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NOME: ISABELA OLIVEIRA DOS REIS RA: 0944257

A MAIORIA DOS BRASILEIROS NUNCA PISOU EM UMA BIBLIOTECA Problemas envolvem acervos e condições das bibliotecas públicas e falta do hábito de leitura. 75% dos brasileiros nunca pisaram em uma biblioteca. Essa é a triste realidade que a terceira edição Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro e executada pelo IBOPE, mostrou. Tal estudo foi realizado com o objetivo de levantar o perfil dos leitores e não leitores brasileiros, além de identificar as barreiras para o crescimento da leitura no Brasil e o perfil dos compradores de livro. Foram aproximadamente cinco mil entrevistados em sua maioria mulheres (52%), da classe C (51%), que cursaram o ensino médio em escola pública (90%) e ensino superior em escola particular (75%). Apesar desses 75% de brasileiros afirmarem nunca ter pisado na biblioteca, 67% dizem que sabem da existência de uma biblioteca pública na sua cidade ou bairro. Destes, 71% afirmam que tais bibliotecas são de fácil acesso. Além disso, as bibliotecas mais visitadas são as escolares: 55% contra 27% das públicas. O que explica o perfil dos usuários de bibliotecas, 70% são estudantes. A pesquisa ainda apontou que apenas 34% dos leitores costumam ter acesso aos livros através de empréstimos de bibliotecas e escola e 45% compram os livros para ler. Segundo Mariângela Zanaga, diretora da Faculdade de Biblioteconomia da PUCCampinas, esse dado não quer dizer que os brasileiros preferem comprar livros. “A pesquisa também apontou que 56% dos brasileiros nunca compraram um livro. O que se pode dizer em relação a isso é que as bibliotecas, hoje, têm coleções desatualizadas”, afirma. O estudo também apontou que 20% dos entrevistados frequentariam mais a biblioteca se ela tivesse mais livros novos. Segundo o especialista em educação, Pedro Lopes, faltam bibliotecas públicas para a população. “O próprio Ministério da Cultura mostrou este fato. Foi realizado, em 2009, o Primeiro Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais que apontou que


21% dos municípios brasileiros não têm biblioteca municipal”, explica. Esse número representa duas bibliotecas por três mil habitantes. Os piores índices estão no Estado do Amazonas e no Distrito Federal e o melhor está em Tocantins. Os moradores do Nordeste são os que mais procuram as bibliotecas, os do Sul e Sudeste os que menos frequentam. A média de empréstimos das bibliotecas é de menos de 300 livros por mês, apesar da maior parte das bibliotecas ter entre dois mil e cinco mil exemplares. Lopes afirma que junto com o Censo houve um investimento nas bibliotecas através do Programa Mais Cultura. “O governo investiu e continua investindo, mas falta muito ainda para as bibliotecas atingir toda a população. Além do mais, não é só de bibliotecas que a população precisa para ler, mas também incentivo”. É o que afirma também Mariângela Zanaga. Segundo ela, não são só os livros e construções que irão reverter essa falta de interesse dos brasileiros pela leitura, faltam projetos e funcionários bibliotecários que sejam especializados no assunto. “As bibliotecas tem a possibilidade de atuar amplamente nas comunidades em que elas estão inseridas, desenvolvendo não somente em atividades convencionais, mas outros tipos a partir sempre de necessidades existentes naquela comunidade. Então, podem ser desenvolvidas parcerias com órgãos locais, centros de saúde, casas do agricultor”, explica.

Uma cidade brasileira A cidade de Ibitiúra de Minas, no Sul de Minas Gerais, tem aproximadamente 3.500 habitantes e uma biblioteca municipal, que fica dentro da escola por não ter espaço próprio, devido a isso, é considerada escolar e não pública. Portanto, a biblioteca não pode receber verbas para projetos de ampliação e atualização do acervo existente. Segundo Rosana Reis, secretária de Educação da cidade, mesmo assim o acervo da biblioteca é riquíssimo. “Por muito tempo o acervo não foi atualizado por falta de apoio da administração municipal, estadual e federal. A biblioteca recebia muitas doações e era assim que sobrevivia”, conta. Rosana explica que de uns anos para cá a distribuição de livros por parte do governo em projetos para bibliotecas escolares tem melhorado a qualidade do acervo. “Além disso, temos visto muitos exemplos de projetos por parte de empresas, como Banco Itaú e a Cemig, Companhia Energética de Minas Gerais, e de pessoas da sociedade que estão preocupadas com a leitura, como açougueiros, mulas com cargueiros de livros, mecânicos, livros nas rodoviárias, nos metrôs, etc.”, afirma.


Apesar do investimento, Rosana também defende a importância de projetos de leitura por parte das bibliotecas e escolas para incentivar o hábito. “Em casa também, os filhos não são estimulados a este hábito, não tem a leitura, como prática. Também falta muito incentivo por parte dos educadores. Eles precisam estar preparados, precisam gostar de ler, ter este hábito e ensinar com paixão, só assim, irão conseguir incentivar e ensinar crianças a gostarem de ler”.



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