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editorial

ficha técnica

Nova Iorque é um ponto na terra inexplicável pela razão. É um cruzamento de cruzamentos, de sincronias. Marcada pela flutuação de uma energia que faz entender geografias pessoais e sentidos que explodem pela eventualidade em balões de criatividade. Uma espontaneidade que se vive nas pessoas. A propósito da incursão da DIF no coração da cidade pela mão do evento Red Bull BC One, decidimos dedicar este número de fecho de ano aos universos perdidos que facilmente se encontram em Nova Iorque se for dado um mergulho paralelo à Estátua da Liberdade, ao Empire State Building e a todos os fogos de vista que fazem distrair do essencial. Nesta edição, encontrarão viagens aos luminosos túneis das origens do free-jazz, do hip hop, dos submundos do punk e do rock. Viagens ao imaginário colectivo da Nova Iorque dos artistas, que afinal são gente feita de angústias nublosas e manhãs de brilho que luta simplesmente pela liberdade. Retratos das vidas sem escolha, do crime, de vazios individuais e lendas do tráfico.

Editor‑in‑chief Trevenen Morris‑Grantham trevenen@difmag.com

info@difmag.com www.difmag.com myspace.com/difmagazine

Design G ráfico & Direcção Criativa José Carlos Ruiz Martínez joseglobal@gmail.com

Redacção e Departamento Comercial Rua Santo António da Glória 81. 1250-216 Lisboa Telefone: 21 32 25 727 - Fax: 21 32 25 729

Editora de Moda e Beleza Susana Jacobetty

Propriedade Publicards, Publicidade Lda.

Edição Filipa Penteado (Moda . Cinema) filipa@difmag.com Pedro Primo Figueiredo (Música . Cultura) ppfigueiredo@difmag.com Célia Fialho (Música . Arte . Cultura)

Distribuição Publicards - publicards@netcabo.pt

Depois deste sonho, onde acordaremos amanhã?

Este mês André Gomes, David Carvalho, João Tordo, Manuel Simões, Mário Príncipe, Mário Vasa.

Colaboradores A. Ribeiro Cru, Ana Cristina Valente, Carlos Noronha Feio, Carolina de Almeida, Emanuel Amorim, Hugo Israel, João Bacelar, José Reis, Laura Alves, Laura Hamilton, MANU, Margarida Rocha de Oliveira, Miguel Gomes-Meruje, Nuno Moreira, Pedro Gonçalves, Raquel Botelho, Ricardo Preto, Rita Sobreiro, Sara Vale, Sónia Abrantes, Telmo Mendes Leal, Tiago Santos, Tiago Sousa.

Impressão BeProfit ‑ Av. das Robíneas 10, 2635‑545 Rio de Mouro Sogapal ‑ 2745‑578 Queluz de Baixo Registo ERC 125233 Número de Depósito Legal 185063/02 ISSN 1645‑5444 Copyright Publicards, Publicidade Lda. Tiragem e Circulação média 21 000 exemplares Periodicidade Mensal Assinatura 10 €

Fotografia João Bacelar Styling Susana Jacobetty

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I lustração David Carvalho www.behance.net/Karpa M aquilhagem e C abelos Inês Pais Modelo Milena Cardoso Elite Lisbon M áscara Rita Faustino C asaco Nike Sportswear

Errata «Na edição passada, a maquilhagem da ru‑ brica Levis Unbuttoned foi creditada a Maria João Fialho. Os créditos correctos são: Maria João Rufino. Pedimos desculpa pelo erro e dei‑ xamos aqui a rectificação.»


índice

08. Kukies Jonathan & Kevin Sampaio, Unbuttoned Texto Filipa Penteado Fotografia Mário Principe 10. Kukies - Moda Reebok – Pump it up! Texto Carolina de Almeida 12. Kukies - Moda Nike – Rivalry Collection Texto Carolina de Almeida 14. Kukies - Moda Fashion Force 33 – Moda Lisboa Texto Filipa Penteado 18. Kukies - Design Pela sala fora Texto Laura Alves 20. Kukies - Fotografia Per View Texto Carolina de Almeida 22. Kukies - Arte Visionaire’s ‘Smart’ art Texto Laura Alves

índice

28. Kukies - Arte Robert Bradford - Toys Art Us Texto Laura Alves 30. Kukies - dvd Street Stars Texto Miguel Gomes-Meruje 31. Retro Culture A fogueira do bairro Texto Célia F 32. Places 33. O que andamos a ouvir 34. Música Julian Casablancas, Dança comigo Texto Pedro Figueiredo 35. Música Heartsrevolution, A banda revolução de Nova Iorque Texto Sara Vale 36. Música Flores Selvagens, A Liberdade do som e do ritmo Texto Tiago Santos 38. New York, New York Texto João Tordo

40. Simplesmente...Nova Iorque Texto Ana Cristina Valente 44. Entrevista Rodrigo Amado, A música retratada ao pormenor Texto José Reis 46. Milton Glaser Texto Laura Alves 48. CBGB Texto Pedro Gonçalves 50. Red Bull BC One, New York 2009 Texto Célia F 56. Moda Heart of Glass Fotografia João Bacelar Realização Susana Jacobetty 64. Moda Metropolis Fotografia João Bacelar Realização Susana Jacobetty 72. Shopping, beleza 78. Agenda Destaque, Música, Arte, Cinema 83. Guia de Compras

Foto: Kenton Thatcher


Alejandro Levacov nasceu em Buenos Aires em 1973. Estudou Design Gráfico e trabalhou em publi‑ cidade, até deixar o seu país em 2001. Mudou-se para Barcelona onde desenvolveu vários trabalhos heterodoxos. Actualmente, vive e trabalha em Lisboa. É representado pela Who - Creative Talents Agency. Nesta edição da DIF, con‑ tribui com a ilustração na página 39. -- João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Formou-se em Filosofia e estudou Jornalismo e Escrita Criativa em Londres e em Nova Iorque. Trabalha como guionista, depois de ter passado pelo jornalis‑ mo. Publicou três romances, O LIVRO DOS HOMENS SEM LUZ, HOTEL MEMÓRIA e AS TRÊS VIDAS. Em 2009, recebeu o Prémio Literário José Saramago. Nesta edição da DIF, partilha connosco as suas memórias de Nova Iorque. -- André Gomes começou a colaborar com a webzine Bodyspace.net em 2004 (acabando por se tor‑ nar editor do mesmo) e mais tarde com as revistas Mondo BIZARRE e DIF, assim como o jornal UM. Actualmente, colabora com a revista BLITZ. Entre 2004 e 2009 fez parte do colectivo experimental DOPO, que editou um EP e três álbuns. Em 2007, começa a colaborar com o Auditório de Espinho nas áreas da Comunicação, Produção e Programação das áreas do pop/rock, jazz, teatro, dança e novo circo. Em 2008, criou o Festival Tonalidades, dedi‑ cado à música portuguesa, que apresentou já nomes como JP Simões e Dead Combo. Este mês, anda a ouvir Sonic Youth. -- Rodrigo Amado nasceu em 1964 e es‑ tuda saxofone desde os 17 anos. Desde então desenvolve uma intensa actividade musical com uma maior incidência nas áreas do Jazz e da Música Improvisada. Em Setembro de 2001, funda a editora Clean Feed, juntamente com Pedro Costa e Carlos Costa, totalmente dedicada à edição de projectos na área do jazz contemporâneo, projecto que abandonaria no início de 2005. Actualmente, dirige a sua própria editora, European Echoes, e lidera a formação Lisbon Improvisation Players. Inaugura por estes dias a exposição fo‑ tográfica «East Coasting», na Galeria Módulo, em Lisboa, e apresenta à DIF alguns dos seus trabalhos registados em Nova Iorque. -- Manuel Simões nasceu em Lisboa em 1983. Cresceu nas Caldas da Rainha. Em 2002, vem estudar para a capital, licencia-se em Comunicação Social e Cultural e agora trabalha na revista de bordo da TAP (UP). De entre as bandas em que tocou destaca os Plasticine. A editora Bee Keeper incitou-lhe o espírito DIY e muita da mú‑ sica que ainda hoje ouve. Faz parte da formação de Gomo desde 2001 e em Dezembro prepara-se para ir Europa fora com os Norton, com quem colabora desde sempre. Roda discos como Anorakispo e com os The Peacocks e é editor do fanzine EVASÃO!. Gosta de fotografia, pás‑ saros, moinhos de energia eólica e das nova-iorquinas Au Revoir Simone, sobre quem escreve este mês na DIF. --

6 este mês

www.pepejeans.com

De cima para baixo.


Calças Levi’s 501. Camisas e T-shirts Levi’s Red Tab Chapéu do próprio

Jonathan & Kevin Sampaio Unbuttoned

Texto Filipa Penteado Foto Mário Príncipe Styling Filipa Penteado assistida por Andreza Sousa Maquilhagem e cabelos Laura Hamilton Kevin

Jonathan Sampaio nasceram em França, Felgueiras muito cedo. E xestudantes de educação física, o desporto sempre fez parte da vida destes gémeos. Fazem um pouco de tudo, mas o karaté é a sua modalidade favorita . e

mas vieram viver para

Com pouco mais de vinte anos, transformaram-se nos manequins Portugueses mais requisitados internacionalmente. No espaço de dois anos, fizeram vários editoriais e desfiles, nomeadamente Dolce&Gabanna, Armani, Dsquared, John Galliano, Versace e Moschino. Passam mais tempo em Milão ou em Paris do que em Portugal e vêem um no outro um grande apoio emocional quando viajam. Normalmente, trabalham juntos e são vistos como um só. O ar andrógeno misturado com traços bem vincados dá-lhes um ar versátil. Tanto podem encarnar “personagens” muito masculinas, perfeitas para marcas como a Dolce&Gabanna, como podem assumir um ar mais frágil e inusitado. Entre editoriais e desfiles, dizem preferir os últimos. A adrenalina do momento torna-os especiais. Em fotografia tudo se pode repetir, na passerelle não. Apesar do sucesso repentino, os gémeos Sampaio mantêm uma simplicidade desarmante. Embora a cotação de mercado esteja nas alturas, os pés estão bem assentes na terra. No futuro, depois de terminarem a carreira de manequins, esperam terminar o curso que deixaram a meio. Kevin quer enveredar pela fisioterapia, Jonathan gostava de ter um negócio próprio, mas por enquanto deixam a porta aberta para novos sonhos. Nunca se sabe o que pode acontecer entretanto. Para já, vão continuar a viajar pelo mundo e a trabalhar. A DIF fotografou-os num beco de Lisboa, numa das suas rápidas passagens por Portugal. Enquanto os vemos partir em direcção ao pôr do sol, há tempo ainda para a última e inevitável pergunta: Quem é que gostariam de ver Unbuttoned? «Gostariamos muito de ver Unbuttoned a manequim Elsa Correia, pela sua beleza e postura enquanto profissional de moda». Enquanto nós pensamos nesta sugestão, vocês podem tentar descobrir o que distingue os “nossos” gémeos. Damos apenas uma pista: são menos de sete DIFerenças – pelo menos físicas – e são tão pequenas que apenas os mais atentos costumam reparar...

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Pump it up! -- Reebok celebra 20 anos dos Pump -- Vinte anos depois de terem sido criados, os Pump continuam a ser um ícone do cal‑ çado desportivo. A Reebok presta-lhe a homenagem de aniversário com 20 novos modelos de edição limitada. A marca está a colaborar com duas dezenas de lojas street wear, da Europa à Ásia, passando pelos EUA e Austrália, para criar as 20 versões para comemorar o ani‑ versário, dando oportunidade aos revendedores de per‑ sonalizar o clássico design de forma inovadora. Além da edição limitada, cada parceiro vai ainda disponibilizar dois conjuntos de cores Pump originais. Mas, as celebrações não ficam por aqui. A Reebok lan‑ ça também a 20 de Novembro um filme com a histó‑ ria dos célebres ténis de basquetebol dirigido por Colin O’Toole. Todos os passos das comemorações poderão ser acompanhados www.pump20.com. O Pump, lançado em 1989, saiu da mente brilhante de Paul Litchfield, um amigo bombeiro que desenvolveu o design aproveitando o seu conhecimento de fisiologia e os avanços referentes a materiais de produção huma‑ na. A tecnologia Pump, que ao ser pressionada enche uma almofada de ar que apoia e se adapta ao pé, de‑ pressa encontrou fãs nas mais diversas áreas do desporto e arredores. Este modelo da Reebok tornou-se símbolo após o jogador Dee Brown se ter baixado para encher os seus Pump Omni-Lites antes de vençer o Concurso de Afundanços All-Star, em 1991. CA

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Foto: James Pearson Howes

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Parra e Cassette Playa for Nike Sportswear -Quando a Nike Sportswear se junta a dois pesos-pesados como Cassette Playa, de Londres, e Parra, de Amesterdão, o resultado só pode ser colossal. A marca desafiou os dois designers a criar cada um a sua própria equipa de desporto, o que se traduziu numa colecção que vai até ao fundo da psique do desporto para apresentar a rivalidade - Rivalry - na sua essência. A Rivalry Collection pretende ser um tributo ao espírito competitivo que faz o despor‑ to perpetuar. Cassette Playa e Parra pegaram nos desenhos icónicos da Nike e elementos técnicos para fazer um remix altamente corrosivo. De um lado, a formação de Parra - Lovely Loners, um hino anti-rivalidade, com um estilo de cores vivas e quentes que representa as equipas que nunca vencem. Do outro lado, Chimeras, a equipa da jovem designer londrina, que se apresenta como uma “fusão mutante de criaturas da terra”, sem medo e focada em ganhar, constituída por “duas partes do cérebro que competem uma contra a outra, numa batalha interna infinita”. Daí a utilização de cores ácidas, como o verde, o laranja flúor, fuschias e azuis. Para quem já conhece o estilo futurista de Carri Mundane (aka Cassette Playa) sabe que este é o registo a que sempre nos habituou. A explosão de cor, os ele‑ mentos futuristas, o cenário new rave dominado por tons neon, as inspirações dos anos 90, a cultura skater, o anime japonês, os prints animais... são algumas das re‑ ferências que fazem parte do universo Cassete Playa. Nomeada British Menswear Designer do ano em 2007 e melhor designer pela Rollingstone Magazine o ano passado, Carri Mundane conseguiu criar uma legião de fãs que partilha as mesmas aspirações e estética. A estilista londrina depressa formou a sua tribo e ganhou reconhecimento em todo o mundo, muito mais do que pela sua marca de streetwear. Além de aparecer constantemente na Vogue britânica e na New Musical E xpress, Cassette Playa conta com importantes colaborações no mundo da música e da moda, com destaque para Bilionaire Boys Club, The Klaxons, M.I.A e a Nike. Carolina de Almeida

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Moda Lisboa

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Fashion Force 33

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Moda Lisboa encerrou a pasCascais. Em 2010, a semana de moda nacional voltará para a capital. A despedida da Cidadela foi marcada por um moderado optimismo, que se traduziu em cores quentes (vermelho, rosa forte, coral e amarelo açafrão) e em silhuetas fluidas e drapeadas. Até designers “dark ” como Luís B uchinho se renderam a um Verão mais leve e simplificado. Ricardo Preto levou essa simplificação ao extremo, numa colecção marcada por peças de elegância minimal. Alexandra Moura, sempre consistente e rigorosa no seu trabalho, mostrou-nos como a cor pode realçar silhuetas geométricas. última edição da

Os anos 80 vão continuar a marcar presença na pró‑ xima estação. Os ombros acentuados e as aplicações de tachas são substituídos pelas cores fortes e pelos vesti‑ dos justos. Os zipps continuam a ser uma das grandes tendências. O preto dá lugar ao azul-escuro e ao cinzento, com apontamentos de bronze. Numa edição bastante homogénea, destacamos a co‑ lecção de Filipe Faísca – moderna, elegante, sofisticada e arrojada. Embora algumas das peças não sejam novidade, ficamos sempre rendidos às suas capacidades técnicas. O trench coat ou o vestido em mousseline e pele são bons exemplos. Deixamos aqui alguns dos melhores desfiles, vistos pela perspectiva sempre original de Mário Vasa.

Alexandra Moura Luís Buchinho Katty Xiomara A Forest Design White Tent Dino Alves Ricardo Preto Victor

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sagem do evento por

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Texto Filipa Penteado Fotos: Mário Vasa 2

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Adidas

Primavera-Verão 2010

terceiro dia da

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O desfile foi pontuado pela presença de várias caras conhecidas, de áreas tão distintas como o desporto e o entretenimento, provando que a Adidas, tal como a sua roupa, é uma marca com muitas facetas. A versatilidade e abrangência das peças criadas por Fafi é o grande destaque da colecção. A Adidas é cada vez melhor na oferta de roupa que ultrapassa o universo do desporto. A colaboração com Jeremy Scott, na estação passada, é um bom exemplo disso. As peças eram o cru‑ zamento perfeito entre elementos desportivos e referências “high fashion”. Para o próximo Verão, Fafi continua um pouco a estética de Scott, usando materiais como a seda e pormenores como as lantejoulas e as transparências. Entre as várias linhas que desfilaram na Moda Lisboa, destacamos as seguintes. A linha Women Select é a mais colorida, com o verde lima em destaque. Inspirada pelos arquivos dos anos 80 da Adidas, os materiais sintéticos foram os mais usados – poliéster, poliamida e elastano. Tal como nos “eighties”, o símbolo do Trevo foi o elemento gráfico de eleição. The Original Game é uma homenagem ao Mundial de Futebol que se vai realizar na África do Sul em 2010. Esta linha foi dividia em três cápsulas – Glamour, Clássico e Makana. O destaque vai para as réplicas de peças de equipas históricas do Mundial, que podemos encontrar na cápsula Clássico. Dentro do mesmo conceito revivalista, temos a linha Vespa. Baseada na cultura Mod, esta linha une os valores estéticos da Vespa e da Adidas. As cores predominantes são o branco, o verde seco e o azul. Embora ainda tenha poucas peças e seja uma linha em crescimento dentro da marca, é, sem dúvida, uma das nossas favoritas.

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Moda Lisboa, foi a vez da Adidas tomar conta da A designer francesa Fafi voltou a colaborar com a marca Alemã, criando uma colecção marcada por uma forte componente gráfica. passerele.

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Texto: Filipa Penteado Fotos: Mário Vasa

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BikeFurniture

Lamponi

Bel & Bel

Estamos

em crer que, se a dimensão da casa o permitisse, muita gente teria no

quarto ou na sala a sua mota ou carro de estimação.

Não chegando a esse ex– Vespas e L ambrettas –, de carros antigos – Cadillacs, Mustangs ou Chevrolets – ou mesmo de modernas bicicletas permite decorar o lar doce lar com pinta de E asy Rider. Se não puderes ser um cowboy do asfalto sê, pelo menos, um cowboy da alcatifa . tremo, a reciclagem de partes de motas

Bel & Bel Em Barcelona, Charles Domenech, designer, e Jesús Vilarnau, artista plástico, são os rostos da Bel & Bel. O estúdio propõe uma viagem entre os estilos vintage e contemporâneo em que motas e automóveis se revelam inteligentes peças de design. A parte dianteira de um Fiat 600 transformada em sofá merece destaque, mas a menina-dos-olhos é, sem dúvida, a cadeira Vespa, com modelos em várias cores e à medida do freguês. Mais pormenores em www.belybel.com. Lamponi’s Não há como esconder um sorriso ao depararmo-nos com os candeeiros de mesa do italiano Maurizio Lamponi. A partir de peças originais de Vespas e Lambrettas antigas Lamponi cria “candeeiros motorizados” aos quais não falta sequer o farol. Bem restauradas, pintadas e polidas, as peças de mota transformam-se em objectos vintage únicos que podem ser feitos por encomenda. Para descobrir em www.lamponislamps.com/motorcycle.html.

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Bel & Bel

Bike Furniture Algures no estado norte-americano de Michigan, Andy Gregg deu um novo sentido ao termo bicicleta todo-o-terreno. Com aros metálicos e pneus, quadros, selins, câmaras-de-ar, guia‑ dores e outras peças que a imaginação quiser Andy – que começou a carreira como mecânico numa loja de bicicletas – cria cadeirões, mesas, bancos e sofás. Por vezes, são também incluídas partes de outros meios de transporte, como no caso das mesas de café, cujos tampos provêm de janelas de carros e comboios. Nada como pedalar até www.bikefurniture.com. Route 66 Para a maior parte das pessoas o banco de trás do carro estará associado a recorda‑ ções de adolescência e de namorados/as mais atrevidos/as. Na Route 66, uma loja vinta‑ ge perto de Zurique, os bancos de trás de Cadillacs, Chevrolets e Corvettes, entre outras marcas de automóveis dos anos 50 e 60, são transformados em sofás dignos de um Elvis ou de uma Marilyn. Feitos a partir de carros originais, os sofás respondem ao gosto dos clientes e são entregues em 2 ou 3 meses. Acelera em www.route66store.ch/autosofa.

Pela sala fora

Texto: Laura Alves


Ao

ouvirmos a palavr a palácio é difícil não tr ansportar de imediato o

nosso imaginário par a outr as épocas , de príncipes e princesas , reis e reinados , romances e fantasias .

C átia C astel-B r anco,

fotógr afa , produtor a criati -

va e stylist, também sofre desse mal e quando lhe pedir am par a participar no projecto das comemor ações centenárias do

2001

acolhe o

P estana Palace H otel ,

Palácio Valle F lôr ,

que desde

todo um mundo encantado lhe sur -

giu na mente .

O convite veio do Grupo Pestana, que contava fazer uma brochura. Mas, perante a imponente história do Palácio de Valle Flôr, Cátia não conseguiu re‑ colher as asas da imaginação e as ideias ganharam forma num projecto bem mais ambicioso – um livro. PER VIEW presta assim uma homenagem ao Palácio Valle Flôr em 70 ima‑ gens captadas por Cátia Castel-Branco nos diversos espaços do hotel, evo‑ cando histórias de fantasia e realidade que a artista reproduziu da sua própria experiência. «Instalei-me um fim-de-semana no hotel, a observar. Fui surpreendi‑ da por uma série de acontecimentos: encontros de amizade, estadas românticas, festas, casamentos, jantares em família», conta à DIF. As imagens reflectem, assim, esta «mistura e contraste de estilos de pessoas que caracterizam a faceta ecléctica dos clientes do cosmopolita Pestana Palace Hotel», com «actores, rock stars, quadros executivos e a elite de turistas que vi‑ sitam Lisboa», mas também histórias imaginadas de outros tempos. O resultado? Um conjunto de «imagens com uma linguagem contemporânea onde o passado convive com o futuro e a calma clássica com a irreverência de agora», explica. Neste «espaço histórico cheio de vida e tradição glamorosa, palco das mais belas histórias de amor», como define Cátia, conviveram, para dar alma ao projecto, diversas personalidades do meio artístico como Zé Pedro (Xutos e Pontapés), os actores Felipe Duarte, Catarina Wallenstein, Welket Bungué, Anabela Moreira, David Almeida, o casal Prietzel e Pedro Espírito Santo. A di‑ recção artística ficou a cargo de António Branco.

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Per View Texto: Carolina de Almeida - Fotos: Cátia Castel-Branco


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Visionaire’s smart art 2010 -- Antecipando o ano novo que aí vem, a revista de artes nova-iorquina VISIONAIRE junta esforços com a marca de carros Smart em “Visionaire 2010”. A iniciativa é motivada pelo lançamento da nova geração do Smart fortwo eléctrico e tem a forma de um calendário electró‑ nico que reúne 365 obras de arte contemporâneas. As obras fo‑ ram seleccionadas por 52 personalidades do mundo da arte e da moda: Klaus Biesenbach, Dakis Joannou, Christine Macel, Nancy Spektor, Dasha Zhukova, Louise Bourgeois, Natalie Portman, Kate Moss, Marc Jacobs, entre muitos outros. Esta edição electróni‑ ca da VISIONAIRE será distribuída por todo o mundo a partir de Dezembro, mas com uma edição limitada de 4 mil cópias. LA

Curator: Massimiliano Gioni Artista: Paola Pivi

Curator: Francesco Bonami Artista: Adel Abdessemed Curator: Guan Yi Artista: Zhang Peili

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S E I K U K Curator: Helmut Lang Artista: Urs Fischer


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Alain Mikli -- Made in Passion -- Já está disponível no Oculista das Avenidas a nova colecção de Alain Mikli, pautada pela irreverência e originalida‑ de. O criador propõe óculos de formas arrojadas, em tons de vermelho ou na dualidade preto/branco, cons‑ truindo uma colecção “Made in Passion”. O vermelho é visto por Mikli como cor fetiche: do amor, da vida, da beleza, do fogo... Esta é uma colecção gráfica, criada para sublinhar os olhos. São óculos “para ver e ser visto”. CA -- ID2 Style your own da Adidas Eyewear -- A personalização é uma das gran‑ des tendências do momento e a Adidas já perce‑ beu a ideia. Sinal disso é o lançamento da máscara de neve ID2 “Style your own”, ideal para quem não abdica de um estilo próprio. O pack ID2 da Adidas Eyewear traz cinco marcadores permanentes e mais de 200 autocolantes e o objectivo é dar largas à imagina‑ ção, criando uma peça única. Reconhecidos e premia‑ dos pelo Red Dot design award e o Ispo Boardsports 2008, os goggles ID2 são perfeitos para quem não quer passar despercebido nas pistas de neve. CA -- Amor Perfeito de José António Tenente -- José António Tenente estreia-se no mundo da perfumaria com Amor Perfeito, essência que reúne to‑ das as qualidades do amor. Fruto do desafio lançado por Luís Pereira100ML ao criador português, Amor Perfeito é o resultado de um trabalho intenso iniciado há mais de um ano. Desenvolvido em Portugal, contou com a interac‑ ção entre José António Tenente, a 100ML, que assegu‑ ra a distribuição, e a I-Sensis, que materializou em essência as ideias do designer. CA -- Arte com vinho -Para apreciadores de bons néctares e de peças de arte inesperadas, vale a pena descobrir o Esporão Reserva Tinto 2007 com rótulo desenhado pelo artista José Pedro Croft. Num rótulo de traços geométricos e colori‑ dos José Pedro Croft transmite a complexidade de aro‑ mas, sabores e cores que caracterizam este vinho. A nova identidade visual reflecte a forte ligação que a marca sem‑ pre teve com a arte. Desde que começou a ser comercia‑ lizado, o Esporão contou já com o contributo de artistas como Graça Morais, José de Guimarães, Artur Bual, Julião Sarmento, Júlio Pomar ou Manuel Cargaleiro. lA

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SHAPE UPS -- E se fosse possível trabalhar a pos‑ tura corporal, fortalecer os glúteos, tonificar os múscu‑ los, melhorar a circulação sanguínea e reduzir a celulite apenas ao caminhar? Com os sapatos Shape Ups da Sketchers esta realidade é possível. Os Shape Ups são uns sapatos técnicos e funcionais que através da sua sola em curva simulam a sensação de caminhar so‑ bre areia. Ao andar com os Shape Ups, as costas fi‑ cam muito mais direitas e somos obrigados a encontrar o nosso ponto de equilíbrio constantemente. Mas, cuidado! São uma séria ameaça ao ginásio! CA -Digital Friend by custo -- Digital Friend é o nome da mais recente linha de relógios Custo on Time. Futuristas e excêntricos, são três pequenos “ami‑ gos” digitais, resistentes à água e com calendário que surgem em três combinações de cores: mostrador azul e bracelete prateada, mostrador fuchsia e bracelete pre‑ ta ou ainda com o mostrador amarelo e bracelete bran‑ ca. A marca dos irmãos catalães volta a dar horas, mais uma vez, em grande estilo com uma colecção que res‑ pira o espírito irreverente da Custo Barcelona. CA -A “pasteleira” do século XXI -- Dão pelo nome de Electra, vêm dos Estados Unidos e, pou‑ co a pouco, têm vindo a conquistar a Europa. Estas bi‑ cicletas citadinas com design vintage estão a chegar a Portugal e corremos sérios riscos de nos apaixonarmos à primeira vista. Feitas com tecnologia moderna, mas recu‑ perando os traços dos modelos dos tempos dos nos‑ sos avós, os vários modelos de bicicletas Electra aliam o conforto a pormenores de uma elegância irresistível – bancos em pele, pinturas personalizadas – e a uma nova atitude para pedalar na cidade. “Way to roll” é o lema, para descobrir em www.electrabike.com. LA


Descobrir

as esculturas de

Robert Bradford

é ter a sensação de que houve um

enorme acidente doméstico envolvendo a mascote lá de casa, uma lata de cola e as caixas de bugigangas que estavam guardadas na despensa .

Através

de um tra-

balho minucioso, o artista britânico desafia-nos a fazer zoom in e a perceber com quantos soldadinhos de plástico se faz um basset hound.

É o sonho de qualquer criança: um cão feito de brinquedos, ou melhor, brinque‑ dos que fazem um cão… Mas, as esculturas de Robert Bradford – que ele próprio apelida de divertidas, tolas, irreverentes e enérgicas – também mexem com os sentidos dos adultos, que reconhecerão de imediato um super-herói na orelha de um buldogue, ou uma pistola de água no focinho de um fox terrier. São assim as peças criadas por este artista criado nos subúrbios de Londres e grande fã de cães: um intrincado puzzle de brinquedos e utensílios caseiros onde nenhum centímetro é descurado e onde cada parte ocupa o seu lugar numa plástica manta de retalhos. Com instituições como Beckenham School of Art, Ravensbourne College of Art e Royal College of Art no currículo, Bradford começou por trabalhar como psicotera‑ peuta para pagar as contas. Na passagem da pintura para as três dimensões atravessou diversas fases, tendo destacado-se pelas esculturas de fogo e pelas figuras em grande escala em locais públicos. Um dia, começou a prestar especial atenção ao mundo dos brinquedos, que des‑ cobriu ser vasto e cheio de possibilidades. «Desde há muito tempo que prefiro usar materiais menos macios do que o gesso, o bronze ou a pedra. Materiais que tenham al‑ guma textura e que possam interagir. Há alguns anos reparei no caixote de brinquedos dos meus filhos e reagi à enorme paleta de cores e formas aleatórias.» Descobriu que podia criar uma linguagem bizarra aparafusando todo o tipo de peças de plástico a es‑ truturas de madeira que às vezes são cães, outras vezes são anjos, ou até mesmo solda‑ dos e power rangers. Tão diverso como a matéria-prima que usa, o resultado final é o que a imaginação ditar, à maneira de um Arcimboldo dos tempos modernos. Nostalgia da infância? Talvez. Gosto pela reciclagem de materiais? Seguramente. Mas, um pensamento emerge do trabalho de Bradford: a ideia de que, tal como as suas peças, também nós somos feitos de um número infindável de partes. Ver o portfólio em www.robertbradford.co.uk

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Robert Bradford Toys Art Us Texto: Laura Alves

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Street Stars Texto: Miguel Gomes-Meruje http://www.nycstreetstars.com/ Do bairro nortenho de Manhattan, Harlem, existe um movimento de rua com a premisA DIF aproveitou a sua passagem por Nova Iorque para conhecer melhor o trabalho dos Street Stars. sa de fazer documentários da vida real disponíveis em DVD.

A produtora independente Street Stars Inc. agrupa vários realizadores com o objec‑ tivo de criar séries sobre a história do crime e droga em Nova Iorque nas últimas décadas. Tal como o objecto em análise, o público-alvo é urbano, dos 15 aos 45 anos. No entan‑ to, a Street Stars espera levar a uma franja do público menos acostumada com as ruas uma perspectiva analítica daquela que é uma realidade alternativa para muitas gerações de famí‑ lias que crescem com diferentes ideias sobre sucesso e como fazer o dinheiro para alcançálo, bem como as mortes, a prisão e as drogas, o lado menos glamouroso da rua. A aventura começou quando Troy Reed decidiu filmar a história dos movimentos negros activistas e de como os gangsters de Harlem se tinham desenvolvido ao longo das décadas em busca de novas formas de conseguir fazer dinheiro num bairro ignorado pelas classes ricas de Nova Iorque. A iniciativa que tinha começado em revistas fez uso de câmaras de filmar pessoais com o propósito de trazer as histórias de traficantes, glorificando as suas ofertas ao bairro, critican‑ do a maneira como o fizeram, e segundo os fundadores do Street Stars, a intenção de trazer a um público jovem diversas interpretações na primeira pessoa do que é crescer numa sociedade degradada que por não oferecer opções leva as pessoas a procurar diferentes ocupações e ma‑ neiras de se providenciarem. Com as estimativas a apontarem que em cada quinze jovens apenas três terão sucesso, cabendo aos outros encontrarem a sua própria rota, com a droga, a gravidez, armas ou a prisão a serem pedras no caminho, a Street Stars pretende mostrar ambos os lados de se seguir por essa via, que ninguém escolhe, mas que vários vêem como a única opção. Esse retrato da realidade nas ruas de Nova Iorque é visto pela Street Stars como uma opor‑ tunidade de tornar as pessoas de fora conscientes para algo que de outro modo não experimen‑ tariam, as formas de tentar fazer qualquer coisa por dinheiro. E o papel deles é o de preservar na memoria colectiva alguns intervenientes do crime negro organizado, que sem outro lugar na história seriam esquecidos, quase todos mortos ou encarcerados antes da sua hora. Depois de lendas lo‑ cais e mundiais como Guy Fischer, que controlou o tráfico de heroína durante duas décadas e que serviu o Harlem ao comprar o lendário Apollo Theater, terem tido direito ao seu documentário, tal como Rikers Island, a prisão onde para controlar 14.000 presos existem 10.000 guardas, os títulos mais recentes são dedicados a Alpo (THE ALPO STORY), o presidente não eleito da Câmara de Harlem, que através de trabalho duro e retribuição soube crescer em influência e a Rayful Edmond (RAY), que é tido como o responsável por introduzir a cocaína em Washington D.C. Para além dos vários títulos disponíveis em DVD e de um novo filme à espera de finan‑ ciamento, a Street Stars já evoluiu também para uma linha de roupa. Inspirada pelas histórias de ambição, hustlers, carreiras de sucesso na música e a vida na rua, a colecção actual é composta maioritariamente por casacos, bem a jeito para o Inverno que se aproxima. É que o frio toda a gente o sente, numa cadeia ou na rua, com uma câmara na mão ou com produtos no bolso.

30 dvd

Ghetto Blaster A fogueira do bairro Texto: Célia F.

Nos anos 70 Nova Iorque era a sério! Quem o diz é quem lá viveu e quem o afirma são os movimentos que nasceram nessa década de fábulas vivas, puro teatro a céu aberto que foi o berço de factos que para sempre ficaram gravados no

ADN das culturas urba-

nas. A vida fazia-se na rua, pois aí andavam as pessoas passeando lado a lado com a vontade de cruzar, misturar e celebrar o sopro mágico que é viver. Os bairros ditos afro-americanos eram disto espelho e iam mais longe. Pondo o espírito de vida colectivo e público tão característico dos povos de

África nas ruas de neve e

gelo, foi no Bronx e em Brooklyn que à volta de um bidon em chamas nasceu a cultura urbana de rua.

No anos 70, com o aperfeiçoamento dos rádios de cas‑ settes e a inovação do stereo, a música saía para a rua e era toca‑ da bem alto. A pujança de um sound system jamaicano podia ser transportada ao ombro e movida a baterias portáteis. Em vol‑ ta desta fogueira eléctrica surgiram movimentos de break dance, mixaram-se sonoridades pela primeira vez e nunca mais os passos do groove de um caminhar de uma black soul pelo bairro anda‑ ram sem banda sonora permanente. O que poderia ter sido só um fenómeno da evolução da tecnologia acabou por ser a raíz criadora de toda uma cultura. Nos anos 80 o ghetto blaster, também conhecido por boombox ou jambox, invadiu o imaginário colectivo. Filmes e vi‑ deo clips que nos fizeram levar o rádio de casa para a rua, fazer rodas de dança ou ficar só a ouvir. O ghetto blaster é um ícone da cultura hip hop e, sobretu‑ do, da vertente do break dance. Competia-se pelo melhor som, maior volume e intensidade dos baixos. Competia-se pelos melhores movimentos de dan‑ ça e acrobacia. O movimento passou fronteiras e a cultura chegou até Inglaterra, Canadá e Austrália. Expandiu. Cresceu e voltou a encolher. Os enormes rádios portáteis metálicos e fortes começaram a deixar de ser cobiça‑ dos. Os fabricantes começaram a reduzir o tamanho dos apare‑ lhos e chegámos ao Walkman. De um convívio com som emitido para o ar passou-se para o individualismo em que o som é com‑ panheiro da introspecção alienada. Hoje, e para não variar, vivemos o revivalismo. No merca‑ do existem centenas de modelos de ghetto blasters artilhados de entradas usb e outras conexões da nova era e já não é raro encontrar crews em redor de um ghetto blaster nova geração. Numa de revivalismo ou numa de novo fôlego apetece imaginar: se fôssemos todos outra vez para a rua dançar que coi‑ sa iríamos agora inventar?

retroculture

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A

partir de

Dezembro,

com um local de culto.

os aficcionados da

A Fornarina Store,

Fornarina

1

podem contar finalmente

a primeira loja da marca italiana em

Portugal, está localizada bem no coração do Chiado e promete fazer jus ao espírito trendy que representa a Fornarina. Os visitantes são recebidos como realeza por uma grande passadeira vermelha que os leva a descobrir as diferentes almas da marca da coroa: desde o glam rock ao espírito retro, passando pelo ultra-pop até ao estilo mais sofisticado. Preto, vermelho e magenta são os principais tons do espaço, reservados para cada secção da loja - roupa, acessórios e sapatos. Depois das recentes aberturas em Itália, nas cidades de Turim e Roma, Estocolmo e Lisboa foram as últimas jogadas do grupo Fornari para reforçar a presença da Fornarina no estrangeiro. Chiado Lisboa

Au Revoir Simone Still Night, Still Light Our Secret Record Company/Popstock 2009

Pedro Primo Figueiredo Jornalista Dirty Projectors Bitte Orca Domino/Edel 2009

4

Fornarina Texto: Carolina de Almeida

2

Manuel Simões Músico e jornalista

3

Pedro Gonçalves Criativo Publicitário e crítico de música

André Gomes Crítico de música e programador

The Pains of Being Pure At Heart The Pains Of Being Pure At Heart Slumberland Records

Marc by Marc Jacobs Texto: Carolina de Almeida Finalmente, Marc Jacobs

Portugal e está em plena capital. Por enMarc by Marc Jacobs, mas quem sabe se esta não será uma porta para surpresas maiores? É no nº1 do Largo de São Carlos, no Chiado, que encontramos um espaço de 150 metros quadrados dedicado às colecções prêt-a-porter de homem e senhora e de acessórios da etiqueta Marc by Marc Jacobs. Integrada no edifício histórico onde nasceu o poeta Fernando Pessoa, o espaço mantém os pormenores originais, mas actualizados com acessórios e acabamentos Marc by Marc Jacobs, como os toldos azuis na fachada exterior. Concebida e decorada pela Stephan Jaklitsch Arquitects, esta é a primeira loja do criador em Portugal e mantém a mesma linha dos outros espaços da marca chegou a

quanto, ainda é apenas uma loja da linha

nº1 do

32 places

Largo de São Carlos Lisboa

1

Este é um daqueles discos que primeiro se estranha e depois se entranha. Curiosamente, são assim os preferidos da minha colecção, os que crescem a cada audição. Munidas de três sinteti‑ zadores e vozes de encantar, as nova-iorquinas Au Revoir Simone auto-denominamse de “Triple Keyboard Action” e das suas composições permanecem as teclas de algodão doce e deliciosas palavras melódicas que traduzem aquilo que muitos não têm coragem de passar a actos. Still Night, Still Light leva-as a passear por cam‑ pos que não conhecíamos dos registos anteriores, fugindo à estrutura de canção pop convencional na exploração de ambientes de puro psicadelismo, como em ‘Only You Can Make You Happy’, num amontoamento de camadas sonoras, tal como se tives‑ sem ido ensaiar após uma noite de festa. Por outro lado, continuam a levar a nossa mente a viajar através da doçura e simpatia que transparecem da sua música. Perfeito para finais de tarde de Primavera quando a luz do dia teima em ir-se embora e, melhor ainda, para as tardes outonais de agora com a noite que chega adiantada.

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Se o estimado leitor é adepto de grupos na fronteira entre a pop e a música experimental como Animal Collective, Grizzly Bear ou High Places, certamente que já se deparou com este Bitte Orca, monumento sonoro nova-iorquino erguido recentemente. Se não, ainda vai a tempo. Os Dirty Projectors têm sido alvo de generoso falatório da crítica e não por acaso. Bitte Orca tem os elementos fundamentais para encostar o mais despreve‑ nido à parede, apetecendo-me destacar um trunfo só ao alcance de poucos: pare‑ cendo um disco simples e despido, é na verdade um trabalho quase transcendente, luminoso, recheado de temas pop criativos, arrojados, fundamentais para perceber a música que se respira em Nova Iorque por estes dias. Se ainda não os conhece ain‑ da vai a tempo. Mas apresse-se, para seu bem. Se já conhece nunca é tarde demais para voltar a carregar no Play. .

Sonic Youth The Eternal Matador/Popstock 2009

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Pelo título do seu mais recente disco quase se confunde a banda com a ideia que deles temos: que os Sonic Youth são de sempre e para sempre. Mas, mais importante: que são fundamentais desde sempre, desde os primeiros rasgos de som, desde que começaram a afrontar as legisla‑ ções do rock – desde o primeiro segundo. Foi dizendo adeus aos anos 80 e olá aos 90 que os Sonic Youth assinaram três obras-primas – Sister, Daydream Nation E Goo – mas, a década que agora termina guarda também boas memórias destes de Nova Iorque: foi nestes tempos que Murray Street e The Eternal ganharam vida para mostrar que Thurston Moore e companhia não perderam as qualidades que lhes reconhecemos no ADN. The Eternal mostra uns Sonic Youth em modo revisão da matéria dada, mas com um fulgor que deixa água na boca aos debutantes desta dé‑ cada. Em deslocação a Nova Iorque no Verão de 2008, este que assina o texto passou-lhes ao lado por míseros dias, mas a recompensa chegou logo depois com um disco que dá vontade de submeter os Sonic Youth a um processo de criogenia.

4

O disco que nesta ocasião aqui aterra data já do início de 2009, mas seria criminoso ignorá-lo numa edição da DIF dedicada a Nova Iorque. É que, apesar do persistente perfume britâni‑ co que emanam, é de Nova Iorque que saem os Pains of Being Pure At Heart. Fingir que não se ouve no grupo assente na dupla Kip Berman/Peggy Wang-West a triunfal saturação sónica de uns My Bloddy Valentine e Jesus & Mary Chain é isso mesmo - fingir. Porque é daí que vem a capacidade que os POBPAH têm de construir paraísos flutuantes adornados por melodias escorreitas e aí podem vir tam‑ bém à lembrança os Ride. O álbum de estreia, homónimo, é uma curta e inspirada sequência de canções estraçalhadas por guitarras despudoradas e abençoadas por vozes saídas de um filme twee. A começar por algum lado, que se comece por ‘Contender’ ou ‘The Tenure Itch’. Não se sabe o que vão ser no futuro, mas no presente já têm direito a referência.

o que andamos a ouvir

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Julian Casablancas Dança comigo

Texto: Sara Vale

Julian Casablancas, vocalista dos nova-iorquinos The Strokes, decidiu seguir PHRAZES FOR THE YOUNG é a estreia a solo do músico e, onde nos Strokes o rock dominava, nesta nova etapa é a pop no seu estado mais puro que triunfa .

Revolution, Heartsrevolution”. E esta é a aventura que escoHeartsrevolution, banda revelação nova-iorquina e recente vencedora do Diesel-U-Music, concurso de talento musical promovido simples - pela Diesel. Durante o início deste ano o site dieselmusic.com foi assaltado por bandas e curiosos, de tal modo que apenas não entupiu com tanta inscrição e curiosidade, porque foi salvo pelo (elevado) talento registado.

Antes de entrarmos na música, não será de todo inócuo traçar um suave per‑ fil do que tem sido a vida de Casablancas. Julian é filho do fundador da Elite Model Management, John Casablancas, e de Jeanette Chistiansen, modelo ex-Miss Dinamarca. O divórcio dos pais e repetidos problemas com álcool são alguns dos epi‑ sódios que marcam a adolescência do músico. Avançando para os Strokes, quinteto surgido no virar da década e que coman‑ dou uma série de tropas no despertar colectivo em pleno século XXI para o garage rock. IS THIS IT (2001), a estreia, é facilmente um dos cinco discos rock mais im‑ portantes da década. Tem tudo: é directo, rigoroso, viciante. Vai beber aos Velvet Undeground e Television, e não parece desta década, deste mundo. Convenceu e ele‑ vou a fasquia. ROOM ON FIRE (2003), gestão corrente mas menos boa, e FIRST IMPRESSIONS OF EARTH (2006), mais amplo e polido, mantiverem em boa con‑ ta a carreira do quinteto, embora sem grandes surpresas e inovações. PHRAZES FOR THE YOUNG, editado em Novembro, é esse toque de Midas que faltava. Julian Casablancas fugiu à raiz sonora da banda que tutela mais no conteúdo do que na forma. Onde nos Strokes as melodias são direccionadas para as guitarras, aqui o uso de teclados e sintetizadores confere aos oito temas de PHRAZES FOR THE YOUNG um cariz assumidamente pop, devedor de parte das tendências vigentes na década de 80. PHRAZES FOR THE YOUNG é muito bom. Tem três, quatro temas de an‑ tologia, aguenta-se rijo enquanto álbum e, pelas amostras ao vivo que o YouTube nos mostra, tem todo o ar de potenciar um concerto primoroso. Phrazes for the Young pode perfeitamente ser uma banda sonora para pintar um qualquer filme situado em Nova Iorque. Pode ser até a banda sonora de um filme que não exista, o retrato musical de uma cidade moderna, disposta a arriscar. Abençoado Julian Casablancas.

A estratégia foi simples: convidar grandes conhecedores da música mundial como Atsushi Inoue da Sony Music Publishing, Daniel Lieberberg da Universal Music Rock/ Urban Label ou Ellen Carpenter da Spin Magazine e juntá-los como júri neste feroz debate de talento. Resultado, mais de dois meses de luta até aos cinco finalistas donde saíram vitoriosos os Heartsrevolution e os Terror Pigeon Dance Revolt. Mas, falemos da banda revolução. Nos Heartsrevolution temos Lo (Leyla Safai) na voz, Ben nas armas invisíveis (lap top e controladores) e Terry na bateria. Electro, Pop, Rock, vale tudo, desde que funcione, numa receita um pouco diferente da comum no segmento. Ora vejamos, o projecto começou, porque a carrinha de gelados de Lo, a Heartchalenger (estilo Family Frost de gelados) precisava de um jingle para acompanhar as vendas. Ou seja, uma música eléctrica em simbiose com gelados e merchandising. Dentro deste último temos das básicas (mas não demasiado) t-shirts, vinis, bandole‑ tes cor-de-rosa com orelhas de coelho, mixtapes, roupa vintage de edição limitada, até pistolas automáticas de fazer bolas de sabão ou a familiar neo rainbow slinky, em portu‑ guês a ondamania, presente em todas as casas com rebentos dos anos 80. Estas são apenas algumas razões pelas quais os Heartsrevolution andam a espalhar tin‑ ta e fãs um pouco por todo o mundo. As outras são a música. E músicas como ‘Choose Your Own Adventure’, ‘Ultraviolence’ ou ‘Dance Till Dawn’. ‘CYOA!’ dá também nome ao seu primeiro álbum em 2007 e a uma das suas mais conhecidas faixas, uma espécie de grito de guerra. Seguiu-se Switchblade EP e Ultraviolence, ambos em 2008. Neste momento, estão a gozar a vitória do Diesel-U-Music com uma digressão mundo fora. Infelizmente, ainda não há datas para os recebermos por cá. Mas, quem passar na Cidade do México ou em Tóquio pode aproveitar para ouvi-los ainda este ano. Em suma, a aventura dos Heartsrevolution está escolhida e traçada com saúde. Recomenda-se agora escolhermos a nossa.

Texto: Pedro Primo Figueiredo as pisadas dos camaradas de banda e enveredar por um projecto paralelo:

34 música

Heartsrevolution A banda revolução de Nova Iorque “Our

name is

lhemos viver.

Eis

o mote dos

música

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Enquanto

NY foi e será sempre uma das capitais do jazz e da sua revolucionária transformação.

Flores Selvagens A liberdade do som e do ritmo Texto: Tiago Santos

36 música

esquina do globo onde se cruzam as mais diversas culturas,

Na página esquerda: Sonny Simmons Staying on the Watch ESP-Disk, Ltd, 1966 Design by Jay Dillon Photography by Sandra Stollman

O bebop, que através de Charlie Parker e Dizzy Gillespie mudou para sempre a face do jazz a partir da década de 40, soava a NY por todos os lados. Frenético, exigente, radical e libertador era um espelho sonoro da grande cidade, dos seus sonhos e dos seus clubes apinhados de fumo e swing. Mas, era também o som de uma nova geração de ferozes músicos que sopraram a História com tal força que a marcaram para sempre. Com o movimento social pelos direitos dos negros a partir do final da década de 50, uma nova geração de músicos voltou a reclamar a liberdade na música tal como nas universidades, nos autocarros ou nos restaurantes. Mais uma vez, sopraram até mudar a face do jazz que viria a seguir e gritaram a liberdade através do ritmo e do som. O free-jazz deu origem a um movimento único e pioneiro na indústria músical. Uma ligação estreita entre música e política, com reflexo imediato daquilo que se passava nas ruas na música que se ouvia, levou um grande número de músicos (inspirados nos princípios libertários do auto-desenvolvimento e autoenriquecimento preconizados pelo movimento dos Black Panthers) a lançar-se no controlo artístico das suas obras, criando as primeiras editoras independentes e antecipando o que viria a acontecer décadas mais tarde com o movimento punk. As suas obras ficaram para sempre associadas à época revolucionária das décadas de 60 e 70, que como flores selvagens nasceram no meio do furacão para alimentar a árvore da liberdade que ainda hoje inspira o jazz. Este movimento, conhecido como a “New Thing!”, vem agora gloriosamente documentado em duas excelentes edições da Soul Jazz Records. FREEDOM RHYTHM & SOUND é um livro e um disco duplo, indispensáveis para compreender um momento onde a liberdade, o colectivismo e a revolução se conjugaram sob o mesmo verbo e o verbo era : Jazz. A consciência negra na década de 60, que ao clamar por liberdade reclamava África como inspiração, virava-se para um nacionalismo afrocêntrico que tinha no jazz a sua voz e nas comunidades a sua expressão. Muitas foram as associações que por todos os EUA desenvolveram os princípios libertários de Ornette Coleman, John Coltrane ou Albert Ayler, figuras centrais que a partir de NY lançaram as bases desta nova música. Direccionados num caminho mais espiritual e revolucionário, os músicos viravam agora as costas ao mercado criando uma música assumidamente underground que reclamava liberdade editorial e criativa. Em NY editoras como a Strata-East, ESP-disk ou Impulse! criaram um legado que ainda hoje é perseguido por músicos, djs e coleccionadores de todo mundo. Valorizando o trabalho artístico em detrimento do mercado, os músicos assumiam o total controlo da sua produção, partilhavam lucros, ideais, concepções musicais e políticas, que na maioria das vezes eram assumidas nas próprias capas dos discos. A música gravada nestas editoras desde meados de 60 é um tremendo tesouro da grande música negra. Na NY de 70, antes da baixa de Manhattan se tornar um símbolo chique da “movida” artística, os abandonados armazéns industriais de baixo custo proporcionavam o espaço ideal para o desenvolvimento destes artistas desalinhados. Sam Rivers, Rashied Ali, Pharoah Sanders e tantos outros músicos e artistas criaram ali as suas casas e estúdios, abertos a todos os que queriam participar deste movimento. Sessões livres de free-jazz, poesia ou pintura sucediam-se sem qualquer motivação além da liberdade criativa num momento único de comunhão revolucionária. Foi a “Loft scene”, que criou o jardim de flores selvagens que ainda hoje se descobre nas cores quentes de músicos como David S.Ware ou William Parker. Esta é, antes de mais, música capaz de nos fazer mudar a nossa própria concepção e modo de estar na vida. Música livre, poderosa como o ritmo ancestral e o som infinito de um grito. O grito que ainda se espalha por todo o globo, como sementes ao vento. FREEDOM RHYTHM & SOUND revolutionary jazz original cover art 196583 compiled by Gilles Peterson & Stuart Baker, publishing SJR 2009 FREEDOM RHYTHM & SOUND revolutionary jazz & the civil rights movement 1963-82, 2Cds SJR 2009

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New York New York New York New York New York New York New York, New York Texto: João Tordo Ilustração: Alejandro Levacov

N ova I orque

mórias da cidade

deve ser vivida e não visitada .

que datam de

1992 -

As

minhas primeiras me -

enquanto visitante em nada se

assemelham às memórias que , dez anos passados , guardo enquanto habitante da maior metrópole americana .

N ão , nem isto é verdade . A maior metrópole americana é L os A ngeles . Q uando falamos de N ova I orque falamos de M anhattan , estreita ilha onde o I smael de M elville começa a narração de MOBY DICK, diminuto cruzamento de bairros , velha fragata de fantasmas e medos onde em meados do sé culo XIX aconteceu um assassinato por noite durante quinze anos ; lugar de espíritos e cimento e vertigens dominado pela estranha sín drome da insularidade . Vá a N ova I orque e não visite Times S quare . N ão se meta na fila para o demorado e abafado elevador que conduz ao topo do E mpire State B uilding . I gnore os turistas , as t- shirts com corações , o bulí cio das avenidas , os espectáculos da B roadway, as steak houses , o G uggenheim , a E státua da L iberdade e a B olsa de Wall Street. Vá a N ova I orque e olhe mais longe , para as terras próximas do H arlem , para os segredos bem guardados do S oho , para os continentes ad jacentes à insularidade . É neles que se encontra a verdadeira metró pole , a cidade dos habitantes da cidade , aqueles que se definem pelos bairros e pelas estações de metropolitano que o turista não visita – os incontáveis bairros de M anhattan , B rooklyn e Q ueens povoados por artistas sem dinheiro , por escritores nunca publicados , por mú sicos desafinados , por boémios desenfreados , os que ainda sonham com noites no E ar I nn e no M c S orley ’s e no O ld Town nos tempos em que fumar e beber ainda eram paradigmas de uma vida , senão lon ga , pelo menos vivida . Vivido , não visitado. N ova I orque é cruel para quem está de passagem . É indiferente para quem procura a atracção fácil das luzes e da ridícula “cidade que nunca dorme ”. C ospe na cara de quem se passeia pelas suas ruas de pescoço torcido e olhos no céu . O nova - iorqui no olha para o chão , ignora tabuletas , faz o seu caminho de rosto voltado para o outro e procura - o no interior diáfano e transitório dos bares , dos restaurantes , das tabernas . S e busca tendências , ca minhos ou os destinos provisórios das artes encontrá - los - á aí , nas tascas mais recônditas de Williamsburg , nos recantos ignorados de F lushing , no coração alcoólico de B roome Street. F ique mais tem po do que o previsto. S ente - se ao balcão e peça uma B rooklyn A le . E aguarde , que N ova I orque virá ter consigo.

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New York


Quem te deu a primeira máquina fotográfica? Qual era? M. Correia: A minha primeira máquina foi uma bonita Yashica Mat, de mé‑ Numa palavra “New York, I Love You”. Melhor do que tentar defini-la é amá- dio formato que a minha mãe recebeu como prenda quando fez 18 anos e eu mais la . C ada amanhecer, cada traço rugoso ou liso, o cheiro a hot dogs pela manhã, tarde herdei. 24 horas por dia. É assim a Big Apple. Veja-se o filme com o mesA DIF quis trazer-lhe o sentiO que te levou a sair de Portugal? O que procuravas lá fora que não timento que Nova Iorque desperta nas pessoas através das palavras de dois artistas. nhas aqui? João Tordo escreve como vive, sem complexos, de traços aventureiros e espírito liM. Correia: O que me levou a sair foi a procura de uma experiência de vida dife‑ vre. Margarida Correia é artista plástica e usa a fotografia como meio de expressar rente, de um desafio e a possibilidade de me concentrar no que realmente quero fazer, os traços de várias gerações num retrato. De seguida, perca-se ao longo destas li- ser artista plástica. E isso aconteceu. nhas pelas ruas de Nova Iorque... em muitas palavras. a vida que pulsa

mo nome em epígrafe, vários rostos, o mesmo amor.

Como surge Nova Iorque na tua vida? Quando nasceu o teu interesse por fotografia? M. Correia: Nova Iorque surgiu pela primeira vez numa viagem a visitar um antigo Margarida Correia: Eu comecei a utilizar fotografia no meu trabalho pessoal no últi‑ professor, senti-me imediatamente atraída pela dinâmica da cidade e com vontade de mo ano da Faculdade de Belas Artes e a partir daí tornou-se o meu meio principal. regressar. Sete anos mais tarde, entrei no Mestrado da School Visual Arts e fiz todos os possíveis para vir para Nova Iorque. Trabalhas muito o retrato. É um género com o qual te sentes à vontade? É Quando chegaste ao centro da «Big Apple» qual foi a tua primeira sensao teu reflexo? M. Correia: O meu trabalho tem a ver com pessoas, objectos e espaços que lhes ção? Lembras-te do cheiro da cidade? são importantes. Eu estou interessada em partir de uma história particular que possa re‑ M. Correia: Quando saí de noite do aeroporto de JFK só me lembrava da flectir uma história mais vasta de uma comunidade ou cultura. O retrato é o ponto de BALADA DE HILL STREET e estava um pouco insegura. Lembro-me da via‑ partida, que articulo com o still life e as imagens de arquivo que recolho, para estabele‑ gem de táxi até ao Soho, de atravessar a ponte de Brooklyn e do aspecto sujo e cer relações entre as imagens. duro da cidade.

40 entrevista

Durante este tempo em que lá vives, o que mais te marcou ou marca? Em que zona moras? Podes contar-nos como é «um dia na vida de Margarida Correia» na «Cidade que nunca dorme»? Perdes muitas vezes o sono lá? M. Correia: Eu vivo em Brooklyn, em Williamsburg, num bairro de artistas e emigrantes italianos, tranquilo e acolhedor, onde fiquei quando cheguei. Normalmente, desloco-me de bicicleta para ir a Manhatan, principalmente se for para a zona mais sul, evito a confusão de midtown. Como freelancer os meus dias são bastante variados, dependendo do que tenho de preparar. Entre idas ao Camera Club of New York onde imprimo as minhas fotografias, ao Internacional Center for Photography, também uma excelente escola onde utilizo os labo‑ ratórios, o Yoga em Brooklyn e outros trabalhos, os dias são sempre diferentes. Eu tenho de seleccionar o que é importante fazer, porque a oferta é demasiada e encontrar um equilíbrio é fundamental. O que me marca e me estimula mais são as relações com as pessoas, desde ob‑ servar a variedade de caras e atitudes no metro, às pessoas com quem trabalho e me relaciono regularmente. A rapidez da cidade à qual tenho de responder imediatamente é muito dife‑ rente da minha experiência portuguesa e é fascinante, mas por vezes também alucinante.

Descreve-nos em poucas linhas um amanhecer em Nova Iorque. M. Correia: O pôr do sol visto de Brooklyn é na realidade bem mais bonito e es‑ pectacular. Do lado de cá da ponte de Williamsburg, tenho uma visão impressionante e imponente sobre o rio e os arranha-céus da cidade que me recordam onde estou, o que por vezes me esqueço no meu dia-a-dia.

Para quem não conhece, diz-nos o que fazer em 24 horas nova-iorquinas? M. Correia: Começar com um Dim Sum em Chinatown, no Golden Unicorn; de‑ pois dar uma volta na Chinatown profunda (East Side), subir até ao Lower East Side, passar no New Musem, na Bowery, e ver algumas das galerias que abriram na zona. Andar, andar, andar à descoberta, a melhor maneira de conhecer a cidade. Durante a Sem pensar muito, qual o teu «spot» favorito em Nova Iorque? tarde, dar uma volta nas galerias de Chelsea, subir ao novo High Line, sair no meat pa‑ M. Correia: Eu adoro Chinatown onde vivi 7 meses e o Lower East Side. Ainda cking district e escolher um restaurante na West Village. Depois, descer a Alfabetic City mantêm as características de uma Nova Iorque antiga que tem estado a desaparecer. e ir ao Stone para um concerto ou continuar na zona, pois existem inúmeros bares para continuar pela noite fora. Se fosses uma personagem de uma série de TV passada em Nova Iorque qual serias? Nova Iorque numa palavra é... M. Correia: Não tenho uma personagem de TV com que me identifique. Mas, M. Correia: Paixão! www.margaridacorreia.com tenho um filme sobre Nova Iorque que adoro: GLORIA de John Cassavetes.

Simplesmente...

Nova Iorque

Texto: Ana Cristina Valente

Fotos: Cortesia Margarida Correia


Desde muito cedo que viveste no meio artístico. Quando hoje olhas ao espelho quem vês? O João, ou o João Tordo, escritor? João Tordo: O João, claro. O escritor é outra pessoa, que acontece quan‑ do está sentada a escrever e depois rapidamente se vai embora, ficando guar‑ dada numa gaveta da memória até ao dia seguinte, quando reaparece para continuar o trabalho. Na vida real, tal como na escrita, não me levo muito a sé‑ rio, acho que é o pior que pode acontecer a um escritor. A partir daí, seguemse as ilusões de sucesso e grandeza e quando isso acontece o melhor é ir fazer outra coisa qualquer.

Como surge Nova Iorque na tua vida? J. Tordo: Surge através dos filmes e dos livros, sobretudo Paul Auster, Don DeLillo, J.D. Salinger. As aventuras de Holden Caulfield ou do protagonista de Palácio da Lua inspiraram uma Nova Iorque que, ainda que não existisse, existia na minha cabeça. Quis ir comprovar que, de facto, não existia; existia outra, que depois usei nos livros.

Quando chegaste ao centro da «Big Apple» qual foi a tua primeira sensação? Lembras-te do cheiro da cidade? J. Tordo: Lembro-me sobretudo do calor. Cheguei em Agosto, um calor tórrido e uma humidade brutal, e fui parar directamente ao coração do Harlem. Os cheiros vie‑ Incomoda-te que possam julgar a tua escrita de forma injusta por seres filho ram depois - do suor dos corpos, do metropolitano, das ruas durante o Inverno. de quem és? J. Tordo: Não. O que o meu pai faz e o que eu faço é completamente diferente. Durante o tempo em que lá viveste, o que mais te marcou? Em que zona Não somos o Tony e o Mikael Carreira, estás a ver? Ele é compositor e eu escrevo ro‑ moravas? Podes contar-nos como era «um dia na vida de João Tordo» na mances, são duas formas de expressão distintas. «Cidade que nunca dorme»? Perdeste muitas vezes o sono lá? J. Tordo: Morei primeiro no Harlem e depois em Brooklyn, no bairro (agora mui‑ O que te levou a sair de Portugal? O que procuravas lá fora que não ti- to pop) de Williamsburg. Os meus dias eram algo repetitivos: tinha aulas de manhã à nhas aqui? tarde, trabalhava num restaurante a servir às mesas. Deitava-me muito tarde e acordava J. Tordo: Procurava outras formas de vida, sobretudo. Portugal é um país engraça‑ muito cedo. A cidade nunca dormia e eu também não. Devo ter perdido sete ou oito do para se viver (no sentido do vagamente ridículo), mas a sua dimensão é tão pequena quilos enquanto lá vivi. e, por vezes, somos tão provincianos e fechados sobre nós próprios que não deixamos espaços para que outras coisas possam entrar. Procurava o anonimato, a solidão, a dis‑ Sem pensar muito, qual o teu «spot» favorito em Nova Iorque? tância e a memória, coisas muito presentes nos meus romances. J. Tordo: A Spring Street, no Soho. Onde muita coisa me aconteceu.

42 entrevista

Se fosses uma personagem de uma série de TV passada em Nova Iorque Imaginas-te a viver em Nova Iorque? Ou Lisboa é «for evermore»? qual serias? J. Tordo: Imagino-me todos os dias a viver em lugares diferentes. De manhã é em J. Tordo: A Samantha, do SEX AND THE CITY. Ah! ah!, estou a brincar! Era Berlim, à tarde é em Marrocos. Nova Iorque está sempre no horizonte. Lisboa é con‑ o Kramer, do SEINFELD. fortável, por vezes demasiado confortável. Acho que vou viajando, por enquanto. Mas, um dia irei viver noutro lado qualquer, tenho a certeza. Se amanhã te convidassem para escrever um filme ou uma série passada em Nova Iorque de que género seria? Comédia ao estilo de Woody Allen? Ou Descreve-nos em poucas linhas, um amanhecer em Nova Iorque. seria um filme de terror? J. Tordo: 20 graus negativos, a neve lambe a janela embaciada. Olhos pesados, a luz co‑ J. Tordo: Seria certamente uma comédia. Nestes dias, estou mais voltado para o meça a surgir lentamente das águas do East River e a banhar de prateado os arranha-céus que, riso do que para o choro. do outro lado do rio, definem o horizonte. Apesar do frio, há sol que vai derretendo a neve acumulada nas bermas dos passeios e que cedo se transforma numa coisa suja e lamacenta que Como era conciliar a vida de empregado de mesa com as aulas e a escrita entope os esgotos da cidade. Cachecol, luvas, gorro, casaco grosso. Só para poder sair à rua. pela noite dentro? J. Tordo: É inconciliável, pelo menos no que me diz respeito. Nessa altura, eu tinha O que sentiste a 11 de Setembro de 2001? Desde então a cidade ficou demasiada tendência para o abismo e ficava acordado até muito mais tarde do que de‑ com um buraco no coração, concordas? via a fazer sabe o diabo o quê. A conclusão foram dois anos de «angústia económica, J. Tordo: Concordo, embora eu não estivesse lá quando aconteceu. Cheguei me‑ física e metafísica», como diria o Javier Cercas, mas dois anos muito divertidos. nos de um ano passado e a cidade parecia ainda em recuperação, mas com francos si‑ nais de regresso à normalidade. Achas que um jovem escritor português precisa de viver no estrangeiro para «ganhar bagagem literária»? Recomendarias algum curso em particular? Nova Iorque, numa palavra, é... J. Tordo: Acho que cada escritor é diferente. No meu caso, preciso de mundo e de J. Tordo: Excesso, prazer e sacrifício. Como diz o meu amigo Hugo, é para os mui‑ experiências diferentes para situar as minhas histórias. Outros escritores preferirão a solidão to novos ou os muito ricos. de um mundo pequeno. Não sei, depende muito de quem escreve e de quem lê. http://joaotordo.blogspot.com


É

uma visão muito pessoal dos

Estados Unidos

da

América,

por alguém que

conhece o país e que o visita todos os anos. Se o jazz é o motivo (e se motivos fossem necessários para viajar e visitar um dos maiores países do mundo...), o prazer respira em cada movimento.

É um músico, com queda para a fotografia, a retratar o E é esse momento em exposição na Galeria Módulo, em Campolide, Lisboa, no final do mês. Conhecemos Rodrigo Amado como músico ou de textos nas páginas do ÍPSILON e do PÚBLICO. Mas, há a fotografia. E esse é o mote para uma nova exposição com imagens captadas do outro lado do Atlântico. Uma viagem aos EUA, sem ser em low cost, pelo olhar de Rodrigo Amado. momento que o preenche .

E ast Coasting é a tua mais recente exposição e resulta de uma temporada que passaste nos Estados Unidos da América, onde deste alguns concertos. O que podemos ver nessa série de imagens? Antes de partir em digressão – durou um mês e tocámos quase todos os dias – decidi que ia também concentrar-me a fotografar. Não é fácil, com o cansaço acumulado dos con‑ certos, mas acabei por andar sempre com a máquina. As imagens que escolhi para a exposi‑ ção correspondem a um retrato muito pessoal dos ambientes que vivemos nesse período. Onde foram tiradas estas imagens e como escolheste os motivos a retratar? Foram captadas em cidades como Dallas, New Orleans, Filadelfia ou Nova Iorque. Na fotografia, como na música, tenho uma abordagem totalmente instintiva. Nunca pla‑ neei qualquer tipo de imagem, limitei-me a reagir a estímulos visuais e a fotografar sem pensar demasiado no resultado final.

Rodrigo Amado A música retratada ao pormenor Texto: José Reis Fotos: Rodrigo Amado

Costumas ir muitas vezes aos EUA? O que representa para ti os EUA, um dos maiores países do mundo e com tantas culturas dentro do país? Desde 2001 tenho ido todos os anos aos Estados Unidos. Para o tipo de música que faço é sem dúvida o país mais interessante. Nova Iorque é o centro de toda aquela activida‑ de musical em torno da improvisação jazz, mas é pouco representativa do que são os EUA. O meu grande fascínio por conhecer bem todo o restante território (já fiz uma viagem costa a cos‑ ta) está ligado ao facto de que se tornam bem visíveis todas as influências que deram forma ao jazz moderno; os blues, a canção americana, os grandes espaços, a hiperactiva cena underground que se encontra em cada pequena cidade e os enormes contrastes de estado para estado. Que imagens guardas das cidades por onde vais passando, dos costumes dos norte-americanos? São muito diferentes dos europeus? Muito. Em termos humanos, a vida nos EUA é bastante mais dura do que na Europa. Por outro lado, é essa dureza que dá origem a manifestações artísticas tão for‑ tes e tão diferentes das que surgem na Europa. Não gostava de viver lá, apesar de me sentir profundamente influenciado por muitas das experiências e ambientes que vivi. De todas as cidades, aquelas com que mais me identifico são Nova Iorque, São Francisco, Memphis e Filadélfia. Todas elas – Memphis é a excepção – têm um toque europeu, dando origem a uma mistura de culturas ainda maior. East Coasting é o nome da exposição que inaugura no final do mês na Galeria Módulo, em Campolide. Mas, não é um nome original. De onde surge esta designação? East Coasting refere-se por um lado à costa leste dos Estados Unidos, o local por onde andei a fotografar. Por outro, é o nome de um disco menos conhecido do genial con‑ trabaixista Charles Mingus. Essa ligação simboliza para mim o equilíbrio, difícil de alcançar, en‑ tre aquilo que nos é familiar e o inexplorado, a magia do desconhecido. Um pouco como na música de Mingus, profundamente criativa e experimental, mas simultaneamente acessível. Fotografia/música. São conhecidas as tuas predilecções por estas duas áreas. Não te vou perguntar qual das duas preferes – é o mesmo que perguntar a um pai qual dos dois filhos gosta mais. Mas, em que medida é que as duas áreas podem ser/são complementares? No meu caso, sinto que se completam em termos de energias. O tipo de concentração e abordagem emocional das duas é bastante diferente e em qualquer uma delas o desgaste físico e emocional é grande. Em 2008, passei três semanas em Nova Iorque a fotografar ape‑ nas a cidade. Saía todos os dias para a rua com a máquina e só regressava a casa muito de‑ pois de anoitecer. Recordo-me de que fiquei arrasado. Num dos últimos dias fiz um concerto e pareceu que me tiraram um peso de cima, senti-me totalmente recuperado.

44 entrevista


Milton Glaser Texto: Laura Alves. Imagens: cortesia de Milton Glaser

Milton Glaser é um vulto maior do design gráfico e da ilustraFoi ele quem desenhou o famoso logótipo I ♥ NY, uma imagem que 34 anos depois é um dos ícones mais reconhecidos a nível mundial. Nesta edição da DIF em que se desvendam os segredos da B ig Apple, falámos com Milton Glaser para saber como é possível amar tanto uma cidade.. ção norte-americano.

Nascido em Nova Iorque em 1929, Milton Glaser é uma lenda viva do design gráfico. Nos anos 60 e 70, o seu poster de um Bob Dylan com uma colorida cabeleira “flower power” – criado para a CBS Records – decorou as paredes dos quartos de muitos adolescentes. Glaser foi tam‑ bém responsável por autênticas revoluções gráficas em diversas revistas e jornais – NEW YORK MAGAZINE (de que foi co-fundador), THE WASHINGTON POST, U.S. NEWS & WORLD REPORT, THE VILLAGE VOICE, THE NATION – e inúmeras imagens empresariais e corporativas. Aos muitos prémios conquistados que fazem parte do seu cur‑ rículo, Glaser junta ainda livros e ensaios sobre a sua visão do design contem‑ porâneo. Sobre o famoso logótipo de Nova Iorque, afirma: «Criei o raio da coisa em 1975 e pensei que iria durar alguns meses como estratégia promocio‑ nal e depois desaparecia.» Não só não desapareceu como se tornou um dos ícones mais reproduzidos no mundo inteiro. Há coisas que caem no goto das pessoas e este logótipo é uma delas. Inexplicavelmente – pelo menos para o designer – a imagem tornou-se um sucesso tão grande que hoje por todo o mundo existem as mais diversas variações. Porque a imagem é simples e porque a mensagem passa. Tudo começou em 1975 com uma encomenda

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pro bono da Câmara do Comércio de Nova Iorque. O desafio lançado a Glaser – que não ficou na posse dos direitos do logótipo – era criar uma imagem que vendesse a ideia de uma cidade apelativa aos turistas e, por conseguinte, os levasse a gastar dinheiro na Big Apple. O resultado não po‑ dia ser mais básico e eficaz, num cruzamento entre a arte e a cultura pop: um coração vermelho a acompanhar as palavras “I” e “NY” na fonte American Typewriter que, não só pegou como se transformou num dos logótipos mais divulgados e reconhecidos a nível mundial. «A Câmara do Comércio tinha as palavras. Eu criei a imagem», diz-nos Milton Glaser, que ainda hoje se sen‑ te estupefacto perante o tremendo sucesso e longevidade do logótipo nas ruas da cidade e na consciência colectiva das pessoas. Amar Nova Iorque tornou-se um movimento imparável estampado em t-shirts, canecas, bonés, autocolantes, malas, crachás e tudo o mais o que a imaginação e a economia ditar. Se for a Nova Iorque e não encontrar em cada esquina um destes ob‑ jectos à venda com o logótipo de Milton Glaser, é porque apanhou o avião para a cidade errada. Ainda assim, sabendo que o amor por Nova Iorque em forma de souvenir vai acompanhá-lo para o resto da vida, Glaser assegura que se fosse hoje não mudaria nada no logótipo. Este serve perfeitamente a tarefa para a qual foi criado: levar milhões de turistas à cidade todos os anos. Quanto a Milton Glaser, será que ele ama Nova Iorque? A resposta é con‑ cisa: «Diga-me o que é o amor…» Seja lá o que for, o sentimento terá sido o suficiente para que após o 11 de Setembro Glaser tenha desenhado uma nova versão do clássico logótipo: I ♥ NY More Than Ever. Descobrir o trabalho de Milton Glaser em www.miltonglaser.com


CB GB 48 ny

CBGB Texto: Pedro Gonçalves Fotos: Cortesia CBGB Holdings, LLC A

mais importante sala de concertos dedicada à música dita alternativa fe-

chou as portas há três anos .

Na capital do mundo, o CBGB foi a capital da subPor outras palavras, foi incubadora para gente como os R amones, Patti Smith e Talking H eads . versão e da liberdade aplicada ao rock .

Sempre que se pensa e fala do movimento punk na História da música popular, é comum associar ao fenómeno a capital inglesa, onde evoluíram colectivos do ca‑ libre dos Clash e dos Sex Pistols. Tal facto, que se aceita por uma questão genea‑ lógica, não é absolutamente justo. Isto, simplesmente, porque implica um avantajado desprezo face ao que, também lá para finais da década de 70 do século XX, suce‑ dia em Nova Iorque, particularmente no número 315 da Bowery, no quinhão Sul de Manhattan. Foi ali que, entre 1973 e 2006, funcionou o CBGB, uma invenção do iluminado Hilly Kristal que se tornou lendária por razões um nadinha diferentes das originariamente imaginadas. Presente em todo o mundo civilizado através das emblemáticas t-shirts negras de letras brancas, o acrónimo CBGB é auto-explicativo sobre as intenções primeiras de Hilly Kristal para a sua seminal sala de espectáculos: Country, Bluegrass & Blues, pre‑ cisamente os géneros que apelavam ao ouvido do dono da casa. A coisa, como o próprio dizia, era porém mais fiel ao que lá se passou desde sempre com a designa‑ ção completa, CBGB & OMFUG. Por extenso, o significava: Country, Bluegrass & Blues & Other Music For Uplifting Gormandizers. Sendo que “gormandizers” deve‑ riam ser entendidos como devoradores de música. Rezam os documentos dedicados ao assunto que a estreia do CBGB naquilo por que ficou famoso - os concertos de bandas praticamente desconhecidas e, em muitos casos, sem contrato discográfico - se deu pela mão dos Television, que em 1974 arranjaram residência periódica no 315 da Bowery. Os escritos dão ainda conta que, num desses serões musicados pela banda de Tom Verlaine e Richard Hell, en‑ tre o público estaria a líder do Patti Smith Group, tido como os senhores seguintes na história do apertado palco do CBGB. Por essa altura, estavam já em vias de ali aterrar projectos tão incontornáveis e históricos como os Ramones, os Blondie e os Talking Heads. Entre muitos outros que, como os Cramps, os Voivods e os Misfits, tiveram dimensão histórica menor, mas não deixaram de fornecer hordas de seguidores às linhagens marginais do rock que o punk criou. Ao longo de 33 anos, encerrados precisamente com um concerto de Patti Smith a 15 de Outubro de 2006, a lista de convidados a tomar conta daquela sala adornada com espessas camadas de flyers e autocolantes foi naturalmente avassaladora. Daí que o CBGB possa orgulhar-se de ser albergue e testemunha de várias pequenas revoluções na existência da música po‑ pular. Entre elas, e já na década de 80, a cena hardcore que manteve o espaço vivo - dos Gorilla Biscuits aos Agnostic Front, dos Bad Brains aos Sick of it All. Num monumento onde tanta gente desafiou todas as regras socialmente do‑ minantes, Hilly Kristal mantinha uma regra basilar: no CBGB só tocavam bandas de originais. O que, além de evitar questões financeiras com as associações americanas de direitos de autor, dizia alguma coisa sobre as convicções artísticas do proprietá‑ rio/benfeitor. A propósito do CBGB, e forçosamente de Kristal, David Byrne es‑ creveu, no posfácio do fundamental livro THIRTY YEARS FROM THE HOME OF UNDERGROUND ROCK: «O CBGB foi a nossa rede de segurança, tanto criativa como financeiramente». Documentado em milhentos discos, fotografias, víde‑ os e cassetes-pirata, o CBGB morreu em 2006 para ver no ano seguinte partir o seu progenitor. Hilly Kristal morreu de cancro e em todo o mundo muitos morreram de desgosto. O CBGB informou a DIF que existe uma nova gerência no clube e que existem projectos interessantes para 2010. Fala-se já na possível reabertura do lendário clu‑ be. Os mais curiosos podem consultar as páginas nas plataformas sociais Facebook, Myspace e Twitter, ou então visitar o site: http://www.cbgb.com/


Foto: RayDemski.com

Red Bull BC One New York 2009 Texto: Célia F Fotos: © Red Bull Photofiles

Once Upon a time in New York..... B-Boying – as origens e a história da mais cool de todas as danças A história das origens do B-Boying é uma história que carece de introdução. Não se pode explicar o B-Boying isoladamente, pois faz parte de uma cultura maior que liga mundos e artes, a que Afrika Bambaataa um dia chamou de Hip Hop – um movimento que é mais do que uma prática ou uma corrente, é uma forma de vida, uma identidade cultural. No final da década de 60, a sociedade urbana sofria uma crise. As classes mais desfavorecidades, ou mesmo prejudicadas, tinham enormes carências e a violência e os conflitos sociais eram uma constante. Como forma de reacção a tudo isto surgiu um movimento de reinvindicação. A s culturas que viviam nas periferias de New York queriam o seu espaço na sociedade, queriam fazer ouvir a sua voz. Através do graffiti e de ritmos fortes capazes de colher todas as atenções, a mensagem destes grupos começou a fazer-se ouvir. O Hip Hop nascia . A s artes do movimento dividiam-se em quarto vertentes: o MC, o DJ, o Writer e o B-boy. Vivem os quatro associados uns aos outros com ligações profundas e de sangue, mas cada ramo tem a sua história e o seu “era uma vez”.

A origem do B-Boying vai atrás até aos tempos do Bebop e do Swing e faz paragem nos doces movimentos do rei da soul, James Brown. Mister Dynamite, ins‑ pirado pelos filmes de kung fu, criou uma dança a que chamaram Good Foot e que influenciou Madonna, Michael Jackson e toda uma geração de latinos e negros que competiam nas ruas de NYC. Nos anos 70, muitos jovens substituiam a entrada nos gangs pela dança. No Bronx criou-se o Top Rocking, uma dança que misturava os movimentos de Brown

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com todo o tipo de provocação e espécie de ameaça. Em Brooklyn a salsa Latina misturou-se com os movimentos do Good Foot e deu origem ao Booklyn Rock, que além de toda esta mistura combinava também uma série de ataques e defesas que eram lançados por mais de um dançarino. O Bronx, notando que a galinha da vizinha latina de Brooklyn era melhor do que a sua, começou também a organizar batalhas entre os dançarinos. Começaram a inovar experimentando movimentos no chão (Top Rock) e movimentos novos com os pés (Foot Work). Kool Herc, o mítico DJ Jamaicano do Bronx começou a chamar os bailarinos para dançar, nas Block Parties, nos breaks da música e surge aí o óbvio nome de bre‑ ak dance. Quem pronunciou a expressão B-Boying pela primeira vez foi Herc, tal‑ vez inspirado pelos saltos dados pelos bailarinos e pela palavra africana que é disso sinónimo – boioing. As danças dos dois bairros unificaram-se sob o nome de B-Boying. A partir daqui o caminho foi sempre de expansão. A dança espalhou-se até à costa Oeste onde, em Los Angeles, se inventam novos movimentos. Surge o Locking, inspirado pela dança chamada de Funky Chick, a que mais tarde se junta a influência robótica vinda dos filmes de ficção científica pelos pés de gente de Ferno na Califórnia. A tradição desta dança incorporou-se na cultura. É uma dança composta pela imaginação do B-Boy e por partes essenciais: Top Rock, a dança vertical, Footwork, Freezes e Powermoves. Hoje, existem mais de 20 movimentos diferentes (Back Spin, Hand Glide, Ninja Freeze, Baby Freeze) e talvez este número nunca mais pare de crescer. O objectivo de uma Battle é vencer o adversário pela criatividade, estilo, con‑ sistência e rapidez dos movimentos e, sobretudo, tornar a vida uma grande e cons‑ ciente diversão.

Let the Battle begin Assistir a uma B-Boy battle é sempre uma explosão de adrenalina. Assistir ao Red Bull BC One, na cidade onde tudo começou, é algo que nem a química explica.

Tudo preparado. As luzes da porta do Manhattan Center já estão acesas. O camião Red Bull munido do seu potente SoundSystem está estacionado à porta. A corrente está ligada e emitem-se os primeiros beats para entretenimento dos que se amontoam à porta à espera de entrar e assistir à batalha mais esperada do ano. Os B-Boys circulam na rua e falam com os fãs como amigos. É assim a cultura Hip Hop. Sem vedetas. Feita de seres humanos que partilham este “flow” na vida. No interior do Hammerstein Ballroom os ânimos compõem-se. As famílias, os amigos irmãos, os fãs. O Hip Hop em carne viva. Respira-se Hip Hop. É-se Hip Hop. Os bo‑ nés, os capuzes, os chapéus e os lenços enchem as bancadas. Pela projecção e mediatismo que tem, o Red Bull BC One poderia ser considerado um evento dito mais mainstream, mas a verdadeira essência e alma do Hip Hop está aqui mais do que presente e o que se sente no ar não deixa dúvidas de que se está a presenciar algo mítico e único. A arena redonda no meio da sala está completamente circundada de gente. Não sobra um único lugar vazio e o ritmado público é entusiasticamente aquecido por um dos hosts da noite. Os pratos estão ligados. O senhor que os opera é um dos grandes DJs de Brooklyn. DP One promete um set cheio de grooving old school beats para a noite mágica em que o B-Boying volta a casa. Hoje, faz-se história. «Hands up. Clap your hands to the beat.» O ponteiro bate certo na hora e a batalha vai começar. KRS One, o lendário MC é o Host anfitrião. Embarga uma T-shirt que diz “I am Hip Hop” e deixa claro que rap é o que faz, Hip Hop é o que é. Melhor cicerone seria impossível, pois este homem é em si uma raiz, uma parte da História do Hip Hop. As escolas cruzam-se e os novos valores do B-Boying são trazidos à arena pela voz do guru do rap.

Foto: Carlo Cruz


Foto: RayDemski.com Feitas as apresentações: « let the battle begin!» Dezasseis

concorrentes oriundos um pouco de todo o mundo fazem as delí-

cias de todos os que gritam e apoiam nas bancadas . milímetro.

Foto: RayDemski.com

Ninguém

C ada movimento é visto ao

perde pitada e os suspiros colectivos fazem-se ouvir aquan-

do de uma manobra espectacular .

A

sensação é indescritível .

Pura

emoção e

adrenalina .

Portugal é pela primeira vez representado. Lagaet entra a estrear a arena juntamente com Neguin, o concorrente brasileiro. Lagaet desliza pela arena com os seus movimen‑ tos limpos, suaves, a sua dança única, muito estilo e humor. Em dois rounds mostra o que vale, e vale muito, mas não chega para passar ao segundo nível. Seguem-se as outras batalhas. Há empates. Há evidências. Há de tudo. Especialmente manobras nunca vistas que fazem a sala levantar voo. Num dos interva‑ los entre as eliminatórias somos presenteados com a actuação dos míticos RockSteady Crew em que brilha a estrela do B-Boying - Crazy Leggs. Os RockSteady Crew fo‑ ram os pioneiros, abriram o caminho e tornaram real a passagem do B-Boying das ruas apertadas do Bronx e de Brooklyn para todo o mundo. O sangue hispânico espalha o seu ritmo e transforma o intervalo num espectáculo que torna todo o evento numa uni‑ dade continua de estrondosas actuações. Crews de B-Boys e B-Girls que dançam enquanto saltam à corda. O MC sempre a lançar rimas de fogo ao ar. O incansável DJ dando pérolas roots a ouvidos que as merecem. Tudo ao mais alto nível. Todos no seu melhor. Basta olhar em redor, sentir a energia e sabemos que não se conhece o Hip Hop verdadeiramente até vir beber à fonte original. Chegamos aos quartos de final e cada battle mais parece a última. O nível está muito alto e parece não poder subir mais. Mas, o espectáculo continua e as surpresas não param. Sempre que há empates B-Boys ao centro outra vez. Os dois finalistas são Cloud, dos Estados Unidos, e Lilo, de origem argelina residente em França, porta‑ dor da melhor T-shirt do evento “ I´m muslim, don´t panik” e que nos intervalos recorre à sua bomba da asma.

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Foto: RayDemski.com

Para trás ficaram os incríveis Morris (USA) e Neguin (Brasil), que chegaram às meias finais, e todos os outros heróis da noite: Flying Budha ( Ucrânia), Differ (Coreia), Glyde (USA), Kaku (Japan), Kolobok (Ucrânia), Lil CEng (Alemanha), Lil G ( Venezuela), Mennoh (Holanda), Punisher (Suíça), Thesis ( USA), Wing (Coreia) e Lagaet (Portugal). . Todos mereciam ganhar, mas de facto Cloud, com o seu ritmo, velocidade e origi‑ nalidade inconfundíveis, e Lilo, o homem mais bem humorado da noite que se contorce e voa como se fosse de papel, merecem a final. E que final! O público já não grita como antes. A tensão é forte. A velocidade com que os B-Boys se atiram às manobras exige toda a concentração. Chega a hora da votação. Ronnie, Cico, Katsu e Salah que hoje saltaram da arena para o papel de júri, têm que decidir quem vai levar o cinto de campeão para casa. Não restam dúvidas – Lilo é o vencedor e faz história dentro da História. É o pri‑ meiro B-Boy a vencer duas vezes o Red Bull BC One e não se questiona o facto de que é esse o título que lhe serve. Acabada a battle vêm os abraços. São todos realmente amigos e a competição acaba quando se sai da arena. Lá fora no frio nova-iorquino, criam-se rodas espontâneas e até promissoras crianças de 3 anos já entram. Um mini Michael Jackson e outro, com uma crista no cabelo quase do seu tamanho, partem o chão cheios de estilo e graciosidade. Agora, segue-se a estrondosa After Party com Grand Wizard Theodore e Wavewhore. O club M2, na 28th Street, é a casa para uma longa noite de fat bass and old school rythms e para nós um mergulho ainda maior no mundo do Hip Hop, aqui onde nada é fruto de uma absorção, pois tudo é puramente original. Tudo o que viram nos filmes é verdade. O Hip Hop nasceu aqui, vive aqui e aqui goza de boa saúde. Reinventa-se sem nunca largar a preciosa raiz e mostra ao mun‑ do que o que diz KRS One é verdade: «Hip Hop it´s all about family, peace, love and safely having fun.»

Foto: RayDemski.com


Foto: RayDemski.com L agaet – a leveza do B-boying, em entrevista.

Quantas horas treinas por dia? Treino três horas. Além disso, dou aulas na minha escola de dança no Porto e, por isso, acabo por ter mais esse treino também. O que muda entre os treinos normais e os treinos para o Red Bull BC One? Não muda muita coisa. O que muda tem que ver com o tipo de evento que o Red Bull BC One é. É um evento mais comercial, que envolve muito os media e, como tal, gostam de ver movimentos mais espectaculares. Na dança em geral isso não interessa tanto como aqui. Então tenho trabalhado nesse sentido. Quando é que soubeste que tinhas sido seleccionado para o BC One? O que sentiste? Foi há cerca de ano e meio. Fiquei Feliz! Como é o processo para aqui chegar? Como é que um B-Boy chega aqui? Depende do percurso de uma pessoa durante o ano. Em quantas batalhas esteve. Quantas ga‑ nhou. Quais foram. Aqui querem B-boys com um certo nome no terreno, não basta ser só bom. Por quantos países já passaste este ano com o B- Boying? Não parámos. Gostávamos de estar mais presentes na escola de dança e não dá. Foram vários países. Rússia, Sibéria, toda a Europa. Depois daqui vou casa uma semana e depois vou ser júri numa battle em Milão. Gostas de avaliar? É a primeira vez que fazes parte dum júri? Gosto. É bom para nós, é o nosso trabalho. Eu não faço mais nada além disto. Trabalho como gerente na minha escola de dança, a escola dos Momentum Crew. Dou aulas, workshops, mas à parte disso não faço outra coisa, é a minha vida. Não vai ser a primeira vez. Já fiz de júri aqui em New York. Como é que tudo começou para ti? Sempre foste um apaixonado, ou foi uma coisa que apareceu na tua vida sem querer? Antes pelo contrário. Foi há oito anos atrás, ainda estava no colégio, na Martinica de onde sou, que é um país muito pequeno com 400 mil habitantes; eu jogava futebol, como toda a gente, e chegou a tal moda. Eu nunca tinha visto nenhum movimento, só tinha ouvido a palavra hip hop e associava isso a pessoas que vestem roupa larga. Para nós no meu país isto não fazia sentido ne‑ Das ruas de New York o B-Boying saiu para o mundo, sobretudo através dos nhum. Então, eu entrava mais no espírito de lhes dar tanga. Na altura, os meus amigos não eram os mais santos e, por isso, eu estava sempre a tripar com eles. Até ao dia em que os vi dançar. Gozava filmes de Hollywood. Em Tóquio, como nos contou K atsu, um dos júris do evento Red Bull com eles. «O que é que estás a fazer aí a rebolar no chão com essa roupa?» Um dia, um deles BC One New York, a entrada deu-se como se dá a entrada de uma moda. Para ele estava a fazer um freeze, um movimento congelado em equilíbrio só numa mão, e eu olhei e disse: a influência foi Michael Jackson. Q uando viu a moon walk, disse para si mesmo «como é que tu fazes isso, mostra-me, porque isso é muito fácil.» Ele mostrou-me e eu consegui à que queria fazer aquilo, pois ninguém era capaz de o fazer. Differ diz-nos, através primeira. E foi assim, sempre na brincadeira, eu não queria fazer nada disto. Depois, quando vi po‑ do seu intérprete, que na Coreia o B-Boying chegou graças à presença da base ame- wermove, mortais, ganhei mesmo o gosto. Não queria continuar. Queria fazer só um ou dois movi‑ ricana que trazia o mundo do país das promessas de prosperidade até a esta Á sia mentos para lhes mostrar que faço e já está. Aprendi um, aprendi outro e nunca mais parei.

The Boy

longuínqua .

Como é que chegas da Martinica a Portugal? No meu país já dançava, já viajava com outro grupo. O mais longe que fomos foi ao Canadá e França. Nas Caraíbas éramos os melhores. Ganhávamos tudo. Não havia mui‑ B-Boying é uma dança, uma atitude, uma forma de vida. tos B-Boys, então já se sabia tudo. Senti-me preso. Não tinha nada mais a aprender ali. O Red Bull BC One é uma das competições de referência no mundo. Começou Queria sair. Acabei o 12º ano e arranjei a desculpa aos meus pais para fugir. Fui estudar em 2004 na Suíça e desde aí não pára de nos surpreender. Chegar aqui é chegar à para França. Isto foi há quatro anos atrás. Não estudei muito. Ficava mais a dançar. Logo no ribalta . Aqui não estão os melhores. E stão os melhores dos melhores, os mais es- primeiro mês, em Montpellier, numa competição, encontrei o Max. Passou-se ali qualquer pectaculares, os mais brilhantes. Os mestres da arte do B-boying. Os que desenvol- coisa, gostámos um do outro, ficámos amigos. Fui a Portugal no mês a seguir. Quando che‑ veram o seu potencial ao máximo. Antes da grande noite, fomos falar com L agaet, guei a Portugal: «Que maravilha! Quero ficar aqui.» Gostei do Porto. Gostei das pessoas que não têm nada a ver com as da França. A comida. A cidade velha. A minha Crew. O que já fez história por ser o primeiro B-Boy português a chegar ao BC O ne. ambiente. Tocou-me muito... chegou uma altura em que estava sempre em Portugal. Ficava Oriundo da Martinica, L agaet com apenas 21 anos chegou ao topo. Dono duas semanas, voltava e ia. Até que vi que não estava a fazer nada em França. O B-Boying

onde chegou, chegou para ficar e vingar.

Hoje,

há incontáveis

competições por todo o mundo e os praticantes têm todas as raças, cores e credos.

de uma grande tranquilidade, sabe que tem muito para aprender e muitas batalhas para enfrentar.

O que pensa a tua família da tua carreira no B- Boying?

Apoiam-me muito. Estão todos felizes por mim. Não percebem tudo tudo, mas Adoptou Portugal por amor e já tem muito de português. Fala a língua como um nativo do norte. Vive de emoção. Pensa e vive através do coração. É simples, bem dispos- apoiam-me muito. Estar aqui em New York, onde tudo nasceu, tem um significado especial para ti? to e reúne em si as características de um atleta de alta competição. Vive a vida com disLógico! É onde tudo nasceu. É sempre um prazer poder representar Portugal a esse nível. ciplina, sem nunca se esquecer de que o mais importante na existência é a diversão.

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Foto: Carlo Cruz

A competição e os rivais não te intimidam? Adoro isso! Que chegue o dia para dançar! O que queres que aconteça amanhã? Trazer o cinturão para Portugal. Metê-lo na minha escola de dança.

Durante estes anos que evoluções viste no B-Boying? O B-Boying tem tendências. Quando eu comecei as tendências eram o power‑ move, mortais. A nível de dança não era muito importante. Agora, mudou e estamos O que é preciso para vencer uma battle? numa fase em que se dança mais, às vezes até demais. O nível subiu muito. Estamos a Neste tipo de batalha, pois há vários tipos, é preciso boa preparação, resistência, fazer movimentos que as pessoas não iam nunca sonhar, coisas do outro mundo. sorte em relação ao chão, se desliza, se agarra. Eu com o meu tipo de movimentos não gosto de um chão que deslize muito. É preciso ter sorte com o DJ, com a música. O Alguma vez pensaste ser possível viver do B-Boying? DJ pode ser muito bom, mas nós temos sempre as nossas tendências. O DJ está em Nunca pensei. De onde venho era mesmo para esquecer. Eventos como este Freestyle, põe a música e nós interpretamos com a dança. Depois, entram os factores em ajudam muito a dar-nos trabalho. É um evento incrível. A Red Bull faz um trabalho que nós não controlamos. Podemos controlar o treino, a estratégia. Estudamos os ad‑ do outro mundo, incrível mesmo. Os media, as fotos, os vídeos. versários. E depois há uma coisa super importante, pelo menos para mim, depende de como vou acordar amanhã. Se estou constipado. Se me magoei a experimentar o chão. Como está o B-Boying em Portugal? Se tenho vontade de dançar. Eu danço muito com o coração, por isso preciso de sentir Quando eu cheguei ninguém estava a perceber a direcção. Agora, já se perceba que é hoje, que vou rebentar tudo. Há outros que não. São máquinas. Pões on e off. o caminho. O nível dos B-Boys está a crescer. Acho que devem investir para viajar. Eu para estar on tenho que gostar da música, estar no ambiente. Tenho que estar bem A minha crew distingue-se por isso. Não ficámos à espera em Portugal. Juntámos as vestido. Olhar para o espelho e dizer: «estou bonito hoje, vou rebentar». economias e preparámo-nos para battles no exterior. Daí, fazem-se contactos e mais contactos. Nunca mais parou.. Que tipos de battle há e qual o teu preferido? Há desde um para um, até dez ou doze contra doze. Eu gosto muito do um con‑ Qual é o teu objectivo quando danças? tra um, porque dá oportunidade de mostrar sozinho que consegues ganhar. Falhei a cul‑ Primeiro, quero-me divertir. Segundo, quero ganhar. Terceiro, quero representar pa foi minha, mas se rebentei a responsabilidade foi minha. Mas, gosto de estar com a as minhas cores, a minha crew, a minha família e o país onde vivo que é Portugal, e família. É uma coisa única. A energia, o apoio. É mais de convívio. Agora vai o meu ir‑ também a Martinica. mão e eu apoio. São mais coreografias, demos, é um trabalho de crew. Nem todas as crews têm essa coisa, mas eu com a minha tenho. Trabalhamos juntos, passamos o Natal Tens um sonho? juntos, viajamos, comemos, vivemos praticamente todos juntos. Somos uma família. Já estou a viver o meu sonho!


Fotografia: João Bacelar, lexposure.net/jbacelar Realização: Susana Jacobetty, susanajacobetty.blogspot.com

heart of glass

Maquilhagem e Cabelos: Inês Pais, unicorneoazul.blogspot.com Modelos: Milena cardoso e Elvis Cardoso, Elite Lisbon Agradecimentos: Reverso das Bernardas; reversodasbernardas.com

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Macaco Levis, tiara JLC

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Camisa, saia e casaco Levis, chapĂŠu e asas Cristina Siopa

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Casaco Marlboro

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Casaco Andy Warhol By Pepe Jeans, calças Twenty8Twelve, brincos e ganços JLC

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Macaco Diesel, colete Mango, pregadeira Marc Monzó na Reverso das Bernardas, pregadeira cobra, pulseira e búzio JLC

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Casaco Diesel, pulseiras Inês Nunes na Reverso das Bernardas. Laço El Corte Inglês

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Colete e calças Levis

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Metropolis Fotografia: João Bacelar lexposure.net/jbacelar Realização: Susana Jacobetty susanajacobetty.blogspot.com

MARIA sweat-shirt Ben 10 no El Corte Inglés, casaco Ralph Lauren, saia Oilily, collants Room Seven, sapatos de Flamenco RIA coroa Alexandra Moura, casaco Odd Molly, cinto e saia Story Tailors, collants H&M, carteira Jimmy Choo para H&M, botas Hunter

Cabelos: Yohain para &SO WHAT com produtos Sebastian Maquilhagem: Ana Gomes com produtos Dior Modelos; Maria Jacobetty, L’agence, Ria e Nuno Lopes, Best Models Assistente de Produção: Catarina Gamito Gomes

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NUNO sweat-shirt Ligthning Bolt, casaco Adidas RIA vestido Alexandra Moura para Hello Kitty, calรงas Umm, carteira Jimmy Choo para H&M, sapatos Made In

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NUNO polo irmãos Campana para Lacoste, blazer Alexandra Moura, calças Humor, sapatos H&M MARIA vestido e botas Kenzo, casaco Molo na Piripiri, collants H&M MARIA casaco Gap NY, vestido Ralph Lauren, calças Molo na Piripiri, ténis Converse NUNO camisa, blazer e calças Alexandra Moura, sweat-shirt Giogoi, ténis Lacoste

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NUNO sweat-shirt Umm, calรงas Carhartt, botas Hunter

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NUNO camisa e sapatos Alexandra Moura, casaco Umm, calรงas Giogoi RIA jรณia com Gloss Dior, camisa e saia Story Tailors, casaco Carhartt, botas Cubanas na Made In

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Transformers Artwork: João Bacelar Styling: Susana Jacobetty

72 beleza

Óculos – Dior Homem Cinto colorido – Hilfiger Denim Cinto branco - Hilfiger Denim Botins – Petusco Sombra e lápis – Dior Cinto da moldura – We are Replay

Relógio, gravata e carteira da moldura - Louis Vuitton Baton e verniz - Dior Óculos - Gucci


Shoes & Bags Foto e realização: João Bacelar Styling: Susana Jacobetty

Página esquerda, de esquerda para direita: Lacoste, Nike, Adidas, LA Gear, Munich, Quick, Lacoste, Munich, Munich, Adidas Página direita, de cima para baixo: Adidas, Adidas, Nike (todas na Loop Footwear) e Fred Perry

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Pรกgina esquerda, de esquerda para direita: Diesel, Le Coq Sportif, Le Coq Sportif, Adidas, Ecko Red, Loop, Loop, Merrell Pรกgina direita, de esquerda para direita: Converse All Star, Onitsuka Tiger, Adidas, Le Coq Sportif, New Balace, Converse All Star, Adidas, CAT, Onitsuka Tiger

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Tudo na Loop Footwear

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Scout Niblett fotografada por Steve Gullick

Editors -- Não fosse o facto de Lisboa ter ficado, de facto, nos últimos 10 anos mais pró‑ xima de muitos outros centros cosmopolitas da Europa e esta poderia muito bem ser uma noi‑ te única. Não fosse o facto de a capital portuguesa já ter o privilégio de ver actuar centenas de bandas que se reproduzem como cogumelos nos recantos da internet e ver os Editors no Campo Pequeno poderia ser coisa de longa lembrança. Em boa parte porque, não obstante serem uma das poucas entre os milhões de candidatos a furar o universo dito indie, até ver não se separam da valente convicção de fazer música de um negro épico, meticuloso e destemido. Lembremo-nos, por exemplo, de que ao primeiro álbum, The Back Room (2005), os Editors davam logo à estampa trechos do calibre de ‘Lights”, Munich’, ‘Bullets’ ou o colossal ‘All Sparks’. E que, quatro anos depois, o álbum In This Light And On This Evening foi precedido de um single, Papillon, capaz de sozinho ganhar o céu de uma banda. Não é difícil, por isto e muito mais, concluir que o grupo de Birmingham encabeçado pelo vocalmente dotado Tom Smith não vem ao Campo Pequeno brincar às cantigas. Chamam-lhes pós-punk, afilhados dos Joy Division e Echo & The Bunnymen, concorrentes dos Interpol, mas os Editors já mostraram o carácter musical que hoje lhes vale com justiça o topo dos cartazes. Teclados grandiosos, guitarras deliciosamente cortantes e palavras que chegam à estratosfera é, basicamente, o que pode esperar-se.

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Scout Niblett -- Silêncio que se vai cantar afina‑ do. Aí vem ela pela segunda vez, sem pressas, desde as terras de dona majestade até à confortável esquina da Europa. A Zé dos Bois, leia-se. Scout Niblett, facilitan‑ do o mais completo Emma Louise Niblett, tem tudo o que se quer numa cantautora. Inteligência, talento e um q.b. de ousadia naquela farsa, qual Cindy Sherman, en‑ tre o disfarce e a representação. Niblett, ou não estivesse ela na (tão) aclamada linha de Cat Power ou PJ Harvey, promete um concerto intimista, à medida do espaço que a acolhe outra vez. Ora, quem não apareceu em 2008 tem aqui uma nova oportunidade; já quem apareceu vol‑ ta a não poder falhar. Resta-nos adivinhar o repertório, de SWEET HEART FEVER a THIS FOOL CAN DIE NOW, provavelmente de tudo um pouco. De tudo o que é bom. Quem sabe até com um colete de sinali‑ zação à mistura. Texto: Sara Vale Teatro Passos Manuel (Porto) e Galeria Zé dos Bois (Lisboa) 15 e 16 de Dezembro

Alèmu Aga -- Quem toca a harpa do Rei David desde os 12 anos merece (muitíssimo) respeito. Alemu Aga fá-lo na perfeição, talvez por‑ que foi treinado por um dos maiores mestres deste instrumento milenar, vulgo mas não demasiado begena, o grande Aleqa Tessama WoldeAmmanuel. Talvez por dom. Pois se estes nomes ainda não entraram por completo no nosso léxico estão prestes a fazê-lo. Porque Alému Aga vem especialmente da Etiopia presentear-nos com a sua música, não uma mas duas vezes. Uma no Teatro Maria Matos em Lisboa, ou‑ tra na Culturgest do Porto. Este grande nome da música etíope anuncia encantar-nos com melodias oníricas, paz interior e outras dimensões que não a habitual. Temos espectáculo imperdível, portanto, cortesia da as‑ sociação Filho Único. Nem que seja para matar a curiosidade. Os leitores mais curiosos podem (e devem) espreitar a página MySpace (http://www.myspace.com/alemu_aga) deste senhor.

Texto: Pedro Gonçalves

Texto: Sara Vale

Campo Pequeno (Lisboa) 10 Dezembro

Teatro Maria Matos (Lisboa) e Culturgest do Porto 17 e 18 de Dezembro

agenda

-- música -- 79


NINE -- Em 1963, no meio de um bloqueio criativo, Frederico Fellini co-escrevia e realizava 8 1/2. Guido Anselmi, a personagem desempenhada por Marcelo Mastroianni, era um reflexo do realizador italiano – um artista que lutava com o seu próprio processo criativo, no meio de referências reais e imaginárias. Tal como em toda a sua carreira, as mulheres assumiam um papel princi‑ pal. Várias personagens femininas gravitavam em torno de Guido, representando as várias faces da mulher: mãe, ac‑ triz, mulher, amante, prostituta, confidente. Uma das histó‑ rias de produção conta que, no primeiro dia de rodagem, Fellini colocou um papel no viewfinder da câmara dizen‑ do: «Ricordati che è un film cómico» (lembrem-se de que este filme é uma comédia). Se 8 1/2 tinha ou não um fun‑ do cómico talvez só Fellini o saiba. Que vinte anos mais tarde Arthur Kopit e Mario Fratti (autores do livro que deu origem ao espectáculo) viram nele um musical em po‑ tência temos a certeza. Em Nine, os nomes das persona‑ gens mudavam ligeiramente, mas os temas musicados por Maury Yeston reflectiam a mesma angústia artística. Em 2009, Nine chega aos cinemas internacionais, desta vez sob o olhar de Rob Marshall. Em homenagem a Fellini, o elenco feminino é de luxo – Nicole Kidman, Pénelope Cruz, Marion Cotillard, Judi Dench, Kate Hudson e a diva italiana Sophia Loren – mas é Daniel Day-Lewis que promete arrebatar o filme. Parece que agora também canta e bem... Avisem-me quando este homem não fizer tudo de forma perfeita. É sinal de que o show business está a morrer De Rob Marshall Com Daniel Day-Lewis, Nicole Kidman, Pénelope Cruz, Judi Dench, Sophia Lauren Texto: Filipa Penteado Estreia prevista: Janeiro de 2010 NOWHERE BOY -- Quase toda a gente sabe o que aconteceu a John Lennon depois de integrar a banda mais famosa do planeta, The Beatles. A história da sua adoles‑ cência chega agora aos cinemas em NOWHERE BOY, da realizadora Sam Taylor-Wood. O filme começa em 1955, em Liverpool, quando Lennon tinha apenas 15 anos. John vive com Mimi desde muito novo, depois dos pais terem sido acusados de não terem condições para criar o filho. NOWHERE BOY explora a relação de John Lennon com a mãe, que volta a entrar na sua vida na adolescên‑ cia e o expõe à música de Elvis Presley, uma das grandes influências de Lennon. O filme acompanha ainda a for‑ mação da sua primeira banda, os Quarrymen, o início da amizade com Paul McCartney e consequente criação dos Beatles. Escrita por Matt Greenhalgh, o mesmo argumen‑ tista de CONTROL (biografia de Ian Curtis, vocalista dos Joy Division), NOWHERE BOY é a primeira lon‑ ga-metragem de Sam Taylor-Wood, embora esta seja uma reconhecida artista visual britânica. Entre os seus trabalhos mais conhecidos está um vídeo de David Beckam a dor‑ mir, comissionado pela National Portrait Gallery, e a curtametragem LOVE YOU MORE. A obra foi escrita por Patrick Marber, o mesmo autor de CLOSER, e produzi‑ da pelo falecido realizador inglês Anthony Minghella. O protagonista de NOWHERE BOY é Aaron Johnson, um jovem actor que até agora pouco fez digno de nota. Encarnar John Lennon pode fazer por ele o mesmo que CONTROL fez pela carreira de Sam Riley. Entretanto, Johnson ficou noivo da realizadora Sam Taylor-Wood. Talvez ela seja a sua Yoko Ono... De Sam Taylor-Wood Com Aaron Johnson, Kristin Scott Thomas, Thomas Sangster, Anne-Marie Duff Texto: Filipa Penteado

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Texto: Margarida Rocha de Oliveira Korda – Conhecido Desconhecido – Galeria do Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, Av. da Índia, Lisboa. De 2 de Dezembro a 31 de Janeiro. Entrada livre.

82 cinema -- arte

A dif em tua casa

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Alberto Korda -- O anónimo famoso -- Em todo o mundo, Che Guevara é reconhecido por uma mesma imagem. Aquela que o fotógrafo cuba‑ no Alberto Korda (Havana, 1928 - Paris, 2001) captou, eternizando o revolucionário argentino como “Guerrillero Heróico” – um ícone histórico estampado em milhões de t-shirts e posters, pelo qual o fotógrafo só obteve crédi‑ tos um ano antes de morrer. Até hoje, essa fotografia sim‑ boliza a rebelião da revolução cubana de 1958, mas a saturação deslocou-a do engajamento político com que foi inicialmente captada pelo fotógrafo cubano, num fu‑ neral de cem cubanos mortos na explosão de um barco belga no porto de Havana, a 5 de Março de 1960. Como jornalista do Revolución e fotógrafo pessoal de Fidel Castro, durante dez anos Korda cristalizou instantes críticos. Depois de uma breve aparição em 1999 no filme de Wim Wenders Buena Vista Social Club e do do‑ cumentário Kordavision de Héctor Cruz Sandoval em 2007, o fotógrafo é agora homenageado numa grande exposição que tem passaporte autenticado para Lisboa. Korda – Conhecido Desconhecido inaugura a 1 de Dezembro, estará até 31 de Janeiro na galeria do Torreão Nascente do edifício da Cordoaria Nacional e visa “li‑ bertar o fotógrafo do peso de uma fotografia”, afirma Cristina Vives, a comissária da exposição que contribuiu para a divulgação desta obra. Cerca de 200 fotografias foram seleccionadas de entre milhares de fotogramas de Korda, muitos deles inéditos encontrados nas casas de amigos e colaboradores e em grande parte descobertos depois da dispersão que sofreram quando em 1968 as autoridades cubanas invadiram os Studios Korda e apre‑ enderam o material, resultando na perda de muito deste legado. Durante dois meses, esta exposição é trazida à capital pelas mãos da produtora Terra Esplêndida, já conhecida por colocar Portugal no mapa de algumas exposições in‑ ternacionais de grande relevância, contando com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e da Casa da América Latina, que atestam a singularidade do evento. Além de revisitar as imagens dos líderes revolucionários cubanos, a mostra apresenta outras faces do artista que abrangem o seu pioneirismo na fotografia de moda, a poesia do re‑ trato feminino e da paisagem marítima ou a crueza rea‑ lista dos temas sociais, abrangendo mais de uma década (1956-1968) de trabalho. A arte versátil de Korda já ti‑ nha sido vista pontualmente em galerias americanas e eu‑ ropeias, mas esta retrospectiva e o seu catálogo, fruto de longa pesquisa, chegam privilegiadamente a Lisboa, com entrada livre.

Nome* Endereço* TelefoneIdadee-mail Profissão Onde encontraste a dif? * campos obrigatórios para a recepção da dif em tua casa Endereço: Publicards Publicidade, lda. Rua St. António da Glória, 81. 1250‑080 Lisboa

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DIF magazine Nº71  

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