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Foodtrucks são sucesso, mesm sem regulamentação

Desde 2006

23 de setembro de 2015

Faculdade de Jornalismo - Puc Campinas

Sífilis congênita cresce 135% em Campinas

Doença também tem alto índice entre pessoas com mais de 50 anos; interrupção de tratamento dificulta controle EM 2011, a Secretaria de Saúde registrou casos. Em 2014, foram 87 e, em 2015, já são 74.

37 SEGUNDO ESPECIALISTAS, injeção dolorosa, é razão para o abandono de medicação depois do diagnóstico.

Jogos digitais: do entretenimento à profissionalização LEGUE OF LEGENDS já reúne cerca de 70 milhões de pessoas em todo mundo. JOGADORES dividem casa para participar das rotinas de treinamentos.

ARTE E FACULDADE

Como conciliar estudo e carreira artística? P.12

Maria Ângela Bordin, enfermeira do SUS, prepara dose de penicilina, única forma de combater a doença sexualmente transmíssivel que já foi fatal

COMPORTAMENTO Única menção às pessoas que mudam de sexo está em um projeto de lei que tramita desde 2013

Frilas são cada vez mais comuns entre jornalistas Opção de trabalho é alternativa à falta de vagas tradicionais, garante liberdade, mas exige cuidados. P.11

Allan Contro, da Polvo Brasileiro, tem a música como prioridade

RMC já registra 15 mortes por febre maculosa De acordo com professora de Saúde Pública, semelhança com dengue dificulta diagnóstico.

P.3

José Pereira mostra RG com mudança de nome após decisão judicial

Capivaras no Taquaral: hospedeiros do transmissor


Opinião

Página 2 RÁPIDAS

Por Larissa Cascaldi

CARTA AO LEITOR

Luane Casagrande e

Alunos de jornalismo participam de congressos Trinta e cinco alunos do Centro de Linguagem e Comunicação (CLC), da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), participaram de congressos na área de comunicação no mês de setembro, apresentando trabalhos desenvolvidos durante disciplinas e projetos de extensão. Sete grupos com trabalhos elaborados na disciplina de Metodologia da Pesquisa Aplicada em Jornalismo, no 5° semestre do curso, participaram do XXXVIII Congresso Brasileiro da Sociedade de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dois grupos com trabalhos da mesma disciplina participaram do Congresso da Sociedade Brasileira dos Profissionais e Pesquisadores de Comunicação e Marketing Político (Politicom). Além disso, três grupos também participaram do Intercom com trabalhos desenvolvidos na disciplina de Jornalismo Literário. Já um outro grupo apresentou trabalho resultado das atividades de extensão da Universidade.

Giovanna Lima editoras

ARTIGO

Discurso de ódio discurso político Larissa Cascaldi

MIS Campinas divulga datas do cineclube para outubro O Cineclube do Museu de Imagem e Som (MIS) de Campinas já tem datas divulgadas para as sessões de outubro. A estreia do mês terá dois filmes de Joaquim Pedro de Andrade. No dia 1º o MIS Campinas exibe o filme “Os Inconfidentes” (1972), às 19h, que narra a história da Inconfidência Mineira – do começo às execuções, incluindo a de Tiradentes. Já no dia 2 é a vez de “Guerra Conjugal” (1975), também às 19h. No dia 3, às 16h, será apresentado o filme “O Deserto dos Tartáros” (Valerio Zurlini, 1976). O filme narra a primeira missão do tenente Drogo para uma fortaleza isolada no deserto. Abrigado em um forte junto com outros soldados, homens esperam há anos por um inimigo incerto, os tártaros, e vivem dramas pessoais. Já no dia 12, às 19h30, é a vez do filme “Rainhas” (Manuel Gomez Pereira, 2005), que conta a história do primeiro casamento gay da Espanha. O fato da cerimônia ser coletiva deixa as personagens eufóricas e uma série de acontecimentos despontam antes da festa. O MIS fica na Rua Regente Feijó, 859 - Centro, Campinas. A entrada é gratuita.

Expediente Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas. Centro de Comunicação e Linguagem (CLC): Diretor: Rogério Bazi; Diretora-Adjunta: Cláudia de Cillo; Diretor da Faculdade: Lindolfo Alexandre de Souza. Tiragem: 2 mil. Impressão: Gráfica e Editora Z Professor responsável: Fabiano Ormaneze (Mtb 48.375). Edição: Giovanna Lima e Luana Casagrande Edição de capa: Giovanna Lima e Luane Casagrande Diagramação: Gabriel Furlan e Giovanna Santos

A

edição 106 do Saiba+ está sob a responsabilidade de uma nova turma, a 44º de Jornalismo noturno, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Trazemos para você temas que consideramos essenciais para a discussão no mundo universitário. O destaque vai para o crescimento dos casos de sífilis, que tem a diminuição do uso de preservativos entre os jovens como uma das principais causas citadas pelos especialistas.

Outros assuntos importantes desta edição são as dificuldades enfrentadas por transexuais no meio acadêmico e no mercado de trabalho, e pelos alunos que optam por dividir seu tempo entre a vida acadêmica e a vida artística. Veja também os efeitos da era digital no mercado de trabalho, com os freelancers, nos esportes, com jogos digitais como o League of Legends, e na comunicação, com as ligações do WhatsApp, que ameaçam a telefonia tradicional.

Se as jornadas de junho de 2013 conquistaram a redução da passagem, também deram margem para que um novo grupo surgisse. Com efeito, foi a partir de então, com a mistura de pautas dentro daquele ciclo de protesto, que “a nova direita” percebeu que também pode ocupar as ruas massivamente – diferente do movimento “Cansei”, em 2007. E é, em outubro de 2014, após a vitória apertada da presidenta Dilma Rousseff, que a polarização política, bem como os discursos de ódio, se revelam mais fortemente. Há dois fatores para explicar. O primeiro tem a ver com o próprio desenvolvimento da democracia brasileira. Quando se observa nossa história política, o curto período de sete anos – entre um ciclo de protesto e outro – torna-se significativo. A democracia brasileira é nova, de modo que sete anos em três décadas podem revelar certo amadurecimento do modelo político. Por outro lado, ainda nos falta ser mais racionais e construir argumentos que extrapolem os interesses pessoais. O segundo fator é o advento das redes sociais digitais. De fato, com a democratização da rede e a popularização dos sites de relacionamento, ficou muito simples emitir opiniões. Somado à jovialidade de nossa democracia, talvez fique mais fácil de compreender porque o discurso de ódio parece mais escancarado. Isso não quer dizer que ele nunca existiu no país. Muito provavelmente ele estava aí, junto com o racismo velado das piadas dos almoços de domingo. O fato é que, se a rede social escancara os detalhes de nossa privacidade, também não deixaria passar

a brutalidade das palavras. No espaço de discussão propiciado pela rede, existe uma tentativa de debate sobre os acontecimentos políticos, esvaziado pela falta de maturidade. Além disso, a ausência de uma regulamentação do que é escrito na internet favorece o cenário de intolerância e linchamento nas redes sociais – sobretudo no que diz respeito às questões políticas. De fato, a existência de poucas leis específicas para punir as atrocidades publicadas permite que a internet vire “terra de ninguém” e que sejam feitos comentários que extrapolam o bom senso e até mesmo a legalidade. A ágora pós-moderna, enraizada na rede, é consequência de um processo, iniciado no século XX, de extremo desenvolvimento tecnocientífico, concomitante ao não interesse em desenvolver a nossa capacidade crítica. Não obstante, o esforço realizado durante a ditadura militar brasileira para retirar disciplinas escolares que estimulem o pensamento crítico dos alunos ocasionou também uma educação defasada – pobre em disciplinas que ajudam a construir o senso crítico da população mais jovem. Nesse sentido, falta informação e sobra intolerância para com os outros. Como resultado, vemos esse festival de xingamentos e reprodução de preconceitos – seja por meio dos comentários ou dos famosos “memes”. Com efeito, observa-se aquela máxima dita por Saramago, em entrevista para a jornalista Pilar Del Río, em julho de 2008: “A intolerância não é uma tendência, é uma brutal realidade”, só superada, talvez, pelo real interesse em promover a educação política.


Cidade

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Campinas tem 5 mortes por febre maculosa Dificuldade de diagnóstico é um dos principais agravantes, já que doença se confunde com dengue

Pedro Siqueira

Fotos: Larissa Cascaldi

D

e abril a junho deste ano, Campinas registrou três mortes por febre maculosa, segundo boletim de agosto do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa). O número se equipara às mortes que aconteceram ao longo de todo o ano de 2013 e já chega à metade dos casos do ano passado, quando cinco pessoas morreram por causa da doença. Na região, até o final de julho, já eram 15 mortes. Campinas aparece em primeiro lugar no total de óbitos, seguida por Holambra, Santa Bárbara d’Oeste e Valinhos, com dois cada uma. O que tem preocupado especialistas da área da saúde é a frequência das mortes. O fato de proporcionalmente ter ocorrido uma por mês é inédito na série histórica da doença na região. Para Maria Rita Donalísio, professora do Departamento de Saúde Coletiva na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a frequência de óbitos se deve, principalmente, à falta de suspeita da doença. “O tratamento é eficaz, contudo o diagnóstico nem sempre é feito, pois pode ser confundida com dengue ou leptospirose”, esclarece. Essa condição torna-se um agravante devido ao cenário atual: Campinas também vive a maior epidemia de dengue da sua história (com cerca de 60 mil casos confirmados só na cidade). Isso ajuda a mascarar ainda mais as vítimas que a febre maculosa faz – muitas vezes, o diagnóstico se dá somente após a morte do doente, com exames mais específicos.

Quem faz exercícios no Parque Portugal está acostumado a conviver com grupos de capivaras próximo às trilhas e pistas de caminhada

Doença A febre maculosa é uma infecção grave, transmitida pela picada do carrapato-estrela, único vetor da bactéria. O carrapato aloja-se normalmente em capivaras. Os sintomas, parecidos com os da dengue, são febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômito, que evoluem para erupções cutâneas no estágio mais avançado. A Prefeitura de Campinas considera como endêmica para a doença toda a extensão da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), mas, de acordo com o médico de Família e Comunidade Francisco Mogadouro, “os casos registrados na região são de pessoas que foram picadas por carrapatos em áreas rurais ou, principalmente, perto de rios ou lagos, onde estiveram para lazer ou trabalho”, explica. Capivaras Em 2011, 13 capivaras que viviam no Lago do Café, no Taquaral, foram mortas ilegalmente por autoridades públicas depois de três trabalhadores da Prefeitura de Campinas, que trabalhavam no local, terem falecido por febre maculosa. O caso é emblemático e ajuda a entender como ainda é atribuída a esses animais a culpa pela doença. Fernanda Perez, mestre em Saúde Pública pela Univer-

sidade de São Paulo (USP), discorda que o extermínio da população de capivaras seja uma solução. “Primeiro pelo fator ambiental, capivaras fazem parte do equilíbrio do ecossistema e são muito comuns no Brasil; segundo porque o carrapato se aloja também em outros animais, como bois e cavalos”, diz. Para Paulo Anselmo, veterinário e diretor do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal de Campinas, “o manejo de capivaras se mostrou ineficiente até então, uma vez que quando ocorre a retirada de animais de um determinado parque, outras acabam por recolonizá-lo”. Segundo o veterinário, a Prefeitura de Campinas vai começar a discutir ainda neste ano um projeto de castração dos machos e

das fêmeas de capivaras e a manutenção de pequenas populações nos parques do município. Prevenção De acordo com Anselmo, as capivaras estão presentes em todos os parques, praças e áreas públicas de Campinas com lagoas, rios ou riachos (por exemplo, na Lagoa do Taquaral e no Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim). Sobre a sinalização dessas áreas, o médico infectologista do Devisa Rodrigo Angerami explica que “é utilizada como estratégia a colocação de placas de alerta em áreas identificadas como de risco de infestação pelo carrapato e naquelas em que a transmissão da doença já foi caracterizada”. Mogadouro explica que

quem visitar essas áreas deve tomar alguns cuidados: “É importante examinar o corpo a cada três horas para verificar se houve picada. Uma vez percebida a presença do carrapato, é importante retirá-lo imediatamente puxando com uma pinça, sem esmagá-lo”, alerta. Além disso, é recomendado o uso de calças compridas, roupas claras e botas lacradas. Angerami destaca outro ponto importante. Após a suspeita de contaminação, “o paciente deve mencionar tanto os sinais e sintomas, quanto os antecedentes relacionados ao risco de exposição ao carrapato”, explica. Esse mero detalhe é de grande relevância no processo de diagnóstico e, posteriormente, de tratamento da doença.

Capivaras na Lagoa do Taquaral: Prefeitura diz que técnicas de manejo se mostraram ineficientes


Comportamento

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Falta de leis dificulta inclusão de transexuais Única menção às pessoas que mudam de sexo está em um projeto que tramita desde 2013 no Congresso Minéya Gimenes Fantim

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falta de amparo legal e que garanta direitos básicos aos transexuais, como um nome condizente ao gênero, aumenta o preconceito e faz com que essas pessoas tenham dificuldade até mesmo para provar quem são através de documentos. A legislação ainda caminha a passos lentos: no momento, a única menção aos transexuais é um Projeto de Lei, em tramitação desde 2013, no Congresso Nacional. Bia Pagliarini Bagagli, aluna numa universidade pública e militante transexua conta que a maioria das instituições de ensino não adota políticas que prezem pela integridade física e mental de seus alunos transexuais. De acordo com Bia, há cursos em que o aluno precisa apresentar a carteirinha para fazer provas. O problema é que o documento mantém os dados de registro civil, embora, nas listas de chamada, a universidade já permita a alteração do nome. “Com isso, a pessoa não tem como provar quem ela é, já que vai haver uma incongruência dos nomes entre os documentos. Ou seja, uma medida [a possibilidade de ter o nome alterado nas listas] que supostamente foi tomada para facilitar nossas vidas e evitar constrangimentos, na prática faz justamente o oposto”, relata.

Mercado de trabalho Uma pesquisa da consultoria Santo Caos, que entrevistou 230 transgêneros em todo o país em março de 2015, indica que 40% deles já sofreram algum tipo de discriminação no emprego e 13% tiveram dificuldades em encontrar uma vaga no mercado de trabalho. É o caso de José Pereira, que sofria intimidação em uma empresa de transporte de executivos por conta da transgeneridade. “Meus superiores chegavam a dizer que eu tinha que tomar cuidado e agradecer por estar

até então, assumia a identidade feminina apenas fora do trabalho. Na demissão, a direção da escola de Jacareí alegou corte de gastos, mas ela foi a única pessoa demitida. Na outra escola, as razões se contradisseram. Primeiro, Camila foi informada, por um e-mail, de que estava sendo desligada porque, para permanecer na escola, seria necessário que sua transgeneridade fosse mantida em sigilo. “Depois, me disseram que a escola estava passando por remanejamento e, finalmente, que meu desempenho estava abaixo do esperado. Diante

Não tenho dúvidas de que a real causa das demissões foi a minha transexualidade.” Camila Godoi

empregado, pois, pelo fato de eu ser transexual, ninguém me daria trabalho em outro lugar caso eu fosse demitido”, diz. Camila Godoi, engenheira química e professora de ensino médio e superior, enfrenta problemas parecidos. Após ter lecionado por quase três anos em duas escolas particulares de Jacareí e Jundiaí, a docente foi demitida de ambas, no mesmo dia, quando os mantenedores descobriram, em maio deste ano, que ela é uma mulher transgênera. A professora,

de tudo isso, não tenho dúvidas de que a real causa das demissões foi a minha transexualidade”, explica. A professora está no início de um processo judicial contra as duas instituições. “No âmbito trabalhista, conseguimos encontrar embasamento para caracterizar isso como preconceito no trabalho e foi através dessa brecha que pudemos entrar com a ação. A demanda é a minha reintegração em ambas as escolas”, diz. Legislação Érica Carolina, advoga-

da especialista em mudança de nome, conta que, em função da falta de legislação que trate dos direitos dos transexuais, considera-se o que está previsto na Constituição, que prega que não pode haver qualquer forma de discriminação. Além disso, Érica explica que a criação de leis nesse sentido só trará resultados se vier acompanhada de uma rígida aplicação. “Mais do que a igualdade formal, é preciso promover a igualdade material, para que essa população tenha suas diferenças e especificidades consideradas em todos os locais”, explica. Desde fevereiro de 2013, está em tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei da Identidade de Gênero Brasileira, conhecida como Lei João Nery, de autoria dos deputados Jean Wyllys (PSOL) e Érika Kokay (PT), que concede o direito aos transexuais de terem a identidade reconhecida conforme s u a declaração, sem necessidade de realização de uma cirurgia de readequação sexual. De acordo com o

advogado, o projeto estabelece que toda pessoa transexual poderá solicitar a mudança no registro, alterando o sexo e o nome, além da foto nos documentos. Pela proposta, não haverá nenhuma menção sobre o sexo original da pessoa. “Se aprovada, essa proposta trará muitos benefícios e será um grande avanço para a legislação brasileira”, finaliza Érica.

Se aprovado, o Projeto de Lei levará o nome de João Nery, primeiro homem transgênero a passar por cirurgia de readequação sexual no Brasil. A operação foi feita em 1977, durante a ditadura militar. Na época, João perdeu todo o seu passado, o currículo e o direito de exercer a profissão de psicólogo. Atualmente, é considerado um dos ativistas mais importantes na luta pelos direitos dos transexuais.

José Pereira exibe dois RGs: decisão judicial


Saúde

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Casos de sífilis congênita aumentam 135% Cidade já registra 74 ocorrências neste ano; índice é superior ao recomendado por órgãos oficiais Embora a Secretaria Municipal de Saúde não tenha dados por faixa etária, a enfermeira Maria Ângela Bordin, que atua no Sistema Único de Saúde (SUS) há 21 anos, alerta ainda para o aumento da transmissão entre pessoas com mais de 40 anos. Só no Centro de Saúde em que ela trabalha, no Jardim São José, de 2014 até agora, foram notificados sete casos em pessoas entre 40 e 49 anos. Na faixa etária com mais de 50, o número é ainda maior: já são 12 notificações. “O Viagra e outros remédios para impotência Três doses de penicilina são necessárias para o tratamento contra a sífilis; interrupção leva a recomeço aumentaram a duração da vida sexual. Mas as pesprimeira aplicação. A me- sífilis pode ser manchas nervoso central e cardio- soas estão se protegendo dicação está disponível em avermelhadas espalhadas vascular, atingindo diver- menos, não estão usando todos os postos de saúde nas costas, braços, palmas sos órgãos do corpo. Até a preservativo. Temos casos da rede pública gratuita- das mãos e pés. Se a do- descoberta da penicilina, de paciente contaminados mente, tanto para a gestan- ença não for tratada, pode em 1928, a sífilis era uma aos 70 anos de idade”, diz a te quanto para o parceiro. comprometer os sistemas doença fatal. enfermeira. A médica salienta que é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal, independente de não apresentar qualquer suspeita, já que a doença pode ser totalmente assintomática. “A gestante tem direito ao teste e deve solicitá-lo, se o médico não o fizer’’, orienta a infectologista.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas, os casos de sífilis congênita (quando a transmissão ocorre da mãe infectada para o bebê durante a gestação) passaram de 37 casos em 2011 para 87 casos em 2014, um aumento de 135% e, em 2015, já foram 74 casos registrados. O índice na cidade é superior ao indicado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) de 0,5 casos para cada 1000 nascidos vivos. Em 2013, foram notificados 3,85 casos para 1000 nascidos vivos, e em 2014, foram 4,44 casos para cada 1000 nascidos vivos. Os números preocupam porque a sífilis congênita acarreta a morte do bebê em até 40% dos casos. As crianças que sobrevivem podem ter problemas no desenvolvimento, como baixo peso, má formação óssea, danos neurológicos e de audição. Desde 2010, a notificação dos casos de sífilis à Vigilância em Saúde (Visa) é compulsória, ou seja, o caso deve ser obrigatoriamente comunicado à vigilância assim que os exames Falta de proteção Por trás do aumento ficarem prontos. O diagnóstico é feito por meio de da sífilis congênita está o aumento da doença em um exame de sangue. razão de relações sexuais desprotegidas, sejam elas Causas De acordo com a in- vaginais, orais ou anais. fectologista da Secretaria Em casos mais raros, a Municipal de Saúde Va- contaminação pode ocorléria Almeida, o aumento rer também por meio de nos casos tem várias ra- transfusão de sangue ou zões. Entre elas, a médica até mesmo pelo beijo na verifica uma diminuição boca, quando a pessoa no uso de preservativos apresenta alguma lesão. “A sífilis pode ser diagpor jovens. “A maior dificuldade é tratar o parceiro nosticada por úlceras na das mulheres. Ele se recu- região do corpo em que sa a tomar as três doses de ocorreu o contágio: por benzilpenicilina benzatina exemplo, na região genital, e acaba reinfectando a ges- onde a doença foi adquirida ou na boca se a contatante’’, explica. A recusa ocorre por- minação ocorreu no sexo que a dosagem é dividida oral. A pessoa pode tamem duas injeções, que cos- bém não apresentar netumam ser dolorosas. A nhuma alteração clínica e dose é repetida após uma ser descoberta em um exasemana e, caso haja atraso me de sangue de rotina’’, na aplicação, o tratamento afirma a infectologista. Outra manifestação da deve ser reiniciado, desde a

Fotos: Isabela Rizza

Mariana Antonacci Isabela Rizza


Internet

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Equipes de jogos digitais já se profissionalizam

Cerca de 70 milhões de pessoas jogam League of Legends; em outubro começa campeonato mundial

Beatriz Matheus

Q

ue futebol que nada, o primeiro time campeão a levantar a taça no mais novo estádio do Palmeiras, o Allianz Parque, foi a paiN Gaming, no Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL), em 8 de agosto. League of Legends (LoL) é um e-sport coletivo de batalhas. Criado em outubro de 2009, hoje já reúne cerca de 70 milhões de pessoas no mundo, segundo pesquisa realizada pela Riot Games, desenvolvedora do jogo. A paiN Gaming, venceu também, em 5 de setembro, a equipe chilena, Kaos Latin Gamers (KLG), na final da Internacional Wild Card, conquistando a chance de representar o Brasil no Campeonato Mundial de LoL, a partir de 1° de outubro na Europa. “Por ser um jogo que tem interação, cada partida é diferente e única, o que depende também do trabalho de equipe. Cada erro pode custar uma partida”, explica Marcelo Fonte Basso, de 20 anos, que joga cerca de 25 partidas por semana. Ele conta também que já gastou cerca de R$ 300,00 desde que começou a jogar, por diversão, em 2012. Contratado pela Riot Games há oito meses, o apresentador dos campeonatos oficiais de LoL, Gustavo Docil, de 25 anos, é formado em Jogos Digitais, mas seu trabalho começou em dezembro de 2011, quando criou o canal de vídeos no YouTube LoLDuBR. Além de ser apresentador e fazer vídeos, conta que outra forma de ganhar dinheiro com o jogo é fazendo a transmissão ao vivo das partidas. “League of Legends, no geral, é muito fácil para quem está começando. Para quem conhece os jogos, há um monte de mecânicas e funcionalidades exclusivas que não existem em outros”, explica. Gustavo Alves, de 20 anos, mais conhecido como Minerva, já que todos os jogadores profissionais recebem um apelido, é integrante do time da KaBuM! e-sport, a primeira equipe brasileira de LoL a participar do

Campeonato Mundial. De acordo com ele, que iniciou sua carreira há quatro anos, logo após terminar o Ensino Médio, “é difícil encontrar jogos tão bem trabalhados e constantemente atualizados, como LoL”. Ele acredita que esse é o motivo que causou a popularidade do jogo. “A sensação de participar do Mundial é, sem dúvida, uma das melhores. Acho que nosso jogo contra a ALL [Alliance, time da Sué-

cia], sem dúvida, ficou para a história e ajudou muito o cenário brasileiro, que ganhou mais evidência com essa participação inédita”, diz Minerva. O jogador se refere à sua última partida no mundial. As equipes profissionais de LoL providenciam uma casa onde os jogadores moram durante o ano para treinar. A equipe KaBuM! e-sport, por exemplo, tem sua sede em Limeira (a 55

km de Campinas). “Além de nosso centro de treinamento com computadores de última geração, temos áreas de lazer. Os jogadores não têm nenhum custo”, explica o diretor da equipe, Guilherme Fonte. “Acordamos e almoçamos até 13h30, no máximo. O treino da tarde tem início às 14h e segue até 17h30. Depois, nós temos um intervalo de uma hora e meia. A segunda etapa do treino

é das 19h às 21h30, mas os turnos variam de acordo com a fase de campeonatos”, conta Minerva. História No Brasil, até 2012, jogadores tinham que usar servidor norte-americano ou europeu, o que gerava problemas com conexão durante os jogos. A partir de então, a Riot cria o servidor brasileiro com o jogo dublado.


Tecnologia

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CittaMobi ultrapassa 50 mil usuários na cidade Aplicativo lançado em agosto recebe avaliação média positiva na Google Play e na Apple Store

Gustavo Porto

L

cam como satisfatório. O CittaMobi também monitora os horários dos ônibus em Diadema, São Caetano do Sul e Santo André, na Grande São Paulo, além de Ribeirão Preto, no Interior. Em outros estados, também existem dez cidades com o sistema. No Brasil todo, já são cerca de 500 mil downloads na internet, considerando dados do início de setembro. O aplicativo funciona da seguinte maneira: o usuário

Foto: Gustavo Porto

ançado em Campinas no mês de agosto, o aplicativo CittaMobi, criado pela Prefeitura em parceria com Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), chega com a missão de elevar a qualidade do transporte e facilitar a vida dos usuários. E, pelo menos neste primeiro mês, tem dado certo. 51.379 pessoas, segundo os dados da Emdec, utilizam o aplicativo e o qualifi-

Usuário espera ônibus na Av. Prestes Maia com dados do aplicativo

cria uma conta e mapeia pontos de ônibus que utiliza ao selecionar as linhas. Após o cadastro e com todos os 1.552 veículos da frota total já equipados com GPS, a central da Emdec armazena os dados do usuário e faz um cálculo do tempo estimado para o ônibus chegar ao local. Para o porteiro André Rocha, de 32 anos, o CittaMobi ainda não convenceu, mas mostra que pode ajudar o usuário de ônibus no dia a dia. Em sua primeira utilização, o aplicativo funcionou muito bem, mostrando o horário com exatidão e sem nenhum erro. No dia seguinte, porém, a frustração pelo fato de o horário marcado no aplicativo não ser correspondido foi grande. “No primeiro dia, o aplicativo funcionou bem, com o ônibus chegando no horário exato”, diz. Já no dia seguinte, Rocha teve problemas: estava num ponto e o aplicativo mostrava que a linha não passava por lá. Não demorou muito e o ônibus chegou. Apesar dos

problemas, o porteiro diz que a ideia é boa e que pode ajudar o usuário. Assim como ele, o ajudante de pedreiro Joel Santos, de 37 anos, também gostou do CittaMobi. Apesar de classificar o aplicativo como “muito bom”, ela acredita que algumas melhorias poderiam ser feitas. Entre elas, Santos acredita que a seleção para busca de informações deveria ser mais fácil e por meio do número da linha. Atualmente, o usuário só tem acesso a informações indicando os pontos de parada. “Mas o aplicativo no geral funciona muito bem e ajuda muito”, afirma. Segundo a Emdec, existe um modo de controlar a chegada e a saída dos ônibus para que não haja erro com relação ao horário no aplicativo. Além disso, rotas alternativas também são mostradas em caso de um contratempo como acidente ou a via fechada. “Os ônibus que circulam normalmente são apresentados na cor verde. Caso eles estejam chegando adianta-

dos, ficam azuis. Os atrasados ganham a cor vermelha. Quando a comunicação falha, tornam-se cinzas. Há, ainda, os laranjas, que são aqueles parados por acidente ou falha mecânica”, informa a Emdec, em nota. Para o órgão, com pouco tempo, e passando ainda por uma fase de adaptação, o CittaMobi recebe elogios satisfatórios. Além disso, a avaliação média do aplicativo nas lojas virtuais também é positiva, apesar de ter uma grande diferença entre os usuários de Android e iOS. Na Google Play, ferramenta de download no Android, o CittaMobi recebe nota média de 4,2 em mais de 19 mil avaliações. Já no iOS, plataforma da Apple, a aceitação é menor. Somente 58 pessoas avaliaram e a nota média é de apenas 2,3. A maior reclamação desses usuários fica por conta da interface do aplicativo. A Emdec informou ainda que busca métodos para aperfeiçoar e deixar o CittaMobi melhor para os usuários.

Empresas de telefonia se unem contra WhatsApp

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Ana Ardito

as últimas semanas, o presidente da Vivo, Paulo Cesar Pereira Teixeira, polemizou após afirmar que o Whatsapp é “pirataria pura” e, por isso, dentro de dois meses, junto com outras operadoras de telecomunicação, as empresas pretendem entregar à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) um documento com embasamentos econômicos e jurídicos contra o funcionamento do aplicativo. O problema é que há uma lacuna entre o surgimento das novas tecnologias e a regulação. Segundo o advogado especialista em direito digital Leonardo Pacheco, é importante ressaltar que não existe nenhuma lei que o Whatsapp e outros aplicativos com o mesmo objetivo possam estar infringindo no Brasil. “Se eles forem entregar esse documento, não será baseado em lei alguma,

mostrará somente a perda de lucros das empresas, mas isso não terá êxito algum”. Assim, o conflito entre as empresas de telecomunicações e o WhatsApp está longe de ter um fim, já que o Ministério das Comunicações ainda discute as bases da atualização da Lei Geral de Telecomunicações. Desde a criação da internet, na década de 60, teve-se como base o protocolo livre, ou seja, nada foi patenteado. Além disso, atualmente, qualquer pessoa pode criar um aplicativo. Em Campinas, o presidente do Comitê para Democratização da Informática (CDI), André Luis Bordignon, afirma que as empresas de telecomunicações terão de se adaptar à nova tecnologia, caso contrário, serão substituídas. “Um possível caminho seria a regulamentação do aplicativo, ou seja, o pagamento de impostos. Porém, acredito que lutar contra o Whatsapp

é perda de tempo. Se proibir, daqui algum tempo virá outro aplicativo. O lado bom da internet é esse: é não ter tantos limites, é ter enorme democratização.” De acordo com Bordignon, “as empresas perderam o lucro que tinha há anos, mas estão longe de ter prejuízo. São elas que oferecem o pacote de dados aos consumidores.” Seja pela falta de uma lei específica ou pelo apego da população, a luta das empresas de telefonia contra o aplicativo não será nada fácil. Segundo o criador e presidente-executivo da empresa, Jan Koum, em entrevista a vários órgãos de comunicação à época da polêmica com a Vivo, só neste ano, são 800 milhões de pessoas adeptas ao aplicativo no mundo, o que soma, em média, 30 bilhões de mensagens por dia, sem contar as ligações. Muitas pessoas já substituíram o modo convencional de ligação pelo Whatsapp. A

Foto: Gabriel Furl

Nova funcionalidade de ligação do aplicativo ameaça operadoras; usuários criticam “censura” à ferramenta

A estudante Marina Mello prefere o recurso de ligação pelo aplicativo

estudante de publicidade e propaganda, Marina Mello de 22 anos, afirma ser a melhor escolha: “Assim que o sistema do meu celular disponibilizou, comecei a usar e já me acostumei. Além disso, é muito mais barato”. Para a médica Juliana Maretti, a ideia de criar

obstáculos para dificultar a acessibilidade à tecnologia é inacreditável e desnecessária: “É um regresso para o Brasil, afinal, ele seria o único país democrático a estabelecer leis para um aplicativo. O anseio das operadoras de pensar só no lucro, acaba afetando nós consumidores”.


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Tendência

Food Trucks ainda não têm regulamentação Apesar do crescimento da prática, consumo de alimentos exige cuidados e infraestrutura adequada

Fotos: Samuel de Oliveira

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Samuel de Oliveira

a hora de encontrar os amigos para uma refeição, nas principais cidades do Interior de São Paulo, assim como na Capital, tem crescido a opção por um modelo que reúne entretenimento e boa comida com preço atraente. Para os mais jovens, saem de cena os restaurantes, com garçom, menu, mesa, cadeira e entra a novidade: os food trucks. No entanto, a prática, cada vez mais comum em cidades como Campinas e Jundiaí, ainda não tem regulamentação específica. Pode-se definir food truck como uma cozinha móvel, de dimensões pequenas, sobre rodas, que transporta e vende alimentos, de forma itiFestival de food truck no começo do agosto no Parque D. Pedro Shopping reuniu cerca de 60 opções de pratos em evento de final de semana nerante (na maioria das O investimento para com ideia de empresários claras para a montagem de lanches com temperos vezes em feiras), na tradução literal “caminhão ter um veículo de food e até chefs de cozinha foi das cozinhas ambulantes. exóticos, passando pelas As duas leis demarcam paletas mexicanas, até betruck pode variar entre R$ a partir de 2013 em Camde comida”. 50 a 70 mil ou a montan- pinas, no Distrito de Ba- as condições de uso dos bidas de todos os cantos tes mais altos, até R$ 200 rão Geraldo. Mas foi em equipamentos, a necessi- do mundo. Mas o porquê Infraestrutura A infraestrutura necessá- mil, dependendo da tec- 2014 que a coisa come- dade do termo de permis- desta sofisticação, do charia para montar um food nologia utilizada, adequa- çou, de fato, a ter um cor- são de uso, as obrigações mado gourmet que dá o truck tem de ser planeja- ções de suspensão e freios po maior, e em 2015 com de quem tem autorização tom do negócio? Para a empresária Nada para poder atender às para tolerar o peso da co- a criação da associação para oferecer o serviço e tália de Marco Hrdlicka, necessidades de prepa- zinha e os equipamentos propiciou hoje as várias a exigência de seguir as opções de feira na cidade, legislações sanitárias. Por proprietária e idealizadoração e comercialização instalados. chegando a ter em um fim enquanto, até que as legis- ra da Feira Le Chef a Pé dos alimentos, segundo de semana 30 mil pessoas lações específicas surjam, em Jundiaí, o termo gouràs exigências da Agência Campinas os food trucks seguem met é ambíguo: “Esse terNacional de Vigilância Especificamente em Cam- no Parque Dom Pedro.” as orientações nacionais mo é pejorativo em alguns Sanitária (Anvisa) mu- pinas, o negócio vem “pepara todo tipo de comér- lugares. Por exemplo, no nicipal e estadual, Pre- gando”. O Presidente da Regulamentação feitura, Departamento Associação dos Comer- Quem curte os food tru- cio de alimentos nas ruas. Rio de Janeiro, é consideO Corpo de Bombeiros rado ironia chamar algo Nacional de Trânsito (De- ciantes de Rua do Muni- cks, pelo menos em São natran), Departamento cípio, Cyllas Rissardi, res- Paulo e no Rio de Janeiro, também já tem regula- de gourmet, mas o termo Estadual de Trânsito (De- salta que a proposta teve vai passar agora a ter mais mentação para os trucks, veio para diferenciar a tran) e Instituto Nacional uma aceitação gradual: respaldo da legislação. Os que visam a garantir o comida dos famosos traide Metrologia, Qualidade “Os moldes atuais do food dois estados estão em fase uso adequado de energia lers de esquina da comitruck, nessa proposta, de implantar regras mais elétrica, gás e produtos da servida no food truck. e Tecnologia (InMetro). químicos. Em Campinas, A proposta é oferecer um de acordo com Alexandre produto com qualidade Valle, diretor técnico ope- de restaurante, mas a preracional da Serviços Téc- ços acessíveis. Daí veio o nicos Gerais (Setec): “As termo para ajudar nessa feiras são feitas mais em diferenciação.” O estudante de gastroáreas particulares, como os shoppings; nos locais nomia e frequentador de públicos é compromis- trucks Eduardo Mazoni so da Setec junto com a ressalta qual o seu prinSemurb (Secretaria muni- cipal atrativo: “O grande cipal de Urbanismo) fis- lance em frequentar uma calizar e autorizar o fun- feira de food truck é que você pode encontrar uma cionamento do evento.” variedade maior de alimentos, até de outros paGourmet ? Numa feira de food tru- íses, que não se acha nos ck, além de economizar restaurantes, e eu gosto os 10% do garçom, você desse estilo gourmet pois pode encontrar alimentos oferece uma outra qualiClima bucólico atrai famíllias para descanso após refeição nos food trucks em feira de Jundiaí no mês passado para todos os gostos, des- dade.”


Gastronomia

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Público vegetariano vira aposta de restaurantes Diferencial nos cardápios atrai pessoas que enfrentavam dificuldade para comer fora de casa

Clara Rios

Fica mais confortável e você não precisa ficar escolhendo toda hora, porque a grande maioria [dos lugares] hoje em dia têm [opções vegetarianas], apesar de não tantas. Antigamente não tinha nada.”

U

Alternativas É o caso do Bar do Zé, localizado em Barão Geraldo. O distrito, por sinal, é bastante citado por jovens vegetarianos por causa das várias opções disponíveis. O bar inovou ao oferecer várias opções de lanches e porções para vegetarianos e veganos, além dos pratos tradicionais. Segundo o cozinheiro do estabelecimento Edicley Pereira, o local é bastante frequentado por esse público justamente pelo diferencial do cardápio: “Com certeza se não tivesse as pessoas não viriam”. O gerente Marcelo Domingos conta que esses pratos agradam mais aos jovens universitários: “você vai ver [no bar] muitos estudantes vegetarianos.” Agora, Izabela, que costumava fazer mais refeições em casa, se sente mais à vontade para comer fora: “É muito confortável você ir para um lugar e ter alguma coisa que você come.

fotos: Clara Rios

m consumidor que quase não era contemplado pelos negócios até pouco tempo, hoje já está se tornando aposta para bares e restaurantes. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), 8% da população de Campinas é vegetariana, o que equivale a cerca de 87 mil pessoas. O dado chega a ser superior ao percentual da Capital, de 7%. De olho nesse público, bares e restaurantes tradicionais têm adequado o cardápio com mais opções vegetarianas. A adequação dos bares e restaurantes agrada pessoas como a estudante Izabela Panini, de 21 anos, que é ovo-lacto-vegetariana – não come carnes, mas come ovo e toma leite. Ela afirma que é muito difícil encontrar opções para seu estilo de vida em bares na sua cidade, Jaguariúna, mas que, em Campinas, a situação está melhor. Ela reforça que não é preciso frequentar lugares especializados para encontrar pratos que agradem, já que os estabelecimentos, em geral, estão inserindo opções.

Legumes e frutas são ingredientes com os quais a estudante Izabela Panini usa a criatividade para cozinhar

Hamburguerias O inédito é que até hamburguerias estão investindo em alternativas sem carne. Para não perder os clientes em potencial, algumas franquias americanas de hambúrgueres da cidade oferecem saladas e lanches com hambúrguer de soja. A adequação dos restaurantes e bares, além de contemplar os vegetarianos, também agrada os 28% da população brasileira que, segundo a consultoria Ipsus, quer reduzir o consumo de carne. É o que acontece com a universitária Victoria Monti. Ela não quis tirar radicalmente a carne do cardápio, mas, sempre que existe a possibilidade, escolhe a opção vegetariana: “O fato da opção estar ali te ajuda a ampliar essa porcentagem de reduzir o consumo de carne, que é um objetivo que não é tão fácil de conseguir.” VEGANOS Os chamados veganos também são consumidores que têm ganhado espaço. Os adeptos desse estilo de vida, além de não comer carne, não utilizam nada que tenha alguma substância de origem animal, isso inclui desde ovos, por exemplo, até roupas de lã. Por mais difícil que pareça, o mercado de Campinas também tem opções para esses consumidores. Alguns estabelecimentos como SELS, OldDog, Veg Vida e Vegetalle são opções em Campinas totalmente veganas. Em relação aos produtos não comestíveis, os adeptos também têm opções. Mas aí o trabalho é redobrado. Eles precisam conferir a embalagem e etiqueta ou mandar e-mail para a empresa responsável perguntando sobre a composição.


Economia

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Pequenos negócios registram aumento de vendas Ateliês de costuras, brechós e agências de turismo rodoviário têm maior procura nos últimos meses

Gabriela Massaro

A

recessão econômica e o medo de ficar sem dinheiro têm favorecido alguns setores da economia, como os brechós, ateliês de costura e agências de turismo que atuam com pacotes rodoviários. A adaptação de preços, promoções, alta demanda de serviços e até contratação de novos funcionários têm se tornado presente nesses setores. A proprietária de brechó de roupas femininas Silvia Francisco explica que, nos últimos três meses, as clientes têm comprado menos. No entanto, o número de pessoas que procura a loja aumentou. “Antes, cada cliente comprava R$ 300,00. Hoje, compra R$ 100,00. Mas as vendas aumentaram, pois muita gente que antes não comprava em brechó, agora vêm à loja”, explica. Já para a costureira Creusa Aristaque de Mou-

ra, os serviços cresceram cerca de 50%. “Nos anos anteriores, nos meses de junho, julho, agosto e setembro a demanda caia muito. Neste ano, dobrou. Aqui nós nem sentimos a crise. Trabalhamos com quatro costureiras. Estou planejando adaptar meu ateliê para colocar outras máquinas e fazer a contratação de novas funcionárias”, afirma. Nas agências de viagens de porte menor, a procura também tem sido grande, em razão dos pacotes rodoviários, que chegam a custar 10% a 20% menos que os aéreos. A supervisora de vendas Camila Munhoz, de uma agência em Limeira, conta que a estratégia para atrair clientes foi priorizar roteiros nacionais. “Notamos que nossos clientes ainda queriam viajar, porém o poder de consumo diminuiu e a opção de parcelamento não é mais um atrativo. Nossa ideia foi au-

mentar pacotes rodoviários com viagens de dois ou três dias, fora de temporada”. Além disso, Camila percebe que os clientes têm preferência por pacotes pagos à vista ou poucas parcelas. Para o economista Candido Ferreira Filho, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), essa mudança é reflexo da insegurança. “No cenário econômico, tanto os empresários quanto os consumidores estão receosos em investir e fazer dívidas”, comenta. Segundo Ferreira Filho, os brechós e ateliês de costura também não sentem a crise porque, em geral, em fases de recessão, “muitas pessoas passam a escolher o que vão consumir pelo preço. O consumidor passa a preferir arrumar uma roupa seminova”, analisa. O supervisor de segurança Ricardo Vieira confirma a preferência. “Ultima-

mente, com a crise, prefiro comprar em brechós ou arrumar uma roupa seminova. O economista explica que essa oscilação é natural na economia e, assim que o

País passar por essa fase, a realidade muda. “É provável que assim que a crise passar esses consumidores voltem a comprar nas lojas de grife e deixem os brechós e costureiras para última opção.”

A costureira Creusa Aristaque de Moura relata aumento de clientes

Corpo

Academia em excesso pode causar insônia

Preparadores recomendam cautela para evitar o overtraining; sintomas envolvem lesões e perda de apetite Bárbara Alves

A

prática de atividades físicas nem sempre é feita da maneira correta e com o acompanhamento necessário, o que pode gerar problemas maiores para o corpo. O overtraining é um exemplo dessa prática incorreta, com treinamento

exagerado, sem descanso adequado e acompanhado da má alimentação. Segundo o fisioterapeuta Rafael Venâncio “quando você treina além da sua capacidade de recuperação, isso faz com que o corpo não se recupere até o próximo treino”. Os maiores problemas

causados pela prática excessiva são o cansaço, insônia, alteração do humor, perda de apetite, lesões frequentes e queda do sistema imunológico, fazendo com que o atleta fique mais suscetível a doenças. “Além disso, ao invés de aumentar o condicionamento físico do atleta, o overtraining Foto: Bárbara Alves

Professor de educação infantil Gustavo Matos teve que diminuir treinos após lesões causadas por excesso

causa sua diminuição, trazendo também a perda de força e resistência”, explica Venâncio. O fisioterapeuta conta que, buscando resultado e desempenho imediato, também já sofreu com o excesso. “Em 2008, eu apresentei os sintomas de overtraining, por conta de um treinamento de corrida em que acabei exagerando. Tive lesões sérias, falta de motivação e muito cansaço e fraqueza. Depois disso, nunca mais tive o mesmo ímpeto nos treinamentos.” O mesmo aconteceu com o professor de educação infantil Gustavo Matos, de 21 anos, que não conhecia o overtraining até se ver nessa situação e ter que diminuir drasticamente seus treinos. “Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso, mas comecei a sentir os sintomas quando exagerava nos exercícios físicos e busquei ajuda médica. Passava mal durante as ati-

vidades e não tinha mais disposição, então, percebi que aquilo não me fazia bem e muito menos trazia as mudanças que eu buscava”, conta. O educador físico Eduardo Pereira de Moraes afirma que é importante haver uma conversa entre o treinador e alunos, alertando sobre os perigos da prática excessiva. “Nós conversamos com os alunos. Além disso, reforçamos que respeitar a alimentação e o descanso é fundamental pra não acontecer o overtraining.” Venâncio recomenda que o atleta, assim que começar a sentir esses sintomas, diminua o ritmo, além de ter uma alimentação reforçada e de boa qualidade. “Para prevenir e tratar o overtraining, uma das principais estratégias é o conhecimento do treinamento, juntamente com a orientação de um profissional”, diz.


Trabalho

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Jornalistas discutem atuação de freelancer

Abrir mão da carteira assinada pode ser vantagem, desde que a pessoa saiba lidar com riscos e imprevistos Pedro Nogueira

O

s tempos de mudanças no jornalismo têm gerado preocupação e necessidade de adaptação por parte de estudantes e profissionais da área. Para aqueles que ainda estão na faculdade ou prestes a deixá-la rumo ao mercado de trabalho, novos formatos de atuação surgem como atrativos e opção diante das vagas nas mídias tradicionais. É preciso, portanto, estar atento aos detalhes para não se arriscar e sair no prejuízo. Segundo o Perfil do Jornalista Brasileiro, realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), em 2012, a cada quatro jornalistas que atuam na mídia um era freelancers, contratados como pessoas jurídicas (PJ) ou com contrato de prestação de serviço. A princípio, trabalhar como freela pode parecer um supernegócio, porque, em geral, a oferta de salário é maior e ainda existe a possibilidade de um horário flexível. Mas quem já vive neste mundo diz que isso não é tudo. “Na situação de freela, você pode ganhar mais se pegar mais trabalhos, mas é algo muito variável e instável”, explica a jornalista Bruna Mozer. Formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), ela trabalhou durante cerca de seis anos na redação de um jornal como funcionária com carteira assinada e hoje atua como jornalista freelancer, prestando serviço como Pessoa Jurídica (PJ) para um sindicato e uma agência de assessoria de comunicação. Em ambos os locais, ela trabalha como freela fixo, ou seja, exerce a mesma função de uma funcionária, inclusive com carga horária diária a ser cumprida, mas não tem carteira assinada. Como vantagens, ela enumera, além da flexibilidade de horários, a possibilidade de aceitar trabalhos extras, em outras áreas, o que não era permitido quando atuava no jornal.

Quem atua como freela, em geral, aproveita as vagas de curta duração, produzindo conteúdos para sites, revistas etc., sugerindo e desenvolvendo pautas ou cobrindo férias de funcionários em empresas de comunicação. Férias O supervisor de conteúdo do portal de notícias G1 em Campinas, Jarbas Soares, explica que é muito comum, em períodos de férias de funcionários, a empresa chamar jornalistas freelas para ficar um tempo exercendo a mesma função do ausente. Outra ocasião em que a empresa contrata jornalistas freelancers, explica Soares, é para cobrir eventos, reforçando a equipe.

Trabalhar como temporário pode significar uma futura oportunidade de contratação. “Tenho uma pasta no meu computador com vários nomes que podem ser chamados para conversar quando for necessário”, afirma o supervisor de conteúdo. Segundo ele, em caso de mudanças na equipe fixa, um freela que tenha se saído bem no tempo em que ficou na empresa pode ser contratado como funcionário. Sammya Araújo também é formada pela PUC-Campinas e é jornalista há 16 anos. Durante 11, trabalhou como funcionária na redação de um jornal de Campinas, mas se tornou freelancer após pedir demissão. As difíceis condições do trabalho anterior

e a demanda por cuidados do filho pequeno levaram-na a atuar como freela durante anos. Tempos depois, foi chamada para trabalhar no mesmo jornal de antes, mas, agora, como freelancer fixo. Sobre as desvantagens, ela pontua a falta de direitos trabalhistas que contemplem o profissional freelancer. “Se você fica doente, você não recebe, né?”, diz. Além disso, o freela precisa se organizar, já que, em seus ganhos, não pode contabilizar décimo terceiro, férias, seguro-saúde ou FGTS.

Assim, é possível ter Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e ser registrado como pequeno empresário. Para isso, é necessário ter um faturamento anual de até R$ 60.000,00 e não ter participação em outra empresa como sócio ou titular. Ser um MEI garante a negociação de trabalhos de maneira legal e segura. Como PJ, a pessoa pode emitir nota fiscal a clientes contratantes. Isso é uma vantagem, já que muitas empresas a exigem na hora de contratar. A pessoa, como MEI, também Como se tornar um PJ? está isento de impostos Uma opção para quem federais, cabendo apenas está começando a carreira o imposto fixo no valor de como jornalista freelancer é R$ 44,40 mensais, indese tornar um Microempre- pendente do seu ganho no endedor Individual (MEI). mês.


Cultura

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Divididos entre o palco e os livros

Universitários criam estratégias para conciliar vida acadêmica e carreira artística Verena Foltran

Q

porque estava trabalhando, já fazia outras atividades e ainda tinha a faculdade. Acho que a maior dificuldade foi organizar o tempo. Eram muitos ensaios, principalmente quando o espetáculo estava se aproxi-

cesso e se tornou referência na região, e foi segunda colocada no concurso de bandas para abrir o Festival João Rock, perdendo por pouco menos de 200 votos. Segundo o vocalista Sérgio, a medida que a ban-

te meu planejamento prioriza a banda, e a conciliação direta com os estudos não existe de forma muito eficaz”, conta o músico. “É questão de ponto de vista. Na viagem escrevi textos, fiz imersão, fizemos um foto: Verena Feltran

uatro horas de aula por dia, sete dias por semana. Isso tudo, sem contar o horário dividido com estágios, práticas esportivas e lazer. Para muitos estudantes universitários, há ainda uma outra função: as atividades artísticas que desenvolvem como carreira paralela. Vinda de uma família de artistas, com mãe musicista e pai ator e jornalista, a estudante Rafaela Tomé, de 18 anos, começou no baléclássico com apenas 3 anos. Com o passar do tempo, começou a adentrar ainda mais no universo da dança e praticou outros estilos e modalidades, como jazz, hip hop e sapateado. Em 2005, começou a se profissionalizar como bailarina. Em 2015, ao ingressar na faculdade de Relações Públicas, percebeu que teria que fazer acrobacia para dar conta da agenda, já que, desde os 17 anos, ela dá aula de dança e também faz apresentações profissionais. “Hoje em dia, acredito que não viveria só da dança por ser bastante difícil e instável”, conta a bailarina e futura RP. Entre as razões que fizeram Rafaela ingressar num curso superior, está o retorno financeiro. “Não é sempre que se acha trabalho na área, sem contar que é pouco valorizada. São raras as vezes em que pessoas se dão bem e conseguem viver só da dança a não ser que você abra uma academia ou seja coreógrafo de alguém renomeado”, conta. A universitária, no entanto, é enfática em dizer que não pretende abandonar as sapatilhas, por isso, faz de tudo para conciliar a rotina universitária e os palcos. Em seu planejamento prévio para a fase universitária, Rafaela optou inicialmente pelo período de estudos da manhã, justamente para poder se dividir entre as aulas, que normalmente são no período do final da tarde até a noite, e os estudos. Outra medida essencial tomada foi uma tabela de horários e uma agenda. Segundo a estudante, a partir do mo-

mento em que a rotina ficou corrida, foi necessário começar a anotar e selecionar os compromissos, dando prioridade sempre aos estudos. “Uma lista de tarefas para o dia sempre me ajuda. Eu consigo me orga-

Allan Contro, baixista da banda Polvo Brasileiro, estuda publicidade, concilia com carreira, mas diz que a prioridade sempre vai ser a música

nizar melhor e não esqueço nada. Antes de eu pensar nisso, corria que nem louca e sempre acaba esquecendo de alguma coisa”. Quem também vive a realidade de dividir os estudos com os palcos é a jovem Natália Mariotto. No terceiro ano de jornalismo na PUC-Campinas, a estudante sempre esteve envolvida no meio do teatro, mas começou a se dedicar a carreira de atriz a pouco mais de um ano, quando já cursava a faculdade. Inicialmente com o objetivo de prestar Artes Cênicas, Natália é um exemplo de que optou por uma carreira fora do meio das artes por conta da insegurança e instabilidade da profissão. Recentemente, a atriz fez parte da adaptação campineira do musical “Mamma Mia”, que foi sucesso de bilheteria na cidade, e sofreu para se adaptar a rotina de estudos e ensaios. “Na época em que fui escolhida para fazer o papel na peça pensei muito se eu realmente daria conta de fazer tudo,

mando”, analisa. Apesar do desafio, a conciliação veio também a partir de um planejamento particular. “Para isso tive que organizar meus horários de estudos e abdicar de muitas coisas como ir a festas durante a semana. Fora o cansaço, eu sempre estava exausta no fim do dia. Como o teatro é algo que eu amo muito, eu faço escolhas. Muitas vezes nos horários que antes eu saía, tenho que estudar porque sei que já estou comprometida no restante do tempo com ensaios e cursos que faço. Penso que tudo é uma questão de prioridade”, afirma. Desafios Para os músicos da banda Laranja Oliva, o desafio ainda é maior. Os cinco componentes, primos, começaram a tocar ainda na adolescência quando todos moravam em Limeira (a 55 quilômetros de Campinas). Mas, hoje, cada um faz faculdade numa cidade diferente. A banda faz su-

da foi crescendo, a postura dos integrantes se adaptou e mudou, passando de apenas artistas, mas para também microempresários da banda. O músico conta que, no ano passado, a banda realizou uma turnê pela Bolívia, onde em 16 dias, fez nove shows, conhecendo quatro cidades. Apesar da experiência única e enriquecedora, a viagem rendeu três reprovações para o vocalista na faculdade por faltas. “A partir do meu segundo ano, tornei a banda minha prioridade. Eu tentava conciliar com outros empregos, mas sempre os deixava na mão, por um final de semana de festival, ou uma reunião em Limeira, um ensaio em Americana, então trabalhar sem ser com música não estava dando certo. Com os estudos foi mais complicado. Eu adoro jornalismo, não queria desistir do curso, é caríssimo e me abriu muitas portas, mas as situações nos colocam em prova de fogo e infelizmen-

documentário, várias imagens. Fiz mais jornalismo do que em 3 anos de faculdade, e tudo isso na prática. São escolhas que valem a pena”, explica Sérgio. Quem também compartilha uma agenda lotada é o estudante de publicidade e baixista da banda “Polvo Brasileiro”, Allan Contro. Apesar do sucesso repentino e claramente reconhecido pelos estudantes, na rotina dos ensaios e apresentações, a interferência no desempenho acadêmico é praticamente nula. “Por enquanto, eu consigo conciliar meus estudos e minha música. Mas a prioridade sempre vai ser a banda. Tanto me vejo ganhando dinheiro com isso quanto acredito que é o meu sonho e de qualquer outro músico. Fazer da música o meu ganha-pão vai ser sempre meu objetivo e meu incentivo a continuar no meio, mas, enquanto isso não acontece, optar por uma carreira alternativa vem sendo minha solução”, finaliza.

Saiba + - Edição Setembro de 2015  
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