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1º DE MAIO - DIA DE LUTA DO PROLETARIADO INTERNACIONAL

se elevou enormemente e a mortalidade avançou um alto nível principalmente entre as crianças. Os baixos salários faziam com que suas mulheres e filhos trabalhassem para receber o equivalente a 33% do orçamento familiar. Os avanços técnicos, ao invés de diminuir, intensificavam o trabalho, a jornada era geralmente de dez a doze horas, sendo freqüentemente necessário trabalhar quinze horas e até aos domingos e feriados. Fruto dessa situação, o

As origens do dia internacional dos trabalhadores A origem do 1º de maio está vinculada a uma importante luta da classe operária mais desenvolvida do mundo, que é a norte-americana. Na década de 1880, os Estados Unidos atravessavam uma crise de superprodução. Essa crise gerou uma legião de centenas de milhares de desempregados e uma série de mazelas para a classe operária. Seu custo de vida

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movimento operário teve um forte desenvolvimento, expresso na agregação de setores mais atrasados com elementos mais antigos e conscientes da classe e na heterogeneidade da sua composição. Grandes sindicatos foram formados nos anos da crise (1882-1885) nos maiores centros industriais do País, Nova Iorque, Detroit, Chicago, Cincinnati. Nesse período de grande efervescência política, aumentaram consideravelmente os órgãos de imprensa operária. Os maiores sindicatos, de gráficos, mineiros, carpinteiros etc. tinham um jornal próprio. Apareceram por todo o país

mais de quatrocentos jornais periódicos simpatizantes das organizações operárias, como o diário Laborer em Massachusetts, o semanário Craftsman em Washington e o Labor Tribune em Pittsburg. Havia ainda os jornais dos grupos socialistas e anarco-sindicalistas, como o New-Ypor Volks-Zeitung, o Der Sozialist, o Alarm e o Arbeiter-Zeitung. Os mais ativos eram os semanários Alarm, dirigidos por Albert Parsons e escrito em inglês, e Arbeiter-Zeitung, em alemão, dirigido por August Spies. Com o aprofundamento da crise e o agravamento da situação dos operários, o 3


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movimento se amplia, tendo como reivindicação central a redução da jornada de trabalho. Essa reivindicação é importante tanto do ponto de vista econômico, quanto político. Do primeiro, porque é uma reivindicação que vai contra a tentativa da burguesia de aumentar a exploração dos operários através da extração da mais-valia absoluta. Do ponto de vista político, porque a jornada exaustiva coloca também enormes dificuldades para a organização dos trabalhadores, tanto sindical, quanto em partidos. É necessário ter um certo tempo livre para a atividade política. Nesse sentido, a bur-

guesia é privilegiada também pelo enorme tempo livre de que dispõe para se dedicar a essa atividade, além dos seus políticos profissionais, que gozam tanto de uma situação financeira favorável, quanto de financiamento estatal. Em 1886 o número de participantes nessas manifestações aumenta aproximadamente doze vezes. 320 mil trabalhadores aderem à greve geral de maio deste mesmo ano pela jornada de oito horas. Esta foi a primeira intervenção de massa do proletariado industrial enquanto classe na história dos Estados Unidos. No dia 1° de maio de 1886, 4


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os principais centros industriais norte-americanos foram paralisados por uma greve geral, que assustou a burguesia norte-americana. Nesse dia os grevistas de Chicago se reuniram em uma grande assembléia na Praça Haymarket, reivindicando a redução da jornada de trabalho para oito horas e o melhoramento das condições de trabalho. Preocupadas com a amplitude que o movimento estava adquirindo, as autoridades locais armaram uma provocação, e numa manifestação chamada para o dia 4, por

ocasião do assassinato de grevistas pela polícia que havia ocorrido no dia anterior, lançaram uma bomba no meio da multidão. Policiais e soldados de guarnições próximas aguardavam esse sinal para abrir fogo contra a os grevistas. A partir daí houve uma grande contra-ofensiva da burguesia sobre os operários em todo o país e principalmente aos seus dirigentes. Intensificaram a campanha contra a classe operária e suas organizações, a propaganda antioperária, e as mentiras que enchiam as

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páginas dos jornais capitalistas norte-americanos. Junto disso veio uma onda de prisões e perseguições aos militantes mais conhecidos do movimento sindical e operário, todas as organizações anarco-sindicalistas foram proibidas e seus jornais fechados. As autoridades militares estabeleceram uma verdadeira guerra contra a população e os patrões criaram grupos especiais para “manter a ordem” e defender a sua propriedade. Prepa-

rando o terreno para ações mais duras no futuro, toda a imprensa reacionária exigia a imediata execução dos dirigentes operários presos. Oito dos principais dirigentes do proletariado de Chicago, foram levados à justiça. Sem possuir prova alguma de que eram culpados da explosão da bomba, e possuindo, ao contrário, provas irrefutáveis de que apenas dois dos dirigentes estavam presentes no momento, num julgamento vergonhoso, sete operários, Albert Parsons, 6


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August Spies, Samuel Fielden, Michael Schwab, Adolph Fischer, George Engel, Louis Lingg, foram condenados a morte e um, Oscar Neebe, a quinze anos de prisão. Na escolha do júri, foram rejeitadas todas as pessoas que tivessem relações com organizações operárias ou que manifestassem simpatia por elas. A maior parte dos jurados eram patrões ou pessoas diretamente ligadas a eles, todas abertamente hostis

aos operários e às atividades socialistas. Fica absolutamente claro que quando se trata de defender seus interesses, contra a mobilização revolucionária das massas, a burguesia não se lembra de cumprir a lei, nem de ser democrática, mas depois usa a democracia para atacar a classe operária, suas organizações, suas reivindicações e suas lutas. Esse ato de absoluta arbitrariedade cumpria uma

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função política: intimidar e desmobilizar o crescente movimento operário que evoluía cada vez mais para uma via consciente em Chicago e nos Estados Unidos. A despeito desse fato foram feitas numerosas manifestações operárias nos Estados Unidos e na Europa e da opinião progressista norteamericana. Apesar da grande pressão, as penas não foram canceladas. Apenas as de Schwab e Fielden foram substituídas pela de prisão perpétua. Lingg morreu na prisão. Parsons, Spies, Fischer e En-

gel foram enforcados em 11 de novembro de 1887. Em uma demonstração de significativa franqueza, não cultuada pelos capitalistas, um empresário norte-americano declarou; “Eu não sei se os operários presos são culpados ou não, mas eu tenho certeza q eles devem ser enforcados. Eu não tenho medo dos anarquistas, eles são uns reformadores sociais exóticos, sonhadores, românticos, existiram em todas as épocas e sempre vão existir e são relativamente inofensivos, agora, o movimento operário

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tem que ser esmagado.” As últimas palavras dos mártires foram endereçadas à classe operária

dade norte-americana chegou a declarar: “A república livre executou cinco pessoas por suas convicções”. Em Chicago os operários erigiram um obelisco em homenagem aos mártires de Haymarket. Esses acontecimentos também tiveram grande repercussão no mundo todo. O 1º Congresso da II Internacional, organização dos partidos operários e socialistas, dirigida pelos revolu-

Lingg foi enterrado no cemitério Waldheim em Chicago. Seu enterro transformouse em uma manifestação de solidariedade entre os operários, acompanhado por 25 mil pessoas. O escritor William Dean Howells, eminente personali9


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cionários marxistas, reunido em Paris, tomando por base a luta que estava acontecendo naquele momento, deliberou que todas as organizações operárias e partidos socialistas deveriam trabalhar para que em um dia específico em todos os locais onde houvesse organização operária, fosse realizada uma manifestação pela redução da jornada de trabalho. Em 1890 esse ato foi realizado em vários lugares. A data preferencial era o 1º de maio, mas não foi realizado nessa data em todos os países. Como a manifestação implicava em fazer um chamado geral aos trabalhadores por um dia, era praticamente como uma greve geral de um dia. Portanto, nos países onde a organização operária ainda era fraca, o ato foi convocado para o domingo, mas rapidamente, o 1º de maio se transformou na data unificada de luta da classe operária. Nos EUA, a burguesia imperialista, para ocultar seu crime 10

monstruoso contra a classe operária estabeleceu um “dia do trabalho” em setembro. Atualmente é feriado na maioria dos países, reconhecido pelo estado burguês. Isso aconteceu porque na prática os trabalhadores transformavam em feriado, o que revela


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o enorme poder de luta da classe operária internacional. O fato de uma classe oprimida, pobre, em geral inculta, com enormes dificuldades para se organizar, se organizou a ponto de estabelecer esse dia internacional, é a mostra não só da unidade internacional, como da força e natureza social internacional da classe trabalhadora. Até o dia de hoje, a burguesia tenta, sem sucesso algum destruir esta tradição de luta da classe operária mundial. Na impossibilidade de quebrar a resistência dos operários e abolir o feriado de 1º de maio utilizam-se dos seus funcionários capachos nas organizações sindicais e políticas ligadas ao proletariado para tentar prostituir esta data e a memória dos que defenderam com a própria vida a classe operária. No entanto, sistematicamente, os trabalhadores mais conscientes retomam a bandeira histórica do 1º de maio como um dia de luta internacionalista, contra a burguesia, contra o capitalismo e de luta pela sociedade socialista.

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Os mártires de Chicago

Louis Lingg (1864-1887)

“Os Estados Unidos hoje são um país onde reina a tirania capitalista, lar do despotismo policial dos mais cruéis”. Morreu na prisão, no dia anterior á execução dos demais dirigentes

August Spies (1855-1887)

“Nesse processo eu represento uma classe contra a outra”. Foi executado no dia 11 de novembro de 1887

Albert Parsons (1848-1887)

“Meus inimigos, nos Estados do Sul são os que oprimem os escravos negros e, nos Estados do Norte, os que procuram perpetuar a escravidão dos assalariados”. Foi executado no dia 11 de novembro de 1887

Michael Schwab (1853-1898)

“Milhões de trabalhadores passam fome e vivem como vagabundos. Mesmo os escravos mais ignorantes começam a pensar. A desgraça geral leva-os a compreender a necessidade de se unir, e eles se unem”. Sua pena de morte foi perdoada pelo governador de Illinois 12


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Os mártires de Chicago

George Engel (1836-1887)

“Todos os trabalhadores devem se preparar para a última guerra, que colocará fim a todas as guerras”. Foi executado no dia 11 de novembro de 1887

Oscar Neebe (1850-1916) “Fiz tudo pela Central Labor Union e o aumento de seus efetivos, que se tornou a melhor organização operária de Chicago, agrupando mais de 10 mil membros. É tudo que posso dizer de minha vida como operário”. Sua pena de morte foi perdoada

Adolph Fischer (1848-1887)

“Sei que não podemos persuadir os mentirosos profissionais, os redatores pagos pela imprensa capitalista das mentiras que eles falam”. Foi executado no dia 11 de novembro de 1887

Samuel Fielden (1847-1922)

“Tenho em vista a questão principal, ous seja, a injustiça no domínio do trabalho”. Sua sentença de morte foi perdoada e não foi enterrado com os outros mártires, quando morreu, em 1922

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de greves no Brasil no séc. XX aconteceu dois anos depois, em 1906, quando a COB (Confederação Operária Brasileira) realiza o O 1º de maio no Brasil seu primeiro Congresso começou a ser comemorado onde decide convocar um muito mais tarde do que na grande ato de 1º de maio para o ano seEuropa. Enquanto lá a primeira manifestação data de 1890, a primeira tentativa do movimento operário brasileiro de realizar um ato em comemoração ao 1º de maio foi em 1904. Realizado em um teatro na cidade de São Paulo, no momento um dos dois principais centros operários do País, passou quase despercebido, expressando, no entanto, uma tendência de luta da classe guinte, que ocorre no Rio operária que se confirmaria de Janeiro e São Paulo. Em na seqüência, bem como um São Paulo o ato é proibido movimento de integração de ser realizado na Praça da da classe operária brasileira Sé e a Federação Operária num movimento internacio- convoca uma reunião em sua sede, que fica lotada. nal dessa mesma classe. A primeira grande onda São feitos vários discursos 1904-2006 A história do dia internacional dos trabalhadores no Brasil

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inflamados chamando os trabalhadores à greve. Três dias depois os metalúrgicos entram em greve, seguidos dos pedreiros, sapateiros, gráficos e diversas outras categorias. As paralisações se estendem também para Campinas, Ribeirão Preto, Itu e Santos. Para dar uma do período que estava vivendo o movimento operário, surgiram vários periódicos voltados para os trabalhadores, principalmente na cidade de São

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Paulo, como Luta Proletária, A Liberdade, Terra Livre, A Internacional, mas também em outras cidades como Campinas, A Voz Operária; Maceió, Trabalhador Livre e Recife, Aurora Social. Diante desse grande movimento a burguesia se viu obrigada a ceder, e quase todas as categorias conseguiram a redução da jornada de trabalho para oito horas. Nos anos seguintes o ato vai se implantando e passa a ser realizado em várias ci-


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dades e capitais do País. Nos anos que vão de 1910 a 1912, os atos perdem importância, pois o movimento entra em refluxo. Em 1912 novamente tem início um período de lutas muito importante que vai culminar em 1917, realizando suas últimas greves em 1923 e novamente entrando em um período de certo refluxo. Com as tentativas fracassadas de sublevação do exército em 1922 e 1924 o País entra em uma época repressiva, é decretado o estado de sítio e o 1° de maio passa a ser reprimido pela polícia. 16

Em 1928, um fenômeno indica a consolidação deste como um dia de luta na consciência dos trabalhadores quando um partido burguês toma a iniciativa de realizar um ato de 1º de maio, usando algo que os trabalhadores valorizavam para fazer demagogia com eles. Da Revolução de 30 ao Estado Novo Depois da Revolução de 30 os atos de 1º de maio são reprimidos e a classe operária tem dificuldade, devido à repressão, de se


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organizar para realizar esses atos. Em 1934 começa a haver um novo ascenso do movimento operário e novamente grande atos de 1º de maio são realizados, que no entanto é quebrado com o levante fracassado do Partido Comunista em 1935. A quebra do levante inicia uma etapa repressiva que dura até 1945, quando se estabelece o Estado Novo, regime semi-fascista de Getúlio Vargas. Este fato,

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constante no País a partir de então, procurava usar os trabalhadores como base de sustentação do seu governo, não o movimento operário, mas apenas aqueles desorganizados e reprimidos Realiza, portanto, ele mesmo atos oficiais de 1º de maio, uma tendência que havia se expressado desde 1930, quando o governo apresentava tendência a reprimir as manifestações verdadeiramente operárias e permitir as manifestações


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dos setores ligados a sindicatos pelegos. Essa tendência é consolidada e o 1º de maio se transforma em data oficial que é comemorada pelo governo semi-fascista, profundamente antioperário, o que significa o confisco da burguesia do 1º de maio, que disputa a data com as organizações operárias independentes, uma tendência que se estabelecerá a partir daí. De 1945 à ditadura de 64 Nos anos de que vão de 1945 a 1964 os sindicatos

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brasileiros estavam dominados majoritariamente por um partido burguês, o PTB, partido formado por sindicalistas governistas, profundamente ligados ao aparato estatal. É a partir daí vai se implantar a palavra “pelego”, para designar o sindicalista que serve como amortecedor entre a classe operária e a burguesia, e a expressão do sindicalismo “chapa branca”, ligado ao aparelho do estado e aos governos. A segunda maior força dentro dos sindicatos era o


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PCB, que mantendo uma aliança com o PTB, não procura dar um caráter combativo aos atos que, dependendo da situação, ora tem caráter mais independente, ora caráter governamental. A partir de 1964, a ditadura militar, assim como o regime de Vargas de 1937,

movimento operário, como São Paulo. Os atos da ditadura, geralmente realizados no Parque do Carmo, na zona leste da cidade, contavam com a participação dos presidentes de alguns sindicatos mais importantes, dominados por um sindicalismo totalmente a serviço do regime militar.

colocou interventores nos sindicatos, privando totalmente a classe operária de organização sindical, retomando também a realização dos atos oficiais. Os mais importantes se dão onde existe tradição do

Dentre esses, merece destaque o ato realizado em 1968, convocado diferentemente dos outros para a Praça da Sé. As oposições sindicais, que viriam a desempenhar um papel muito importante no movimento sindical mais

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recente, mobilizam os trabalhadores contra o ato, os pelegos e o próprio governador do estado, interventor da ditadura, Abreu Sodré. Os operários presentes em número expressivo, passaram por cima da polícia, tomaram e queimaram o palanque, tendo que ser o governador retirado da praça por um helicóptero, fato marcante da luta contra a 20

ditadura. Foi um protesto operário no sentido de desmascarar a farsa da ditadura com o 1º de maio e fortaleceu muito as oposições sindicais que continuaram existindo e se rearticularam na clandestinidade, reaparecendo nos anos 1970 em diversos lugares. As oposições tinham como principal centro a


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oposição sindical metalúrgica de Osasco, formada a partir de comissões de fábrica, e que chegou a ganhar o sindicato, destoando dos demais por não estar diretamente sob o domínio de interventores diretos da ditadura, e que por isso exercia certa liderança sobre as demais oposições. Mesmo com a derrota da greve de Osasco, violentamente reprimida com a invasão das fábricas pelo exército e a prisão dos trabalhadores

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em greve a ditadura não conseguiu abolir as oposições, que voltam com o ascenso no final da década de 1970. Anos 70 e 80 Com a crise da ditadura militar, que tem início em 1974, com a derrota eleitoral surpreendente da Arena, partido situacionista, e mais tarde com a morte do jornalista Vladimir Herzog, entre outros acontecimen-


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tos, começa a se apresentar uma tendência à retomada das lutas sindicais e surge novamente a tendência à realização de atos independentes para a comemoração do 1º de maio, impulsionado em grande medida pelas oposições, que com exceção do citado, não participava dos atos oficiais da ditadura, onde não era possível fazer nenhum tipo de manifestação política contra a ditadura, em defesa das reivindicações operárias. O primeiro ato foi con22

vocado para Osasco que, mesmo sendo um ato minoritário, teve a importância de ser uma tentativa de setores de esquerda que lutavam contra a ditadura militar, de protestar e tentar retomar a tradição de luta do 1º de maio. Na seqüência, o setor dissidente da burocracia sindical, o lulismo, também começou a convocar atos independentes, uma vez que o ato oficial da ditadura, que já não correspondia ao posicionamento deles, que


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nessa época apoiavam o MDB, partido de oposição legalizada da ditadura. Um marco desses atos contra a ditadura é o grande ato de 1980, quando há a terceira greve do ABC. As greves foram em retomadas em 1978, com uma grande paralisação na Scania que começou a se generalizar para outras fábricas. O desenvolvimento dessa luta foi contido pela burocracia lulista num primeiro momento, mas em 1979 vai haver uma greve geral, respondida pela ditadura militar com uma intervenção no sindicato metalúrgico de São Bernardo do Campo,

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que destitui a diretoria e coloca outra. A greve termina com um acordo entre Lula e a ditadura para que devolvam o sindicato em troca do fim greve. Ou seja, a burocracia lulista entregou a greve para manter o sindicato, logicamente uma traição, pois a função do sindicato é a de manter a greve e organizar a luta dos trabalhadores, e não a o contrário; a greve servir de moeda de troca para a manutenção do sindicato, atitude típica da burocracia, que coloca o aparelho acima das necessidades dos trabalhadores. Em 1980 há uma outra


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greve ainda maior, que durou cerca de 40 dias e passa pelo 1º de maio. Um pouco antes desse, o sindicato é colocado novamente sob intervenção e como as lideranças não querem recuar da greve, pois não havia a menor condição de propor o recuo para os trabalhadores, a maioria da direção é presa. Essa prisão, inclusive, fez a fama de Lula como grande lutador contra a ditadura, fama totalmente imerecida, uma vez que ele já havia traído duas greves e somente devido à radicalização dos trabalhadores ela foi mantida. Esse 1º de maio foi convocado para a Igreja matriz de São Bernardo do Campo, uma igrejinha minúscula. Já pela convocação, fica claro que a vontade dos dirigentes sindicais não era lutar nem pela liberdade dos presos. Independentemente da vontade da direção sindical, mas impulsionado também pelo movimento estudantil, que estava num ascenso, pe24

los próprios trabalhadores do ABC paulista, do comitê de greve, dos trabalhadores das fábricas, a manifestação se transformou em uma manifestação geral de 1º de maio que saiu em uma passeata gigantesca. À medida que o dia avançava as pessoas chegavam de São Paulo e dos bairros das cidades do ABC, calculado na época


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em 200 mil pessoas. Havia uma quantidade enorme de policiais, que os trabalhadores enfrentaram, ocupando a praça onde fica a prefeitura, e se realizou um dos atos de 1º de maio mais combativos que já houve no Brasil. Exigindo o fim da ditadura militar, greve geral, a libertação dos sindicalistas, fim da intervenção nos sindicatos, o atendimento das

Em 1983 é formada a CUT e começa a se manifestar claramente uma tendência a se realizar os atos de 1º de maio independente do peleguismo, uma etapa importante do 1º de maio recente no Brasil. Naquele momento havia uma tendência dentro da CUT a fazer atos unificados, tendência da alta burocracia de São Bernardo do Campo, à

reivindicações salariais, foi qual as oposições sindicais um verdadeiro ato operário se colocavam contra. Nesse e de massas. momento começaram a se 25


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realizar grande atos de 1º de maio em geral ou na Praça da Sé ou em São Bernardo do Campo, com a participação do sindicalismo cutista, independente dos pelegos, que crescia a cada ano naquele momento. Este novo ascenso da

ve a tradição da reivindicação da redução da jornada de trabalho, pelas 40 horas semanais. É vitoriosa a tal ponto que a Constituição de 1988, dois anos depois, vai tentar acalmar a situação do movimento operário, aprovando uma lei que não

classe operária gerou atos enormes, verdadeiramente operários e de massa, promovidos pelos sindicatos operários de São Paulo. O ato de 1986 retoma inclusi-

entrou em vigor, estabelecendo o máximo da semana de trabalho para 44 horas. No Congresso da CUT de 1988, a burocracia muda os estatutos, se consolidando

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e acabando com as oposições, o que foi apoiado por um amplo setor da esquerda. A burocracia promove também o ingresso de mais de mil de sindicatos rurais, um setor atrasado, que vai servir de contrapeso aos sindicatos operários. Nesse congresso estabelecem um novo critério para a eleição de delegados, não mais sobre a base do número de trabalhadores da categoria, mas do número de filiados. Para as oposições, o critério será o número de votos na última eleição, ou seja, estas perdem totalmente a presen-

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ça numérica dentro da CUT para o aparelho. A mudança de estatutos da CUT representou a consolidação da burocracia sindical dentro dela, ou seja, desde então a burocracia controla totalmente a CUT, levando uma política de colaboração de classes desde então, cerca de 15 anos da eleição de Lula para presidente da República, e não no ano de sua eleição como propagam algumas correntes, como o PSTU.


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A partir de então começa a mudar totalmente o caráter da luta sindical no Brasil. O movimento operário inicia uma etapa que vai resultar na década de 1990 em um grande refluxo. Em 1989 o PT, já se apoiando nessa vitória contra o movimento operário

1989, depois de uma verdadeira capitulação diante de Collor, numa época em que a situação política era crítica para o regime burguês, provocando uma desmoralização do movimento operário. A subida de Collor e o lançamento um plano profundamente antioperário consolida o fim do ascenso que havia se iniciado na

dentro da CUT, forma a frente popular, consolidando a colaboração de classes nacionalmente dentro do PT. Lula perde a eleição de

década de 1980. O caráter das lutas conseqüentemente também muda; as lutas não mais serão de massas e geral dos trabalhadores, mas passam a se dar de forma

O refluxo e perspectivas

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localizada. Com base nessa reviravolta, o PCdoB, partido que era tropa choque do peleguismo até 1988, uma das correntes política mais direitistas no interior do movimento operário, entra na CUT. Esse fato também serviu como um peso extra para forçar a balança para o lado da burocracia. Então, o movimento operário é dominado pela frente popular. O PSTU que alega para a ruptura com a CUT que a situação mudou agora, bem como as demais forças 29

de esquerda que tem essa mesma posição, estavam comodamente instalados no esquema sindical montado pela burocracia durante todo o período de refluxo, o que demonstra que sua luta não tem por base o interesse dos trabalhadores, mas trata-se apenas de uma briga de compadres dentro da burocracia. Estabelece-se uma espécie de congelamento no movimento operário. O peleguismo que estava em crise, apoiado pelos patrões, na política da CUT e


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no refluxo, se consolida na Força Sindical, que é uma organização patronal e não uma central sindical, criada não pelo movimento operá-

rio, mas diretamente pelos grandes empresários. Isso deu lugar a uma verdadeira depravação; os “atos de 1º de maio” da Força Sindical. São atos abertamente patronais, onde são promovidos sorteio de apartamentos, carros, entre outros, financiados pelos patrões. Durante a década de 1990 os atos da CUT também perderam o caráter de manifestação de massa da classe operária. A direção da CUT 30

neste momento colabora abertamente com o governo FHC. O esvaziamento dos atos é provocado pela própria burocracia que não quer uma manifestação política de massas, que tende a apresentar reivindicações, e especialmente nesse momento, quando a classe operária, sempre oprimida e explorada está numa situação particularmente difícil. Também a CUT passou a realizar a partir do final da década 1990, atos de 1º de maio de tipo oficialista. Os dois são a antítese de um verdadeiro ato de 1º de maio e a demonstração de que não há uma tendência de luta unificada. Há algum tempo um setor de esquerda começou a chamar um ato independente. Esses atos, feitos por alguns sindicatos de oposição da CUT e agora pela Conlutas, nunca tiveram um eixo político definido. É um ato que agrupa uma ala esquerda centrista minoritária nos sindicatos.


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Apesar de o PCO ter participado nesses atos, eles não expressam, no entanto, uma frente única do movimento operário, pois não é chamada em torno de uma luta comum, e não são atos democráticos. Além disso é necessário destacar que as principais forças políticas que participam dele, Psol e PSTU, tem uma atuação nos sindicatos que vai contra os interesses mais elementares dos trabalhadores. O mais escandaloso é a aceitação do banco de horas e dos PDV’s em todos os sindicatos dirigidos por essas correntes. Uma das maiores lutas dos trabalhadores é para impor um limite legal à jornada de trabalho, sobre a qual foi baseada inclusive a luta do 1º de maio, que teve no Brasil várias manifestações e conquistas importantes. Essa luta foi traída pela burocracia sindical, que atendendo as exigências patronais, introduziu na maioria das 31

categorias, nos contratos coletivos, o sistema do banco de horas, que significa abolir os limites para a jornada de trabalho. O limite é apagado de maneira tão completa, que acaba inclusive com a remuneração adicional da hora extra. Quando os patrões tem muita mercadoria estocada, diminuem a jornada de trabalho, que cria um excedente de horas não trabalhadas, acumuladas no banco como crédito para os patrões. Quando estes necessitam, chama os trabalhadores para cumprirem jornadas de até dez horas, utilizando esse “crédito”. Isso significa q o limite da jornada é quebrado, a luta pela sua redução esbarra nisso como obstáculo e o trabalhador fica à disposição do patrão. Por isso o PCO realizará este ano um 1º de maio independente, operário e socialista, que terá como centro a luta pelas principais reivindicações do movimento operário.


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1º de Maio - 1980 Quando o dia do trabalhador foi operário, revolucionário e de luta Um dos acontecimentos de maior importância política na história do 1º de Maio no Brasil foi o ato realizado em meio à greve dos trabalhadores do ABC paulista em 1980, expressão da luta e da solidariedade espontânea da classe operária e do movimento estudantil O ano de 1980 está situado no final da ditadura militar no Brasil. É um dos pontos altos da crise da ditadura militar que se iniciou em disparada pelo fim do chamado “milagre econômico”, a partir de 1974, que daria lugar às mobilizações estudantis a partir de 77 e às grandes greves operárias no ABC e em São Paulo em 78, 79 e 80. O número de trabalhadores crescia nas empresas estrangeiras que se instalaram nas 32

cidades do grande ABC em S. Paulo no final da década de 60. A concentração de operários em fábricas de mais de 30 mil operários (Volkswagen) criava uma poderosa força social que despertava para a compreensão dos seus interesses de classe e para a luta contra o regime militar e contra a burguesia. A ditadura precisava impor um regime de terror, controlando


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os sindicatos, privando os trabalhadores de qualquer autonomia para se organizar, proibindo as greves e desviando o movimento dos trabalhadores de qualquer luta propriamente sindical ou política. Em diversas oportunidades, na década de 70, os agentes do DOPS – polícia política do regime – invadiram as fábricas em busca de “subversivos” ou para intimidar os trabalhadores descontentes. Os trabalhadores, desde o golpe militar, eram vigiados de perto também pelos interventores da ditadura plantados nos sindicatos após a derrota operária de 64. O sindicalismo pelego criado pela ditadura militar foi um de seus principais instrumentos para conter os trabalhadores e impor o arrocho salarial e a máquina infernal da rotatividade no emprego que financiavam o “milagre econômico” do regime militar.

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Origens de um novo tipo de peleguismo Em 1969, ainda durante os anos de repressão e do sindicalismo pelego da ditadura militar, Lula entrou para a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Assumiu um cargo na diretoria executiva três anos depois, em pleno governo Médici, na época do terror militar e do total controle do DOPS sobre os sindicatos. Nas eleições seguintes, em 1972, no momento mais duro do regime militar, em um acordo com o presidente do sindicato Paulo Vidal, que mais tarde se tornou vereador pelo MDB, partido de oposição de fachada consentido pelo regime militar, em S. Bernardo, Lula foi escolhido para encabeçar a chapa da diretoria do sindicato como parte do continuísmo do peleguismo. A eleição de Lula para a presidência do Sindicato foi uma mudança de guarda por dentro do pe-


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leguismo, em nada alterando o caráter da burocracia ou sua dependência dos patrões e do regime militar dos quais eram os agentes sindicais no meio operário. Mesmo após ter assumido a presidência do sindicato, o controle de fato ainda estava, como o próprio Lula reconheceu: “é preciso que se diga com clareza: Paulo Vidal dez muito pelo sindicalismo brasileiro, principalmente no período de 72 a 75” ... “O ano de 1975 todo, no começo da gestão, quem dava as coordenadas era ele. Quando a gente chegava numa assembléia ninguém conseguia falar depois dele, porque ele dizia tudo. Ele falava, quarenta, cinqüenta, sessenta minutos. (...) Nas viagens e nos contatos com os outros dirigentes sindicais, 34

todo mundo achava que eu era um boneco manipulado”. (Lula, o metalúrgico, Mário Morel, 1989, Nova Fronteira) com o mesmo Paulo Vidal, então secretário-geral. O caráter oposicionista e

combativo do sindicalismo lulista, que viria a ser chamado de “sindicalismo autêntico” pela imprensa capitalista, a exemplo dos parlamentares da “ala autêntica” do MDB, são mitos que nada têm em comum com a realidade. A burocracia lulista nasceu e criou-se no interior do sistema sindical estabelecido


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pelo golpe militar de 64 como parte do aparato geral de repressão e contenção das lutas dos trabalhadores. Seria a crise do regime militar e o deslocamento de um importante setor da burguesia para a oposição ao regime militar que levaria ao surgimento de um novo tipo de burocracia,

um novo tipo de peleguismo que seria obrigado a acompanhar, para não perder completamente a sua liderança, a mobilização operária do final dos anos 70 e dos anos 80.

A partir de 74, a burguesia começa a utilizar o partido de oposição de fachada, consentido pelo regime, o MDB, para opor-se ao regime militar e defender suas conquistas sociais diante do colapso total da política econômica do regime. A burguesia busca uma saída para a inevitável

liquidação do regime no sentido de evitar que a crise dê lugar a um processo revolucionário. A burocracia lulista acompanha esta tendência geral, pressentindo a crise do reAntecedentes das greves do gime sindical e as tendênfinal da década de 70 cias de luta do setor mais 35


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concentrado da classe operária brasileira que são os metalúrgicos do ABCD. Sua primeira manobra é a ruptura com a Federação Metalúrgica, que representa os sindicatos menores do interior do Estado, no comando dos três sindicatos do ABC. Após diversas manobras, a ruptura definitiva é efetivada em 1976, quando, ganhando a confiança dos patrões e do governo, a diretoria do sindicato negociou em separado com o Tribunal Superior do Trabalho. No início de 1977, a Ford ameaça com a demissão de 700 trabalhadores caso o sindicato não aceitasse a redução dos salários imposta por uma redução da jornada forçada pela crise por que passava a empresa. Lula não convoca os trabalhadores à greve e não enfrenta a ofensiva da empresa. Cerca de 400 trabalhadores foram demitidos. Lula se tornou o presidente de fato do Sindicato, conso36

lidando a presença da nova geração do peleguismo no movimento sindical. Paulo Vidal, sairia da diretoria no ano seguinte, sobre a base de um acordo no qual a diretoria sindical, agora capitaneada por Lula se compromete a apoiar a sua candidatura a deputado pelo MDB. No segundo semestre de 1977, a diretoria do sindicato, com o estímulo e o apoio da oposição burguesa do MDB, realizou uma campanha pela reposição salarial de 34,1% apoiada na imprensa capitalista e em dados do Banco Mundial sobre os índices inflacionários de 1973 falsificados pela ditadura militar. A campanha foi utilizada pela oposição burguesa para desmoralizar a ditadura, que já havia entrado em crise em 74 e que viria a sofrer nova derrotada eleitoral em 78. O sindicato de S. Bernardo foi apoiado pelos sindicatos de Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra; as direções procuraram entrar


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em acordo com o governo e os patrões. A campanha não estava de forma nenhuma voltada para mobilizar os trabalhadores. Pelo contrário, seu objetivo era o de utilizar a reivindicação operária para uma campanha política de propaganda com vistas a pressionar a ditadura a negociar mudanças graduais no regime sindical. Mesmo assim, apesar do esforço para deixar os operários de fora da campanha, esta ficou muito popular entre os trabalhadores por dar expressão, ainda que de maneira deformada, a uma necessidade real de luta contra a ditadura e as péssimas condições de vida impostas pelo regime. A disposição dos trabalhadores para a luta assumiria um caráter independente com as greves nos anos seguintes. Para a burguesia, o sindicalismo lulista, um sindicalismo burguês, expressão de um partido burguês direitista como era o MDB, que conseguia apoio entre os operários 37

sem mobiliza-los para a luta, sem organiza-los, em resumo, sem escapar ao regime sindical da ditadura, aparecia como a nona maravilha do mundo moderno. 1978... A greve de 1978 começou depois que a burocracia lulista havia assinado o acordo salarial, em abril. Lula havia sido reeleito presidente do sindicato em chapa única no mesmo mês. A greve foi precedida de diversas paralisações espontâneas dos trabalhadores em outras empresas, revoltados com a discriminação imposta pelos patrões, o pagamento de aumentos a uma parcela dos trabalhadores da Mercedes; na Ford, cerca de 100 trabalhadores de um setor da produção pararam o trabalho em um dia para reivindicar um aumento de 20% em relação com o que fora acordado entre a FIESP e o sindicato. A partir destas paralisações,


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os trabalhadores criaram comissões para discutir suas reivindicações com as gerências de cada fábrica. Revoltados com o reajuste de 39% recebido na campanha salarial, que foram na verdade o pagamento da diferença escamoteada pela ditadura no período anterior, e o desconto de um dia de trabalho nos salários, a greve começou à revelia do sindicato com os operários da ferramentaria da Scania em 12 de maio. Foi o estopim para uma ampla mobilização da classe operária e era o início da retomada do ascenso operário após 13 anos de ditadura e de proibição das greves. A greve, divulgada pelo rádio e pela “rádio peão” começou a alastrar-se para outras montadoras, o que obrigou a burocracia a intervir para conter 38

o movimento. Mais de 300 fábricas foram paralisadas em S. Paulo e muitas também em outros estados. De imediato a burocracia lulista trabalhou para quebrar a greve propondo aos trabalhadores que voltassem ao trabalho e formassem uma comissão para negociar. Os trabalhadores não aceitaram a proposta e mantiveram a paralisação. Lula interveio pessoalmente para tentar acabar com a greve com um acordo

fechado com a direção da Scania. O acordo assinado pelo sindicato previa 15%


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de reajuste. A empresa não cumpriu o acordo e o mesmo ocorreu na Mercedes. A greve se estendeu até

praticamente o final do mês, quando foi assinado o acordo com o sindicato de S. Bernardo colocando um fim às greves nas grandes empresas sem, no entanto, impedir que o setor de autopeças tivesse paralisações durante todo o ano. Os patrões e o regime militar não tiveram condições de enfrentar a greve abertamente por meio da 39

repressão, procurarando impedi-la dentro das fábricas, uma vez que o acordo havia sido concluído.

...1979... Em 1979, já prevenidos contra a greve, os patrões não demoraram a colocar em marcha um mecanismo muito mais truculento de repressão ao movimento operário. Isso não impediu, no entanto, que o movimento abrisse amplamente as velas,


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transformando-se na maior greve geral por categoria já ocorrida no País. As assembléias sindicais, agrupando cerca de 80 mil operários, passaram a ser realizadas no estádio da Vila Euclides em S. Bernardo, cujas arquibancadas e gramados eram completamente tomados pela massa de operários. A burocracia sindical equilibravase como podia por entre as ondas do grande maremoto proletário. Lula torna-se o líder da greve, dominando as assembléias sindicais nas quais apenas ele falava, apoiando-se, ainda que com dificuldade nos trabalhadores mais atrasados, explorando seus preconceitos e seu conservadorismo, em particular os das empresas menores. A oposição sindical, formada por diferentes correntes de esquerda, no entanto, crescia em todas as fábricas, particularmente na Ford, onde é formada a primeira comissão de fábrica com uma totalidade de operários que combatem 40

a burocracia e têm total autoridade sobre os trabalhadores da segunda maior montadora da base sindical. Durante os primeiros 15 dias de greve, os operários de São Bernardo do Campo reivindicavam um aumento de 78% vencendo os obstáculos colocados pelos patrões e o governo. O governo militar interveio na madrugada do dia 23 de março nos sindicatos do ABC destituindo as diretorias e nomeando interventores. Mesmo com a pressão da ditadura, os trabalhadores demonstraram sua força saindo às ruas no dia seguinte à intervenção obrigando o prefeito de S. Bernardo a prometer um lugar para a realização de uma nova assembléia. “Na assembléia do dia 27, Lula propôs aos operários que aceitassem a proposta do governo de se realizar uma trégua de 45 dias para dar curso às negociações. Foi exatamente neste ponto que a diretoria do sindicato deu seu


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primeiro passo em direção à conciliação com o governo e os patrões” explicava o jornalCausa Operária, nº 0, de junho de 1979, porta-voz do setor revolucionário da oposição com militantes em várias montadoras e fábricas

e os patrões suspendessem a intervenção. A diretoria lulista aceitou um acordo que dava apenas um acréscimo de 2,85% sobre o índice oficial mesmo com a categoria em assembléia com 60.000 trabalhadores exigindo mais

pequenas. Lula havia traído a greve e as reivindicações dos trabalhadores pelo fim da intervenção no sindicato. Os trabalhadores voltaram às fábricas sem que o governo

e querendo a greve. A devolução do sindicato após o acordo com a diretoria de Lula “veio com a perspectiva clara de atar a diretoria do sindicato a uma política de conciliação com o governo

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e os patrões” (idem). “A política de conciliação com o governo foi desenvolvida por vários setores adaptados aos interesses da burguesia e que ajudaram decisivamente a quebrar por dentro a greve dos metalúrgicos. Em torno de Lula, armou-se um ‘círculo’ formado pela Igreja, pela ala esquerda do MDB, de diversos matizes, e por uma série de burocratas sindicais como Arnaldo Gonçalves (PCB), do sindicato metalúrgico de Santos, Davi de Moraes (PCB), do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e o próprio advogado do sindicato de São Bernardo e deputado emedebista, Almir Pazzianoto, que desde a mediação do Murilo Macedo estava contra a greve” (ibidem). O movimento operário foi desarticulado pela “luta” da burocracia sindical “contra os patrões”, mas não contra o governo, desvinculando a luta pela devolução do sindicato da luta pela conquista 42

das reivindicações que motivaram a greve. Após a greve, com a cumplicidade da burocracia lulista, boa parte dos ativistas de oposição foram demitidos. Toda a comissão de fábrica da Ford foi demitida, exceto um elemento, cuja permanência foi negociada pela burocracia por ser um partidário seu. Nascia, desta greve traída, uma nova corrente no interior da burocracia, o lulismo, que se caracterizaria por evitar chocar-se de frente com a gigantesca mobilização operária, sendo, por isso mesmo, obrigada a acompanhá-la para não perder a direção e poder traí-la. A manobra de autopreservação da burocracia, por temor às massas seria a base de uma nova orientação sindical que muitos, por confusão política ou oportunismo, confundiram com um verdadeiro sindicalismo classista, dando origem ao mito do lulismo.


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...1980 No ano seguinte, a greve dos metalúrgicos do ABC novamente se chocou com a política econômica do governo, adquirindo maior amplitude e maior radicalização. A luta dos operários metalúrgicos, por sua força massiva, tinha condições de impor uma derrota à política da ditadura de arrocho, fome e miséria e abria o caminho para novos movimentos grevistas em outros setores das massas oprimidas em busca de melhores condições de vida e contra a opressão do 43

regime militar. A traição da burocracia dirigida por Lula e a perseguição dos ativistas da oposição nem diminuíram a tendência de luta dos operários, nem contribuíram para superar a crise da burocracia que, desta vez, seria completamente ultrapassada pelos acontecimentos. A greve havia sido decretada em 1º de abril e 140 mil trabalhadores cruzaram os braços com a disposição do movimento de manter a greve o tempo necessário para a vitória. A vitória da greve dependia “essencialmente da


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organização massiva e unitária dos trabalhadores para mantê-la forte e combativa” (Causa Operária, nº 6 – abril de 1980). A burocracia sindical lulista não formou piquetes para demonstrar “moderação”, retardando as conquistas dos operários e favorecendo os patrões. “Desde o início, os diretores de São Bernardo afirmavam que a greve seria mantida com a força das grandes fábricas” (idem), abandonando um bom número de trabalhadores em fábricas médias e pequenas em regiões inteiras como Diadema, por exemplo, enfraquecendo a greve. A greve não tinha direção pois a burocracia lulista não tinha condições de controlá-la e, por isso mesmo, procurava leva-la à confusão e ao esgotamento por meio do desgaste e do isolamento. A greve se estendeu até que no dia 14 de abril, quando os juízes do Tribunal Regional do Trabalho declararam a greve ilegal e a repressão 44

policial avançou sobe os piquetes. A polícia ocupou o ABC e o Exército entrou em cena para tentar, inutilmente, aterrorizar os 100 mil trabalhadores reunidos em assembléia no estádio da Vila Euclides com vôos rasantes de helicóptero. “Depois de 17 dias de greve, o governo viu fracassado sua orientação de quebrá-la pelo esvaziamento” (Causa Operária, nº 7, maio de 1980). Novamente, o ministro do Trabalho, Murilo Macedo, decretou a intervenção no Sindicato ateando fogo à mobilização da categoria que promove um quebra-quebra de dia inteiro no centro de São Bernardo. Lula foi preso em casa na madrugada do dia seguinte. Os empresários recusavamse a reabrir as negociações, para vencer a categoria pelo cansaço. A burocracia lulista deixaria que a greve sangrasse através do isolamento e da falta de perspectivas em uma operação conjunta com


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os parlamentares do MDB, o sindicalismo pelego encabeçado pelo stalinismo e pela Igreja Católica, que mantinha tanto o isolamento como a ditadura da burocracia contra a oposição. A ditadura busca intensificar a repressão contra os trabalhadores em greve. Lula e os demais sindicalistas só foram libertados no dia 20 de maio, depois do final da greve. A greve começava a se desgastar principalmente pela falta de apoio e pela política conduzida pelas próprias direções sindicais lulistas que se recusavam a mobilizar os trabalhadores e a população em solidariedade aos grevistas. As condições estavam dadas para uma greve geral de solidariedade. Com 26 dias de greve, o movimento em S. Bernardo estava em uma encruzilhada. “Os comitês de solidariedade se limitaram ao apoio econômico e não cumpriram a tarefa de mobilização contra a repressão no ABC” (idem). 45

Era necessário defender a greve do ABC para quebrar o intento da ditadura militar de empurrar os trabalhadores para o isolamento e a miséria. “Em São Bernardo: manter os piquetes, fortalecer a organização das regionais, que estão sendo formadas e ampliar a solidariedade por toda a população” (...) “Nos comitês de solidariedade: organizar a mobilização de massa, mobilizar os sindicatos para a greve de solidariedade e para os atos de massa” (ibidem). A Igreja passou a ocupar um lugar de destaque na greve dos metalúrgicos após a prisão de Lula e dos dirigentes sindicais do ABC. “A Igreja assumiu de fato um papel central em toda a mobilização da burguesia para impedir que o conflito em S. Bernardo levasse a uma situação incontrolável para o governo” (...) “A Igreja procurou manter a greve sob controle e evitar radicalizações” (ibidem).


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A greve avançou até o 1º de Maio, quando a mobilização dos trabalhadores seguia apoiado apenas na solidariedade espontânea do movimento operário e o ato, realizado na Matriz de S. Bernardo, contou com a presença massiva dos trabalhadores grevistas, de ativistas sindicais e trabalhadores de S. Paulo, convocados pelas oposições sindicais, e dos estudantes que também passavam por um ascenso. A Polícia Militar havia ocupado o Paço Municipal, do lado de fora da Igreja, que estava completamente lotada. Os trabalhadores expulsaram a polícia que contava com milhares de efetivos da tropa de choque em um movimento único de massa, ocupando a praça. Os policiais cercaram o estádio da Vila Euclides, palco das assembléias dos metalúrgicos, para impedir que houvesse uma manifestação dos trabalhadores. A passeata do 1º de maio de 1980, em meio à grande gre46

ve metalúrgica, reuniu cerca de 200 mil pessoas entre trabalhadores e estudantes, derrotou a tentativa da ditadura de impedir esta que foi uma das mais impressionantes manifestações de luta da classe operária contra o regime militar. Durante todo o trajeto, os manifestantes exigiam o fim da intervenção nos sindicatos, a libertação dos dirigentes e chamavam a solidariedade com a palavrade-ordem: “greve geral derruba o general!” A greve começou a terminar quando já durava 29 dias, pela pressão da imprensa capitalista e dos patrões, que passaram à ofensiva com a demissão dos trabalhadores grevistas por “abandono do emprego”. O movimento resistiu até 11 de maio quando, aos 41 dias de greve, o movimento foi vencido pelo desgaste e a greve terminou, sem nenhuma reivindicação atendida. A mobilização colossal havia, no entanto, quebrado a espinha dorsal


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da política econômica da ditadura que responderá com uma política recessiva e demissões em massa no período seguinte, ofensiva que será quebrado por uma nova etapa do mesmo ascenso operário a ser iniciada em 1983.

1º de maio no Brasil Os atos de 1º de maio da CUT são o reflexo da integração da entidade aos governos patronais A política levada adiante pela Central Única dos Trabalhadores é totalmente contrária à necessidade da classe operária de defesa de suas reivindicações e é um entrave à luta da classe trabalhadora Durante o regime militar, os atos oficias do 1º de maio foram uma prática corriqueira. Eram atos dominados pelo sindicalismo totalmente a serviço do regime contra a classe operária. Em 1968 começam a surgir as oposições sindicais, contra o sindicalismo pelego da ditadura, momento em que ocorrem também algumas greves importantes. Neste mesmo ano, a ditadura convocou para a Praça da Sé mais um dos seus atos oficiais. As oposições

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sindicais mobilizaram os trabalhadores contra o ato. No meio do ato, os trabalhadores, impulsionados pela direção das oposições sindicais tomam o palanque - o que faz com que o governador Abreu Sodré seja obrigado a sair de helicóptero - e depois o queimam como meio de protesto para desmascarar a farsa dos atos de 1º de maio da ditadura militar. Este ato vai servir para fortalecer o movimento das oposições sindicais. Este episódio marca o início da tendência à realização de atos independentes de 1º de maio que foi se consolidando com o passar do tempo por causa da crise da ditadura militar. Com o declínio da ditadura, as oposições sindicais voltam a chamar os atos de 1º de maio independentes com o objetivo de retomar a tradição de luta desta data. Em 1976 e 1977 foram realizados os primeiros atos contra a ditadura militar. O lulismo começa também 48

a chamar os atos independentes de primeiro de maio. As greves do ABC Um marco é o ato de 1980, quando acontece a terceira greve do ABC que dura cerca de 40 dias e que passa pelo 1º de maio. Nesta greve, o sindicato dos metalúrgicos é colocado sob intervenção e a maioria da diretoria é presa. O ato de 1º de maio é convocado para a igreja matriz de São Bernardo do Campo, uma igreja bem pequena, pois a burocracia não queria uma grande manifestação, entretanto, por conta do ascenso do movimento operário e estudantil, a manifestação se transformou numa passeata gigantesca que tomou o Paço Municipal de São Bernardo do Campo, enfrentou a polícia, e pode-se dizer que este foi o 1º de maio mais combativo que aconteceu no país até hoje. Durante todo o dia chegavam pessoas das várias cidades vizinhas


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e de São Paulo, se juntando numa manifestação que tinha como bandeiras o fim da ditadura militar, a greve geral, a libertação dos sindicalistas presos pela ditadura, o fim da intervenção nos sindicatos e o atendimento das reivindicações salariais. Em 1983 foi formada a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a partir da ruptura de uma ala da burocracia sindical estabelecida pelo regime militar, a ala de Lula, graças à pressão do movimento operário, mais precisamente dos metalúrgicos em ascenso e das oposições sindicais, principalmente a oposição metalúrgica. A burocracia de São Bernardo, mesmo desejando realizar atos unificados com o peleguismo, são impedidos pelas oposições sindicais que eram contra. A outra ala da burocracia, contrária à centralização da classe operária em uma central, criou a CGT (Central Geral dos Trabalhadores) 49

para ser um contrapeso à CUT. Ao mesmo tempo em que o movimento operário crescia, as oposições iam crescendo no Brasil inteiro derrubando o velho peleguismo. A CGT funcionava como uma reação da burocracia sindical usando métodos tipicamente fascistas como as demissões, a violência física e a fraude. Entretanto, nada disso conseguia barrar o crescimento do movimento operário e a sua expressão, que eram as oposições sindicais. Isto colocou em xeque a CGT levando ao seu esfacelamento. O auge foi o ano de 1985 quando ocorreu a onda de greves, mais de 15 mil, e as oposições sindicais ganharam a direção de mais de 1.500 sindicatos em todo o país. Isto era a expressão do ascenso revolucionário das massas dos trabalhadores, cuja expressão era a formação e consolidação da CUT. Em 1985 e 1986 foram realizados atos enormes com


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milhares de operários das fábricas, operários que estavam em greve, verdadeiros atos de massa da classe trabalhadora nacional com a presença do sindicalismo cutista. A bandeira principal era a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Nos congressos sindicais de 1985, a oposição sindical, conhecida como CUT Pela Base chegava a ter cerca de 50% dos militantes nos congressos, o que levou à ala lulista a ameaçar romper com a central caso a esquerda ganhasse o congresso nacional. A burocratização da CUT Entretanto, explorando as limitações da direção da oposição, a diretoria conseguiu vencer por uma pequena vantagem no congresso do Rio de Janeiro, em 1986, e iniciou um processo de cooptação da ala direita. Em 1986, no terceiro Congresso da CUT, começa o 50

processo de burocratização da CUT e neste ano tem início a derrota das oposições sindicais com a ajuda de vários setores de esquerda. A burocracia havia conseguido impedir o desenvolvimento da oposição metalúrgica de São Paulo, que se encontrava em um impasse, havia virtualmente liquidado as demais e cooptado a maioria das ex-oposições sindicais transformadas em direções sindicais, através de uma luta interna, explorando a sua completa imaturidade política, com a ajuda das correntes centristas da esquerda como a Democracia Socialista, PSTU (na época, Convergência Socialista), etc. Uma importante questão que permitiu esta reviravolta dentro da CUT foi a derrota política da classe operária pelo governo Sarney com o plano Cruzado que permitiu a estabilização econômica e cujo objetivo principal era quebrar o ascenso do movimento operário e foi apoiado


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pela direção da CUT, que o utilizou para combater as tendências classistas dentro da central. Em 1988 é aprovado o novo estatuto da CUT que prevê que para se eleger delegados para o Congresso da CUT, a partir de então, seriam considerados não mais o número de trabalhadores na base, mas o número de filiados do sindicato, sendo que, no caso das oposições, o número de delegados seria com base no número de votos da oposição na última eleição sindical, o que praticamente extinguiu as oposições. Além disso, foram inseridos na CUT mais de mil sindicatos rurais, numa tentativa de enfraquecer o setor operário dentro da Central. Sobre a base da derrota das oposições e da situação de refluxo do movimento operário que se iniciava, a burocracia concluiu o acordo com as alas centristas de dentro da oposição, com a Democracia Socialista, e de fora, como a 51

Força Socialista, que estava se rearticulando; o PSTU, que neste momento chamava-se Convergência Socialista; o Trabalho. à:O centrismo dentro da central tinha a função de canalizar o descontentamento da classe operária e dos setores sindicais para uma política de acordo. E em todos os momentos em que as tendências de luta procuravam expressar-se, a oposição centrista entrava num acordo com a burocracia e era recompensada com cargos e privilégios. As tentativas da classe operária e do ativismo de libertar-se da ditadura da burocracia acabavam todas por fortalecer a integração da ala centrista à burocracia, a aumentar a sua participação no dinheiro do FAT, nos privilégios da burocracia, etc. O PSTU foi um dos principais beneficiários deste novo status quo, através do sufocamento da classe operária pelo Estado burguês e pela ditadura da


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burocracia. O núcleo fundamental da ala direita da burocracia, cria a Força Sindical, a qual vai se apoiar na política direitista da CUT agora controlada pela burocracia e vai sobreviver apenas graças a esta política. Em 1988, o PCdoB, em plena desagregação, não só no movimento sindical, mas principalmente no movimento estudantil, onde expressava a política do governo Sarney através da direção da União Nacional dos Estudantes (UNE), ingressa na frente popular formada pelo PT e, também, na CUT. É neste momento que se consolida a ditadura da burocracia da CUT por conta de uma etapa de refluxo do movimento operário e sindical. A partir daí começa a se mudar o caráter da luta sindical e tem início uma longa etapa de refluxo do movimento operário, derrotado pelo governo Sarney e suas medidas de estabilização com apoio 52

da CUT. Em 1989 temos o fenômeno da Frente Popular que se apóia na derrota do movimento operário dentro a CUT com o processo de burocratização da entidade e consolida a política de colaboração de classes. A formação da frente popular entre PT e PCdoB consolidou o poder da burocracia no interior da CUT e fez pender, por um longo


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período, a balança a favor da política burocrática dentro da Central. Neste mesmo ano, Lula perde a eleição numa capitulação sem precedentes para Fernando Collor, o que provoca uma grande desmoralização na classe operária. Collor vence a eleição e aplica um plano totalmente antioperário que consolida a situação de refluxo no movimento operário. Os atos da CUT A partir de então vamos ver a realização de atos do primeiro de maio da Força sindical e da CUT. Na realidade, os atos da Força Sindical não podem ser considerados como verdadeiros atos. São atos patronais, financiados pela FIESP, pelos bancos, pelos grandes capitalistas, que reúnem uma massa indiscriminada de pessoas que, longe de reunir os trabalhadores em torno de uma bandeira de 53

luta específica, realizam um verdadeiro show de distribuição de prêmios como apartamentos e automóveis, para conseguir reunir as pessoas e forjar um ato. Estes “atos” são um insulto à luta dos trabalhadores, principalmente um insulto àqueles que morreram por conta da luta pelas reivindicações operárias como os mártires de Chicago. Os atos da CUT perderam o caráter de luta da classe operária e não passam de atos oficialistas que não chegam aos extremos dos atos da Força Sindical, mas não são um instrumento na luta dos trabalhadores pela conquistas de suas reivindicações, são, na realidade, um grande show com cantores até de direita que nada tem a ver com a luta da classe operária e que simplesmente vão ao ato porque estão sendo pagos. Estes atos são a consolidação de uma situação de refluxo da classe operária e de atrelamento da


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central sindical ao governo, que ocorre deste a início da burocratização da CUT no fim da década de 80. Neste atos, até membros do governo, que estão atacando ferozmente a classe

ções contra o governo e em defesa das reivindicações dos trabalhadores. A essência destes atos é a tentativa de desviar a atenção dos trabalhadores dos ataques que os capitalistas e

operária, são convidados para falar aos operários. É óbvio que os atos foram esvaziados pela CUT, pois os atos são manifestações de massa da classe operária e que podem se transformar, facilmente, em manifesta-

o governo Lula vem lançando contra eles.

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A redução da jornada Uma questão importante é que as manifestações que deram origem ao 1º de maio


1º DE MAIO - DIA DE LUTA DO PROLETARIADO INTERNACIONAL

foram manifestações de luta pela redução da jornada de trabalho para oito horas. As primeiras manifestações, no Brasil, também tiveram como principal bandeira esta reivindicação central. Ou seja, a luta pelo estabelecimento de um número fixo de horas de trabalho, que tenha um limite legal, é a luta mais importante para a classe operária e foi o motor das grandes mobilizações que envolveram o 1º de maio. Hoje, a CUT foi a responsável pela implementação do banco de horas nos sindicatos no país, ou seja, o fim do limite da jornada de trabalho, da exploração desenfreada dos operários pelos patrões. A luta por esta reivindicação é antiga. Em 1917 foi conseguido o estabelecimento da jornada de trabalho de 48 horas semanais. Em 1986 tivemos diversas greves reivindicando as 40 horas semanais. É uma luta que envolveu a energia de milhões de trabalhadores tra55

ída pela burocracia sindical que introduziu o banco de horas nos contratos coletivos na maioria das categorias a mando dos patrões. Ou seja, o fim do limite da jornada de trabalho e até mesmo do pagamento da hora extra. Esta é uma política totalmente patronal, uma traição contra a luta contra a diminuição da jornada de trabalho. Ou seja, se os atos de 1º de maio fossem atos que levantassem as reais necessidades da classe trabalhadora, isto colocaria, de imediato, em xeque a política da maior central sindical, política totalmente governamental e burguesa de defesa dos interesses, não da classe operária, mas dos patrões. A integração da CUT ao governo O motivo pelo qual os atos de 1º de mão perderam a sua característica de reivindicação das necessidades operárias, é, em primeiro lu-


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gar, por causa da integração da central ao governo. Isto não aconteceu agora, como pregam muitos. O processo começou em 1988 com a mudança nos estatutos da entidade, a expulsão das oposições sindicais, e a redução do número de delegados (o 3º Concut teve mais de 10 mil participantes entre delegados, observadores e convidados, três vezes mais que o último Congresso), e se aprofundou com o passar dos anos. Sob o governo Collor, a direção da CUT integrou-se diretamente às Câmaras Setoriais criadas pelo governo Collor com o objetivo de congelar os salários, dar sustentação ao Plano Collor. Esta integração aprofundou-se sob o governo Itamar, quando o PT participou do condomínio de partidos que garantiu a governabilidade deste governo após a derrubada do governo Collor, em função da divisão da burguesia e da mobilização popular. Esta evolução da CUT consolidou-se com 56

a eleição de Vicentinho para a presidência da CUT, em 1994. Na gestão Vicentinho, a CUT e o PT foram os principais instrumentos para garantir a viabilização do governo FHC e da sua política pró-imperialista. Vicentinho e Lula empenharam-se pessoalmente para quebrar a greve dos petroleiros em 1995, que abriu caminho para neutralizar os sindicatos e o movimento operário por todo o governo FHC. O PT e a CUT garantiram, com a sua total omissão e com o trabalho para impedir a luta operária, a privatização das empresas estatais e Vicentinho inclusive chegou ao extremo de apoiar aquele que foi o maior ataque do governo FHC contra a classe trabalhadora, ou seja, a liquidação da aposentadoria por tempo de serviço, confiscando os direitos de milhões de trabalhadores. Foi na sua gestão que se consolidou a política de direito do atual governo Lula, pois foi aí que a CUT passou


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a apoiar abertamente a reforma da Previdência. A gestão seguinte de Vicentinho e a última de João Felício, que continuaram o trabalho da direção de 1994, somente pode ser caracterizada como gestões acabadamente governistas.

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cartilha do 1° de maio