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Certificadores como SGS já estão entrando no novo mercado de certificação de plantações de biomassa para bioenergia, afirmando: “Somos pioneiros no desenvolvimento de sistemas de verificação e certificação que reconhecem a sustentabilidade da biomassa ...Nossos serviços de verificação e certificação de biomassa possibilitam que você aproveite mercados internacionais que reconheçam seu combustível como sustentável...”99 A partir de outubro de 2013, os critérios serão obrigatórios no Reino Unido para a produção de agrocombustíveis e também para biomassa de madeira, criando assim, mais um incentivo à “indústria de certificação”. De acordo com a Biofuelwatch, os critérios de sustentabilidade, anunciados pelo Reino Unido para a biomassa de madeira e discutidos como critérios em potencial para toda a UE, carecem de credibilidade, sobretudo porque se baseiam por inteiro em relatórios feitos pelas próprias empresas de energia, com a única “verificação” obrigatória conduzida por consultores que elas mesmas escolhem. FSC, PEFC e outras formas de certificação florestal voluntária serão aceitos no Reino Unido como evidência mas não serão obrigatórios. Os critérios de sustentabilidade da UE para agrocombustíveis, introduzidos junto à meta de uso de 10% de agrocombustíveis no setor de transporte, também carecem de qualquer verificação independente e verossímil e estão relacionados fundamentalmente a critérios falhos em relação ao uso e à conversão de terras e questões relacionadas ao efeito estufa. Não se levam em conta os impactos indiretos sobre a conversão de terras e tampouco critérios sociais ou de direitos humanos. Por esse motivo, por exemplo, considera-se que o óleo de dendê proveniente da região do Baixo Aguán, em Honduras, cumprirá os critérios de sustentabilidade da UE, apesar da continuada matança de dezenas de líderes camponeses nos conflitos de terra que envolvem esses camponeses e proprietários de fazendas de dendê.100 Existem também várias iniciativas “voluntárias” de certificações elaboradas pelas próprias empresas. Por exemplo, a britânica Drax, maior produtora de eletricidade a partir de biomassa no Reino Unido, contratou a empresa TerraVeritas para elaborar princípios de sustentabilidade. Esses princípios seriam transformados em um formulário a ser preenchido pelos provedores. A seguir, a TerraVeritas analisará os resultados, mas não está prevista qualquer visita de campo para ver in situ a plantação de árvores ou a floresta de onde vem a biomassa. A empresa Drax afirma que “espera estimular a liderança ambiental ...[e] participar com iniciativas de políticas e regulamentações aplicáveis, para compartilhar experiências” Consequentemente, a Biofuelwatch conclui que “os padrões de biomassa, portanto, não são um meio confiável de abordar os graves impactos negativos da bioenergia”.101

99 SGS Biomass Certification (http://www.sgs.com/en/Sustainability/Environment/Energy-Services/Biomass-Certification.aspx) 100 Palm oil in the Aguan Valley, Honduras: CDM, biodiesel and murders (http://www.biofuelwatch.org.uk/2011/palm-oil-in-theaguan-valley-honduras-cdm-biodiesel-and-murders/) 101 Ernsting, 2012 Uma nova ameaça para comunidades e florestas

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Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
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