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Conheça a técnica da plastinação e pessoas que decidiram doar seus corpos para pesquisas. Pág. 5

Ano 10 - Nº 99 - Faculdade de Jornalismo - PUC-Campinas - 20 agosto a 5 de setembro de 2012

Atraso em obras faz condomínios poluírem córrego FOTO:

MARINA DELLA TORRE ENATTI

Córrego no Mansões Santo Antônio recebe esgoto, sem tratamento, de vários condomínios e bairros da região: obras deveriam começar e terminar em 2012

O atraso nas obras de tratamen- res da região. O mau-cheiro se tornou to de esgoto do bairro Mansões Santo constante no local, além do mato que Antonio tem prejudicado os morado- cresce nos arredores do córrego e traz

Impressionismo agora é pop! São esperadas 600 mil pessoas até o final da exposição “Impressionismo: Paris e a Modernidade”, que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na capital paulista. Apenas em seu primeiro final de semana, a mostra recebeu 12 mil pessoas, interessadas nas 85 obras impressionistas, como de Renoir (foto) que vieram do museu francês D´Orsay. Após 7 de outubro, a exposição irá de São Paulo para o Rio de Janeiro e, logo depois, para Madri, na Espanha. Em São Paulo, a entrada é gratuita e tem levado filas de até duas horas para entrar. Pág. 8

insegurança aos habitantes. A Sanasa diz que a situação deve ser resolvida em, no máximo,

dois anos, embora a promessa anterior fosse entregar a rede ainda em 2012. Pág. 3

Atleta não precisa estudar?

pág. 6

Há os que seguem os padrões e saem direto do Ensino Médio para as faculdades, muitas vezes abrindo mão de outros sonhos, como o de se dedicar aos esportes. Outros optam por abandonarem os estudos e tentar a vida na área. E há aqueles como João Felipe Baiocchi (foto), que decidem concilar as duas atividades. O Saiba+ ouviu histórias de atletas que optaram por estudar, ao mesmo tempo em que treinavam para as competições, criando assim uma segunda oportunidade de crescimento e também daqueles que abandonaram a formação acadêmica. Pág. 6

Alunos de Jornalismo descobrem novo campo para a carreira A disciplina de Pesquisa em Jornalismo apresenta aos estudantes da PUC-Campinas uma alternativa às carreiras mais tradicionais do Jornalis-

mo, além de ajudar a criar um olhar mais crítico em relação à área. Com a conclusão de monografias e percebendo um resultado positivo, cada vez

mais, os alunos têm se interessado em apresentar seus trabalhos em eventos acadêmicos, como o Congresso da Sociedade Brasileira de Ciências da

Comunicação (Intercom) e de prosseguir na área de pesquisa, que futuramente pode levá-los para uma carreira acadêmica. Pág. 7


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Notas

CARTA AO LEITOR

Entre fugas e determinações do tempo

PRISCILA CARVALHO

Bianca Fernandes

Piola recebe exposição do fotógrafo Touché A pizzaria Piola em Campinas recebe a exposição Cuba Libre do fotógrafo Touché. A exposição é definida como uma breve viagem às cores, paisagens e pessoas de Cuba. As imagens foram feitas em abril, quando o fotógrafo esteve no país para participar da 3ª Jornada Fotográfica Latinoamericana de Havana, representando o Festival Hercule Florence, do qual é um dos organizadores e ocorre anualmente em Campinas. As imagens estão expostas em 18 painéis nas paredes da pizzaria e retratam o cotidiano do povo cubano. As fotografias não foram feitas apenas com a câmera fotográfica, mas também com o celular, utilizando o aplicativo Instagram. De todas, seis foram registradas com o celular. As imagens estarão expostas e à venda até o dia 31 de agosto, das 18h à 1h.

FOTO: DIVULGAÇÃO

O Piola fica na Rua Ferreira Penteado, 1.463, Cambuí. Depois, as fotografias seguem para a fotogaleria Photografie, idealizada por Touché e dois sócios.

Oficina do Estudante realiza campanha contra drogas e álcool

Programa de estágio de pesquisa leva alunos ao Canadá

A Oficina do Estudante lança a campanha “Drogas e Álcool: apague o vício antes que ele faça isso com você”. A campanha social de 2012 aborda os perigos do uso de drogas e álcool e contará com diversas atividades gratuitas e abertas ao público, como shows, palestras, gincana e até uma caminhada. A Campanha ocorrerá até o dia 2 de setembro. As inscrições podem ser feitas no site www.oficinadoestudante.com.br. Os eventos são realizados em parceria com a Instituição Padre Haroldo, o Movimento Sou Feliz Sem Drogas, e a Organização Social Embaixadores da Prevenção.

O programa Mitacs Globalink de estágio de pesquisa está com inscrições abertas para 2013. Os estudantes irão para o Canadá e devem ficar de 10 a 12 semanas trabalhando em tempo integral como pesquisadores, sob a supervisão de um professor canadense. Embora haja diversas oportunidades para os alunos das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, todos os cursos podem participar. Somente os melhores são aceitos a cada ano, por meio da avaliação acadêmica. Para inscrições e outras informações envie um e-mail para globlaink@mitacs.ca.

IV Festival ArteMOB está com inscrições abertas até 30 de agosto O IV Festival ArteMOB está com inscrições abertas até o dia 30 de agosto. O concurso é promovido pela Prefeitura e organizado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec). O objetivo é incentivar a produção audiovisual por meio de aparelhos celulares e câmeras digitais. Os participantes devem produzir vídeos e fotos com a temática da mobilidade urbana. São três temas para desenvolver o trabalho: “Um dia sem meu carro”, “Vida sobre duas rodas” e “O Pedestre e a Faixa”. Os interessados podem se inscrever com apenas um vídeo de cada tema na categoria audiovisual e até três fotografias em cada assunto na categoria imagem. Qualquer morador da cidade pode participar, com exceção de funcionários da Emdec e de empresas envolvidas diretamente no concurso. Serão premiados os melhores vídeos e fotos em cada um dos três temas. Cada vencedor receberá R$ 1.000,00. As inscrições devem ser feitas pelo site www. emdec.com.br.

Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas. Centro de Comunicação e Linguagem (CLC): Diretor: Pof. Dr. Rogério Eduardo Rodrigues Bazi; Vice-Diretora: Profa. Maura Padula; Diretor da Faculdade: Prof. Lindolfo Alexandre de Souza. Tiragem: 2.000. Impressão: RAC. Editor-chefe e Professor Resp.: Prof. Fabiano Ormaneze (MTb 48.375) Capa: Bianca Fernandes e Mayra Cioffi Diagramação: Felipe Lange de Faria e Stephanie Segal Endereço: CLC - Campus I - Rod. D. Pedro, Km 136 Cep: 13086-900

O tempo delimita momentos, constrói trajetórias pessoais e a história da humanidade, possibilita à volta ao passado e uma imersão no futuro. Ele custa a passar nos períodos obscuros, de dificuldades e de adversidades. Voa quando as alegrias são constantes e compartilhadas. E, nesta edição, ele permeia os fatos, as novidades, as curiosidades e as opiniões. Na Exposição “Impressionismo: Paris e a Modernidade”, o século XIX reaparece, com ares de pop-art. Isso porque o evento, que ocorre na capital paulista, tem atraído grande público, composto desde artistas a cidadãos comuns, que anseiam entrar em contato com a estética de autores como Monet. Ao romper com as regras, que circundavam as pinturas daquela época, os impressionistas passaram a aplicar em suas obras a luz e seus efeitos sobre as cores, com pinceladas firmes - mas outras vezes delicadíssimas – para pintar paisagens e pessoas sem contorno, procurando a captação do momen-

to. Com o já sucesso da exposição, pode-se dizer que o tempo apenas fez bem ao movimento artístico. Contrariamente ao que é realidade no bairro Mansões Santo Antonio, em Campinas. Afinal, conforme os dias se passam, o prejuízo se torna ainda maior aos moradores que sentem o mau cheiro e temem pela vegetação alta advindos de um córrego que recebe esgoto sem tratamento. A Sociedade de Abastecimento e Saneamento (Sanasa) prevê um gasto milionário e ainda mais dois anos para efetuar a obra. Enquanto isso, pode-se apenas ver o tempo passar sem que nenhuma providência seja tomada. Para os que optaram pelo esporte e deixaram a faculdade de lado, com o tempo a escolha terá valido a pena? Aos que optam pela pesquisa acadêmica e por seguir com a carreira adiante, o período universitário estará sempre latente e por fim, aos que se rendem à plastinação, o tempo simplesmente para e conserva tudo o que já foi vivido? Reserve um tempo e boa leitura!

ARTIGO

Duas greves, dois tratamentos Gustavo Gimenez

Por mais de três meses, quase não se ouviu o Governo falar em propostas dignas aos professores das universidades federais. O ministro da Educação, Aloísio Mercadante, talvez tenha se esquecido de sua carreira como docente do Ensino Superior e pouco se importou pelas reivindicações de seus colegas. Claro que a culpa não é só do ministro atual, mas também da falta de planejamento da gestão anterior. O governo Lula construiu dez novas universidades federais ao longo dos oito anos de mandato, um fato histórico, mas que não foi acompanhado de um investimento constante para a educação do País. Hoje, apenas 5,1% do PIB são destinados ao ensino público. Enquanto isso, o projeto de aumento para 10%, já aprovado pelo Congresso, parece não agradar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que acredita que isso “quebraria o País”. Seguindo a linha de raciocínio de Mantega, não se estranha que o Brasil esteja no 88º lugar (de 127) no ranking de educação da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Isso reflete a maneira com a qual o

governo trata a atividade docente, ignorando a reivindicação de um plano de carreira justo e de salários melhores. Por outro lado, diante das paralisações de servidores públicos federais, que tiveram início na segunda quinzena de julho, o Governo agiu diferente e logo iniciou discussões com o sindicato com novas propostas. O diálogo começou logo após os policiais federais votarem a favor do início da greve, no início de agosto. Como as propostas não agradaram, teve início um caos em aeroportos e rodovias, com fechamento de acessos e atrasos. Pelo que pareceu, o Governo ficou mais preocupado com a paralização dos servidores e a presidente Dilma passou a fazer discursos condenado a atitude dos grevistas. Diferentemente do protesto realizados pelos professores, que passaram quase despercebidos nos atos oficiais do executivo. A impressão que dá é que o ensino não é tão relevante para o País e pouco fará diferença quanto tempo ficarão alunos sem aula e professores em más condições de trabalho. Pelo que se vê, a educação nunca foi e não será, tão cedo, prioridade no Brasil.


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20 de agosto a 5 de setembro de 2012

Tratamento de esgoto está atrasado Bairro Mansões Santo Antônio deveria ter conclusão de rede ainda em 2012, de acordo com promessa MARINA BENATTI

FOTOS: MARINA BENATTI

As obras de tratamento de esgoto no bairro Mansões Santo Antônio, que estão previstas para estarem prontas neste ano, ainda não começaram. O principal problema está localizado na Rua Nelson Alaíte e na Avenida Jasmim. Dejetos dos prédios e casas são lançados em um córrego, que chama a atenção de quem passa por ali devido ao mau cheiro. O mato alto, em torno do córrego, traz insegurança aos moradores dos condomínios dos prédios que ficam ao lado. No início deste ano, a Sanasa já havia prometido que, ainda em 2012, o problema seria resolvido. Para tentar resolver esse impasse, os moradores do condomínio de apartamentos Residencial Canadá, que fica próximo ao córrego, entraram em contato com a Prefeitura para que fosse feita uma fiscalização, e então fosse tomada alguma providência. Segundo Marcelo Jorge Naime, síndico do condomínio, “a Prefeitura não cuida daquele local, é um verdadeiro descaso, já tentamos resolver, porém, nada adianta”. Naime ainda afirma que não é só o mau cheiro que incomoda, são também os insetos e ratos que aparecem nos prédios próximos.

OUTRO LADO

RECLAMAÇÃO

Um protocolo foi criado na Prefeitura por um dos moradores do condomínio, e na última consulta realizada no site da Prefeitura constava que a data de entrada no órgão foi em 6 de julho de 2012. O documento requeria a fiscalização e resolução dos problemas da Rua Nelson Alaíte, no lote que se refere ao córrego, de responsabilidade da Prefeitura Municipal de Campinas. Logo em 10 de julho do mesmo ano, foi feita uma fiscalização pela Prefeitura. No mesmo dia, o pedido foi enviado para o setor técnico para análises e providências, assim como consta na consulta do protocolo no site da Prefeitura. Ainda no mesmo dia 10 de julho, o protocolo foi encaminhado para “arquivo”. Nada até agora foi feito, nem limpeza do local, nem retirada dos entulhos. O esgoto continua sendo lançado no córrego e criando cada vez mais problemas.

Condomínio prejudicado com a falta de tratamento de esgoto e pelo mato: insegurança

ALTERNATIVA

Naime afirma que o condomínio conta com um tratamento de esgoto, que capta os dejetos dos prédios e só faz o lançamento no córrego depois de tratado. Outro ponto questionado por ele é que a Sociedade de Abastecimento de

Água e Saneamento (Sanasa) não cobrava o tratamento de esgoto referente ao condomínio, já que ele contava com a própria estação de tratamento. No entanto, desde o ano passado, a taxa começou a ser cobrada. De acordo com o síndico, a conta passou de R$ 8 mil para, em média, R$ 20 mil mensais. O engenheiro ambiental Wagner Nunes de Oliveira relata que não há risco de contaminação pública se os moradores não se aproximarem do esgoto. A contaminação, segundo ele, se dá pelo contato com a água poluída e que o ideal seria canalizar todo o esgoto, fazer um tratamento e ser elevado até a Estação de Tratamento de Esgoto Anhumas, localizado na Rodovia D. Pedro I (SP-65), em Campinas. O único desconforto, afirma ele, é o mau cheiro.

Esgoto de parte do Mansões Sto. Antônio e até de outros bairros não recebe tratamento

A Sanasa declara que o tratamento do esgoto da região é feito pelo Sistema de Esgotamento Sanitário Santa Cândida, mas o encanamento da Rua Nelson Alaíte ainda não foi concluído. Em nota, a autarquia responsável pelo saneamento informou, no dia 20 de agosto, que o projeto estava pronto e que tinha previsão de implantação, em média, em um ano desde o início das obras. De acordo com o material enviado pela assessoria de imprensa, “a Caixa Econômica Federal, já aprovou um total de R$ 2.700,00 milhões em um pleito de utilização de saldos obtidos em outros contratos de financiamento concluídos pela Sanasa, que foram dirigidos para financiar parte das obras previstas, orçadas atualmente em aproximadamente R$ 5 milhões”. A diferença será paga pela Sanasa. Ela já teve a aprovação da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e ainda informa que o cronograma de execução se dará depois do processo de licitação da obra. O encanamento planejado para a região é de 1.850 metros. Em relação às licitações, no dia 2 de agosto deste ano, a Sanasa, em nota, também informa que foi aberto o envelope com a documentação das empresas participantes. As empresas inabilitadas, ou seja, que ainda não se inscreveram para o processo, poderia entrar com recurso até o dia 23 de agosto. Se não houver nenhum recurso até a semana que vem, então serão abertos os envelopes dos preços e conhecida a empresa vencedora do processo para a execução da obra.


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Filmes fazem crescer procura por arco e flecha Aumento de praticantes chega a 20% em Campinas, inspirado também em videogames FOTO: JULIANA FIGUEIREDO

JULIANA FIGUEIREDO A busca por cursos de arquearia (o popular arco e flecha) aumentou até 20% na cidade de Campinas, de acordo com a única academia da cidade que oferece o serviço. Depois do sucesso de filmes como “Jogos Vorazes”, “Os Vingadores” e “Valente”, nos quais os protagonistas são exímios arqueiros, o tiro com arco tem se tornado mais popular e chamado a atenção de pessoas que talvez nunca tenham se imaginado empunhando um equipamento desses. O arco foi o primeiro dispositivo mecânico que superou os projéteis arremessados à mão e, até que fosse inventada a arma de fogo, era a melhor arma em combates a cavalo. Ele teve grande importância bélica, mas, diferente do que muitos imaginam, não exercia uma função de ataque e sim de defesa. A invenção da pólvora fez com que os arcos desaparecessem gradativamente dos campos de batalha e que seu emprego com fins desportivos e de entretenimento ganhasse crescente importância. O tiro com arco foi uma modalidade olímpica de 1900 a 1920 e, após vários anos de supressão, foi reintroduzido nos jogos em 1972. Ainda que muitas pessoas já tenham tido algum contato com um arco, mesmo que na infância, no país do futebol não é tão comum encontrar quem pratique o esporte, mas

Praticantes de arco e flecha em academia de Campinas, que registrou aumento de até 20% na procura por aulas talvez isso esteja prestes a mudar. “Eu falei com um aluno meu que foi para o Canadá e ele me disse que ‘Valente’ e ‘Jogos Vorazes’ criaram uma onda de arqueirismo por lá. O aumento também foi de 20% dependendo da localidade, afirma Jener Sato, um dos proprietários da escola de arquearia na cidade e ex-técnico de alto rendimento, que também já esteve na equipe técnica de FOTO: DIVULGAÇÃO

Jennifer Lawrence, a Katniss Everdeen, de “Jogos Vorazes”

Produções recentes no cinema têm protagonistas arqueiros Estão na moda filmes que têm arqueiros como protagonistas. Dentre os mais conhecidos do momento estão “Jogos Vorazes”, “Valente” e “Os Vingadores”. O primeiro é inspirado em um livro de mesmo nome, no qual a protagonista, Katniss Everdeen, usa suas habilidades de arqueira para lutar pela

sua sobrevivência e de sua família em um ambiente de pobreza e fome. Em “Valente”, a princesa Merida consegue se livrar de um casamento indesejado com apenas alguns tiros. Já em “Os Vingadores”, um dos heróis é um agente especial, cuja arma é um arco e flecha.

paraolimpíadas. A estudante campineira Bianca Zombine Felipe, que completa seu primeiro mês de prática desse esporte, acredita que os novos videogames e personagens estão trazendo aspectos positivos para a modalidade e que, como ela, muitos vão acabar se apaixonando por esse esporte e trazendo a modalidade para sua rotina. Como foi o caso da analista de recursos humanos Lucy Helena Bonfim Barbosa, que durante uma partida do novo jogo de arco e flecha da Xbox 360 decidiu, junto com mais três membros de sua família, praticar arquearia fora do console. Ex-atleta olímpica e sócia de Sato, Camila Yuri Hassegawa, concorda que há um aumento na popularidade do esporte e ainda acrescenta: “Impressiona um pouco o impacto que causa você ver a pessoa atirar na tela. A pessoa se vê motivada a praticar. Isso traz uma demanda muito grande pra nós”. Vale lembrar que cuidados devem ser tomados tanto na arquearia como em qualquer outra atividade física, principalmente as que envolvem objetos que podem tornar-se ameaças, entretanto, havendo o cuidado com a prática, o esporte é recomendado para todas as idades e condições físicas. Os benefícios são diversos, como postura, controle da respiração, desenvolvimento da concentração e do instinto.

FOTO: JULIANA FIGUEIREDO

Aluno pratica arco e flecha, com gasto mensal a partir de R$ 130, usando equipamento da própria academia


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Mumificação, uma curiosa opção ainda hoje Funcionária pública conta por que decidiu se render à técnica; documentos já estão prontos FOTO: JÉSSICA MOMENTEL

FABIANA MATSUDA JÉSSICA MOMENTEL A instituição alemã Body Worlds – Institute for Plastination (Instituto para Plastinação) será o destino do corpo da funcionária pública Ivone Damaris Antunes, de 43 anos, após seu falecimento. Há cerca de dois anos, ela decidiu doar o corpo para o instituto, que realiza a plastinação – técnica moderna de mumificação, com a finalidade de ser objeto de estudos nas áreas de saúde e ciências naturais, além de servir como peça para exibições museográficas. De acordo com a funcionária pública, dois motivos a levaram a tomar essa decisão. “Uma é ecológica, pois, para mim, um corpo humano enterrado é fonte de contaminação do solo, do lençol freático e, além disso, cemitérios são locais que acumulam bichos peçonhentos e criadouros de mosquitos da dengue”, afirma. A “vaidade ideológica”, como ela diz, é o segundo motivo. “Sempre me interessei pela cultura egípcia. Querer ser mumificada foi só um passo, além da consciência moral de ajudar outras pessoas”, acrescenta. A vontade de Ivone sempre foi de ter o corpo cremado após a morte, mas depois que leu uma reportagem sobre a entidade alemã Body Worlds, optou por fazer a doação do corpo. Assim, ela procurou um contato do instituto, informou a vontade de doar o corpo e recebeu pelo correio a documentação, assinada e reenviada sem receber nada em troca. “O Instituto para Plastinação realiza um trabalho fantástico, não só com a mumificação, mas também desenvolve estudos científicos”, diz Ivone. “Incentivo outras pessoas a tomarem a mesma atitude.”

Ivone Damaris Antunes com o folheto do Instituto para Plastinação da Alemanha, para o qual doou o seu corpo há cerca de dois anos

A decisão ainda é recente para a família da funcionária pública. “A princípio não gostaram da ideia, mas já falei que eles podem me visitar no instituto da Alemanha quando sentirem saudades”, brinca. Ivone acredita que, mesmo enfrentando dificuldades agora, no final, a família aceitará a sua decisão. Ivone não pensa na possibilidade de voltar atrás, embora o documento assinado por ela permita a revogação a qualquer momento. “É por amor à humanidade e às gerações futuras que estou doando meu corpo. Sei muito bem o que quero.” O filho dela, Byron, de 19 anos, ficou responsável por avisar o instituto quando a mãe falecer. Quem decidir por dar um destino ao corpo diferente dos tradicionais enterro ou cremaFOTO: DIVULGAÇAO

ção pode encontrar dificuldades no Brasil. A plastinação é uma técnica pouco conhecida e não há institutos que a realizam no País. A única opção por aqui é a doação para instituições de ensino e pesquisa. Foi pelo que optou o jornalista Paulo Patarra, morto em 2008. Ao falecer, aos 74 anos, seu corpo, seguindo vontade expressa em documentos, foi enviado à Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de São Paulo (USP). Patarra foi um dos jornalistas que fizeram história na revista Realidade, na década de 60, e pretendia contribuir para o progresso da ciência ao optar pela doação. Embora reconheçam a possibilidade de doação de corpos, inclusive regulamentada pela legislação, as universidades evitam falar do assunto, por causa das polêmicas gera-

das. O Saiba+ procurou a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade de São Paulo (USP) e os órgãos competentes, como a Serviços Técnicos Gerais (Setec-Campinas) e Serviço de Verificação de Óbitos (SVO-São Paulo), para darem esclarecimentos sobre o assunto, mas não obteve respostas até o fechamento desta edição. LEGISLAÇÃO Os cursos da área de saúde das instituições de ensino no Brasil utilizam o corpo humano para a pesquisa e aprendizagem dos estudantes. De acordo com o Artigo 14 da Lei 10.406-2002 do Código Civil brasileiro, a doação de corpo é válida, com “objetivo científico ou altruístico”, e a disposição gratuita do próprio corpo,

no todo ou em parte para depois da morte. Dessa forma, segundo a Sociedade Brasileira de Anatomia, os cadáveres utilizados em aulas vêm de duas origens: cadáveres não reclamados por familiares e doação espontânea de corpos. As leis brasileiras proíbem que haja pagamento por corpos humanos ou órgãos internos. Se a pessoa optar pela doação, deve assinar um termo e receber instruções sobre todos os procedimentos. Em caso de desistência, pode ser livremente revogado a qualquer tempo, pelo doador ou pelos familiares, mesmo após a morte. Depois do termo de doação assinado e registrado em cartório, ele deve ser enviado à instituição para a qual se pretende fazer a doação. Uma cópia do documento deve ficar com a família.

SAIBA MAIS SOBRE A PLASTINAÇÃO A plastinação é o procedimento técnico e moderno da preservação de matéria biológica, criado pelo artista e cientista Gunther von Hagensem, em 1977, que substitui várias substâncias corporais por alguns tipos de resinas. A técnica da plastinação consiste na retirada de água e lipídios do corpo humano, aplicando polímeros sintéticos no lugar, evitando que haja a decomposição. O método permite que sejam expostos músculos, veias, cérebro e sistema nervoso sem qualquer risco de dano aos corpos. Além disso, não há necessidade de manutenção e de câmaras frias para a conservação. A técnica também pode ser vista na exposição Body Worlds. Mais informações pelo site www.bodyworlds.com.

EXPOSIÇÃO BODY WORLDS

Exemplo de corpo que passou pela técnica de plastinação

A exposição itinerante Body Worlds (Mundos do Corpo) exibe corpos humanos ou partes dele preservadas e preparadas com a técnica de plastinação para revelar o interior de estruturas anatômicas. O público tem a oportunidade de observar de perto a anatomia de corpos dissecados e conferir com riqueza de detalhes como são os vasos sanguíneos, a musculatura, os nervos e ossos. Em julho deste ano, uma dessas exposições foi realizada no Shopping Eldorado, em São Paulo (SP).


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Postos respondem a 70% do solo contaminado O total de áreas afetadas em Campinas cresceu 8% em um ano MARIANA FLÓRIO FENERICH As áreas de solo contaminado aumentaram em Campinas, de acordo com o balanço divulgado pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Em 2010, eram 85 locais; em 2011, último dado disponibilizado, esse número subiu para 92, um aumento de 8%. Os números revelam também que 70% dessas áreas correspondem a postos de combustíveis, enquanto os 30% restantes são indústrias, comércio e empresas de resíduos. Os números disponibilizados não refletem apenas aspectos negativos, já que em 2011 as áreas reabilitadas, ou seja, despoluídas, também aumentaram. Eram três em 2010 e hoje são cinco, um crescimento de 66%. O cadastro das áreas contaminadas feito pela Cetesb é de acesso público. No site da instituição, é possível consultar quais são esses locais. A contaminação do solo é resultado da ações como a impermeabilização e a poluição do ambiente, bem como pode ser consequência de práticas inadequadas de manejo, disposição, tratamento e transferência de resíduos, como explica

o químico e professor da Universidade Estadual de Campians (Unicamp) Wilson de Figueiredo Jardim. Segundo ele, grande parte dessas áreas foi contaminada em um passado relativamente distante (mais 20 anos atrás), quando a fiscalização e a conscientização eram precárias. Jardim afirma que grande parte dessas áreas consta nos dados oficiais por causa da obrigatoriedade do cadastro de estabelecimentos como postos de gasolina. Quando um deles é aberto, é preciso se inscrever na Cetesb que providencia uma análise do solo na região. Estima-se que as áreas contaminadas, não apenas no município de Campinas, mas em todo o estado de São Paulo, sejam muito superiores aos números divulgados. Por serem trechos de acesso restrito e por apresentarem, em geral, um baixo risco de exposição à população, este processo investigativo leva tempo, exige muitos fiscais, muita gente técnica. O engenheiro ambiental do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Campinas (Recap) Marcelo Caricol reforça que é preciso considerar as circunstâncias das contaminações, uma vez que elas advêm de

Áreas contaminadas ao redor de postos de gasolina podem causar danos à saúde e ao solo

tempos em que as instalações dos postos de combustíveis seguiam outros padrões de segurança ambiental. Hoje, há a exigência de licenciamento ambiental, concedido pelas agências ambientais, no caso do estado de São Paulo, da Cetesb. Caricol afirma que, ao longo dos anos, ocorreram reformas completas nas instalações dos postos, melhorias nos equipamentos e rotinas operacionais, o que possibilita o monitoramento de possíveis vazamentos de combustível e reduz significativamente a incidência de contaminação. O licenciamento ambiental está previsto na Resolução 273/2000 do Conselho

Nacional de Meio Ambiente (Conama), que estabeleceu critérios tanto para os postos novos quanto para os que já existiam, que foram obrigados a se adequar às novas normas ambientais. O engenheiro, responsável pelo Departamento de Meio Ambiente do sindicato ressalta ainda que, durante todo o processo de adequação dos postos de combustíveis, iniciado em 2001, “o Recap teve uma atuação efetiva”, realizando palestras e se colocando à disposição para prestar esclarecimento, orientação e divulgar as exigências do Conama, não apenas para seus associados. Caricol garante que, hoje, quase todos os postos

já se adequaram. A analista de educação ambiental da Cetesb Mônica Avila Domingues alerta que a existência de uma área contaminada pode gerar danos à saúde, por ingestão de água subterrânea contaminada, contato da pele com o solo contaminado e/ou inalação de vapores que podem ter origem no solo ou na água. Pode ocorrer também o comprometimento da qualidade dos recursos hídricos, restrição ao uso do solo, além de danos ao patrimônio público privado, devido à desvalorização das propriedades e dos prejuízos ao meio ambiente.

Uma alternativa para o futuro? Jovens optam por se profissionalizarem nos esportes, deixando a faculdade em segundo plano ALINE SALUOTTO Quando o adolescente está no final do Ensino Médio, os professores comentam sobre o futuro nas universidades, além de ajudarem, parcialmente, a escolher o que cursar. Mas há sempre aqueles que fogem às expectativas, deixando de cursar a faculdade para se dedicar aos esportes. É o que fez, por exemplo, Brenno Presotto, de 20 anos, jogador do time Independente Futebol Clube, da cidade de Limeira. Praticante do futebol desde os 5 anos, Presotto diz que foi fácil a decisão de deixar de cursar a faculdade para se dedicar ao futebol: “Quando vi que o meu sonho de criança, que era jogar futebol, começou a evoluir em todos os sentidos, o que eu realmente tinha que fazer era seguir em frente na minha carreira, ao invés de fazer alguma faculdade.” Ele também ressalta o apoio total dos pais, mediante a escolha que ele fez para o seu futuro. “Meus pais me apoiaram 100%, sabiam que era isso que eu gostava de

FOTO:

DIVULGAÇÃO

João Felipe Baiocchi (com a bola) se divide entre a carreira esportiva e o curso universitário

fazer e me deixaram à vontade nas minhas escolhas.” A possibilidade de conciliar a carreira de esportista é o caminho feito por outros mais preocupados com a segurança que a formação acadêmica pode garantir. É o caso de João Felipe Baiocchi, de 20 anos, que joga para o time de

basquete da Universidade de Brasília (UnB). O jovem fala sobre como conseguiu conciliar a faculdade com o esporte: “Inicialmente tive a ajuda dos meus pais, sempre me alertando que a carreira no esporte não será para sempre e que, depois que acabar, terei mais de 2/3 da vida pela frente, e

depois de uma experiência adquirida nos Estados Unidos, percebi que é possível conciliar os dois.” Baiocchi fala também sobre o apoio dos pais na sua escolha. “Sempre tive total apoio com relação ao basquete, mas eles sempre deixaram muito claro que eu não pode-

ria largar os estudos. Sempre me ensinaram a usar o basquete como uma ferramenta.” Perguntado sobre a formação de seu pai, famoso jogador do basquete brasileiro conhecido como Pipoka, responde: “Ele não chegou a pular a etapa da faculdade, demorou para ele conseguir se formar, mas ele nunca deixou de tentar conciliar os dois”. Apesar de muitos atletas se verem divididos entre ter uma formação profissional ou se dedicar totalmente ao esporte, com o tempo, pode vir o arrependimento. “Se eu não tivesse essa consciência que tenho, de sempre procurar avançar com os estudos, eu acho que poderia me arrepender seriamente, porque a carreira no basquete é curta e teria o resto da vida pela frente”, diz Baiocchi. Mas também pode vir a satisfação de ter seguido o que queria: “Cada pessoa tem que seguir seu objetivo de vida e ir atrás dos seus sonhos. O meu é viver do esporte”, acredita Presotto.


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20 de agosto a 5 de setembro de 2012

Pesquisa é “descoberta” na graduação Disciplinas voltadas à área científica podem ser também vitrine para mostrar potencial dos alunos CAROLINA JUNQUEIRA As aulas de Pesquisa e de Projeto Experimental, que compõem a grade de disciplinas do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), no terceiro e no quarto ano, respectivamente, são oportunidades para a inserção do aluno do mercado de trabalho acadêmico. Pelas disciplinas, muitos descobrem que, além da reportagem e do trabalho em jornais, portais e emissoras de rádio e TV, o trabalho como pesquisador pode ser interessante. De acordo com o professor Carlos Gilberto Roldão, que ministra, junto a outros colegas, as duas disciplinas, muitas vezes, os estudantes não se atentam às projeções que essas aulas podem proporcioná-los. “O aluno deve aproveitar ao máximo esse espaço acadêmico, pois ele oferece chances que podem emplacar alguns objetivos”, explica Roldão. Isso foi o que motivou a estudante Amanda Cotrim, do último semestre do curso, junto à outra integrante do grupo, a inscreverem seu artigo no 35º Congresso Brasileiro de Ciências e Comunicação (Intercom), que vai ocorrer do dia 3 a 7 de setembro deste ano, em Fortaleza (CE). Em Pesquisa, elas fizeram uma monografia a partir da análise da cobertura das eleições de 2006, realizada pela revista Isto É. “Nosso trabalho foi elogiado em uma reunião no final do semestre e tivemos

a nota máxima”, orgulha-se Amanda. Além disso, o professor Roldão explicou sobre o potencial da monografia, despertando, na aluna, a vontade de apresentá-la no Intercom. Embora o trabalho tenha ficado pronto em 2011, elas perderam o prazo de inscrição para o evento do ano passado. “Esse ano nos organizamos. Está tudo certo e vamos”, afirma Amanda. Segundo a estudante, a decisão de ir ao congresso foi tomada, de fato, ao pensar no mercado de trabalho e no mestrado que ela deseja fazer. Ter uma publicação no Intercom tem grande peso no currículo e já é um passo à frente para a sua entrada no segmento acadêmico. Esse fato chamou a atenção também da aluna Thais Araújo Jorge, do terceiro ano do curso. Ela e o grupo dela pretendem inscrever-se no Intercom Regional de 2013, pois não tiveram tempo de participar do evento deste ano. A pesquisa de Thais se propôs a constatar se o programa VC Repórter, do portal Terra, era jornalístico, estudando o conceito de “jornalismo colaborativo”. Durante esse processo, o grupo visitou a redação do site e, além do levantamento de dados, acredita ter gerado uma rede de contatos. “A pesquisa nos proporcionou a criação de vínculos com diferentes pessoas do mundo acadêmico”, relembra a estudante. Thais, assim como Aman-

FOTO: CAROLINA JUNQUEIRA

Grupo de alunas de Pesquisa e o professor Roldão preparam-se para o Intercom de 2013 da, planeja fazer mestrado e projetou, na monografia, a chance de ter um histórico acadêmico mais completo. Uniu o útil ao agradável, como ela mesma descreve: “Já que teríamos que fazer a pesquisa e a monografia, escolhemos um tema com o qual todos tivessem afinidade e levamos esse projeto adiante”. Ainda de acordo com a aluna do terceiro ano, todo o processo pelo qual o grupo passou não abrange apenas a parte teórica, mas a prática também – que geralmente é a preferência da maioria dos estudantes. Em relação a isso, Amanda é enfática ao dizer que a pesquisa percorre caminhos mais profundos. “Não adianta o aluno focar-se na prática se não ti-

ver uma base sólida, adquirida com os estudos teóricos. Senão for assim, ficará no senso comum”, acredita. Ambas as estudantes são unânimes ao relatar que o universitário não deve limitar-se apenas aos deveres que tem de cumprir na faculdade, mas, sim, enxergar um mundo de oportunidades, oferecido pelo espaço acadêmico. “Além de todos os benefícios que a pesquisa traz pra vida profissional, deve-se pensar também que esse é um espaço para uma produção própria”, afirma Thais. EXPERIÊNCIA

Em relação ao trabalho prático do Jornalismo e à pesquisa nesse campo, a professora

Cyntia Andretta, que também ministra as disciplinas de Pesquisa Aplicada e de Projeto Experimental, na PUC-Campinas, diz que ambos precisam caminhar juntos na formação do futuro jornalista. Ainda de acordo com ela, no dia a dia das redações, não há muito tempo para pensar as práticas jornalísticas e, por isso, a pesquisa torna-se importante. A professora acredita que os dois segmentos da carreira se complementam e, por conta disso, ela sempre procurou fazê-los paralelamente: foi editora, repórter e assessora de imprensa, ao mesmo tempo em que se dedicava também à carreira como professora e como pesquisadora.

Campinas já tem sua “Comissão da Verdade” Desdobramento do movimento nacional, conselheiros podem contribuir com investigações JULIANA DIANI

No dia 9 de agosto uma reunião no salão vermelho da Prefeitura criou a Comissão da Verdade de Campinas. Esse grupo é um desdobramento da Comissão da Verdade instaurada pela presidente Dilma Rousseff nacionalmente. O grupo federal tem por objetivo investigar crimes cometidos pelo Estado entre 1946 e 1988, principalmente no período da Ditadura Militar. A Comissão Nacional é formada por sete membros e tem o prazo de investigação de dois anos, com o direito de convocar vítimas e acusados de violações para prestar depoimentos. O papel dos conselheiros de Campinas irá contribuir

com o da Comissão Nacional. “Nossa ideia é que a Comissão elabore relatórios que sejam encaminhados para a Comissão Nacional para ser somado ao que ela já está fazendo abertamente. É um trabalho

de colaboração. Pretendemos levantar dados, como, por exemplo, qual foi o papel que as empresas tiveram no golpe militar, toda a questão que envolve mortos, desaparecidos e tortura”, explica Paulo MaFOTO: DIVULGAÇÃO CARTA MAIOR

Manifestantes em São Paulo, durante a criação da Comissão

riante, membro da Comissão da Verdade de Campinas. O prazo de dois anos instaurado pela Presidente Dilma para os trabalhos é curto, assim como o professor da Pontifíca Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) Arnaldo Lemos, especialista no assunto, afirma: “Eu acho que essas comissões regionais, municipais ou estaduais podem ajudar na coleta de dados, depoimentos, testemunhas, em relação ao objetivo da Comissão Nacional. A Comissão Nacional é composta de sete membros e tem somente dois anos para concluir o trabalho que tem que ser feito. E como o Brasil é muito grande, as comissões podem colaborar.” A Comissão Nacional da

Verdade, apesar de ter o poder de convocar pessoas para prestar depoimento, ainda não tem o poder de punir os culpados. ATRIBUIÇÕES

“A Comissão da Verdade não atende a todas as nossas exigências, mas é o pontapé inicial para que a gente consiga elaborar e aprovar outros projetos de lei que possam estar prolongando e viabilizando a conclusão do trabalho da Comissão Nacional,” diz Celia Coqueiro, membro do Comitê da Verdade municipal. Também foi citada por Celia a elaboração de um projeto de lei para estender o prazo de dois anos dado pela presidente.


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IMPRESSIONISMO EM DIAS DE POP Quadros dos principais artistas à mostra em São Paulo são inéditos no Brasil CLÉBSON LEAL Quando colocaram os pincéis para pintar sombras, luzes e sensações, Manet, Dégas e Renoir não ganharam aplausos. Pelo contrário: tiveram muitas críticas e sofreram preconceitos. Quase 150 anos depois, suas obras são sinônimos de filas e de muita gente querendo vê-las de perto. A exposição “Impressionismo: Paris e a Modernidade”, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) recebeu, só no primeiro final de semana (4 de agosto), 12 mil pessoas. A mostra traz 85 obras provenientes do Museu D’Orsay, da capital francesa. O Impressionismo surgiu entre as décadas de 1860 e 1880 e seus pintores, entre os quais estão também Cézanne e Monet, não buscavam temáticas nobres ou retratar fielmente a realidade. Na verdade, em tempos em que a fotografia surgia como promessa para mostrar com detalhes o que era o mundo, a pintura passou a ter, com esse grupo, outros sentidos. Mas, naquela época, nem os “entendidos de arte” gostaram. O júri da Academia de Belas Artes - que definia as normas da pintura francesa e detinham o poder de definir o que era arte ou não - reagiu com frieza ao novo estilo, e não aceitou os quadros dos impressionistas para sua exibição anual de arte conhecida como “Salon”. A exposição em cartaz em São Paulo até o dia 7 de outubro, com entrada gratuita de terça a domingo, é dividida em seis módulos, sendo três deles dedicados à vida da cidade e seu desenvolvimento econômico (“Paris: a cidade moderna”, “A vida urbana e seus autores” e “Paris é uma festa”) e os outros três (“Fugir da cidade”, “Convite à viagem” e “A vida silenciosa”) referentes ao campo e sua tranquilidade. Segundo Alexandre Yokoi, assessor do CCBB, “o sucesso da exposição se deve principalmente à relevância das obras e dos artistas, que são considerados grandes nomes da arte mundial; além da gratuidade da entrada, que possibilita acessibilidade para toda população”. Com tanta gente para visitar, o CCBB fará, a exemplo do que ocorreu no primeiro final de semana da mostra, duas novas edições da Virada Impressionista, com a exposição aberta 24 horas – uma em setembro e outra em outubro. A pedagoga Laura Rosa

FOTO: CLÉBSON LEAL

Baungartner, que visitou a exposição no dia 12 de agosto, afirma que “é incrível a perfeição de traços de alguns artistas, o domínio da técnica, a beleza dos quadros. Acho que em cada obra é possível descobrir outras maneiras de olhar”. Alguns visitantes da exposição inclinavam-se o máximo possível para perceber as pinceladas, os detalhes, porque, como afirma a estudante Marina Malheiros: “Assim é possível imaginar o movimento do pincel do artista quando estava pintando e perceber que a tela não nasceu pronta. Algumas são tão perfeitas que, de longe, parecem fotografias”. Os impressionistas abandonaram os ateliês para tentar compreender a luz e seus efeitos sobre as cores, usavam pinceladas firmes - mas outras vezes delicadíssimas - para pintar paisagens e pessoas sem contorno, procurando a captação do momento. Suas cores e tonalidades não eram obtidas pela mistura de tintas: eram usadas puras, mas de maneira que resultasse em uma combinação de cores nos olhos do observador. As obras expostas em São Paulo vieram em seis aviões, em seis dias diferentes, após cerca de um ano e meio de negociações com o Museu d’Orsay. O Banco do Brasil investiu R$ 11 milhões, já que as obras precisam de uma aclimatação especial no CCBB. Até o final da exposição, o centro espera receber 600 mil pessoas. Depois, será a vez dos cariocas conhecerem os quadros e, em seguida, a exposição vai para Madri, na Espanha. É a primeira vez que as obras do acervo do Museu d’Orsay atravessaram o oceano e viajaram para terras tupiniquins. Se o público esperado se confirmar, “Impressionismo: Paris e a Modernidade” deve superar a mostra “O mundo mágico de Escher” (também do CCBB) - exposição mais visitada no mundo em 2011, segundo a revista norte-americana especializada The Art Newspaper. Por tamanho interesse do público pelas obras, o melhor mesmo é chegar cedo. Ou esperar pelo menos duas horas na fila antes de entrar. Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo Rua Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo – SP O Tocador de Pífaro, obra de Manet, é uma das atrações

Saiba+ - Edição Agosto/Setembro de 2012  
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