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01 a 15 de junho de 2012. ano 10. nº 96. Faculdade de jornaliSmo - PontiFÍcia univerSidade catÓlica de camPinaS

“On the Road” e o espírito Beat Em busca de liberdade para pensar e viver, Jack Kerouac escreveu um livro que marcou sua época, o “On the Road”. A obra, que ganha adaptação para os cinemas em julho, apresenta as diferenças da geração beatnik com a atual.

pág. 08 divulgação

www.digitaispuccampinas.wordpress.com/saiba

SUSTENTABILIDADE

ONGs estão “de olho” na Rio+20 A partir de 13 de junho, no Rio de Janeiro, o mundo se fechará em evento histórico para a causa ambiental, a Rio+20. Com o objetivo de definir metas para as próximas décadas, a conferência desperta a desconfiança de ONGs que dizem que nada foi definido nas edições anteriores e temem que esta será igual. Página 07 margareth Salzane

Fé e perseverança andam lado a lado no Caminho do Sol Com um total de 241 quilômetros, a serem percorridos em 11 dias, a rota serve como preparação para o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Passando por diversas cidades do interior paulista, o roteiro consegue captar os costumes e a religiosidade de um povo que parece ser peregrino por natureza. Páginas 04 e 05

INTERNET

MEIO AMBIENTE

Redes sociais no trabalho podem gerar demissão divulgação

Mesmo sem uma regulamentação sobre o uso da internet nas Leis Trabalhistas, funcionários que desrespeitarem ou denegrirem a imagem da empresa por meio das redes sociais, podem ser demitidos por justa causa e cabe ao proprietário da empresa decidir se a utilização da internet foi feita de maneira abusiva. Página 03

Projeto visa controlar CO2 emitido por empresas Com as empresas poluindo, cada vez mais, o meio ambiente é necessário que haja em contrapartida uma reação. A Faculdade Network de Nova Odessa desenvolveu um projeto para que essas companhias possam compensar a emissão excessiva de gás carbono com o plantio de árvores em matas ciliares da RMC. Página 06 SAÚDE

Academias públicas sofrem com falta de profissionais Página 06


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Leitor

Carta ao Leitor O Saiba + traz nesta edição um visual inovador com matérias que servem de alerta para todos os cidadãos. A repórter Raysa Figueiredo escreve sobre a utilização inadequada das redes sociais em horário de trabalho. Na matéria de capa, o repórter Daniel Rocha leva você a uma viagem pelo Caminho do Sol, destino de peregrinos que buscam paz interior e reflexão. Thiago Toledo, Laís Russo e Michele Bury trazem informações da conferência Rio+20 e de um programa para redução de CO2 em Nova Odessa. Salve o meio ambiente! A repórter Fernanda Siqueira aborda o descaso das academias públicas de Campinas e, por fim, Júlio Mangussi e Ingrid Balhe relembram a intensa Geração Beat. Boa leitura!

Saiba +. 01 a 15 de junho de 2012

Artigo P

or

Daniel Rocha

Qual o real problema das estâncias turísticas? Em janeiro deste ano, o Governo Estadual liberou para as cidades estâncias paulistas, R$ 238,7 milhões para investimentos em infraestrutura. O Estado de São Paulo, que conta com 67 cidades deste tipo, divide-as em balneárias, que, em geral, recebem a maior parte do bolo, climáticas, hidrominerais e turísticas. Porém, este número torna-se ainda maior se considerarmos os municípios que fazem parte de roteiros e circuitos específicos, como o “Roteiro dos Bandeirantes” e o “Circuito das Frutas”. Estas cidades, em geral, são relativamente pequenas, mas dispõem de milhões de reais vindo do Governo para aplicação em melhorias, tanto para o recebimento de turistas, quanto para a manutenção dos

locais mais visitados. No entanto, não é isso o que, de fato, acontece. Porto Feliz, às margens do Rio Tietê, de onde os bandeirantes zarpavam no século XVIII, rumo ao interior do Brasil, no que ficou conhecido como “monções”, apresenta ruas esburacadas e um engenho central, em tese, abandonado. Simplesmente, uma cidade que impede o acesso dos turistas a sua principal atração turística, o próprio Tietê, a esta altura, bastante poluído, inclusive, com mau cheiro e com muita espuma. Aliam-se a isto, a precariedade de serviços públicos básicos, como polícia, hospital e bombeiros, principalmente, em uma localidade repleta de “botecos” espalhados por todos os lados, que, obviamente,

causam uma péssima impressão a seus turistas. Bem, sabemos que é somente um caso, como tantos outros pelo Estado afora, mas é aí que mora o problema, afinal, onde o dinheiro está sendo aplicado e como resolver este problema? De fato, esta última pergunta só pode ser respondida com boa gestão pública e correta aplicação dos recursos distribuídos, para que este imbróglio, seja, de fato, sanado. Infelizmente, enquanto os governos municipais não se preocuparem, de fato, em lucrarem com o turismo e correrem atrás de descobrir onde o tão “sagrado” dinheiro de seus cidadãos está indo parar, 2014 pode ser um ano bastante triste para os que hoje estão no poder, principalmente, se o Brasil não ganhar a Copa.

Notas Roupa Nova apresenta show de 30 anos de carreira na região

Vacinação contra a gripe é prorrogada em Campinas

O grupo Roupa Nova se apresentará na Red Eventos, em Jaguariúna, no dia 16 de junho. Os portões serão abertos às 22h, com a previsão de que o show comece às 00h30. No repertório, sucessos que marcam mais de 30 anos de carreira e colecionam mais de 10 milhões de cópias vendidas, diversos prêmios e mais de 50 sucessos emplacados. Os ingressos já estão a venda no site www.ingressorapido.com.br, pelo telefone nacional 4003-1212, na Red Eventos e em mais de 10 pontos de venda na região.

A Secretaria de Saúde prorrogou pela segunda vez a campanha de vacinação contra a gripe em Campinas, por conta da baixa adesão. A ação se estenderá até o dia 08 de junho e tem como prioridade o atendimento à pessoas acima de 60 anos, além de gestantes, crianças de seis meses a dois anos de idade, indígenas, profissionais da saúde e doentes crônicos. Os interessados podem ser atendidos em 63 centros de saúde do município, sendo necessário levar a carteira de vacinação.

USP estuda possível adoção de sistema de cotas raciais

Faculdade de Jornalismo da PUCCampinas lança portal de notícias

Após recomendação do Conselho Universitário, a Universidade de São Paulo (USP) estuda a adoção das cotas raciais na seleção de estudantes. Em reunião realizada na tarde de quintafeira, 31 de maio, os participantes e representantes de frentes pró-cotas expuseram suas opiniões perante as dificuldades que a exclusão racial trás para os alunos que querem ingressar na universidade. O objetivo é ajudar a entrada na faculdade de alunos vindos do ensino médio da rede pública.

A Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas lança no próximo dia 05 de junho, no prédio H05, um portal de notícias para universitários, o Digitais. O conteúdo do site é produzido pelos alunos do curso e contempla matérias e reportagens de todas as mídias e assuntos, assim como pesquisas e blogs. Também é possível deixar comentários sobre o material publicado e, ainda, conferir vagas de estágio. Para conhecer, basta entrar no seguinte endereço: www.digitaispuccampinas.wordpress.com.

Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, do Centro de Comunicação e Linguagem (CLC). Diretor: Prof. Dr. Rogério E. R. Bazi. Vice-diretora: Profa. Maura Padula. Diretor da Faculdade: Prof. Lindolfo A. de Souza. Tiragem: 2.000. Impressão: RAC.

Expediente: Prof. responsável: Luiz R. Saviani Rey (MTb 13.254). Editor: Julio Mangussi. Diagramação: Thiago Toledo. Reportagens: Daniel Rocha, Fernanda Siqueira, Ingrid Balhe, Julio Mangussi, Laís Russo, Michele Bury, Raysa Figueiredo e Thiago Toledo. Endereço: CLC - Campus I - Rodovia D. Pedro, Km 136. CEP: 13086-900.


gerAL

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INTERNET

Uso indevido de redes sociais pode causar demissões Mesmo sem constar na CLT, o uso gera demissões por justa causa raySa FigueireDo

F

uncionários que usam a internet no horário do expediente correm o risco de perder o emprego. A utilização de Facebook, Twitter, MSN e outros sites e aplicativos no local de trabalho aumentam a cada dia, e pode ser motivo de demissão por justa causa, principalmente quando o bom senso e a conduta profissional são esquecidos. O mau uso da internet prejudica a produtividade do empregado e pode causar a demissão de funcionários, quando a empresa considerar a conduta como uma falta grave. O alerta é do advogado Ricardo Trotta, especialista em Direito Trabalhista. Ele explica que, mesmo não existindo na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) algo que regulamente a conduta do funcionário nas redes sociais, as utilizações irregulares são adaptadas para a legislação vigente e pode causar a demissão. Nesse sentido, a demissão ocorre quanto o motivo é a transgressão às regras da empresa e o funcionário nessa situação é desligado sem receber direitos como, por exemplo, o saque e a multa que recai sobre o seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

A secretária Ana Lucia de Souza, 46 anos, afirma fazer uso particular do computador no local de trabalho, mas diz que ninguém nunca sofreu demissão na empresa. “Utilizamos a internet para mandar mensagens pessoais, e já recebemos algumas advertências por isso, mas nunca ninguém foi demitido”. Ela ainda diz que já aconteceu de seu chefe proibir o uso da internet no local de trabalho, mas que depois, ele acabou mudando de ideia. De acordo com Ana, é impossível não utilizar a internet no horário do expediente: “Passamos a maior parte do nosso dia no local de trabalho, quando chegamos em casa já anoiteceu e temos que nós preocupar com outras coisas, não temos tempo para ligar o computador e ficar na internet resolvendo as coisas pessoais, não vejo nenhum problema em fazer isso no serviço”. A secretária ainda afirma que se o uso da internet no horário de expediente não prejudica o desempenho pessoal na empresa, o funcionário não deve ser punido. A recomendação é que a empresa faça aos funcionários um esclarecimento formal, por escrito ou verbal, da proibição

ProdutiVidade no BraSiL 32,8%

dos funcionários brasileiros gastam 2 horas do trabalho em tarefas inúteis

% 6 , 84

acessam redes sociais durante o expediente, sendo que:

94,2% 56,5% 35,4% Orkut

39,9% Procuram outro trabalho

40,9% Piadas por e-mail

Compras online

Facebook

Twitter

Fonte: triad oS

59,4%

raySa Figueiredo

Ana Lúcia diz que não usar internet no local onde trabalha é impossível

do uso das redes sociais. “Seria de bom tom a empresa deixar pré-avisado o que pode e o que não pode fazer no ambiente de trabalho”, diz Ricardo Trotta. Segundo o especialista há uma série de infrações que caracterizam a improbidade de conduta e a desídia no trabalho, podendo configurar desde a advertência verbal, por escrito ou até mesmo, dependendo da gravidade, a demissão. O advogado ressalta que, em primeiro lugar, deve-se adver-

tir o funcionário, dando a ele a chance de se redimir. “O chefe deve primeiro dar uma advertência ao funcionário, antes de tomar qualquer providência mais séria a respeito do uso indevido da internet no local de trabalho”. Além dos acessos indevidos, o que se coloca na rede também pode trazer más consequências. O funcionário também deve ter responsabilidade e consciência de que a vida particular deve ser resolvida fora do local de trabalho.

CaSoS CurioSoS O Tribunal Superior do Trabalho reconheceu no ano passado a demissão de um funcionário que utilizava o computador de trabalho para acessar sites de relacionamento, enviando mensagens de correio eletrônico com piadas sem graça e imagens inadequadas, como fotos de mulheres nuas. E no Distrito Federal uma funcionária tentou reverter a demissão alegando violação de sigilo de correspondência, pois a empresa em que trabalhava utilizou mensagens do e-mail corporativo para provar que ela estava maltratando clientes. Porém o seu pedido foi negado pelo TRT daquele estado, que entendeu que o e-mail corporativo é uma ferramenta de trabalho e, portanto, não se enquadra nas hipóteses previstas na Constituição Federal.


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Capa

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s

O caminho onde o S Peregrinos percorrem o Caminho do Sol anualmente em busca de

Daniel Rocha

A

o longe, um homem. Em nenhum momento, ele pensa em desistir de caminhar. Porém, as dores que aparecem ao longo da jornada, mais comuns nos primeiros dias, tendem a contribuir para uma possível resignação. Mas aquela dor, que a princípio incomoda, posteriormente passa a ser parte dele. Ela não aborrece mais. A sensação que se tem ao caminhar é infinitamente mais agradável do que as dores que ele sente. Esta é a imagem e o sentimento que se espalha pelo Caminho do Sol. Roteiro turístico-religioso, que desde julho de 2002, acolhe os milhares de peregrinos que anualmente percorrem suas estradas de terra e asfalto, passando por inúmeras cidades, serras, rios e canaviais, bem como resquícios da Mata Atlântica. Com o objetivo primário de oferecer aos caminhantes um ambiente agradável, de características rurais, em pleno coração do Estado de São Paulo, o Caminho do Sol surgiu, principalmente, pela falta de um roteiro que pudesse abarcar tais paisagens, naturais e histórico-arquitetônicas, dentro de um contexto de introspecção e despojamento material. Concentrado, em sua maioria às margens do Rio Tietê, o caminho permite ao peregrino, de acordo com o empresário José Palma, idealizador da rota, não só o alcance do autoconhecimento, mas também de tempo para reflexão e resolução de problemas emocionais. Cada vez mais pessoas, em grupos, seja a pé ou de bicicleta, tem utilizado o trajeto para estes fins. De acordo com a economista e peregrina Neide Esteves, o Caminho do Sol a tornou mais corajosa para enfrentar os problemas do dia a dia. Ela diz

Peregrinos percorrem em grupo trecho de características rurais, paisagem predominante no deco

ainda que “durante o caminho, bém peregrino, que percorreu eu senti a sensação de estar o Caminho do Sol pela primeira deixando minha vida para trás vez em 2003, o que o motivou e recomeçando uma nova, pois foi a vontade de provar algo você larga tudo no lugar e acha novo que pudesse materializar que vai fazer falta, mas quando um momento de transição ao você volta, todos sobreviveram qual estava vivendo. Ele diz ainda que o que ele sentiu “foi sem você”. Ela comenta ainda que apre- justamente isso, a percepção de mundo e ndeu a se sentir valores que bem sem a ma“Durante o eu não conheterialidade, uma caminho, eu senti cia, um amor vez que peregrinou por “11 a sensação de estar fraternal que nunca tinha dias com uma deixando a minha vivenciado”. mochila e pouvida para trás e A segunda cas roupas e sobrevivi. Aprendi recomeçando uma vez foi em 2011. Sala dividir meus nova” zane disse espaços com estar passanoutras pessoas, pois quando você fica hosped- do por um momento difícil e ado em um albergue, é preciso precisava tomar uma decisão sair do conforto da sua casa importante, então resolveu para dividir o ambiente com experimentar mais uma vez o outras pessoas. Damos ainda caminho. “Isso significou uma transição em minha vida, uma mais valor ao que temos”. Para o publicitário e fotó- descoberta que cada um tem grafo Eduardo Salzane, tam- ao percorrê-lo”, diz.

Organização As características topográficas da região por onde passa o roteiro e o alto nível da qualidade de vida dos municípios margeantes foram importantes na criação da “Organização Caminho do Sol”, que administra os passeios ao longo de seus 11 dias e por todo o percurso de 241 quilômetros, entre Santana de Parnaíba e Águas de São Pedro. Nesta última, fica a Casa de Santiago, término oficial do caminho. José Palma explica ainda que “a preocupação maior sempre foi a de que a rota permitisse o contato permanente com a natureza e que as distâncias entre as pousadas não ultrapassasse 24 km. O objetivo era sair de Santana de Parnaíba e chegar a Águas de São Pedro, cujo aniversário coincide com o dia consagrado ao Apóstolo São Tiago, padroeiro da cidade”. A pedra fundamental do


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Solll encontra a Fé sol fé

Capa

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reflexão e coragem para enfrentar os problemas do cotidiano margareth salzane

orrer do Caminho do Sol

santuário foi lançada em 1º de dezembro de 2001. A rota foi entregue aos caminhantes em 25 de julho do ano seguinte, dia do Apóstolo Tiago. Passando ainda por Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva, Itu, Indaiatuba, Elias Fausto, Salto, Capivari, Mombuca, Saltinho, Piracicaba e São Pedro, o trajeto conta com terreno bastante plano, apesar de exigir muita disposição para caminhá-lo. Para o padre Francisco de Paula Cabral de Vasconcellos, o padre Xico, pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia, que abriga um santuário ecológico, em Indaiatuba, o Caminho do Sol não tem, somente, uma importância religiosa, mas uma importância vital, “uma vez que o Sol é fonte de vida, e a vida é um dom de Deus, e que se não trabalhamos com equilíbrio, a energia solar em nossa vida pode se transformar em causa de morte. Por isso mesmo, fazer

o Caminho do Sol, é fazer o caminho da vida”.

Santiago de Compostela O Caminho do Sol é preparatório para a realização de outro roteiro, bastante conhecido e de proporções muito mais abrangentes, o Caminho de Santiago de Compostela. Situado na Europa, tem vários pontos de origem, ainda que o mais tradicional seja o chamado “Caminho Francês”, que sai da localidade de Saint Jean Pied-de-Port, no sul da França. Este trajeto recebe peregrinos de todo o continente e segue pelo norte da Espanha até o município de Santiago de Compostela, capital da Comunidade Autônoma da Galícia, em um total de 760 quilômetros. Ainda de acordo com José Palma, a ideia foi de criar, aqui no Brasil, um ambiente semelhante ao vivido pelos peregrinos no Caminho de Santiago de Compostela. “A insegurança inicial, aprender a lidar com a mochila e o cajado, a perceber as setas do caminho, a lidar com a ansiedade de chegar, com o estresse muscular, a lavar sua própria

roupa, a vivenciar a fraternidade e a simplicidade, a lidar com a perda da privacidade e conviver com as diferenças. Isto tudo, vivenciado antes de ir ao Caminho de Santiago, permite ao peregrino melhor aproveitamento deste caminho bíblico, já a partir do primeiro passo”, comenta. O Caminho do Sol, segundo ele, é o maior promotor e divulgador do Caminho de Santiago no Brasil, o que levou a “Organização Caminho do Sol” ao reconhecimento internacional pela Xunta de Galícia, órgão oficial do governo da Galícia, na Espanha, responsável pela administração da rota europeia. A economista Neide Esteves diz que também quer percorrer o Caminho de Santiago, pois, segundo ela, “a ideia do Caminho do Sol começou quando o (José) Palma fez este percurso. Mas quero estar bem preparada e daqui a uns dois anos espero poder fazê-lo”. O publicitário e fotógrafo Eduardo Salzane comenta que o Caminho de Santiago de Compostela surgiu em sua vida antes mesmo do Caminho do Sol e que percorrê-lo ainda

é algo que está em seus planos. “Meu desejo por Compostela se dá pela carga histórica e mística do caminho, é isso que me move e que me motiva a percorrê-lo. Minhas expectativas são de ir para lá no ano que vem”, profere. Mais informações O idealizador da rota explica que para a efetuação da inscrição, os interessados precisam assistir à palestra que trata das características do Caminho do Sol. “Após a palestra, o interessado verifica no site (www. caminhodosol.org) as datas de saída, preenche a ficha de préinscrição e nos envia – checamos se assistiu à palestra, e damos retorno para as orientações finais”, explica Palma. Ele diz ainda que “os ciclistas não precisam seguir as datas que estão no site. Assistem a palestra e preenchem a préinscrição, indicando a rota que irão fazer, localizadas no site. Para mais informações sobre o Caminho do Sol e do que é preciso ser feito para percorrê-lo, basta ligar para o número (11) 2215-1661 ou acessar www.caminhodosol.org. daniel rocha

A Casa de Santiago, com o altar, em Águas de São Pedro, é o ponto final do Caminho do Sol


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Geral

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MEIO AMBIENTE

Empresas da RMC participam de programa de controle de CO2 Projeto criado em Nova Odessa contribui na redução de impacto ambiental provocado por companhias Michele Bury

C

om a proximidade do Rio+20 e o Dia do Meio Ambiente e da Ecologia, comemorado em 6 de junho, é possível encontrar projetos que visam melhorar a situação cada vez mais crítica que o planeta se encontra. Um exemplo disso é o Carbon Control, programa de controle de emissão de gás carbono na atmosfera, idealizado e difundido por uma instituição de Nova Odessa. “O programa Carbon Control foi criado a fim de realizar a compensação das emissões de CO2 decorrentes das atividades de empresas.”, é o que explica o idealizador do projeto, Renato dos Santos, professor da Faculdade Network, de Nova Odessa. Através de um modelo matemático, é gerado o número de árvores necessárias para pegar o gás carbono emitido por essas empresas. O número correspondente é plantado em áreas de mata ciliar que serão transformadas em reservas ambientais. Em troca, as insti-

tuições cadastradas ganham um selo, que é creditado por uma auditoria externa e por dois anos recebem relatórios, treinamentos e apoio para soluções ambientais. O contrato com as empresas é renovado a cada dois anos, dependendo do interesse da organização em manter a participação no projeto. “A mudança de práticas e a conscientização dos colaboradores nas organizações e da população em geral é um benefício importante e duradouro” Para o professor, com os resultados visíveis já é possível perceber a melhora do ambiente vegetal das cidades. “É como um ar condicionado natural que ainda protege contra as inundações e assoreamento dos rios.”. Os principais objetivos do controle de CO2 são claros: recompor a mata ciliar local, modificar as praticas ambientais das instituições e trabalhar a conscientização sobre o meio ambiente junto aos colaboradores e membros da sociedade. Segundo Renato, a idéia

michele bury

Renato dos Santos leva mudas para plantio em mata ciliar

de controle de carbono surgiu para unir as organizações com a finalidade de trazer maior qualidade de vida para a população, já que a metodologia do seqüestro desse gás está previsto no protocolo de Kyoto. Para que o programa ganhe força, diversas prefeituras da região cederam áreas públicas para o reflorestamento através de convênio com o projeto. O Programa Carbon Control recebeu o prêmio de Melhor

Projeto desenvolvido pelas Instituições de Nível Superior no Estado de São Paulo concedido pelo Instituto Cidadania sem Fronteira e a menção como quinta melhor prática ambiental dos municípios brasileiros, através do Ministério do Meio Ambiente. Em 2007, o projeto foi apresentado na Universidade de Coimbra, Portugal. Todos os processos do Programa são baseados nos protocolos recomendados pela ONU.

SAÚDE

Alunos de academias públicas não têm ajuda profissional Em Campinas, projeto que visa manutenção da saúde da população falha ao não contratar educadores físicos

Fernanda Siqueira

A

prefeitura municipal de Campinas mantém academias públicas em diversos bairros da cidade. No entanto, nos locais em que há equipamentos disponíveis para prática de exercícios existe apenas acompanhamento de estagiários. De acordo com o vigilante do local, os próprios participantes das atividades organizam as equipes para fazer as atividades físicas. Quando os

estagiários não estão presentes, o uso da academia é liberado para todos. O professor da faculdade de Educação Física da PUCCampinas, José Francisco Daniel afirma que o uso inadequado de aparelhos de ginástica pode ser prejudicial e causar lesões musculares. Segundo ele, a prefeitura além de colocar os equipamentos, deveria contratar profissionais que acompanhassem por mais tempo os usuários.

“Faz falta ajuda profissional para que a gente tenha acompanhamento adequado durante a prática dos exercícios”, diz José Costa, 60, usuário da academia localizada no Taquaral. O professor de educação física Daniel enfatiza que há uma diferença entre orientar o usuário e acompanhá-lo durante a prática de exercícios. “Caso algum exercício seja praticado excessivamente e de forma incorreta, corre-se o risco de despertar, por exemplo,

a tendinite, que é manifestada pelo uso constante de uma determinada região do corpo”. A assessoria de imprensa da Secretaria de Esporte de Campinas declara que os equipamentos respeitam os limites dos usuários, e que podem ser utilizados de acordo com as condições físicas de cada um. Aponta, ainda, que apesar da falta do profissional, nas áreas existe um banner educativo orientando sobre o uso correto da academia.


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SUSTENTABILIDADE

Rio+20 e o mais do mesmo: politicagem ou proteção ambiental? Conferência pretende discutir ações efetivas para o futuro do planeta Laís Russo e Thiago Toledo

C

divulgação

om o objetivo de definir metas ambientais para as próximas gerações, a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, será realizada de 13 a 22 de junho, na cidade do Rio de Janeiro. O evento desperta discussões entre ONGs sobre as aplicações das propostas sobre os quais algumas dizem que esta edição poderia ser “mais do mesmo”. O encontro contará com a participação de líderes de vários países, como o presidente eleito da França, François HolManifestantes protestam por ações definitivas sobre o meio ambiente na conferência deste mês lande, o russo Vladimir Putin, o novo chefe de governo da Espanha, Mariano Rajoy, e o ição. Como ocorreu na primei- ca e alta taxa de desemprego, dade de todos.” A ativista conta que a parprimeiro-ministro da China, ra Rio+20, em 1992, com a Rio vai assinar um tratado para 92 ou Eco 92, e em, 2002, na reduzir a poluição, diminuir o tir do dia 05 de junho serão Wen Jiabao. investimento e afastar o setor realizadas algumas ações, na A jornalista e presidente da África do Sul. Uma das razões para se es- privado. Para ela, a oneração RMC, para a conscientização ONG, Árvore da Vida, Deise Nascimento, que está no calen- tabelecer metas sobre o meio e o risco político são muito da população. O documentário “O veneno está na sua mesa”, dário oficial da Rio+20 com ambiente, sustentabilidade e grandes. Deise, por sua vez, acredita de Silvio Tendler, que aborda o economia uma palestra por que enquanto a sociedade não uso de agrotóxicos, levantando sobre cidades “As grandes potên- verde, e x e m p l o , exigir ações mais efetivas dos discussões sobre a agricultura, inteligentes, participa de cias têm que se com- é que mui- governantes, eles não tomarão tema presente na Rio+20, será delas medidas mais firmes para exibido em escolas seguido de discussões na prometer a fazer uma tas entram em acabar com o desmatamento, debate. O filme também será RMC com outregulamentação c o n f l i t o proteger as águas e trabalhar apresentado em praças públiras organizaambiental” com inter- a questão energética. “A socie- cas, como o Largo do Rosário, ções e afirma esses políti- dade civil tem que fazer barul- na região central de Campinas, que há preocupação com a efetividade do cos. A mestre em relações ho, mostrar o que realmente acompanhado da distribuição evento. Já que muito do que já internacionais pela Universi- quer para que os políticos de jornais sobre o meio ambifoi discutido nas cúpulas ante- dade de Nova York, Juliana Ga- entendam que é uma necessi- ente. riores não saiu do papel ou não nan, afirma que enquanto as foi aceito por todos os países grandes potências mundiais, participantes, resultando em Estados Unidos e China, não se discussões infinitas e sem ob- comprometerem em fazer uma regulamentação ambiental, os jetivos reais definidos. Com o chamado às organizações ambientais e sociais, Algumas instituições outros países não irão aceitar “venha inventar o mundo”, a Cúpula dos Povos pode ser como o Greenpeace, o Fórum as limitações das cúpulas. mais importante para a sociedade civil do que a Rio+20, “Os EUA nem assinaram o Brasileiro das Ongs e a Vitae segundo a presidente da ONG Árvore da Vida, Deise NasCivilis, acompanharam as ne- protocolo de Kyoto. O Canadá, cimento. A Assembleia Permanente dos Povos, principal gociações entre os governos insatisfeito, já anunciou que fórum político da Cúpula, deve se organizar em torno sobre o documento que se- vai se retirar. Se o vizinho que de três eixos: denúncia das causas estruturais das crises ria apresentado como pauta é ‘rico’, não assina, porquê ele (energética, financeira, ambiental e alimentar), das falsas oficial do evento. Alem disso, tem que assinar?” diz, Juliana. soluções e das novas formas de reprodução do capital. Seredigiram uma carta que foi Ela lembra ainda que em época gundo Deise, a Cúpula tem menos autoridades presentes, distribuida para outras Ongs eleitoral nos Estados Unidos, o porém possibilita à população expor suas necessidades e e divulgada nas redes sociais candidato à reeleição, Barack exigi-las aos governantes. alertando para a possibilidade Obama, não se arriscaria a de nada ser definido nesta ed- dizer que com crise econômi-

“Venha reinventar o mundo”


Geral

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Na estrada Na estrada

de uma geração marcante

“On The Road”, livro considerado o símbolo dos beatniks, ganha versão para o cinema e volta a ser assunto nas conversas Julio Mangussi e Ingrid Balhe

L

Kerouac escreveu o livro “On The Road” em apenas três semanas

Os tempos estão mudando Kerouac e Neal Cassady queriam tudo ao mesmo tempo. Bebiam a vida no gargalo, manchavam o colarinho e se embriagavam do prazer e no intímo do novo. Mas, as gerações já não são mais as mesmas. Conectados nas redes sociais, muitos jovens se relacionam mais em frente a um computador do que pessoalmente. A empresária Joyce Falete, 22, que sempre esteve presente em sites como Facebook, e Twitter, confessa que não consegue ficar muito tempo offline. Proprietária de um perfil de humor no Twitter com mais de

220 mil seguidores, ela acredita que a internet é uma ótima forma de libertar e conhecer as pessoas. “Não me sinto presa nas redes sociais. A internet também é liberdade. As pessoas podem deixar opiniões, interagir, divertir-se e buscar conhecimento”, diz Joyce, que assume passar quase 14 horas do dia conectada, seja pelo computador ou celular. Luisa Ligabó, estudante de direito, é fã do livro On the Road e também tem perfis na internet. No entanto, ela revela certa descrença sobre as redes. “As redes sociais não oferecem liberdade alguma, elas apenas

A vida do escritor ganhou uma versão em HQ, por João Pinheiro

oucos pela liberdade, para conhecer novas pessoas e caminhos... Loucos para viver, Jack Kerouac (1922-1969) e sua turma revolucionaram a literatura e influenciaram várias gerações. Muito antes dos hippies, flower power, cabelões e toda aquela coisa de paz e amor houve algo chamado Geração Beat. A vida e obra do autor, que apresentou outras formas de pensar o mundo, voltam a ser tema nas conversas. Isso porque, baseado no livro On The Road (1957), o filme Na Estrada, de Walter Salles, estreia dia 13 de julho e leva às telonas a obra, considerada a “bíblia hippie”.

No clássico, sufocado pelo estilo de vida “morno” da época, Sal Paradise (personagem baseado em Jack) e Dean Moriarty (inspirado no amigo Neal Cassady) desbravam os Estados Unidos, em uma série de viagens de carona. Na companhia de pessoas que lhes interessavam, experimentaram a vida, convivendo com vagabundos, intelectuais e as mais diversas figuras. Os beatniks buscavam experiências autênticas, compromisso selvagem e espontâneo com a vida. Sempre com malas próximas às calçadas, percorreram estradas com finais desconhecidos - e não foram seduzidos pelos acostamentos da vida.

expandem informações, a maioria de cunho pessoal. O oposto da Geração Beat, que fazia acontecer, deixava o conforto, a segurança, e se jogava nas estradas sem quaisquer garantias”. A estudante, que leu a obra aos 14 anos em apenas 4 dias, conta que o livro se tornou um dos seus favoritos. “On The Road foi um divisor de águas na forma com que eu via as coisas, porque nunca me senti representada pela minha geração”, diz Ligabó. Ela ainda ressalta que os personagens tiveram grande influência em sua vida e que há várias formas de encarar o espírito dos beat-

nicks. “A estrada é só um pretexto para as transformações da consciência, dos valores e do comportamento que o livro transmite. Acho que pensar de uma forma mais libertária, e menos conservadora, é uma grande atitude “On the Road”, finaliza a fã. Se Kerouac vivesse sua aventura nos dias de hoje, jamais saberíamos se ele atualizaria a todo momento o seu Facebook com fotos das viagens. Porém, algo é inegável: ele não viveria andando nas pontas dos dedos. Os beatniks mostraram para a sociedade daquela época que era necessário pensar e mudar as coisas que incomodavam.

divulgação

No rastro de Kerouac

John Lennon regista a influencia no nome de sua banda “The Beatles”

Bob Dylan leva para suas composições a poesia e estilo Beat

Jim Morrison à frente da banda The Doors injeta a poesia Beat na música

Saiba +  

Edição de 01 a 15 de Junho

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