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Teatro “Poema Bar” com Alexandre Borges conta sobre Vinícius e Pessoa Página 12

Faculdade de Jornalismo

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Puc-Campinas

Carro elétrico não tem investimento

Com a constante alta no preço da gasolina incomodando a população, a consciência ambiental mais presente e ativa e a busca do mercado automobilístico por novidades para aumentar as vendas, esperava-se que o carro elétrico fosse a solução para os problemas dos consumidores e um sucesso de vendas. Porém até hoje, sete anos depois do protótipo desenvolvido no Brasil, não se vê carros elétricos pelas ruas – a frota no país não passa de 200 unidades – e o principal obstáculo são os altos impostos incidentes sobre os veículos. Página 3 Jéssica Bigon

Caderno especial: Preços de smartphones Jornada de Jornalismo traz despencam correspondentes internacionais Bárbara Bigon

A partir deste mês, comprar smartphones vai ficar 30% mais barato em comparação aos aparelhos importados. Isso porque, a presidenta Dilma Roussef assinou decreto reduzindo o PIS/PASEP e COFINS desses celulares. Algumas das caractéristicas dos aparelhos que terão direito a desoneração serão os com internet em alta velocidade, 3G, e com valores até R$1.500. Página 4

A Faculdade de Jornalismo da PUC realizou, neste mês, a Jornada de Jornalismo. O tema da foi: Correspondentes Internacionais: a reportagem sem fronteiras. O objetivo foi proporcionar aos alunos a oportunidade de entrar em contato com jornalistas que se projetaram na tarefa de representar órgãos de comunicação. Página 7

Exercício é aliado na perda de peso Um resultado eficaz para o emagrecimento deve incluir também a atividade física, espantando o sedentarismo. “Para atingir as metas e buscar a faixa ideal de peso, devemos conciliar uma alimentação saudável e equilibrada, atividade física diária, respeitar no mínimo 7 horas de sono por dia, controlar o estresse”, orienta mestre em Ciência do Desporto. Página 3

Campinas e município português se tornam “cidades - irmãs” Além dos restaurantes e bares com influência de Portugal, Campinas criou mais um vínculo com o país. Em junho de 2012, pouco antes de se iniciar o Ano do Brasil em Portugal e de Portugal no Brasil, Cascais assinou Acordo de Gremiação, as duas cidades agora são “irmãs”. Página 11


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OPINIÃO

RÁPIDAS

EDITORIAL

Virada Cultural apresenta programação que vai de Emicida à Orquestra Sinfônica

De Cara Nova

A região de Campinas recebe programação da sétima edição do maior evento simultâneo do interior e litoral de São Paulo, a Virada Cultural Paulista, que acontece nos dias 25 e 26 de maio. Os eventos são gratuitos e se espalham por 26 cidades do Estado durante 24 horas. Música, dança, teatro ou artes visuais: há opção para todos os gostos e estilos. Passam por campinas atrações como o Stand-Up Humor de Salto Alto, o cantor Emicida e a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Jundiaí recebe Clarina Fasanaro, Orquestra Jundiaiense de Viola Caipira, Gal Costa, entre outros. A programação completa pode ser encontrada em www.viradaculturalpaulista.sp.gov.br.

O Jornal Saiba Mais estreia nesta edição com novo projeto gráfico. Entre outras características, o jornal conta com mais fotos, menos textos, mas sempre reafirmando sua responsabilidade com o leitor, trazendo informações de qualidade sobre a cidade de Campinas e da Puc, universidade onde o jornal é produzido pelos alunos de jornalismo. O projeto foi criado em 2012, durante as aulas de Planejamento Gráfico B, ministrada pelo professor Amarildo Carnicel. A partir de conhecimentos apreendidos nessas aulas, e também, através de experiências profissionais, as alunas Andréa Nunez, Heloíse Lima e Maria Eduarda Gazzetta, desenvolveram o projeto sempre pensando em uma leitura mais leve, menos cansativa e atraente. Saiba Mais reafirma seu compromisso com os leitores, mas com a qualidade editorial de sempre. Boa leitura! ARTIGOS

Jornais locais e Universidades: parceria pode dar certo Juliana Marcelino

Estudante de Jornalismo

Centenário do Tênis Clube traz exposição do artista plástico Renato Stegun Em comemoração ao aniversário de 100 anos do Tênis Clube de Campinas, o clube organizou a exposição “Divinas”, com obras do artista plástico campineiro Renato Stegun. Aberta ao público, pode ser visitada todos os dias até dia 31 de maio na Galeria de Arte Geraldo Jurgensen do Tenis, das 8h às 21h. Stegun expõem 12 telas que retratam a polivalência do universo feminino em diferentes tons e ações. Complementando a mostra, o artista organizou também a série “Divininhas”, que aborda o mesmo tema, só que em ilustrações digitais. Todas as telas estão à venda.

Museu de Campinas recebe exposição do artista plástico Egas Francisco O Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC) apresenta uma seleção de 45 telas recentes de Egas Francisco, na mostra “Monstro de Gelo”, até 9 de junho, de terça a domingo. Considerado um dos grandes nomes da pintura brasileira, Egas aborda temos como cultura e ícones imortais. Nesta exposição há obras como autorretratos, retratos, imagens de animais e celebridades. A entrada é gratuita.

Saiba + Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUCCampinas. Centro de Comunicação e Linguagem (CLC): Diretor: Prof. Dr. Rogério E. R. Bazi; Diretora-Adjunta: Profa. Me. Maura Padula; Diretor da Faculdade: Prof. Me. Lindolfo Alexandre de Souza. Tiragem: 2.000 Impressão: RAC. Professor responsável: Luiz R. Saviani Rey (Mtb13.254) Editora: Maria Eduarda Gazzetta e Giovana Rodrigues Seabra Diagramação: Jéssica Bigon Endereço: CLC Campus I – Rodovia D. Pedro, km 136. Cep: 13086-900

Não é talento. É dedicação

Jéssica kruck

Estudante de Jornalismo

N

os últimos dois anos presenciamos grandes mudanças nos tradicionais veículos impressos, resultado da procura por meios inovadores para sobreviver a um contexto cada vez mais favorável aos empreendimentos virtuais. Em entrevista ao site Observatório da Imprensa o jornalista Alberto Dines perguntou a Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo e dono de uma série de jornais de pequeno e médio porte dos Estados Unidos, como um jornal deve se tornar indispensável. A resposta foi simples: tornar-se indispensável para parte dos leitores, originando um senso de comunidade. A resposta segue a tendência de descentralizar as notícias, recuperando os leitores a partir da revalorização comunitária. Já utilizado por alguns webjornais dos EUA, o jornalismo participativo e comunitário surge como solução tanto para

D

edicação. Um bom jornalista constrói sua carreira e aprende a escrever bons textos com muito esforço e dedicação. Essa é a mensagem que o jornalista Kléster Cavalcanti, deixou aos alunos que assistiram a Jornada de Jornalismo. A leitura de bons autores e a prática de redação também são elementos fundamentais para o processo de aprendizado. O melhor aqui está na proposta de alguns de nossos melhores professores defendem – o real jornalismo, que sai da zona de conforto, do senso comum e produz as grandes reportagens, na qual o lead é coadjuvante e não personagem principal que dita o conteúdo. Precisamos discutir, ler sempre e não mais, já que todos os alunos, preciso crer, leem

os jornais locais, que resistem sem recursos financeiros ou humanos, quanto para os de grande influência, que passam a experimentar novos modelos de negócios. Entretanto, um terceiro parceiro tem se tornado interessante: as universidades. O New York Times, em meados do ano passado, mostrou a iniciativa da Universidade Mercer (Georgia, EUA), que investiu US$5,6 milhões ao trazer o jornal de Macon e a Georgia Public Radio para seu campus, com o objetivo de salvar o jornalismo local da cidade. A iniciativa, já seguida por três universidades de Ohio e uma de Miami, revela a necessidade de editores e professores conhecerem o futuro do jornalismo, aprendendo e trabalhando junto com os estudantes. Em meio a erros e acertos esta pode ser a saída para os futuros profissionais e a salvaguarda dos veículos locais que permanecem. de tudo e estabelecem seus próprios critérios de seleção. Nós reclamamos, não temos um comportamento exemplar, mas queremos e trabalhamos para aprender. Pedimos mais espaço para produzir no formato de redação. Reclamamos de prazos que não conseguimos cumprir e fazemos o mesmo com prazos folgados demais. Há contradição e outros traços comuns à falta de experiência e a vontade que temos de provar a que viemos. Mas também há dúvida em relação ao futuro, falta de estímulo quando nos deparamos com muitos “nãos”. Queremos confiança na nossa capacidade de acertar, Porque é praticando que se aprende a fazer jornalismo de qualidade.


SAÚDE

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ida Sde audável BV oatos Ataque

Nutrição sob medida vira tendência

Detox Delivery: entrega de comida saudável é novidade e atrai atenção de consumidores Andréa Nuñez

U

m novo mercado no segmento da nutrição vira tendência em Campinas. Trata-se do detox delivery, já apelidado de “faxina no organismo”, que tem como principal objetivo a desintoxicação e melhor funcionamento dos órgãos. O surgimento do detox delivery ou detox in box leva praticidade aos consumidores campineiros, já que estes, recebem refeições diárias durante uma semana e aprendem como se alimentar melhor. Natália Gueldini, nutricionista e dona de um consultório que realiza atendimento e entrega do detox em Campinas, fala um pouco da ideia dessa nova vertente: “sempre quis trabalhar com o atendimento

nutricional junto com a entrega de alimentos, isso facilita muito a adesão à dieta, pois tudo é entregue pronto. Em São Paulo tem muitas empresas que trabalham com entrega de kits saudáveis e em Campinas está surgindo agora e aos poucos”. Uma adepta da dieta é a Juliana Pierro, publicitária, que aderiu a essa alternativa logo após o Carnaval com o objetivo de diminuir o inchaço devido ao excesso de consumo de bebidas alcoólicas e comidas pesadas. Depois de uma semana seguindo a dieta, o resultado trouxe surpresas: “além da redução de medidas, que não era esperada, passei a dormir melhor e me sentir mais disposta para as ativi-

Andrea Nuñez

Alimentos da dieta detox frescos e embalados para entrega aos consumidores

dades diárias”, afirma. Embora a perda de peso não seja o foco principal dessa dieta, esta é possível, afirma a nutricionista Diana Bento da Silva: “as pessoas passam a notar que uma alimentação equivocada é preponderante para o aumento de peso e que o cuidado deve ficar numa preparação adequada dos alimentos, permitindo assim, um primeiro passo

para o emagrecimento”, explica. No entanto, Gueldini ressalta que uma perda de peso saudável leva em consideração um atendimento individualizado e personalizado: “só com um atendimento nutricional pré detox é possível um emagrecimento significativo e, mais do que isso, a manutenção de peso”, completa. A dieta deve ser realizada por um cur-

to período, uma ou duas semanas, pois são pobres em alguns nutrientes e seu uso abusivo sem acompanhamento nutricional pode causar reações adversas. Além disso, as especialistas afirmam que um resultado eficaz para o emagrecimento deve incluir também a atividade física regular e uma alimentação balanceada rica em vitaminas e sais minerais.

Saiba mais da dieta detox O programa inclui alimentos naturais e exclui alimentos industrializados e aqueles com alto potencial alergênico, como laticínios, leite de soja, glúten (trigo), cereais refinados, açúcar, adoçantes, corantes, conservantes, café e álcool. O cardápio detox precisa conter frutas, verduras, legumes orgânicos, carnes magras, oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas), cereais (arroz integral, quinua, amaranto), leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), sementes (linhaça, semente de abóbora e girassol) e muito líquido (água mineral, chás, água de coco). E mais: deve-se caprichar nos temperos naturais, como alho, cebola, alecrim, gengibre, curry e as ervas frescas.

Exercício físico é aliado na perda de peso A pratica esportiva pode ser uma boa opção na redução de medidas na busca da vida saudável Andrea Nuñez

Andréa Nuñez

U

m resultado eficaz para o emagrecimento deve incluir também a atividade física regular, espantando o sedentarismo. “Para atingir as metas e buscar a faixa ideal de peso, devemos conciliar uma alimentação saudável e equilibrada, atividade física diária, respeitar no mínimo 7 horas de sono por dia, controlar o estresse”, orienta Alexandre Batista, mestre em Ciência do Desporto. Batista fala muito do procedimento multidisciplinar, que seria aquele em conjunto com nutricionista e profissional de educação física. Para ele, a consulta ao médico é primordial para avaliar cada pessoa a partir de suas especificidades e assim, direcionar as ações para cada

Ciclismo é uma das opções de prática de esporte que ajudam na perda de peso

tipo de pessoa, com suas limitações e até doenças. O segredo para a perda de peso está no aumento

do gasto energético e na diminuição da ingestão calórica, traduzindo: comer menos e se mexer mais.

As melhores opções de exercícios somada à dieta alimentar são: caminhada e ginástica com pesos, mais

conhecida como musculação. “Essas duas atividades melhoram o condicionamento cardiorrespiratório e neuromuscular”, ressalta o especialista. Os resultados são obtidos através da regularidade no programa de treinamento físico e reeducação alimentar, sendo importante ter paciência para compreender as respostas do metabolismo, ou seja, o resultado não é imediato e exige dedicação. Além disso, Batista afirma que os benefícios vão muito além da perda de peso, e contribui para uma melhoria na qualidade do sono, aumento da autoestima e bem estar físico, redução do estresse, mais disposição para atividades diárias, fortalecimento dos músculos e ossos e prevenindo doenças na terceira idade.


CIDADES

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ovas D iretrizes BNoatos de Ataque

Curso deve priorizar a autonomia do jornalista Comissão nomeada pelo MEC propõe novas diretrizes para o curso de Jornalismo Fernanda Canobel

A

s novas diretrizes curriculares para o curso de Jornalismo, elaboradas por uma comissão nomeada pelo Ministério da Educação (MEC), propõem uma série de atualizações para que as faculdades preparem seus alunos para o mercado, diante das exigências atuais, como o domínio das plataformas multimídias e o empreendedorismo frente à possibilidade de exercício autônomo da profissão. Embora já tenha sido aprovada pela Câmara da Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, o documento ainda espera a homologação do ministro da Educação para entrar em vigência. Ainda assim,

faculdades já buscam adequar sua matriz curricular às diretrizes. Segundo a Profª. Dª. Rosemary Bars Mendez, professora e integradora acadêmica de graduação do curso de Jornalismo da PUC-Campinas, o Núcleo Docente Estrutural da faculdade atualizou sua matriz curricular no ano de 2012 já buscando a padronização segundo o documento, mesmo antes de entrar em vigor. Dentre os pontos que serão modificados, estão o estágio obrigatório, o preparo do aluno para o trabalho com plataformas multimídia e para a atuação autônoma. “Com a atualização da grade curricular do curso, que elaboramos no ano passado, reestruturamos as disciplinas mi-

nistradas para atender essa exigência que é, na verdade, algo em decorrência da atual demanda do mercado de trabalho. Assim,

abordamos na nova matriz curricular o preparo para as plataformas multimidiáticas, bem como para a atuação em assessoria de

imprensa e comunicação organizacional, focando o empreendedorismo do jornalista”, explica a professora.

Sem Ide mpostos Boatos Ataque

Preços de smartphones despencam e compra é facilitada Com desoneração, preços dos aparelhos celulares brasileiros ficam 30% mais baratos Maria Eduarda Gazzetta

A partir deste mês, comprar smartphones vai ficar 30% mais barato em comparação aos aparelhos importados. Isso porque, a presidenta Dilma Roussef assinou decreto reduzindo o PIS/PASEP e COFINS desses celulares. Os aparelhos que terão direito a desoneração serão os com internet em alta velocidade, 3G, e com valores até R$1.500. Para o professor de economia da universidade Puc Campinas, Cândido Ferreira Filho, a desoneração dos impostos é positiva. “Qualquer redução é importante para que movimente a economia do nosso país”, disse o professor. A fonoaudióloga Larissa Almeida, de 22 anos, aproveitou a medida e economizou R$400 na compra do smartphone. “Eu já pretendia comprar o celular, porém, antecipei em função da redução”, comentou. Larissa, que ficou sabendo da redução através das

mídias sociais, vê a desoneração positiva. “Se há a possibilidade de o governo fazer essa redução, acho importante que sempre faça”, comentou a fonoaudióloga. E com os valores mais baixos, a expectativa é que as vendas cresçam 5%. “Os smartphones se tornaram produtos básicos, de primeira necessidade. A ideia que temos é que quem não tem o aparelho vai comprar ou quem já possui, vai trocar por um

mais moderno”, explicou o professor Cândido. Ainda para o professor, o consumidor é o maior beneficiado com a redução dos impostos. “A população vai ter o produto mais barato, com isso, as vendas vão aumentar, a produção vai crescer e mais empregos vão ser gerados”, finalizou. Além de 3G e com valor até R$1.500, as características necessárias do celular estão o wi-fi, aplicativo de navegação e de correio

eletrônico, sistema operacional que disponibilize kit de desenvolvimento por terceiros, tela igual ou superior a 18 cm, teclado QWERTY e aplicativos desenvolvidos no país, inclusive por terceiros. Outro benefício esperado com a desoneração é incentivar a disponibilidade de aparelhos 4G no padrão brasileiro, resultado do leilão realizado em junho de 2012. Hoje existem apenas três modelos com 4G no mercado brasileiro.

CRESCIMENTO - Segundo o Ministério das Comunicações, com a desoneração, a estimativa é que até 2014 os aparelhos com os aparelhos com acesso à internet representem 50% da venda de celulares do país. O gráfico acima mostra o crescimento da venda de smartphones desde 2009. Na época, foram comercializados 2 milhões de aparelhos, já em 2012, o número chegou a 16 milhões, ou seja, um crescimento de 700%.


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CULTURA

Museu

Campinas não respira Carlos Gomes, diz especialista Arquivo com obras e objetos do compositor campineiro clamam por investimentos Gustavo Carvalho

Q

uem passa pela Rua Bernardino de Campos, no centro de Campinas não sabe que alí, na esquina com a Av. Francisco Glicério, sobre de uma tradicional papelaria está guardado um importante acervo com obras e objetos que pertenceram ao compositor e maestro campineiro Antonio Carlos Gomes. O Museu Carlos Gomes, como é conhecido, esta instalado na sede do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, instituição sem fins lucrativos, responsável por manter importantes obras do maestro, além de servir de espaço para pesquisa, já que também guarda uma biblioteca com pelo menos cem mil títulos, jornais, recortes de revistas. O recurso para a manutenção do espaço chega por meio de doação. Anualmente, os cerca de setenta membros do CCLA contribuem com cento e cinquenta ou

trezentos reais somados valor recebido pela locação do andar térreo, onde abriga um comércio. O montante serve para bancar os custos de manutenção do prédio, do acervo e o pagamento de funcionários, o que é insuficiente para pagar se investir em exposições e melhores acomodações. De acordo com a docente do departamento de música da Unicamp, e curadora do museu Carlos Gomes, Lenita Mendes Nogueira, o espaço precisa urgentemente de recursos para que haja melhor acomodação das obras. “Precisamos digitalizar nosso acervo musical, melhorar nossa sede, reformar nossas instalações. O museu tem que ser ativo. Temos que estar presente na sociedade com exposições itinerantes, mas pra isso é preciso recursos.” pontua, Lenita. A instituição conta com um terreno localizado no Parque Alto Taquaral, doação da

Gustavo Carvalho

Piano do compositor Antonio Carlos Gomes doado pelo Governo do Estado do Pará de 1927

prefeitura. O projeto já está pronto. A obra orçada em 7 milhões de reais não saiu do papel, já que não há recursos. Além do arquivo musical, com manuscritos e impressos, tanto de música erudita como de música popular, escritos entre os séculos XIX e XX, e que totalizam três mil obras, o museu guarda objetos e documentos sobre

o compositor, sendo um dos bens mais preciosos o piano que pertenceu ao maestro e que foi trazido de Belem, Pará, em 1927, como doação do Governo do Estado. A docente afirma que a cidade de Campinas está se esquecendo de Carlos Gomes. “São poucos os espaços que ainda levam o nome do compositor. Se você vai

em países como Áustria, terra de Mozart, ou mesmo na Argentina, berço de Carlos Gardel, para todos os lados há referências dos compositores, e aqui em Campinas as pessoas não conhecem o valor de Carlos Gomes.” Carlos Gomes nasceu no dia 11 de julho de 1836 e morreu em Belém, Pará, em 16 de setembro de1896.

Índio

Cultura indígena ainda sofre preconceitos, diz cacique Para cacique Pawana Crodi, sistema de ensino não respeita cultura indígena Danilo Pessôa

S

egundo o cacique Pawana Crodi, da tribo Kariri-xocó, de Alagoas, a cultura indígena ainda sofre preconceito nos espaços públicos, incluindo escolas e universidade. “Quando o índio vai estudar, é obrigado a vestir calça, camisa e tênis. Essas coisas não fazem parte da nossa cultura. Acredito que o certo seria as escolas e universidades, por exemplo, nos aceitarem usando os trajes que estamos acostumados. Não respeitam nossos costumes nos espaços públicos”, diz. Além disso, Pawana afirma que famílias que não possuem contato com a cultura indígena, tendém a não ver com bons olhos um casamento entre um índio e um branco. Os Kariri-xocós se apresentaram no final de abril para cerca de 1300 crianças da Escola Municipal

Anália de Oliveira Nascimento, do Jardim Bom Retiro, em Sumaré. Foram apresentados cinco torés – danças e músicas típicas da cultura da tribo – comumente realizadas em situações cotidianas na aldeia, como colheitas e casamentos. Para Pawana Crodi, essa é uma oportunidade de mostrar às crianças o índio contemporâneo. “Esse contato serve para ensiná -las a respeitar a cultura indígena. Elas estudam o índio de séculos atrás, e nós viemos mostrar como é o índio de hoje, nossos costumes, roupas e objetos”. Havia também uma mesa no local expondo o trabalho artesanal feito pela tribo, incluindo desde colares e pulseiras, até arcos e flechas. Representando a Secretaria da Educação, estava a superintendente de ensino Maricy das Graças Mobi-

lon, que considerou o contato enriquecedor. “É uma oportunidade única para realizar a troca de cultura e para as crianças terem o contato direto com o índio.”, diz. Ao final, o grupo indígena foi ovacionado pelas crianças. Os Kariri-xocós farão outras apresentações na região neste final de semana.

Índios

modernos

- O

cacique considera que a modernidade deve atingir também as tribos indígenas. “Nós também precisamos evoluir. Na nossa tribo temos celular, internet e objetos eletrônicos, porque precisamos nos comunicar. Modernidade é importante, desde que não percamos nossa cultura”, afirma Pawana Crodi.

Ainda segundo Pawana, há uma preocupação crescente na comunidade indígena pela formação universitária. “Apesar das dificuldades, já temos em nossa tribo índios formados em pedagogia. Precisamos também de índios médicos, entre outras profissões importantes, para que possam contribuir para melhoria da comunidade”. Divulgação

“Não respeitam nossos costumes nos espaços públicos”, diz cacique Pawanda Crodi


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CIDADES

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Tecnologia Boatos de Ataque

Governo não investe em carro elétrico Altos impostos e falta de investimentos do governo impedem sucesso de veículo elétrico

Jéssica Bigon

Jéssica Bigon

C

om a constante alta no preço da gasolina incomodando a população, a consciência ambiental mais presente e ativa e a busca do mercado automobilístico por novidades para aumentar as vendas, esperava-se que o carro elétrico fosse a solução para os problemas dos consumidores e um sucesso de vendas. Porém até hoje, sete anos depois do protótipo desenvolvido no Brasil, não se vê carros elétricos pelas ruas – a frota no país não passa de 200 unidades – e o principal obstáculo são os altos impostos incidentes sobre os veículos. Segundo Vasco Vilela, economista português especialista em inovação, para que o veículo elétrico seja introduzido efetivamente no mercado brasileiro é necessária uma atenção até o momento inexistente do governo. “O governo ignora o carro elétrico”, afirma. Vasco pesquisa os impactos do carro elétrico para o setor elétrico, econômico e meio ambiente, para ele o primeiro passo é a inserção de impostos que condizem com a realidade do

Th!nk, o veículo 100% elétrico é recarregado por 8 horas em tomada comum de 220v e possui autonomia de 160km

carro. Atualmente, o IPI – Imposto sobre Produto Industrializado de carros elétricos no Brasil é de 25%, o mesmo de carros de luxo e de grande potência. Outro obstáculo existente é a falta de postos de recarga. É necessário um maior investimento em in-

Jéssica Bigon

Posto de recarga de veículo totalmente elétrico que pode ser conectado a uma tomada comum de 220v.

fraestrutura nas redes elétricas para que a recarga seja feita tanto nas residências quanto nas estradas. Tramita na Câmara um projeto de lei, dos deputados Heuler Cruvinel (PSDGO) e Onofre Santo Agostini (PSD-SC), que torna obrigatória a instalação de

pontos de recarga de baterias de carros elétricos em vagas de estacionamentos públicos pelas concessionárias de serviço de distribuição de energia. O Poder Executivo deverá desenvolver mecanismos que para instalação de tomadas para recarga nas vagas das

garagens de prédios residenciais. Com isso, o outro empecilho atual que é a falta de postos de recarga, desapareceria incentivando as vendas desses automóveis que prometem além de ecônomia financeira, um menor impacto no meio ambiente.

Os 3 tipos de veículo elétrico Totalmente Elétrico

Híbrido Regular

Híbrido Recarregável

Os veículos totalmente elétricos não possuem um motor movido a petróleo, nem como reserva para ser usada no caso de que a bateria acabe. Para viagens de distância maior de 90 quilômetros, a bateria deve ser recarregada em postos de recarga ou trocada em pontos de troca de baterias eletricas automotivas específicas para esse tipo de veículo. Considerado um carro potente e leve, sua bateria é maior que a de veículos híbridos. Polui muito menos que carros movidos a gasolina ou alcool, porém sua autonomia é considerada pequena e seu custo muito alto para o mercado brasileiro.

O híbrido regular usa uma bateria elétrica e um motor à combustão em alguns momentos. Um grande diferencial do híbrido regular para o carro totalmente elétrico, é que a bateria deste não é recarregada na tomada, mas sim durante a viagem, através do outro motor que o acompanha. Sendo assim, não é necessário paradas para fazer a recarga. Muito parecido com o carro tradicional movido à gasolina, perde no quesito preservação ambiental. Apesar de mais barato, acaba sendo menos potente porque a bateria e o motor são pequenos, e em viagens mais longas também não é tão econômico.

O carro híbrido recarregável, também conhecido como plug-in, é um pouco mais requintado, Neste, a bateria elétrica é utilizada na maior parte do tempo. O motor à combustão funciona automaticamente para recarregar a bateria quando esta começa a acabar ou se esvazia por completo, em caso de viagens mais longas. Se isso acontece, pode ser recarregada em pontos de recargas como os utilizados pelos totalmente elétricos. Com autonomia e potencia maior, fica em desvantagem em relação ao peso e ao preço. Mais caro e pesado possuí também um espaço interno menor.


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JORNADA

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Jornada de Jornalismo traz quatro correspondentes internacionais Andréa Nuñez

O autor do livro “Dias de inferno na Síria”, Klester Cavalcanti, lotou o auditório Dom Gilberto na primeira noite de palestras da Jornada de Jornalismo

H

istoricamente, a Faculdade de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de CampinasPUC-Campinas realiza todos os anos a Jornada de Jornalismo, momento relevante para um curso classificado entre os quatro melhores do Brasil, em que seus alunos têm a rara oportunidade de participar de palestras e exposições levadas por profissionais com reconhecida capacidade e destacada carreira em áreas diferenciadas do campo jornalístico. Este ano, o tema da Jornada foi: Correspondentes Internacionais: a reportagem sem fronteiras. O objetivo da direção da Faculdade foi no sentido de proporcionar aos estudantes a oportunidade de entrar em contato com jornalistas que se projetaram na difícil tarefa de representar órgãos de comunicação do Brasil transmitindo informações

do Exterior, em especial de países em conflito ou em guerra, como a Síria e o Irã, ou dos Estados Unidos, nas esferas política e econômica, e também profissionais que representam agências noticiosas estrangeiras no país. Os palestrantes da Jornada foram os jornalistas Luiz Carlos Azenha, correspondente da TV Record, Klester Cavalcanti, repórter especial e correspondente na Síria do jornal O Estado de S. Paulo, Luciana XavierVasconcellos, da Agência Estado e Agência Broadcast, de São Paulo e Natália , da Agence France Presse. Luiz Carlos Azenha, além de sua atuação na Record, foi correspondente da Rede Globo de Televisão por vários anos, tendo se destacado em coberturas como a negociação da dívida externa brasileira, nos anos 90, a queda das Torres de Nova Yorque e as nego-

ciações entre Estados Unidos e Rússia que levaram ao fim o período de distanciamento entre os blocos ocidental e oriental. É também editor e titular do portal Viomundo, que chegou a ser abalado e ameaçado de fechamento ante a ação movida contra ele pelo diretor de Jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, que culminou em condenação, obrigando Azenha a lhe pagar R$ 30 mil. Com o auxílio de amigos e internauta, conseguiu mantê-lo na rede. Na opinião dos diretores do Centro de Comunicação e Linguagem, Rogério Bazi, e da Faculdade de Jornalismo, Lindolfo Alexandre de Souza, foi uma das melhores jornadas, sobretudo pela excelente troca de experiências com os alunos e a possibilidade da visualização de um campo e de área específica do Jornalismo.

Ana Paula Rezende

LUCIANA XAVIER-VASCONCELLOS – Uma das palestrantes da Jornada de Jornalismo, a correspondente internacional da Agência Estado em Nova York contou a história de sua carreira, iniciada em Campinas e recomendou aos alunos especialização. Pág. 9


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JORNADA

Azenha Boatos de Ataque

“É preciso contextualizar a informação”

Em palestra, Azenha fala sobre a profissão de jornalista como correspondente internacional Igor Calil

Giuliana A. Wolf

O profissional do futuro será aquele que souber contextualizar uma informação”, afirmou Luiz Carlos Azenha na palestra de abertura da Jornada de Jornalismo de 2013. Azenha, jornalista da Record e criador do blog VIOMUNDO, falou sobre o que mudou desde a época em que iniciou sua carreira como correspondente em comparação com a atualidade e contou experiências marcantes que teve nesse tempo. O jornalista argumentou que, diferente da época em que foi escolhido para ser correspondente porque era fluente em inglês, hoje, além de saber mais do que dois idiomas, é necessário recuperar a capacidade crítica que parece ter sido esquecida. Para ele, o profissional do futuro será aquele que souber contextualizar uma informação, entender sua história e analisar o que está por trás dela - e fazer tudo isso com um olhar de brasileiro, coisa que ainda não existe. Segundo ele, já que o Brasil vem ganhando importância no cenário internacional, logo o mundo sentirá interesse em saber como o país está refletindo sobre determinados assuntos. Justamente para recuperar a capacidade crítica, Azenha disse que é necessário que o jornalismo nacional deixe de ser “colonizado”, ou seja,

O criador do blog VIOMUNDO contou parte de suas experiências em anos trabalhando como correspondente

passe a ver o mundo com olhos próprios, ao invés de se apegar aos pontosde-vista de outros países, “Por que a gente delega a um americano uma cobertura sobre a África, se ele vai cobrir com um olhar de americano? Porque nós estamos ainda num sistema colonial de jornalismo, nós ainda somos colonizados. A gente não sai daqui com um olhar brasileiro da África, a gente importa um olhar de fora.” Segundo ele, tornandose independente das agências de notícia, parte do trabalho estaria feito, já que a grande maioria dos veículos hoje utiliza essas

informações e fotos para compor seus noticiários. “As agências de informações oferecem imagens, informações instantâneas, (então) o mercado para vocês diminui bastante, eu diria”, disse Azenha, que logo emendou o contraponto, “Por outro lado, tem coisas positivas, uma delas é que ficou bem mais fácil fazer cobertura internacional. Hoje o correspondente vai com o ipad dele e, enquanto faz a cobertura do atentado em Boston, já sabe o que o Obama está dizendo sobre a tragédia” Também para onde vão a maioria dos correspondentes foi um ponto basIgor Calil

Azenha e o Prof. Luiz Roberto Saviani Rey, da Faculdade de Jornalismo, dividem a mesa

tante discutido por ele, que argumenta que mais jornalistas deveriam estar baseados na África e na América do Sul, mercados importantes para o país, mas ignorados aqui.“Curiosamente, você não tem nenhum correspondente no Senegal ou Venezuela. Por que nós temos correspondentes em Washington, Paris, Londres e não temos em países que nos dizem muito mais respeito?”, indagou. O atraso da mídia nacional de ainda não ter se baseado em locais que poderiam ser vistos como estratégicos, segundo ele, é também uma vantagem para os futuros jornalistas, que podem aí encontrar oportunidades de trabalho, como na cobertura feita sobre o MERCOSUL, “Atualmente, se fala muito mal do Mercosul, em geral, na imprensa brasileira, enquanto é um mercado muito importante para o Brasil, para a indústria e o jornalismo brasileiros, são nossos vizinhos e você não tem lá correspondentes que reflitam com um olhar brasileiro”. Aliás, observa que, embora mulheres ainda precisem tomar cuidados adicionais em países como Arábia Saudita e Paquistão, ele as tem visto

trabalhando mais em cargos que antes eram tidos como masculinos, como cinegrafistas e editores. “As mulheres que não faziam esse serviço de captação de imagem porque as câmeras eram muito grandes, isso mudou muito com o avanço da tecnologia. Eu acho que falta um olhar feminino na televisao mesmo, para a captação de imagens especiamente, é bem diferenciado, um olhar mais de apreciacão mesmo”, avalia, comparando que hoje, em geral, as imagens na televisão são muito corridas, fazendo com o que os espectadores nem tenham tempo de entender o que vê. Além disso, o trabalho de imersão é essencial quando se está trabalhando em outro país. Ele conta que sempre que vai a um país em que nunca esteve, lê cerca de três livros básicos sobre o idioma e cultura, para estar mais preparado na hora em que chegar no destino. E justifica, dizendo que o repórter tem que sentir curiosidade sobre o país, e realmente querer entender essa cultura diferente, “Tem que ser honesto, humilde. Sentar com alguém, perguntar, dizer ‘Poxa, eu quero entender isso aqui, me conta sua história’”.


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JORNADA

Natália Boatos de Ataque

Jornalista chilena fecha ciclo de palestras Enviada da France Press ao Brasil busca mostrar aos alunos a realidade do trabalho em agências Emerson Jambelli

R

apidez, eficiência e comprometimento na profissão. Foram essas as características destacados por Natália Ramos Miranda, jornalista que encerrou a Jornada de Jornalismo 2013, realizada na noite do dia 08 de maio, no Auditório Dom Gilberto da PUC-Campinas. Correspondente no Brasil pela agência de notícias France Press, Natália, natural do Chile, compartilhou com alunos e professores da Faculdade de Jornalismo, experiências ao trabalhar em um país diferente, levando notícias para todo o mundo. No Brasil há um ano, falou sobre a adaptação ao chegar a um território desconhecido e algumas das dificuldades que enfrentou: “o trabalho é muito duro, não é fácil chegar num país novo, entender os processos e conhecer os persona-

gens”, afirma. Ao apresentar parte de sua rotina como correspondente, Natália contou aos estudantes as etapas do processo de produção de notícias, enfatizando a velocidade com que o trabalho é realizado, mas sem deixar de lado o aprofundamento no assunto em questão e a credibilidade já conquistada pela France Press. Também não deixou de citar a necessidade que os jornalistas têm de se reinventar e se atualizar, devido ao avanço das redes sociais e da rápida disseminação de informação que se dá por esses meios. Em relação ao tipo de atividade que exerce, Natália foi enfática ao dizer que “o trabalho em agência é um trabalho anônimo, não traz fama. Para continuar, tem que gostar muito”. Entre as muitas perguntas feitas pelos alunos e as respostas dadas,

Laura Pompeu

A chilena trouxe histórias de suas experências como correspondente internacional

Natália foi levada a falar sobre os questionamentos que faz acerca da profissão como correspondente: “às vezes me pergunto ‘o que estou fazendo?’ Mas é a escolha que eu fiz, ainda é o que eu quero”, pondera,

sobre ficar longe do país e dos amigos e familiares. Antes de trabalhar no Brasil, Natália foi correspondente na Venezuela por dois anos e meio, também pela France Press. Depois de suas experiências na

profissão, ela diz, de forma a aconselhar a platéia, ter aprendido que “coisas inesperadas não são aprendidas na faculdade e se alguém quer ter uma vida tranquila, não pode ser jornalista”.

Luciana Boatos de Ataque

Luciana Xavier recomenda especialização

Correspondente internacional do Estadão ressalta a importância da experiência e de especialidade

Ana Paula Rezende

L

uciana Xavier Vasconcelos, correspondente da Agência Estado em Nova York, recomendou em sua palestra aos alunos de jornalismo que pretendem seguir a carreira de corresponde internacional contar ao menos com especialização e experiências no campo jornalístico, quando formados. Luciana é jornalista formada em 1991 pela PUC-Campinas, tendo cursado um ano de letras, e conta em seu currículo estagio no Correio Popular, trabalho de radio-escuta na EPTV, repórter na Folha de São Paulo e na TV Manchete. Possui ainda experiências profissionais, as quais com muita determinação e proatividade conseguiu sempre chegar onde desejava, conforme afirmou. Por isso em 8 de maio foi a palestrante convidada

da Jornada de Jornalismo. tuário no jornal Folha de Dividindo sua historia de São Paulo. Depois de ser conquistas com os alunos demitida de um jornal reda faculdade mencionou gional, ficou desanimada com o jornalisalguns dos requisitos funda- “Quando se tem mo, então ela resolveu parar mentais para o um sucesso dessa oportunidade, sua rotina por um ano e dar a carreira como: não se pode volta ao munfacilidade de perdê-la” do. Saiu de casa adaptação, ter com R$ 2 mil, conhecimento de diferentes areas, ser cada vez que o dinheiro organizado para produzir acabava ela procurava um fora do ambiente de reda- trabalho provisório como ção, habilidade multimidia babá, garçonete e até catadora de entulho. Assim ela e fazer plantão. É preciso também es- conseguiu pagar suas estatabelecer uma relação dias em albergues, passade confiança com outros gens aéreas, e pode conhejornalistas, pois o corres- cer países como Polinésia, pondente se muda sem ter Ilhas Fuji, Nova Zelândia, uma agenda de fontes in- Egito e Austrália, além ternacionais, por isso é re- do estado da Flórida, nos comendável que a pessoa EUA.. No seu retorno ao conheça a cultura do país Brasil, conseguiu uma que esta indo e não perca vaga na Agência Estado, a realidade do país de ori- na área de economia. Após dois anos na agêngem. Vasconcelos iniciou sua carreira fazendo obi- cia, se tornou correspon-

dente em 2010, cargo que ocupou até 2012. Devido ao fuso horário com outros países, muitas vezes teve que fazer entrevistas de madrugada e escrever a matéria em tempo real, por isso ter habilidade em escrever rapidamente é importante. Fez coberturas especiais nas eleições de Nova York, a assembléia geral da ONU e o evento “Ocupe Walll Street”. Mãe de gêmeos e casada,

Luciana precisou tirar seus filhos da escola no meio do ano letivo e aceitar que sua eposa não conseguiria acompanha-la com visto de familia, pois o casamento homossessual ainda não era permitido nos Estados Unidos. “Quando se tem uma oportunidade, não se pode perdê-la, tem que pensar o que se quer de fato sem projetar dificuldades, foi o que fiz”, conta. Ana Paula Rezende

Luciana destacou a necessidade da confiança entre os jornalistas


JORNADA

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22 de maio de 2013

Klester Boatos de Ataque

Jornalismo é mais esforço do que talento, diz Klester Com história de livro, jornalista reúne o maior público da Jornada de Jornalismo 2013 Bárbara Bigon

Giovana Seabra

C

om essas palavras, Klester Cavalcanti encerrou sua palestra na noite do dia 07 de maio. “Ser jornalista é poder estar onde a coisa acontece. Exige dedicação e esforço, mais do que talento”, concluiu. Segundo a organização do evento, o jornalista conseguiu o maior público desta edição, cujo tema era “Correspondentes Internacionais”. Cavalcanti compartilhou com os estudantes a sua experiência como jornalista no exterior com base nas histórias que conta em “Dias de inferno na Síria”, obra na qual relata sua viagem ao país, em maio de 2012, feita com o objetivo de contar como as pessoas viviam em meio a guerra entre o Exército Oficial comandado pelo ditador Bashar Al-Assad, e o ELS (Exército Livre Sírio), que segue até os dias de hoje. O “sahafi” (jornalista, em árabe) defendeu uma escrita “livre”, que tenha detalhes e seja capaz de transportar o leitor ao local do fato, e, citando nomes como Gabriel García Marquez, Gay Talese e Ariano Suassuna, deixou um recado aos estudantes: “Para ter um bom texto, leiam bons livros!”. Com o auditório Dom Gilberto lotado durante as duas horas de sua apresentação, o pernambucano narrou as principais passagens do livro, desde o momento em que decidiu viajar até ser preso, sem

O jornalista histórias de suas experências como correspondente internacional

explicação alguma, pelas forças do governo sírio. NÃO TEM TALENTO - Sobre o esforço para ser jornalista, Klester Cavalcanti fala por experiência própria. Ele estudou e trabalhou como engenheiro na Votorantim. Apesar do conforto que o pagamento de 10 salários mínimos, na época, lhe proporcionava, ele conta que decidiu recomeçar. Movido pelo gosto por fotografia, leitura e escrita, formou-se em Jornalismo e, em 1994, saiu da Votorantim para estagiar a troco de meio salário mínimo, mesmo sob as palavras carinhosamente desencorajadoras da mãe: “Você não tem talento para escrever”. Klester colocou as palavras da mãe à prova e, em sua trajetória, passou pela

CINEMA

“O nome da morte”, terceiro livro do jornalista Klester Cavalcanti, será adaptado para o cinema. O longa será estrelado pelos atores Daniel de Oliveira e Camila Pitanga. O filme conta a história real de um matador de aluguel, profissão que aprendeu em família aos 17 anos. Com 35 anos de ofício, o assassino matou mais de 500 pessoas no estado do Maranhão. O filme, que começará a ser rodado ainda este ano, tem precvisão de estreia no segundo semestre de 2014.

Veja como correspondente na Amazônia (experiência da qual nasceu seu primeiro livro, “Direto da selva”); trabalhou nas revistas Contigo, Viagens e Turismo, VIP e no jornal Estadão. Escreveu mais duas obras, “Viúvas da terra” e “O nome da morte”, e chegou à IstoÉ, com passaporte para a Síria.

burlar algumas regras. acesso a histórias reais de Mesmo sob avisos fre- pessoas que tiveram suas quentes de pessoas que co- vidas transformadas pelos nheceu no percurso à Síria conflitos entre as forças do e a Homs, CaBashar “O que vi na Síria ditador valcanti insisAl-Assad e os tia em cumprir vai estar nos livros rebeldes. “Fia sua missão, o de história e eu vou quei um pouco que despertou poder dizer: ‘eu d e s a p o n t a d o a curiosidapor não poder estava lá’”. de da plateia: estar lá fora, “Você não se mas dentro da acha teimoso?”, pergun- sela, conheci histórias que “SAHAFI BRAZILI”- tam, ao que ele rebate: não escutaria em outro luCobrir uma guerra era uma “Teimoso, não. Obstinado. gar. Ali, eu tinha tempo e das metas de Cavalcanti Para mim, trabalho é tra- tranquilidade para saber como jornalista. Quando balho e eu estava decido a mais sobre aquelas pessosurgiu a oportunidade de ir fazer o meu.” As consequ- as”. à Síria, ele conta que mer- ências dessa decisão logo No desfecho de seu disgulhou na ideia vieram. Ele curso, o tom de missão “Eu preferia e decidiu assuconta que foi cumprida. “Nos momentos mir os riscos: apanhar durante 5 preso sem em que eu tinha certeza de “Dois jornalis- horas, todos os dias, e x p l i c a ç ã o que ia morrer, me sentia tas morreram alguma, teve tranquilo. Claro que estado que ter uma em atentados o rosto quei- va com medo e não queo r g a n i z a d o s arma apontada para mado com ria que isso acontecesse, pelas forças do minha cabeça” cigarro por mas me confortava saber governo sírio. um oficial que eu estava onde queria Eu sabia que poderia acon- do governo sírio, ao se re- estar, fazendo o que quetecer comigo. Preparei mi- cusar a assinar um docu- ria fazer”, relembra. Para nha mente e meu coração”. mento escrito em árabe, e ele, essa é a melhor parte O jornalista conta que o sofreu tortura psicológica, do trabalho do jornalista: governo, comandado pelo com ameaças constantes. poder estar onde as coisas ditador Bashar Al-Assad, Quanto a isso, Klester é acontecem. “A guerra da impunha muitas barrei- enfático: “eu preferia apa- Síria vai estar nos livros de ras à imprensa. “Eu sabia nhar durante 5 horas todos história e eu vou poder dique tentariam me impe- os dias do que ter uma zer que estava lá, que vivi dir de mostrar a guerra de arma apontada para minha aquilo”. verdade”. Se chegasse à cabeça. Não existe tortura Quando questionado Homs, a cidade mais afe- pior do que essa”, relem- se cobriria outra guerra, tada pelos confrontos en- bra. o jornalista hesitou: “Na tre o exército oficial e os Apesar disso, para o jor- época, não havia nada que rebeldes do ELS (Exército nalista, o saldo foi positivo. me prendesse. Hoje é difeLivre Sírio), seria o único Ele diz que, mesmo sendo rente, depois do que vivi. jornalista brasileiro a con- privado de cobrir a violên- Tenho uma pessoa, não seguir esse feito. Assim, cia que devastava Homs, estou mais sozinho”, conele decidiu que teria de na prisão da cidade teve clui.


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CULTURA

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Giuliana A. Wolf

Cascais

Campinas e cidade portuguesa se tornam “irmãs” Intenção da união entre os municípios é gerar aproximação na política, cultura e comércio Giuliana A. Wolf

Giuliana A. Wolf

A

lém dos restaurantes e bares com influência de Portugal, Campinas criou mais um vínculo com o país. Em junho de 2012, pouco antes de se iniciar o Ano do Brasil em Portugal e de Portugal no Brasil, Cascais, cidade 20 quilômetros distante de Lisboa, assinou um Acordo de Geminação com o município campineiro, ou seja, as duas agora são cidades-irmãs. A cerimônia aconteceu no último dia do I Encontro de Geminações, que reuniu 19 delegações de diferentes países para debater potencialidades sociais, econômicas e culturais, além de encontrar respostas comuns aos desafios que se colocam em localidades distintas. O secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social, José Afonso da Costa Bittencourt, foi quem representou o então prefeito, Pedro Serafim, e assinou o acordo. Segundo Daniel Soares, do Departamento de Cooperação Internacional, alguns dos critérios que interferem na escolha de uma cidade-irmã, são a força tecnológica e política

O turismo na cidade é movimentado pelos que vão em busca de praias, boa e diversificada gastronomia e vinhos

que o outro município possui. No caso de Cascais, cidade litorânea com forte apelo turístico, ele ressalta que as relações são mais políticas do que tecnológicas. “Campinas é uma cidade com muito potencial para crescer”, e emenda dizendo que o momento para laços políticos é propício, já que a cidade ainda se recupera do escândalo político de 2011, que envolveu o ex-prefeito, Hélio de Oliveira Santos (PDT), sua esposa, que era também Chefe de Gabinete, Rosely

Nassim Santos, além de secretários municipais. Apesar de a população de Cascais ser de 206.000 pessoas, o que pode parecer pouco se comparado à Campinas, que, de acordo com o IBGE, tem pouco mais de um milhão de habitantes, ocupa o posto de sexta cidade mais populosa de Portugal, e é também responsável por 2,3% de todo o PIB do país lusitano, já que abriga 277 empresas por km². Tanto desenvolvimento pode ser bastante contrastante Giuliana A. Wolf

Apesar do mal tempo, cidade é conhecida por ter mais de 260 dias ensolarados ao ano

com o aspecto de vila que festividades dedicadas à a cidade gosta de cativar: diferentes nacionalidades. facilmente se vê barcos e Desde o início de 2013, sepescadores chegando com manas especiais têm sido peixe fresco e o atendi- organizadas com esse inmento tão atencioso rece- tuito. De 1 a 10 de junho bido em restaurantes tam- acontecerá a Semana Porbém dá um tom intimista a tuguesa, cuja intenção é quem visita o lugar. trazer lazer à população da “Um dos obje- “Campinas é cidade e atingir tivos do Deparparte dos cerca uma cidade tamento é ajudar de 9 mil portucom muito gueses e descenesse intercâmbio empresarial, potencial para dentes que vivem buscar investino município, de crescer” mentos e levar acordo com a investimentos casa de Portugal para fora. As cidades-ir- de Campinas. mãs ajudam nisso, porque Dário Moreira de Caselas já estão abertas”, ex- tro Alves, cearense que plica. Além de assinar o dedicou parte da vida à acordo de geminação com diplomacia, atuou como Cascais, foi feito também embaixador do Brasil em um Protocolo de Inten- Portugal durante quatro ções com o Município de anos. Além dessa contriFundão, que é como um buição, pode escrever três contrato de cooperação livros referentes à obra do que diz que talvez as duas consagrado autor portucidades, futuramente, pos- guês Eça de Queiróz. Na sam se tornar irmãs. apresentação de dois deDaniel disse ainda que a les, “Era Tormes e Amaintenção da nova diretora nhecia” (Livros do Brado Departamento, Beatriz sil, 1992) e “Era Lisboa e Gusmão Sanches Pereira, Chovia” (Livros do Brasil, é fazer com que os laços 1984), deixa claro à que estabelecidos com outros vieram os livros e o mesmunicípios do mundo mo se pode considerar às possam se estreitar ainda boas novas em Campinas: mais, em todos os âmbi- “é um convite a brasileiros tos. A realização de even- e portugueses a que, ainda tos culturais será uma das mais, se conheçam, se estiestratégias usadas, como mem e se amem”.


CULTURA

Página 12

22 de maio de 2013 Divulgação

Encontro luso-brasileiro celebra obra de Vinícius e Pessoa Uma homenagem a Fernando Pessoa e comemoração ao centenário de Vinícius de Moraes Divulgação

Emerson Jambelli

F

oi entrando no camarim, após uma calorosa recepção aos fãs no final do espetáculo, que Alexandre Borges começou a buscar palavras para descrever a apresentação. “Poesia é algo que me transforma muito.” Talvez tenha sido essa a declaração mais emotiva e satisfatória dita sobre “Poema Bar”, recital em que, além de dramatizar os textos poéticos dos consagrados Fernando Pessoa e Vinícius de Moraes, atua também como diretor artístico. Junto ao pianista português João Vasco, idealizador do espetáculo, a intenção é resgatar a alma desses grandes poetas, o que é feito com maestria, na companhia das melódicas vozes de Sofia Costa e Mariana de Moraes, neta de Vinicius. Um piano, dois conjuntos de mesas e cadeiras e as imagens dos poetas ao fundo trazem à cena toda a boemia da vida dos homenageados. Alexandre, sempre ao som do fado português transformado em música clássica por João Vasco, se revezava entre Vinicius e Pessoa, assumindo, em posse de um livro ou dos versos que guarda na memória, os diferentes eu-líricos de cada poema. Sofia também emprestou a voz, em forma de canção, à poesia. E em um sotaque lusitano vivo pareado à incontida paixão pelo que faz, falou da

Poema Bar, interpretado por Alexandre Borges, lotou as poltronas em suas duas temporadas

experiência de integrar o projeto: “é uma ponte para o público descobrir mais poesia. É uma alegria enorme trabalhar com grandes poetas e grandes artistas”. Sofia veio de Portugal para o Brasil exclusivamente para o espetáculo. Ao analisar os pontos em comum que viabilizaram o “diálogo” entre os poetas, ela vê em Vinícius e Fernando Pessoa, apesar de representarem diferentes períodos na história, muita aproximação no que diz respeito às paixões que nutriam. A “vontade

de amar o mundo inteiro” e/ou “viver apaixonado”, como enfatizado por ela, é um dos pontos que aproxima os poetas e que tornou possível a criação de Poema Bar. Pensada para ambientar um piano bar, João Vasco acredita que a obra, “ao articular música e poesia, permite que a cada espetáculo haja uma nova descoberta”. Com visível paixão por seu trabalho, é possível perceber motivação em suas palavras. Tal característica já o levou, junto de seus companheiros de

trabalho, a apresentar Poema Bar em Portugal, Alemanha e em várias cidades brasileiras, o que conta com notável satisfação: “a vida do músico é isso mesmo, levar música, interagir com outros artistas. Esse é o ideal”. “É um trabalho meditativo. As fichas vão caindo a cada dia”, diz Mariana de Moraes. Para ela, com Poema Bar é possível “ir para um lugar mais sereno”, graças à filosofia de vida dos poetas, que se cruzam pela profundidade que carregam e pela boemia de ambos,

mais uma vez lembrada como um lugar comum. Tanto que Alberto Caeiro, o mais puro dos heterônimos de Fernando Pessoa, não ganha voz nessa verão do recital. A forma livre do espetáculo “que admite erros e improvisos”, como lembrado por Alexandre Borges, já permitiu que pessoas da plateia fossem convidadas ao palco para recitar poesia ou encorajadas a “falar versos que conheciam, que tinham em mente”. Para Alexandre, Fernando Pessoa e Vinicius de Moraes “foram dois poetas que viveram como poetas. Foram corajosos”, e essa coragem tem trazido o reconhecimento ao espetáculo. Por ser um espetáculo livre, como considerado pelos próprios idealizadores, nada impede que mudanças ocorram, obras sejam acrescentadas, novas adaptações sejam feitas. A ideia central é “fazer poesia e despertar no espectador a vontade de conhecer mais obras do autor. Fazer com que ele saia do espetáculo com a vontade de comprar um livro, de buscar mais conhecimento”, como frisa Alexandre. O recital estreou em julho de 2011, na casa Fernando Pessoa, em Lisboa, e integra as comemorações do Ano de Portugal no Brasil, além de prestar homenagem a Vinicius de Moraes, que completaria cem anos em 2013.

Saiba+ - Edição Maio de 2013  
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