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Reunião

NUTRIÇÃO

Você está aprendendo a comer ou só fazendo dieta? PSICOLOGIA

Depressão e Obesidade


Nutricional: Você está aprendendo a comer ou só fazendo dieta? Mentalidade de dieta é um conjunto de ideias que visam o controle da alimentação como forma de atingir o emagrecimento ou manutenção de peso, muitas vezes acompanhado por atitudes alimentares restritivas e baseadas em crenças. Atualmente vivemos um dos mais contraditórios cenários na área da saúde. Nunca se teve uma variedade tão grande de tipos de dietas e ao mesmo tempo nunca houve um aumento do número de casos de sobrepeso e obesidade como visto a cada ano. A justificativa é que o número de pessoas que está desenvolvendo essa “mentalidade” de dieta é maior do que aquelas que procuram a mudança de hábitos a partir da reeducação alimentar. É isso o que vamos discutir nas Reuniões Online dessa semana!

Os princípios da mentalidade de DIETA: - 8 ou 80 Dividir os alimentos entre os permitidos (emagrecem) e os proibidos (engordam). Quando existe este pensamento, é comum também se instalar um comportamento de “8 ou 80” na pessoa, onde ela não sabe comer 1 fileirinha de


chocolate, ela precisa comer a barra toda, ou quando você acha que comer 1 coxinha já estraga todo o seu processo de emagrecimento, você vai lá e “ah já que já estraguei tudo, vou comer logo 5 coxinhas”. Esse é o típico pensamento e atitude que mais diferencia quem faz dieta de quem está aprendendo a comer, ou seja, reeducação alimentar. - As escolhas alimentares e sobretudo, o peso, determinam o valor pessoal Se você está de dieta e bate aquela vontade de comer um chocolate (“alimento ruim”), mas você resiste firme e come mini cenouras, ou mesmo, um pedaço de maçã, você é alguém inteligente e com força de vontade na visão dos adeptos da dieta (mesmo que isso signifique acumular a vontade pelo doce). Já se optar em se permitir e comer um pedaço, por menor que seja, provavelmente você será visto pelos demais que fazem dieta, como alguém “sem força de vontade” ou “sem vergonha”. Da mesma forma, quem está acima do peso é “um fracassado que não tem força de vontade nem para emagrecer” na visão da mentalidade da dieta, já quem é magro e sarado é visto como “feliz e muito disciplinado”. Vale a pena uma reflexão nesse momento: quantas pessoas magras você conhece que tem problemas pessoais em suas vidas e até de saúde? Será que é correto condicionar a felicidade, apenas aos números da balança?


Quais as consequências de “fazer DIETA”? - Acúmulo do desejo por comer os alimentos que não são permitidos. Com o tempo, o sentimento de privação aumenta gradativamente até que é preciso uma quantidade maior do alimento para saciar esse desejo reprimido. Ao comer, a culpa por ter comido algo proibido aparece, e então a dieta recomeça e o ciclo de privação também. - Não saber como agir, ao se deparar com a comida (especialmente quando se trata de um alimento que não está na lista da dieta). - Sentir-se proibido de comer certos alimentos por conta do peso, mesmo que o contexto seja uma situação especial por exemplo ir a uma festa de aniversário e pensar: “Não posso comer coxinha, preciso emagrecer”. - Ao seguir uma dieta, os sinais internos de fome e saciedade são negados, e substituídos por uma regra externa que determina quando é preciso comer, ou não: a dieta. Sem falar que após um período de restrições alimentares da dieta, o metabolismo “aprende” como poupar energia, e dificulta ainda mais a evolução de peso. Por que a REEDUCAÇÃO ALIMENTAR (RA) é diferente?


Definitiva Sustentar uma dieta restritiva por longo tempo é praticamente impossível, sem falar nada saudável. E é exatamente por isso que normalmente as dietas tem um ciclo bem definido. Todas têm começo, meio e fim. O problema é que como dietas não promovem mudanças de hábitos alimentares, ao parar de segui-las o ganho de peso é quase inevitável, afinal os antigos hábitos (não modificados) vem à tona. Na RA o objetivo é formar hábitos saudáveis que serão mantidos definitivamente, portanto não há ciclo, mas sim etapas progressivas, ou seja, começo, meio e continuação. Ainda não está claro a diferença? Então dá uma olhada nas fases de cada uma!

Só existe um peso ideal: aquele que te faz feliz e


saudável! ;) Para escolher a meta de peso ideal dentro da reeducação alimentar, o mais importante é respeitar o seu corpo, a sua estrutura e composição corporal, além é claro de sua genética. Existem diversos tipos de formatos corporais, e portanto, é totalmente surreal determinar um único peso padrão. Por exemplo, não é porque sua amiga pesa 50kg que você necessariamente precisa chegar ao mesmo peso, talvez dependendo de sua estatura e estrutura óssea, 55kg seja o peso mais adequado. É como se uma pessoa que calça 37, deseja com o emagrecimento passar a calçar 35. Todos os alimentos são permitidos, basta priorizar o COMO comer. Olhe para as imagens abaixo por um instante e reflita: qual destes alimentos é o mais saudável?

Certamente você respondeu “a maçã é claro”. Agora, olhe


novamente para as imagens e pense: e se você comer 20 maçãs por dia? Ela ainda é o alimento mais saudável? Não. Dentro de uma alimentação saudável há espaço para todos os alimentos. Alguns precisam ser consumidos com maior frequência, outros somente de vez em quando. A pirâmide de alimentos não exclui nenhum tipo de alimento, portanto todos podem ser consumidos. Na RA você compreende que não há problema em comer um brigadeiro ou um doce na sobremesa do almoço quando sentir vontade, mas será preciso escolher a quantidade suficiente para matar a vontade. O objetivo da reeducação alimentar é exatamente te ajudar a encontrar a forma moderada, consciente e verdadeiramente saudável de comer os alimentos. Manter o foco nas mudanças de hábitos é determinante para evoluir na eliminação de peso, atingir a meta e construir um novo estilo de vida saudável. Contudo, não deve ser o motivo para declarar guerra à comida, ou mesmo alimentar uma mentalidade de dieta que apenas torna tudo mais difícil e cheio de regras e restrições. E aí qual delas faz mais sentido para você? Com qual delas vale a pena se comprometer? Até nossa próxima reunião! :) Ana Carolina Icó Nutricionista da equipe Dieta e Saúde CRN3: 34133


Psicologia: Depressão e Obesidade

A depressão é uma doença que inclui diversos sintomas. Entre eles, humor deprimido (tristeza, irritabilidade), perda de interesse e prazer nas atividades diárias, alterações no peso (ganho ou perda), alterações no sono (insônia ou muito sono), fadiga (perda de energia), sentimento de inutilidade ou culpa excessiva, dificuldade de concentração e pensamentos recorrentes sobre a morte. Para o diagnóstico ser realizado é importante observar a frequência e os prejuízos causados por esses sintomas. Além disso, é importante diferenciar a depressão da tristeza, já que essa última é passageira e está relacionada com algum evento negativo que pode ser identificado pela pessoa. Já a depressão não possui uma causa aparente e está mais relacionada com uma visão negativa da vida, uma falta de ânimo e uma sensação de apatia. Causas Apesar da depressão ter causas desconhecidas, fatores genéticos, psicológicos, ambientais, sociais e bioquímicos estão envolvidos na sua gênese e evolução, estando presentes em graus variáveis em cada indivíduo com depressão. Aspectos neurobiológicos: Na depressão ocorre uma alteração bioquímica no cérebro, causada por um déficit no


metabolismo da serotonina que é o principal neurotransmissor responsável pelo equilíbrio do humor e da sensação de bem-estar no indivíduo. Aspectos psicossociais: Vários são os fatores psicossociais que podem contribuir para o desenvolvimento da depressão. A ocorrência de eventos negativos recentes (morte de um ente querido, perda do trabalho, doenças), problemas no relacionamento afetivo/conjugal, estresse e falta de autoestima, são considerados fatores psicossociais facilitadores para a instalação de um quadro depressivo. A forma como vivemos hoje em dia, num estilo de vida apressado, estressado, corrido, aonde somos estimulados a consumir e a ganhar muito dinheiro, nos afasta da família, dos relacionamentos, de nós mesmos e dos cuidados com o nosso corpo. Nesse modelo, nos afastamos da nossa função sentimento e uma parte do nosso organismo fica sem alimento e atenção. Isso pode gerar um desequilíbrio psicológico e se tornar depressão se a pessoa tiver uma predisposição. A compreensão da Psicologia Um dos sintomas mais característicos da depressão é o estado de desânimo. A palavra latina anima significa alma, portanto, alguém des-animado é alguém des-almado. “Ficar sem alma” significa perder o contato com a própria essência, aquela que traz sentido para as nossas vidas.


Tédio e desanimação parecem apontar para a carência ou o aprisionamento de imaginação em nossas vidas esvaziadas de alma. Percebemos muitas vezes, em pacientes depressivos, a imagem que simboliza a descida ou queda, por exemplo, em sentimentos e sensações de: “ir sem saber para onde”, “abismo sem fim”, “perda de chão”. Geralmente, o distanciamento de nossas raízes e de nossas almas pode levar ao isolamento. É como se fossemos para o “porão” ou para um lugar mais baixo, inferior. HADES é um deus antigo na mitologia grega. Ele é o deus do submundo. Seu reino também é conhecido como um reino da morte e de tudo aquilo que vive na sombra de nossa consciência. Mais do que isso, o reino de Hades é o reino do porão (dito à cima), é o reino das nossas descidas, das nossas partes mais baixas e inferiores. Os “mortos”, os reprimidos, seriam, por exemplo, as nossas introversões, nossas fraquezas, nossas derrotas, nossas preguiças, nossas impotências, nossas regressões e nossas estagnações. Mas no submundo também encontramos as possibilidades de tudo o que ainda podemos ser e, por isso, ele é cheio de riquezas psicológicas. A depressão é compreendida como um momento aonde grande parte da energia psíquica está voltada para o interior, um momento aonde precisamos ir ao submundo para recuperar nossa alma que está presa ou estagnada, dando-


lhe um novo sentido e um novo lugar. Se encarada como possibilidade, a depressão pode ser um momento de encontro com novos potenciais, gerando uma profunda transformação da vida. Depressão e Obesidade Aproximadamente 30% das pessoas que buscam tratamento para emagrecer sofrem de depressão. Nos EUA, um levantamento mostrou que 43% dos adultos deprimidos também eram obesos. Mas a ciência ainda não conseguiu encontrar uma relação tipo “causa e efeito” entre as duas doenças. Há teorias que entendem a obesidade como um fator que pode levar a depressão já que pode causar baixa autoestima, isolamento social, problemas de saúde incapacitantes e desânimo. Já outros autores acreditam que o desequilíbrio químico causado pela depressão pode levar uma pessoa a buscar alimentos que aumentem a produção de serotonina, como o chocolate. A depressão também causa um aumento do cortisol no sangue, e esse hormônio pode induzir o acumulo de gordura no abdômen. A pessoa deprimida se sente sem energia e consequentemente também não irá se exercitar e cuidar da alimentação, o que pode gerar o aumento de peso. Para a Psicologia Analítica, a psique se comunica de uma forma simbólica e pode ser compreendida como se falasse por metáforas. Quando temos dificuldade de compreender


os seus sinais podemos acabar interpretando de forma concreta uma necessidade existencial. A comida pode significar tudo a que foi relacionada como energia, força, carinho, aconchego enquanto que a sensação de fome pode estar relacionada com o vazio, o tédio, a falta e a carência afetiva. Quando procuramos doces podemos estar em busca de uma vida mais alegre e menos amarga enquanto que, ao mastigar, podemos estar tentando aliviar a raiva ou engolir os “sapos” da vida. A vontade de comer compulsivamente pode estar relacionada com a nossa fome de viver, com os nossos lados que não estão podendo se manifestar e que estão famintos por existência. Assim, durante um estado de depressão a fome da alma acaba sendo confundida com a fome do corpo a e a pessoa busca responder com comida a uma falta que é existencial. Tratamento O trabalho psicoterápico, associado ao tratamento medicamentoso é reconhecidamente a maneira mais eficaz de tratar a depressão, pois possibilita a remissão dos sintomas depressivos, bem como evita sua reincidência. O tratamento psicoterápico só pode ser oferecido por profissionais capacitados na área da saúde mental: psicólogo ou psiquiatra. Em diversas ocasiões, o medicamento fará com que a pessoa se recupere e admita a necessidade de se tratar tanto com medicamentos de manutenção e/ou de prevenção


quanto com psicoterapia que ampliará seu autoconhecimento e o ajudará na reintegração social e na retomada de sua individualidade. Mudanças no estilo de vida, como uma alimentação saudável e a prática de atividade física, além da busca por relacionamentos de qualidade, também ajudam na recuperação da depressão. O importante é reconhecer quando não estamos vivendo bem e buscar ajuda. Hoje em dia a medicina e a psicologia já possuem tratamentos eficazes que podem melhorar muito a vida das pessoas deprimidas. Flávia Scavone Psicóloga da equipe Dieta e Saúde CRP 06/58691

Dieta x ra e depressão e obesidade  
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