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Brasil Angola Magazine | Agosto/Setembro de 2012

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Editorial

Brasil Angola Magazine | Agosto/Setembro de 2012

Expediente Brasil Angola Magazine Ano I, número 06, Agosto-Setembro/2012 Editor Responsável - Antonio Lucio - MTB 35490 polcomune@uol.com.br Diretor de Marketing: Neemias B. Oliveira neemias@brasilangola.com.br Diretor Comercial: Glécio Ortega (55 11) 3104-9461 - ortega@brasilangola.com.br Diretor Administrativo - Ronaldo Carniello administração@brasilangola.com.br DIRETORIA COMERCIAL EM ANGOLA Diretor Comercial – Ubirajara Honório Telefone (00 244) 933 53 6263 – E-MAIL ubirajara.honorio@brasilangola.com.br Colaboradores: Carlos Ademar Ferreira, Cristina Rodrigues, Francisco Silvino, Iraguaci Santos, Johnny Kapela, José Francisco dos Santos, Maurício Waldman, Rose Delphim Pereira, Simão Souindoula, Ubirajara Honório, Hugo Ferreira Capa: Diego Adel - diego@carniello.com.br Fotografia: Acervo do Bureau Polcomune, Cláudio Lira, Gutemberg Bispo, Jader Nicolau, JC Santos, Herivelto Batista, Instituto Lula, Luiz Alves, Ricardo Stuckert Filho/PR. Diagramação e Produção Gráfica – Diego Adel producao@brasilangola.com.br Departamento Comercial – comercial@brasilangola.com.br PARCERIAS PARA DESENVOLVIMENTO EM NOVOS PROJETOS AFROCHAMBER - Câmara de Comércio Afro-Brasileira afrochamber@afrochamber.org - www.afrochamber.org Tiragem: 10.000 exemplares Periodicidade: Bimestral Circulação – Binacional - Brasil e Angola www.brasilangola.com.br Atendimento ao cliente - sac@brasilangola.com.br BRASILA ANGOLA MAGAZINE é uma publicação da Carniello Propaganda e Publicidade Ltda. - CNPJ – 01.354.870/0001-21 Rua Santo Antonio, 446 – Conj. 104 - CEP 01314-000 – São Paulo/SP Publicidade (+5511) 3104-9461 / (+55 11) 2836-7807 www.brasilangola.com.br - www.carniello.com.br Brasil Angola tem seu pedido de registro junto ao INPI sob nº0000231109449315 em 21/10/2011

ELEIÇÕES GERAIS 2012 em Angola A República de Angola chega neste mês de agosto de 2012 focada na realização das eleições gerais em todo o país e traz muitas esperanças de continuidade do processo desenvolvimentista que a Pátria de Agostinho Neto alcançou nestes 10 anos de Paz.

A realização das eleições gerais de 2012 em Angola, sem dúvida alguma consolida a Democracia e a certeza de que além do muito do que já foi realizado para beneficiar a maioria da população angolana, muito ainda deve ser feito para que o país se firme no concerto das Nações, buscando novas infra-estruturas, capazes de oferecer novos caminhos para o país nos mais diversos segmentos de atividades no campo e nas cidades, como educação, saúde, transportes, habitação, indústria e comércio, agricultura e agronegócios, pois são setores que proporcionam uma imensa gama de postos de trabalho, além da preservação do meio ambiente e a busca da sustentabilidade, aliada ao combate da miséria absoluta e o aceleramento do processo de reinserção social dos angolanos desterrados durante a guerra fratricida que durante 27 anos assolou o território angolano. São caminhos modernos de sucesso, progresso e desenvolvimento que devem ser buscados incessantemente pelos governantes que assumirem para realizar um novo período de trabalho, após a realização das eleições gerais de 2012. O processo de consolidação democrática, com uma nova Constituição vigente no país nos leva a convicção plena de que a Democracia não tem cor política, não discrimina e como lembra frase de um dialeto sul africano: KE NAKO (A hora é esta). Por outro lado a República de Angola comemora no dia 17 de setembro, o Dia do Herói Nacional, homenageando o batalhador e guerreiro Antonio Agostinho Neto, o primeiro Presidente de Angola, após o cessar do período de lutas internas para a conquista da Independência do território até então sob o domínio do jugo colonialista português, em 1975 Outros assuntos fazem parte desta Edição, para a leitura de todos os nossos leitores. Boa Leitura, com um abraço negro e forte

Os artigos assinados não representam necessariamente a opinião desta publicação e de seus editores. Nos escritos constantes de cada edição da BRASIL ANGOLA Magazine são utilizados o Português habitual de todos os países membros da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Assim sendo, o leitor encontrará textos escritos com o português utilizado em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe, além do Timor Leste.

Antonio Lucio – Editor

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Eleições 2012

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ANGOLA COM OS MESMOS IDEAIS

Antonio Agostinho Neto o primeiro Presidente e José Eduardo dos Santos o atual Presidente

ANGOLA PROSSEGUE NO SEU DESENVOLVIMENTO COM UM NOVO MANDATADO PRESIDENCIAL A República de Angola democraticamente reelegeu o Presidente José Eduardo dos Santos (*) para um novo mandato como a autoridade que irá comandar os destinos da Pátria do Herói Nacional, Agostinho Neto, o primeiro angolano pós independência, por um novo período governamental de 5 anos.

consagrar com mais de 70% dos votos o nome daquele que no comando do povo do país irmão, foi um lutador incessante para buscar o armistício de uma guerra que durou 27 anos e conquistar a Paz e o Desenvolvimento que o país alcançou nos últimos 10 anos do seu atual mandato.

Num clima de Paz e com a presença de observadores de diversos organismos internacionais, a população eleitoral angolana com quase 10 milhões de participantes foi às urnas para

Para o Brasil, que se mostra presente no território angolano desde os primórdios da busca da Independência de Angola, conquistada em 11 de novembro de 1975, foi marcante e impor-

tante a realização do pleito eleitoral geral angolano, que fez emergir das urnas democráticas com legitimidade constitucional, a eleição de José Eduardo dos Santos, para mais cinco anos no comando do país, principalmente no campo econômico e das relações bilaterais, pois a presença brasileira no desenvolvimento angolano é uma realidade, com os negócios propiciando ao nosso empresariado, cujos dados mostram que nossas atividades neste setor, somadas, equivalem a 10% do PIB angolano (o Produto Interno Bruto saltou de US$ 10 bilhões em 2022 para US$ 110 bilhões no ano passado, na esteira da valorização do petróleo). O governo brasileiro desde o início do governo do ex-Presidente Lula, até os dias atuais, sempre acreditou que a nossa presença empresarial na República de Angola, é importante para garantir espaço entre futuros países consumidores do Continente Africano, uma vez que cada vez mais o conglomerado de 54 nações que compõe aquela parte do Planeta, vêm deixando para trás histórias de conflito e combatendo a pobreza absoluta, além de colaborar para que além das trocas comerciais, os programas de desenvolvimento realizados pelo Brasil nos mais diversos segmentos de atividades, sejam aproveitados em solo africano.

O ex-Presidente Lula e o Presidente José Eduardo dos Santos reafirmando a cooperação entre os dois países

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O maior incremento das relações comerciais brasileiras com os países do Continente Africano e o trabalho desenvolvido pela classe empresarial brasileira em Angola, tende a se firmar cada vez mais, conforme foi ressaltado pela Presidente Dilma Rousseff, na visita realizada ao país no ano passado, quando foram firmados diversos e novos protocolos de coo-


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Eleições 2012

peração e assistência, que podem proporcionar novas oportunidades de negócios não apenas para as grandes empresas, mas também para as de médio porte. A partir da recente tomada de decisão do governo brasileiro que através do aporte de US$ 2 bilhões em crédito, prometido pelo BNDES às empresas brasileiras estabelecidas em Angola – um dos maiores financiamentos externos do banco -, novos empresários poderão visualizar a oportunidade de se integrar economicamente no páis-irmão africano, onde são setores atrativos, telecomunicações, petroquímica, açúcar e álcool, energia, energias renováveis, agronegócios, defesa, bens de capital, siderurgia, serviços bancários e fármacos, transportes, industria automotiva, varejo, além, é claro, da educação e da saúde. Em 2010, Angola foi o terceiro maior mercado para os produtos brasileiros na África e o quarto maior exportador africano para o Brasil e a nossa expectativa é que o país prossiga na sua caminhada de desenvolvimento para o benefício da população angolana.

Presidente Dilma Rousseff e o Presidente José Eduardo dos Santos

BIOGRAFIA DE SUA EXCELENCIA, ENGENHEIRO JOSE EDUARDO DOS SANTOS, PRESIDENTE DA REPULICA DE ANGOLA JOSÈ EDUARDO DOS SANTOS, Presidente da República de Angola, nasceu a 28 de Agosto de 1942, filho de Eduardo Avelino dos Santos e de Jacinta José Paulino. Casado com Ana Paula dos Santos. Concluiu o ensino secundário em Luanda (Liceu Salvador Correia) e integrou-se no MPLA em Novembro de 1961, no exílio. Licenciou-se, em 1969, em Engenharia de Petróleos no Instituto de Petróleo e Gás de Baku (antiga União Soviética). Regressado ao país, foi Ministro das Relações Exteriores no primeiro Governo constituído depois da Independência de Angola; 2º Vice Primeiro Ministro, em 1978, e Ministro do Planeamento, em 1978-79. Foi eleito Presidente do MPLA a 20 de Setembro de 1979 e investido no cargo de Presidente da República Popular de Angola até Outubro de 1992, altura em que decorreram as eleições presidenciais das quais saiu vencedor na primeira volta, com 49,6% dos votos. Datam da primeira metade dos anos 80 as suas primeiras tentativas de criação das condições objectivas e subjectivas para o lançamento de profundas reformas económicas e políticas, com o apoio de jovens quadros saídos das faculdades de Engenharia, Direito e Economia. A situação de guerra não permitiu que essas reformas tivessem uma materialização mais rápida. Os Acordos de Bicesse, surgidos na sequência dessa abertura, acabaram por permitir um interregno no conflito militar criando condições para a adopção de um regime democrático e de mercado livre. Um dado relevante do início do seu consulado foi o facto de José Eduardo dos Santos nunca ter ratificado nenhuma das sentenças proferidas pelos tribunais quando a pena de morte ainda estava em vigor e ter mesmo contribuído decisivamente para a sua abolição em Angola. De 1986-92 José Eduardo dos Santos esteve na base dos esforços de pacificação no país e na região, que culminaram com a retirada das tropas invasoras sul-africanas, o repatriamento do contigente cubano, a independência da Namíbia e o fim do regime do “apartheid “ na África do Sul. Eliminados os factores externos que agravavam o conflito interno em Angola, José Eduardo dos Santos lançou as pontes para uma solução negociada, dinamizou a abertura ao pluralismo político e à economia de mercado, e organizou eleições democráticas multi-partidárias (29-30/09/ 92) sob supervisão internacional.

Na grave crise que se seguiu, provocada pela recusa da Unita em aceitar o veredicto da ONU de que as eleições foram “livres e justas”, José Eduardo dos Santos dirigiu pessoalmente a intensa actividade diplomática que culminou no integral reconhecimento internacional do Governo Angolano, impulsionou a instituição dos órgãos de soberania eleitos e organizou a defesa das instituições democráticas, forçando os opositores armados a aceitarem uma solução negociada do conflito, consubstanciada nos Acordos de Lusaka de Novembro de 1994. Nessa base foi constituído um Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, integrando elementos oriundos dos partidos com assento no Parlamento, incluindo da própria oposição armada. Infelizmente, os Acordos de Lusaka também não conduziram Angola à paz definitiva. Em 1998 as forças rebeldes retornam à guerra, depois de se terem rearmado em segredo, convencidas de que poderiam chegar ao Poder pela via militar. Novamente, José Eduardo dos Santos revelou-se um estadista à altura do momento delicado que o país atravessava. Decidiu combater a subversão armada sem recorrer ao estado de sítio ou de emergência, mantendo em funcionamento todas as instituições democráticas do país e assegurando assim os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos. As próprias Nações Unidas o felicitaram em 29 de Julho de 2000 pelo anúncio de que perdoaria todos os rebeldes armados, incluindo o seu líder, desde que reconhecessem as autoridades legítimas e contribuíssem para a consolidação do regime democrático, para a reconciliação nacional e para o desenvolvimento do país. Dois anos depois, graças à implementação de um programa multilateral de resistência nacional contra a guerra, de iniciativa do Presidente angolano, foi finalmente alcançado um entendimento entre as chefias militares do Governo e a das forças rebeldes que levaram ao fim definitivo da guerra em Angola, num acto que se cumpriu solenemente em cerimónia realizada em Luanda no dia 04 de Abril de 2002. Sensivelmente no mesmo período o Presidente Angolano contribuiu de forma decisiva para a estabilização da situação nas Repúblicas de Congo/Brazzaville e Democrática do Congo e para a busca de uma solução política para o conflito militar da região dos Grandes Lagos. Fonte: site Oficial do Governo da Republica de Angola

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Quem é quem?

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A capa da 4ª. Edição da BRASIL ANGOLA Magazine, a partir de um trabalho do artista plástico, cartunista ou grafiteiro, como querem alguns, Jorge Carnevali Filho, chamou a atenção dos leitores brasileiros, angolanos e de outros países, que através de mensagens enviadas para nossa redação elogiaram os traços do paulistano do bairro da Moóca, em São Paulo, onde em seu trabalho foram destaques os símbolos do Brasão e cores da Bandeira da República de Angola. Difícil seria para nós fazer um apanhado e ou entrevista com o nosso colaborador sobre sua trajetória no campo pelo qual ele se enveredou e procura se manter como um aficionado do arte que abraçou e desenvolve no seu dia a dia, cujo conhecimento já chegou à outras partes do Planeta. A entrevista que ele concedeu ao Blog internacional ISLAND SLALOM TOUR, por si só é esclarecedora para todos nós. Veja na sequência.

Interview BTS Wild Style Graffiti, Graffeur du Brazil

Allons faire un tour au Brazil pour découvrir un graffeur plein de talent!les questions sont en Anglais et les réponses en espagnol!! Your first graffiti (what year? Where? With that?) Meu primeiro contato com as ruas foi por volta de 1994 com a pichação, fiz por 4 anos algumas pichações pelos bairros próximos de onde moro. Fiquei tempo parado, daí foi que eu comecei a me interessar pelo grafite vendo revistas de grafites locais, através desse interesse resolvi fazer uma troca, deixando um pouco a pichação de lado, como todos comecei pelo bombing um estilo mais fácil de se fazer letras, forma mais básica com duas cores, isso foi em 1998 num bairro próximo daqui onde eu moro, foi a primeira vez que tive esse contato com spray e látex, lembro como se fosse hoje.

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Why the graffiti as a form of expression? Na verdade não foi uma escolha, como eu sempre ouvi rap e sempre acompanhei vídeos de hip-hop via que o grafite estava presente e assim como o rap era usado como uma forma de se expressar através de letras, o rap musicalmente e o grafite visualmente. Acreditei que através do grafite podemos nos sentir livre, liberta a mente pra criar coisas novas, penso que temos tudo de melhor no nosso consciente pra elaborar e exercitar expressões novas e diferentes, como desde de criança já gostava muito de desenhar, só fui pela minha intuição e vi que o grafite seria um grande caminho pra expressar o que eu gostaria pra minha vida .

Where do you like most maked graffiti? Sempre gostei de pintar nas ruas, não tem melhor lugar, na rua me sinto livre e desperta melhor nossa criatividade.

How would you define your style? Defino meu estilo como a mistura do grafite wild style tradicional com os traços e formas mais modernas, decidi seguir esse estilo e criar o meu próprio, porque era o que não via nas ruas, vejo muito estilo com curvas e simples de se decifrar, quis seguir o mais complicado, o diferente pra se ter um destaque diferenciado e me sentir melhor com meus objetivos. Gosto de misturas em degrade, mas também manter os princípios básicos de uma boa letra, com sombras. efeitos, brilhos, aquilo que o grafite sempre teve, gosto de fazer murais temáticos com personagens que ajuda muito a explorar a criatividade pra se ter um ótimo estilo.


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Quem é quem?

You’re pretty focused on the letter? The characters? The color? The graphics? Forms? Sim, meu foco é letra mais precisamente o estilo wild style, entendia que pra se destacar temos que ser e fazer o diferente, as pessoas infelizmente pecam pelo mais fácil, gosto de abusar nas cores com combinações precisas e quase não muito usadas, me aprofundei nas formas retas e geométricas pra encaixar no meu estilo, a letra é um desafio pra mim, uma terapia pra que os traços retos e curvados saiam na mais perfeita sintonia

How do you perceive your career in local graffiti culture? Já tenho alguns anos nesse caminho, mas tenho muito a aprender, temos um movimento muito forte aqui no Brasil e que vem crescendo a cada ano, com uma quantidade diversa de estilos em todos segmentos de arte. Venho a cada dia me aprimorando com ideias para que cada vez fique de acordo com o que gosto de fazer, pintando telas, murais temáticos e importantes eventos, para assim crescer e fazer a cultura fica cada vez mais forte e de qualidade. An important meeting that motivated your work? Dois grandes acontecimentos contribuíram pra que meu trabalho fosse melhor visto aqui no Brasil, o primeiro foi o graffiti fire art V – estilos no ano de 2008 com uma exposição de 3 telas, junto a outros artistas convidados e o outro foi a 1ª Bienal Internacional de Grafite no museu Mube em São Paulo em 2010, um grande evento que contou com mais de 60 artistas (locais e outros países), elaborados murais, telas e outras formas artísticas dentro do espaço cada um com seu estilo próprio, esse evento teve uma grande repercussão tanto nacional como internacional pro meu trabalho.

What is the role of graffiti in your life? O grafite na verdade tomou uma proporção enorme em minha vida, através disso consegui um melhor equilíbrio, aprendi muito pintando na rua, saber lidar com a atenção das pessoas, no começo eu era muito preso a minha arte, tinha aquele receio de arriscar pra fazer as coisas acontecer, hoje depois de 12 anos pintando me vejo como outra pessoa porque a arte me possibilitou isso, a partir do momento que é feito com amor aquilo que se gosta de fazer tudo fica mais fácil, acredito que cada um nasce com um destino traçado, não acredito muito em dom, vejo que temos uma força especial dentro de nós que precisamos descobrir e explorar, assim como um médico que estudou e se formou um grande profissional porque ele foi atrás daquilo que ele gostava, tornou– se um grande médico não só pelo seu talento ou pelo dom que todos dizem ter, mas sim pelo seu esforço, dedicação e seu amor pelo o que desejava obter, o grafite na minha vida é mais ou menos assim, é como o pensamento e a respiração que não podemos viver sem, na verdade na minha opinião a arte é inexplicável, vem

Your sources of inspiration? A pichação me ajudou muito, pois foi daí que tive contato com meus primeiros traços, a maior inspiração vem da rua, contato com as pessoas, tudo na rua faz parte de uma grande inspiração, mas eu gosto de seguir aquele estilo antigo do rascunho na mão me conectando com o muro, inspiração vem das formas geométricas e as cores, pois sem elas em mente não se desenvolve nada. Tenho muito respeito aos artistas nacionais e internacionais, não tive espelho, sempre olhei pra mim mesmo e tentava me imaginar como seria e tive esse objetivo concluído porque eu fui atrás como minhas próprias pernas e mãos é claro, quando consegue-se criar nada vem de outras fontes, essa criação vem de onde você explorou, da mente!

Dedications course?! Agradeço a Deus pela saúde, pelas pessoas que me apoiam no que gosto de fazer que são muitas e sei que são sinceras, a vocês do blog que através da minha página tiveram acesso a minha arte para que essa entrevista fosse realizada, a minha família que de uma forma me criou pra que tudo pudesse se realizar em minha vida, minha namorada que é uma das pessoas que mais me fortalece pra sempre continuar acreditando no caminho e pra todos que tem a arte como meio de vida.

Jorge Carnevali Filho btswildstyle@gmail.com

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Africa em Foco

Franklin Martins já concluiu as gravações para a série Presidentes Africanos, produzida pela BSB Cinevídeo, vencedora do processo de seleção do pitching da segunda temporada da série do programa Nova África, e o evento de apresentação da sua pré-estreia da série foi realizado na sede do Instituto Lula, em São Paulo, no dia 27 de agosto, sendo o mesmo aberto por Clara Ant, diretora responsável pela Iniciativa África da Instituição, que deu as boas vindas aos presentes e ressaltou que as relações com o Continente Africano são parte de uma linha de trabalho permanente da organização. Logo depois, Franklin Martins apresentou o projeto, que é composto de 15 programas, sendo um de abertura e 14 sobre países específicos. Cada vídeo é composto por uma entrevista com o presidente e reportagens sobre a história e a atual realidade de cada país.

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“A guerra não acaba apenas porque um presidente ou um primeiro-ministro decidiu” explica Graça Machel, defensora internacional dos direitos das mulheres e das crianças. A ex-combatente da liberdade e primeira ministra da Educação de Moçambique explica que “há uma pressão que vem de todos os lados” e que “uma parte é da comunidade internacional, mas a mais importante até é de dentro.”

Sara Masasi (Tanzânia) são personalidades que atuam em prol dos direitos das mulheres e pelos direitos humanos, tendo todas colaborado para acordos de paz em épocas de conflitos.

O jornalista Franklin Martins, exerceu durante o governo do ex-Presidente Lula o cargo de ministro da Comunicação Social. A nova série será vendida a uma rede de TV internacional. A BSB Cinevídeo é a mesma produtora que realizou o documentário “África - a rede invisível” que mostra o processo de construção da África contemporânea, cuja origem deve-se muito à pressão e à participação de milhares de pessoas invisíveis. O filme baseia-se no testemunho de cinco mulheres líderes africanas que demonstram a importância da mulher no desenvolvimento do continente. Entre elas encontram-se Graça Machel e Luísa Diogo.

Graça Machel explica a importância das mulheres africanas na construção do continente. “Juntas constituem uma rede invisível indispensável ao desenvolvimento de África, uma vez que lideram na resolução de conflitos, na reconciliação, na elaboração de mecanismos constitucionais e legais para assegurar a paz e evitar os abusos”.

De acordo com o seu testemunho, “esse movimento pela paz” de dentro dos países que estão em conflito nunca é documentada. A Fundadora da Fundação para o Desenvolvimento Comunitário em Moçambique e especialista independente da ONU sobre o impacto dos conflitos armados sobre as crianças refere que é nesta parte que as mulheres têm tido um papel de extrema importância.

“África - a rede invisível” não defende qualquer posição ideológica, contudo, oferece ao espectador elementos para a reflexão sobre o papel e a condição da mulher africana na atualidade.Não é só na luta pela paz que as africanas são peças-chave. No que toca a economia, elas são os seus verdadeiros motores. Porquê?

Tal como Graça Machel, as outras quatro entrevistadas, Luísa Diogo, Leimah Gbowee (Libéria), Nadine Gordimer (África do Sul) e “Porque 80% da produção alimentar é feita por elas” segundo a ex primeira-ministra que defende que “no dia que as mulheres moçambicanas dissessem que não se vai comer esse ano, elas podiam determinar isso à vontade.”

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Machel foi a primeira-dama de Moçambique, em 1976, quando se casou com Samora Machel, primeiro Presidente do país, morto em 1986. Em 1998, casou-se com Nelson Mandela, o primeiro presidente negro da África do Sul. A política e ativista dos direitos humanos moçambicana é ainda membro fundadora do “The Elders”.

Luísa Diogo foi Ministra do Plano e Finanças entre 1999 e 2005. Com a demissão do então primeiro-ministro, Pascoal Mucumbi, acumulou a pasta do seu ministério com a de primeiraministra, isto a partir de Fevereiro de 2004. Em Janeiro de 2005, foi exonerada, junto com todo o Governo na sequência das eleições gerais de Dezembro de 2004. Um mês depois foi nomeada de novo primeira-ministra pelo recém-empossado Presidente Armando Guebuza. Em Janeiro de 2010, é exonerada pelo reeleito Presidente Guebuza e substituída por Aires Ali. Atualmente é Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Barclays Bank Moçambique. Luísa Diogo defende que a mulher “está a construir a agenda de desenvolvimento do país. E por se investir na mulher de uma forma diferenciada, é extremamente importante que ela queira mudança no processo de desenvolvimento do país.” Através das sua visões, experiências e conhecimentos, Luísa Diogo, Graça Machel, Leimah Gbowee, Nadine Gordimer e Sara Masasi mostram o a importância das mulheres nas sociedades africanas e como o seu papel no dia-adia é fulcral para o seu desenvolvimento. A série Presidentes Africanos quer contribuir para diminuir a enorme desinformação sobre a África que existe no Brasil. Serão 15 programas de televisão sendo um de abertura e 14 sobre países específicos. Cada vídeo é composto por uma entrevista com o presidente e reportagens sobre a história e a atual realidade de cada país.com entrevistas com chefes de governo e reportagens sobre os países mais importantes do continente, dando uma visão mais abrangente, equilibrada e moderna da trajetória, possibilidades e desafios vividos pela África nos dias de hoje.


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Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

As gravações superaram as expectativas do diretor e de toda a equipe pela qualidade das entrevistas e pela riqueza de imagens. O documentário é uma realização da produtora brasileira Cinevideo, que tem como realizador Carlos Nascimbeni, com um conjunto de 15 programas que estará disponível em seis línguas: português, espanhol, inglês, francês, árabe e suahili. Durante a apresentação da pré-estreia foram exibidos um promo da serie e o primeiro vídeo, uma entrevista com o presidente de Moçambique Armando Emílio Guebuza. O programa relembra a história de Moçambique passando pelo período de colonização portuguesa, a luta pela independência, a guerra civil e finalmente o período de paz que se iniciou em 1992. A história retoma passagens e discursos de grandes líderes africanos como Eduardo Mondlane e Samora Machel. A entrevista com o presidente Guebuza aborda também temas recentes como a descoberta de reservas de gás, a redução da

depência do país de doações externas e a fábrica de antirretrovirais que será instalada no país em parceria com a brasileira Fundação Fiocruz. Logo depois, Franklin Martins apresentou o projeto, que é composto de 15 programas, sendo um de abertura e 14 sobre países específicos. Cada vídeo é composto por uma entrevista com o presidente e reportagens sobre a história e a atual realidade de cada país, destacando no preâmbulo da película apresentada “Estamos no norte da Tânzania, a meio caminho entre o Cairo, no Egito e a Cidade do Cabo, na África do Sul. Aqui fica o coração da África. É nesse local exuberante com muita água, sol e energia, que começou a aventura humana. E é aqui também que vai começar o programa Presidentes Africanos”. Após a exibição, Franklin Martins revelou que suas viagens e entrevistas pela África, mostram que o ex-presidente Lula é uma figura recorrente nas conversas, e que hoje muitos africanos vêem o Brasil como um exemplo, como uma “África que deu certo”, que conseguiu superar muitos desafios que a África também enfrenta hoje. Murade Miguigy Murargy, embaixador de Moçambique no Brasil, fez um curto pronunciamento após o filme e também lembrou o ex-presidente. “O presidente Lula foi o grande arquiteto das relações que existem hoje entre Brasil e África. Sem a ousadia e a coragem dele, talvez não pudéssemos viver esse momento que vivemos agora”.

Africa em Foco Durante a apresentação a emoção tomou conta da maioria dos presentes entre os quais estavam o ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-ministra da SEPPIR, Matilde Ribeiro, o presidente da AFROCHAMBER-Câmara de Comércio Afro-Brasileira, Abel Silva Domingos, Paulo Okamoto, diretor do Instituto Lula, o presidente da Fundação Cultural Palmares, Elói Ferreira de Araújo, Maurício Waldman, catedrático de PUC|/SP, jornalista Antonio Lucio, Editor da BRASIL ANGOLA Magazine e Diretor de Comunicação da AFROCHAMBER, Luiz Dulci, ex-ministro no governo do Presidente Lula, Deputado Federal Edson Santos, Presidente da Frente Parlamentar Brasil-África, entre outros, além de estudiosos sobre a África, empresários, representantes de organizações e diplomatas de países africanos. Entre os convidados, também estava Jorge Chediek, coordenador-Residente do Sistema Nações Unidas no Brasil e Representante-Residente do PNUD. “O Brasil tem sido, não só para os africanos, mas para muitos países do Sul, um exemplo de como desenvolver política para melhorar a vida das pessoas. A demanda que recebemos no Pnud de países que querem entender melhor como funcionaram as políticas do governo Lula, que agora estão sendo continuadas com Dilma, é enorme”. Entre os objetivos do Instituto Lula está justamente ampliar a cooperação e o intercâmbio da sociedade brasileira com a África e a América Latina.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Agricultura, FAO, inaugurou, o seu primeiro escritório em Lisboa com o objetivo de auxiliar no combate à pobreza e à fome nos países membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissaú, Moçambique, Portugal, São Tomé e Principe, além do Timor Leste.

O ato de abertura do Escritório da FAO junto do Secretariado Executivo da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) teve lugar no dia 30 de Julho, na sede da CPLP. Este ato foi co-presidido pelo Senhor Secretário Executivo da CPLP em exercício, Eng.º Domingos Simões Pereira, e pelo Diretor-Geral da FAO, Prof. José Graziano da Silva. A decisão de acolher o Escritório da FAO em Portugal junto do Secretariado Executivo da CPLP foi adotada pela VII Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros do organismo, em 6 de Fevereiro de 2012. Os novos escritórios da FAO instalados em Lisboa vêm no seguimento da decisão tomada pelos ministros da CPLP na VII Reunião Extraordinária, em Fevereiro de 2012. Uma decisão que tem em conta o Acordo entre Portugal e a FAO, e que esta organização segue na sua missão de alargar a todos os países da CPLP, no âmbito da Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP. A Segurança Alimentar tem estado no centro da agenda política da CPLP, tendo a última Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que se realizou em Maputo, em Julho de 2012, sido sobre o tema ’A CPLP e os desafios da segurança alimentar e nutricional’.

Na inauguração dos novos escritórios da FAO, em Lisboa, José Graziano da Silva, Diretor-Geral da FAO, reforça a importância da estrutura junto da CPLP, referindo que esta “é mais uma iniciativa que agrega valor à criação da Estratégia Regional de Segurança Alimentar da CPLP e do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional, que foi agora retificado na Cimeira de Maputo”. Como ação imediata, a FAO comprometese a organizar até ao final do ano um relatório sobre o ponto da situação da Segurança Alimentar em cada um dos Estados-membros da CPLP, assim como, as metas a atingir num futuro próximo, para que venham a ser implementadas medidas coordenadas entre todos os países da Comunidade. José Graziano da Silva afirmou que uma das medidas “é conferir a todos os países uma base legal similar que permita os Estados nacionais atuarem na área da Segurança Alimentar”. E esclareceu ainda que: “a maioria dos países não tem leis porque a Constituição desses países não prevê que o Estado atue na área da Segurança Alimentar”. ‘O direito à alimentação é um direito básico como o direito à vida e os Estados nacionais precisam garantir esse direito a todos os cidadãos´, afirmou o Diretor da FAO. Em relação aos recursos para implementar o programa de Segurança Alimentar nos Estados

da CPLP, o Diretor-Geral da FAO diz: “são bastante pequenos”, na ordem dos “3 milhões de dólares e precisaríamos pelo menos cinco vezes mais do que essa quantia”. José Graziano da Silva reconhece que as realidades políticas e económicas dos países em todo o mundo são muito diferentes, verificando-se o mesmo no caso dos Estados membros da CPLP, e refere que “uma das coisas que a FAO está a fazer, e que também se aplica no caso da CPLP, é incentivar que haja uma colaboração mútua, bilateral entre os países e que a FAO seja um facilitador”. Neste sentido, “a FAO está a promover a cooperação Sul-Sul” e “grande parte dos países de língua portuguesa tem capacidade de prover ajuda técnica aos seus vizinhos, se tiver algum apoio para isso, o que facilita muito as coisas e diminui muito os custos” referiu o Diretor-Geral da FAO.

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Africa em Foco

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Fundação Cultural Palmares e Agencia Brasileira de Cooperação incentivam o intercâmbio entre o Brasil, países do Continente Africano e da América Latina no setor cultural A Fundação Cultural Palmares e a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores assinaram, no último dia 18 de julho, o Protocolo de Intenções e Programa de Parceria – Cooperação Sul-Sul Conexão Brasil-África. A iniciativa, com recursos no valor de 1 milhão de dólares, deverá estreitar laços culturais entre o Brasil e os países do continente africano e da diáspora africana na América Latina e Caribe, intercambiando saberes e tradições, além de ajudar a sistematizar a própria cultura afro-b De acordo com o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, todos os ambientes da atividade econômica estão muito bem representados em parcerias com países do continente africano. “Há a colaboração na área da saúde, com a Fiocruz; a Embrapa, com parcerias na área da agropecuária, está obtendo resultados extraordinários; temos conexões na área da tecnologia e da engenharia, com empresas construindo hidroelétricas, pontes e rodovias. Estava faltando a conexão cultural como elemento estruturante da relação e da confirmação das semelhanças entre nossas identidades, entre Brasil e África”, argumentou. De acordo com o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, todos os ambientes da atividade econômica estão muito bem representados em parcerias com países do continente africano. “Há a colaboração na área da saúde, com a Fiocruz; a Embrapa, com parcerias na área da agropecuária, está obtendo resultados extraordinários; temos conexões na área da tecnologia e da engenharia, com empresas construindo hidroelétricas, pontes e rodovias. Estava faltando a conexão cultural como elemento estruturante da relação e da confirmação das semelhanças entre nossas identidades, entre Brasil e África”, argumentou.

“A essência dessa estratégia é a cultura negra e afro-brasileira. Através dela, faremos uma ponte cultural com o continente africano para estabelecer uma colaboração técnica que vá ao

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encontro de políticas culturais para a formação de valores e para a transferência de tecnologia cultural como, por exemplo, o cinema negro, o artesanato e a capoeira”, explicou o presidente da Fundação Cultural Palmares. Para o diretor da Agência Brasileira de Cooperação, ministro Marco Farani, a cultura é o elemento simbólico mais profundo na relação entre as nações. “Com o programa, poderemos levar um pouco da experiência cultural brasileira e compartilhá-la com outros países. Uma experiência rica porque é fruto da intersecção e da sobreposição de várias culturas e também da miscigenação de povos. A experiência cultural brasileira é muito particular e é um ativo importante com o qual a gente tem que trabalhar no conjunto das ações de cooperação do Brasil”, disse. Segundo o ministro, há muito interesse de outros países nas tecnologias sociais e nas experiências que nascem na sociedade civil brasileira. “Há muita demanda também por essas experiências por parte de outros países”, contou.

Elói Araujo e Marco Farani Os principais elementos de cooperação, de acordo com Farani, serão os produtos e experiências da economia criativa, além do patrimônio imaterial. “O Brasil tem muito a oferecer, mas esses projetos de cooperação não são simplesmente financiamentos de eventos culturais. Basicamente, é uma interlocução a partir de interesses culturais brasileiros e de outros países no campo da construção de políticas públicas ou mesmo da construção de diálogos, a partir de determinada concepção de mundo expressada através dos produtos culturais”, explicou. No caso de países com economias menores e governos mais frágeis, o trabalho de cooperação, disse o ministro, pode também auxiliar o fortalecimento de instituições e o desenvolvimento de oportunidades no campo da cultura. “Nesse sentido, não estamos falando apenas de um diálogo cultural, mas de um trabalho de construção de capacitação técnica e de fortalecimento de instituições dos países no campo da economia criativa”, afirmou.

Edital Conexões Brasil-África O Edital Conexão Brasil-África é o primeiro instrumento de implementação do programa. Reconhecendo a contribuição do continente africano não só para a construção da identidade, como também para a construção dos processos criativos brasileiros, o edital tem como objetivo apoiar o desenvolvimento da economia criativa voltada à cultura africana e afrodescendente, vista como estratégia de desenvolvimento social, cultural e econômico. Serão selecionadas, para início de execução no próximo ano, propostas de projetos de cooperação técnica internacional com países africanos, latino-americanos e caribenhos. Instituições e organizações brasileiras que queiram participar poderão encontrar o edital e os formulários necessários para a inscrição, que vai até o dia 30 de novembro, no site www.palmares.gov.br/conexaobrasilafrica. Com a identificação de projetos por meio do edital e a partir de sua implementação, a continuidade do programa se dará tendo em vista seu aperfeiçoamento e a expansão do número de projetos e de países. “Isso é um trabalho em construção que está ligado à natureza da cooperação, nossa ideia não é transferir pacotes fechados, é haver uma troca e a elaboração dos projetos em conjunto entre as instituições brasileiras e dos países receptores”, explicou o diretor da Agência Brasileira de Cooperação. Seminário debaterá turismo de memória Eloi Ferreira de Araújo também chamou a atenção para a realização, entre os dias 20 e 23 de agosto, do Seminário Internacional Herança, Identidade, Educação e Cultura: Gestão dos sítios e lugares de memória ligados ao tráfico negreiro e à escravidão, no Museu Nacional da República, em Brasília. “Na linha de pesquisa da UNESCO, discutiremos identidade, herança, educação e gestão de lugares de memória ligados ao tráfico negreiro e à escravidão”, destacou. O seminário tem como base o projeto A Rota do Escravo, desenvolvido pela UNESCO, e é parte da preparação do plano de ação para a Década Internacional dos Afrodescendentes 2013-2022, declarada pela ONU. Com o apoio dos ministérios da Cultura, da Educação, do Turismo e das Relações Exteriores, estarão reunidos autoridades, pesquisadores e profissionais atuantes na preservação, na promoção e na produção de conteúdos pedagógicos sobre sítios de memória ligados à escravidão. Pretende-se, com o encontro, criar uma rede internacional de gestores de sítios de memória para o desenvolvimento das recomendações formuladas e elaborar um guia conceitual e metodológico, que deverá facilitar a instalação do turismo de memória em torno dos sítios, lugares, monumentos e museus ligados ao tráfico negreiro e à escravidão.


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SUA EMPRESA OU SEU CLIENTE NÃO PODE FICAR AUSENTE DA 7ª EDIÇÃO A República de Angola é o país cuja economia mais cresceu no mundo nos anos de 2010 e 2011, segundo dados de respeitáveis organismos internacionais. A próxima edição da BRASIL ANGOLA Magazine (Outubro/Novembro-2012), estará abordando em suas páginas o desenvolvimento econômico do país, onde a presença da classe empresarial brasileira é constante, nos seus 10 Anos de Paz e Desenvolvimento. ANGOLA – 37 ANOS DE INDEPENDÊNCIA

10 ANOS DE PAZ E DESENVOLVIMENTO É a sua oportunidade para ir de encontro ao seu público alvo, sequiosos em saber mais sua presença em Angola. Consulte-nos: Tels. 55-11 3104-9461 ++ 2836-7807

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História

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BRASIL 190 ANOS DA INDEPENDÊNCIA Câmara comemora os 190 anos da Independência do Brasil (1822-2012) com a Exposição Construtores do Brasil - Homens e Mulheres que ajudaram a fazer um grande País, a ser inaugurada na Semana da Pátria. A Câmara dos Deputados está reeditando a exposição Construtores do Brasil, composta por retratos de 25 personagens históricos que contribuíram para a formação e consolidação do País. Em 2006, o então presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, montou a exposição com imagens digitais, envelhecidas, exibida em outras cidades, além de Brasília. Em 2009, já sob a presidência de Arlindo Chinaglia, a Câmara reabriu a exposição e editou um catálogo com as biografias dos homenageados, que está disponível na Biblioteca Digital: http://bd.camara.gov.br/bd/handle/bdcamara/8566. A TV Câmara também produziu uma série de documentários sobre a história de cada um dos 25 personagens, cujo material está disponível no site da TV. Agora, em 2012, com o Presidente Marco Maia, os retratos foram pintados por 25 artistas, a convite da Câmara, em estilos e técnicas que atribuem também valor

artístico à coleção. A exposição será reinaugurada na Semana da Pátria, quando se comemora os 190 anos da Independência, e a curadoria é do ex-Presidente da Câmara, historiador e atual Ministro dos Esportes, Deputado Aldo Rebelo. As novas obras serão doadas ao acervo de bens culturais da Casa. São diferentes estilos: todos os quadros têm particularidades muito significativas, seja na trajetória dos artistas, seja na proposta didática da pintura, seja na técnica utilizada. A seguir, os artistas e suas respectivas obras: · Óscar Ramos (AM): índio Ajuricaba (Herói da Resistência Indígena); Hamilton Gondim (CE): Almirante Tamandaré (Patrono da Marinha) Catarina Gushiken (SP): Anita Garibaldi (Heroína de Dois Mundos); José Geraldo Fajardo (RJ): Barão do Rio Branco (Patrono da Diplomacia); Urbano Villela (RS): Bento Gonçalves (Chefe da Revolução Farroupilha); Flávio Tavares (PB):Deodoro da Fonseca (Proclamador da República); Fernando Gurgel (RN) - Dom Pedro I (Proclamador da Independência); Titina Corso (RJ); Duque de Caixas (Patrono do Exército); Otoniel Fernandes Neto (CE): Filipe Camarão (Índio

Poti – Chefe Guerrilheiro Indígena); Heriberto Rebouças (CE): Floriano Peixoto (Consolidador da República); Romero Britto (PE): Frei Caneca (Ideólogo da República); Elifas Andreato (PR): Getúlio Vargas (O Modernizador); Marysia Portinari (SP): José Bonifácio (Patriarca da Independência); Darlan Rosa (MG): JK (Presidente do Otimismo); Henrique Gougon (MG): Luís Carlos Prestes (Cavaleiro da Esperança); Tony Lima (PI): Maria Quitéria: Heroína da Independência; Paulo Acencio (BA): Padre Manuel da Nóbrega (Missionário-Estadista); Henrique Passos (BA): Pedro Álvares Cabral (O Descobridor); Ueliton Santana (AC): Plácido de Castro (Líder da Conquista do Acre); Yara Tupynambá (MG): Princesa Isabel (A Redentora); Christina Oiticica (RJ): Raposo Tavares (Definidor das Fronteiras); Jocelino Soares (SP): Índio Tibiriçá (Fundador de São Paulo); Carlos Bracher (MG): Tiradentes (Mártir da Independência); Juarez Venâncio (MG): Zumbi dos Palmares (Herói da Resistência à Escravidão). Roberto Ploeg (holandês, mora em Olinda): Henrique Dias (Herói da Guerra aos Holandeses); · Informações: (61) 3215-8083/8081

A CONTRA - ROTA BRASILEIRA DA ESCRAVATURA - Dinamica Integrativa e Nova Cidadania em Angola * Simão Souindoula

Um dos movimentos, o mais significativo, voluntariamente, organizado, na história da humanidade, nos últimos seculos, foi, sem dúvida, o intenso trafico negreiro transatlântico. E, o Novo Mundo tornou-se um verdadeiro inferno para os cativos. Esta situação provocou a tomada de centenas de iniciativas de retorno e instalação em Africa, sobretudo a partir do seculo XIX. E, assim que vários regiões da Africa ocidental, receberam centenas de milhares de oprimidos, alforriados ou não, saídos das Américas e Caraíbas, em territórios tais como, no Alto Guine, (a Libéria e a Serra Leoa) e no Golfo de Benim (o Togo, o Benim e a Nigéria). Este movimento foi, igualmente, registado em Angola. IMPORTANCIA - O estudo, pouco desenvolvido, deste retorno afro-brasileiro e, portanto, historicamente, interessante; se estivermos em conta as particularidades do relacionamento entre a Colonia de Angola e o Reino do Kongo e o Brasil. E, a justo titulo, que as terras da Rainha Nzinga foram qualificadas de “província portuguesa do Brasil”. E, assim que, nos anos 1840, 75% das exportações da Colonia, vão para o subcontinente alem-Atlântico. Milhares de colonos luso – brasileiros, brancos, instalaram-se, sobretudo nas zonas meridionais do território, mas, igualmente, nas áreas como nos Dembos, em 1862, onde desenvolveram a cultura do algodão e café. A ambição da administração colonial era de replicar a notável expansão agrícola brasileira em Angola. Entre 1849 e 1850, Moçâmedes, Benguela e Luanda, recebem mais 1000 colonos brasileiros leucodermes, vindos, nomeadamente, de

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Pernambuco, Rio de Janeiro e Bahia. Este aporte constituía cerca de ¼ da população branca do territorio. LWIMBALI/VIMBALI - Esses imigrantes eram acompanhados dos seus escravos ou trabalhadores assalariados, os Lwimbali ou Vimbali, “aqueles que andam com os brancos”. Irritados pela escravidão e cheios de energia e ousadia, alguns afro-brasileiros cumpriram, a viagem, oeste-leste do Atlântico, por conta própria. Esta componente que constitui “Os que regressaram”, e que vai refazer o quadro arquitetural de “Casa Grande e Senzala”, dedicar-se ao cultivo do algodão e da cana-de-açúcar, fixar pinturas de baús, organizar ex-votos, abrir e gerir tabuletas comerciais, exibir bandeiras de santos e estandartes de clubes de carnaval, configurar os seus cemitérios com esculturas, coloridas, bastante particulares, influencia vinda do Nordeste do Brasil. NEO-CABINDENSES - A contra – corrente atlântica, oeste-leste, humana, fez-se sentir, também, nas entidades de Ngoyo, Kakongo e Loango. Há, ai, registos de famílias compostas por libertos provenientes do Brasil e das Caraíbas. Houve evolução bastante particular - casos de descendentes de chefes tradicionais do atual enclave, que es-

tudaram em Rio de Janeiro e que regressaram a terra natal. Foi o caso, em 1784, do Manfuca Franque Kokelo com o seu filho Francisco Franque e, em 1810, do Príncipe Puna. UMA HISTORIA A DISSECAR A Angola colonial exprimiu, invariável e claramente, correntes favoráveis, a aliança com o gigante sul-americano, sobretudo depois da declaração da sua independência em Setembro de 1822. Seria, então, interessante, analisar a historia da instalação e inserção dos afro-brasileiros em Angola; avaliar a sua contribuição no desenvolvimento das culturas comerciais; estudar o seu papel na extensão do comércio geral; examinar a sua fusão na população autóctone; apreciar o seu grau de influência social, económica, administrativa, politica e cultural. Seria, igualmente, útil, examinar o protagonismo histórico dos descendentes afro-brasileiros no nacionalismo moderno e na luta de libertação nacional, remontar algumas estruturas genealógicas; e determinar a sua influencia na particularização das atuais relações entre Angola e Brasil. Algumas pistas cientificas deste reexame histórico poderão ser encontradas em varias obras tais como a de Mõnica Lima e Souza , professora na UFRJ e autora da Tese “Entre Margens: o Retorno à África de Libertos no Brasil, 1830-1870” (UFF, 2008)ou a da Silva, Alberto da Costa e, Um rio chamado Atlântico. A África no Brasil e o Brasil na África, publicada no Rio de Janeiro, na editora Nova Fronteira, UFRJ, em 2003.

* Historiador e Perito da UNESCO


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Meio Ambiente

ANGOLA: A ECOLOGIA POLÍTICA DAS ÁGUAS DOCES Angola é presença obrigatória na pauta dos estudiosos do continente africano e da conjuntura mundial. Isto em razão de múltiplas variáveis, dentre estas, as relacionadas ao seu proeminente enquadramento geográfico (Figura 1).

FIGURA 1: Angola e o continente africano Neste recorte, além da imponente extensão do país, 1.246.700 de km² (23ª posição mundial e 5ª na África), sua própria localização, associando as Áfricas Austral e Central, lhe postula um papel continental de destaque. Igualmente, seria meritório contabilizar a biodiversidade angolana, suas vastidões agricultáveis e os recursos do subsolo. Por que não conferir: Angola é rica em ferro, chumbo, ouro, cobre, prata, platina, estanho, urânio, fosfatos, mica, cal, magnésio, diamantes e petróleo. No tocante aos hidrocarbonetos, a projeção crescente da produção petrolífera angolana se une ao revigoramento dos trajetos marítimos que articulam as regiões do Índico e do Golfo da Guiné aos países do Hemisfério Norte através da Rota do Cabo e do Atlântico. Esclareça-se que nos dias que correm, o Oceano Atlântico é uma hidrovia marítima pela qual transita fração magistral da energia consumida pela Europa e EUA. Nada menos que 66% do petróleo europeu e 26% do norte-americano. Não fosse suficiente, a exploração do ouro negro do Golfo da Guiné, escorada em reservas comprovadas de 60 bilhões de barris de petróleo, tende a usufruir o melhor dos esforços do mundo dos negócios. Dito de outro modo, Angola integra uma realidade que antevê a transferência do espaço supridor de hidrocarbonetos para o mercado mundial - situado desde finais do século XIX no Oriente Médio - para a fachada africana do Atlântico. Essa tendência vê-se favorecida pela estabilização de horizonte político continental e pelos baixos teores de enxofre do óleo da região, tornando-o uma commodity apreciada numa época assediada pela crise ambiental.

Assim, a sinergia que anima essa fatoração realça Angola de um modo muito positivo, tanto em razão de um contexto no qual o mercado de commodities se afirmou como fator crucial na engenharia econômica global, quanto em termos da política internacional e das relações multilaterais travadas no continente africano. A realidade parece estar conspirando em tempo integral em favor de Angola. Aliás, fato que encontra comprovação nos formidáveis índices de crescimento econômico do país. Por outro lado - sem perder de vista os pressupostos que terminamos de alinhavar - a intenção deste texto é discutir uma nuança fundamental que não tem recebido a devida atenção por parte dos especialistas. Estamos nos referindo às águas doces de Angola, tema que é óbvio, se entrelaça com a problemática mundial dos recursos hídricos. Como se sabe, a água é recurso natural essencial. Ela constitui componente indispensável para a vida. Também é indissociável de toda e qualquer atividade humana. Ao mesmo tempo, o consumo hídrico da sociedade moderna - que se expandiu consideravelmente - se defronta cotidianamente com o acirramento da exigüidade do líquido, uma crise que se aprofunda a cada dia que passa. Apenas esse aspecto justificaria redobrada atenção para os mananciais angolanos. Com efeito, embora o patrimônio hídrico de Angola seja menor do que a República Democrática do Congo (RDC) - país vizinho que detém um dos maiores reservatórios de água doce do globo - a rede hidrográfica angolana é indiscutivelmente rica, majestosa e abundante. No contexto africano - juntamente com o Gabão, Mali, Chade, RDC, Camarões e a República do Congo - Angola se apresenta como detentora de uma das maiores disponibilidades per capita do líquido no mundo. Isto é: o país desponta como um provedor mundial de água doce. Disto se infere que os recursos hídricos angolanos ocupam nexo central na equação dos rumos a serem seguidos pela nação, no curto e no longo prazo. Nesta perspectiva, as águas de superfície angolanas se inserem numa especialíssima configuração geográfica, emprestando-lhe notável inserção geopolítica regional. Recorde-se que no tocante à África Austral, estamos diante de uma problemática hídrica perpassada por crispante conjunto de dilemas. Nos anos setenta e oitenta do século passado, essa região do continente - vista como uma hipotética “África Branca” aos olhos do extinto regime do Apartheid - assistiu a conflitos pelo controle das águas fluviais fronteiriças. De resto, a existência de interesses não necessariamente compatíveis entre si no tocante ao acesso à rede hidrográfica tem reatualizado a questão no âmbito de toda a África Austral. Hoje, a literatura geográfica entende como África Austral um espaço de cooperação regional. Trata-se da Comunidade de Desenvolvimento

da África Austral ou então, do Southern African Development Community, origem do acrônimo SADC, largamente utilizado pela mídia e pelos especialistas (Ver Figura 2). Espaço polarizado pela República Sul-Africana (RSA), este grande bloco regional tem como um dos seus temários mais sensíveis o referente aos recursos hídricos.

FIGURA 2: Países membros do SADC (Fonte: World Bank) Neste cenário, uma notação essencial é que 70% das águas regionais são compartilhadas por no mínimo dois Estados soberanos. Nesta averbação se incluem bacias hidrográficas de influente expressão geo-espacial. A rigor, este seria o caso das redes fluviais dos rios Congo (ou Zaire), Ocavango, Zambeze, Cunene, Cuvelai, Limpopo e Orange. Tornando a avaliação mais complexa, existem problemas de certo vulto reportando ao descompasso na oferta natural de água doce. Ao lado de rios caudalosos, a região atesta a presença de desertos como o do Kalahari e de áreas semi-áridas, brindadas com pluviometria inferior a 200 mm/ano. Assim, o agravo da aridez é encontrado em amplas superfícies da RSA, Namíbia, Botswana, Zimbabwe, Lesotho, Suazilândia e Moçambique. Lembrando-se que a SADC é um dos pontos de apoio do espaço mundial globalizado cujo expoente matricial seria em princípio a economia sul-africana - isto predispõe a África Austral a empreendimentos econômicos potencialmente devoradores de água. Nesta via estão incluídos o agro-business, a mineração, hidroeletricidade e mais recentemente, a produção de biocombustíveis. Mas, embora as demandas crescentes de água pela economia não sejam recentes e tampouco, a desigualdade que perpassa na apropriação do líquido, prognósticos apontam para o agravamento dessa tendência. Prova disso são os manifestos conflitos pelo uso de águas compartilhadas, explicitados em muitos pontos do SADC. As disputas são recorrentes nos cursos do Ocavango, Cunene e Zambeze, bacias internacionais que se tornaram alvo de interesses e objetivos divergentes. Para completar, não há como

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Meio Ambiente esquecer contextos nos quais o acesso à água está conotado pelo status de privilégio. Para as minorias economicamente afluentes, não existe escassez de água. Mas não é exatamente essa a realidade para grupos socialmente excluídos. Neste sentido, a situação usufruída por Angola é singular. Um dado essencial é o Planalto do Huambo. Situado no centro de Angola, essa obra natural abriga as nascentes de muitos rios e afluentes (Figura 3). Dentre os cursos fluviais com origem no planalto estão, além do Cuanza (cujo curso é exclusivamente angolano), o Cuango, Cuando, Ocavango, Zambeze, Zaire e o Cunene, cujas águas penetram nos países vizinhos. Em face de tal peculiaridade, a área é conhecida como a Caixa d’água de Angola, aferição passível de ser transposta para a África Austral como um todo.

FIGURA 3: Região central de Angola e as nascentes das redes hidrográficas Assim, geograficamente Angola está a cavaleiro dos fluxos de drenagem, garantindo-lhe papel-chave na gestão da rede hidrológica regional. Declinação geopolítica que se impõe por si mesma, o país possui a maior capacidade hídrica dentre os países membros do SADC e abriga no seu território as nascentes de quatro dos oito maiores cursos de águas compartilhadas da África Austral. Adiante-se que justamente essa região tem sido proposta para abrigar a nova capital do país, uma espécie de “Brasília angolana” postada não só no centro do país, como de igual modo, no cerne da rede hidrográfica que escoa para os países vizinhos. Neste contexto, um claro sinal da disposição angolana em afirmar-se no teatro da África Austral é sua postura diante do Protocolo sobre o Sistema de Cursos de Águas Partilhadas da região do SADC, concertado em Johanesburgo em 1995. Este tratado, cuja intenção é aparar atritos com base em projetos de integração regional relacionados com segurança alimentar e geração de energia, foi endossado pela RSA, Botswana, Lesotho, Malawi, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbabwe. Mas por Angola, apenas em 2003. É importante frisar o fato de que Angola ter adiado a assinatura do Protocolo de Águas Partilhadas do SADC até 2003, explicita pontua-

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Brasil Angola Magazine | Agosto/Setembro de 2012 ções discordantes, permitindo visualizar um possível jogo de pressões no espaço regional, firmado na portentosa capacidade hídrica do país. No que antecipa contradições futuras - e simultaneamente confirma a correlação entre água e poder nas relações multilaterais não só na África Austral como no conjunto do mundo atual - a posição angolana no plano interno do SADC pode ser apreciada na perspectiva do país ganhar tempo para chegar às suas próprias formulações de política hídrica. Ademais, evidencia o prestígio institucional de facto das doutrinas de soberania territorial para o gerenciamento dos recursos hídricos presentes no território controlado por um Estado soberano. Paralelamente, deve-se admoestar que este cenário solicita reparos quanto à visão apologética da RSA, cuja performance é passível de correções. Certo é que a África do Sul é o principal país da região e que sua engrenagem econômica é a mais dinâmica de todas. Mas as ressalvas existem e são merecedoras de registro. Sobre a RSA, recorda o Professor Fernando Mourão, eminente africanista brasileiro: “As grandes reservas de água estão em Angola e as bacias hídricas, ficam em Angola e na África Central. A produção de ouro, emblemática do país, está limitada pelo custo de exploração. A imagem da África do Sul, tão bem trabalhada por sua excelente diplomacia, colocou o país num patamar elevado, o que não deixa de ser real. Mas esconde as suas fragilidades, ao que se acrescenta o delicado problema social” (Intenções e Concretudes, 2010, páginas 6-7). Outro detalhe é que Angola, que igualmente integra a África Central, seria mais bem definida como país de transição. Note-se que o conceito de África Central adota por referência a Comunidade Econômica dos Estados da África Central, ou Economic Community of Central African States (ECCAS), organismo de cooperação regional no qual Angola tem participado com desenvoltura nas frentes diplomática e econômica (Figura 4). Economicamente, em que pese a menor expressão do ECCAS frente ao SADC, o bloco apresenta para Angola considerável atrativo e oportunidades de expansão do comércio, assim como mercado para sua incipiente indústria de transformação. Tal asserção é especialmente verdadeira para a RDC, país com o qual Angola mantém laços estreitos, passíveis de vitaminar o parque fabril angolano. Para arrematar, o ECCAS reúne países com grande volume per capita de água doce - Chad, Camarões, Gabão, RDC e a República do Congo - o que certamente tende a repercutir na política hídrica nos espectros regional e continental. Nesta sequencia, desde o fim da guerra civil (2002), Angola se destaca por suas altas taxas de crescimento e investimentos provenientes do exterior. Não fosse suficiente, está previsto que até 2016, Angola estará competindo a sério com a RSA - atualmente a maior economia do continente - no comando do dinamismo econômico regional. É o que revela relatório do Economist Intelligence Unit (EIU). Deste modo, uma vez agraciada com amplo leque de riquezas naturais, Angola, mesmo não se comparando com

a RSA numa pauta meramente econométrica, pode posicionar-se como contraponto à magnitude sul-africana. Por sinal, Angola dispõe de variado rol de conexões diplomáticas, atuando simultaneamente no espaço do SADC e do ECCAS. Para qualquer observador isento, fica óbvio que o país valoriza, até por questões da sua história recente, o peso das relações internacionais. Nesta senda, Angola tem investido nos vínculos inerentes mantidos com os países de língua portuguesa. Dentre estes, particularmente com o Brasil. Isto, sem contar o prestígio do exército angolano, um fator decisivo para que junto com Zimbabwe e Namíbia, Angola interviesse em 1998 para defender o governo legal da RDC, garantindo a pacificação da África Central

FIGURA 4: Países membros do ECCAS (Fonte: World Bank) Angola é um país que tem superado dificuldades gigantescas e que trabalha incessantemente para construir-se enquanto um Estado africano livre, moderno e atuante. Disposição esta que tem na água uma das suas estacas mais desafiadoras. Fato a ser avaliado em futuro próximo pensando-se a repercussão de sua política externa, o dinamismo da sua economia e as expectativas que se colocam na sua inserção regional. Aspectos que requerem acompanhamento, estudos pontuais e avaliações de longo prazo.

Por Maurício Waldman Colaborador do Centro de Estudos Africanos da USP. PósDoutor pelo Instituto de Geociências da UNICAMP e Pos Doutorando em Relações Internacionais na USP com pesquisa centrada em Angola (Financiamento da FAPESP). Autor de vários livros, dentre os quais Memória D’África – A Temática africana em sala de aula (Cortez Editora, 2007).


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Economia

ANGOLA, o crescimento econômico célere de um país *Cristina Rodrigues

“Ser mulher em África é difícil, mas uma benção porque a mulher é a força do desenvolvimento em África” No instante em que os organismos internacionais como o FMI chamam atenção do mundo para o crescimento econômico de alguns países africanos, não poderia iniciar este texto, sem deixar de lembrar que a economia informal que integra uma parcela deste crescimento, está nas mãos de mulheres aguerridas que comandam estas atividades em solo africano, com a frase acima referenciada, da mulher batalhadora Maria Françoise Affoua, presidente do Centro de Cooperação com a Mulher Africana (CODAF), em cerimônia alusiva ao Dia da Mulher Africana, realizada em Luanda, pela Organização Panafricana das Mulheres, em 31 de julho último. A economia angolana tem obtido um dos maiores índices de crescimento do mundo, com uma média de 12% entre 2005 e 2012 e um pico de 23,2% em 2007, apesar de nos últimos anos, com a crise internacional e um decréscimo acentuado das receitas petrolíferas, as taxas do crescimento terem diminuído, mas o governo angolano prevê para 2012 uma taxa de crescimento para 9,8%, números que ficam acima das projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Angola, segundo o relatório “Para dentro da África: Oportunidades de Negócios emer-

gentes”, divulgado em julho passado, até 2016 deverá ultrapassar, a África do Sul, atualmente a maior economia do Continente Africano. O relatório da Economist Intelligence Unit (EIU), destaca que um grupo dentro dos 54 países africanos está crescendo muito mais rápido que a maioria de qualquer outros no mundo e que os investidores devem acordar e participar do enorme potencial da região. O Brasil que entendeu o recado do organismo internacional, procura, a cada dia, alavancar mais as oportunidades de exportações dos seus produtos e serviços para uma considerável parcela dos países africanos, seqüenciando os trabalhos de aproximação e busca de intercâmbios com o empresariado do continente, iniciados pela AFROCHAMBER – Câmara de Comércio Afro-Brasileira, que neste ano completa 40 anos de atividades ininterruptas e hoje são efetuados em parcerias ou não de órgãos governamentais e entidades como o Ministério das Relações Exteriores, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, FIESP, Associação Comercial de São Paulo, APEX-BRASIL, SEBRAE, Câmara de Comércio Exterior, todos localizados no Brasil, entre outros, assim como organismos internacionais como a União Africana e o NEPAD – Nova Parceria para o Desenvolvimento da África, Câmaras de Comércio e a diplomacia africana de vários países. Os contatos do empresariado brasileiro com o empresariado de países africanos, podem ser iniciados através encontros, seminários ou feiras internacionais que se realizam no Brasil ou no Continente Africano, como a tradicional FILDA (**), em Angola, sempre apoiada pela APEX – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, cuja última edição, em julho último, mais uma vez contou com a presença de empresas brasileiras e a FACIM,

promovida em Moçambique. Outros eventos serão realizados ainda neste ano em países do Continente Africano, como a Nigerian International Investors Forum, em outubro, Mozambique Investment Forum, em novembro ou a tradicional Foire Internationale de Lome (Feira Internacional de Lomé – 2012, que chega à sua 10ª Edição em novembro/dezembro próximos, como mais uma oportunidade para os empresários brasileiros promoverem contatos com a classe empresarial de 15 países membros da CEDEAO - Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (***), onde vivem cerca de 300 milhões de habitantes, participantes do evento promovido na República do Togo. Angola, considerado como o principal país coirmão de língua portuguesa do Brasil, que abriga em seu território grandes, médias e pequenas empresas brasileiras ou de empresários brasileiros que lá estão e realizam trabalhos em parcerias com empresários angolanos, destacando-se neste contexto o Grupo Odebrecht, Petrobrás, Camargo Corrêa, Queiróz Galvão, entre outras, desponta hoje como um dos 10 maiores compradores de produtos e ou serviços brasileiros no mundo, como bens alimentícios, matériais de construção, tratores e equipamentos agrícolas, além de transferência de tecnologias que se adaptam ao processo de desenvolvimento angolano, principalmente em função da similaridade climática com o nosso país. A corrida para participar do crescimento econômico e desenvolvimento angolano está em plena marcha e o Brasil, que tem história com a República de Angola, desde os primórdios do processo de busca da Independência do país irmão, não pode e não deve sair ou perder o bonde que caminha célere nesta sua nova fase.

* Economista

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Economia

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Empresas brasileiras fazem bons negócios na FILDA: Feira Internacional de Luanda As 22 empresas brasileiras que participaram da 29ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), realizada entre os dias 17 e 22 de julho na capital angolana, fizeram 631 contatos de negócios e fecharam vendas no valor de US$ 32,42 milhões em função da participação no evento. Organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o Pavilhão do Brasil reuniu empresas dos setores de alimentos e bebidas, casa e construção e máquinas e equipamentos que apresentaram produtos diversificados, tais como carnes, pescados, sucos de frutas, doces, chocolates, implementos e máquinas agrícolas, metais sanitários, utensílios domésticos e ônibus. O apoio da Apex-Brasil à participação brasileira na FILDA ocorre desde 2003. Em 2012, com o objetivo de ampliar os contatos de negócios entre as empresas brasileiras e os compradores angolanos, a Agência organizou reuniões de negócios com os principais importadores do país entre os dias 17 e 20 de julho. “Para nós, Angola é um mercado relevante que oferece diversas oportunidades, seja para exportação seja para desenvolvimento de parcerias com empresas locais. A participação na FILDA e a realização de rodadas de negócios durante o evento constituíram formas de aumentarmos a nossa exposição no país, fazermos novos contatos e ampliarmos as possibilidades de negócios”, afirma Mauricio Borges, presidente da Apex-Brasil. “Durante a FILDA, tivemos o apoio fundamental da Apex-Brasil na organização das agendas de negócios nos escritórios das empresas angolanas. A Agência também proporcionou uma ótima estrutura em termos de estandes e serviços ao exportador. A Chocolates Garoto possui marcas que se comunicam muito bem com o consumidor angolano. Nossa linha de produtos foi reformulada, e apostamos no potencial da Feira e deste país”, comenta Ricardo Rocha, gerente de exportação da Chocolates Garoto. “Nós entendemos que Angola e o continente africano têm uma necessidade de expansão que envolve diretamente o agronegócio. Por isso, acreditamos que podemos expandir nossos negócios neste mercado”, comenta Enrique Salazar, gerente de vendas de exportação da AGRIMEC, fabricante de máquinas agrícolas. A FILDA reúne, desde 1983, empreendedores de países da África, da América, da Europa e da Ásia que expõem produtos e serviços e estabelecem contatos de negócios.

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Oportunidades de mercado As estatísticas de comércio com Angola são positivas: o país, cujo PIB deve crescer a uma média de 9,2% ao ano até 2014 (segundo estimativas do FMI), atualmente importa US$ 14,1 bilhões ao ano, valor que teve um crescimento médio de 12,8% ao ano entre 2005 e 2010. As exportações brasileiras para Angola passaram de US$ 521,3 milhões em 2005 para US$ 1,073 bilhão em 2011. Estudo da Apex-Brasil sobre o país identificou boas oportunidades para as empresas brasileiras dos segmentos de alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos e casa e construção. De acordo com o estudo, o Brasil já responde por 39% das importações angolanas de alimentos e bebidas, que chegaram a US$ 1,145 bilhão em 2010. Já no segmento de máquinas e equipamentos, Angola importou um total de US$ 785 milhões em 2010, e o Brasil respondeu por 14% deste total. Por fim, no complexo de casa e cons-

trução, o país importou US$ 223 milhões em 2010, sendo que 10% desse total foram vendidos pelo Brasil. Relações comerciais Brasil-Angola Em 2011, segundo dados do MDIC, o Brasil exportou US$ 1,07 bilhão para Angola, valor 13,37% mais alto do que o do ano anterior. Em 2012 (de janeiro até maio), o Brasil exportou US$ 410 milhões para Angola, valor 14,4% maior do que o do mesmo período do ano passado. Para o continente africano, o Brasil exportou US$ 12,2 bilhões em 2011, 31,99% a mais do que no ano anterior. As exportações para Angola, em 2011, corresponderam a aproximadamente 9% do total vendido para o continente.

APEX- BRASIL e a FILDA Importância do mercado Angolano para o Brasil e perspectivas para as próximas edições tunidades são para produtos cerâmicos, obras de metais; madeiras, cortiças.

A participação do Brasil na FILDA é muito importante porque, além da geração de oportunidades para empresas de diversos setores, nos permite promover um espaço institucional que mostra um Brasil de economia diversificada e com tecnologias avançadas em setores estratégicos tais como: agronegócios, telecomunicações, automação bancária, sustentabilidade, tecnologia área, ainda desconhecido pelos profissionais angolanos. O mercado angolano oferece grandes oportunidades para as exportações brasileiras, principalmente para produtos dos setores de alimentos e bebidas e agronegócios, tais como carnes (bovina, suína e de aves), preparações alimentícias, cereais, leite e laticínios, vinhos, vinagres, peixes e crustáceos. Nos setores de máquinas e equipamentos as oportunidades são para materiais elétricos, eletrônicos, máquinas e motores; veículos automotores e autopeças e no setor de casa e construção, as opor-

A Apex-Brasil mantém em Luanda um Centro de Negócios, que presta serviço de apoio técnico e logístico ao empresário brasileiro que tem ou pretende ter negócios com países africanos, não apenas Angola. Em dezembro de 2011, a Apex-Brasil e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) promoveram uma missão comercial ao sul da África. A comitiva de 53 empresas brasileiras passou por Moçambique, África do Sul e Angola e rendeu negócios estimados de US$ 122 milhões. Nas próximas edições da FILDA, manteremos a organização de reuniões de negócios com empresas angolanas fora do recinto da feira, pois uma parcela significativa de compradores angolanos não visitam a feira. A FILDA também é importante oportunidade para que as empresas brasileiras mostrem o “empreendedorismo brasileiro”, inclusive com demonstração (treinamento/capacitação) sobre a utilização dos produtos e serviços oferecidos. É importante também que o Pavilhão do Brasil mantenha sempre uma infraestrutura que seja visualmente bonita e atrativa, pois o visitante angolano em geral aprecia uma boa apresentação.


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DEPOIMENTOS DE EMPRESÁRIOS BRASILEIROS A AGRIMEC foi uma das empresas participantes da FILDA 2012. Compartilhamos novos relacionamentos comerciais em um ambiente bem projetado. Angola se apresentou ao mercado com muitos atributos e atrativos econômicos. Mais de 30 países do mundo inteiro estiveram presentes, reforçando a tendência do surgimento de novos países, não tradicionais e com economia robusta e em expansão. Isto acontece para que Angola contribua efetivamente para a celebração de parcerias e para o reforço do desenvolvimento empresarial e econômico. “Agrimec recebeu no seu stand, no Pavilhão Brasil, a visita de aproximadamente 100 interessados entre agricultores e possíveis distribuidores do ramo agro angolano. Estes demonstraram um grande interesse pela tecnologia de ponta com a qual a Agrimec lidera o mercado nacional no que diz respeito a linha arrozeira e ainda distribui para 19 países.” Cientes da necessidade de que Angola deve superar a produção de 200 mil toneladas de arroz e que cujo consumo hoje chega a 600 mil toneladas, iniciamos há três anos a comercialização de nossos implementos para Angola. A Agrimec ainda oferece implementos direcionados para irrigação, plantio, fenação, colheita, terraplanagem, pós-plantio e também para a linha canavieira, com o Multicultivador e Pulverizador canavieiro sob palha, o Quebra-Lombo Rotativo e a Plaina Niveladora Mutlilâminas. A FILDA tem se tornado um importante evento no calendário das empresas brasileiras que tem pretensões de “criar raízes em Angola”. Essa é a conclusão da RAZZO em seu segundo ano consecutivo de participação. Participamos dessa que é a principal Feira Internacional do Ano em Luanda para mostrar que também acreditamos em Angola, um país que tem grandes oportunidades de crescimento, em todos os setores. Angola caminha para ser a principal economia do continente africano e não queremos desperdiçar a oportunidade de ocuparmos o nosso espaço. A similaridade do idioma (português) e costumes têm aproximado cada vez mais os povos Angolanos e Brasileiros, esses são alguns dos principais motivos que vem nos incentivando a investir localmente. “A Filda mais uma vez nos proporcionou uma aproximação ainda maior com nossos clientes, melhorando a nossa sintonia e entendendo ainda mais as necessidades dos nossos parceiros locais. Nessa edição avançamos para fechar parcerias com todas as principais redes de supermercados e grossistas (atacados), consolidando o nosso projeto de nos tornar um dos principais lideres do seguimento de higiene e limpeza no mercado Angolano”. Luiz Magno Esta foi a primeira participação da ASTRA como expositora na FILDA. Queríamos divulgar a marca Astra e encontrar um parceiro/distribuidor local, já que atualmente as vendas da Astra para a Angola são feitas através de um terceiro. Durante a feira, pudemos perceber que o nosso produto tem potencial no mercado angolano. Recebemos muitas visitas, inclusive de alguns investidores. Atualmente estamos desenvolvendo um trabalho com os clientes prospectados, mas ainda não temos dados sobre negócios para divulgar. Em 2011, as vendas para a África representaram aproximadamente 5% das exportações, nestes cálculo não estão computados as vendas para Angola, pois estas vendas são feitas por uma empresa brasileira terceirizada. “A Iceport é um armazém frigorífico com capacidade para 16 mil posições pallets que realiza, além do armazenamento, o manuseio e a

consolidação de carga congelada. Pertencente à Portonave S/A – Terminais Portuários de Navegantes, e a operação da Iceport é integrada ao terminal portuário, o que proporciona facilidades para produtores, importadores e exportadores. A Iceport também atua como trading company, oferecendo soluções completas que integram gestão e logística nacional e internacional, como transporte rodoviário e marítimo, liberação aduaneira. A trading tem atuação mundial na comercialização principalmente de alimentos congelados e busca ampliar a participação no mercado africano, que apresenta um crescimento muito forte na demanda por alimentos. Esta foi a primeira participação da Iceport no evento. A experiência de participar da FILDA foi muito válida porque a empresa teve a oportunidade de conhecer novos clientes e entender o funcionamento do mercado de carnes local, o que pode maximizar as oportunidades de negócios. Os negócios ainda estão em fase de inicial, uma vez que o principal objetivo da feira é promover o primeiro contato entre as partes para o desenvolvimento de estratégias de atendimento às necessidades especificas do cliente africano. A participação da Iceport hoje é muito pequena no mercado Africano, mas as oportunidades criadas são promissoras para o segundo semestre 2012.” A METALURGICA TURBINA participa da FILDA pela terceira vez, e vislumbrando no mercado Angolano como uma economia emergente, principalmente para o mercado que atua como máquinas para serração, não poderia ficar de fora deste grandioso evento. Como nas outras edições a FILDA /2012 atendeu as expectativas , mesmo tendo um produto que não se vende diretamente em eventos como este temo certesa que serão feitos negócios no futuro. Hoje o mercado africano, incluindo Angola,representa 5% ( cinco por cento) das vendas externas da Metalúrgica Turbina. “Prospectar importadores para os negócios em Angola e países vizinhos motivou a Docile, maior produtora de pastilhas da América Latina e segundas no ranking de balas de goma no Brasil, a participar pela primeira vez da Filda, em 2012. O mercado africano representa 20% das vendas externas da marca e buscamos aumentar nossa presença na região, firmando parcerias com novos clientes. Tivemos uma ótima experiência e nosso objetivo na feira foi alcançado. Além da parceria com um cliente em Angola, a Docile inicia, a partir de setembro deste ano, embarques regulares, expandindo os negócios na África.” Afirmou Bruna Lautert - Coordenadora de Exportação da Docile. A Marcopolo marcou presença no Pavilhão Brasileiro da Filda 2012, onde recebeu a visita de empresários do segmento de transportes. Segundo Rodrigo Pikussa, diretor comercial de exportação, Angola passa por um momento de melhoria nas estradas e infraestrutura, e portanto, muitos clientes “prospects” visitaram o nosso stand em busca de informações e know How. Entre outras autoridades locais, a Marcopolo foi prestigiada por Ministros de Estado e pelo Vice Presidente da República, Dr. Fernando da Piedade Dias dos Santos. O assunto que mais está em pauta em Luanda é a implantação do sistema BRT. A empresa também estará presente na Expotrans que ocorre em novembro desde ano.

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DIA DO HEROI NACIONAL A MARCHA A NAVALHA DE AGOSTINHO NETO È, a tela de fundo de uma vintena de encontros que será organizada pela Fundação António Agostinho Neto, no pais e no estrangeiro, de 10 a 17 de Setembro, no quadro da celebração, para este ano, da Jornada do Nacionalista – Maior angolano e do 90 aniversário do seu nascimento. Esta teia surgira das sessões de lançamento, em Luanda, e de apresentação, nas capitais de todas províncias do pais, da impressionante obra em cinco volumes, intitulada “Agostinho Neto e a Libertação de Angola, 1949 – 1974, Arquivos da PIDE-DGS”.

Este programa que mobilizara cerca de quarenta historiadores e especialistas assimilados, será completado por varias atividades de caracter social, educacional, artístico, desportivo e recreativo, cujo essencial terá lugar em Catete, vila natal do “Sekulo”. Assim, registar-se-á a oportunas e vitais campanhas de educação

rodoviária, aconselhamento e testagem voluntaria sobre o silencioso VIH Sida, aulas abertas, nas escolas primárias, a volta da obra de Mama Maria Eugenia Neto, “A trepadeira que queria ver o céu azul”, projeções de filmes documentários, exibição de pecas de teatro, exposição de artes plásticas, concursos de fotografia e gastronomia tradicional. Assistir-se-á a vários

QUINTE MEMORIAL Totalizando cerca de 5 000 páginas, a quinte memorial, resultante de uma impressão de grande qualidade e de um solido fabrico, repartida em respetivos quadros cronológicos, e apresentada, em primus legitumus, pela uma introdução geral da Mama Neto. Numa metodologia, abertamente, pedagógica, e que permite fazer leituras circunstanciadas dos documentos da Secreta portuguesa, inseriu-se uma notável retrospetiva histórica de autoria de São Vicente, intitulado “ Agostinho Neto e a liderança da luta pela independência de Angola, 1945 -1975). Seguem, na senda desta dinâmica didática, uma generosa ilustração iconográfica com o desenho do “Kimbanda” de António Domingues e dezenas de fotografias. A contracapa da compilação reproduz a celebre tríptica fotografia, da Policia Internacional do embaraçado encarcerado, com cinco aprisionamentos e desterro para ilha de Santo Antão, em Cabo Verde. O mapeamento da ação politica, diplomática e militar de líder do Movimento dos Plebeus reforça a declinação pedagógica da coletânea. Os comoventes documentos de arquivos da Policia Oculta lusa, cedidos pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo, que constituem o essencial da obra, permitem compreender melhor, a partir de fontes primarias, privilegiadas, sobre vinte cinco anos, a personalidade do “Mesene”, o seu inebraquavel sentimento nacionalista, as suas démarches de audácia, prudência e inteligência politicas assim como de estratégia diplomática. Nota-se, entre as personalidades que apresentarão a compêndio, o historiador e perito da UNESCO, Simão Souindoula, que o fara, com Pedro Capumba, no dia 12 de Setembro, em Mbanza Kongo, na Província do Zaire. O mesmo será apresentado na Itália, pelo Mbeto Traça e em Portugal (Lisboa, Porto e Coimbra), pelo Paulo Vicente “Nzaji”. Obra fundamental para a historiografia contemporânea de Angola, o monumental agrupamento arquivístico, ora editado, numa vontade absoluta de transparência histórica da Fundação do “Zambi Kilamba”, constitui, para o pais, mais um suporte para um bom conhecimento da ação corajosa, durante um quarto de seculo, do Pai da Independência. Johnny Kapela International Networking Bantulink

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torneios e provas desportivos nas modalidades tais como as do basquetebol, ciclismo, futebol – salão, xadrez, demonstrações equestres e paraquedismo desportivo. Seguir-se-á, os inevitáveis espetáculos de música e de dança, as passeatas motorizadas e as marchas populares, cuja uma delas ira para o Mausoléu do “Doutor”. HAVEMOS DE VOLTAR Maurício Waldman Seria difícil declamar um poema angolano a expressar tão diretamente o engajamento na luta de libertação quanto Havemos de Voltar. Seu autor foi ninguém menos que Antônio Agostinho Neto (1922-1979), Líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e primeiro Presidente da República de Angola. Destacado militante da luta anti-colonial, a produção literária de Agostinho Neto reflete um contexto de resistência e ativismo político, indelevelmente presente na sua obra. Para o africanista britânico Basil Davidson (1914-2010), a poesia de Neto retrata “um homem que nasceu no interior dos muros e barreiras da opressão e que mais tarde, atingida a maturidade, foi frequentemente encerrado em prisões por recusar a autoridade desses muros e por desafiá-los com uma força própria, força que tentaram infrutiferamente, suster e esmagar” (Prefácio de Sagrada Esperança, primeiro livro de Agostinho Neto lançado no Brasil, Editora Ática, 1985). É exatamente esta a mensagem de Havemos de Voltar. Poesia emblemática, ela está com toda justiça reproduzida na base do monumento consagrado a Agostinho Neto na capital angolana. A leitura do poema explicita a exaltação de uma identidade que o colonialismo tentou durante séculos apagar da memória dos angolanos. As estrofes esclarecem uma noção de pertencimento, de apreço ao patrimônio nacional: nossas lavras, nossas terras, nossas minas, nossos rios, nossos campos. Também devotam afeição pela herança cultural, pelas tradições populares: a frescura da mulemba, a marimba, o carnaval, o quissangue, que encontram sua real dimensão no retorno a uma pátria libertada: Angola independente.


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Havemos de Voltar, base do Monumento em Homenagem a Agostinho Neto, em Luanda (Foto: Maurício Waldman, 24-09-2010) Para fazer a leitura e visualizar imagens de UMA VIDA SEM TRÉGUAS O livro, segundo os críticos, inclui uma cronologia dos acontecimentos (pessoais, nacionais e internacionais) que marcaram o tempo em que Agostinho Neto viveu. Se outro mérito não tiver, esta cronologia evidenciará que, a par da luta de muitos angolanos pela independência e da solidariedade internacional com essa luta, também em Portugal não faltaram os abaixo-assinados, as greves, as vigílias e outras manifestações em defesa da autodeterminação e contra a guerra colonial, com o inevitável cortejo de represálias, que muitos pagaram com a prisão, a tortura e o exílio.

Homenagem a Agostinho Neto, Acesse: http://videos.sapo.ao/ nE99zeFsal0l1lQakvvL CAMPUS UNIVERSITÁRIO AGOSTINHO NETO Conheça, acessando: http://www.youtube.com/ watch?v=059jWRsbdsI

Próxima Edição : outubro/novembro 2012 www.brasilangola.com.br www.twitter.com/brasilangolamag

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Tudo isso reporta à recusa da desumanização encetada pelo colonialismo. Para o ensaísta franco-tunisino Albert Memmi, a libertação do colonizado implica necessariamente na reconquista de si mesmo, da sua dignidade e identidade. Apenas assim o antigo colonizado se desvencilha da imagem acusadora que o assombra, prelúdio indispensável para a retomada de si mesmo, da assunção do retrato que o posiciona positivamente diante do mundo real (apud Retrato do colonizado precedido do retrato do colonizador).

Herói Nacional. Em 2012, os festejos encontram uma nação que avança vigorosamente nas mais diversas frentes, a demonstrar que da África imensa germina o solo da esperança. Agostinho Neto, militante e poeta que encarnou radicalmente o papel de combatente político, foi líder de uma jovem república que soube, no fragor das lutas e dos enfrentamentos, interpretar tal condição a partir dos ideais mais amplos e profundos.

É exatamente nos marcos deste parecer que localizamos Havemos de Voltar. Todos os anos, em 17 de Setembro - data em que Agostinho Neto veio ao mundo - Angola celebra o Dia do

(Ao som de uma melodia leia a obra poética

Retrato de uma Angola independente, prenhe de expectativas, promessas e esperanças. de Agostinho Neto Acesse: http:// www.youtube.com/watch?v=d1aYQlaT2Zc )

O SECULO DE AGOSTINHO NETO O PAI DO “SACRED HOPE” ALTEADO EM PARIS O facto foi concretizado pela última remessa da tenazrevista “Latitudes. Cahiers Lusophones”, publicada na capital francesa, cuja substancia e, predominantemente, consagrado a obra do Poeta – Maior Esta é constituída de uma quinzena de contribuições que permite reapreciar vários aspetos do pensamento cultural e da forca poética do Kilamba. Este numero dedicado ao nacionalista angolano beneficiou, naturalmente, do apoio da Fundação António Agostinho Neto e da Calouste Gulbenkian. Na sequencia de um editorial assinado pelo clarividente Professor Manuel dos Santos Jorge, reencontra-se, ai, o inusitado discurso proferido pelo engajado Homem de Letras no ato da posse do cargo de Presidente da Assembleia Geral da União de Escritores Angolano, em 24 de novembro de 1977. Lê-se com interesse o depoimento político de Silvino da Luz, Embaixador de Cabo Verde em Angola; a esperada análise de Luis Kanjimbo, atualmente, em posto no Secretariado Geral da CPLP, que realça a dinâmica histórica que fara do jovem colaborador do ousado jornal da Igreja Metodista, “O Estandarte”, um intelectual orgânico, quer dizer, estruturalmente, parte da nação em luta pela independência e do Estado alforriado. Avalia-se a erudita demonstração da potencialidade pedagógica das tiradas poéticas do autor de “Com occhiasciuti “, com Pires Laranjeira e Ana T. Rocha, Professores nas Faculdades de Letras da Universidade de Coimbra. Quanto ao José Luís Mendonça, este confirma, num relevante exame, a clara inclinação da mensagem poética de Neto, homem de esquerda, para a justiça social, que para, ele, e o principal garante do desenvolvimento duradoiro de Africa. Esta visão e apoiada pelo tributo de António Faria, que caracteriza a filosofia política do Presidente do movimento dos Plebeus, como do arrasamento e da reedificação; movimento que produzira, segundo Inocência

Mata, herdeiros do nacionalismo literário angolano. Este originara, evidente e igualmente, segundo Joseneida Mendes Eloi de Souza e Maria de Fatima Maia Ribeiro, Professores na Universidade Federal de Bahia, assim como, Maria Nazareth Soares Fonseca, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, reapropriadores no Brasil, da “Speranza sacra”. Houve, paralelamente, em Cabo Verde, onde Agostinho Neto foi consignado, no início dos anos 60, a residência fixa, herdeiros. Luiz Silva estuda o caso Nho Balta que canta, inevitavelmente, “Havemos de voltar”. O número 41/42 da revista parisiense conta com dois artigos do prolífico historiador angolano Simão Souindoula. Homem, engajado em leituras inovadoras, ele propõe uma análise “within”, de dimensão linguística e antropológica, da construção poética do nativo de Kaxicane. Com efeito, nascido no início dos anos 20, numa zona rural, onde a língua veicular e o kimbundu, Agostinho Neto falara e assumira, naturalmente, toda a carga antropológica, subsequente, do uso deste idioma bantu O poeta nacionalista, incluíra, consequentemente, no seu edifício, numa dinâmica de particularização do português escrito em Angola, vários bantuismos evocando, personagens sociais, antropónimos, topónimos genéricos ou de memória - a flora, a organologia musical ou crenças hidrogonicas, etc Membro do Comité Cientifico Internacional do emblemático Projeto da UNESCO “A Rota do Escravo”, Souindoula faz, numa segunda contribuição, uma análise de uma principais linhas temáticas da prédica poética do generoso Medico, a brutal escravidão e a sua inaceitável continuação. O número de Latitudes, ora publicado, confirma o cunho do Musoneki Ionene na história politica e cultural, contemporânea, do pais, cujas estacas caracterizarão “Seculo de Agostinho Neto”

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São Paulo e o desenvolvimento econômico para afros A atmosfera de verdadeiro interesse tomou conta do Seminário Internacional de Desenvolvimento Econômico para Afrodescendentes na Cidade de São Paulo, realizado neste mês de setembro, idealizado pela CONE – Coordenadoria dos Assuntos da População Negra, órgão da Secretaria de Participação e Parceria, comandado por Maria Aparecida de Laia, coadjuvada por Anair Aparecida Novaes, Benedita Aparecida Pinto, Adriana de Lourdes Szmyhiel, Naisa Bezerra dos Santos e outros abnegados membros da entidade municipal.

da Autonomia Econômica e Social no Século XXI, e Mr. Howard Anthony Regusters, jornalista, historiador e cineasta em Washington (DC), que enfocou o tema Sobre a Terra Prometida – O Movimento Negro Americano e a Construção de Estratégias para o fortalecimento econômico dos afroamericanos e das mulheres negras, com atuações brilhantes, com o relato de experiências e ensinamentos para os presentes, durante todos os dias da realização do evento.

Com uma pauta de palestras e debates bem elaborada, o Seminário contou com a presença de personalidades brasileiras e internacionais, destacando-se o professor Hélio Santos, um dos fundadores e primeiro presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo, atualmente lente da Universidade Estadual da Bahia-UEB, Ms. Alison Claire Moses, Consultora do Banco Mundial na capital americana fazendo uma abordagem sobre Reflexões sobre a Mulher Negra nos Estados Unidos e no Caribe - O fortalecimento

Demonstrando sua capacidade eclética de conhecimentos e importância para a discussão sobre o papel do Poder Público e da iniciativa nas relações com empresários e empreendedores afrodescendentes o professor Helio Santos, referenciou ícones políticos e empresariais da etnia negra, como o saudoso Esmeraldo Tarquínio, deputado estadual em São Paulo, o empresário de sucesso e ex-deputado federal por são Paulo por quatro mandatos consecutivos, Adalberto Camargo, que iniciou sua caminhada pelo mundo empresarial brasileiro nos anos 60 e a mulher negra empreendedora Maria do Carmo Valério, a pioneira brasileira na fabricação e

apresentação em outros países, destacando-se Angola e Senegal no Continente Africano, de produtos cosméticos para a beleza negra. Hélio Santos aprofundou as discussões sobre a necessidade de um relacionamento e entendimento de que deve ser ultrapassado o campo de meras relações comerciais capengas, assim como devem ser deixados de lado os dogmas passados simplesmente focados na cultura negra, partindo os interessados para a busca de conhecimentos de entidades como o BNDES, SEBRAE, MDCI-Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e a AFROCHAMBER – Câmara de Comércio Afro-Brasileira, atualmente sob a presidência de Abel Silva Domingos, entidade com 40 anos de atuação na promoção do intercâmbio entre a classe empresarial brasileira e o empresariado e entidades congêneres de países do Continente Africano, cujos diretores presentes no evento, jornalista Antonio Lucio, Rui Mucaje e Carlos Lima, foram objetivos e críticos construtivos nas observações que fizeram durante as respectivas participações nos dias do evento.

O evento transcorrido na Câmara Municipal e na Associação Comercial de São Paulo, contou com a presença e ou participação de várias personalidades, destacando-se, El Hadji Abdoul Aziz Ndiaye – Embaixador da República do Senegal no Brasil, Professor, Doutor Hélio Santos, Nabil Moura Kadri, do BNDES –Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico/RJ, Tito de Oliveira< em> – Secretário Adjunto daSEMDE, Antonio Ambrósio Amaro – Assessor de Gabinete da Secretaria Especial do Microempreendedor Individual de São Paulo, Professor Doutor Ivair Augusto dos Santos, Luiz Augusto de Souza Ferreira – Presidente do organismo São Paulo Confia, Ailton dos Santos Ferreira – Secretário Mu-

nicipal da Reparação, órgão da Prefeitura Municipal de Salvador/BA , Umberto Correa de Brito – INTEGRARE, Maurício Pestana – Diretor da Pestana Artes, Michael Haradom – Diretor da FERSOL, empresa brasileira pioneira na adoção de trabalho e emprego para 20% de afrodescendentes em seus quadros, João Carlos Borges Martins – Presidente do CEABRA/SP, Rui Mucaje– Diretor da AFROCHAMBER, Maria Aparecida Pinto, integrante do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo, Juarez Xavier – UNESP - Universidade Estadual Paulista, professor Basilele Malomal, Ramatis Jacino – Presidente do INSPIR, Gilka Aparecida, Jorgete Lemos – Comitê de Responsabilidade Social –

CORES da FIESP, Abram Szajman – FECOMÉRCIO, Murilo Portugal– FEBRABAN, Carlos Lima, diretor de Relações Internacionais e Institucionais da AFROCHAMBER, Helder Dias – diretor da HDA Models, Edimar Tobias da Silva – membro da CECOPA 2014 e da Escola de Samba VaiVai, Wânia Sant’Anna – Petrobrás/RJ, Paulo Jabur Maluf – diretor da COLOMBO, Bruno Quick Lourenço de Lima – SEBRAE Nacional, Daniel Teixeira - Coordenador de Projetos do CEERT, Adriana Barbosa– diretora da Internacional Feira Preta, que se realiza anualmente em São Paulo, Laurinda Candido de Araújo, integrante da Coordenadoria das Subprefeituras de São Paulo, além de outros participantes.

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Esporte

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BRASIL CONQUISTA MAIS UMA VEZ O OURO NO VOLEI FEMININO

José Roberto Gumimarães, tricampeão olimpico

As brasileiras comemoram medalha de ouro no lugar mais alto do pódio em Londres

O Brasil mais uma vez contrariou todos os prognósticos e entrou para a história dos jogos olímpicos como a primeira Seleção a conseguir dois títulos seguidos em jogos olímpicos, ao Fernanda Garay e Jaqueline comemoram a vencer os Estados Unidos, conquistando a Medalha de Ouro nas Olimpíadas 2012, comandada por conquista da terceira Medalha de Ouro em José Roberto Gumimarães (foto) venceram a seleção dos Estados Unidos por 3 set a 1. Olimpíadas

A MAIOR REVELAÇÃO DAS OLIMPÍADAS DE 2012 Com um sorriso que lembra a primeira-dama americana Michelle Obama, Gabrielle Douglas, a jovem ginasta que surpreendeu o mundo, possui uma história emocionante, saiu de casa na Virgínia aos 14 anos e foi morar com uma família do Iowa para poder treinar com o técnico chinês Liang Chow.

Gabby Douglas, a ginasta americana de 16 anos de idade que conquistou as medalhas de ouro da ginástica feminina nas Olimpíadas deste ano que se realizam em Londres.

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Gabby, como gosta de ser chamada, foi a primeira negra a levar para casa o ouro da ginástica nas Olimpíadas de Londres 2012 e a primeira americana a ganhar nas provas individual e de equipe. Filha de uma mãe divorciada e três irmãs, sua vontade de ferro levou-a para um fim de mundo, onde foi recebida pela família de um pequeno empresário onde já havia quatro crianças. A mãe e a protetora de Gabby torceram juntas em Londres, uma negra, outra louríssima original, como uma russa. Gabby Douglas com sua vitória alcançou um dos objetivos anunciados antes mesmo da disputa das seletivas americanas para as vagas olímpicas: quebra tabu de 16 anos sem que uma negra conquiste medalha de ouro na ginástica. Sem o apoio, amparo ou controle de máquinas que buscam propaganda para os

governos, Gabby saiu do contexto da sociedade: vontade, independência e sentido de comunidade. Isso para não se falar na religiosidade da menina. Quando embarcou para participar da London 2012, seu único patrocinador era a Procter & Gamble. Agora terá quantos patrocinadores quiser. Que o Altíssimo proteja sua trajetória de vida.


Esporte

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O atleta jamaicano Usain Bolt, 26 anos, considerado por muitos jornalistas e analistas esportivos como o maior velocista de todos os tempos. Bicampeão olímpico e mundial, além de ser o detentor dos recordes mundiais nos 100 e 200 metros rasos, bem como no revezamento 4 x 100 metros, é o único atleta na história bicampeão em todas as três modalidades em Jogos Olímpicos de forma consecutivas, caiu nos braços do povo com a quinta Medalha. Adriana Araújo conquistou a medalha de bronze no boxe, na categoria até 60kg, a primeira do país em Olimpíadas na modalidade desde os Jogos da Cidade do México em 1968.

A brasileira Adriana Araujo, Medalha Olímpica de Bronze, no Boxe

Etíope Tiki Gelana conquista o ouro na maratona de Londres-2012, superando a queniana Priscah Jeptoo, prata, e a russa Tatyana Petrova Arkhipova, bronze.

A última prova do atletismo das Olimpíadas de Londres foi pintada com as cores da bandeira de Uganda. Stephen Kiprotich venceu a maratona

O Santista, André Luiz França Souza - Locutor oficial da Confederação Brasileira de Boxe.

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Acontece, Aconteceu, Acontecendo

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Homenagens marcaram abertura do VII Congresso

Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros abriu oficialmente o VII Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) – Copene. A cerimônia lotou o auditório do Centro de Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Participaram da solenidade diversas autoridades locais e nacionais. A Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros abriu oficialmente evento. Também participaram da abertura o reitor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Antonio Heronaldo de Sousa, a reitora da UFSC, Roselane Neckel, a presidenta da Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) – ABPN, Zélia Amador de Deus, o presidente da comissão organizadora do VII Copene, professor Paulino de Jesus Francisco Cardoso, entre outras autoridades locais e nacionais. Durante a abertura foram realizadas homenagens a quatro personagens que contribuíram para a promoção da igualdade e valorização das populações afro-brasileiras. Familiares de Lélia Gonzalez, Abdias do Nascimento e Vicente do Espírito Santo receberam placas em memória dos homenageados, já falecidos. O conferencista da noite, professor Kabengele Munanga, recebeu a homenagem do presidente do VII Copene, professor Paulino de Jesus Francisco Cardoso. Na cerimônia, o coordenador agradeceu às instituições que colaboraram para financiar o Copene. “A elaboração de políticas públicas de

promoção de igualdade com certeza nortearão grande parte dos debates do evento, bem como um balanço destas políticas e da produção acadêmica nas diferentes áreas do conhecimento que impactam nas populações afros”, afirmou. Para o professor Paulino Cardoso o grande desafio do congresso será traçar novas metas para promoção da igualdade no Brasil. A presidenta da ABPN, Zelia Amador de Deus, declarou que este é um congresso histórico que marca os dez anos da Associação. “Estas homenagens a nossa ancestralidade através da Lélia Gonzalez, Vicente do Espírito Santo e Abdias do Nascimento, ao nosso presente com Kabengele Munanga, e ao nosso futuro, através dos jovens pesquisadores, marcam a continuidade da nossa luta”, declarou. O reitor da Udesc, professor Antonio Heronaldo de Sousa, destacou a importância do Copene na dimensão acadêmica pela sua magnitude, e na dimensão social, por manter e reafirmar a luta pela igualdade racial. “É fundamental manter viva a luta pela igualdade racial, que deve ser reafirmada em todos os momentos”, acrescentou. Para a reitora da UFSC, Roselane Neckel, o tema do congresso “Os desafios da luta antirracista no século XXI”, mostra que ainda existe muito a ser discutido e realizado. “Este congresso é um estimulo aos jovens pesquisadores e pesquisadoras e um reconhecimento aos que desenvolvem pesquisas sobre o tema, além de ser um espaço de diálogo entre a academia e os movimentos sociais”, afirmou.

A ministra Luiza Bairros, assegurou que a Seppir sempre apoiou iniciativas da ABPN, e salientou que o Copene se destaca como a construção mais profunda e representativa das pesquisadoras e pesquisadores negros do Brasil. “O tema desta edição é muito oportuno, pois o Brasil vive neste momento uma conjuntura extremamente complexa, que é de muitas conquistas para a população negra por um lado, mas também de muitas ameaças a estes espaços conquistados”, argumenta. Segundo a ministra, é fundamental que a ABPN e o Copene se proponham a enfrentar estes desafios da luta antirracista. “Pensar a sociedade brasileira em um processo de complexificação da política racial que estamos vivendo agora é fundamental para o futuro, para que no século XXI possamos traçar uma trajetória no sentido da dignidade e do respeito, não só aos negros, mas à nossa história no Brasil, nas Américas e no mundo”, completou a ministra.

Professor Paulino Cardoso é eleito Presidente da ABPN O professor Paulino de Jesus Francisco Cardoso, do departamento de História da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), foi eleito presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) – ABPN. A eleição para a nova diretoria e conselho fiscal da instituição, para a gestão 2012-2014, foi realizada na

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quarta-feira (18/7) durante a realização do VII Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) - Copene, na Udesc em Florianópolis. O cargo de presidente até então era exercido pela professora Zélia Amador de Deus, da Universidade Federal do Pará (UFPA). “Despeço-me desta gestão muito feliz, pois a ABPN hoje está organizada e tem uma identidade de instituição que abriga os pesquisadores negros e os pesquisadores que estão tratando a questão racial no país. Esta diretoria que assume agora é uma diretoria capaz de levar à frente

uma plataforma de luta antirracista”, afirmou a professora.De acordo com Paulino Cardoso, a principal tarefa da gestão eleita será exercer a mediação política entre os pesquisadores e pesquisadoras e as agências de cooperação internacional que impactam sobre a vida dos pesquisadores e pesquisadoras, principalmente nas instituições de ensino superior. “Queremos ampliar nossa atuação para além da área de Ciências Humanas, fortalecendo parcerias com instituições como a Organização Pan-americana de Saúde e Ministério da Saúde, para a implementa-


Brasil Angola Magazine | Agosto/Setembro de 2012 ção do Programa Nacional de Saúde da População Negra”, acrescentou.A nova diretoria pretende dar continuidade à profícua intervenção com o Ministério da Educação, com foco na efetivação da Lei Federal 10.639/03 e nas diretrizes nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de História e Cultura afro-brasileira e africana, além de manter o diálogo com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), colaborando no cumprimento de sua missão institucional de promover, de modo transversal, políticas públicas de promoção de igualdade e desenvolvimento das populações de origem africana no Brasil.”Também queremos cumprir a agenda dos pesquisadores, que passa por um debate com as agências de fomento à pesquisa no país. Queremos em um primeiro momento discutir com

Acontece, Aconteceu, Acontecendo

o CNPq a inclusão do quesito cor no currículo lattes e em outros instrumentos de levantamento de informações”, acrescentou o presidente.Ainda durante a Assembleia Geral da ABPN, foi definido o local para o próximo Copene, que será realizado em 2014 em Belém, no estado do Pará. A organização será da ABPN em parceria com os três Núcleos de Estudos Afro-brasileiros (Neabs) do Pará, com apoio de outros Neabs da região Norte. A data ainda será definida, entre os meses de julho e agosto de 2014.A gestão 2012-2014 eleita tem a seguinte composição:Presidente: Paulino de Jesus Francisco Cardoso (Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC)Primeira Vice-presidente: Jurema Pinto Werneck (ONG CRIOLA RJ)Segunda Vice-presidente: Vanicléia Silva Santos (Universidade Federal de Minas gerais -

UFMG)Primeiro Secretário: Roberto Carlos da Silva Borges (CEFET-RJ)Segunda Secretária: Ana Lúcia Silva Souza (Universidade Federal da Bahia - UFBA)Primeiro Tesoureiro: Nilo Rosa dos Santos (Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS)Segunda tesoureira: Lucia Regina Brito Pereira (Secretaria de Estado de Educação - RS)Coordenadores(as) Regionais: Norte: João Batista de Jesus Felix (Universidade Federal do Tocantins - UFTO)Nordeste: Wilson Roberto de Mattos (Universidade do Estado da Bahia UNEB)Sul: Georgina Helena Lima Nunes (Universidade Federal de Pelotas - UFPel)Sudeste: Kassandra da Silva Muniz (Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP)Centro Oeste: Maria Lúcia Muller (Universidade Federal do Mato Grosso - UFMT) Fonte: ABPN

Falecimento do Professor Eduardo de Oliveira Eduardo de Oliveira, nascido em 1926, falecido no dia 12 de julho deste ano, foi um dos ícones da negritude brasileira, era escritor, poeta, conferencista e advogado, tendo exercido o mandato de Vereador à Câmara Municipal de São Paulo no ano de 1963 pelo Partido Democrata Cristão-PDC. Foi um dos fundadores do antigo MDB, partido político criado nos chamados anos de chumbo da política brasileira e até sua morte permaneceu como membro ativo do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) e Fundador do recém criado Partido da Patria Livre. O professor Eduardo viajou para os Estados Unidos a convite do governo americano e foi idealizado por ele a homenagem prestada pela maior cidade da América Latina, ao ex-Presidente John Kennedy, através de um busto que ornamenta uma das praças da capital paulista. Sua passagem pela literatura nacional com várias obras escritas, teve como destaque um verdadeiro legado para a população brasileira, sua obra QUEM É QUEM NA NEGRITUDE BRASILEIRA.Sua luta permanente em defesa dos interesses da comunidade negra brasileira, foi coroada com a aprovação do Hino à Negritude (cântico À Africanidade Brasileira), de sua autoria, que deve ser oficializado em todo o território nacional, por proposta no Congresso Nacional do deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), mas cuja execução é obrigatória em todas as solenidades relacionadas com as atividades da nossa etnia realizadas no Estado de São Paulo, de acordo com Lei sancionada pelo governo pau-

lista. Eduardo de Oliveira foi membro ativo do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONPIR), órgão consultivo da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e exercia a função de presidente do CNABCongresso Nacional Afro Brasileiro. Um das suas últimas emoções durante sua trajetória de vida, foi a publicação na revista BRASIL ANGOLA Magazine (edição Dezembro/2011-Janeiro 2012) de um discurso que pronunciou na Edilidade paulistana em 1963 sobre a busca da independência do país africano que ele lamentava não ter conhecido, a pátria do Herói Nacional Agostinho Neto, com o título Em Defesa de Angola, inserido na sequência do texto Movimento Natimorto que escrevi sobre sua participação no então Movimento Afro-Brasileiro Pró Libertação de Angola-MABLA, de saudosa atividade política voltada para o apoio à luta dos irmãos angolanos,pela Independência do país irmão africano. Seu corpo foi velado na Câmara Municipal de São Paulo e o sepultamento realizado no Cemitério da Goiabeira, na capital paulista. Como homenagem póstuma a Eduardo de Oliveira, um dos ícones da comunidade negra brasileira, a Câmara dos Deputados, realizou em Brasília, no dia 6 de agosto Sessão Solene no Plenário daquela casa do Congresso Nacional Idealizada pelo deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT/SP). Antonio Lucio – Diretor do BUREAU POLCOMUNE e Editor da revista BRASIL ANGOLA Magazine.

EDUARDO DE OLIVEIRA - A SUA BENÇÃO Acordei com a sensação de que sinos imaginários dobravam em algum lugar, o que me fez pensar que só poderia ser em homenagem a um alguém venerável. De fato. Daí a pouco chegou, aqui no meu sertão, a notícia de que Eduardo de Oliveira havia desencarnado. É, desde sempre, sinos - ainda que imaginários - não dobram à toa. Só os nobres são dignos de tamanha homenagem. Por isso mesmo, me permito pensar que também na espiritualidade uma porção de outros sinos igualmente imaginários

também estão dobrando, desta feita, para anunciar a chegada por lá do velho mestre. Sim, Eduardo, foi e continua sendo digno de dobres, afinal, foi um nobre. E, para mim, foi e continuará sendo também um clássico, um clássico da poesia, da poesia especialmente voltada para as temáticas negras. Mas também um clássico da lhaneza, isto é, da lisura, da afabilidade, da amabilidade, da delicadeza, da singeleza. Enfim, Eduardo, era um clássico na maneira de ser e de viver. Estou profundamente sentida, posto ter sido profes-

sor Eduardo um dos meus mestres iniciadores no entendimento das temáticas negras. Em verdade, o conheci ainda menina, por ocasião de uma das reuniões do Movimento Negro, aqui da minha cidade - Taubaté-SP. Naquele momento, me aconselhou em relação a uma série de coisas, mas especialmente no tocante à carreira que eu desejava seguir: a de escritora de contos. E numa demonstração inequívoca de respeito ao próximo, leu os meus versinhos sem graça, os meus contos bobinhos, e até achou

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Acontece, Aconteceu, Acontecendo que eu tinha um certo jeito para versejar e para contar. É, Eduardo, era um incentivador, inclusive de jovenzinhas caipiras metidas a poetisa e a contista - como eu. Mas, eis que transcorridos trinta e um anos, procuro o velho mestre, precisamente, para lhe fazer um convite: queria convidá-lo para ser um dos retratados na minha dissertação de mestrado em Gerontologia, na PUC-SP. Céus!! Eduardo aceitou na hora o modesto convite, falou da sua alegria em participar do estudo proposto, enfim, se alegrou e me alegrou. Mas, sobretudo, me emocionou quando um dia, bem cedinho, me telefonou para dizer: “quer que eu vá ai, em Taubaté, para te ajudar na dissertação? Quero te ajudar o máximo que puder. Conte comigo. Se desejar, posso ir hoje mesmo, e então passaremos o dia estudando”. E naquele mesmo dia me enviou, pelo correio, um malote repleto de textos, livros, apontamentos etc, tudo isso para me ajudar na minha então empreitada. E de lá para cá, me telefonava regularmente para saber como estava indo a tal dissertação. Meus Deu, tudo isso ocorreu este ano. Sim, perdi, e perdi três vezes: inicialmente, perdi a oportunidade de novamente ter o mestre lendo os meus textos, e de poder ouvir de sua própria boca as correções que por certo faria. E perdi, ainda, a oportunidade de homenagear, em vida, esse meu mestre incentivador. Sim, planejava no dia da defesa da minha dissertação beijar-lhe as mãos e o rosto, e dizer bem alto, de modo que todos ouvissem:

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aos 17 anos de idade, recebi desse homem, o incentivou para uma série de coisas, dentre elas, para continuar gostando das letras e das artes mas, sobretudo, para continuar na militância negra. É, o incentivo, vingou. Tanto que agora repito, trinta e um anos depois - recupero o que o próprio Eduardo disse a todos nós por meio de seus textos, mas especialmente por meio de suas poesias, e transformo o seu pensamento em estudo acadêmico, o que espero esteja a altura da sua magnitude. Mas perdi, sobretudo, a presença física desse ícone do Movimento NEGRO nacional e, seguramente, um dos meus ídolos. Não tenho como não sentir um tremendo aperto no peito que logo se transforma em algo doido, sofrido, saudoso. Choro sim, de saudade, saudade daquele que soube como poucos dar vida à expressão: pertencimento às causas negras; e daquele que mais uma vez se prontificou a ler os meus escritos. Mas quando a minha tristeza der uma folga, isto é, quando eu parar de chorar, rezarei por Eduardo com a mesma sinceridade e com a mesma contrição que rezo pelo meu saudoso pai, e também pelos meus demais parentes, pelos conhecidos e pelos desconhecidos desencarnados. Mas desde já estou ciente e consciente de que tão logo seja possível, Eduardo, estará em boa companhia, e com a mesma alegria que o levava a cachinar dos próprios rompantes, e com a mesma disposição para enfrentar novos desafios. É que ao meu modo de ver, também

na espiritualidade, é possível versejar; e é igualmente possível continuar ensinando, orientando e, inclusive, incentivando aqueles que por lá também apresentam interesse pelas letras, pelas artes e pelas causas negras. Por assim pensar, não tenho dúvidas de que professor Eduardo continuará na lida que sempre esteve. Em outros termos, continuará trabalhando, trabalhando, trabalhando... Assim, sigo confiando que tão logo seja permitido por Deus, o velho Eduardo, ou melhor, o eterno menino Eduardo estará intuindo a nós todos em relação a uma série de coisas. E estimo que quando esse momento chegar, Eduardo, apresentará a mesma alegria e a mesma competência de quando estava na matéria; e, ainda, a mesma nobreza e o mesmo classicismo que lhe era peculiar. É assim que penso, e é esse o meu consolo. Contudo, em razão de estar com o coração a largo, e por isso mesmo apresentar imensa dificuldade para continuar com este texto, me recolho em preces, com o sincero desejo de encaminhar ao meu velho mestre as melhores vibrações de paz e de luz. Sem mais, professor Eduardo, obrigada pelos incentivos a mim dirigidos no passado e, ainda, pelo apoio ao meu trabalho do presente. A sua benção, e até um dia.

Sônia Ribeiro Jornalista, Academia Taubateana de Letras Mestranda em Gerontologia, PUC-SP

Câmara dos Deputados Homenageia um ícone da comunidade negra brasileira Atendendo requerimento do deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP, a Câmara dos Deputados realizou no Plenário na segunda-feira (6/8), Sessão Solene em homenagem ao Professor Eduardo (Ferreira) de Oliveira. Amigos, familiares, autoridades políticas e representantes de dezenas de entidades estiveram presentes à homenagem póstuma àquele que foi exemplo de perseverança, dignidade e amor às causas sociais, notadamente quanto à luta pela igualdade racial. Benevides (PMDB-CE), decano dos parlamentares do Congresso Nacional, que em seguida, logo após o pronunciamento do deputado autor da homenagem. passou o comando dos trabalhos para o deputado Vicentinho.

Emocionados, Os Presentes À Sessão Solene Renderam Suas Homenagens ao Professor Eduardo Oliveira

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Acontece, Aconteceu, Acontecendo

Deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, recepciona os familiares do professor Eduardo de Oliveira

O Editor da BRASIL ANGOLA MAGAZINE e Maria Aparecida (Cidinha) Pinto, integrante do Conselho de Participação da Comunidade Negra de São Paulo

Homenagem póstuma ao Professor Eduardo de Oliveira

Discurso do deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP) em homenagem ao Professor Eduardo de Oliveira, pronunciado na Sessão Solene realizada no Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 6 de agosto de 2012

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores presentes à esta Sessão Solene, Familiares do Professor Eduardo, Eu tive a grata oportunidade ter conhecido o Professor Eduardo. Assim como eu, todos aqueles que também o conheceram puderam admirar a sua generosidade, sua luta de décadas contra o racismo e seu talento poético. De fato, um homem de uma imensa grandeza. O professor Eduardo, homem simples, humildade, sensível ao sofrimento de todos os seres humanos, deixou-nos um grande legado. Ele nasceu em 1926 e tornou-se um dos ícones da negritude brasileira. Era escritor, poeta, conferencista e advogado, tendo exer-

cido o mandato de Vereador na Câmara Municipal de São Paulo nos ano de 1963, pelo Partido Democrata Cristão-PDC.

putados e, agora, encontra-se no Senado Federal. Sobre isso, tenho aqui comigo, correspondência do gabinete do presidente do Senado, determinando brevidade na tramitação do projeto, que ora está na Comissão de Constitução, Justiça e Cidadania, do Senado.

Sua passagem, pela literatura nacional, teve várias obras escritas, em que destaco o Hino à Negritude e a obra Quem é Quem na Negritude Brasileira.

A sensibilidade do Professor Eduardo era muito latente. E devemos nos espelhar nela para continuar a nossa jornada em defesa da justiça, da igualdade e da dignidade.

O Professor Eduardo de Oliveira também foi o fundador e presidente do Congresso Nacional Afro Brasileiro, instituição que muito colaborou e colabora com a luta pela igualdade racial. O professor Eduardo também participou dos conselhos políticos da Seppir, onde pôde deixar a sua contribuição. Recordo-me do dia em que fomos procurados pelo professor, em mais um dia dele na incansável luta para fazer valer os nossos sonhos. Desta vez, peregrinava de gabinete em gabinete para que algum parlamentar levasse à diante o projeto de aprovação do Hino à Negritude. Ficamos abismados ao saber que a sua tentativa de aprovar o hino nesta casa já datava em mais de trinta anos. Hoje, o projeto de lei 2447/2007 já foi aprovado na Câmara dos De-

É este homem, poeta, combatente, fundador do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB), que está sendo homenageado nesse momento

“Sob o céu cor de anil das Américas Hoje se ergue um soberbo perfil É uma imagem de luz Que em verdade traduz A história do negro no Brasil Este povo em passadas intrépidas Entre os povos valentes se impôs Com a fúria dos leões Rebentando grilhões Aos tiranos se contrapôs Ergue a tocha no alto da glória Quem, herói, nos combates, se fez Pois que as páginas da História São galardões aos negros de altivez... Parabéns Professor Eduardo!!!

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Acontece, Aconteceu, Acontecendo

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Jorge Coutinho uma história de sucesso no mundo sindical e nas Artes Cênicas toma Posse no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional · Legislação complementar quanto aos dispositivos constitucionais que se referem à comunicação social.

O Presidente do SATED/RJ – Sindicato dos Artistas e Técnicos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro, Jorge Coutinho, foi empossado como membro representativo da categoria profissional dos artistas no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, durante cerimônia realizada em Brasília. Em concorrida cerimônia presidida pelo Presidente do Senado Federal, o senador José Sarney, no último dia 8 de agosto, os conselheiros e suplentes ouviram deste a respeito das expectativas, a sobre a importância e os desafios que esperam todos. Co-presidindo a reunião o Presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, lembrou que os membros deverão orientar e colaborar com o Congresso e também com o processo de democratização da comunicação no nosso país. Ainda de acordo com o deputado Marco Maia “este Conselho de Comunicação, que é previsto na nossa Carta Magna, representa, sem dúvida nenhuma, um avanço significativo no nosso aparato constitucional relacionado ao setor de comunicações de nosso País. Eu não tenho dúvida que pelo perfil, pela representatividade, pela clareza social-política, e, ao mesmo tempo, pelo compromisso dos membros desse Conselho com uma comunicação democrática efetiva e imparcial voltada para os interesses maiores da sociedade brasileira nós encontraremos nesse Conselho um trabalho efetivo e uma contribuição sobre maneira para o Congresso Nacional principalmente na discussão e no debate daquelas meterias que envolvem o papel das comunicações em nosso País. Nós temos muitos temas que de alguma maneira dialogam com a comunicação que vão desde a utilização dos veículos de comunicação, a própria concessão - que é função inerente ao Congresso Nacional votar, deliberar sobre elas - passando inclusive pela programação e pela efetividade do trabalho realizado pelos veículos de comunicação no nosso País”. De forma consensual afirmaram os presentes na cerimônia que o Conselho é fruto de um acúmulo e de um debate realizado pelo Congresso Nacional nos últimos anos, e que hoje,

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com sua composição, consegue representar na integralidade os interesses e anseios da sociedade brasileira tendo como componentes representantes dos veículos de comunicação, da mídia impressa e televisiva, dos rádios e de todos os setores da área da comunicação, mas tendo também representantes da sociedade civil organizada ou não, de cidadãos que vem a partir de seu conhecimento contribuir para o crescimento do debate, e de trabalhadores na televisão, rádio, cinema e vídeo. De acordo com o Senador José Sarney o Conselho – que é órgão auxiliar do Congresso Nacional – “se destina a acompanhar a liberdade de manifestação de pensamento e expressão e questões conexas submetidas às Casas”.

De acordo com o presidente do Senado 2/3 dos membros foi indicado pelas respectivas categorias. O presidente José Sarney relembrou, ainda, sua militância em defesa da liberdade de expressão e citou texto de discurso feito em plenário, em 1973,durante a ditadura militar, defendendo “O Estado de S. Paulo, então sob forte censura: “A liberdade de imprensa passou a ser fundamental para a democracia, de tal modo que hoje ela não é mais uma aspiração liberal: é um direito do homem”. Também lembrou que, em 1985, quando assumiu a Presidência da República, em nome de Tancredo Neves, devolveu a completa liberdade - de expressão, de imprensa, de manifestações públicas. Após empossados os membros do Conselho para um mandato de 2 anos a Assembleia deliberou a cerca da Presidência e Vice-presidência do Conselho de Comunicação sendo eleitos, por aclamação, os representantes da sociedade civil Arcebispo Dom Orani João Tempesta e Fernando César Mesquita, respectivamente.

Dentre os temas a serem discutidos pelo Conselho estão elencados: · Liberdade de manifestação do pensamento, criação, da expressão e da informação; · Propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias nos meios de comunicação social; · Diversões e espetáculos públicos; · Produção e programação das emissoras de rádio e televisão; · Monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação social; · Finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas da programação das emissoras de rádio e televisão; · Promoção da cultura nacional e regional, e estímulo à produção independente e a regionalização da produção cultural, artística e jornalística; · Complementariedade dos sistemas privado, público e estatal de radiodifusão;

Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro, presidente do colegiado

Fortemente aplaudido em sua posse, o Presidente do SATED/RJ, Jorge Coutinho afirmou que a participação no Conselho de Comunicação Social é um grande e novo desafio, mas que em razão de sua experiência em rádio,televisão e cinema espera contribuir sobremaneira com as discussões levando sempre a tona o ponto de vista dos trabalhadores em cultura, da disseminação da informação e cultura de qualidade, da liberdade do pensamento e da livre manifestação artística. Ainda de acordo com Coutinho, o trabalho do Conselho deve ser conjunto e sempre com o objetivo a auxiliar o País e o Congresso no que diz respeito à Comunicação.

· Propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens;

Também esteve presente prestigiando o ato posse de Jorge Coutinho no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, o senador Valdir Raupp, presidente nacional do PMDB, que desejou êxito nos trabalhos que se seguirão, levando seu abraço a Coutinho, que também é o Presidente Nacional do PMDB-Afro.

· Outorga e renovação de concessão, permissão e autorização de serviços de radiodifusão sonora de sons e imagens;

Cada membro tem mandato de dois anos, cabendo a recondução E As despesas do colegiado serão pagas pelo Senado.

· Defesa da pessoa e da família de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto na Constituição Federal;


Cultura

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O GRANDE MOMENTO CHEGOU, OS LIVROS QUE TANTO AGUARDAMOS “Tecendo cordas, Trançando vidas”, de autoria de Décio Nascimento é uma saga romanceada de personagem instigante que viveu na região do Cáucaso A experiência relatada é rica em episódios que nos fazem projetar os acontecimentos na vida em geral e relativizá-los à própria vivência. O personagem conhecido em seu meio e época pela colocação cronológica entre os familiares surpreende com introspecção e humor. Rogério de Alemares insere episódios particulares e depoimentos para conectar a cadeia de tempo e lugar sem definição rigorosa. Na história que navega o indizível Alemares se assombra ao criar ambientes que, por vezes, pareciam conhecidos, tamanha vida própria o personagem tomou. Espiral de orgulho e aniquilamento envolveu o escritor a cada linha. Moveu-se como narrador que precisasse manter a fantasia. E ela quase lhe custa o que tinha de si. Ambientes e personagens imaginados tomaram forma de coadjuvantes centrais na saga. O imprevisto alentou o ego, não era necessário ver-se em um e sim nas fisionomias de todos. Corrigir identificações e dirigir o raciocínio na elaboração de cenários foi forma de encontrar equilíbrio. Nomes e apelidos criados se encontraram no cotidiano de Rogério de Alemares. Ele assume o contador da história. E assim se resolveu

Cidade da Praia de Santiago: no compasso do tempo É através da sua mais recente obra, Cidade da Praia de Santiago: no compasso do tempo, que Daniel Pereira historiador, diplomata de carreira e atual Embaixador da República de Cabo Verde no Brasil, desafia o leitor a conhecer, sob novas perspectivas, as ilhas do atlântico médio e sua gente. Porém, a cidade mais cosmopolita de Cabo Verde é pano de fundo da nova obra literária em que o autor, segundo Simone Caputo Gomes, Professora de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, na USP Universidade de São Paulo, coloca o leitor diante da história de um património arquitetônico que se envolve com o cultural e que, pela sua importância, merece ser preservado na memória das pessoas e, assim, perpetrado no tempo O livro retrata a história da cidade da Praia desde o século XV até ao início do século XX, com base em levantamento de fontes documentais e iconográficos sobre esta cidade, no sentido de chamar a responsabilidade da cidadania para a educação patrimonial e ainda para a preservação do património. De acordo com Adriana Carvalho, apresentadora da obra, trata-se de um livro destinado a todos os cidadãos, particularmente para os residentes na Praia e para os que gostam desta cidade.

“É um livro dirigido sobretudo aos estudantes, professores e investigadores das universidades, tendo em conta que tem um apêndice documental muito importante que permite qualquer estudante ou professor que se dedica à História poder desenvolver outros estudos”, avança a apresentadora da obra, que recomenda o estudo deste documento por considerar um trabalho de “extrema importância” para a história da cidade da Praia e um livro que, “apesar de ter um cunho científico, é de leitura fácil”, diz.

Daniel Antonio Pereira Embaixador da República de Cabo Verde no Brasil

Entre os livros dados á estampa, constam os seguintes: A situação de Santiago no 1º quartel do século XVIII, 2 edições; Estudos da História de Cabo Verde, 2 edições; Marcos Cronológicos da Cidade Velha, (Prémio Ensaio, X Aniversário da Independência Nacional), 2 edições; Importância Histórica da Cidade Velha; Cabo Verde apontamentos históricos sobre a Ilha do Fogo; Memória de Cabo Verde do Governador, Joaquim Pereira Marinho & Outros Textos (Prémio Sena Barcelos 2008) e Das Relações Históricas Cabo Verde/Brasil

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Cultura

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PROJETO ENLACE A musicalidade brasileira, africana e lusófana dos países membros da CPLP, Angola – Brasil - Cabo Verde - Guiné-Bissau – Moçambique – Portugal - São Tomé e Principe -Timor Leste O PROJETO ENLACE - Com o sonho, vontade e determinação de um pequeno grupo de Língua Portuguesa, nasceu o Projeto Enlace, tendo como um dos objetivos reunir a musicalidade dos países de língua portuguesa, se impossível num show no Timor Leste, ao menos com a reunião em um CD com a participação de alguns artistas para fazer um Enlace por Timor Leste. O destemido jornalista Sérgio Gomes, explica o surgimento da idéia e a finalização do projeto:> O Congresso Internacional de Jornalismo de Língua Portuguesa caminhava para o seu ápice, lá em dezembro de 94, e o Consulado de Portugal no Rio de Janeiro abria suas portas para homenagear os participantes através de um inesquecível espetáculo com Olívia Byington, que recém chegara de uma temporada em Lisboa. ´-A saída, encantados, José Marques de Melo, Marina Rector, Manuel Chaparro e um pequeno grupo de brasileiros e portugueses põem-se à imaginar o que poderia acontecer se Olívia e Teresa Salgueiro, do Madredeus, um dia, pudessem encontrar-se para cantar, a capela, As Bachianas de Villa Lobos! Seria um lindo e intenso abraço entre dois povos... Pela manhã, José Ramos Horta exortara os congressistas a passar das intenções aos gestos e que se multiplicassem iniciativas de solidariedade ao povo maubere, pela libertação de Xanana Gusmão, apoio a D. Ximenes Belo, direito à autodeterminação de Timor-Leste e a defesa da língua portuguesa. E se uníssemos as duas coisas – música e solidariedade? E se trabalhássemos para que isso fosse possível no futuro Congresso de Lisboa? E, se, antes disso, conseguíssemos reunir as duas cantoras, aqui no Brasil, e gravássemos um disco para ser distribuído como lembrança dos jornalistas brasileiros a seus colegas no 3o Congresso? E se fôssemos mais além, reunindo artistas dos oito países (os sete mais Timor-Leste) para um Enlace sonoro entre nosso povos? Não seria esta uma forma ao nosso alcance de contribuir com o desenvolvimento da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa? Alguns meses depois, os jornalistas João Gabriel de Lima, Oswaldo Luiz Colibri Vitta e Gláucia Nogueira unem-se a OBORÉ Projetos Especiais para desenhar e colocar de pé esse desafio. Em maio de 95, o jornalista e então deputado Miguel Urbano Rodrigues nos faz o convite para apresentar o Projeto Enlace na Conferência Internacional Inter-Parlamentar sobre Timor-Leste, organizada pela Assembléia da República de Portugal. E assim foi: começou a nascer O Mar- o que nos une e separa – como expressão dos horizontes culturais do UNIEMP Fórum Permanente de Relações Universidade-Empresa, GTAS – Grupo de Trabalho Articulações com a Sociedade do Comitê Gestor da Internet e Labjor – Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas. Pelo caminho destes dois anos, some-se a pesquisa e trabalho do jornalista Tadeu Nogueira, do historiador José Luiz Del Roio e do maestro Martinho Lutero. Tante gente colaborando para que este sonho esteja se convertendo em realidade (...)”. A musicalidade do Brasil, Cabo Verde, Angola, Portugal- GuinéBissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e do homenageado TimorLeste, reunida em um CD, com artistas destes países que interpretam as músicas voltadas para o tema da obre, O Mar, que une e separa os povos, mereceu elogios de autoridades, críticos musicais e especialmente dos jornalistas reunidos no 3o Congresso realizado em Lisboa, pelo seu ineditismo e pela vontade de seus idealizadores, de ao mesmo tempo em que cumpriam a promessa de realizá-lo dar um passo através da música na luta pela Independência do Timor-Leste.

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A participação dos brasileiros na obra se faz com a interpretação de GENTE QUE VEM DE LISBOA/PEIXINHOS NO MAR, pelos mineiros Pena Branca e Xavantinho; PEGUEI UM ITA NO NORTE, por Fafá de Belém, marcando em sua interpretação um pouco da sua própria história de migrante nortista para o sul maravilha; DE MAIS NINGUÉM, pela extraordinária Marisa Monte, dando um tom coloquial na obra de Arnaldo Antunes; OS ARGONAUTAS, com a portuguesa Paula Ribas interpretando magistralmente a obra de Caetano Veloso, e TIMONEIRO, pelo espetacular mestre da sonoridade na sua voz, Paulinho da Viola. A “Diva dos Pés Descalços”, a caboverdiana Cesária Évora, referência mundial de luta pelo povo de Cabo Verde interpreta BELGA e sua conterrânea Titina, que momentaneamente deixa de lado uma coladeira e interpreta a morna BEJO DI SODADE; os Mendes Brothers, Ramiro e João com sua musicalidade caboverdiana prestam homenagem à pátria de Agostinho Neto com ANGOLA NA PAZ, além do legendário Bana, a quem apertei a mão uma vez já voltando de Portugal, dá o toque dialético em ONDAS TCHORÃ. O ex-Embaixador da República de Angola no Brasil, Oswaldo de Jesus Serra Van Dúnem, agradecendo-me através do seu expediente 886/ 181/GAB/EM/RA/BRAS/97, mais um envio de CDs que por gentileza da Oboré lhes foram encaminhados para audição de autoridades angolanas, exultava com “Angola na Paz”, de autoria do caboverdiano Ramiro Mendes e interpretada por ele e seu irmão João, os Mendes Brothers do país-irmão Cabo Verde, um verdadeiro apelo musical concitando o Presidente José Eduardo dos Santos e o guerrilheiro Jonas Savimbi, além das Forças Estrangeiras a encontrarem o caminho da Paz para a conflagrada Angola, em guerra fraticida que em breve, com a compreensão dos homens e a ajuda do Altíssimo haverá por terminar, para a tranqüilidade do povo angolano que se unirá, levando de volta para o solo pátrio os desterrados e encontrando além da Paz os caminhos necessários para alcançar o seu desenvolvimento pleno, pois como canta e destaca o poeta Ramiro na letra da música, Angola na Paz e Midjor. Um pouco de toque carnavalesco angolano está na interpretação de Filipe Mukenga em EU VI LUANDA, enquanto o compositor e cantor Bonga, que tem como um dos seus mais ardorosos admiradores e fã incondicional o nosso Martinho da Vila, marca o ritmo com MARIQUINHA. Paulo Bragança interpreta o fado FORMOSA INÊS, contando um pouco das viagens de D. Pedro; O POEMA DA FARRA, marca a interpretação do português Fausto Bordalo Dias e com a musicalidade e interpretação de Filipa Pais em CANÇÃO DE DONA MARIA ESPERANDO O REGRESSO DAS NAUS, assim como o magistral Madredeus interpretando AO LONGE O MAR, mais do que nunca justificam o nome desta primeira obra idealizada pela Oboré. O filho da Guiné-Bissau Rui Sangará, interpreta as desventuras da infância da sua mãe, em CREDIFONE. A orquestra Marrabenta Stars dá uma nova interpretação e arranjo musical no clássico ELISA GOMARA SAIA, uma espécie de Trem das Onze em Moçambique. PONTA MINA QUE BONFA, uma mistura de ritmos marca a interpretação de Gilberto Gil Umbelina, artista de São Tomé e Príncipe, um quase homônimo do nosso popular cantor baiano. A presença-homenagem ao Timor-Leste se faz presente na interpretação instrumental de TACI IBUN (Beira-Mar) pelos timorenses Antonio Ribeiro, Ano Cabral e João Justino. O primeiro passo para o ENLACE definitivo, através da musicalidade dos Países de Língua Portuguesa foi dado e com certeza, ainda poderemos assistir um dia um mega-show, um encontro ao vivo com diversos artistas e músicos da imensa força cultural que é a CPLP, mostrando que não é apenas o Mar que nos une. ANTONIO LUCIO/1-98, in Política & Comunidade Negra.


Samba de Fato

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(Samba, sambistas, sambeiros) Tias baianas: a contribuição da mulher negra para formação cultural carioca

Iraguaci Bezerra Santos O propósito desse artigo, não se restringe, em registrar apenas a importância da trajetória da mulher negra, ocultada pela história no sentido amplo, no início do século XX, e sim, uma reflexão mais específica da contribuição desse grupo (negros), na formação sócio-cultural do Rio de Janeiro. Entretanto, e importante alumiar o papel desempenhado, pelas “tias” baianas, de forma pertinente na construção da identidade e unidade cultural desse grupo (negros baianos), no cenário de um Rio de Janeiro em processo de transformação, delineada pelos moldes parisienses, no período da Belle Époque, estabelecendo um paradoxo com o projeto de modernizar a cidade, e criar um canal de sintonia com mundo e transformar a cidade em um “espelho” da Europa, iniciado, por Pereira Passos - prefeito da cidade do Rio de Janeiro - se depara com o nascimento da “Pequena África”. Essa nova realidade, irá definir atributos peculiares e fundamentais para a formação cultural da Capital do país, a partir do início do Século XX.

Na cidade do Rio de Janeiro, no início do século XIX, o eixo entre Rio e Bahia, após 1835(revolta malê) e decadência da economia nordestina ao longo do século XIX, é iniciada a migração de negros de diversas origens africanas, outros já nascidos no Brasil, baianos(alforriados), filhos de escravos e gente de diferentes matizes do país, em busca de novas perspectivas de trabalho, possibilidades de melhoria de vida e se estabelecerem em uma sociedade moderna. O projeto nacional republicano enfatiza a segregação social, pautada nos valores de uma sociedade euro-centrista, impondo valores padronizados de conduta enquadrada no código universal de parâmetro civilizado. Porém, nesse contexto, a realidade vivida pela sociedade carioca, não condiz com a estrutura necessária para viabilizar a unificação da sociedade, de um lado, uma população formada por imigrantes nordestinos, indígenas, negros, classificados como a escória da sociedade, sendo desvinculados do projeto inicial da formação de uma sociedade homogenia e moderna. Nesse panorama, os negros baianos recém chegados a cidade do Rio de Janeiro, percebe a necessidade da conquista de seu espaço, no sen-

tido de criar um circuito de relações, para manter e recriar um núcleo de referência de sua ancestralidade e de sua identidade individual mantendo fortalecido, os códigos de sua origem. Garantir o seu “pedaço” foi fundamental para a “Pequena África” constituir sua unidade na estratégia de sobrevivência desse grupo mediante a sua realidade cotidiana. O fato da chegada de negros baianos na cidade não está relacionado somente com esperança de uma vida menos sofrida, mas o fato da identificação da cidade com suas origens, e os seus descentes já estarem estabelecidos na cidade causava uma sensação de familiaridade - havia entre os negros baianos uma ajuda mútua aos recém chegados - com a benção da bandeira branca de oxalá, os baianos que desembarcavam na cidade já tinham endereço certo, era na Pedra do Sal, no bairro da Saúde - na casa de tia Sadata, local onde nascera o primeiro rancho carioca, o Rancho das Sereias – local de transição dos recém chegados da Bahia. E no bairro de Santo Cristo, na cada da tia Davina, outro reduto de negros baianos em busca de suporte necessário para se integrar estabelecer contatos estratégicos para garantir a sobrevivência na cidade grande. (Continua na próxima Edição)

São Paulo homenageia Carlão do Peruche tamos homenageando a cultura brasileira, afrodescendente, a história do samba paulista que se confunde com a história do ‘Seo Carlão’. Fazer reverência a esse grande educador nos ensina a manter essas raízes vivas”, afirmou o edil paulistano.

Carlos Alberto Caetano, o Seo Carlão, com 82 anos, considerado um ícone do samba paulistano e fundador da Escola de Samba Unidos do Peruche, recebeu, no dia 3 de agosto de 2012, o Diploma de Gratidão e a Medalha Anchieta, durante homenagem promovida pela Câmara Municipal de São Paulo como reconhecimento público da sua trajetória de lutas e conquistas em prol da cultura afrobrasileira, e pela sua contribuição ao samba paulista. A iniciativa da homenagem partiu do gabinete do vereador Chico Macena (PT). “Es-

“Se me dissessem que um dia eu seria homenageado por ser sambista, eu diria que isso era uma utopia. Quem é veterano sabe que a sociedade não aceitava. Há 40 anos tratava-se de algo de etnia. Foi muita luta”, disse “Seo Carlão”, que é crítico em relação à organização do carnaval. “Hoje ando três vezes mais para chegar ao Sambódromo do que cruzando a avenida. Saímos de lá para a nossa quadra para poder brincar, comemorar. Os bailes infantis acabaram. Hoje um jovem não sabe o que é uma fantasia de pierrô e colombina”, afirmou. O auditório do 8º andar da Edilidade paulistana, completamente ornamentado pelos mais diversos pavilhões das Escolas de Samba e entidades carnavalescas, foi pequeno para abrigar

os inúmeros amigos e discípulos do Mestre Carlão. Oswaldinho da Cuíca, da Vai-Vai, elogiou o companheiro do samba. “É uma homenagem merecida e tardia. É um privilégio estarmos aqui juntos, porque muitos não puderam ser lembrados, como Dionísio Barbosa, de 1891, Seu Enricão, de 1908, Seu Zezinho do Banjo, de 1911, Zeca da Casa Verde, de 1927, Seu Geraldo, também de 1927, Seu Toniquinho, de 1929 e ‘Seo Carlão’, de 1930", completou Oswaldinho. A trajetória de “Seo Carlão” começou em Pirapora do Bom Jesus, a 54 km da Capital. Filho de pais religiosos, ele acompanhava anualmente a família à romaria e festa de Bom Jesus. Enquanto sua mãe frequentava a igreja, todos os finais de semana, seu pai o levava para um barracão em que se ouvia o jongo, forma de samba primitivo. Ao longo de sua história, “Seo Carlão” participou de diversas agremiações do Carnaval de rua paulistanas e da Escola de Samba Lavapés, do Cambuci. Em 1956, ajudou a fundar a Unidos do Peruche.

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Samba de Fato

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Fábricas de Samba toma forma

Segundo cronograma apresentado pela SPTuris à LIGA Independente das Escolas de Samba de São Paulo, a ‘Fábricas de Samba’ deverá ser entregue em agosto ou setembro de 2013 às 14 escolas do Grupo Especial que irão desfilar no Carnaval 2014. O projeto lançado em 2005 vai tomando forma a cada dia. “Fábrica do Samba”, complexo onde serão construídas alegorias, carros cenográficos e fantasias do Grupo Especial, contará ainda com um Barracão Escola, para cursos profissionalizantes, centro administrativo, um memorial do samba e arena para apresentações.

Fábricas de Samba já se incorpora a paisagem da cidade O projeto foi idealizado pela Assessoria de Projetos Estratégicos da São Paulo Turismo, em entendimento com a LIGA, para oferecer melhores condições de produção do carnaval, pois os barracões das escolas ocupavam terrenos precários ou baixos de viadutos. A técnica de construção utiliza pré-moldados e os trabalhos seguem em ritmo acelerado na Barra Funda, a cerca de um quilômetro do Sambódromo, na Avenida Doutor Abraão Ribeiro, esquina com Marginal Tietê. A área de eventos poderá receber shows, exposições e feiras, com a perspectiva de receber paulistanos e turistas que poderão acompanhar um pouco da produção de carnaval. Serão mas de 63 mil m² de área construída. O investimento total será de R$ 124 milhões. A construção utiliza ‘conceitos verdes’ como o aproveitamento da luz e ventilação naturais, reaproveitamento da água das chuvas e permeabilidade do solo. Além de dispositivos de segurança para detecção e prevenção de incêndios. O estacionamento e as vias internas de circulação poderão receber veículos leves e pesados, para transporte de materiais e saída de alegorias. Ainda em 2012 alguns galpões já estarão concluídos, mas sem acabamento final, como parte elétrica, dispositivos de segurança, vias internas de circulação e só poderão ser utilizados após a conclusão total das obras que ocorrerá daqui há 10 ou 11 meses.

CARNAVAL 2013 Mercedes vai sambar com a Rosas em 2013 Com o enredo “Os Condutores da Alegria: numa fantástica viagem aos Reinos da Folia”, escola pretende contar um pouco das grandes festas populares do mundo todo O carnaval 2013 já começou. A Mercedes-Benz será homenageada pela Rosas de Ouro, tradicional escola de samba da zona norte de São Paulo. No enredo “Os Condutores da Alegria: numa fantástica viagem aos Reinos da Folia”, que contará um pouco das grandes festas populares do mundo todo, a marca alemã será o fio condutor da letra e representará, simbolicamente, o transporte pelos locais das festas. Essa diversidade também possibilita que outras marcas possam apoiar o carnaval da escola: isso porque o samba-enredo também deverá falar do Ano Novo Chinês, o Saint Patrick’s Day, na Irlanda, a Celebração do Dia dos Mortos, no México, a Festa dos Guerreiros Zulu, na África do Sul e, claro, as festas brasileiras, como o próprio carnaval e o Festival de Parintins, no Amazonas. “Há muito contido nos costumes, no folclore, nos sabores, nas línguas e nas festas populares. Essa grande riqueza cultural será retratada na avenida, no próximo Carnaval, quando uma nova estrela irá brilhar”, explica Jorge Freitas, carnavalesco da escola. “Estamos muito honrados com o convite da Rosas de Ouro. Nessa oportunidade podemos colocar em prática nossos objetivos de responsabilidade social, nesse caso, incentivando à cultura, por meio do carnaval, que é a expressão máxima do folclore brasileiro”, garante Mario Laffitte, diretor de comunicação corporativa da Mercedes-Benz do Brasil.

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Saúde

PARTEIRAS BRASILEIRA e ANGOLANAS: PARTO E NASCIMENTO EM PLENITUDE Evolução Histórica da Parteiras Em 1832 foi criado o primeiro curso de Parteira no Brasil, concomitante com a implantação das faculdades de medicina. Anterior a isso as parteiras recebiam uma autorização legal para atuar. O ensino de Enfermagem formal surge em 1890. Através da reforma universitária de 1968 as duas profissões foram fundidas. De 1972 até 1994 a graduação de obstetriz foi extinta, passando as modalidades de formação para habilitação e Especialização em Enfermagem. Na atualidade, a especialização se mantém como única via de qualificação na área. Devido a sua origem e evolução histórica as profissões Enfermeira Obstetra, Obstetriz e Parteira são diferenciadas. Parteira é o título mais antigo, seguido pela obstetriz e atualmente Enfermeira Obstétrica (EO), ou como alguns denominam:”Parteira Contemporânea”. As parteiras de Angola De acordo com alguns relatos, as parteiras em Angola existem há séculos. Existem dois modelos; Parteiras Tradicionais - Aquelas que viviam e vivem nas comunidades e aprendem a realizar partos em casa quando chamadas. São as mais antigas no atendimento e cuidado da gestante. Não possuem formação acadêmica nenhuma, mas desde a antiguidade já cuidavam e ajudavam as mulheres no parto utilizando conhecimentos empíricos adquiridos de suas mães, avôs e até com alguns médicos tradicionais. Passavam este conhecimento de geração em geração. Os partos aconteciam e acontecem tanto em casa da parturiente como na casa da parteira. ClaúdioLovato escreve em seu livro”A Face

Amiga, o Gesto Vital”o relato da parteira Esther, contando que desde 1973, quando, aos 16 anos, começou a ajudar a fazer partos, acompanhando a avó. Sete anos depois, passou a trabalhar sozinha. Esther calcula já ter feito mais de 1.800 partos. Uma de suas filhas, Almira Vitorina, segue a tradição familiar, e aos 23 anos de idade, já tem dois anos de experiência. A estréiade Almira foi uma prova de fogo, pois foram dois partos na mesma noite, com um intervalo de 30 minutos entre um e outro. Ambos bem-sucedidos. ElianeSimonetti em seu artigo”Um Olhar Confiante para a Vida”, nos conta o caso de Mariana Nacavinda de 80 anos de idade, que é a mais antiga parteira da regiãode Viana,nascida na Província de Huambo e que aprendeu seu ofício com um médico que visitou sua aldeia em 1955. Ela tem três filhos, e as duas mulheres, como a mãe, são parteiras. Ela calcula que, nos últimos cinco anos, realizou mais de mil partos, inclusiveum parto de trigêmeos, que nasceram saudáveis e hoje brincam pelo bairro. Juliana Engueve, uma de suas parturientes, de 27 anos, deu à luz a seu terceiro filho, depois de passar dois dias em trabalho de parto. “As parteiras tradicionais têm paciência, transmitem amor nessa hora difícil por que passamos. Aqui meus filhos sempre nasceram bem”, disse ela,que garante jamais ter pensado em procurar um médico ou um hospital quando engravidou. Assim como Juliana Engueve, muitas mulheres na comunidade têm o mesmo pensamento, devido ao pouca informação e conhecimento em relação às complicações de uma gravidez e parto, mas também em alguns casos a distância de uma unidade sanitária principalmente em províncias do interi-

or é um fator complicante, que já está sendo minimizado com a construção de mais unidades sanitárias. No Hospital Regional dos DembosQuibaxi, Município do Quibaxi, muitas mulheres só aparecem no hospital quando já não há solução no bairro, chegando mesmo algumas já com quadro de inflamação, muitas vezes justificando que nunca tiveram o parto no hospital e que têm medo por causa da péssimaimagem que têm acerca das parteiras formais, estando já habituadas com a parteira tradicional, que é muitas das vezes uma familiar ou pessoa próxima.Mas outro motivo apontado é o difícil acesso e a falta de transporte. Parteiras formais - Profissionais com formação básica (auxiliar) ou média (técnica) em enfermagem,que em tempos idos acompanhavam e ajudavam os médicos a realizarem partos em unidades hospitalares e com o passar do tempo, e devido ao escasso número de médicos - principalmente no períodointraindependência - começaram a realizar os partos de acordo com a experiência adquirida no exercício de suas funções nas instituições hospitalares, apesar de não terem formação específica nessa área.

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Espaço ANTAB

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Municípios de Tietê, Jandira, Vargem Grande Paulista e Araçariguama, iniciam ações para o seguimento do turismo étnico e ao afro negócio Com a participação de lideranças do movimento negro e o poder público municipal, através de proposta da Associação Nacional do Turismo Afro Brasileiro - ANTAB e parceria com o Circuito Internacional do Afro Negócio - CIAN, no dia 23 de Agosto deu-se inicio as tratativas para a elaboração de ações e eventos com o intuito de se promover o turismo étnico e o afro negócio nas cidades de Jandira, Tietê, Vargem Grane Paulista e Araçariguama, no interior do estado de São Paulo. A primeira fase dos trabalhos é o mapeamento dos atrativos culturais e empreendedores existentes nos municípios relacionados à comunidade negra, a segunda fase consiste na realização de workshops técnicos e de capacitação para os interessados em conhecer as oportunidades que se pode ter com o setor do afro negócio. A festa de São Benedito na cidade de Tietê estará servindo como atração de lançamento do Programa “AFRO NEGÓCIO E TRISMO ÉTNICO - OPORTUNIDADES PARA A POPULAÇÃO NEGRA DO BRASIL” , com o apoio da Secretaria Municipal de Turismo e a prefeitura local. Em Jandira através do apoio da prefeitura municipal o departamento de Combate ao Ra-

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cismo e Discriminação, da mesma forma que a cidade de Vargem Grande Paulista com a participação da Secretaria de Educação, Cultura e Turismo estarão a convite da ANTAB participando da Feira Internaconal beauty fair apresentando destaques na área de beleza, o calendário das festas tradicionais, e as propostas de ações afirmativas para o desenvolvimento do turismo étnico. A prefeita de Jandira, Doutora Anabel Sabatine conferiu ainda a abertura de espaços

para á divulgação do trabalho que esta sendo promovido, em todos os eventos oficiais que ocorrerão na cidade. O que foi considerado um grande avanço pelas lideranças representativas do movimento negro. Em Araçariguama, cidade localizada às margens da Rodovia Castello Branco, estudos serão realizados com a intenção de se descobrir mais detalhes sobre a presença de famílias remanescentes de escravos que por muitos anos fizeram da cidade seu reduto de moradia.

CIRCUITO TURISTICO TAYPA DE PILÃO Reunindo municípios próximos à capital, o Circuito Turistico Taypa de Pilão compõe visitas guiadas por patrimônios históricos arquitetônicos do estado tombados pelo IPHAN. Fazendas e aldeamentos mantidos por jesuítas oferecem belos exemplos do que era a técnica construtiva conhecida como Taipa de Pilão, com paredes de barro socado e terrenos planos, em geral encontrados no alto dos morros. Os passeios se tornam verdadeiras aulas sobre o que foi o Bandeirismo Paulista, as expedições de colonização do planalto paulista rumo ao oeste do estado. São sei passeios em diferentes combinações dessas cidades. O Taypa de Pilão I agrupa Santana de Parnaiba e São Roque. O Taypa de Pilão II inclui Carapicuíba, Cotia e São Roque, o terceiro compreende visitas a Carapicuíba e Embu das Artes, o quarto Barueri, Santana de Parnaíba e Cotia, o quinto Barueri e Embu das Artes, enquanto o sexto combina Embu das Artes e Cotia. Quem escolhe qualquer um dos passeios do Circuito Turístico Taypa de Pilão encontra um resgate histórico e cultural da história, da arquitetura, da arte e da religiosidade dos primórdios da colonização do território paulista. O afro negócio, o turismo cultural sustentável e o empreendedorismo agora serão mais explorados pelos municípios que pertencem ao circuito, graças a atuação das entidades representativas com apoio dos Poderes Legsilativos e Judiciários do estado de São Paulo.


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