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Turismo

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Outubro de 2016

Segurança é obstáculo para aplicativos Softwares para smartphones são opções para viajar, mas riscos ainda causam dúvidas

Foto: Vitória Gimenes

A estudante de medicina Vitória Gimenes, com amigos na Islândia: a viagem foi programa com reservas feitas por meio de aplicativos; ela aprovou os recursos

Isabella Levy

A

facilidade de acesso a serviços por meio de aplicativos esconde, muitas vezes, o outro lado da história: a falta de segurança e de garantias na hora de reservar hospedagem. Tanto para quem viaja como para quem cede o espaço, todos estão sujeitos a imprevistos. Ao mesmo tempo, cresce o número de usuários de serviços como Couchsurfing como alternativa aos viajantes. No Brasil, o aplicativo Airbnb se tornou fornecedor oficial de hospedagem alternativa durante os Jogos Olímpicos Rio 2016. No entanto, certas polêmicas envolvem o uso desses serviços, principalmente, em viagens internacionais. A ideia desses aplicativos consiste em facilitar o aluguel de acomodações, que variam

desde sofás até castelos e palácios. A confiança no anfitrião ou no hóspede se baseia nas experiências de quem já os recebeu ou já se hospedou no local. Não há qualquer tipo de vistoria ou de garantia: tudo se fundamenta nas experiências de viajantes ao redor do mundo. A estudante de Medicina Vitória Gimenes utilizou o aplicativo em uma viagem com amigos para a Islândia e para Berlim. Ela relata uma boa experiência: o cadastro foi feito a partir do Facebook, sem nenhum questionário específico. Quando comparado ao serviço de hostel, ela diz que o Aribnb tem mais privacidade e conforto e o preço não difere muito. No entanto, Vitória afirma que não se vê na posição oposta: “Não sei se eu alugaria um cômodo para alguém... Além de não ter disponibili-

dade para cuidar disso, acho que eu não confiaria em um desconhecido na minha casa, sendo que eu não estaria lá para olhar a maior parte do tempo”. Como viajante, “se estivesse sozinha eu escolheria algum hostel ou hotel, porque nesse caso não teria muita confiança para ficar em algum lugar desconhecido”, afirma. Por outro lado, Mayara Feres, estudante de Publicidade, viajou diversas vezes usando serviços do aplicativo e diz que não teria problemas em ceder acomodações pelo sistema, que lhe transmitiu segurança. “Por ser mulher, acho que sempre estou sujeita a algum risco, mas o app sempre me passou muita segurança. Então, eu não vejo problemas e confio bastante”, afirma. Entretanto, problemas com aplicativos de viagens não estão restritos a serviços de aluguel

informal de cômodos, como couchsurfing. Isabel Ruiz, estudante de Jornalismo, viajou para a praia utilizando o aplicativo Trivago, de reserva de hotéis, e encontrou dificuldades. “Sempre ouvi comentários bons, mas, quando fui usar, me decepcionei. Meu erro foi confiar demais no app”, afirma. “A reserva foi bem rápida, tudo muito simples, mas, quando cheguei no hotel, a reserva não havia sido efetuada”, relata. Isabel notou, após o problema, que seus comentários negativos, bem como de outras pessoas que encontraram problemas, haviam sido apagados, o que, para ela, pode ser a justificativa por sempre ter encontrado apenas comentários positivos sobre o serviço. Paralelamente, enquanto usuários refletem sobre prós e contras de serviços pagos, a cario-

ca Mariana Mendes oferece gratuitamente um cômodo de seu apartamento para quem visita a cidade e não tem onde ficar. “Eu entrei num couchsurfing exclusivo para mulheres que necessitem do serviço para pegar umas dicas de viagem e vi que sempre tinha alguém sem casa no Rio. Resolvi tentar abrigar conhecidas, a experiência foi ótima e continuei”. Até o momento, Mariana relata nunca ter tido experiência ruim, criando até grandes amizades, mas ela não descarta a possibilidade de alguma intercorrência, já que o hóspede fica com as chaves de sua casa. “Eu sempre tento pesquisar a vida da pessoa que vou abrigar, mas estamos sujeitas a problemas. Vou na confiança, sempre acreditando que vou chegar em casa e estar tudo no lugar”, completa.

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