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África Na África, também há várias empresas que, há alguns anos, vêm investindo em plantações de madeira destinadas à produção de energia. A Green Resources é uma empresa privada Norueguesa que desde 1995 começou a operar em Moçambique, Tanzânia, Uganda e Sudão do Sul. Segundo sua página na internet, seu negócio77 se concentra no estabelecimento de plantações florestais para sumidouros de carbono, elaboração de produtos de madeira e energia renovável. No total, tem 300.000 hectares de terra sob seu domínio nos países em que opera, dos quais plantou em 22.000 e aspira chegar aos 100.000 hectares para abastecer tanto a demanda regional de produtos de madeira quanto a global. Sua estratégia se baseia em produzir madeira para os usos tradicionais e também para o novo setor em crescimento: a bioenergia.78 Em Moçambique e na Tanzânia, pretende estabelecer duas plantações em grande escala. Em Moçambique, as plantações de árvores para madeira já geraram numerosos conflitos nas zonas onde se expandem. Em concreto, a província de Niassa é uma das zonas com mais expansão e maiores conflitos, e onde a Green Resources opera através da Fundação Malonda, da qual faz parte. Desde 2005, empresas que promovem os monocultivos de pínus e eucaliptos em grande escala começaram a se instalar em Niassa. O interesse dessas empresas se deve ao fato de que essa é a maior província de Moçambique, dispondo de terras planas e férteis e com uma população relativamente pequena, de um milhão de pessoas. Mas, mesmo que a população de Niassa seja relativamente pequena, nada menos que 70 a 80% dela vivem no campo. Desde 2007, quando as empresas começaram a plantar árvores, a União Nacional de Camponeses (UNAC), principal organização camponesa de Moçambique, advertiu e questionou o fato de que as empresas estão plantando eucaliptos em terras que pertencem a comunidades camponesas, reduzindo o acesso dessas famílias a terras para plantar. Segundo a UNAC, isso coloca em risco a segurança e a soberania alimentar das famílias e da região.79 Na Tanzânia, a Green Resources tem três áreas com plantações de árvores na região das montanhas do sul. No total, a empresa recebeu mais de 100.000 hectares em concessões de terras que se encontram em distintas etapas de aquisição, incluindo 34.000 hectares já titulados. Já houve conflitos com as comunidades locais, tal como documenta um relatório produzido pela Timberwatch em fevereiro de 2011:80 “[T]erra sendo perdida por comunidades desalojadas, más condições de trabalho, destruição da biodiversidade da qual as comunidades dependem para obter alimento, combustíveis e medicamentos, disponibilidade de água reduzida, bem como muitos outros efeitos diretos e indiretos que têm impactos negativos sobre os meios de subsistência das comunidades afetadas.”

77 Green Resources (http://www.greenresources.no/Home.aspx) 78 Boletín de prensa, Evaluaciones y auditorías de las plantaciones extensivas de Green Resources (2012) (www.greenresources.no/Portals/0/Green%20Resources%20assessments%20and%20audits%20October%202012.pdf) 79 Overbeek, Winfridus, 2010. The expansion of Tree Monocultures:Impacts on local communities in the Province of Niassa. World Rainforest Movement. (http://wrm.org.uy/countries/Mozambique/book.pdf) 80 Karumbidza y Menne , 2011 Uma nova ameaça para comunidades e florestas

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Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
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