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WOODKID The Golden Age Tour no Brasil

conheça o designer gráfico que conquistou som, vídeo e palcos

John Frusciante

Conheça o projeto solo do ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers

Foo Fighters

Todos os detalhes de seu próximo álbum de estúdio

O Teatro Mágico

O lançamento de seu novo trabalho, “Grão do Corpo“

groovebrasil.com 11 de junho | edição 01 - ano 01 R$11,90

Björk + The Mars Volta + Latitude Festival + Legião Urbana + iamamiwhoami + LollaPalooza


EDITORIAL É com muita felicidade que apresentamos a revista Groove! Após meses desenvolvendo idéias, conteúdos e layouts, finalmente podemos apresentar nosso trabalho para vocês. O que queremos com nossa revista é que você, leitor, possa viajar e conhecer novos horizontes no mundo da música. Nós adoramos a música que faz sucesso no topo dos charts, mas amamos mais ainda aqueles artistas que não são do mainstream, mas nem por isso deixam de ser incríveis e inspiradores. O intuito da Groove é apresentar à vocês aquelas músicas que estão surgindo numa realidade paralela ao mercado fonográfico. Artistas que colocam sua criatividade a frente das gravadoras, e lançam materiais que vão no sentido oposto ao que é considerado o normal. Em nossa primeira edição, escolhemos para nossa capa o artista francês Woodkid, um cara multi criativo que com pouco tempo de carreira já chamou a atenção em várias áreas do entretenimento. Ele passou pelo Brasil com sua turnê mundial recentemente, e em nossa matéria tentaremos mostrar um pouco do que aconteceu nessa apresentação. Fizemos também uma matéria apresentando a carreira solo de John Frusciante, ex guitarrista do Red Hot Chili Peppers. Trazemos também notícias sobre o próximo trabalho do Foo Fighters e o novo álbum d’O Teatro Mágico, fora várias outras dicas musicais bacanas, que todo amante de música alternativa precisa conhecer! Então é isso, espero que apreciem nossas dicas, resenhas e reportagens, e que nos encontremos novamente no mês que vem

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Redatores: Aline Prado Diego Bueno Fernando Zullo Lucas Martins

WOODKID The Golden Age Tour no Brasil

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John Frusciante

Conheça o projeto solo do ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers

Foo Fighters

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O Teatro Mágico

O lançamento de seu novo trabalho, “Grão do Corpo“

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Design da capa: Diego Bueno 4

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Diagramação Geral: Diego Bueno Groove Brasil Rua Luiz Levorato, 2-140 Chácaras Bauruenses - Bauru - SP CEP 17048-290 - Tel.: (14) 98117-2025 www.groovebrasil.com

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ÍNDICE

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NEWS

Robyn e Röyksopp Finalmente Robyn está de volta, e não poderia vir em melhor campanhia. No começo de Maio, a sueca anunciou nas redes sociais que estaria se reunindo novamente com o duo eletrônico norueguês Röyksopp, com quem já lançou “The Girl and The Robot“, em 2009. Esse retorno contará com um EP de inéditas, o “Do It Again EP”, a ser lançado no começo de Junho, seguido de uma turnê conjunta. Logo após a notícia, já foi liberado o primeiro single do projeto, “Do It Again“.

Banda do Mar Mallu Magalhães e Marcelo Camelo formalizaram a união artística e anunciaram no dia 6 de maio a criação da Banda do Mar. O novo grupo reúne o casal e o baterista português Fred Ferreira. O disco será gravado em Lisboa, e será lançado no segundo semestre, seguido de uma turnê. Marcelo e Mallu já haviam trabalhado em algumas parcerias anteriormente. A participação de Fred Ferreira em um trabalho junto com Marcelo Camelo também não é inedita. Em 2013, Fred tocou no álbum “Vazio Tropical”, de Wado, produzido por Camelo.

La Roux O que parecia impossível, finalmente aconteceu. Cinco anos após lançar seu álbum de estréia, Elly Jackson e o produtor Ben Langmaid, mais conhecidos como La Roux, divulgaram não só a informação de que estavam de volta, mas também que seu novo álbum, “Trouble In Paradise“, já está pronto e prestes a ser lançado. Previsto para 7 de Julho, o novo trabalho vem para tentar repetir o sucesso do seu antecessor. E pra mostrar que isso é possível, eles ja lançaram a ótima “Let Me Down Gently“, lead single do novo trabalho.

BANKS Jillian Banks, ou BANKS, como é conhecida, começou a chamar a atenção do mundo ao ser eleita pelo Sound of 2014, da BBC, como uma das promessas da música nesse ano. Após lançar seu primeiro EP, a cantora já se prepara para o lançamento do seu primeiro disco, intitulado Goddess. Seguindo a sonoridade tão característica que já adota desde sua primeira música, Banks surge com o novo single, que leva o nome de seu futuro álbum, mostrando todo seu poder como compositora e sua voz marcante, com batidas R’n’B e camadas de sussurro distribuidas na produção.

Kimbra Após estourar em 2012 e conquistar o topo das paradas alternativas com o hit “Somebody That I Used To Know“, em parceria com o Gotye, Kimbra começou chamar a atenção do grande público, chegando até a relançar seu álbum de estréia. Dois anos depois, Kimbra está de volta, apostando em uma sonoridade noventista, como podemos ver em “90’s Music“, sua mais nova música de trabalho. A neozelandesa abusa dos ruídos e percussões metálicas nessa canção maximalista, que ainda conta com Matt Bellamy, vocalista do Muse, dominando nas guitarras.

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FESTIVAL Mal o frio deixou a Europa, e os jovens já começam a preparar as barracas de acampamento. Por lá , com o calor, começa também a temporada de festivais musicais, que reúnem milhares de pessoas até setembro em todas as partes do continente, da Inglaterra à Sérvia. “Barracas?”, você pode estar se perguntando. Sim! Como esses eventos geralmente são realizados em grandes espaços de cidades menores, quase todos oferecem o camping, uma opção mais barata para aproveitar ao máximo a experiência e não precisar ir e voltar todos os dias.

LATITUDE FESTIVAL Por Fernando Zullo

Para os europeus, os festivais servem para muito além de apenas curtir shows de dezenas de bandas populares em um curto espaço de tempo. Eles também são uma grande festa, perfeita para reunir amigos e conhecer gente nova. Mas corra! Os ingressos , que podem ser adquiridos pela internet , se esgotam rapidamente. Além das atrações musicais, o festival também conta com arte contemporânea e reflexões do pensamento contemporâneo. Atrações confirmadas: Pet Shop Boys, Phoenix, Damon Albarn, The Kooks, The Prodigy, entre outros.

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FESTIVAL

LOLLAPALOOZA

BRASIL

Já ouviu falar de  Lollapalooza? Este é um evento que foi uma iniciativa Perry Farrell, que em 1991 se despedida da banca Jane’s Addicttion e por isso, lançou um imenso show para essa despedida.

O show de despedida do cantor fez sucesso e uniu artistas como Nine Inch Nails e Ice-T em uma celebração nunca vista. E ao longo dos anos foi desenvolvendo este festival de música que tem como diferencial feito pelos fãs. O evento tem um local fixo para acontecer nos gramados do Grand Park, em Chicago, nos Estados Unidos, desde 2005. Nos anos seguintes o Festival cresceu e chegou até o Brasil, com a realização do primeiro Lollapalooza Brasil que reuniu 135 mil pessoas no Jockey Clube em São Paulo nos dias 7 e 8 de abril de 2012. O Festival Lollapalooza tem o diferencial de unir em um mesmo evento de música todos os tipos e estilos de música como hip-hop, eletrônico, reggae, indie, rock, modern roots, entre outros. Em 2015 o evento acontece novamente em São Paulo, e acontecerá bem no feriado de páscoa 29, 30 e 31 de março. Entre as bandas prováveis de tocar no próximo Lollapalooza estão: Pearl Jam, The Killers, The Black Keys, Planet Hemp, Criolo, Lenoox, Boss in Drama, entre outras. A programação para o evento pode ainda sofrer alterações. O Lollapalooza acontece no mesmo local deste ano e já tem um site oficial com todas as informações sobre o evento que promete arrastar multidões como edições anteriores, e arrecar fundos para instituições filantrópicas.

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O evento, como todo ano, não deixa-rá de visar a questão ambiental e sustentável. Os fundadores idealizaram trabalhar esse lado, com o festival para assim, motivar e incentivar os jovens à criar uma conscientização à cerca do assunto. O Festival reune pessoas do mundo todo, e bandas de todos os estilos musicais, a mesclagem musical é um diferencial, e para 2015, novidades podem surgir na decorrência até o evento, fãs podem ficar na expectativa, pois grandes novidades podem surgir.

Por Fernando Zullo

A imagem acima ilustra como foi a última edição, e já deixa um gostinho de quero mais. A cara do rock,do pop e outras vertentes, um festival que une nações e gostos musicais, onde todos se divertem e se alinham às novidades vindas de todos os lugares, isso é Lolaalalooza, um evento que vem crescendo ano a ano, e leva ao público som de qualidade, diversão e além disso uma conscientização aborada à assuntos cotidianamente questionados, bem vindos, e até 2015 com mais uma edição.


NACIONAL

O TEATRO

MÁGICO Apresentando sua nova fase estética e sonora, O Teatro Mágico lançou no dia 15 de abril seu novo trabalho, “Grão do Corpo”, com direção musical de Daniel Santiago. Essa evolução musical do grupo deixa em evidência o amadurecimento em suas músicas inéditas. O Teatro Mágico passa a encantar não somente pela beleza estética de seus espetáculos, mas também pela força das questões sociais, culturais e políticas que estão presentes nas letras deste novo álbum. Transitando em seu mundo lúdico entre o rock  ‘n’  roll, a poesia e influências urbanas, O Teatro Mágico disponibiliza ao público e fãs 10 faixas autorais neste novo trabalho. “Grão do Corpo” mostra um diálogo particular entre movimentos das ruas e o cotidiano metropolitano, onde

Novos horizontes e possibilidades com o novo “Grão do Corpo“. Por Aline Prado

suas letras musicais evidenciam esta situação de forma poética. Segundo Fernando Anitelli, criador e vocalista do grupo, o novo trabalho “não se trata de um olhar para o individualismo contemporâneo, pelo contrário. O entendimento e a consciência de que esse corpo individual - um pequeno grão - compõe o corpo social, o univer-

so e as particularidades da Terra. Conhecido pelo diálogo com as artes circenses, o teatro, a dança, a literatura e a poesia, O Teatro Mágico,  desde 2003, lançou três álbuns de estúdio, apresentando musicalidade própria e o fortalecimento de uma identidade autoral e única. O Teatro Mágico vem defendendo o projeto de música livre, com a inusitada sigla MPB (Música Para Baixar) o que faz o grupo ter as redes sociais como maior aliada no meio de divulgação de seus trabalhos. E toda essa diferenciação musical fez com que o conjunto, durante uma década, conquistasse 500 mil álbuns vendidos e mais de oito milhões de downloads gratuitos. O resultado  deste trabalho é uma pesquisa  que consiste em um processo de diversas mudanças e metamorfoses que O Teatro Mágico passa a cada ano de carreira. O “Grão do Corpo” veio para reinventar, refazer e encorporar esta nova fase do grupo, em contraponto com a leveza dos trabalhos anteriores.

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Yoann Lemoine, por seus vídeos, fotos e músicas. Por Diego Bueno

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O K

É difícil falar de Woodkid. Na verdade, é difícil saber por onde começar. Yoann Lemoine, artista por trás do projeto Woodkid, é designer gráfico, fotógrafo, produtor, diretor, compositor e cantor. Sua carreira começou como designer gráfico, ao se formar como ilustrador e animador na Emile Cohl School, na França. Após se mudar para a Inglaterra, começou a trabalhar no ramo, chegando inclusive a fazer alguns sketchs para o filme Marie Antoinette, de Sophia Coppola. Porém, seu nome começou a ficar conhecido com seus trabalhos por trás das câmeras. Após ser premiado com cinco estátuetas do Festival de Cannes por sua campanha de conscientização da AIDS, chamada Graffiti, Yoann foi convidado a dirigir video clipes de artistas do circuito mainstream, como Katy Perry, Lana Del Rey, Pharell e Rihanna, sendo novamente premiado, dessa vez como “Diretor do Ano” pela AMPA Awards, e também com seis astronautas do MTV Video Music Awards. Mesmo consagrado como diretor, o ímpeto criativo de Yoann não deu sossego. Em meio a uma filmagem e outra, ele começou a compor, utilizando de fragmentos de alguns de seus diários antigos, e foi assim que surgiu Iron, uma canção pop dramática, marcada por trompetes, tambores e violinos, e um vocal sombrio e misterioso. O que Yoann não imaginava era que sua canção autoral explodiria, conquistando o ouvido de grandes nomes da indústria. Em pouco tempo, sua canção já podia ser ouvida em trilhas sonoras da Ubisoft, como na série Assassins Creed, e da MTV, no seriado Teen Wolf. Com a enorme recepção que a faixa teve, Yoann começou a se dedicar a sua carreira musical, criando então sua nova persona, Woodkid. Já como Woodkid, Yoann teve de voltar às suas raízes para buscar o material que precisava para suas músicas. Reescrevendo toda sua trajetória, desde criança até se tornar adulto, o artista compôs musicas que falam sobre seus questionamentos e medos, sobre religião, rebeldia, transição e libertação. Assim surgiu o “The Golden Age”. Junto da edição deluxe do álbum, Yoann lançou um livro ilustrado contendo rescunhos e desenhos sobre o conceito do disco. “The Golden Age” soa quase como uma fábula moderna, contando a vida de um garoto perdido em meio à sua existência. Conforme o álbum avança, acompanhamos o amadurecimento desse menino até se tornar um “homem de mármore”.

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Há um grande foco no tema religião durante toda a trajetória, o que se explica por Yoann ter sido criado num ambiente muito cristão, o que o fez se rebelar espiritualmente anos depois. Em termos de sonoridade, temos composições e arranjos sempre marcantes e épicos, novamente acompanhados de tambores e trompetes, mesclando-se com sons mais clássicos, providenciados pela Orquestra Nacional de Paris.

Complex - 2013

“Em “Iron”, o primeiro vídeo que eu fiz, não há conjuntos no fundo. Algumas pessoas vêem um episódio de Game of Thrones, outros vêem um editorial de moda, e outros vêem um filme psicanalítico Bergman-esque. Ao criar mistério, e removendo algumas peças, você faz algo mais intrigante para as pessoas.”

Colocando em prática a sinestesia, suas músicas soam como seus vídeo clipes: nostálgicas, melancólicas, surreais e monocromáticas.

CONHEÇA O SOM:

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PROJETOS PARALELOS

Com o enorme sucesso de seu debut, Woodkid viajou por várias áreas do entretenimento. Além do sucesso como diretor e cantor, Woodkid, e sua música Iron, serviram de inspiração para a coleção “A Soldier On My Own”, da Dior Homme, no Outono/Inverno de 2012/2013. Após isso, junto do ilustrador brasileiro de graphic novels Rafael Grampá, o artista de mídia digital Aaron Koblin e a designer de moda Yiqing Yin, Woodkid estrelou a mais recente campanha da

Absolut, levando o título de artista mais inovador de seu segmento nos dias de hoje. Recentemente, em uma pequena pausa com sua turnê mundial, Woodkid trabalhou como diretor artístico do novo show de Pharell e, como se ainda não fosse o bastante, assinou a produção musical de um novo espetáculo na tradicional New York City Ballet.


THE GOLDEN AGE TOUR

A “The Golden Age Tour” viajou por toda a Europa e alguns países da América, incluindo o Brasil. Em uma única apresentação no nosso país, na casa Áudio, em São Paulo, Woodkid foi trazido, em parceria com a Absolut, para participar do Music Video Festival, ocorrido no fim de Março. Seu espetáculo é composto de um palco, doze músicos (no Brasil, somente sete), um telão e canhões de luzes brancas. A pouca estrutura pode dar a impressão de um show de nível duvidoso, mas essa sensação passa com a primeira batida dos dois tambores principais, que ecoam por toda a casa de show e quase arrancam o nosso coração do peito. Após a introdução tribal, e sem nenhuma alarde, Yoann entra no palco

e mostra a que veio. Com uma voz idêntica ao registro em estúdio, algo raro hoje em dia, o cantor apresenta a faixa título de seu CD, e começa a nos contar sua história como Woodkid. Com uma presença de palco indescritível, e uma postura musical muito mais agressiva do que ouvimos em seu álbum, Yoann apresenta sua fábula sendo suportado por projeções em preto e branco vindas do telão principal, com cenas subjetivas e componentes de sua identidade visual. Intercalando as letras mais emotivas com as músicas mais uptempo, temos uma idéia do quão multi-facetas o artista é. Os canhões de luzes brancas são um show a parte. Talvez por influência de seu trabalho como fotógrafo, Yoann usa a iluminação em seu palco de um

jeito nunca explorado. Destaque para “Conquest of Spaces”, em que as luzes passeiam pelo palco como corpos celestiais em uma galáxia, e “Volcano”, instrumental inédito carregado de batidas eletrônicas, em que o movimento de luzes é insano, criando padronagens e ritmo entre si, enquanto desenham formas geométricas no ar. A finalização do show fica com a grandiosa “Run Boy Run”, venerada por 9 entre 10 fãs, e capaz de levantar qualquer platéia e transformar o espaço em uma massa homogênea de flashes branco e preto. Ao agradecer o público, Yoann não contém as lágrimas em meio ao mar de aplausos, e promete voltar em breve. Estamos esperando!

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TÚNEL

LEGIÃO URBANA Por Aline Prado

A Groove entra na onda dos anos 80 e 90, e mostra um pouco da trajetória e de cada disco que marcou a carreira da banda Legião Urbana. Foram 14 anos de careira, mais de 20 milhões de cópias de discos vendidos e uma legião de fãs. Legião, a banda que fez o planalto central tremer. Surgia em  Brasília no ano de  1982,  a banda que mudaria o cenário do rock nacional, a Legião Urbana. Quem tomava a frente deste movimento era Renato Manfredini Junior, mais conhecido como Renato Russo. O jovem que também trouxe o punk para o Brasil mostrou-se um verdadeiro rock star junto com Marcelo Bonfá, Dado Villa Lobos e Renato Rocha. O grupo musical fez parte do rock nos anos 80, ao lado de bandas como Paralamas Do Sucesso, Barão Vermelho, Ultraje à Rigor, Titãs, RPM, entre outras. Eles também tiveram várias influências internacionais, como The Smiths,  Beatles, Ramones,  Sex Pistols, The Jesus and Mary Chain, The Doors e Bob Dylan. E desta forma não demorou para que o jovem grupo musical conquistasse fãs por todos os lados do país. A Legião Urbana foi a banda mais admirada pelo público e respeitada pela crítica na época. Depois de três anos de trabalho intenso, foi lançado, no dia 2 de janeiro de 1985, o primeiro álbum da banda, denominado “Legião Urbana”. Esse acaba sendo o disco que mais se diferencia do resto da carreira do grupo e é considerado um dos álbuns mais importantes do rock brasileiro. Em 1986 a banda lançaria “Dois”. Foi aí que a Legião Urbana começou a se tornar a maior banda do Brasil. O público começa a se identificar com as letras de Renato Russo, que nesse disco

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mostrava os mais diversos lados musicais. Faixas como Tempo Perdido, Índios, Fábrica e Eduardo e Mônica viraram febre entre adolescentes. E você tem em mãos outro disco, popu-lar e extremamente raro de se ver nos dias de hoje. Em seguida vem “Que País é Este?”, lançado em 1987. O álbum é marcado com grandes sucessos como Angra Dos Reis, Eu Sei e principalmente a épica Faroeste Caboclo, que apesar de possuir nove minutos, se tornou um hit impensável nas rádios daquela época e um clássico incontestável do rock do Brasil. O disco que mudou grande parte da carreira da banda foi “As Quatro Estações”, lançado em 1989. O baixista

Renato Rocha sai da formação e Renato Russo assume publicamente a sua homossexualidade. O resultado foi um disco pop, calmo e quase que só composto por hits como: Pais e Filhos, Há Tempos, Monte Castelo, e Quando O Sol Bater Na Janela do Teu Quarto. Os shows também mudaram de clima, substituídos por uma onda de comunhão, o que justificava o termo “Religião Urbana”.  O disco mais difícil do grupo nasceu em 1991, intitulado de “V”. Nesse mesmo ano Renato descobrira estar com o vírus da AIDS, mas por vontade própria preferiu não divulgar publicamente sua doença. “V” provou também que a banda estava em outro patamar, já que foi o único disco lançado pelas grandes bandas dos


anos 80 que realmente vendeu bem. Já a turnê foi marcada com histórias de hotéis quebrados, crises de alcoolismo e muita dificuldade. Seguindo uma linha, talvez inconsciente, após um disco pesado, a banda novamente lançou um trabalho mais calmo, “O Descobrimento Do Brasil”, lançado em 1993. Claro que a revolta com a situação do país continuava lá, mas o clima geral do disco era de recomeço, assim como mostravam as músicas Vinte e Nove e Giz. Foi com esse álbum que o grupo fez as suas últimas e elogiadas apresentações ao vivo. Esses shows deram origem ao álbum “Como É Que Se Diz Eu Te Amo?” lançado em 2001, cinco anos após a morte de Renato.

Após 2 anos da Morte de Renato Russo, a banda lançaria ‘’Uma Outra Estação”, em 1998. O álbum não vem com a mesma suavidade de trabalhos anteriores. Várias faixas mais descontraídas estão presentes, como Antes Das Seis e Mariane. Incorporando a idéia de fechamento de ciclo, foi levada à edição canções ainda dos anos 80, como Dado Viciado (que fala sobre os problemas de um primo de Renato com as drogas, e não foi lançada anteriormente para evitar confusões do personagem da letra com o guitarrista Dado Villa-Lobos), e Marcianos Invadem a Terra, que chegou a ser gravada por Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial. A carreira da banda foi marcada por outros lançamentos, como “Música para Acampamentos”, em 1993 o “Acústico MTV”, gravado em 1991, e outros registros de shows das turnês “Como É que Se Diz Eu Te Amo” e “As Quatro Estações ao Vivo”.

Quase Sem Querer - Legião Urbana

Tenho andado distraído, impaciente e indeciso, e ainda estou confuso, só que agora é diferente! Estou tão tranquilo e tão contente... Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo o mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém?”

 O último disco lançado pela banda, em 1996, seria “A Tempestade ou O Livro dos Dias” com Renato Russo ainda vivo, saiu três semanas antes da morte do cantor, que morreu no dia 11 de outubro de 1996.

Como herança Renato nos deixou o disco mais denso possível, com canções e mais canções falando em despedidas e mortes. Este disco foi o que menos demarcou sucessos do grupo. Mas é óbvio que a Legião Urbana não deixou de tocar nas rádios. Faixas como A Via Láctea e Dezesseis emplacaram nos anos 90.

E mesmo após 18 anos do término da banda, a Legião Urbana ainda é o terceiro grupo musical da gravadora EMI que mais vende discos de catálogo em todo o mundo, com uma média de 250 mil cópias por ano. Além disso, é uma das recordistas de vendas de discos no Brasil. O grupo musical, ao longo de sua carreira, também recebeu premiações da ABPD, como dois Discos de Diamante  pelos álbuns “Que País É Este?” (1987) e “Acústico MTV” (1999). E a cada ano podemos ver que a grande Legião Urbana conquista cada vez mais gerações e mostra a força do Rock Nacional, no Brasil e no mundo.

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ROCK

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JO FR


John Frusciante é mundialmente conhecido pelo brilhante trabalho como guitarrista dos Red Hot Chili Peppers, banda na qual ele integrou bem jovem. Após se entregar a um profundo vício em heroína e sair da banda, retornou anos depois e gravou mais 3 álbuns, incluíndo o premiado “Stadium Arcadium”, antes de deixar a banda definitivamente para se dedicar somente á sua carreira solo. Entre a primeira saída e retorno à banda californiana, John enfrentou anos de depressão e vício em drogas pesadas, mas ele diz não se arrepender dessa época, já que foi nela que iniciou sua carreira solo, que se extende até hoje. John partiu do Lo-Fi para o que ele chama de Progressive Sinth Pop. O que mais chama a atenção no trabalho de Frusciante é a inconstância. John é um apaixonado declarado pela música e tenta sempre se renovar. Seus primeiros álbuns (“Niandra Lades & Usually Just a T-Shirt”e“Smile From The Streets You Hold”) foram produzidos na sua época mais sombria e dolorosa. Foram gravados de forma simples, com baixa qualidade sonora, geralmente acompanhados de violão, guitarra e voz. A atmosfera é pesada e é quase possível saber como John se sentia, podendo ser uma experiência chocante para os desavisados. No ano de 2001, já de volta ao Red Hot Chili Peppers, John lança seu terceiro álbum solo, “To Record Only Water For Ten Days”. As músicas eram mais bem definidas e já continham alguns beats

eletrônicos e outros instrumentos. Neste álbum, John soa mais harmonioso, e é mais confortável para quem ainda não conhece seu trabalho. Após o fim da turnê de By The Way, John resolve se unir com o amigo Josh Klinghoffer (Atual substituto dele nos Red Hot Chili Peppers) e decide lançar 7 novos álbuns no período de um ano. Neste projeto, John se desafiou a inovar, variando entre um álbum com músicas mais acústicas, outro com um estilo de rock mais clássico, e também algo mais eletrônico. Entre eles, “Curtains” e “ Shadows Collide With People” são álbuns fáceis de se ouvir e entender, tendo o estilo mais pop encontrado nos trabalhos de Frusciante. E então chega a vez de “The Empyrean”, e John se renova mais uma vez, agora com uma profundidade ainda maior na gama de instrumentos e efeitos, com uma guitarra afiada de quem acabara de terminar a turnê de “Stadium Arcadium”, com seus antigos companheiros.

participou dos vocais em algumas faixas). Por fim, neste ano, John lançou “Enclosure”, álbum que ele declarou como o fim de um ciclo em que teria entrado após o lançamento de “ The Empyrean”. Frusciante diz que agora já tem completo manejo de suas máquinas de música eletrônica e alcançou a plenitude deste gênero. “Enclosure” também tem base na música eletrônica, como seus 2 antecessores, mas nele percebemos beats mais organizados e a guitarra com um pouco mais de força. A carreira solo ainda é prioridade na vida de Frusciante, embora as últimas noticias seriam de que John estaria trabalhando como produtor do novo álbum da banda Duran Duran. A única coisa que sabemos é que, com certeza, logo teremos ainda mais conteúdo desse grande músico.

CONHEÇA O SOM:

Nos próximos álbuns, John entra de cabeça no mundo experimental e começa a produzir suas músicas muito mais embasadas em beats eletrônicos e sintetizadores, com pouca ou quase nenhuma linha de guitarra. Em “Letur Lefr” e “PBX Funicular Intaglio Zone”, Frusciante define que seu estilo seria o Progressive Sinth Pop. Neles, ainda conta com a participação do grupo de Rap Black Knights (para quem John produziu o álbum “Medieval Chamber” e também

OHN RUSCIANTE O trabalho solo do ex Red Hot Chili Peppers. Por Lucas Martins

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ROCK

THE MAR Rock progressivo de qualidade! Por Lucas Martins Se você gosta de rock progressivo, sabe como é difícil encontrar novidades no gênero. Muito popular nos anos 70, o rock progressivo é embalado em músicas longas, geralmente com alta complexidade instrumental e com uma pitada de blues, jazz e, é claro, rock, e disso o The Mars Volta entende. Formada em 2001, a banda é encabeçada por Cedric Bixler Zavala (vocais) e Omar Rodriguez Lopez (guitarras/direção/produção). Ambos ex-membros da banda “At The Drive In”, o The Mars Volta é conhecido pelos álbuns conceituais e pelas performances ao vivo extremamente enérgicas. Outra marca registrada no The Mars Volta é o fato de que alguns dentre os

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6 álbuns já lançados pela banda são baseados em histórias lotadas de misticismo, como, por exemplo, seu primeiro álbum, “De-loused In The Comatorium (2003/2004), que conta a história de um amigo dos integrantes da banda que entrou em um coma de anos devido ao abuso de drogas. As letras são todas baseadas em relatos do rapaz, em que ele diz ter vivido uma verdadeira batalha contra o lado mal de sua mente.

Outro álbum com história interessante é o “Frances The Mute”. Segundo os integrantes da banda, o álbum é baseado no conteúdo de um diário encontrado por um técnico de som da banda em um carro recém comprado. Neste diário, o protagonista desconhecido descreve sua busca pelos pais verdadeiros, pois descobrira ser adotado. Também descreve o fato de ter ficado mudo após a morte de sua amada. Por último, mas não menos importante, temos o álbum “The Bedlam in Goliath” e sua história sobre Cedric ter compra-

do um tabuleiro Ouija (espécie de jogo que envolve contato com espíritos) e, numa das vezes em que brincaram com o artefato, conheceram 3 espíritos que tinham demandas para que eles pudessem descansar em paz. Porém tudo começou a ficar complicado quando eles ignoraram os “pedidos” dos espíritos, desde o estúdio pessoal de Omar, onde estava sendo gravado o álbum, ser inundado por um vazamento, dentre outras desventuras. Os integrantes resolveram então voltar para o tabuleiro e terminar o jogo. Além de um folclore interessante, o The Mars Volta tem muita música a oferecer, vale dar uma conferida!

CONHEÇA O SOM:


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ROCK grupo  chamado  The Birds Of Satan,  o guitarrista  Chris Shiflett  gravou  um novo álbum com o  Me First And The Gimme Gimmes, e Dave Grohl  pode se tornar apresentador de TV. O oitavo disco de estúdio da banda chegará às lojas em paralelo ao lançamento de uma série documental dirigida pelo próprio Grohl para emissora HBO, a qual mostrará toda a odisseia do processo de gravação deste novo álbum. A série em questão inclui a gravação de cada faixa do repertório em um lendário estúdio do país, o que permitiu a banda explorar o patrimônio cultural de Chicago, Austin, Nashville, Los Angeles, Seattle, Nova Orleans, Washington DC e Nova York. Em suas próprias palavras, trata-se de “uma carta de amor à história da música americana”. A passagem por esses lugares também influenciou no processo de composição do album, que não foi fechado até a ultima sessão da gravação para incluir experiências.

FOO FIGHTERS

Por Fernando Zullo

Butch Vig, renomado produtor norte-americano, conhecido, principalmente, por ter produzido o disco “Nevermind”, do  Nirvana, declarou que o novo álbum do Foo Fighters, capitaneada por Dave Grohl, está quase pronto. “A banda está experimentando algumas técnicas de gravação desafiadoras”, disse Butch. “Estamos gravando em locações diferentes, mas temos quase metade pronto e está tudo indo bem. Soa diferente. Jogamos algumas coisas na mix, durante o processo de gravação, que darão um som diferente. Tem sido um desafio, mas também é empolgante”, completou o produtor, em entrevista concedida para a Revista Kerrang. O disco ainda não têm data de lançamento definida, mas imagina-se que o mesmo seja lançado no final do segundo semestre de 2014.

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Primeiro a banda foi para Austin, no Texas, onde gravou mais de uma música.  Dave Grohl e companhia têm registrado cada uma das músicas do novo disco em um novo local. Cidades como Nova York e Chicago já foram visitadas. Além disso, Vig disse que espera ter mixado todo o álbum até o final de Junho, para que o disco seja lançado no Outono do Hemisfério Norte, a nossa Primavera, que acontece entre Agosto e Novembro. Ou seja, é provável que novas músicas da banda comecem a ser divulgadas nesse período. Vig ainda fala sobre a pressão que Taylor Hawkins  sofre por ter o produtor e o vocalista do grupo como bateristas e sobre como algumas das músicas do novo disco são “diferentes”. Mesmo em processo de gravação do novo disco, a banda tem estado bastante ocupada. O baterista lançou um novo

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GOSPEL

DAVID CROWDER BAND

Por Fernando Zullo

Com sua barba espessa longa, óculos distintivo e nativo do Texas, David Crowder é um dos artistas mais originais e inovadores da música cristã.Sua trajetória na música teve início nas anos 90, quando ainda pensava em seguir carreira solo. Nesse percurso, conheceu seu amigo Chris Seay e, depois de 11 anos juntos, fazendo música que era agradável à Deus e àseus ouvintes, o David Crowder Band  lançou seu primeiro álbum,  Give Us Resto, com “Let Me Feel You Shine” e “Porque Ele Vive”. “Estamos sempre gratos pelo apoio que tivemos da nossa comunidade da igreja, tanto a local quanto as demais”. A banda lançou um comunicado depois de terminar sua turnê, no outono de 2011, que daria um tempo para composições. Um ano após a pausa, David volta com um novo álbum em mãos, criando em seu público uma expectativa inevitável. ”Temos sido muito felizes em ouvir e ler as respostas para o álbum”, diz Crowder. “Você faz uma coisa e espera que ela vai significar algo e ser útil para outra pessoa, e ao ver uma reação tão positiva, bem, nós não poderíamos estar mais felizes com isso.” 

A David Crowder Band nasceu em resposta a uma estatística preocupante: quase metade dos estudantes da Universidade de Baylor não frequentavam a igreja.  Considerando que Baylor é uma universidade cristã, este foi um fenômeno particularmente estranho que mesmo David não conseguia explicar. Na esperança em acreditar que a tendência poderia ser revertida se uma alternativa relevante fosse apresentada, David e seu amigo Chris, que também eram estudantes na época, começaram uma nova congregação com seus pares em mente, na University Baptist Church, em Waco. Como líder de louvor da igreja, David notou falta de canções de louvor modernas, que realmente se relacionassem com os corações dos presentes.  Ele começou a escrevercanções para seu repertório das manhãs de domingo, e em pouco tempo as faixas para a Universidade Batista tornaram-se o grito do coração das massas. Não contente em simplesmente descansar sobre suas realizações artísticas

do passado, David sempre impulsionou as fronteiras musicais.  Agora, com um conjunto diversificado de peças musicais, David diz que a maioria de suas canções foram compostas inusitadamentes, sonhando ou enquanto andava pelo campo do Texas com sua esposa.  Mesmo que seu público tenha se expandido consideravelmente, graças à popularidade de canções como “Aqui É o Nosso Rei “ e ”  How He Loves Us”, grande parte das pessoas que o ouve não são cristãos, mas reconhecem o talento e dedicação de um dos grandes ícones do pop rock Cristão.

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ELETRテ年ICA

IAMA

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AMIWHOAMI A história toda começou no final de 2009. Um canal de vídeos era criado no youtube, sob um nome particularmente estranho. Mais estranho ainda era o conteúdo de seu primeiro vídeo postado: uma paisagem campestre, umas árvores com braços e pernas no lugar de galhos, uma forma feminina imersa em um líquido preto e um instrumental eletrônico. Nada de anormal, né? Um mês depois surgia o segundo viral, tão subjetivo e sombrio quanto o primeiro. Assim começava o legado de iamamiwhoami.

Os virais continuaram a surgir espaçadamente, seguindo a mesma linha misteriosa dos anteriores. Junto dos uploads e das crescentes visualizações, surgiam as suposições: quem seria o rosto disforme por trás daquilo? Apesar de na época ainda não se saber se tratava-se de um projeto musical ou conceitual, começaram a atribuir sua identidade a cantoras da cena mainstream, como Christina Aguilera, que estava prestes a lançar um projeto com temática parecida, além de alguns outros nomes da cena underground, como Fever Ray, Goldfrapp e The Golden Filter. Porém, mais vídeos chegavam, e as candidatas ao posto de lead singer ficavam cada vez mais escassas. Meses depois do primeiro viral, a primeira mostra concreta do projeto veio à tona. Surgia “b”, o primeiro vídeo musical, e, com ele, a identidade de sua criadora, Jonna Lee. A cantora sueca, hoje com 32 anos, já possuia dois discos em seu currículo como cantora folk (“10 Pieces, 10 Bruises” (2007) e “This Is Jonna Lee” (2009)), ambos sem sucesso, tanto de público quanto de crítica. Porém, foi quando se juntou com o produtor Claes Björklund, também sueco, que sua carreira músical deslanchou, agora como a eletrônica iamamiwhoami.

Começando com “b”, uma balada dream pop com base em piano e uma Jonna Lee embalada em fita adesiva, seguiu-se com a sombria e sofrida “o”, interludes eletrônicos em “u-1” e “u-2”, a sonhadora “n”, sintetizadores pesados e compassados em “t” e finalizando com a mistura do dream pop com o eletrônico em “y”. Em termos de vídeos, todos extremamente bem produzidos e igualmente vagos e subjetivos, a história parece contar a saga da mandrágora personificada, uma planta de propriedades alucinógenas e que, segundo a lenda, teria uma voz mortal e seria fruto do sêmem se um homem enforcado. No decorrer dos vídeos, acompanhamos a vida dessa personificação, desde sua colheita até sua libertação. No final de sua trajetória, somos apresentados finalmente ao título de seu primeiro trabalho, bounty. Três meses depois, com a mesma atmosfera misteriosa de sempre, foi feito o anúncio do "in concert", uma espécie de apresentação ao vivo, mas sem público físico, que seria transmitida via stream e apresentaria suas canções já conhecidas, num novo contexto e arranjo, mais uma mostra da criatividade do projeto.

De projeto indie ao mainstream alternativo Por Diego Bueno

Eis que, em Maio de 2011, quase seis meses depois, é lançado o vídeo de “;john” e logo depois o de “clump”, parecendo servir de ponte para uma nova fase, que só daria sinal de vida seis meses depois. O começo de 2012 trouxe consigo o início de uma nova era para Jonna, a era "kin". Com uma sonoridade mais eletrônica e polida que a anterior, fomos apresentados a uma nova estética do projeto. Com músicas e vídeos lançados de quinze em quinze dias, somos apresentados às Huldras, criaturas do folclore escandinavo, que agora perseguem Jonna para, no final, transformarem-na em sua rainha, num

Depois de ter seu primeiro trabalho exposto, surgiu a incerteza de seu futuro. O que seria do projeto de Jonna e Claes agora? Grande parte de seus ele-mentos já estava claro ao público, mas não havia indícios de continuidade. Depois do concerto, veio um período com ausência total de notícias. Nenhum vídeo, nenhum pronunciamento, nada...

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enredo psicológicamente instável que fala sobre lutar contra seus próprios medos e sobre o amor de família. Em “goods”, música que fecha os trabalhos desse álbum, temos uma composição em que Jonna Lee agradece aos fãs pelo apoio e diz que precisa de um tempo para se inspirar novamente, pedindo para esperarmos por ela. E nós esperamos... Esse hiatus serviu para Jonna Lee e companhia finalmente colocarem o pé na estrada. Começando com uma bem sucedida mini-turnê, se apresentaram em festivais por toda a Europa e, após consolidar seu público por lá, partiram para a América do Norte para alguns shows. Finalmente, em Janeiro de 2014, iamamiwhoami dá suas caras novamente no mundo da música eletrônica, lançando o primeiro single/vídeo, “fountain”. Agora em parceria com a WAVE, um coletivo de diretores, Lee apresenta sua nova persona, ainda não identificada, dançando em meio as ondas de uma praia. Duas semanas depois, somos apresentados à “hunting for pearls”, faixa oitentista que traz pela primeira vez os antagonistas dessa nova fase, sujeitos cobertos de lycra preta, que caçam Jonna incansávelmente pela mesma praia anterior, enquanto ela se refugia no fundo do mar. E agora, o mais recente single, “vista”, trouxe Jonna dominando uma paisagem gélida da Islândia e tomando-a como sua, ao som do seu dream pop/eletrônico característico. Resumindo, iamamiwhoami trouxe, com seus vocais excêntricos e sua sonoridade única, um sopro de frescor à música alternativa/eletrônica, fazendo com que simples vídeos virais no youtube se tornassem verdadeiras obras audio-visuais, e tendo seu conceito utilizado pelo cenário pop mainstream (vide Beyoncé e seu mais recente trabalho homônino, que conta com video clipes para todas as faixas). E prova de sua qualidade sonora é um projeto exclusivamente digital, que vem se mantendo e conquistando mais observadores, mesmo depois de 5 anos de incerteza quanto o seu caminhar. 24

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ELETRÔNICA

BJÖRK 26

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A música através das ciências, e vice-versa. Por Diego Bueno Björk é uma artista que dispensa apresentações. Dotada de uma criatividade artística sem igual e premiada em diversas áreas do entretenimento, é uma das grandes responsáveis por trazer o “novo“ ao mundo da música. E sua mais recente obra prima é o projeto multiplataforma, Biophilia (2007). Biophilia, o oitavo álbum de inéditas da cantora islandesa, foi o primeiro “álbum de estúdio no formato de aplicativo” no mundo, em colaboração com a Apple. O álbum contém gêneros musicais como música eletrônica, minimalista, ethereal wave, e música experimental, e foi realizado quase inteiramente em um iPad, ferramenta que Björk considerou perfeita, já que ela não toca nenhum instrumento musical. Björk descreveu o projeto como uma coleção que engloba música, aplicativos, internet, instalações e apresentações ao vivo. Musicalmente, o álbum é estruturado como uma espécie de ópera instrumental etérea. Cada faixa descreve um tipo de fenômenos naturais e cósmicos. O título é uma representação geral do senso de conexão com a natureza e outras formas de vida de caráter inato e produto evolucionário da seleção natural. Durante seu desenvolvimento, Björk cantou as canções do álbum ao vivo no Festival Internacional de Manchester, para ver a aprovação do projeto musical. O álbum obteve resenhas positivas de críticos contemporâneos, o chamando de “hipnótico”, “propositalmente estranho”, “íntimo, festivo e bonito”, e “um dos melhores discos de Björk”. O Biophilia para iPad incluia dez aplicativos separados, e um aplicativo “mãe”. Cada um dos aplicativos menores vai se relacionando com uma faixa diferente do álbum, permitindo que as pes-

soas explorem e interajam com temas das músicas ou até mesmo façam uma versão completamente nova delas. Cada aplicativo inclui um jogo relacionado com a música, sua partitura, animações e um ensaio musical escrito por Nikki Dibben. Scott Snibbe, um artista interativo que foi colaborador de Björk no verão de 2010 para produzir o aplicativo, bem como as imagens para os shows ao vivo (que combinaram seu visual com imagens da National Geographic), descreve que foi Björk quem viu as possibilidades de utilização dos aplicativos, não como um elemento separado para a música, mas sim um componente vital de todo o projeto. Novos instrumentos musicais foram desenvolvidos especialmente para o álbum, principalmente para os shows no Manchester International Festival, que teve lugar em meados de 2011. A bobina de Tesla foi utilizada como um instrumento musical na canção “Thunderbolt”. A “gameleste”, uma mistura entre um gamelan e uma celesta que foi programada para ser usada remotamente por um iPad, também foi usada em várias músicas. Em “Solstice“, um grupo de pêndulos foram colocados juntos, criando padrões com os seus movimentos, transmitindo os movimentos da Terra ao som de uma harpa. Para a música, Björk quebrou o famoso padrão estrutural de 4/4 compassos, trabalhando com variações de uma música para a outra. Também utilizou diferentes ciclos musicais repetidos, como em “Moon”. A canção “Thunderbolt” contém arpejos, inspirada no tempo entre quando o relâmpago é visto e trovão é ouvido, e em “Solstice”, o contraponto faz referência ao movimento dos planetas e a rotação da Terra, e os pêndulos utilizados na música fazem homenagem ao pêndulo de Foucault. Com um conceito tão bem amarrado como o de Biophilia, temos um álbum com conteúdo impecável, inteligente, moderno e inovador, como Björk nunca falha ao nos oferecer.

BIOPHILIA

EDUCATIONAL

PROGRAM

Este pequeno vídeo a partir das oficinas realizadas na Islândia no outono de 2011 mostra as atividades e natureza interdisciplinar do Programa Educacional Biophilia. As oficinas, realizadas por alunos com idade entre dez e doze anos, foram desenvolvidas em colaboração com cientistas da Universidade da Islândia, bem como professores de música e ciência da Reykjavik City Schools. O programa é inovador em seu esforço altamente original para acabar com os métodos convencionais de ensino, e mescla música e ciência de uma maneira nova e excitante. A Biophilia Oficina é um projeto itinerante e está em turnê por todas as escolas de ensino médio da cidade de Reykjavik há três anos.

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Groove - Edição 01