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20 de maio de 2014

Faculdade de Jornalismo - Puc Campinas

IAC detectou risco de seca em São Paulo há 14 anos

Divulgação

Desde 2006

Problema em abastecimento de água para a população é causado pela falta de ações por parte das autoridades responsáveis pelos recursos hídricos do Estado, recomendadas por estudo do Instituto Agronômico de Campinas. Pág. 4

Foto: Evandro Fullin

O fim de um ícone de gerações A Kombi foi um dos símbolos do movimento Flower Power. A Volkswagen, fabricante do modelo anunciou o fim de sua produção. A campanha publicitária de despedida da Kombi emocionou muitas pessoas, desde antigos donos até mesmo quem nunca teve a oportunidade de andar em uma. Entrevistamos algumas pessoas com histórias de ligação íntima com o veículo. Pág. 6

Novos leitos para queimados no Irmãos Penteado não suprem demanda local

Síndrome que causa abortos, descrita na década de 80, continua ignorada

Nova ala contará com doze leitos segundo a Secretaria de Saúde. Para a Organização Mundial de Saúde são necessárias trinta e oito acomodações.

Doença que afeta a mulheres durante a gestação e impede chegada de nutrientes aos fetos durante o desenvolvimento é pouco conhecida pela população e até mesmo por médicos.

Pág. 3

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Entrevista com Nasi, o vocalista da banda IRA!

Arte: Divulgação

Foto: Divulgação

Virada Cultural na Região Saiba quais as melhores atrações do evento para os próximos finais de semana. De nomes consagrados nacionalmente como Baby do Brasil , Ultraje a Rigor e Criolo, passando por bandas locais e até mesmo atrações internacionais. Pág. 8

Cineasta centenário filma “Velho do Restelo” O português Manoel de Oliveira conseguiu apoio para realizar a versão cinematográfica do episódio de “Os Lusíadas”. A finalização da filmagem do trecho da obra de Camões está prevista para agosto. Pág. 8

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Acervo/Museu Militar de Lisboa


Editorial

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CRÔNICA

RÁPIDAS Campanha do Agasalho 2014 acontece em Campinas A arrecadação de peças para a Campanha do Agasalho 2014 acontece até o dia 10 de junho. Os itens para doação podem ser deixados em uma das caixas identificadas com o logotipo de campanha instaladas em 200 pontos espalhados

pela cidade. O material arrecadado será encaminhado para serviços de acolhimento que compõem a rede socioassistencial do município. A lista com os endereços e postos de arrecadação está disponível no Portal da Prefeitura.

Artistas expõem em 6° Encontro das Artes de Vinhedo Foto: Fernanda Farrenkiof

Até o dia 30 de maio, 64 artistas de Vinhedo expõem 138 trabalhos no Centro Cultural Engenheiro Guerino Mario Pescani, no Centro, em Vinhedo. São expostos trabalhos de escultura, desenho, pintura, fotografia, instalação, tecelagem, mosaico e artesanato. As obras que se destacarem, de acordo com a Comissão Organizadora, também serão expostas no Salão de Artes Visuais – SAV 2014, em agosto. A entrada para o 6° EnObras de Fernanda Farrenkopf contro das Artes é gratuita.

Campinas irá abrir 531 vagas em concurso público A Prefeitura de Campinas anunciou no último dia 10, que o prefeito Jonas Donizette autorizou a realização de um concurso público que oferecerá 531 vagas para diversas áreas da Administração municipal. O processo está em fase de escolha e contratação

de empresa, mas a previsão é que o concurso aconteça ainda no primeiro semestre de 2014. As vagas oferecidas serão para cargos das áreas de saúde, educação, meio ambiente, cultura e infraestrutura. Em breve, a prefeitura divulgará novas informações.

Convenção de Tatuagem acontece no início de junho

De 6 a 8 de junho acontece a Expo Tattoo, no Jardim Guarani, em Campinas. A convenção tem como objetivo a divulgação da arte, informa-

ção, prevenção, conhecimento e cultura do ramo da tatuagem e body piercing. Mais informações no site www. tattoormc.jimdo.com.br

Expediente Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas. Centro de Comunicação e Linguagem (CLC): Diretor: Rogério Bazi; Diretora-Adjunta: Cláudia de Cillo; Diretor da Faculdade: Lindolfo Alexandre de Souza. Tiragem: 2 mil. Impressão: Gráfica e Editora Z Professor responsável: Luiz Roberto Saviani (Mtb 13.254). Edição:André Barretto e Fernanda Farrenkopf Edição de capa: André Barretto e Fernanda Farrenkopf Diagramação: André Barretto e Fernanda Farrenkopf

A cantada infalível Ana Vitória Benoti Estudante de Jornalismo

Se você é mulher e já caminhou pelo centro de Campinas, certamente irá se identificar. Andar por aquelas ruas virou sinônimo de indignação. Cinco vezes por semana faço o mesmo caminho e conto nos dedos às vezes que não recebi comentários indelicados de homens que ali passavam. E fazendo uma pesquisa rápida entre as mulheres campineiras que conheço, percebi que não estou sozinha nessa. A cena se repete, e muito! E ao contrário do que a maioria da população brasileira acredita, a roupa pouco influência. Você pode estar com o corpo todo coberto ou então com os sinais de cansaço depois de um dia de trabalho. Faça o teste. Só caminhar alguns metros, que olhos sedentos juntamente com as expressões já conhecidas irão te seguir. Não vou generalizar. Existem homens que nos tratam com respeito, não pela diferença de gênero, mas como condição intrínseca a qualquer ser humano. Estes sim merecem minha gentileza. Infelizmente não são todos. A situação chegou a tal ponto, que campanhas contra o assédio sexual em locais públicos foram lançadas, como por exemplo, a Chega de FiuFiu, que teve ampla repercussão na internet, criada pela jornalista Juliana de Faria. Mas em uma sociedade ainda dominada por pensamentos machistas, até quando este tipo de comportamento será assimilado com a cantada infalível? Dessa maneira, o único sentimento que despertam é o desprezo e a aversão. A verdade é que homens como estes, que consideram “essa lá na minha cama” como um grande elogio, nunca saberão como conquistar verdadeiramente uma mulher!

ARTIGO

O juízo final seriam as redes sociais? Bianca de Paula Estudante de Jornalismo

Religiosa, dona de casa, mãe de duas filhas, esposa de um porteiro , Fabiane Maria de Jesus foi espancada até a morte no dia 2 de maio deste ano no Guarujá. Tudo aconteceu após um boato em uma página na rede social. Um retrato falado postado no Facebook trazia traços de uma suposta mulher que estaria sequestrando crianças no bairro do Morrinhos (SP) para usá-las em rituais de magia negra. Por alguns traços similares ao retrato falado, enquanto caminhava com uma bíblia na mão, Fabiane foi amarrada e espancada por um grupo de pessoas. Não resistiu aos ferimentos, faleceu no Hospital Santo Amaro. Será que já somos todos personagens do “Auto da barca do inferno”? A justiça passará a ser feita com as próprias mãos? E o direito de se defender? E o momento para o esclarecimento? O que te faz melhor do que o outro para julgá-lo e sacrificá-lo? Uma página nas redes sociais com mais de 50 mil curtidas e com 115 compartilhamentos de um simples boato levou a esta fatalidade e, infelizmente, este caso somente preencherá mais uma lacuna dos 22 casos de linchamentos, segundo o G1, que já ocorreram este ano no Brasil.


Saúde

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Apesar de novos leitos, vagas para queimados são insuficientes O Hospital Irmãos Penteado recebe ala para atendimento especializado no segundo semestre

Luana Mestre''

“Por ter um orçamento muito rico e ser sede de uma região metropolitana e de duas universidades com curso de medicina estruturada e tradicional, Campinas tem uma necessidade maior de leitos para queimados”, afirmou o Presidente do Conselho Municipal da Saúde, Paulo Tavares Mariante. Segundo a Secretaria

Com

470

m²,

ala

do

de Saúde, o hospital terá 12 leitos. “O projeto, porém, está sendo elaborado para a instalação de 20”, observou o assessor de imprensa da Santa Casa de Misericórdia de Campinas, Ângelo Barioni. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o número de leitos para atendimento de queimados ideal é de um a cada

Foto: Luana Mestre

hospital

ainda

é

carente.

30 mil habitantes. A cidade de Campinas possui, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estimativa (IBGE), população estimada em 1.144.862 milhão. Para suprir a demanda da cidade, eram necessários 38 leitos. “Até pelos critérios da OMS, há defasagem. Campinas tem polo industrial, os riscos são altos”, destacou Mariante, para o qual, até a questão da epidemia de dengue – que demanda mais leitos na cidade - deve ser considerada. Para o coordenador do setor de Queimados, Dr. Flavio Nadruz Novaes, o número de leitos é apropriado. “Você não pode construir uma unidade pensando no World Trade Center ou no Edifício Joelma. Você constrói para o cotidiano, e, para o cotidiano é suficiente”, avaliou. Mariante, no entanto, classifica o déficit como pro-

blemas de planejamento. ”Há rável”, classificou Mariante. situações que pegam a saúde A instalação da ala dede surpresa. É inadmissível pende da parceria com a que isso aconteça”, destacou o iniciativa privada. “O invesPresidente do Conselho Mu n i c i p a l da Saúde, admitindo, Tavares Mariante porém, que estimativas são “difíceis”. timento proposto é de R$3 Enquanto a ala não é ins- 100 000,00 entre reforma talada, as vítimas de quei- de área física e equipamenmadura são transferidas. “A to, destacou o Dr. Novaes, referência mais próxima é segundo o qual o tempo de Limeira, distante cerca de 60 reforma pode durar aproxiKm”, informou o coordena- madamente 100 dias, depois dor do setor de queimados, de firmados todos os conDr. Flavio Nadruz Novaes. vênios. “A proposta foi a de A reclamação principal da constituir um grupo apoiapopulação, que chegou ao dor que teve no Aeroporto conhecimento do Conse- de Viracopos seu primeiro lho da Saúde, se relaciona às parceiro. Já temos algumas condições de transporte. “Se outras empresas confirmadas a pessoa vai ser atendida em como a Petrobrás, SANALimeira, ela precisa de deslo- SA, CPFL e o grupo G2O. camento pra lá! E qual a con- Ainda estão em andamento dição do SAMU hoje? Deplo- outros parceiros”, completou.

“ Até pelos critérios da OMS há defasagem ”

Doença pouco conhecida causa abortos com frequência

Entenda a Síndrome do Anticorpo Antifosfolípede que pode levar gestantes a perderem bebês Letícia Quatel

Arte: Fernanda Farrenkopf | Fonte: SRRJ (Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro)

O aborto espontâneo é motivo de trauma na vida de muitas mulheres. Patrícia França , 32 anos, e Paula Ferreira, 25 anos, não se conhecem, mas compartilham dessa dor. Vários fatores podem levar a perda fetal, inclusive causas naturais, mas, deve ser investigado com cautela junto a um profissional. “Os médicos acham normal ter três perdas. Ninguém merece passar por nenhum aborto para começar a investigar”, desabafa Patrícia. A analista de seguros Paula passou pela mesma situação. “Perdi meu bebê na virada do ano em casa. Este fato trágico foi o impulso para eu descobrir o que tinha, encontrei nos fóruns de internet”, revelou.

Patrícia e Paula são pacientes de uma doença chamada Síndrome do Anticorpo Antifosfolípede (SAF), um problema crônico, descrito na década de 80, que afeta homens e mulheres. Na SAF, ou ainda, Síndrome de Hughes, o organismo produz anticorpos que afetam a coagulação sanguínea causando trombofilia, elevando o risco de tromboses. No caso da gravidez, essa trombofilia acontece na placenta, órgão respon-

feto se desenvolva causando o aborto ou nascimento prematuro se não for tratada de forma adequada com uso de coagulantes prescrito e com acompanhamento médico. ”A gestante com SAAF sem outras conformidades, pode perfeitamente ter filhos à termo, saudáveis e com peso adequado se forem bem conduzidas no pré-natal.”, explica Octavio de Oliveira Santos Filho, gestor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital e Maternidade Celso Pierro da PUC-Campinas Filho No entanto, o problema grave, é pouco conhecido “Eu não fazia ideia do que era e nem meus familiares” afirma Patrícia, que também aponta a falta de preparo dos mé-

“ É inadmissível que o médico obstetra não tenha ciência ” Dr. Octavio sável por levar nutrientes ao feto, desta forma, este entupimento no órgão faz com que diminua a passagem dos nutrientes para o bebê, impedindo, portanto, que o

Detalhando a Síndrome O que é: Doença crônica na qual o organismo produz anticorpos que afetam a coagulação, o que leva a eventos trombóticos, ou seja, obstrução dos vasos. Causa: Não foi detectado o que leva a produção de anticorpos que interferem a coagulação, mas existem fatores genéticos de pré-disposição que podem desencadear a SAF. Sintomas: Baixo número de plaquetas, manchas na pele, insuficiência cardíaca, embolia pulmonar e trombose venosa profunda podem ser sinais de SAF Tratamento: Medicamentos que agem como anticoagulantes - (Enoxaparina) e antiagregante plaquetário (Ácido Acetil Salicílico). Não tem cura. dicos com a doença “É bem evidente e preocupante o despreparo de alguns médicos. Já tive inúmeras vezes que explicar ao médico o que era o meu problema.”, explica a analista de seguros que também já fora desaconselhada a engravidar. “A doença não é frequente, entretanto, é inadmissível que o médico obstetra não tenha ciência ou não sai-

ba orientar suas pacientes. Existem protocolos de conduta disponíveis para isto. Tem casos de associação de SAF com outros fatores hereditários que criam situações particulares, raras, que temos que orientar, e por vezes desaconselhar à gravidez. Porém, a decisão de correr o risco deve ser sempre do casal.”, esclarece o ginecologista.


Seca

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Falta de água em SP deveria ter sido evitada, diz Agronômico

A seca que atinge o estado de São Paulo neste ano já era esperada pelo IAC desde 2000 Jessica Fontoura

Segundo o pesquisador responsável pela rede meteorológica do IAC, Orivaldo Brunini, a seca na região sudeste é uma das consequências de um fenômeno de variação climática detectado há anos na região, mas o manejo hídrico e as ações para garantir a água deveriam ter sido feitas naquela época. “Há dez anos nós acompanhamos o clima e divulgamos as informações, inclusive em janeiro deste ano, mas não houve o uso adequado desses dados pelos órgãos responsáveis pelos recursos hídricos do Estado,” afirma. No ano 2000, a rede meteorológica do instituto detectou a queda do total de chuvas em São Paulo que seguiria por cerca de dez anos. O fenômeno conhecido como variação decadal climática, que ocorre a cada dez anos, é responsável pela diminuição das temperaturas e por maiores períodos de estiagem intensa – exatamente o que tem acontecido no Estado este ano. O especialista afirma ainda que a seca no estado também tem efeitos na agricultura. Em estudos desenvolvidos no próprio instituto, culturas como café e cana-de-açúcar devem apresentar perda da produtividade. “Estimamos a redução na produtividade do café e da cana devido ao atraso de plantio nos meses de janeiro

“ Se

dos recursos hídricos do Estado de São Paulo, foi procurado para comentar o assunto, mas não se pronunciou até o fechamento da reportagem. A rede meteorológica do Instituto Agronômico de Campinas existe desde 1890 e tem atualmente 150 estações distribuídas nos municípios do estado de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. O monitoramento de fatores como chuva, temperatura, vento, umidade e radiação solar são atualizados a cada 20 minutos e ficam disponíveis no site do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (ciiagro. org.br), considerado referência pela Organização Mundial da Meteorologia. Especialista prevê caos no abastecimento O Sistema Cantareira, principal reservatório de água de parte da região metropolitana de São Paulo, bateu no início deste mês recorde negativo de 8,9%. Essa é a primeira vez que o sistema opera com menos de 10% da capacidade. No interior de São Paulo, a bacia PCJ, formada pelos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, opera com a vazão primária de água de 3 m³ por segundo, utilizada somente em situações de crise quando o nível dos reservatórios está abaixo dos 30%. Em Campinas o Rio

utilizarmos dos reservatórios não vierem, que ano passado, a e fevereiro deste ano, que foram muito secos”, diz. O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), órgão gestor

Foto: Jessica Fontoura

Prédio do Instituto Agronômico de Campinas onde são realizados estudos climáticos

ser aplicado se a vazão chegar a menos de 4 m³/s. De acordo com o secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz,

agora o volume morto e as chuvas de outubro é o que aconteceu no situação será caótica

Atibaia, que abastece 95% do município, opera com índices inferiores a 6 m³/s. De acordo com a Sanasa, o rodízio pode

Francisco Lahóz

se as chuvas previstas para outubro deste ano não ocorrerem, não haverá outra saída para o abastecimento da grande São

Paulo e interior. “Se utilizarmos agora o volume morto dos reservatórios e as chuvas de outubro não vierem, que é o que aconteceu no ano passado, a situação será caótica”, alerta. Para o especialista, a solução seria economizar água até que a estiagem acabe. “Não precisa fazer racionamento, que é uma medida drástica, mas é necessário fazer rodízios e conscientizar a população”, sugere. O governo estadual já começou a utilizar o volume morto, reserva que fica

no fundo dos reservatórios do Cantareira. O investimento na construção de canais de captação é de 80 milhões de reais e a expectativa é que seja utilizada a água do fundo para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo até setembro deste ano. O volume que estará disponível para abastecimento é de cerca de 200 bilhões de litros de água. Essa é a primeira vez que o volume morto do Sistema Cantareira é utilizado desde a sua criação na década de 1960.


Campinas240

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Criado por Dom Pedro II, IAC é referência em pesquisa científica Foto: Jessica Fontoura

Jessica Fontoura

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) foi fundado em 1887 por Dom Pedro II, que nutria visão progressista em relação à ciência. Campinas era uma cidade provinciana, repleta de campos, mas sem produção agrícola relevante nacionalmente, destacando-se apenas a produção cafeeira. E o café foi a principal cultura foco da pesquisa do Instituto, assim como outros alimentos incorporados como objetos de estudo do IAC como o algodão, feijão, milho e cana-de-açúcar. O primeiro prédio do instituto foi erguido na Avenida Barão de Itapura, uma das principais da cidade atualmente. O local foi uma escolha estratégica, já que o terreno era plano e estava localizado

Prédio mais antigo do complexo é símbolo da importância histórica do IAC próximo a um gasômetro, o que facilitava a obtenção de gás para as pesquisas. Além disso, o IAC faz parte da história de Campinas não apenas pelas contribuições científicas na agricultura. Em 1929, a crise da bolsa de valores de Nova York fez

despencar a produção agrícola de diversos alimentos, como café e algodão. Naquela época o órgão já realizava pesquisas de melhoramento genético do algodão e contribuiu com os produtores afetados pela crise. O melhoramento da cul-

tura cafeeira promovido pelo IAC também teve reflexos pelo país. O diretor do instituto, Sérgio Augusto Carbonell, afirma que 90% do material genético do café cultivado no país atualmente é proveniente do instituto. “Direta ou in-

Cinema

diretamente, o café brasileiro tem o sangue do instituto agronômico”, ressalta. Com área física de 1279 hectares, realiza pesquisas relacionadas ao desenvolvimento da produção de cana-de-açúcar e mandioca. Além disso, mantém o único jardim botânico do país com produção agrícola de arroz, trigo, feijão e frutas. O IAC realiza ainda o Projeto Anhumas, programa de recuperação ambiental da bacia do ribeirão Anhumas que há 14 anos reúne grupos de pesquisadores de instituições como Unicamp e FAPESP. Há ainda o Programa Seringueira, que gera novos clones da planta com maior potencial de produção, além de melhorias para o manejo e extração do látex aos produtores dessa cultura no país.

Foto: Divulgação

Manoel de Oliveira filma episódio dos Lusíadas Obra do cineasta português de 105 anos é baseada no “Velho do Restelo” Fábio Visnadi

O decano do cinema Manoel de Oliveira, aos 105 anos, começou as filmagens de “O Velho do Restelo”, baseado em episódio do poema épico de Luís de Camões, “Os Lusíadas”. Depois de ter reclamado da crise econômica e das dificuldades em realizar o seu projeto, em entrevista concedida à revista francesa Cahiers du Cinema no ano passado, o cineasta conseguiu apoio da Câmara Municipal do Porto e terá a película produzida pela companhia “O Som e a Fúria”. A finalização do longa está prevista para o mês de agosto. O episódio do “Velho do Restelo”, situado no canto IV dos Lusíadas,

simbolizava o receio conservador da época em relação às grandes navegações empreendidas pelos capitães portugueses, com o apoio do Reino de Portugal. No caso, o Velho do Restelo amaldiçoa a cobiça e a vaidade das navegações, enquanto Vasco da Gama e seus companheiros de viagem se preparavam para a primeira exposição para a Índia. Para o cineasta Guilherme Wuilleumier, é nesse ponto que o cinema de Manoel de Oliveira e a poesia de Camões convergem. “Ambos são artistas que sabem lidar com o conceito de tradição e cultura e, ainda assim, serem irrepreensivelmente

‘modernos’, no sentido de olhar para o mundo e para novos caminhos”, e completa: “Camões vê o molde ‘épico’ grego e o utiliza para contar uma história portuguesa, política e atual. O Manoel é um cineasta que acessa tradições múltiplas (tanto do cinema classicista quanto do romantismo) para fazer filmes que jogam com essa ruptura, desconforto, artificialidade ‘distanciada’ que são quintessencialmente contemporâneos”. Filmar um episódio literário é seguir a continuidade de seu projeto estético. Durante mais de 80 anos de carreira, Manoel de Oliveira, cronista cinematográfico da

história e literatura portuguesa, já realizou adaptações de obras de Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e José Lins do Rego . O estudante de letras e também fã da obra de Manoel de Oliveira, Filipe Chamy, relembra a ligação de Oliveira com Camões em seus trabalhos prévios. “A própósito de ‘Non ou a Vã Glória de Mandar’, vale lembrar que a ‘vã glória de mandar’ é uma citação a Camões, sendo inclusive, um dos versos que compõe a famosíssima fala do Velho do Restelo, apresentando contrapontos e sublimando artesanalmente maniqueísmos, tal como Camões”.


Comportamento

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MOrre o simbolo do mov A partir de 2014 a Kombi fica apenas no imagin Mirela das Neves

Familiar, contracultural, moderna, vintage. Seja como for, a Kombi sempre esteve associada a uma série de tipos tão variados e versáteis quanto se poderia presumir. Nos almoços de domingo, saudoso dia da semana, ao recordar a viagem de férias em que a avó passou mal e a Kombi quebrou. Nas aventuras vividas na juventude. No dia a dia do trabalho. Até mesmo no casamento, o veículo estava presente conduzindo a noiva à igreja. Desde dezembro do ano passado, quando a Volkswagen anunciou que não iria mais fabricar o veículo, já que a partir deste ano somente modelos equipados com freios ABS e airbag duplo podem ser comercializados, histórias proporcionadas pela Kombi ganharam destaque. A de Evandro Fullin é uma delas. No início dos anos 2000, ocupava um invejado cargo de executivo em uma conhecida multinacional instalada em São Paulo. Sua função era tão importante que ele poderia escolher a dedo os carros que queria usar. No entanto, em 2010, com 40 anos de idade, Fullin passou por uma grande reviravolta pessoal. Saiu da empresa, desligou-se do ambiente corporativo, rompeu com alguns contratos so-

ciais que havia feito ao longo do caminho e optou por uma nova vida, começando com a venda do seu carro do ano e comprando uma Kombi 2010. “As pessoas me taxaram de louco e falavam: ‘você andava de F-250 da Ford, agora vai andar de Kombi, que nem ar condicionado tem?’ Eu respondia que não estava nem aí, que a gente acostuma. Antigamente, nenhum carro tinha ar condicionado e ninguém morria por causa disso”. Meses depois apareceu outra Kombi, dessa vez usada, datada de 1994, a verdadeira. Para os admiradores, o verdadeiro DNA do veículo está no motor. “Tem que ser o proveniente do Fusca, refrigerado a ar”. Fullin não perdeu a oportunidade e adquiriu a Kombi. Pintada em duas cores, verde e branca, o engenheiro a restaurou: “acabei decorando ela, tipo de época, meio temática, parece meio bicho grilo, meio hippie”. A restauração fez tanto sucesso, que sua cunhada foi levada para a igreja pela Kombi. O noivo, que é surfista e também grande admirador do veículo, completou a decoração do automóvel com uma prancha de surfe. “Enchemos de flor, foi divertidíssimo. Eu que levei minha cunhada à igreja e foi muito legal. A Kombi acabou entrando para a

história também, no álbum de casamento da minha cunhada”, relembra Fullin. A combinação “Kombi-casamento”, Maria Jordão conhece bem. Conta que em 1965, ano em que casou, a Kombi era a novidade do momento, já que o veículo começou a ser produzido no Brasil em 1957, mas conquistou notoriedade em meados dos anos 1960. Maria recorda que seu vestido era de pérola e que a Foto: Arquivo pessoal

Kombi restaurada por Evandro Fullin foi usada pela cunhada no casamento.

Kombi, que fora adquirida pelo sogro justamente para levar a noiva à igreja, era bege. “A combinação ficou perfeita. Foi um dia inesquecível, pois naquela época era chique a noiva chegar à igreja de Kombi”. Marina Duarte tem grande admiração pelo automóvel, lembra que era através do veículo que seu pai conseguia completar a renda do mês. Em 1970, com dez meses de idade, os pais de Marina se mudaram de Santo Amaro - Zona Sul da Grande São Paulo - para o Belenzinho - Zona Leste. “Foi quando meu pai começou a trabalhar com venda de pertences para feijoada – vários restaurantes tradicionais do centro de São Paulo eram clientes dele, como o ‘Um, Dois, Feijão com Arroz’ e o restaurante da extinta TV Tupi. A Kombi era o veículo para esse trabalho: buscar as carnes para salgá-las, pesar e separar os pedidos todos os dias, bem cedinho

e depois sair para entregar”. Apelidada de Lacraia, a Kombi da família sempre lhe proporcionou alegria. “Eu adorava quando tinha férias do jardim da infância, pois assim podia ir com meu pai fazer as entregas. Tinha que levantar muito cedo, mas era só alegria. Lembro-me da Kombi carregada, e eu ia em pé no banco, entre ele e a janela. Segurança? Certamente Deus olhava por mim também”, relembra Marina. Celso Dias recorda do automóvel com carinho, pois no final dos anos 1980 era o veículo que o ajudava a conquistar o dinheiro do mês. “Em 1987 fui trabalhar com vendas de frutas, e a Kombi era veículo mais adequado para isso. Tralhava na Rodovia dos Bandeirantes antes dela ser privatizada e ali passei por várias aventuras, principalmente em dias chuvosos que ela não pegava”, conta Dias rindo. Para Mirela Dias, filha de Celso Dias, a Kombi mar-


Cotidiano

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vimento Flower Power nário e nas lembranças dos admiradores do veículo Foto: Evandro Fullin

Arte: Time/Life

O poder das flores nas décadas de 60 e 70

cou sua infância. Mirela se lembra da época que o pai possuía o veículo e comenta que quando soube que a Volkswagen não iria mais fabricá-la trouxe à tona muitas lembranças: “Acho

que todo mundo que já teve ela como parte da vida sentiu arrepios ao ver o vídeo ‘Despedida da Kombi’ que a Volkswagen produziu. Eu chorei. Chorei, porque lembrei toda a minha infância

e ver ela se despedindo ali, mesmo que de uma forma metafórica, me doeu forte no peito. A gente aprende a levar as coisas na lembrança, né?”, declara Mirela. Foto: Arquivo pessoal

Dois slogans do movimento hippie transitavam pelas Kombis nos Estados Unidos, nos anos 60 e 70, propagados pelos jovens contraculturais daquele período: “Flower power”, termo cunhado pelo poeta beatnik Allen Ginsberg no ano de 1965, surgido como uma reação à adesão de alguns grupos norte-americanos à Guerra do Vietnã, acabou se tornando um signo importante no movimento contracultural hippie pela resistência pacífica. Mais do que um signo (algo como “o poder da flor”, numa tradução livre), elas passaram a se tornar um importante artefato físico, pelos hippies, como um presente aos policiais em meio aos protestos civis nos EUA. Já o termo “Faça amor, não faça a guerra”, é comumente atribuído ao pensador frankfurtiano Herbert Marcuse, embora até hoje existam dúvidas de seu verdadeiro dono. Quer seja de sua

autoria ou não, Marcuse foi o responsável por conferir o respaldo intelectual para a libertação sexual, também presente no movimento hippie, aderindo, mais uma vez, à resistência pacífica e antibelicista, pregando o amor ao invés da guerra. Além de Ginsberg, Marcuse e toda uma juventude pacifista e contracultural, a Kombi também “comportava”, nos anos 60 e 70, uma trilha sonora embalada por discos como “Pearl”, de Janis Joplin; “Surrealistic Pillow”, do grupo de acid rock Jefferson Airplane; “Are You Experienced?”, principal álbum de The Jimi Hendrix Experience, além da principal obra musical do movimento hippie: “American Beauty”, do grupo Grateful Dead, que contava com uma legião de fãs messiânicos que acompanhavam a banda em suas Kombis de cima a baixo em suas turnês realizadas em todos os Estados Unidos. Foto: www.flikr.com

Marina

Duarte

(esq.).

com

irmãos

em

frente

à

Kombi

do

pai.


Cultura

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Virada Cultural Paulista anima a região Evento acontece em dois finais de semana e conta com atrações artísticas para todos os gostos Marina Filippe

Foto: Facebook/Divulgação

De olho nas nossas dicas: 24 de maio em America- 25 de maio em Jundiaí: na: Ultraje a Rigor: a banda Criolo: o rapper que ini- que estourou nos anos ciou carreira em 1989 ar- 80 traz um show rechearasta multidões após mes- do de sucessos e questioclar ritmos de mpb, funk na um Brasil ainda meio e soul no disco de sucesso “Inútil” u “Nó a Orelha” (2011). u 1 de junho em Santa 31 de maio em Campinas: Bárbara do Oeste:

Banda de manguebeat Marakbeça é uma das atrações regionais em Jundiaí A Virada Cultural, que teve início na cidade de São Paulo em 2005, apresenta neste ano mais uma edição para o interior do estado com 28 cidades participantes. Nas proximidades de Campinas participam artistas como Baby do Brasil, Ultraje a Rigor, Criolo e Ira! Teatro, circo, dança e outros gêneros das artes são contemplados nos quatro dias de evento, mas o destaque está na música desde o início das divulgações. A banda Ira!, por exemplo, fará suas primeiras apresentações após sete anos de hiato na Virada Cultural. A estreia será dia 17 de maio na capital, mas o mesmo show será apresentado dia 24 do mesmo mês em Campinas e dia 01 de junho em Santa Bárbara do Oeste. “A banda está sedenta pelo palco e público que nos acompanha há 34 anos. Prometemos um show inesquecível”, afirma Nasi e Scadurra que assinam juntos a entrevista para demostrar o entrosamento do grupo. No reperório, estão hits como Flores em Você, Envelheço na Cidade, Quero Sempre Mais, Tarde Vazia e Girassol. Além de nomes consagrados do cenário nacional participam também artistas internacionais como a ban-

da inglesa Asian Dub Foundation, que se apresenta em Campinas às 00h do dia 01 de junho e artistas locais selecionados pelas prefeituras de cada cidade. Em Jundiaí foram abertas inscrições para que os artistas locais pudessem participar, mas devido ao grande número de inscritos os responsáveis optaram por sorteio ao invés de curadoria. Assim, o número de atrações locais saltou de 18 em 2013 para

56 neste ano. Uma delas é a banda de manguebeat Marakbeça “Esta será a terceira vez que tocamos na Virada Cultural Paulista. É sempre muito bom tocar em casa, pois achamos fundamental levantar nossa ideologia num evento tão consagrado”, diz David Lito, integrante do grupo composto por seis músicos. Quando questionado sobre o critério de seleção, o instrumentista se chateia pela falta de interes-

Baby do Brasil: Músicas da carreira solo e cantadas com o grupo Novos Baianos compõem o repertório da cantora que tem espetáculo coordenado por seu filho, Pedro Baby.

se por parte dos organizadores para ao menos lerem as propostas apresentadas. Desta vez, a festa acontece em outro formato para poder atrair maior número de pessoas. Serão dois finais de semana em diferentes cidades para que o público possa se locomover e prestigiar mais apresentações, não sendo em apenas um final de semana, como nos eventos anteriores. As cidades participan-

Ira!: Quem se entristeceu ao pensar que nunca mais veria um show da banda já pode comemorar e reservar um bom lugar no espetáculo que contará com inúmeros hits.

tes são Assis, Americana, Araçatuba, Araraquara, Barretos, Bauru, Botucatu, Campinas, Caraguatatuba, Diadema, Franca, Ilha Solteira, Indaiatuba, Jundiaí, Marília, Mogi das Cruzes, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Piracicaba, Presidente Prudente, Registro, Santa Bárbara D’Oeste, Santos, São Carlos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba.

A Ira! de Nasi e Scandurra 7 anos depois

Em recesso desde 2007, banda reestreia na Virada e passa por Campinas Letícia Quatel

Foto: Thau Any / MundoIra!

Os fãs do IRA! podem comemorar. Depois de 7 anos inativos por conta de brigas entre os líderes Nasi, Edgard Scandurra e o empresário da banda, irmão do vocalista Nasi, o grupo resolveu deixar o rancor de lado e voltará oficialmente em um show Virada Cultural Paulista, no dia 17 de maio, passando por Campinas depois, no dia 24 de maio. A decisão pela volta do grupo aconteceu em outubro do ano passado. Scandurra organizou um show beneficente que contou com a presença de Nasi. “Eu já tinha levantado a bandeira branca para o Edgard, mas esse show foi a semente da volta”, explica Nasi. O site oficial do IRA! já faz contagem regressiva para Nasi e Scandurra se preparam para turnê de mais de 200 shows o show que marcará a volta do grupo, e no repertório, Serviço: estão os grandes clássicos da banda como “Nucleo Base”, Data: 24 de maio “Tolices” e “Evelheço na cidade. “A gente está fazendo Abertura da casa: 22h. Show (previsto): 00h00 uma seleção de umas 25 músicas, que acha a gente acha Local: Campinas Hall: R. Armando Strazzacappa, 130 que tem importância no nosso conceito, músicas que – Fazenda Santa Cândida identificam o repertório da banda. São musicas que o Ingressos: De R$ 30 à R$ 70 Informações: (19) 3213- 7998 público gosta.”, finaliza Nasi.


Saiba + 20 maio