Page 36

O corte de árvores por parte da empresa provocou vários problemas e descontentamento na população. O negócio se baseava principalmente em acordos verbais pouco claros, arbitrariedades em relação a espécies e volumes de madeira colhidos, estragos nos cultivos limítrofes, falta de pagamentos. A seguir, a Buchanam Renewables começou o corte mecanizado nas plantações industriais de seringueira da Bridgestone-Firestone, próximo a Kakata. Na Libéria, o fornecimento de energia dos habitantes se baseia em lenha e carvão vegetal. De acordo com o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, PNUD, 99,5% dos habitantes cozinham com lenha, da qual as selvas tropicais, os mangues e as seringueiras velhas são a principal fonte. O abastecimento se baseia principalmente em milhares de coletores informais e pequenos comerciantes. O Ministério de Energia escreveu, em 2007, no Plano de Ação de Energias Renováveis, que “a escassez de lenha se converte em um sério problema na maior parte da Libéria, principalmente no condado de Montserrado, próximo à capital, Monróvia”.88 No entanto, desde 2009, a Buchanam Renewables exporta os cavacos de madeira de seringueira para a Europa para gerar eletricidade, enquanto o povo liberiano continua sem eletricidade e com dificuldades de gerar energia. Em Gana,89 a empresa estadunidense Clenergem -a mesma que opera na Guiana- recebeu, declaradamente, uma concessão de 5.000 hectares de terra por um prazo de 49 anos, através de um acordo com o chefe tradicional da área de Bole. Ali, seriam estabelecidas plantações de bambu a serem transformadas em cavacos e utilizadas como insumo na produção de energia. No entanto, a página da Clenergen na internet não dá nenhuma indicação sobre se eles até hoje já plantaram algum bambu.90 Também em Gana, um acordo foi noticiado entre o Grupo de utilidade dinamarquês Verdo e a Africa Renewables Ltd. (Afriren), com sede no Reino Unido, para produção de 826.700 toneladas de cavacos em 5 anos, a partir de seringueiras.91 3.3 Os impactos das plantações energéticas para biomassa Atualmente, no Sul global, existem aproximadamente 60 milhões de hectares de terra ocupados por plantações industriais de árvores.92 Não há um só país no Sul Global onde se tenham estabelecido essas plantações no qual não tenha havido conflitos de terra. As plantações de árvores resultam na expulsão das comunidades locais de seus territórios -muitas vezes de forma violenta- e/ou na ocupação parcial ou total das terras que as comunidades tradicionais usam para sua subsistência.93

88 Ministry of Lands, Mines and Energy, 2007. Renewable Energy and Energy Efficiency Policy and Action Plan. (http://www. molme.gov.lr/doc/Microsoft%20Word%20-%20RE%20_%20EE_Policy_Liberia.pdf) 89 IIED, 2011 90 http://www.clenergen.com/ghana/projects/republic-of-ghana 91 http://biomassmagazine.com/articles/5890/rubber-tree-chips-to-fuel-danish-power-plant 92 Overbeek et al, 2012 93 Overbeek et al, 2012 36 Plantações de árvores no Sul para gerar energia no Norte

Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Advertisement