Page 1

Grupo motiva a adoção de cães abandonados pela internet. +Conteúdo A8

Desde 2006

9 de Outubro de 2013

Faculdade de Jornalismo - Puc Campinas

Foto: Fabiana Rosa

Campanha traz Outubro Rosa a Campinas Foto: Vinícius Duran

A campanha do Outubro Rosa na cidade é uma iniciativa da PUC-Campinas com apoio da Sociedade de Medicina de Campinas. Edifícios públicos e privados receberão iluminação especial e

terão eventos que vão alertar a população para a necessidade do diagnóstico precoce da doença. O movimento tem capacidade para atingir cerca de 200 mil mulheres da RMC (Região Metropolitana

de Campinas) com mensagens sobre o câncer de mama e informações que abrangem desde o diagnóstico precoce e opções de tratamento até os direitos previdenciários das pacientes. + Especial A7

Pesquisa propõe solução ao deslocamento de retina Uma pesquisa realizada pelo Instituto Schepens Eve apresenta soluções para os casos de deslocamento de retina. A retina tem receptores fotossensíveis que convertem a imagem luminosa em impulsos elétricos que são enviados ao cérebro através do nervo ótico. O descolamento interrompe o processo, e se não for tratado convenientemente e depressa, pode evoluir para

perda total da visão. Os descolamentos podem ocorrer em qualquer idade, mas costumam ser mais frequentes depois dos 40 anos. Os principais fatores de risco para a enfermidade são: alto grau de miopia, cirurgia anterior de catarata, glaucoma, trauma nos olhos, na face ou na cabeça, diabetes descompensado, tumores, processos inflamatórios, história familiar da doença e degeneração

do vítreo própria do envelhecimento. O descolamento não está associado a nenhum processo doloroso. Os sintomas são outros: visão turva e embaçada, sombra central ou periférica dependendo da região da retina afetada, que progride à medida que o deslocamento evolui, flashes luminosos, entre outros. + Saúde A3

Palácio é base para reurbanizar centro Azulejos aguarda verbas para última fase de reformas

Foto: Camila Correia

Nos planos do ex -prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, o edifício do Palácio dos Azulejos, sede do Museu de Imagem e Som (MIS), seria restaurado com base na construção ori-

ginal. O Palácio já recebeu uma série de melhorias e atualmente aguarda recursos financeiros para que se realize a última fase de obras. + Cotidiano A7


A2

+OPINIÃO

Quarta-Feira, 9 de Outubro de 2013.

NOTAS

Salão de Humor vai até 20 de outubro em Piracicaba A 40ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba (SP) se prepara para os últimos dias da mostra. A exposição poderá ser visitada gratuitamente até o dia 20 de outubro, de terça a domingo. Nesta edição, 442 obras foram selecionadas a partir de quatro mil trabalhos inscritos, entre cartuns, caricaturas, charges e tiras de artistas de 64 países. Serviço 40º Salão Internacional de Humor de Piracicaba Data e horário: até o dia 20 de outubro, de terça a sextafeira, das 14h às 18h, e, aos finais de semana, das 10h às 20h. Onde: Parque do Engenho Central (Avenida Maurice Allain, 454). Informações: (19) 3403-2615. A entrada é gratuita.

Valinhos sem carnaval Valinhos não terá o tradicional desfile das escolas de samba em 2014, pelo segundo ano consecutivo e pela terceira vez desde 2010. Segundo informações da Secretaria da Cultura, três das cinco escolas de samba da cidade rejeitaram a proposta da Prefeitura de Valinhos, que ofereceu a verba de R$ 80.000 para cada agremiação, o que foi considerado insuficiente pelos representantes. Acadêmicos do Moinho Velho, campeã em 2012, e Arco-Íris se dispuseram a desfilar; Leão da Vila, Unidos da Madrugada e Mocidade Independente optaram por aguardar 2015 e reunir recursos.

MACC realiza mostra de fotografias O Museu de Arte Contemporânea de Campinas inaugura na quarta-feira (9), a exposição “Açúcar, um doce meio amargo”, cuja curadoria pertence à jornalista holandesa Stijntje Blankendaal. A exposição contará com fotografias de seis artistas, que retratarão a produção de açúcar na Holanda, no Suriname, na Indonésia e no Brasil.

SAIBA + Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC - Campinas. Centro de Comunicação e Linguagem (CLC): Diretor Prof. Dr. Rogério E. R. Bazi; Diretora-Adjunta: Professora ME. Maura Padula; Diretor da Faculdade: Professor ME. Lindolfo Alexandre de Souza. Tiragem: 2 mil. Professor responsável: Luiz R. Saviani Rey (Mtb 13.254) Editora: Angélica Cortez Diagramador: Larissa de Albuquerque

CARTA AO LEITOR

ARTIGOS

O ciclo das lutas e revoltas da juventude sempre trocam os porquês Claudia Müller Estudante de Jornalismo

Quem desvaloriza a educação no Brasil? Guilherme Boneto Estudante de Jornalismo

Nesta edição do jornal Saiba + você encontra informações sobre saúde com a pesquisa estadunidense sobre deslocamento de retina, que renova a esperança da medicina sobre a enfermidade, descobre quais os primeiros sinais de perda de audição gerada pelo uso excessivo dos fones de ouvido, assim como a dificuldade dos autistas em ingressar no mercado de trabalho. A campanha do “Outubro Rosa” recebe destaque este mês, pois

S

Será que só a juventude é volátil ou também a sociedade como um todo? A vulnerabilidade independe de idade ou faz parte de fases da vida? Os atuais jovens, por exemplo, seguem suas emoções, mesmo que inconscientemente, para tomar suas decisões. Via de regra, ao menos os mais “esclarecidos”, tendem a protestar contra atitudes de abuso, de violência, de maus tratos, enfim, algo que fira os direitos humanos, a dignidade do cidadão. Por isso, lutam contra a situação dos presídios, onde muitos estão amontoados, em condições sub-humanas, em meio ao calor, sujeira, falta de comida, más condições de higiene e, com certeza, nenhum conforto. Também revoltam-se com a condição dos mendigos nas ruas, que apanham, que sofrem e que são “invisíveis” para a maioria das pessoas. Sem contar os favelados, que crescem na desigualdade, sofrem a pobreza e sofrem uma desilusão com a vida. Sem es-

D

iz-se muito por aí, especialmente após as manifestações de junho, que o governo brasileiro desvaloriza a educação. De fato, pode ser que isso seja verdade. Porém, no Brasil, os governantes não são o único agente a fazer pouco de educadores e educandos – as pessoas, munidas de opiniões medievais e lamentáveis, vêm fazendo o mesmo há muito tempo, especialmente quando se trata das graduações espalhadas pelo país. É muito fácil verificar a razão disso. Em outras nações, onde a democracia é mais madura, estudantes finalizam a escola e vão à universidade sem precisar trabalhar. Na maioria dos casos, os pais financiam esse processo, com um dinheiro que guardam durante toda a vida dos filhos, numa atitude que demonstra extrema maturidade – e que a imensa maioria dos brasileiros simplesmente não têm. Logo, a maior parte dos estudantes brasileiros que vão à universidade são obrigados a trabalhar para financiar os próprios estudos, já que o

pela primeira vez Campinas realizará ações do movimento. Edifícios da cidade estão recebendo iluminação especial e um grande laço rosa, marca registrada da campanha. Os 240 anos de Campinas são lembrados pela tradicional história do Palácio dos Azulejos, que preserva a memória arquitetônica e cultural da cidade. A dança colombiana Zumba ganha expressividade por ser a nova febre nas academias da região, já que

apresenta uma solução para quem deseja fazer exercícios e perder peso de forma divertida. Mitos automobilísticos realizados por motoristas com intuito de economizar são desvendados e esclarecidos por um especialista no assunto. Para finalizar, a proteção de animais abandonados é retratada por ações promovidas na internet pelo projeto “Focinho Abandonado” que se destaca pelo número de animais doados nas feiras de adoção.

perança de melhora, acabam sendo conduzidos, naturalmente, ao crime, à violência, a uma forma de liberar essa revolta e conseguir dinheiro para o sustento – às vezes, muito mais do que o sustento. E assim seguem esses jovens – ou essa sociedade -, protestando e lutando por esses ideais. Saindo às ruas, fazendo petições, exprimindo opinião nas redes sociais, em blogs e em todos os lugares em que possam mostrar essa causa. Mas então acontece uma tragédia. Alguém morre brutalmente, alguém é violentado, alguém desse ambiente sofre algum tipo de violência e então essa onda de revolta se quebra. Esse empenho e determinação por essas lutas

foram feridos, levaram um banho de água fria, decepcionaram-se. Agora a revolta, a luta e determinação têm outro apelo, agora clamam por “justiça”. Querem que os culpados sejam punidos, querem que a dor cesse, querem que as coisas se acalmem. Agora as certezas foram abaladas, os porquês perderam a razão, as vozes se calaram, os ânimos murcharam. Então logo outra luta recomeça tão inflamada quanto antes. Agora é preciso brigar pela nova vítima. Vítima da sociedade, vítima do sistema. Depois de um tempo, as coisas se acalmam, a dor é engolida, os guerreiros foram vencidos pelo cansaço, pelo desânimo, pela impunidade. Porém, depois desse marasmo, as lutas recomeçam. As vítimas dos determinismos voltam a entrar em cena, a luta pelas injustiças sociais volta às telas e esse ciclo continua, dando voltas e voltas, inevitavelmente, já que sempre essa harmonia será abalada.

“Agora a revolta e determinação tem outro apelo, agora clamam por ‘justiça’” processo seletivo para ingressar em universidades públicas requer uma longa carga diária de estudos, em boas escolas particulares, que muitos pais não têm condições de pagar. Isso resulta numa equação muito simples. As pessoas trabalham durante todo o dia, por vezes até dez, onze horas, para depois tomar os livros entre as mãos e ir à universidade. O aproveitamento disso, certamente, é mínimo. O estudante se posiciona como um mero espectador, a participação em pesquisas que auxiliariam o desenvolvimento da disciplina é mínima, quando há. Não existe tempo hábil para aprofundamento. Muitas das escolas de ensino superior espalhadas pelo Brasil acabam “ajudando” o aluno nesse processo, diminuindo a carga de leitura

“O pouco caso com a educação, no Brasil, é cultural”

e de aula das disciplinas. Ao final a graduação, que já seria prejudicada pelo cansaço do estudante após horas de trabalho, acaba ficando ainda pior pela negligência da própria universidade. Não é o caso, como se sabe, da PUCCampinas, que têm um nome a zelar. Porém, mesmo as melhores universidades são obrigadas a se adaptar, de certo modo, à forma como o ensino brasileiro se posiciona, oferecendo cargas horárias de três a quatro horas diárias. Volto, aqui, ao início da minha pontuação, quando digo que os brasileiros, de modo geral, desvalorizam a educação. Pais que permitem aos filhos uma vida de somente estudo e busca por um estágio na área escolhida são vistos, por muitas pessoas, como financiadores do ócio. E os estudantes que, depois dos vinte anos de idade, têm a chance de só estudar, e não precisar trabalhar, são taxados como pouco-dedicados, dentre outros adjetivos menos agradáveis de se dizer. Vê-se que o pouco caso com a educação, no Brasil, é cultural.


A3

Quarta-Feira, 9 de Outubro de 2013.

+SAÚDE

Autistas ainda encontram dificuldades para ingressar no mercado de trabalho Mesmo com a lei que obriga as empresas a contratar pessoas com deficiência, empresários ainda possuem preconceitos Vinicius Duran De cada 110 pessoas no mundo uma é autista, no entanto, a maioria das informações recorrentes sobre o assunto diz respeito ao tratamento e ao desenvolvimento infantil e pouco se comenta sobre a inserção do autista no mercado de trabalho. As pessoas diagnosticadas com autismo podem ter uma vida normal se o tratamento for realizado corretamente. Porém, algumas características do Transtorno de Espectro Autista não são bem aceitas pela sociedade e, consequentemente, entrar no mercado de trabalho ainda é um tabu. No ultimo mês, a empresa alemã, SAP, lançou um projeto a fim de contratar pessoas com autismo para desenvolver softwares e, segundo os diretores da empresa, eles querem aproveitar uma das principais características de pessoas que tem esse transtorno: a concentração em uma determinada ação. Segundo a psicóloga Maria Regina Silva, fora do Brasil isso é muito comum em empresas de T.I. (Tecnologia da Informação), pois pessoas com autismo tendem a ter facilidade com números e informática. Outro exemplo de sucesso é o da empresa dinamarquesa de teste de softwares,

Foto: Vinicius Duran

Carlos Eduardo Vasconcelos, autista, conseguiu trabalhar com informática na área de T.I. Specialisterne, que possui 80 dos 100 profissionais da empresa com autismo. De acordo com Hernandes, a capacidade de concentração de um autista deveria ser melhor analisada pelas empresas. “Por muito tempo foi dito que o autista só conseguia se concentrar naquilo que deseja e isso é verdade, mas com o devido tratamento o autista consegue tirar Foto: Reprodução

proveito desta característica e focar no trabalho”, declara. O CORA (Centro de Otimização para Reabilitação do Autista) desenvolveu um programa de capacitação para pessoas com autismo. Esse projeto oferece desde testes de habilidades até dicas para entrevistas, além do acompanhamento no trabalho. A psicóloga Maria Regina explica

que um programa como esse é muito importante, pois a independência da pessoa com autismo é difícil. Existe também o projeto “Inclusão no Mercado de Trabalho”, da Associação para o Desenvolvimento dos Autistas em Campinas – ADACAMP. O programa desenvolve oficinas que apresentam uma nova visão sobre o mer-

cado de trabalho para pessoas com o transtorno e também mostra exemplos de sucesso, como autistas que conseguiram se inserir no mercado. Carlos Eduardo Vasconcelos, 26, foi diagnosticado com autismo aos 4 anos de idade. Ele tem a Síndrome de Aspenger, que pode ser considerada uma forma mais leve de autismo. Carlos conta que quando começou a trabalhar em uma empresa de T.I., a maior dificuldade foi a interação com os colegas de trabalho, pois era um mundo com o qual ele não estava familiarizado. “Mesmo durante a faculdade, sempre fiquei no meu canto, fazia sozinho os trabalhos” afirma. Apesar do tratamento desde criança, a interação é uma dificuldade para ele, que também conta que muitas pessoas não entendem algumas de suas atitudes. Muito deve ser feito no País para mudar o panorama sobre o mercado de trabalho para pessoas com autismo. Algumas associações procuram agilizar o processo, porém, várias empresas persistem no preconceito e até desconhecem as capacidades das pessoas com autismo. Entretanto, com os novos tratamentos e com as novas tecnologias, cada vez mais o mercado de trabalho aceitará pessoas com deficiência.

Pesquisa testa solução para descolamento de retina Testes realizados nos EUA com células-tronco renovam a esperança da medicina Diego Berlanga

A seta indica a retina sendo descolada após a degeneração do vítreo

Uma pesquisa feita pelos cientistas americanos do instituto Schepens Eve mostra uma evolução, e até um possível tratamento com sucesso, para o caso de descolamento de retina. O uso de células tronco pluripotentes pode regenerar áreas danificadas da retina. Hoje, o máximo que é possível fazer quando há um descolamento de retina é a operação, que segundo o médico Everardo de Carvalho vai apenas evitar a progressão dos danos. “Nas áreas onde já está instalado o deslocamento, o tecido da retina não se recupera mais”, declara. A esperança da medicina mundial é que com o tratamento sejam formadas novas células para que substituam as que morreram devido ao deslocamento.

Isso se deve ao fato da célula ser pluripotente. Esse tipo de célula é capaz de gerar células dos três folhetos embrionários (tecidos primordiais do estágio inicial do desenvolvimento embrionário que darão origem a todos os outros tecidos do organismo). A equipe americana usou a manipulação de células-tronco pluripotentes, onde é feito uma reprogramação com células retiradas da pele de um adulto. A retina tem receptores fotossensíveis que convertem a imagem luminosa em impulsos elétricos que são enviados ao cérebro através do nervo ótico. O descolamento de retina interrompe o processo, e se não tratado, pode agravar e se descolar totalmente gerando a perda total da visão. O alto grau de miopia, trauma nos olhos ou na

cabeça, diabetes descompensado e glaucoma podem causar o descolamento da retina. Há casos como o de Amaro Lopes, 75, deficiente visual há mais de 38 anos. Devido ao seu alto grau de miopia, sua retina começou a descolar. Mesmo com a operação feita com sucesso, a retina continuou se descolando, e ainda hoje, não existe explicação do porque ele perdeu totalmente sua visão. “Os médicos disseram que gostariam de estudar meu caso e que eu teria que passar por mais uma série de exames e testes, mas eu recusei”, declara. Após a recusa a passar por testes naquela época, Lopes afirma que a pesquisa será realmente um grande passo para a medicina e torce para que seja realmente possível haver um tratamento seguro futuramente.


A5

Quarta-Feira, 9 de Outubro de 2013.

+ESPECIAL

Campinas realiza 1º Outubro Rosa Iluminação de espaços públicos e mutirões de exames clínicos são algumas das ações promovidas pela campanha Jéssica Galassi Campinas realizará, pela primeira vez em sua história, as ações do “Outubro Rosa”. A campanha, que ocorrerá durante todo o mês, tem como objetivo conscientizar a população sobre a necessidade do diagnóstico precoce do câncer de mama. Por meio de eventos e palestras, os organizadores pretendem atingir inicialmente cerca de 200 mil mulheres. Em torno do laço rosa, marca registrada da causa, a Prefeitura de Campinas em parceria com a PUCCampinas pretende alertar a sociedade Campineira sobre a real importância da prevenção do câncer de mama. A doença, que é a segunda causa de morte entre mulheres de Campinas e a primeira causa de morte por câncer, possui maior chance de cura se diagnosticada previamente. A Coordenadora da Saúde da Mulher da Prefeitura de Campinas, Celina Sollero, alerta sobre a necessidade de iniciativas como esta. “Muitas mulheres na faixa etária de maior risco não fazem sua consulta anual e muitas delas nunca fizeram mamografia. A coragem para procurar o tratamento às vezes só aparece quando o caso não tem mais tratamento efetivo”, declara. A cantora Sandy foi convidada para ser a madrinha do evento e abriu mão do cachê em prol da ação. A presença da cantora intensifica a importância da prevenção também em mulheres mais jovens. Mesmo a doença ocorrendo com maior frequência em mulheres acima dos 40 anos, é essencial alertar as jovens sobre a necessidade

Foto: Jéssica Galassi/ Divulgação

Sandy, madrinha do evento, abriu mão do cachê em prol da ação

de realizar consultas periódicas. Para divulgar a campanha, a habitual iluminação em rosa será feita em pontos importantes da cidade como Sanasa, CPFL, Viracopos, PUC, CAISM e Câmara Municipal. No dia 26 de Outubro está programada a realização de um almoço beneficente no restaurante Giovanetti além de duas caminhadas nos dias 5 e 27 na Lagoa do Taquaral. Os terminais Rodoviário, Ouro Verde, Campo Grande e Barão Geraldo estão entre os locais de intervenção para auxiliar as mulheres com folhetos informativos e mutirões de exames clínicos. Para o professor da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, Everardo de Carvalho, “o mais interessante do Outubro Rosa de Campinas é que, diferentemente de outras cidades no Brasil e no mundo, além das atividades de conscientização e visibilidade, teremos ações concretas de identificação de mulheres que podem estar doentes e encaminhá-las para o tratamento”. O evento contará também, ao longo do mês, com palestras sobre temas que envolvem o câncer de mama como a reconstrução da mama, opções de tratamento, impacto do câncer na vida familiar e sexualidade pós-mastectomia (cirurgia de remoção completa da mama). O encerramento do “Outubro Rosa” está previsto para o dia 31 de Outubro e contará com a presença do Prefeito de Campinas, Jonas Donizette, e a primeira-dama Sandra Ciocci.

Outubro Rosa no mundo

A iniciativa teve início quando um laço cor-de-rosa foi lançado pela “Fundação Susan G. Komen for the Cure” e distribuído aos participantes da primeira “Corrida pela Cura”, realizada em Nova York, em 1990. Desde então, a ação é promovida anualmente na cidade. Em 1997, entidades de Yuba e Lodi, também nos Estados Unidos, começaram efetivamente a comemorar e criar ações voltadas à prevenção do câncer de mama, denominando o movimento como “Outubro Rosa”. Como forma de atrair a população, as cidades eram enfeitadas com laços cor de rosa, principalmente em locais públicos. Nos últimos anos, ao redor do mundo, diversos pontos turísticos como o famoso Palácio de Buckingham, residência oficial da realeza britânica, o Empire State Building, em Nova York, e as torres de Tóquio e Tokyo Sky Tree, ambas na capital japonesa, foram iluminadas para simbolizar o movimento. Em 2009 nos EUA, a American Cancer Society (ACS) criou uma parceria importante com a NFL (National Football League) que inseriu a cor rosa em todos os equipamentos usados em campo pelos jogadores. A compra dos objetos foi permitida aos torcedores por meio de lojas esportivas e o dinheiro das vendas revertido a ACS. A NFL, graças a grande repercussão do evento, incorporou a ação ao calendário da Liga, que atualmente é um marco no campeonato.

Infográfico: Larissa Albuquerque/ Imagens: Divulgação


A4

Quarta-Feira, 9 de Outubro de 2013.

+ESPECIAL

“Não tive medo de morrer, a minha cura começou quando eu aceitei a doença” A dentista Cynthia Marques fala sobre sua experiência e superação do câncer de mama Débora Otte A história da dentista Cynthia Marques, 44, se mistura com tantas outras histórias de mulheres que atravessaram ou ainda atravessam esse momento tão difícil em suas vidas: a chegada de um câncer de mama. A vida de Cynthia mudou em 2003. Na época com 33 anos de idade e sem nenhum caso na família e também sem muita preocupação em fazer exames preventivos, foi durante o banho que a dentista sentiu algo diferente em uma das mamas. “Comecei a tentar movimentar aquele caroço que era como se fosse uma lombada e ele não mexia. Eu gelei e pensei: não, mas tá tudo bem. Para, pensa, raciocina vamos ver o que a gente tem que fazer. No dia seguinte de manhã, liguei na minha ginecologista, falei pra ela, que descobri um caroço”, conta. Nesse período conheceu o mastologista José Carlos Torres, que cuidou da dentista durante toda a doença. Chegando até o consultório do Dr. Torres, Cynthia já sentia a profunda certeza de que tinha câncer, só não sabia o que iria acontecer dali pra frente, mas que iria enfrentar. Cynthia conta que durante essa consulta, aconteceu seu primeiro momento de fragilidade e desespero: a possibilidade de retirar toda a mama. “Eu desabei. Comecei a chorar. O chão abre, você pensa: como assim toda a mama? Eu sempre tive muito medo

de ter um câncer. Lembro que me veio à mente, uma imagem de uma página de revista. Era sobre uma campanha de combate ao câncer de mama com uma modelo muito bonita. De um lado da foto, ela inteira, de frente, nua com os dois seios, e do outro lado da página era ela estava de costas. E ai, dividido no meio da linha pontilhada falava assim: junte A com B. Quando você juntava tinha a mesma modelo, só que um lado com uma mama, e o outro lado sem, reto. Quando ele falou ‘pode ser que a gente tenha que tirar toda a sua mama’, aquela imagem me veio na cabeça’’, declara. Cynthia passou o final de semana angustiada não sabendo mais o que faria de sua vida. O diagnóstico que confirmava a existência do câncer de mama não demorou muito para chegar e a dentista o enfrentou sem medo. “Tem gente que nega, eu não tenho câncer. Só que a hora que você assume, você aceita, não, eu tenho essa doença, mas eu também tenho uma coisa a favor, que é a força de vontade e a força de querer viver. Eu quero viver, e eu não vou deixar isso acabar com a minha vida”, desabafa. E foi assim que ela começou todo o processo de tratamento. Com vontade de viver. Mas, um segundo momento difícil da doença se aproximava. Cynthia, por causa de uma anemia, não poderia realizar a cirurgia

Foto: Débora Otte

Durante o tratamento, Cynthia encontrou no artesanato uma maneira de superar a doença de reconstrução de mama no mesmo procedimento cirúrgico em que faria a retirada da mama com o tumor. Sem conseguir se imaginar sem umas das mamas, novamente a imagem da revista invade sua vida. “Ali adquiri a consciência de que não dava pra você ficar fazendo planos, eu tinha que viver um dia de cada vez”, declara. Realizada a cirurgia, chega outro momento, agora não só temido pelas mulheres que sofrem com o câncer de mama, mas todas as pessoas que enfrentam outros tipos de câncer. A quimioterapia. Em 26 de agosto de 2003, dia em que completava 34 anos, Foto: Arquivo Pessoal

A dentista Cynthia com outros membros na inauguração da ONG Campinas Rosa

a dentista passou pela primeira vez no oncologista, onde realizaria a quimioterapia. “Nessa consulta a primeira coisa que eu perguntei: vai cair cabelo?”, conta. E foi o que aconteceu. Em 2004 finalmente realizou a cirurgia de reconstrução da mama. A decisão foi de reconstruir a mama com o músculo do reto abdominal, o que reduziria ainda mais a chance de engravidar. O reto abdominal é onde, durante uma gestação, sustenta a elasticidade da barriga. Diante disso, mais uma vez, a doença prevaleceu. “Não dava mais. Só eu sei o que é acordar, tomar banho e ir dormir. As outras horas do dia usava o sutiã, estava tudo bem. O cabelo já estava crescendo porque eu já tinha parado de fazer a quimio, mas a mama não. Eu olhava no espelho, era a hora que eu me via. Era a hora que eu voltava pra realidade”, declara. Foram exatamente oito horas de cirurgia. Mas, por fim estava feliz. Ela tinha acabado de vencer o câncer. Em 2007, Cynthia viu novamente sua vida mudar totalmente de rumo. Nesse ano ela descobriu uma metástase na lombar. Era uma célula da mama que começou a desenvolver um novo tumor, mas agora em uma das vértebras da lombar. “Foi outra virada. Outra abertura de chão”, comenta. Agora a dentista teria que abrir mão totalmente da ideia de um dia ser mãe. Porque para início do novo

tratamento, a dentista teria que entrar em menopausa, o que resultou na retirada dos seus ovários. “Eu nunca me imaginei grávida. Mas, quando alguém chega e diz: você não pode ter. A decisão já não era minha. Alguém estava determinando que eu não poderia ter filhos”, conta. Esse alguém era a doença. Sem alta médica há 10 anos e continuando o tratamento, a dentista conta sua história com um sorriso no rosto e afirma que a Cynthia antes do câncer não é muito diferente da Cynthia depois do câncer. Seus valores não mudaram, mas sua ordem de prioridade sim. “Hoje eu não deixo de fazer uma coisa que eu gosto porque eu tenho que trabalhar”, declara. Vivendo mais feliz, hoje Cynthia já não tem mais medo. E continua vivendo um dia de cada vez. “Eu descobri a guerreira que eu tenho dentro de mim. Que todo mundo tem”, finaliza.

A experiência que transforma outras vidas Cynthia junto com o mastologista José Carlos Torres fundaram a ONG “Campinas Rosa”, que completou um ano recentemente. A dentista é secretária geral da ONG e conta que seu objetivo é chamar atenção o ano todo sobre esse tema tão importante. Neste mês a ONG também realiza ações especiais com a campanha de combate ao câncer de mama Outubro Rosa.


A6

Quarta-Feira, 9 de Outubro de 2013.

+SERVIÇOS

Especialista explica mitos e dá dicas de direção econômica

Foto: André Martins

Na tentativa de poupar, motoristas desligam o carro em paradas e semáforos e gastam mais combusível André Martins Com o aumento do preço do combustível, principalmente da gasolina, que é vendida na região em média por R$ 2,49, a primeira preocupação dos motoristas campineiros é economizar. Porém, nem sempre a tentativa de poupar é eficaz, como explica o consultor técnico da Hyundai, Daniel Bornia. “Existem alguns mitos com relação a economizar gasolina. Enquanto algumas pessoas pensam estar gastando menos, estão, na verdade, consumindo muito mais”. De acordo com Bornia, entre os principais mitos está o ato de desligar e ligar o motor em um curto intervalo de tempo, como no semáforo, por exemplo. “É aconselhável que o motorista só desligue o veículo quando o intervalo de tempo parado for de vários minutos, como em um congestionamento”, explica. Isso se deve ao fato de que ao ligar o carro novamente, a quantidade de combustível gasta pode chegar a 30% a mais do que se o veículo estivesse desligado. Porém, se o carro tiver o sistema star-stop, instalado em

carros mais novos, principalmente nos da marca alemã BMW, essa preocupação é menor. Com esse programa, desenvolvido pela empresa francesa Valeo em 2004, um computador reconhece que o carro está parado e, automaticamente, desliga o motor, evitando gastos indesejáveis. Contudo, nem todos sabem sobre essa informação. Sem conhecimento sobre o assunto, o vendedor e dono de um Chevrolet Opala, Cauê Rossi, conta que para tentar economizar combustível, desliga o motor em semáforos. “Meu Opalão é um beberrão de gasolina, faz menos de dez quilômetros por litro. E sem saber, a fim de economizar, costumo desligar o motor em semáforos, inclusive em descidas”, comenta. Outra atitude incorreta dos motoristas, segundo Bornia, é andar com os vidros abertos. “Isso a física explica. Ao andar com os vidros abertos, em qualquer velocidade, ocorre um fenômeno chamado ‘efeito paraquedas’, que aumenta a turbulência do ar na aerodinâmica do veículo. Para isso, muitas pessoas apostam no ar-condicionaFoto: Renata Vilar

Andar em marcha alta, em carro com injeção eletrõnica, economiza mais gasolina do. Esse mecanismo, porém, pode aumentar ainda mais a injeção de combustível”, destaca. Bornia ainda dá outra dica importante: ao descer uma ladeira, ao invés de colocar em ponto morto, também chamado de banguela ou marcha lenta - na crença de gastar menos - o certo é deixar na marcha mais alta possível, quarta ou quinta, para que o carro possa rolar. A explicação para isso é que os carros com injeção eletrônica possuem um mecanismo chamado sonda da lambda, que regula o envio do combustí-

vel ao motor de combustão, que o queima fazendo com que o carro se locomova. Em veículos fabricados até 1988, que não contam com esse tipo de sistema, o gasto é menor. Sem mencionar o fato de que sem trocar de marcha, o motorista força o carro a andar numa alta rotação, o que prejudica o motor. É importante também, para evitar gastos indesejáveis de combustível, deixar o carro sempre em ordem, levando-o para revisão, balanceando e calibrando os pneus e trocando o óleo na quilometragem correta.

Ao dirigir, lembre-se de pisar leve no acelerador assim que obtiver a velocidade de preferência. E quando for abastecer, evite andar quilômetros à procura de um posto mais barato por causa de alguns centavos de diferença. Não vale a pena. E por fim, evite andar com o tanque na reserva, já que assim, força a bomba de combustível, que irá queimar com o tempo, consumindo mais gasolina, além de correr o risco de ocorrer problemas no meio da estrada. E uma boa viagem.

Zumba, uma nova febre invade as academias Dança que mistura vários ritmos ganha adeptos e lota as academias Renata Vilar

Alunas perdem até 1.000 calorias em uma aula de 60 minutos

Malhar o corpo todo sem ver a hora passar, essa é a Zumba Fitness. A modalidade que mistura vários ritmos como salsa, merengue, cúmbia e samba, virou febre nos EUA e na Europa. A dança desembarcou há pouco tempo em solo brasileiro e as academias já a incluem em sua grade de aulas. O ritmo tem se tornado hit entre as brasileiras que desejam fazer exercícios físicos de forma divertida. É possível perder até 1.000 calorias em uma aula de 60 minutos. De acordo com o educador físico e professor de Zumba na academia Projeto 1 Fitness de Valinhos, Luis Rogério da Silva, o instrutor não ensina ninguém a dançar, mas sim criar condicionamento físico, uma vez que a aula tem como objetivo

trabalhar todas as partes do corpo. “O segredo da zumba é simplificar e se divertir, pessoas de qualquer idade conseguem fazer a aula”, afirma. Desde que chegou às academias da região, as salas de aula tem cada vez mais adesão de homens e mulheres que desejam entrar na “dança”. O maior desafio da aula é vencer a preguiça e a vergonha de se jogar. “O exercício tradicional é chato, com a zumba aprendi o prazer de movimentar o corpo e ainda por cima perder peso”, destaca a advogada Tatiane Cury. Segundo o educador físico, muitas alunas não satisfeitas em fazer apenas uma aula por dia, voltam nas aulas do período noturno para praticar ainda mais e se apelidam entre si de “zumbaníacas”. A Zumba Fitness foi desenvolvida pelo colombia-

no Beto Perez, 42, em meados dos anos 1990. A modalidade foi criada quase sem querer, quando Beto chegou à academia onde trabalhava e precisou improvisar uma aula de aeróbica com fitascassete de música latina. Desde então, a dança vem fazendo sucesso até entre as celebridades, como as cantoras Shakira e Cláudia Leitte.

O Curso Para ministrar a Zumba Fitness, não existe obrigatoriedade de ser formado em educação física ou ser um profissional de dança, já que ela pode ser aplicada por qualquer pessoa que tiver interesse. O curso de formação é realizado em dois dias e tem como material de apoio apostila, CD e DVD sobre a modalidade.


A7

Quarta-Feira, 9 de Outubro de 2013.

+COTIDIANO

Zumbidos são os primeiros sinais de perda de audição provocada por fones

Mais de 30 milhões de pessoas foram diagnosticadas com os sintomas este ano no Brasil em razão do uso constante de headphones Rafael Mendes O uso de fones de ouvido se tornou algo comum na ultima década, principalmente entre os jovens, depois da popularização dos MP3 players, que trouxeram maior portabilidade aos seus usuários. Junto com essa popularização, aparecem várias preocupações com o uso excessivo e indevido desses aparelhos, que podem levar à perda de audição. Mesmo cientes dos riscos, os jovens continuam a utilizar os fones de maneira indevida, o que tem aumentado o número de pessoas com sintomas de zumbido na audição. O estudante Pedro Arissa, 20, costuma ouvir música através dos fones em grande parte de seu dia. “Eu utilizo bastante os fones, já que moro em apartamento e gosto de escutar música alta, aí fica um pouco complicado por causa dos vizinhos”, explica. De acordo com o otorrinolaringologista, Rogério Panhoca, um dos maiores problemas de usar os fones de ouvido é o volume alto por um longo período. “Deve-se evitar utilizar o aparelho no volume máximo porque o som está sendo jogado diretamente

Foto: Rafael Mendes

Pedro Arissa, 20, costuma usar os fones em alto volume

Palácio dos Azulejos: de residência a museu

no ouvido da pessoa, o que é muito diferente da música alta ser jogada num ambiente, por exemplo”, declara. Um aparelho de MP3 pode chegar em média a um som de intensidade de 110 decibéis. Em comparação, o barulho do motor de um ônibus alcança 95 decibéis, o choro de um bebê atinge 100 decibéis e um congestionamento intenso pode medir 115 decibéis. Além disso, deve-se levar em conta que, além da potência em que os aparelhos de MP3 expõem seus usuários, essa intensidade é constante e por períodos de tempo mais longos que outros tipos de poluição auditiva. O recomendado pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia é o uso dos fones em um volume de até 85 decibéis, por um período máximo de 8 horas por dia. Os primeiros sintomas da perda de audição ocasionada pelo uso inadequado dos fones de ouvido são a dificuldade para ouvir conversas, zumbidos semelhantes aos de abelhas, chiados de água e apitos de panela de pressão. “É difícil surgir algum sintoma que não esteja relacionado ao

ouvido nesses tipos de caso. Primeiramente aparecem os zumbidos e depois, aos poucos, ocorre a perda de audição, principalmente de sons agudos”, afirma Panhoca. Em 2013, foram registrados no Brasil, 30 milhões de casos de pessoas que apresentam sintomas de zumbidos na audição, o que pode estar relacionado ao mau hábito no uso de fones de ouvido. Para prevenir qualquer problema ligado à perda de audição, o recomendado é utilizar os fones até metade do seu volume total, por curtos períodos de tempo. Um dos sinais que pode demonstrar que o volume está acima do recomendado é se a pessoa ao lado conseguir ouvir a música que está sendo tocada nos fones. De acordo com Panhoca, não existe um modelo mais recomendado, pois todos os fones causam os mesmos danos. “Os fones que cobrem toda a orelha criam uma isolação acústica melhor, o que evita que a pessoa tenha que aumentar muito o volume”, afirma. Para Panhoca não é necessário deixar de utilizar fones de ouvido e sim, ter prudência em sua utilização.

Foto: Camila Correia

O edifício preserva a memória histórica e arquitetônica de Campinas Camila Correia É difícil perceber devido a fachada semelhante, mas o imponente Palácio dos Azulejos, entre as ruas Ferreira Penteado e Regente Feijó, é composto por dois edifícios geminados. Originalmente, os prédios foram construídos como duas residências. Hoje, o Palácio é sede do Museu de Imagem e Som (MIS). Patrimônio histórico e arquitetônico, o Palácio dos Azulejos reflete a pujança do período áureo do café e é símbolo da modernidade campineira do século XIX. O prédio foi construído pelo Barão de Itatiba em 1878. A família do Barão, em 1909, doa o prédio à Prefeitura, que é instalada ali. Assim, o edifício recebe este nome como sede do poder político da cidade e devido a decoração externa com azulejos portugueses. Em 1968, o novo

paço municipal é inaugurado e o Palácio dos Azulejos passa ao controle da Sanasa. Durante as ocupações, houveram muitas mudanças na construção original, como a substituição de telhados e remoção de paredes. Para o historiador Henrique Anuziata do CONDEPACC (Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas), uma das alterações mais significativas foi a descaracterização da quina do edifício. “Na década de 20, a cidade precisava de áreas onde fosse possível fazer curvas, daí surgiu a necessidade de se fazer chanfros. O edifício perdeu a quina e vários elementos rebuscados”, explica. Com as mudanças, o Palácio dos Azulejos teve a sua conservação bastante prejudicada. Em 2001, com a posse do prefeito Antônio da Costa Santos, a restauração ganha

força. Segundo o arquiteto e amigo do prefeito Ari Vicente Fernandes, ele queria pleitear o tombamento internacional do Palácio. “Toninho prezava pela fidelidade com que o restauro iria ser feito em relação à construção original porque ele visava o reconhecimento do edifício como patrimônio mundial”. A luta de Antônio da Costa Santos em defesa ao patrimônio histórico de Campinas começou em 1985, com a Fundação Febre Amarela responsável pela preservação de prédios históricos da cidade. “Antônio considerava o Palácio dos Azulejos o início do plano de revitalização do centro da cidade. Ele acreditava que, se fizesse do Palácio o seu gabinete (como o fez), o governo daria um exemplo a ser seguido. Ele queria que todos desfrutassem do centro da cidade”, explica a viúva do prefeito, Roseana Garcia.

O Palácio dos Azulejos é um dos poucos prédios tombados pelo IPHAN no interior do Estado de São Paulo


A8

+CONTEÚDO

Quarta-Feira, 9 de Outubro de 2013.

Internet promove proteção a animais abandonados

Foto: Fabiana Rosa/ Divulgação

Projeto“Focinho Abandonado” se destaca pelo número de cachorros e gatos adotados em Campinas Fabiana Rosa Feiras de adoção, denúncias de maus tratos e divulgação de animais desaparecidos, são algumas das ações que as redes sociais têm alavancado. De acordo com o presidente da Associação Amigos dos Animais de Campinas (AAAC), Flávio Lamas, a rede social em prol da causa animal causou um impacto tão grande quanto a própria causa animal. “Hoje estamos integrados não só no país, mas no mundo todo e as informações chegam pra gente quase que instantaneamente. Além disso, a mobilização é mais rápida e muito maior”, afirma. Se procurarmos em um dicionário a definição para as redes sociais, não vamos encontrá-la. Apesar de ser bastante conhecido e até mesmo atrelado ao nosso cotidiano, o termo é novo. Na prática, por sua vez, as redes sociais nada mais são do que o espaço onde as pessoas podem se relacionar com outras, trocar informações, exprimir a sua opinião e até mesmo compartilhar arquivos, fotos, entre outros. E isso vale para qualquer área de interesse. Frente a isso, protetores de animais, assim como ONGs e entidades es-

pecializadas na causa animal estão utilizando desses meios para ampliar o alcance da ajuda. Alguns casos de maus tratos a animais, por exemplo, só chamam a atenção das autoridades diante da repercussão nas redes. É o caso dos mais de 200 cachorros mortos, em junho de 2013, na cidade de Santa Cruz do Arari, na Ilha de Marajó, no Pará, onde o prefeito Marcelo Pamplona foi acusado de decretar a caça aos cães de rua. N a época, choveram denúncias e mensagens de indignação nas redes sociais, o que chamou a atenção do Ministério Público para o caso. E foi diante de casos como este, que quatro amigas resolveram se unir para tirar animais abandonados das ruas. A arquiteta, Isabella Bittencourt, a nutricionista, Aline Suppo, a engenheira civil, Fernanda Santoro e a empresária, Renata Negrão, criaram em Março deste ano, um projeto de recuperação e adoção de cães abandonados, o Focinho Abandonado. As quatro amigas usam da força das redes sociais para divulgar informações sobre os animais resgatados e também para

Renata Negrão, Fernanda Santoro, Isabella Bittencourt e Aline Suppo, fundadoras do “Focinho Abandonado” Foto: Fabiana Rosa

Feira “cantinho da adoção” é organizada pela ONG Focinho Abandonado pedir ajuda com os gastos de casos mais graves. Para isso, foi criada uma conta no Instagram e, desde então, a página já conta com 14 mil seguidores, entre eles, alguns famosos engajados na proteção animal, como as atrizes, Thayla Ayala e Giovanna Ewbank. Isabella Bittencourt atribui o sucesso inicial do Focinho Abandonado ao apoio dessas personalidades. “Essa parceria com as artistas foi o que fez toda a diferença pra gente. Elas acreditaram no nosso projeto

e começaram a divulgar em suas redes sociais”, destaca. Porém, o sucesso maior do Focinho Abandonado está nos números. Em apenas sete meses de existência, já foram doados cerca de 120 animais, entre cães e gatos. Um número que chama a atenção. A todo o momento as redes sociais são utilizadas como aliadas do projeto. A começar pelas denúncias – em média dez por dia – que chegam via Instagram, Facebook e até mesmo por e-mail. Além disso, desde o

momento em que os animais são resgatados, fotos e informações são divulgadas nas redes, para que as pessoas possam ver a evolução dos bichinhos e até mesmo ajudar com doações para cobrir os custos veterinários. Isabella Bittencourt que a vantagem da internet é manter contato com os donos dos animais adotados. “É muito gratificante poder ver os focinhos – termo carinhoso dado aos animais resgatados – felizes e recebendo todo o amor que merecem”, afirma.

20 animais são adotados em um dia Um dos momentos mais aguardados por todos que acompanham o projeto Focinho Abandonado, é quando são realizadas as feiras de adoção, no caso, o Cantinho da Adoção. É nessas feiras que as pessoas podem ter contato com os cachorros e gatos resgatados, que chegaram ao projeto amedrontados e com machucados espalhados pelo corpo, mas que, com o decorrer do tempo, e sob os devidos cuidados, foram se recuperando e se tornaram mais sociáveis. A última edição do Cantinho da Adoção foi realizada no dia 14 de setembro, no estacionamento da clínica ve-

terinária e petshop, Estimma. Um sábado ensolarado e bastante movimentado em que foram adotados 19 cachorros e 1 gato. Entre as pessoas que passaram pela feira, a nutricionista, Giovanna Costi, esposa do jogador do São Paulo, Paulo Henrique Ganso, também esteve presente. Giovanna e o marido já haviam adotado há alguns meses, a cachorrinha, Branca e, neste dia, a nutricionista acabou levando para casa mais um filhote. Ao final do longo dia, era visível no rosto das quatro amigas que fundaram o projeto, o semblante de alegria e a sensação de dever cumprido. Aqueles que tiverem interesse em adotar um dos animais do Focinho Abandonado, devem seguir algumas recomendações e procedimentos. A pessoa deve ter mais de 18 anos e portar consigo no dia da feirinha, RG, CPF e comprovante de

residência. Além disso, é necessário assinar um termo de responsabilidade, no qual se compromete a cuidar do novo “membro” da família. Por fim, paga-se uma taxa de R$ 50,00, que é cobrada para a manutenção do projeto. Para quem quer ajudar, mas não tem como adotar, há outras formas de contribuir. O projeto só existe por conta da ajuda de voluntários que se disponibilizam em oferecer lar temporário, e isso sem custo algum, já que o Focinho Abandonado fornece tudo o que for necessário, como ração, caminhas e remédios. Outra forma de ajudar é através da contribuição financeira ou até mesmo da doação de comida e remédios, por exemplo. Além da conta no Instagram, a instituição também possui o site www.focinhoabandonado.com.br e uma Fanpage.

Saiba+ - Outubro de 2013  
Saiba+ - Outubro de 2013  
Advertisement