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Capítulo 1

Biomassa, bioenergia e plantações de árvores 1.1 De que estamos falando? Biomassa e bioenergia No decorrer da história, a humanidade utilizou a biomassa que se encontra abundantemente em quase todo o planeta, por exemplo, como lenha para gerar calor e para cozinhar, ou na forma de óleos de origem vegetal ou animal para iluminação. Até hoje, mais de 2 bilhões de pessoas dependem da madeira como fonte de energia para cozinhar e para calefação, principalmente nos países do Sul global. A energia que resulta disso é chamada de bioenergia. Pode-se gerar bioenergia a partir de biomassa em forma sólida, como lenha de madeira, cavacos ou granulados, ou líquida, tendo o etanol e os óleos vegetais como matéria-prima, ou ainda em forma, gasosa, como o biogás. Como resultado da promoção recente das “energias renováveis”, existem cerca de 2.000 usinas energéticas de biomassa em 50 países de todo o mundo, com mais de 1.000 delas ativas só na Europa.1 Essas variam em tamanho, desde usinas muito pequenas até a maior usina de biomassa do mundo, chamada Tilbury B, na Inglaterra, que pode queimar 7,5 milhões de toneladas de granulados de madeira por ano. Atualmente, 10% da energia primária2 total usada globalmente provêm da bioenergia. A biomassa tradicional no Sul global ainda representa a maior parte disso, mas políticas defendidas na Europa, na América do Norte e em nível internacional- por exemplo, através da Iniciativa Energia Sustentável para Todos3 -buscam reduzir o uso tradicional de bioenergia e substituí-lo, inclusive por combustíveis fósseis- enquanto fomentam a bioenergia industrial, em larga escala, incluindo eletricidade baseada em madeira e agrocombustiveis. Na UE, a expectativa é que a maior parte das metas de energias renováveis se concretizem com a biomassa, enquanto o governo dos EUA espera que a bioenergia cresça muito mais do que as energias renováveis em geral. Agrocombustíveis, e não biocombustíveis Na década de 1970, o Brasil e, mais tarde, os EUA, foram os primeiros países que, com seus programas de etanol, respectivamente à base de cana-de-açúcar e milho, começaram a promover o uso dos chamados “biocombustíveis” em escala nunca antes vista, sendo seguidos por vários países na última década e gerando uma “explosão” desse tipo de combustível. Estados Unidos, Brasil, Alemanha e França estão hoje entre os principais produtores. A matéria-prima vem de monocultivos como milho e cana-de-açúcar, no caso de etanol, e canola (espécie de couve de cujas sementes se extrai óleo), soja e dendê, no caso do óleo. Para se ter uma ideia da expansão, no ano 2000 foram produzidos 16 bilhões de litros de “biocombustíveis” mundialmente, e para 2010, a cifra alcançou os 100 bilhões.4

1 Geração de energia a partir de biomassa em nível mundial, ver artigo em inglês (http://www.energias-renovables.com/articulo/ power-generation-from-biomass-booms-worldwide). 2 Energia primária é aquela disponível na natureza, que pode ser usada de forma direta; é o caso do petróleo, do carvão mineral, do gás, da biomassa, da energía eólica, etc. 3 http://www.sustainableenergyforall.org/ 4 Schneider, 2012 Uma nova ameaça para comunidades e florestas

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Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
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