais comum no Norte, é cultivado um pouco por todo o lado e até a uma altitude de 800 metros. Em estado subespontâneo, pode ser encontrado tanto no continente como na Madeira. Apesar da enorme extensão do seu cultivo, o linho L. usitatissimum não suplantou ainda a espécie espontânea (L. angustifolium). De referir a existência de um linho de flores vermelhas (L. grandiflorum) e do linho-purgante (L. catharticum L.), uma variedade com minúsculas flores brancas. 191


usadas pelos monges para fins terapêuticos. Como planta ornamental, foi igualmente mandada plantar por Carlos Magno nos seus jardins imperiais. Além de figurarem na medicina tradicional chinesa, as sementes das malvas são conhecidas, em Portugal, pelo nome de queijinhos e consumidas pelas crianças nas suas brincadeiras. Têm um sabor refrescante e uma textura viscosa.

Descrição e Habitat

Embora seja considerada daninha e invasora, a malva pode, na realidade, constituir uma bonita planta de jardim. Em Portugal, cresce um pouco por todo o lado, desde o Minho ao Algarve, em caminhos, em terrenos baldios e até mesmo em lixeiras. Vivaz e com uma grande raiz aprumada, apresenta flores bilobadas de cinco pétalas. Estas exibem tonalidades de um cor de rosa forte ou lilás, que se escurecem nos veios. Da malva, podem utilizar-se as folhas, as flores, a raiz, os botões e as sementes. Por vezes, é confundida com parentes chegados, a lavatera e o malvaísco ou alteia, que possuem características e propriedades terapêuticas bastante semelhantes, embora sejam mais eficazes em alguns tratamentos das vias respiratórias, devido ao seu maior teor em mucilagem. 206


A alteia, por seu lado, é bastante utilizada no fabrico de xaropes e de rebuçados contra a tosse. O pó obtido a partir da sua raiz serve para confecionar marshmallows, uma espécie de goma branca ou cor de rosa, especialmente apreciada pelos ingleses e pelos norte-americanos.

No jardim ou na horta

Caso queira plantar malvas no seu jardim e tirar delas o melhor partido, escolha um local em pleno sol e um terreno arenoso e bem drenado.

Culinária

As folhas das malvas podem ser utilizadas e cozinhadas em sopas e em saladas, tal como se faz com o espinafre, as acelgas ou as couves. São particularmente 208


Nome comum:

PERVINCA

Nome científico:

Vinca spp. Família:

Apocynaceae Nomes vulgares:

vinca e congossa Inglês:

periwinkle Francês:

pervenche

História

Tal como grande parte das plantas, a pervinca encontra-se associada a histórias de bruxaria e de magia. Assim, no século iv ou v, o Herbarium de Pseudo Apuleio aconselha o uso da pervinca contra as doenças do diabo e as possessões demoníacas, bem como contra as serpentes e os animais selvagens. Não será por acaso que, no folclore britânico, a planta seja conhecida por devil´s joy (prazer do demónio) ou sorcerers’ violet (violeta das feiticeiras). De facto, ainda hoje, em algumas aldeias da Inglaterra e da Irlanda, se pendura um ramo de pervinca para dar boa sorte e proteger dos maus espíritos. Na Idade Média, a Vinca era considerada a flor dos poetas e dos feiticeiros, que dela se serviam na composição de filtros de amor. A sua contemplação era também recomendada com o objetivo de acalmar a vista cansada e de melhorar a memória. Mais tarde, em 1554, o botânico e médico naturopata italiano Pier Andrea Mattioli atribuiu à pervinca propriedades medicinais, indicando-a contra as hemorragias nasais. Além disso, acreditou-se, durante muitos anos, na eficácia da planta no que diz respeito ao tratamento de doenças pulmonares. Nas Caraíbas, as flores da Vinca rosea são usadas na medicina popular como loção ocular calmante e, nas Filipinas, como antidiabético. 241


Nome comum:

ROSA

Nome científico:

Rosa spp. Família:

Rosaceae Nomes vulgares:

ver texto Inglês:

rose (rose hip para o fruto) Francês:

rose (églantine para o fruto)

O interesse medicinal das rosas reside sobretudo no que fica depois de as suas pétalas desaparecerem: o botão, que, na realidade, não é um botão, mas antes um fruto chamado cinórrodo.

História

Os povos pré-históricos já recorriam aos cinórrodos, porque foram encontrados vestígios deste fruto em sítios arqueológicos da época. Seja pela sua aparência e fragrância ou pelo seu grande valor medicinal, as rosas começaram a ser cultivadas na Antiguidade por civilizações tão distintas, como a grega, a romana, a egípcia ou a persa. Eram, por exemplo, o ingrediente básico nos tratamentos de beleza de Cleópatra e a sua utilidade terapêutica foi cantada pelo poeta grego Anacreonte. Por seu lado, o médico e botânico romano Plínio, o Velho, enumerou trinta patologias passíveis de ser combatidas com remédios obtidos a partir das rosas. Ainda na Roma antiga, durante as Rosálias, festividades associadas a 249


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Fernanda Botelho Gostaria de que os meus livros fossem como varinhas de condão, capazes de abrir portas a uma relação mais íntima entre os leitores e o verde que nos rodeia. A partir da minha primeira agenda, publicada em 2010, germinaram anualmente seis edições, estando a sétima reservada para o tema da biodiversidade e das plantas medicinais. O adubo deste crescimento é o entusiasmo e a dedicação a uma causa: a ecologia. Estudei pedagogia Waldorf e os anos passados na companhia dos mais pequenos inspiraram os livros infantis Salada de Flores, Sementes à Solta e Hortas Aromáticas. A partilha de workshops e de passeios botânicos com adultos ajudou-me a criar um guia prático de remédios caseiros: As Plantas e a Saúde. Tive uma rubrica no Rádio Clube de Sintra e, em 2015, fui colaboradora regular da RTP1. Percorro o país para compartilhar a paixão pelas plantas que me corre nas veias. Amo, respeito e preservo a Terra. E sei que sou Terra, sempre fui assim e não sei ser de outra forma.

Este livro não é apenas um guia prático e transpõe também as fronteiras que limitam os manuais técnicos. É verdade que identifica os constituintes químicos, bem como as propriedades e aplicações medicinais de 55 plantas, mas vai mais além, porque as quer retratar a partir de todas as perspetivas e em todos os contextos. Assim, a par de conselhos de cultivo e curiosidades botânicas, são-nos revelados os usos possíveis das várias espécies ao nível da culinária, da cosmética ou da tinturaria. Ao mesmo tempo, descobrimos o seu impacto cultural: as marcas que imprimiram na história dos homens, os mitos e as lendas de que são protagonistas. As imagens a cores, por sua vez, despertam-nos o olhar para as subtilezas presentes numa folha de milefólio em contraluz ou para os pormenores de um botão de esteva prestes a desabrochar. E, página a página, de uma forma quase íntima, aproximamo-nos de 55 plantas aqui unidas por um atributo comum: o facto de crescerem espontaneamente em Portugal. Com o apoio de:

de plantas que curam

Uma mão cheia De plantas que curam

Nasci e cresci em comunhão com a natureza, entre o azul do mar e o verde das árvores. Sou menina da aldeia com rastos de viagens pelo caminho, viagens internas e externas entre o reino das plantas, o Reino Unido e um reino interior habitado por sonhos. No decorrer dos meus dias, a felicidade é um dever e a gratidão, uma constante.

Uma mão cheia

55 espécies espontâneas em Portugal

Fernanda Botelho

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