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em ”, de manei por que diz anos (em abelo ruim em , “c ís e a d p o o it ss afro-americ ce o s n n ao co m a o e d , ag o d mp fazer e “o ock in capazes de ouve um te avam que a, Chris R o d sã rm ra e fi o u a m q s u o te h bre bom”. ernan ulheres) so um “cabelo Unidos m r que os gov s o às te d a l, a ia ar st p ec E r p ta es para os nas de postos a gas esma que é bom tos de deze to estão dis . Com a m n e l” an u si im q ra o B p e o e-T, Kerry lme d é bom para s como Ic am nesse fi impunham ta il s is sf o rt e n a s D s le la e ue Symoné, tre e obsessão q dades, den r outro ney, Raven li o o a P o n s. o M o rs l e m u p a a tí de g, P s o comba povo ton, além , Nia Lon mento, nó r, a luta do o Al Sharp ashington o d W n rd a re e l a v e sm u o esse pensa e ã R em o eo les n com ig como se e a Angelou da política ndíamos, y , , a fe is ia e a M iv íd d C , m o s a d o s la oas d mo deveri Direit vamo o sobre co ria. Buscá ctuais, pess ano pelos iã c le tó ri in is te e p h in o m a o a -a d su o afr alisa , e e de dão su dos EUA ou não ser as. Todos nossa luta e e a v rt im r e a n d ia p ô c n n se a m a , e afro técnicas subst fizess ação para ou outras lo do povo e ir o b ic sp a c in ím o a u r q m se nto neles u iras. a relaxame cos. afro-brasile punham o bmeter-se im s su o de cosméti n e o u d militância q a a s rc ti o e is 996 com m m ex es i lo te, os m stas pe mo aqu do desde 1 o en sa co p a m e, (c im sa u o k q c ri o u C í?) avam ris R ora do a viu por a of life, afirm e Lola, Ch ora e diret d y ém d a u a m w d lg lé n A n A a fu ê? ic d a amer racial” (C pton-Rock e mulheres as lutas e emocracia alaak Com que atend o modelo M za m e el co b r 5 anos. uma tal “d e te s d s o odíamo vitimad s - salão annah, de p v e, rk a o rt S ão o n W ra N , le h o a so ty d S a eZ e, por is da Améric bém pai d a ( “Papai, , dos negros ia após dia ntes) é tam a mais velh s d re lh , ta a fi c is m a u ré d q o n a p co oje, s rre salões a dúvid ), ele perco os parecido ionismo. H esclarecer ?” m ac g m so ra o re a b g P to o se an el o u b pel vade soq ho ca da vez mai eu não ten estilistas, in e e . ca u d s es q s o r a ad o d lh em p ri b ta ba perce particula dianos. O e stemunha lvo algumas templos in e cinema d e beleza, te d d té s a la e sa s o com eles, sa 0 c 8 fi estilo do em 1 ,o ientí ro estreou o quanto o Washinton oratórios c d b al es o la it ã p ç ta ca a a ff Em outub st n suas relaçõ con os e por Je o final é a mericanos, ), dirigido tr os american -a is d o g om ta fr B re a es , o s e el te o v b n d o ia n um air (Ca acta a vida ” do comed questiona rio Good H cabelo imp hris Rock a “aventura C ss E te istou documentá . n u a : ia q m n as ed ti o autoes lson, c e o com há décad e ti u s S is q ó a e n u d s x em a o , se d er n câm Stilso te entre to perto pela te e recorren seguido de melhor fato presen ra júri pa o o d io m ance/ de rê op tival Sund es F o n o ri e documentá r festival d 09, o maio 0 2 e nidos. d U a s Cinem Estado s o d s te en epend filmes ind

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TANTO LÁ, COMO CÁ... O fato de ter sido feito nos Estados Unidos é uma mera casualidade, questão de iniciativa ou financiamento, já que o filme poderia ser rodado tanto aqui no Brasil como na Nigéria, em Trinidad e Tobago ou na França, em Londres ou em qualquer localidade para onde a Diáspora Africana levou nossos povos. A imposição estética eurocêntrica afeta a todos nós! Cabelo bom, cabelo ruim são conceitos difundidos, inclusive, entre os nossos. Não acredito que a nossa gente tenha protestado em praça pública, contra David Nasser e Rubens Soares por terem composto o sucesso na voz dos Anjos do Inferno para o carnaval de 1942, indagando: “Nega do cabelo duro, qual é o pente que te penteia?”. Dez anos antes, também no carnaval, Castro Barbosa, acompanhado pelo conjunto Velha Guarda, de Pixinguinha, afirmava: “O teu cabelo não nega, mulata / Porque és mulata na cor / Mas como a cor não pega, mulata / Mulata, eu quero teu amor”. Numa marchinha, afirma-se que as mulheres negras andam despenteadas por falta de um pente capaz de penteá-las. Na outra, a mulher mestiça – de negros com brancos – pode querer se parecer com as brancas, mas que o cabelo a denuncia e, deixa claro que seus autores só queriam o amor dessa mulher porque “a cor não pega”. Se fosse realizado no Brasil, o documentário Good Hair talvez não tivesse a mesma repercussão, nem um prêmio equivalente ao conquistado nos EUA. Seria considerado “coisa de preto”, assunto de minoria, apesar de lá os negros representarem menos de 13% da população e aqui sermos aproximadamente 50%. Aqui, tal documentário geraria protestos dos detratores de tudo o que se refere ao nosso povo, sempre atento a cada manifestação ou iniciativa que, mesmo aparentemente, possa favorecer essa parcela da população. Tanto no documentário americano quanto nos debates entre militantes afrobrasileiros, algumas conclusões são muito parecidas, como por exemplo: as pessoas negras que deixam seus cabelos naturais, trançados ou com dread look são apontadas como rebeldes ou descuidadas. Estas, por sua vez, acusam as que relaxam ou alisam suas madeixas, como colonizadas, conformistas e, o mais grave, que sonham “embranquecer”.

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DEU NO NEW YORK TIMES...

EXCLUSIVIDADE NEGRA? NÃO, SENHOR!

Um depoimento preocupante, em Good Hair é o da atriz Nia Long: “Há sempre uma espécie de pressão dentro da comunidade negra. Se você tiver cabelo bom, será considerada mais bonita e melhor do que a menina que usa um afro, cachos ou um penteado natural”. E, ostentando uma gigantesca peruca black power, o comediante Paul Mooney afirma que esse não é um drama exclusivo dos negros: “Se seu cabelo é alisado, as pessoas brancas ficam mais confortáveis. Se é enrolado, elas não ficam felizes”. A todo momento nesse filme, são mencionadas celebridades, como a cantora Beyonce, a primeira-dama Michelle Obama e a milionária apresentadora de TV e atriz Oprah Winfrey - apontadas como referência por todas as mulheres negras que, nos Estados Unidos, fazem das tripas coração para ficar com o “cabelo bom”. Ainda sem data definida para estrear no Brasil, Good Hair escancara a cultura afro-americana e, por tabela, a maioria das culturas afro no mundo todo, em especial das chamadas classes médias negras urbanas, fazendo o público rir, mas ao mesmo tempo refletir seriamente. Um trailler bastante dinâmico está à disposição na internet: www. goodhairmovie.net/site. A conclusão de Chris Rock no filme é quase óbvia: a questão do cabelo para os afro-americanos é um negócio extremante rentável que movimenta dezenas de milhões de dólares por ano e que, na maioria das vezes, não beneficia os negros de seu país. Ele, então, se propõe a tentar convencer a filha Lola de que o que cobre sua cabeça é infinitamente menos importante daquilo que a menina guarda dentro dela. A insatisfação com a própria aparência não é exclusividade de nenhum povo. Morenas oxigenam suas madeixas, enquanto loiras de fios finos submetem-se a permanentes para cacheá-los. Cabelos longos são cortados à la Joãozinho e os curtos alongados com caríssimos fios naturais ou artificiais, trançados à raiz, costurados ou ainda colados ao couro cabeludo. Produtos químicos (muitas vezes perigosos) são sucessivamente despejados na cabeça, mudando as cores e textura das cabeleiras que, não raro, sofrem quedas total ou parcial. Tudo isso para parecer que somos quem sonhamos ser.

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A crítica ao documentário feita pelo famoso jornal norte-americano iniciase com uma constatação dolorosa: Cabelos lisos e sedosos há muito tempo são considerados uma coroa perfeita por mulheres negras. Mas, muitas vezes, conseguir este efeito significa suportar a queimação típica dos químicos alisadores ou uma cara dependência de cremes hidratantes. Outra frase de efeito do artigo é: alisar o cabelo é visto como uma forma de se tornar mais aceitável para certos parentes, bem como para os brancos. Ao noticiar o lançamento de Good Hair, o jornal diz que ele explora até onde as mulheres negras são capazes de ir para conseguir cabelos longos e lisos, como um alongamento texturizado que arrebata cerca de mil dólares do salário de uma professora, ou de estudantes que têm seus cabelos relaxados quimicamente. Por outro lado, no blog do conservador Free Republic, Malia Obama, filha de 11 anos do presidente americano Barak Obama, é classificada como imprópria para representar a América, por ter passado férias de verão em Roma, sem alisar seus cabelos. É importante lembrar que a mãe, Michelle Obama, só aparece em público de cabelos lisos e esvoaçantes. Pautado no documentário apresentado por Chris Rock, o articulista do NY Times ouviu tanto especialistas em cosméticos e proprietários dos mais requisitados salões de beleza frequentados por afro-americanos, quanto pesquisadores, como a professora de estudos negros da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, Ingrid Banks. “Para mulheres negras, você é condenada se fizer e condenada se não fizer. Se for atrás de cabelos lisos, será vista como alguém que se vendeu. Se não alisar os cabelos, é vista como alguém que não cuida corretamente da aparência”, comenta Banks que, para escrever o seu próximo livro, percorreu, durante 14 meses, salões para negros em cinco cidades americanas. Por isso, a intelectual tem bagagem de sobra para uma última afirmação: “Se uma mulher negra opta por relaxar seu cabelo, raspá-lo ou não fazer nada na cabeça, já faz uma escolha que lhe dá poder. Afinal, antigamente, as mulheres negras trabalhavam em plantações e não tinham direito a este luxo”.

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Cabelo bom