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Segundo a empresa, pretendem-se produzir anualmente uns 25 metros cúbicos de biomassa por hectare a cada ano. Com um ciclo de rotação de sete anos, esperam-se coletar 175 m3/ ha de biomassa em sete anos. Pretendem-se aumentar as 500.000 toneladas de madeira por ano que são produzidas atualmente, até chegar a 1,5 milhão de toneladas em 2018. No entanto, de momento se frustraram os planos. Desde 2011, a concessão florestal vem sendo invadida e cortada. Sobre os autores e seus motivos, há diferentes versões. Um artigo sobre uma visita por parte das autoridades políticas à planície de Hinda e à zona de Nanga, em agosto de 2011, fala da “devastação da massa florestal por parte das populações”. Naquele momento, já se haviam cortado 7.750 hectares da plantação, com um prejuízo econômico de 22 bilhões de FCFA (cerca de 42 milhões dólares).84 Os cortes também continuaram em 2012, quando outra reportagem de imprensa indica que “a maior parte desse negócio está sendo repartida por muitos proprietários de terras com apoio de redes que envolvem militares, policiais, juízes e altos funcionários”. De sua parte, o sindicato dos empregados da EFC indica que a destruição do reflorestamento põe em perigo os 390 postos de trabalho na empresa.85 Na África Ocidental, tanto na Libéria como em Gana, já há projetos com biomassa de madeira. Na Libéria, opera a Buchanam Renewables Fuel (BR). A BR é uma empresa pertencente a uma firma de investimentos com sede na Suíça, chamada “Pamoja Capital”. A BR produz cavacos de madeira de seringueira e os exporta à Europa. A companhia se comprometeu a desenvolver uma empresa de energia para abastecer a Libéria antes de exportar os cavacos, mas, até agora, os planos não se concretizaram. Depois de anos de ditadura e duas guerras civis, a Libéria é um dos países mais pobres do mundo, e tem aproximadamente 260.000 hectares de plantações industriais de seringueira (Hevea brasiliensis). A multinacional nipo-estadounidense de pneus, Bridgestone-Firestone, maneja ali a maior plantação de seringueiras do mundo. ONGs locais, como a SAMFU,86 e relatórios da ONU87 indicam condições de trabalho e sociais catastróficas nas plantações, especialmente nas da Bridgestone-Firestone. Há denúncias, entre outras, de abusos de trabalho infantil, violência e descumprimento geral da lei. Inicialmente, a BR produzia cavacos a partir dos cortes que se realizavam nas propriedades dos camponeses. Muitos tinham plantado seringueiras em áreas lindeiras para delimitar suas propriedades - prática comum em um país onde ainda não se reconhecem integralmente os direitos territoriais das comunidades rurais.

84 Foresterie : le massif ´d´eucalyptus fibre congo´ menacé de disparition para des abattages sauvages (2011) (http://nerrati. net/infopage-congo/index.php?option=com_content&view=article&id=728&catid=2&Itemid=36) 85 EFC déplore la destruction de son massif d’eucalyptus à Pointe-Noire (2012) (http://www.mtm-news.com/article/4400/ efc-deplore-destruction-son-massif-d-eucalyptus-pointe-noire); y Les syndicats de la société Eucalyptus fibre du Congo s’insurgent (http://www.dailymotion.com/video/xohsyk_les-syndicats-de-la-societe-eucalyptus-fibre-du-congo-s-insurgentcontre-l-abattage-sauvage-d-eucaly_news) 86 SAMFU, 2008 87 Misión de la ONY en Liberia, 2006. Uma nova ameaça para comunidades e florestas

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Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
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