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Do rigor e da riqueza da an谩lise sociol贸gica 4

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Correntes.

02. 1.

Positivismo 7 Positivismo & Arte

02. 2. Funcionalismo 9 Funcionalismo & Arte 02. 3 Funcionalismos "desviantes" 10 A - Weber 10 B - Mannheim 10 C -Mills 11 02. 4

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Estruturalismo Estruturalismo & Arte

13 02. 5 Materialismo 15 2.5.1 / 2.5.2. / 2.5.3. /


2.5.4./ 2.5.5./ 2.5.6. / 16 2.5.7. 18 03 -

Resumo

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Esquema Geral

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1. Do rigor e da riqueza da análise sociológica.

A Sociologia, ao longo de sua existência tem previlegiado alguns campos de estudo. Sua irmä , a antropologia, fez o mesmo e podemos quase dizer que esse é um movimento típico das ciências. Com o recuo histórico que nos é permitido em nossa época,podemos afirmar que a Sociologia previlegiou: - a constituiçäo científica de seu objeto próprio. Tentativa de se aliar à Ciência e se afastar das crenças, do conhecimento comum e de outras perspectivas do saber. Tal mcvimento fundador corresponde aos esforços da corrente positivista. Daí nos chegaram as óticas do social como objeto { à semelhança da Física, nos proporá Comte}; do social como Fato { onde Durkheim nos livrará do excessivo mecanicismo comtiano, abrindo a pesquisa para o terreno da análise multi-fatorial}. Todo esse caminhar indicou rumos para o nascimento de sociologias particulares, ampliando o campo de nossas pesquisas ao mesmo tempo que nos possibilitando detalhar mais nossa observaçäo. Vimos assim o nascimento da Sociologia da Religiäo, da Sociologia da Cultura, e por que näo, de uma Sociologia dos Sistemas Econômicos [ originada na raiz das divergências entre o pensamento de MAX Weber e MARX ]. O último representante desse movimento foi, sem dúvida, Duvignaud com a Sociologia do Teatro. Nos anos 60 essa tendência de alargar o Objeto, segundo um modêlo de análise multifatorial cederá lugar a um modêlo de “alargamento de fronteiras” - típico, nos parece, das próprias organizaçöes sociais ocidentais da época. O esfôrço de “multidisciplinariedade” dos anos 60 será capitaneado por propostas vindas da área da antropologia. O estruturalismo ,tendo à base a linguística fonológica, colocará o pensamento sociológico em limites criticos . Limites que praticamente o diluiriam numa imensa antropologia filosófica. Um pouco em resistência à essa entrada do científico sociológico em parâmetros de álgebra booleana, [ com a evidente possibilidade do desaparecimento do discurso “pertinentemente sociológico”], duas outras óticas se instalam paralelamente: o acionalismo e o materialismo histórico. Ambos preocupados, no fundo,com um problema comum:


como nossas sociedades “se desorganizam”?! Breve, ambos colocam como objeto filosófico a MUDANÇA social, mais que o Status quo. Se esta foi uma problemática geral das ciências nos anos 60, foi sem dúvida na constituiçäo de uma certa “sociologia da açäo” [ própria ao materialismo e ao acionalismo] que ela melhor se encarnou. O movimento geral dos anos 60 em Sociologia e Antropologia pode talvez ser melhor situado se o definirmos como sendo o da constituiçäo de um discurso próprio. O problema geral para as ciências, nesses anos, foi o da linguagem. E essa colocaçäo levou tanto a um aprofundamento crítico do próprio discurso científico sociológico, quanto a uma exacerbada busca de significaçöes do social na área do discursivo e do imagético. Devemos a Wright Mills e à escola de Frankfurt os preparativos dessa busca. A curiosidade de todo este movimento de constituiçäo de objeto e de ampliaçäo de fronteiras em Sociologia é que os fenômenos artísticos e o discurso artístico dentro do social, foram abordados das mais variadas formas. Via-de-regra, porém, serviram para ILUSTRAR, com conhecimentos gerais, alguma posiçäo teórica tomada em outro campo. A arte sempre entrou na análise sociológica meio como Pilatos no Credo, ou como o latim em bula de remédio e discurso de advogado. E assim pudemos conhecer seu “uso” FUNCIONAL para explicar ordens e sistemas sociais organizados [ cuja maior contrefaçäo se encontrará na antropologia de Malinowski]. Conhecemos também sua “utilidade” ideológica para explicar a repetiçäo de comportamentos e salvar nossa falta de teoria da mudança [ ou em alguns casos, aonde havia, como no materialismo histórico, sua pobreza “fatorial”, própria da Economia Política adotada...]. { Nota: a visäo econômica de utopistas como Proudhon ( “A propriedade é um roubo”) e SaintSimon era menos “científica”, ou simplesmente menos “prática”. Mas, indubitavelmente, mais ampla, menos limitada ao cálculo capitalista que se encontra em Ricardo e Smith- onde Marx irá beber]. Esse “reducionismo” generalizado começou a ser posto abaixo com Weber, Mannheim, W.Mills, Benjamim, Duvignaud. Porém, salvo honrosas excessöes, como a preocupaçäo de Althusser com o teatro e o esfôrço concentrado de Duvignaud, encontramos muito pouco interesse no estabelecimento de um discurso sociológico bem fundado sobre campos particulares de arte. “Sociologias da arte” que apareceram näo deixaram claro aonde era o território de um e outro campo. Assim, uma leitura de um Hauser nos serve muito em citações de eventos, mas é de bem pouca utilidade em análise pertinentemente sociológica. Podemos mesmo afirmar que tal trabalho ainda está por se fazer. A causa maior e mais recente foi, sem dúvida, a expans_o do discurso linguístico-antropológico [como já citamos] que quase eliminou para sempre a possibilidade de uma reflexäo sociológica e a constituiçäo de campos de pesquisa fora do “economicismo” reinante nas sobras da linguística. No Brasil dos 70 e 80, a euforia da “posse” de um discurso sociológico crítico [ que supostamente tinha que ser materialista, mas cujo fundo teórico era basicamente funcionalista] levou à miséria a pesquisa sociológica sobre a arte em geral ( ou sobre alguma linguagem específica, como o teatro, ou a pintura, a música, a escultura}! A teoria sociológica da “ideologia” - emprestada do jovem Marx e já de há muito revista na Europa reinou absoluta . Nesse período tem-se a impressäo que a sociologia foi fundada para desvendar conflitos de classes apenas. Em alguns territórios confundindo-se “classe” com minorias e incluindo-se aí um conjunto täo heterogêneo quanto o formado por trabalhadores rurais, índios, negros e mulheres. Fascinados com a minoria dirigente (esta sim, um segmento de classe), nossos sociólogos partiram para as minorias “oprimidas” e a rigueza de reflexäo que nos vinha de Weber ficou esquecida. Foi assim que a pesquisa sociológica sobre arte ficou à espera de quem a iniciasse; com retardo evidente para a pesquisa de campo aplicada a nosso teatro,nossa música, nossa escultura, nossa pintura. O que nos parece uma prática razoável hoje, é a de nos atermos a autores que trabalharam bem ( mesmo sem muitos “discípulos e aficcionados” em nossas paragens) uma linguagem específica. Além do que, mesmo aí praticamente nos reduzimos a Duvignaud e sua Sociologia do teatro. E a partir dessas colocações, tentarmos formular um modelo de análise sociológica para a arte como um todo.


02. Das correntes.

Uma boa maneira de abordarmos um campo científico é nos perguntarmos: * COMO ele se constituiu. * Quais as diferentes tendências de seu questionamento. * Que correntezas arrastaram tal pensamento, e para aonde. * Aonde ele se situa hoje. Sempre que falamos de SOCIOLOGIA DA ARTE ou qualquer outra ciência estamos falando da Constituição DE UM OBJETO PRÓPRIO e das MANEIRAS DE TRABALHA-LO. Dependendo de COMO determinaram o que era que ia se estudar { OBJETO de estudo}; e de COMO iriam estudá-lo { MÉTODO } podemos dividir a Sociologia em algumas grandes tendências, ou correntes [ NB: a corrente prende, liga, reduz o campo de visão]. São elas, o Positivismo, o Funcionalismo, o Estruturalismo. Acostuma-se acrescentar aí o Materialismo. Mas é um pouco impróprio, pois estaremos colocando no mesmo saco teórico ISMOS de grandezas e extensões muito diferentes. Você poderá observar , quando for ler toda a obra de Marx, que nela não há o menor traço que proponha explicitamente a constituição de uma ciência do social ou coisa parecida. De toda maneira, dada a ignorância geral quanto a este último ISMO nós o colocaremos também aqui, mantida esta ressalva de acima... Devemos, além, informar que está para nascer um novo ISMO, o próximo, e que será formulado dentro de uma revisão das posições de Mannheim, Weber, Benjamim e Marcuse . Este será sem dúvida o responsável pelo futuro um pouco mais promissor de nossas indagações do social.

02.1 POSITIVISMO * Auguste Comte [ 1798-1875 ] propôs a criação de uma FILOSOFIA POSITIVA. ( Daí o epíteto posterior de positivismo ]. A Sociologia ,para ele, seria uma FÍSICA social. A ciência que serviu de padrão a nosso nascimento foi pois a FÍSICA! O OBJETIVO desta ciência nova era o de compreender a sociedade, para organizá-la e reformá-la. A preocupação básica, pois, em Comte, era a Organização SOCIAL. Como OBJETO da sociologia, ele propôs que se estudasse A SOCIEDADE. [ Parece óbvio, mas não é tão ululante assim como você está pensando ]. Essa SOCIEDADE deveria ser estudada de um modo muito especial: como se fosse uma COISA!. É isso mesmo que você está pensando: a SOCIEDADE passou a ter uma existência e aparência real igual à desses insólitos objetos que nos rodeiam nesta sala, igual a este pote, este quadro, esta tinta... Aí já aparece um pequeno problema, que nos leva a uma questão [ se é que você gosta de fazer perguntas, quando se depara com problemas...]: essa escultura, este quadro eu pego, carrego, faço e refaço... Mas aonde estará a alça da SOCIEDADE? Eu não consigo nem ao menos vê-la, tocá-la, cheirá-la ! E Comte vem propondo de tratá-la da mesma maneira que as Ciências Exatas e a Física... Façamos uma pausa para relembrar que estamos ,junto com Comte, enterrados em uma das etapas da modernidade, que foi a Revolução Francesa. [Para isso serve a data que colocamos após o nome dele; Tem gente que pensa que tal indicação serve para comemorar aniversário!] . Em parte dentro do esforço dos Enciclopedistas, Comte TINHA QUE evitar exatamente que seu OBJETO de estudo fosse


abordado de maneira “filosófica” antiga, atrasada, ,medieval, metafísica, cheia de palavras e termos bonitos mas que não levavam a coisa alguma.

Nós todos hoje também enfrentamos uma situação parecida. Se você já estudou artes plásticas já enfrentou discursos sobre este quadro ou a obra de X, que não passam de um enrolado tremendo de: a- palavras inúteis, b- palavras incompreensíveis, c- palavras compostas de a e b. Pois bem, neste período também tem gente não só preocupado com isso, como ESTUDANDO isso! Os “ideólogos”. Ideologia estava a caminho de se transformar em uma ciência [com Destutt de Tracy...]. Comte fez, portanto, uma proposta completamente radical. Se é para ser ciência, vamos pegar o modelo de uma ciência. Se é para se definir o OBJETO próprio, sem filosofadas, porque não defini-lo como uma ciência exata... Se é para sermos exatos, por que não físicos? Estava descoberto o Positivismo! A Revolução Francesa sabia em parte que idéias movimentavam o mundo, mas sabia também e acima de tudo [e isso assustou todo mundo], que muitas idéias caminhavam pelas ruas com foices nas mãos; sem nos dar tempo de distinguir se aquele movimento era uma praxis ,precedida por idéias, ou se as idéias só viriam depois daquela praxis... Agora podemos voltar a nosso OBJETO. O que interessava descobrir neste OBJETO? LEIS, as leis que regiam suas diferentes organizações. Aonde buscar tais leis? Na história. repassando sociedades históricas, Comte suspeitou que elas se organizaram a partir do desenvolvimento da Razão. Propôs então diferentes ETAPAS desta organização dos homens em sociedade., sendo que a primeira delas e a mais antiga se deu, nos informa ele, em torno do discurso mítico-religioso. Por aí, você já pode começar a imaginar AONDE, em que buraco da história dos homens, as artes operam com vigor, no pensamento positivista.

* ARTE & POSITIVISMO Não há uma definição mais correta, nem uma preocupação maior com a Arte. Deduzimos porém que, colocando o pensamento mítico-religioso no início mais atrasado da humanidade, aí também seriam colocadas a teoria da arte e as expressões artísticas. Havemos de entender que na Revolução Francesa [Cfr. Rousseau ] existe uma inquietação em relação à passagens entre NATUREZA e CULTURA, entre um espírito primitivo, [ supostamente natural ] e um espírito racional. Toda intenção agora é racionalista, mas não se pode esquecer que quem colocou a razão no poder foi a barbárie, a foice nas ruas, o povão desenfreado, a PARTE BRUTA e natural do homem. Temos que homenageá-la, se não a controlamos, se ela nos faz medo... Foi certamente dentro dessas circunstâncias históricas que se desenvolveram nossas teorias modernas posteriores, de relação entre NATUREZA & CULTURA. Acresce a tudo isso que o conhecimento do mundo na época sobre as sociedades primitivas é extremamente atrasado. Os primeiros “índios” começaram a aparecer em círculos europeus, carregados nas naus para “demonstração” apenas no início do século XVI! As representações dos enciclopedistas, por exemplo, sobre selvagens, eram fantasiosas. A antropologia vai nascer bem depois de tudo isso. Acresce também que a luta da burguesia francesa contra o absolutismo monárquico, colocava a religião [ também considerada irracional!] como aliada de seu inimigo: a monarquia. Tudo isso ficou misturado num bolo só, considerado “etapa atrasada “, em relação ao movimento racionalista burguês.


A Arte evidentemente não era coisa do povo [ a não ser como “ofício, trabalho, emprego”] ou da burguesia revolucionária. Era ,portanto, do mesmo estofo que a religião: um pensamento e modo de agir primitivo. Se nos ativermos às Idades da razão [ etapas, estágios ] de Comte, teremos que deduzir que a tendência da Arte e seu destino no Positivismo, seria o desaparecimento, pelo bem da humanidade, isso é, da Razão!

O2.2. FUNCIONALISMO Emile Durkheim [1858-1917] é o grande sistematizador da Sociologia pós-Comte. O título de paternidade lhe cabe em parte, pois o “pai” foi B. Malinowski. Lembra-se de que ai atrás achamos que a Física era um bom modelo de ciência? Pois agora é a Biologia].De Malinowski herdamos isso. O resto nos vem de Durkheim. Decorrência da admiração generalizada pelo evolucionismo darwiniano, a ciência modelo para os antropólogos será a Biologia. Para os sociólogos, a matemática. Afinal nosso sistema teórico está atrás de rastrear A razão funcionando. E não esquecer que ainda estamos em França, aonde a Razão tem um nome: Descartes. Que era um matemático...E por ai podemos estabelecer porque fomos cair nas mãos da matemática, enquanto nosso irmãos esquisitos se entregavam a uma desenfreada biologia. Não viramos ramo da matemática, claro. O que fizemos foi nos apropriar de alguns modelos de análise matemática [ análise multi-fatorial, pois tínhamos excesso de dados para relacionar...].E assim o conceito de Função, para definir certas relações, passou a ser nossa moeda corrente, sob a fórmula Y f ( X ). O que isso pretendia indicar? Que se algo está em função de outro algo, provavelmente este é a CAUSA do outro! Lembre-se: estávamos procurando com Comte Leis da organização social, mas agora queremos um pouco mais: as CAUSAS. Isso é que tipo de relação causa isso ou isso?( Breve : que tipo de relação agrega ou desagrega uma sociedade: e em que ordem? ). O OBJETO da Sociologia é praticamente idêntico para Comte e Durkheim. Ela estuda os FATOS SOCIAIS. [ este era o jeito de pegarmos a Sociedade. A alça foi a noção vaga, mas que dá idéia de concreto, um FATO. Posso não cheirar um fato, mas não posso admitir por isso que ele não é real ou concreto...]. Qual diferença entre Comte e Durkheim? Para Comte o social é um objeto [ com exigência de concretude, positividade “física”]. Para Durkheim, o social é uma relação! Uma relação de causa e efeitos. Para Durkheim : * a sociologia é uma ciência própria * a realidade compõem-se de fenômenos coletivos * os fatos são entrelaçados por causalidades. Uns estando em função de outros. Se em Comte as idéias foram estágios da Humanidade [ e foram também consideradas causas “em bloco”, de certa maneira...], em Durkheim elas são CAUSADAS. Uma posição que se enquadra com Marx [ daí tanta análise materialista que se deu tão bem com o funcionalismo!]. Essa pressuposição só será revista a partir de Weber.

ARTE & FUNCIONALISMO Em Durkheim podemos deduzir que a Arte é uma FORMA de atividade social que, ligada a outras formas, se manifesta como fenômeno coletivo. Ela estará porém sempre em função de um SISTEMA.


Em Comte a Arte estaria em função de alguma coisa forma de pensamento näo-lógico, religioso, primitivo,[Fase I da História da Humanidade, ou da Razão]. Em Durkheim ela pode aparecer em qualquer outro estágio da história humana. Só que sempre CAUSADA. E nisso o funcionalismo difere pouco do positivismo. O funcionalismo é a elaboração mais aperfeiçoada do princípio de Razão soberana, base de todo positivismo. Como os sociólogos foram meio engolidos pelos antropólogos nesses estudo de artes, religião, costumes; a história daqui para a frente sofrerá mudanças de mão. Isso é: cada vez menos “sociólogos” se interessarão pelas artes. Será coisa para antropólogo! Os Sociólogos, por sua vez, ao modelo da "marginalidade" antropológica, ficarão cada vez mais fascinados com a minoria dirigente (esta sim, um segmento de classe). Em oposição outros partirão nossos para as minorias “oprimidas” ( entenda-se aí uma coisa heterogênea como índios, negros, trabalhadores rurais,mulheres e operário do ABC!..) . A riqueza de reflexão que nos vinha de Weber ficou esquecida. Foi assim que a pesquisa sociológica sobre arte ficou à espera de quem a iniciasse; com retardo evidente para a pesquisa de campo aplicada a nosso teatro, nossa música, nossa escultura, fossem elas eruditas ou bregas.

02.3. Funcionalistas “desviantes”:

A- WEBER [1864-1920] Criou a Sociologia da Religião. Iniciador dos estudos comparados entre História e Economia, Religião e Economia etc. O objeto de sua preocupação é o sentido das relações individuais. Sua Sociologia é uma Sociologia das Instituições sociais [ daí sua ligação ao funcionalismo]. Ficou mais conhecido pela sua oposição às teses de Marx a respeito da posição e funcionamento de superestruturas como a Religião [ e certamente a arte]. (NB A posição respectiva desses dois autores pode ser vista comparativamente em Michelotto, La transformation du champ religieux chrétien dans l’Empire Romain. Louvain. UCL.1977). Para Weber um tipo de organização econômica ( como o Capitalismo estudado por ele) pode ter surgido e se desenvolvido A PARTIR DE IDÉIAS GERADORAS DE UM DETERMINADO TIPO DE AÇÃO. Por exemplo: As idéias protestantes sobre A GRAÇA, geram um tipo de Ação {ética protestante) que será responsável pelo criação de uma prática econômica sistêmica ( o “espírito” do capitalismo). Essas proposições são exatamente o contrário do formulado por Marx ao distinguir a existência de dois níveis na atividade humana: o da infra-estrutura e o da superestrutura. Para esse Marx, a infraestrutura (econômica) era sempre o nível determinante. Arte e Religião estariam sempre determinados por processos e práticas econômicas. São causados por essas. Funcionam para “ mascarar” o real funcionamento das práticas econômicas ( exploração, etc.). Por aí você pode ver que um dos pais do funcionalismo { pelo menos no raciocínio} foi também MARX!. * ARTE E WEBER: Apesar de muitos antropólogos haverem antes dele tratado com material exclusivamente artístico- e ele não haver tido tal experiência- Weber produziu um dos pensamentos mais abertos à reflexão sobre a ARTE. Exatamente pela inversão de posições em relação a Marx- que, em contrapartida produziu um dos sistemas mais fechados à análise das Artes e de sua posição dentro das sociedades.


A partir de Weber a Sociologia poderá enfrentar a questão das Artes. Antes de Weber não havia lugar para tratá-la como um Objeto próprio, gerado e gerador de relações específicas. [Regra de Comte, retomada por Durkheim].

B - MANNHEIM [ 1893-1947 ]. * Criador da Sociologia do Conhecimento*. Sua preocupação é basicamente a fundadora de Comte: a marcha do pensamento, não porém na linha do racionalismo triunfante francês { afinal Descartes é o pai de todos!}. Uma das formas da Razão, e dessa vez aplicada, prática, é o conhecimento, objeto maior de Mannheim. Sua percepção global deriva da “virada” weberiana em relação às teses do jovem Marx. A Sociedade produz pensamentos, idéias, ações, inspirados pela situação social dos pensadores. Mannheim retoma a questão das Ideologias, mas sob um prisma bastante original. - As idéias de conservação - chamam-se Ideologias - As idéias de Mudança- chamam-se Utopias. - As Ideologias justificam o status-quo de uma determinada sociedade. - As Utopias justificam as mudanças nesse status-quo. * ARTE E MANMHEIM: Após Mannheim podemos perceber a arte e suas manifestações como um conjunto intrincado de IDÉIAS e Fazeres (ações). O que aliás está na base da visão e divisão greco-romana de Arte {Poesis/Techne}. Esse conjunto indica modalidades de CONHECIMENTO que os homens produzem de sua realidade social. Ser artista é sempre pois uma forma de conhecer a sociedade.[ E nisso Mannheim inova em relação a Weber que manteve o princípio científico de neutralidade, objetividade [ confira seu polêmico texto: O Sábio e o Político ] como condição geral para o trabalho científico e em decorrência para o trabalho de Conhecimento. Mannheim ao medir todo processo de trabalho e toda produção de idéias e prática pelo eixo da Ideogia e Utopia, libera a visão da Arte e de suas manifestações de um “preconceito” apriorístico {existente em Marx e existente opostamente em Weber}: é uma atividade que pode justificar a permanência de valores sociais ou sua mudança. O que vai determinar isso é o estudo concreto de cada caso, e cada tipo de sociedade. * Weber e Mannheim são possivelmente os mais ajustados pais da Sociologia da Arte. E, sem dúvida os primeiros a modificar a tônica dominante da Biologia, do Evolucionismo, do funcionalismo nas ciências sociais. São os precursores de um, pensamento que será marcado por W.Benjamim { a torto chamado de “da escola de Frankfurt”, uma vez que foi recusada sua tese sobre o barroco, e foi excluído do centro, possivelmente por ser o único dos pensadores modernos e brilhantes desses arredores} E será marcado posteriormente por H. Marcuse, hoje no esquecimento, mas amanhã, sem dúvida um dos luminares das novas perspectivas sociológicas..

C- DESVIANTES Especiais: Wright Mills, Merton , Claude Lévy-Strauss. Com o último entramos num dos últimos “ISMOS” do século: o estruturalismo.

C 1: Wright Mills [ 1916-1962] Wright Mills é a ponte americana entre Marx e Weber.


Seus estudos são basicamente de Sociologia Comparada, o que é mais uma questão de método [ que nos veio da História] que de Objeto. Seu interesse básico é a sociedade Contemporânea, que segundo ele -dentro de um espírito classificatório bem comtiano- está entre a Sociedade Moderna e a Quarta Época. Wright Mills é o primeiro grande sociólogo com um espírito,digamos anti-cartesiano. Isso não significa nem de longe que não tenha método ( é tão rigoroso que até os “estágios” de Comte serão de certa forma continuados}. Significa que toda a Sociologia até ele era marcada por uma “euforia” da marcha da Razão ocidental- a ponto de ser incapaz de analisar suas falhas. Ao analisar os dois grandes sistemas político—econômicos e sociais vigentes na era contemporânea: o Capitalismo e o Socialismo, percebe que nenhum dos dois, apesar de se proporem como extremamente “racionais”, nenhum dos dois dá conta da prevenção e controle das mudanças sociais. W.Mills os trata como Ideologias e mantém ,na base o pressuposto positivista da Ordem e o funcionalista da “integração social” como metas às sociedades. Deve-se distinguir, sem dúvida essa “ordem social em Mills e nos positivistas e funcionalistas: ela não é coisa da estrita RAZÃO. Não é a toa que o título de sua obra maior é: a Imaginação sociológica. Sua “ordem” e “integração” compreende outros mecanismos que os da simples racionalidade ,seja ela determinantemente econômica (Marx), seja ela determinantemente Superestrutural { ou imagética: Weber}. W. Mills tentou cruzar essas duas oposições: Marx e Weber. A ARTE em Mills toma pois um caráter especial, por ser uma ordenação da ação de outra “ordem” que a razão. Com Mills poderemos dizer: a arte tem razoes que a própria razão desconhece! Evidentemente, isso são deduções que fazemos de seu pensamento. Ele estava mais interessado na cultura dos “colarinhos brancos”, nos fenômenos da burocracia (estudos caros a Weber} da classe média americana, nos “marxistas” do que em ARTE. E isso tem uma explicação geral. AFINAL HA UMA GRANDE QUESTÃO : de todo o andamento da Sociologia, bem poucos autores tem algo a ver com a Arte ou a consideram em seus estudos. Porque? * Basicamente por ter nascido dentro da Sociologia um ramo especial de pesquisadores que se interessaram mais pelas “sociedades primitivas e essas coisas assim meio atrasadas: os antropólogos.

A percepção geral - que está na raiz mesmo da Antropologia- era de que essas manifestações como Arte, religião, Magia, Xamanismo, Mitos, Tradições - e Marx num supremo desaforo irá acrescentar a política, o Direito e a Família- são restos de nossa “pré-história”. Essa posição tem aceitação quase geral em Sociologia. A única mudança nessa crença generalizada nos vem da Revolução Francesa, via Rousseau. O que irá marcar os estudos posteriores das sociedades “primitivas”, feitas por sociólogos que tomarão um nome especial: antropólogos [ pois seu Objeto não é a sociedade e suas formas históricas, mas o Homem que supunha-se preexistir às formas societais]. O susto e o interesse causado pela Antropologia virá exatamente do fato de que os antropólogos passam a se mandar para ilhas distantes e “descobrir” que os “primitivos” também tem formas organizadas e até mesmo sutilmente organizadas de pensamento e ação social. Em verdade as sociedades européias estavam apenas se admirando de sua própria capacidade de compreender os “selvagens”- essa é ainda a razão do sucesso recente de um Levy-Strauss entre os Bororós do Brasil. Afirmamos isso pelo fato de já termos material suficiente para tais estudos desde 1500 e pouco, com o ciclo de descobertas. Um Bartolomeu de las Casas no Peru deixou material suficiente para que nada disso acontecesse depois. Afinal a Sociologia e os estudos antropológicos “como tais” datam de 1826, com o Curso de Filosofia Positiva de A. Comte!. O QUE DEDUZIR? 1- Que a razão triunfante tinha elementos de conhecimento para, pela primeira vez [dada a amplidão de conhecimentos vinda do ciclo das descobertas da América e exploração da África] FORMULAR uma melhor teoria da ARTE e de sua inserção no social. 2- Que a Europa tinha algum problema grave em relação aos “primitivos”. Alguma formulação teórica, alicerce do Pensamento triunfante europeu, talvez fosse por terra num confronto mais justo, mais “racional”, com as “sociedades primitivas”.


Só após Weber e Mannheim é que a reflexão sociológica poderá iniciar novos rumos. W. Mills começou a indicar isso a partir da constatação do não-funcionamento [ e era para funcionar] dos dois grandes sistemas ideológicos da contemporaneidade: o socialismo e o capitalismo. Marcel Mauss, num ensaio sobre o DOM, começou a indicar a existência de comportamentos não explicáveis por uma “razão econômica européia ocidental”, porém altamente refinados como razão de existência e organização social. Um tipo portanto de razão DIFERENTE. É a antropologia que irá tentar rastrear essa “razão”. E se na história do ocidente, nossos preconceitos e também em parte nossa história, colocam a religião, a magia, as artes na linha do “atraso” social, isso curiosamente não parece funcionar igual nas sociedades primitivas. A corrente antropológica que mais perto chegou de uma formulação revolucionária em relação ás ARTES e às Sociedades- foi a que também melhor a escondeu: o Estruturalismo. Nós o colocamos como “corrente desviante” do funcionalismo, pois em verdade não passa disso, Dado porém sua extensão e fama e sua ligação profunda com uma das ciências que mais se desenvolveu neste final de século: a linguística, ele passou a merecer um capítulo à parte como corrente sociológica.

03 O ESTRUTURALISMO. Claude Lévy-Strauss [1908-1988]. O estruturalismo deve seu nome à noção de Estrutura. Termo emprestado à matémática de conjuntos. Basicamente é um avanço em relação ao funcionalismo. Esse usava uma terminologia adequada para relações mais ou menos simples de causalidade ou de influência: o conceito e a fórmula da FUNÇÃO. Um conceito matemático. Os estudos de linguística trabalham em outra área mais complexa, de álgebra booleana, basicamente partida da teoria de conjuntos. Que podem ter relações sistêmicas, determinadas pela posição das relações entre suas estruturas. ESTRUTURA é um conceito basicamente que opera com RELAÇÕES múltiplas. Função é sempre uma reta: X —> Y .Podendo ser invertida Y— > X, mas basicamente descrevendo uma reta , ou um corte plano. A complexidade das relações sociais (que não é a mesma das relações físicas, nem biológicas, nem...)exige um instrumento mais amplo de análise. O conceito de Sistema e estrutura (algébricos) poderá permitir isso. Convém notar que MARX ao tratar das relações econômicas também trabalha com o conceito de SISTEMA, próximo ao algébrico. Só que, em L-Strauss isso é de uma elaboração com efeitos de erudição. A bem da verdade ele teve a sorte que Marx não teve: todo o sistema estruturalista já estava praticamente formulado pelos lingüistas. Ele apenas pegou e adaptou ao social. tentando fazer, como ele mesmo afirma, ao falar das estruturas elementares do parentesco, “ a continuação” do trabalho de Marx! Evidentemente é um tremendo exagero de Lévy-Strauss, mas não tanto assim. Apenas em março de 1978 iniciaram-se os primeiros estudos dessa corrente no DCS da UFPb. Uma das razões era a disputa entre "teorias de esquerda e direita". Como se teorias, e não os agentes sociais, pudessem se localizar assim! PRESSUPOSTOS:


a- A linguagem é a instituição básica das sociedades. Pre-existe à família, religião, artes etc. b- Todas os elementos de relação social ficam reassumidos por uma “teoria da comunicação”. Assim trocam-se bens como se trocam mensagens. Isso permite uma aproximação entre elementos de economia e de artes por exemplo. c- Seguindo o padrão da linguística, da composição da linguagem em “unidades discretas” cada vez menores, com marcas distintivas de oposição umas ás outras [ Assim se inicia o processo de significação linguística]- o pesquisador da sociedade deverá buscar essas “unidades elementares” {estruturas}, para poder estabelecer suas múltiplas relações e assim compreender um “sistema”[ Conjunto ordenado dessas relações]. Por essa palavrinha “ordenado” você já pode ver que o estruturalismo não conseguiu se liberar de Comte!. A vantagem, porém, do uso da teoria dos conjuntos é que ela nos permitirá relacionar dados sociológicos com mais acuidade e precisão. Com a fórmula das funções, não sairíamos nunca de um mundo plano - já que o desenho buscado como causalidade era o de uma mera reta. A economia política até hoje não saiu disso. Foi pioneira e depois se atrasou... Relações como de implicação, pertinência etc., entre variáveis ( agora "conjuntos") certamente nos enriqueceram mais que a desenfreada busca de "causalidades "determinadas muitas vezes por meras relações de função [ O problema delas é que uma mera sucessão temporária, por exemplo , pode resultar num gráfico de covariações. O que nos induz a erros de julgamento de causalidade!...]. O uso da álgebra de Boole, da Teoria dos conjuntos, da axiomática reduziu, certamente esses riscos. d- Compreendendo tudo como possíveis “mensagens” ou” elementos de mensagens”, que são trocadas entre indivíduos ou grupos [Teoria geral da Comunicação- alias uma teoria fraquíssima, sem base filosófica mais profunda!] Lévy-Strauss vai descobrir, por exemplo que a primeira grande troca de “mensagens” é a das mulheres entre grupos. Descrevendo detalhadamente os processos dessa troca vai descobrir “ as estruturas mais elementares”, que para ele são as de parentesco. E já irá criar um escândalo { o que dá Ibope a qualquer teoria!}: a famosa proibição do incesto, que se dá como uma determinação irrevogável da” natureza humana” ,apesar de constante em todas as civilizações, é UM TRAÇO DE CULTURA e não de natureza. É apenas uma decorrência da famosa “troca de mulheres”. A proibição do incesto obriga a unidade familiar a se “relacionar”, a se abrir para o grupo social. a distribuir bens, a se comunicar uns com os outros etc......Funciona como uma regra sintática, que coordena elementos de linguagem dentro de uma determinada forma e não de outra, com fins de melhor comunicação.... * O mais bravo funcionalista-estruturalista após o fundador é sem dúvida MERTON, um sociólogo americano que se interessou basicamente pela função dos Mass-média na sociedade contemporânea. Seguindo o mesmo padrão, a sociedade é um sistema formado por estruturas. A central é a de “comunicação” de bens- seja lá quais forem. Evidentemente os modernos meios de comunicação [Mass-media[ atingem de cheio esse tipo de formulação, tornando-se objetos privilegiados de atenção. Foi o que fez Merton. * ARTE E ESTRUTURALISMO: Lévy-Strauss se deu mesmo ao trabalho de escrever sobre a Arte. Boa parte de seu trabalho mais interessante é relacionada aos mitos [ espécie de “arte”, literatura oral”] dos caduveo, sua arte de plumas, de barro, sua pintura dos corpos. Ele irá descobrir um sistema elaboradíssimo de “pensamento primitivo”, e expô-lo em seus livros. A ARTE ou as artes para o estruturalismo são sistemas particulares de expressão das regras sociais de um grupo , de tal modo que se alterarmos um desses elementos, o todo cai por terra! Os jesuítas já sabiam disso e o fizeram com nossos índios: tiraram a forma redonda de suas aldeias, adaptaram os santos às crenças indígenas, etc. A desaculturação e consequente extinção de nossos índios começou por aí, sem dúvida. Não se precisava de nenhum genocídio explícito... A ARTE aparece pois como elemento chave de sistematização de normas grupais - confundindo-se quase com o que hoje chamamos “sistema político ". Os jesuítas criaram a Primeira “aldeia global”, antes mesmo dela ser formulada por Mac Luham ou pela unidimensionalidade de Marcuse!””. Qual foi o problema com o ESTRUTURALISMO, então, já que nos parece um sistema brilhante de análise? Seu conceito de HISTÓRIA ! Fugiu-se da história!


Este conceito foi herdado da linguística, pois um fato de linguagem pode ser estudado diacrônica ou sincronicamente. Lévy-Strauss batalha muito para garantir cientificamente que podemos fazer um corte na história das sociedades e estudar ISOLADAMENTE, apenas internamente, essa sociedade X. Garante que desta maneira conseguimos uma compreensão exata sobre ela. Em verdade ele abole a dimensão TEMPO. Na busca das unidades discretas teve que ir também á busca das maneiras mais simples de se cortar um objeto. O resultado é simples: todo o estruturalismo nos dá percepções bem interessantes e aprofundadas sobre o ESTADO { o status-quo} de uma sociedade. MAS NADA nos ajuda a compreender como ela se transforma. Em princípio Lévy-Strauss parte do mesmo preconceito de que “são sociedades ricas em cultura e interessantes”; porem MORTAS, sem futuro a não ser ficar em seu mato privilegiado. E AI VOCÊ DIZ: Porque um pensador tão privilegiado se atrapalhou com uma simples bobagem dessas? Pelo mesmo fato que marcou toda a antropologia anterior: todas as sociedades que não fossem as européias não PODERIAM ter um tipo de desenvolvimento de RAZÃO maior ou diferente. A RAZÃO é privilégio do conquistador! Na prática você iria perceber que MUITO MAIS INTERESSANTE que comprar e ler os livros de Lévy-Strauss, seria ir direto à fonte e aprender com os Caduveo. Afinal, já que eles tem uma RAZÃO própria, eles não precisam nem de antropólogos nem de missionários para explicá-los. Bastava que tivéssemos uma “razão” e um pensamento um pouquinho mais aberto! Acontece que não temos e nem queremos ter. Somos de outra tribo. Daí você pode perceber a importância de sociólogos como Weber, Mannheim, Benjamim, Marcuse - que nos ajudam a esclarecer QUE DIABO DE TRIBO É ESSA EM QUE ESTAMOS VIVENDO! O conceito de história aplicado ao estruturalismo iria colocar lado a lado essas diferentes culturas SEM o Principio DE “ANTIGÜIDADE” e portanto “burrice”, ou “primitivismo”! Essa percepção histórica iria nos obrigar a mudar radicalmente nosso modo de conceber a ciência, a sabedoria, a arte e nossos comportamentos. E Lévy-Strauss teria merecido, como Comte, mais que o título de “estudioso da sociedade”: teria entrado para a história como um “reformador”. Acabou entrando como um conservador. Com muito menos texto um Mannheim se instalou como visionário.

PARA entendermos o que se segue, isso é Benjamim e Marcuse, temos que voltar atrás e colocar outro “ISMO”: O materialismo histórico.

[1908-1988]. O estruturalismo deve seu nome à noção de Estrutura. Termo emprestado à matémática de conjuntos. Basicamente é um avanço em relação ao funcionalismo. Esse usava uma terminologia adequada para relações mais ou menos simples de causalidade ou de influência: o conceito e a fórmula da FUNÇÃO. Um conceito matemático. Os estudos de linguística trabalham em outra área mais complexa, de álgebra booleana, basicamente partida da teoria de conjuntos. Que


podem ter relações sistêmicas, determinadas pela posição das relações entre suas estruturas. 2-DEFINIÇÕES BÁSICAS 21- ESTRUTURA é um conceito basicamente que opera com RELAÇÕES múltiplas. Função é sempre uma reta: X —> Y .Podendo ser invertida Y—> X, mas basicamente descrevendo uma reta , ou um corte plano. A complexidade das relações sociais (que não é a mesma das relações físicas, nem biológicas, nem...)exige um instrumento mais amplo de análise. O conceito de Sistema e estrutura (algébricos) poderá permitir isso. Convém notar que MARX ao tratar das relações econômicas também trabalha com o conceito de SISTEMA, próximo ao algébrico. Só que, em L-Strauss isso é de uma elaboração com efeitos de erudição. 22- SISTEMA> é um conjunto ordenado de relações estruturais. A bem da verdade Claude teve a sorte que Karl não teve: todo o sistema estruturalista já estava praticamente formulado pelos lingüistas. Ele apenas pegou e adaptou ao social. tentando fazer, como ele mesmo afirma, ao falar das estruturas elementares do parentesco, “ a continuação” do trabalho de Marx! Evidentemente é um tremendo exagero de Lévy-Strauss, mas não tanto assim.

23- DIACRONIA O conceito de dia/ sincronia tratam de tempo.


Sua suposição é que toda sociedade é histórica - e isso significa candidamente que ELA SE DESENVOLVE NO TEMPO. A diacronia é um corte vertical no tempo de uma sociedade, isolando-a das demais, estudando-a "em si", como um sistema isolado. Esse corte corresponde à necessidade postulada na Linguística de se "isolar as unidades mínimas de singificação". Se tem sua vantagem, por outro lado trará infinitos problemas à teoria geral estruturalista, como veremos mais abaixo. COMO FOI FEITO? Quando Lévi-Strauss estuda o sistema de parentesco de uma tribo qualquer ele isola esse componete de todos outros componentes e isola essa tribo, de todas as tribos possíveis. 24- SINCRONIA É o corte feito no horizonte do tempo social. Por ele sociedades se estudam relacionando-se a outras sociedades dentro de um tempo preciso. COMO FOI FEITO? Quando Lévi-Strauss relaciona a estrutura elementar de parentesco descoberta na tribo X com as estruturas elementares de parentesco das tribos Q,W,E,R,T,Y,U,I,O, P.... Ele está fazendo o famoso estudo em corte horizontal, sincrönico - que lhe permite tirar conclusões mais vastas de seu estudo. Por exemplo: se se observar que no conjunto de tribos correspoentes às letras de meu teclado de computador HOUVER UMA PERMANÉNCIA DE ORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL, podemos concluir que essa organização é um SISTEMA GERAL. Foi o que ele fez com o parentesco nas sociedades primitivas. A estrutura do tipo tio materno se encontre generalizada do prata ao amazonas, da australásia à américa.


Se em todas verifica-se um certo modo específico de funcionamento dessa estrutura pode-se dizr que esse é um sistema geral de funcionamento do social. ASSIM> as estruturas elementares de parentesco FUNCIONAM • não numa base algorítimica de ideologia ( = tipo : porque a pessoas se amam....) • mas numa base algorítimica de ECONOMIA ( do tipo= trocam -se mulheres entre os grupos como se trocam mercadorias, aumentando-se a riqueza, o poder etc interno aos grupos...) • ESSA ULTIMA É A DESCOBERTA DE CLAUDE . Segundo seus estudos as mulheres são as moedas da troca primitiva. Só isso? E é pouco? Se voce pegar o tabu do incesto existente em todas as sociedades primitivas voce poderá explicá-lo de maneira bem diferente agora. Sua função passará a ser da mesma ordem> isso é: regular a troca das mulheres entre grupos diferentes do familiar......... O que significa que após Clude não é mais pecado irmão se casar com irmã!

3- PRESSUPOSTOS a- A linguagem é a instituição básica das sociedades. Pre-existe à família, religião, artes etc. b- Todas os elementos de relação social ficam reassumidos por uma “teoria da comunicação”. Assim trocam-se bens como se trocam mensagens.


Isso permite uma aproximação entre elementos de economia e de artes por exemplo. c- Segue-se o padrão da linguística, da composição da linguagem em “unidades discretas” cada vez menores, com marcas distintivas de oposição umas ás outras [ Assim se inicia o processo de significação linguística]. O pesquisador da sociedade deverá buscar essas “unidades elementares” {estruturas}, para poder estabelecer suas múltiplas relações e assim compreender um “sistema”[ Conjunto ordenado dessas relações].

4- VANTAGENS A vantagem do uso da teoria dos conjuntos é que ela nos permitirá relacionar dados sociológicos com mais acuidade e precisão. Com a fórmula das funções, não sairíamos nunca de um mundo plano - já que o desenho buscado como causalidade era o de uma mera reta. A economia política até hoje não saiu disso. Foi pioneira e depois se atrasou... Relações como de implicação, pertinência etc., entre variáveis ( agora "conjuntos") certamente nos enriqueceram mais que a desenfreada busca de "causalidades "determinadas muitas vezes por meras relações de função. [ O problema delas é que uma mera sucessão temporária, por exemplo , pode resultar num gráfico de covariações. O que nos induz a erros de julgamento de causalidade!...].


O uso da álgebra de Boole, da Teoria dos conjuntos, da axiomática reduziu, certamente esses riscos. 5 - EXEMPLARES: 51Lévi- strauss Compreendendo tudo como possíveis “mensagens” ou” elementos de mensagens”, que são trocadas entre indivíduos ou grupos [Teoria geral da Comunicação- alias uma teoria fraquíssima, sem base filosófica mais profunda!] Lévy-Strauss vai descobrir, por exemplo que a primeira grande troca de “mensagens” é a das mulheres entre grupos. Descrevendo detalhadamente os processos dessa troca vai descobrir “ as estruturas mais elementares”, que para ele são as de parentesco. E já irá criar um escândalo { o que dá Ibope a qualquer teoria!}: a famosa proibição do incesto, que se dá como uma determinação irrevogável da” natureza humana” ,apesar de constante em todas as civilizações, é UM TRAÇO DE CULTURA e não de natureza. É apenas uma decorrência da famosa “troca de mulheres”. A proibição do incesto obriga a unidade familiar a se “relacionar”, a se abrir para o grupo social. a distribuir bens, a se comunicar uns com os outros etc......Funciona como uma regra sintática, que coordena elementos de linguagem dentro de uma determinada forma e não de outra, com fins de melhor comunicação.... 52- MERTON O mais bravo funcionalista-estruturalista após o fundador é sem dúvida MERTON, um sociólogo americano que se interessou basicamente pela função dos Mass-média na sociedade contemporânea. Seguindo o mesmo padrão, a


sociedade é um sistema formado por estruturas. A central é a de “comunicação” de bens- seja lá quais forem. Evidentemente os modernos meios de comunicação (Mass-media) atingem de cheio esse tipo de formulação, tornando-se objetos privilegiados de atenção. Foi o que fez Merton. 60 ARTE E ESTRUTURALISMO: Lévy-Strauss se deu mesmo ao trabalho de escrever sobre a Arte. Boa parte de seu trabalho mais interessante é relacionada aos mitos [ espécie de “arte”, literatura oral”] dos caduveo, sua arte de plumas, de barro, sua pintura dos corpos. Ele irá descobrir um sistema elaboradíssimo de “pensamento primitivo”, e expô-lo em seus livros. A ARTE ou as artes para o estruturalismo são sistemas particulares de expressão das regras sociais de um grupo , de tal modo que se alterarmos um desses elementos, o todo cai por terra! Os jesuítas já sabiam disso e o fizeram com nossos índios: tiraram a forma redonda de suas aldeias, adaptaram os santos às crenças indígenas, etc. A desaculturação e consequente extinção de nossos índios começou por aí, sem dúvida. Não se precisava de nenhum genocídio explícito... A ARTE aparece pois como elemento chave de sistematização de normas grupais - confundindo-se quase com o que hoje chamamos “sistema político ". Os jesuítas criaram a Primeira “aldeia global”, antes mesmo dela ser formulada por Mac Luham ou pela unidimensionalidade de Marcuse!””. Qual foi o problema com o ESTRUTURALISMO, então, já que nos parece um sistema brilhante de análise? Seu conceito de HISTÓRIA ! Fugiu-se da história!


Este conceito foi herdado da linguística, pois um fato de linguagem pode ser estudado diacrônica ou sincronicamente. Lévy-Strauss batalha muito para garantir cientificamente que podemos fazer um corte na história das sociedades e estudar ISOLADAMENTE, apenas internamente, essa sociedade X. Garante que desta maneira conseguimos uma compreensão exata sobre ela. Em verdade ele abole a dimensão TEMPO. Na busca das unidades discretas teve que ir também á busca das maneiras mais simples de se cortar um objeto. O resultado é simples: todo o estruturalismo nos dá percepções bem interessantes e aprofundadas sobre o ESTADO { o status-quo} de uma sociedade. MAS NADA nos ajuda a compreender como ela se transforma. Em princípio Lévy-Strauss parte do mesmo preconceito de que “são sociedades ricas em cultura e interessantes”; porem MORTAS, sem futuro a não ser ficar em seu mato privilegiado. E AI VOCÊ DIZ: Porque um pensador tão privilegiado se atrapalhou com uma simples bobagem dessas? Pelo mesmo fato que marcou toda a antropologia anterior: todas as sociedades que não fossem as européias não PODERIAM ter um tipo de desenvolvimento de RAZÃO maior ou diferente. A RAZÃO é privilégio do conquistador! Na prática você iria perceber que MUITO MAIS INTERESSANTE que comprar e ler os livros de Lévy-Strauss, seria ir direto à fonte e aprender com os Caduveo. Afinal, já que eles tem uma RAZÃO própria, eles não precisam nem de antropólogos nem de missionários para explicá-los. Bastava que tivéssemos uma “razão” e um pensamento um pouquinho mais aberto! Acontece que não temos e nem queremos ter. Somos de outra tribo. Daí você pode perceber a importância de sociólogos como Weber, Mannheim, Benjamim, Marcuse - que nos ajudam a esclarecer QUE DIABO DE TRIBO É ESSA EM QUE ESTAMOS VIVENDO!


O conceito de história aplicado ao estruturalismo iria colocar lado a lado essas diferentes culturas SEM o Principio DE “ANTIGÜIDADE” e portanto “burrice”, ou “primitivismo”! Essa percepção histórica iria nos obrigar a mudar radicalmente nosso modo de conceber a ciência, a sabedoria, a arte e nossos comportamentos. E Lévy-Strauss teria merecido, como Comte, mais que o título de “estudioso da sociedade”: teria entrado para a história como um “reformador”. Acabou entrando como um conservador. Com muito menos texto um Mannheim se instalou como visionário. PARA entendermos o que se segue, isso é Benjamim e Marcuse, temos que voltar atrás e colocar outro “ISMO”: O materialismo histórico.

02.5 MATERIALISMO O Homem não se contenta com o puro conhecimento das coisas, dos seres e dos acontecimentos. Ele gosta de fazer disso uma imagem mais perfeita, respondendo à seu desejo de harmonia. Esta é a razão profunda desta obra humana que chamamos de ARTE, cuja estética deve buscar antes de tudo as características e condições. Os fundamentos do marxismo nunca procuraram elaborar uma estética própria. Marx e Engels fizeram observações sobre as artes, mas o mais básico é uma carta de Marx informando que se tivesse tempo iria refletir sobre isso a partir da obra de Hegel. Em resumo: a estética marxista está ainda por ser elaborada nos detalhes. Tarefa que Gramsci, Luckas e Fischer começaram a desenvolver. O que vamos dar aqui são alguns elementos de base. Quando se entra em detalhes há uma verdadeira guerra entre os teóricos. Essa divergência vem do fato que, na base, faltam definições mais claras e precisas dos conceitos mais importantes como os de ARTE, CULTURA, Ideologia. Como faltam precisões sobre as relações que uns mantêm com os outros. O centro desses raciocínios se encontra nas reflexões de MARX sobre a Ideologia, e em seu tópico da divisão entre infra e superestrutura e o papel de cada elemento ai. E também numa carta em que para se defender diz que “se tivesse mais tempo...!” Vocês já ouviram esta. Não tinha e nem teve, mas no 18 Brumário de Luís Napoleäo escreveu um dos textos mais interessantes e intrigantes de sua teoria, ao parodiar Hegel que dizia que a História se repete sempre duas vezes. “E esqueceu de dizer: a primeira como tragédia e a segunda como farsa!”.


Marx é dos poucos autores de época que conseguem perceber ( nem Comte o fez) a Revolução francesa como uma grande festa teatral, um grande ritual social báquico, que em vez de vinho derramava sangue. 02.5.1. PONTO DE PARTIDA: A estética marxista parte do princípio que a ARTE é um trabalho humano, uma forma de trabalho. Isso é: formas de transformação do mundo e não somente de transformação do conhecimento que se tem do mundo.( Comte vai insistir sobre a Razão e o Conhecimento e Educação. Mannheim sobre o Conhecimento. L-Strauss sobre o conhecimento do passado. } Diferentemente do animal o homem transforma a natureza, em quanto o animal apenas se adapta. Com suas máquinas e instrumentos ele cria para si uma” segunda natureza”. 02.5..2 Materialismo, idealismo, arte O fato que a natureza seja para o homem não um dado pronto mas um espaço de trabalho, permite de se caracterizar um realismo inspirado pelo materialismo. O realismo pré-marxista coloca a natureza como algo a se contemplar e imitar. Por outro lado supor que o homem tem relação ativa com a natureza concede a ele uma subjetividade que no materialismo é condenável pois se identifica com o idealismo- que vê na obra de arte a projeção pura e simples do mundo interior do sujeito artista. 02.5.3. Características: Fischer diz” A arte é um meio indispensável de fundir o indivíduo com a realidade, dando ao homem a alegria de dominar a realidade, gerando a certeza de que o mundo tem um SENTIDO e que é possível ordenar o mundo em função desta exigência”. Vocês já podem ter reparado que, em Fischer, o mundo TEM que TER SENTIDO ( posição racionalista cartesiana); e que o homem precisa ORDENAR [ Botar em ordem, veja COMTE] esse mundo. Isso é FUNÇÃO desta exigência [ ou desta NECESSIDADE de sentido...]. Nessa pequena frase Fischer nos dá todos elementos das posições cartesianas, racionalistas, positivistas e funcionalistas. Breve, esse materialismo nada tem a acrescentar! Essa exigência para a ARTE é histórica e historicamente determinada em função dos poderes adquiridos pelos homens sobre a Natureza e a sociedade. É por esse caráter histórico [ o grande problema do estruturalismo: um materialismo sem história ] que cada obra de arte representa uma resposta dada aos problemas de uma época.

Assim ela ultrapassa seus limites e pode, séculos depois, nos causar prazer estético, mesmo em uma época em que as instituições políticas e as relações sociais já tenham de há muito desaparecido. [ veja Marx, Introdução à Economia Política]. Jean Roux evidentemente exagera barbaridades nesta colocação. É mera e fraca interpretação de Marx. A arte aí é posta como solucionadora de problemas ( do passado) e coisa interessante para se ver em Museu. A invenção do garfo resolveu incríveis problemas , e nem por isso iremos parar diante de um garfo ( na época em que voltarmos a comer com as mãos) e ter um imenso prazer estético. Isso é bobagem pura e simples. Não é assim que olhamos para um Rembrandt, não é assim que lemos e reapresentamos um A PAZ de Aristófanes.

02.5.4. SOCIALISMO e ARTE: A instauração do socialismo cria condições sem precedentes para o desenvolvimento da arte e da cultura:


a-” pondo fim a um regime que faz dos valores artísticos, valores mercantis b- permitindo ao artista não mais ficar em oposição ao mundo no qual vive , mas pelo contrário, vivendo em acordo fundamental com ele c- oferecendo a cada homem, a cada criança, todos os meios de desenvolver plenamente todas as riquezas humanas que ele traz em si; e deste modo, permitir que ele aceda à compreensão de todas obras da cultura e das artes. “{ Roger Garaudy} [Este texto de Garaudy por vezes mais parece fundamentação “philosophica” de cursos de ed. artística!] Marx afirmava: “No que concerne ao trabalho produtivo, os organizadores do trabalho não pensam que cada um deva poder substituir Rafael, mas que aquele que carrega em si um Rafael deve se desenvolver livremente.” “A concentração exclusiva do talento artístico em alguns indivíduos e seu abafamento nas grandes massas, são conseqüências da divisão do trabalho....Em uma sociedade comunista não há pintores, mas no máximo homens que entre outros pintam.”

02.5.5. A PRATICA.

Após a revolução de outubro de 1917, os bolcheviques PREOCUPADOS COM OUTROS PROBLEMAS (sic), deram carta branca a Lutcharski, comissário do Povo para Instrução Pública. Uma grande liberdade foi concedida aos artistas e Lênin, apesar de seu gosto clássico, guarda uma política de meio termo em relação às diferentes escolas, em particular o Prolekult { para os quais o futuro da cultura seria exclusivamente obra dos proletário, as preocupações estéticas passando para segundo plano}, os futuristas, os imagistas [escola poética fundada sobre o primado da imagem] etc. Entre 1920 e 1930 há um período de desabrochar geral da poesia, literatura, cinema { Encouraçado Potemkim e Outubro de Eisenstein; A mãe, de Pudovkin, etc. ). O Partido não se misturava às discussões entre grupos artísticos. Em 1932 o Partido botou linha dura em cima de intelectuais e os grupos literários foram dissolvidos e colocados na Associação dos Escritores Soviéticos. Stalin preconiza então o “realismo soviético”, exigindo do artista “ uma representação verídica, contritamente histórica da realidade em seu desenvolvimento revolucionário...que devia contribuir para a transformação ideológica e a educação dos trabalhadores segundo o espírito do socialismo” {Pravda, 6 maio 1934}. No período de Lênin não houve problema pois todos trabalhavam uma arte política. Quando os rumos tentaram se abrir {não esquecer que é o período dos grandes movimentos na Europa: anos 20 a 30} para uma arte mais “política e engajada” mas não na linha do Partido, Stalin iniciou o grande expurgo.

Boa parte dos artistas foi suicidada ou desapareceu nos campos da Rússia. Os princípios de Stalin estavam perfeitamente integrados á Teoria geral do materialismo em relação ás Artes. O materialismo nunca teve uma estética: os teóricos não tiveram tempo de formular, os donos do poder estavam preocupados com outras coisas. Só Stalin esteve atento. E como! Mas afinal de que TEORIA estamos falando?


02.5..6 ELEMENTOS:

A sociedade se organiza a partir de 3 níveis: Nível Ideológico} Artes, tradições, costumes, leis...} Nível Político { estado, regimes, partidos etc. } ___________________________________________________ Nível Econômico { Forças de produção, relações de produção...} A barra separa a Infraestrutura (N. Econômico) da Superestrutura (Político e Ideológico). O que determina o MODO como os HOMENS se organizam e vivem é a base econômica. Todas as outras relações que temos em sociedade estão em função dessas relações de produção. Diga-se de passagem essa é uma das mais brilhantes análises de como opera o Sistema Capitalista! No caso da Arte, ou das manifestações artísticas, elas estão determinas pelo modo de produção, que no caso do Capitalismo, separa a força de trabalho do capital e retira do operário o controle e a posse dos MEIOS DE PRODUÇÃO. Marx terá um longo namoro pelas formas artesanais- porque mostram como a produção pode ser organizada a partir da propriedade do Meio de produção. No artesanato, o artesão é dono da ferramenta, do material, de seu tempo, etc. Breve ,Marx tem uma recaída braba pela organização de trabalho existente por exemplo em alguns lugares na Idade Média [ Liga de artesãos, Guildas da Bélgica, por exemplo]. A função social- pois trata-se exatamente de função- da ideologia é servir às classes dominantes para mascarar as verdadeiras posições sociais, para impedir a luta de classes. Essa é a pior e mais baixa definição de Ideologia em Marx. Evidentemente isso foi corrigido rapidamente em algumas cartas e merece ser visto de outra maneira quando lemos o 18 Brumário de L. Napoleão, por exemplo. O porém é que, como sempre “ não tivemos tempo, nem Lênin nem eu...” Breve: a teoria é essa daí mesmo. E quem não tem tempo, depois de consagrar a vida inteira a escrever e escrever um pouco sobre todas as coisas, não pode dar desculpa de falta de tempo. Simplesmente para Marx Ideologias e Política como estruturas sociais, são coisas que se sanam ou se destroem APENAS MEXENDO NA BASE. Foi seu maior erro e da Revolução que se estruturou a partir de seu pensamento. Arte e trabalho artístico é mesmo coisa de vagabundo e perturbador da BOA ordem social. Serve se for um trabalho político. Isso é, de reprodução do pensamento oficial do estado. E foi o que Stalin passou à prática. Estarrecendo o mundo -menos nossos péssimos intelectuais do PC brasileiro que nada liam e eram teóricos de orelha. Eliminou assim a possibilidade de uma “abertura” na Teoria. O PC francês tentou, mas também por sua vez só tentou na teoria. Sua prática continuou não batendo com a teoria. Em resumo: se o trabalho do artista serve [ tem como efeito, funciona para ] “educar o proletariado” a respeito da necessidade de se manter um estado x de coisas, aí sim, e só nesse caso seu trabalho é um trabalho teoricamente "considerável". É um trabalho de enganador, mas “necessário”...

O artista, seja lá como trabalhe, é um bandido ( teoricamente! ).


Se o trabalho do artista não serve para esta “educação do proletário”, não serve como propaganda oficial do estado e do regime. Aí então aplica-se á arte a idéia de inutilidade e mascaramento, elaborada por Marx “quando jovem” { Althusser}. Se esses elementos servem para análise interna de sistemas sociais, por outro lado eles se encarnam historicamente. Assim uma configuração particular das forças produtivas em dada época { por exemplo Brasil, 1980-1993 } é chamada FORMAÇÃO econômica política e social. Termo que serve para indicar o CORPUS mínimo para o analista materialista histórico. Um conjunto de formações é sempre organizado por um SISTEMA geral. Desses sistemas Marx nos brindou com alguns títulos, dependendo dos MODOS DE PRODUÇÃO ai vigentes: MODO DE PRODUÇÃO é exatamente o modo estabelecido em determinado momento em que se configuram, se entrelaçam, as diferentes Forças produtivas. Breve, o Modo de Produção é dado pela forma que assumem as RELAÇÕES SOCIAIS de produção estabelecidas em determinado momento. Há segundo Marx o Modo de Produção Primitivo , o Feudal, o Asiático, o Capitalista; e evidentemente, as propostas para o estabelecimento de um MODO de Produção Socialista, primeira fase para o MODO DE PRODUÇÃO COMUNISTA Este último é algo assim bem próximo da idéia de um Paraíso para um europeu! Já vimos aqui: nele você poderá desenvolver seus dotes rafaelescos, não haverá política etc. Breve: um paraíso para lá de chato pois já o temos há muito tempo nos Trópicos... Uma parte falha das análises de Marx diz respeito exatamente á essa ordenação desses Modos de produção. Sabemos por exemplo que traficou dados sobre a Índia para provar a existência, lá, do tal MP Asiático. Errou por pressa e falta de espírito científico. Se você reparar bem, essa seqüência de MODOS de Produção, que conduzem ao COMUNISMO, já estão ditos de outra maneira em COMTE, em suas famosas etapas da Razão e do pensamento. Toda essa sociologia ou essas análises do social dos meados para os finais do século XIX estava mesmo preocupada em conhecer o presente das sociedades para PREVER o futuro. O que, diga-se de passagem é uma das tarefas da CIÊNCIA. E não da Arte. Os gregos só se preocuparam em ARTE com a eternidade [ o futuro pois], como dirá Benjamim, por não terem MEIOS técnicos de reproduzir em massa suas obras. Tinha-se, então, que trabalhar o bronze, o mármore, pois eram peças únicas. Ora, contra essa corrente toda de pensamento que nos vem do século XIX, poderíamos propor que na raiz do trabalho artístico esteja o desperdício, a corrente contra a Razão e a seu favor ao mesmo tempo, a tensão e o prazer... Do século XIX herdamos a concepção de que as sociedades não se organizam pelo princípio de Prazer, mas de Dever [Racionalidade questionável]. E será em cima desses pressupostos que Nietzsche proporá uma estética a partir dos dois parâmetros: o Belo [ Apolíneo, e certamente o DEVER ] e o PRAZER [ Dionisíaco, e certamente apenas PRAZER ]. Benjamim quando nos diz que a Arte mudou completamente após o advento dos meios de reprodução em massa certamente está nos indicando uma possível passagem das Estéticas do BELO [ e do Dever] para as Estéticas do Prazer . Sem dúvida muito mais relacionadas com o agir social, essas últimas. 02.5..7. Por favor Por favor, não confundir MATERIALISMO HISTÓRICO, que é uma Teoria para análise de relações sociais, com SOCIALISMO!!!! Este último é um Modo de produção, no texto de MARX; e não é coisa alguma no texto da maioria dos políticos brasileiros que empregam o termo ( seja a favor ou contra ). Sociólogo não é pois aderente do Socialismo. Nem sinônimo de Comunista. Nem adepto de partido algum... Se não se entender que estamos tratando de uma TEORIA do SOCIAL e não de uma prática histórica não há como se entender o resto.


Entenda-se de uma vez por todas que PC , PC do B, e todas possíveis subdivisões , têm a ver pouca coisa com o materialismo histórico. São meros partidos políticos, isso é, instituições políticas de mobilização social e tomada de poder. Claro q ue o materialismo compreende a organização dop Político. Mas no caso específioco desses movimentos no Brasil, devemos infelizmente constatar que, em geral se movem por muita ação, bem pouca teoria e bem menos interesse em estabelecer clara e cientificamente a definição de termos que empregam. Via de regra são acometidos (como todo partido) de profunda aversão a qualquer tipo de leitura mais profunda que o jornal diário. Via de regra foram acometidos do mal dos " novos intelectuais" ( algo paralelo ao mal dos "novos ricos"...) . Talvez por isso vivam errando os caminhos da História, cremos nós. Por se terem colocado do lado da barbárie que não pretende erigir nenhum monumento à cultura. Uma religião seca. Mas isso não é nem uma opinião nossa. Ttalvez não passe mesmo de uma mera crença, conmo já informamos....

03 -

RESUMO

A Sociologia como ciência propôs-se o estudo sistêmico do SOCIAL. Este OBJETO de estudo foi compreendido: a- como COISA. Realidade concreta como as da Física. Devendo ser abordado ao modo da Física: estabeleendo-se relaçoes entre tais coisas (agora FATOS) e delas inferindo-se LEIS UNIVERSAIS, como a da Gravidade por exemplo.[ As maçäs sempre cairam na cabeça dos trogloditas,como na de Newton e certamente cairäo na nossa. Caso fiquemos debaixo e macieiras em época de colheita. ]. Comte näo estava à procura da Lei da Gravidade, mas das Leis que regessem o Espírito Humano [ a Razäo], que sempre foi muito grave porém em seu caminhar triunfante. Uma vez descobertas e aplicadas, as Sociedades näo mudariam mais. Seria o Paraiso, julga o cientista do século XIX e alguns malucos do nosso. Seria o Tédio Irremediável julgariam possivelmente os artistas. b- como RELAÇäO. A reflexäo sociológica se importando menos com a delimitaçäo de seu Objeto que com a maneira de abordá-lo [ Isso é: o Método!].E o método para ser científico exigia a possibilidade de estabelecer relaçoes de causalidade entre componentes do social. Considerado como um cruzamento de variáveis, a tarefa do estudo do social se inscreveu dentro de um sistema de estabelecimento e análise de coordenadas cartesianas ( os famosos X e Y que tanto nos perturbaram no vestibular!...). A reflexäo sobre a ARTE passou a ganhar terreno na reflexäo sociológica pela verdadeira epidemia de estudos “antropológicos” { Ou, entäo, de “povos primitivos”). O enfoque da Antropologia é essencialmente "relacional" [ Povos primitivos X povos não primitivos etc...]. COMTE enviara a Arte para os Limites longínquos do pensamento mítico-religioso, préracional. Malinowski e tantos outros sairam atrás. E como estavam tratando de algo bem básico, inicial, primitivo...e porque näo quase-ao-nível-do- simples-organismo-vivo, porque näo levar na bagagem manuais de Biologia, em lugar do de FISICA? A arte caiu na regiäo das NECESSIDADES BIOLOGICAS e suas transformaçoes em contanto com o Meio físico etc... Aquele método de se


raciocinar sobre protozoários e seu desenvolvimento passou a ser aplicado para as atividades “protozoárias” do homem: religiäo, magia, xamanismo, arte.... Em Durkheim quanto em Malinowski O SOCIAL é estudado como uma relaçäo. Cuida-se mais do método do que do OBJETO. c- como LINGUAGEM e DISCURSO. Próximo aos pressupostos nominalistas, o estruturalismo näo se importará com Físicas do Objeto ( realismos comtianos), nem com um método de sua abordagem plana ( as coordenadas cartesianas e as equaçoes empregadas pelo funcionalismo só se adequam à geometria plana, de desenho no papel.). O Social, tanto do analista (sociólogo) quanto do analisado (sociedade X) era trama de linguagem e discurso. Quando a sociedade ( por ciência ou näo) estabelece LEIS físicas ou naturais (biológicas) a validade científica delas é dada enquanto troca de signos e processo de comunicaçäo. O Social é a trama dessas trocas.. Evidentemente, isso aqui é resumo supra-condensado. Lembramos que será após as andanças de antropólogos em busca do conhecimnento das sociedades primitivas que os estudos de Arte se desenvolveram em sociologia. Lembramos também que uma sociologia da arte só pode começar a se estabelecer na revisäo deste processo - que se faz basicamente em 03 áreas:

a- Revisäo da posiçäo, comum a funcionalistas, positivistas, estruturalistas ( há uma unanimidade nisso... e toda unanimidade é no mínimo burra!) de colocar os estudos de ARTE em relaçäo a ESTADOS MENTAIS, PSICOLòGICOS, OU ORGANIZACIONAIS primitivos. Arte não é coisa mental apenas, não tem muito a ver com indicidualidades ( mas com o socio-cultural, o grupal ), e dificilmente espelha qualquer sistema organizacional ( é mais frequente se a encontrar no papel de vazão da desordem do que da ordem...). Há até artistas que gostam da idéia de serem tratados como “meio-primitivos”, meio- mágicos”, meio-inspirados por deus” mas isso não passa de uma tolice. É uma herança do romantismo do século XIX que ficou enraizado na sociologia e antropologia.Uma coisa é se estudar sociologicamente a arte entre os Caxinauá. Outra é só estudar a Arte dos Caxinauá [ Tribo primitiva de Pernambuco ] , tentando interpretar qual a significaçäo social dela para nós... Enquanto arte Caxinauá ela só tem significado social para os Caxinauá. Para nós pode ter significado estético, o que é outra coisa. Claro que posso me indagar sobre o que significa socialmente a pintura corpórea ou o enfeite plumário Caxinauá. O que não posso é ter vislumbrado aí um "estado de espírito", ou a " mentalidade" , ou a "örganização social" Caxinauá que eu identifique como PRÉ- qualquer-coisa do nosso sistema, mentalidade, estado mental ocidental. Pois nosso estado mental será sempre Pós - qualquer - coisa! Ser Pós, nos evita de ser primitivos. Nos garante o uso da Razão! Noventa por cento dos estudos antroplógicos de sociedades que nos precederam a nosso tempo ocidental ou se diferenciaram de nossa civilização letrada ou menos letrada mas que decidimos enumerar com " fazendo parte de nossa história"- 90% disso foi esforço jogado fora. Pois foi mera busca de justificativas a nosso comportamento mental, psicológico e organizacional. Se não existisem índios, nós antropólogos os teríamos inventado... Como inventamos hereges, loucos,párias, .bruxas e outras coisas mais. A primeira tarefa é pois varrer de nosso conheceimento um acumulo de pressupostos e prejulgamentos do século XIX, ao tentarmos analisar a arte no nosso ou em qualquer outro século ou território... O mais enraizado desses pressupostos é o do desenvolvimento mais ou menos harmónico da Razäo Ocidental. Que por mais insignificante que seja nosso trabalho artístico ( ou pior que seja) nos dá sempre a garantia de , apesar de estarmos numa atividade meio atrasada,meio irracional, nós somos o que há de melhor. Porque chegamos depois! Este defeito do pensar também näo se corrige botando os Caxinauá à nossa frente.


b- Amplificaçäo das áreas, zonas, territórios, espaços que possam ser compreendidos como Arte. O estruturalismo nisso nos prestou um bom serviço. Veja-se por exemplo Merton (entre funcionalista e estruturalista) que enveredou pelos meios de comunicaçäo modernos. Nossa análise da arte deve abarcá-la em suas formas ou expressoes mais recentes.Cinema, por exemplo, ainda pe dado como uma atividade técnica pura de “comunicaçäo”.A Propaganda, idem. O grafismo dos muros de nossa cidade,idem. Nós estamos imersos numa variedade imensa de materiais e creio mesmo de linguagens. E nem os artistas estäo sabendo o que dizer sobre isso. Nossa teoria da arte, nossa estética, está táo empobrecida e “cegada” quanto a sociologia da arte que só considera caduveus, magias, religiosidades e coisas assim em relaçäo ao fazer artístico e ao” viver em arte” numa sociedade. Enfrentamos hoje, em lugar do discurso da Física ou da Biologia, a dor de cabeça empobrecedora do discurso da economia. Só se fala em mercado e na grana que se ganha ou näo com Arte. Evidente isso hoje é importante pois estamos, por exemplo nos EEUU, dentro de um sistema global que tem no ganho da moeda seu mais alto valor. Está na hora porém de se rever esse discurso, porque a fase do capitalismo financeiro, mercantilista, nos parece tambem que já passou de há muito. Nós é que näo queremos ver. c- Para de analisar o social e a arte dentro do social apenas sob o ângulo de sua manifestaçäo de “instituiçäo”, isso é ordenada, adequada a um sistema. Procurar descobrir como ela está mudando socialmente ou sendo mudada socialmente. Quais relaçoes mostram hoje seus rumos, e como se pode alterá-las. Näo mais uma simples Sociologia da Arte , mas uma Sociologia da Revoluçäo Artística.

NOTA BENE : Quando pretendemos RELACIONAR ARTE E SOCIEDADE, existem delimitaçóes de terreno já feitas, que não podemos simplesmente fazer que näo vemos, ou imaginar que näo operam. Por exemplo: as teorias e definições da Estética, as práticas específicas de cada campo artistico, etc .. Cremos que só a partir dessa colocaçäo é que poderemos tentar uma praxis analítica da Arte, que pelo menos tenha um interesse mais geral do que apenas para a igrejinha dos sociólogos ou a paróquia dos estetas. Há que se entender academicamente que inventar meios técnicos de análise näo é tarefa nada difícil. Todo aquele que teve um mínimo de contato com a realizaçáo artística, sabe que EVIDENTEMENTE a técnica é necessária. Mas que só com técnica, näo conseguimos nem levantar o pincel em direçäo ao quadro. Pois não teremos NADA O QUE PINTAR. O maior problema dos estudos de sociologia das artes é de continuarem a tratrar de um campo que é delimitado por questões de ESTETICA que se resolvem por meio de práticas significantes específicas. É como se tentássemos fazer a sociologia da estética. É impossível e absurdo. O que fazer ? a - Podemos tratar de aspectos da sociologia que possam a ver com teorias estéticas. Caso em que um dos campos ( a sociologia) será transformado em particularidades.


[ Isso é: não é concebido como totalidade...] Caso tratemos de aspectos da estética que possam a ver com teorias sociológicas, estaremos fazendo o mesmo, só que desta vez inveertendo o polo das particularidades. b - Tratar um dos campos do saber como uma PRÁTICA SIGNIFICANTE, em relação ao outro. É assim que podemos muito bem definir como um estudo, o caso da arte dos sociólogos ... [ isso é = aspectos do fazer belo, próprios e diferenciados desse agente bem definido... ] Invertendo os polos da Teoria e Prática significante, podemos estudar: a sociologia do artista!... Etc... Os casos aqui propostos provavelmente não têm muito inmteresse para nenhum dos dois campos. Só os indicamos para exemplificar metodicamente como um campo se apropria do outro transformando-o em prática, isso é: trabalhando intelectualmente do Geral para o Particular. [ modalidade que nos permite deduções válidas ] Como fazer? O modo mais comum e fecundo de transformar um campo estudado em prática significante, ou em particularidade [ ambas exigências da mesma lógica ] é tratá-lo HISTORICAMENTE. A entrada das ciências humanas no século XX se deu desta forma. É isso sobretudo que devemos em Sociologia a um Hegel, a um Marx. As divergências deles SÃO menos QUANTO AO PRINCÍPIO metodológico, do que quanto à definição [ = limites] própria que ambos têm de História. Isso significa que foram contaminados pelo campo da particularidade. Que no caso é também uma Ciência Humana, a História. Para nós isso é suficiente para mostrar a seriedade de suas teorias. Foram, lá na História pegar algo mais que meras particularidades: foram pegar a trama como elas eram tecidas pelo campo teórico/analítico da História. É dentro da mesma perspectiva que ao darmos a disciplina Sociologia da Arte, a maneira mais adequada é: 1 - Nos situarmos em relação à ARTE. Não enquanto estética pura, mas enquanto estética aplicada a uma região própria, a um fazer próprio, a uma arte determinada, particular, concreta. Nosso texto Sociologia da Arte aborda o Teatro sob essa técnica. As razões de nossa escolha do Teatro e não de outra arte, como "prática significante" ou como "particularidade"[ ou como "estudo de caso", como se dizia muito mas muito antigamente...] serão explicadas na hora devida. 2 - Ao analizarmos o TEATRO, nos ater à sua história própria , a seus elementos próprios. Caso contrário, nossa "particularização" se transforma em mero jogo retórico vazio. É esse o objetivo do nosso terceiro estudo , agora siom, chamado propriamente de Sociologia do Teatro.

4 - ESQUEMA GERAL Dividimos nosso trabalho em 3 grandes blocos: 1]

Teorias Sociológicas

É um estudo introdutório à Sociologia da Arte.


Segue de perto o programa de Sociologia Geral- ao qual anexamos, ao final de cada corrente, um rápido resumo de sua posição teórica e analítica diante da Arte. O enfoque que aqui damos é o ideal para quem está iniciando a Sociologia.

2]

S ociologia da Arte: Teatro

Um estudo em que retomamos o pensamento de Jean Duvignaud , um dos únicos formuladores de uma teoria e método próprios de análise cuidadosa de uma arte especícfica, no caso o Teatro. Analistas temos muitos,. Cuidadosos, bem poucos. Mas apenas os cuidadosos nos permitem o diàlogo aberto com aqueles que são os agentes históricos da arte: os artistas. Os outros apenas nos permitem conversarmos inter pares, (entre sociólogos), o nosso interminável, autosuficiente e entediante monólogo de carmelitas. Passaremos depois ao estudo da história e dos elementos específicos desta arte. O que constituiria uma base propriamente dita para uma: 3]

Sociologia do Teatro.

Essa localização do Teatro dentro de uma Sociologia é feita de propósito. Queremos marcar nossa filiação aos estudos de Duivignaud, mas ao mesmo tempo nossa diferença. Com efeito,Duvignaud , em sua Sociologia do Teatro tinha uma preocupação muito forte com a necessidade de se analizar o Ator e sua relação com um espaço de trabalho, próprio de uma época, mas que conseguiu ser mantido incólume até bem pouco tempo: o palco italiano. Esse nos parece o lugar privilegido da reflexão de J.Duvignaud. Claro, ele vai bem além disso, mas básicamente é esse o centro de seu questionamento: tudo leva aí. Ora, apesar de gratos a seu trabalho pioneiro, e à riqueza de informações que nos oferece julgamos oportuno propor um caminho diferente, mais amplo: Nosso centro de preocupação em sociologia é como os homens ao longo de sua existência criam condições específicas, de trabalhos específicos .- E, só desta maneira ( quase que artesanal, mesmo que se use “a mais avançadas das mais avançadas das tecnologias”( para não dizer que não citamos Caetano...), conseguem exercer aquilo que lhes dá sua característica societária própria: as condições de seu

trabalho e a transformação das condições de seu trabalho! . Esse último aspecto é que nos dá nossa dimensão histórica . E esta é, certamente, a única coisa que interessa ao gênero humano esteja ele sob que sistema for, seja ele fraccionado em que sistema de classes for. Em Sociologia do Teatro propomos revisitar os centros de interesse desta atividade, mas primeiramente do ponto de vista do interesse daqueles que fizeram e fazem sua história. O fato, por exemplo, dos dramaturgos irem paulatinamente retrabalhando as vozes do Coro e individualizando essa multidão, nos parece ter mais interesse do ponto de vista sociológico do que do próprio ponto de vista cênico.


Mas para tanto precisamos aprender a distinguir os diferentes passos dessa transformação Isso significa , com simplicidade, ir lá para conhecer a sua história própria. Foi essa nossa orientação, ao escrevermos o terceiro bloco de nosso texto. BANCO DE DADOS RECIFE

* 1995 *


SA1TEORIASSOCIOLOGICAS