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Metástase

Jornal do Diretório Acadêmico Professor Pedro Lúcio de Souza Ano 2, Edição 3

N o v e mb r o / 2 0 1 2

VII Semana Acadêmica Chegamos à nossa VII Semana Acadêmica com uma edição do Metástase. A Semana Acadêmica é um evento especial, realizado em todos os anos do Curso de Medicina aqui da UNISC. Neste ano, o tema central é “Primum non nocere”, a máxima hipocrática que se tornou extremamente atual com as novas discussões sobre a Medicina Preventiva, ocorridas por todo o mundo, levando à criação do conceito de Prevenção Quaternária, que permeará todas as discussões durante o nosso evento. Teremos a participação de palestrantes de diversos locais, das mais diversas áreas, incluindo professores de Porto Alegre, Florianópolis e Rio de Janeiro. Além disso, são 76 trabalhos aprovados, dos 91 enviados, batendo novamente um recorde entre as semanas acadêmicas. O DA já montou uma comissão organizadora no início do ano, sob a tutela dos nossos colegas de Diretoria Executiva, Bruno Loz e Emanuelle Luciano, que trabalharam, paralelamente às outras atividades no DA, bem como suas atividades curriculares como estudantes de Medicina, além das tantas outras extracurriculares, para elaborar a maior e melhor Semana Acadêmica do nosso curso, até este ano. Sim, esperamos que a do próximo ano seja ainda melhor, nos levando numa evolução constante, para atingirmos patamares cada vez mais altos. Bom evento a todos! Nesta edição: Dica Cultural

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Abertura indiscriminada escolas médicas no Brasil

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EREM

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Ato Médico

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O primeiro pneumologista

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As ligas acadêmicas e o conselho

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O que esperamos da reforma curricular?

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Liga da Psiquiatria

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Liga da Terapia Intensiva

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Ato Médico A polêmica sobre a regulação do exercício da Medicina de tempos em tempos volta às conversas e publicações. E o nosso paciente é que será o que mais vai sofrer, dependendo do texto final aprovado pelo Congresso Nacional. Por isso o debate é tão importante. Como aprendemos no decorrer de toda a formação, tomar decisões sem embasamento teórico é perigoso, podendo nos levar a decisões errôneas sobre pontos importantes. Sendo assim o DA convidou dois professores a opinarem sobre a questão, para que os alunos e toda a comunidade acadêmica tenham uma visão dos dois lados da moeda, a fim de podermos refletir e debater com mais informações sobre o assunto. Confira nas páginas 6 e 7.


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Diretoria Executiva

Palavra do DA Diego Inácio Goergen | Diretor de Comunicação DAPLUS

Rafael Luiz Doncatto (Presidente) Diego Inácio Goergen (Vice-presidente) Emanuelle Joana Luciano (Secretária) Marthina Alice Gressler (Tesoureira) Depto. Científico Iuri Pereira dos Santos João Paulo da Costa Rosa Katchibianca Weber Depto. Social Bruna Danieli Menin Nathália Cadó Depto. de Eventos - VII SAM Bruno Loz da Rosa Emanuelle Joana Luciano Mayara Luíza Oliveira da Silva Kist Ivon da Silva Neto Depto. de Comunicação - Jornal Diego Inácio Goergen Manoela Badinelli Vaucher Depto. de Produtos Manoela Badinelli Vaucher Depto. de Internato Luciano Trombini

"As maiores oportunidades, responsabilidades ou obrigações que podem recair sobre um ser humano consistem em ser médico. Para tratar de um doente, ele necessita de habilidades técnica, conhecimento científico e compreensão humana. Empregando esses atributos reunidos à coragem, humanidade e prudência, ele proporcionará um serviço único aos seus semelhantes e contribuirá para a formação sólida de seu próprio caráter. O médico não deve pedir mais do que isso ao seu destino e nem se contentar com menos." - Tinsley Randolph Harrison (1900-1978), na primeira edição do seu livro Harrison's Principles of Internal Medicine

Mais um semestre chegou ao fim, e mais um semestre começou. Num eterno ciclo sem fim, como o grande Mufasa explicou ao pequeno Simba num longínquo dia. E com esse avanço cada um subiu mais um degrau, cada um passou para uma nova fase, com novas dificuldades, novas alegrias, novos desafios e, claro, a esperança de que continuaremos seguindo em frente. Seguindo rumo ao sonho de cada um de nós, rumo ao sonho de sermos médicos e fazermos aquilo para o que tanto treinamos, estudamos, sofremos, xingamos, reclamamos e comemoramos. E estamos indo para o final de mais este semestre (com novembro, estamos bem mais perto do fim do que do início), muitas vezes com mais perguntas do que respostas. Neste final de semestre, junto com a VII Semana Acadêmica, o DA vem com mais uma edição do Metástase. Desta vez trazendo algumas discussões importantes, como o Ato Médico, a criação de novas escolas médicas no estado e a nossa reforma curricular. Todos os textos foram escritos por membros da nossa comunidade acadêmica, e servem, principalmente, como ponto de partida para reflexões, pesquisas e discussões entre todos os acadêmicos. Em especial na matéria do Ato Médico, onde contamos com textos dos professor Luciano Duro e Antônio Borba, que contribuem imensamente para o debate. O professor Marcelo Tadday Rodrigues, atendendo a um pedido nosso, escreveu sobre a especialidade dele, a Pneumologia. O professor Tadday é o presidente da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio Grande do Sul e professor de Pneumologia na UNISC, orientador da Liga de Pneumologia e atende no ambulatório de Pneumologia e no de Tuberculose do HSC. Trazemos também um resumo dos nossos trabalhos sobre as Ligas Acadêmicas e a formação do Conselho de Ligas, que levamos ao 50º COBEM. As Ligas são excelentes formas de estimular as atividades de ensino, pesquisa e extensão, garantindo uma excelente formação para todos os alunos. Entretanto, elas vêm constantemente sendo apontadas como um risco para a formação dos futuros médicos, já que podem resultar em uma aprendizagem “não-ideal”, representando, até certo ponto, um retorno ao modelo flexneriano de ensino, considerado ultrapassado. A reflexão sobre o real papel das ligas na nossa formação é dever de todos. E mais do que reflexão, o DA e a coordenação pensaram em formas de fazer com que se institucionalizem formas de regulação e auxílio às ligas, que serão trabalhadas constantemente a partir de agora. Aproveitamos a abrangência do Metástase para divulgarmos o Encontro Regional de Estudantes de Medicina (EREM), que será realizado em Santa Maria este ano. Os alunos que foram no ano passado, em Florianópolis, voltaram cheios de elogios ao evento e esperamos aumentar nossa participação no cenário estudantil gaúcho. Sendo assim, não posso dizer mais nada a não ser desejar a todos um excelente final de semestre. Lembrando que o nosso Metástase está aberto a sugestões, críticas, elogios e reclamações de qualquer tipo, só falar comigo, com o resto do pessoal ou dar algum jeito de fazer com que a mensagem chegue até a gente. Boa leitura! UNISC - Universidade de Santa Cruz do Sul A/C DA Medicina Bloco 53, sala 5335A Av. Independência, 2293 Bairro: Universitário CEP: 96815-900 Santa Cruz do Sul - RS / Brasil E-mail: damed.unisc@gmail.com Website: http://damedunisc.wordpress.com


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Dica de Livro O livro O Físico, de Noah Gordon, indicado pelo professor Leandro Assmann, conta a história de Rob Cole, um órfão inglês que, após a morte dos pais, termina como uma mistura de filho adotivo e assistente de um barbeiro cirurgião na Europa do século XI. No tempo em que a Europa era obscura, supersticiosa e o braço repressor da Igreja estava constantemente dando um jeito de se livrar de qualquer suspeito de bruxaria. Rob traz uma espécie de dom místico para curar e deseja vencer a morte e a doença que dizimaram sua família. Depois de adulto, ouve falar de uma escola de medicina na Pérsia, para onde ele viaja, assumindo a identidade falsa de um estudante judeu. Lá, ele encontra um outro mundo, totalmente diferente daquilo que estava acostumado. A pretensão de Gordon não é contar em termos precisos e didáticos a história da origem da medicina, mas narrar a aventura que era ser médico numa época em que o Oriente era vanguardista e concentrava grande riqueza material e intelectual, e o Ocidente afundava-se em reinados sangrentos e corruptos e Cristianismo, amargo e inquisidor, amedrontava a todos e impedia o avanço da ciência, que começava a duvidar da existência de Deus. O romance busca destrinchar os conflitos entre ciência e fé, ainda existentes, e todos os lados da questão são abordados pelo escritor. Noah Gordon tenta traçar um panorama da riqueza cultural e social tanto do Islã, quanto do Cristianismo e do Judaísmo medieval e mostrar onde estariam as origens das características daquelas que são consideradas as três maiores religiões da humanidade. Sem defender ou demonizar nenhum dos três credos, mas sem deixar de apontar as origens históricas para cada um dos bens e males que deles resultam, ele transfere para o olhar estrangeiro de Rob a mistura típica de fascínio e repulsa que acomete qualquer pessoa que entra em contato com outra cultura. Aborda magnificamente o tão falado choque cultural, das aulas de Antropologia. Para não cansar o leitor, as questões filosóficas e históricas estão misturadas a perfeitas descrições de cenários, cores e cheiros do mundo conhecido à época. Sem abrir mão do sobrenatural, e sem deixar também de citar cenas de batalhas dos cavaleiros árabes, Noah Gordon oferece outra perspectiva da Idade Média, aquela que debruça-se sobre o caldeirão cultural e filosófico de um tempo em que os homens viviam a dúvida de obedecer a um Deus invisível e cheio de regras, preconceitos e preceitos (seja ele cristão, muçulmano ou judeu) ou obedecer à inclinação natural à curiosidade.


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Abertura indiscriminada de novas escolas médicas no Brasil Mayara L.O.S. Kist | 8º semestre | Diretoria Executiva DAPLUS | Representante DU AMRIGS

Proponho-me aqui a fazer um relato de alguns fatos sobre esse tema tão polêmico e complexo que é cada vez mais discutido no meio médico, além de expor os questionamentos que o movimento estudantil costuma levantar sobre o assunto. É claro que nem todos concordam com tudo que será dito e nem tenho espaço suficiente para expor todos os pontos importantes, por isso fico à disposição para a discussão. O que acho importante salientar é que esse debate precisa ser feito pelos acadêmicos, pois afetará a vida de todos os médicos no futuro e lembro que “O médico que só sabe de medicina, nem sobre medicina sabe” (Abel Salazar). Atualmente existem 371 mil médicos atuantes no país e 196 escolas médicas com 16.892 vagas/ano, mas esses profissionais formados tem se concentrado em centros, deixando grandes áreas interioranas do Brasil sem assistência. As entidades médicas discutem a forma de como distribuir melhor e fixar os médicos em regiões afastadas. Mas o Ministério da Educação (MEC) acha que tem uma solução fácil e anunciou que nos próximos anos serão abertas 2.415 vagas em cursos já existentes, 800 delas no setor privado e 520 destas nas regiões Sul e Sudeste, onde já se concentram 72% dos médicos do Brasil. Com a ausência de políticas públicas que ofereçam suporte à fixação dos médicos em locais onde há carência de profissionais, sobretudo no Norte e no Nordeste do país, a projeção aponta para a superconcentração de médicos em algumas áreas, como cidades de maior porte, capitais e estados das regiões Sul e Sudeste. Isso sem se considerar as novas vagas autorizadas pelo governo em 2011 e 2012. Além delas, existem pedidos para a criação de mais cerca de 2,5 mil vagas em análise no MEC. Os egressos em Medicina não vão para locais onde faltam médicos por inúmeros motivos, como falta de programas de Residência, cada vez mais necessária, e principalmente ausência de condições mínimas para um bom exercício da Medicina. Porém o governo pensou numa forma de fixar esses médicos em locais afastados, com o PROVAB (Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica), que tinha como bônus aos médicos que atuassem dois anos, um aumento de 10% na sua nota final do concurso de Residência. Apesar de algumas qualidades do projeto, ele foi amplamente criticado por desvalorizar a especialidade Medicina de Família e Comunidade, não melhorar condições de trabalho nesses locais e não fixar realmente os médicos, não dando à população longitudinalidade que merece. No estudo “Demografia Médica no Brasil”, divulgado em 2011, CFM (Conselho Federal de Medicina) e Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) notaram que existem 7,60 “postos médicos disponíveis” para cada 1.000 clientes privados. Já para a população usuária do SUS, a razão observada foi de 1,95 e acredita-se que essas novas vagas apenas agravarão esse quadro. Em 2020, mesmo sem novas vagas em cursos de Medicina, a projeção é de que existirão 455.892 médicos no Brasil. Considerando-se que em oito anos o país terá uma população de 207.143.243 pessoas, a razão será de 2,20 médicos por 1.000 habitantes. Este indicador é 0,30 médicos por mil habitantes menor do que a meta definida pelo governo (2,5/1.000) – meta, aliás, apontada por CFM/Cremesp como resultado de mera abstração, desprovida de fundamento científico. Ou seja, médicos não faltam! Porém estão mal distribuídos e haverão locais com o indicador de 9 enquanto outros com menos de 1 médico por mil habitantes. Outros resultados do estudo citado são alarmantes, como a inauguração de 77 escolas médicas entre 2000 e 2011, o que correspondia a 42,5% das faculdades existentes em 2011. Nesse exato mesmo período o número de médicos aumentou 21,3%, contra o aumento populacional brasileiro de apenas 12,3%. Além disso, também não se pode ignorar a qualidade da formação desses profissionais. A abertura de vagas em escolas – sem adequadas condições de funcionamento, corpo docente qualificado para atender a nova demanda e vagas de residência médica – entregará à sociedade médicos não devidamente preparados para o desafio do atendimento. Apesar de existirem critérios para essa abertura, como a existência de uma rede hospitalar que possa dar suporte à formação dos novos profissionais; cinco leitos de atendimento via SUS para cada vaga; e projetos para a realização de ao menos cinco residências médicas, o que tem se visto são aberturas indiscriminadas em locais que obviamente não preenchem esses requisitos mínimos. No Rio Grande do Sul, escolas que fazem parte desse Plano de Expansão são: UFFS - Universidade Federal da Fronteira Sul (Passo Fundo), UNIVATES - Unidade Integrada Vale do Taquari de Ensino Superior (Lajeado), UFSM - Universidade Federal de Santa Maria (Campus em Palmeira das Missões) e URI - Universidade Regional Integrada (Campus Erechim). Além delas, a UNIJUÍ - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Ijuí) está em tentativa de abertura. A questão de qualidade deveria ser mais levada a sério, já que o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) constatou que das 141 instituições avaliadas na última edição, 23 (quase 17%) tiveram notas entre 1 e 2 e nenhuma obteve a nota máxima (5). Ou seja, de que adianta abrir inúmeras escolas, se essas pessoas vão sair com o canudo na mão, mas sem o conhecimento necessário para atuar? Será que é realmente se preocupar com a saúde da população? Enfim, antes de abertura de novas escolas, nossa preocupação deveria ser com a qualidade das atuais. O governo deveria implantar uma política séria de saúde, na qual respeitasse a Emenda 29, fornecesse plano de carreira médica estatal, garantia de condições adequadas da prática clínica, possibilidade de atualização contínua e remuneração adequada às responsabilidades do profissional. O próprio vice-presidente do CFM, Carlos Vital, acredita que a melhor maneira de fixar médicos nas zonas mais remotas do país é um plano de carreira estatal. “Foi assim que o Brasil conseguiu levar juízes para o interior do país. Antigamente, eles largavam seus postos e faziam concurso de caixa de banco público porque era uma carreira estatal e ganhava mais”. No estado que mais vai abrir novas vagas na Região Sul (o nosso) houve um Ato Público, com mais de 800 pessoas, o


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“Saúde, Rio Grande – Cumpra-se a Lei”. Nesse evento, discutiu-se a importância do Estado passar a valorizar esse setor e cumprir a Emenda 29. Afinal, segundo o balanço do Governo Estadual e do Tribunal de Contas, o RS só repassou 6,1% para a saúde, valor substancialmente diferente do mínimo de 12% que deveria. De que adianta mais médicos se não há dinheiro para investir em infraestrutura e profissionais? Essa é mais uma prova de como o governo só passa adiante os problemas de saúde pública, colocando a população contra os médicos e ignorando o fato que o principal problema é a gestão. Mecanismos governamentais como tentativas para facilitar a revalidação automática no país de diplomas médicos obtido no exterior, e a Medida Provisória 568/2012, que reduziria o salário dos médicos da rede federal em até 50%, são ultrajantes aos direitos de nossa classe profissional. E as consequências do grande contingente médico que nos aguarda já estão começando. Em julho deste ano, o Cremesp passou a exigir a participação dos egressos de escolas médicas do estado em um exame de fim de curso, como pré-requisito para poder exercer a profissão. O CFM se posicionou sobre o assunto dizendo que essa seria uma das soluções para a crise atual do ensino médico, decorrente da abertura sem critérios de novas vagas em escolas médicas. Será? Nessa mesma nota, o CFM propõe outras formas de avaliação, muito mais construtivas, a meu ver, na qual sugere exame de progresso, durante a graduação, que seria vinculada a ações imediatas tomadas para corrigir eventuais falhas no decorrer do curso. Ou seja, existe uma alternativa muito mais construtiva do que punitiva, que levaria a uma excelência de formação de todos os futuros médicos, sem fomentar possíveis novos “cursinhos”, mais anos de estudos de notas de rodapé, reserva de mercado, trabalho ilegal, desvalorização da classe e por aí vai... Um dos motivos que o Cremesp dá para a necessidade desse exame de ordem, é que o número de processos contra médicos é cada vez maior. Porém para essa afirmação são usados números brutos, e na realidade o que se percebe é uma redução, se for levado em conta que hoje em dia existem muitos mais médicos do que antigamente. Além disso, mais da metade dos processos em andamento são contra médicos formados há mais de 15 anos. Ao que tudo indica, nos encaminhamos para o que aconteceu com os Cursos de Direito, ou seja, a universidade perderá a responsabilidade da formação e haverá inúmeros egressos sem condições de passar nas provas devido à má qualidade do ensino.

XVII Encontro Regional dos Estudantes de Medicina Diego Inácio Goergen | Diretor de Comunicação DAPLUS

A edição 2012 do Encontro Regional de Estudantes de Medicina (EREM), ocorrerá em Santa Maria. O evento ocorrerá nos dias 15 a 18 de novembro, no campos da UFSM. Será organizado pelo Diretório Acadêmico José Mariano da Rocha Filho (DAZEF), em parceria com a Coordenação da Regional Sul-1 da DENEM. Este ano, o tema do EREM será "Saúde e Educação em Glasgow 3: Qual a conduta?". Seguindo o tema, haverão mesas e oficinas nas áreas de Saúde, Educação e Movimento Estudantil. Também haverá um debate sobre a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). Durante os 4 dias, ocorrerão mesas, oficinas e festas, a fim de debater e integrar alunos das faculdades de medicina do RS e SC. Apesar de ser organizado pelo DAZEF, o DAPLUS participou de algumas reuniões da organização, enquanto membro da Regional Sul-1 da DENEM, auxiliando na definição de temas e estruturação do evento. As inscrições estão abertas e incluem programação, alojamento, alimentação e festas, em diversos pacotes e com diferentes prazos e preços, confira no site do evento. Maiores informações podem ser encontrados no Facebook, no site do evento ou através de membros do DAPLUS. Todos os interessados em ir ao evento, podem nos comunicar, que podemos auxiliar no transporte até Santa Maria. Além disso, diversas pessoas pretendem ir de carro. Não dá para perder a oportunidade, Santa Maria logo ali do lado. Em 2009, foi lá em Rio Grande, 2010 em Porto Alegre e no ano passado foi lá em Floripa.


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Ato Médico Diego Inácio Goergen | Diretor de Comunicação DAPLUS

Há tempos que a Medicina é conhecida como “a arte de curar”. Entretanto, sabemos que o trabalho do médico é muito mais complexo do que isso, ao mesmo tempo em que a cura é muito ampla para ser realizada apenas pelo médico. Todos sabemos que o Código Penal considera crime o “exercício ilegal da Medicina”. Afinal, nós estudamos tanto para realizarmos a Medicina, que não seria justo fazermos algo que todos podem. Porém, existe um problema aí: O que é o exercício da Medicina? O que é que apenas os médicos podem fazer? É uma pergunta tão simples, sem elementos confundidores, que nunca alguém se dignou a responder decentemente de modo jurídico. É incrível, mas nunca alguém pensou nas coisas que apenas um médico seria “capaz” de fazer, que leva junto uma definição das coisas que SÓ um médico seria “capaz” de fazer.. Buscando resolver esta questão, está em tramitação pelo Congresso Nacional desde 2002, quando foi criado no Senado Federal como Projeto de Lei do Senado nº 268/2002, o projeto conhecido popularmente como “Lei do Ato Médico”. Em 2006, ele teve seu texto final aprovado e foi enviado para a Câmara dos Deputados, onde foi amplamente debatido e modificado, de onde saiu como Substitutivo da Câmara dos Deputados ao PLS 268/2002, em 2009, voltando ao Senado, dessa vez como Projeto de Lei nº 7.703/2006. No Senado, o Projeto tramita pelas suas diversas comissões de análise. A última comissão a dar seu parecer foi a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, que o aprovou o texto final em fevereiro de 2012. Atualmente, ele tramita pela Comissão de Educação, sendo que a última alteração deu-se em abril de 2012. Um assunto tão amplo assim, obviamente que não passaria sem discussão. Dá para notar pelo tempo de tramitação do projeto

Lições da Lei do Ato Médico Prof. Antonio Manoel de Borba Jr. | Professor de Neurologia e Fisiologia | Presidente da ASSOMESC

Acredito que o assunto sobre regulamentação da Medicina é dos mais importantes para se discutir na atualidade. Especialmente porque vivemos tempos difíceis em que a Medicina vem progressivamente sofrendo estreitamentos de seus limites e de suas liberdades de escolha. No início do segundo milênio é dever da classe médica brasileira regulamentar sua profissão como todas as demais. Obviamente todo estabelecimento de limites cria situações de desacordo. Nas quais o corporativismo brota na sua mais antiética face. Antiética porque procura a todo tempo distorcer a verdade e manipular os interessados em conhecer o assunto. É muito difícil ler algo que nos informe sem deformar a realidade a favor dos mais vis interesses. Resta para o reles mortal ler o texto da lei e não apenas as considerações que fazem sobre ele, recomendaria também a quem tiver tal interesse conhecer bem a definição na língua portuguesa de adjetivo, em especial o “médico”. Não há como contextualizar cada polêmica por aqui, como exemplo cito a consideração da parte do texto que dá prerrogativa exclusiva aos médicos a chefia de serviços médicos. Vejam bem o adjetivo: “Serviço Médico”; o médico aqui representa atividade exclusivamente médica, algo que não tem nada que ver com o serviço interdisciplinar preconizado pelo SUS que deve receber o nome em português correto Serviço de Saúde. Este sim pode ser chefiado por qualquer membro da equipe. Quanta honra para a medicina que seus detratores confundam a parte que cabe à medicina na saúde com o todo relacionada à ela Terrível seria para a classe médica dar prerrogativa para algum chefe que sem conhecimento adequado por indicação política ou econômica venha a comandar a sua atividade. Mais terrível ainda é constatar como é enorme o preconceito das demais profissões da área da saúde para com a Medicina. Nenhuma outra regulamentação profissional suscitou tantos radicalismos, tanta polarização. Quantos sem nem ler o texto já se posicionaram contra. O que se publica contra o ato médico mais parece uma catarse onde edipianamente as demais categorias profissionais isolam e dilaceram a medicina. A maior lição que se pode tirar das intermináveis discussões sobre o ato médico é conhecer a facilidade com que são imputadas vilania, desinteresse para com o paciente, servilismo ao poder econômico e despreparo aos médicos. As costas da medicina têm sido muito largas para suportar tantos pesos. Está na hora de dar uma sacudida e mostrar para a população que nos importamos muito com nossos pacientes e que somos capazes de trabalhar em conjunto quando nos dão esta oportunidade. A visão do médico no pedestal atualmente só é invocada por interesses corporativistas de profissionais que sonham em apartear para si algo que ainda pertence muito à medicina: o respeito e admiração dos pacientes. Para todos que conseguiram se unir contra ao ato médico só peço uma coisa: comecem a dar oportunidade para os médicos participarem desta união para lutar por coisas que realmente interessam para nossos pacientes e não por nossas corporações.


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entre as Câmaras Legislativas. As discussões envolvem diversos setores, afinal, estamos lidando com a vida humana. Toda a sociedade civil organizada está engajada para a melhor definição do papel do médico dentro da sociedade. O Congresso, sabendo da polêmica, abre espaço constantemente em suas audiências públicas para a sociedade civil organizada discutir abertamente com cada uma das comissões. Todo o processo de tramitação pode ser acompanhado pela internet, onde o sistema do Congresso registra todas as modificações do texto, bem como disponibiliza todos os pareceres e deliberações. Além disso, há diversos movimentos, favoráveis e contrários, que articulam-se junto aos legisladores, à mídia e à população em geral, debatendo os principais pontos do projeto, tendo a internet como principal palco para a divulgação de suas ideias. As brigas, algumas vezes, acabam indo para um lado puramente corporativista, onde cada uma das classes profissionais tenta garantirem um mercado de trabalho melhor. Mas, esperamos, essas sejam questões menores perto do real objetivo do Ato Médico, garantir o melhor atendimento possível para a população. Tentando trazer esta discussão para dentro de nosso Curso, o DA convidou dois professores a opinarem sobre a questão, para que os alunos e toda a comunidade acadêmica tenham uma visão dos dois lados da moeda, para que possa refletir a debater com mais informações sobre o assunto. Obviamente não é pretensão nossa que isso seja tudo. Levando o espírito científico a fundo, o ideal é que cada um faça uma pesquisa sobre o assunto, coletando o máximo de informações e conhecimento possíveis, para então tomar as melhores decisões. Afinal, é isso que os médicos fazem.

Uma visão não tão a favor assim... Prof. Luciano Nunes Duro | Professor de Saúde Coletiva e Epidemiologia

Para escrever sobre um assunto tão polêmico sem oferecer riscos de causar maiores problemas, gostaria de me reportar a algumas questões já conhecidas da maioria da comunidade acadêmica. Cabe ressaltar que não sou inteiramente/ completamente/100% contrário à ideia, mas tenho MUITAS restrições às explicações para sua implementação, como se os fins justificassem os meios. O que me causa muito desconforto é o fato de me parecer uma questão de “cadeia alimentar”, onde no topo há a figura do médico, onipotente e onipresente, sabedor de toda a ciência ligada ao cuidado das pessoas. Praticamente as discussões sobre ato médico giram em torno do “risco à população” que “profissionais não médicos” podem causar. Embasados em quê se tem essa prerrogativa? Se mantivermos esse raciocínio, um clínico não poderia tocar numa criança, porque não é pediatra. Um pediatra de plantão não poderia tratar de uma pneumonia em um adulto, pois não é pneumologista e assim por diante. Por exemplo, uma Revisão Sistemática da Cochrane de 2008 não só não demonstrou aumento da mortalidade nos bebês nascidos por parteiras (midwifes) comparados ao parto com médicos, como mostrou melhores resultados em amamentação, analgesia, menor tempo hospitalizados entre outros benefícios. Outra questão: Tanto o Conselho Federal de Medicina fala que as escolas de medicina estão formando médicos tão fracos (notas baixas nas provas de residência, ENADE etc.) que não podem atender numa Unidade Básica, que me pergunto então, quem vai cuidar das pessoas? Só os médicos da old school? Mais: Quem define o que só o médico é capaz de fazer são os próprios médicos! Tipo raposa cuidando das galinhas?! Acho que não é por aí. Países com sistema de saúde reconhecidamente eficientes (em nível de saúde populacional) são os que trabalham pesado com atenção primária, ou seja, sabendo trabalhar em equipe. No Reino Unido uma consulta gira em torno de 7 minutos, por quê? Porque até chegar ao médico, muitos outros profissionais não médicos já acompanharam a pessoa e deram suas devidas orientações. Falta é diálogo, não monólogo. Apesar de eu ser pessimista em entender que não é para a minha geração a mudança na mentalidade da classe médica, extremamente corporativista, acredito que os médicos formados na ideia do novo currículo médico não concordariam com a discussão do ato médico se ela fosse adiada para sua época. Sou inteiramente consciente de que nenhuma outra profissão teve treinamento (pelo menos carga horária de aula) em diagnóstico, raciocínio terapêutico etc. do que a medicina. Isso realmente nos faz sermos os mais habilitados a diagnosticar e sugerir tratamentos medicamentosos ou não. Acontece que a classe médica se acha capaz de absolutamente tudo! Nós podemos prescrever atividade física (como se fôssemos professores educadores físicos), nutrição (mesmo aqueles não nutrólogos), além de cuidados com feridas / procedimentos, assim que saímos da faculdade, e ai de quem contrariar isso. Ainda não há pesquisa que avalie isso e compare com o cuidado fornecido pelos outros profissionais para ver sua efetividade e potenciais danos, mas entendo que o caminho é agregar forças, não excluí-las. A classe médica está se fechando e se “enforcando na própria corda”, pois muito em breve não haverá número de profissionais médicos suficiente para atender à população (pura matemática) e todos vamos morrer abraçados.


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O Primeiro Pneumologista Prof. Marcelo Tadday Rodrigues | Professor de Pneumologia

Por definição, a Pneumologia é a especialidade da Medicina que estuda e investiga doenças relacionadas com o mecanismo do aparelho respiratório e toda sua estrutura, e o pneumologista é o médico que diagnostica, trata e acompanha pacientes com patologias pulmonares e respiratórias contraídas de diversas formas, indicando-lhes o melhor tratamento, ou ainda cirurgia torácica. Como eu disse, essa é uma definição teórica, afinal todo mundo acha que sabe tratar as doenças mais comuns tratadas por nós, como asma e DPOC, só que muitas vezes não fazendo da melhor forma, mas isso é outra conversa, para um outro momento. É uma especialidade fascinante - sim, sei que sou suspeito ao dar essa opinião - porque envolve o ato mais básico e fundamental que realizamos enquanto seres vivos, e que nos mantém dessa forma, que é respirar. Nada há de mais instintivo do que buscar o ar, e genial e complexo é o sistema que é responsável por isso, por captar e transportar o oxigênio para que possamos assim como máquinas bem reguladas - funcionar bem. E que falta nos faz quando não está disponível! Em termos práticos, e deixando de tergiversar, pode-se dizer que o mercado de trabalho para o pneumologista é, assim como em outras especialidades clínicas, desafiador. Nas grandes cidades, há excesso de profissionais e a necessidade de uma cada vez maior especialização e qualificação para poder se estabelecer e ter uma renumeração justa, enquanto nos centros menores há também a necessidade de profissionais qualificados, mas talvez uma perspectiva melhor em termos de mercado de trabalho. De qualquer forma, acredito que bons profissionais sempre encontram (ou criam) seu espaço. Não somos, nós pneumologistas, essencialmente clínicos. Além de nossa atuação como clínicos em consultório, hospitais e no sistema público de saúde, trabalhamos com procedimentos, como os testes de função pulmonar e a broncoscopia, entre outros. Temos, vale ressaltar, grande parceria com os cirurgiões torácicos, que são - em alguns casos - a única chance de cura para os nossos pacientes. Sempre me pergunto por que escolhi pneumologia, e não outra especialidade clínica ou cirúrgica, e a resposta – confesso não passa pela razão. Não, não levei em conta o mercado de trabalho e nem uma perspectiva de remuneração maior ou menor. Escolhi pneumologia porque tive professores que eu admirava (e admiro até hoje) em sua conduta, retidão e caráter, e que por acaso eram pneumologistas. Se, pensava eu, essas pessoas que merecem meu mais profundo respeito escolheram a pneumologia como especialização, deve ser porque é uma área especial. Ao longo do tempo concluí que sim, é uma "especialidade especial". Principalmente se lembrarmos o que disse o saudoso professor Mário Rigatto, que "quem primeiro prescreveu oxigenioterapia domiciliar contínua foi Deus". E se Deus era pneumologista, quem sou eu para discordar de sua importância?

Segunda turma de formandos da UNISC Nossa homenagem àqueles que fazem parte da história do curso de Medicina da UNISC. Parabéns aos novos médicos formados na UNISC, no dia 28 de julho de 2012!


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As Ligas Acadêmicas e o Conselho Diego Inácio Goergen | Representante DAPLUS no Conselho de Ligas | Presidente DAPLUS 2011

As ligas acadêmicas tornaram-se comuns no cotidiano do estudante de medicina. Funcionando como atividade de ensino, pesquisa e extensão, as ligas são formadas por acadêmicos, orientados por um professor, objetivando aprimorar os conhecimentos no aprendizado e na formação dos membros ligantes, em uma área de interesse. Não é novidade o crescimento acelerado do número de ligas na UNISC. Qualquer um que tenha acompanhado as reuniões do Colegiado do ano de 2011 e 2012 percebeu que várias ligas foram criadas, algumas com mais discussão, outras com menos. E esse fenômeno não é exclusividade da nossa Universidade, embora o que surpreenda em nosso caso seja o crescimento tão expressivo em tão pouco tempo, antes mesmo de formarmos a primeira turma. Buscando traçar o perfil da criação das Ligas Acadêmicas na UNISC, o DA realizou o levantamento das ligas existentes na UNISC, iniciando com uma divulgação no nosso site. Após, realizou-se busca nos arquivos da Coordenação com a finalidade de localizar os estatutos de Ligas e atas de Colegiado, desde a fundação do curso, em 2006. Foram encontrados dados de 19 ligas acadêmicas. As três primeiras iniciaram atividades em novembro de 2006, mas devido a uma inadequação da estrutura burocrática da Universidade, elas só foram autorizadas no ano seguinte. Desde então, as Ligas necessitam do aval do Colegiado para iniciar as atividades. As duas últimas Ligas haviam sido aprovadas na reunião de Colegiado do dia 30 de maio de 2012, período final da nossa pesquisa. Em 2007 foram criadas cinco ligas, em 2008 duas, em 2009 três, em 2010 quatro e em 2011 três. Além disso, em algum momento uma das ligas deixou de funcionar, não realizando mais atividades ou enviando informações para a coordenação. Sendo assim, estávamos então com 18 ligas. Nota-se um crescimento linear do número de ligas, levando-nos a pensar em formas de regulamentar o trabalho e a criação das mesmas. É possível que a formação dessas ligas indique um descontentamento dos alunos com relação ao currículo existente no curso, sugerindo que este deva ser repensado, atendendo aos anseios dos acadêmicos, sempre tendo em foco a qualidade do profissional em formação. A falta de regulação das atividades desempenhadas pelas ligas vem sendo apontada como um risco para a formação dos acadêmicos, já que pode resultar na aprendizagem de técnicas e conceitos incorretos, representando, até certo ponto, um retorno ao modelo flexneriano de ensino, baseado em especialidades. Sendo assim, o DA buscou formas de regulamentar a criação e funcionamento das Ligas. Levando em conta as discussões do 14º CGEM, que se realizou no início de 2011, em Rio Grande, levouse a ideia da criação de um Conselho de Ligas adiante neste ano de 2012. O Conselho de Ligas Acadêmicas (CLAM) foi criado no início de 2012, para que funcione de forma a estimular o compartilhamento de experiências das ligas, a resolução conjunta de problemas e a elaboração de eventos, além de servir como forma de regulação das atividades. O CLAM é composto por um representante de cada liga existente, um representante do DA e da coordenação do curso. As reuniões são mensais, sendo que um regimento foi aprovado na primeira reunião do segundo semestre. Apesar dos temores quanto a não aderência dos ligantes ao CLAM, a iniciativa apresentou bons resultados, contando com pelo menos um representante de cada uma das Ligas em funcioConselho de Ligas namento. A formação do conselho possibilitou a melhora na coO que é? municação dos acadêmicos com a coordenação do curso e uma É um órgão colegiado que reúne representantes das Ligas. maior interação entre as diversas ligas, gerando importantes e Qual o objetivo? interessantes debates. Além de debates e discussões, já foram Realizar intercâmbio de conhecimentos e experiências, concebidas algumas deliberações, como a obrigatoriedade nas tendo por finalidade dar todo tipo de suporte para que as Lireuniões, algumas formas de punição e controle às ligas e a imgas possam atingir seus objetivos de forma coordenada, faportância da criação de critérios para avaliação do funcionamenzendo com que toda a comunidade acadêmica seja beneficiato das Ligas, bem como critérios para a criação das mesmas. da. Além disso, foi decidida por unanimidade a proibição da criação Como ele fará isso? de novas Ligas enquanto estes critérios não ficarem claros. Na As reuniões são mensais, onde os assuntos em questão última reunião do Conselho, dia 22 de outubro, após avaliações e serão amplamente debatidos, para que uma solução comum discussões, foi aprovada a criação da primeira liga nestes molseja encontrada. des, que ainda não foi aprovada pelo Colegiado. Todas as Ligas devem prestar contas de suas atividades ao Os resultados da análise histórica da criação das ligas foram mostrados na primeira reunião do Conselho de Ligas. Além disso, e o trabalho foi levado para o 50º Congresso Brasileiro de Educação Médica (COBEM), realizado em outubro, na USP. O DA, entendendo a importância de eventos como o COBEM para o desenvolvimento e fortalecimento das escolas médicas, levou diversos alunos e trabalhos para o evento, incluindo a já citada análise histórica, um relato de experiência sobre a criação do CLAM, um relato sobre o incentivo à produção científica com as Semanas Acadêmicas e um trabalho sobre as acolhidas aos calouros realizadas na nossa gestão.

Conselho, bem como devem apresentar as propostas de atividades, para que todos possam aprová-las e ajudar a melhorar cada uma das ideias. Além disso, é o Conselho que define os critérios para aprovação de novas Ligas, que passam por análise e votação antes de serem autorizadas e levadas ao Colegiado. Quando são as reuniões? Reunião mensal, no final do mês, em uma segunda-feira. Quem pode ir às reuniões? Todos os estudantes tem direito à voz nas reuniões, embora apenas as ligas e o DA possam votar nas decisões.


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Metástase

O que esperamos da reforma curricular na UNISC? Rafael Luiz Doncatto | Presidente Diretoria Executiva DAPLUS 2012

Com a publicação no Diário Oficial da União, do reconhecimento do curso de Medicina da UNISC, em março de 2011, iniciaram as discussões para alterações na grade curricular do curso. O projeto curricular, enviado no pedido de autorização do curso, não poderia sofrer alterações, até que o processo de implantação fosse concluído. Após a avaliação e reconhecimento do curso, iniciou um processo de adaptação do currículo antigo, para uma melhoria em áreas que se mostraram deficitárias. Os trabalhos iniciaram ainda no primeiro semestre de 2011, onde reuniões semanais entre a coordenação do curso e os acadêmicos foram realizadas. Cada turma montou uma comissão, em que as reivindicações eram agrupadas para posterior explanação na reunião. À época, estas foram chamadas de reuniões do G6. Foram inúmeros encontros, e dentre as principais alterações sugeridas estavam: aumento da carga horária das disciplinas de anatomia, fisiologia, patologia e clínica médica, reformulação das disciplinas de informática médica e farmacologia, alterações na carga horárias das disciplinas de sociologia, antropologia, métodos e técnicas de pesquisa e políticas públicas. Foram unânimes as considerações de que é necessária uma reformulação na carga horária das disciplinas de anatomia, fisiologia e patologia, por serem a base da formação médica, é necessário que não ocorra nenhum déficit nessas áreas. A carga horária precisa ser aumentada e concentrada nos semestres iniciais do curso, pois a fragmentação destas disciplinas acaba limitando o tempo do professor em sala de aula, que se vê obrigado a cumprir tópicos básicos sem tempo para isso, gerando muitas vezes dificuldade em abordar todos os temas necessários. Falando nas disciplinas de clínica médica, as solicitações foram as mesmas, a limitação do tempo nas áreas de cardiologia, nefrologia, gastroenterologia, pneumologia, hematologia, endocrinologia e neurologia acabam limitando o aprendizado dos acadêmicos nestas áreas, acreditamos que seja necessária uma destinação maior de tempo, para que as patologias abordadas possam ser ensinadas de forma mais abrangente e aprofundada. Uma solução para aumentar a carga horária destas disciplinas, pode estar no tempo destinado a Estudos Individuais, que contam como horas de ensino do curso, esses espaços podem ser aproveitados para aumentar o tempo de aula destas áreas. Outro assunto bastante discutido nas reuniões do G6 foi a questão do ensino das disciplinas sociais no curso de medicina. Para atender determinações do Ministério da Educação, foi considerado que seria necessária uma humanização dos cursos de medicina no Brasil, para isso essas disciplinas são de caráter curricular obrigatório. Sem dúvida alguma, essas áreas passaram a fazer parte da base da formação médica atual, e são de fundamental importância para entender o indivíduo como um

todo, suas crenças, cultura e suas peculiaridades. Nessas disciplinas aprendemos algumas definições relacionadas ao ser humano que nos auxiliaram desfazer pré-conceitos, que muitas vezes nem percebemos. Mas acredito que alguns predicados fundamentais para um bom profissional como ética e respeito ao ser humano, são atribuições que necessitam de uma sedimentação de valores progressiva, desde a infância até a vida adulta, e sem dúvida alguma a formação familiar é a grande responsável pela formação do caráter individual. Com isso, nas reuniões do G6 a grande maioria das turmas acredita que a carga horária destas disciplinas precisa ser concentrada no primeiro e segundo semestres do curso, e com uma carga horária um pouco menor, pois acreditamos que o tempo destinado atualmente é suficiente para o aprendizado adequado. Quando discutida a questão da disciplina de farmacologia, acreditamos que muitas coisas precisam ser mudadas, a carga horária precisa ser aumentada e concentrada no início do curso, por volta do terceiro e quarto semestres, pois como já discutido anteriormente a fragmentação da disciplina se torna prejudicial para o aprendizado. Outra questão importante é que precisa ocorrer um maior aprofundamento nas classes farmacológica, posologia, doses e forma de apresentação dos fármacos mais usados, pois isso facilita a solidificação do conhecimento de farmacologia no internato do curso. Uma grande reivindicação do Diretório Acadêmico desde que se começou a falar em reforma curricular, foi a de podermos participar ativamente deste processo, pois acreditamos que a visão dos acadêmicos é a melhor forma de avaliação do que está dando certo e do que precisa de melhorias. Somos nós que estamos sendo submetidos a este processo de aprendizado e com isso temos artifícios para debatermos melhorias. Ficamos lisonjeados em poder auxiliar nas reuniões do G6 contribuindo para as mudanças necessárias, mas não conseguimos participar da efetivação da implantação das novas ideias no novo currículo, pois isso é atribuição exclusiva do Núcleo Docente Estruturante (NDE), ficando assim limitado a alguns professores do curso que formam o NDE. Em uma recente reunião da Reitoria com os Diretórios Acadêmicos da Universidade de Santa Cruz do Sul, foi anunciado que todos os cursos da instituição estão em processo de reforma curricular, e a forma com que o curso de medicina vem fazendo isso foi considerada bastante adequada e inovadora pela Pró-Reitora de Graduação, professora Carmem Lúcia de Lima Helfer e pelo Reitor, professor Vilmar Thomé, segundo eles esse processo de ouvir os acadêmicos, que são os maiores interessados nas melhorias curriculares do curso, se tornou um exemplo positivo para os outros cursos da instituição. Agora, o novo projeto entrou na fase de debate com a comunidade acadêmica, sendo que os professores estão participando e logo a reforma curricular passará para o debate com os alunos, para que depois seja rediscutido em Colegiado para a aprovação e envio ao CONGRAD. Todo esse projeto foi feito com um único objetivo, manter um ensino de excelência, com formação de profissionais capacitados para a arte de ser médico, numa evolução constante.


Ano 2, Edição 3

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Liga da Psiquiatria Thiago Luiz Marini | Diretor Administrativo LAP UNISC

A Liga Acadêmica de Psiquiatria UNISC (LAP UNISC) foi reativada em outubro de 2011 como forma de aperfeiçoar a formação acadêmica médica, promovendo atividades interativas entre ensino, pesquisa e extensão, de forma transdisciplinar e multidisciplinar, as quais evidenciam, marcadamente, aspectos relacionados à saúde mental. Destacam-se como objetivos da LAP UNISC o aprendizado de conhecimentos psiquiátricos, a valorização de aspectos psíquicos em ambientes médicos e a viabilização de produções científicas relacionadas à Psiquiatria. Igualmente, a realização de debates, cursos e seminários sobre saúde mental objetiva a interação entre as inúmeras áreas da saúde, assim como a veiculação da Psiquiatria entre a comunidade. Notadamente, o projeto de discussão de filmes alcançou grande êxito ao popularizar e esmiuçar intricadas temáticas psiquiátricas por meio da sétima arte – o cinema. Como exemplo, a obra As Horas, de Stephen Daldry, inaugurou sob críticas positivas o pioneiro projeto. Atualmente, a LAP UNISC é composta por Débora Didone Rossato (Presidente), Laís Salvini (Vice-Presidente), Thiago Luiz Marini (Diretor Administrativo), Carina Medeiros Westphalen, Gabriela Rodrigues Izolan, Henrique Borges do Nascimento Neto e Vitória Steffenello Avancini. Em meados de 2012, realizou-se a primeira seleção de acadêmicos, em que, merecida e destacadamente, Carina Medeiros Westphalen e Vitória Steffenello Avancini foram classificadas. Os componentes da LAP UNISC são coordenados pelo Professor Doutor Almerindo Antônio Boff, o qual possui graduação em Medicina, especialização em Psiquiatria, mestrado em Psicologia Social e Institucional e formação psicanalítica. As reuniões realizadas pela LAP UNISC objetivam a complementação teórica dos acadêmicos. Estas organizam-se em caráter semestral, em que temáticas relacionadas à Psiquiatria são analisadas e debatidas entre os componentes, utilizando-se de bibliografias especializadas. A temática Transtornos do Humor foi o objetivo de estudo ao longo do último semestre, analisando-se o diagnóstico positivo e diferencial, a epidemiologia, a etiopatogenia, o manejo farmacológico, o manejo psicossocial e o manejo de urgências relacionados aos transtornos do humor. Em 2012, o projeto de pesquisa “Perfil dos pacientes que se beneficiam de internação psiquiátrica no Hospital Santa Cruz, de Santa Cruz do Sul, RS” objetiva conhecer o perfil da população portadora de transtornos mentais, proporcionando contribuições para geração de conhecimento científico e fornecendo informações de grande relevância psiquiátrica. “No fundo, não descobrimos no doente mental nada de novo ou desconhecido: encontramos nele as bases de nossa própria natureza.” Carl Gustav Jung (Basileia, 26 de julho de 1875 - Küsnacht, 6 de junho de 1961), psiquiatra suíço e pai da Psicologia Analítica.

L i g a d a Te r a p i a I n t e n s i v a Eduardo Comazzeto dos Reis | LIT UNISC

A Liga de Terapia Intensiva foi criada no primeiro trimestre de 2012, a partir da iniciativa de seis acadêmicos, Aline P. Noble, Eduardo C. dos Reis, Jenifer Grotto, Thaís Donaduzzi, Victória e William Chaves; juntamente com a coordenação da Professora Drª. Michelle Eidt, com o intuito de facilitar a identificação do paciente crítico e seu devido manejo no ambiente hospitalar. O método de trabalho da Liga é construído em cima de discussões teóricas e práticas nos laboratórios de habilidades no UAA e observacionais dentro da UTI no Hospital Santa Cruz. As mesmas ocorrem semanalmente nas segundas-feiras ao meio dia, com duração de, em média, 1 hora e 15 minutos. O cronograma foi planejado para os próximos dois anos, com base na atual atualização em Terapia Intensiva da Universidade de São Paulo, subdividido em planos desde a semiologia e identificação inicial do paciente crítico, até sepse grave, manejo no choque séptico e insuficiência renal e cardíaca. Na UTI do HSC, a Liga realiza plantões nos finais de semana com 12 horas de carga horária. A fim de conhecer um atendimento de alta complexidade em Terapia Intensiva, o grupo nesse semestre irá realizar uma visita ao hospital São Lucas, Porto Alegre. Anualmente é aberto edital para ingresso de dois novos ligantes, a partir do quarto semestre. A seleção é realizada através de uma prova com peso de 60% e uma entrevista com peso de 40%. Após a confirmação de abertura da mesma, nesse mesmo ano foi realizado a primeira seleção, na qual três alunos foram aprovados Vinícius Brenner Felice, Andressa P. Maciel e João Paulo da Costa Rosa, ficando assim, a próxima seleção para o início do segundo semestre de 2013.


Evite a demência: Faça exercícios mentais. 16

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Respostas no site do DA

Horizontais: 1. (?) Jorge Haddock Lobo: realizou a primeira anestesia com éter no Brasil, em 1847, no Hospital Militar do Rio de Janeiro 2. Sentimento de "colocar-se no lugar do outro", fundamental ao médico 3. Sinal buscado na ausculta cardíaca 4. Processo de migração de leucócitos para fora dos capilares 5. Glândula sudorípara modificada presente nas pálpebras 6. Vértebra C2 7. Fármaco beta-agonista de longa duração inalável 8. Fármaco corticoide de uso extremamente comum 9. Concentração Inibitória Mínima 10. Conjunto de células endócrinas no pâncreas, descobertas por Langerhans 11. Veias mais calibrosas do corpo, chegando ao átrio direito 12. Morte tecidual, estágio final de diversas patologias circulatórias 13. Doença inflamatória crônica das vias aéreas, responsiva a broncodilatadores 14. Doença respiratória viral aguda 15. Órgão responsável pelo acúmulo urinário

PROCURA-SE Editor de jornal universitário Requisitos: * Ser estudante de Medicina da UNISC * Ter tempo para dedicar ao próximo * Ter vontade de ser útil Pagamento: * Reconhecimento e valorização como estudante dedicado * Ser fonte de informações, reflexões, discussões e lazer * Algumas horas para o núcleo flexível Contato: damed.unisc@gmail.com

Verticais: 16. Sir Hans Adolf (?) (1900-1981): médico e bioquímico alemão, descobriu o ciclo dos ácidos tricarboxílicos 17. Hidrólise dos lipídios 18. Adenosina trifosfato 19. Hormônio secretado pela glândula adrenal, regula o equilíbrio de sódio e potássio 20. Índice calculado através de ecografia obstétrica 21. Teste de (?): Manobra que avalia a circulação das artérias ulnar e radial 22. Uma doença da unidade pilosebácea 23. Uma das classes de anti-hipertensivos que atua no eixo reninaangiotensina-aldosterona 24. Gene cuja característica não aparece expressa no estado heterozigótico 25. Sintoma respiratório altamente prevalente 26. Diz-se da pessoa com amaurose 27. Tumor do tecido mesenquimal 28. Conjunto de nervos que formam uma rede de entrecruzamentos complexos 29. (?) hidroaéreos: Sinal radiológico de obstrução intestinal 30. Ramo terminal da aorta 31. Teste que detecta anticorpos contra hemácias presentes livres no plasma ou ligados à superfície 32. (?) cells: As células-tronco hematopoiéticas


Metástase 3ª Edição  

Terceira edição do Jornal Metástase, editado pelo Diretório Acadêmico Professor Pedro Lúcio de Souza, do Curso de Medicina da Universidade d...

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