Page 38

O uso de árvores geneticamente modificadas Outro aspecto que preocupa nesse novo tipo de plantação é o uso de árvores geneticamente modificadas. Recentemente, a empresa FuturaGene anunciou que já fez modificações genéticas no eucalipto, para que se desenvolva 40% mais rapidamente e para que cresça 5 metros por ano, com 20-30% a mais de biomassa do que o normal. Segundo o diretorexecutivo da empresa, Stanley Hirsch, só falta a autorização de parte dos governos, bem como o respaldo de grupos de preservação e dos organismos de certificação, para liberar comercialmente esta espécie de laboratório. A FuturaGene fez plantações experimentais no Brasil, na China e em Israel, e atualmente se encontra nas etapas finais para a obtenção da autorização para plantação comercial no Brasil.95 A modificação genética também está sendo desenvolvida, por exemplo, para gerar resistência ao agrotóxico mais aplicado no monocultivo de eucalipto: o glifosato. Não surpreende que tenha sido exatamente a Suzano a comprar, em 2010, a FuturaGene. 3.4 A certificação de plantações de árvores para bioenergia A Biofuelwatch publicou recentemente um relatório97 em que realizou uma avaliação dos padrões e critérios dos selos de certificação oficiais e voluntários, existentes e propostos, em relação à biomassa industrial de madeira, para bioenergia. A organização observa que se pretendem utilizar selos de certificação existentes, como o FSC, e que também estão sendo desenvolvidos novos esquemas de certificação e padrões obrigatórios como têm sido anunciados no Reino Unido e discutidos na UE. O Conselho de Manejo Florestal (FSC, na sigla em inglês), criado em 1993, é considerado por ONGs ambientalistas conhecidas, como WWF e Greenpeace, como o sistema mais “confiável” de certificação de plantações de monocultivos de árvores. Seria um sistema transparente, com participação da sociedade civil. No entanto, o FSC tem sido duramente criticado por comunidades locais e por ONGs como o WRM, por haver certificado cerca de oito milhões de hectares de plantações de monocultivos de árvores, nenhuma das quais pode ser considerada “sustentável”, seja qual for o critério aplicado. Ainda que a certificação possa “mitigar” certos efeitos negativos de algumas plantações, sua função fundamental tem sido a de “autorizar” a expansão indefinida das plantações em detrimento das comunidades locais. Isso levou a um descrédito forte do FSC, e várias ONGs do Norte relevantes na luta pela defesa das florestas e dos direitos de suas populações, como RobinWood e, em grande medida por este motivo também, a FERN, abandonaram o Conselho.98 Quem se beneficia diretamente com a certificação são empresas de consultoria, como SGS, SCS e Imaflora. As empresas de certificação também se acostumam a usar outros esquemas de certificação com padrões ainda mais amigáveis para as indústrias do que o FSC, como o PEFC (Program for the Endorsement of Forest Certification). 95 Com base em informações publicadas pelo jornal The Guardian, matéria escrita por John Vidal, disponível em http://www. climatecentral.org/news/firm-claims-gm-trees-a-fuel-industry-game-changer-15251 96 Muito usado e propagado pelas multinacionais que o promovem como produto que não causa nenhum impacto grave; mas, cada vez mais se divulgam estudos que demonstram seus graves impactos sobre o meio ambiente e a saúde humana. E, com o uso de árvores transgênicas, tendem a aumentar as aplicações, apesar da propaganda da indústria, de que diminuiríam. Por exempo, pouco depois de o Brasil introduzir a soja resistente ao glifosato, o uso da Roundup Ready da Monsanto aumentou ainda mas. (Overbeek et al, 2012). 97 Ernsting, 2012 98 Overbeek et al, 2012 38 Plantações de árvores no Sul para gerar energia no Norte

Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Advertisement