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e professor de budismo da Terra Pura, Kentetsu Takamori decidiu dedicar a sua vida à transmissão dos ensinamentos de Shinran

«(…) é preciso refletir sobre os resultados que colhemos, pois são os frutos das sementes que plantámos. A semente que não é plantada nunca germinará.»

(1173-1263), o fundador do budismo shin. Para esse efeito, percorre todo o mundo há mais de meio século, realizando palestras e assinando diversos livros, que, além de terem transformado milhões de leitores, obtiveram também um enorme êxito a nível de vendas. Quando não está com a sua mulher e o seu cão numa pequena cidade japonesa.

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Sementes do coração Aqui está o segredo da sua força

Como alcançar a moderação? Onde concentrar as energias? É preciso enfrentar a realidade sem medo, bem como os problemas e os obstáculos que o quotidiano nos coloca. Kentetsu

Kentetsu Takamori

Takamori apresenta-nos histórias e pensamentos sobre o modo como nos devemos relacionar com os outros e connosco. A humildade, a gratidão, a honestidade e a brevidade da vida são alguns dos temas abordados nos 96 textos que compõem esta obra.

Kentetsu Takamori

em viagem, Takamori vive

Uma jornada de introspeção e de aperfeiçoamento, este livro dar-lhe-á a oportunidade de conhecer histórias que o podem ajudar a superar os obstáculos quotidianos rumo à felicidade. A chave encontra-se na sabedoria no momento da escolha dos caminhos. E a chave encontra-se dentro de si. Basta saber olhar.

Sementes do coração

Nascido em 1929

Cada leitura traz consigo uma pequena semente de reflexão. Cultivar-se a si próprio é o primeiro passo para conquistar o equilíbrio e a sabedoria, um objetivo ao alcance de todos.

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Sementes do coração Aqui está o segredo da sua força

Kentetsu Takamori

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Publicados originalmente em japonês pela Editora Ichimannendo, os textos reunidos na presente edição provêm das obras Hikari ni mukatte hyakunijusan no kokoro no tane e Hikari ni mukatte kokotiyoi kajitsu. Copyright © Kentetsu Takamori Título: Sementes do Coração – Aqui está o segredo da sua força Autor: Kentetsu Takamori Ilustrações: Omar Sánchez Tradução: José Rubens Siqueira e Alice Marsh Adaptação: Nuno Miguel Marques Paginação: Mário Félix – Artes Gráficas Impressão e acabamento: ACDPRINT ISBN: 978-972-576-628-6 Depósito legal n.º 367199/13 1.ª edição: novembro de 2013 Todos os direitos reservados para Portugal por Dinalivro Rua João Ortigão Ramos, n.º 17-A 1500-362 Lisboa | Portugal Telefone: 00351 217 107 081 Fax: 00351 217 153 774 E-mail: editora@dinalivroedicoes.com e info@dinalivro.com Visite-nos no Facebook https://www.facebook.com/Dinalivro https://www.facebook.com/DinalivroEdicoes

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Índice

Prefácio 13

13.  A contradição fundamental 38

1. Descanso 16

14. Sorriso 39

2. Gratidão 17

15.  Dar ouvidos 40

3. Brevidade 18

16.  Cultivar-se a si próprio 42

4. Enigma 19

17. Ganância 43

5. Obrigado 24

18.  Pérolas aos porcos 45

6. Verdade 25

19.  Refletir 52

7.  A semente plantada 27

20. Na vida tudo deve

8.  O pombo 28

ser moderado 53

9. Presunção 31

21. Pare! 56

10. Amanhã 32

22. Comprar 57

11.  O sentido de «comer» 33

23.  O verdadeiro sabor 59

12.  Sempre depois da

24.  Passagem só de ida 60

meia-noite 35

25.  Pressa com calma 63

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26. Canção popular da região de Sado 64

33.  A presunção é um perigo 76 34.  Teste de honestidade 77

27.  Quem planta colhe 66

35.  Ir de encontro 81

28. Outono 67

36.  Viver um dia 82

29. O feriado que recebo

37. Perceber 83

de Buda 70 30.  «Matar Ma Su derramando lágrimas» 71 31.  Nem tanto ao mar, nem tanto à terra 74 32. Túnel 75

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38. Memória dos tempos de estudante 85 39. Mal-entendido 88 40.  Caminho árduo 89 41.  O assassino salva-se 90 42.  A gratidão da cobra 94

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43.  O grande trabalho 97

54.  Fácil e difícil 115

44.  As calças desabotoadas 98

55.  A melhor herança 116

45.  O caminho mais curto 100 56. Êxito 119 46. Elo 101

57.  O grande erro 120

47. Pedido 102

58. Suspeita 125

48.  Ninguém me roubou 103

59.  Decisão e firmeza 126

49.  A ganância é assustadora 107 60. Alívio 127 50.  A limpeza 108

61.  A palavra da mãe 128

51.  O momento certo 109

62. Desejo 131

52.  Padrão de medida 110

63. Autodestruição 132

53.  Os dois barcos 111

64.  A água toda 133

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65.  Os frutos 137

73.  Tolerância e severidade 148

66.  Lutar contra si próprio 138 74.  Ah... Então foi isso! 149 75. Questionar 152 67.  Amor frustrado 139 68. Nem tudo é como queremos 140 69. Razões 143

76.  Repreender o filho 153 77. Quem desdenha o pequeno perde o grande 154

70.  Esforço inútil 145

78. Caminho 157

71.  Tesouro supremo 146

79.  O que não consta no

72.  Heisei (alcançar a paz) 147

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roteiro 158

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80.  Os sentimentos

88.  Tesouro invisível 174

dos outros 159

89.  Sorte e desgraça 175

81.  Uma prece 160

90.  Semear e brotar 178

82.  Flor de glicínia 165

91.  O fruto maravilhoso 179

83.  A verdade é solene 166

92.  Potes quebrados 181

84. Paciência 167

93.  O vento 184

85.  A fortaleza 168

94.  Conhecer o invisível 185

86.  A chave secreta 172

95. Porquê? 187

87.  Elo com Buda 173

96. Acreditar 188

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18 • Sementes do coração

3. Brevidade

Nesta vida, todos os elos duram pouco. Somos marido e mulher, pais e filhos, por um período curto. Quando tomamos consciência desta brevidade, o elo de cada instante transforma-se num tesouro.

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Kentetsu Takamori

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9. Presunção

A presunção é a maior causa do fracasso. Quando alguém recebe uma promoção, ao ficar rico, olha com desdém aqueles que estão abaixo dele. Vaidoso, pensa: «eu sou o melhor.» Porém, «quanto mais madura a espiga de arroz, mais ela se curva.» Quanto mais alta a posição que alguém ocupa, maior deve ser a sua humildade. Quanto mais rico um homem se torna, mais deve portar-se como uma «espiga de arroz.» Nunca é de mais dizer a si mesmo: «não sejas presunçoso!»

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Kentetsu Takamori

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17. Ganância

Não há pior inimigo do que o hábito de bajular os ricos e desdenhar os pobres. Escreva um bilhete de agradecimento a quem lhe manda uma caixa de frutas, mas tenha o cuidado ainda maior de agradecer a quem lhe oferece apenas uma fruta.

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Kentetsu Takamori

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28. Outono

Um homem procurou um monge famoso, curvou-se respeitosamente diante dele e disse: «sou médico. Depois de perder a minha mulher, só me acontecem coisas más. A minha vida ficou insuportável. Quero tornar-me monge e purificar a minha mente. Por favor, aceite-me como seu discípulo.» «A sua intenção é nobre», respondeu o velho monge, «mas não estou em posição de aceitar discípulos.» «Soube que o senhor é um monge de muita virtude. Por favor, permita-me ser seu discípulo.» A determinação do médico era firme e inabalável. Depois de uma pausa, o velho monge, sereno, perguntou: «promete fazer exatamente o que eu lhe mandar?» «Sim. Obedecerei incondicionalmente.»

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68 • Sementes do coração «Muito bem. Então pegue numa vassoura e comece a varrer o quintal.» Era final de outono. A chuva caía silenciosamente, batia nas árvores, lançava as folhas secas para o chão. O médico varria e varria. Estava encharcado, mas não se distraía do trabalho. Olhando para o médico que continuava a varrer, o velho monge não dava nenhum sinal de que fosse mandá-lo parar. «Devo continuar a varrer?», perguntou o médico. «Ainda não percebeu?», indagou o monge com severidade. «Do que é que será que ele está a falar?», sussurrou o médico. Por mais que pensasse, não conseguia entender o que ainda não havia percebido. Escureceu e a chuva foi ficando cada vez mais forte. Por fim, exausto, o médico ajoelhou-se diante do monge e respeitosamente pediu explicações. «Ouça», disse o monge. «Está a varrer sem parar e o que é que acontece? As folhas continuam a cair e o chão nunca fica limpo. Tornar-se monge para purificar a mente

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Kentetsu Takamori

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é igual. Por mais que tente acabar com a poeira das paixões mundanas, elas nunca se esgotarão. Em vez de ser monge, por que não se dedica ao trabalho de salvar as pessoas pela medicina, com a mesma determinação com que quis abandonar a vida mundana?» Os olhos do homem abriram-se para a verdade: tornou-se um médico de renome, louvado e respeitado por todos como uma pessoa muito caridosa. Há coisas possíveis e impossíveis de fazer. Quem nunca tentar jamais saberá nem uma coisa nem outra. Só com empenho e afinco é possível saber do que somos capazes. Sentir-se incapaz de fazer algo possível é negligência. Encarar a realidade e admitir a incapacidade de fazer uma coisa que é realmente impossível: isso é ser sábio e perspicaz.

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Kentetsu Takamori

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32. Túnel

Cavar um túnel é um trabalho imenso. E passamos por ele com a maior facilidade.

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Kentetsu Takamori

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48. Ninguém me roubou

No século

xix,

na cidade japonesa de Hakata, o templo

Mangyo era chefiado pelo monge Shitiri Godjun, conhecido por ser um homem de grande virtude. Certa noite, um ladrão invadiu o templo e ameaçou-o com um punhal: «passe para cá o dinheiro!» Sem perder a calma, o monge fitou o ladrão, que gritou, alarmado: «dê-me o dinheiro, senão mato-o!» «O dinheiro está no cofre», respondeu o mestre calmamente. De imediato, o ladrão apoderou-se do cofre e virou-se para sair. «Espere!» «O que foi?», perguntou o ladrão, ameaçador.

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104 • Sementes do coração O mestre disse gentilmente: «na verdade, esse dinheiro pertence a Buda. Vá até ao salão principal e agradeça-lhe antes de se ir embora.» O ladrão obedeceu docilmente: foi ao salão principal, juntou as mãos diante de Buda e foi-se embora. A virtude do monge fez o ladrão agir com cortesia. Dias depois, o mestre foi chamado à polícia. Tinham prendido o ladrão. «Se o senhor foi roubado, devia ter apresentado queixa.» «Não, não me lembro de ter sido roubado.» «O senhor pode dizer que não se lembra, mas o ladrão confessou o roubo.» «Deve ser engano. De facto, certa noite uma pessoa foi ao templo pedir dinheiro. Entreguei o dinheiro e disse-lhe para agradecer a Buda. Não foi um roubo», respondeu alegremente o mestre ao severo interrogatório policial. Tempos depois, o mestre foi informado de que o ladrão tinha cumprido a sua sentença e seria libertado da prisão. E pensou: «devo ter uma ligação com este homem. Estava justamente a precisar de alguém para cuidar das finanças do templo. Vou contratá-lo.»

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Kentetsu Takamori

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O homem ficou tão emocionado que se regenerou completamente e durante o resto da sua vida nunca mais cometeu um único erro.

Se somos pais e filhos, marido e mulher, irmãos ou amigos neste mundo onde vivem bilhões de pessoas, é porque existe um elo muito profundo entre nós. Pessoas de vários lugares encontram-se, apanham o mesmo barco e navegam juntas. Quando chegam à outra margem do rio, espalham-se e cada uma segue o seu rumo. Muitos pássaros pousam numa mesma árvore para passar a noite. Na manhã seguinte, cada um voa para o seu canto à procura de alimento. Se tomarmos consciência de que estamos juntos por uma noite apenas ou só até chegarmos à outra margem, seremos capazes de sentir afeição mesmo por aqueles de quem não gostamos.

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140 • Sementes do coração

68. Nem tudo é como queremos

A mãe chamou a filha e disse-lhe: «querida, está na hora de te casares. Dois homens pediram a tua mão.» A menina ficou corada. «Um dos pretendentes é muito rico, mas não é bonito», continuou a mãe. «O outro é extremamente vistoso, mas não tem um cêntimo. A vida é tua; por isso, quem deve escolher és tu. Pensa bem e depois diz-me qual foi a tua decisão.» A mãe mostrou à filha fotografias dos dois pretendentes. A rapariga olhava timidamente para uma e para outra, sem nada dizer. «Vejo que é difícil revelares-me quem escolheste. Vamos fazer o seguinte: vou ficar de costas e, enquanto não

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Kentetsu Takamori

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e­ stiver a olhar, despes um ombro do quimono. Se te quiseres casar com o homem rico, despe o lado direito; se escolheres o homem bonito, o lado esquerdo.» A mãe voltou-se e esperou uns minutos: «estás pronta?», perguntou. Quando se virou, a filha tinha despido ambos os ombros do quimono. «O que é isto?», perguntou a mãe. A filha explicou: «quero o marido rico durante o dia e o marido bonito à noite.»

A autoria desta história atribui-se a Esopo. Um homem de meia-idade apaixonou-se por duas mulheres. Uma delas era bem mais nova do que ele e a outra, muitos anos mais velha. A primeira queria que o homem parecesse jovem. Por isso, todas as noites, depois do jantar, fazia do colo uma almofada para lhe arrancar os cabelos brancos. A mulher mais velha não queria que ele parecesse jovem. Assim, todos os dias, após o pequeno-almoço, arrancava-lhe cuidadosamente os cabelos pretos. Não tardou a que o homem ficasse totalmente careca.

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142 • Sementes do coração Moral da história: «quem cede a todos acaba sem nada para ceder.»

Na vida, os casais ricos muitas vezes não têm filhos. Por mais que se esforcem, não conseguem conceber uma criança. Outros têm muitos filhos, mas dinheiro nenhum, e por mais que trabalhem não conseguem poupar sequer um cêntimo. Alguns têm o rosto bonito, mas são baixos e, por mais exercícios que façam, não conseguem aumentar a estatura. Outros têm um corpo elegante, são altos, esbeltos; no entanto, o rosto deixa muito a desejar. Não há cirurgia plástica capaz de os ajudar. Na vida, dificilmente as coisas são como queremos.

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Kentetsu Takamori

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72. Heisei (alcançar a paz)

A guerra não começa com os que dizem: «odeio a paz.» Quem mata e começa a guerra é sempre quem reivindica a paz com grande ênfase. É o que a história nos ensina.

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Kentetsu Takamori

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82. Flor de glicínia

Quanto mais a flor de glicínia se curva, mais as pessoas olham para cima para admirar a sua beleza. Quanto mais humilde for uma pessoa, mais respeito ela cativa. Porém, curvar-se com humildade só para obter respeito é desprezível.

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e professor de budismo da Terra Pura, Kentetsu Takamori decidiu dedicar a sua vida à transmissão dos ensinamentos de Shinran

«(…) é preciso refletir sobre os resultados que colhemos, pois são os frutos das sementes que plantámos. A semente que não é plantada nunca germinará.»

(1173-1263), o fundador do budismo shin. Para esse efeito, percorre todo o mundo há mais de meio século, realizando palestras e assinando diversos livros, que, além de terem transformado milhões de leitores, obtiveram também um enorme êxito a nível de vendas. Quando não está com a sua mulher e o seu cão numa pequena cidade japonesa.

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Sementes do coração Aqui está o segredo da sua força

Como alcançar a moderação? Onde concentrar as energias? É preciso enfrentar a realidade sem medo, bem como os problemas e os obstáculos que o quotidiano nos coloca. Kentetsu

Kentetsu Takamori

Takamori apresenta-nos histórias e pensamentos sobre o modo como nos devemos relacionar com os outros e connosco. A humildade, a gratidão, a honestidade e a brevidade da vida são alguns dos temas abordados nos 96 textos que compõem esta obra.

Kentetsu Takamori

em viagem, Takamori vive

Uma jornada de introspeção e de aperfeiçoamento, este livro dar-lhe-á a oportunidade de conhecer histórias que o podem ajudar a superar os obstáculos quotidianos rumo à felicidade. A chave encontra-se na sabedoria no momento da escolha dos caminhos. E a chave encontra-se dentro de si. Basta saber olhar.

Sementes do coração

Nascido em 1929

Cada leitura traz consigo uma pequena semente de reflexão. Cultivar-se a si próprio é o primeiro passo para conquistar o equilíbrio e a sabedoria, um objetivo ao alcance de todos.

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